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INSTALAÇÕES

ELETRICAS DE
BAIXA TENSAÕ
EM AREAS
MÕLHADAS
Este E-book da Abracopel Regional – Mato Grosso tem por objetivo
apresentar características de instalação e execução de serviços de
instalações elétricas de baixa tensão em áreas molhadas.
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS
Sumário

Apresentação ................................................................................................................. 3

Características de instalação em áreas molhadas ......................................................... 3

Instalações elétrica em banheiros ou similares........................................................... 13

Serviços em instalações elétricas de baixa tensão em áreas molhadas ..................... 18

Referências .................................................................................................................. 20

Autores......................................................................................................................... 21

1
ÍNDICE DE FIGURAS E TABELAS

Figura 1 - Interruptor com proteção externa .....................................................6


Figura 2 - Caixa de passagem de concreto no solo .........................................9
Figura 3 - Conexão mini-circular para conexão linear tipo “I” IP68 / IP69K ....11
Figura 4 - Figura 16 (pág. 179 NBR 5410) — Dimensões dos volumes –
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

Banheira .........................................................................................................14
Figura 5 - Prensa cabos INNOV M16 D4-7.5 BLACK IP68 ............................18

Tabela 1 - Tabela 4 (pág. 22 NBR 5410) — Presença de água .......................8


Tabela 2 - Tabela 32 (pág. 86 NBR 5410) — Características dos
componentes da instalação em função das influências externas ...................10
MOLHADAS

Tabela 3 - Tabela 34 (pág. 104 NBR 5410) — Seleção e instalação de linhas


elétricas em função das influências externas .................................................12
Tabela 4 - Prescrições a 9.1.4.4 ....................................................................15
Tabela 5 - Tabela 3 (pág. 20 NBR IEC 60529) – Graus de proteção contra o
ingresso d’água indicados pelo ......................................................................16

2
Apresentação

Ao pensar em instalações elétricas de baixa tensão em áreas molhadas é

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


comum relacionar este tema com instalações em banheiros ou piscinas,
tratados na ABNT NBR 5410 como volumes 0, 1, 2 e 3. Entretanto estas não
são as únicas condições em que este tema deve ser observado. Em se
tratando de execução de serviços em áreas molhadas, à primeira vista pode
parecer que tanto a Norma Regulamentadora No. 10 (NR 10) quanto a ABNT
NBR 16384 não tratam especificamente deste assunto, mas ao observar
atentamente suas prescrições é possível identificar parâmetros de segurança
para estes trabalhos.
Este E-book tem como objetivo apresentar características de instalação e
execução de serviços em instalações elétricas de baixa tensão em áreas
molhadas, baseado nas normas vigentes.

Características de instalação em áreas molhadas

Ao tratar de qualquer assunto relacionado com instalações elétricas de baixa


tensão é imprescindível a consulta às prescrições da ABNT NBR 5410 e as
normas complementares por ela referenciadas. Este artigo foi baseado na
versão de 2004 com as correções de 2008 e se refere a ela apenas como
norma.
Itens da norma, necessários ao entendimento do conteúdo do presente
trabalho, estão descritos em itálico com os itens e subitens de referência.
Antes de iniciar, é necessário entender o objetivo da norma de instalações
elétricas de baixa tensão.
“1.1 Esta Norma estabelece as condições a que devem satisfazer
as instalações elétricas de baixa tensão, a fim de garantir a

3
segurança de pessoas e animais, o funcionamento adequado da
instalação e a conservação dos bens”. (sic)

Com isto, a norma nos apresenta de forma clara a preocupação de garantir a


segurança de pessoas e animais, o funcionamento adequado da instalação e
a conservação dos bens. Seguir as suas prescrições é garantir o cumprimento
destes objetivos. Além disso, a norma define condições de aplicação.
“1.2 Esta norma aplica-se principalmente às instalações elétricas
de edificações, qualquer que seja seu uso (residencial, comercial,
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

público, industrial, de serviços, agropecuário, hortigranjeiro, etc.),


incluindo as pré-fabricadas.

