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EMPREENDEDORISMO -

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Organizadores:
Fabiana Cristina de Azevedo
Tânia Regina Corredato Periotto
Victor Vinicius Biazon

EXPEDIENTE

Reitor Organizadores
Wilson de Matos Silva Fabiana Cristina de Azevedo
Tânia Regina Corredato Periotto
Vice-Reitor Victor Vinicius Biazon
Wilson de Matos Silva Filho
Comissão Científica
Pró-Reitor Executivo de Educação a Distância Dr. Álvaro José Periotto
William Victor Kendrick de Matos Silva Dr. Durval Correa Meirelles
Dra. Fernanda Yumi Tsujiguchi
Pró-Reitora Executiva de Educação Presencial Dra. Laurice Gobbi Ricardo
Andrea Carla Alves Borim Dra. Regina de Jesus Chicarelle
Me. Altemar Carlos Cristiano
Pró-Reitor de Ensino de Educação Presencial Me. Ana Paula de Melo e Silva Vaz
Valdecir Antonio Simão Me. Haroldo Misunaga
Me. Henrique L. Nieddermeyer
Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento Me. Naidi Carmen Gabriel
Institucional
Marcos Antônio da Silva Capa
Marketing UniCesumar
Pró-Reitor Executivo de Serviços Compartilhados
Silvio Madalozzo Projeto Gráfico e Diagramação
UniCesumar Empresarial
Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Ludhiana Ethel de Matos Garbugio Revisão
Fabiana Cristina de Azevedo
Pró-Reitor de Ensino de Educação à distância Vinicius Tadei Esteves
Janes Fidelis Tomelin

Pró-Reitor de Finanças
Jeferson Vinhas Ferreira

UNICESUMAR – CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ


FICHA
CATALOGRÁFICA

Endereço para correspondência:


UniCesumar Empresarial
Av. Guedner, 1610 Bloco 10, 3º andar – Jd. Aclimação – CEP 87050-390
Maringá –PR - Telefone/fax: (44) 3309-2594
Email: fabiana.azevedo@unicesumar.edu.br
SUMÁRIO

06 Introdução
Um Novo Conceito de Barbearia:
Uma Análise sobre o Perfil do
07 Empreendedor desse Segmento de 08 14
Mercado 07 22
A Economia Solidária e o
Empreendedorismo: o Caso do
22 Banco de Palmas e a Moeda Social
#EUEMPREENDO - Disseminando
a Cultura Empreendedora: Uma 09
39 Aplicação nas Escolas de Ensino
Médio do Município de Paracuru-
39 52
Ceará

Empreendedorismo de Sonhos: A 69
Inovação e a Criatividade Presentes
52 no Backoffice de Empresas de Festas
50 anos

e Eventos
66 78
Instituto Semear e
12 14
Desenvolvimento: Um
66 Empreendimento Educacional,
Social e Digital

Programa em Rede de Apoio à 88


78 Incubação e Aceleração de Startup: 105
Uma metodologia Colaborativa
Empreendedorismo na Educação: Um Case de
88 Marketing Digital em uma Instituição de Ensino
Empreendedorismo Universitário: o Estudo de Caso de 120
105 um Programa de Pré-Aceleração em uma Instituição de
Ensino 09

Mudança de Estratégias e Inovação de uma


120 Empreendedora diante dos Desafios Provocados pela
Covid-19 31
INTRODUÇÃO

Olá, seja bem-vindo a essa leitura que Diante do cenário em que a demanda e
certamente será de grande valia para oferta, seja por produtos ou serviços que,
compreender melhor sobre o disputam o mercado oferecendo seus
empreendedorismo, além das diversas forma de diferenciais, a procura por rapidez e facilidade
aplicação de seus conceitos já tão difundidos tem crescido exponencialmente. Sobre esse
no Brasil e pelo mundo. assunto, o capítulo 4 apresenta um case sobre
Não há como deixar de navegar pelo como celebrar suas festas e eventos. Por sua
universo do empreendedorismo, sobretudo vez, o empreendedorismo educacional com o
agora que, conforme a pesquisa realizada pela Instituto Semear e o empreendedorismo social
Serasa Experian (2021), que, pelo advento da e digital são destaques no capítulo 5. As
pandemia destaca o registro de mais de 300 mil Aceleradoras de Startup estão como tema
novos microempreendedores individuais central no capitulo 6 que foca ainda mais na
(MEIs) somente em janeiro de 2021. Esse é tecnologia e modelagem de negócios.
apenas um dado que registra uma forma de O marketing digital no case de uma
empreender, ou de se formalizar. Tendo em instituição de ensino pode ser conhecido no
vista esse contexto, entende-se que o capítulo 7. O capítulo 8 tem o enfoque na pré-
empreendedorismo por necessidade, acaba aceleração universitária. E para finalizar, o
entrando em cena, como uma via de atuação no último capítulo aborda as estratégias
mercado em crise. empreendedoras a partir de desafios
Mas, não é apenas sobre oportunidade, provocados pelo Covid-19.
necessidade, ou um segmento de atuação que Seja você um empreendedor, candidato a
será tratado aqui. Foi preparado esse material empreender, estudioso do tema ou ainda um
para que você possa saber ainda mais sobre o curioso em conhecer as formas de aplicação
que é empreender, como ensinar desse campo de estudo, fique à vontade para
empreendedorismo, como fazê-lo de forma navegar pelas páginas dessa edição preparada a
digital ou analógica. várias mãos, com resultados de pesquisa de
Sendo assim, começamos essa obra diferentes regiões do Brasil e que, certamente,
apresentando o perfil empreendedor de um dos a partir dessa leitura, nos motivará a
segmentos que ascenderam no mercado, as empreender em nosso próprio saber.
barbearias. Na sequência, o capítulo 2 nos traz
uma mescla de empreendedorismo com Boa leitura!
economia solidária e as possibilidades dessa
mistura. Já no capítulo 3 abordaremos a
disseminação da cultura no ensino médio do
interior do Ceará.

06 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 1

UM NOVO CONCEITO DE BARBEARIA:


UMA ANÁLISE SOBRE O PERFIL DO EMPREENDEDOR
DESSE SEGMENTO DE MERCADO

Eduardo Carvalho Montanholi


Graduado em Administração pela UNESPAR - Universidade Estadual do Paraná,
Campus de Paranavaí
eduardo.montagnole@hotmail.com

Edi Carlos de Oliveira


Professor Mestre na UNESPAR – Universidade Estadual do Paraná,
Campus de Paranavaí
edicarlosdeoliveira@hotmail.com
Capítulo 1

INTRODUÇÃO

Empreender tornou-se uma forma de driblar o cenário de instabilidade econômica e política


evidenciado recentemente no Brasil. Deste modo, as pessoas buscam utilizar a criatividade e o

empreendedorismo como forma de destaque e como alternativa para ganho de renda, principalmente

com os índices de desemprego elevados, ora, em épocas de constante mudanças de mercado –

comportamentais e tecnológicas – bem como de transformações crescentes nas empresas, o


empreendedorismo desponta diante este cenário (LIMA, 2018).

Assim, o empreendedorismo se destaca no cenário global, porém, apenas empreender, usar a


criatividade e as aptidões pessoais não garantem o sucesso do negócio, fazendo-se, então, necessário a

gestão e o planejamento do negócio. Neste sentido, o objetivo geral deste artigo é analisar o perfil de
empreendedores do segmento de barbearias na cidade de Paranavaí, Estado do Paraná. Já os objetivos

específicos ocupam-se em definir e apresentar o conceito de empreendedorismo e levantar as principais


características e perfil do empreendedor.
Segundo o Sebrae (2019), “[...] muitas pessoas pensam em abrir seu próprio negócio, mas o

principal fator que impede a ideia de sair do papel é a escolha de qual melhor negócio investir”. Deste
modo, é necessário reduzir os riscos do negócio, conhecer bem o segmento de atividade e se planejar
antecipadamente.

Sendo assim, a escolha do tema foi motivada partindo do pressuposto da relevância do tema no
cenário atual, pois apresenta grande crescimento, onde diversas pessoas utilizam o ato de empreender

como forma para “escapar” do desemprego, e garantir uma renda e pelo fato de que ter o próprio
negócio engloba outras complexidades além da ideia de empreender.

2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Essa pesquisa se caracteriza como uma pesquisa exploratória, que “tem como principal

finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de

problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores” (GIL, 2008, p. 27).
Quanto à forma de abordagem, a pesquisa apresenta caráter qualitativo, não empregando

instrumentos estatísticos ou numéricos como base na análise do problema, caracterizando-se assim pela

sua natureza analítica e pela avaliação das informações coletadas, que segundo Alyrio (2009, p.108),

08 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

“é o estudo de um objeto, buscando interpretá-lo em termos do seu significado. Neste sentido, a análise

considera mais a subjetividade do pesquisador”.


Já no que tange ao delineamento da pesquisa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com

cinco empreendedores do segmento de Barbearias da cidade de Paranavaí – PR, escolhidos por


conveniência e pela inovação com que lidam com a tendência contemporânea de Barbearias.

As entrevistas ocorreram entre os meses de setembro e outubro de 2019, sendo que todas foram
gravadas e transcritas para utilização nesse estudo. Ainda assim, os empreendedores entrevistados
optaram pelo anonimato, não autorizando a divulgação de seus nomes, por isso foram criados nomes

fictícios para citá-los durante a apresentação e análise dos dados.


Assim, em primeiro momento foram levantados aspectos bibliográficos acerca dos conteúdos que

envolvem o assunto principal da presente pesquisa. Segundo o pensamento de Marconi e Lakatos


(1992), a finalidade deste tipo de levantamento bibliográfico é “fazer com que o pesquisador entre em

contato direto com todo material escrito sobre um determinado assunto, auxiliando o cientista na
análise de suas pesquisas”.
Quanto à análise dos dados, nesta pesquisa foi utilizada a análise de conteúdo, que se caracteriza

por visar verificar hipóteses e ou descobrir o que está por trás de cada conteúdo (BARDIN, 1997). Esta
técnica é usual no tratamento de dados que busca identificar o que está sendo dito a respeito de
determinado tema, ou seja, “tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal que

possibilitem o fornecimento de resposta ao problema proposto para a investigação” (GIL, 2008, p.


166).

Posteriormente estão apresentados os resultados da pesquisa exploratória junto aos principais


empreendimentos do segmento de barbearia localizados no município de Paranavaí, Paraná.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

Nesta seção do artigo serão contempladas algumas abordagens teóricas sobre os aspectos

conceituais do empreendedorismo; empreendedorismo no Brasil; e, as características do empreendedor.

A proposta é fundamentar através das teorias as discussões dessa pesquisa e contribuir para com
o alcance do objetivo geral.

3.1 ASPECTOS CONCEITUAIS SOBRE EMPREENDEDORISMO

09 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

A palavra empreendedorismo, provém do francês entrepreneur, e etimologicamente deriva dos


termos franceses “entre” e “prendre”, e pode ser entendida como: fazer algo ou estar entre. Deste

modo, significa a opção de estar entre a procura e a oferta (FERREIRA, 2015).

Segundo Farah, Cavalcanti e Marcondes (2008 apud MENDES et al, 2012, p. 45):
O conceito de empreendedorismo é muito subjetivo, todos parecem
conhecer, mas não conseguem definir realmente o que seja. Essa
subjetividade pode ser devido às diferentes concepções ainda não
consolidadas sobre o assunto ou por se tratar de uma novidade,
principalmente no Brasil, onde o tema se popularizou a partir da década de
90. A ascensão do empreendedorismo vem paralelamente ao processo de
privatização das grandes estatais e abertura do mercado interno para
concorrência externa. Daí a grande importância de desenvolver
empreendedores que ajudem o país no seu crescimento e gere possibilidade
de trabalho, renda e maiores investimentos.

Barreto (1998 apud MENDES et al, 2012, p. 45), alude que “empreendedorismo é a habilidade

de se conceber e estabelecer algo partindo de muito pouco ou quase nada, considerando [...] como um
comportamento ou processo voltado para a criação”.
De acordo com o pensamento teórico de Dornelas (2008, p. 22), empreendedorismo é “[...] o

envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em


oportunidades. E a perfeita implementação destas oportunidades leva à criação de negócios de
sucesso”.

Ruiz (2019, p. 17) destaca que:


A literatura sobre empreendedorismo descreve há décadas o importante
papel econômico dos empreendedores ligados ao desenvolvimento de
inovações. Tendo os empreendedores um incentivo econômico (lucro) para o
desenvolvimento de novos produtos e serviços (pela geração de novas
receitas e novos clientes), estes ficam mais propensos para tal atividade e
ajudam no desenvolvimento das economias em que estão inseridos.

Assim, de acordo com os autores Longenecker, Moore e Petty (2004, p. 09), “um estereótipo
comum do empreendedor enfatiza características como uma enorme necessidade de realização, uma

disposição para assumir riscos moderados e uma forte autoconfiança”.

Já sob ótica de Camargo e Farah (2010, p. 22), “o termo empreendedorismo aponta para a
execução de planos ou impulsos para a realização de um negócio ou para a introdução de uma

inovação de gestão numa organização já estruturada”.

Para Degen (1989 apud WERLANG; FAVRETTO; FLACH, 2017, p. 33):

10 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

O empreendedor, além do amplo conhecimento técnico sobre aquilo que


busca oferecer ao mercado que está atuando, deve formalizar suas estratégias
e usufruir de formas de planejamento e controles que buscam proporcionar
um esclarecimento sobre a viabilidade ou não de um empreendimento. Além
disso, é de sua obrigatoriedade criar coisas novas, pondo em prática
suasideias, estando presente e assumindo responsabilidade. O empreendedor
não cansa de observar, ele estará sempre apostando naquilo que ainda não foi
visto, e pode estar em qualquer lugar, na academia, impresso no jornal,
durante as compras, no ambiente de trabalho etc.

Ainda, Hisrich, Peters e Shepherd (2009 apud WERLANG; FAVRETTO; FLACH, 2017, p.

33) afirmam que “o empreendedor é aquele que busca agregar a todo instante, valor a sua

personalidade, além disso, busca introduzir mudanças e inovações, concentrando todas as suas forças
no intuito de manter-se no ápice”.

Deste modo, percebe-se que o ato de empreendedorismo se refere a um processo dinâmico de


criação de riqueza incremental. A riqueza é criada por indivíduos que assumem maiores riscos em
termos ativos, tempo e perspectivas de carreira, para produzirem bens ou serviços através dos recursos

que lhe são disponibilizados (MENDES et al, 2012).

No entanto, Dornelas (2001 apud MENDES et al, 2012, p.50) elucida que:

O processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações


associadas com a criação de novas empresas. Em primeiro lugar, o
empreendedorismo envolve o processo de geração de algo novo, de valor.
Em segundo, requer a devoção, o comprometimento de tempo e o esforço
necessário para fazer a empresa crescer. E em terceiro, que riscos calculados
sejam assumidos e decisões críticas tomadas; é preciso ousadia e ânimo
apesar de falhas e erros.

Ainda ao que diz respeito a essa discussão, salienta-se que o empreendedor pode ser entendido
como aquele que transforma a situação mais trivial em uma oportunidade excepcional, “[...] ele é

visionário, sonhador; o fogo que alimenta o futuro; vive no futuro, nunca no passado e raramente no
presente; nos negócios é o inovador, o grande estrategista, o criador de novos métodos para penetrar

nos novos mercados” (Gerber, 2004 apud CRUZ JÚNIOR et al, 2006, p. 06).

3.2 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

A população brasileira sempre demonstrou um grande senso de empreendedorismo. Todos os

anos surgem inúmeras iniciativas de jovens empreendedores tentando marcar presença no mundo dos

11 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

negócios. O que caracteriza um empreendedor de sucesso é uma série de características demonstrando


sua capacidade de montar um negócio de sucesso (MENDES et al, 2012).

Baseado nos pensamentos de Ruiz (2019, p. 38), ele evidencia que, “[...] o empreendedorismo

não é uma atividade recente do ser humano. Ao contrário, por milênios, o homem busca ser criativo e
inovador para sobreviver e prosperar”.

Para Dornelas (2008, p. 01):


O conceito de empreendedorismo tem sido muito difundido no Brasil, nos
últimos anos, intensificando-se no final da década de 1990. Existem vários
fatores que talvez expliquem esse repentino interesse pelo assunto, já que,
principalmente nos Estados Unidos, país onde o capitalismo tem sua
principal caracterização, o termo entrepreneurship é conhecido e
referenciado há muitos anos, não sendo, portanto, algo novo ou
desconhecido. No caso brasileiro, a preocupação com a criação de pequenas
empresas duradouras e a necessidade da diminuição das altas taxas de
mortalidade desses empreendimentos são, sem dúvida, motivos para a
popularidade do termo empreendedorismo, que tem recebido especial
atenção por parte do governo e de entidades da classe.

Assim, apesar das dificuldades, o Brasil apresenta perspectivas positivas em relação ao

empreendedorismo. Desde alguns anos atrás, foram criados órgãos e iniciativas de apoio ao
empreendedor, como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as
fundações estaduais de apoio à pesquisa, as incubadoras de novos negócios e as escolas superiores, que

tem oferecido cursos e outros tipos de programas sobre o empreendedorismo (MAXIMIANO, 2006).
Andreassi (2014, p. 71), afirma que:
O principal setor de atuação dos empreendedores iniciais brasileiros é o de
serviços orientados ao consumidor, que soma 64,1% do total e é
representado por atividades como comércio varejista, serviços de
alimentação e bebidas e cabeleireiros. A indústria de transformação aparece
em segundo com 25,5% do total e é representada principalmente pelas
confecções e, mais especificamente, pela categoria “Confecção de peças do
vestuário, exceto roupas íntimas”. No caso dos empreendedores
estabelecidos também há predominância de empreendedores que prestam
serviços orientados ao consumidor (52,8%), mas há maior participação de
empreendedores na indústria de transformação (35,7%).

Por outro lado, o Brasil é considerado um dos países mais burocráticos. De acordo com o
relatório do Banco Mundial, que considerou 190 países, o Brasil está na 125ª posição em relação à

burocracia. Isso é reflexo de um elevado número de licenças e procedimentos que precisam ser

obedecidos no país, bem como de custos com alvarás e liberações específicas (PORTAL SOLIDES,
2019).
12 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia
Capítulo 1

Apesar da alta burocracia existente no Brasil, o país apresenta um alto potencial de criatividade
e empreendedorismo, enfrentando os desafios e obstáculos e fazendo surgir negócios autênticos e

inovadores, pois o país é berço de um enorme potencial empreendedor (BAGGIO; BAGGIO, 2014).

3.3 AS CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR

De acordo com Dornelas (2008, p. 01), “o empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem,
se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização”.

Ainda assim, baseado na percepção de Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2008, p. 22), “[...]
empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e

serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e
materiais”.

Sob o enfoque de Dornelas (2008, p. 19), é necessário desmistificar alguns mitos acerca do
empreendedorismo e dos empreendedores. Segundo o referido autor, existem vários mitos, mas três em
especial devem ser analisados com maior atenção, sendo eles:

Mito 1: Empreendedores são natos, nascem para o sucesso. Realidade: Enquanto a


maioria dos empreendedores nasce com um certo nível de inteligência, empreendedores de
sucesso acumulam habilidades relevantes, experiências e contatos com o passar dos anos;

a capacidade de ter visão e perseguir oportunidades aprimora-se com o tempo.


Mito 2: Empreendedores são “jogadores” que assumem riscos altíssimos. Realidade:

tomam riscos calculados; evitam riscos desnecessários; compartilham o risco com outros;
dividem o risco em “partes menores”;

Mito 3: Os empreendedores são “lobos solitários” e não conseguem trabalhar em equipe.

Realidade: são ótimos líderes; criam times/equipes; desenvolvem excelente

relacionamento no trabalho com colegas, parceiros, clientes, fornecedores, e muitos


outros.

Kirzner (1973 apud DORNELAS, 2008, p. 22), enfatiza que “[...] o empreendedor é aquele

que cria novos negócios, mas pode também inovar dentro de negócios já existentes; ou seja, é possível
ser empreendedor dentro de empresas já constituídas”.

Sob o enfoque de Baggio e Baggio (2014, p. 27):

13 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

O comportamento empreendedor impulsiona o indivíduo e transforma


contextos. Neste sentido, o empreendedorismo resulta na destruição de
velhos conceitos, que por serem velhos não têm mais a capacidade de
surpreender e encantar. A essência do empreendedorismo está na mudança,
uma das poucas certezas da vida. Por isso o empreendedor vê o mundo com
novos olhos, com novos conceitos, com novas atitudes e propósitos. O
empreendedor é um inovador de contextos. As atitudes do empreendedor são
construtivas. Possuem entusiasmo e bom humor. Para ele não existem apenas
problemas, mas problemas e soluções.

Por outro lado, em vias gerais, em qualquer definição de empreendedorismo encontra-se, pelo
menos, os seguintes aspectos referentes ao empreendedor: que ele tem iniciativa para criar um novo

negócio e paixão pelo que faz, utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o
ambiente social econômico onde vive, e aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de

fracassar (DORNELAS, 2008).


Não obstante, sob a ótica de Ruiz (2019, p. 33), independentemente do tipo de habilidade e se

o empreendedor o utiliza mais ou menos do que dada característica, verifica-se as seguintes habilidades
típicas:
Buscam informações e oportunidades;

Tem visão, estabelecem metas e são orientados para o resultado;


Planejam e monitoram sistematicamente;
Atraem e motivam pessoas;

São bons negociadores e tem bom relacionamento interpessoal;


Lutam contra padrões impostos, diferenciando-se e buscando a inovação;

São orientados para o futuro;


Possuem uma grande rede de contatos;

Tem “modelos” que os influenciam;

O fracasso é visto como um resultado;

Trazem os seus pensamentos em ações;


Aprendem a aprender e tem seus próprios métodos de aprendizagem;

Tem forte capacidade de envolvimento e foco;

Tem o lado racional bem desenvolvido, sendo bastante calculista.


De acordo com Salim e Silva (2010 apud WERLANG; FAVRETTO; FLACH, 2017, p. 34), “os

empreendedores ainda têm consigo a habilidade em manterem um bom relacionamento com os demais

colaboradores, com o intuito de divulgarem e convencerem os demais de suas ideias inovadoras”.

14 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

Ser empreendedor é ser uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões, além de ser uma

pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos, mantendo um nível de
consciência do ambiente em que vive e utilizando-o para detectar oportunidades de negócios (FILION,

1999 apud CRUZ JÚNIOR et al, 2006).

Buscar maneiras de agregar valor ao seu produto e/ou serviço, de forma a alcançar uma

vantagem competitiva em relação aos concorrentes. Deste modo, o empreendedor está

permanentemente preocupado com a gestão eficiente dos recursos (seja materiais, financeiros,
humanos, entre outros) (BAGGIO; BAGGIO, 2014).
A capacidade de criação de novos empreendimentos depende da motivação de cada

empreendedor, mas o importante é que estes estejam sempre em busca de seu sucesso. Além disso, é de
suma importância que os empreendedores contam com variadas habilidades sociais, envolvendo uma
enorme bagagem de competências, tendo assim uma vantagem competitiva em relação a seus

concorrentes. Desta forma, fica claro que o ponto forte de um empreendedor é o seu conhecimento, e
este por vez, deve ser constante, para não serem surpreendidos, estando assim, sempre preparados
diante do mercado econômico (ZAMPIER; TAKAHASHI, 2011 apud WERLANG; FAVRETTO;

FLACH, 2017).
Ainda assim, de acordo com Pilleggi (2008 apud MENDES et al, 2012, p. 47), algumas
características são essenciais para a pessoa empreendedora, tais como:
1. Iniciativa: a busca constante por oportunidades de negócios. Estar sempre
atento ao que acontece no mercado em que vai atuar;
2. Perseverança: as dificuldades vão acontecer, até porque o empresário de
micro e pequena empresa muitas vezes é solitário.
3. Coragem para correr riscos: arriscar-se faz parte do ato de empreender.
Se tiver as informações, pode tomar decisões complexas com risco
calculado;
4. Capacidade de planejamento: ter a visão de onde está, onde quer chegar
e o que é preciso fazer. Criar planos de ações e priorizá-las dentro do
negócio. Monitorar, corrigir e rever.
5. Eficiência e qualidade: as pequenas empresas dispõem de menos
recursos, então precisam garantir que eles sejam bem aproveitados. É preciso
conquistar o cliente, o público alvo e direcionar os esforços;
6. Rede de contatos: é importante participar de eventos e feiras relacionados
ao seu produto, os ambientes informais ajudam a formar bons contatos.
7. Liderança: O empreendedor deve ser o líder na sua empresa. Ele deve ser
um bom ouvinte e deve saber estimular permanentemente a equipe, motivá-
la e deixá-la comprometida.

15 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

Contudo, o empreendedor de sucesso possui características extras, além dos atributos de

administrador, e alguns atributos pessoais que, somados a características sociológicas e ambientais,


permitem o nascimento de uma nova empresa. De uma ideia, surge uma inovação, e desta, uma
empresa (MENDES et al, 2012).

Por outro lado, em relação aos riscos que estão sujeitos um empreendedor, para Degen (1989

apud CRUZ JÚNIOR et al, 2006, p.17):


[...] imitar o sucesso alheio é a fórmula menos arriscada de iniciar um
empreendimento próprio e, não por coincidência, é a adotada pela grande
maioria dos empreendedores. Para ter êxito ao imitar o sucesso alheio, o
empreendedor deve observar e analisar muito bem as experiências dos
outros, identificar os pontos fortes e fracos, introduzir melhorias no
empreendimento original para se diferenciar dos concorrentes e não ser
apenas um mero imitador.

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Com o objetivo de analisar o perfil dos empreendedores do segmento de barbearias da cidade de

Paranavaí, Estado do Paraná, os cinco participantes dessa pesquisa foram selecionados por
conveniência. Embora existam várias barbearias na cidade, buscou-se apresentar as que possuem maior
evidência e destaque na cidade no que diz respeito à inovação na área de atuação; e, por questões de

privacidade, não serão divulgados os nomes dos empreendedores entrevistados. Sendo assim, os
empreendedores entrevistados serão citados por códigos, conforme pode ser visualizado no quadro 1, a

seguir.

Quadro 1: Perfil dos empreendedores entrevistados

16 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

Conforme informações do quadro 1 e ao se analisar os dados da pesquisa, percebeu-se que


quando indagados sobre o início do empreendimento, de modo geral, os empreendimentos tiveram seu

surgimento devido a necessidade, como uma alternativa de driblar a conjuntura econômica. Sendo

assim, a necessidade foi uma forma de impulsionar a criação do negócio, embora em média, os
empreendedores tenham planejado, mas a necessidade tratou de acelerar um processo que, ao menos

em tese, seria um processo mais moroso e gradual.

Não obstante, de acordo com o empreendedor B3, “faz-se necessário o planejamento do negócio,
mas para tal, devido a necessidade existente, foi deixado um pouco de lado o planejamento e iniciado o

negócio”.
Quando perguntados sobre a história de criação do empreendimento, em vias gerais, percebeu-se

que os empreendedores realizaram um plano de negócio e uma pesquisa de mercado, por outro lado,
devido à propulsão pela necessidade.

Por conta disso, a preocupação com a criação de pequenas empresas duradouras e a necessidade
da diminuição das altas taxas de mortalidade desses empreendimentos são, sem dúvida, motivos para a
popularidade do termo empreendedorismo, que tem recebido especial atenção por parte do governo e

de entidades da classe (DORNELAS, 2008).


Por outro lado, para os empreendedores entrevistados, as características predominantes no perfil
de um empreendedor destacam-se a inovação, criatividade, ética, profissionalismo e proatividade.

Neste sentido, sob a perspectiva de Ruiz (2019), os empreendedores vão em “busca informações
e oportunidades; tem visão, estabelecem metas e são orientados para o resultado; planejam e

monitoram sistematicamente; atraem pessoas; lutam contra padrões impostos, diferenciando-se e


buscando a inovação, etc.”

Congruente a isso, a literatura apontou que empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve

e realiza visões, além de ser uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir

objetivos, mantendo um nível de consciência do ambiente em que vive e utilizando-o para detectar
oportunidades de negócios (FILION, 1999 apud CRUZ JÚNIOR et al, 2006).

Ainda, baseado na percepção dos entrevistados, a inovação surge como uma forma de fidelização

da sua clientela. Sob o enfoque do empreendedor B1, “a ideia da barbearia vai além de um simples
lugar para o corte de cabelo, transgredindo para um campo de entretenimento, um local para encontrar

os amigos; um local descontraído e amigável”.

Ante o exposto, foi possível perceber que esses empreendedores possuem um perfil bastante

17 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

parecido, pois todos perceberam a necessidade de inovar o espaço e o estilo de atendimento para
atender as demandas dos clientes. Além disso, percebeu-se que ambos são criativos, buscam

implementar inovações, têm iniciativa, são perseverantes frente aos desafios do mercado, procuram

agregar qualidade aos serviços oferecidos, sempre permeados pela ética e proatividade.
Como complemento da atuação desses empreendedores em suas Barbearias, percebeu-se que

todos se destacam entre os melhores Barbeiros e seus empreendimentos são vistos como as melhores

Barbearias da cidade, pois além de oferecer qualidade nos serviços, apresentam um bom atendimento,
garantem uma ambiência de conforto e primam pela satisfação de seus clientes.

Ficou evidente também que, ambos buscam informações e oportunidades; possuem visão,
estabelecem metas e são orientados para o resultado; buscam maneiras de atrair novos clientes; lutam

contra os padrões impostos, diferenciando-se no segmento de atuação que empreenderam e buscam


através da inovação a garantia da competitividade de seus empreendimentos no mercado.

5. CONCLUSÃO

A partir do objetivo geral desta pesquisa, que foi analisar o perfil de empreendedores do
segmento de barbearias da cidade de Paranavaí, Estado do Paraná, pode-se dizer que dadas as
discussões e achados da seção anterior, o objetivo foi alcançado.

