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COLONIZAÇÃO,

QUILOMBOS: modos e
significados

Antônio Bispo dos Santos


Antônio Bispo dos Santos

Liderança quilombola;
Morador do Quilombo Saco-Cortume - PI;
Membro da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas
do Piauí (CECOQ-PI) e da Coordenação Nacional de Articulação das
Comunidades Negras Rurais e Quilombos (CONAQ);
Foi mestre convidado do projeto Encontro de Saberes (UNB/INCT)
2012 e 2013.
INTRODUÇÃO

O presente atua como interlocutor do passado, e consecutivamente


como locutor do futuro;
Optou-se por construir uma análise de caráter resolutivo no
refazimento do percurso do início da colonização às atuais
recolonizações das populações tradicionais contemporâneas;
Religiosidade como fator preponderante no processo de colonização

Cosmovisão monoteísta X Cosmovisão politeísta


1. INVASÃO E COLONIZAÇÃO

Busca propor um amplo debate não apenas sobre o conceito de raça e


de cor, mas sobre relações entre pessoas e os diferentes processos de
colonização e contra colonização das Américas;

1.1 Leituras sobre a colonização


Distorções sobre a história do Brasil;
Intenção dos colonizadores era animalizar e/ou coisificar os
pindorâmicos

1.2 A cosmovisão cristã monoteísta e a cosmovisão pagã politeísta


O processo de escravização no Brasil tentou destituir os povos afro-
pindorâmicos de suas principais bases de valores socioculturais
...

Povo eurocristão monoteísta


Por ter um Deus, único acima de tudo e de todos, tende a se
organizar de maneira exclusivista, vertical, linear;

Povos pagãos politeístas


Cultuam deuses e deusas, territorializados, tendem a se organizar
de forma circular ou/e horizontal;

As populações desenvolvem sua cosmovisão a partir da sua


religiosidade e é a partir dessa cosmovisão que constroem suas
várias maneiras de viver, ver e sentir a vida.
1.2.3 - Religiosidade

Relaciona um culto cristão monoteísta ao sistema judicial (fórum de justiça, tribuna


do júri, cidadãos, juiz, código legal);

1.212 - Trabalho

"Já que você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore cujo fruto eu lhe tinha proibido
comer, maldita seja a terra por sua causa [...] Você comerá seu pão com o suor do seu rosto até
que volte para terra, pois dela foi tirado, você pó e ao pó voltará". (GÊNESIS 3:17)

O trabalho (castigo) foi criado pelo Deus cristão para castigar o pecado, já nas
religiões de matriz afro-pindorâmicas a terra não foi amaldiçoada, é uma Deusa e ao
invés de trabalhar, interagem com a natureza e o resultado da interação se
concretizam em condições de vida
1.2.3 - Manifestações Culturais

As manifestações eurocristãos monoteísta são organizados em uma


estrutura vertical com regras e limitações (trabalham o coletivo de forma
segmentada);

As manifestações dos povos afro-pindorâmicos pagãos politeístas são


organizados em estruturas circulares sem limitações (trabalham o indivíduo
de forma integrada).

Ex: Futebol e Capoeira


2. GUERRAS DA COLONIZAÇÃO

Colonização
Compreende todos os processos etnocêntricos de invasão,
expropriação, etnocídio, subjugação e até substituição de uma
cultura por outra.
Contra colonização
Todos os processos de resistência e de luta em defesa dos
territórios dos povos contra colonizadores, os símbolos,
significações e os modos de vida praticados nesses territórios.

Para os contra colonizadores a Terra era e continua sendo de uso


comum e o que nela se produz é utilizado em benefício de todos de
acordo com as necessidades.
...

As comunidades quilombolas, pelo grau de enfrentamento


ganharam repercussão histórica até os dias de hoje;

Os Quilombos permaneceram como organizações criminosas do


início da colonização até a promulgação da Lei Áurea, em 13 de
maio de 1888, que aboliu a escravidão;

Após esse período, o termo Quilombo caiu em desuso,


juntamente com a legislação que o criminalizava.
2.1 Guerra das denominações

Análise em relação ao passado, presente e futuro por meio de


referências cruzadas, é dizer, pelo método de interlocução entre
trajetórias de comunidades contra colonizadoras

2.1.1 Caldeirões
Se constituiu a partir de 1889, com a chegada de pessoas negras no
Ceará, no munício de Crato.

2.1.2 Canudos
Estima-se que essa comunidade surgiu em 1874, no munícipio de
Canudos/BA, tendo sido desmantelada em 1897.
...
2.1.3 Pau de Colher
Surgiu no início dos anos 30, no município de Casa Nova, na divisa
da Bahia com Piauí, foi desmantelada no início dos anos 40,
durante a ditadura civil-militar - povo estavam armados com
cacetes, por isso "guerra dos caceteiros".
2.1.4 Quilombo dos Palmares
Localizado no município de União dos Palmares, em Alagoas surgiu
no início da colonização e foi desmantelado em 1695.

2.1.5 Elementos para reflexão


Colonizadores sentiam-se ameaçados pela força e sabedoria da
cosmovisão politeísta
2.1.6 Comunidades tradicionais contemporâneas

Em que Palmares, Canudos, Caldeirões e Pau de Colher se parecem às


comunidades tradicionais contemporâneas?

Violência praticada pelo grande capital, nacional e internacional,


estatal e privado, com "megaprojetos" de "desenvolvimento".

3. BIOINTERAÇÃO

A maneira que os povos e comunidades se relacionam com a terra


Ex: Farinhada
4. CONFLUÊNCIAS X TRANSFLUÊNCIAS
Confluência
É a lei que rege a relação de convivência entre os elementos da
natureza e nos ensinam que nem tudo que se ajunta se mistura, ou
seja nada é igual. Por assim ser, a confluência rege também os
processos de mobilização provenientes do pensamento plurista dos
povos politeístas.

Transfluência
É a lei que rege as relações de transformação dos elementos da
natureza e nos ensina que nem tudo que se mistura se ajunta. Por
assim ser, a transfluência rege também os processos de mobilização
provenientes do pensamento monista do povo monoteísta.

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