1.2.1 Esta norma aplica-se também às instalações elétricas:

a) em áreas descobertas das propriedades, externas às


edificações;

b) de reboques de acampamento (trailers), locais de


acampamento (campings), marinas e instalações análogas; e
MOLHADAS

c) de canteiros de obra, feiras, exposições e outras instalações


temporárias”. (sic)

Seguindo as definições da norma, este texto é aplicável principalmente às


instalações elétricas de edificações, qualquer que seja seu uso.
“1.2.2 Esta norma aplica-se:
a) aos circuitos elétricos alimentados sob tensão nominal igual ou
inferior a 1 000 V em corrente alternada, com freqüências
inferiores a 400 Hz, ou a 1 500 V em corrente contínua;

b) aos circuitos elétricos, que não os internos aos equipamentos,


funcionando sob uma tensão superior a 1 000 V e alimentados
através de uma instalação de tensão igual ou inferior a 1 000 V
em corrente alternada (por exemplo, circuitos de lâmpadas a
descarga, precipitadores eletrostáticos etc.);

c) a toda fiação e a toda linha elétrica que não sejam cobertas


pelas normas relativas aos equipamentos de utilização; e

4
d) às linhas elétricas fixas de sinal (com exceção dos circuitos
internos dos equipamentos).
NOTA A aplicação às linhas de sinal concentra-se na prevenção
dos riscos decorrentes das influências mútuas entre essas linhas

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


e as demais linhas elétricas da instalação, sobretudo sob os
pontos de vista da segurança contra choques elétricos, da
segurança contra incêndios e efeitos térmicos prejudiciais e da
compatibilidade eletromagnética”. (sic)

Em se tratando de instalações elétricas de baixa tensão, este texto tem


enfoque nos circuitos elétricos alimentados sob tensão igual ou inferior a 1000
V em corrente alternada, com frequências inferiores a 400 Hz, ou a 1500V em
corrente contínua.
Todas as prescrições da norma são aplicáveis às instalações novas e a
reformas em instalações existentes.
É importante ressaltar que a norma estabelece algumas situações de
instalações as quais não se aplica, como, por exemplo, instalações elétricas
de embarcações e aeronaves que por consequência não são o objeto deste
texto.
Estes objetivos apresentados são apenas um resumo dos tópicos tratados
mais detalhadamente na seção 1 da norma.
Na seção 4 de título “Princípios fundamentais e determinação das
características gerais”, a norma apresenta prescrições extremamente
importantes para determinação de parâmetros das instalações elétricas entre
os itens 4.1.1 a 4.1.15 como, por exemplo, “Proteção contra choques elétricos”,
“Proteção contra sobre correntes”, entre outros. No item 4.1.11 a norma aborda
sobre a seleção dos componentes.
“4.1.11 Seleção dos componentes

Os componentes da instalação elétrica devem ser conforme as


normas técnicas aplicáveis e possuir características compatíveis
com as condições elétricas, operacionais e ambientais a que
forem submetidos. Se o componente selecionado não reunir,
originalmente, essas características, devem ser providas

5
medidas compensatórias, capazes de compatibilizá-las com as
exigências da aplicação”.

Observa-se que os componentes devem possuir características compatíveis


com as condições elétricas, operacionais e ambientais a que forem
submetidos. Caso o componente selecionado não reunir as características
necessárias, devem ser providas medidas compensatórias capazes de
compatibilizá-las com as exigências da aplicação. Ou seja, nos casos em que
o componente selecionado não atenda às necessidades do local, podem ser
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

adotadas medidas adicionais que criem uma condição satisfatória, é o caso da


Figura 1, onde o interruptor utilizado não possuí o grau de proteção mínimo
para o local e foi adotado uma proteção externa.
F IGURA 1 - I NTERRUPTOR COM PROTEÇÃO EXTERNA
MOLHADAS