Através dessa pesquisa foi possível perceber que empreender tornou-se uma forma de driblar o
cenário de instabilidade econômica e política evidenciada recentemente no Brasil. Sendo assim, os

indivíduos buscam utilizar a criatividade, a inovação e o empreendedorismo passa a ganhar destaque


como uma das alternativas para ganho de renda, principalmente com os índices de desemprego

elevados, como os atuais.

Assim, o empreendedorismo se destaca no cenário global, porém, apenas empreender, usar a

criatividade e as aptidões não garantem o sucesso do negócio, fazendo-se, então, necessário a gestão e
o planejamento do negócio, como foi percebido nas falas dos empreendedores entrevistados.

Deste modo, respondendo ao primeiro objetivo específico que pretendia apresentar o conceito de

empreendedorismo, segundo os supracitados autores Dornelas (2008); Ferreira (2015); Andreassi


(2014); Baggio; Baggio (2014); Cruz Júnior et al (2012); Lima (2018); Longenenecker; Moore; Petty

(2004); Maximiniano (2006); Mendes et al (2006); Ruiz (2019) e Werlang; Favreto e Flach (2017),

pôde-se perceber – de maneira geral – que o empreendedorismo trata da habilidade ou arte de se

18 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

construir algo, partindo de muito pouco ou quase nada, utilizando a criatividade e a motivação. Assim,

empreender – de acordo com as percepções dos autores mencionados – significa o impulso de


materializar e consolidar coisas novas, concretizar ideias e sonhos próprios, tirando-os do imaginário
para implementá-los no cenário real do mercado.

Ainda neste sentido, o empreendedor pode ser entendido como aquele indivíduo que transforma

a situação mais trivial em uma oportunidade, pois ele tem por característica ser visionário, inovador,

possuir aspectos de liderança e ser perseverante. Ser empreendedor é ser uma pessoa que imagina,
desenvolve e realiza visões, além de ser uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e

atingir objetivos, mantendo um nível de consciência do ambiente em que vive e utilizando-o para
detectar oportunidades de negócios.

Respondendo ao segundo objetivo específico que buscou levantar as principais características


do perfil do empreendedor, sob o ponto de vista dos autores citados no estudo, o empreendedor

caracteriza-se por traços de liderança, iniciativa, coragem para correr riscos calculados, capacidade de
planejamento e estratégia; além de ser visionário, eficiente e realizar seu trabalho com qualidade,
estabelecendo uma boa rede de contatos.

Essas percepções corroboram a teoria de Mendes et al (2012), que enfatizaram que o


empreendedor de sucesso engloba características extras que vão além dos atributos de um
administrador ou gestor, e alguns atributos pessoais que permitem o nascimento de uma nova entidade

organizacional. Assim, de uma ideia, provém uma inovação, e desta, uma empresa.
Ainda no que tange ao empreendedor, percebeu-se que esse indivíduo é caracterizado como

alguém que busca informações e oportunidades, tem visão de negócio, estabelece metas e é orientado
para o resultado; planeja e monitora sistematicamente; atrai e motiva pessoas; é um bom negociador e

em bom relacionamento interpessoal; luta contra padrões impostos, diferencia-se e busca a inovação; é

orientado para o futuro; possui uma grande rede de contatos; tem “modelos” que os influenciam; para

ele o fracasso é visto como um resultado; traz os seus pensamentos e busca transformá-los em ações;
“aprende a aprender” e tem seus próprios métodos de aprendizagem; tem forte capacidade de

envolvimento e foco; tem o lado racional bem desenvolvido, sendo bastante calculista.

Por fim, a partir dos empreendedores entrevistados nesta pesquisa, destacou-se em ambos a
preocupação em proporcionar qualidade nos serviços e conforto aos clientes. Ficou evidente também

que ambos buscam informações e oportunidades; possuem visão, estabelecem metas e são orientados

para o resultado; buscam maneiras de atrair clientes; lutam contra padrões impostos e buscam ser

19 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

diferenciados no sentido de garantir competitividade e a manutenção de seus empreendimentos no

segmento de Barbearias da cidade de Paranavaí, Estado do Paraná.

6. REFERÊNCIAS

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Fundação CECIERJ, 2009.

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Revista de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, Passo Fundo, v.1, n.1 p.25-38, 2014.

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CAMARGO, Silvia Helena Carvalho Ramos Valladão de. Gestão Empreendedora e


Intraempreendedora: Estudos de Casos Brasileiros. Ribeirão Preto: Villimpress, 2010.

CRUZ JÚNIOR, João Benjamim; ARAÚJO, Pedro da Costa; WOLF, Sérgio Machado; RIBEIRO,
Tatiana V. A. Empreendedorismo e Educação Empreendedora: Confrontação Entre a Teoria e a
Prática. Revista de Ciências da Administração, Florianópolis, v.8, n.15, p.01-22, 2006.

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Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

FERREIRA, Paulo Jorge Silveira. Empreendedorismo: Uma Abordagem Sintética. São Paulo:
Editora Sílabas e Desafios Unipessoal, 2015.

GIL, Antonio Carlos, Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2008.

LIMA, Presleyson. Por que o empreendedorismo é importante para a economia brasileira? Portal
Eu sou empreendedor, 2018. Disponível em: <https://eusou empreendedor.com/por-que-o-
empreendedorismo-e-importante-para-economia-brasileira/>. Acesso em 11 jun 2019.

LONGENENECKER, Justin Gooderl; MOORE, Carlos W.; PETTY, J. William. Administração de


pequenas empresas: ênfase na gerência empresarial. São Paulo: Pearson, 2004.

MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Administração para empreendedores: fundamentos da


criação e da gestão de novos negócios. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

20 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 1

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico; 4 ed.
São Paulo: Atlas, 1992.

MENDES, Edilaine; FERRARINI, Lorraine; OLIVETTE, Luiz Henrique; NOVAIS, Shirlei; DUTRA,
Fábio Mascarenhas. Processo empreendedor: um modelo de sucesso no setor da construção civil.
Revista Comunicação & Mercado, Dourados, v.01, n.03, p.43-52, 2012.

PORTAL SOLIDES. 2019. Empreendedorismo no Brasil: entenda o cenário atual. Disponível em:
<https://blog.solides.com.br/empreendedorismo-no-brasil/>. Acesso em 24 jul 2019.

RUIZ, Fernando Martinson. Empreendedorismo. São Paulo: Senac, 2019.

SEBRAE. Estratégia de mercado: Como escolher o melhor negócio para você. 2019. Disponível
em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ap/artigos/como-escolher-o-melhor-negocio-
pra-voce,0560598b99dde510VgnVCM1000004c 00210aRCRD>. Acesso em 19 jun 2019.

WERLANG, Nathalia Berger; FAVRETTO, Fabiane; FLACH, Rosiane Oswald. Desenvolvimento e


Evolução de Competências Empreendedoras em Alunos de um Curso de Graduação em
Administração. Revista de Empreendedorismo, inovação e tecnologia, Passo Fundo, v.4, n.2, p.30-50,
2017.

20 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2

A ECONOMIA SOLIDÁRIA E O EMPREENDEDORISMO:


O CASO DO BANCO DE PALMAS E A MOEDA SOCIAL

Fábio Eduardo Biazon Abrantes


Mestrando do Programa de Direito Negocial da
Universidade Estadual de Londrina
f_biazon@hotmail.com

Vitor Gabriel Garnica


Mestrando do Programa de Direito Negocial da
Universidade Estadual de Londrina
vitorgarnica@hotmail.com

Deivison Augusto dos Santos Domingues (in memoriam)


Mestrando do Programa de Pós-graduação em Gestão do
Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar

Victor Vinicius Biazon


Doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo,
Mestre em Administração pela Fundação Pedro Leopoldo
victorbiazon@gmail.com
Capítulo 2

INTRODUÇÃO

O reconhecimento do papel central do empreendedor no desenvolvimento econômico local,

regional ou nacional colocou o empreendedorismo entre as áreas do conhecimento científico.

Este estudo partiu de reflexões envolvendo o universo do empreendedorismo, economia solidária

e cooperativismo, o que gerou a seguinte questão norteadora: Dentro do contexto capitalista é possível

que organizações autogeridas com movimentação de propostas de economia solidária podem ser
caracterizadas como uma forma de empreendedorismo?
A economia solidária que, apesar de ainda discreta, tem se inserido no contexto capitalista, de

modo a complementá-lo, e não o substituir. Pensa-se neste instituto, ao ponto que, superadas as
discussões quanto à eliminação da forma econômica capitalista em si, haja uma saída criativa, que
possua o condão de melhor administrar os diversos aspectos econômicos da sociedade. A atual fase do

capitalismo criou vácuos de marginalização, nessa qual os empreendimentos solidários têm terreno
fértil para a sua reprodução.
Tal capacidade se perpetua em nossa atual sociedade, auxiliando o crescimento econômico de

pequenos e grandes grupos, unidos na solidariedade e igualdade, que buscam benefícios mútuos como
forma de fazer frente à economia capitalista. Nesse sentido, as diversas organizações existentes buscam
alternativas a fim de gerar de forma satisfatória os recursos.

Sendo assim, apresenta-se como objetivo de estudo refletir sobre como a economia solidária se

apresenta como forma de empreendedorismo. Trata-se de estudo exploratório a partir de levantamento

bibliográfico com estudo de caso.

2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Para Cervo e Bervian (2002) os estudos de caso são um tipo de pesquisa sobre uma determinada
família, grupo ou comunidade que seja representativa do seu universo, para examinar aspectos variados

de sua vida. Deste modo, será exposto aqui como exemplo acerca da economia solidária, seguido de

um resgate e análise o caso do Banco Palmas e a forma como ocorreu a criação e gestão de sua moeda
social, bem como a forma empreendedora como esta interfere diretamente na comunidade a qual está

inserida.

23 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

Para a compreensão da economia solidária como uma forma de empreendedorismo, é

necessário estabelecer uma linha de raciocínio compreendendo (1) empreendedorismo (2)

cooperativismo (3) economia solidária. Desta forma será clarificada a relação entre eles no caso

proposto.

As várias concepções hoje existentes sobre o empreendedor demonstram o caráter rico e


multifacetado desse ator: pessoa que assume riscos em condições de incerteza, fornecedor de capital
financeiro, decisor, líder industrial, gestor ou executivo, dono de empresa, contratante, árbitro no

mercado, entre outros. Para Vale; Wilkinson; Amâncio (2008), quando se busca o tema
empreendedorismo normalmente encontramos o sujeito no papel do empreendedor como agente capaz
de cooperar com outros agentes. Os autores fazem menção a Adam Smith, no século XVII, ao apontar

características inerentes ao capitalismo como a capacidade de levar ao máximo, a busca do auto


interesse por um lado e por outro, a necessidade de cooperação.
No entanto, há uma das vertentes da atual literatura sobre empreendedorismo, vislumbra o

empreendedor como um criador de redes. Destoando da concepção dominante do empreendedor como


um ator atomizado e individualista, traz interessantes desdobramentos, tanto no plano teórico quanto da
observação empírica (VALE; WILKINSON; AMÂNCIO, 2008)

O cooperativismo nasceu da percepção óbvia relatada por Sales (2010) de que o ser humano é

um ser social e as formas de cooperação remontam a história da humanidade. Como movimento

alternativo e de oposição ao capitalismo, o cooperativismo “é uma forma de somar capacidade dentro


de um mundo de concorrência” (p. 24). Trata-se de preservação da economia e da vida dos indivíduos

que têm o mesmo padrão de vida, mesmas dificuldades e objetivos comuns. Além disso, poderia ser

utilizado como instrumento para uma melhor distribuição de renda e crescimento socioeconômico das

economias emergentes.
Evidencia-se até aqui a interferência social tanto do empreendedorismo quanto do cooperativismo

uma vez que a criação de empreendimentos movimenta a economia e a comunidade que a circunda.

Ademais, não se pode pensar em empreendedorismo sem pensar em estímulo econômico sem pensar
no viés social, para tanto, faz-se aqui necessário conhecer os princípios que regem a economia

solidária.

24 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

Trata-se de uma busca para compreender o que de fato compõe uma cooperativa solidária, quais

são seus fundamentos e características inerentes. Tal análise é imprescindível uma vez que, dentro do
contexto fático-social, esta modalidade de gestão econômica, se desenvolve de diversas formas, e

apresentam sistemas, formas ou processos de atuação (práxis de trabalho/ dia-a-dia do trabalho de uma

empresa) similares, mas não idênticos, de modo que apenas através do isolamento de cada uma destes

aspectos é possível corretamente nosso objeto de estudo.

Para a construção de um objeto de estudo conforme preleciona Wanderley (2015), realizaremos


análise social através de duas perspectivas: minimalista e maximalista. A teoria minimalista crítica a
análise das unidades econômicas que compõem a economia solidária por critérios de sua forma de

organização, como a propriedade coletiva, autogestão democrática e articulação dos fins sociais e
econômicos. Porquanto a teoria maximalista realiza a mesma análise com base em valores como a
liberdade, igualdade, proteção do meio ambiente.

Assim, porquanto a primeira se apega em aspectos práticos e restritos, a segunda é amplamente


teórica e principiológica. Portanto, para a construção estrutural da economia solidária é indispensável a
observação de tais princípios como limites, de modo a estabelecer alternativas que sejam

“suficientemente utópicas como para implicar un desafío al status quo”, mas ainda sejam
“suficientemente reales como para no ser fácilmente descartables por ser inviables” (WANDERLEY,
2015).

De início, no aspecto maximalista, compreenderemos os princípios gerais da economia solidária.

Assim, imperiosa a compreensão do conceito de Max Weber de tipo ideal, analisado sob a ótica de

Fernanda Wanderley (2015).


O tipo ideal de Weber compreende uma abstração realizada por aquele que analisa um fenômeno

social com a finalidade precípua de melhor apreensão deste. Trata-se, pois, de uma ferramenta de

análise da sociedade para criar modelos padronizados destes fenômenos a fim de facilitar a

compreensão do sociólogo ou antropólogo de modo objetivado (WANDERLEY, 2015). Deste modo,


cada tipo ideal irá constituir uma característica padronizada de empresas solidárias, propiciando a

correta identificação dentro do amplo espectro social dos quais, de fato, atuam de forma solidária.

A autora ressalta que tais modelos não são simples ideais a se buscar ou alcançar no final. Não se
objetiva atingi-los em sua plenitude como forma finalística do homem na sociedade. Assim, eles

figurarão exclusivamente como um conjunto de conceitos básicos que simplificam cada espécie de

fenômeno social empregado no estudo social-antropológico. Nas palavras da própria autora:

25 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

el tipo ideal es una construcción abstracta a la que se llega mediante el realce


unilateral de ciertos elementos de la realidad, en contraposición a los
conceptos genéricos que son elaborados con base en el promedio de las
características encontradas de un fenómeno social dado. Consiste en la idea
de una configuración social históricamente dada en que se destacan rasgos
singulares, materiales y espirituales, considerados en su especificidad a fin
de reunirlos en un cuadro ideal carente de contradicciones (WANDERLEY,
2015).

Dessa forma, a abstração suscitada fora utilizada para a compreensão dos fenômenos sociais
envolvidos nas diversas nuances envolvendo a economia solidária, de modo a possibilitar seu

entendimento objetivo, conforme delinearemos nos próximos parágrafos.


Wanderley (2015) ainda trouxe da literatura clássica de Karl Polanyi os Princípios de Integração

e Padrões Institucionais, os quais servirão, também, como marco metodológico deste estudo. Eles se
designam como os próprios tipos ideais de Weber, estabelecidos por Polanyi através da seleção de

características da realidade social para a formulação de uma hipótese de interpretação e explicação da


mesma.
Tais princípios tinham como objetivo conferir aos debates entre o Estado e o mercado maior

profundidade teórica, fugindo das argumentações polarizadas. Para tanto, indicou a utilização de seus
princípios como forma de melhor visualização e posterior compreensão da problemática geral.
Segundo os princípios de Polanyi descritos em 1957 (apud WANDERLEY, 2015), porém

perfeitamente aplicáveis em nossa sociedade nos dias de hoje, os mercados e as transações não são os
únicos aspectos da economia, uma vez que esta apresenta, em realidade, um conjunto de regras formais

e informais. Ademais, sua atuação é impulsionada por meio das relações sociais pessoais e impessoais.
Tudo isso confere ao mercado grande complexidade, exigindo sua compreensão de forma

subdividida e pormenorizada, em um debate que se alastra até seus diversos aspectos, em todas as suas

ramificações. Neste sentido que nos valemos destes princípios como fundamentais na compreensão dos

aspectos únicos e individuais das empresas de economia solidária.


Assim, os Princípios de Integração e Padrões Institucionais funcionam como quatro tipos ideais,

os quais, ainda que não se manifestem puramente na sociedade, servem como guia para análise

empírica da mesma, com escopo de identificar configurações concretas no curso da história, sendo eles
Redistribuição, Inversão de competição, Reciprocidade e Subsistência (WANDERLEY, 2015).

26 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

Deste modo, toda empresa de economia solidária deverá, segundo a autora, estar integrada

destes quatro tipos ideais, ou seja, são as quatro principais características básicas apresentadas por elas
para que possam ser assim compreendidas.
Para entender as relações entre o mercado e o Estado, inicialmente é necessário compreender o

princípio e tipo ideal da redistribuição. Este se relaciona ao padrão institucional e centralidade política,

uma vez que prevê o Estado como a principal instituição de concentração de recursos para

redistribuição, ao ponto de viabilizar a concretização de seu objetivo é alcançar o bem estar coletivo e a
coesão social. Ademais, tudo o que é produzido pelo Estado será coletivo, com o acesso viabilizado

pela cidadania, e desvinculado da capacidade de compra de cada indivíduo.


O segundo princípio é o da troca com competição (compra e venda), que, ao contrário do

anterior, se vincula à capacidade de compra do indivíduo, uma vez que seu principal objetivo é gerar
excedentes, ou seja, acúmulo de capital. Sua aplicabilidade emana das relações mercadológicas de

compra e venda, com indivíduos racionais e centrados na autonomia instrumental.


Em terceiro lugar vislumbra-se o tipo ideal da reciprocidade, em que há uma busca de
crescimento coletivo, com adesão livre dos indivíduos. Ao contrário do que ocorre na compra e venda,

aqui a competição não surge imediatamente, prevalecendo o ideário de horizontalidade e simetria entre
seus aderentes.
O quarto e último princípio elencado por Polanyi e trazido por Wanderley (2015) é o da

subsistência, embasado na própria administração doméstica da sociedade moderna, com indivíduos


envoltos por laços sentimentais, pessoais e afetivos, responsáveis por administrar o próprio capital e a

si próprios por meio da delegação de funções e tarefas.


Neste aspecto, tem-se o quadro abaixo, com elaboração própria da autora Fernanda Wanderley

(2015), e tradução nossa:

Quadro 1 - Los principios plurales de integración y patrones institucionales

27 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

Os padrões e princípios não ocorrem de forma pura nas relações mercadológicas. Assim, nas
palavras da autora:
En términos metodológicos, este enfoque desestima la utilización de estos
tipos ideales como sectores económicos separados uno de los otros, ya que
estos principios y patrones se presentan de forma articulada y con contenidos
diversos en los tejidos económicos reales y, por lo tanto, lo que se identifica
son hibridaciones diversas de los mismos (WANDERLEY, 2015).

Desta forma, compreendemos a compreensão maximalista destes fenômenos, é possível melhor


interpretar os acontecimentos ao longo de lapsos históricos e ocorrências econômicas, conferindo

maior complexidade às discussões de modo a compreender quais os princípios gerais que

fundamentam um empreendimento solidário.


Nos adentrarmos à análise minimalista da economia solidária, por meio da análise da obra de

Paul Singer (2012), para delimitar noções mais práticas acerca desta forma econômica. Não

28 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

esvaziarmos todos os aspectos dessa forma de economia, mantendo o recorte para demonstrá-la como
modalidade econômica que poderá ser base para um novo empreendimento ou formas de

oportunidades de empreender.

Ressalta-se que dos estudos deste autor, observa-se que as primeiras formas dessa economia
advieram da comunhão de pessoas como forma de superar a extrema pobreza.1 Esta ainda é utilizada

para o mesmo fim, no entanto hoje já prospera em diversas de suas modalidades, e se aplica, dentro do

sistema capitalista, estimulando o crescimento de seus associados de forma horizontal e solidária.


Inclusive, uma de suas principais características é ser uma economia intersticial, ou seja, a

economia solidária irá ser inserida na lógica do sistema capitalista, sem substituí-lo, mas coexistindo
com ele, possibilitando aos seus cooperados uma forma de sobrevivência neste sistema.

A primeira grande manifestação da economia solidária foi a Cooperativa dos Pioneiros, os quais
estabeleceram para si mesmos oito princípios que viriam a ser imortalizados como os princípios

universais do cooperativismo:
1. º Que nas decisões a serem tomadas cada membro teria direito a um voto,
independentemente do quanto investiu na cooperativa

2. º Princípio da Porta Aberta: O número de membros da cooperativa era aberto, seria


aceito quem desejasse aderir
3. º Princípio dos juros determinados: Sobre o capital emprestado a cooperativa pagaria

uma taxa de juros fixa


4. º As sobras seriam divididas entre os membros em proporção às compras de cada um

na cooperativa
5. º As vendas feitas pela cooperativa seriam sempre feitas à vista

6. º Os produtos vendidos pela cooperativa seriam sempre puros

7. º A cooperativa se empenharia em educação cooperativa

8. º A cooperativa manter-se-ia sempre neutra em questões religiosas e políticas

Tais princípios estabelecem as linhas gerais da cooperativa, estabelecida aos moldes da

[1] A economia solidária nasceu pouco depois do capitalismo industrial, como reação ao espantoso

empobrecimento dos artesãos provocado pela difusão das máquinas e da organização fabril da

produção” (SINGER, 2012)

29 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

economia solidária. No entanto, não são as únicas características dessa forma econômica, como será
exposto.

O autor traz, inicialmente, a ideia de competitividade capitalista, afirmando seu duplo aspecto

benéfico. Isso pois ela é responsável por gerar produtos que melhor se adequem ao consumidor,
garantindo os melhores preços, ao tempo que também seleciona os melhores fornecedores, já que os

que não tiverem produtos bons e baratos serão eliminados do cenário competitivo (SINGER, 2012).

Ocorre que, apesar destas benesses, a competição gera perdedores, os quais deverão arcar com
pesados efeitos sociais da perda. Ao serem retirados do foco da competição, em decorrência da própria

ideia de competitividade, “acumulam desvantagens nas competições futuras”, mantendo-se na


“penumbra” dos vencedores, que acumulam vantagens (SINGER, 2012).
Empresários falidos não têm mais capital próprio, e os bancos lhes negam
crédito exatamente porque já fracassaram uma vez. Pretendentes a emprego
que ficaram muito tempo desempregados têm menos chance de serem
aceitos, assim como os que são mais idosos. Os reprovados em vestibular
precisam se preparar melhor, mas como já gastaram seu dinheiro fazendo
cursinho a probabilidade de que o consigam é cada vez menor (SINGER,
2012).

Assim, ao longo dos anos, com o acúmulo de vantagens sociais pelos vencedores, estes se
distanciam cada vez mais dos que não obtiveram vitórias e acumularam desvantagens, sendo, tanto as
vantagens como as desvantagens, transmitidas para as próximas gerações e se alastrando. Assim, “o

capitalismo produz desigualdade crescente, verdadeira polarização entre ganhadores e perdedores”


(SINGER, 2012).

Tanto na forma de produção capitalista, quanto na solidária a liberdade individual é preservada,


no entanto, a primeira é pautada na propriedade do capital de forma individual, gerando desigualdades,

e a segunda se funda na propriedade do capital de forma coletiva ou associada (SINGER, 2012).

A proposta de Singer (2012) é a formação de cooperativas ou sociedades econômicas, como

forma de unir os produtores como detentores de capital, os quais passarão a atuar como sócios, e não
mais empregados. Tal sistemática permitirá a substituição da competição instaurada pelo capitalismo,

para um sistema cooperativo em que prevalece a solidariedade e a igualdade de seus participantes.

O autor ainda cria uma pequena ressalva e afirma que os empreendimentos solidários não
dispensam a função pública de redistribuição de renda, destacando-se a necessidade de um Estado com

a responsabilidade de captar os ganhos que excedem o “socialmente necessário”, transferindo-o para os

30 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

que não alcançam o mínimo considerado indispensável. Para tanto, cita como exemplo a “renda

cidadã”, protagonizando o princípio da solidariedade não apenas em seus núcleos produtivos, mas à
toda uma coletividade:
Uma alternativa frequentemente aventada para cumprir essa função é a renda
cidadã, uma renda básica igual, entregue a todo e qualquer cidadão pelo
Estado, que levantaria o fundo para esta renda mediante um imposto de
renda progressivo (SINGER, 2012).

Ademais, as empresas solidárias, a depender de sua gestão, poderão se tornar vencedoras ou


perdedoras, acumulando, do mesmo modo que ocorre no restante da sociedade com cada indivíduo,

vantagens e desvantagens. Enquanto plano estratégico político a presença do Estado se faz necessária
para organizar:
Suas vantagens e desvantagens teriam de ser periodicamente igualadas para
não se tornarem cumulativas, o que exige um poder estatal que redistribua
dinheiro dos ganhadores aos perdedores, usando para isso impostos e
subsídios e/ ou crédito (SINGER, 2012).

Não obstante, Singer (2012) afirma que a economia solidária, apesar de estar sob a tutela estatal,
funcionará como uma associação entre pessoas iguais, e não como um contrato entre desiguais, aos

moldes do que se passa em uma empresa capitalista, sendo a associação a chave desta forma
econômica fazer prosperar a solidariedade.
Isso, pois, haveria entre estes associados, em decorrência de todos possuírem parcela idêntica do

capital da empresa solidária, a igualdade de direito a voto, permitindo as decisões empresariais de


forma horizontal, ou seja, todos os votos possuem a mesma importância e peso (SINGER, 2012).

Não obstante os cooperados possuam ações de mesma proporção, ainda, elegerão diretores para
comandar suas operações na empresa solidária. Este cargo advirá do voto igualitário de todos os

associados, inexistindo hierarquia ou competição entre eles, vez que, segundo Singer (2012), “se a

cooperativa progredir, acumular capital, todos ganham por igual”.

Os associados, ainda, não receberão salários – que são determinados com base na oferta e procura
do mercado capitalista e escalonados com objetivo de maximizar o lucro – obtendo seu sustento por

meio de retiradas, as quais, dentro do contexto da economia solidária geralmente serão menores do que

dos sócios capitalistas (SINGER, 2012).


Há ainda as sobras de capital, que terão sua destinação decidida através de assembleia de sócios,

direcionando uma parcela dos ganhos para um fundo de educação dos próprios sócios ou de pessoas

31 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

novas que vierem a integrar a empresa; outra parcela é colocada em um fundo de investimentos
divisível e outro indivisível; e, por fim, o restante pode ser dividido igualmente entre os sócios

valendo-se de critério decidido em assembleia (SINGER, 2012).

Acerca do fundo de investimento, há duas possibilidades. Quanto ao divisível é repartido


individualmente entre seus associados, podendo eles retirar tais valores ao deixar a associação. Já os

fundos indivisíveis, tem-se montantes que não pertencem aos sócios, não podendo se valer deles ao se

desconectarem da sociedade, ou seja, são valores da própria empresa, como um legado deixado para os
sucessores (SINGER, 2012).

Por fim, uma das principais características da economia solidária apresentada por Paul Singer
(2012) é a autogestão, a qual vai de encontro à heterogestão praticada pelas empresas capitalistas, com

administração hierarquizada, de forma verticalizada, ao ponto de os trabalhadores de níveis inferiores


desconhecerem todos os aspectos necessários para o cumprimento de suas tarefas, sendo-lhes

repassado o mínimo necessários para que efetuem sua parcela de trabalho rotineira e repetitiva.
A autogestão é marcada por uma administração democrática, que poderá ter decisões tomadas
em assembleias rápidas, quando a empresa for pequena, ou, sendo ela de grandes proporções, com

muitos associados, para conferir maior agilidade, grandes decisões são tomadas em assembleias gerais
eventuais, no entanto, elege-se responsáveis “delegados por seção ou departamento, que se reúnem
para deliberar em nome de todos” para as decisões rotineiras (SINGER, 2012).
Em empresas solidárias de grandes dimensões, estabelecem- se hierarquias
de coordenadores, encarregados ou gestores, cujo funcionamento é o oposto
do que ocorre em suas congêneres capitalistas. As ordens e instruções devem
fluir de baixo para cima e as demandas e informações de cima para baixo. Os
níveis mais altos, na autogestão, são delegados pelos mais baixos e são
responsáveis perante os mesmos. A autoridade maior é a assembleia de todos
os sócios, que deve adotar as diretrizes a serem cumpridas pelos níveis
intermediário e alto da administração (SINGER, 2012).

Neste aspecto, a inteligência da empresa permanece em todos os seus associados. Deles é


exigido um esforço adicional ao ponto que além de fazer frente à suas funções dentro da empresa,

ainda precisam conhecer e lidar com todos os problemas gerais dela.

Da comparação dos dois sistemas – capitalista e solidário – trazemos o apontamento de


Singer (2012) que afirma que o cooperativismo de consumo perde sua batalha contra o grande capital,

mas ainda persiste. A empresa capitalista é imbatível no aspecto de preço e qualidade do produto, no

entanto “é impessoal, burocrático, voltado a um atendimento em massa, que não pode se permitir

32 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

atentar para necessidades particulares”. Assim, quando não se tratar de demanda de consumidores
massificados, ludibriados pelas diversas formas publicitárias, mas sim por consumidores cidadãos,

conscientes e envolvidos em sua sociedade, a economia solidária melhor atenderá, permitindo que esta

concorra com aquela.


