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Manual de PISOS

INDUSTRIAIS
Fibras de Aço e Protendido

Públio Penna Firme Rodrigues


Públio Penna Firme Rodrigues
Engenheiro Civil, graduado pela
Escola de Engenharia Mauá em
1979 e Mestre em Engenharia
pela Escola Politécnica da Uni-
versidade de São Paulo, 1989,
com diversos cursos de aper-
feiçoamento no exterior.
Tem mais de trinta trabalhos
publicados em congressos na-
cionais e internacionais, bem
como em revistas técnicas,
abrangendo principalmente os
temas de piso industrial e tec-
nologia de concreto. Ao longo
de sua carreira de mais de 30
anos tem se dedicado ao estu-
do e desenvolvimento dos pisos
industriais e pavimentos rígidos,
tendo sido responsável pela in-
trodução de modernas metodo-
logias de dimensionamento para
pisos e pavimentos reforçados.
Nos últimos dezessete anos
está à frente da Diretoria Técni-
ca da LPE Engenharia e Consul-
toria, com mais de 32 milhões
de metros quadrados de obras,
abrangendo mais de 3.500 pro-
jetos (até 2009; visite o site
www.lpe.eng.br). É membro
do IBRACON, ACI, ABPv e é
Conselheiro da ANAPRE - As-
sociação Nacional de Pisos e
Revestimentos.
Manual de PISOS
INDUSTRIAIS
Fibras de Aço e Protendido

Públio Penna Firme Rodrigues


Pisos Industriais
O COPYRIGHT EDITORA PINI LTD\

Todos os direitos reservados.


É proibida a reprodução total ou parcial deste
volume, de qualquer forma ou por quaisquer
meios, sem o consentimento expresso da editora.

Coordcnoçõo de Monuois Técnicos


Josiani Souza

Revisão
Ricardo Sanovick Shimada

Diogromoçõo
Triall Composição Editorial Itda.

Este livro foi catalogado na Câmara 8rasileira do Livro.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Rodrigues, Públio Penna Firme


Manual de pisos industriais: fibras de aço e protendido/Públio Penna Firme
Rodrigues. - São Paulo: Pini, 2010.

ISBN 978-85-7266-228-4

1. Concreto 2. Construção de concreto 3. Pavimentos de concreto


4. Pisos de concreto 5. Solos I. Título.

10-03989 CDD-690.16

índice para catálogo sistemático:

1. Pisos industriais de concreto: Construção civil: Tecnologia 690.16

EDITORA PINI LTDA

PSSP Rua Arthaia, 964 - 01130-900 - São Paulo - SP - Brasil


Telefone:(l I) 2173-2300 Fax:(l 1) 2173-2466
www.piniweb.com - manuais^pini.com.br

I a edição, I a tiragem, maio/2010


Dedicatória

Para Fê (Fernanda) e Cá (Camila), minhas filhas,

a quem um dia ensinei algo.

Com elas, hoje aprendo muito.


Agradecimento

Este manual não teria sido possível sem a cooperação da equipe técnica da LPE
Engenharia e Consultoria, notadamente a Eng^. Silvia Maria Botacini, contribuindo
com informações e sugestões valiosas, auxiliando nas minhas tarefas diárias, en-
quanto me dedicava à elaboração deste trabalho. Agradeço especialmente ao Eng.
Wagner Edson Gasparetto pela atenciosa revisão de todo o texto, com importantes
contribuições e apoio na busca de patrocínio e divulgação do nosso trabalho. Ao
Tecnólogo Jatir de Oliveira Filho por suas contribuições no capítulo 9 e ao Eng. Breno
Macedo Faria pelas contribuições nos capítulos 6 e 7.
Sumário

Capítulo 1 Introdução 11

Capítulo 2 Tópicos de Solos 15


Introdução 15

Tipos de solo quanto à origem 16

Propriedades mecânicas dos solos 16

Solos tropicais 21

Avaliação da capacidade do solo como elemento de fundação .23

Interação entre solo e piso industrial 25

Compactação dos solos 28

Capítulo 3 Sub-base 31

Introdução 31

Tipos de sub-bases 32

Tensões em sub-bases cimentadas 42

Capítulo 4 Tecnologia de Concreto 45

Introdução 45

Propriedades do concreto fresco 46

Propriedades do concreto endurecido 52

Capítulo 5 Concreto Reforçado com Fibras de Aço 65

Introdução 65
Conceituação de materiais compósitos 66

Propriedades geométricas da fibra de aço 69

Propriedades mecânicas do concreto reforçado com fibras


de a ç o 70

Adesão 73

Ensaio de tenacidade 74

Controle da fissuração 75

Capítulo 6 Sistema de Protensão para Pisos 79

Introdução 79

Cordoalhas engraxadas 80

Ancoragem 32

Capítulo 7 Dimensionamento 83
Introdução 83

Esforços atuantes na placa de concreto 85

Modelos genéricos de dimensionamento 95

Dimensionamento com fibras de aço 97

Pisos protendidos 98

Capítulo 8 Juntas 105


Introdução 105

Tipos de juntas 106

Mecanismos de transferência de carga 109

Materiais de preenchimento de juntas 110

Capítulo 9 Execução 113


Introdução 113

Preparo da fundação 1 14

Concretagem do piso 1 16

Fôrmas 123

Transporte, lançamento e adensamento do concreto 1 24

Acabamento superficial 126


Cura do concreto 131

Corte das juntas 133

Execução da protensão 133

Conceito de planicidade e nivelamento 134

Referências Bibliográficas 137


Prefácio

Reduzir os custos e os transtornos causados pela necessidade de manutenção


constante em pisos industriais tem sido um dos principais enfoques de projetistas e
empresas de execução no Brasil. Cada vez mais esse tipo de pavimento deixa de ser
visto como uma tarefa ingrata no final do cronograma da obra para ganhar impor-
tância estratégica nas plantas industriais, condomínios logísticos, centros de distri-
buição etc. Junto com as dimensões e a complexidade dos equipamentos que por
ali transitam, crescem também as exigências de desempenho e durabilidade por
parte dos contratantes. Tempos de pisos delgados, de grandes dimensões livres de
juntas e, ao mesmo tempo, de extrema planicidade, elevada resistência à abrasão e
capacidade para suportar condições severas de esforço e impacto. 0 meio técnico
nacional tem respondido à nova demanda com uma vasta gama de tecnologias para
a execução de pavimentos. O alto nível de especialização dos profissionais brasi-
leiros tem permitido explorar todo o potencial dos materiais e técnicas de reforço
disponíveis no mundo. Para a PINI, é uma honra poder contribuir nesse proces-
so, com a edição do Manual de Pisos Industriais - Fibras de Aço e Protendido,
de autoria do Eng. Públio Penna Firme Rodrigues. Avaliação da capacidade do solo
como elemento de fundação, tipos de sub-bases, propriedades do concreto fresco
e endurecido, reforço com fibras de aço, controle de fissuração, sistemas de proten-
são, dimensionamento, juntas e técnicas de execução constam entre os principais
tópicos abordados pelo livro. O novo título complementa publicação anterior do
IBTS (Instituto Brasileiro de Telas Soldadas), denominada Pavimentos de Concreto
Armado - Projeto e Critérios Executivos. Com atuação há mais de 30 anos nas áreas
de projeto e especificação de pisos e pavimentos, o autor discorre com propriedade
sobre o tema, dando ênfase às peculiaridades do concreto protendido e reforçado
com fibras. Em um momento de retomada do ciclo de crescimento econômico na-
cional, que pressupõe a formação e a atualização constante de toda uma geração
de engenheiros civis, a publicação promete se tornar referência para profissionais
de projeto e construção, estudantes e contratantes de obras. A difusão do conheci-
mento sobre as técnicas de execução, o desenvolvimento tecnológico dos materiais
e os avanços nos critérios de dimensionamento nos permitem vislumbrar um novo
salto de qualidade e desempenho aos pisos industriais no País.

E R I C C O Z Z A

Diretor de Redação
PINI
maio de 2010
Introdução

A história do dimensionamento dos pisos industriais se confunde com a dos


pavimentos de concreto, que começou na década de 1920 c o m os trabalhos teóri-
cos, desenvolvidos por Westergaard (Westergaard, 1927), cujo dimensionamento
baseia-se no limite elástico do concreto. A exatidão do trabalho desenvolvido por
esse pesquisador v e m sendo constantemente validada pelos modernos processos
de elementos finitos.

Algumas décadas foram necessárias para a ocorrência de um novo salto, até


que, na década de 1960, Anders Lõsberg (Lõsberg, 1962) lança a base teórica para
o dimensionamento de placas apoiadas e m meio elástico através do limite plás-
tico do material. Para isso, Lõsberg trabalhou com placas de concreto armado, e
seu trabalho t e m sido fundamental para o desenvolvimento do concreto reforça-
do c o m fibras de aço.

A evolução dos pisos industriais t e m sido marcante nas últimas duas décadas,
e o Brasil v e m se destacando de maneira clara como detentor de conceitos firmes
na área de projeto, tendo adotado a Escola Européia (Rodrigues, 2006) como op-
ção e m critérios de dimensionamento desde a década de 1990, e que só recente-
mente v e m paulatinamente sendo adotado na América do Norte (Roesler, 2007).
Essa escola prioriza os pisos industriais mais delgados, placas de dimensões ele-
vadas, geralmente superiores a 100 m 2 e providos de reforço estrutural, quer sejam
fibras, telas soldadas ou cordoalhas protendidas, enquanto a Escola Americana bus-
ca o ganho estrutural com o emprego de estruturas de maior rigidez, geralmente de
concreto simples e placas de pequenas dimensões, da ordem de 20 m 2 a 25 m 2 .

A adoção de estruturas mais delgadas permite a melhor acomodação da placa


no terreno de fundação, reduzindo de modo significativo os esforços gerados por
recalques diferenciais, tanto os elásticos, fruto de carregamentos parciais na placa
de concreto, como aqueles provocados por adensamento do terreno de fundação.

O mesmo conceito já v e m sendo adotado pelo IBTS (Instituto Brasileiro de Telas


Soldadas), nos seus últimos manuais de dimensionamento (Rodrigues & Cassaro,
1998, e Rodrigues, 2007) para pisos com telas soldadas.

Este M a n u a l t e m como objetivo complementar a publicação desse Instituto: Pa-


vimentes Industriais de Concreto Armado - Projeto e Critérios Executivos, que pode
ser encontrada e m cópia eletrônica anexada a esta publicação, que apresenta os
reforços estruturais de fibra de aço e armação protendida e, como muitos dos con-
ceitos são similares, será freqüentemente citada.

O pavimento industrial deve ser visto como um sistema, representado na figura


1.1, e m que o desempenho final é fruto da adequada execução de cada uma das
camadas: revestimento, placa d e concreto, base, sub-base e subleito. Desse modo,
cabe ao projetista analisar e dimensionar individualmente cada camada, de modo
que o resultado final seja harmônico e eficiente.

A eficiência está atrelada à capacidade do piso em absorver as cargas atuantes,


enquanto a harmonia do sistema esta ligada fundamentalmente à sua durabilidade,
pois as diversas camadas do sistema devem trabalhar dentro das características es-
truturais dos materiais que as compõem.

Carga Filme plástico

Sistema piso
industrial.

• Subleito

Por exemplo, a adoção de sub-bases cimentadas c o m espessura mais elevada


que a placa de concreto faz com que essas se tornem excessivamente rígidas e aca-
bem absorvendo mais carga que a própria placa, o que pode levar a um processo de
fadiga precoce dessa camada. 0 mesmo pode ocorrer quando o módulo elástico das
camadas inferiores for muito elevado 1 .

0 desenvolvimento desse manual será feito c o m base no conceito Sistema pisos


industriais, e cada um dos componentes será analisado e m um dos capítulos sub-
sequentes.

Entretanto, neste Manual, serão tratadas de maneira mais simplificada as ques-


tões relativas ao solo, mas levando-se e m consideração a profundidade suficiente
para a execução de projeto e as camadas de base e de tecnologia do concreto - com
ênfase às peculiaridades do concreto c o m fibra. M a i o r profundidade poderá ser ob-
tida na publicação do IBTS (Rodrigues, 2006).

Não são o objetivo deste manual as questões técnicas ligadas aos revestimentos
de alto desempenho (RAD), empregados e m alguns tipos de pisos industriais.

1 Esse conceito será melhor abordado no capítulo 7.


Tópicos de Solos

2.1 Introdução
Os solos podem ter definições distintas em função da ciência que os classifi-
cam, uma vez que sua inteiração com o ser humano é ampla, presente em nossas
vidas de maneiras distintas, como nosso próprio suporte, como fonte de alimen-
tação, em que os alimentos são cultivados, como material de construção, tanto de
habitações como rodovias etc.
Na engenharia civil, o solo pode ser considerado como qualquer depósito es-
cavável por processos manuais, resultante da ação direta do intemperismo ou da
degradação de rochas. Na categoria solos, são incluídos diversos materiais não
consolidados, como sedimentos - areias, pedregulhos, siltes e argilas - turfas, cal-
cários e areias oriundos de conchas, depósitos piroclásticos - resukantes da ação
vulcânica - e os solos residuais, jovens ou maduros (Balbo, 2007).

Conhecer a origem do solo que será a fundação do piso industrial é essencial,


pois muitos comportamentos poderão ser previstos antes mesmo da execução de
ensaios físicos ou químicos do material. Por exemplo, um solo residual do cintu-
rão orogênico do Atlântico pode ser muitas vezes micáceo, dependendo do grau de
intemperismo sofrido e, portanto, expansivo; em contrapartida, apresentam bom
suporte, exceto os maduros, necessário para cargas elevadas presentes em pisos
industriais. As areias finas argilosas da bacia do Paraná costumam ser excelentes
materiais para pavimentação, mas costumam ser porosas, o que causa problemas
quando o piso é submetido a cargas distribuídas elevadas.

Neste trabalho, serão focalizadas de modo superficial as propriedades mecâni-


cas do solo para pavimentação; contudo, aqueles que quiserem se aprofundar mais
no tema poderão fazê-lo com base na bibliografia indicada (Vargas, 1987; Pinto,
2002; Nogami & Villabor, 1995; Balbo, 2007; Rodrigues, 2007; DNIT, 2006).

Tipos de solo quanto à origem


Segundo Vargas (Vargas, 1986), os solos são sempre originários da decomposi-
ção de rochas, sendo os sedimentares aqueles que se originaram em lugar remoto
e foram transportados pela ação dos ventos (eólicos), pela água (aluvices) ou pela
gravidade (colúvios). Os solos transportados apresentam-se geralmente na forma
de depósitos pouco consolidados (DNIT, 2006).

Os solos residuais, como o próprio nome sugere, são aqueles que sofreram alte-
ração e permanecem no local de origem; os solos residuais maduros estão em um
processo maior de evolução, são homogêneos e não guardam mais feições da rocha
matriz. Em outro extremo, estão os saprólitos, que, mesmo mantendo a estrutura
da rocha matriz, não apresentam consistência e podem ser facilmente desmontá-
veis (Vargas, 1986).

Portanto, é evidente que a composição e o comportamento de urr solo estão


relacionados à rocha mãe. Por exemplo, o granito dá origem a solos arenosos argilo-
sos (micáceos), o basalto a solos argilosos arenosos (terra roxa), os arenitos a areias
etc. (DNIT, 2006).

Propriedades mecânicas dos solos


O subleito é a interface do terreno de fundação e o sistema piso, sendo a pri-
meira camada do solo a receber os esforços gerados pelos carregamentos atuantes
no pavimento.

As tensões atuantes, graças à ação redistribuidora de esforços que a placa de


concreto permite, salvo condições especiais de carregamentos elevados, é inferior
a 50 kN/m 2 (5 tf/m 2 ), valor relativamente confortável e que pode ser atingido por
solos de qualidade mediana.

De maneira simplificada, o subleito pode ser imaginado como um conjunto de


molas discretas, uniformemente distribuídas sob a placa de concreto, as quais, à
medida que a placa é carregada, sofrem deformação, que é maior sob o ponto de
atuação do esforço e que, gradativamente, vai diminuindo à medida que se afasta
desse ponto.
0 que nos interessa é saber o valor do coeficiente de mola do solo, representado
pelo coeficiente de recalque k ( M P a / m ou kPa/m). Quanto maior o valor desse coe-
ficiente, menor será a deformação que a placa vai sofrer para determinado carrega-
mento e, consequentemente, menores serão as tensões atuantes no pavimento.

Da mesma forma, valores baixos do coeficiente de recalque podem levar à ne-


cessidade de placas mais espessas, para compensar a maior deformidade do solo.
É possível uma melhoria do coeficiente de mola do solo, compenssndo-se a defi-
ciência com o emprego de sub-bases mais rígidas, que produzirá um coeficiente
de recalque equivalente maior, chamado k$ - coeficiente de recalque do sistema
subleito -sub-base.

O valor de k é uma propriedade intrínseca do solo e m determinada energia de


compactação, que pode ser reduzido pela deficiência dessa energia, por excesso
de umidade ou outros fatores; pode ser determinado através de um ensaio direto
(DNIT, 2004), por meio carregamento controlado do solo, através de uma placa cir-
cular, obtendo-se a curva tensão X deformação exemplificada na Figura 2.1.

Função linear ideal

Variação esquemática
de lensão e
deformação do solo.

Deformação medida 6

Define-se como k a relação entre a tensão que a placa aplica ao solo para uma
deformação padrão de 1,27 mm. Por ser um ensaio caro e de difícil execução, pode
ser correlacionado com outras propriedades, como o CRR (Califórnia Rearing Tpst)
ou simplesmente índice de Suporte Califórnia, ou modernamente com o MR (Mó-
dulo resiliente).

O ensaio do CBR do solo mede, e m essência, a resistência à penetração de um


cilindro no solo - que pode ser tomado como a tensão de cisalhamerto do material
- comparando-a com um solo definido como padrão, que se assemelha a uma brita
graduada 1 . O valor do ensaio é dado e m porcentagem e m relação ac solo padrão e
correlaciona-se ao k, de acordo com a Figura 2.2 (Pitta, 1996).

1 Ver capítulo 3.
• FIGURA 2.2

k em função do CBR.

0 módulo resiliente pode ser considerado como o módulo d e elasticidade con-


finado do solo, sendo, portanto, dependente da tensão de confinamento a que é
submetido (Medina & Motta, 2005), de acordo com a equação 2.1, a seguir.

Em que é a tensão de desvio - tensão vertical menos a tensão horizontal e m


determinado ponto do solo - e é a deformação vertical observada nesse mesmo
ponto. Seu emprego v e m ganhando força graças à maior facilidade de determinação
no campo, por meio de ensaios do tipo FWD (Falling Weight Deflectometer), viga
Benkelman ou mesmo de outros ensaios mais específicos para o solo. Além disso,
o conceito - relacionado à curva tensão x deformação do solo - é mais familiar ao
engenheiro do que o próprio coeficiente de recalque.
Os ensaios de campo citados, na realidade, determinam uma bacia d e defor-
mação para determinado carregamento e, por meio de retroanálise - que emprega
programas de elementos finitos - pode ser obtido um valor para o módulo resiliente,
que representa o solo ou os solos formadores da camada do subleito, um vez que a
mobilização da deformação do solo é limitada a algumas dezenas de centímetros.

O módulo resiliente pode ser empregado diretamente no cálculo do raio de rigi-


dez da placa de concreto, por meio de expressão específica, que será abordada no
Capítulo 7, ou correlacionada com k pela expressão (AASHTO, 1999):

k{kN/m3) = MR(kPo) x 2,03 <2-2)

O módulo resiliente, propriedade intrínseca, é geralmente mais baixo para solos


finos - siltes e argilas - sendo mais crítico para o silte, aumentando para materiais
granulares, como as areias e os pedregulhos. Para solos de comportamento late-
rítico (Alvarez, 1997), solos com areia fina, atingem valores de módulo resiliente
próximos à da brita graduada.
O modo mais prático de determinação do MR é através dos ensaios de campo já
mencionados, pois o valor final pode ser influenciado por espessura do solo, porosi-
dade, existência de camada mais rígida sotoposta à camada e m estudo etc.
Outro grande mérito no uso do módulo resiliente é a resposta riais adequada
obtida com os solos tropicais, como os lateríticos ou de comportamento laterítico
(ver item 2.7), fruto de intemperismo úmido e quente, que leva a solos de excelente
capacidade e elevado módulo, quando bem compactados, e que não são percebi-
dos normalmente pelo ensaio de CBR.
Com base no módulo resiliente, foi desenvolvida metodologia de classificação,
denominada resiliente 2 , que visa separar os diversos tipos de solos, de acordo com
o seu comportamento (Pinto & Preussler, 2002).
Para solos granulares, que apresentam menos de 3 5 % de material que passa
pela peneira 0,075mm, a Figura 2.3 apresenta os três grupos de solos, que podem
ser definidos pelo modelo (DNIT, 2006):

Mr=K1x O3k2 (2.3)

onde « ! e K 2 são parâmetros resilientes determinados no ensaio triaxial, MR o


módulo resiliente, e a 3 a tensão de confinamento.

Os solos do grupo A são de elevada resiliência e não devem ser empregados em


estruturas de pavimentos, além de serem subleitos sofríveis. No grupo B, de resiliên-
cia intermediária, solos com K 2 inferior ou igual a 0,5, apresentam bom compor-
tamento, enquanto para K 2 superior a 0,5, o comportamento será cependente da
espessura da camada e da qualidade do subleito. Os solos do grupo C, que são con-
siderados de baixa resiliência, são excelentes para confecção de bases e sub-bases.

2 Resiliência é a capacidade de um material se deformar quando sob ação de carregamento; quando


se diz que um solo é altamente resiliente, ele sofrerá grandes deformações e, portanto, seu módulo
resiliente será baixo.
• FIGURA 2.3

Classificação 10.000

resilienfe de solos
granulares (DNIT, Ê 5 OCO
cn
2006). GRUP0C

to

Z3
O
•O GRUPO B

1000

GRUPO A

200
0,1 0.2 0,3 0.4 0.5 1,0 U 1.4 1.61.8 2.D

TENSÃO C0NFINANTE, o.íkgf/crr1)

Para os solos finos, com mais de 3 5 % de material passando pela peneira 0,075
mm, com predominância de siltes ou argilas, são classificados três tipos de solos
(Pinto & Preussler, 2002):

Solo tipo I: de bom comportamento quanto à resiliência, tanto para subleito


como para camada de reforço, cujo comportamento é regido pela expressão:

mr-SL = 4874 x Gd"1,129 (2'4)

Solo tipo II: de comportamento regular quanto à resiliência, não sendo permiti-
do seu emprego como camada do pavimento, somente como reforço, seu compor-
tamento é regido pela expressão:

M R _ $ L = 1286 x a / 0 ' 5 4 7 8 (2.5)

Solo tipo III: de comportamento deficiente quanto à resiliência, não sendo per-
mitido seu emprego como camada do pavimento e, quando constituinte do sublei-
to, suas características devem ser consideradas cuidadosamente e m projeto; seu
comportamento é definido por módulo resiliente único, MR.SL = 53MPa.
Solos tropicais
Os solos formados pelo intemperismo tropical, e m que predominam altas tem-
peraturas e índices pluviométricos elevados, apresentam características diferentes
dos não tropicais submetidos a processos semelhantes de formação.

Essas características permitem que os solos tropicais apresentem comportamen-


tos estruturais que, muitas vezes, não são diferenciados pelos ensaios tradicionais
da mecânica dos solos.

Coube ao Prof. J o b S. Nogami o pioneirismo no estudo dos solos tropicais bra-


sileiros, que culminou na apresentação de uma nova sistemática de classificação,
denominada M C T - miniatura, compactado, tropical (Nogami & Villabor, 1995), com
a adoção de conceitos não usuais na mecânica tradicional dos solos, como cor, ma-
croestrutura e composição mineralógica (Balbo, 2007), que será apresentada resu-
midamente e que pode ser consultada nas bibliografias citadas.

Os solos tropicais podem ser divididos e m dois grandes grupos: solos lateríticos
ou de comportamento laterítico e os saprolíticos. Os de comportamento laterítico
são aqueles que possuem características definidas pela metodologia MCT como ge-
ologicamente laterítico (Nogami & Villabor, 1995), sendo designados por L.

Os saprolíticos são solos tipicamente residuais e preservam a estrutura da rocha


que lhes deu origem; na terminologia MCT, são designados por N. Ambos podem ser
constituídos por solos arenosos, siltosos ou argilosos.

A classificação M C T é conduzida por meio de ensaios d e compactação e hidráu-


licos, para a determinação dos coeficientes c' e e\ que permitem o enquadramento
do solo (ver Figura 2.4) e m sete subclasses, cujas principais características são for-
necidas na Tabela 2 . 1 (DNIT, 2006)

A Tabela 2.2 apresenta uma correlação entre os solos avaliados pelas classifica-
ções MCT e Resiliente, na qual se pode constatar a qualidade superior dos solos de
comportamento laterítico com os saprolíticos.

A Figura 2.5 apresenta a mesma classificação MCT, mas indica a correlação entre
osMReo CBR. Embora seja c o m u m o emprego d e correlações únicas para MRx CBR,
ela pode variar expressivamente e m razão de: formato dos grãos, ligantes, campo
elétrico entre as partículas etc., bastante útil para compreender o comportamento
dos solos.
Classificação MCT (DNIT, 2C0ó).

CLASSES N - SOLOS DE COMPORTAMENTO "NÃO LATERÍTICO" L - SOLOS DE COMPORTAMENTO


) "LATERÍTICO'

GRUPOS NA NA' B 9 NG' LA LA' LG'


AREIAS ARENOSOS ARGILOSOS AREIAS ARENOSOS ARGILOSOS
r m r r M
GRANULOMETRIA TÍPICA (MINERAIS) (1) Areias, areias Silte (k, m), siltes Argilas, argilas
Areias siltosas, Areias com Areias argilosas, Argilas, argilas
siltosas, siltes arenosos e arenosas, argilas
areias argilosas pouca argila argilas arenosas arenosas
(q) argilosos siltosas

Muito oito >30

MINI CBR Alto 12-30


Alto ò médio Alto Médio ò oito Alta Alta Alto à muito alta Alta
sem imeisõo (%) Médio 4-12
CAPACIDADE OE
Boix) <4
SUPORTE(2)
Alto >70
remo ae suporte
Médio 40-70 Médio ò boixo Baixo Alta Alto Boixo Boixa Boixa
por imersao (%)
BOÍXD <40

(%) Altc >3


EXPANSÃO Boixo Boixo Alto Alto à médio Boixo Boixo Boixo
(2) Médio 0,5-3

(%) Médio 0,5-3


CONTRAÇÃO Boixo à médio Boixo à média Médio Alto à médio Boixo Boixo à médio Médio ò oito
(2) BOÍXD <0,5

Altc >(-3)

PERMEABILIDADE
(2) Médio ( - 3 ) 0 (-6) Médio ò oito Boixo Médio ò boixo Boixo ò médio Médio ò boixo Boixo Boixo
log (k(cm/s))
BOÍXD <(-6)

(%) IP LL

Alto >30 >70


PLASTICIDADE Boixo à NP Médio ò NP Médio à alto Alto NP ò boixa Boixo ò médio Médio ò olta
Médio Jul./30 30-70

Boixo <7 <30

Propriedxíes rfpicos (tos grupos dos solos


(1) q = quoitw, m = mkos, t = «wlniro;
(2) (cfpos-detfowx comportados no umidode ótimo de «rego "rormol", com sobrecarga podrõo qxrào peithefite, sem fração rendorapeneira de 2mm cte obertvo.
Classificação
de solos MCT
(DNIT, 2006). N
- não laleríticos,
L - lateríticos,
A' - arenosos,
S' - siltosos, G ' -
argilosos.

• TABELA 2.2 MCT Resiliente Predominôncio Comportomento


Infer-relação entre
NA III III Grou de resiliêncio oito
classificação
resiliente e MCT U\ III III Grou de resiliêncio oito

NA' 11 - III II Grou de resiliêncio médio o oito

NS' II-III II Grou de resiliêncio médio o oito

NG' ll-l II Grou de resiliêncio médio o boto

IA' II-j ll-l Grou de resiliêncio médio o baixo

LG' 1-11 1 Grou de resiliêncio boixo

2.5 Avaliação da capacidade do solo como elemento


de fundação
Diferentemente dos pavimentos rodoviários, onde apenas uma pequena cama-
da do solo, situada a até 1,5 m de profundidade, percebe efetivamente a ação do
carregamento móvel, nos pisos industriais, há carregamentos estáticos, que acabam
solicitando as camadas mais profundas do horizonte.

