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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E GESTÃO

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Análise do impacto do Sistema Tributário Autárquico na promoção do bem estar


social e melhoria das condições de vida dos munícipes

Angélica Alfredo Duzenta

Maxixe, Setembro de 2021

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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E GESTÃO

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Análise do impacto do Sistema Tributário Autárquico na promoção do bem estar

social e melhoria das condições de vida dos munícipes.

Trabalho de campo submetido ao Curso


de … / DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DE
EDUCAÇÃO como requisito para
obtenção do grau académico de
Licenciatura em ensino de geografia

Maxixe, Setembro de 2021


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Índice
1. Introdução............................................................................................................................ 1

1.1 Objectivos .................................................................................................................... 1

1.1.1 Objectivos gerais .................................................................................................. 1

1.1.2 Objectivos específicos. ......................................................................................... 1

2. Metodologias ....................................................................................................................... 1

3. Análise do impacto do Sistema Tributário Autárquico na promoção do bemestar social


e melhoria das condições de vida dos munícipes. .................................................................. 2

3.1 Os fundamentos teórico-históricos da fiscalidade. ...................................................... 2

3.2 Descentralização fiscal................................................................................................. 2

3.2.1 Desafios da Descentralização Fiscal..................................................................... 4

3.2.2 Os níveis locais de desconcentração do Estado .................................................... 4

3.3 Sistema Tributário Moçambicano ................................................................................ 5

3.4 Autoridade Tributária em Moçambique ...................................................................... 6

3.5 Vantagens do Sistema Tributário Autárquico .............................................................. 7

3.6 Desvantagens do Sistema Tributário Autárquico ........................................................ 7

4. Conclusão ............................................................................................................................ 8

5. Referências bibliográficas ................................................................................................... 9

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1. Introdução.
A fiscalidade tem um papel fulcral a desempenhar na criação de uma sociedade equitativa e de
uma economia forte. Pode ajudar a combater as desigualdades, não só através do apoio à
mobilidade social, mas também mediante a redução da desigualdade dos rendimentos de
mercado. Do mesmo modo, a política fiscal pode ter uma influência importante nas decisões
de emprego, nos níveis de investimento e na vontade de expansão dos empresários , factores
esses que, no seu conjunto, geram um maior crescimento.

1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivos gerais


➢ Conhecer o impacto do Sistema Tributário Autárquico na promoção do bem-
estar social e melhoria das condições de vida dos munícipes

1.1.2 Objectivos específicos.


➢ fundamentos teórico-históricos da fiscalidade
➢ debruçar em torno da descentralização fiscal
➢ demonstrar as vantagens e limitações do Sistema Tributário Autárquico

2. Metodologias

Para a elaboração deste trabalho recorreu-se ao método bibliográfico que consistiu na


consulta de obras bibliográficas e internet, método descritivo que consistiu na descrição
de informações recolhidas nas diferentes obras onde cada autor está devidamente
referenciado no final do trabalho.

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3. Análise do impacto do Sistema Tributário Autárquico na promoção do bemestar
social e melhoria das condições de vida dos munícipes.
3.1 Os fundamentos teórico-históricos da fiscalidade.

Fiscalidade é o complexo de impostos que vigoram num determinado espaço territorial bem
como o conjunto (sistema) de leis e regulamentos administrativos (Contabilidade, Direito,
Economia). A fiscalidade tem como finalidade a cobertura das despesas públicas
(financiamento do orçamento do Estado) e ser utilizada como instrumento de política
económico-social.

Fiscalidade é um processo pelo qual há arrecadação de receitas por parte do Estado tendo
em vista a satisfação das necessidades dos cidadãos. Falar da Fiscalidade em Moçambique é
sem dúvidas falar do Sistema Financeiro Moçambicano, pois estes elementos não se
dissociam, dada a sua natureza e forma. Esta actividade de arrecadação de receitas, é uma
actividade meramente do Estado, pois a este cabe traçar mecanismos e politicas de modo
flexibilização desta actividade. Entretanto, a actividade fiscal do Estado não é de hoje, ela
vem desde os tempos remotos, pelo que, foi sendo este o meio através do qual o Estado ganha
receitas para fazer face as despesas públicas. A política fiscal do Estado de Moçambique não
é estática, ela foi sofrendo várias transformações ao longo do tempo, como forma de adequar
e tornar mais célere, fácil e participativo este processo, visto que até aos dias de hoje ocorrem
Rogers e Rogers (2000).