O cooperativismo surgiu no Brasil no início do século XX, quando imigrantes europeus

trouxeram as primeiras experiências e puderam enfrentar as adversidades de um novo mundo. Embora

o cooperativismo tenha enfrentado dificuldades ao longo de todo o século XX, mostrou-se capaz de
resistir e de se firmar na economia nacional. Os empreendimentos de economia solidária no Brasil

foram se organizando por meio de várias frentes e estímulos, como vinculados a Universidades em
Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPS), assim como a criação da Secretaria

Nacional de Economia Solidária (Senaes) e o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), que se
estruturaram de forma a garantir a articulação entre três segmentos do movimento de economia

solidária: empreendimentos solidários, entidades de assessoria e fomento, e gestores públicos


(MORAIS et. al, 2011).
Lima (1998, p. 4) categoriza algumas modalidades de cooperativismo que não são caracterizados

como e empreendimentos denominados de economia solidária, como: Cooperativas de produção ou de


trabalho; "Cooperfraudes" ou "pseudo cooperativas"; Cooperativas que atuam como empresas
capitalistas; Cooperativas agrícolas ou agroindustriais na perspectiva da economia solidária.

Para Morais et. al (2011), na conjuntura nacional do início do século XXI, a perspectiva
cooperativista abordada (autogestionária, socioeconômica, solidária) tornou-se possibilidade de

conquista de melhores condições objetivas de vida, um campo de formação de uma nova cultura, em
que os participantes por livre adesão, rompem com a hegemonia individualista, um microespaço de

formulação de uma contra-hegemonia capitalista além de uma estratégia a partir dos subalternizados, e

não dos incluídos nos benefícios do lucro e da condição de estratos médios da sociedade.

4. DISCUSSÃO DE RESULTADOS

4.1 O CASO DO BANCO DE PALMAS E A MOEDA SOCIAL

Criado em 1998 por uma associação de moradores, o Banco de Palmas, inspirado no modelo

asiático do Grameen Bank (Banco da Aldeia), contempla como principal objetivo a criação e o

33 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

fornecimento de microcrédito para a produção e consumo local, tem como eixo central de suas práticas
a prestação de serviços de finanças solidárias, sendo assim um banco comunitário, gerido pela

comunidade local (KONDO, 2012).


A própria comunidade decide criar o banco, tornando-se sua gestora e
proprietária; Atua sempre com duas linhas de crédito: uma em reais e outra
em moeda social circulante local; Suas linhas de crédito estimulam a criação
de uma rede local de produção e consumo, promovendo o desenvolvimento
endógeno do território; Apoia os empreendimentos com estratégia de
comercialização como: feiras, lojas solidárias, central de comercialização,
etc.; Atua em territórios caracterizados pelo alto grau de exclusão e
desigualdade social; Volta-se para um público caracterizado pelo alto grau de
vulnerabilidade social, sobretudo aqueles beneficiários de programas sociais
governamentais de políticas compensatórias; Funda sua sustentabilidade
financeira, em curto prazo, na obtenção de subsídios justificados pela
utilidade social de suas práticas (INSTITUTO BANCO PALMAS, 2016,
p.3).

Para Melo Neto e Magalhães (2007, p. 18), “O Banco Palmas é um programa de desenvolvimento
local que vai muito além do simples ato da concessão do microcrédito. Tem início com a capacitação e
empoderamento dos moradores, despertando a sensibilidade para a solidariedade”.

Nesse contexto é válido destacar que o Banco Palmas atua utilizando não só a moeda nacional, o
Real, mas também a moeda social, criada pelo banco a fim de estimular o comércio local e regional.
O sistema financeiro do banco atua utilizando além do Real, moeda oficial
brasileira, o Palmas, uma moeda social criada pelo banco para estímulo do
comércio interno. O Palmas funciona como um complemento da moeda
nacional, e circula somente dentro do bairro, possui lastro em Reais e os
empréstimos oferecidos aos clientes podem variar entre as duas moedas de
acordo com o perfil de cada um. Pode-se observar como exemplo semelhante
a REDLASES (Rede Latinoamericana de Socioeconomia Solidária) que
também faz uso de moeda social na busca da melhoria do desenvolvimento
econômico-social em vários países da América Latina (KONDO, 2012,
p.05).

Na atualidade, essa cooperativa, dissemina sua metodologia de trabalho para diversos outros
bancos existentes. Nesse sentido, o presente estudo estará direcionado a análise da moeda social,

amplamente utilizada dentro das unidades existentes dentro da cooperativa.

Soares (2016) apresenta a moeda social, como aquela moeda paralela criada e administrada por
seus próprios usuários, contemplando sua emissão dentro da esfera privada da economia, não existindo

relação obrigatória com a moeda nacional. “Sua circulação é baseada na confiança mútua entre os

usuários, participantes de um determinado grupo, por adesão voluntária” (SOARES, 2016, p. 138).

34 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

O palmacard foi a primeira experiência de moeda social criada pelo banco Palmas. O palmcard

consistia em um crédito, disponibilizado em um cartão que funcionava como um circulante local,


contribuindo para o aumento do consumo de diferentes mercadorias, produtos e serviços existentes no

próprio bairro. Com o passar dos anos, as ideias foram aprimoradas e diversas moedas foram lançadas,

buscando sempre oferecer melhores possibilidades aos associados (INSTITUTO BANCO PALMAS,

2016). Desta forma, o Instituto Banco Palmas, desenvolveu diversas moedas sociais, buscando sempre

aliar as necessidades locais com a facilidade ao acesso deste crédito.


As diversas experiências de moedas que o Banco Palmas vem
experimentando ao longo dos seus 17 anos são frutos e resultados de um
longo e árduo processo de investimentos não só financeiros, mas, sobretudo
sociais. Estar sempre adaptando às novas necessidades econômicas de uma
determinada comunidade é um legado que devemos compartilhar com o
mundo, é isso que a nós nos fala essa longa Jornada (INSTITUTO BANCO
PALMAS, 2016, p.15).

Nesse contexto, pode-se perceber que as principais contribuições deste sistema consistem no
efetivo desenvolvimento local e regional, resultando na valorização dos produtos e das pessoas que
constituem o mesmo, possibilitando assim não só a geração de empregos, mas também de renda para

toda a comunidade, além de colaborar para o fortalecimento da rede solidária e o avanço do Banco.
Mostagi et al (2016, p.13) conclui que as ações positivas do Banco de Palmas está na “percepção
positiva do Banco no imaginário dos seus parceiros, clientes e beneficiários de seus projetos”, que gera

melhores resultados financeiros e administrativos de atendimento e, de suporte às necessidades da

comunidade, “benefícios que estão intimamente relacionados com o grau de confiança entre as pessoas

e o mecanismo de funcionamento do banco e de sua moeda social”.


Como forma de transformar a realidade local, o Banco Palmas empreendeu ações complementares,

como a Academia de Moda da Periferia (um tipo de escola de capacitação em moda e estilismo); o

Projeto Bate Palmas (banda de música, estúdio e confecção de instrumentos musicais); o Projeto Bairro

Escola de Trabalho (comércio, indústria e serviços do bairro capacitam e empregam jovens da


comunidade).

Mostagi et al (2016, p.13) relata ainda que investir em políticas socioeconômicas e alternativas

ao capitalismo atual, como é o caso do banco comunitário – Banco Palmas, podem resultar em
oportunidades de crescimento e sobrevivência às populações pobres, assim como a melhoria da

qualidade de vida, ocorrendo assim um desenvolvimento local inovador de inclusão social coletiva.

35 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Compreendemos na raiz do empreendedorismo que este interfere no contexto social e econômico


a sua volta, desta forma, não podemos descartar o Banco de Palmas e criação de uma moeda local

como forma de empreender, já que interferiu na forma de viver e conviver, social e econômica,

daquelas pessoas.

Somando isso ao que se caracteriza como cooperativismo, o caso do Banco de Palmas também
se enquadra como tal visto que as decisões são partilhadas, tomadas em conjunto, há democratização

dos processos e da coletividade.


Com vistas a responder à questão norteadora, a partir dos levantamentos bibliográficos e suas

respectivas inferências correlacionais, foi possível compreender que desenvolvimento capitalista e a


constituição da movimentação de propostas da atual economia solidária, podem ser caracterizadas

como uma forma de empreender de organizações produtivas com autogestão, democracia participativa,
sustentabilidade ambiental e promoção de um novo tipo de sociabilidade entre os sujeitos envolvidos.
Quanto a reflexão acerca das características da economia solidária observadas, e o paralelo quanto

a ação de empreendedorismo do Bando de Palmas e a criação da moeda local, iniciaremos encarando a


redistribuição como uma função do Estado, contudo uma vez que este não pode cumprir com sua
função, no caso apresentado, podemos compreender que houve redistribuição quando da criação de

linhas de crédito já que busca coesão social através da identidade dos cidadãos menos favorecidos. O
banco, como um empreendimento de economia solidária, assegurará a redistribuição pois, estimula a

circulação de dinheiro com a criação de uma moeda própria que depois será trocada pelo dinheiro
(Real) movimentando assim, a economia local, por isso a redistribuição, ainda que em caráter

particularizado, por assim dizer.

Ao tempo que os cidadãos que tenham recebido o financiamento terão incrementado sua

economia buscando novas ações mercadológicas uma vez que poderão ser reinseridos no mercado de
compra e venda efetivando a característica de competição que não era percebida em meio aos cidadãos

de baixa renda. Dessa forma, cidadãos alicerçados em uma economia liberal capitalista conseguem se

focar na busca pelo excedente ainda em que em uma situação de escassez demonstrando a
intersticialidade dos empreendimentos solidários, ou seja, possuem possibilidade de concorrência.

Entendemos que o cooperativismo é a forma de possibilitar essa concorrência através da

reciprocidade na junção de várias pessoas com mesmas finalidades, ou seja, busca de objetivos mútuos,

36 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

nesse caso, microempresários locais que passavam por necessidades e juntos buscavam melhores
condições. Com relação à economia solidária, a criação do banco para a liberação de microcrédito para

o microempresário se harmoniza com a característica de subsistência, uma vez que motiva o

comportamento predominante é a busca pela sustentabilidade.


Sob o viés a economia solidária, a reciprocidade nasce da junção de pessoas por afinidade de

valores em busca de poder financeiro, contudo, a subsistência é verificada pela identidade de classe

dessa população, uma identidade que é anterior ao próprio indivíduo e que, portanto, determinará em
grande parte as suas oportunidades econômicas.

Ligando a reciprocidade à subsistência e pensando na cooperativa o fato da redistribuição de


renda ou do investimento local permitir ou fomentar a injeção de dinheiro e ainda compreendendo a

forma dessa gestão ser “doméstica”, voluntária percebe-se que o empreendedor nasce das necessidades
e oportunidades locais, a sociedade determina o que é necessário naquela dada circunstância.

Logo, a criação de um empreendimento (banco) que movimentou a economia, o social, da


comunidade, sim, é um exemplo de empreendedorismo. Inclusive o empreendedorismo de rede cabe
nesse contexto. Ademais, houve tanto necessidade quanto oportunidade de atuação para os

microempresários e fundadores do Banco.

6. REFERÊNCIAS

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia Científica. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

INSTITUTO BANCO PALMAS. O que é um Banco Comunitário. Disponível em:


<http://www.institutobancopalmas.org/o-que-e-um-banco-comunitario/> Acesso em 31 Jul. 2020.

KONDO, E. K.; MATSUMOTO, A.S.; FERNANDES, J. L. B.; PEREIRA, S.E.; LOPES, G.A. A
influência do banco palmas na melhoria da qualidade de vida dos seus participantes. Associação
Educacional Dom Bosco, Rio de Janeiro, 2012.

LIMA, Jacob Carlos. Desconcentração Industrial e Precarização do Trabalho: Cooperativas de


Produção do Vestuário no Brasil, 1998. Disponível em:
<http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/lasa98/Lima.pdf> Acesso em: 29 jul. 2020.

MELO NETO, J. J.; MAGALHÃES, S. Bairros Pobres, Ricas Soluções: Banco Palmas Ponto a
Ponto. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2007.

37 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 2

MORAIS, Edson Elias de et al. Propriedades Coletivas, Cooperativismo e Economia Solidária no


Brasil. Serv. Soc. Soc. São Paulo, n. 105, p. 67-88, março de 2011. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-
66282011000100005&lng=en&nrm=iso>. acesso em 29 de jul. de 2020.

MOSTAGI, Nicole Cerci. Banco Comunitário no Brasil: O Caso Do Banco Palmas E Sua Moeda
Social. XIX SEMEAD - Seminários em Administração, novembro de 2016.

SALES, João Eder. Cooperativismo: Origens e Evolução. Revista Brasileira de Gestão e Engenharia.
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<https://periodicos.cesg.edu.br/index.php/gestaoeengenharia/article/viewFile/30/23> Acesso em <15
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SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.

SOARES, Claudia Lucia Bisaggio. Moeda Social: Uma Análise Interdisciplinar de suas
Potencialidades no Brasil Contemporâneo. 2016.

VALE, Gláucia Vasconcelos; John Wilkinson; AMANCIO, Robson. Empreendedorismo, Inovação e


Redes: Uma Nova Abordagem. RAE electron. São Paulo, v. 7, n. 1 de junho de 2008. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-
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WANDERLEY, Fernanda. Desafíos Teóricos Y Políticos de la Economía Social Y Solidaria. La


Paz, Bolivia: Plural Editores, 2015.

38 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


C AC
PAÍ TPUÍ T
LOU L1O 3

#EUEMPREENDO - DISSEMINANDO A CULTURA


EMPREENDEDORA: UMA APLICAÇÃO NAS ESCOLAS DE ENSINO
MÉDIO DO MUNICÍPIO DE PARACURU - CEARÁ

Andréa Moura da Costa Souza


Doutora em Educação - Universidade Federal do Ceará, Mestre em
Administração de Empresas - Nancy II- France-UFMG
andrea.souza@ifce.edu.br

Silvia Rafaela da Costa Dantas


Técnica em Meio Ambiente - Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Ceará, Paracuru, Ceará, Brasil
rafaeladantas811@gmail.com

Estefane Kelly Vieira


Graduanda em Gestão Ambiental - Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Ceará, Paracuru, Ceará, Brasil
estefane.kelly.vieira@hotmail.com
Capítulo 3

INTRODUÇÃO

O termo empreendedorismo, geralmente refere-se à capacidade de inovar, descobrir ou identificar


uma oportunidade de negócio lucrativo, mesmo que esta descoberta envolve riscos. A palavra

empreendedorismo tem relação direta com atitudes de um indivíduo proativo, ousado e motivado a

implementar novas mudanças, sendo passível de resolver problemas em situações complicadas caso

ocorram.
O termo evoca criar uma empresa lucrativa, entretanto essa é somente uma das formas de

empreender. O papel do empreendedor é essencial para o país, por isso, o século XXI pode ser
considerado a era do empreendedorismo, pois são os empreendedores que costumam eliminar as

barreiras comerciais e culturais, globalizam e renovam os conceitos econômicos, criam novas relações
de trabalhos e novos empregos, quebram paradigmas e geram riqueza para a sociedade (DORNELAS,

2018). Assim, desperta-se a importância de estimular o desenvolvimento do comportamento


empreendedor nos indivíduos cada vez mais jovens, uma vez que estes contribuirão com seu
protagonismo juvenil, para o crescimento econômico do país, aumentando as possibilidades de

emprego, renda, investimento e melhorias para a Sociedade.


A inserção de metodologias ativas e elementos culturais, socioambientais nas escolas como
atividades transdisciplinares no currículo formal da escola, como a educação empreendedora ainda é

pouco presente, entretanto a pesquisa de disseminação da cultura empreendedora se mostra importante


diante de políticas públicas visando a modificação da previdência social e dos modelos de trabalho,

percebemos que inserir esse conteúdo na formação dos discentes pode redefinir seu processo de
aprendizagem. Neste contexto, a aprendizagem em empreendedorismo pode possibilitar um leque de

informações por meio de atividades formadoras para sua vida educacional e profissional. Assim, para a

educação acompanhar as mudanças da sociedade precisa aproximar o currículo dos estudantes e uma

redefinição do processo de aprendizagem (AGUERRONDO, 2006).


Nesta perspectiva, a aprendizagem em empreendedorismo pode contribuir para o entendimento

do discente sobre o mundo do trabalho e possibilitar desenvolver características empreendedoras.

O objetivo deste estudo é apresentar o projeto #Euempreendo - Disseminando a Cultura


Empreendedora que integra uma parceria entre o Instituto Federal do Ceará e as escolas do município

de Paracuru.

O artigo está dividido da seguinte forma na seção 2 será apresentada a metodologia, descrevendo

40 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

cada etapa e sua execução. Na seção 3 será apresentado o embasamento teórico, nessa seção buscou
relacionar a importância do tema para o desenvolvimento do país pontuando algumas ações

desenvolvidas por outros órgãos que também buscam de forma comum fomentar o empreendedorismo.

Na seção 4 são apresentados a discussão dos resultados e em seguida as considerações do trabalho


pontuando os avanços para o estudo desse tema.

2. METODOLOGIA

Optou-se pela aplicação de oficinas e vivências durante um período longitudinal de seis meses
para contribuir para o amadurecimento do tema e permitir tempo hábil para pesquisa e execução das

tarefas. As escolas foram escolhidas de forma intencional, pela disponibilidade sem que acarretasse
prejuízo para a pesquisa. Os dados foram coletados por meio de um questionário diagnóstico que tinha

informações pessoais, seguida pelo seguinte questionamento: você se considera um empreendedor.


Este projeto foi financiado pelo Programa Institucional de Apoio a Extensão no ano de 2019.
Desde o início procurou-se definir um planejamento estratégico com o intuito de articular e envolver os

principais atores nas áreas de empreendedorismo, escolas de ensino médio, bolsistas e comunidade. Na
pesquisa participaram um professor-orientador e 3 bolsistas que trabalharam juntos no planejamento e
execução das atividades nas escolas para os discentes.

Planejadas as atividades, 03 escolas públicas do Governo do Estado e uma escola privada, foram
contatadas no município de Paracuru - Ceará, com o intuito de serem apresentadas aos objetivos e a

metodologia do referido projeto. Depois do aceite das escolas, definiu-se os dias e horários das quatro
oficinas, com duração de 50 minutos em cada encontro, de tal forma, que não prejudicasse a grade

curricular de cada escola. Duas das escolas contatadas, não conseguiram adaptar seus calendários para

acomodar as dinâmicas do projeto. Em uma delas até foi iniciado o projeto, todavia, foi interrompido

por conta do cronograma de atividades escolares que usou o mesmo horário acordado anteriormente
para a execução.

Desta forma, somente 02 escolas participaram das 04 oficinas do referido projeto. Uma escola

privada, a qual chamaremos de A e a outra pública-estadual, nomeada de B. O projeto foi desenvolvido


com 67 discentes no total, sendo 22 na escola A com as turmas do ensino médio do 1° ao 3° e 45 na

escola B e foi voltado para duas turmas do 2° ano. A faixa-etária dos discentes era entre 15 a 18 anos

de idade.

41 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

O presente estudo de caso situa o conhecimento dos discentes sobre empreendedorismo e


descreve o processo de aprendizagem em empreendedorismo. Os procedimentos éticos adotados no

trabalho resguardam o anonimato das escolas que receberam o projeto e dos estudantes envolvidos na

pesquisa. Tendo o consentimento do gestor, do docente e dos estudantes que concordaram em


participar do projeto.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

O empreendedorismo nos últimos séculos, passa a ser visto cada vez mais como uma forma de
proporcionar o surgimento de novas oportunidades de trabalho e traz consigo o desenvolvimento de

competências na busca de novos talentos. Talentos estes dotados de um conjunto de atributos e


qualidades que distinguem um empreendedor de sucesso, que quando são estimulados, buscam almejar

sucesso pessoal e profissional, nas finanças e em questões socioeconômicas globais ou locais. Por isso,
as características de um empreendedor de sucesso, são as capacidades de persuasão, autoconfiança,
criatividade, liderança, flexibilidade, integridade, comunicação, resistência às frustrações, dentre tantas

outras peculiaridades. Porém, existem aqueles empreendedores que nascem com o dom de empreender,
e os empreendedores influenciados pelo meio em que vivem, através das próprias práticas, influência
familiar ou pelos estudos (OLIVEIRA, 2012).

A dinâmica do empreendedorismo no Brasil começou a tomar um novo direcionamento na


década de 1990, quando foram criadas empresas como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e

Pequenas Empresas (Sebrae) e Sociedade Brasileira para Exportação de Software (Softex). Antes
delas, não ocorriam relatos referentes ao empreendedorismo e nem a criação de pequenas empresas,

entretanto sempre existiu empreendedorismo, empreendedores e empresas sendo criadas no Brasil,

nessa direção podemos citar Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá (1883-1889).

As instituições públicas e privadas nos últimos cinco anos buscam fomentar com um maior vigor
o empreendedorismo no Brasil com programas de incubação, aceleração nas Universidades, Institutos e

empresas de todos os setores. Foi através destas parcerias que palavras como “plano de negócios”

(business plan), ganharam abrangência. Atualmente, o Brasil possui um cenário propício com potencial
para desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo, comparável apenas aos

dos Estados Unidos, onde aproximadamente duas mil escolas ensinam empreendedorismo.

(DORNELAS, 2018).

42 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

As parcerias entre programas de empreendedorismo, inovação e aceleração e empreendedores,

trazem novas oportunidades empreendedoras que proporcionarão a criação e o desenvolvimento de


novos negócios no país. Sem sombra de dúvidas, o empreendedorismo será o protagonista da mudança

na economia dos próximos anos.

Em fevereiro de 2020 a cidade de Fortaleza sediou um dos maiores programas de mobilização

do Brasil, denominado: “Mobilização pelo Emprego e Produtividade”. Uma iniciativa do Ministério da

Economia, por meio da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, em parceria


com os governos estaduais e o Sebrae. Esse projeto passará por todas as unidades da federação, com o
intuito de mobilizar governos locais e representantes do setor produtivo, na direção de aprovar políticas

públicas que possam simplificar a vida de quem produz e gera emprego e renda.
Dentre estas políticas públicas, destacam-se:
Brasil 4.0: visa promover a modernização das empresas por meio do fomento à inovação,

digitalização e capacitação gerencial. O programa tem como base uma política de atuação
microeconômica que permite a pequenas e médias empresas implementarem técnicas e
ferramentas para elevar sua produtividade.

Emprega+: possui o objetivo de melhorar a capacitação do profissional para o mercado


de trabalho e eliminar os principais gargalos que prejudicam a recolocação de
desempregados. Buscam aprimorar o alinhamento entre a oferta e a demanda de

qualificação profissional, promovendo a oferta de cursos orientados à demanda,

aumentando desta maneira, a empregabilidade dos trabalhadores para os desafios do

futuro trabalho.
Prospera MPE: possui o objetivo de promover o desenvolvimento das Micro e Pequenas

Empresas (MPE) de forma inovadora e sustentável. O projeto visa atuar na simplificação

da regulação que rege o funcionamento dessas empresas, bem como criar vetores de

incentivos produtivos com base em mecanismos de mercado que tenham efeitos diretos
sobre a produtividade, destacando-se os aspectos ligados ao ambiente de negócios,

facilitação de investimento, questões trabalhistas, recuperação judicial e extrajudicial e

também aqueles ligados a compras públicas.


Simplifica: visa articular a remoção de obstáculos à produtividade e à competitividade das

empresas, ou seja, busca reduzir os entraves burocráticos, facilitando o dia a dia das

empresas para que elas possam produzir e gerar empregos.

43 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

Cidade Empreendedora: busca desenvolver o desenvolvimento econômico local, com

foco na melhoria constante do ambiente de negócios nos municípios brasileiros, visando a


competitividade e a sustentabilidade das Microempresas, Empresas de Pequeno Porte e

Microempreendedores Individuais, além de gerar estímulos concretos à cultura

empreendedora. (BRASIL, 2019)

Dornelas (2018) já havia percebido que em todo o mundo, o interesse pelo empreendedorismo
se estendia além das ações dos governos nacionais, atraindo também a atenção de muitas organizações
e entidades multinacionais. Pois, acredita-se na convicção de que o poder econômico dos países,

depende de seus futuros empresários e da competitividade de seus empreendimentos. Em uma reunião


realizada em 2009 na conferência de Davos, por integrantes do Fórum após vários debates surgiram
algumas recomendações para que se potencialize o empreendedorismo nos jovens, de tal maneira que

consigam suprir as demandas do século XXI. Entre elas:


Desenvolver habilidades de liderança e conhecimento do mundo e do ambiente no qual
vivem, para que consigam superar os desafios das próximas décadas.

Enfatizar a educação empreendedora como parte-chave da educação formal em todos os


níveis.
Desenvolver o empreendedorismo como tema transversal, não apenas como disciplina.

Utilizar a interatividade como mote da pedagogia educacional, com foco na

experimentação, na ação e na análise e solução de problemas.

Ampliar o uso da tecnologia no ensino tanta para ganhar escala e aumentar a abrangência
do tema como para possibilitar a criação de material didático inovador e interativo.

Aparentemente, todos os estudos ao longo dos anos, apontam o empreendedorismo como a

semente que necessita ser regada, adubada e cultivada, para que futuramente possamos colher bons
frutos. Em outras palavras, o empreendedorismo surgiu para ser o grande propulsor do

desenvolvimento econômico, por isso a importância de estimular o desenvolvimento do

comportamento empreendedor nos jovens em todos os níveis de ensino. E para que o


empreendedorismo seja ensinado, se faz necessário adaptar a pedagogia empreendedora a cada

disciplina ou campo de estudo (OLIVEIRA, 2012).

44 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

Dolabela (2006) que é um dos pioneiros da abordagem empreendedora no Brasil argumenta que

“costumamos definir o empreendedor como alguém que sonha e busca transformar seu sonho em
realidade. [...] este conceito é simples, mas na prática, encontra dificuldades, porque a nossa sociedade

não nos estimula a sonhar. De fato, o sonho não faz parte da pedagogia das escolas, nem do lar,

tampouco da rua”. (DOLABELA, 2006, p 41).

Dolabela (2016) enfatiza que no Brasil, educar empreendedorismo significa a realização de uma

fabulação e a destruição de mitos que atuam como obstáculos. No lado dos mitos encontramos
expressões como: “ser empreendedor é coisa para poucos”, “só pode empreender aquele possuidor de
um financeiro elevado”, “o empreendedorismo não traz modificações para a sociedade”. Já se

aproximando das fábulas, desenvolver uma educação empreendedora, significa reconhecer a


importância da nossa diversidade cultural, que nos enriquece como povo e nação, acreditando na nossa
capacidade de inovar, além de protagonizar os nossos sonhos, tendo em vista a construção de um

futuro melhor (DOLABELA, 2016, p.41).


Por isso, o sistema educacional convencional deverá ampliar o seu currículo para além de
conhecimentos técnicos e científicos, adaptando as suas metodologias em um mergulho criativo em

algo incerto, não possível de ser descrito nos resultados da soma de algoritmos, mas absolutamente
necessário para a lição de transformar conhecimentos científicos, tecnologias políticas e existenciais
em riqueza social (DOLABELA, 2016).

Para Dolabela (2016) a Pedagogia Empreendedora é uma estratégia didática pensada para o

desenvolvimento da capacidade empreendedora na educação básica. Esta proposta pedagógica utiliza a

metodologia denominada Teoria dos Sonhos que consiste em mostrar que a necessidade de aquisição
do conhecimento empreendedor, surge no momento que o indivíduo começa a trilhar os seus passos na

direção da realização dos seus sonhos. Por isso, se faz necessário desenvolver habilidades,

competências e comportamentos, objetivando a satisfação dos desejos individuais ou coletivos. Apenas

desta forma, o indivíduo passaria a ser o protagonista do seu próprio destino, agindo intencionalmente
para modificar a sua autorrealização e a relação com o ambiente que o cerca.

Rolim et al (2019) confirma que o empreendedorismo é composto mais por atitudes do que

por habilidades e, por isso, pode ser ensinado e disseminado nas escolas. Entretanto, essa temática
ainda não é abordada na grade de disciplinas de boa parte das escolas do país. Entretanto, os autores

percebem que através da educação básica, que o empreendedorismo expõe uma novidade que aos

poucos está se consolidando (ROLIM, et al 2019).

45 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

Ao descrever a Pedagogia Empreendedora, Dolabela (2016) menciona dois tipos de sonhos:


estruturados e periféricos. Os Sonhos Estruturados correspondem aqueles que a teoria considera, pois

trata-se do desejo que quando organizado, pode dar origem a uma nova perspectiva de vida, desde que

para tal, sejam atribuídos valores, ética, empatia, responsabilidade, desenvolvimento sustentável,
dentre outras características. Já os Sonhos Periféricos representam aqueles incapazes de fundamentar

um projeto de vida. Todavia é imprescindível para o entendimento da psique. Trata-se do conjunto de

fantasias, vontades, caprichos, aspirações de outras dimensões que acabam por cumprir um papel
essencial na preservação do equilíbrio das emoções e dos prazeres.

Diante disso, somente o próprio sonhador pode distinguir sua autorrealização entre os sonhos
estruturados ou periféricos. A sua avaliação para tal, dependerá da intensidade da emoção que o sonho

produz. Emocionar-se, portanto, leva os indivíduos para um estado emocional em que a forma de ver e
sentir o mundo, percebendo suas próprias qualidades e características pessoais, se transformam em

disposição para agir (DOLABELA, 2016).


Assim, a Pedagogia Empreendedora baseia-se no entendimento de que o estudo do
empreendedorismo é a peça principal de um quebra cabeça que tem como tema central o

desenvolvimento humano, social e econômico sustentável. Por isso, o presente projeto busca uma
aplicação conjunta de conhecimentos entre as escolas, alunos e comunidades, pois essa conjuntura,
corresponde ao surgimento de um ambiente de preparação para a vida, e não apenas de formação para

um emprego ou ocupação funcional. Esse aprendizado da pulsão empreendedora, influencia tanto as


relações cognitivas, afetivas e sociais, bem como, agem na formação do capital humano e social,

fatores essenciais para a construção da cidadania.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A primeira oficina constou do direcionamento dos jovens sobre a construção da sua identidade
empreendedora. Neste primeiro contato, foi feita a apresentação do projeto pelos bolsistas e foi

aplicado um questionário fechado aos estudantes. Além dos dados como nome, idade e escola, foi

colocado um questionamento. Em relação às respostas do questionamento, você se considera um


empreendedor?