Nessas condições, é necessário o conhecimento dessas camadas, que se faz por


meio de sondagens à percussão, que permitem avaliar a capacidade, através do
do SPT. Esse valor, denominado N, é obtido por meio de um amostrador padrão
que indica o número de golpes dados com energia, também padrão, para penetrar
30 cm no solo.
Variação da relação
Me/C BR com a
classificação MCT.

A capacidade estrutural do solo, baseia-se e m correlações empíricas, que aca-


bam sendo bastante úteis para a maioria das situações de projetos. Uma delas, vá-
lida para 5<N<20:

o = 20 N(kPa) (2.6)

Vale lembrar que o valor é uma estimativa da tensão de ruptura do solo, que é
adotada para uma deformação de 25 mm. No valor encontrado, devem ser aplica-
dos os devidos coeficientes de segurança, que variam entre 2 e 3 para condições
normais de projeto de fundações e que, para pisos, podem ser adotados similar-
mente.

Em situações mais críticas, por exemplo, para valores de SPT abaixo ce 5 ou para
sobrecargas elevadas, como as acima de 100 kN/m 2 , deve-se empregar ensaios mais
específicos, como as provas de carga direta ou outros tipos d e ensaios, como CPT,
D M T (Dilatômetro de Marchetti) etc.

Os valores de N permitem classificar as diversas camadas do solo, argiloso ou are-


noso. No primeiro caso, define-se a consistência das argilas, podendo ser de muito
mole à dura, enquanto as areias são classificadas pela compacidade, de fofa à muito
compacta. A Tabela 2.3 apresenta as variações dos estados desses tipos de solo.

Ainda de acordo com o estado do solo, a norma NBR 6122 (ABNT, 1996) informa
a tensão básica admissível para diversos tipos e estados de solos, apresentada na
Tabela 2.4.
Solos argilosos Solos arenosos
Consistência e Massa específica Massa específica
compacidade de N (golpes) Consistência N (golpes) Compacidade
(kg/m3) seca (kg/m3)
solos {adaptado de
Godoy, 1972 - 2 Muito mole 1300 <5 Fofa
citação de Cintra, 1600
3-5 Mole 1500 5-8 Pouco compacto
et al., 2003]
6-10 Médio 1700 9-18 Medionomente compacta 1700

11-19 Rijo 1900 19-40 Compacto 1800

20 Duro 2100 >40 Muito compacto 2100

• TABELA 2.4 Classe Descrição (MPa)


Tensão básico de
1 Rocho sã, maciço, sem delominaçõo ou sinal de decomposição 3,0
solos (ABNT, 1996).
2 Rochas lominodos, com pequenos fissuras, estrotificados 1,5

3 Rochos olterodos ou em decomposição (*)

4 Solos granulares conaecionados, conglomerados 10

5 Solos pedregulhosos compoctos o muito compactos 0,6

6 Solos pedregulhosos fofos 0,3

7 Areios muito compoctos (N > 40) 0,5

8 Areios compoctos (N: 19-40) 0,4

9 Areios medionomente compactos (N: 9-18) 0,2

10 Argilos duros (N > 19) 0,3

11 Argilos rijos (N: 11-19) 0,2

12 Argilos médios (N: 6—10) 0,1

13 Siltes duros (muito compactos) 0,3

14 Siltes rijos (compactos) 0,2

15 Siltes médios (medionomente compactos) 0,1


(*) Deve-se levor em conVideroçõo o natureza e o grau de decomporão ou alteração do rocho motriz.

2.6 Interação entre solo e piso industrial


A interação da placa de concreto com a fundação - o solo - é um dos capítulos
mais importantes do projeto dos pavimentos industriais, mas ainda pouco estuda-
do, e a engenharia nacional é rica em exemplos negativos sobre a interpretação do
comportamento dos solos por parte de alguns técnicos do setor.

No Brasil, essa interação começou a ser estudada nas disciplinas de pavimenta-


ção (Senço 1997, Medina & Mota, 2005, e Balbo, 2007), em que a ação das cargas
móveis na fundação do pavimento atinge poucos metros, aproximadamente 1,5 m
para rodovias e 3,0 m para aeroportos.
Na pavimentação industrial, além das cargas móveis, há as de longa duração, e
estas podem atingir camadas muito mais profundas, o que altera bastônte o com-
portamento do piso.
Atualmente, observam-se falhas de projeto, quando se emprega as teorias de
dimensionamento de pavimentos rodoviários em obras com presença de solos mo-
les em camadas inferiores de pisos industriais, nas quais é feita apenas uma troca
superficial à semelhança das rodovias; contudo, nos pisos, as cargas estáticas vão
atingir profundidades substancialmente maiores.
À medida que a profundidade aumenta, as tensões diminuem até chegar a va-
lores desprezíveis, isto é, que não perturbam de modo significativo o estado de
tensão do solo. Como será visto mais adiante, essa profundidade depende da área
de aplicação da carga.
Coube a Boussisneq (Pinto, 2002) criar a primeira teoria de previsão das tensões
e deformações causadas em um meio elástico, homogêneo e isotrópico, em razão
de um carregamento aplicado na superfície:

Sendo P a carga aplicada, z a profundidade e r a distância do ponto ce aplicação


de carga até o em análise. Para r = 0, tem-se:

(2.8,

Portanto, a tensão no solo sob a carga é inversamente proporcional ao quadra-


do da profundidade. A partir de Boussisneq, foram criados diversos modelos de
resolução numérica para o cálculo da tensão no solo. A Figura 2.6 indica curvas de
isotensões no solo a diversas profundidades, para duas condições de caregamento:
sapatas corrida e quadrada (Bowles, 1996).

Desse modo, é fácil perceber que, para uma área de carregamento pequena, como
a da roda de um caminhão (cerca de 30 cm), a 60 cm a tensão no solo será pouco mais
de 10 % da tensão inicial e a 1 metro de profundidade, da ordem de 0,5%.
Já para uma área de logística, onde os carregamentos pontuais podem ser trans-
formados em uma carga uniformemente distribuída para avaliação de deformações,
a profundidade de ação das tensões acaba sendo bastante grande, e os recalques
podem vir a ser influenciados por camadas profundas.

Para as cargas dinâmicas, como a de veículos pesados, alterações mais expres-


sivas no estado de tensões do solo só são percebidas a pequenas profundidades,
aproximadamente de 1,5 m para, por exemplo, veículos comerciais pesados ou 3,0
m para veículos especiais - como as carregadeiras pesadas - ou aeronaves de gran-
de porte.
Sapata
Quadrada + Bt2*| /contínua
Curvos de isolensões 1B 1B

para sapata
quadrada e sapata
corrida.

T
B B/2
« U2 •
B
T M

A extensão dessa ação pode ser vista pela simulação das tensões no solo gerada
pela operação do equipamento denominado Log-Stacker, que atua na descarga de
caminhões de toras de madeira na indústria de papel e celulose. A carga por se-
mieixo desse equipamento é da ordem de 600 kN, o que conduz a C3rgas de rodas
equivalentes a uma aeronave do porte do Boeing 747 - 700.

A Tabela 2.5 apresenta o acréscimo de tensão efetiva com a profundidade, para


o equipamento citado que opera sobre um piso de concreto reforçado com fibras
de aço com 35 cm de espessura. Observa-se que para três metros de profundidade,
considerando-se que o solo apresente peso específico de 17 kN/m 3 (1,7 tf/m 3 ), a
tensão em razão do peso próprio do solo será da ordem de 50 kPa (0,5 kgf/cm2),
enquanto a tensão gerada pelo equipamento é de 13kPa, o que indica um acréscimo
de 20% na tensão efetiva, que contribui pouco para a deformação do solo.

• TABELA 2.5 Profundidade em m Acréscimo na tensão


Acréscimo da (piso acabado = 0,0) efetivo, kPa (kgf/cm2)
tensão efetiva com a
0,35 (subleilo) 38 (0,38)
profundidade.
0,50 35 (0,35)

0,70 31 (0,31)

1,00 27 (0,27)

150 21 (0,21)

2,00 18(0,18)

3,00 13(0,13)

2.7 Compactação dos solos


O solo é composto por um sistema com três fases: ar, sólidos e água; quanto
mais próximas estiverem as partículas sólidas, mais resistente e estável estará o
solo. A compactação é a operação que resulta na aproximação das partículas sóli-
das, com o conseqüente aumento de sua massa específica.

Pode ser conduzido por vibração, pressão ou impacto, de modo que diminui o
volume de vazios, o que traz também como benefício a maior estabilidade pela re-
dução da variação da umidade.

Embora seja prática secular, a compactação foi conduzida em termos científicos


somente na década de 1940 por R. R. Proctor e O. J. Porter, que definiram a energia
de compactação ao trabalho executado para a redução do volume de um solo em
determinada umidade:

Em que n é o número de golpes, P o peso do soquete, H a altura da queda e V o


volume de solo. Dependendo da energia aplicada e da umidade do solo, obtém-se
determinada massa específica para o solo em análise. Como referência, ela é sem-
pre tomada seca.

Os princípios que regem a compactação dos solos são (DNIT, 2006):

• A massa específica aparente seca y s de um solo, obtida com determinado nível


de energia, depende da natureza do solo, da massa específica absoluta dos
grãos e da granulometria, podendo variar entre 1.400 kg/m3 a 2.300 kg/m3.
• Para um dado solo e determinada energia de compactação, variando-se o
teor de umidade é possível traçar a sua curva de compactação (Figura 2.7);
nesta, observa-se que há um ponto de massa específica máxima, obtida com
uma umidade denominada ótima (h o t ).

• FIGURA 2.7

Curvo de
compactação
do solo.

• Para um mesmo solo, quanto maior for a energia de compactação, maior


será o y s e menor será h o t (Figura 2.8).

• Para determinada umidade, quanto maior for a energia de compactação,


maior será o y s .

• A linha de ótimos é o lugar geométrico dos vértices das curvas obtidas com
diferentes energias para um mesmo solo e é ela que separa os ramos secos
dos úmidos das curvas de compactação (Figura 2.8).

• Para um dado solo, v s varia linearmente com o logaritmo da energia de com-


pactação.

A compreensão da curva de compactação é bastante intuitiva, pois a água atua


como lubrificante entre as partículas sólidas, o que facilita a expulsão do ar e au-
menta v s ; contudo, a partir de determinado ponto, tanto a água como o ar tendem
a manter as partículas afastadas, h o t . A partir desse ponto, toda água acrescentada
vai afastar ainda mais as partículas, diminuindo y s .
Curva de curva de saturação

compactação para
diferentes energias.

O incremento de y s com o aumento da energia de adensamento é mais facil-


mente percebido no ramo seco das curvas de compactação, onde a quantidade de
ar do sistema trifásico é mais expressiva.

Curvas com pontos de máximo bem definidos definem solos bem graduados,
caso típico dos solos arenosos finos lateríticos da Bacia Sedimentar do Paraná, en-
quanto os monogranulares apresentam curvas mais achatadas, onde pequenas va-
riações da umidade não alteram de modo significativo y s .

Há normalizados três níveis de energia: a normal - PN (Proctor Normal) - equi-


valente a 6kgf.cm/cm3, a modificada - P M (Proctor Modificado) - equivalente a 25
kgf.cm/cm3 e a intermediária - PI - esta desenvolvida e empregada basicamente
no Brasil. Solos granulares aceitam bem a energia modificada e nessa devem ser
compactados para garantir sua estabilidade, enquanto os siltosos e argilosos são
geralmente compactados na normal.
3
o
=)

i -
CL
<
u Sub-base

3.1 Introdução
As sub-bases são os elementos intermediários entre a placa de concreto e o
subleito e apresentam diversas funções, algumas conhecidas, outras pouco explo-
radas. Como definição clássica, as sub-bases apresentam as seguintes funções:

• Homogeneizar as condições de apoio: o solo é um material heterogêneo e,


por isso, pode apresentar características mecânicas variadas na superfície
do subleito e a sub-base tem como função - talvez a mais importante -
uniformizar o suporte de modo que se tenha coeficiente de recalque do
sistema praticamente constante ou o mais constante possível.

• Eliminar o bombeamento: quando o solo apresenta finos olásticos e en-


contra-se saturado, com os movimentos verticais na junta da placa, acaba
liqüefazendo e sendo expelido, juntamente à água, pela ação de cargas
móveis sobre o piso.

• Controlar solos expansivos: por ação física do peso, reduz ou impede a


movimentação de solos expansivos.
• Impedir a umidade ascendente: sub-bases granulares, com granulometria
adequada, funcionam como camada de bloqueio da umidade ascendente,
que ocorre por movimentos da água nos capilares do solo.

• Drenagem: e m áreas abertas, a sub-base pode funcionar como camada dre-


nante, que impede que o acúmulo de água sob o pavimento venha causar
danos ao subleito.

Além dessas funções, pode-se citar outra importante, que é atuar como elemento
de rigidez intermediário entre o solo e a placa de concreto. Os solos apresentam mó-
dulo elástico (resiliente) entre 50 MPa e 80 M P a ; concretos, da ordem de 30.000 M P a ,
enquanto as sub-bases granulares, entre 300 a 500 M P a . Observa-se que há uma tran-
sição gradativa entre os módulos das três camadas, e m uma razão próxima a dez.

Espera-se, portanto, que as sub-bases apresentem evolução significativa de re-


sistência c o m relação ao solo sobre a qual repousam; parâmetro indicativo dessa
resistência é o CBR, sendo indicados os valores a partir de 6 0 % quando as condições
de solicitação são leves e CBR superiores a 8 0 % para solicitações mais irtensas.

A escolha da sub-base deve ser primordialmente feita pela avaliação dos carre-
gamentos cíclicos, pois são eles que vão causar danos por fadiga do subleito. Muitas
vezes, cargas freqüentes de empilhadeiras leves podem ser mais prejudiciais ao solo
do que a ação de cargas de estanterias mais elevadas.

A presença da sub-base, de módulo resiliente mais elevado do que o solo, vai


melhorar as condições de apoio do piso, mais precisamente, levando a um novo
coeficiente de recalque, chamado k$ - coeficiente de recalque do sistema subleito/
sub-base - cuja magnitude será função da rigidez da sub-base.

Nos itens seguintes, são apresentadas tabelas práticas para alguns tipos de sub-
bases, indicando k$ e m função da espessura adotada e do CBR do terreno de funda-
ção. Valores mais precisos podem ser calculados por simulação com programas de
elementos finitos, como o ElsynS.

Para isso, é preciso trabalhar com valores do módulo resiliente do terreno e


da sub-base, simulando a ação de uma carga de mesma magnitude da de projeto.
Processa-se por elementos finitos e verifica-se a deformação causada pelo carrega-
mento; com essa deformação, busca-se, por processamentos repetitivos, o módulo
resiliente do solo equivalente que terá a mesma deformação e m camada única, que
o solo real e sub-base apresentaram.

Com esse novo valor de módulo resiliente, pode-se determinar o ks por meio da
expressão 2.2 ou mesmo empregá-la diretamente no cálculo do raio de rigidez da
placa de concreto.

Podem-se definir três tipos básicos de sub-bases:

• Solo tratado: ou solo melhorado, são as sub-bases e m que se emprega o pró-


prio solo local, com algum reforço ou adição, de modo que aumente a rigidez
e a capacidade de suporte do material.
• Granulares: geralmente obtidas com material produzido industrialmente -
britas - ou naturais, como seixos e cascalhos lateríticos.

• Cimentadas: são aquelas que podem ser produzidas com o próprio solo local
- solo cimento - ou com material britado, como as de concreto compactado
com rolo ou as de brita graduada tratada com cimento.

Há outros tipos, não muito empregadas no Brasil, como as beturrinosas, consti-


tuídas por camadas de concreto asfáltico de dosagens diversas, com boas proprieda-
des mecânicas, mas que são pouco competitivas sob o ponto de vista econômico.

3.2.1 Solo tratado


A grande vantagem dessas sub-bases é aproveitar o próprio solo local, melho-
rando-o com reforço de materiais granulares, que dão origem ao solo-brita ou com
aditivos à base de escórias, cales, pozolanas etc., que dão origem às sub-bases esta-
bilizadas quimicamente. O solo melhorado com cimento, a rigor, enquadra-se nessa
categoria, mas será tratado no item 3.2.2.

É possível também produzir sub-bases com adição de reforço e aditivo químico,


como o solo-brita-cal, que leva a misturas resistentes mesmo a partir de solos de
qualidade ruim, como os do tipo III da classificação resiliente.

A tendência no emprego das sub-bases de solo tratado é aumentar, primeiro


em razão dos custos dos materiais britados e também em virtude ca preservação
ambiental que essa utilização proporciona, conservando fontes importantes de ma-
térias-primas e dando destino a subprodutos industriais que, sem essa aplicação,
estariam contaminando o meio ambiente.

Solo-brita
Para sub-bases de solo-brita, é recomendável que o teor de solo na mistura seja
no máximo de 50%, sendo o teor de brita determinado a partir de ersaios de dosa-
gem, com base na medição do CBR, que deve ser superior a 80%, medida na energia
compactada.

Preferencialmente, o reforço deve ser feito com material de granulometria con-


tínua, como a bica corrida, indicada tanto pelo seu preço mais baixo como pelo teor
de material pulverulento que apresenta.
É possível o emprego de britas para concreto, como a brita 1 ou brita 2, mas
o uso desses materiais nobres não traz nenhum benefício aparente à mistura. Em
regiões carentes de materiais britados, como a região amazônica, são empregados
seixos como material de reforço - solo-seixo - com excelentes resultados.

As misturas de solo-brita devem ser conduzidas com solos que apresentem as


seguintes características (DNIT, 2006):

• Os materiais finos dos solos, isso é, com diâmetro inferior a 0,42 mm devem
satisfazer às seguintes condições:

• ter limite de liquidez (LL) determinado, conforme NBR 6459; inferior a 25%;

• ter índice de plasticidade (IP) inferior a 6%.


Para solos com IP e LL que não cumprem o especificado, é possível o emprego
desde que atendam às condições específicas e podem ser obtidas na especificação
técnica citada (DNIT, 2006).

A brita deve atender aos seguintes requisitos (DNIT, 2006):

• Os agregados utilizados obtidos a partir da britagem e classificação de rocha


sã devem ser constituídos por fragmentos duros, limpos e duráveis, livres de
excesso de partículas lamelares ou alongadas, macias ou de fácil desintegra-
ção, assim como de outras substâncias ou contaminações prejudiciais;

• A granulometria da brita deve ser tal que passe 100% na peneira ce 19,0 mm;

• O desgaste no ensaio de abrasão Los Angeles, conforme NBR N M 51, deve


ser inferior a 50%; a perda no ensaio de durabilidade, conforme DNER M E
089(5), em cinco ciclos, com solução de sulfato de sódio, deve ser inferior a
20%, e com sulfato de magnésio, inferior a 30%.

• índice de forma superior a 0,5 e porcentagem de partículas lamelares infe-


rior a 10%, conforme NBR 6954(6).

Solo-aditivo
As sub-bases de solos tratados quimicamente são aquelas em q i e é adicio-
nado aditivo cuja função é atuar quimicamente sobre as partículas de solo, em
processos que envolvem, inicialmente, floculação, trocas catiônicas etc., que re-
duzem a plasticidade do solo. Em um segundo estágio, ocorrem reações de cimen-
tação entre as partículas e até do tipo pozolânicas, dependendo da natureza do
solo e do aditivo.

Um dos processos mais conhecido é a estabilização do solo com cal, principal-


mente a hidratada, que permite o ganho expressivo da capacidade estrutural do
solo com adições da ordem de 4 % a 8 % em média, que permite, por exemplo, que
um solo medíocre, de CBR de 5%, salte para patamares de CBR superiores a 40%
(Santos & Pomatti, 2000), onde a reação pozolânica é a predominante.

O princípio de dosagem do solo-aditivo pode ser feito variando-se teores na


mistura e medindo-se as alterações nas características físicas do solo - limites de
Atterberg e granulometria - bem com do CBR, até que este atinja as características
de projeto.
Como muitas vezes são empregados subprodutos industriais na estabilização de
solos, como escórias e cinzas volantes, não raro é necessário empregar um cataliza-
dor para promover as reações químicas do solo com o aditivo, mas sempre é neces-
sário verificar e comprovar a compatibilidade química do solo-aditivo-catalizador,
não apenas em curto prazo, mas também em ensaios de longa duração.

No mercado, existem marcas consolidadas de tratamentos químicos, com es-


tudos de dosagem para os diversos tipos de solos. Caso não se disponha de tempo
e tecnologia para desenvolver aditivos específicos para determinado solo, é mais
seguro o emprego desses produtos industrializados.
Outro dado importante a ser considerado é que os aditivos químicos precisam
ser fixados quimicamente ao solo, não podendo ser lixiviados, sob pena de conta-
minação do meio ambiente e deve-se tomar cuidado especial com produtos com
pouca tradição de utilização.

3.2.2 Sub-bases granulares


As sub-bases granulares são as mais empregadas nos pisos industriais, princi-
palmente pela facilidade que proporcionam no tocante à facilidade de execução e
emprego de equipamentos relativamente simples, basicamente motoniveladora e
rolo compactador liso.

Entretanto, ainda é comum a especificação de britas, normalmente empregadas


na confecção de concreto, que apresentam faixa granulométrica muito estreita, sen-
do praticamente monogranulares. Esses materiais não apresentam características
que permitem sua estabilização granulométrica, com baixa capacidade de suporte.

Portanto, a primeira consideração a ser feita é quanto à granulometria, contí-


nua, de modo que ocorra um preenchimento regular dos vazios entre as partículas,
da mais grossa até as mais finas.

Embora seja possível a execução de camadas estabilizadas granulometricamen-


te com a mistura de materiais diversos, o mais comum é o emprego de materiais
britados. Contudo, mesmo nesses casos podem estar presentes algurs contaminan-
tes e, adicionalmente à granulometria, principalmente para controle do fenômeno
de bombeamento.

É necessário que o material que passa pela peneira n^ 40 (0,42mm), apresente


limite de liquidez inferior a 25% e índice de plasticidade inferior a 6%; no caso de
serem ultrapassados, o equivalente em areia deverá ser maior a 30%. A quantidade
de material passando na peneira 0,075mm deve ser inferior a 35%.

A capacidade de suporte dessas misturas vai variar em função do teor de finos,


pois quando este é muito baixo, ocorrem muitos vazios na mistura, cuja estabilidade
depende exclusivamente do contato entre partículas; à medida que o teor de finos
aumenta, tanto a massa específica seca e o CBR aumentam, até que, em determina-
do ponto, as partículas maiores perdem o contato entre si, passando a flutuar nas
partículas finas, levando a um decréscimo tanto da massa específica seca como do
CBR (Rodrigues, 2007).

A compactação da sub-base deverá ser executada em camadas de 15 a 20 cm de


espessura, empregando a energia intermediária ou modificada, devendo-se evitar es-
pessuras totais muito espessas, como as superiores a 30 cm; a dimensão característica
máxima não deverá ser superior a um terço da espessura da camada. As curvas granu-
lométricas recomendadas são apresentadas na Tabela 3.1 (DNER, 1997).

A faixa tipo A é denominada de graduação aberta e permite o ráp do escoamen-


to das águas que permearam as juntas, sendo recomendável para áreas externas,
mas observando-se o limite de dimensão máxima inferior a um terço da espessura
da camada. A faixa C, de graduação densa, é menos permeável e tem bom desem-
penho em áreas cobertas, e seu diâmetro máximo é compatível às espessuras usu-
ais de 10 cm.
• TABELA 3.1

Faixas
granulométricas
admissíveis para brita 50 100 100
graduada.
25 75 o 90 100 100 100 100
9,5 30 o 65 40 o 75 50 o 85 60o 100

4,8 25 o 55 30 o 60 35 o 65 50 a 85 55 o 100 70 o 100

2 15 o 40 20 o 45 25 o 50 40 a 70 40 o 100 55 o 100

0,425 8 a 20 15 o 30 15 o 30 25 o 45 20 o 50 30 o 70

0,075*** 2o8 5 o 15 5o 15 10o25 6 o 20 8 a 25

(*) a porcentagem de material que passa pela peneira 0,075 (#200) deverá ser inferior a dois terços da
porcentagem que possa pe!a peneira 0,425mm (#40).

A presença da sub-base granular vai promover um aumento no coeficiente de


recalque, denominado k $ , que será função da espessura da sub-base e do coefi-
ciente de recalque do solo; na Tabela 3.2 são sugeridos alguns valores (Rodrigues &
Pitta, 1997). Para o módulo resiliente, pode-se adotar a faixa de valores entre 200
a 400 M P a .

3.2.3 Sub-bases tratadas com cimento


As sub-bases tratadas com cimento incorporam um ganho de qualidade ao pa-
vimento como um todo, visto que, quando comparadas às sub-bases de material
granular, diminuem significativamente as tensões transmitidas ao subleito e, por
conseqüência, as deformações do terreno de fundação.

A eficiência da sub-base pode ser, a priori, avaliada pelo módulo de elasticidade


ou resiliente dos materiais que as formam. Na Tabela 3.3 (Pitta, 1996), são apresen-
tadas faixas de variação do módulo de elasticidade para alguns materiais emprega-
dos e m sub-bases de pavimentos rígidos.

Solo melhorado com cimento (SMC)


c o m o já mencionado, o SMC pode ser considerado como um caso especial de
solos aditivados, tendo sido derivado do solo do cimento, muito empregado nas
décadas de 1940 e 1950, mas que, por apresentar problemas em serviço, foi grada-
tivamente abandonada.

O SMC foi uma alternativa simples e eficaz, tendo sido muito empregada no pre-
paro de sub-bases com solos arenosos finos, abundantes no Brasil.
Coeficiente de recolque no topo do sistema (MPa/m), para espessura de
Incremento do Valor de suporte do subleito
sub-base igual a ( c m )
coeficiente de
recalque do sistema
em razão da sub- (MPa/m)
base de brita 16 19 22 27 33
graduada
24 27 31 37 45

30 34 38 44 54

34 38 42 49 59

38 42 46 53 65

41 45 50 56 69

44 48 53 60 72

47 52 56 63 76

49 54 58 65 79

51 56 60 67 81

53 58 62 69 84

54 59 63 70 85

56 61 65 72 87

57 62 66 73 88

59 64 68 75 91

60 65 69 76 92

61 66 70 77 93

62 67 71 78 94

20 63 68 72 79 96

• TABELA 3.3 Variação do módulo de elasticidade


Moteriol
Módulos de materiais MPa
para sub-base de
Concreto compoctodo com rolo 7.000 o 14.000
pavimentos industriais
Brito graduado tratodo com cimento 3.500 a 7.000

Boses trotodos com asfolto 2.100 a 2.500

Misturas estobilizados com osfolto 280 o 2.100

Solo col 140 a 300

Boses gronulores 200 o 400


A dosagem do cimento é sempre considerada em massa, podendo-se teorica-
mente trabalhar com valores desde 2 % , até 6 % . Acima desse valor, começa-se a
invadir os domínios do solo-cimento, onde as retrações por secagem são elevadas;
observar que no limite inferior, na prática, é difícil a execução sem que ocorram
problemas de homogeneização.

Não há restrição quanto ao tipo de cimento, podendo ser o comum, o pozolâ-


nico ou o de alto forno. Quanto ao solo, é recomendável que atenda aos seguintes
requisitos (DNIT, 2006):

• Limite de liquidez menor que 4 0 % .

• índice de plasticidade inferior a 18%.

• Curva granulométrica de acordo com a Tabela 3.4.

• Não conter matéria orgânica ou outras impurezas.

• TABELA 3.4 Peneira % em mossa Tolerância


Faixa granulométrica (mm) passando (%)
do solo.
4,8 50-100 ±5

0,42 15- 100 ±2

0,075 5-35 ±2

Uma das grandes vantagens do SMC é a possibilidade de mistura na própria


pista, empregando-se os equipamentos de pavimentação mais comuns, como mo-
toniveladora, grade de discos etc.; o ganho estrutural pela utilização desta sub-base
pode ser analisado com base na Tabela 3.5 (Pitta, 1996). Para o módulo resiliente,
pode ser adotada a expressão (Larsen, 1967):

MR= 140,62 x c 1 ' 8 5 [MPa] (3.1)

Em que c é o teor de cimento e m massa ( % ) e Mr o módulo resiliente e m M P a .

Brita graduada tratada com cimento (BGTC)


Constitui-se na mistura de cimento com uma brita de granulometria contínua,
como a própria brita graduada, com teor de cimento que varia geralmente entre 2 %
e 4 % . Para teores baixos, pode-se esperar nesse material maior heterogeneidade e
valores muito elevados, o comportamento pode assemelhar-se ao concreto rolado
(CCR).