A Fiscalidade é o sistema de leis e de regulamentação administrativa e que organiza e trata o


processo de nascimento, desenvolvimento e extinção da obrigação de pagar o imposto

A fiscalidade persegue objectivos múltiplos, em certos aspectos contraditórios, de


conciliação sempre difícil com as funções económicas do Estado moderno e os principais
objectivos do sistema fiscal, que são:

• A eficácia (eficiência) na afectação de recursos


• A equidade na repartição dos rendimentos e da riqueza ƒ
• A estabilidade e o crescimento da actividade económica

3.2 Descentralização fiscal

A descentralização requer uma mudança de autoridade e recursos, de cima para baixo, do


governo central para os governos sub-nacionais, aumentando assim as fontes de receita e as
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responsabilidades da despesa ao nível sub-nacional. Para além disto, nos governos
democráticos descentralizados, o controlo sobre o uso dos recursos muda dos governos
centrais para os cidadãos e eleitores, que são os derradeiros usuários dos bens e serviços
Nelson (1987).

A descentralização pode ser entendida como um processo planificado que tem por objetivo,
produzir mudanças na geografia e na sociologia de um dado poder central, a favor de "níveis
de poder" mais baixos da administração do Estado, sem pôr em causa as forças políticas que a
constituem e que controlam a distribuição da riqueza, dos recurso e do tal poder (Weimer,
2012:2-3). Entretanto, entende-se assim que esta perspetiva implica uma análise política e
económica, na qual se estabelecem não somente as forças e os agentes, mas também os
conflitos de interesses.

Nelson (1987), por sua vez, analisou como a estrutura da decisão descentralizada no nível
local afecta o tamanho do sector público. O autor considerou a forma de decisão centralizada
dos gastos no nível estadual. Os resultados encontrados são consistentes com um princípio
básico dos modelos que vêem na descentralização um freio ao Leviatã: a descentralização
aumenta a competição entre governos subnacionais. Foram encontradas evidências
relativamente fortes de que um sector local centralizado é associado com um nível mais alto
de gasto público em relação à renda.

Zax (1989) estudou os efeitos da descentralização no tamanho do sector público local,


considerando os municípios de Moçambique. O autor descobriu que o tamanho do sector
público local aumenta quando a centralização no governo local aumenta. Este efeito é
consistente com a hipótese de que o aumento da centralização reduz a competição entre
jurisdições.

Descentralização fiscal implica alguma autonomia dos governos regionais e locais nas
decisões de gasto e de arrecadação, de modo a conferir-lhes alguma responsabilidade perante
os cidadãos daquelas circunscrições. Estes recebem os benefícios implícitos nos gastos, mas
também são os financiadores de pelo menos parte destes. Esta autonomia nas questões fiscais
faz com que pelo menos parte do tamanho global dos orçamentos seja definida localmente
Oates (1985).

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3.2.1 Desafios da Descentralização Fiscal
• Sistema político centralizado/partidarizado – efectiva articulação e coordenação;
• Efectivo envolvimento da comunidade (planificação e orçamentação);
• Criação de mecanismos locais e sustentaveis de mobilização de Recursos;
• Fiscalização e observância das normas de administração pública na execução da
despesa (conta de gerência);

3.2.2 Os níveis locais de desconcentração do Estado


a) Localidade

Segundo o atual quadro administrativo legal em Moçambique, entende-se por localidade, “a


unidade territorial base da organização da administração local do Estado na qual se
estabelecem os primeiros contatos dos Órgãos Locais do Estado com as comunidades locais e
as respetivas autoridades” (Lei dos órgãos locais do Estado)13 . Entretanto, as atuais
localidades, maioritariamente criadas nos anos de 1974, período de transição para a
independência, no qual se estabelece constitucionalmente a independência e a unidade
administrativa de Moçambique, organizada em províncias, distritos e localidades (CR, 1975;
Decreto-lei n˚ 6/75, de 18 de Janeiro), constituíram o ponto de encontro e controle social
através das células do Partido-Estado (Frelimo), os chamados: grupos dinamizadores das
localidades (Chichava, 1999). Sendo assim, as localidades constituídas nos anos de 1979 e
1980, para além da carga constitutiva legal, acabam por se assumir como sendo frutos das
células do Partido Frelimo para manter a hegemonia partidária na escala local.