Como resposta ao questionário, no total 39 estudantes não se percebiam empreendedores, assim a

continuação da oficina permitiu esclarecer o termo e conceitos. Descrever características e reconhecer

46 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

empreendedores. Temos os seguintes resultados demonstrados na figura 01 e na figura 02. Percebe-se

que tanto na escola A como na escola B, disseram não se perceber empreendedor.

Figura 01. Respostas sobre o conhecimento do termo empreendedorismo entre os alunos da escola A

Dos entrevistados aproximadamente 77% não se percebiam empreendedores.

Figura 2. Respostas sobre o conhecimento do termo empreendedorismo entre os alunos da escola B.

Dos 45 entrevistados, aproximadamente 50% não se percebiam empreendedores.

47 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

A seguir foi feita a contextualização sobre o significado do conceito de empreendedorismo, as

principais características de ser um empreendedor, qual a importância de empreender e quais os tipos


de empreendedores encontrados no município.
A respeito do processo de sensibilização das características de ser um empreendedor, utilizou-se

um resgate da infância sob o comando de voz de um dos bolsistas, e embalados por um trecho da

Sonata Nº 14 C menor Beethoven (sd), os estudantes eram convidados a trazer a memória seus filmes

de infância, buscando identificar os seus heróis. Após alguns minutos, os estudantes foram divididos
em grupos. Em grupo, os estudantes compartilharam seu super-herói e listaram algumas de suas

características e refletiram sobre quais características identificavam em si próprio. Na atividade


seguinte, buscando refletir sobre o autoconhecimento, foi pedido que os estudantes listaram seus

sonhos e respondessem às seguintes perguntas: seus sonhos são possíveis? Qual a época em que deseja
realizá-los? Quais sonhos já foram realizados? O que é imprescindível para a realização de um sonho?

Por fim, foram feitas as anotações dos processos acima mencionados. Em seguida era discutida a
importância de sonhar.
A segunda oficina destina a orientação profissional, o que eu quero fazer? Utilizou-se uma

dinâmica com balões, cada aluno recebeu um balão de uma única cor, e foram levados a refletir sobre
quais os problemas que o incomodavam no município ainda sem solução, sejam eles: ambientais,
sociais ou econômicos. Respectivamente, os balões eram lançados, misturando-se aos dos demais

colegas. Após a interação entre os jovens, os mesmos tinham a instrução de apanhar um dos balões,
estourá-lo e anotar o problema contido. A seguir foi pedido uma nova divisão de equipe, para que cada

grupo debatesse sobre os problemas encontrados e escolhessem um entre os do grupo. Escolhido o


problema, os discentes foram orientados a pesquisar durante a semana sobre o problema escolhido,

para identificar se existia uma solução que era desconhecida até o momento.

O terceiro momento motiva para aprendizagem colaborativa. Continuou-se com a construção das

mesmas equipes da aula anterior, sendo esta metodologia usada como tática para a obtenção do
conhecimento coletivo, frente a resolução dos problemas expostos. Os adolescentes foram convidados

a pensar em um protótipo (produto ou serviço), algo inovador e viável que solucionasse o problema

escolhido. Após reunidos em grupos, houve uma roda de conversa com os bolsistas responsáveis pelo
projeto, para que os mesmos dessem um feedback na criação das ideias.

O quarto momento e última oficina nomeada, o que eu sei fazer? busca identificar as

competências, despertar o protagonismo juvenil através da apresentação de seus protótipos. Aqui os

48 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

gestores e professores da escola são convidados a participar de uma banca, composta também pelos
bolsistas para avaliarem os protótipos e a apresentação dos alunos. Foi avaliado os quesitos:

criatividade, inovação e viabilidade dos produtos ou serviços. Cada equipe teve até 10 minutos para

apresentar suas ideias de forma oral. Ao final de todas as apresentações, a banca realizou a somatória
de todas as notas, para a escolha das duas melhores ideias. Após as apresentações, os protótipos em

destaque, foram convidados a participarem do evento Universo IFCE 2019, ocasião que reúne uma

troca de conhecimentos e competências em prol do desenvolvimento humano, social e sustentável,


realizado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará campus Paracuru.

Nesse encontro houve a finalização e a apresentação das soluções. Dos produtos ou serviços
selecionados destacamos na os seguintes projetos da escola A: o projeto com bioplástico um substituto

do plástico a partir das cascas; o bicicão, projeto de uma bicicleta adaptada para retirar os animais das
ruas; um aplicativo com localizador de coletores de resíduos sólidos e o projeto de substituição da

manta asfáltica por resina de árvores. Na escola B, foram demonstrados: o tijolo ecológico a partir das
cascas do coco, o catalisador de energia solar, o aplicativo de orientação para resíduos secos e úmidos
e o aplicativo para disponibilizar WI-FI gratuito nos postes de energia elétrica. O projeto bioplástico foi

apresentado no Universo IFCE 2019, contudo todos os grupos foram convidados para participar do
evento como expositores.
No término das atividades, foi marcado um novo encontro para a entrega dos certificados de

participação do projeto. Percebe-se a sensação de pertencimento à comunidade entre os jovens


participantes. Muitos alunos relataram que após a realização das atividades, passaram a acreditar mais

no seu potencial em realizar as mudanças sociais, ambientais ou econômicas que desejam no município
ao qual residem. Outros, afirmaram terem aumentado suas perspectivas, tornando-se possuidores de

uma motivação capaz de mudar sua realidade pessoal e profissional.

5. CONSIDERAÇÕES

A aplicação deste projeto contribuiu para a disseminação da cultura empreendedora, pois na

entrevista diagnóstica percebemos que 86,6% dos estudantes não se percebiam empreendedores. As
escolas são ambientes transformadores, local que pode dar oportunidade para o conhecimento e o

empreendedorismo do indivíduo por meio de estímulos direcionados. Ao estabelecer a disseminação da

cultura empreendedora, o projeto trouxe consigo atribuições que tornam os discentes protagonistas do

49 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

seu próprio futuro. A metodologia utilizada para o resgate das experiências vivenciadas, mostrou que
as emoções alimentam sentimentos não conhecidos e que uma simples palavra incentivadora pode ser

um gatilho capaz de transformar pessoas positivamente.

O projeto certamente contribuiu e contribuirá para a realização pessoal e profissional dos alunos,
pois amplia a perspectiva de que todos têm e podem desenvolver competências empreendedoras, assim

o jovem poderá ter sucesso em qualquer área ou setor por ter adquirido uma visão mais ampla do

mundo.
A relação entre empreendedorismo e ensino no Brasil ainda é nova, contudo essa integração

contribui para o desenvolvimento de características empreendedoras e princípios éticos, cooperativos,


democráticos, que agregam ao indivíduo na idade escolar e transforma a comunidade, a sociedade, por

meio desses atores que imprimem uma nova dinâmica sustentável nas suas relações econômicas,
culturais e socioambientais. Assim, considera-se que o projeto atendeu o seu objetivo de disseminar a

educação empreendedora entre os jovens de ensino médio do município de Paracuru-Ceará.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUERRONDO, I. Formación Docente: Desafíos de La Política Educativa. Hacia una política


integral para la formación y desarrollo profesional de los maestros de la educación básica. México:
Secretaria de Educación Pública, 2006.

BEETHOVEN L. V. The Piano Sonata No. 14 in C ♯ minor "Quasi una fantasia", op. 27, No. 2.
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4Tr0otuiQuU. Acesso em 13.mai 2019.

BRASIL, Mobilização pelo Emprego e Produtividade. Disponível em:


<https://mobilizabrasil.economia.gov.br/cartilha>. Acesso em: 14. abr. 2020.

DOLABELA, F. O Segredo de Luísa. 30.ed. São Paulo: Cultura, 2006.

DOLABELA, F. Pedagogia Empreendedora. São Paulo: Cultura, 2016. E-Book. Disponível em:<
https://www.amazon.com.br/Pedagogia-Empreendedora-Fernando-Dolabela-
ebook/dp/B076PQTVC4>. Acesso em: 10. abr. 2020.

DORNELAS, J. C.A. Empreendedorismo: Transformando Ideias em Negócios. 7. ed. São Paulo:


Empreende, 2018.

50 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 3

OLIVEIRA, F. M. de. Empreendedorismo: teoria e prática. Revista Especialize On-line IPOG,


Goiânia, p. 1-13, maio. 2012. Disponível em:< https://scholar.google.com.br/scholar?
q=revista+especialize+empreendedorismo:+teoria+e+pr%C3%A1tica&hl=pt-
BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart>. Acesso em: 09. abr. 2020.

ROLIM, C. O.; ROLAND, L. A.; ALLES, B.; SANTOS, T. F.M. dos. Projeto Empreendedores do
Amanhã – Disseminação da Cultura Empreendedora aos Estudantes do Ensino Fundamental e
Médio de Santo Ângelo e Região. Revista Vivências Revista Eletrônica e de Extensão da URI – ISSN
1809-1636, Rio Grande do Sul, v.15, n.28, p. 1-16, 2019. Disponível em:
<http://revistas.uri.br/index.php/vivencias/article/view/38/33>. Acesso em: 09. abr. 2020.

51 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 4

EMPREENDEDORISMO DE SONHOS:
A INOVAÇÃO E A CRIATIVIDADE PRESENTES NO
BACKOFFICE DE EMPRESAS DE FESTAS E EVENTOS

Ednéia Cabral Marcon


Graduada em Administração pela UNESPAR –
Universidade Estadual do Paraná, Campus de Paranavaí
dicmarcon@hotmail.com

Edi Carlos de Oliveira


Professor Mestre na UNESPAR –
Universidade Estadual do Paraná, Campus de Paranavaí.
edicarlosdeoliveira@hotmail.com
Capítulo 4

INTRODUÇÃO

Um dos setores que tem chamado a atenção no mercado, ultimamente, são as empresas de

organização de festas e eventos. Uma pesquisa elaborada pelo Data Popular e divulgada pela
Associação Brasileira de Empresas de Eventos – ABRAFEST, revelou que o mercado de festas e

cerimônias cresceu nos últimos anos e estima-se que movimentou cerca de 16,8 bilhões de reais em

2014 (ABOC BRASIL, 2014).


Nota-se que uma festa de casamento perfeita ou uma formatura inesquecível faz parte do desejo

de muitas pessoas, que veem nessas celebrações a realização de um sonho. Segundo Oliveira et al
(2012) a gestão de eventos é um acontecimento que leva em conta a necessidade do ser humano de se

relacionar, com a finalidade de ampliar a esfera de seus relacionamentos na escola, no convívio com
familiares, no lazer ou até mesmo como forma de quebrar a rotina.

Percebe-se então que a realização de festas faz parte do desejo de muitas pessoas, trazendo a
ideia de diversão, beleza, conexão entre os indivíduos; e a organização de eventos tornou-se um dos
setores de grande importância no mercado atual, gerando valor econômico e podendo ser um

empreendimento de grande sucesso (ABOC BRASIL, 2014).


Entre as festas mais comuns escolhidas para se trabalhar nesse segmento evidenciam-se as festas
de casamentos, formaturas e de comemoração de 15 anos (debutantes). Destaca-se assim, dois

conceitos que estão presentes na vida de um empreendedor e, principalmente, daqueles que se propõem
a organizar esses tipos de eventos: a criatividade e a inovação. “A criatividade e a inovação levam os

empreendedores a estarem sempre implantando mudanças que visam o crescimento e desenvolvimento


de seus negócios” (OLIVEIRA NETO; FONTENELE, 2019, p. 5).

Com base nessa percepção, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar como as empresas de

organização de festas e eventos trabalham com a criatividade e inovação para dar forma aos sonhos das

pessoas. Os objetivos específicos se dividem em: a) Verificar se as empresas realmente se preocupam


com a criatividade e a inovação no seu segmento de atuação; b) Compreender como criatividade e a

inovação são implementadas no BackOffice da organização de festas e eventos; c) Identificar de que

forma esses empreendedores buscam inovar seus produtos e/ou serviços.


Para o andamento dos estudos, foi realizada uma explanação dos temas considerados importantes

para o trabalho: eventos sociais como empreendimento, criatividade, inovação, inovação radical,

inovação incremental e Benchmarking. Logo após foram realizadas entrevistas semiestruturadas com

53 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

os seguintes empreendedores desse segmento de atuação na cidade de Paranavaí – PR: profissionais da


área de decoração de eventos, fotografia, Buffet, ateliê de roupas de festas, salão de beleza e barbearia,

com o intuito de se atingir o objetivo da pesquisa.

2. METODOLOGIA

O tipo de pesquisa realizada é classificado como descritivo, tendo “propósito de fazer


afirmações para descrever aspectos de uma população ou analisar a distribuição de determinadas

características ou atributos” (RICHARDSON, 2012, p. 146).


O método utilizado é o qualitativo, que com base em Richardson (2012), esse método procura

compreender problemas ou fenômenos sociais, analisar e entender o comportamento de certos


indivíduos e se diferencia do quantitativo por não se basear em dados estatísticos para a análise dos

resultados.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com empreendedores
de empresas que trabalham com preparação e realização de festas e eventos na cidade de Paranavaí –

PR. As empresas analisadas foram definidas por conveniência e as entrevistas aconteceram nos meses
de setembro/outubro através de roteiro semiestruturado, sendo todas gravadas, transcritas e após,
realizada a análise de conteúdo.

Segundo Bardin (1997, p. 31) “A análise de conteúdo é o conjunto de técnicas de análise das
comunicações”. Sendo realizada a enumeração das características do texto, a inferência, que se

interpreta por deduzir de maneira lógica os conhecimentos, e então encontrar a significação atribuída a
elas.

O estudo e análise dos resultados buscou explorar como as empresas de organização de festas e

eventos de Paranavaí – PR trabalham com a criatividade e a inovação para dar forma aos sonhos das

pessoas e a relação das informações obtidas com os autores apresentados.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

Procurando compreender melhor a ideia do empreendedorismo evidencia-se, segundo Baron e

Shane (2007), que o empreendedorismo pode ser entendido como um processo que começa com a a

geração de ideias para algo novo (um produto, serviço, novos mercados, processos de produção ou

54 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

formas de estudos que procura compreender como surgem essas oportunidades, como são descobertas

por indivíduos específicos que conseguem explorá-las ou desenvolvê-las.


O empreendedor bem-sucedido, de acordo com Degen (2013), pode ser descrito juntando as

ideias do inconformismo de Shaw, de alguém que procura melhorar os produtos e serviços disponíveis

no mercado; do processo de destruição criativa de Schumpeter, de alguém que procura superar, por

meio de novos produtos e serviços, àqueles existentes no mercado; e pela necessidade de realizar de

McClelland, de alguém que desafia as empresas estabelecidas com seu novo jeito de fazer as coisas.
Como explicam Reis e Armond (2008) não há um perfil definido de empreendedor ideal, mas
algumas características importantes são comuns como ser tolerante a risco, ter disciplina e capacidade

planejadora, capacidade de visualizar seu empreendimento futuro, competência para liderar com
pessoas e processos, ser flexível, aceitar e aprender com os erros.
De acordo com Sertek (2009), toda a organização está envolvida nesse ambiente de mudanças

e todos os colaboradores, envolvidos nesse processo, devem ter um bom nível de adaptação e
iniciativa.

3.1 EVENTOS SOCIAIS COMO EMPREENDIMENTOS

As comemorações realizadas por meio de festas e eventos têm um significado especial para

grande parte dos indivíduos. Fortes e Silva (2011) afirmam que mesmo com o aumento da

comunicação por meios virtuais, o encontro de pessoas tem um significado cada vez maior. Lima

(2015) defende que, na sociedade, cada vez mais pessoas querem comemorar uma data especial ou tem
o sonho de realizar uma festa.

Ainda de acordo com Fortes e Silva (2011) o evento é uma atividade econômica e social que

teve início com a civilização e vem sofrendo mudanças conforme a evolução histórica. Todas as fases

da realização de um evento e a implementação deste como atividade econômica geram um impulso na


economia, representando mais empregos e lucro. Assim entende-se que a realização de festas e eventos

é uma tarefa que há muito faz parte do desejo do indivíduo.

Conforme salientado por Ricardo Dias, presidente da ABRAFESTA, “O mercado de eventos


sociais no Brasil é altamente maduro e registra uma demanda crescente em todas as regiões do país

[...]”. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Eventos – ABEOC, entre os anos de 2001 a

2014 o setor teve um crescimento de cerca de 14% ao ano.

55 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

3.2 CRIATIVIDADE

A criatividade do empreendedor é o que faz a diferença quando se tem um negócio com foco no
sucesso. É a partir da criatividade que se consegue mostrar algo de especial, diferenciando o produto

ou serviço das demais empresas no mercado. Logo, percebe-se que a criatividade é uma das

características mais importantes presentes no perfil do empreendedor (DEGEN, 2013).

Baron e Shane (2007) explicam que o empreendedorismo possui três processos-chave que são: a
geração da ideia para produzir algo novo; a criatividade para geração de ideias potencialmente úteis e o

reconhecimento de oportunidades. Ainda, para Baron e Shane (2007, p. 72) “a criatividade emerge
quando os processos mentais básicos permitem a expansão ou transformação dos conceitos de forma

que alguma coisa nova apareça”.


A criatividade nos negócios, segundo Degen (2013, p. 30) “é a coleta das muitas ideias que

deram certo e das que não deram, é a associação dessas ideias e do aprendizado”. Entende-se, então,
que a criatividade é resultado da observação para adquirir conhecimento e assim desenvolver novas
ideias.

Em concordância, Sertek (2009) também afirma que a criatividade não é resultado do acaso,
para alcançá-la é necessário buscar o conhecimento através da aprendizagem e o desenvolvimento das
próprias habilidades.

De acordo com Baron e Shane (2007) os processos cognitivos são a base para processos
importantes no empreendedorismo. É através da aprendizagem e armazenamento de informações que

se consegue a criatividade e desenvolvimento de ideias. Tudo o que o indivíduo faz: andar, ler,
lembrar, etc., são respostas de eventos neuroquímicos que ocorrem no cérebro, assim uma boa ideia

está relacionada com a combinação de experiências anteriores e a disposição de informações ao seu

alcance. As experiências de cada indivíduo são únicas, por isso alguns indivíduos podem conseguir

desenvolver determinadas criações e outros não.


Oliveira (2014) também afirma que a criatividade está relacionada a processos cognitivos,

decorrente de traços da própria personalidade, do aprendizado, de experiências vivenciadas e de um

ambiente propiciador de criatividade, como uma empresa em que seus gestores incentivam o
compartilhamento de ideias. A criatividade é um termo a se aplicar quando relacionado ao processo de

criação do indivíduo.

56 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

Brito (2019) também enfatiza que no processo criativo a curiosidade pode levar ao descobrimento
de novos caminhos e que aquilo que o indivíduo realiza com frequência acaba se tornando algo mais

fácil de fazer. Por isso, é necessário buscar o conhecimento, para que este venha a facilitar o

desenvolvimento da criatividade dos indivíduos.

3.3 INOVAÇÃO

O mercado apresenta mudanças rapidamente e os serviços e produtos tendem a cair em desuso

também com rapidez, logo as empresas que focam na inovação são as que apresentam maior
competitividade (SERTEK, 2009). Pode-se compreender que as empresas que não se preocupam em

inovar podem acabar sendo ultrapassadas por aquelas que o fazem.


A palavra inovar deriva do latim innovare, que significa fazer algo novo. No mundo corporativo,

entende-se como a abertura de novos mercados ou a transformação na maneira de atender aos


mercados já existentes, seja com um novo produto, uma maneira distinta de realizar um processo, uma
nova matéria-prima ou uma forma diferenciada de realizar determinado serviço (TID; BESSANT,

2015).
Sertek (2009) afirma que um bom empreendedor deve perceber a realidade e ser aberto às
mudanças, sabendo distinguir também o que não é mais viável ao negócio, pois sempre surgem novas

ideias que, se absorvidas, podem tornar a empresa mais competitiva no mercado.


As inovações que ocorrem nas organizações são parte do processo de globalização e do avanço

tecnológico, em que vários serviços surgem e passam a ocupar o lugar dos antigos. Assim as
organizações que se mantêm no mercado são aquelas que se adequam a essas mudanças (OLIVEIRA,

2014).

Carvalho e Reis (2006) apontam três tipos de inovação: a inovação do produto, que diz respeito

à comercialização ou fabricação de um produto/serviço novo ou onde houve melhorias; a inovação no


processo, que se refere à aquisição de novos equipamentos ou a introdução de novos processos de

produção; e, a inovação organizacional, que diz respeito a novas formas de gerir ou organizar a

empresa, sendo que ela engloba novas formas de oferecer um produto ou serviço aos consumidores,
como no campo da logística ou na gestão do marketing, por exemplo.

Araújo e Gava (2012) salientam que é preciso estudar cada empresa para enxergar o que a

impede de alcançar a inovação e trabalhar para que essa dificuldade seja ultrapassada. E, de acordo

57 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

com Tidd e Bessant (2015) o que alimenta a inovação é a habilidade de estabelecer relações, enxergar
as oportunidades e tirar proveito delas. A tecnologia desempenha um papel fundamental nesse processo

e o cenário está mudando em favor daquelas empresas que agregam conhecimento, avanços

tecnológicos e conseguem aderir novidades no seu produto/serviço ou nas formas que as criam e
lançam no mercado.

3.3.1 INOVAÇÃO RADICAL

A inovação radical é aquela que traz mudanças radicais, ou seja, que transforma a maneira como
as pessoas usam ou percebem as coisas; ela pode ser tão profunda que pode modificar até a própria

base da sociedade (TIDD; BESSANT, 2015). Entende-se, assim, como sendo aquela que traz a criação
de um produto ou serviço, fazendo algo totalmente diferente para atender as demandas e necessidades

dos clientes.
Araújo e Gava (2012) afirmam que inovação radical pode ser definida como aquela que busca
desenvolver algo totalmente novo, direcionada para a descoberta e criação, resultado de um processo

de exploração.

3.3.2 INOVAÇÃO INCREMENTAL

A inovação incremental, conforme Tidd e bessant (2015), consiste na mudança do produto ou

serviço já existente, fazendo de forma melhor o que já se sabe. São pequenas mudanças que buscam
aperfeiçoar o conhecimento.

Araújo e Gava (2012) explicam que a inovação incremental significa trazer pequenas mudanças

e melhorias, sendo uma ação mais conservadora e menos propensa a riscos. Um exemplo é o

aperfeiçoamento de um produto já existente ou da forma de entrega e distribuição a ele relacionadas.


Em alguns casos, as oportunidades de inovação surgem quando os indivíduos repensam a forma

como olha para algo (TIDD; BESSANT, 2015). Ainda, segundo os mesmos autores, os produtos e

serviços apresentam uma série de mudanças ao longo do tempo, em que a inovação dos processos
busca a otimização e diminuição de erros, sendo assim este tipo de inovação é a que ocorre na maior

parte das vezes.

58 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

3.4 BENCHMARKING

De acordo com Carvalho e Reis (2006) o Benchmarking é uma ferramenta muito importante
a ser considerada na busca da inovação, com melhorias nos processos e estrutura organizacional.

Inicialmente o termo pode ser interpretado como apenas imitação, mas as empresas que buscam

conhecimento por benchmarking acabam adaptando ideias para sua realidade ou modificando através

da agregação de conhecimentos com outras áreas, sendo assim uma inovação incremental.
Para Daynchoum (2013), Benchmarking é a técnica de examinar outras empresas, a fim de

aprender suas melhores práticas e melhorar o desempenho de sua própria empresa. A avaliação observa
o produto, serviço e processos da outra organização para identificar e aplicar melhorias.

Carvalho e Reis (2006) também mostram que o Benchmarking é uma maneira eficiente de buscar
inovação, já que acaba fazendo com que os empreendedores observem os processos internos da sua

própria empresa para conseguir implementar alguma melhoria e observar os elementos externos a ela,
fazendo enxergar seus concorrentes, as melhores práticas do mercado em que está inserido.
Daynchoum (2013) afirma que várias empresas conhecidas já se utilizaram e ainda se utilizam

dessa ferramenta de gestão, que pode trazer muitos benefícios e que estimula as mudanças
organizacionais através da aprendizagem com outras empresas.

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

As empresas que fizeram parte desta pesquisa foram:


Fernanda Freitas Decorações – Empresa de decoração de eventos (formatura,

casamentos, aniversários e eventos corporativos), começou com a iniciativa da

proprietária e apoio de sua família, está há 14 anos no mercado e hoje atende Paranavaí e

cidades de toda a região. Nesta seção será caracterizada pela sigla ED – empresa de
decoração.

Buffet Chantilly – Trabalha com alimentação de eventos em geral, está há 23 anos no

mercado e consegue atender eventos de até 1200 pessoas. Nesta seção será caracterizada
pela sigla EB – empresa de buffet.

Salão Adilson Queiroz – Salão de beleza que oferece serviços de corte e tratamento de

cabelo, maquiagem, depilação e venda de produtos para o cabelo. Está na empresa há 4

59 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

anos, mas trabalha neste segmento há 14 anos. Nesta seção será caracterizado pela sigla

ESB – empresa de salão de beleza.


Barba Retrô – Oferece atendimento de barbearia e de terapia capilar (saúde do cabelo e
couro cabeludo), os proprietários são um casal, que abriram o negócio em fevereiro de

2017 e além dos serviços de barba, cabelo e bigode, possuem um espaço de convivência,

com vídeo game, cervejas, um ambiente totalmente personalizado. Nesta seção será

caracterizada pela sigla EBR – empresa do segmento de barbearia.


Atelier Bella Noivas – empresa que está há 8 anos no mercado e trabalha com aluguel,

venda e confecção de vestidos de festas, ternos, roupas dos noivos, daminhas e pajens.
Nesta seção será caracterizada pela sigla EAR – empresa de ateliê de roupas.

Click do Xuxa – empresa que trabalha com fotografias há 24 anos, já chegou a contar
com até dezoito fotógrafos e cinegrafistas freelancers (profissionais que prestam serviços

de modo autônomo) em um dia. Participa de eventos particulares e de licitações e já


participou de eventos do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas) e OAB/PR (Ordem dos Advogados do Brasil do Paraná). Nesta seção será

caracterizada pela sigla EF – empresa de fotografia.

Tendo por base que o objetivo da pesquisa é analisar como as empresas de organização de festas

e eventos trabalham com a criatividade e a inovação para dar forma aos sonhos das pessoas, os dados
da pesquisa serão apresentados nessa ordem: primeiramente as discussões referentes à criatividade no

BackOffice das festas e eventos, seguido da inovação das empresas que trabalham nesse segmento do
mercado.

Assim, quanto à criatividade na organização de festas e eventos, todas as empresas citaram a

importância da experiência. Cinco das seis empresas entrevistadas trabalham nesse segmento por mais

de 7 anos e consideram o conhecimento que adquiriram durante esse tempo como um dos fatores mais
relevantes no momento de prestar o serviço. Além da experiência que já possuem, estão sempre

buscando aprender sobre as melhores técnicas e obter mais conhecimento na área em que trabalham,

para alinhar o conhecimento técnico e prático, como descreve EF: “[...] busquei muitos cursos, fiz
muitos workshops, fiz muitos treinamentos”.

A empresa que possui menos tempo no mercado (quase dois anos) busca essa experiência

também através de cursos e realizando pequenas mudanças no negócio “a gente muda o espaço

60 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

constantemente [...] a fim de perceber o que agrada mais o cliente na prática” (EBR).
Tais fatos confirmam o posicionamento dos seguintes autores: Degen (2013, p. 30) de que “é a

coleta das muitas ideias que deram certo e das que não deram, é a associação dessas ideias e do

aprendizado”; também de Sertek (2009) que afirma que a criatividade não é resultado do acaso, para
alcançá-la é necessário buscar o conhecimento através da aprendizagem e o desenvolvimento de suas

próprias habilidades; e de Baron e Shane (2007), que afirmam que os processos cognitivos são a base

para processos importantes no empreendedorismo. Assim, pôde-se perceber que é através da


aprendizagem e armazenamento de informações que se consegue a criatividade e desenvolvimento de

novas ideias.
Outro aspecto citado que complementa as decisões no momento de preparar os eventos

(BackOffice) foi o levantamento do perfil do cliente. As empresas sempre mostram uma preocupação
em atender os pedidos do consumidor, captam o máximo possível das suas preferências e trabalham em

cima disso, principalmente na empresa EAR, que afirmou que a maioria das pessoas que chegam na
loja já vem com uma ideia do que procuram e por isso podem optar por montar o look exatamente
como desejam.

Sobre a questão de como as empresas buscam a inovação, quatro dos seis empreendedores
entrevistados mencionaram sempre frequentar feiras, congressos e encontros com representantes do seu
segmento para acompanhar as novidades e participar de cursos de atualização para aprender novas

técnicas de trabalho.
O ponto que mais houve concordância nesse quesito foi o uso da internet para acompanhar as

inovações que ocorrem em todo o mundo, como descrito por ED: “a rede social ajuda muito a gente
estar bem informado hoje em dia”. Todos os entrevistados afirmaram fazer uso de computadores e

celulares para facilitar seu trabalho, sendo consciente das transformações que ocorrem no mercado,

como afirmou EB: “Diante da informática hoje, temos muitos recursos”. Assim, as redes sociais foram

citadas também como uma das formas mais importantes para se fazer a divulgação e Marketing das
empresas, para que essas sejam lembradas pelos indivíduos no momento em que se dispõem a realizar

um evento ou uma festa.