A resistência mecânica, fruto da especificação e m projeto, deve ser entre 3,5


M P a e 5 M P a aos 7 dias de idade. Por observação prática, pode-se concluir que a
BGTC tende a ser mais permeável do que a brita graduada que lhe deu erigem, pro-
vavelmente e m razão do aglutinamento das partículas finas do material, promovido
pela cimentação.
• TABELA 3.5
v - , , , |. Coeficiente de recalque no topo do sistema (MPa/m), para espessura
Incremento do de sub-base igual a (cm)
coeficiente de
CBR k
recalque do sistema 10 15 20
% (MPa/m) IU 15 /U
em razão da sub-
base: Sob melhorado 2 16 36 54 69
com cimento (SMC).
3 24 50 72 91

30 60 84 107

34 66 92 117

38 73 99 126

41 77 105 133

44 82 110 140

47 86 115 146

49 89 119 151

51 92 122 155

53 95 125 159

54 96 127 162

56 99 130 166

57 101 132 168

59 103 135 172

60 105 137 174

61 106 139 176

62 108 140 178

20 63 109 141 180

A energia de compactação influi decisivamente no resultado da resistência do


material e deve ser adotada, no mínimo, a energia intermediária. No Brasil, coube a
J. T. Balbo (Balbo, 1993) um dos mais completos estudos da BGTC, do qual se pode
extrair as seguintes correlações mecânicas, muito importantes no dimensionamen
to desta sub-base:

R t d = 0,370 + 0,059 x R c [MPa] (3.2)

Rt = 0,712 + 0,115 x Rc [MPal (3.3)

Em que Rtd/ Rce Rt são a resistência à tração - ensaio direto - resistência à com-
pressão e resistência à tração - compressão diametral. As resistências à tração na
flexão [Rtf) e tração direta (Rtd), são expressas da seguinte maneira (Balbo, 1993):
Rtd=0,62SxRtf (3.4)

Combinando as expressões 3.2 e 3.4, obtém-se:

Rtf = 0,592 + 0,0944 x Rc (MPa) (3.5)

Essas expressões devem ser empregadas apenas como valores de referência e m


projeto, devendo ser necessariamente comprovadas por ensaios específicos, pois as
propriedades mecânicas podem variar de maneira expressiva com as características
dos agregados, como granulometria, fator de forma e textura dos grãos.

Quanto ao incremento do ganho no coeficiente de recalque do sistema, não há


estudos específicos para a BGTC; contudo, considerando-se seu módulo de elasti-
cidade, pode-se admitir que o ganho estará entre os valores praticados com solo-
cimento (Tabela 3.6) e concreto compactado com rolo (Tabela 3.7). (Pitta, 1996)

• TABELA 3.6 , , . .... Coeficiente de recalque no topo do sistema (MPa/m),


Valor de suporte do subleito . , , . , . ,
Incremento do para espessura de sub-base igual a (cnp
coeficiente de CBR k 10 15 20
recalque do sistema % (MPa/m)
em razão da sub-
2 16 50 66 89
base: Solo cimento
(SC). 3 24 69 91 122

4 30 81 108 145

5 34 90 119 160

6 38 98 130 174

7 41 103 138 185

8 44 109 146 195

9 47 115 153 205

10 49 119 158 212

11 51 122 163 218

12 53 126 168 225

13 54 128 171 229

14 56 131 176 235

15 57 133 178 239

16 59 137 183 245

17 60 139 185 248

18 61 140 188 251

19 62 142 190 255

20 63 144 192 258


v I , , ,- Coeficiente de recalque no topo do sistema (MPa/m), para espessura
Incremento do de sub-base igual a (cm)
coeficiente de
recalque do sistema CBR k
10 15 20
em razão da sub- % (MPa/m) IU 3

base: Concreto
16 65 77 98
compactado com rolo
(CCR). 24 87 101 126

30 101 118 145

34 111 128 158

38 120 138 169

41 127 145 177

44 133 152 186

47 140 159 194

49 144 164 199

51 148 168 204

53 152 173 209

54 154 175 211

56 158 179 216

57 160 182 219

59 164 186 224

60 166 188 226

61 168 190 229

62 170 192 231

20 63 172 194 233

Concreto compactado com rolo (CCR)


O CCR é um concreto de consistência seca e com consumo de cimento menor
que o convencional, que pode ser lançado por equipamentos comuns às obras de
pavimentação; seu adensamento é feito por meio de compactação com rolos vibra-
tórios lisos.

Seu emprego pode ser considerado como relativamente recente, por volta da
década de 1970, tendo sido extensivamente estudado no Brasil na década de 1990
por meio de programas da Associação Brasileira de Cimento Portlanc (ABCP) com o
Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), do extinto DNER.

Embora tradicionalmente seja produzido com baixos consumos de cimento, sen-


do empregado notadamente como sub-base de pavimentos rodoviários de concreto
simples, é possível a utilização da mesma tecnologia, voltada para concretos de ele-
vada resistência mecânica, os quais podem ser aplicados como camada de rolamen-
to de pisos industriais pesados e pavimentos (Abreu, 2002), e que não serão objeto
deste trabalho.

Entre as variáveis do concreto, o consumo de cimento é responsável por cerca


de 9 0 % a 9 5 % na definição das resistências à compressão e à tração na flexão; ao
contrário do que acontece com a BGTC, a energia de compactação, bem como a
curva granulométrica dos agregados, são menos expressivos na obtenção das pro-
priedades do que o consumo de cimento (Triches, 1994).

As sub-bases de CCR apresentam elevada rigidez e são responsáveis pela ele-


vação expressiva do coeficiente de recalque do sistema, k s , como pode ser visto na
Tabela 3.6. Por esse motivo, seu uso deve ser analisado, principalmente em pisos de
baixa espessura e carregamentos elevados, conforme será mostrado no item 3.4.

Para sub-bases, é c o m u m a adoção de resistências à tração na flexão, que variam


entre 1,0 e 1,2 M P a , o que conduz ao consumo de cimento da ordem de 120 kg/m 3 .
As resistências à tração na flexão e na compressão podem ser correlacionadas pela
expressão (Triches, 1994):

fctM,28 = ° ' 8 7 7 x
( W 0
' 5
" i'279 tMPa) <3-6)

3.3 Tensões em sub-bases cimentadas


Quando se trabalha com sub-base de elevado módulo de elasticidade, como
as BGTC e CCR, e m função da rigidez, essas trabalham como placas, absorvendo
parte do carregamento aplicado. Embora não seja uma situação comum nos pisos
industriais, às vezes, as tensões de tração na sub-base cimentada podem ser muito
elevadas.

Isso acontece, por exemplo, quando são empregadas sub-bases rígidas, de es-
pessura próxima à placa de concreto, e o piso é submetido a cargas cíclicas intensas,
levando a deterioração da sub-base por processos de fadiga.

Quando a sub-base não está ligada à placa de concreto, caso típico cos pisos in-
dustriais, a rigidez total do sistema placa - sub-base é dada pela soma das rigidezes
individuais, que podem ser definidas pelas expressões (Huang, 2004):

E X h \ (3.7)
12 x (1 - j.i2) V
'

Sendo h a espessura da sub-base ou da placa, enquanto Eéo module de elastici-


dade e n o coeficiente de Poissson do material. Considerando-se que Rpiaco e Rsb são
respectivamente as rigidezes da placa e da sub-base, a parcela de esforço absorvido
pela sub-base é dada pela expressão:

fsb = ã-S? (3-8)


A partir desse esforço, é possível determinar a tensão de tração máxima na sub-
base e, portanto, verificar se ela não está e m excesso, considerando-se a fadiga da
camada cimentada de espessura hsb, pois o momento atuante nela será o produto
d e f s b pelo momento total atuante ( M d ) e a tensão de tração máxima será:

Como referência, pode-se adotar como valores de módulo de elasticidade da


BGTC(Balbo, 1993) e do CCR (Trichês, 1994) as equações 3.10 e 3.11 respectivamen-
te. As curvas de fadiga dos dois materiais, BGTC e CCR, são dadas nas equações 3.12
e 3.13 (Balbo, 1993 e Trichês, 1994), para um número de carregamentos igual a N.

E b g k = -5.133 + 2549 x R c - 6 1 x R c 2 [MPa] (3.10)

ECCR = 23.525 x log(/ c ) - 6.377 [ M P a ]


(3.11)

/ \

= 0 , 8 7 1 - 0 , 0 5 4 xlog/V [ M P a ] (3.12)
\ 'BGTC

j?- = 0 , 9 6 1 - 0,060 x \ogN (3.13)


>CQR
o
_ J
3
I -
O L .

Tecnolo de Concreto
<

4.1 Introdução
É impossível fazer um texto sobre dimensionamento de piso industrial ou pa-
vimento rígido sem abordar aspectos de tecnologia do concreto, pois este mate-
rial é capaz de ditar a qualidade final do piso e pode por a perder todo o trabalho
de projeto ou mesmo de execução se não for apropriado.

O concreto para pisos é obtido pela dosagem adequada dos materiais dis-
poníveis na região, sendo produzido de maneira homogênea um material que
pode ser adequadamente lançado, adensado e acabado com os equipamentos
usualmente empregados na confecção - réguas vibratórias, vibradores de imer-
são, rodo de corte, acabadoras mecânicas etc. - e que incorpore, após o endureci-
mento, propriedades como resistência mecânica - tração na flexãoe compressão
- resistência à abrasão e estabilidade dimensional.

O concreto é um material complexo, pois seu desempenho não depende ape-


nas das propriedades das matérias-primas e das quantidades relativas emprega-
das em sua confecção, mas também do processo de produção.
Neste capítulo, serão abordados os principais fatores capazes de alterar de ma-
neira expressiva o comportamento do concreto, bem como os cuidados que d e v e m
ser tomados na fixação de suas propriedades reológicas e mecânicas, e t a m b é m os
critérios para a escolha dos materiais.

Propriedades do concreto fresco


O concreto é um material que apresenta variações expressivas de suas proprie-
dades ao longo do tempo. No início, após a mistura de seus componentes, apresenta-
se com comportamento de fluído viscoso, que permanece assim por determinado
período, que depende da cinética química do cimento, da temperatura ambiente, de
seus aditivos etc.

Essa é a primeira fase da vida do concreto, que leva poucas horas, na qual se
observa um nítido aumento de viscosidade, mesmo quando aparentemente não se
percebe mudanças significativas e m sua hidratação. Contudo, o compor:amento do
concreto nesse primeiro momento pode influenciar muito o seu desempenho e m
idades mais avançadas.

4.2.1 Trabalhabilidade
Define-se por trabalhabilidade o conjunto de propriedades do concreto fresco,
as quais permitem que ele seja misturado, transportado, lançado, adensado e aca-
bado de modo apropriado para cumprir as exigências de material de engenharia
quando e m serviço.

É possível perceber que concretos para diferentes aplicações necessitam ter, no


estado fresco, características distintas e é, nesse ponto, que o concreto para pisos
difere fortemente daquele adequado para estruturas e, atualmente, pode-se dizer
que esse é um dos principais enganos cometidos na execução de pisos.

Na falta de um ensaio que consiga medir globalmente a trabalhabilidade, lança-


se mão de ensaios de fluidez, como o ensaio de abatimento (slump), e toma-se esse
valor como se fosse uma medida daquela propriedade, o que é inapropriado.

Além da consistência, que como uma regra geral para pisos situa-se entre 80
m m e 120 mm, medida no ensaio do tronco de cone, a mistura tem de ser coesa,
o que permite que a massa se movimente sem que haja segregação dos seus com-
ponentes. Para concretos com fibras, esse ensaio (slump) nem sempre é o mais
apropriado.

Diferente do concreto estrutural, o concreto para pisos necessita de teor de ar-


gamassa e materiais finos que possibilitem o seu acabamento na forma lisa, que é a
mais usual e m pavimentos industriais.

Rotineiramente, esse teor de argamassa é tomado no estado seco, sendo a ra-


zão e m massa entre os materiais que passam pela peneira 4,8 m m (cimento e areia),
pela soma total dos materiais secos (cimento, areia e brita):
cimento* areia xlQQ
cimento + areia + brita

Para condições normais, esse teor está entre 4 9 % a 52%, mas pode variar e m
função da granulometria da areia - por exemplo, areias muito finas levam a teores
de argamassa menores - e da própria granulometria do agregado graúdo.

A quantidade de argamassa deve ser tal que preencha os vazios do agregado graú-
do e superficialmente forme uma camada que seja capaz de cobrir os agregados, com
espessura em que não seja possível enxergá-los após o acabamento do piso. Teores
muito baixos possibilitam que sejam vistas manchas sobre as partículas maiores (Figu-
ra 4.1), advindas de condições diferenciadas de hidratação do cimento.

• FIGURA 4.1

Agregados graúdos
aparentes.

No outro extremo, o excesso de argamassa pode levar ao fenômeno de delami-


nação, que será tratado no capítulo 10, pois a camada muito espessa pode, durante
o acabamento superficial, ser adensada com volumes de vazios mu to maiores na
superfície, o que a tornará mais impermeável, capaz de bloquear a passagem da
água ascendente.

A trabalhabilidade do concreto é afetada principalmente pelo consumo de água,


de cimento, pela granulometria dos agregados e por outras características físicas
destes e pelos aditivos ( M e h t a & Monteiro, 2006). A quantidade de água afeta di-
retamente a consistência, pois maiores teores levam a misturas mais fluídas que,
como fator negativo, reduzem a coesão, tornando-se mais segregáveis.

Baixas quantidades de cimento levam a misturas ásperas, perceptíveis quando


se alisa a superfície com uma colher de pedreiro e esta não se fecha adequadamen-
te, ficando visíveis os grãos de areia. Misturas ricas acabam sendo muito coesas e
deixam o concreto com aspecto gelatinoso pelo excesso de coesão.
A granulometria dos agregados afeta o consumo de água para uma cada consis-
tência, o mesmo acontecendo com partículas angulares, principalmente nas areias
finas. Em outro extremo, granulometria de areia que tende a grossa pode causar o
mesmo fenômeno de mistura áspera citado (Mehta & Monteiro, 2006).

Aditivos são produtos que, adicionados ao concreto, alteram principalmente a


sua trabalhabilidade, sendo os mais comuns os redutores de água, como os plasti-
ficantes, polifuncionais e os superplastificantes. Como agem diretamente sobre a
consistência, quando em excesso podem levar à perda de estabilidade ca mistura.

Para pisos, exceto em condições muito particulares, são evitados os aditivos in-
corporadores de ar, por serem agentes causadores da delaminação. São evitados
também os retardadores de pega, por dificultarem o acabamento. Err alguns es-
tados brasileiros, são insistentemente utilizados para compensar as temperaturas
elevadas, mas, como será tratado no capítulo 10, isso é um equívoco.

4.2.2 Exsudação
Exsudação é o fluxo de água no concreto recém-lançado causado pelo assen-
tamento de partículas mais pesadas (PCA, 2002); ocorre no estado plástico e cessa
quando a estrutura começa a enrijecer. Como se pode perceber, misturas muito
fluidas e sem coesão tendem a exsudar mais.

No caso de pisos, o fenômeno é particularmente prejudicial, por aumentar a


porosidade superficial em razão do incremento da relação água/cimento, que reduz
a resistência à abrasão.

Seu controle está ligado às técnicas de dosagem, como ajuste de materiais finos,
curva granulométrica dos agregados e controle no uso de aditivos, pois estes com
freqüência acabam por aumentar a exsudação (Figura 4.2); para pisos, o valor da
exsudação deve ser inferior a 4%.

15

Efeito de aditivos na
exsudação |PCA,
2002).
10

o
ira
o
ra
TD

C N M B X

Aditivos
Condições ambientais também podem contribuir para o aumento da exsudação,
pois, em temperaturas mais baixas, a pega do concreto é retardada, havendo mais tem-
po para que ela ocorra; da mesma maneira atuam os aditivos retardadores de pega.

4.2.3 Retração plástica


A retração plástica ocorre muito precocemente, quando a taxa de exsudação
é inferior à evaporação da água do concreto, o que promove uma dissecação na
camada superior do pavimento, cuja profundidade vai depender das condições at-
mosféricas e das características do concreto, como relação água/cinento, teor de
cimento e principalmente das condições de evaporação. Em ambientes com baixa
umidade relativa do ar e incidência de ventos, as misturas ricas em cimento estão
mais sujeitas à retração plástica, acompanhada das tradicionais fissu'as curtas, que
surgem em grupos paralelos entre si.

• FIGURA 4.3

Fissura de retração
plástica.

Essas fissuras são causadas pela sucção da água nos poros (por pressão negati-
va), gerada inicialmente pela secagem dos poros, mas que também é influenciada
pelo processo de hidratação, que promove aumento na rigidez do sistema e reduz
sua mobilidade. Geralmente, apresentam abertura grande, da ordem de milímetros,
mas a profundidade é função direta da profundidade da dissecação e do coeficiente
de Poisson do concreto. Enquanto esse for próximo a 0,5, não ocorrerão fissuras.

Embora as forças geradoras cessem após a pega do concreto, as dimensões da


fissura podem evoluir, dependendo da magnitude e da direção dos esforços presen-
tes no pavimento (Morris & Dux, 2006).

O controle das fissuras, além das variáveis climáticas, nem sempre possíveis de
serem evitadas, pode ser feito com o emprego de fibras; telas soldadas ou armadu-
ras convencionais não apresentam eficiência para combater a fissuração plástica.
De maneira geral, qualquer tipo de fibra é capaz de controlar a formação das
fissuras plásticas, quer sejam plásticas ou de aço, e a quantidade necessária (fração
volumétrica) vai depender do módulo de elasticidade do material com que são fei-
tas, do índice de forma das fibras - relação diâmetro/comprimento, quantidade de
fibras por unidade de massa, propriedades superficiais, seção transversal e defor-
mação ao longo do comprimento (Balaguru, 2001).

A escolha da fibra t a m b é m deve ser feita considerando-se o tipo de matriz que


está sendo empregada. Para concreto, as fibras mais longas e com maior diâmetro
são mais indicadas, enquanto para argamassas, fibras curtas e c o m diâmetros me-
nores apresentam melhor desempenho.

A avaliação do desempenho da fibra, infelizmente, não é um processo simples.


Uma das dificuldades que se observa e m diversas pesquisas de desempenho das
fibras é o tipo de ensaio empregado, pois os normalizados, como o A S T M C157, não
são adequados à determinação da retração nas primeiras idades e, na verdade, cada
pesquisador acaba por adotar um procedimento diferente e, portanto, os ensaios
têm valor comparativo, mas não são, na maioria dos casos, intercambiáveis (Rodri-
gues & Montardo, 2001).

Esses ensaios têm e m c o m u m o emprego de câmaras de vento, umidade e tem-


peratura controladas, e a amostra é submetida a algum tipo de restrição, como
aderência na base, que simula um overloy aderido ou outras restrições ã movimen-
tação. As conclusões hoje consolidadas são (Balaguru, 1994):

a) A adição de fibras sintéticas, mesmo e m teores tão baixos como 0,45kg/m 3 ,


promove alguma redução na quantidade de fissuras.

b) Reduções mais acentuadas são conseguidas c o m dosagens entre 0,45kg/m 3


e 0,90kg/m 3 .

c) Para fibras longas, aquelas que apresentam menor módulo de elasticidade


são as que propiciam melhor desempenho.

d) Para dosagens de 0,9kg/m 3 , tanto para as fibras d e nylon como para as de


polipropileno, praticamente não foram observadas, nos experimentos, fissu-
ras de retração plástica.

e) A quantidade de fibras - número de fibras por quilograma - é urr parâmetro


importante de dosagem.
f) Fibras longas apresentam melhor desempenho c m argamassas mais pobres
e e m concretos, enquanto as microfibras apresentam melhores resultados
e m argamassas com misturas mais ricas.

g) Com as fibras sintéticas, não ocorre apenas a redução da quantidade de fis-


suras, mas t a m b é m a abertura delas é menor.

Há um consenso entre diversos pesquisadores, de que as fibras de baixo mó-


dulo - característica das fibras sintéticas - apresentam melhor desempenho. Por
exemplo, para que as fibras de aço atuem t a m b é m no controle da fissura plástica, é
necessário empregar teor cerca de três vezes maior do que é empregado estrutural-
mente, o que torna muito difícil a mistura do concreto.
As fibras plásticas, nas dosagens empregadas no controle da retração plástica,
que variam de 0,6 kg/m 3 a 0,9 kg/m3, não agregam valor estrutural, pois a tenacida-
de observada no concreto é desprezível, mas acredita-se ainda que sejam eficientes
no controle da fissuração em idades com menos de 24 horas.

4.2.4 Início de pega do concreto


O início de pega do concreto é um importante marco, pois indica a passagem do
concreto do estado plástico para o rígido (Figura 4.4), em que sua fcrma não pode
ser mais trabalhada e é função das reações químicas entre o cimento e a água.

FIGURA 4.4
Início do
Representação ganho de resistência
esquemática dos
tempos de pega do
concreto (Mindess &
Young, 2003).

Rigidez

Assim que o cimento entra em contato com a água, iniciam-se as reações de


hidratação, cuja velocidade vai variar entre as principais espécies presentes no clín-
quer. O aluminato tricálcico - C 3 A - é o mais ávido por água, seguido pelo silicato
tricálcico - C 3 S - pelo ferro aluminato tetracálcico - C 4 AF - e, finalmente, pelo C 2 S.

O C 3 A é tão reativo que, se não fosse adicionado gesso para controlar a veloci-
dade de reação, ocorreria uma pega praticamente instantânea. Os suifatos do gesso
reagem com o C 3 A, formam um composto que blinda a ação da água e fazem com
que o processo de reação entre em um período de baixa atividade.

Com o passar do tempo, em virtude de uma série de fenômenos complexos,


essa camada se rompe, a hidratação avança e ocorre o início de pega. No concreto, esse
difere da pega do cimento, sendo mais lento em razão principalmente da presença
dos agregados e da maior relação água/cimento.
Além da relação água/cimento, são importantes no comportamento da pega do
concreto o tipo do cimento, os aditivos e a temperatura ambiente, sendo esta capaz
de alterá-la significativamente, como será visto no capítulo 10.
4.3 Propriedades do concreto endurecido
Para pisos e pavimentos, as propriedades do concreto simples são singulares.
Enquanto para estruturas se dá muita atenção à resistência à compressão e ao mó-
dulo de elasticidade, para pisos outras características podem definir o desempenho
e a durabilidade da obra de modo mais marcante, como a variação volumétrica -
retração - do concreto.

Nas propriedades físicas, é importante a resistência à tração na flexão e a resis-


tência à abrasão, embora módulo e resistência axial t a m b é m sejam relevantes. Há
t a m b é m que considerar a fluência à tração, que permite a dissipação das tensões de
tração advindas da retração do concreto.

4.3.1 Propriedades mecânicas

4.3.1.1 Resistência à compressão


A resistência à compressão do concreto obedece à LeideAbrans, uma das mais antigas
regras de dosagem do concreto: a resistência à compressão varia inversamente à
relação água/cimento (Figura 4.5).

• FIGURA 4.5 1 80
Resistência aos 28 dias
Faixa típica de os 70 cura úmida
CL
variação da 5
resistência à o 60
1(0
to
compressão com t/i
03
a relação água/ CL 50
E
o
cimento (PCA, 2002). o
'CO 40
<0
ã
c
'22 30
w
\n
a)
cc 20

10

0
0,25 0,35 0,45 0,55 0,65 0,75 0,85

Relação a/c

As variações observadas para uma mesma relação água/cimento devem-se fun-


damentalmente à resistência dos cimentos empregados. Uma forma de separar
essa influência é com o emprego da curva de Walz (Rodrigues, 1995), apresentada
na Figura 4.6, e m que são representadas diversas curvas de Abrans para diferentes
resistências do cimento.

Desde que os agregados apresentem resistência mecânica adequada, sua influ-


ência sobre a resistência final do concreto é pouco perceptível, ficando esta forte-
mente sujeita pela relação água/cimento.
0,40 0,45 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90

4.3.1.2 Resistência à tração na flexão


A resistência à tração na flexão também segue a lei de Abrans, mas essa proprie-
dade também é afetada por outros fatores, principalmente as características dos
agregados.

A interface pasta agregado influencia muito os valores na flexão, apresentando


os agregados com textura lisa, como os seixos rolados, resistências mais baixas do
que os agregados britados.

Os agregados afetam notadamente a resistência à tração na flexão, em razão,


principalmente, de natureza mineralógica, forma geométrica e textura das partí-
culas. Ensaios comparativos com seixo rolado, que possui superfície lisa, e calcário
britado indicaram que neste a resistência à tração na flexão pode seraté 25% maior
para a mesma relação a/c (Kaplan, 1963). O mesmo estudo indica que, quanto maior
for o volume do agregado graúdo com relação ao total, menor será a resistência na
flexão, em virtude do aumento da dimensão média do agregado total.

Quanto à forma, agregados com partículas que se afastam da forma esférica


conferem ao concreto maiores valores, pelo simples fato de apresentarem maior
área de contato com a argamassa e melhor adesão. Esse afastamento deve ocorrer
dentro de determinados limites, sendo a forma ideal a cúbica.
Concretos com agregados disciformes (com forma de disco) ou aciculares (com
forma de agulha) apresentam baixa resistência à flexão, além de facilitarem a forma-
ção de bolsões, por dificultarem a saída da água exsudada, o que diminui a aderên-
cia matriz-agregado (Bucher & Rodrigues, 1983).
A correlação estatística entre a resistência à compressão e o módulo de ruptura
é possível teoricamente, tendo sido perseguida por diversos pesquisadores, no in-
tuito de facilitar o controle de obras em que o requisito principal é tração na flexão.
A prática tem demonstrado que o emprego dessas correlações deve ser tomado
como referência para efeitos de dosagem.
Como exemplo de correlações entre as resistências, que podem perfeitamente
ser empregadas para os estudos de dosagem, pode-se citar duas, que apresentam
resultados bastante similares:

(Bucher & Rodrigues, 1983):

W = 0 <56-(/ c )°' 6 (MPa)

(Packard, 1976):

W = °'76-/c0'5 (MPa)

4.3.1.3 Resistência à abrasâo


A resistência à abrasão é uma importante propriedade para os concretos sub-
metidos ao desgaste superficial causado pelo tráfego de veículos ou mesmo pelo
caminhar de pessoas.

Essa propriedade é governada, em primeiro lugar, pela resistência do concreto,


ou seja, pela relação água/cimento e, para pisos, é desejável que se situe abaixo
de 0,55. Embora erroneamente impere o conceito de que o consumo de cimento
desempenhe papel importante, ele não acrescenta ganhos significativos para teores
maiores que 360 kg/m3 (Concrete Society, 2003) 1 .

Como é a pasta superficial do concreto que em primeiro lugar é submetida ao


desgaste, as superfícies que recebem acabamento desempenado são mais resisten-
tes, sendo esse recurso uma importante ferramenta para os pisos industriais.
Nessa mesma linha de raciocínio, concretos com excesso de exsudação apresen-
tam menor resistência à abrasão. Os agregados do concreto apresentam um papel
secundário, principalmente por que as areias brasileiras são ricas em quartzo, mine-
ral bastante resistente mecanicamente.

Entretanto, a aspersão de agregados minerais ou metálicos durante a fase de


acabamento pode trazer grandes benefícios aos pisos industriais, bem como trata-
mento à base de endurecedores químicos, o que permite um ganho significativo de
dureza superficial, sem necessariamente empregar concretos de resistência muito
elevada, em que a retração pode causar efeitos indesejáveis no resultado final.

A medição da resistência à abrasão tem sido um empecilho para o adequado


controle dessa propriedade, pois a normalização brasileira existente não se presta
aos pisos monolíticos de concreto, mas sim às argamassas de alta resistência. Uma
alternativa eficaz é empregar a norma inglesa BS-8204-2 (BS, 2003), que apresenta
níveis de desempenho em função da utilização (Tabela 4.1).

1 Considerando a mesma relação água/cimento. Obviamente quando o consumo de cimento aumen-


to e a água é mantida fixa, haverá ganho na resistência à abrasão por conta do aumento na resistência
à compressão.
Utilização Tipo de concreto Móximo desgaste
Classes de piso em h b e e e s ^ i
função da resistência Especial Severa Alisturos especiais e resinos 0,05 mm
à abrasâo
(BS 8204-3). ARI Abrosõo muito elevada Revestimento de oito desempenho 0,1 mm

AR2 Abrosão elevada Concreto desempenodo liso 0,2 mm

AR3 Abrasâo moderada Concreto desempenodo liso 0,4 mm

O ensaio pode ser feito diretamente sobre o piso executado (Figura 4.7), o que
permite, dessa maneira, medir simultaneamente as condições executivas e o de-
sempenho dos materiais.