b) Posto Administrativo

Desde o primeiro projecto de construção do Estado pós-colonial, o posto administrativo


sempre representou a unidade territorial imediatamente inferior ao distrito. O posto
administrativo constitui o veículo de transporte de orientações do distrito para as localidades
tendo em vista a garantia da aproximação efectiva dos serviços da administração do Estado
para as populações e assegurar maior participação destes na realização dos interesses locais.
Para tal, o território do posto administrativo corresponde ao total da área ocupada pelas
respectivas localidades que se encontram no seu ordenamento, podendo em certos caso
abranger das áreas das autarquias locais compreendidas no respectivo território. O que acaba
por conflituar com outros poderes locais - neste caso com o poder autárquico. Neste caso, o
posto administrativo representado pelo chefe do posto, que normalmente é auxiliado por 2 ou
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3 funcionários públicos que asseguram a ligação entre as autoridades administrativas do
Estado e as comunidades locais através da organização e implementação de orientações do
governo distrital.

c) Distrito

Na divisão administrativa de Moçambique, o Estado concebe o país em 11 províncias e 128


distritos, que neste caso, são as unidades territoriais imediatamente inferiores a província.
Integra no seu espaço territorial, os povoados, localidades e postos administrativos. O distrito
como unidade sociopolítica congrega o administrador distrital (representante da autoridade
central do Estado no respetivo território) e o governo distrital (que se subdivide em serviços e
representa os ministérios). Isto é, a administração distrital replica ao nível do distrito o mapa
funcional do governo provincial do qual se subordinam (Faria e Chichava, 1999). Entretanto,
no âmbito da desconcentração e descentralização, o distrito é definido como o centro de
planificação inclusiva através da promoção da participação das comunidades e das
autoridades comunitárias no desenvolvimento socioeconómico e cultural do respetivo
território. Com papeis bastante claros, e orientados para o desenvolvimento local, compete a
esta unidade territorial realizar o programa do Governo, o Plano Económico e Social e o
Orçamento do Estado através do acompanhamento, verificação e decisões sobre aspetos de
decisões do governo.

3.3 Sistema Tributário Moçambicano

O sistema tributário moçambicano integra impostos directos e impostos indirectos, actuando


a diversos níveis, designadamente:

a) Tributação directa dos rendimentos e da riqueza;


b) Tributação indirecta, incidindo sobre os níveis de despesa dos cidadãos

A tributação directa dos rendimentos na República de Moçambique faz-se através dos


seguintes impostos:

a) Contribuição Industrial
b) Imposto sobre os rendimentos do Trabalho (IRT)
c) Imposto Complementar

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O sistema de impostos sobre a despesa compreende o Imposto sobre o Valor Acrescentado
e o Imposto sobre Consumos Específicos. O sistema tributário inclui ainda outros impostos e
taxas específicas nomeadamente:

a) Contribuição Predial;
b) Contribuição de Registo;
c) Imposto de Turismo;
d) Imposto sobre os Combustíveis;
e) Impostos específicos sobre a produção de petróleo e prospecção e exploração
mineira

3.4 Autoridade Tributária em Moçambique

Ano de 2006 foi de desafios particulares para a administração tributária, comum processo
importante de mudanças no contexto do estabelecimento da Autoridade Tributária
Moçambicana (ATM) no início do ano, visando o fortalecimento e modernização dos órgãos
encarregues da execução das políticas tributária e aduaneira, que visam a consolidação de um
sistema fiscal justo e equilibrado, privilegiando o crescimento económico sustentado. Os
estatutos orgânicos e do pessoal da ATM foram aprovados a meados do ano, mas o início
formal do seu funcionamento foi somente efectivo aquando da tomada de posse do seu
presidente, em Novembro de 2006

