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Filosofia Política

Material Teórico
Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques
Rousseau

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Yoná Santos

Revisão Textual:
Profa. Ms. Luciene Oliveira da Costa Santos
Os contratualistas: Thomas Hobbes,
Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

··Pensamento Político Moderno: os filósofos


contratualistas
··O Contratualismo de Thomas Hobbes
··O Contratualismo de John Locke
··O Contratualismo de Jean Jacques Rousseau

O principal objetivo desta unidade é compreender como esses filósofos


pensaram a política, a sua organização e a relação entre o soberano e os
súditos. Aqui, você terá um entendimento sobre alguns elementos que
caracterizam o contratualismo, enquanto corrente filosófica e política.

Leia atentamente o conteúdo desta unidade, que lhe possibilitará conhecer as ideias políticas
dos filósofos contratualistas.
Você também encontrará nesta unidade uma atividade composta por questões de múltipla
escolha, relacionada com o conteúdo estudado. Além disso, terá a oportunidade de trocar
conhecimentos e debater questões no Fórum de Discussão.
É extremante importante que você consulte os materiais complementares, pois são ricos em
informações, possibilitando-lhe o aprofundamento de seus estudos sobre o assunto.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Contextualização

Para iniciar esta unidade, a partir da ilustração abaixo, reflita sobre o estado de natureza
segundo os filósofos contratualistas: Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau.
Trata-se de uma série de imagens que retratam a situação de caos social vivida pelos haitianos
em função do terremoto sofrido em 2010. Para sobreviver, ante a ausência das autoridades
políticas, a população recorria à violência, aos saques e à disputa por comida.

Fonte: Marcello Casal Jr/Wikimedia Commons Fonte: Daniel Barker/Wikimedia Commons

Fonte: Marcello Casal Jr/Wikimedia Commons Fonte: Daniel Barker/Wikimedia Commons

Oriente sua reflexão pelas seguintes questões:


Como os haitianos agiram quando, ao se encontrarem em uma situação caótica provocada
pelo terremoto, tinham que garantir a sua sobrevivência?
Por que os haitianos praticaram atitudes com saques e violência quando se encontraram
em tal situação?
A situação caótica, vivida pelos haitianos em 2010, pode ser comparada ao estado de
natureza segundo qual dos filósofos contratualistas?

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Pensamento Político Moderno: os filósofos contratualistas

Abordaremos adiante o pensamento político dos filósofos denominados contratualistas. Este


texto enfocará quatro tópicos: o problema colocado pelos contratualistas, o contratualismo de
Thomas Hobbes, John Locke e, por fim, o contratualismo de Jean Jacques Rousseau. É importante
ressaltar que, para cada um dos filósofos estudados, abordaremos três conceitos chave: o estado
de natureza, o pacto ou contrato social e a sociedade civil. Aqui você terá melhor compreensão
sobre esses tópicos, cujas análises são baseadas em estudos realizados por especialistas.

A pergunta fundamental: como nasceu a sociedade?


Estudamos anteriormente que, para Aristóteles, o homem era um animal político, ou um
zoon politikon. Nesse contexto, os homens naturalmente passaram a viver em sociedade. Ou
seja, o homem tem uma propensão, uma habilidade natural a viver em sociedade.
Na Idade Moderna, alguns filósofos vão questionar essa tese aristotélica e vão defender a
ideia de que o homem não é naturalmente um ser social, ou seja, a sociedade é algo artificial,
ela não foi criada de maneira espontânea. Outra tese questionada pelos contratualistas é a que
afirma a origem divina dos reis, tão propagada na Idade Média.

Diálogo com o Autor

A Idade Moderna é marcada pelo advento das teorias contratualistas que


emergem justamente para se contrapor a um modelo interpretativo da realidade
social e política, imperante na Idade Média, na qual o conceito de poder como
de origem divina tornou-se justificativa inquestionável para o modo como os
príncipes governam, servindo, dessa forma, para legitimar a ordem feudal, bem
como os privilégios das classes dominantes. O contrato surge fundamentado
em bases distintas a sociedade. O indivíduo aparece como fonte de todo o
poder, que é legitimado por uma convenção. (HAUSER, 2003, p. 191).