• FIGURA 4.7

Equipamento de
abrasâo.

onaonhnrin o
connultorUi

A Tabela 4.2 (Concrete Society, 2003) apresenta de maneira sistemática o efeito


das ações executivas na resistência ao desgaste.

• TABELA 4.2
Ação Efeito
Fatores que afetam
Acabamento desem- 0 ocobamento desempenodo, principolmente o liso, é um fator significativo ro oumento da
o desgaste do
penodo resistêncio à abrasâo, mas repetições excessivas podem não levor o incremertos sucessivos.
concreto.
Curo Curo iniciol eficiente é essencial pofo monter os condições de hidrotoçõo superficiol e conservor o
superfície com baixa porosidode e é decisiva poro o incremento do propriedade.

Consumo de cimento Deve ser superior a 325g/m3. Consumos superiores o 360 kg/m3 não são efetivos no aumento
do resistêncio à abrosõo.

Agregados Os groúdos pouco influem no propriedade, exceto em pisos com ambiente agressivo. Os ogrego-
dos groúdos e miúdos, principolmente, não devem conter partículas frióveis.

Aspersões As classes Especiale ARI (íobelo 4.1) devem ser obtidos com aspersões de oito desempenho,
(diyshokes) enquanto a AR-2 pode ser conseguido com o concreto bem controlado.
4.3.1.4 Módulo de elasticidade
0 concreto é um material de comportamento inelástico não-linear, tanto na tra-
ção como na compressão e, portanto, o termo módulo de elasticidade deve ser uti-
lizado com cautela, pois não representa um valor único como nos materiais lineares
elásticos (Mindess, Young & Darwin, 2003).

Na realidade, representa respostas pontuais em diversos estados de carrega-


mento (Figura 4.8), adquirindo nomes típicos como módulo secante, tangente, cor-
da etc. O tangente inicial é o mais elevado, mas não representa o comportamento
típico do material, sendo preferível o módulo secante.

• FIGURA 4.8

Diagrama típico
tensão deformação
do concreto, que
mostra os diferentes
módulos (Mindess,
Young & Darwin,
2003).

Deformação

Em um compósito, como o concreto, o módulo de elasticidade será proporcio-


nal ao volume relativo de cada componente. Como o agregado corresponde mais
de 70% do volume do concreto, torna-se claro que ele vai influenciar fortemente o
valor final do módulo elástico do material.
Na figura 4.9, é apresentado o comportamento elástico da pasta, do agregado
e do concreto. A mudança de comportamento em tensões mais elevadas (acima
de 50% da de ruptura) está muito associada à interface pasta-agregado (Mehta &
Monteiro, 2006).
O módulo de elasticidade relaciona-se à resistência do concreto. Por exemplo,
o ACI 318 (ACI, 2005) apresenta uma correlação interessante do módulo à massa
específica do concreto e a resistência, o que permite considerar o emprego de agre-
gados leves:

E c = y c 1 ' 5 .0,043./ c 2 8 °' 5


Comportamento
elástico do concreto
e seus Constituintes
(Mehta & Monteiro,
2006).

0
0 1000 2000 3000

Deformação, 10~6

Sendo

y c a massa específica do concreto, situada entre 1500 kg/m 3 e 2500 kg/m 3 .

/ c 2 8 a resistência do concreto à compressão aos 28 dias.

A NBR 6118 (ABNT, 2003) correlaciona as propriedades através da expressão:

Ea
0,5
= 5600

4.3.1.5 Fluência (deformação lenta)


Entende-se por fluência do concreto (creep) a deformação lenta que ele sofre
sob a ação de um carregamento, após a ocorrência da deformação elástica que a
carga produziu.

Fluência e retração são freqüentemente associados e m função ca similaridade


das curvas tempo versus deformação, os parâmetros que as afetam são os mesmos,
bem como a magnitude das deformações.

Da mesma forma que a retração do concreto, a fluência é uma propriedade da


pasta de cimento e os agregados funcionam como uma restrição. Sua origem deve-
se ao comportamento do C-S-H2 sob tensão, mas o mecanismo ainda é pouco co-
nhecido (Mindess, Young & Darwin, 2002).

A Figura 4.10 apresenta uma curva típica de deformações experimentais pelo


concreto quando carregado e posteriormente descarregado: inicialmente é obser-
vada a deformação relativa à deformação elástica do concreto (£ e ), seguindo-se pela

2 O C-S-H é o principal produto da hidratação do cimento.


deformação lenta (s c r ); quando descarregado, há a recuperação instantânea da de-
formação elástica enquanto a parcela relativa à fluência, embora parte dela seja
recuperada rapidamente, outra importante não retorna e é denominada fluência
irreversível.

FIGURA 4.10
1000 —
Ensaio de
deformação lenta,
(fluência) (PCA,
2002)

100 120
Tempo (dias)

Deve-se destacar que quando o concreto seca sob carregamento, c valor total
das deformações (£ t o t ) é maior do que a soma das parcelas da retração por secagem
(e s h ) e a da fluência básica (£ bc ) - para carregamento aplicado sem permitir a retra-
ção do concreto.

Essa parcela adicional é denominada fluência por retração (e d c ) (Mindess, Young


& Darwin, 2003) e pode ser um fenômeno importante nos pisos protendidos, onde a
tensão é teoricamente aplicada antes da ocorrência de qualquer parcela da retração.

A fluência é função de (PCA, 2003): (a) magnitude das tensões; (b) idade e m que
o concreto foi carregado; e (c) tempo e m que o concreto permanece carregado.

4.3.2 Variações volumétricas


As variações volumétricas do concreto, de origem hidráulica ou térmica, são
muito importantes para definir a vida útil do pavimento, mas pouco consideradas
no projeto e na execução, sendo esse um dos grandes motivos da falência precoce
de muitos pisos e, principalmente, das rodovias brasileiras.

4.3.2.1 Retração por secagem


Também conhecida como retração hidráulica, é a retração clássica que o concre-
to apresenta, muitas vezes subdividida e m inicial, que ocorre nas primeiras 24 horas
e complementar (Rodrigues, 2007).
Sua ocorrência está ligada à perda da água não combinada na hidratação do
cimento e daí pode-se tirar a primeira lição importante no controle, que é a quan-
tidade de água adicionada ao concreto e também a relação água/cimento que ele
apresenta, sendo a primeira mais significativa, como pode ser visto na Figura 4.11.

FIGURA 4.11

Influência da água na
retração por secagem
(PCA, 2002).

125 1 50 175 200 225 250 275

Água, kg/m3

Além do consumo de água, diversos outros fatores contribuem para a retração


hidráulica do concreto.

Influência do cimento
Uma vez que a pasta de cimento é a responsável pela retração, torna-se evi-
dente que a sua quantidade influencia diretamente nessa propriedade e, por esse
motivo, o consumo de cimento deve ser limitado, pois consumos elevados não só
trarão maior retração, como também tornarão o concreto mais sensível às variações
térmicas em presença de umidade.

Quanto ao cimento especificamente, a finura parece ser um fator importante, pois


o aumento da área específica do cimento não vai implicar apenas em maior consumo
de água de molhagem das partículas, mas também no efeito restritivo que as partícu-
las mais grossas - à semelhança dos agregados - promovem (Burrows, 1998).

Não há uma correlação muito clara entre o tipo do cimento e o teor de adição
com a retração hidráulica do concreto, havendo cimentos mais finos que promovem
menos retração do que outros, aparentemente menos problemáticos. Esse assunto
foi alvo de estudos da A S T M (American Standard Tests of Materials), que desenvol-
veu um ensaio (ASTM C1581 - 04: Determining Age at Cracking and Induced Tensile
Stress Characteristics of M o r t a r and Concrete under Restrained Shrinkage), que se
propõe a avaliar a potencialidade de retração do cimento, ligada basicamente aos
aspectos químicos e de microestrutura da pasta.

Corpos de prova e m formato de coroa circular são moldados e m fôrmas com nú-
cleos rígidos, que são mantidos durante todo o teste, o que simula um confinamento
à retração (Figura 4.12), sendo determinado o tempo transcorrido até o aparecimento
da primeira fissura e a potencialidade da retração é estabelecida na Tabela 4.1.

Esses ensaios já v ê m sendo executados com cimentos nacionais e não há ainda


uma base de dados expressiva, mas sem dúvida serão uma ferramenta valiosa o
conhecimento dessa tendência, associada com medições e m obra para a correta
avaliação dos cimentos brasileiros, que apresentam variações expressivas com rela-
ção aos norteamericanos. Para pavimentos, somente os cimentos com potencial de
retração moderadamente baixo ou baixo deveriam ser empregados.

• TABELA 4.3
Tempo paro ocorrência da fissura (dias) Potencial para retração
Potencial de
fissuração do 0<t<7 Alto
cimento. 7<t< 14 Modercdomenle oito

14 < t< 28 Atoderodomente boixo

t>28 Boixo

A importância da composição química do cimento na retração pode ser encon-


trada no ensaio desenvolvido por R. L. Blaine, no final da década de 1950 (Burrows,
1998), com anéis de pasta de cimento, com restrição central, que mostrou que além
da finura elevada, cimento com teores maiores de C 3 A e álcalis apresenta maior
tendência à fissuração, sendo esse mais determinante.

• FIGURA 4.12

Ensaio de Refraçõo
Restringida
Como foi visto no item anterior, o agregado pode ser considerado inerte em
termos da retração por secagem e, portanto, é fácil imaginar que a retração do con-
creto será proporcional à quantidade do agregado.

Embora haja outros fatores como textura das partículas, interface pasta - agre-
gado, que podem influenciar na retração do concreto, o módulo de elasticidade
do agregado é preponderante: agregados de maior módulo, como o granito e o
calcário, exibem concretos com retração bem menores daqueles produzidos com
arenito; observa-se também que a diferença aumenta de modo expressivo com a
idade ou o tempo de secagem dos concretos, após a cura.

Aditivos químicos
Dentro do grupo dos aditivos, pode-se fazer uma distinção quanto à função: os
aditivos redutores de água e os redutores da retração. No primeiro grupo, enqua-
dram-se os plastificantes e os superplastificantes, produtos que têm como função
justamente promover a redução da água no concreto e que, em tese, deveriam
promover a retração do concreto como benefício adicional.

Alguns plastificantes, no entanto, apresentavam no passado um ncremento da


retração para um mesmo consumo de água, o que hoje foi superado pelos aditivos
superplastificantes, produtos que são uma alternativa viável quando é necessário o
emprego de misturas mais plásticas, sem necessidade do incremento do consumo
de água.

No segundo grupo, os aditivos redutores de retração são ainda pouco emprega-


dos em função do custo, mas efetivamente são ferramentas poderosas no controle
da retração. A ação desses produtos é química, pois altera a tensão superficial da
água e proporciona valores de redução na retração por secagem da ordem de 35% a
70%, dependendo da relação água/aglomerante empregada (Mokaren, 2002).

Espessura do pavimento
A espessura do pavimento é um fator importante no desenvolvimento da retra-
ção por secagem, pois a perda de água se dá praticamente pela superfície da placa.
A Figura 4.13 mostra essa tendência, pois a difusão da umidade no concreto é baixa,
notadamente para concretos mais impermeáveis.

Esse fato será particularmente importante no estudo do empenamento da placa


de concreto, tratado no item 7, em que a retração diferencial, quer por retração (se-
cagem ou autógena) quer por efeito térmico, gera tensões elevadas que, associadas
ao carregamento, podem levar à ruptura da placa.

Influência do meio ambiente


O princípio de secagem do concreto é o de equilíbrio de fases, o que significa
que o concreto pode trocar umidade com o meio ambiente até o ponto em que o
ar esteja saturado e isso depende da umidade relativa do ar. Desse modo, na região
Sudeste do Brasil, por exemplo, os meses de maio a setembro são os de menor
umidade relativa e, portanto, possibilitam uma secagem mais rápida e conseqüente
retração do concreto, enquanto no período chuvoso, que varia de novembro a mar-
ço, há pouca troca de água com o ambiente e a retração é baixa.

Essa característica acaba por levar a equívocos na interpretação de fissuras, pois


as que ocorreram por retração não se manifestam de modo visível inicialmente, mas
só depois de alguns meses, com o desenvolvimento do processo, serão vistas com
maior definição.

FIGURA 4.13 260 1 — i — r i — 1 — 1 — 1 — 1 — r


SUPERFÍCIE DA PtAÇA
Influência da 240
espessura da placo PROFUNDIDADE
na retração por 220 A PARTIR DO
25 >
TOPO (mm)
secagem (Suprenant,
2002). 200
50 .

180
75

160 100

I 140
125
3.
150
0
«< 120 175
1 200
E 100 225
cc
250
80 275
300
60 325
350
40 375

20

0 J L
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

UMIDADE RELATIVA DO CONCRETO

4.3.2.2 Retração autógena


A retração autógena ocorre sem que haja perda de massa no concreto, ou seja, o
concreto não perde umidade, e a sua causa é a passagem da água capilar para adsor-
vida, e m um processo espontâneo, que ocorre durante a hidratação do concreto.

Quando há fornecimento abundante de água de cura, a retração autógena não


ocorre, mas quando não há essa disponibilidade, a hidratação do cimentc passa a ser
feita com a água capilar, causando a retração do concreto, e m um mecanismo seme-
lhante à da retração por secagem. Dentro dessa visão, pode-se concluir que os pisos
que recebem apenas cura química estão mais sujeitos a esse tipo de retração.

Uma forma de combater a retração autógena é com o emprego dos self curing
concretes, ou concretos autocuráveis, que possuem um fornecimento de água suple-
mentar interno, como a contida e m agregados porosos, liberada gradativamente para
a hidratação do cimento. As fibras de polímero superabsorventes, pelo alto poder de
retenção de água, também podem cumprir essa função; self curing concretes ainda
apresentam uma característica pouco estudada, que poderia ter um efeito valioso no
controle da retração da pasta de concreto, pois permite a formação de uma microes-
trutura da pasta bem hidratada, menos retrátil do que as com deficiência de cura.

A retração autógena, por estar condicionada à hidratação do cimento, ocorre de


maneira mais rápida em concretos curados e m temperaturas mais elevadas, obede-
cendo ao conceito de maturidade. Hedlund et al., estudando concretos de relação
a/c de 0,4 e 0,45, demonstraram que, por exemplo, quando a temperatura de cura
variou de 20°C para 50°C, a retração autógena foi três vezes maior para uma mesma
idade (Hedlund & Jonasson, 2001).

Concretos com baixa relação água/cimento, inferior a 0,42, apresentam alta re-
tração autógena (Holt, 2001), sendo as misturas com a/c próximas a 0,3, correspon-
dendo este tipo de retração a 5 0 % da total (PCA, 2002). As adições ativas, como
cinzas volantes, sílica ativa e escórias básicas, propiciam maior desenvolvimento da
retração autógena, sendo essa propriedade muito ligada t a m b é m à finura.

A retração autógena não causa somente a redução volumétrica do concreto,


mas pode ser t a m b é m localizada. Por exemplo, no caso da sílica ativa, que é ávida
por água, podem ocorrer retrações localizadas, denominadas dissecação, que pro-
m o v e m microfissuramento do concreto.

4.3.2.3. Retração e expansão térmica


Analisando-se os projetos de pavimentação, observa-se que pouca atenção tem
sido dada à retração térmica do concreto no Brasil, basicamente por haver gradien-
tes térmicos modestos, que não geram grandes variações no comprimento das pla-
cas. Entretanto, deve-se estar atento às variações diferenciais no comprimento da
placa de concreto, ocasionadas não somente pela diferença térmica entre topo e
base da placa, mas t a m b é m pela variação no coeficiente de dilatação térmico do
concreto e m função da umidade.

Para uma avaliação adequada das variações térmicas do concreto, é necessário


conhecer conceitualmente o seu coeficiente de dilatação. Como se trata de material
composto, esta propriedade vai depender dos coeficientes individuais de seus cons-
tituintes, separados e m pasta - cimento hidratado, ar e água - e os agregados.
O coeficiente da pasta pode variar e m uma faixa relativamente ampla, aproxi-
madamente entre 1 0 e 2 2 x 10 6 /°C, dependendo da constituição química e da finu-
ra do cimento, bem como da umidade, sendo este fator o mais relevante (Emanuel
& Hulsey, 1977), como pode ser visto na Figura 4.14.

Essa variável é particularmente importante nos pavimentos, poiso concreto su-


perficial tende a ser, normalmente, menos expansivo do que a base, exceto quando
ela está saturada; esse efeito favorece o e m p e n a m e n t o da placa; a análise de ten-
sões deve ser feita obrigatoriamente, levando-se e m consideração não somente o
gradiente térmico, mas t a m b é m a diferença do coeficiente de dilatação, que pode
ser até 8 0 % maior no concreto com 7 0 % de umidade relativa, quando comparado
ao seco.
• FIGURA 4.14

Variação do
coeficiente de
dilatação térmico da
pasta de cimento com
o teor de umidade
(Emanuel & Hulsey,
1977).

0 20 40 60 80 103

Teor de umidade

A idade t a m b é m influencia o coeficiente térmico, que diminui com o passar do


tempo, e chega a ser cerca de 3 0 % menor e m concretos com mais de dez anos. Esse
fato deve ser considerado principalmente e m overlays aderidos.

Os agregados, principalmente e m função das dosagens presentes no concreto,


acabam tendo peso importante no coeficiente de dilatação desse materal. Em uma
ampla faixa de rochas empregadas, tem-se o arenito como o mais sensível às varia-
ções de temperatura, com aproximadamente 11 x 10 6 / ° C , enquanto ogranito e o
gnaisse apresentam coeficiente da ordem de 6 x 10 6 / ° C . Os calcários apresentam
comportamento diferenciado e podem apresentar valores tão baixos quanto 3 x
10 6 / ° C , o que em alguns casos pode causar problemas de durabilidade do concreto
e m função da grande diferença com a pasta de cimento.
Concreto Reforçado
com Fibras de Aço

5.1 Introdução
A utilização de materiais compostos com fibras remonta às mais antigas técnicas
de construção, quando tijolos de barro cru eram reforçados com fibras vegetais.
Contudo, somente no século XX, esses materiais foram estudados à luz da ciência
dos materiais, o que permitiu a compreensão do seu comportamento mecânico.

Um dos exemplos de maior impacto que pode ser citado na engenharia civil
foi o do cimento-amianto, em que a matriz de cimento Portland era reforçada com
fibras minerais (asbesto), tendo sido largamente utilizada no Brasil na confecção
de telhas, chapas, reservatórios, painéis etc., mas cujo emprego fci descontinua-
do por razões outras que não as suas propriedades mecânicas.

Atualmente, os compósitos - materiais compostos por uma matriz reforçada


com algum tipo de fibra 1 - vêm apresentando evolução acelerada nos mais avan-
çados campos da engenharia, como por exemplo o epóxi reforçado com fibras de

1 Embora compósitos sejam definidos com reforço de fibra, é possível também o re:orço particulado.
carbono que, hoje, substitui o alumínio na confecção de diversas partes das mais
modernas aeronaves, como o Airbus 380 ou o Boeing 787 - Dreamline.

Na indústria aeroespacial, os compósitos carbono-carbono são largamente uti-


lizados, aumentando t a m b é m o seu uso na indústria automobilística. A grande van-
tagem do material é aliar resistência mecânica e baixo peso. Na construção civil,
t a m b é m se observa gradativamente o aumento dos materiais compostos como o
concreto reforçado com fibras de aço.

5.2 Conceituação de materiais compósitos


De acordo com a ciência dos materiais, os diversos materiais disponíveis na en-
genharia podem ser divididos inicialmente e m dois grandes grupos, de acordo com
o seu comportamento estrutural, mais especificamente, com relação à curva tensão
- deformação.

• FIGURA 5.1
a) frágil b) Ductil
Curvas esquemáticas

f
tensão x deformação o / \ o
KU
M / KD
£c / C
/ ^

Deformação Deformação

Por exemplo, comparando-se as curvas da Figura 5.1, e m que é representada a


curva tensão x deformação de dois materiais distintos. Na Figura 5.1, " a " representa
os materiais de comportamento à ruptura frágil e "b", os dúcteis.

Os materiais frágeis rompem-se sem que haja patamar de escoamento, isto é, o


material não apresenta deformação plástica; nos dúcteis, entretanto, c comporta-
mento plástico antes da ruptura é bastante evidente, como nos metais puros - alu-
mínio, cobre - ligas como aço-carbono e diversos tipos de polímeros.

Outro conceito importante relativo às curvas apresentadas é a tenacidade do


material, que é a sua capacidade de se deformar antes de romper ou, em outras pa-
lavras, a capacidade de absorver energia. É representada pela área abaixo da curva
tensão - deformação. A Figura 5.2 (Budinski, 1996) apresenta a tenacidade relativa
das principais classes de materiais.

Exemplos de materiais de comportamento frágil são encontrados nas cerâmicas,


classe de material na qual o cimento Portland se enquadra. Quando se rotula um
material de comportamento frágil, não quer dizer que ele tenha baixa resistência
mecânica, mas sim que a sua ruptura é abrupta. Materiais de altíssima resistência
mecânica, muitas vezes, apresentam essa característica frágil, como, por exemplo,
o carbeto de silício.
Tenacidade relativa Metais
na fraturo (medida
da tendência de pósitos^J^)
propagação das
fissuras).
Plásticos
d

dCerâmicas

0.1 1 10 100

Tenacidade da fratura

Esse tipo de comportamento é muito influenciado pelas ligações químicas pre-


sentes no material; os materiais de ruptura frágil apresentam ligações fortes, como
a iônica e a covalente, enquanto os materiais dúcteis são formados por ligações
químicas que permitem movimentações relativas entre as moléculas ou os átomos,
como os metais e alguns polímeros.

Os compósitos, entretanto, representam uma nova classe de materiais e são for-


mados por uma matriz - frágil ou dúctil - reforçada por outro material, particulado
ou fibroso, que também podem ser de origem frágil ou dúctil, combirados de modo
que se obtenha um novo material de características físicas e mecânicas superiores
a dos seus originais.

O moderno fibrocimento é formado por uma matriz frágil - o cimento Portland


- reforçada com fibra polimérica, dúctil. O próprio concreto pode ser considerado,
a rigor, um compósito, formado por matriz frágil (cimento) e reforço particulado
também frágil, o que resulta em um compósito de natureza frágil.

É essa natureza frágil do concreto que estimulou os pesquisadores a buscar a


melhoria de suas propriedades, com a adição de fibras, para permitir que seu com-
portamento seja mais dúctil, ou seja, que o material tenha maior tenacidade, como
exemplifica a Figura 5.3, que simula o comportamento do concreto simples e com
fibras de aço, quando submetido ao ensaio de flexotração.

A vantagem de o material possuir maior tenacidade é permitir que mesmo de-


pois de apresentar determinada deformação plástica, ele ainda tenha capacidade
estrutural, o que não acontece nos materiais frágeis.

No caso do concreto com fibras de aço, embora a matriz frágil se rompa, a fi-
bra garante a continuidade estrutural. De maneira geral, a adição de fibras de aço
incrementa a resistência ao impacto, fazendo com que o material apresente maior
tenacidade e melhor comportamento com relação à fadiga.

O comportamento dos compósitos vai depender das propriedades da fibra,


que, de maneira geral, pode ser influenciada por diversos fatores, como (Montardo,
1999):
Ensaio de
tenacidade.

Capacidade

• Teor de fibra: quanto maior o teor, maior será a resistência pós fissuração
que vai apresentar, desde que as fibras tenham capacidade de absorver ener-
gia. No caso das fibras de aço, os teores normalmente empregados, abaixo
de 0,5% em volume, não alteram as resistências do concreto, m3s somente
acrescentam tenacidade ao compósito.

Uma visão objetiva é apresentada na figura 5.4, que representa de modo


esquemático as curvas tensão x deformação em função do volume relativo
de fibras (Figueiredo, 2000).

• FIGURA 5.4

Curvas esquemáticas
tensão x deformação
em função do
volume de fibras.

^critico P o c l e ser obtido com base em modelos teóricos, mas considerando-se


a distribuição planar das fibras, que é válida para condições de execução si-
milares ao concreto projetado, o volume crítico é da ordem de 0.8% (Figuei-
redo, 2000) - que representa uma dosagem com mais de 60 kg/m3 - o que
pode duplicar para distribuição espacial.
• Módulo de elasticidade da fibra: um valor elevado de módulo causa o mes-
mo efeito de um alto teor; contudo, por outro lado, o arrancamento é favo-
recido pela menor capacidade de deformação da fibra.
• Aderência fibra-matriz: o comportamento estrutural de um grande número
de compósitos cimentícios depende da aderência fibra-matriz. Alta aderên-
cia significa menor abertura de fissura que, às vezes, pode ter como con-
seqüência uma menor tenacidade, caso a fibra apresente ruptura frágil; a
questão de aderência vai ser discutida mais detalhadamente no item 5.5.
• Resistência da fibra: o aumento da resistência implica maior ductilidade,
desde que não haja perda de aderência. A resistência da fibra será função
do comportamento pós-fissuração desejados. O formato da fibra também é
fator importante.
• Comprimento da fibra: quanto maior ela for, maior será a tenacidade, pois
diminuirá a tendência ao arrancamento. Obviamente, outros fatores, como
o fator de forma da fibra, também influem nessa propriedade.

5.3 Propriedades geométricas da fibra de aço


As propriedades mecânicas do concreto com fibra vão depender do tipo dessa
fibra, do fator de forma e da quantidade empregada. De acordo com a norma ABNT
(ABNT, 2007), a classificação das fibras pode ser:

• Quanto à conformação da fibra:

• Tipo A: com ancoragem nas extremidades, de acordo com a Figura 5.5.

• FIGURA 5.5

Fibra com
ancoragem.

• Tipo B: corrugada, de acordo com a Figura 5.6.

• FIGURA 5.6

Fibra corrugada.

• Tipo R: reta (sem ancoragem nas extremidades)

• Quanto ao processo de produção:


• Classe I: oriunda do arame trefilado.
• Classe II: obtida a partir de chapa laminada cortada a frio.
• Classe III: oriunda do arame trefilado e escarificado.

Como será visto nos capítulos subsequentes, a aderência da fibra com a matriz
constitui-se um dos pontos-chaves para o sucesso do compósito e não apenas a
forma da fibra é determinante, mas também a relação entre o comprimento e o
diâmetro, denominado fotor de forma2, cuja influência na área específica da fibra
pode ser vista na Figura 5.7 (Levy Netto & Pardini, 2006).

De acordo com a norma já mencionada (ABNT, 2007), o fator de forma mínimo


recomendado para concreto reforçado com fibra é apresentado na Tabela 5.1, jun-
tamente ao limite d e resistência à tração do aço.

co
FIGURA 5.7 Plaquetas Fibra
Influência do fator de CM
forma razão área/ 20
volume da fibra. <D
•o
V)
<D
"O
<U 15
•O
c
D
E
<u
a> 10
E
J3

|O

«_

O
«o
N
«o
CC
0,01 0,1 1 10 100 1000
• a(—l/d)

• TABELA 5.1 Limite de


Tipo Fator de forma
Fator de forma e Classe da fibra resistência do
(geometria) mínimo (XMin)
resistência mínima aço !MPa)
do aço.
A
A
I 40 1000

30 500

40 800
c 30 500
30 800

p
K
40 1000
30 500

5.4 Propriedades mecânicas do concreto reforçado /

com fibras de a ç o /

O concreto reforçado com fibras de aço apresenta peculiaridades bastante inte-


ressantes quanto ao desempenho final do produto, pois transforma, como já men-
cionado, o concreto e m um material d e maior ductilidade.

2 Em algumas áreas, o fator de forma é denominado relação de aspecto, neotogismo do inglês aspect ratio.
Entretanto, no início da sua utilização essas vantagens não estavam tão eviden-
tes, pois a resistência do concreto praticamente não se altera, para os teores usuais
de fibra, entre 0,25% e 0 , 5 % e m volume, que são equivalentes a 20 kg a 40 kg de
fibra por metro cúbico de concreto.

S o m e n t e para teores mais elevados, da ordem de 1 % a 2 % e m volume é que se


percebe um aumento na resistência mecânica do concreto (tração na flexão), e as
tentativas de dimensionar o piso industrial com base nos métodos elásticos, de ma-
neira similar ao concreto simples 3 , resultaram e m estruturas pouco econômicas.

Somente com a inclusão do conceito de tenacidade é que foi possível tirar van-
tagem do emprego das fibras de aço, pois a execução de ensaios de verdadeira gran-
deza demonstrou que a capacidade estrutural é significativamente maior do que o
previsto nos métodos de dimensionamento.