Fonte: Cortesia da DRYPLUG


No item 4.2 a norma trata sobre a determinação das características gerais,
onde aborda diversos temas muito importantes e muito conhecidos pela
comunidade técnica.
“4.2 Determinação das características gerais

Na concepção de uma instalação elétrica devem ser


determinadas as seguintes características:

a) utilização prevista e demanda (ver 4.2.1);


b) esquema de distribuição (ver 4.2.2);

c) alimentações disponíveis (ver 4.2.3);

6
d) necessidade de serviços de segurança e de fontes apropriadas
(ver 4.2.4);
e) exigências quanto à divisão da instalação (ver 4.2.5);

f) influências externas às quais a instalação for submetida (ver

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


4.2.6);

g) riscos de incompatibilidade e de interferências (ver 4.2.7);


h) requisitos de manutenção (ver 4.2.8)”.

Para o tema deste artigo, destaca-se o item “f) influências externas às quais a
instalação for submetida” que é tratado no item 4.2.6.
“4.2.6 Classificação das influências externas

Esta subseção estabelece uma classificação e uma codificação


das influências externas que devem ser consideradas na
concepção e na execução das instalações elétricas. Cada
condição de influência externa é designada por um código que
compreende sempre um grupo de duas letras maiúsculas e um
número, como descrito a seguir:
a) a primeira letra indica a categoria geral da influência externa:

- A = meio ambiente;

- B = utilização;

- C = construção das edificações;


b) a segunda letra (A, B, C, ...) indica a natureza da influência
externa;
c) o número (1, 2, 3, ...) indica a classe de cada influência
externa”.

Em resumo, a primeira letra indica a categoria da influência externa, a segunda


letra indica a natureza da influência externa e o número indica a classe de cada
influência externa. Como é apresentado na nota 2, esta classificação cobre
uma gama muito extensa de variáveis de influência, todas tendo seu peso em
aspectos como seleção dos componentes, adequação de medidas de proteção

7
etc. Ao tratar de instalações elétricas em áreas molhadas destacam-se o item
4.2.6.1.4. e a Tabela 1.

TABELA 1 - T ABELA 4 (PÁG. 22 NBR 5410) — PRESENÇA DE ÁGUA


Código Classificação Características Aplicações e exemplos

Locais em que as paredes geralmente não


A probabilidade de
apresentam umidade, mas podem
AD1 Desprezível presença de água é
apresentá-la durante curtos períodos, e
remota
secam rapidamente com uma boa aeração
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

Locais em que a umidade se condensa


Possibilidade de
ocasionalmente, sob forma de gotas de
AD2 Gotejamento gotejamento de
água, ou em que há presença ocasional de
água na vertical
vapor de água
Possibilidade de
chuva caindo em Locais em que a água forma uma película
AD3 Precipitação
ângulo máximo de contínua nas paredes e/ou pisos
60° com a vertical
A aspersão corresponde ao efeito de uma
“chuva” vinda de qualquer direção. São
Possibilidade de
MOLHADAS

exemplos de componentes sujeitos a


AD4 Aspersão “chuva” de qualquer
aspersão certas luminárias de uso externo
direção
e painéis elétricos de canteiros de obras
ao tempo

Possibilidade de Locais em que ocorrem lavagens com


jatos de água sob água sob pressão, como passeios
AD5 Jatos
pressão, em públicos, áreas de lavagem de veículos,
qualquer direção etc.
Possibilidade de Locais situados à beira-mar, como praias,
AD6 Ondas
ondas de água piers, ancoradouros, etc.