Os contwratualistas acreditavam que o homem teria vivido em um estado pré-social, em um


estado denominado por eles de estado de natureza, mas que através de um pacto, ou de um
contrato, renunciaram a esse estado natural, para assim constituírem a sociedade, a vida civil e,
consequentemente, conseguir algumas vantagens.
A sociedade era vista como algo artificial e não natural, como acreditava o estagirita Aristóteles,
ou seja, a sociedade é fruto de um artifício, para assegurar algum bem-estar e alguns direitos.
É importante ressaltar que os três autores aqui estudados acreditam que, no estado de
natureza, existia um sistema de normas de conduta, alguns direitos naturais, organizados de
modo anterior à sociedade.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Podemos definir o contratualismo como um conjunto de teorias que situam a origem


da sociedade política na ideia de um contrato ou pacto social entre indivíduos. Todos os
contratualistas vão se ater a três momentos: o estado de natureza, o pacto ou contrato social e
a sociedade civil.
Os três principais filósofos tidos como contratualistas foram Thomas Hobbes (1588-1679),
John Locke (1632-1704) e Jean Jacques Rousseau (1712-1778) e suas ideias apresentaram
alguns pontos de convergência e muitos pontos de inflexão.

O Contratualismo de Thomas Hobbes

Nascido em 1651 na Inglaterra, Thomas Hobbes estudou filosofia na Universidade de Oxford.


Desenvolveu estudos no campo da física, geometria, linguagem e método. Em 1651, publicou sua
obra mais conhecida Leviatã, nome inspirado no Livro de Jó (referência bíblica). Nesse livro, Deus
desafia Jó a enfrentar um monstro mítico, uma mistura de crocodilo com dragão, que representa o
poder do mal. Assim, Hobbes desenvolveu uma metáfora sobre o poder absoluto do Estado.

Diálogo com o Autor


Tendo obtido o grau de bacharel em artes em 1608, Hobbes foi contratado por Sir Willian
Cavendish, então Barão de Hardwick, nomeado Conde de Devonshire em 1618. A vida
junto à casa do Cavendish garantiu-lhe estabilidade e tranquilidade. Hobbes, como tutor e secretário,
era responsável pela correspondência dos seus patronos, pelo aconselhamento em vários assuntos
(especialmente sob finanças) e pela educação da prole do Conde. (LUPI, 2003, p. 96)

Figura 1 – Capa do livro Leviatã de 1651

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Hobbes estava preocupado com a situação política da Inglaterra, que vivia uma disputa
entre os defensores da monarquia e os defensores da república. Sua defesa era por um governo
monárquico e absolutista.

O estado de natureza, o pacto e a sociedade civil


Para Hobbes o homem era individualista, egoísta, não vivendo sempre em comunidade.
Viver em sociedade era uma forma de garantir a sobrevivência. Antes dessa organização, os
homens viviam em um estado de natureza (modo primitivo).
Esse estado é apresentado como uma guerra constante de todos contra todos, o que levou a
dizer que “O homem é o lobo do homem.” Cada um queria impor sua vontade, desejando
acumular bens. Não havia uma regulamentação sobre direito de propriedade, vencendo o mais
forte, seja no sentido físico ou intelectual.
Os homens, por terem uma natureza humana repleta de vícios, eram frequentemente
acometidos pela competição, a desconfiança e a glória. É importante ressaltar que o estado de
natureza é algo hipotético, que foi criado para contrastar ao estado de ordem, o estado civil. O
estado de natureza é apenas uma hipótese da razão e não um estado concreto da humanidade.
Ninguém se sentia seguro, era preciso estar em constante vigilância. Porém, os indivíduos
cansaram de viver desta forma, então optam por fazer um pacto, para conseguir uma paz
“provisória” ou “artificial”, garantindo a cada indivíduo o direito de viver, sem o medo constante
de ser assassinado. Para tal, foi necessário que os homens abdicassem de sua liberdade natural
em nome da segurança de todos.
Os indivíduos se reúnem e pactuam que daí por diante todos viverão sob as ordens de um
único chefe, que tem a responsabilidade de garantir a segurança de todos. São criadas as leis
que regulamentam a vida naquela comunidade e servirão para arbitrar disputas entre membros
do grupo. O soberano tem o poder coercitivo sobre os súditos.

