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1) Cabe ao Estado, profissionais de saúde e de diferentes setores (jurídico,

assistência social, cultura e outros), movimentos sociais e população se envolverem no


cuidado e na proteção das pessoas do campo da atenção em saúde mental?

Durante muito tempo o indivíduo com transtornos mentais foi considerado um


estorvo para sua família e sociedade sendo muitas vezes ignorado e banido do meio
social.

Ainda hoje, mesmo com vários avanços e após a luta de grupos organizados em
favor dos direitos dessas pessoas, há um grande preconceito e muitos ainda acreditam
que elas são incapazes de serem reinseridas na sociedade. São estigmatizadas de
forma negativa acarretando pior qualidade de vida e assistência.

O estigma é uma grande barreira para as pessoas que sofrem de transtornos


mentais e afeta não só o indivíduo, mas sua família e todo seu círculo social. A palavra
estigma vem do grego stígma, que significa picada, marca feita com ferro em brasa,
sinal, tatuagem ( Houaiss,2009).

Esse pensamento arcaico e limitado deve ser fortemente combatido e é


reponsabilidade de todos construirem uma outra mentalidade. O estigma está
fortemente relacionado ao preconceito e á discriminação que mina as possibilidades
das pessoas com transtornos mentais, seus familiares e toda uma rede de profissionais
envolvidos na recuperação e reabilitação do paciente de obterem sucesso na busca por
uma vida com mais respeito e oportunidades.

A informação e o conhecimento são importantes ferramentas para abordar e


tentar reduzir a estigmatização contra as pessoas com transtornos mentais que estão
na condição de doença mental e sofrimento psíquico, primeiro de tudo, é através da
disseminação correta de informações a respeito desse tema. E um meio diverso o qual
apresenta grande palco na atualidade para discussão consciente, são nas
Universidades.
De acordo com a Lei 10.216/2001 no seu art. 3º "É responsabilidade do Estado
o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção de ações
de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da
sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental,
assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos
portadores de transtornos mentais".

Dessa forma, fica claro que a responsabilidade de se envolver no cuidado e na


proteção das pessoas no campo da atenção em saúde mental deve ser compartilhada
com todos os setores da sociedade. Não sendo responsabilidade apenas da família ou
do Estado, mas de todos, desde um único cidadão até grupos organizados.

É importante ressaltar que os transtornos mentais compreendem um variado


grupo de alterações mentais com apresentações diferentes, demandando estratégias
distintas de manejo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) "Saúde mental refere-se a um


bem estar no qual o indivíduo desenvolve suas habilidades pessoais, consegue lidar
com os estresses da vida, trabalha de forma produtiva e encontra-se apto a dar sua
contribuição para sua comunidade". Diferente do senso comum que considera que a
ausência da saúde mental está relacionada apenas aos indíviduos que por algum
motivo perderam a razão e não seguem padrões a definição é muito mais ampla e
reflete a capacidade dos indíviduos lidarem com frustrações e fracasso de forma mais
natural e saudável possível, por exemplo.

E ainda de acordo com a Lei 10.216/2001 “o tratamento visará, como finalidade


permanente, a reinserção social do paciente em seu meio”.

O indivíduo com transtornos mentais deve ter um tratamento que proporcione o


convívio com seus pares e que os capacite a desenvolver habilidades a fim de que se
sintam produtivos e importantes no contexto em que está inserido. Fazendo-se
essencial a responsabilidade dos próximos com o acolhimento adequado e apoio
necessário com respeito às limitações e incentivos ás habilidades demonstradas.

Porém, estudos demonstram que elas podem ser reinseridas em seus ambientes
familiares e na sociedade sendo capazes de desenvolverem as mais diferentes
atividades.

acometida de transtorno mental

Atualmente, apesar de ainda não ter alcançado o nível de

Art. 3o

Art. 4o A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-
hospitalares se mostrarem insuficientes.

§ 1o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.

mentaisA estigmatização do indíviduo doente mental Uma maneira de abordar e tentar


reduzir a estigmatização contra pessoas que estão na condição de doença mental e sofrimento
psíquico, primeiro de tudo, é através da disseminação correta de informações a respeito desse
tema. E um meio diverso o qual apresenta grande palco na atualidade para discussão consciente,
são nas Universidades.

Espera-se que os espaços de produção do saber, especialmente os ambientes universitários,


estejam suscitando debates em torno dessa problemática, na busca de meios para solucioná-la,
com ações que envolvam não somente as comunidades às quais alunos e docentes freqüentam,
por ocasião das práticas oriundas das disciplinas curriculares dos cursos da área de saúde, mas,
também, no interior do ambiente acadêmico, junto aos estudantes, professores e servidores, haja
vista que, onde houver relacionamentos interpessoais, necessário se faz repensar conceitos e
valores e ressignificar práticas. (CÂNDIDO et al).

Por fim, a promoção da comunicação entre esses pacientes e seus familiares, além de
ampliação de serviços que ofereçam suporte e apoio, como programas que realizem debates a
respeito do estigma e a quebra dessa barreira nos indivíduos que sofrem com isso, pode ajudar na
inclusão social, prática da saúde mental e auto-aceitação, e esse conjunto de fatores podem,
inclusive, ajudar na melhora do quadro desses pacientes, como um todo.

Referências

Houaiss A, Villar MS, Fraco FMM. Dicionário Houaiss Eletrônico da Língua Portuguesa
[CD-ROM]. Rio de Janeiro: Editora Objetiva; 2009.

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