Em linhas gerais, a Autoridade Tributária de Moçambique, que tem na manga o seu plano
Estratégico 2008-2010, e o grande objectivo de simplificação dos procedimentos do processo
de tributação em Moçambique, aponta que as receitas tributárias em Moçambique constituem
cerca de 15% do total do PIB em Moçambique, com uma previsão de incremento de 0.5% ao
ano. Nos países da região austral de áfrica, as receitas tributárias representam 19 a 20%do
PIB. Num País cujo número de contribuintes é de cerca de 630.000, ainda há um trabalho a se
fazer para o alargamento da base tributária pois destes 630.000uma parte são contribuintes
individuais e outra são o contribuintes colectivos. Estes números num país com cerca de 20
milhões de habitantes são bastante insignificantes e um dos desafios do Governo na área fiscal
é a inversão deste cenário e o alargamento da base tributária, ou seja, inscrever mais
contribuintes dentro do sistema

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3.5 Vantagens do Sistema Tributário Autárquico

Alargamento da base tributária – este é o objectivo primordial da Autoridade Tributária


moçambicana, sendo que deste modo engajar-se á totalmente em aumentar o número de
contribuintes no sistema fiscal moçambicano;

➢ Reduzir a dependência externa do país – através do alargamento da base tributária


será possível, reduzir a necessidade de recorrer a fontes externas para financiar a
cobertura das despesas orçamentais do país, visto que a principal fonte serão os
impostos colectados dentro país;
➢ Reduzir a fuga ao Fisco – a autoridade tributária é uma instituição dedicada
exclusivamente a cobrança de receitas fiscais no país, e deste modo pode dedicar-
se e conseguir registos que comprovem, ou não, a contribuição dos cidadãos
moçambicanos;
➢ Educação fiscal à população – um dos principais constragimentos a obtenção das
receitas fiscais, pode ser o facto de os próprios contribuintes não perceberem o
funcionamento. A autoridade tributária moçambicana pode minimizar este facto,
visto que instalou estabelecimentos que permitem os contribuintes obterem mais
informação sobre o sistema fiscal moçambicano;
➢ Mudança do cenário fiscal moçambicano – o alargamento da base tributária
(impostos directos) poderá permitir a inversão do cenário fiscal moçambicano que
está dependente da tributação indirecta
➢ Melhorias no controle e desembaraço aduaneiro

3.6 Desvantagens do Sistema Tributário Autárquico

Aumento dos níveis de corrupção fiscal – um dos principais problemas apontando pelos
contribuintes e reconhecidos pelas autoridades competentes é a corrupção que existe neste
sector. Assim, a existência desta autoridade, se não estiver bem direccionada pode ter efeitos
inversos;

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4. Conclusão
A participação da comunidade no processo de gestão pública, representada pelos Conselhos
Consultivos Locais, apesar de espelhar um certo envolvimento da população, julgo que ainda
está longe de ser um momento de participação efectiva dos cidadãos, na medida em que
geram-se internamente, dinâmicas e grupos de interesses às vezes antagónicos que em certa
medida põe em causa a transparência destes processos.
E como o processo de prestação de contas e de fornecimento de informações surge como
uma ferramenta fundamental para a inteligibilidade e a transparência de todo o processo, logo,
a participação e prestação de tais contas acaba por ser condicionado aos interesses internos,
que a informação é orientada de forma cautelosa, seleccionada para servir interesses
específicos que não comprometem a manutenção do status quo dos atores políticos.
Para ser mais específico, dado que a responsabilização e prestação de contas pressupõe
obtenção de informação relevante, e tal, constitui elemento de vantagem entre determinados
grupos, torna-se comum a desinformação, ou até mesmo informações contraditórias no seio
dos Conselhos Consultivos Locais, levando assim a um clima de ausência de
responsabilidade, impunidade e suspeita de corrupção.

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5. Referências bibliográficas
• Fouilloux, D. et al. Dicionário cultural da Bíblia São Paulo: Edições Loyola, 1998.
• Gasparini, C. E.; Melo, C. S. L. Equidade e eficiência municipal: uma avaliação do
Fundo de Participação dos Municípios FPM. In: VIII Prêmio Tesouro Nacional 2003.
Tópicos Especiais de Finanças Públicas.
• Gemmell, N. et al. Fiscal illusion and political accountability: theory and evidence
from two local tax regimes in Britain. Public Choice, v. 110, p. 199-224, 2002.
• Giambiagi, F.; Além, A. C. D. Finanças Públicas. 2. ed. Rio de Janeiro, Campus, 2000.
• Gomes, G.M.; Mac Dowel M. C. Descentralização política, federalismo fiscal e criação
de municípios: o que é mau para o econômico nem sempre é bom para o social.
Brasília: Ipea, fev. 2000

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