U m dos primeiros ensaios e m placas de verdadeira grandeza foi feito pela Po-
lithecnic, na Inglaterra, e seu objetivo era comparar especificamente concretos re-
forçados com fibras com o concreto simples e outra solução estrutural, a com telas
soldadas. O resumo dos resultados é apresentado na Tabela 5.2.

• TABELA 5.2
Ensoio Reforço do placo Corgodo ls Corgo de
Ensaios em Placas de
Fissura (kN) Ruptura
Concreto (adaptado
de Derrick, 1990). 1 Sem reforço 180 200

2 Armoduro simples (1,42 cm?/m) 200 >320

3 Armoduro duplo (2 x 1,93 cm2/m) 280 380

4 Fibro de oco (X = 60), 20kg/m3 220 350

5 Fibro de oço (X = 75), 20kg/m3 260 390


3
6 Fibro de oço (X = 60), 30kg/m 240 340

7 Fibro de oço (X = 75), 30kg/m3 290 >345

É bastante interessante que a tradicional equação de Westergaard (Rodrigues,


2006) mostrou superestimar as tensões atuantes para o concreto simples, provavel-
mente porque este material, mesmo sendo de ruptura frágil, apresenta alguma te-
nacidade, que não é considerada na expressão mencionada. Para os materiais com
reforço, as discrepâncias foram bem maiores e m função do expressivo aumento na
tenacidade para os concretos com fibras de aço.

Esse mesmo modelo de ensaio vem sendo repetido por diversas instituições de
pesquisa e, recentemente, a University of Illinois Urbana - Champaign (Roesler, 2007),
efetuou comparações de concretos simples, armadura simples, dois tipos de fibras de
aço e um tipo de fibra polimérica (polipropileno). A Figura 5.8 apresenta as curvas de
tensão x deformação para o concreto simples e para os reforçados com fibras.

3 No método elástico, o dimensionamento é feito com o objetivo de evitar o aparecimento de fissu-


ras em razão dos carregamentos externos.
Curvas tensão Concreto Simples
0.32% fibfts sintética»
x deformação. • 0,48% fibras sintéticas
0.50% fifcfas Co aço corrugada
(Roesler, 2007) 0.35% fib<as aço ancoragem em gancto

D e f l e x i o da viga (mm)

Dessa figura, podemos observar que há três curvas bastante similares, que são as
com fibras de aço corrugada - na dosagem de 0,5% - a com fibras com ancoragem -
na dosagem de 0,32% - e a de fibras de polipropileno - na dosagem de 0,48%.

Desses dados, podemos facilmente constatar a maior eficiência das fibras com
ancoragem, que, com dosagem cerca de 70% da corrugada, apresentaram desem-
penho 20% superior a esta 4 (Roesler, 2007). Com esses concretos, foram preparadas
placas de 3m x 3m e ensaiadas à ruptura, com simulação de ensaio em verdadeira
grandeza, cujos resultados são apresentados na Figura 5.9, em que pode ser vista
com clareza a diferença estrutural que a fibra de aço produz.

• FIGURA 5.9

Ensaio em
verdadeira grandeza
(Roesler, 2007).

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

D o f l o x í o máxima no centro da p l a c a (mm)

4 A diferença pode ser vista pelo valor de R e i % (resistência equivalente relativa), que foi de 43% para
a com ancoragem e 35% para a corrugada. O concreto simples apresentou R e l % = 3%.
5.5 Adesão
A adesão entre a fibra e a matriz constitui-se em um ponto importante no com-
portamento do compósito, atuando de modo diferente do que ocorre, por exemplo,
no concreto armado, onde a adesão plena é necessária.

No caso dos compósitos, nem sempre a adesão plena é benéfica, pois se ocorrer
o movimento relativo entre a fibra e a matriz, algumas propriedades como a tena-
cidade e a resistência ao impacto, acabam sendo majoradas, graças à absorção de
energia pela fibra.

Esse é o caso do concreto reforçado com fibras de aço, em que a fibra deve ter
alguma liberdade de movimentação com relação à matriz, que não pode ser excessi-
va. A adesão pode ocorrer de diversas maneiras, entre elas a ligação química, forças
de superfície e ancoragem mecânica.

No caso do concreto e do aço, não há uma ligação química efetiva entre esses
materiais, mas a adesão acaba sendo implementada por forças de superfície e, prin-
cipalmente, pela ancoragem mecânica. Nesse caso, a forma da fibra é importante,
considerando-se que se ela for plena, pouco se agregará em termos de tenacidade.

Dessa forma, as fibras com ancoragem eficiente apresentam desempenho infe-


rior àquelas que podem escorregar na matriz, pois vão se romper com mais facili-
dade, acrescentando pouca tenacidade ao compósito, pois a energia absorvida será
somente a relativa à ruptura das fibras, que não será muito elevada para os teores
usuais empregados (Figura 5.10).

Em outro extremo, relativo às fibras com baixa ancoragem, como o caso das
retas, o desempenho tende a ser parecido com o daquelas de ancoragem excessiva.
Dessa forma, dos modelos hoje disponíveis no mercado, as fibras com ancoragem
nas extremidades (Figura 5.6) são as de melhor desempenho.

• FIGURA 5.10

Tenacidade em
Arrancamento da Fibra Rompimento da Fibra
função da adesão.

A Energia absorvida Energia absorvida


íhT\ (Tenacidade) (Tenacidade)

-O
to

lutou*
Deslocamento Deslocamento

Considerando-se o tipo de ancoragem nas extremidades, a tendência é da tena-


cidade ser maior quando a resistência do aço for elevada, pois o esforço de arran-
camento, que significa endireitar a fibra para permitir o seu deslizamento, será mais
elevado, mas nunca a ponto de romper a fibra e, consequentemente, maior será a
tenacidade.
5.6 Ensaio de tenacidade
0 ensaio de tenacidade (JSCE, 1984; ASTM, 2006) é executado em corpos-de-
prova prismáticos, com seção quadrada de lado o e comprimento entre apoios igual
a 3a. O carregamento é feito por meio de dois pontos de carga, distantes entre si de
o, de modo que reproduz um diagrama de momentos fletores constante no terço
médio do corpo de prova (Figura 5.11).

• FIGURA 5.11

Esquema de
carregamento
(ASTMC 1Ó09).

O ensaio é conduzido de acordo com a norma japonesa SF4 (JSCE, 1984), pioneira
nesse tipo de medição, ou pela norma americana ASTM 1609 (ASTM, 2C06). Ambas
são teoricamente equivalentes e consistem na execução do carregamento controlado
com medição da deflexão no centro da barra prismática, para que se obtenha a curva
da Figura 5.12.

Com os dados obtidos, é possível calcular a resistência equivalente de acordo


com a expressão:

f - T i* L

X bxh2
150

Sendo:

fe,3 = resistência equivalente para deformação L/150

b =h=a

L=3 . a

T3= tenacidade (área sob a curva), para a deformação L/150


Curva tensão x Carga
deformação.

Deformação

A resistência equivalente relativa - t a m b é m denominado coeficiente de ductili-


dade (Carnio, 1998) - é dada pela relação:

_ 4.3
e 3
' /,
'ct,M

Sendo f c t M a resistência à tração na flexão da matriz de concreto. O valor de


Re3 é função do tipo da fibra, fator de forma da fibra, teor de fibra e resistência da
matriz. A Figura 5.13 apresenta valores experimentais para fibras com ancoragem,
coladas e soltas, encontradas no mercado brasileiro.

5.7 Controle da fissuração


Uma das primeiras aplicações da fibra de aço foi justamente o controle da fissu-
ração do concreto e, da mesma maneira que ocorre c o m as telas soldadas, ela não
evita o surgimento da fissura, mas simplesmente controla a sua abertura, deixando-
a e m níveis visualmente imperceptíveis.

Assim, é possível trabalhar com paginações maiores do que no concreto sim-


ples; contudo, não há, até o presente momento, modelo matemático que permita
correlacionar a tensão de atrito, ou o comprimento total da placa, com a tenacidade
ou o teor de fibras do concreto.
COMPARATIVO DE DESEMPENHO ENTRE FIBRAS DE AÇO
• FIGURA 5.13

Valores de Rc 3
(orientativas)

15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 33 40 11 42 43 « 45

QUANTIDADE DE F I B R A S POR m'

Dessa forma, tem-se adotado, para pisos com fibras de aço, comprimentos de
placa de até 12 m para teores d e fibras entre 20 kg/m 3 a 25 kg/m 3 e, acima desse
espaçamento de juntas, no sistema denominado jointless, para placas com espessu-
ra superior a 16 cm, é arbitrado consumo mínimo de 30 kg/m 3 , para as fibras com
fator de forma igual ou acima de 80, o que permite a execução de placas com 30 m
a 40 m de comprimento, com dezenas de obras executadas no Brasil.

Em nível mundial, há exemplos pontuais ainda mais expressivos, com placas


maiores de 50 m e consumos da ordem de 35 kg/m 3 . Entretanto, o que se t e m ob-
servado é que essas barreiras impostas para privilegiar a segurança vêm paulatina-
mente sendo derrubadas, para permitir projetos mais arrojados.

Outra restrição adotada para as placas é que seu formato seja próximo ao do
quadrado, isto é, c o m relação entre o comprimento e a largura da placa inferior a
1,2; esse valor é válido para taxas de fibras modestas, próximas ao valor mínimo
de dosagem, discutido no capítulo 7, havendo exemplos d e relações de 1,5 ou até
maiores para consumos mais elevados de fibra.

A eficiência da junta no controle de fissuração fica evidenciada na execução de


capeamentos aderidos e m lajes, que se constitui um dos maiores desafios que o
projetista de piso enfrenta, c m razão da condição crítica dc retração que esse con-
creto enfrenta, estando impedido de se deslocar na face de contato c o n a estrutu-
ra, uma vez que a aderência deve ser plena e há liberdade de deformação na parte
superior (Rodrigues, 2005).
Abertura média das
fissuras em função
do teor de fibras.

Essa condição, e m que a adoção de juntas de retração é ineficaz, v e m sendo


bem controlada com a adoção de fibras curtas, com valores de R e j superiores a
4 5 % , com excelentes resultados; essa solução t e m ainda como vantagem que o re-
forço vai estar sempre disponível na posição correta, o que é difícil na solução arma-
da, e m que o posicionamento da armadura é difícil e m razão das baixas espessuras
observadas nos overlays aderidos e ainda por conta das contraflechas dos sistemas
pré-modulares.

A Figura 5.14 apresenta o desempenho das fibras de aço e m diversas dosagens


e m virtude da abertura das fissuras, o que simula condição de restrição total (Grzybo-
wski & Shah, 1990), para fibras de fator de forma próximo a 60.
6
CAPÍTULO

Sistema de Protensão
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1 í

6.1 Introdução
A protensão em pavimentos chegou ao Brasil antes das fibras de aço e tem como
uma de suas obras mais marcantes as pistas do aeroporto Tom Jobim, na cidade de
Rio de Janeiro, na década de 1970, até hoje em operação, com suas placas de até
150 m de comprimento.

Há também outros exemplos notáveis de pisos industriais executados com o


sistema, mas cuja complexidade, com o emprego de bainhas posteriormente injeta-
das com calda de cimento, constituía-se em uma operação com alguma dificuldade
e pouco prática; contudo, esses pisos já guardavam como característica principal a
grande dimensão das placas.

Embora o sistema com bainhas - denominado sistema aderido - tenha tido apli-
cações pontuais, não se registra obras expressivas até que, na segunda metade da
década de 1990, chegou ao Brasil o sistema não aderido, constituído por cordoalhas
engraxadas, de aplicação bastante simples e com dimensões que pe-mitiam a aco-
modação perfeita nas espessuras de piso até então praticadas.
Com isso, o sistema passou a ser mais competitivo e, desde então, obras de
maior porte começaram a surgir, o que tornou o uso do concreto protendido em
pisos mais comum e acessível em obras de tamanhos médio a grande.

6.2 Cordoalhas engraxadas


As cordoalhas engraxadas (Figura 6.1) são empregadas no sistema não aderido,
no qual a força de protensão é essencialmente transmitida ao concreto por meio
das ancoragens, exceto no caso de emprego de cabos curvos, não usual na execução
de pisos em fundação direta.

• FIGURA 6.1

Cordoalha
engraxada e
plastificada.

O cabo é formado por um conjunto de sete fios, de acordo com a Figura 6.2, de
arame trefilado a frio com elevada resistência mecânica e baixa relaxação. O fio CP
190-RB apresenta resistência à tração mínima de 175 kgf/mm 2 e a denominação
RB indica que a perda da força aplicada, em virtude de fenômenos de fluência, é
baixa.

Sobre a cordoalha, é aplicada uma camada de graxa (Figura 6.3), que tem como
finalidade primeira permitir o deslizamento na bainha, durante a operação de pro-
tensão, o que protege também o aço contra a corrosão.

Finalmente, é aplicado o revestimento ou bainha, de polietileno de a ta densida-


de (PEAD), que vai proteger todo o conjunto, com espessura mínima de 1 mm como
pode ser visto na Figura 6.4.
FIGURA 6.2 Bainha Graxa Cordoalha

Cordoalha
engraxada
(Cauduro, s/d).

• FIGURA 6.3

Aplicação da graxa.

• FIGURA 6.4

Aplicação do
revestimento de
PEAD.
As cordoalhas engraxadas são fornecidas nos diâmetros nominais de 12,7 mm
e 15,2 mm, produzidas com aço CP 190 - RB, de baixa relaxação. A relaxação é o
fenômeno de diminuição da tensão aplicada ao longo do tempo por processos de
fluência, constituindo-se em uma das perdas de protensão que deve ser considera-
da no processo de dimensionamento. As principais características são apresentadas
na Tabela 6.1.

• TABELA 6.1 Diâmetro Área Massa Carga mínimo Carga mínima Alongamento
Propriedades nominal Área aprox. mínima oprox. de ruptura( 1) alongamento( 1 %) sob carga (2)
mecânicas das (mm) (mm2) (mm2) (kg/m) (kN) (kN) (%)
cordoalhas
12,7 101,4 98,7 0,890 187,3 168,6 3,5
engraxadas.
15,2 143,5 140 1,240 265,8 239,2 3,5
Notos:
( 1 ) 0 módulo de elasticidade da cordoalha é de 2 0 2 kN/mm 2 e pode variar ± 3%.
(2) Perda máxinva de prorensão após 1 (XX) h a 2 0 paro carga inicial de 80% da carga de ruptjra.

6.3 Ancoragem
Como o cabo não é aderido, a força de protensão é transmitida ao concreto por
meio das ancoragens fixadas na extremidade do cabo. As ancoragens podem ser de
dois tipos, ativas e passivas.

A ancoragem passiva é posicionada na extremidade do cabo oposta à que re-


cebe o alongamento e é constituída por uma estrutura de ferro fundido, na qual é
fixada, por processo de prensagem, a cordoalha, conforme mostra a Figura 6.5 (a).

• FIGURA 6.5

(a) Ancoragem
passiva; (b)
Ancoragem ativa.

A ancoragem ativa, entretanto, de acordo com a Figura 6.5 (b), apresenta nicho no
qual se aloja a cunha de protensão. Esse dispositivo é formado por um cone tri-parti-
do, que permite a fixação da cordoalha na ancoragem, após o estiramento do cabo.
7.1 Introdução
Neste capítulo, vamos tratar do dimensionamento dos pisos, reforçados com
fibras de aço ou protendidos, sendo os conceitos, aqui empregados, válidos para
qualquer outra situação de reforço.
A etapa de dimensionamento é fundamental na elaboração do projeto, mas não
deve ser considerada como a mais importante, pois é preciso compartilhar o suces-
so do projeto com o detalhamento e o projeto de juntas.

As tensões que ocorrem na placa são oriundas tanto do carregamento como das
variações volumétricas - que se devem à perda de umidade e à mucanças de tem-
peratura. Por muito tempo, as tensões por variação volumétricas foram citadas, mas
poucas vezes consideradas de fato no dimensionamento, mas, hoje, com as importan-
tes mudanças ocorridas nos materiais, tornam-se fundamentais essas considerações.

Na realidade, no passado, elas estavam relativamente cobertas pelos coeficientes


de segurança empregados, que, com o aprimoramento das técnicas de dimensiona-
mento, acabaram sendo reduzidos, e aquelas tensões antes desprezadas passaram a
ser determinantes na formação de fissuras.

0 piso industrial pode ser dimensionado, considerando-se a situação de uma


placa apoiada em um sólido elástico isotrópico que emprega o módulo resiliente do
solo (sistema subleito - sub-base) ou, em uma situação mais comum, suportado por
um líquido denso - fundação Winkleriana - em que o coeficiente de recalque simula
as constantes de mola desse líquido denso; a Figura 7.1 simula essa condição para
uma placa submetida à ação da temperatura (Huang, 2004).

• FIGURA 7.1

Representação Alongamento
esquemática do
empenamento
(fundação Winkleriana).

(a) Empenamento convexo (b) Empenamento côncavo

A metodologia de dimensionamento dos pisos industriais foi herdada dos pavi-


mentos rodoviários e aeroportuários, inicialmente com os trabalhos pioneiros de
Westergaard - de base eminentemente teórica - e posteriormente com os estudos
de cunho experimental desenvolvidos de modo independente por G. G. Meyerhof
(Meyerhof, 1962) e A. Lõsberg (Lõsberg, 1961).

Como já exposto, as tensões na placa são resultantes de esforços aplicados por


cargas externas ou variações volumétricas cuja magnitude depende de fatores como
continuidade da placa, resistência da fundação, metodologia e qualidade da cons-
trução, intensidade e posicionamento das cargas (ACI, 2006).

Se a placa está carregada de modo uniforme, o carregamento não influirá no ní-


vel de tensões da placa, que estará sujeita apenas aos esforços oriundos da variação
volumétrica. O carregamento gera tensão somente quando for discreto, o que acar-
reta deformações diferenciais; é importante que esse conceito seja bem compreen-
dido, pois a tensão está associada à deformação diferencial da placa de concreto.

A influência do posicionamento, vista conforme o esquema da Figtra 7.2, que


apresenta as cargas que atuam em três regiões distintas: central, canto e borda
livre. Utilizando-se a carga na região central como referência, a carga de canto é
aproximadamente 1,7 vezes maior que na região central e a de borda live, o dobro.
Nesse caso, é fácil visualizar, pois a placa de concreto reage ao carregamento em
duas direções, enquanto na borda, a atuação passa a ser próxima à de j m a viga, o
que gera esforços em uma única direção.
Posição relativa do central
carregamento.

+ canto livre # borda livre

Quando consideramos a deformação da placa, as diferenças entre os pontos de


aplicação d e carga são mais intensas, pois a borda livre deforma cerca de três vezes
mais que o interno, enquanto o de canto é nada mais do que sete vezes maior que
o interno, sempre para a mesma intensidade de carga.

Assim, é comum observarmos as trincas de canto em placas com deficiência


de suporte, pois a maior deformação nessa região acaba levando a deformações
plásticas do solo, fazendo com que a placa passe a trabalhar e m balanço, condição
estrutural não considerada no dimensionamento.

Os valores relativos de tensão e deformação são válidos para placas com des-
continuidade estrutural, ou seja, sem barras de transferência. Essas, como o próprio
n o m e sugere, permitem que quando a carga se aproxima da junta, parte dela seja
transferida para a placa vizinha.

Entretanto, mesmo que a junta tenha eficiência máxima, caso em que as ten-
sões se igualam com a da região central, a deformação ainda será maior do que no
interior da placa. Nesse caso, cabe uma explicação: considera-se carga no interior da
placa quando a sua distância de aplicação está afastada mais do que uma vez e meia
o raio de rigidez da placa de concreto (£), quando se considera subleito resiliente ou
(í: e ) para subleito elástico (Lõsberg, 1961):

t - \ E x h
*
= 12x(l-n2)x/c ( 7 1 a )

f =jExh3x(l-ns2)

e \ 6c xv (/ li -_ ^
„ 2) x f . (7.1b)

Sendo E e n o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do concreto,


h a espessura da placa e k o coeficiente d e recalque no topo do sistema subleito -
sub-base; Es e ns referem-se ao módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson do
solo.

7.2 Esforços atuantes na placa de concreto


Os esforços oriundos da variação volumétrica do concreto podem ser divididos
e m aqueles relativos ao atrito da placa com o solo e de empenamento, enquanto
os advindos do carregamento podem ser relativos a cargas móveis, cargas estáticas
concentradas, lineares ou uniformemente distribuídas.

7.2.1 Esforços relativos à variação volumétrica


do concreto

7.2.1.1 Tensões relativas ao atrito


As tensões e m razão do atrito são geradas quando a placa é submetida a varia-
ções térmicas ou por ação da retração por secagem. Podem ser facilmen:e avaliadas
pela drag equation, ou equação de arraste, que simplesmente leva e m consideração
a força de atrito entre o solo e a placa de concreto (Rodrigues, 2007):

Fot =/ x ^ x / 7 X Yc (N/m) (7.2)

S e n d o / o coeficiente de atrito entre a placa de concreto e a sub-base, L/2 repre-


senta o ponto de imobilidade da placa, em que L é o seu comprimento, h a espessu-
ra e y c é peso específico do concreto, considerado como 24 kN/m 3 .

O coeficiente de atrito/varia desde 0,5 - condição da placa apoiada sobre filme


de polipropileno - a aproximadamente 2, caso da placa diretamente sobre sub-base
granular. Deve-se lembrar que esses coeficientes são referentes ao atrito entre os
materiais e outros esforços podem surgir.

Esses são oriundos da irregularidade superficial da sub-base, quando ondula-


ções decorrentes do processo executivo podem aumentar de modo expressivo es-
ses esforços, mas cuja magnitude é de difícil determinação.

7.2.2.2 Tensões de empenamento


As tensões e m razão do e m p e n a m e n t o surgem quando há uma variação linear
diferencial entre o topo e a base da placa, caso típico que ocorre e m virtude da in-
solação ou do resfriamento do concreto durante o dia e a noite, conforme pode ser
visto na Figura 7.3, situação comum de obras e m que a placa fica sujeita às intem-
péries, não comuns em piso.
Entretanto, há outra variação importante que é causada pela retração hidráu-
lica do concreto: a parte superior da placa perde água mais rapidamente do que a
base, retraindo significativamente mais, levando ao empenamento, que transforma
a placa e m uma superfície côncava, e é esse empenamento que mais interessa no
piso industrial.
Empenamento da
(o) Deformação convexo em rozõo do aquecimento
placa de concreto
superior do placo de concreto
(Ytterberg, 1987). ZONA 2 ZONA 1 ! ZONA 2 |

/, q Ib/sq. in.
(b) Deformação côncovo em rczão do resfriomento
superior da placo de concreto

ZONA 2 ZONA 2

Se a placa não tivesse peso, a tensão de empenamento não existiria, mas isso não
acontece, surgindo então um esforço, proporcional à retração diferencial. Cabe, nesse
ponto, uma questão curiosa, que é relativa às placas finas e às placas grossas.

Como as placas mais delgadas são leves, muitas vezes a tensão de empenamen-
to é suficiente para erguer a borda, o que faz surgir a superfície côncava da Figura
7.3 (b); nas placas mais espessas, e m razão do maior peso, não acontece o ergui-
mento visível, mas a tensão de e m p e n a m e n t o existe e, quase sempre, é maior do
que nas placas finas.

O cálculo das tensões de empenamento é feito c o m base no modelo desenvolvi-


do por Bradbury (Bradbury, 1938), tendo como base os trabalhos originais de Wes-
tergaard; esse modelo foi desenvolvido especificamente para gradientes térmicos,
mas pode ser utilizado, com pequenas alterações, para a retração diferencial.

Para uma placa de comprimento finito, podem-se empregar as expressões


(Huang, 2004):

E.a.àt . .
= -(C^ + v.CJ (7.3)
2(1-v2)

E.aAt _ .
(7.4)

e m que crx e cry são as tensões nas direçõesx e y; E, e <\ são o módulo de elasticidade,
coeficiente de dilatação térmica e coeficiente de Poisson do concreto, enquanto
Cx e Cy são os coeficientes adimensionais que levam e m consideração o efeito da
proximidade do ponto considerado no interior da placa, c o m relação às juntas.

Para a tensão atuante na borda, que se dá e m apenas uma direção, teremos:

E.aAt
O =C. (7.5)
Observe-se que ( a A t ) é a deformação específica causada pela variação térmica
e pode ser substituída por £ h , que é a deformação específica oriunda da retração
hidráulica do concreto.

A Figura 7.4 (Huang, 2004) apresenta coeficientes Cxe Cy que levam em conside-
ração a distância entre o ponto em análise até a borda da placa. Esses coeficientes
estão atrelados ao raio de rigidez da placa e são máximos quando a dis:ância até a
borda eqüivale a cerca de oito vezes o raio de rigidez, que é denominado compri-
mento crítico.
FIGURA 7.4

Coeficiente de
correção C x e Cy
em função das
dimensões
Lx e Ly e do raio de
rigidez L

Da análise da Figura 7.4, depreende-se que as dimensões da placa oc a distância


entre as juntas influem na tensão de empenamento, e placas curtas apresentam
menores valores. Entretanto, no Brasil, são utilizadas placas delgadas, com pequeno
raio de rigidez e com reforço para permitir placas de maiores dimensões.
Essas condições fazem com que, para a maioria das situações, o pise de concre-
to esteja sempre na situação de máxima tensão de empenamento. Contudo, para
comprimentos maiores que o crítico, a tensão diminui e passa a ter comportamento
cíclico (Figura 7.5-Yterbberg, 1987).

7.2.2 Ações externas


As ações externas são representadas pelas cargas móveis e estáticas - pontuais,
lineares e uniformemente distribuídas e podem atuar simultaneamente em deter-
minado ponto do piso.
Os programas de elementos finitos, muitas vezes utilizados no dimensionamen-
to dos pisos industriais, levam em consideração a ação simultânea desses carrega-
mentos, mas, por vezes, apresentam certo grau de dificuldade em seu emprego.

• FIGURA 7.5
Deformação: parte superior aquecida
Tensões de
empenamento
em função do
comprimento crítico.
< 0,9 • 1- 1 = 1- I > 1,1 -1 —
crit crit crit

Distribuição das tensões causada pelo empenamento

Empenamento Empenamento Empenamento


reduzida máxima constante

Uma alternativa a esses programas é o emprego do conceito de cargas contri-


buintes (Rodrigues, 2006). Considere-se o ponto A da Figura 7.6. As cargas situadas
em determinada distância desse ponto vão produzir nele determinado esforço, fun-
ção direta das suas posições relativas.

• FIGURA 7.6

Ação simultânea de P1 P2 P3 P4 P5
carregamentos.
A
r r

Desse modo, P 3 vai gerar uma tensão em A maior do que P 2 que, por sua vez,
será maior que P 4 . Algumas dessas cargas podem encontrar-se a uma distância tal
que vão promover um alívio no ponto A.

Isso acontece porque, quando a placa é submetida à ação de uma carga, ela
sofre uma deformação, ocorrendo a máxima tensão sob a carga, que vai diminuindo
para as seções mais afastadas, até o ponto em que a linha elástica da placa sofre
uma inflexão, que inverte o sentido dos esforços (Figura 7.7 - Lõsberg, 1961).
• FIGURA 7.7
mmáx a t ° f Último
Deformação da
placa de concreto.
mmáx = P f íÇi
e

í = Raio de rigidez

De acordo com:

OU

k = coeficiente
de recalque

C = ,—módulo
(1"Ls2)
do solo
D = E, = Rigidez da
( 1 - v s ) placa à
\
\
\
\
V

No plano cartesiano, podemos representar um círculo d e influência P c dentro do


qual qualquer carregamento vai promover um incremento e m A. O diâmetro desse
círculo é função do raio de rigidez, dado pela expressão:

Rc=NxC (7.6)

Sendo f: o raio de rigidez e N variando entre 1,5 a 2. Cargas mais distantes são
desconsideradas e raramente se emprega o conceito de alívio anteriormente descri-
to. Uma vez de posse da carga resultante, o momento fletor atuante e m determina-
do ponto pode ser facilmente calculado.

7.2.2.1 Cargas móveis


Dentro dos esforços oriundos de ação externa, que atuam na placa de concreto,
as cargas móveis são de grande importância, embora nem sempre sejam as predo-
minantes. São geradas por empilhadeiras, paleteiras ou mesmo veículos comerciais
e são as principais fontes de patologias das juntas, que devem ser especificamente
analisadas.