Locais sujeitos a inundação e/ou onde a


Possibilidade de água possa se elevar pelo menos a 15 cm
imersão em água, acima do ponto mais alto do componente
AD7 Imersão
parcial ou total, de da instalação elétrica, estando sua parte
modo intermitente mais baixa a no máximo 1 m abaixo da
superfície da água

Locais onde os componentes da


Submersão total em
instalação elétrica sejam totalmente
AD8 Submersão água, de modo
submersos, sob uma pressão superior a
permanente
10 kPa (0,1 bar, ou 1 mca)

Fonte: ABNT NBR 5410:2004 Versão corrigida 2008

8
A Tabela 1 define de forma objetiva qual a classificação adotada para cada
condição de presença de água no local da instalação, como exemplo o código
AD7 – Imersão. A Figura 2 mostra uma caixa de passagem com instalações
elétricas de baixa tensão que, a princípio, pode ser confundida com um local

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


onde não há presença de água, porém em dias de chuva fica completamente
inundada e geralmente leva horas para secar novamente.

F IGURA 2 - CAIXA DE PASSAGEM DE CONCRETO NO SOLO

Fonte: Arquivo do autor


Com a classificação das influências externas realizada, o próximo passo é
analisar a seção 6 da norma que trata da seleção e instalação dos
componentes, onde temos a Tabela 2 que apresenta características dos
componentes da instalação em função das influências externas, incluindo a
presença de água.

9
TABELA 2 - T ABELA 32 (PÁG. 86 NBR 5410) — C ARACTERÍSTICAS DOS COMPONENTES DA
INSTALAÇÃO EM FUNÇÃO DAS INFLUÊNCIAS EXTERNAS

Características exigidas para


Código Influências externas seleção e instalação dos Referências
componentes
AB – Condições climáticas do ambiente (4.2.6.1.2)
AB4 -5 +40 5 95 1 29 Normal
AB5 +5 +40 5 85 1 25 Normal
AB6 +5 +60 10 100 1 35 Requer medidas adequadas ²)
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

AB7 -25 +55 10 100 0,5 29 Requer medidas adequadas ²)


AB8 -50 +40 15 100 0,04 36 Requer medidas adequadas ²)
AC – Altitude (4.2.6.1.3)

Normal
AC1 ≤ 2 000 m
Podem ser necessárias
precauções especiais, como a
aplicação de fatores de correção
MOLHADAS

NOTA Para certos componentes


AC2 > 2 000 m podem ser necessárias medidas
especiais a partir de 1 000 m

AD – Presença de água (4.2.6.1.4)


AD1 Desprezível IPX0
AD2 Gotejamento IPX1 ou IPX2
AD3 Precipitação IPX3
AD4 Aspersão IPX4
AD5 Jatos IPX5
AD6 Ondas IPX6
AD7 Imersão IPX7
AD8 Submersão IPX8
AE – Presença de corpos sólidos (4.2.6.1.5)
Fonte: ABNT NBR 5410:2004 Versão corrigida 2008

É possível notar a relação entre o quadro AD – Presença de água com as


classificações da Tabela 2 e o grau de proteção necessário para cada condição
de influência externa. No caso da caixa de inspeção apresentada na Figura 2,
é necessário a utilização de componentes com no mínimo grau de proteção
10
IPX7. A Figura 3 apresenta um conector com grau de proteção IP68 / IP69K
que seria adequado em tal condição de instalação.

F IGURA 3 - C ONEXÃO MINI-CIRCULAR PARA CONEXÃO LINEAR TIPO “I” IP68 / IP69K

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


Fonte: Cortesia da Techno do Brasil

A Tabela 3 da norma apresenta dados sobre a seleção e instalação de linhas


elétricas em função das influências externas.