Diálogo com o Autor

E os pactos sem espadas não passam de palavras, sem força para dar segurança a ninguém.
(HOBBES, 2003, p. 143).

Em sua obra, Hobbes valoriza o poder dos soberanos, refutando a tese da soberania residir
no povo. Na escolha entre liberdade, que degenera em guerra civil, e ordem, embora sujeita à
opressão, preferia esta última. (LUPI, 2003, p.123).
O soberano não está sujeito às leis civis que ele criou e assim como pais, possuem o direito
de vida e morte sobre seus súditos.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Diálogo com o Autor


O artifex poderoso instituído pelo contrato social representa o abandono de um estado
natural em que cada um tem direito a tudo, encontrando limites apenas na sua força.
Ao invés desta situação de insegurança, a razão humana permite a implantação de um poder que
limita a força de cada indivíduo. Porém, para isto, precisa este poder ser imenso, evitando o retorno
ao estado de natureza, gerado pela rebelião. Para extirpar a possibilidade da guerra civil, a pior
doença do corpo político, Hobbes arma seu Leviatã do maior poder que se pode imaginar, aliviando
qualquer amarra que outro teórico já tenha até então tentado por à atuação do soberano. (LUPI,
2003, p.131).

O Contratualismo de John Locke

Nascido na Inglaterra no ano de 1632, John Locke foi médico, filósofo e político. Um dos
principais representantes do empirismo (acreditava que ao nascermos a nossa mente é uma
tábula rasa) e considerado um dos primeiros teóricos do liberalismo. Suas ideias de epistemologia
estão contidas na obra Tratado sobre o Entendimento Humano, escrita em 1690.

Apoiou-se nas ideias de estado de natureza e contrato social para construir uma filosofia
política. Defendia uma monarquia parlamentarista, ou seja, o poder esta no parlamento, nos
representantes da população e não na realeza, no soberano. Encontramos seu pensamento
político na obra Dois Tratados sobre o Governo (1689).

Como integrante da corrente dos contratualistas, acreditava que no estado de natureza


existiam alguns direitos naturais.

O estado de natureza, o pacto e a sociedade civil


Não era um estado de guerra permanente. Era um estado governado pela lei da natureza,
a razão, que estabelecia as relações entre todos os homens e determinava que todos eram
iguais e que nenhum devia prejudicar o outro, respeitando a vida, a liberdade e a propriedade.
As pessoas não matavam de forma instintiva, apenas para impor sua vontade ou tomar a
propriedade de alguém.

Locke não via nesse estado uma guerra permanente, ou seja, o fato dos homens viverem em
completa liberdade não implica que vivessem sem leis.

Todo indivíduo já nasce proprietário do seu corpo e de sua capacidade de trabalho. O


trabalho, para Locke, é tudo aquilo que produziu; retirando da natureza ou a transformando,
por meio de seu próprio trabalho, será de sua propriedade, uma vez que empenhou seu corpo
e sua vida nessa tarefa.

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Para Locke, portanto, o estado de natureza não é necessariamente mau. No entanto, apresenta
uma série de problemas. Existia a possibilidade de uma pessoa ou de um grupo de pessoas ferir,
usando a força, a lei natural e atacasse a vida, a liberdade ou a propriedade do outro.