As cargas móveis podem variar e m uma grande gama, indo desde pequenos equi-
pamentos de movimentação de carga, com algumas centenas de quilos ro eixo mais
solicitantes, até os grandes equipamentos de movimentação de contêineres - Reach
Stocker- empregados nas áreas portuárias, e m que a ordem de grandeza das cargas
aplicadas ao piso é similar à de aviões, como o Boeing 747-400 (Figura 7.8).

O dimensionamento é feito, levando-se e m consideração o carregamento efe-


tivo por roda, a proximidade das cargas e a tensão de contato da roda com o piso.
Este valor é tomado como idêntico à pressão de enchimento do pneumático ou, no
caso de ser preenchido com espuma ou ainda ser de borracha maciça, é adotada
uma pressão fictícia, que varia entre 1,4 M P a a 2,1 M P a . A área contato (v4c) e o seu
respectivo raio (o) são calculados pelas expressões:

Sendo P a carga máxima da roda e q a pressão de enchimento, real ou fictícia.


Alguns tipos de empilhadeira elétrica são providos de rodas rígidas, revestidas com
poliuretano, que levam a uma área de contato bastante pequena; nesse caso, quan-
do não há informações mais específicas quanto ao raio de contato, deve-se usar
valores baixos, da ordem de 5 cm a 7 cm.

Ações dinâmicas dos carregamentos


Para as empilhadeiras industriais e de centros de logísticas é comum considerar todo
o peso, da empilhadeira mais carga, que atuam exclusivamente no eixo dianteiro, que é
bastante razoável para equipamentos leves, com capacidade de carga até 20 kN.

• FIGURA 7.8

Reach Stacker
Quando são empregados equipamentos de grande porte, principalmente os
portuários, deve-se recorrer às informações do fabricante para se obter as condi-
ções críticas de carregamento no eixo mais solicitado, sendo a proporcionalidade da
ordem de 70% no eixo dianteiro - para equipamentos com carregamento frontal - e
30% no eixo traseiro.

Nesses casos, torna-se importante o emprego de coeficientes de majoração de


cargas que cubram as variações causadas pela movimentação do equipamento no
eixo ou roda mais carregado. A Tabela 7.1 (Knapton, 2007) sugere coeficientes dinâ-
micos para equipamentos portuários.

• TABELA 7.1 Coeficiente de


Coeficientes de Tipo de ação Equipamento majoração
majoração de carga Frenogem Reoch Stockere empilhadeiras de carregamento frontol ±30%
(Knapton, 2007|.
Pórtico de cargo (strodle comer) ±50%

Empilhodeiro de corregomento loterol ±20%

Trotor e cavalo mecânico ±10%

RTG ±10%

Monobros e curvos Reoch Stockere empilhadeiras de corregomento frontol ±40%

Pórtico de corgo (strodle corrier) ±60%

Empilhodeiro de corregomento loterol ±30%

Trotor e covolo mecânico ±30%

RTG zero

Aceleração Reoch Stockere empilhodeiros de carregamento frontol ±10%

Pórtico de corgo (strodle corrier) ±10%

Empilhodeiro de corregomento loterol ±10%

Trotor e cavalo mecânico ±10%

RTG ±5%

Ondulação do piso (defeitos Reoch Stockere empilhodeiros de carregamento frontol ±20%


superficiais)
Pórtico de corgo (strodle corrier) ±20%

FmpilhoHeirn He corregomento loterol +20%

Trotor e cavalo mecânico ±20%

RTG ±10%

7.2.2.2 Cargas pontuais


As cargas pontuais devem-se a equipamentos, apoios isolados, como máquinas
estáticas, pilares metálicos de mezaninos de armazenagem de paletes, que podem
ser do tipo porta-palete convencional, de acordo com a Figura 7.9, drive-in, Figura
7.10, push-bock, Figura 7.11 (Mecalux, 2008).
Sistema drive-in.

• FIGURA 7.10

Sistema push-bock.

É fácil perceber que o sistema convencional de porta-paletes, é o que acaba


solicitando o piso com maior intensidade, pois a proximidade dos montantes entre
duas linhas é bastante grande, sendo padrão valores entre 20 cm e 30 cm.

Considerações dinâmicas de carregamentos devem ser analisadas caso a caso;


contudo, em estanterias, não são considerados, uma vez que o carregamento é feito
gradativamente, não havendo efeitos grandes relativos a impactos.
Nos carregamentos pontuais, a área de contato é importante, uma vez que são
pequenas e as tensões elevadas, mas dificilmente o efeito de punção merece aná-
lise mais profunda. Embora muitas vezes a interface com o piso seja uma placa de
base, a área efetiva de contato está ligada mais às dimensões do montante do que
dessa placa.

7.2.2.3 Cargas uniformemente distribuídas


São aquelas formadas por carregamentos contínuos sobre o piso, como em si-
los, reservatórios de líquidos, paletes distribuídos diretamente sobre o oiso (Figura
7.12) etc. A capacidade dos pisos para esse tipo de carregamento acaba dependen-
do muito mais da capacidade estrutural do subleito do que da própria estrutura da
placa de concreto.

FIGURA 7.12 í ' j


Cargo r ? i i
uniformemente
distribuída.
' o i

I tl *
•w
m •
% I
• -i,. i ,
i m 'i i ti,

:
W i

r r » aU

S 3 L ~ J L ± . 4 j á fl
« m — •—: V - i» * I
< m m - - ^

7.2.2.4 Cargas lineares


São aquelas na qual a largura da área de contato é muitas vezes menor do que
o comprimento, caso típico das paredes, bobinas apoiadas pela geratrizetc. Consti-
tuem um caso particular da carga concentrada.
Modelos genéricos de dimensionamento
Os modelos de dimensionamento mais empregados no cálculo estrutural dos
pisos são aqueles calcados nos trabalhos d e Westergaard (1927), Meyerhof (1962) e
Lõsberg (1961), a l é m dos processos por elementos finitos que nos últimos anos ga-
nharam bastante impulso, como os programas Elsyn5, Kendin, lllislab etc, utilizados
principalmente no dimensionamento d e pavimentos rodoviários.

No caso dos pisos industriais, os modelos analíticos citados são bastante popu-
lares pela simplicidade e pela facilidade de uso e serão tratados de acordo com o
limite de utilização do material, como modelos elástico e plástico.

7.3.1 Modelo elástico


O modelo de dimensionamento no limite elástico do material é aquele desen-
volvido por Westergaard (1927), que determina a tensão máxima que o material
suporta, de modo que possa controlar a abertura de fissuras, que ocorre quando é
atingido o limite elástico do concreto.

Westergaard desenvolveu três equações para as condições de carregamento


mais importantes, que são apresentadas a seguir (Huang, 2004):

• Cargo de canto:

0,72
3P \J12a
1- (7.8)
f:

Carga no interior da placa:

_ 0,316P
4log + 1,069
h2 (7.9)

• b = a quando a > 1,724/7

• b = yjl,6a2 +h2 - 0,675/7 quando a <0,724h

• Carga de borda (área circular):

_ 0,803?
4log| - | + 0,666 j -0,034
h2
(7.10)

Sendo a a tensão atuante, P a carga pontual aplicada e m uma área circular de


raio; a h e ( são respectivamente a espessura e o raio de rigidez da placa de con-
creto. O coeficiente de Poisson do concreto foi considerado igual a 0,15 e as placas
isoladas, isto é, sem o uso de barras de transferência.
Essas expressões v ê m sendo continuamente validadas pelos processos de ele-
mentos finitos. Além delas, Westergaard desenvolveu expressões para determinar
a deformação de placas apoiadas e m meio elástico - líquido denso - bastante úteis
na análise de processos de carregamento mais complexos.

• Corga de canto:

1,772a
1,205-0,69 (7.11)

Carga no interior da placa:

/ \
a_
In -0,673 (7.12)
' 8 k(2 1 271 2í

Carga no borda (área circular):

0,431 P
Ab = 1-0,82 ^ (7.13)
kt

Sendo A a deformação, P a carga pontual aplicada e m uma área circular de raio,


h e f; são respectivamente a espessura e o raio de rigidez da placa de concreto e k
o coeficiente de recalque no topo do sistema subleito - sub-base. O coeficiente de
Poisson do concreto foi considerado igual a 0,15 e as placas isoladas, isto é, sem o
uso de barras de transferência.

7.3.2 Modelos plásticos


No início da década de 1960, surgiram dois notáveis trabalhos voltados aos pavi-
mentos armados, desenvolvidos de modo independentes pelos engenheiros suecos
Anders Lõsberg (1961) e G. G. M e y e r h o f (1962).

O primeiro desenvolveu seus estudos e m pavimentos aeroportuários e tinha


formação na área de estruturas, enquanto Meyerhof, com atuação na área de solos,
desenvolveu seus estudos experimentais c o m ensaios e m verdadeira grandeza nos
Estados Unidos, focando carregamentos pontuais, similares aos dos pavimentos in-
dustriais.

Os estudos dos dois pesquisadores diferem dos de W e s t e r g a a r d por traba-


l h a r e m e m regimes d e ruptura plástica, o que p e r m i t e uma redistribuição das
t e n s õ e s de tração no concreto q u a n d o o limite elástico é alcançado (Rodrigues,
2003).

Teoricamente, somente os materiais com esse comportamento são passíveis de


serem analisados por esses modelos, como os concretos reforçados com fibras de
aço (ACI, 2006) ou os armados, embora mesmo o concreto simples permita deter-
minada redistribuição desses esforços.
Os modelos desenvolvidos por Lõsberg e Meyerhof são bastante similares, e
este último ganhou maior projeção em função da simplicidade d e suas expressões,
que permitem o cálculo dos esforços no interior, na borda e no canto da placa de
concreto. Entretanto, o embasamento teórico do comportamento de ruptura dos
materiais foi mais bem fundamentado por Lõsberg (Lõsberg, 1961).

Cargo de canto:

Mc =
4o (7.14)
1+ ,

Carga interna:

2a (7.15)
1+

Carga de borda:

Mb =

3o (7.15)
3,5 1+

Dimensionamento com fibras de a ç o


A diferença de comportamento de um concreto reforçado com fibras e m rela-
ção ao concreto simples pode ser facilmente compreendida pela análise de ensaios
e m verdadeira grandeza feitos com placas de concreto, como mostra a Figura 5.9
(Roesler, 2007).

Nela podemos observar que a curva deformação x carregamento no concreto


simples apresenta forte perda da capacidade de suporte quando surge a primeira
fissura, apresentando pouca recuperação na capacidade de suporte e m razão da
baixa tenacidade do material.

À medida que a tenacidade do concreto vai aumentando, a curva vai ficando


mais suave, sem perdas bruscas quando do aparecimento das fissuras e, nesse estu-
do, vê-se claramente o melhor desempenho das fibras de aço.

Esse comportamento é referente à ação das fibras no concreto que, por sua
vez, é dependente do fator de forma delas, como foi apresentado no capítulo 5.
Analisando-se a Figura 5.9, à medida que o momento positivo ultrapassa o limite
elástico do concreto, este se rompe, mas mantém ainda uma capacidade residual
e m virtude da ação das fibras, que é dada por:
Simultaneamente à plastificação do momento positivo, o negativo aumenta e
a nova capacidade estrutural da placa passa a ser a soma dos dois momentos (ACI,
2006):

/V?res = M neg
n + M n n e
pos
(7.17)

R e,3
M
res = 1+ (7.18)
100

Sendo aadm a tensão admissível ou d e trabalho do concreto com fibras, b a lar-


gura da placa considerada, geralmente unitária, h a espessura do concreto e Re 3 o
índice de tenacidade do concreto.

A tensão admissível é calculada pela razão entre a resistência característica do


concreto à tração na flexão, f^M^ 1 , e o fator de segurança. Esse deve incluir, além
das incertezas relativas aos materiais, a questão de fadiga nos pavimentos submeti-
dos a cargas cíclicas.

Ao contrário do concreto simples, o concreto reforçado c o m fibras apresenta um


expressivo aumento na resistência à fadiga, fazendo com que a curva clássica da PCA
(Rodrigues, 2006) seja excessivamente rigorosa.

No Brasil, são praticados valores entre 1,5 a 2 e há uma tendência de acomoda-


ção no limite inferior da faixa, que pode ser assumido como um limite mínimo. A te-
nacidade do concreto é dependente do fator de forma e dosagem da fibra; a Tabela
7.2 apresenta valores de tenacidade para algumas fibras nacionais, mas sempre é
recomendada a execução de ensaios específicos para a sua determinação.

• TABELA 7.2 Re,3(%)


Dosagem
Valores de tenacidade (kg/m3) RC 80/60 RL 65/60 RL45/50
( y (Fonte: Belgo-
BeKaertJ.2 20 52 47 38
25 60 56 45
30 68 63 52
35 75 69 58

7.5 Pisos protendidos


O dimensionamento dos pisos protendidos difere das outras soluções e m fun-
ção das perdas de protensão que necessitam ser calculadas e que são dependentes
das propriedades do concreto, da cordoalha e da geometria da placa protendida.

1 A norma NBR 6518 já designa a resistência à tração na flexão por f ctf ; neste texto foi mantida a no-
tação tradicional empregada na área de pavimentação.

2 RC é a fibra colocada e RL a solta. O primeiro número é o fator de forma e o segundo o comprimento


da fibra. Por exemplo, 80/60 tem fator de forma 80 e o comprimento da fibra é 60.
7.5.1 Perdas de protensão
Elas são relativas a encurtamento elástico, à cravaçao, retração e fluência do
concreto, bem como à relaxação do aço. Uma boa indicação dessas perdas, como
recomendado pelo PTI - Postentioning Institute - é fornecida a seguir (Zia et al.,
1979) e são válidas para cordoalhas engraxadas, isto é, sistema não aderido.

Perda por atrito no cabo


O cabo de protensão, quando estirado, sofre esforço de atrito com o concreto,
o que reduz a tensão no cabo, perda esta que será mais intensa à medida que se
afasta do ponto de aplicação do carregamento - ancoragem ativa (cabo reto):

-\xkx
(7.19)

Sendo:
• a x a tensão a uma distância x do ponto de aplicação da protensão;
• a 0 a tensão inicial;
• |i o coeficiente de atrito aparente entre o cabo e a bainha plastificada, va-
riando de 0,05 a 0,15 (ACI, 2005);
• k coeficiente de curvatura acidental do cabo, entre 0,0010 e 0,0066 (ACI,
2005), para cabos retos;
• x a distância do ponto de análise em relação à ancoragem ativa (|.i).

Perdas por cravaçâo


As perdas por cravação são decorrentes do espaço entre a ancoragem e a cunha,
que ocorrem quando essa é ativada pelo retorno do pistão do macaco, podendo
também haver escorregamento do cabo.

Embora ela seja geralmente considerada pequena, entre 4 e 7 mm, pode assu-
mir valores expressivos caso haja escorregamento elevado do cabo em virtude de
falhas no mecanismo de acionamento da cunha ou da sua própria deficiência de
ancoragem. O cálculo pode ser feito de acordo com a expressão, cujo conceito pode
ser compreendido na Figura 7.13 (Leal, 1999).

o
ca
O
o
Pt
<a
o
o
u_

w L

Ancoragem Ativa
n (7.20)
\ /

Sendo c a perda por cravação (m), geralmente entre 0,004 e 0,006 m, Ep e Ap o


módulo de elasticidade e a seção da cordoalha (MPa e m 2 ) e n a perda por unidade de
comprimento e m razão do atrito do cabo com a bainha (N/m). Para o cabo de 12,5 mm,
considerando-se o módulo da cordoalha e m 200 GPa, a expressão pode ser reduzida a:

(7.21)

Sendo L a distância entre as ancoragens, ou seja, o comprimento útil do cabo.


A força de protensão imediatamente após a cravação do cabo pode ser assumida
como a média ponderada entre Pcr, Pw e PL.

Perda por encurtamento elástico


É relativo à deformação instantânea do concreto quando esse é submetido a um
carregamento, sendo função do módulo de elasticidade do concreto no momento
da protensão:

(7.22)
ci

Sendo A o E L a redução da tensão no cabo de protensão, Es o módulo de elasticida-


de do aço, Ecj o módulo de elasticidade do concreto no momento da protensão e fcpa
a tensão média na placa de concreto. O coeficiente 0,5 é válido para operação de pro-
tensão sucessiva 3 ; caso isso não ocorra, o coeficiente pode variar (Zia et al., 1979).

Perda por fluência do concreto


O concreto quando submetido a carregamento permanente, como c da proten-
são, tende a deformar-se e m razão da fluência, e o encurtamento leva a uma perda
na protensão; a NBR 6118 (ABNT 2003) ou outros códigos normativos costumam
aplicar procedimentos complexos para o cálculo da perda por fluência (Emerick,
2006), mas para pisos ela pode ser simplificada (Zia et al, 1979):

(7.23)

O coeficiente KCR é adotado como 1,6 para o caso de pisos com protensão não
aderente.

Os outros símbolos já foram definidos no item anterior.

3 Isto é, cabos protendidos seqüencialmente (lado a lado), com a mesma tensão.


Perda relativa à retração hidráulica do concreto
A máxima perda possível que se pode ter e m razão da retração hidráulica do concreto
é dada por:

A oSH = ZSHkSHES (7.24)


^ ''max

Sendo ESH a retração específica que o concreto apresenta, K5H é o coeficiente de


retração, função do tempo após o término da cura úmida no qual a protensão foi
aplicada.

No caso de pisos, a protensão é feita geralmente antes do término do período


de cura, KSH é muito próximo a um, podendo-se adotar 0,92. Os outros símbolos já
foram definidos no item anterior.

Entretanto, essa perda acaba não se processando totalmente, pois a retração do


concreto é função da umidade relativa do ar a que ele está exposto e da superfície da
placa, que pode perder água; considerando-se essas variáveis, pode-se escrever:

ASH = zSHKSHES( 1 " 0/06/I)(1,5 - 0,015 RH) (7.25)

Sendo h a espessura da placa de concreto e RH a umidade relativa média do


ambiente. A retração hidráulica t a m b é m pode ser calculada considerando-se a con-
dição mais crítica possível, que é a da retração integral do concreto, de acordo com
o ensaio A S T M C157 (ASTM, 2008), que adota que a perda de protensão é direta-
mente proporcional ao encurtamento do concreto.

Perdas por relaxação do aço


É função do nível de tensão aplicado na cordoalha e do tipo de aço com que ela
é feita. Para as cordoalhas nacionais, com aço de baixa relaxação e tensões iguais a
0,8 fptk, as perdas por relaxação serão inferiores a 3,5%.

Força final de protensão


A soma de todas as perdas resultará na força final de protensão - Fp- que atuará
no cabo. Com esse valor, é feito o dimensionamento do piso protendido de acordo
com os itens subsequentes.

7.5.2 Esforços na placa em virtude do atrito placa -


sub-base
Ao contrário dos outros sistemas estruturais de pisos, e m que a determinação da for-
ça de atrito é apenas uma verificação, no caso do protendido, as forças de atrito podem
assumir valores proporcionalmente elevados em função do comprimento da placa.

A força relativa ao atrito pode ser determinada pela Drag Equation, que consi-
dera como o ponto de imobilidade o ponto médio da placa, que é onde a força de
atrito é máxima. 0 cálculo da força de atrito independe do sistema de aplicação de
carga - uma ou duas ancoragens ativas - pois ela atua permanentemente no piso,
e m função das variações termo-higrométricas que vão ocorrer ao longo da vida útil
da obra. Considerando-se uma faixa de um metro de largura, a força de atrito é:

Fot=f~hy (7.26)

Sendo:

Fot a força de atrito em tf/m ou kN/m;

/ o coeficiente de atrito entre a placa de concreto e o subleito, geralmente entre

0,5 e 0,8;

L o comprimento da placa (m);

h a espessura da placa de concreto (m);

7 o peso específico do concreto e m tf/m 3 ou kN/m 3 .

7.5.3 Esforços na placa em razão do carregamento


externo
Com base nas expressões apresentadas nos itens 7.3.1 - modelo elástico ou
7.3.2 - modelo plástico, é calculada a tensão máxima atuante no concreto. A es-
colha do modelo é opção do projetista e da forma como ele interpreta o sistema
estrutural; há uma tendência e m adotar-se no nosso meio técnico o modelo plástico
de cálculo de tensões.

Calculada a tensão atuante, podem ocorrer duas situações distintas, que depen-
dem do nível de grandeza que elas assumirem:

# °or * °odm
Nesse caso, as cargas atuantes são suficientemente baixas para serem suporta-
das apenas pelo concreto, devendo ser respeitada a tensão mínima no concreto, de
acordo com a Tabela 7.3 (ACI, 2006):

°p = °min

Sendo a m i n a tensão residual mínima (Tabela 7.3)

• > °adm
Nesse caso, torna-se necessário aplicar uma força de compressão no concreto,
de maneira que a seção mais carregada trabalhe com tensão igual ou irferior à ad-
missível, e essa tensão de protensão é dada por:

° p = °ot " °adm

Devendo ser respeitado que o p ^ C m i n .


A respeito da tensão mínima de protensão, ela está presente nos mais conheci-
dos métodos de dimensionamento, como o PTI (PTI, 2004), ACI 360R (ACI, 2006) e
TR-34 (Concrete Society, 2003). Representa o mínimo valor de protensão, despreza-
das as relativas à força de atrito com a sub-base.

Pode ser entendido como uma reserva estrutural para tensões que atuam na
placa de concreto e que não podem ser avaliadas corretamente pelo projetista. Uma
delas é a do coeficiente de atrito restritivo, que se deve às ondulações na superfície
da sub-base, as quais promovem o travamento da placa de concreto.

Outro exemplo é o das cargas de serviço no piso, que aumentam a força de atrito
e que não foram consideradas no cálculo de Fat (item 7.5.2). De fato, a adoção do
coeficiente de atrito pode absorver parcialmente ou totalmente esses incrementos.
Embora cada um dos métodos citados adote valores diferenciados, o ACI 360R (ACI,
2006) apresenta um modelo e m função do comprimento e da utilização do piso,
apresentado na Tabela 7.3.

• TABELA 7.3 Tensão residual mínima


Tensões residuais Tipo de aplicação (MPa)
mínimas em placas
1. Fundações residenciais 0,3 a 0,5
prolendidas.
2. Placos de pisos industriais com oté 30 m 0,5 o 0,7

3. Placas de pisos industriais com até 60 m 0,7 oi,C

4. Placas de pisos industriais com oté 90 m 1,0 o 1,4

5. Placos de pisos industriais com mois de 120 m 14 o 1,7

Estabelecido o valor da tensão d e protensão que deve ser aplicado à placa, a


força de protensão é imediata:

Fp = Op.Ac (7.27)

Sendo Ac a área da seção transversal da placa de concreto, para largura de um


metro.

7.5.4 Esforços na placa em razão do empenamento do


concreto
Embora não causem muito impacto, as tensões de empenamento devem ser
consideradas no cálculo da força de protensão, muito mais como uma verificação
relativa às variações térmicas a que a placa estará submetida.
Como foi demonstrado no item 7.2.2.2, a tensão de empenamento para placas
c o m comprimento superior a cerca de nove vezes o seu raio de rigidez não varia
mais com o tamanho da placa, e a tensão de e m p e n a m e n t o acaba sendo função
apenas do gradiente térmico e da espessura. O ACI 325.7R (ACI, 1988) sugere valo-
res entre 0,4 M P a e 0,8 M P a , dependendo das condições de exposição e maturidade
do concreto.
Juntas

Introdução
As juntas são elementos construtivos destinados a permitir o deslocamento
no plano do piso, que controlam a fissuração e, ao mesmo tempo, são capazes de
transferir esforços entre as placas contíguas.

São elementos fundamentais para o bom funcionamento estrutural do pavi-


mento e respondem pela parcela mais expressiva dos custos de manutenção; por
esse motivo, tem-se buscado cada vez mais reduzir a sua quantidade e melhorar
a sua qualidade.

Há algumas décadas, nos pisos de concreto simples, o índice de juntas - com


placas de 25 m 2 , era de 0,4 m/m 2 . Atualmente, com sistemas jointless nos pisos
reforçados c o m fibras, e m que se procura reduzir o número de juntas ao máximo,
tem-se índices, para placas de 900 m 2 , de 0,067 m/m 2 , podendo ser ainda mais
baixo para os pisos protendidos.

Entretanto, quanto menor a quantidade de juntas, mais solicitadas elas serão,


e m razão principalmente da maior abertura, o que reduz a capacidade de trans-
ferência de carga, estando sujeitas a impactos nas bordas, causados pela ação de
rodas das empilhadeiras e principalmente das paleteiras.

A abertura teórica da junta, 6, para uma dada temperatura, é diretamente pro-


porcional à retração específica do concreto, 6, e das dimensões, L, da placa:

ô =U (8.1)

Para placas com 30 m de comprimento e concreto com retração específica da


ordem de £ = 500 pm/m, a abertura das juntas pode chegar teoricamente a 15 mm.
Na prática, ela acaba sendo um pouco menor, pois há o fenômeno de fljência, que
tende a dissipar parte das tensões que estão tracionando a placa, além de a seca-
gem não ser uniforme, mas não ficará muito longe do valor teórico.

Para placas protendidas, as juntas serão maiores ainda, como da ordem de 25


mm ou até maior para uma placa com 50 m, pois, nesse caso, a protensão tende a
encurtar mais a placa em virtude dos fenômenos de fluência que agora contribuem
para aumentar a abertura das juntas.
Hoje, o mercado tende, para os pisos não protendidos, a trabalhar com placas com
dimensões próximas a 12 m, pois dessa maneira a abertura das juntas será de aproxi-
madamente 6 mm, compatíveis com os materiais de preenchimento semirrígidos.

8.2 Tipos de juntas


As juntas podem ser serradas (Figura 8.1), de construção (Figura 8.2 e 8.3) e de
encontro (Figura 8.3). As de dilatação são raramente empregadas. O motivo é que
cada junta serrada e de construção trabalham - em virtude da retração do concreto
- como pequenas juntas de dilatação, capazes de acomodar perfeitamente as varia-
ções térmicas ao longo da vida do concreto.

As juntas de controle da fissuração - serradas ou de construção - têm seu espaça-


mento função do método de dimensionamento, quantidade e tipo de reforço, retração
potencial do concreto, fricção da placa com a sub-base etc. Para os pisos protendidos,
o espaçamento é fácil de ser determinado pelo próprio processo de cálcu o.

RESERVATÓRIO
• FIGURA 8.1

Junto serrado. FIBRA METÁLICA

LONA PLÁSTICA
htub-bssc

{METADE PINTADA E ENGRAXADA)


Para os pisos com fibras, o espaçamento é feito experimentalmente, sendo ad-
mitidos até 12 m para taxas convencionais e, acima desse valor, é considerado como
jointless, o que impõe taxas de fibra superiores a 30 kg/m 3 e espessuras maiores
do que 15 cm. Observa-se na literatura (Concrete Society, 2007) placas da ordem
de 16 m de comprimento, com dosagem de fibras que permitam R e 3 > 0,5 (50%). A
relação largura - comprimento da placa não deve exceder a 1:1,5 ( A C , 2004), sendo
preferível que esteja próximo a 1:2.

As juntas serradas - não aplicáveis aos pisos protendidos - são feitas por meio
de corte com serras diamantadas, algumas horas após a pega do concreto, geral-
mente de 12 a 18 horas após o lançamento.

A profundidade do corte deve ser de um terço da espessura da placa e deve-se


tomar especial cuidado com o esborcinamento causado pelo corte prematuro com
equipamento inadequado - serras defeituosas, eixo de equipamento desalinhado.
No concreto com fibras, há a tendência de arrancamento das fibras mais superficiais
na região do corte.

As juntas de construção, oriundas das formas, são função das condições executi-
vas, principalmente dos equipamentos empregados, uma vez que servem de apoio
para as réguas vibratórias, a l é m de delimitarem as dimensões da placa.

No caso do piso protendido, é comum o emprego de armadura de borda, pois


a protensão acaba não sendo eficiente nessa região, exigindo armadura comple-
mentar, como pode ser visto na Figura 8.3. A taxa de reforço é função das cargas
atuantes.

Sob o ponto de vista operacional e de manutenção, as juntas de construção são


mais frágeis, e m razão, principalmente, da grande concentração de argamassa que
apresentam e m suas bordas, e exigem obrigatoriamente o emprego de reforço de
borda - lábio polimérico (Figura 8.4) - quando há tráfego de empilhadeiras de rodas
rígidas. Essa necessidade sinaliza que projetos com menor quantidace de juntas de
construção apresentam menores custos iniciais e de manutenção.