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TABELA 3 - T ABELA 34 (PÁG. 104 NBR 5410) — SELEÇÃO E INSTALAÇÃO DE LINHAS
ELÉTRICAS EM FUNÇÃO DAS INFLUÊNCIAS EXTERNAS

Código Classificação Seleção e instalação das linhas

A – Condições ambientais (4.2.6.1)

AA – Temperatura ambiente (4.2.6.1.1)

AA1 - 60°C + 5°C


Sob temperaturas inferiores a – 10°C, os condutores ou cabos
AA2 - 40°C + 5°C
com isolação e/ou cobertura de PVC, bem como os condutos
AA3 - 25°C + 5°C de PVC não devem ser manipulados nem submetidos a
esforços mecânicos, visto que o PVC pode tornar-se
AA4 - 5°C + 40°C quebradiço
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

AA5 + 5°C + 40°C Quando a temperatura ambiente (ou do solo) for superior aos
valores de referência (20°C para linhas subterrâneas e 30°C
AA6 +5°C + 60°C para as demais), as capacidades de condução de corrente dos
condutores e cabos isolados devem ser reduzidas de acordo
AA7 - 25°C + 55°C
com 6.2.5.3.3
AA8 - 50°C + 40°C

AC – Altitude (4.2.6.1.3) (sem influência)

AD – Presença de água (4.2.6.1.4)


MOLHADAS

AD1 Desprezível O uso de molduras em madeira só é permitido em AD1


AD2 Gotejamento

AD3 Precipitação Nas condições AD3 a AD6 só devem ser usadas linhas com
proteção adicional à penetração de água, com os graus IP
AD4 Aspersão adequados, em princípio sem revestimento metálico externo

AD5 Jatos Os cabos uni e multipolares dotados de cobertura extrudada


podem ser usados em qualquer tipo de linha, mesmo com
AD6 Ondas condutos metálicos

Cabos uni e multipolares com isolação resistente à água (por


AD7 Imersão
exemplo, EPR e XLPE)
AD8 Submersão Cabos especiais para uso submerso

AE – Presença de corpos sólidos (4.2.6.1.5)

Fonte: ABNT NBR 5410:2004 Versão corrigida 2008

Nesta tabela temos algumas prescrições específicas de linhas elétricas com a


presença de água. No caso da caixa de passagem apresentada na Figura 2, é
necessário a utilização de cabos uni ou multipolares com isolação resistente à
água (por exemplo, EPR e XLPE).
12
Instalações elétrica em banheiros ou similares

Na seção 9 a NBR 5410 apresenta requisitos complementares para instalações

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


em locais específicos, com início em locais contendo banheira ou chuveiro.
“9.1 Locais contendo banheira ou chuveiro

9.1.2.1 Classificação dos volumes

Para efeito de aplicação de prescrições desta subseção, os locais


contendo banheira ou chuveiro são divididos em quatro volumes
[ver figuras 16 a 18 (NBR 5410)]:

a) o volume 0 é o volume interior da banheira, do piso-boxe ou do


rebaixo do boxe (local inundável em uso normal);

b) o volume 1 é limitado:
- pelo volume 0;

- pela superfície vertical que circunscreve a banheira, o piso-boxe,


o rebaixo do boxe ou, na falta de uma clara delimitação do boxe,
por uma superfície vertical situada 0,6 m ao redor do chuveiro ou
ducha;
- pelo piso; e

- pelo plano horizontal situado 2,25 m acima do fundo da


banheira, do piso do boxe ou, de modo geral, da superfície onde
as pessoas possam se postar para o banho;

c) o volume 2 é limitado:
- pelo volume 1;

- por uma superfície vertical paralela situada 0,60 m ao redor da


superfície vertical externa do volume 1;

- pelo piso; e
- pelo plano horizontal situado 3 m acima do piso;

d) o volume 3 é limitado:

- pela superfície vertical externa do volume 2;

- por uma superfície vertical paralela situada 2,40 m ao redor da


superfície vertical externa do volume 2;

- pelo piso; e
13
- pelo plano horizontal situado 2,25 m acima do piso.

NOTAS
1 Como ilustrado nas figuras 16 a 18 (NBR 5410), as dimensões
dos volumes são medidas levando-se em conta paredes e
divisórias fixas.