Diálogo com o Autor

A sua teoria baseia-se na razão, isto é, no estado de natureza os homens vivem livres, iguais e
independentes, de maneira que nenhum indivíduo prejudique outrem, seja em sua integridade física,
como de seus bens. Para ele, cada indivíduo pode agir da maneira que quiser, dentro dos limites
da lei da natureza. Não há subordinação ou sujeição de um indivíduo a outro. Como no estado de
natureza não há um soberano (pelo menos na terra, pois Locke acreditava na ideia de que Deus é
quem julga), todos são igualmente soberanos. No estado de natureza há a jurisdição recíproca, pois
cada um é juiz de si mesmo. Destarte, que ferido por violência alheia, o indivíduo deve fazer justiça
por si. (ABAL, 2003, p. 142).

O estado de natureza, para Locke, apesar de não ser um estado de guerra permanente
de todos contra todos, apresenta alguns problemas, principalmente no que diz respeito à
imparcialidade nos julgamentos realizados. Assim, quem é responsável por realizar a justiça por
si, ao ser ofendido raramente será um juiz imparcial.
Isso gerará um conflito entre as pessoas, o que pode degenerar o estado de natureza. Por isso era
necessário criar um Estado para impedir os homens de desrespeitar o direito do próximo e a lei da
natureza, garantindo assim a paz, a propriedade privada e a preservação de toda a humanidade.
A maneira de resolver os inconvenientes do estado de natureza é o estabelecimento entre
os indivíduos de um contrato social, que leva à passagem de um estado de natureza para uma
sociedade política, civil. O objetivo fundamental do estado civil é a preservação da propriedade
e da comunidade em relação a ataques externos.

Diálogo com o Autor

[...] para Locke, o indivíduo que consentia em integrar a comunidade deveria submeter-se às
deliberações da maioria, mas, em momento algum, pode-se privar alguém de sua propriedade.
(ABAL, 2003, p. 146).

Entretanto, constituir uma sociedade política não significava que os cidadãos deveriam
transferir seus direitos a um poder arbitrário ou ficarem totalmente submissos a um soberano,
que teria uma autoridade que estaria acima das leis.
Na comunidade política defendida por Locke os cidadãos se associam, para viver segundo
leis comuns a todos, elaboradas por um Poder Legislativo. Assim, todos, legisladores, juízes,
governadores e cidadãos em geral, devem se subordinar às leis sociais vigentes.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Desse modo, instituído o pacto social e criada a sociedade civil, a primeira medida a ser
tomada seria criar o Poder Legislativo (o poder supremo do Estado), todos os outros poderes
deveriam estar subordinados a eles, inclusive o poder Executivo, que tem como função a
execução das leis.

Diálogo com o Autor

A liberdade do homem em sociedade consiste em não estar subordinado a nenhum outro Poder
Legislativo senão aquele estabelecido no corpo político mediante consentimento, nem sob o domínio
de qualquer vontade ou sob a restrição de qualquer lei afora as que promulgar o Legislativo, segundo
o encargo a este confiando. (LOCKE, 2005, p. 402).

O Estado tem o direito de usar a força, se necessário, para defender a sociedade e o bem
público. Se os membros do Legislativo não realizarem de maneira adequada o seu papel, os
cidadãos podem destituí-lo e formar outro Legislativo.

O Contratualismo de Jean Jacques Rousseau

Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra em 1712. Sua mãe morreu durante o seu
nascimento, tendo complicações no seu processo de parto. Seu pai, um relojoeiro, faleceu quando
Rousseau tinha 10 anos. Foi criado por tios e não teve uma educação formal, frequentando
muito raramente o ambiente escolar, tornando-se, assim, um autodidata. Na juventude, foi para
Paris e lá conheceu Madame Warrens, tornando-se seu amante e tendo seus estudos custeados
por ela. Em 1749, participou de um concurso da Academia de Dijon, sendo ganhador do
mesmo com a obra Discurso sobre as Ciências e as Artes.
Em 1767, casou-se com Thérèse Levasseur e teve com ela cinco filhos, mas deixou todos
na roda dos enjeitados, um mecanismo presente nas igrejas e conventos para receber recém-
nascidos que são abandonados por seus pais de maneira anônima.
Influenciou os ideais da Revolução Francesa e do Romantismo. Alcançou reconhecimento
e prestígio ainda em vida. Foi perseguido por suas ideias, o que o forçou a morar em várias
cidades e países diferentes. Suas ideias políticas acerca do contratualismo encontram-se no livro
Do Contrato Social (1756). Na referida obra, encontra-se a sua célebre frase: “o homem nasce
livre, e por toda a parte encontra-se a ferros”.
Como contratualista Rousseau acredita que a sociedade civil é fruto de um pacto social
realizado pelos membros da sociedade. Supunha que no estado de natureza o homem era bom
e que os vícios e os males humanos surgiram com a vida em sociedade. A democracia seria a
melhor forma de governo, pois todos estariam sujeitos à vontade geral.