FIGURA 8.2 RESERVAT0RI0

FIBRA METAUCA P/SELANTE


Junto de construção.

hsub-base
mmám LONA PLASTICA

50% DO COMPRIMENTO DA
PINTAR COM BARRA DE TRANSFERÊNCIA
EMULSA0 ASFALTICA (METADE PINTADA E ENGRAXADA)
FIGURA 8.3 PISO PROTENOIOO PISO PROTENOIOO
COM ANCORAGEM PASSIVA <] J> COM A N C O R A G E M ATIVA

Junta de construção
J U N T A OE CONSTRUÇÃO [CD
no piso protendido. 2N301 0 1 0 = C=C0RR
C A 8 0 S DE PROTEÇÃO CABOS O E P R O T E N S Ã O
(exemplo) medidas
em cm
hpa

hsubbese

B A R R A DE TRANSFERÊNCIA

As bordas das juntas serradas são de resistência bem maior do que as de cons-
trução e normalmente dispensam o tratamento de borda. Infelizmente, quando se
concreta uma grande faixa que depois é serrada para formar as placas, a abertura
das juntas não é uniforme, pois algumas tenderão a trabalhar antes - como as mais
centrais - e exibirão maior abertura.

5mm
• FIGURA 8.4
SELANTE
ARGAMASSA POLIMÉRICA
Reforço de borda
(lábio polimérico).

JUNTA OE CONSTRUÇÃO

As juntas de encontro são empregadas no encontro do piso com a estrutura do


edifício - pilares, paredes etc. - o que permite o seu trabalho desvinculado com as
partes fixas da estrutura. São tratadas com selantes flexíveis que permitem que o
piso trabalhe livremente quando submetido a ciclos térmicos.
RESERVATÓRIO P/
SELANTE |10mm x 10mm)
Junto de encontro. FIBRA METÁLICA

hsubbMC

LONA PLÁSTICA

8.3 Mecanismos de transferência de carga


O mecanismo de transferência de carga em pisos industriais é feito com barras
de aço lisas, de seção circular ou quadrada, sendo os antigos sistemas do tipo ma-
cho e fêmea, outrora freqüentemente empregados em rodovias, não recomenda-
dos para pisos industriais (ACI, 2004).

As juntas constituem-se os pontos mais frágeis do piso e, quando há um proble-


ma estrutural, é nelas que ele vai se manifestar inicialmente, pois é a região mais
deformável do piso, em razão da articulação que a junta promove.

As deformações, considerando-se borda livre - sem barras de transferências -


são geralmente inferiores a 1 mm, o que leva à necessidade das barras estarem
justas no concreto. Por exemplo, a aplicação excessiva de graxa pode induzir a uma
tensão maior do que a prevista em projeto.

Infelizmente, ainda são vistos projetos com a colocação de barras de transfe-


rência protegidas por mangueiras plásticas e freqüentemente alguns executores
removem-nas para facilitar a retirada das formas, em um procedimento totalmente
inadequado à durabilidade do piso.

• TABELA 8.1 Tipo de barra de transferência


Diâmetro dos barras Espessura da
Seção Quadrada (mm) Seção Grculor (mm)
em função da Placa
espessura de um (mm) Comprimento Comprimento
Lado Espaçamento Diâmetro Espaçamento
piso de concreto Mínimo Mínimo
simples (para pisos
<120 16 350 350 16 350 300
reforçados, empregar
a espessura 120o 175 20 350 350 20 350 300
equivalente do
176 o 225 25 400 350 25 400 300
simples).
226 o 275 32 450 350 32 450 300
A Tabela 8.1 apresenta uma sugestão d e equivalência da espessura de um piso
de concreto simples e o diâmetro adequado da barra de transferência. Para pisos
reforçados, deve-se empregar diâmetro de barra de um piso simples, com resistên-
cia equivalente ao reforçado.

Por exemplo, um piso de 15 cm, reforçado com uma taxa d e fibras com Re 3 de
50%, eqüivale estruturalmente a um piso simples com cerca de 22 c m e, portanto,
deve ter as juntas providas com barras de 25 m m de diâmetro. Cálculos mais preci-
sos podem ser feitos por processos analíticos (Huang, 2004 e Rodrigues, 2007), nos
quais é encontrada a tensão de contato da barra com o concreto, ponto crítico do
sistema.

A abertura das juntas é fator de decréscimo na capacidade da barra de trans-


ferência; para os pisos protendidos, e m que a abertura das juntas é elevada, esse
ponto deve ser considerado cuidadosamente. A barra de seção quadrada apresenta
maior capacidade do que as circulares, pois, além do maior momento de inércia, a
superfície de contato plana contribui para uniformizar a tensão de contato.

Outra vantagem dessas barras é permitir o deslocamento horizontal da placa de


concreto, que é conseguido pela aplicação d e material compressível em suas late-
rais (Figura 8.6), condição importante quando a placa apresenta retração diferencial
com a placa vizinha ou bases de equipamentos; esse tipo de barra é particularmente
adequado aos pisos protendidos.

• FIGURA 8.6

Barra de
transferência de
seção quadrada.

8.4 Materiais de preenchimento de juntas


Para locais sujeitos ao tráfego de equipamentos rodantes com pneumáticos de
pressão de enchimento de até 1,2 M P a e nas juntas de encontro, o material de pre-
enchimento de junta mais adequado são os selantes de dureza Shore A próximos a
30, como os poliuretanos modificados ou não e os silicones.

Esses materiais permitem que o piso se movimente sem desproteger a junta


com relação à entrada de sólidos incompressíveis, sendo ideais t a m b é m para a apli-
cação em áreas externas, nas quais as placas ficam sujeitas, ao longo de sua vida, a
variações térmicas, o que promove alterações substanciais em suas dimensões.

Entretanto, quando há trânsito de equipamentos com rodas duras, aquelas re-


vestidas com polímeros, a tensão de contato é dezenas de vezes superior ao do
pneumático e as tensões as quais o selante passa a ser submetido são bem mais
intensas e o modelo tradicional de preenchimento da junta (Figura 8.7) passa a ser
inadequado (Metzger, 1978).

FIGURA 8.7 Tensão de contato

Material de junta
flexível sob ação
de roda dura
(inadequado).

Berço de apoio

No caso do material flexível, esse deforma-se excessivamente sob a ação da car-


ga de roda, o que gera esforços de impacto na borda da junta, e causa o esborci-
namento. Para esse tipo de equipamento, somente os materiais de preenchimento
semirrígidos, com dureza ShoreAS0, são capazes de proteger as juntas (Figura 8.8,
Metzger, 1978). Materiais que atendem a essas características são os eoóxis semirrígi-
dos e as poliureias (ACI, 2004).

Vale ressaltar que o preenchimento deve ser feito em toda a profundidade do


corte, pois o suporte não se dá pela aderência com as bordas, mas sim pelo apoio do
material na parte inferior do reservatório. A adoção de limitadores, como o indicado
na Figura 8.7, é inadequada e vai provocar a deterioração da junta.
• FIGURA 8.8

Material de junta
semirrígido sob ação
de roda dura.
9
o
=)
•i -
CL
<
u Execução

9.1 Introdução
A execução do piso industrial pode ser separada em duas etapas: a primeira,
refere-se ao preparo da fundação, com as operações de compactação do sublei-
to, aplicação de eventual camada de reforço e da sub-base. A segunda refere-se à
execução da placa de concreto, com as tradicionais tarefas de colocação de formas,
lançamento, acabamento, cura e serragem de juntas.

Neste manual, serão citadas as práticas correntes no Brasil para a execução des-
sas tarefas, lembrando-se de que as técnicas executivas estão em constante modifi-
cação e podem variar ligeiramente em função das características de trabalho e até
culturais presentes no país.

Como um panorama da execução dos pisos, o que se pode dizer é que a primei-
ra etapa, relativa à fundação, vem sendo negligenciada e nela são observados os
maiores desvios de qualidade e a confusão de conceitos de técnicas executivas e de
propriedades dos materiais; recomenda-se atenção especial a esses itens.

A concretagem do piso, que como se pôde destacar nos capítulos anteriores,


reveste-se de especial interesse em virtude da influência marcante no seu desem-
penho final, pois a ela podem ser associadas diversas patologias, como as baixas
resistências à abrasâo, fissuras de natureza plástica, delaminações, texturas incorre-
tas, baixos níveis de planicidade e nivelamento, absorção elevada etc.
Por esses motivos e ainda por sua qualidade, mesmo que de maneira qualitati-
va, pode ser facilmente avaliada; é uma das etapas construtivas mais submetida à
vigilância e à fiscalização.

Preparo da fundação
A capacidade de o pavimento resistir aos esforços previstos vai depender da
integridade do sistema subleito - sub-base. A fundação do pavimento é constituída
normalmente pelo preparo do subleito e da sub-base. O preparo do subleito é ba-
sicamente a compactação, sendo recomendável que ela esteja a 9 8 % da energia do
proctor normal (ver subitem 2.7: Compactação dos solos).

Cada solo tem a sua curva de compactação, que define a umidade ó t i T i a e a den-
sidade aparente seca máxima, que varia em função da granulometria, teor de silte e
argila e outras características do solo. Para um mesmo local, o solo pode variar bas-
tante com a profundidade escavada, mudando de maneira acentuada a curva de com-
pactação, que passa, por exemplo, de argilas residuais maduras a siltes; a Figura 9.1
apresenta curvas de compactação de alguns tipos de solos (PINTO, 2002).

Embora o projeto seja quem vá definir a capacidade mínima do solo, deve-se


procurar trabalhar com valores de índices de suporte Califórnia (CBR) superiores a
6% e expansão menor que 2%. Em caso de valores mais baixos, é sempre convenien-
te a adoção de camada de reforço, com material de CBR superior a 20%

Solos fora do ponto de umidade ótima não costumam atingir a dens dade máxi-
ma da curva de compactação; quando o desvio é para menos, isto é, umidade abai-
xo da ótima, é possível melhorar, aumentando a energia de compactação; contudo,
quando é para mais, há a formação de superfícies de ruptura, denominadas por
borrachudos.
Além dos ensaios tradicionais de controle de compactação, como o do frasco
de areia, há uma prova de carga simples e eficaz, que é a passagem de um cami-
nhão carregado sobre o subleito recém-compactado, cuja trilha de roda não deve
causar afundamentos superiores a 10-12 mm (ACI, 2004), como pode ser visto na
Figura 9.2.
2.1
FIGURA 9.1
a) pedregulho bem-graduado, pouco argiloso
Curvas de (base estabilizada)
b) solo arenoso laterítico fino
compactação de
c) areia siltosa
solos.
d) areia silto-argilosa (residual de granito)
1.9 e) silte pouco argiloso (residual de çnaisse)
f) argila siltosa (residual de metabasito)
g) argila residual de basalto (terra roxa)
1.8

-5»
^ 1.7

1.6
V)
<u
o

1.5

1.4

1.3

10 15 20 25 30 35 40

Umidade (%}

• FIGURA 9.2

Prova de carga no
subleito.

Sub-bases granulares devem ser compactadas a 100% da energia modificada


(PM), enquanto para as de menor capacidade, ou as de solo-brita ou solo-cimento,
deve-se exigir pelo menos 100% da energia intermediária (PI).
A tolerância executiva da sub-base vai interferir diretamente na espessura da
placa de concreto, a qual, se ficar acima do especificado, será penalizôda pela re-
dução de espessura; entretanto, se ocorrer o contrário, o custo da obra será maior
que o previsto.

A prática de colocação de uma camada final de areia sobre a sub-base, a título


de regularização e acerto de cotas, é condenável, pois areias costumam ter granulo-
metria descontínua e consequentemente baixa capacidade de suporte. Como alter-
nativa, essa camada pode ser executada com areia artificial, com pelo menos 10% a
30% de material passando pela peneira 0,15 mm, com granulometria contínua (en-
tre as peneiras 4,8 mm e 0,075 mm), ou mistura de pedrisco, areia e pó-de-pedra,
com as mesmas características citadas, adequadamente compactadas.

Sobre a sub-base, é aplicado um filme plástico, com o objetivo de reduzir o co-


eficiente de atrito com a placa de concreto, situação particularmente importante
quando se trabalha com placas de grandes dimensões.

Esse filme plástico pode atuar também como uma barreira de vapor, para impe-
dir a ascensão da umidade por meio da capilaridade no concreto. Entretanto, mate-
riais mais simples, como o plástico preto normalmente empregado, com espessura
mínima de 0,15 mm, costumam deteriorar-se rapidamente em contato com a alca-
linidade do concreto, e quando há de fato a necessidade do controle de umidade, é
recomendável o emprego de materiais mais resistentes, como as mantas de PVC ou
outros polímeros com boa resistência química.

Atualmente, a presença desse filme plástico é algumas vezes contestada, sob a


argumentação de que, por impedir a perda de umidade para a sub-base, favorece
o empenamento da placa de concreto. Contudo, é difícil estabelecer o quanto o
empenamento é reduzido pela supressão do filme impermeável, em razão da pouca
capacidade da sub-base de absorver a água.

Questionamentos desse tipo podem ser contornados executando-se furos no


filme plástico, para permitir a eventual passagem da água e, ao mesmo tempo, ga-
rantir a redução do coeficiente de atrito.

Concretagem do piso
As patologias comuns hoje observadas sinalizam que a concretagem deve ser
objeto de intenso controle executivo, precedido de treinamento dos operários que
vão executá-la. É recomendável que seja feito preliminarmente um pequeno trecho
experimental, que poderá ser utilizado também como padrão de qualidade.

9.3.1 Concretagem em clima quente


Entre as inúmeras aplicações do concreto, a execução de pisos está sujeita à
concretagem em tempo quente e é a que mais sofre os seus efeitos, em razão, como
já foi mencionado, da grande área de exposição ao ar em relação ao volume de
concreto.
Concretagem e m clima quente pode conter uma ou mais das seguintes condi-
ções ambientais que tendem a alterar as propriedades do concreto fresco pela ace-
leração da taxa de evaporação da água, considerando-se a velocidade de hidratação
do concreto (ACI, 1999):

• temperatura ambiente elevada;

• temperatura alta do concreto;

• baixa umidade relativa do ar;

• velocidade de vento;

• irradiação solar.

N e m sempre é possível estabelecer um critério com base apenas na temperatu-


ra ambiente, como a adoção de um patamar de temperatura, digamos entre 30 ° C
e 35 °C, mas a complexidade do fenômeno tende a tornar mais simples a adoção de
uma taxa máxima de evaporação de água, dada pela expressão (HOVER, 2005):

W = 0,315 x (e 0 - ea) x (0,253 + 0,060V) (9.1)

Sendo W a taxa de evaporação de água, e m kg/m 2 /h, de uma superfície protegida,


e0é a pressão de saturação do vapor de água imediatamente sobre a superfície, na
temperatura da superfície, em kPa (Tabela 9.1), ea é a pressão de vapor da água no
ar ambiente, que é igual à pressão de saturação do vapor multiplicado pela umidade
relativa do ar e, finalmente, V é a velocidade do vento e m km/h, medido a 50 cm da
superfície do concreto. W é geralmente considerado crítico quando é superior a 1 kg/
m2/h (ACI, 2006), mas pode ser menor, dependendo das características do concreto.

A expressão 9.1 permite visualizar algo bastante importante e pouco intuitivo,


pois nela não está explícita a temperatura ambiente, que aparece embutida nas
pressões de saturação do vapor d'água: quanto mais elevada a temperatura, maior
a pressão de saturação de vapor e, portanto, maior a taxa de evaporação.

A passagem da água do estado líquido para o gasoso à temperatura ambiente


não é uma reação espontânea, mas sim uma condição de equilíbrio com o ar, sendo
função da pressão de saturação e da umidade relativa do ar, que permitem que mais
ou menos moléculas passem para a fase gasosa. O processo somente é interrompi-
do com a saturação do ar, sendo então estabelecido um equilíbrio das fases líquida
e gasosa da água.

Observa-se t a m b é m que a diferença (e 0 - e0) revela outro aspecto importante


relativo à taxa de evaporação, que é a umidade relativa do ar; pois, quanto menor
esta for, maior será (e 0 - e0) e consequentemente maior será a perda de água do
concreto. Quando a umidade relativa do ar está próxima de 100%, a diferença (e 0 -
eQ) aproxima-se de zero e a evaporação ficará nula.

Portanto, vê-se que a umidade relativa do ar pode levar a taxas de evaporação


elevadas quando é baixa, caso típico dos meses de inverno na região sudeste do Bra-
sil, enquanto no verão, embora a temperatura ambiente seja mais alta, a umidade
t a m b é m é, podendo até anular o efeito da temperatura.
Outro detalhe importante da Equação 9.1 é que e0é tomado com relação à tem-
peratura do concreto, enquanto ea é relativo à temperatura ambiente: portanto,
quanto maior for a diferença de temperatura entre o concreto e o ambiente, maior
será a evaporação. Isso explica facilmente o porquê de o concreto perder tão rapi-
damente a trabalhabilidade quando confeccionado com cimento quente.

Temperatura do Pressão de saturação, kPa Temperatura do Pressão de saturação, kPa


• TABELA 9.1
ar e do concreto, °C ar e do concreto, °C
Pressão de saturação
4 0,813 28 3,78
do vapor d agua
em função da 5 0,872 29 4,01
temperatura. 6 0,934 30 4,24
7 1,00 31 4,49
8 107 32 4,75
9 1,15 33 5,03
10 1,23 34 5,32
11 1,31 35 5,62
12 1,40 36 5,94
13 1,50 37

oo
14 1,60 38 6,63
15 1,70 39 6,99
16 1,82 40 7,38
17 1,94 41 7,78
18 2,06 42 6,20
19 2,20 43 6,64
20 2,34 44 9,10
21 2,49 45 9,58
22 2,64 46 10,1
23 2,81 47 10,6
24 2,98 48 11,2
25 3,17 49 11,7
26 36,36 50 12,3
27 3,56

Valores entre 5°C e 10°C de diferença de temperatura, para o concreto mais


quente, podem ser um problema para a perda de água, como pode ser visto na
Tabela 9.2, que indica a umidade crítica do ar para o surgimento das fissuras de re-
tração plástica, uma das primeiras manifestações patológicas do concreto.

Na Tabela 9.2, observa-se que há diferentes taxas de evaporação crítica, desde


0,25 até 1,0 kg/m2/h e não apenas uma, como poderia ser imaginado. Isso aconte-
ce porque concretos diferentes podem ter comportamentos distintos em relação à
perda de água.
Definições de taxas máximas de evaporação devem ser feitas por meio de do-
sagens experimentais e concretagens que simulem as condições ambientes reais.
Embora isso possa parecer inexequível, é possível estabelecer regionalmente as
características e aptidões que o concreto deva ter para determinado clima. Por
exemplo, é possível, com o aumento da exsudação, controlar a formação de fissuras
plásticas; concretos muito coesos tendem a estabelecer valores baixos para a taxa
de evaporação crítica.

• TABELA 9.2 Taxo de evaporação critica


Potencial de
Temperoluro do Temperatura do or (l.Okg/mfi) (0.75 kg/mVli) (0.50 kg/mVh) (0.25 kg/mVh)
íissuração plástico
concreto (C) (0 Umidade relativa, %
em função de
temperaturas críticas (41) (35) 85 100 100 100
do concreto (ó°C (38) (32) 80 95 100 100
acima da ambiente)
(35) (29) 75 90 100 100
e umidades relativas
máximas. (32) (27) 60 85 100 100
(29) (24) 55 80 95 100
(27) (21) 35 60 85 100
(24) (19) 20 55 80 100

Efeito da temperatura ambiente no concreto


O concreto é afetado de modo negativo quando executado em tempo quente,
com efeitos que podem ser minimizados, mas nunca completamente controlados;
a temperatura ideal de lançamento do concreto está entre 10°C e 15°C, raramen-
te presente em países tropicais. Acima dessa temperatura, pode-se considerar que
haverá perda nas propriedades mecânicas - embora a resistência inicial seja maior
- incluindo a resistência química e à abrasâo; a retração será maior.

A Figura 9.3 apresenta a perda da resistência à compressão aos 28 dias, bem


como do ganho na resistência inicial. A perda está ligada à maior desordem crista-
lina que o cimento apresenta quando submetido a uma reação química acelerada
pelo calor.

As fissuras de retração plástica estão sempre associadas a taxas de evaporação


elevadas, cujos valores críticos podem diminuir bastante com o emprego de mistu-
ras muito coesas, como aquelas que empregam sílica ativa ou outras adições muito
finas. Em climas quentes e úmidos, são menos freqüentes, pois a taxa de evapora-
ção é mais baixa do que nos climas secos.

No concreto, o efeito da temperatura vai refletir na sua trabalhabilidade, pois há


uma maior tendência de aumento da água necessária para a manutenção de deter-
minada consistência, como pode ser visto na Figura 9.4.
Perda da resistência
à compressão
em função da
temperatura de cura
(ACI), 1999)

10 20 30 40 50

Temperatura de Cura (°C)

FIGURA 9.4

Efeito do temperatura
no abatimento e
l
no teor de água \
para mudança da \ / gua requerda
\

/
consistência (cimento \
\
tipo I e II) (ACI. « 4
"O \
1999). •e s
O)
\
\
«3 \
=J
OI N
\
\
\
s
N

S.
"s.
V
s
N
X
N
Abe timento

10 20 30 40 50
Temperatura do Concreto (°C)
Concreto para climas quentes
Embora o tema seja muito extenso para ser tratado neste manual, algumas re-
gras básicas devem ser seguidas no estabelecimento dos parâmetros para o concre-
to do piso.

Cimento
Deve-se trabalhar com consumos de cimento baixos, pois a reação de hidratação
é exotérmica, isto é, há liberação de grandes quantidades de energia térmica, já nas
primeiras reações, como a do C 3 A com o gesso.

Preferencialmente, deve-se empregar cimentos com adições, que reagem mais


devagar, liberando mais lentamente o calor de hidratação. É necessário evitar cimen-
tos de pega muito rápida, como os do tipo V, de alta resistência inicial; estes cimentos,
quando com adições, permitem o seu emprego em condições controladas.
A temperatura do cimento deve ser sempre próxima à do ambiente. Essa con-
dição muitas vezes é difícil de ser atingida, em razão da temperatura com que o ci-
mento deixa a fábrica; seu resfriamento é muito lento e somente nos silos metálicos
das concreteiras é que se observa queda mais acentuada da temperatura.

Agregados
Os agregados miúdos, em virtude da coloração mais clara, geralmente estão
próximos à temperatura ambiente e não incrementam a do concreto. Ao contrário,
os graúdos de coloração escura acabam absorvendo muito calor quando expostos
ao sol.

Uma opção simples, mas bastante eficiente, é a prática de manter os agregados


molhados, pois com a evaporação da água, acabam resfriando e controlando me-
lhor a temperatura do concreto.

9.3.2 Aspectos tecnológicos do concreto fresco


O concreto empregado em pisos difere em diversos aspectos do normalmente
empregado em estruturas, muito embora a maioria dos construtores desconheça
essas diferenças e aplique indiscriminadamente qualquer um deles. Dessas diferen-
ças. as principais são:

• Nos pisos, a relação área/volume é muito maior, o que indica que o concreto
estará muito mais sujeito aos fenômenos de superfície, como a exsudação e
a retração plástica.

• A placa de concreto é na maior parte das vezes empregada sem revestimen-


to, exercendo dupla função, estrutural e de acabamento.

• Em parte das aplicações, o concreto vai trabalhar sem armadtra estrutural e


qualquer procedimento inadequado de concretagem ou adequação do ma-
terial poderá prejudicar a sua resistência à tração na flexão.
• 0 Brasil é um país tropical em praticamente toda a sua extensão e as condi-
ções de concretagem em clima quente devem ser consideradas na sua exe-
cução (ver subitem 9.3.1).

0 conhecimento, por parte do executor, dos principais aspectos tecnológicos


que afetam o concreto fresco é importante para que ele perceba quando algo está
errado com o material e tome as providências necessárias para retornar às condi-
ções ideais (ver capítulo 4).

9.3.3 Preparo do concreto


Exceto em regiões muito afastadas dos centros produtores de concreto, os pisos
são executados com o emprego do concreto usinado, ou premisturado, cujo uso
está bastante disseminado, principalmente quando se trata de obras industriais.

Nessas obras, o volume de concreto empregado no piso é da mesma ordem de


grandeza do empregado na estrutura; a título ilustrativo, no caso das industrializadas
de concreto armado, a espessura média (volume de concreto da estrutura dividido
pela área da obra) gira entre 10 cm e 12 cm, incluindo a cobertura. Portanto, em
grande parte das vezes, a quantidade de concreto do piso suplanta a da estrutura.
A observação do mercado da construção indica que cada vez menos se emprega
concreto produzido na própria obra, mesmo nos locais mais distantes e quando essa
solução é adotada, quer por razões técnicas ou econômicas, empregam-se centrais
dosadoras e caminhões betoneiras, em processo similar ao empregadc nas usinas
convencionais.

Nesses casos, deve-se estabelecer na obra um programa de controle de recebi-


mento dos materiais - cimento e agregados - bem como do processo executivo. Essa
preocupação adicional corrobora com a decisão de trabalhar com concreto usinado.

Independentemente de ser produzido na obra ou fora dela, o concreto pré-mis-


turado recebido requer os seguintes cuidados, que visam basicamente a garantia da
sua homogeneidade:

• o misturador deve ser examinado quanto à limpeza e ao desgaste das facas,


que interferem diretamente na qualidade da mistura;

• o tempo mínimo de mistura, da ordem de 90s por metro cúbico ce concreto,


deve ser respeitado. No caso de centrais dentro do canteiro ou mesmo loca-
lizadas muito próximas dele, deve-se estabelecer um tempo mínimo próxi-
mo à 120s/m3.

A consistência de lançamento do concreto deve ser homogênea, pois ela é um


indicativo primário da quantidade de água e aditivos que o concreto contém e a
homogeneidade é o primeiro indicativo de que o tempo de pega do concreto será
constante, fator importante para uma boa qualidade final da superfície do piso.

Para isso, torna-se necessário manter uma pequena quantidade de água retida,
para efetuar o ajuste fino da consistência na obra, respeitando-se os limites míni-
mos de mistura após a sua adição; a quantidade máxima de água permitida deve
estar formalmente declarada no documento de entrega do concreto.
Quando são empregados aditivos superplastificantes, esses devem ser adicio-
nados somente na obra, imediatamente antes do processo de lançamento; para
isso, acerta-se inicialmente a quantidade de água para o abatimento fixado para o
concreto sem aditivo, para então adicioná-lo.

Para os concretos com fibras de aço, essas podem ser adicionadas na própria
obra, desde que se disponha de equipamentos adequados para carregá-las no ca-
minhão betoneira, como correias transportadoras; contudo, essa operação pode ser
executada com mais facilidade na própria central dosadora.

Este procedimento é prática comum em nosso meio, e m que as fibras são adicio-
nadas na esteira transportadora dos agregados, geralmente quando é feito o carrega-
mento do agregado graúdo. Desse modo, facilita-se a homogeneidade da mistura.

Qualquer que seja o procedimento adotado, é necessário que se faça contro-


le rígido da quantidade de fibras adicionadas, como forma de manter a qualida-
de do concreto. O procedimento consiste simplesmente na coleta de uma amostra
de massa conhecida, removendo-se as fibras c o m auxílio de dispositvo magnético,
sendo posteriormente pesadas e comparadas com o valor de projeto.

Misturas mal projetadas, principalmente quando se emprega agregados de


elevado diâmetro característico, levam à dificuldade da incorporação das fibras na
mistura, formando-se aglomerados, conhecidos por ouriços. O emprego de fibras
coladas (Figura 9.5) minimiza muito a formação dos ouriços.

9.4 Fôrmas
As fôrmas são empregadas na execução das juntas de construção e desempe-
nham importante papel na qualidade dos pisos, quer seja na qualidade da junta for-
mada, como no nivelamento (FL) superficial, como será apresentado mais adiante.

Como as formas geralmente não estão sujeitas a esforços elevados, são bastante
simples d e ser executadas, e os perfis de aço laminados têm cumprido satisfato-
riamente as necessidades executivas; perfis dobrados, t a m b é m empregados, como
formas, apresentam bordas arredondadas, o que não favorece o acabamento.