Quanto ao tipo de inovação mais comum, percebeu-se que a inovação incremental é a que parece
ocorrer com mais frequência nessas organizações, como pode ser percebido por meio de EBR:

61 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

Visita uma barbearia, pega uma ideia, pensa, mas sempre construindo
para a nossa população [...] A gente precisa também se adequar ao
mercado, não dá pra fazer tudo o que a gente quer, porque a gente tem
uma realidade de mercado diferente (EBR).

Assim, pode-se perceber que a ideia é acompanhar outras empresas, mais para adaptar e

implementar os serviços oferecidos, de acordo com a sua proposta.

Em concordância sobre a inovação incremental tem-se a percepção de Tidd e Bessant (2015),


que destacaram que “Em alguns casos, as oportunidades de inovação surgem quando repensamos a

forma que olhamos para algo”. Ainda, segundo os autores, os produtos e serviços apresentam uma série
de mudanças ao longo do tempo, em que a inovação dos processos busca a otimização e diminuição de

erros, sendo assim este tipo de inovação é a que ocorre na maior parte das vezes.
Complementando a realidade evidenciada junto aos empreendedores dessa pesquisa, cabe

destacar que a realidade corrobora com a teoria de Sertek (2009), que afirma que um bom
empreendedor deve perceber a realidade e ser aberto às mudanças, sabendo distinguir também o que
não é mais viável ao negócio, pois sempre surgem novas ideias que, se absorvidas, podem tornar a

empresa mais competitiva.


Diante das respostas dos empreendedores, percebeu-se que a técnica de benchmarking é muito
utilizada, mesmo que involuntariamente. A maioria dos entrevistados afirmaram que pesquisam sobre

outras organizações do mesmo segmento, realizam trocas de experiências com outras empresas para
aprender com elas e tentar aplicar em sua própria empresa.

A informação que se diferenciou em relação ao benchmarking foi que uma das empreendedoras
relatou que realiza um processo contrário, ou seja, a entrevistada conta que acompanha as redes sociais

e outras empresas, mas para fazer o oposto delas age da seguinte forma: “Sempre tento trabalhar assim:

surpreender, mostrando expectativas diferentes do que aquilo que ela tá sempre vendo” (ED) e que

assim consegue um diferencial que chama atenção do cliente para que ele prefira realizar o evento com
seus serviços.

Ante o exposto e permeado pelo objetivo de analisar como as empresas de organização de

festas e eventos trabalham com a criatividade e inovação para dar forma aos sonhos das pessoas,
notou-se que as empresas estão preocupadas em acompanhar as mudanças e inovações do mercado,

que o processo criativo está relacionado com as experiências que cada um vivenciou; que buscar

inovação é estar sempre se atualizando com as novas ideias que surgem e que a internet é um dos

62 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

meios que mais se utilizam para isso.

Um dos entrevistados citou também o fato do mercado estar trazendo bons resultados neste
segmento “É uma coisa até interessante, as pessoas hoje, num país de crise, que a última coisa que a

pessoa faz é gastar com festa, a gente vive de fazer festa” (ED). Ela destacou como as pessoas se

preocupam em fazer um evento memorável e que isso traz bons retornos para o seu empreendimento.

5. CONCLUSÃO

A realização de festas e eventos como formaturas, casamentos e festas de debutantes são vistas

com muita importância pelas pessoas. Há então uma preocupação no momento de escolher os
profissionais que farão parte da realização desse sonho. O mercado de organização de eventos tem
crescido cada vez mais e as empresas devem sempre procurar se atualizar para acompanhar essas

mudanças.
O objetivo desta pesquisa foi analisar como as empresas de organização de festas e eventos
trabalham com a criatividade e inovação para dar forma aos sonhos das pessoas. Para buscar alcançar

esse objetivo, foi efetuada uma pesquisa teórica com algumas teorias consideradas relevantes para a
pesquisa e após, realizou-se entrevistas semiestruturadas com seis empreendedores que trabalham com
o BackOffice de festas e eventos, ou seja, a preparação de festas e eventos na cidade de Paranavaí – PR.

Durante a pesquisa, houve uma dificuldade para se conseguir realizar a entrevista com o salão

de beleza, por afirmar estar com muito trabalho e agenda cheia, sendo que além dos serviços de

penteado de cabelo e maquiagem para festas oferece tratamentos estéticos, massagem, depilação e
venda de produtos relacionados à beleza.

Com o estudo, notou-se que a criatividade faz parte do interior de cada indivíduo, mas em

resposta a experiências que vivenciaram através de suas atuações profissionais, ou seja, sobre o que

mais interfere no momento de organizar esses eventos, as empresas citaram a experiência que possuem
no segmento. Mesmo que a maioria dos empreendedores trabalham nesse setor há mais de sete anos,

ainda continuam a busca por capacitação, em que todos sempre procuram participar de cursos de

especialização, para não deixar seus serviços se tornarem algo ultrapassado.


No que diz respeito à inovação, percebeu-se que há uma dificuldade em alcançar inovações do

tipo radical. A maioria dos entrevistados contou que realizam a técnica do Benchmarking, em que

63 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

buscam em outras organizações ideias para aplicarem nas suas empresas, sendo considerada então uma

inovação incremental, pois observam seus concorrentes para pegar informações e melhorar seus
produtos ou serviços.

A internet e as redes sociais também foram citadas por ocupar um papel muito importante nos

processos das empresas, tanto para acompanhar as inovações que aparecem no mercado como para

melhorar as técnicas de trabalho e divulgação da organização.

Assim, em concordância com o aporte teórico, os resultados apontaram que a criatividade está
ligada a processos cognitivos, resultado do conhecimento que o indivíduo adquire e de como ele
responde a essas experiências e que a inovação está relacionada, na grande maioria das vezes, com a

técnica Benchmarking, em que através da observação de outras empresas, a organização busca


melhorias para se aplicar em sua própria empresa.
Deste modo, afirma-se que o objetivo da pesquisa foi alcançado e sugere-se – para a realização de

pesquisas futuras sobre o tema – ampliar a coleta de dados com outras empresas que participam do
BackOffice na realização de festas e eventos ou investigar como os clientes dessas empresas percebem
a criatividade e a inovação no resultado final dos produtos e/ou serviços contratados.

6. REFERÊNCIAS

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Festas e Cerimônias Atingiu R$ 16,8 bi no Ano Passado. Disponível em:
<https://abeoc.org.br/2015/05/pesquisa-da-associacao-brasileira-de-eventos-sociais-abrafesta-mostra-
que-o-mercado-de-festas-e-cerimonias-atingiu-r-168-bi-no-ano-passado/>. Acesso em: 20 maio 2019.

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Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1997.

BARON, Robert A.; SHANE, Scott A. Empreendedorismo: Uma Visão do Processo. São Paulo:
Thomson Learning, 2007.

BRITO, Lelo. Comunicação, Criatividade e Inovação. São Paulo: Senac, 2019.

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Benchmarking: uma Parceria Eficiente? Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia. 2006. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10400.22/2250>. Acesso em: 2 out 2019.

64 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 4

DAYCHOUM, Merhi. 40 + 10 Ferramentas e Técnicas de Gerenciamento. 5 ed. Rio de Janeiro:


Brasport Livros e Multimídia, 2013.

DEGEN, Ronald Jean. O Empreendedor: Empreender Como Opção de Carreira. São Paulo:
Pearson Prientice Hall, 2013.

FORTES, Waldyr Gutierrez; SILVA, Mariângela Benine Segmentos. Eventos: Estratégias de


Planejamento e Execução. São Paulo: Summus Editorial, 2011.

LIMA, José Marcio Gomes Cavalcanti Leite De. Planejamento Estratégico em Pequenos Negócios:
Análise de uma Empresa de Decoração de Festas. Repositório Institucional da UFPB. João Pessoa.
2015. Disponível em: <https://repositoria.ufpb.br/jspui/handle/123456789/2522> Acesso em 28 set
2019.

OLIVEIRA, Bruno Tadeu Honório de; D’AVILA FILHO, Clayton Luiz; SILVA, Vanessa Godoy da;
VALLE, Wagner Morales do; VENDRAME, Máris de C. R.; SILVA, Heloísa H. R. da. Gestão de
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Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 3., n.7, jul/dez de 2012. Disponível em:
<http://www.salesianolins.br/universitaria/artigos/no7/artigo36. pdf> Acesso em 3 set 2019.

OLIVEIRA NETO, José Lira de. O.; FONTENELE, Raimundo Eduardo Silveira. O
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OLIVEIRA, Silvério da Costa. Criatividade, Inovação e Controle nas Organizações de Trabalho. 2


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REIS, Evandro; ARNOLD, Álvaro Cardoso. Empreendedorismo. Curitiba. Iesde Brasil S.A., 2008.

RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo: Atlas, 2012.

SERTEK, Paulo. Empreendedorismo. Curitiba: Ibpex, 2009.

TIDD, Joe; BRESSANT, Joe. Gestão da Inovação. 5 ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.

65 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 5

INSTITUTO SEMEAR E DESENVOLVER:


UM EMPREENDIMENTO EDUCACIONAL, SOCIAL E DIGITAL

Jean Carlos Machado da Costa


Mestre em Biologia Molecular – UFPR
jean.costa@unicesumar.edu.br

Ana Lúcia Cardoso Ribeiro


Mestre em Bioética – PUCPR
ana.cardoso@unicesumar.edu.br

Mariana Khater
Mestre em Tecnologia em Saúde – PUCPR
mariana.khater@unicesumar.edu.br
Capítulo 5

INTRODUÇÃO

Atualmente para se destacar no mercado cada vez mais competitivo, é necessário apresentar o
perfil de empreendedor que apresente um diferencial que promova a mudança e o desenvolvimento

econômico, atualmente esse perfil empreendedor deve implicar em questões sociais e educacionais.

Esse novo profissional deve ter a capacidade de inovar continuamente, trazendo ideias, que

revolucionem a maneira de administrar as decisões que trarão o sucesso para a organização. O


empreendedorismo é considerado hoje um fenômeno global, dada a sua força e crescimento, nas

relações internacionais e formação profissional.


Este artigo pretende descrever o projeto intitulado “INSTITUTO SEMEAR E DESENVOLVER”,

um instituto educacional, criado com bases educacionais e sociais que tem como finalidade
desenvolver pessoas em todos os âmbitos profissionais. Atualmente, criar esse tipo de “negócio” é um

risco, mas o empreendedorismo se faz de riscos.

2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

As informações contidas neste artigo foram obtidas mediante revisão de literatura acerca do atual
contexto de empreendedorismo. O referencial teórico foi realizado, por meio de investigação de artigos

publicados de empreendedorismo indexados nas plataformas Scientific Electronic Library Online


(Scielo) e Pubmed, norteando-se também pela frase: Empreendedorismo e Educação.

Para realizar a busca de dados nas bases citadas foram usados os descritores de forma isolada ou
combinada: “Educação 4.0”, “empreendedorismo”, “educação” e “empreendedorismo na nova era”.

Os critérios de inclusão utilizados foram artigos publicados em português e inglês entre 2019 a

2020 e que continham a relação entre empreendedorismo e educação, indexados nas bases de dados

supracitados e resultantes dos estudos primários.


Além disso, esse artigo, também descreve a criação de um instituto educacional, desenvolvido a

partir dos estudos citados acima.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

O Conceito de Empreendedorismo, “A palavra empreendedor origina-se da palavra entrepreneur

67 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

que é francesa, literalmente traduzida, significa aquele que está entre ou intermediário.” (HISRICH,

Robert. D., 1986, p.96). A definição de empreendedor evoluiu com o passar do tempo, devido às
mudanças ocorridas na área econômica mundial tornando-se mais complexas. Desde seu início na
idade média, o indivíduo que participava ou administrava grandes projetos de produção era chamado

de empreendedor, porém esta pessoa utilizava os recursos fornecidos geralmente pelo governo do país.

O empreendedor da idade média era o clérigo – a pessoa encarregada de obras arquitetônicas

como castelos e fortificações, prédios públicos, abadias e catedrais. No século XVII agrega-se mais
uma característica ao empreendedor, o risco. Neste período o empreendedor era a pessoa que assumia

um contrato com o governo, para fornecimento de um produto ou serviço. Como o valor do contrato é
fixo quaisquer resultados, seja ele lucro ou até mesmo prejuízo, eram do empreendedor.

O escritor Richard Cantillan no ano de 1700, através do fracasso de um empreendedor francês


chamado Joh’n Law, que ao findar uma empresa comercial – a Mississipi Company, Law tentou

aumentar o valor das ações da empresa para mais que o seu patrimônio. Percebendo essa falha,
Cantillon desenvolveu uma das primeiras teorias do empreendedor. Ele entendeu que o empreendedor
era alguém que corria riscos, pois, “compram a um preço certo e vendem a um preço incerto, portanto

operam em riscos”. (BURR e IRWIN, 1985, p. 16-23.).


No século XVIII, veio a diferenciação entre o investidor de capital e o empreendedor. Uma das
causas dessa evolução foi a industrialização, onde muitas coisas estavam sendo inventadas, como por

exemplo, Eli Whitney com a invenção do descaroçador de algodão e Thomas Edison com a
eletricidade. Os dois empreenderam com seus estudos, porém para colocar em prática, necessitavam de

capital, o capital era financiado pelos investidores. Portanto, empreendedor era a pessoa que precisava
de capital e o fornecedor do capital eram os investidores de risco. Um investidor de risco é um

administrador, profissional do dinheiro que faz investimentos de riscos com o objetivo de obter altas

taxas de retorno sobre o investimento.

No final do século XIX e no início do século XX, a definição do empreendedor passou a ser
vista pela perspectiva econômica. Dito deste modo, o empreendedor organiza e opera uma empresa

para lucro pessoal. Paga os preços atuais pelos materiais consumidos no negócio, pelo uso da terra,

pelo serviço de pessoas que emprega e pelo capital de que necessita contribuindo com sua própria
iniciativa, habilidade e engenhosidade no planejamento, organização e administração da empresa.

Também assume a possibilidade de prejuízo e de lucro em consequência de circunstâncias imprevistas

e incontroláveis.

68 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

O resíduo líquido das receitas anuais do empreendimento, após o pagamento de todos os custos,
é retido pelo empreendedor. (ELY e RESS, 1937, p. 488.). Ainda não temos um conceito exclusivo

para o empreendedorismo, nesta época não houve distinção entre gerentes e empreendedores. Em

meados do século XX, associam o empreendedor como inovador. A função do empreendedor é


reformar ou revolucionar o padrão de produção explorando uma invenção ou, de modo geral, um

método tecnológico não experimentado para produzir um novo bem ou um bem antigo de maneira

nova, abrindo uma nova fonte de suprimento de materiais ou uma nova comercialização para produtos,
e organizando um novo setor. (SCHUMPETER, 1952, p.72.). Nesse período também que o conceito de

inovação é integrado à característica do empreendedor. De fato, a inovação, o ato de lançar algo novo é
uma das mais difíceis tarefas para o empreendedor. Exige que o indivíduo tenha uma visão holística do

ambiente em geral para que possa desenvolver um novo produto, um novo serviço ou até mesmo um
método para modificar uma nova estrutura organizacional.

Na atualidade o conceito se transformou basicamente nos conceitos elaborados pelos autores


Albert Shapero, Karl Vesper e Robert C. Ronstadt. Em quase todas as definições de
empreendedorismo, há um consenso de que estamos falando de uma espécie de comportamento que

inclui: (1) Tomar iniciativa, (2) organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos a fim de
transformar recursos e situações para proveito prático, (3) aceitar o risco ou o fracasso. (SHAPERO,
1975, p. 187.). Para o economista, um empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho,

materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes; também é aquele que introduz
mudanças, inovações e uma nova ordem. Para um psicólogo tal pessoa é geralmente impulsionada por

certas forças – a necessidade de obter ou conseguir algo, experimentar, realizar ou talvez escapar a
autoridade dos outros. Para alguns homens de negócios, um empreendedor pode ser um aliado, uma

fonte de suprimento, um cliente ou alguém que cria riqueza para outros, assim como encontrar

melhores maneiras de utilizar recursos, reduzir desperdício e produzir empregos que outros ficarão

satisfeitos em conseguir. (VESPER, 1975, p.2.).


O empreendedorismo é o processo dinâmico e criar mais riqueza. A riqueza é criada por

indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou comprometimento

com a carreira ou que provêm valor para algum produto ou serviço pode não ser novo ou único, mas o
valor deve de algum modo ser infundido pelo empreendedor ao receber e localizar as habilidades e os

recursos necessários. (RONSTADT, 1984, p. 28.).

69 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

O surgimento dos primeiros empreendedores no Brasil foi devido a uma abertura maior da
economia na década de 90. Porém, esses novos empreendedores não tinham conhecimentos suficientes

para administrar seus negócios. A primeira seria: O empreendedorismo de oportunidade, onde o

empreendedor visionário sabe aonde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em
mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa a geração de lucros, empregos e riquezas.

(DORNELAS, 2005, p.28). E a segunda definição seria: O empreendedorismo de necessidade, em que

o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar
desempregado e não ter alternativas de trabalho. (DORNELAS, 2005, p.28). Atualmente o Brasil é um

grande celeiro de novos e jovens empreendedores, principalmente no que diz respeito a novas
tecnologias.

Existe a concepção do empreendedor nato, aquele que nasce com as características necessárias
para empreender com sucesso. No entanto, como se trata de um ser social, influenciado pelo meio que

em que vive, a formação empreendedora pode acontecer por influência familiar, estudo, formação e
prática. Segundo Chiavenato (2007), na verdade, o empreendedor é a pessoa que consegue fazer as
coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de

identificar oportunidades. Com esse arsenal transforma ideias em realidade, para benefício próprio e
para benefício da comunidade.
Por ter criatividade e um alto nível de energia, o empreendedor demonstra imaginação e

perseverança, aspectos que, combinados adequadamente, o habilitam a transformar uma ideia simples e
mal estruturada em algo concreto e bem-sucedido no mercado. Para que um profissional empreendedor

venha ser bem-sucedido em seu próprio negócio, o empreendedor tem o desafio de iniciar com um
pequeno capital, em um momento do mercado em que mudanças são uma constante, já que vivemos

em um mundo globalizado onde a tecnologia e a informação exercem grande peso para o mercado.

E ainda, segundo Chiavenato (2007) para ser bem-sucedido o empreendedor não deve apenas

saber criar seu próprio empreendimento. Deve também saber gerir seu negócio, para mantê-lo e
sustentá-lo em um ciclo de vida prolongado e obter retornos significativos de seus investimentos. Isso

significa administrar, planejar, organizar, dirigir e controlar as atividades relacionadas direta ou

indiretamente com o negócio. Para Chiavenato (2007), existem três características básicas para um
empreendedor. São elas: 1- Necessidade de realização: Uma necessidade pessoal, o que o diferencia

dos outros. 2- Disposição para assumir riscos: Riscos financeiros e de demais ordens assumidos ao

iniciar o próprio negócio. 3 - Autoconfiança: Segurança ao sentir que pode enfrentar os desafios e

70 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

problemas. Portanto o empreendedor que deseja alcançar sucesso nos negócios necessita de

características tais como: coragem e paixão para desbravar o novo, equilíbrio, racionalidade e
facilidade em lidar com as mais variadas situações, já dentro do empreendimento.
Não seria possível falar de empreendedorismo, sem citar a inovação, pois esta é peça chave para

o nascimento e manutenção de um empreendimento "os empreendedores inovam. A inovação é o

instrumento específico do empreendedor" (DRUCKER, 1987, p. 39). A palavra inovação deriva dos

termos latinos in e novare e significa fazer algo novo ou renovar. Segundo Drucker inovação é a
habilidade de transformar algo já existente em um recurso que gere riqueza. "[...] Qualquer mudança

no potencial produtor-de-riqueza de recursos já inexistentes constitui inovação...” (DRUCKER, 1987,


p. 40). A compra a prestação foi uma inovação que exigiu apenas uma ideia e revolucionou o mercado

mundial, portanto, "a inovação não precisa ser técnica, não precisa sequer ser uma "coisa"
(DRUCKER, 1987 p. 41).

Outro fator fundamental é a busca incessante pela inovação, pois as ideias raramente surgirão
ao acaso. Drucker (1987) ainda afirma que a eficácia da inovação está ligada à sua simplicidade e
concentração caso contrário poderia ser confusa ou simplesmente não funcionar, o que a tornaria inútil.

"A inovação sistemática, portanto, consiste na busca deliberada e organizada de mudanças, e na análise
sistemática das oportunidades que tais mudanças podem oferecer para a inovação econômica ou
social." (DRUKER, 1987, p. 45). Ainda se tratando de inovação sistemática, Drucker (1987) afirma

que se baseiam em sete fontes, divididas em dois grupos que permitem ao empreendedor alcançar a
oportunidade inovadora, o primeiro grupo, a saber, refere-se a setores internos da instituição: o

inesperado, a incongruência, a inovação baseada na necessidade de processo, mudanças na estrutura do


setor industrial ou na estrutura do mercado.

E outro grupo de três fontes que consiste em mudanças fora da empresa: mudanças

demográficas; mudanças de disposição, percepção e significado; conhecimento novo, podendo este ser

científico ou não científico. Estas sete fontes necessitam ser igualmente consideradas e analisadas em
separado, pois tem igual importância no processo inovador que pode surgir tanto a partir de fatores

internos quanto externos à organização. Empreender e inovar envolve lidar com todos os riscos sobre a

ideia, para tanto, inovação se baseia na capacidade que a invenção tenha de gerar receita, Drucker
(1987), ressalta que “ideias brilhantes” não representam inovação em sua grande maioria, pois na

maior parte das vezes a receita não ultrapassa os custos de criação ou implantação do referido

“invento”.

71 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

Ainda seguindo este raciocínio, percebe-se que o empreendedorismo se dá em função da


inovação, não o contrário como se costuma pensar, considerando que grandes empresas passam a ser

empreendedoras quando inovam, e a este processo dá-se o nome de ‘empreendedorismo corporativo’.

Empreendedorismo Corporativo é um processo em que um indivíduo ou grupo de uma organização


existente cria um novo empreendimento ou desenvolve uma inovação. Outra perspectiva importante é

que o empreendedorismo corporativo é a soma dos esforços de inovação, renovação e empreendimento

de uma firma. (IRELAND e HOSKISSON, 2002, p. 262 apud CHIAVENATO, 2007).


Atualmente o mundo dos negócios está cada vez mais competitivo e sofre mudanças

constantemente. Para enfrentar estas mudanças e manter-se competitivo no mercado as empresas


utilizam-se cada vez mais do empreendedorismo como estratégia de negócios que visa a exploração de

oportunidades e a satisfação das necessidades dos clientes de uma forma criativa e inovadora,
assumindo riscos de forma calculada, ou seja, ter coragem para enfrentar desafios e escolher novos

caminhos de forma consciente. Para Leite (2000), empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e
organizações trabalhando juntas para implementar uma ideia por meio da aplicação da criatividade,
capacidade de transformar e o desejo de tomar aquilo que comumente se chamaria de risco.

Segundo Menezes (2003) o empreendedor é o indivíduo de iniciativa que promove o


empreendimento a partir de um comportamento criativo e inovador, que sabe transformar contextos,
estimular a colaboração, criar relacionamentos pessoais, gerar resultados, fazendo o que gosta de fazer,

com entusiasmo, dedicação, autoconfiança, otimismo e necessidade de realização. O empreendedor


deve ter visão e percepção para identificar as oportunidades. Suas atitudes empreendedoras devem

focar as pessoas e não somente as empresas, atitudes estas que são fundamentais para o sucesso ou o
fracasso da empresa. “Um estereótipo comum do empreendedor enfatiza características como uma

enorme necessidade de realização, uma disposição para assumir riscos moderados e uma forte

autoconfiança”. (LONGENECKER; MOORE; PETTY, 2004, p.9). Existem diversas características

que são fundamentais em um empreendedor, dentre elas destaca-se: autoconfiança, foco em


oportunidade, conhecer muitas pessoas, saber calcular e minimizar riscos, poder de persuasão e

principalmente paixão pelo que faz.

Foi neste contexto empreendedor que o INSTITUTO SEMEAR E DESENVOLVER foi criado.

72 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

O Instituto Semear foi criado com o intuito de fortalecer e incentivar o


desenvolvimento de pessoas abrangendo todas as áreas e competências
profissionais. O Instituto tem como ambição se tornar uma referência
na área de desenvolvimento de competências profissionais, atuando de
forma multidisciplinar, sustentável e social. O Instituto Semear foi
criado por professores, que tem como princípios básicos, a
responsabilidade social e o pensamento crítico e coletivo.

MISSÃO
“Desenvolver pessoas em todas as competências profissionais”

VISÃO
“Ser global, e atuar como referência na área de desenvolvimento de
competências e habilidades profissionais”

VALORES
Responsabilidade Social: Atuar de modo responsivo perante a
sociedade;
Integridade: Dizer o que pensamos, fazer o que dizemos e agir
corretamente;
Diversidade: Queremos ter uma força de trabalho diversa e inspirar
novas práticas profissionais;
Sustentabilidade: Atuar de maneira sustentável, apoiando políticas
públicas sustentáveis.

Um projeto empreendedor, voltado para a área educacional, comprometido com questões

sociais, o instituto está voltado para a era digital e promete qualificar profissionais em todas as suas
áreas e competências.

Figura 1: Logotipo

Fonte: O autor, 2021.

73 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

A preparação educacional de um indivíduo é extremamente importante para desenvolver a base


do seu intelecto, bem como para definir o seu caráter enquanto membro de uma sociedade. A esse

respeito, é no meio familiar e escolar que o jovem começa a dar os primeiros passos na compreensão

de conteúdos e informações que farão toda a diferença em sua caminhada. Por conta disso, um dos
assuntos que cada vez mais ganham importância nos dias atuais é o empreendedorismo na educação.

Isso porque a noção desse tema contribui para preparar o indivíduo não somente para a vida

profissional, mas também para a pessoal, pois é capaz de desenvolver várias habilidades e
competências que são essenciais para que o jovem seja bem-sucedido, ganhe confiança e seja proativo.

Além do mais, essa educação estimula as pessoas a criarem soluções para os problemas e adaptarem-se
a novas situações da sociedade e do mercado de trabalho.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Depois de muitas discussões referentes ao empreendedorismo educacional, em maio de 2021 o


“INSTITUTO SEMEAR E DESENVOLVER” criado, baseado nos princípios e valores citados acima.

Atualmente o instituto conta com o rol de cursos previstos para o ano de 2021 e 2022, presenciais e
remotos, o instituto está presente em plataformas digitais e abrange todas as áreas profissionais. Um
grande diferencial do Instituto, é que este foi criado e é dirigido a professores que atuam de forma ativa

na área educacional e social.


O Instituto Semear & Desenvolver, é um projeto de educação continuada, voltado para todos os

ramos profissionais, o intuito é aperfeiçoar o profissional após a graduação e aperfeiçoar alunos


durante a graduação. O Instituto pretende oferecer cursos de extensão, cursos de aperfeiçoamento,

promover mini-cursos, simpósios, jornadas e eventos científicos.

Todos os cursos oferecidos serão certificados e os participantes receberão a certificação. O

Instituto hoje está presente de forma digital, mas os cursos presenciais serão oferecidos,
principalmente, cursos de aperfeiçoamento para profissionais da saúde.

Cursos Previstos:
Comitê de Ética em Pesquisas;

Oratória e a Teoria do Discurso;

Reaproveitamento de Alimentos;

74 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

Transtornos Alimentares;

Biodireito;
A Cultura do Cancelamento, Relativismo e Crise Digital: Como Gerenciar;

A inclusão da Diversidade nas Organizações, no Marketing e na Propaganda: Como

Fazer;

Administração e Gestão do Tempo;

Autismo e Dificuldade de Comunicação;


Avaliação dos Métodos de Aprendizagem;
Corpo Humano e Psicologia do Esporte;

Deficiência Intelectual;
Introdução aos Cuidados Paliativos;
Investigação Criminal;

Psicologia Jurídica;
Neuroaprendizagem;
Psicologia Sexual;

Neurociência cognitiva;
Estética facial.

6. CONCLUSÃO

A educação continuada é considerada um complemento para a graduação. Hoje em dia,


terminar a graduação apenas não basta. Participar de cursos de curta duração, MBAs, cursos técnicos e

outras formas de especialização faz com que o profissional tenha uma linha de atuação mais definida.

E uma das maiores vantagens em dar continuidade aos estudos é o direcionamento da carreira. Por

meio de cursos de formação continuada, o profissional consegue ter uma objetividade maior no seu
plano de carreira.

Além disso, complementar seus conhecimentos pode abrir muitas portas no mercado de

trabalho, já que a demanda maior é justamente para profissionais especializados e focados em


determinadas áreas. E para quem está em recolocação no mercado, as chances de conseguir novas

oportunidades aumentam quando o profissional se dedica a expandir seus conhecimentos. De maneira

75 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

geral, quem deseja alcançar um futuro profissional sólido e próspero, sem dúvidas precisa considerar a

continuidade dos estudos.


Para o mundo dos negócios, a necessidade de atualização profissional é ainda maior. Visto
que a inovação e mudanças no controle de processos são cruciais para manter uma empresa em

competitividade. Os cursos de educação continuada trazem uma imersão de conhecimentos do mundo

dos negócios, que se convertem em uma alta capacidade de empreender.

Além disso, um dos maiores benefícios da educação profissional é o networking. A troca de


experiências entre profissionais é fundamental para colaborar com o crescimento profissional e

pessoal. Sendo assim, é evidente que a importância da educação continuada nos negócios vai além de
manter a empresa em posição de competitividade. Investir em cursos de atualização profissional é uma

estratégia que resulta na prosperidade da empresa.