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O estado de natureza, o pacto e a sociedade civil
Segundo Rousseau, o homem natural não é, de modo algum, o lobo do próprio homem.
Trata-se de um ser que vive de acordo com alguns princípios: a liberdade, o bem-estar, a
conservação, o amor de si, e a perfectibilidade, que seria a capacidade que de se aperfeiçoar
constantemente e melhorar seu ambiente.
Tudo começa para o filósofo com uma pequena comunidade sentada ao redor da fogueira,
cantando e dançando. Em certo momento, os homens passam a se comparar: o melhor caçador,
o mais forte, o mais bonito, o mais hábil.
Os homens agrupados, ainda sem nenhuma lei ou líder, têm como único juiz a sua própria
consciência. Paralelamente, surge a agricultura e a metalurgia, evento ao qual Rousseau nomeia
de “a grande Revolução”.
Com esses eventos, surge a divisão do trabalho e, em certo dia, um homem decide cercar
um pedaço de terra e denominá-lo como seu. Assim, surge a noção de propriedade, que divide
os homens em proprietários e não proprietários, ricos e pobres, surge também a dominação, a
exploração, a inveja e a competição.
É dentro dessa situação caótica que os homens resolveram estabelecer leis para se protegerem;
uns para protegerem suas propriedades e outros para se protegerem das arbitrariedades dos
mais poderosos.

Diálogo com o Autor

Por meio do processo de socialização, o homem é retirado do seu isolamento


no estado de natureza e torna-se dependente dos outros homens. Antes da
constituição efetiva da sociedade por intermédio do contrato, o homem passa
por um longo processo de socialização, que o prepara para dois tipos de contratos
possíveis: um contrato iníquo, eu conduz a uma sociedade injusta em que são
negadas as determinações essenciais do indivíduo: a liberdade, a igualdade,
um contrato legítimo capaz de gerar uma sociedade que respeite e aprimore os
fundamentos naturais do indivíduo. (HAUSER, 2003, p.173).

Para superar a maldade e aprisionamento em que os homens se encontravam, foi preciso


realizar um pacto ou contrato social, no qual os interesses particulares ou privados deviam se
subordinar ao bem comum.

Diálogo com o Autor


Suponhamos os homens chegando àquele ponto em que os obstáculos prejudiciais
à sua conservação no estado de natureza sobrepujam, pela sua resistência, as forças de que cada
indivíduo dispõe para manter-se nesse estado. Então, esse estado primitivo já não pode subsistir, e o
gênero humano, se não mudasse de modo de vida, pereceria. (ROUSSEAU, 1981, p. 31).

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Assim, o contrato social é um pacto entre iguais e livres, entre todos os cidadãos que abdicam
de interesses particulares em favor do bem comum.
O poder e a organização do bem público são responsabilidades dos próprios cidadãos
e cada cidadão, reconhecendo-se como pactuante, como membro da sociedade civil, deve
respeitar a vontade geral, que também encarna a sua própria vontade. Cada cidadão é
parte de um todo indivisível.

Diálogo com o Autor

[...] nenhum homem tem por natureza autoridade sobre seu semelhante e que essa só pode advir de
uma convenção, ou seja, a partir de um acordo livre e consciente. (HAUSER, 2003, p.175).