Para os pisos protendidos, e m que o espaçamento dos cabos pode variar e m


função das dimensões das placas, tem sido mais c o m u m o emprego de fôrmas de
madeira, mais fáceis de adaptar as furações necessárias para passagem dos cabos,
bem como para a fixação das ancoragens.
Embora de execução e concepção simples, as fôrmas, tanto metálicas como de
madeira, devem atender aos seguintes requisitos mínimos de qualidade:

• devem ter linearidade superior a 3 mm em 5 m;

• devem ser rígidas o suficiente para suportar as pressões laterais produzidas


pelo concreto;

• devem ser estruturadas para suportar os equipamentos de adensamento do


tipo réguas vibratórias, quando essas são empregadas;

• devem ser leves, para permitir o manuseio sem o emprego de equipamentos


pesados, e práticas, para que a montagem seja rápida e simples;

• A altura deve ser ligeiramente inferior à espessura do piso;

• Devem possuir aberturas que permitam o posicionamento adequado das


barras de transferência, cuja tolerância de colocação é ± 25 mm no plano
horizontal e ± 12,5 mm no vertical e o diâmetro desses furos deve ser tal que
permita a retirada das formas sem que haja interferência com as barras de
transferência.

O sistema de fixação é feito com o emprego de pontas de ferro com diâmetro


de pelo menos 16 mm e cunhas de madeira, por meio de furos nas abas do perfil,
distanciados cerca de 50 cm. Na alma, são deixados os furos para a passagem das
barras de transferência.

As fôrmas de madeira, compostas por vigas de peroba ou de outra madeira simi-


lar, são facilmente manuseadas e trabalhadas e retificáveis. Por essas características,
são bastante empregadas para pisos com elevado grau de qualidade superficial.

Transporte, lançamento e adensamento do


concreto

9.5.1 Transporte do concreto


O transporte do concreto efetuado por caminhões betoneira deve ter seu
tempo de percurso controlado e compatível às características do concreto e às
condições climáticas, para não reduzir seu período de trabalho nas operações de
acabamento.

A operação deve ser conduzida de modo que a mistura e a homogeneidade do


concreto sejam mantidas, sendo necessário assegurar-se das boas condições mecâ-
nicas da betoneira, com facas de mistura adequadas e limpas.

Os caminhões deverão ser descarregados em ordem cronológica de carga, de


modo que o tempo de pega ocorra gradativamente na pista, na mesma ordem de
lançamento. O abatimento do concreto deve ser controlado para permitir o ajuste
fino da água, sem que haja perda na relação a/c estabelecida no estudo do traço.
Após a correção da água, deverão ser retiradas as amostras para elaboração dos
ensaios de concreto fresco - abatimento, ar incorporado, exsudação, teor de fibra
etc. - e para os ensaios no estado endurecido - resistências mecânicas, tenacidade,
retração por secagem etc.

9.5.2 Lançamento
Muitas operações subsequentes ao lançamento devem ser executadas de forma
seqüencial e dentro de um intervalo de tempo apropriado, nem muito cedo, nem
tarde (ACI, 2004), para garantir a qualidade final do piso. Para isso, é necessário que
o lançamento do concreto se processe na mesma seqüência cronológica da produ-
ção, isto é, do tempo e m que a água foi adicionada ao cimento.

O lançamento do concreto deve ser feito e m faixas onde um longo pano é con-
cretado e, posteriormente, as placas são cortadas, formando as juntas serradas,
que podem ser apenas transversais ou t a m b é m longitudinais, quando se emprega
equipamento do tipo Laser Screed, Figura 9.6, ou réguas vibratórias de dimensões
elevadas, o que permite a concretagem simultânea de grandes áreas. Concretagens
e m xadrez, onde as placas são alternadamente concretadas de forma isolada, não
devem ser permitidas.

Para pisos reforçados com fibras, geralmente é possível a descarga diretamente


no local da execução, uma vez que as interferências são mínimas, normalmente
apenas as barras de transferência, que podem ser posicionadas à medida que o
lançamento for executado.

Para os pisos protendidos, a operação mais simples é a com o lançamento por


meio de bombas, que permitem a concretagem sem interferir no posicionamento
dos cabos. No caso do concreto bombeado, a consistência deve ser avaliada à saída
do tubo de descarga, pois pode haver perda de abatimento, principalmente quando
há grandes distâncias de tubulação.

Em conjunto ao lançamento, há o espalhamento do concreto, que deve ser uni-


forme e em quantidade que, após o adensamento, pouco material sobre para ser
removido, facilitando os trabalhos com a régua vibratória.

9.5.3 Adensamento
As grandes áreas dos pisos aliadas às suas baixas espessuras sugerem que o
adensamento do concreto deva ser feito com o emprego de réguas vibratórias. Essa
operação é facilitada pela própria natureza do piso, que é desprovida de elementos
complicadores, como taxas elevadas de armação ou locais pouco acessíveis. Como
conseqüência, há raros exemplos de falhas em virtude do adensamento, que passa
a ser mais importante como elemento preliminar aos trabalhos de acabamento.

Os vibradores de imersão podem ser empregados em pisos, consorciados com


as réguas, apesar de haver restrições de ordem mecânica, uma vez que, em razão
das pequenas espessuras, a agulha acaba trabalhando praticamente na horizontal,
o que reduz a sua vida útil. Outro aspecto negativo é que a refrigeração do equipa-
mento é feita pelo próprio concreto, e, se o vibrador não trabalhar imerso, poderá
sofrer as conseqüências do aquecimento.

As réguas vibratórias são, conforme mencionado, bastante adequadas aos servi-


ços, dispondo-se de boa diversidade desses equipamentos importados e nacionais.
As mais adequadas são as produzidas com ligas leves, o que torna fácil o manuseio
do equipamento.

Acabamento superficial
Sem sombra de dúvida, a superfície do piso é onde se analisa, muitas vezes de
forma subjetiva e imediata, a qualidade da obra, uma vez que o aspecto final será
sempre visível para os usuários, sendo a principal fonte de medida do seu desempe-
nho, pois é ela que estará em contato com todas as ações solicitantes.

Embora seja possível separar os pisos de concreto em dois grandes grupos 1 (Ro-
drigues, 2006), os de camada única, em que o próprio concreto da laje funciona
como revestimento, e os com revestimento de argamassa de alta resistência, que
estão praticamente em desuso e hoje são mais utilizados com finalidade estética do
que técnica.

Para ambos, as operações de acabamento são similares, e podem ser sumari-


zadas como na Figura 9.7, onde são mencionadas as diversas operações descritas
neste capítulo. Como a maior parte da tecnologia executiva foi desenvolvida nos
últimos 15 anos na América do Norte, muito dos termos técnicos aqui emprega-
dos são ingleses, os quais acabaram se popularizando no nosso meio técnico.

1 Há também os pisos com revestimentos poliméricos que não são abordados neste trabalho.
Sarrafeamento

Operações de
acabamento (ACI, "Float"
20041.
Rodo de corte

Há aspersão de
agregado ou colorida?

Agregado mineral Agregado metálico ou


aspersão colorida

Primeira aplicação
(2/3 do total) 'Float" de madeira

Rodo de corte/embebimento Aguardar


das partículas Aguardar

Float mecânico (discão)


Aguardar

Primeira aplicação
'Float" mecânico (discão) (2/3 do total)

Segunda aplicação Roda de corte/embebimento


(1/3 do total) das partículas

Rodo de corte "Float" mecânico (discão)

Segunda aplicação
(1/3 do total)

"Float" mecânico

Rodo de corte

Desempenc mecânico
(várias ap icações)
Nota: Linhas pontilhadas são
opcionais e podem ser incluídas
como parte das operações de
acabamento. O rodo de corte é
recomendado para incrementar
a planicidade.

9.6.1 Principais ferramentas utilizadas no acabamento


do piso
oiso

Ferramentas para adensamento


Os vibradores de imersão e os de superfície são as ferramentas utilizadas para
adensamento; os primeiros são empregados principalmente no adensamento
próximo às formas, com diâmetro de agulha de 25 m m ou 32 mm. Os de superfície
são equipamentos dotados de sistema de vibração externa, normalmente como as
réguas vibratórias, que t a m b é m contam com uma segunda utilidade, como será vis-
to mais adiante, que é o corte do concreto (strikeoff).

Há, além das réguas, vibradores de superfície leves, denominados vibro-strake, ma-
nipulados por um único operador, que deve necessariamente ser empregado consor-
ciado com vibradores de imersão, uma vez que sua potência não permite seu emprego
isolado, exceto em pequenas espessuras de concretagem - entre 5 cm e 10 cm.

Finalmente, a Laser Screed, além de ser um equipamento de espalhamento do


concreto, t a m b é m é d e adensamento superficial e nivelamento.

Ferramentas de nivelamento do concreto


O nivelamento (screeding) consiste na remoção do excesso de concreto lançado,
após a sua vibração. Pode ser efetuado manualmente, empregando-se réguas metá-
licas, como as de alumínio ou magnésio, e formas como guias dessa operação.

Pode ser feita também mecanicamente, função cumprida pelas réguas vibratórias
- sendo as mais eficientes as de viga treliçada dupla com sistema de vibração interno
a elas - e também pela Laser Screed, além dos rolos vibratórios de concretagem (roller
screed), pouco empregados no Brasil. Em pisos de precisão, o corte manual com as
réguas de alumínio é sempre efetuado após a passagem da régua vibratória.

Há ainda nesse grupo uma das mais importantes ferramentas denominada rodo
de corte. É constituído por uma régua de alumínio ou magnésio, de três metros de
comprimento, fixada a um cabo com dispositivo que permita a sua mudança de ân-
gulo, fazendo com que o " r o d o " possa cortar o concreto quando vai e volta, sendo
empregado transversalmente ou a 4 5 ° do sentido de concretagem.

Ferramentas para desempeno e alisamento do concreto


Desempeno do concreto - ou floating - consiste nas operações de consolidação
e compactação da superfície do concreto, como preparo para as operações finais
de acabamento, iniciando-se imediatamente após o corte do concreto, antes que
ocorra a exsudação (ACI, 2004), denominado desempeno inicial. Pode ser aplicado
posteriormente, como desempeno secundário, ao término da exsudação, preparan-
do a superfície para o alisamento final.
A mais comum das ferramentas dc floating c o buli float, constituído por peça
plana, com largura de aproximadamente 200 m m e comprimento até 3 m, dotado
de cabo longo de modo que pode ser operado lateralmente à pista de ccncretagem,
podendo ser metálica - alumínio ou magnésio - ou de madeira, sendo esta mais ade-
quada quando as operações de desempeno não permitem o selamento superficial.

As acabadoras mecânicas - simples ou duplas - são empregadas no desempeno


secundário, para recompactar a superfície do concreto, eliminando vazios deixados
pela passagem da água ou do ar durante o período de exsudação. Atualmente, são
preferidos os equipamentos dotados de discos planos, e m vez do conjunto de qua-
tro pás de 250 m m de largura, pois permitem melhor nivelamento superficial com
reflexo no aumento dos F-Numbers.
Esses equipamentos mecânicos são empregados também nas operações finais de
acabamento, denominadas alisamento final, que dão ao piso aspecto vítreo. Para essa
operação, as acabadoras são dotadas de pás com até 200 m m de largura, que podem
ser inclinadas gradativamente, aumentando a pressão de contato e recuzindo a poro-
sidade superficial e consequentemente incrementando a resistência à abrasâo.

Ferramentas complementares
Além das ferramentas principais citadas, há outras complementares, emprega-
das principalmente no tratamento das bordas do piso, que são praticamente ver-
sões reduzidas das descritas nos itens anteriores, quase sempre manuais.
Como exemplo, há pequenas réguas de alumínio, com cerca de um metro de com-
primento, bullfloats também com cerca de 1 m e desempenadeiras manuais, que su-
prem parcialmente o uso das mecânicas, próximas às bordas e outras interferências.

9.6.2 Regularização do concreto


A regularização da superfície do concreto é fundamental para a obtenção de
um piso com bom desempenho e m termos de planicidade. Essa operação, embora
aparentemente simples, precisa ser executada com esmero e habilidade.
A passagem dos equipamentos de vibração superficial deixa ondulações na su-
perfície do concreto, que precisam ser reduzidas ou eliminadas, dependendo da
precisão final desejada. A primeira ferramenta empregada é a régua metálica, que
usa as formas como guias, sarrafeando o concreto.
Em seguida, emprega-se o rodo de corte, que deve ser aplicado nc sentido trans-
versal ou a 4 5 ° da direção d e concretagem, Figura 9.8, após o emprego do buli float.
Seu uso reduzirá consideravelmente as ondas que a régua vibratória e o sarrafea-
mento deixaram; deve ser aplicado t a m b é m após o primeiro desempeno mecânico,
permitindo o incremento da planicidade.

• FIGURA 9.8

Operação com o
rodo de corte.

Nos pisos com fibras, as operações com o rolo de corte devem ser conduzidas
c o m atenção para controlar o aparecimento d e fibras na superfície.
9.6.3 Desempeno mecânico do concreto
O desempeno mecânico do concreto [floating), Figura 9.9, é executado com a
finalidade de embeber as partículas dos agregados na pasta de cimento, remover
protuberâncias e vales e promover o adensamento superficial do concreto.

Para a sua execução, a superfície deverá estar suficientemente rígida e livre da


água superficial de exsudação. A operação mecânica pode ser executada quando o
concreto suportar o peso de uma pessoa, deixando uma marca entre 2 e 4 m m de
profundidade.

Os equipamentos empregados são geralmente as acabadoras de superfície, sim-


ples ou duplas, com diâmetro entre 90 e 120 cm, acopladas c o m discos de acaba-
mento ou pás, acionados por motor a explosão.

O desempeno deve ser executado com planejamento, de modo que garanta a


qualidade da tarefa. Ele deve ser sempre ortogonal à direção da régua vibratória ou
do sarrafeamento e deve obedecer sempre à mesma direção. Cada passada deve
sobrepor-se e m 5 0 % à anterior.

• FIGURA 9.9

Operação com
acabadora
mecânica.

9.6.4 Alisamento superficial


O alisamento superficial ou desempeno fino (troweling) é executado após o de-
sempeno, para produzir uma superfície densa, lisa e dura. Normalmente, são neces-
sárias duas ou mais operações para garantir o resultado final, que darão tempo para
que o concreto possa gradativamente enrijecer.

O equipamento é o mesmo empregado no desempeno mecânico, com a diferen-


ça de que as lâminas são mais finas, c o m cerca de 150 m m de largura. O alisamento
deve iniciar-se na mesma direção do desempeno, mas a segunda passada deve ser
transversal a essa, alternando-se nas operações seguintes.
Na primeira passada, a lâmina deve estar absolutamente plana e, de preferên-
cia, já ter sido utilizada, possuir os bordos arredondados; nas següntes, deve-se
aumentar gradativamente o ângulo de inclinação, de modo que aumente a pressão
de contato à medida que o concreto vai ganhando resistência.

9.7 Cura do concreto


A cura visa manter as condições adequadas para a hidratação do cimento e é o
procedimento executivo que mais altera a qualidade do piso, caso não seja execu
tado de maneira correta, o que pode afetar não somente o ganho de resistência
notadamente a superficial, mas também, e principalmente, a retração do concreto
A análise da Figura 9.10 esclarece a importância da cura em que um mesmo con
creto é submetido a três tratamentos distintos nas primeiras 12 horas: cura úmida
cura seca, sem vento (superfície protegida), e cura com vento (2,5 m/s) (Holt, 2000).

FIGURA 9.10
Vento_____— —"
Influência da cura
inicial na retração 3-
do concreto.
o
<
io y/
o-
2 -

1 1 1 1 i i i i
4 0 12 1 14 20 42 56
(horas) (Tempo) (dias)

O concreto curado úmido permanece sem alterações de volume nas primeiras


24 horas, começando a retrair a partir de sete dias, considerando-se que a retração
indicada é a que ocorre naturalmente, denominada retração por secagem.
Já no de cura seca, nota-se uma retração nas primeiras 12 horas, denominada
retração a baixas idades, que, uma vez estabelecida, segue a curva do concreto com
cura úmida até as idades mais avançadas, concluindo-se que o efeito da falta de
cura afeta a retração somente nas primeiras horas.

Para o submetido ao vento, observa-se um aumento descomunal na retração a


baixas idades, mas há também um aumento na retração nas idades mais avançadas.
O resultado final da retração é aproximadamente dez vezes maior que do concreto
curado úmido nas primeiras doze horas.

Esse experimento (HOLT, 2000) deixa claro que a cura do concreto deve ser feita
em duas fases: cura inicial e cura complementar, e que a primeira tem caráter mais
importante do que a segunda. A razão disso é que nas primeiras idades, menos de
12 horas, o concreto é muito permeável. À medida que vai ganhando resistência, a
redução da permeabilidade vai fazendo com que ele perca pouca água, tornando-se
praticamente autocurável.

9.7.1 Cura inicial


A cura inicial é executada imediatamente às operações de lançamento e aden-
samento do concreto. É no seu período que há maior influência dos fenômenos de
superfície e, diferentemente das estruturas, assume papel fundamental nos pisos.

Como manter a umidade ou, mais propriamente, evitar a evaporação da água de


amassamento, sem prejudicar ou danificar a superfície do piso é freqüentemente um
exercício de criatividade e dedicação do construtor, pois os procedimentos muitas vezes
têm de principiar após o adensamento, para evitar a ação do vento e da insolação.

Hoje, estão disponíveis no mercado produtos de cura inicial, que formam um


filme frágil na superfície, capaz de reduzira evaporação somente por poucas horas,
sendo facilmente degradado pela alcalinidade do meio, mas o suficiente para prote-
ger o concreto no período mais frágil da sua vida. Podem ser reaplicados quando as
condições ambientais forem adversas, mas evitando a aplicação próxima da fase de
acabamento, quando há possibilidade de manchamento do concreto (ACI, 2004).

Outros procedimentos, como a nebulização de água no ambiente para aumentar


a umidade relativa do ar ou repor água superficial, cobrir a superfície com plástico
transparente para evitar a evaporação da água, criar barreiras contra a ação do ven-
to, são t a m b é m consideradas ações válidas para garantir a cura inicial do concreto.

9.7.2 Cura complementar


Após o acabamento final, quando a superfície não é tão frágil, isto é, já se en-
contra a meio caminho do fim de pega, pode-se empregar meios diretos, como a
aplicação de membranas de cura, filmes plásticos e outros meios, que poderão se
estender até o período final da cura.

As membranas de cura - t a m b é m denominadas curo químico - sâo bastante


utilizadas, principalmente em áreas externas, e m razão fundamentalmente da faci-
lidade de aplicação, aliada às baixas probabilidades de danos à superfície. São base
de polímeros, PVA, acrílico, SBR etc., e podem empregar água ou outro solvente
orgânico, aliados ou não a um corante, que, após a secagem, formam n3 superfície
um filme impermeável.

A vantagem das membranas de cura é o custo próximo à cura convencional, ga-


rantia de uma cura sem necessidade de monitoramento excessivo do processo e a
possibilidade de uma cura ininterrupta. Os pontos negativos são a falta de garantia
de uniformidade de aplicação, que acaba dependendo muito do fator humano, e a
necessidade de remoção quando da aplicação de revestimentos no piso.

Atualmente, no mercado existem disponíveis alguns produtos auxiliares de cura,


que não formam película e freqüentemente são confundidos com a cura química
tradicional. Na realidade, esses produtos são eficientes apenas em ambientes inter-
nos, quando não há presença de vento.
Os filmes plásticos, transparentes ou opacos são instrumentos eficientes de cura,
mas que exigem maior cuidado com a superfície, uma vez que podem danificá-la na
sua colocação; além disso, por não ficarem firmemente aderidos ao concreto, formam
uma câmara de vapor que, ao se condensar, pode provocar manchas no concreto,
principalmente se ele for colorido.

A cura complementar deve prolongar-se até que o concreto tenha alcançado pelo
menos 75% da sua resistência final, quando então a sua baixa permeabilidade garan-
tirá por si própria a manutenção da umidade para a completa hidratação do cimento.

Da mesma maneira que a cura inicial, a cura complementar está condicionada


às condições atmosféricas, como calor, ventos e principalmente umidade relativa
do ar. Vale observar que em dias frios a evaporação da água pode dar-se com mais
facilidade por causa de ventos fortes e baixos valores de umidade relativa; por esse
motivo, os três parâmetros devem ser sempre analisados conjuntamente.

Convencionalmente, no Brasil emprega-se o sistema de corte úmido, que per-


mite o corte em profundidades elevadas, até 30 cm, mais do que é normalmente
requerido em projeto, que é de um terço da espessura da placa para o concreto
reforçado com fibras de aço.
Apenas recentemente tem surgido em nosso meio um equipamento de corte que
permite o chamado corte verde, em idades inferiores ao concreto convencional, po-
dendo ser efetuado imediatamente após o acabamento, graças ao sistema de disco de
corte e dispositivos que contornam problemas de esborcinamento das juntas.

Como há, nesse momento, pouca experiência no assunto, é recomendável ana-


lisar o comportamento desse equipamento no concreto com fibras porque, princi-
palmente, a profundidade de corte é pequena, inferior a 30 mm.

As juntas serradas devem ser cortadas assim que o concreto tenha resistência su-
ficiente para ser cortado sem que haja esborcinamento. O tempo em que isso ocorre
é bastante variável, dependendo do tipo do concreto, velocidade de hidratação do
cimento e da temperatura ambiente, mas normalmente se dá entre 12 e 18 horas.

A programação do corte deve ser feita de modo que as operações sejam cro-
nologicamente consistentes com o lançamento, observando-se que concretos lan-
çados nos horários mais quentes do dia deverão ter idade de corte menor do que
aqueles lançados no começo da manhã.

Execução da protensão
Para posicionamento dos cabos, recomenda-se que sejam seguidas as recomen-
dações constantes na publicação Manual para a Boa Execução de Estruturas Pro-
tendidas Usando Cordoalhas Engraxadas e Plastificadas (Cauduro, s/d), onde estão
disponíveis informações bastante úteis, como armaduras mínimas de fretagem, des-
vios angulares dos cabos, procedimentos para aberturas etc.
Para as operações de protensão, essa deve ser conduzida de acordo com o es-
pecificado em projeto, mas geralmente é efetuada em duas etapas: a p-imeira, em
que é aplicada uma pequena parte da força final do cabo, entre 15% e 30% e tem a
finalidade de evitar a fissuração inicial, sendo executada aproximadamente no mes-
mo tempo em que, no piso convencional, são cortadas as juntas; o concreto deve
ter uma resistência mínima, em torno de 8 e 12 MPa.

A segunda etapa, que corresponde à conclusão da operação de alongamento, é


efetuada quando o concreto apresenta resistência suficiente para suportar a tensão
que será introduzida pelas ancoragens. O valor deve ser especificado em projeto e
geralmente é da ordem de 20 MPa.

Como procedimento-padrão, a medida da força de protensão é efetuada pe-


los dispositivos disponíveis no equipamento, geralmente um manômetro calibrado,
que informa a pressão do óleo, que multiplicada pela área do cilindro do macaco,
indica a força atuante.

Entretanto, essa operação deve ser controlada por outro meio auxiliar, pois a
verificação da tensão só pode ser feita quando o macaco está sendo acicnado e não
mede perdas posteriores, como aquelas causadas pelo escorregamentoda cordoa-
Iha nas cunhas.

Um procedimento bastante eficiente é o do controle de alongamento (RODRI-


GUES, 1989), em que é feita a medida do alongamento total da cordoalha. Inicial-
mente, na extremidade do cabo onde o macaco é instalado, coloca-se uma marca
na cordoalha, medindo-se sua distância até um ponto fixo, como a face da placa de
concreto (/,•) e, após a protensão, mede-se a nova distância ao mesmo ponto fixo (lf);
a força de protensão atuante é dada pela expressão:

(9.1,
P L

Onde Fpé a força de protensão em N, E é o módulo de elasticidade da cordoalha


(N/mm 2 ou MPa), a é a área da cordoalha, em mm 2 , /^e /,- as medidas de referência,
em metros, como explicadas no parágrafo anterior e L é o comprimento efetivo do
cabo, em metros, ou seja, a distância entre as ancoragens.

Uma vez encerrada a protensão e os resultados de alongamento dos cabos forem


aprovados pelo projetista, o excesso do comprimento dos cabos deverá ser cortado
e o nicho das cordoalhas adequadamente protegido com argamassa de cimento e
areia ou grautes apropriados, sendo vedado o emprego de produtos aceleradores
de pega, que contenham cloretos ou outros produtos nocivos ou catai sadores do
processo de corrosão eletrolítica.

Conceito de planicidade e nivelamento


Nas últimas duas décadas os processos executivos dos pisos industriais evolu-
íram de maneira muito mais rápida do que as outras tecnologias voltadas ao con-
creto e o motivador dessas mudanças foi o surgimento de um sistema de medição
superficial que eliminou o empirismo dos tradicionais métodos de controle de pla-
nicidade que empregavam medições com réguas apoiadas sobre a superfície, para
avaliar as ondulações.

Esse processo, denominado F-Number (ASTM, 1986; ACI, 1989), écomposto por
dois índices, a planicidade ( F f ) e o nivelamento (FL), que m e d e m de forma objetiva
a qualidade superficial do piso. O nivelamento é a relativa conformidade da super-
fície com o plano horizontal, ou mesmo um plano inclinado previamente definido
e m projeto; ambos são números adimensionais e, quanto mais elevados, melhor é
a qualidade superficial.

A planicidade está relacionada às ondulações do piso; imaginanco-se que a su-


perfície seja uma onda, a planicidade estará ligada à sua amplitude e freqüência. É
um parâmetro muito importante quando se tem equipamentos que circulam sobre
o piso, pois ele é indicativo da presença d e vibrações, tanto no equipamento como
no piso, podendo até gerar aumento nos esforços de dimensionamento por conta
da ação dinâmica.

O nivelamento vai influenciar principalmente os sistemas de armazenagem do


tipo porta paletes, devendo ser maior quando a altura de estocagem cresce. Embo-
ra criados inicialmente para o controle de pisos industriais, sua simplicidade e efici-
ência estendeu seu uso para pisos comerciais e residenciais. A Figura 9.11 apresenta
uma visão dos F-Numbers para diversas utilizações, enquanto a Tabela 9.1 apresen-
ta de forma resumida valores típicos para alguns tipos de piso.

FIGURA 9.11 Ff/FI : GUIA DE UTILIZAÇÃO

Uso dos índices Fpe


100
A
FL (ACI, 2004).

90

80
Superplanos
70 —

60

50
> Tri
40 1
- R ave stinlen to 3r tmpllh adt ira s
30
—«- uarpeie
i i i
20
í Outros não-críticos

10

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

NIVELAMENTO Fl
• TABELA 9.3 Plonicidade Nivelamento Descrição do uso
Valores típicos para
Nòo-criíico: solos mecânicos, óreos restritos oo público, contropisos paro pisos eleva-
alguns tipos de 20 15
dos, contropisos poro aplicação de revestimento com sistemos argomcssodos.
utilização (adaptado
de ACI, 2004). Áreos ocorpetodos, estacionomentos e óreos de circulação com velocidades boixos.
25 20

Centros de distribuição com tráfego moderado a elevodo; óreos poro Aplicação de


35 25 revestimentos colodos sobre o concreto ou revestimentos polimérkos du pinturos;
óreos portuários com tráfego elevado de equipomentos de movimentoção de corgo.

Áreos com tráfego de veículos sobre colchão de or, tráfego de equipomentos com fio
45 35
indutivo ou similar, pisos de ginásios esportivos

>50 >50 Tráfego de empilhadeiras do tipo triloterois; estúdios de televisão.


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ArcelorMittal sabe onde pisa.

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tecnológicas obtidas com a
constante atualização do au-
tor, visto que a tecnologia dos
materiais compósitos, como
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to reforçado c o n fibras, cresce
a passos largos em todos os
centros de excelência ao redor
do mundo. Nele estão inseridos
conceitos importantes da Ciên-
cia dos Materiais, tema ainda
pouco explorado no âmbito da
engenharia civil, mas que é o
vetor do crescimento tecnoló-
gico não só do concreto, mas
também da ampla gama de pro-
dutos químicos e fibras estrutu-
rais, que permitem ao concreto
atingir o nível ds desempenho
que as solicitações industriais e
de logística tem exigido. Abor-
da a disciplina pisos industriais
com visão sistêmica, na qual
cada componente do sistema,
tais como fundação, sub-base,
base e placa de concreto, tra-
balham de forma conjunta e
que cada um deles apresenta
limites de serventias que preci-
sam ser respeitados. Somente
desta forma será possível a ob-
tenção de um piso funcional e
durável.
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sta publicação visa dar uma contribuição aos profissionais
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dos c o m fibras e concreto protendido. A m b a s as soluções têm
ocupado seus e s p a ç o s no mercado e merecem tratamentos téc-
nicos adequados para que o objetivo de bem atender aos clientes
seja alcançado plenamente. O autor abordou todos os aspectos
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vidas relativas ao processo de especificação e execução. Para
torná-la mais abrangente, segue anexo arquivo eletrônico dispo-
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manual publicado sobre pisos de concreto armado.

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