2 O espaço situado sob a banheira é considerado volume 1, se


aberto, e considerado volume 3, se for fechado e acessível
apenas através de tampa que só possa ser removida com o uso
de ferramenta. O mesmo se aplica ao espaço sob o piso-boxe”.
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

A NBR 5410 apresenta três grupos de figuras para exemplificar a divisão dos
volumes nos casos de banheiras e chuveiros, neste texto é apresentada
apenas uma delas. Onde pode-se observar na Figura 4 para facilitar o
entendimento.

F IGURA 4 - FIGURA 16 (PÁG. 179 NBR 5410) — DIMENSÕES DOS VOLUMES – BANHEIRA
MOLHADAS

Fonte: ABNT NBR 5410:2004 Versão corrigida 2008

Com a divisão dos volumes, são apresentadas algumas prescrições


específicas para estes locais. A Tabela 4 apresenta algumas destas
prescrições de forma reduzida.

14
TABELA 4 - PRESCRIÇÕES A 9.1.4.4
Proteção Dispositivos de
contra Prescrições Linhas proteção,
Vol. Outros componentes fixos
choques comuns elétricas seccionamento

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


elétricos e comando

SELV < Necessárias a Somente equipamentos para


0 IPX7
12 V equipamentos banheiras
situados
1 IPX4 Somente
Não permitido
nesses
aquecedores
volumes Luminárias
2 IPX3¹ de água
5.1.2.3.4² classe II
classe I ou II

5.1.2.3.4², ou
3 IPX1¹ Tomadas³
DR 30mA

1 – Banheiros públicos IPX5

2 – Conforme item 5.1.2.3.4 Linhas elétricas da norma

3 – 9.1.4.3.2 Admitem-se tomadas de corrente, no volume 3, desde que elas sejam:

a) alimentadas individualmente por transformador de separação de acordo com 5.1.2.4; ou

b) alimentadas em SELV (ver 5.1.2.5); ou

c) protegidas por dispositivo DR com corrente diferencial-residual nominal não superior a 30 mA.

Fonte: Adaptado de ABNT NBR 5410:2004 Versão corrigida 2008

Com a mesma metodologia de divisão de volumes, porém com prescrições


diferentes a NBR 5410 apresenta em 9.2 as características para instalações
em locais contendo Piscinas.
É possível notar uma ligação direta de instalações elétricas de baixa tensão
em locais com presença de água e a classificação do Índice de Proteção (IP).
Esta classificação é normatizada pela ABNT NBR IEC 60529 – Graus de
proteção providos por invólucros (Códigos IP).
A NBR IEC 60529 define que código IP é o sistema de codificação para indicar
os graus de proteção providos por um invólucro contra o acesso a partes
perigosas, ingresso de objetos sólidos e estranhos e, ingresso de água, e para
dar informações adicionais com relação a cada proteção.

15
O segundo numeral característico da classificação IP indica o grau de proteção
contra ingresso d’água, conforme Tabela 5.
TABELA 5 - T ABELA 3 (PÁG. 20 NBR IEC 60529) – GRAUS DE PROTEÇÃO CONTRA O INGRESSO
D ’ÁGUA INDICADOS PELO

Segundo Graus de proteção Condições


numeral de ensaios,
característico Descrição ver simplificada Definição ver

0 Não protegido - -
Gotas de água caindo
Protegido contra gotas d’água verticalmente não
1 14.2.1
caindo verticalmente podem provocar efeitos
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

prejudiciais
Gotas caindo
verticalmente não
Protegido contra queda de gotas
podem provocar efeitos
d’água caindo verticalmente
2 prejudiciais quando o 14.2.2
quando o invólucro é inclinado até
invólucro é inclinado em
15°
um ângulo de até 15° de
cada lado da vertical
Água aspergida em um
ângulo de até 60° de
cada lado da vertical
3 Protegido contra aspersão d’água 14.2.3
contra o invólucro não
MOLHADAS

pode provocar efeitos


prejudiciais
Água esguichada contra
o invólucro em qualquer
4 Protegido contra projeção d’água direção não pode 14.2.4
provocar efeitos
prejudiciais
A água projetada em
jatos contra o invólucro
5 Protegida contra jatos d’água em qualquer direção 14.2.5
não pode provocar
efeitos prejudiciais
A água projetada em
jatos potentes contra o
Protegido contra jatos potentes invólucro em qualquer
6 14.2.6
d’água direção não pode
provocar efeitos
prejudiciais
Fonte: ABNT NBR IEC 60529:2017