A Instituição de Ensino constrói um alicerce duradouro e entrega ao profissional um guia

completo de crescimento rumo ao sucesso. Vale, porém, ressaltar que a escolha da formação deve ser
muito bem planejada, a fim de construir uma ponte definitiva para o futuro almejado pelo profissional.
Portanto, o autoconhecimento e conhecimento aprofundado sobre o mercado em que deseja atuar são

dois pontos essenciais para definir claramente um caminho estratégico da educação continuada. E não
só a escolha do curso ideal deve ser planejada, mas também a escolha da Instituição de Ensino. Esse
será fator decisivo para que a formação se transforme em resultados satisfatórios.

Hoje, é um desafio investir e apostar em educação, mas momentos como os vivido em 2020/
2021, nos mostraram o quanto a educação é importante, o quanto o mercado cobrará por profissionais

cada vez mais qualificados e aperfeiçoados, é nesse contexto que criamos o Instituto Semear &
Desenvolver. Além disso, apostamos em uma educação inclusiva e pautada em questões sociais. Sim,

sabemos que em tempos sombrios a educação não é valorizada, mas sabemos que “só a educação

salva”, e nos permitimos apostar nessa salvação e sim, a educação sempre será o melhor

empreendimento.

7. REFERÊNCIAS

BURR, Ridge JL; IRWIN, Richard D. New Business Ventures and the Entrepreneurship, 1985, p.
16-23.

76 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 5

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: Dando Asas ao Espírito Empreendedor:


Empreendedorismo e Viabilidade de Novas. 2.ed. rev. e atualizada. São Paulo: Saraiva 2007.

DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: Transformando Ideias em Negócios. 2. ed. Rio de


Janeiro: Elsevier, 2005. ______. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 3. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2008.

DRUKER, Peter Ferdinand. Inovação e Espírito Empreendedor. Editora Pioneira, 1987.

ELY, Richards T. and RESS, Ralf H. Outline of Economics, 6° ed. 1937, p. 488. HISRICH, Robert.
D. et al. Entrepreneurship. 1986, p.96.

EMPREENDEDORISMO. Wikipédia [s.l., s.d.]. Disponível em: Acesso em: 22 mai.2021.

LEITE, E. O Fenômeno do Empreendedorismo. Recife: Bagaço, 2000. ________. O Fenômeno do


Empreendedorismo. 3 ed. Recife: Bagaço, 2002.

LONGENENECKER,J. G.; MOORE, C. W.; PETTY,J.W. Administração de Pequenas Empresas:


Ênfase na Gerência Empresarial. São Paulo: Pearson, 2004.

MENEZES, L.C.M. Gestão de Projetos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

RONSTADT, Robert C. Entrepreneurship, 1984, p. 28. SCHUMPETER, Joseph. Can capitalism


survive?, 1952, p.72.

SHAPERO, Albert. Entrepreneurship and Economic Development, 1975, p. 187.

VESPER, Karl. New Venture Strategies, 1975, p.2.

77 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 6

PROGRAMA EM REDE DE APOIO À INCUBAÇÃO E


ACELERAÇÃO DE STARTUP:
UMA METODOLOGIA COLABORATIVA

Bruna de Sousa Felix


Mestre em Administração - Instituto Atlântico
bruna_felix@atlantico.com.br

Danielly Barboza Guimarães


Mestre em Informática Aplicada
danielly_guimaraes@atlantico.com.br

Eduardo Carneiro Lima


Mestre em Administração - Núcleo Tecnologia e Qualidade Industrial
eduardo.lima@nutec.ce.gov.br

Luiz Alves de Lima Neto


Mestre em Eng. de Teleinformática - Instituto Atlântico
luizalves@atlantico.com.br
Capítulo 6

INTRODUÇÃO

Observa-se a importância do conceito criado por Henry Etzkovitz na década de 1990,


metaforicamente nomeado de “Hélice Tríplice”, na compreensão dos impactos e das relações entre

universidades, indústrias e governos, com foco no desenvolvimento de estratégias inovadoras. Tal

conceito relaciona-se, ainda, à estruturação e manutenção de ambientes voltados para o fomento,

estímulo, difusão e apoio à inovação e ao empreendedorismo (ETZKOVITZ, ZHOU, 2017).


As aceleradoras, consideradas, aqui, como um desses ambientes de inovação, são organizações

que promovem o crescimento rápido das startups, por meio de programas, em um espaço de
aprendizado coletivo (TRAVERS, TEIXEIRA, 2017). Apesar de serem consideradas como parte de

um movimento recente (COHEN; HOCHEBERG, 2014; CAMPOS, 2015; SEED-DB, 2016), as


aceleradoras demonstram práticas e formas de ser que atendem as tendências do mundo VUCA,

acrônimo das palavras que estão em inglês e que, traduzidas para o português, definem o “mundo de
hoje”: Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.
Freire et. al (2018) apontam que as aceleradoras não foram concebidas para oferecer recursos

físicos ou serviços de escritórios, preocupam-se muito mais em alavancar os resultados das startups
que apresentam alto potencial inovador, podendo, muitas vezes, oferecer capital em troca de
participação. Além disso, observa-se a tendência de construção de programas cada vez mais

personalizados com o principal objetivo de gerar engajamento e melhorar a experiência das startups na
jornada de aceleração.

Dessa forma, faz sentido considerar como objetivo geral deste trabalho a compreensão da
construção metodológica de um programa de aceleração em termos da geração de valor para startups

com base nos aspectos de colaboração, redes e horizontalização das experiências. Em face deste

contexto, elegeu-se a seguinte pergunta como norteadora: como se dá a construção metodológica de

um programa de aceleração em termos da geração de valor para startups com base nos aspectos de
colaboração, redes e horizontalização das experiências? Foi selecionado como caso exemplar o

programa de aceleração denominado PRAIA, Programa em Rede de Apoio à Incubação e Aceleração.

Além dessa seção que traz reflexões iniciais e abre espaço para o diálogo com os principais
teóricos e estudos da área, serão apresentadas as trajetórias metodológicas para a elaboração desta

investigação, bem como a discussão sobre os principais achados e uma breve reflexão conclusiva.

79 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

2. METODOLOGIA

A pesquisa acadêmica pode ser considerada como um ato de liberdade, a obstinação de sujeitos
interessados em desenhar novas rotas para a ciência e de produzir conhecimento a partir do que não se

revela facilmente. Pesquisar, então, é ultrapassar as fronteiras dos saberes e oferecer ao objeto a

ocupação de um lugar possível. Pesquisar é mergulhar no outro, é observar o fenômeno a partir de

diferentes ângulos e construir a transformação teórico-empírica necessária.


Nessa perspectiva, situa-se o desenrolar de uma pesquisa que tem como objetivo geral a

compreensão da construção metodológica de um programa de aceleração em termos da geração de


valor para startups com base nos aspectos de colaboração, redes e horizontalização das experiências. A

estratégia utilizada para o alcance deste objetivo foi o estudo de um caso exemplar, qual seja o
programa de aceleração PRAIA (Programa em Rede de Apoio à Incubação e Aceleração).

O PRAIA é um programa que nasceu a partir da visão colaborativa de 04 (quatro) instituições


1
do Ceará: o Instituto Atlântico, o Nutec, o ICC Biolabs e a Secitece. O programa visa apoiar startups a
superar os principais desafios, potencializar os resultados e ganhar escala, inserindo-as num cenário

colaborativo de aprendizagem coletiva, com mentorias especializadas e conexões com possíveis


2
investidores dentro de uma perspectiva de “coaceleração” (PRAIA, 2020).
A coleta de dados aconteceu no período de janeiro a junho de 2020, por meio das observações

dos pesquisadores e de seus respectivos diários de campo, bem como das entrevistas não estruturadas
com as startups participantes da turma de 2020 em três momentos: 1) no período de divulgação da

seleção; 2) durante o processo seletivo; e 3) com as 03 (três) startups que participam do programa. A
escolha do PRAIA se deu pelo pioneirismo no estado do Ceará, pela abordagem de sua construção

metodológica de forma colaborativa e pela acessibilidade proporcionada pelos gestores do programa.

Atendendo ao rigor exigido pela comunidade científica, tomou-se como uma das referências

metodológicas o pensamento de Gil (2007), que discorreu sobre algumas das vantagens do estudo de

[1] O Instituto Atlântico é uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), estruturada na forma de uma Associação Civil de
Direito Privado, sem fins lucrativos, voltada para a promoção da Inovação através da Pesquisa e Desenvolvimento em TIC.
O Nutec é o Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará e possui mais de 40 anos desenvolvendo soluções para a
indústria. O ICC Biolabs é o HUB de inovação do Instituto do Câncer do Ceará. E, por fim, a Secitece é a Secretaria da
Ciência, da Tecnologia e do Ensino Superior do Ceará. Todas as instituições participam do ecossistema de inovação e
empreendedorismo do estado do Ceará.
[2] O termo refere-se ao processo de aceleração ser realizado por mais de uma instituição ligada ao PRAIA.

80 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

caso, tais como: i) sua capacidade de estimular e descobrir novas rotas; ii) a chance de visualizar o
todo; e iii) a simplicidade na aplicação dos procedimentos de pesquisa. Apesar disso, pondera sobre a

dificuldade de obter generalizações a partir de casos exemplares, sem inviabilizar a sua utilização.

Mediante a breve apresentação dos passos que nortearam esta pesquisa, serão apresentadas
algumas discussões sobre os principais resultados e, por fim, as reflexões conclusivas que não esgotam

a agenda de pesquisa, mas abrem o campo das possibilidades para o aprofundamento em novas

dimensões que surgiram na empiria.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

O fenômeno da aceleração de startups é recente e cresceu rapidamente. O primeiro acelerador,


Y Combinator, foi fundado por Paul Graham em 2005 em Cambridge, Massachusetts. Em 2007, David

Cohen e Brad Feld, dois investidores iniciantes, criaram TechStars em Boulder, Colorado, na
esperança de transformar seu ecossistema de startup através do modelo de aceleração (COHEN;
HOCHEBERG, 2014). O Brasil adotou o modelo rapidamente e, a partir de então, várias aceleradoras

foram criadas, oferecendo opções para aceleração em diferentes estilos, formatos e teses de
investimentos.
Atualmente, segundo apontam dados extraídos do Seed-DB (2016), uma plataforma que analisa

aceleradoras e suas empresas, existem cerca de 230 aceleradoras no mundo, dentro de seus próprios
critérios, que têm apoiado mais de 5.600 novos empreendimentos (SEED-DB, 2016). Campos (2015),

estima que houvesse cerca de 250 aceleradoras em operação no mundo ao final de 2013, com diversos
programas sendo preparados para entrar em operação a partir de então. Nenhuma destas fontes

considerou a recente proliferação das aceleradoras corporativas, embora às vezes tivessem considerado

aquelas de capital misto (investidor e corporação).

A novidade desse fenômeno no ecossistema empreendedor trouxe significativos desafios para


os pesquisadores da área do empreendedorismo, sendo os mais críticos, a falta de dados, pesquisa

empírica e ausência de consenso em torno de uma definição ou taxonomia adequada (DEE; GILL;

WEINBERG, MCTAVISH, 2015; DEMPWOLF, AUER, IPPOLITO, 2014). Na tentativa de fornecer


uma definição mais sucinta e operacional Cohen e Hochberg (2014) definem as aceleradoras como

programas de prazo fixo, baseado em cortes, incluindo componentes educacionais e de mentoria, que

culminam num evento de apresentação pública ou demo-day” (COHEN e HOCHBERG, 2014).

81 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

Cohen e Hochberg (2014) destacam que uma das características distintivas das aceleradoras é
o fato de serem programas baseados em coortes, ou seja, grupos de empreendimentos que entram e

saem juntos do processo de aceleração, uma experiência que promove laços fortes e incomuns de

vínculo e identidade comunitários entre os empreendedores. Tendo em vista que o termo acelerador
tem sido utilizado de forma ampla, este estudo toma como referência o conceito de Cohen e Hochberg

(2014).

As aceleradoras desempenham um papel bastante importante no estímulo ao empreendedorismo.


Embora o fenômeno da aceleração seja novo, trazendo consigo diversas incertezas sobre o futuro

sucesso das aceleradoras, é inegável que a lógica econômica que justifica sua existência seja
convincente (PAUWELS, 2014). O autor aponta que as aceleradoras parecem despontar como uma

evolução dos modelos de programas de incubação.


Como observado, as aceleradoras são frequentemente confundidas pela mídia, pesquisadores e

formuladores de políticas, com instituições existentes, como incubadoras e investidores anjo.


Originalmente, as incubadoras são projetadas para nutrir empreendimentos nascentes, protegendo-os
do meio ambiente, dando-lhes espaço para crescer em um espaço protegido pelas forças do mercado.

As aceleradoras, por outro lado, são projetadas para acelerar as empresas, a fim de ajudá-las a se
adaptarem rapidamente e crescerem exponencialmente. Praticamente, as aceleradoras diferem das
incubadoras em quatro dimensões importantes: i. duração; ii) coortes; iii) incentivos; iv) programas

educacionais; v) mentorias e acompanhamento.


Uma aceleradora é um tipo especial de incubadora, cujos objetivos gerais são melhorar as

chances de sobrevivência das startups e acelerar seu crescimento (SCHWARTZ, 2009). A chance de
uma startup que foi acelerada sobreviver é de 87%, contra 44% de uma que não passou por um

programa de aceleração (GRIFANTINI, 2015).

Embora os aceleradores sejam frequentemente comparados às incubadoras, eles podem ser

mais semelhantes aos investidores anjo. Anjos são investidores individuais que fornecem investimentos
de capital inicial e quantidades variáveis ​de aconselhamento a empresas jovens. Normalmente, também

são empreendedores que querem ajudar as próximas gerações de empreendedores. Eles também podem

ser amigos ou familiares que fornecem ajuda financeira (FELD; MENDELSON, 2011).

3.1 ECOSSISTEMA EMPREENDEDOR

82 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

Um ecossistema empreendedor é um modelo conceitual ou uma estratégia projetada para nutrir

desenvolvimento econômico, promovendo o empreendedorismo, o crescimento das pequenas empresas


e a inovação (MAZZAROL, 2013) A existência tácita de vários fatores, como política, finanças,

mercado, cultura e capital humano são fundamentais para a existência de ecossistema empreendedor

(MASON, 2014).

Deste modo, atores sistêmicos como executivos, empresas familiares, universidades, sindicatos,

fundações, investidores ajudam na criação de empresas inovadoras quando tomam a iniciativa de


promover o aprendizado do empreendedorismo, promover eventos e políticas que estimulem um
ambiente propício à concepção de novos produtos e de novas empresas. Portanto, os setores público e

privado e as diversas instituições culturais, sociais, acadêmicas, entre outras, devem assumir as suas
responsabilidades com clareza neste processo criador.
Prahalad (2005) forneceu uma definição para ecossistema empreendedor, segundo a qual o

ecossistema possibilita indivíduos, empresas e sociedade conectarem-se efetivamente por causa da


geração de riqueza e prosperidade econômicas. O atributo notável de um ecossistema é interligar as
partes interessadas que geralmente são motivadas por objetivos distintos.

Isenberg (2010) propôs um modelo de ecossistema composto por treze fatores: liderança,
governo, cultura, sucesso, capital humano, capital financeiro, organizações de empreendedorismo,
educação, infraestrutura, clusters econômicos, redes, serviços de suporte e clientes. Os interessados ​

incluem governo, instituições educacionais, instituições financeiras e mídia.

O estudo de Isenberg abrange vários países em todo o mundo e cita o que pode ser

denominado como um milagre econômico. O PIB per capita de Ruanda quase quadruplicou desde
1995, apesar do fato de sua população e instituições terem sido dizimadas pelo genocídio nos anos

noventa. A transformação não foi alcançada por ajuda governamental ou estrangeira, mas por seu

próprio povo. Os esforços empreendedores dos pequenos agricultores que abastecem o mundo

tornaram possível essa revolução econômica.


Bernardez (2009) mostrou em seus estudos como os ecossistemas também criaram uma

recuperação econômica significativa na Argentina, Estados Unidos, Israel, Índia, China e México,

apesar das condições econômicas e sociais adversas. Ele demonstrou como cada ecossistema
empreendedor cresceu em torno de uma competência específica, como turismo, gastronomia e

hospitalidade para Palermo, Argentina; software e alta tecnologia para o Vale do Silício; finanças para

Wall Street e Londres; fabricação para a China; terceirização de processos de engenharia e negócios

83 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

para a Índia.

O impacto sobre o desenvolvimento de ecossistemas não pode ser ignorado, estes podem não
apenas atuar como catalisadores na aceleração do progresso econômico de economias estáveis, mas

também podem atuar como o principal motor quando se trata de resgatar economias que enfrentam um

declínio acentuado.

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

O objetivo do presente artigo é mostrar como se dá a construção metodológica de um programa

de aceleração em termos da geração de valor para startups com base nos aspectos de colaboração,
redes e horizontalização das experiências. Para tal, iremos apresentar nesta seção os resultados iniciais
obtidos com o PRAIA.

Se tratando de um programa em estágio inicial, o PRAIA, já possui resultados expressivos que


demonstram a importância do processo de aceleração de startups de forma colaborativa. A colaboração
é o pilar central do PRAIA e vem norteando todo o seu processo, desde a ideação do programa até o

momento atual.
O primeiro resultado significativo foi a união das quatro instituições idealizadoras (Atlântico,
Nutec, ICC Biolabs e SECITECE), no qual, 3 (três) já com grande experiência em incubação e

aceleração de startups trouxeram toda a expertise e conhecimento envolvido no ecossistema e 1 (uma)

organização com grande experiência em tecnologia e com um portfólio de clientes de grande porte.

Essa união culminou em um somatório de habilidades que complementam e fortalecem o PRAIA. Haja
visto que as fraquezas de uns, podem ser minimizadas com as forças de outras, dessa forma, entende-se

que possuímos um programa robusto e completo. A título de exemplificação deste relato, podemos

citar o compartilhamento de espaços de coworking, insumos, laboratórios, profissionais que podem

fornecer mentorias para as startups, divulgação, entre outros componentes que podem ser
potencializados a partir desta união.

Temos como objetivo central do programa auxiliar as startups de base tecnológica a superar

os principais desafios, crescer de forma acelerada e ganhar escala. Para isso, o PRAIA aposta em uma
metodologia própria pautada na concepção de “coaceleração”, na qual, as startups selecionadas

passarão por uma jornada customizada de 6 (seis) meses de aceleração com mentorias executadas pelos

parceiros que mais se aproximam de seus negócios. É simples: essas startups serão cuidadosamente

84 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

direcionadas para os parceiros e acompanhadas pela gestão do programa.

Dito isso, o segundo fator relevante é a rede de parceiros, composta por 20 empresas de
segmentos distintos, tais como: agronegócio, energia, indústria 4.0, saúde e bem-estar, mercado

financeiro, economia e sociedade digital (educação, varejo, mobilidade, RH, logística, law, gestão de

resíduos e alimentos) o qual, irão ajudar as startups a crescerem em sua área de atuação. A rede foi

cuidadosamente elaborada, para que independente da área de negócio da startup, a mesma pudesse

realizar uma incubação no campo de prova. Essa incubação no campo de prova é um processo da
aceleração de startup, onde a empresa parceira recebe os empreendedores em suas instalações para
vivenciarem o dia a dia da referida instituição, desse modo, a startup tem a oportunidade de absorver e

compreender mais do seu segmento de atuação.


O terceiro resultado relevante é a rede de mentores, composta atualmente por 21 pessoas, com
as mais diferentes skills. Temos em nossa rede especialistas em tecnologias de ponta (Internet das

Coisas (IoT), Impressão 3D, Segurança da Informação, Ciência de Dados, Computação Cognitiva),
mercado financeiro, marketing, comunicação, experiência do usuário, entre outras. Vale salientar, que
tanto as empresas parceiras como os mentores, atuam como voluntários para auxiliar no crescimento

dessas startups e no amadurecimento do ecossistema de inovação do Ceará.


Outro ponto relevante é a jornada de aceleração da startup que foi construída
colaborativamente, conectando experiências e absorvendo-as ao programa. A referida jornada é

constituída por cinco etapas: i) etapa inicial, denominada remada, onde é realizada a avaliação startup,

para se obter um diagnóstico do estágio que a empresa se encontra. Esta etapa é guiada por dois

frameworks formatados pelos idealizadores, em seguida, é elaborado um plano de ação inicial


totalmente individualizado, a fim de sanar as vertentes deficitárias; ii) etapas seguintes, denominadas

de tubo, drop e 360º, onde as startups cumprirão com o plano de ação desenvolvido na primeira etapa;

iii) Por último temos o swell, que é finalização de todo o processo de mentoria e aceleração da startup

e realização de uma demonstração dos resultados obtidos, bem como a visão atual do produto, para
concorrer a possíveis investimentos financeiros.

Todo o processo de coaceleração é realizado utilizando, de forma adaptada, a metodologia

SCRUM que é aplicada para organizar e gerenciar projetos utilizando-se dos valores e princípios do
manifesto ágil. Também lidamos com o conceito de SPRINT, onde são executadas as ações e

atividades a partir de uma priorização. As sprints serão quinzenais e durante cada sprint, teremos 2

(dois) momentos, que intitulamos de: surf semanal - encontros de acompanhamento do

85 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

desenvolvimento das ações, remoção de impedimentos e alinhamento sobre os próximos passos; e surf
quinzenal - encontro de apresentação dos resultados obtidos na sprint e planejamento da sprint

subsequente.

Além desses dois momentos citados anteriormente, as startups contarão com momentos de
mentoria coletiva, em que mensalmente, será abordado um tema relevante para todas.

Entendemos que uma startup procura um programa de aceleração para melhorar e aprimorar

seu negócio, então o PRAIA também oferece até 250 horas de especialistas para desenvolver em
conjunto com as startups parte de sua solução, a especialidade irá depender da necessidade identificada

na etapa de diagnóstico. Essa cessão de horas só é possível a partir da convergência de esforços


financeiros demandados a partir dos idealizadores.

Por fim, vale ressaltar, que no PRAIA procura-se respeitar o valor de colaboração, para
tomadas de decisão. Todos os idealizadores têm lugar de fala e as decisões são colegiadas, assim,

tornando o PRAIA, um programa democrático e singular.

5. CONCLUSÃO

A cooperação pelo prazer em cooperar acontece em situações de apoio, em que o ato


cooperativo ocorre sem se esperar nada em troca, ou o que se pode chamar de colaboração.

Colaboração é a ação que gera benefício para um parceiro, num sentido horizontal ou vertical, e na
qual o ganho não precisa ser conjunto, visto que é um apoio, sem esperar retribuição. É o que se

verifica no caso explano neste estudo, onde foi possível observar quatro instituições de relevância para
o estado do Ceará se unirem para impactar positivamente o ecossistema empreendedor.

E para tal, resolvem criar um programa de aceleração de startups, utilizando uma

metodologia que a intitularam de coaceleração, onde cada instituição, em sua capacidade, demanda

esforços objetivando alavancar startups. E essa colaboração se dá, por meio da troca de experiências
institucionais, relacionamentos, recursos, pessoas entre outros.

Tendo em vista o que foi exposto no presente estudo e o elevado nível de satisfação dos

participantes do programa de aceleração, bem como, seus resultados obtidos até o presente momento, é
possível inferir que utilizar da abordagem colaborativa em processos de aceleração de startups, tem

impactos positivos ao ecossistema local de inovação.

86 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 6

6. REFERÊNCIAS

CAMPOS, Newton M. The Myth of the Idea: and the Upsidedown Startup. Charleston, SC:
Createspace, 2015.

Dee, N., Gill, D., Weinberg, C., & Mctavish, S. Startup Support Programmes: What’s the
difference. 2015.

ETZKOWITZ, H.; ZHOU, C. Triple Helix: University-Industry-Government Innovation and


Entrepreneurship. London: Routledge (no prelo, 2017).

FELD, B., and J. MENDELSON. Venture Deals: Be Smarter Than Your Lawyer and Venture
Capitalist. Wiley. 2011

GRIFANTINI, K. “Incubating Innovation: AstaTRAVERS, P. K.; TEIXEIRA, C. S. As


características definidoras das aceleradoras e suas diferenças para outras organizações filantrópicas. R.
Eletr. do Alto Vale do Itajaí - REAVI, v. 6, n. 9, p. 98-107, 2017.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2007.

HOLCHBERG Y., & COHEN, S. Seed Accelerator Rankings. 2014

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Ecosystem Project. 10th international Entrepreneurship Forum, Bahrain. 2011.

MASON, Colin; BROWN, Ross; Entrepreneurial Ecosystems and Growth Oriented


Entrepreneurship, 2014.

MAZZAROL, T. (2013) “The role of social-capital, strategic networking and word of mouth
communication in the commercialisation of innovation”, in N. Pfeffermann, Minshall, T., and
Mortara, L. (Eds). Strategy and Communication for Innovation (Second Edition), Berlin, Springer
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PAUWELS, Charlotte; CLARYSSE, Bart; WRIGHT, Mike; HOVE, Jonas Van, Understanding a
New Generation Incubation Model: The Accelerator, 2014.

PRAHALAD, C. (2005). The Fortune at the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty through
Profits. Saddle River: Wharton School Publishing

Seed-DB- Banco de Dados de Aceleradoras e suas Empresas - disponível em: https://www.seed-


db.com/accelerators . Acesso em: 20. Jul. 2020

87 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 7

EMPREENDEDORISMO NA EDUCAÇÃO:
UM CASE DE MARKETING DIGITAL EM UMA
INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Bruno Rafael Marioti


Mestre em Administração - UniCesumar
brunomarioti@gmail.com

Edson Ribeiro de Britto de Almeida Junior


Mestre em Educação para a Ciência e a Matemática - UEM
erbaj13@gmail.com

Luana Furtado Vilas Boas


Mestre em Administração - UEM
lufvilasboas@gmail.com

Rosinaldo Nunes Cardoso


Mestre em Administração - UEM
rosinaldo_cardoso@hotmail.com
Capítulo 7

INTRODUÇÃO

Os avanços tecnológicos recorrentes da última década ocasionaram uma transição

epistemológica para o termo digital, o que antes era comumente associado à forma de transmissão de
sinais eletromagnéticos, hoje se caracteriza como uma nova dinâmica de práticas cotidianas

(FELISDÓRIO, 2020). A ressignificação do termo digital não é imposta, pois promove implicitamente

óbices em determinadas instâncias da sociedade (ALMEIDA JUNIOR; MAGALHÃES JÚNIOR,


2020).

O digital no empreendedorismo, por exemplo, ainda se caracteriza como um desafio a ser


discutido e compreendido, como a condição orçamentária, a concorrência, a formação de uma equipe,

além da construção de uma imagem que se solidifique e traga credibilidade para que a organização se
mantenha sustentável (PEREIRA; VERRI, 2014; PEREIRA; BERNARDO, 2016).

Na “sociedade da informação”, também chamada “sociedade midiática” e “sociedade digital”,


a tecnologia está em todo lugar, afirma Kenski (2012). Nesse contexto, a utilização de estratégias
empreendedoras associadas aos recursos digitais por meio da internet, pode se tornar uma ferramenta

de suporte e competitividade ao empreendedor, proporcionando desempenho e rentabilidade.


É importante considerar que o entendimento acerca do empreendedorismo se aplica em
diferentes níveis, como no plano individual, de grupos e também da organização como um todo, o que

resulta em um campo de múltiplos significados, frequentemente concebido ao nível dos indivíduos


associado à criação de um invento inovador (MELLO et al, 2006). Ademais, o empreendedorismo se

mostra atrelado no domínio das empresas como responsável pelo desenvolvimento econômico e
também social, dado à geração de empregos via a exploração de novos mercados. Neste sentido,

conforme, a identificação de oportunidades de mercado se instaura diante a requisição de competências

diversas, como as de marketing.

Neste aspecto, Mello et al (2006) consideram uma relação entre orientações de marketing e o
empreendedorismo considerando a existência de processos, práticas e tomadas de decisão que levam a

(re)criação dos empreendimentos, incluindo a predisposição das organizações em agir e inovar

assumindo riscos, sobretudo com uma tendência de ser proativa e agressiva quanto às oportunidades de
mercado. Neste ponto, ao se considerar que o ambiente organizacional se mostra dinâmico e cada vez

mais competitivo, a distância para o sucesso organizacional se estabelece na capacidade de empreender

aliada com o conhecimento e o emprego de ferramentas de marketing, como forma de adaptar-se às

89 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

mudanças que acontecem no mercado e que implicam em vantagens competitivas.

Para tanto, em um cenário de constante mudança e necessidade de se estabelecer vantagem


competitiva, com a intensificação de novas tecnologias e uso da internet, o empreendedor se depara

com novas possibilidades de usos das ferramentas de marketing, podendo aplicá-las de forma

estratégica ao seu negócio. Conforme Bogea e Brito (2018) a efetivação de inovações relacionadas à

internet compreende uma forma relevante para execução de estratégia de e-business, de modo que,

tanto o marketing digital como as mídias sociais são compreendidos como um caminho inevitável.
Além disso, tais ferramentas permitem atingir públicos mais amplos, além de proporcionar redução de
custos em comparação com a mídia tradicional (JAYARAM; MANRAI; MANRAI, 2015).

Diante de tais reflexões, o presente trabalho visa a discutir os benefícios emergentes da


inserção de mídias sociais na visão empreendedora do marketing nas organizações, especificamente
um case de estudo de caso que apresentará ações empreendedoras sobre estratégias de marketing que

foram aplicadas em uma das unidades da rede de colégio privados da Vila Militar, no estado do Paraná.

2. EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1 A VISÃO EMPREENDEDORA DO MARKETING NAS ORGANIZAÇÕES

O marketing é um processo humano, com características sociais e administrativas, que

aprimoram a inter-relação entre o usuário e o vendedor, visando a otimizar a satisfação de suas

necessidades e expectativas (PINHEIRO; GULLO, 2013). Corroborando, Kotler e Keller (2012, p. 4)


pontuam que o marketing pode ser definido como “um processo social pelo qual indivíduos e grupos

obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação, da oferta e da livre troca de produtos de valor

entre si”.

