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ATERRAMENTO

ELÉTRICO PARTE III


Alexandre Capelli

ATERRAMENTO NA COMUNICA-
Finalizando o tema “Aterramento Elétrico”, este capítulo fará as ÇÃO SERIAL RS 232
considerações finais sobre o assunto abordando agora os aspec-
Os sistemas de comunicações
tos eletrônicos. Veremos como o aterramento pode influenciar nos seriais como RS 232 são especial-
diversos circuitos eletrônicos e, entre eles, na própria comunica- mente sensíveis à EMI. A RS 232 uti-
ção RS 232. liza o terra dos sistemas comunicantes
como referência para os sinais de
Estudaremos também um pouco sobre EMI, visto que seu efeito transmissão ( TX ) e recepção ( RX ).
depende em parte da qualidade do aterramento elétrico. Além dis- Caso haja diferenças de potenciais
so, para quem deseja aprofundar-se um pouco mais, segue um entre esses terras, a comunicação
poderá ser quebrada. Isso ocorre
pequeno formulário sobre aterramento elétrico. quando o terra utilizado como referên-
cia não está dentro do valor ideal (me-
nor ou igual a 10 Ω), portanto o fio ter-
EMI (Eletromagnetic Interference) Podemos perceber a EMI em rá- ra serve como uma “antena” receptora
dios AM colocados próximos a reato- de EMI. Notem, pela figura 1, o dia-
Qualquer condutor de eletricidade res eletrônicos de lâmpadas fluores- grama simplificado do fenômeno.
ao ser percorrido por uma corrente centes, principalmente nas estações Isso significa que o mau aterra-
elétrica, gera ao seu redor um campo acima dos 1000 KHz. Uma das técni- mento é uma “porta aberta” para que
eletromagnético. Dependendo da fre- cas para atenuar a EMI é justamente os ruídos elétricos (tais como EMI)
qüência e intensidade da corrente elé- um bom aterramento elétrico, como entrem no circuito , e causem um fun-
trica, esse campo pode ser maior ou veremos a seguir. cionamento anormal na máquina .
menor. Quando sua intensidade ultra-
passa determinados valores, ela pode
começar a interferir nos outros circui-
tos próximos a ele. Esse fenômeno é
a EMI.
Na verdade, os efeitos da EMI co-
meçaram a ser sentidos na 2º Guerra
Mundial.
As explosões das duas bombas
atômicas sobre o Japão irradiaram
campos eletromagnéticos tão inten-
sos, que as comunicações de rádio na
região ficaram comprometidas por
várias semanas. Atualmente, os circui-
tos chaveados (fontes de alimentação,
inversores de freqüência, reatores ele-
trônicos, etc. ) são os principais gera-
dores de EMI. O “chaveamento” dos
transistores (PWM) em freqüências de
2 a 30 kHz geram interferências que
podem provocar o mau funcionamen-
to de outros circuitos próximos, tais
como CPUs, e dispositivos de comu-
nicação (principalmente RS 232).

10 SABER ELETRÔNICA Nº 331/AGOSTO/2000


BLINDAGEM ATERRADA sicas, que podem ser úteis para um d)Determinação da janela da malha
cálculo prévio à instalação do
D
Outra técnica para imunizar – se aterramento elétrico. D=C/20f
os ruídos elétricos é o aterramento das
D
blindagens. O leitor poderá perceber a) Resistência de uma haste
que todos os circuitos chaveados (fon-
tes de alimentação, inversores, etc.), Rhaste = ρa ln( 4L/d) Ω.
na sua maioria, possuem sua caixa de 2πL Onde : C = velocidade da luz =
montagem feita de metal. Essa técni- onde : 300.000.000 m/s.
ca é a blindagem, que também é ρa = resistividade do solo (Ω.m.) f = freqüência (Hz).
fabricada em alguns cabos através da L = comprimento da haste (m) , e D = janela da malha (m) .
malha (“shield”). Na verdade, fisica- d= diâmetro da haste (m).
mente, essa blindagem é uma gaiola CONCLUSÃO
de Faraday. A gaiola de Faraday não
permite que cargas elétricas penetrem b) Resistência equivalente à asso- Com estas “dicas” finais, somadas
(ou saiam) do ambiente em que estão ciação de hastes em paralelo às técnicas de aterramento exploradas
confinadas. Ela torna – se ainda mais nos dois artigos anteriores, acredita-
eficiente quando aterrada. O próprio Req= K. Rhaste mos que o leitor já esteja preparado
PC possui sua carcaça metálica, e li- Onde : para analisar o sistema de aterramen-
gada ao terminal terra. Quando não Req = resistência equivalente (Ω). to da sua empresa. Fazer uma “checa-
aterramos a carcaça de qualquer equi- Rhaste =resistência das hastes (Ω). gem” completa do sistema de aterra-
pamento, comprometemos não so- K = fator de redução (depende do solo, mento é extremamente “saudável”
mente a segurança do usuário, como e geometria da haste). para os diversos equipamentos da ins-
também contribuímos para a propaga- talação. Nunca se esqueçam, porém,
ção de EMI . que todo o trabalho em baixa tensão
c) Resistência da malha de deve ser feito obedecendo às normas
aterramento técnicas descritas pela NBR 5410.
TERRA COMPARTILHADO Oportunamente voltaremos a abor-
R = (ρa/4) . π/ Amalha dar este tema "Aterramento" e pedi-
Devemos evitar ao máximo a liga- Onde : mos a todos os leitores que enviem
ção de muitas máquinas em um mes- R = resistência da malha (Ω). suas críticas referentes aos artigos já
mo fio terra. Quanto maior for o nú- ρa = resistividade do solo ( Ω . m ). publicados, e sugestões para próxi-
mero de sistemas compartilhados no A = área da malha (m2). mos assuntos a serem abordados. n
mesmo terra, maiores serão as
chances de um equipamento interfe-
rir no outro (figura 2 ).
Isso ocorre porque as amplitudes
dos ruídos podem se somar e ultra-
passar a capacidade de absorção do
terra. Obviamente esse problema sur-
ge com maior freqüência para um fio
terra que não tenha uma boa resis-
tência de aterramento. Para as máqui-
nas que possuem seu terra tratado
quimicamente, ele não deve ser com-
partilhado com outras. Cabe lembrar
que o tratamento químico , ao longo
do tempo, perde sua eficiência .

FORMULÁRIO

Até agora abordamos o aterramen-


to elétrico de uma forma genérica e
prática. Como já dissemos anterior-
mente, este assunto é bastante vasto
e complexo. O estudo profundo do
aterramento envolve um número mui-
to grande de fórmulas um tanto quan-
to complicadas. De qualquer modo ,
seguem abaixo algumas fórmulas bá-

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