16
Condições
Segundo Graus de proteção
de
numeral
ensaios,
característico Descrição ver simplificada Definição ver
A água projetada em jatos
contra o invólucro em
5 Protegida contra jatos d’água 14.2.5

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


qualquer direção não pode
provocar efeitos prejudiciais
A água projetada em jatos
potentes contra o invólucro
Protegido contra jatos
6 em qualquer direção não 14.2.6
potentes d’água
pode provocar efeitos
prejudiciais
Quando o invólucro estiver
imerso temporariamente em
água sob condições
Protegido contra efeitos de padronizadas de pressão e
7 14.2.7
imersão temporária em água tempo, não pode ser possível
o ingresso de água em
quantidade que provoque
efeitos prejudiciais
Quando o invólucro estiver
continuamente imerso em
água sob condições
previamente acordadas entre
o fabricante e o usuário, não
Protegido contra os efeitos de
8 pode ser possível o ingresso 14.2.8
imersão contínua em água
de água em quantidade que
provoque efeitos prejudiciais,
porém as condições devem
ser mais severas do que para
o segundo numeral 7
Água projetada a alta
pressão e alta temperatura
Protegido contra jatos d’água
contra o invólucro a partir de
9 com alta pressão e alta 14.2.9
qualquer direção não pode
temperatura
apresentar efeitos
prejudiciais
Fonte: ABNT NBR IEC 60529:2017

Para garantir o grau de proteção normatizado, o fabricante deve realizar os


ensaios em conformidade com as prescrições da ABNT NBR IEC 60529 e
indicar o grau de proteção do componente.
A Figura 5 apresenta um modelo de prensa cabos da marca Techno que possui
grau de proteção IP68, podendo ser utilizado até em locais de submersão,
conforme a tabela 32 da NBR 5410.

17
F IGURA 5 - PRENSA CABOS INNOV M16 D4-7.5 BLACK IP68
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

Fonte: Cortesia da Techno do Brasil

Serviços em instalações elétricas de baixa tensão em


áreas molhadas
MOLHADAS

Apesar de não ser um tema explicitamente tratado na NR 10 e na ABNT NBR


16384, suas prescrições atendem com maestria as condições mínimas de
segurança para execução de serviços em instalações elétricas de baixa tensão
em áreas molhadas.
No item 10.2.8 – Medidas de controle da NR 10, é apresentado que em todos
os serviços executados em instalações elétricas devem ser previstas e
adotadas, prioritariamente, medidas de proteção coletiva, que compreendem
prioritariamente, a desenergização elétrica conforme estabelece no item 10.5
– Segurança em instalações elétricas desenergizadas. Ou seja, ao seguir os
06 passos da desenergização, e posteriormente os 05 passos da
reenergização previstos no item 10.5 da NR 10, a instalação elétrica estará
completamente desenergizada para realização do trabalho, não apresentando
risco de choque elétrico.

Além da desenergização a NR 10 estabelece outras medidas de proteção


coletiva, tais como: isolação das partes vivas, obstáculos, barreiras,
18
sinalização, sistema de seccionamento automático de alimentação, bloqueio
do religamento automático.
Casos em que as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis
ou insuficientes, devem ser adotados equipamentos de proteção individual

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


específicos e adequados às atividades desenvolvidas. Neste ponto a ABNT
NBR 16384 complementa as prescrições da NR 10 e apresenta no item 6.3.2
Execução dos serviços a seguinte prescrição.
“6.3.2 Execução dos serviços

As condições ambientais, como a umidade e a pressão


atmosférica, podem afetar o desempenho de algumas
ferramentas e instrumentos e convém que sejam especificadas
com base nestas limitações”.