Shimoyama e Zela (2002), apontam o marketing como uma “via de duas mãos”, entre o
mercado e as organizações, na qual as organizações procuram no mercado informações potenciais

sobre necessidades e desejos de possíveis clientes. O alinhamento de informações e interesses entre

clientes e organização é de suma importância e, nesse sentido, a administração de marketing é a


responsável por garantir um marketing assertivo, que seja capaz de alinhar os objetivos da empresa em

consonância com as necessidades dos clientes.

90 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

Dessa forma, a administração de marketing envolve algumas tarefas como desenvolvimento

de estratégias, planos de marketing, busca por novas oportunidades de marketing, conexão estreita com
os clientes, o desenvolvimento de uma marca forte, a elaboração de ofertas de mercado, entrega e a

comunicação de valor (KOTLER; KELLER, 2012).

No contexto organizacional, por sua vez, o papel do marketing seria basicamente a gestão do

mix de marketing, que pode ser resumido pelos quatro P’s: produto, preço, praça e promoção (BAKER,

2005). Para Cobra (2009), o papel do marketing relaciona-se com o estímulo ao consumo de bens e
serviços. No entanto, neste cenário globalizado e tecnológico o papel do marketing não deve ser
“limitado” por tarefas e funções, mas sim, integrado com toda organização e clientes.

Kotler e Keller (2012) defendem um marketing holístico que parte de uma perspectiva
abrangente e integrada, e argumentam que devido à abrangência, complexidade e riqueza do
marketing, os 4 P’s do mix de marketing não representam mais todo o cenário envolvido. Em uma

atualização mais representativa, insere-se os 4P’s da moderna administração de marketing: Pessoas;


Processos; Programas e Performance (KOTLER; KELLER, 2012).
As pessoas refletem a importância de colaboradores e clientes para o sucesso do marketing,

assim como, a importância de se compreender o cliente de forma singular; Os processos refletem a


estrutura, disciplina e criatividade incorporada à administração de marketing, instituindo a consciência
do planejamento e estruturação para criação de relacionamentos de longo prazo; Os programas

refletem todas as ações da empresa, seja online ou offline, tradicionais ou não, mas integradas e

alinhadas ao objetivo organizacional; Por fim, a performance reflete o desempenho do marketing

holístico, levantamento e análise de indicadores, assim como implicações do marketing a própria


empresa, no âmbito social, jurídico, ético, etc. (KOTLER; KELLER, 2012).

De um modo geral, pode-se afirmar que o foco passou do produto ao cliente, passando pela

necessidade de desenvolvimento de ofertas e produtos exclusivos, sendo possível observar um

movimento de empresas na busca por customização do atendimento para uma experiência de compra
agradável e estabelecimento de diálogos com os clientes, no intuito de melhor compreender seus

desejos e necessidades (KOTLER; KELLER, 2012). Sendo assim, entende-se que o papel do

marketing representa muito mais do que ferramentas de promoção e vendas, trata-se de uma filosofia
que ocorre do interior das organizações, a qual, possui o cliente como principal razão da existência da

organização (SHIMOYAMA; ZELA, 2002).

91 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

Portanto, é importante destacar que as decisões e estratégias de marketing devem ser pensadas

e comunicadas com muita cautela, tendo em vista o impacto que podem causar no mercado, mas
também na organização, de forma positiva ou negativa. Sendo assim, as organizações devem

considerar o contexto globalizado, tecnológico e fomentado pela internet, onde tudo muda a todo

momento, visto que, as consequências sobre o que é dito ou realizado pelo marketing podem se

multiplicar instantaneamente (KOTLER; KELLER, 2012).

2.1.1 A COMUNICAÇÃO DE MARKETING

Considerando a importância do cliente para o sucesso organizacional, é preciso pensar sobre as


formas como a situação comunicacional entre a empresa e os consumidores pode e deve ser construída.
O termo “comunicação” originou-se da palavra communis, que significa compartilhar, transmitir e

comunicar (PASQUALE; NETO; GOMES, 2012).


No âmbito mercadológico, a comunicação de marketing é “o meio pelo qual as empresas
buscam informar, persuadir e lembrar os consumidores — direta ou indiretamente — sobre os produtos

e as marcas que comercializam” (KOTLER; KELLER, 2012, p. 512). A comunicação de marketing


pode ser vista ainda como um processo de administrar informações entre a empresa e o público-alvo.
Na visão de Yanaze et al (2007) tais informações ocorrem com o público interno ou externo à

organização, mas estes, potencialmente interessados em reagir de forma favorável às negociações e

condições oferecidas pela empresa ou entidade emissora.

É por meio da comunicação de marketing, que a empresa estabelece um diálogo com os


consumidores e constrói relacionamentos. Além disso, é essa comunicação direcionada ao mercado,

pelos diferentes meios e formas, que constroem também a imagem organizacional. Nesse sentido, a

comunicação apresenta caráter estratégico, o que a obriga a fazer parte de uma política comum e

integrada, com valores, princípios e diretrizes que se mantêm alinhados nas mais variadas formas de
relacionamento com os diferentes públicos da organização (PASQUALE; NETO; GOMES, 2012).

Considerando o impacto que a comunicação de marketing pode causar na imagem

organizacional, é importante que a comunicação seja desenvolvida a partir de um planejamento. Kotler


e Keller (2012) sugerem que a elaboração da comunicação defina o que será comunicado, ou seja, a

estratégia da mensagem; como será comunicado, isto é, a estratégia criativa; qual será a fonte da

mensagem, ou quem irá emitir; definição dos canais de comunicação, podendo ser pessoal, como

92 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

canais especializados e social, ou não pessoal, como mídias, promoção de vendas e eventos.
É importante destacar que nesse novo cenário, a tecnologia associada a outros fatores mudou

fortemente o modo como os consumidores processam as comunicações. Para Kotler e Keller (2012), a

rápida difusão dos smartphones, conexões de internet facilitadas e gravadoras de vídeo digital – entre
outros – desgastaram a eficácia dos meios de comunicação de massa.

Portanto, as tecnologias disponíveis fomentaram a inovação nas formas como as organizações

se comunicam, sendo a comunicação digital um caminho de possibilidades infinitas. Atualmente há um


cenário de mudança para negócios mais horizontais, inclusivos e sociais, nos quais a conectividade é o

mais importante agente de mudança na história do marketing, sendo capaz de diminuir de forma
significativa os custos de interação entre empresas, funcionários, parceiros, clientes entre outros,

reduzindo as barreiras de entrada em novos mercados (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2018).

2.1.2 O MARKETING DIGITAL

As transformações advindas do meio digital fizeram com que o marketing tradicional precisasse

se modificar para continuar a atender as necessidades do mercado e do consumidor tão influenciadas


pelas mudanças de comportamento sociais. Neste contexto, conforme Gabriel (2010), a proliferação de
tecnologias e plataformas digitais expande um campo de várias oportunidades para que ações de

marketing possam ser desenvolvidas. Dessa forma, o conceito de Marketing digital no mesmo sentido
do conceito de Marketing tradicional apresentado por Kotler (2012), como uma atividade humana

dirigida para a satisfação de necessidades e desejos obtidos via troca, é empregado, todavia, utilizando-
se de algum componente digital – tecnologia e plataformas digitais – junto ao composto de marketing.

Torres (2011) complementa este entendimento apontando que, o Marketing digital corresponde

a um conjunto de estratégias de marketing e publicidade, aplicadas na internet e como resposta ao novo

comportamento do consumidor presente neste meio. Trata-se de um conjunto coerente e eficaz de


ações que estabelece o contato permanente entre cliente e empresa, moldando percepções quanto à

confiabilidade da marca e levando à decisão de compra a seu favor.

Com vistas a desenvolver ou ampliar serviços e ferramentas, o Marketing digital é empregado


com a finalidade de informar sobre produtos e serviços para um grande número de clientes de forma

geral ou segmentada, representando assim, redução de custos e um grande diferencial competitivo.

Ademais, de acordo com Lemos (2011), pela observação do comportamento na internet, o Marketing

93 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

digital possibilita que abordagens específicas sejam delineadas para atingir diferentes públicos ou

potenciais clientes, de modo a se estabelecer um relacionamento entre empresa e clientes.


Neste aspecto, inúmeras estratégias podem ser empregadas na internet para que o cliente
possa ser atingido, como aquelas que Torres (2011) apresenta:

Marketing de conteúdo: correspondendo a um conjunto de ações que visa a criação e

disseminação de conteúdos de relevância ao público-alvo na internet, de modo a chamar a

atenção do cliente;
Marketing nas mídias sociais: correspondendo às ações que objetivam o relacionamento

entre cliente e empresa via internet;


Marketing viral: como um conjunto de ações estabelecidas para criar repercussão, de

modo que se alcance um grande número de pessoas na internet e a disseminação da


mensagem;

E-mail Marketing: denominado também como marketing direto, o qual busca estabelecer
um contato direto com o cliente, transmitindo assim a mensagem desejada;
Publicidade on-line: empregada para divulgar a marca ou o produto de forma similar às

ações de publicidade convencional;


Pesquisa on-line: correspondendo ao meio de compreender o cliente, o mercado, além de
todos os fatores que possam afetar o negócio; e

Monitoramento: tratando do acompanhamento dos resultados obtidos das estratégias e do


aprimoramento do marketing e sua eficiência.

Conforme Cintra (2010), as estratégias de Marketing digital se mostram com grande eficácia

em muitas organizações, sendo aplicadas tanto para aquelas totalmente on-line, quanto para as que se

utilizam de múltiplas plataformas, sendo destinadas para finalidades que se estendem desde o

atendimento ao usuário até a promoção de produtos e serviços informacionais. Nessa perspectiva, o


Marketing aplicado no meio on-line se instaura também como um processo destinado a venda para um

público-alvo específico, ou seja, usuários da internet, bem como, de sistemas de informações on-line,

conciliando ferramentas e serviços on-line, de forma estratégica e coerente com o programa de


marketing adotado pela empresa.

Alcançando uma audiência refinada, por meio do Marketing digital as empresas conseguem

desenvolver diálogos contínuos com o público atingido, o que possibilita ações rápidas, como

94 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

acrescentar produtos e listagens, bem como, modificar propostas de vendas de forma hábil,

estabelecendo assim, um diálogo produtivo e facilitando todo o tipo de negociação (CINTRA, 2010).
De modo muito claro, observa-se que o mundo digital vem proporcionando muitas
oportunidades e até mesmo o principal meio para que pequenas, médias e grandes empresas possam

obter benefícios, todavia, mesmo abrindo inúmeras possibilidades, o Marketing digital necessita ser

bem elaborado, da mesma forma que o Marketing tradicional. Conforme Cintra (2010), torna-se

necessário que caminhos sejam traçados com objetivos e metas claras, sendo determinado, o destino
que se pretende chegar, além das formas de divulgação, considerando o velho ditado popular de que “o

que não é visto não é lembrado”. Em geral, deve-se pensar sobre qual imagem da empresa está se
passando.

Tanto o Marketing digital quanto o tradicional compartilham do mesmo objetivo, que é atingir
um público específico, e a partir disso, estabelecer e manter um relacionamento com este, portanto,

ambos precisam dispor de um planejamento, de modo a posicionar corretamente as ferramentas de


buscas para que ações de relacionamento possam ser desenvolvidas, campanhas de comunicação
realizadas e assim, fazer com o que a marca se sustente no meio on-line, ampliando as possibilidades

de negócios. Nesse processo, as mídias sociais se mostram de grande representatividade (TORRES,


2011).

2.1.3 AS MÍDIAS SOCIAIS

As mídias sociais se mostram como parte do cotidiano da sociedade e isso tende a permanecer,
embora, não livre de transformações, como aponta Gabriel (2010), ao considerar que se trata de um

cenário que tende ser cada vez mais fragmentado; cada rede sofre modificações de importância relativa

ao longo do tempo e apresenta mudanças constantes para acompanhar a transformação acelerada das

pessoas.
Conforme Lima Junior (2011), às tecnologias digitais conectadas ampliaram as possibilidades

no âmbito da comunicação social, elevando a noção de mídias sociais e redes sociais para meios sem

barreiras geográficas, em que consumidores se reúnem por afinidades e por objetivos comuns (HUNT,
2010). De acordo com Turchi (2012), trata-se de estruturas baseadas na comunicação bidirecional, na

qual os indivíduos compartilham seus conhecimentos em diversos níveis, de forma interativa e

altamente colaborativa.

95 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

Considerando que habitualmente o cliente tem na internet o meio para buscar informações
sobre o que pretende comprar, tal busca se dá, também, com base nas experiências de outros

consumidores com quem mantêm contato, sobretudo pelas mídias sociais (TORRES, 2011). Neste

sentido, o emprego dos princípios de Marketing, nas mídias sociais, se mostra necessário,
proporcionando tanto a comunicação e o compartilhamento quanto a noção de colaboração.

Neste aspecto, conforme McConell e Huba (2010), a colaboração se estabelece no sentido em

que o próprio cliente se torna um vendedor voluntário e defensor da marca que lhe proporcionou uma
experiência de sucesso. Assim, a interação dada pelas redes e mídias sociais se instaura como um

cenário propício para ações mercadológicas, exigindo para tanto, o planejamento estratégico sobre os
quais tais plataformas devem ser o foco das organizações, considerando-as um meio de propagação não

apenas da marca, mas da opinião e da causa defendida pela empresa, pois possibilitam a criação e o
compartilhamento de informações e conteúdos pelas pessoas e para as pessoas, nas quais o consumidor

se mostra ao mesmo tempo produtor e consumidor da informação (TORRES, 2011).


Ainda para Torres (2011), as mídias sociais se mostram representativas para as ações de
Marketing digital, sendo o Facebook, WhatsApp, Youtube, Instagram, TikTok, LinkedIn, Pinterest,

Twitter algumas das redes sociais com mais usuários e que se configuram conforme Torres (2011),
cada vez mais como o espaço no qual os usuários realizam trocas tanto pessoais quanto profissionais.
De acordo com Silvestre (2011), o investimento em mídias sociais corresponde à ida em busca

do público presente nestes locais, o que implica em falar a mesma língua destes, compreender as reais
necessidades e o principal, estar presente continuamente, levando em conta, gostos, vontades, estilos e

a disponibilização de soluções individuais, diferentemente daquelas entregues para uma multidão de


pessoas como as advindas de ações comerciais de TV, rádio, outdoors, etc. Dessa forma, para além da

conversão, a organização ganha o relacionamento, estreitando laços com o cliente e dispondo de meios

para conhecê-lo verdadeiramente, um caminho que levará a tê-lo de forma mais ampla, mais que um

cliente, tê-lo como um evangelizador da marca.

3. METODOLOGIA

O estudo de caso enquanto estratégia de pesquisa, segundo Yin (2015, p. 32), pode ser

compreendido como “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de

seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não

96 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

estão claramente definidos”.

4. DISCUSSÃO E RESULTADOS

O caso a ser apresentado é a campanha de marketing digital empregado por uma das unidades

da rede de colégios privados da Vila Militar, no Paraná. A Rede teve seu início em 2018, pautada pelos

mesmos princípios educacionais da Escola Militar Pública do Paraná, mas com características de uma
instituição privada, com o início por meio da Associação da Vila Militar – AVM.

A AVM é uma instituição privada que congrega a quase totalidade dos policiais militares e
bombeiros militares da Polícia Militar do Estado do Paraná, e, atualmente, conta com mais de 21 mil

sócios, visando a atender a necessidade da demanda de seus associados. Diante disso, surgiu o Colégio
Vila Militar, que busca entre os seus objetivos estabelecidos, o resgate dos valores de cidadania, de

civismo e de patriotismo, por meio da educação.


De acordo com pesquisas realizadas pela BBC News (2020), o Brasil tem assistido a um aumento
no número de escolas cívico-militares não apenas no ensino público, mas com um despertar

empreendedor, houve um avanço significativo de colégios particulares de inspiração militar. Vale


ressaltar que, a primeira escola privada com essa perspectiva, faz parte da rede de Colégios Vila
Militar, recorte deste estudo. Esta primeira unidade iniciou em 2018 e, em 2020, já possuíam 668

alunos matriculados do 6º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio. Assim, o desafio
para as demais unidades da rede é manutenção dos alunos e estratégias de captação no atual cenário de

distanciamento social, o que exige uma visão de negócios, características do empreendedorismo.


Rosa (2013, p. 74) aponta que “quando queremos responder a questões do tipo como ou por quê

o Estudo de Caso é dito explanatório”. Nesse sentido, o presente estudo de caso explanatório

apresentará o porquê de os recursos de mídias sociais, empregados pela instituição supracitada,

potencializarem suas estratégias de marketing digital e como, consequentemente, impactou em seu


índice de crescimento no período de 2020 e 2021.

A decisão pela empregabilidade das mídias sociais foi decorrente do fato que as práticas de

mídias tradicionais foram interrompidas, por conta do cenário pandêmico e necessidade do isolamento
social. Nessa perspectiva, nota-se que os empreendedores da unidade de ensino, tiveram a percepção

de identificação do público alvo e utilizaram-se de técnicas de compreensão do comportamento de

consumo. Assim, as estratégias utilizadas pela instituição de ensino para captação de novos alunos,

97 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

foram as mídias digitais.

Logo, como estratégia empreendedora, a unidade em estudo investiu primeiro na identificação


do comportamento de consumo dos pais. Fez uma investigação das razões as quais os levaram a
matricularem os filhos, mesmo em uma escola nova e, ainda, se há satisfação para que os mantenham

no Colégio. Isso vai ao encontro da compreensão do comportamento do consumidor, que é preciso

identificar o que selecionam, compram, em bens, serviços, ideias ou experiências para a satisfação de

suas necessidades e desejos (SOLOMON, 1998).


Para Engel (2000), o comportamento de compra possui relação com o processo decisório. Logo,

há que se compreender quais as razões levaram as famílias além da escolha para matrícula do filho,
reconhecer a intensidade do valor dado ao serviço ofertado (LARENTIS, 2012).

Diante disso, foi identificado junto às famílias como principais critérios para escolha da unidade,
a disciplina, o respeito e a hierarquia como práticas metodológicas e que, podem impactar no

desempenho e na educação dos filhos. Outro fator identificado no estudo, respondido pelos pais, foi a
possibilidade de, no colégio com uma estrutura militar associada ao pedagógico civil, obter “mais
disciplina e respeito ao próximo”.

No mesmo sentido, ainda classificado como parâmetro de escolha das famílias é que, mesmo
sem um viés ideológico do colégio, nota-se um padrão de conduta e regras pré-estabelecidas, como o
corte de cabelo dos meninos, e penteado das meninas, sempre em forma de coque, unhas cortadas e a

utilização de uniformes, como farda e boina. Por fim, a prática de cantar diariamente o hino nacional e
a premiação bimestral de honra ao mérito para estudantes com notas acima de 8 (oito) pontos em todas

as disciplinas.
Nessa descoberta, é possível identificar padrões de escolha que impactam na visão empreendedora

do marketing (Spreng, Mackenzie & Olshavsky, 1996). Logo, de acordo com Grönoss (1997), há que

se estabelecer um marketing de relacionamento, no qual o autor estabelece como um processo de

identificar, estabelecer, manter e aprimorar, de modo que os objetivos das partes envolvidas sejam
alcançados e, que isso seja feito pela oferta e cumprimento mútuo de promessas.

Para Shane e Venkataraman (2000), em uma abordagem economicista, o empreendedorismo

busca entender o surgimento das oportunidades para criar algo novo. Logo, a atividade empreendedora
é vista como aquela em que há um esforço para tornar as oportunidades em descobertas, ou os

conhecimentos adquiridos em uma finalidade prática, visando ao desenvolvimento. Por exemplo, de

novos serviços ou processos (PEREIRA; BERNARDO, 2016).

98 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

Nesse sentido, como estratégia empreendedora aplicada do Colégio, foi explicitar os resultados
das pesquisas aplicadas com as famílias, em campanhas de marketing digital, utilizando-se para isso,

do potencial da internet. Isso, em partes, confirma o que avalia Finkelstein (2011), ao apontar que as

redes de computadores já se consolidaram como uma estrutura que assegura a veiculação permanente
da comunicação. Além disso, proporciona suporte para as relações e produz satisfação (SPRENG;

MACKENZIE; OLSHAVSKY, 1996).

Há que se considerar ainda que, os consumidores prezam por métodos mais rápidos e práticos
de comunicação (BARATA, 2011). Nesse contexto, a escolha do Colégio foi a utilização das principais

plataformas colaborativas das mídias sociais, como o Facebook e Instagram, que proporcionam meios
de divulgar os serviços ofertados utilizando a técnica do marketing direcionada ao público-alvo, além

de manter um relacionamento e aproximação com o consumidor.


Para o autor, as mídias sociais são praticadas como estratégias dos usuários para expressar suas

opiniões, estabelecer seus valores e relacionamentos com outros usuários. Logo, com um
relacionamento fidelização e identificado o público alvo, as propagandas despertam o desejo de
compra e procuram fazer com que o consumidor tenha uma contínua propensão ao consumo

(BARATA, 2011).
A estratégia estabelecida pela unidade de ensino, em utilizar as mídias sociais para captação de
alunos, vai ao encontro do que apontam Bergamo et al (2016), ao considerarem que as redes sociais se

tornaram um interessante espaço de relacionamento, não só entre pessoas, mas também de relações
coletivas que atinge atividades sociais e organizacionais.

Na mesma discussão, Soares e Monteiro (2015, p.10), ponderam que as redes sociais auxiliam
na promoção de contínuas interações entre empresa e cliente. Para os autores, “pode acarretar aumento

da exposição da marca, permitindo que vários usuários possam interagir diretamente com outros

usuários e com a própria empresa, criando um marketing de relacionamento digital interativo e

engajado”.
Nessa perspectiva, evidenciam-se as práticas da unidade da rede ensino do Colégio Vila Militar

em estudo. A unidade estabeleceu como critério uma seleção de postagens em que demonstram as

atividades praticadas em sala de aula com metodologias ativas, além de imagens que demonstram
exatamente os resultados obtidos na pesquisa de intenção de matrículas, com alunos uniformizados,

criando um padrão em sala de aula e nos espaços coletivos.

Da mesma forma, demonstraram nas divulgações, atividades em que transmitem a presença da

99 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

hierarquia acadêmica docente, bem como as premiações aos alunos com médias altas. Para tanto,
outras ferramentas digitais foram inseridas no processo, como um website, campanhas de e-mail

marketing e uma página Landing Page interativa para captura de novos leads.

Além disso, a imagem do colégio está sempre presente nas ações sociais e divulgações constantes
das qualificações profissionais dos docentes, o que transmite a percepção de qualidade da unidade da

rede de ensino. Logo, como resultado do estudo, identificou-se que a unidade da rede ficou em

segundo lugar em ranking de crescimento no período de 2020/2021, mesmo sendo a unidade mais
recente a ser ingressada na rede, conforme demonstrada na Tabela 1, abaixo:

Tabela 1 – Crescimento da Unidade da Rede

Para a não exposição das unidades da rede, todas foram identificadas por números, sem

especificações de localidades. Ressaltando apenas que todas as unidades da rede de ensino estão
distribuídas no Estado do Paraná. Como resultados, nota-se que a unidade em estudo, destacamos com

a cor azul, consta um crescimento exponencial de 147% entre os períodos de 2020 a 2021.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A evolução tecnológica está em um ritmo tão acelerado que diversos autores denominam a

100 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

sociedade contemporânea como a era da informação e comunicação. A globalização em consonância


com os avanços tecnológicos têm trazido oportunidades para inúmeras empresas, mas também,

desafios, alterando o velho paradigma de sucesso, com base em produtos atraentes e preços baixos.

Logo, nesse cenário, a propaganda de massa já não é tão eficiente quanto antes e, desse modo, as
organizações passaram a explorar novas formas de marketing e comunicação, mudando o foco do

negócio. É preciso compreender o marketing e seu papel, considerando esse novo cenário globalizado e

tecnológico.
A pandemia do novo corona vírus, iniciada no ano de 2020, fez com que governantes de diversos

países adotassem medidas rígidas, tais como quarentena, isolamento social e suspensão das aulas
presenciais. Com isso, muitas profissões tiveram que se reinventar, inclusive os empreendedores, tendo

que se adaptar às novas demandas da sociedade. Com isso, surgiram algumas indagações: como
divulgar meus produtos/serviços remotamente? Como idealizar uma campanha de marketing completa

e eficaz? Como instigar meu cliente a ater-se e interagir com as propostas divulgadas?
É claro que não temos as respostas para tais indagações, porque elas serão respondidas ao longo
do tempo. Contudo, uma coisa é certa: a paralisação de diversos setores da sociedade, devido à

pandemia do corona vírus, mostrou-nos que as tecnologias da informação e comunicação, dentre elas
as mídias sociais, deixaram de ser apenas uma “possibilidade” para a melhoria da qualidade de
marketing e tornaram-se necessidade para a manutenção do elo entre empreendedores e seus clientes,

tanto na questão de divulgação quanto na comunicação efetiva centrada no usuário.


Diante do estudo de caso apresentado, podemos inferir que a utilização das mídias digitais, como

estratégias empreendedoras, quando alinhadas aos objetivos e públicos alvos, tornam-se um dos
principais diferenciais de negócio para as empresas que usam esse desdobramento do

empreendedorismo, para obter vantagem competitiva. Sendo assim, o conjunto de informações e de

características atribuídas pelo empreendedor digital naquilo que o faz definir os contornos e o modelo

do seu negócio é muito significativo. Dessa maneira, fica evidente que, tanto os consumidores como as
empresas, vêm se preocupando com os produtos e serviços que compram e de quem compram. Logo, a

preferência de consumo está baseada em aquisições de serviços que possam atender as necessidades e

suprir as expectativas.

101 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

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104 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 8

EMPREENDEDORISMO UNIVERSITÁRIO:
O ESTUDO DE CASO DE UM PROGRAMA DE
PRÉ-ACELERAÇÃO EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Fabiana Cristina de Azevedo


Mestranda Transformação Digital - Funiber
fabiana.azevedo@unicesumar.edu.br

Luis Correa Junior


Pós-graduado UniCesumar
luis.junior@unicesumar.edu.br

Tania Regina Corredato Periotto


Doutora UniCesumar
proftania.periotto@gmail.com
Capítulo 8

INTRODUÇÃO

A vocação empreendedora do Brasil atingiu nos últimos anos, patamares elevados de


crescimento, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2019), do Sebrae, existem

um total de 53,4 milhões de brasileiros à frente de alguma atividade empreendedora, envolvidos na

criação de um novo empreendimento, consolidando um novo negócio ou realizando esforços, para

manter um empreendimento já estabelecido.


Devido ao avanço da pandemia do novo corona vírus, nestes dois últimos anos, estima-se uma

crise sem precedentes, o que deve impulsionar o número de empreendedores como uma fonte
alternativa de renda. Estes números, segundo a projeção do GEM, são de 25% do total da população

ativa do país.
Neste contexto, das soluções possíveis, desponta o estímulo do empreendedorismo universitário

aos acadêmicos, com a criação de seus próprios negócios. Para tanto, disciplinas específicas, feiras
empreendedoras, diálogos sobre o assunto e programas com trilhas empreendedoras e de inovação
surgem nas instituições de ensino. Segundo Ferreira e Mattos (2004), as instituições de ensino adotam

um currículo adequado para explorar e desenvolver o potencial dos alunos para o mundo dos negócios.
Na cidade de Maringá, região norte do Paraná, está a Universidade UniCesumar, instituição com
30 anos de mercado que desde 2000 visualizou a necessidade e importância em investir no

empreendedorismo universitário, possibilitando a seus alunos, a oportunidade de empreender


entendendo que essa estratégia também seria uma alavanca para o aperfeiçoamento do futuro

profissional.
Este artigo tem como objetivo principal apresentar as ações que fomentam o Programa de Pré-

aceleração de startups TechSpace do Projeto Educação Empreendedora, oportunizado pela

universidade. Para alcançá-lo, se fez necessário apresentar alguns conceitos que norteiam o

entendimento a respeito do empreendedorismo universitário e do programa de pré-aceleração de


startups.

2 METODOLOGIA

O percurso metodológico adotado neste artigo foi a de estudo de caso. Limitou-se, às ações

conduzidas no espaço da UniCesumar Empresarial, estruturado para atividades de aprendizagem

106 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

e fomento à inovação e ao empreendedorismo. Quanto a sua abordagem, em um primeiro momento,

constitui-se da delimitação do tema e/ou problema de pesquisa, que consiste em fazer conhecer a
questão do empreendedorismo universitário; e pesquisa bibliográfica, como levantamento e seleção das
literaturas sobre essa temática, considerando apenas livros e artigos acadêmicos de base científica, para

coletar informações sobre conceitos e definições do tema abordado, conforme recomenda

(GERHARDT e SILVEIRA, 2009).

Em um segundo momento, na apresentação e discussão dos resultados, expõe-se o estudo de


caso por meio da descrição oriunda de pesquisa de campo qualitativa. Utilizou-se da pesquisa

exploratória, por meio da coleta de informações do programa de pré-aceleração de Startups TechSpace,


objeto deste estudo.

Em princípio, a pesquisa qualitativa pode ser entendida como aquela que produz achados não
provenientes de quaisquer procedimentos ou formas de quantificação. Por meio desta modalidade de

pesquisa é possível compreender sobre o universo simbólico e particular das experiências,


comportamentos, emoções e sentimentos vividos, ou ainda, compreender sobre o funcionamento
organizacional, os movimentos sociais, os fenômenos culturais e as interações entre as pessoas, seus

grupos sociais e as instituições. (MEDEIROS, 2012).