O governo e todos os poderes do Estado devem servir a um só propósito, à vontade geral,


ao povo, que nada mais é que o corpo político de todos os cidadãos. Segundo Rousseau,
ninguém deve obedecer ao outro, mas todos devem obedecer à lei, porque ela é fruto e
expressão da vontade geral.

Diálogo com o Autor

Liberdade e igualdade são, deste modo, os princípios de direito político sobre os quais se pode
construir uma sociedade legítima. O poder que se constitui a partir deles é o poder soberano legítimo,
que expressa a vontade geral ou interesse coletivo. Por meio desse pacto nasce o corpo político,
constituído pelo Soberano e pelo Estado. O Soberano é formado pelos indivíduos enquanto cidadãos
ditando a vontade geral, e o Estado é formado pelos indivíduos enquanto súditos, obedecendo à
vontade estabelecida pelo Soberano. A lei, neste contexto, é o elemento que dá vontade e movimento
ao corpo político. É por meio dela que se expressa a vontade do coletivo. (HAUSER, 2003, p.178).

Algumas considerações finais


Em resumo, o contratualismo é um conjunto de teorias que fundamenta a criação da
sociedade política na ideia de um contrato ou pacto social sobre os indivíduos. Essa teoria
contempla três momentos: o estado de natureza, o pacto ou contrato social e a sociedade civil
ou política. Hobbes, Locke e Rousseau se opuseram à tese de Aristóteles de que a sociedade
civil teria nascido de maneira espontânea, a partir do cumprimento de certas etapas. Para os
contratualistas os homens decidem criar a sociedade pois precisam solucionar alguns problemas
como insegurança (segundo Thomas Hobbes), parcialidade dos julgamentos (segundo John
Locke) e surgimento da propriedade privada (Jean Jacques Rousseau). Mas, se a sociedade
foi criada, como os homens viviam anteriormente? Em um estado de natureza, é a resposta
que obtemos dos três contratualistas. Nesse período, vigorava a guerra de todos contra todos,
onde o homem era o lobo do homem (segundo Thomas Hobbes), nesse período o homem

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vivia em paz, de posse de seus direitos naturais (segundo John Locke), ou ainda o homem era
o bom selvagem, vivendo em paz e em equilíbrio com o meio (segundo Rousseau). Thomas
Hobbes nos proporá que a sociedade será fruto de um pacto entre todos a favor do soberano,
no qual todos deverão ceder todos os seus direitos a um soberano que garantirá paz segurança.
John Locke defenderá que o governante deve garantir a propriedade privada através de um
Estado limitado. Rousseau defenderá que o Estado deve ser expressão da vontade geral, sempre
visando ao bem comum.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Material Complementar

Explore
Para complementar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, leia as seguintes obras:

• Thomas Hobbes, Leviatã.


• Jean Jacques Rousseau, Discurso sobre a origem da Desigualdade e Contrato Social.
• Jonh Locke, Dois Tratados sobre o Governo.

Todos enriquecerão sua compreensão sobre o pensamento político dos filósofos contratualistas.

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Referências

HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

LUPI, André Lipp Pinto Basto. Uma abordagem contextualizada da teoria política de
Thomas Hobbes. In: WOLKMER, Antonio Carlos. Introdução à história do pensamento
político. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.

ABAL, Rafael Peixoto. O pensamento político de John Locke. In: WOLKMER, Antônio
Carlos (org.). Introdução à História do Pensamento Político. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.

HAUSER, Ester Eliana. O Ideal Democrático no Pensamento Político de Jean Jacques


Rousseau. In: Introdução à História do Pensamento Político/ Antonio Carlos Wolkmer. Rio de
Janeiro: Renovar, 2003.

ROUSSEAU, Jean Jacques. Do Contrato Social e Discurso sobre a Economia Política.


Trad. Márcio Puglier e Norberto de Paula Lima. São Paulo: Humes, 1981.

LOCKE, John. Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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Unidade: Os contratualistas: Thomas Hobbes, Jonh Locke e Jean Jacques Rousseau

Anotações

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