A ABNT NBR 16384 ressalta a importância de se verificar fatores, por exemplo:


umidade, que podem afetar o desempenho de algumas ferramentas e
instrumentos.
Os equipamentos de proteção individual, conforme estabelece a Norma
Regulamentadora No 06, são ensaiados e aprovados para certas
características de utilização e devem sempre ser dimensionados de acordo
com as características da tarefa a ser realizada, assim como as ferramentas
que são ensaiadas sob condições específicas.
É possível concluir que em instalações elétricas de baixa tensão em áreas
molhadas, o risco de choque elétrico aumenta devido à redução da resistência
do corpo humano quando fecha o circuito entre o potencial e a terra. Com a
aplicação das prescrições da NBR 5410 assegura-se a segurança de pessoas
e animais, o funcionamento adequado da instalação e a conservação dos bens.
As normas NR 10 e ABNT NBR 16384 são aplicadas a execução de serviços
em eletricidade, garantem a segurança de pessoas que interajam direta ou
indiretamente com as instalações elétricas.

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Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410/2008


– Instalações elétricas de baixa tensão. Disponível em: <https://
www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=10146>. Último acesso em: 13 abr.
2020.

_____ ABNT NBR IEC 60529/2017 – Graus de proteção providos por


INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS

invólucros (Códigos IP). Disponível em:


<https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=369851>. Último acesso
em: 15 abr. 2020.

_____ ABNT NBR 16384:2020 - Segurança em eletricidade —


Recomendações e orientações para trabalho seguro em serviços com
MOLHADAS

eletricidade. Disponível em: <


https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=438189>. Último acesso
em: 13 abr. 2020.

______. Ministério da Economia. PORTARIA N.º 915, DE 30 DE JULHO DE


2019. Aprova as alterações na Norma Regulamentadora - NR – 10
SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE. Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, jul. 2019.

______. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria MTb n.º 877, de 24 de


outubro de 2018. Aprova as alterações na Norma Regulamentadora - NR – 06,
relativas à EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI. Diário Oficial
da União, Poder Executivo, Brasília, DF, jul. 2019.

DRYPLUG. Ficha técnica DRYPLUG SIMPLES. Disponível em:


<http://wdbnet.com/>. Último acesso em: 16 mai. 2021.
20
TECHNO. Ficha técnica TH391 – Conexão mini-circular para conexão linear
tipo “I” IP68 / IP69K. Disponível em: <
https://technodobrasil.com.br/produto/thr-391-a4a-l-r/>. Último acesso em: 16

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO EM ÁREAS MOLHADAS


mai. 2021.

Autores

Luiz Claudio Ferraro é Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho. Possui


experiência em projetos, inspeções e consultoria. Pilota drones desde 2012. Proprietário
da Ferraro Engenharia Elétrica.

Walter Aguiar Martins Júnior é engenheiro eletricista e especialista em sustentabilidade.


Possui experiência em projetos de instalações elétricas em baixa e média tensão, projetos
de PDA, estudos de proteção, estudos de eficiência elétrica e gestão de energia. É
associado da ABNT para os comitês de Eletricidade e Gestão e Economia de Energia. É
Diretor Geral da ABRACOPEL MT.

Danilo Ferreira de Souza possui graduação em Engenharia Elétrica e é especialista em


Engenharia de Segurança do Trabalho. É professor Adjunto na Universidade Federal de
Mato Grosso. Atualmente é Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Energia da
Universidade de São Paulo e pesquisador do Grupo de Desempenho e Segurança de
Equipamentos e Materiais Elétricos da USP.

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