Medeiros (2012) ressalta que para uma pesquisa qualitativa se desenvolver é necessário uma
sustentação teórica competente e rigor metodológico, mas a criatividade do pesquisador deve se fazer

presente em todo o processo da pesquisa. Em outras palavras, embora o pesquisador qualitativo deve
sustentar a pesquisa por referenciais teóricos e metodológicos que norteiam todo o processo de estudo

é imprescindível cuidar para que a técnica não prevaleça no processo da pesquisa como um todo,
abrindo espaço para a criatividade acompanhá-lo ao longo de toda a pesquisa.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

3.1 EMPREENDEDORISMO UNIVERSITÁRIO

Ao falarem sobre empreendedorismo na gestão universitária, Souza e Santos (2013) enfatizam


que os trabalhos nessa área têm adotado diferentes linhas de pesquisa. De acordo com essa abordagem,

o enfoque do empreendedorismo nas instituições universitárias, segue duas principais direções:

107 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

“i) a universidade empreendedora, e (ii) a universidade formadora de


empreendedores. O primeiro enfoque concentra os esforços da própria
instituição, no sentido de tornar seu esforço empreendedor: gestão
universitária empreendedora. Já o segundo refere-se a um modelo de ensino
que visa contribuir para formar uma visão empreendedora em seus
acadêmicos” (SOUZA; SANTOS,2013, p.518).

No Brasil, várias são as iniciativas de ensino de empreendedorismo em instituições de ensino,

entretanto há pouca evidência científica sobre a contribuição das iniciativas para os graduados. O
relatório da Pesquisa Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras (2016), desenvolvida Instituto

de Empreendedorismo Endeavor que é uma organização global sem fins lucrativos com a missão de
multiplicar o poder de transformação dos empreendedores, atua no Brasil desde o ano 2000, em

parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), entrevistou
2.230 alunos e 680 professores de cerca de 70 Instituições de Ensino Superior do Brasil, e chegaram a

conclusão de que 54,4% das disciplinas com o tema “inspiração para empreender” são oferecidas nas
universidades pesquisadas. Entretanto, apenas 6,2% dos programas abordam a criação de novos
negócios, gestão de pequenos negócios, franquias, inovação e tecnologia. Ou seja, de acordo o relatório

da Endeavor (2016) a universidade possui disciplinas que despertam e motivam para o


empreendedorismo, temática que passam a conhecer com mais propriedade, mas deixam a desejar
quanto proporcionar ao estudante vivenciar e colocar em prática competências do campo do

empreendedorismo. O relatório destaca ainda que conteúdos relacionados ao empreendedorismo são


comumente oferecidos em cursos ligados a administração e engenharia, de forma opcional ou a

distância.

3.2 Startups

O termo startups começou a ser usado no Brasil em 1999, em plataformas virtuais de


comercialização de produtos. Dornelas (2016) e Sebrae (2018). As Startups podem ser conceituadas

como organizações em fase inicial, que se localizam em panoramas de incerteza e que possuem

modelos de negócios focalizados na inovação em produtos ou serviços, com a finalidade de ofertá-los


como solução para demandas latentes de mercado, inserindo-se em novos campos de atuação

(SEBRAE, 2018). As startups, portanto, criam soluções que sejam repetíveis e escaláveis, com

potencial de alto crescimento (ABSTARTUPS, 2017).

108 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

As startups podem ser consideradas como negócios de alto risco que são capazes de validar e de
aprimorar, de forma rápida, seus modelos de negócios a ponto de poderem sobrepujar as incertezas do

seu ambiente (PERIN, 2015). Ademais, as startups estão altamente conectadas com o

empreendedorismo e a inovação (Ries, 2011). Mesmo sendo as startups definidas como negócios
nascentes conforme (SALAMZADECH e KESIM, 2015), não são todos os empreendimentos em fases

iniciais que podem ser conceituados como startups de acordo com (ACS E AMÓROS, 2008). Apenas

os que objetivam transformar ideias em negócios viáveis em um ambiente incerto e volátil são startups
Radojevich-Kelley e Hoffman (2012), Ries (2011). Por esse modelo, classificam-se as Startups em

quatro estágios (SEBRAE, 2018):


ideação: desenvolvimento da ideia - realização do estudo do mercado, identificação de

oportunidades, nichos e soluções;


operação: protótipos validados - modelo de negócio definido e mercado conhecido, sendo

iniciadas as operações do negócio;


tração: indicadores de mensuração e objetivos definidos - começo da busca por parcerias
para crescimento;

scale-up ou escalonamento: crescimento expressivo do negócio - aumento de demanda,


financiamento do negócio, novas contratações e melhoria dos processos.

Em complemento aos estágios mencionados, as startups possuem estrutura organizacional


simples, e o empreendedor está muito envolvido com o negócio, centralizando diversas funções

(LEUNG, et al., 2006). Nas startups, o foco está na assimilação de oportunidades em negócios
duradouros e em manterem os negócios em atividade com os recursos limitados de que dispõem.

Vencidos esses desafios, os empreendimentos buscam se consolidar como empresas (PERIN, 2015).

É importante salientar que não há um conceito rígido e fechado de startups. Isto pode resultar

em uma abordagem interessante, permitindo que diversas empresas se beneficiem do termo,


especialmente na construção da imagem no mercado e na captação de recursos, posicionando-se como

atraentes ao incorporarem a ideia de startups como forma de trabalho novo, criativo e moderno

(Cockayne, 2019). A relação das startups com a inovação a colocam em ponto de destaque para o
desenvolvimento econômico, em especial por sua capacidade de gerar e implementar.

Além dos empreendedores (founder), startups e aceleradoras, outros atores são fundamentais

para a existência desse ecossistema empreendedor, sendo divididos em tangíveis como estações de

109 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

trabalho, mentores, investidores, instituição de fomento à inovação e empreendedorismo, universidades

centros de pesquisa e parques tecnológicos, e intangíveis que estão mais ligados ao conhecimento,
porém são responsáveis pelo início do processo de estruturação de negócios, como ideias, habilidades e

atitudes empreendedoras (Aleisa, 2013 apud Torres & Souza, 2016, pág.386).

3.3 PROGRAMA DE PRÉ-ACELERAÇÃO E ACELERAÇÃO

As aceleradoras são compostas por grupos de pessoas, geralmente empresários com experiências
de mercado, que prestam serviços de apoio, cedem espaços físicos e disponibilizam orientações,

mentorias, redes de contato, serviços de gestão, conhecimento e expertise para os projetos participantes
dos programas. André et al (2014) e Fishback (2007).
O objetivo delas é dar suporte aos projetos selecionados e ajudá-los a terem sucesso nas primeiras

fases do negócio, onde os riscos são maiores. Esses empreendimentos estão comumente estabelecidos
em um ambiente incerto e volátil, com a intenção de trazer uma nova oportunidade de negócio para o
mercado. Além disso, as aceleradoras possuem alianças estratégicas com outras empresas específicas

com as quais estão familiarizadas e possuem boas referências, como fundos de venture capital, por
exemplo. (André et al, 2014).
André et al (2014) ao mencionar Miller e Bound (2011) trazem como principais características

de um programa de aceleração: 1) Um processo de aplicação aberta, mas altamente competitivo; 2)

Prestação de investimento semente, geralmente em troca de participação acionária (equity); 3) Um foco

em pequenas equipes e não indivíduos; 4) Apoio por tempo limitado compreendendo os eventos
programados e orientação intensiva com foco da definição do modelo de negócio; e 5) Startups

recebendo apoio em lotes de acordo com a estratégia ou natureza da aceleradora e 6) aplicação de

metodologias voltadas para desenvolvimento da cultura de execução.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em 2020 a Universidade UniCesumar, em parceria com o Sebrae, deram início ao programa


TechSpace, com o intuito de potencializar e estimular iniciativas de inovação e empreendedorismo

dentro da instituição.

O programa foi concebido em versão digital contemplando mais de 60 horas de capacitação, as

110 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

inscrições eram em equipes de 3 a 5 membros, sendo que apenas 01 membro obrigatoriamente deveria

ser aluno da instituição, desta forma, possibilitou que pessoas da comunidade também participassem
ativamente do programa, que contou com 402 inscrições, nas quais as equipes se inscreveram com suas

ideias, sendo selecionadas 10 equipes por uma banca multidisciplinar do Sebrae, tendo foco nas

premissas de escalabilidade, inovação, flexibilidade e capacidade da ideia virar negócio.

O programa TechSpace foi estruturado como pré-aceleração de startups, pois para ser

considerado como aceleração, além das etapas ideação, operação e tração, deveria conter
obrigatoriamente Scale up ou escalonamento, que seria crescimento expressivo do negócio - aumento
de demanda, financiamento do negócio, novas contratações e melhoria dos processos.

Sobre o programa que contemplou as fases de ideação, operação e tração iniciou com uma
Oficina estruturada com especialistas de mercado, apresentando tendências e oportunidades de negócio
para as startups brasileiras. Na sequência houve uma Jornada de Transformação com 5 (cinco)

workshops temáticos para agregar conteúdo e conhecimento especializados aos participantes, conforme
discriminado do Quadro 1.

Quadro 1. Jornada de Transformação


Fonte: Autores (2020)

111 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 7

Por meio do quadro 2 é possível observar a linha do tempo do Programa, ou seja, toda a trajetória

percorrida pelas equipes participantes.

Quadro 2. Linha do Tempo

Fonte: Autores (2020)

O Programa também contemplou mentoria individualizada as equipes após cada workshop. Como
cada equipe estava em estágio diferente, os mentores seguiam com atendimento individualizado e
tinham como objetivos auxiliar os alunos no desenvolvimento, orientação, apontamento e condução

das equipes a obterem resultados satisfatórios. As equipes também receberam assessoria de uma equipe

multidisciplinar de professores e coordenadores da IES, acompanhando as equipes de forma

individualizada e customizada.
Nas fotos 1, 2 e 3, pode-se observar os encontros das equipes nos Workshops.

Foto 1. Encontro Oficina Validação

Fonte: Acervo da IES (2020)


112 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia
Capítulo 8

Foto 2. Encontro Oficina Prototipação

Fonte: Acervo da IES (2020)


Foto 3. Demo Day

Fonte: Acervo da IES (2020)

Das 10 vagas iniciais preenchidas com as equipes, chegaram 8 finalistas, pois uma equipe

desistiu e outra foi desclassificada por não cumprirem as exigências previstas no início do programa. E

para compreensão dos resultados obtidos neste estudo, apenas os líderes de cada equipe finalista
responderam ao questionário.

A primeira pergunta foi destinada aos benefícios do programa para as equipes, 75% dos

entrevistados, citaram o conhecimento adquirido, advindo dos workshops temáticos, e, 37,5% citaram

113 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

as mentorias personalizadas com especialistas, 25% ressaltaram a importância das trocas de

experiências entre startups, e, por fim, 25% o refinamento do Pitch que apoiaram as equipes a planejar
a apresentação para investidores/parceiros, bem como se apresentar para o público alvo.
Para a equipe de Manga/MG, os benefícios são:
Aquisição de conhecimentos vindo de pessoas com larga experiência,
incentivo a criatividade e ao empreendedorismo, oportunidades e portas
abertas pelo programa, além de troca de experiências com pessoas de todo o
Brasil.

Já para a equipe de Florianópolis/SC, citaram os benefícios como:


O programa ajudou a organizar a ideia do projeto, reduzindo desperdício de
tempo e otimizando o empenho do time. Além disso, alertou minha Startup
sobre focar numa solução para um público alvo (hoje é óbvio, mas antes da
pré-aceleração não era tão claro). O programa também ajudou a planejar uma
apresentação para investidores/parceiros e como se apresentar para o público
alvo.

Os mentores eram diversificados e atuavam após cada workshop, e a preferência era para que o
mesmo estivesse no atendimento exclusivo logo na semana subsequente. A diversidade em si traz
amplitude à ideia, justamente pelas diversas experiências dos agentes contribuintes.

Contendo diferentes estágios entre os participantes e suas startups e o grau de maturidade


profissional dos mentores, ainda, impulsionados pelo incentivo dos organizadores à comunicação e à
participação, fez com que todos agradecessem o conhecimento adquirido, pois, absorveram-no e

almejaram, no mínimo, aplicar às realidades.


Concomitante aos benefícios do programa, os entrevistados também responderam sobre as

dificuldades apresentadas. E em 50% das respostas o tema “equipe” e suas dificuldades internas foram
pontuadas, mesmo não fazendo parte das mentorias e workshops, ou seja, do programa em si. A equipe

é um fator fundamental para chegar ao final do programa e prosseguir com a startup, pois, destes com

dificuldade, 75% abandonaram a ideia, tema que será abordado adiante.

Portanto, consolidar a equipe antes da inscrição seria pertinente para melhor aproveitamento do
programa, evitando dispêndio com estruturação da equipe, fundamental para evolução da ideia da

startup, já que todo o foco fica voltado ao desenvolvimento. Ressalta-se que, entre os que tiveram

dificuldade com equipe, 50% tiveram que trocar de membros e, posteriormente, todas abandonaram a
ideia.

Por fim, apontou-se como dificuldade a validação da ideia e o tempo para preparar o pitch, ambos

requerem tempo, esforço e pessoas para os processos. E a realidade dessas equipes é que, geralmente,

114 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

todos trabalham em período integral, ficando para o período noturno ou aos finais de semana as

atividades da startup.
Como dito, o programa de Pré-Aceleração de Startups, tem por objetivo dar os primeiros passos
pós ideia, contemplando evolução e introduzindo à tração, e ao responderem sobre o cenário ideal do

programa para sua startup, obteve-se uma discrepância nas respostas. Houve diferentes níveis de

startup, algumas já estavam na fase da evolução, enquanto outras ainda estavam na ideia inicial.

Logo, o programa contemplou ambas as modalidades iniciais, mas a comparação e a


competitividade atrapalharam as que se consideravam em níveis inferiores, tendendo a desistir e

abandonar a jornada, e como o programa premia as três melhores, pode haver a sensação de que as
demais saíram perdendo.

Observa-se a necessidade de contribuir para o crescimento individual, pontuando que, apesar da


competição, é preciso considerar o ganho sobre a educação empreendedora, perpassando o universo

das startups e negócios inovadores. Por outro lado, as equipes em estágio de evolução sentiram falta de
uma rodada com clientes reais ou investidores.
Outro ponto a ser observado é quanto ao segmento do programa, que abrangeu quaisquer áreas,

seja financeiro, economia solidária, saúde, indústria, entre outros. E uma equipe pontuou na resposta
quanto ao cenário ideal, justamente pela falta de direcionamento na área da saúde.
Ao serem questionadas sobre as dificuldades encontradas no projeto individual da startup, 62,5%

responderam sobre a estruturação do projeto, enquanto os outros 37,5% retornaram a questão da


montagem de equipe. Sobre estrutura e construção do projeto cabe pontuar os seguintes temas: a

definição de preço do produto, ou, precificação, uma dúvida pertinente, para produtos com alto índice
de diferenciação dos fornecidos no mercado. No programa em si, isso foi administrado diretamente

com os mentores de forma individual. Outros, responderam sobre persona, validação, canal de vendas,

meios legais e fiscais, todos trabalhados nos encontros, e apesar da dificuldade encontrada, essas

dúvidas surgem justamente pelo questionamento interno e externo do negócio apresentado. O


programa de pré-aceleração atua justamente para aparar, moldar, complementar e, em último caso,

abandonar a ideia. O objetivo é trabalhar e testar o modelo de negócio. Logo, sentir dificuldade em

construir isso na startup é um fim último desejável.


Diante deste contexto, das 8 equipes finalistas, somente 3 estão com o projeto rodando, e são

justamente as três primeiras colocadas: a primeira busca tracionar o negócio através do melhor canal

sugerido por um mentor do programa, além disso recebeu ofertas de venture building (empresas que

115 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

apoiam startups) e para outras aceleradoras de startup. A segunda incluiu membros capacitados em
uma habilidade específica para o desenvolvimento do software, e a terceira está prospectando clientes.

As startups em funcionamento, na data do questionário, ao responderem sobre o que precisariam

neste momento para decolar o negócio pontuaram: a primeira sobre marketing de alto nível com canal
eficiente para tracionar, a segunda necessita de mais um membro desenvolvedor de Inteligência

Artificial (Machine Learning/Deep Learning), e a terceira também está em busca de marketing e

vendas.
As demais equipes que também responderam a pesquisa comentaram sobre a necessidade de

financiamento, patrocínio, mentoria e equipe, que são necessidades básicas para qualquer startup, e
não condizente com a proposta de valor existente, ou seja, não estão aptas para receber qualquer tipo

de benefício além do conquistado no programa, já que não evoluíram.


Logo, a maturidade da equipe e do negócio reflete no questionário, pois, a compreensão do nível

que estão e o que realmente precisam é uma das habilidades essenciais para quem busca lançar uma
startup no mercado.

5. CONSIDERAÇÕES

O ponto chave do estudo é perceber que os projetos estão prosperando e se consolidando mesmo

após o término do acompanhamento, e, mesmo que de forma lenta e gradual antes do lançamento e
tracionamento do produto é significativa, pois é necessário esse preparo, e sendo validado e subsidiado

economicamente no programa, tem-se base para tal. Nota-se que o programa não traciona ou lança o
produto no mercado, mas dá suporte para tal. Logo, o programa foi assertivo em premiar essas três

equipes como as melhores do programa, mesmo através da banca de jurados, conseguiu identificar as

três melhores potências. Porém, o fato das outras 5 equipes terem paralisado o projeto deve ser

considerado e revisto, de forma que o programa cumpriu parcialmente o objetivo de pré-aceleração de


startups.

Por fim, todas as equipes evoluíram e atingiram um determinado nível de maturidade, alguns

creem nisso como forma de lançar o produto, tornando aquilo seu negócio e fonte de renda, de modo
que buscam se aperfeiçoar buscando conhecimento de outras fontes, identificando necessidade e

oportunidades, ou ainda procuram outras ideias, além das inscritas no programa. E estas

estabeleceram antes e durante o programa, mesmo com dificuldade, a equipe, a persona do cliente, o

116 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

refinamento do pitch, e a validação do produto. Além disso, reconhecem os benefícios das mentorias
mesmo após o programa.

Um ponto a ser observado é a intensificação do acompanhamento e feedback de forma semanal,

podendo reduzir desistências e comparações desnecessárias, trabalhando a transparência das


informações de forma bilateral. Consolida-se também a importância de membros comprometidos

previamente com a jornada, pois no decorrer se observou a perda de entregas e produtividade,

justamente por ter que trocar membros durante o processo.

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https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/sobrevivencia-das-empresas-no-brasil-
102016.pdf. Acesso em 12 de junho de 2021.

118 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 8

SOUZA, I. M.; SANTOS, J. L. S. Empreendedorismo na gestão universitária. Revista da


Universidade Vale do Rio Verde, Três Corações, v. 11, n. 2, p.517-526, 2013.

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<https://www.startupbrasil.org.br/sobre_programa/>. Acesso em: 10 Junho de 2021.

RADOJEVICH - Kelley, N., & Hoffman, D. L. (2012). Analysis of Accelerator Companies: An


Exploratory Case Study of their Programs, Processes, and Early Results. SmallBusiness Institute
Journal, 8 (2), 54 - 70. Disponível em: <https://www.sbij.org/index.php/SBIJ/article/view/136>.
Acesso em: 10 de Junho de 2021.

119 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 9

MUDANÇA DE ESTRATÉGIAS E INOVAÇÃO DE UMA


EMPREENDEDORA DIANTE DOS DESAFIOS
PROVOCADOS PELA COVID-19

Fernanda Cristina Ferro Malacoski


Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio - Unioeste/Toledo
Doutoranda em Administração - UEM

Luana Furtado Vilas Boas


Mestre em Administração – UNICAMPO
lufvilasboas@gmail.com
Capítulo 9

INTRODUÇÃO

Em 31 de dezembro de 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recebera o alerta de um

surto de pneumonia em Wuhan, na China. Estávamos diante de uma nova cepa de corona vírus
(COVID-19). No dia 30 de janeiro de 2020, a OMS declarava um surto do novo corona vírus e o

mundo começava a tomar ciência de uma temível pandemia, que mais tarde, viria a afetar a todos.

Bastou pouco mais de dois meses para a contaminação deste novo vírus atingir o mundo todo.
No Brasil, em fevereiro de 2020, foram registrados os primeiros casos da COVID-19, e em

março, a primeira morte. A partir daí, o Ministério da Saúde e governantes estabeleceram medidas de
contenção da doença, entre as quais estava o isolamento social, que ocasionou o fechamento de

universidades, escolas, bares e restaurantes, comércios, indústrias e demais serviços considerados


como “não essenciais”.

De acordo com pesquisa feita pelo SEBRAE (2020), os pequenos negócios foram os mais
afetados pela pandemia, os quais fazem parte de alguns segmentos que seriam especialmente afetados,
como comércio varejista, área de moda e beleza, setor de alimentos e bebidas, construção civil, entre

outros, de modo que, o comércio varejista, conforme aponta a pesquisa, foi um dos segmentos mais
afetados economicamente.
Em pesquisa realizada em abril de 2020, o SEBRAE (2020) indicou uma queda nas vendas do

pequeno negócio varejista de 69%, em relação a uma semana normal. Em contrapartida, a pesquisa
mostrou o início de um crescimento no comércio eletrônico, de 3,6%, representando uma alternativa

aos períodos de isolamento social e fechamento de lojas.


Para Nassif et. al (2020), os impactos da pandemia ainda não foram totalmente mensurados, no

entanto, tem exigido diferentes tipos de adaptabilidade em diversas áreas, como nos negócios e no

entendimento de um novo modo como os consumidores se comportam, decidem e se adaptaram ao

contexto atual, sofrendo mudanças nos padrões de consumo. Segundo Nassif et al (2020), tal mudança
no comportamento do consumidor deve levar as empresas à mudanças e adaptação de suas estratégias,

buscando meios de atender às novas exigências do mercado, isto é, além de mudar e utilizar novas

estratégias, faz-se necessário inovar.


Nesse sentido, entende-se que a adoção de estratégias e inovação face às mudanças torna-se

crucial. Conforme Ribeiro (2016), as organizações devem estar preparadas para realizar mudanças

significativas a qualquer momento, e a organizar-se estrategicamente. Para Mintzberg, et al (2009) a

121 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

geração de estratégias em uma organização se caracteriza por grandes saltos para a frente,

considerando contexto de incertezas, de modo que busca-se nas condições de incerteza, a obtenção de
ganhos consideráveis, onde, a inovação oferece a organização vantagem competitiva, mas a

sobrevivência torna-se relativa à capacidade de gestão e recursos. Assim, compreende-se o papel do

empreendedor, assim como sua gestão frente à mudança, estratégia e inovação, fator preponderante.

Portanto, considerando o contexto da pandemia, onde, conforme SEBRAE (2020), as pequenas

empresas foram principalmente afetadas, além da necessidade de adaptabilidade destas frente às


mudanças, assim como, a importância da gestão estratégica e inovação, este artigo tem como objetivo
compreender por meio de um estudo de caso de uma empreendedora do comércio varejista de roupas

íntimas femininas, quais as ações estratégicas e inovações foram adotadas, frente aos desafios
provocados pela COVID-19.
Deste modo, no intuito de atingir ao objetivo deste artigo, apresentar-se-á na sequência,

metodologia adotada, embasamento teórico, discussão dos resultados e finalmente, conclusão.

2. METODOLOGIA

Esta pesquisa buscou levantar informações que pretendem dar visibilidade a algum aspecto
particular do mundo, caracterizando-se como qualitativa (DENZIN; LINCOLN, 2006). Neste tipo de

pesquisa, os “pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou

interpretar, os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem” (DENZIN;

LINCOLN, 2006, p. 17). Para Minayo (2009) a pesquisa qualitativa busca estudar as particularidades
que não podem ser quantificadas. Denzin e Lincoln (2006) destacam que a pesquisa qualitativa envolve

a utilização de diferentes estratégias de coletas de dados a fim de descrever os momentos dos

indivíduos que se busca compreender.

Desse modo, esta pesquisa é considerada como descritiva, pois busca compreender o fenômeno
estudado considerando o todo no qual faz parte (GODOY, 1995). Além disso, busca ser fiel às

informações que foram obtidas com o pesquisado, ao mesmo tempo, ela é realizada para atender a uma

estratégia de análise da pesquisa que envolve interpretação (GOMES, 2009).


Os dados descritos foram classificados como primários oriundos de entrevista semi-estrutura.

Para Minayo (2009) a entrevista é um dos principais instrumentos para realizar trabalho de campo

utilizando como matéria-prima o que é dito pelos pesquisados. A entrevista permite que uma conversa

122 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

entre o pesquisador e pesquisado seja iniciada para coletar informações que atendam ao objetivo de

pesquisa. Neste caso, a entrevista semi-estruturada permite ao entrevistado maior liberdade para falar
sobre os temas propostos (MINAYO, 2009).
A pesquisa em questão caracteriza-se como estudo de caso único (YIN, 2001). Pesquisas

realizadas por meio de estudos de caso são indicadas para compreender e encontrar respostas sobre

como e porque determinados fatos acontecem, além de permitir estudos de fatos contemporâneos que

não necessitam de controle de comportamento (YIN, 1994).


Para tanto, no intuito de atingir o objetivo proposto, realizou-se entrevista com uma

empreendedora do comércio varejista de roupas íntimas femininas. A escolha se deu a partir das
seguintes reflexões: o ramo foi afetado negativamente pela pandemia da COVID-19? A empresa

continua em operação mesmo diante das dificuldades da pandemia? É possível ter acesso às
informações da empresa e empreendedor? Desse modo, foi escolhido um ramo varejista de vestuário

íntimo feminino de uma empresa que continua em operação e que estava disponível para realizar esta
pesquisa em maio de 2021.
Sendo assim, buscou-se levantar informações sobre as seguintes categorias de análise: perfil da

empresa; principais desafios enfrentados; e, estratégias e inovação adotadas. Todas essas categorias
serão especificadas na discussão dos resultados. Portanto, para atender ao objetivo deste artigo, a
próxima seção abordará a análise da entrevista obtida e estará subdividida em quatro partes: histórico e

perfil da empreendedora e do empreendimento, principais desafios, estratégias e inovações adotadas


diante da pandemia.

3. EMBASAMENTO TEÓRICO

3.1 ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO: CONCEITOS E APLICAÇÕES FRENTE À NECESSIDADE DE

MUDANÇA

As organizações devem estar atentas e preparadas para realização de mudanças significativas a

qualquer momento, de modo que, torna-se imprescindível que empresas e também gestores, demandam
mais atenção e tempo à adaptação da organização e reformulação constante das estratégias, o que é

percebido como diferencial competitivo nos dias atuais (RIBEIRO, 2016).

Por estratégia, Porter (1999) compreende como a criação de uma posição exclusiva e valiosa,

123 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

envolvendo diferentes conjuntos de atividades. Já Mintzberg, et al (2009) entende a estratégia como


um padrão, ou seja, a consistência de determinados comportamentos ao longo do tempo. De modo

complementar, Ribeiro (2016) define a estratégia como uma arte. Para o autor, seria uma arte de

planejar e colocar o plano traçado em ação, visando não apenas alcançar, mas também manter posições
e potenciais que sejam favoráveis a futuras ações sobre determinado objetivo, procurando condições

favoráveis para alcançar objetivos específicos, isto é, seria um programa geral para a realização dos

objetivos de uma organização e, consequentemente, para o desempenho e alcance de sua missão.


Entende-se que uma boa estratégia está associada a uma gestão também estratégica. De acordo

com Ribeiro (2016) com a gestão estratégica busca-se maximizar a capacidade gerencial, além do
desenvolvimento dos valores da organização, responsabilidades organizacionais, e seus sistemas

administrativos. Para o autor, uma gestão estratégica possui como objetivo fundamental a manutenção
do crescimento organizacional, visando eficiência (RIBEIRO, 2016). No entanto, para que a eficiência

seja atingida, é preciso que se viabilize a sobrevivência organizacional no curto prazo, visando
perspectiva de existência sólida no longo prazo (RIBEIRO, 2016), o que representa uma das funções
de uma gestão estratégica.

Em um momento de crise, como ocasionado pela COVID-19, uma gestão estratégica vai muito
além criar uma posição de destaque, manter padrões estratégicos ou buscar o crescimento,
principalmente no contexto das pequenas empresas, onde o foco é a sobrevivência e adaptação à nova

realidade. Conforme Nassif, et al (2020) os empreendedores e suas capacidades de analisar, adaptar-se


e antever situações complexas em um momento de crise é fundamental, uma vez que, situações

inesperadas e incontroláveis sempre serão uma ameaça às atividades empreendedoras em qualquer


mercado.

Desta forma, mais do que nunca, o contexto de crise faz refletir sobre a importância de ações

estratégicas como monitoramento do ambiente, planejamento, capacidade e velocidade de adaptação,

criatividade e inovação, as quais se constituem em capacidades, habilidades e competências desejáveis


e esperadas nesse novo contexto (NASSIF, 2020). Marcelino et al (2020) apontam para uma

necessidade de transformação do modelo de trabalho até então adotado pelas Micro e Pequenas

Empresas, sendo necessário que refaçam seus projetos e planejamentos. Para os autores, é preciso
grande comprometimento e busca de parceiros para novas descobertas e ações estratégicas

(MARCELINO, et al, 2020), isto é, uma reestruturação de seus negócios.

Nesse contexto, uma reestruturação também é entendida como um tipo de estratégia, onde,

124 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

segundo Porter (1999), uma estratégia de reestruturação pode ser adotada por empresas ou setores
subdesenvolvidos, enfermos ou ameaçados, como início de mudanças significativas. Conforme Ribeiro

(2016), uma mudança pode ser estimulada por diversas situações, como transformações na ordem

econômica, política, tecnológica e social, além de outros fatores, e chama a atenção para o fato de que
empresas que não buscam a adaptação tendem a fracassar.

De fato, uma crise normalmente tende a ser percebida como sinônimo de adversidades e

ameaças, no entanto, nem sempre reflete apenas nisso. Conforme Pinto, et al (2020) uma crise é sim
uma adversidade proveniente do ambiente externo, porém, ao mesmo tempo ela pode ser

impulsionadora para novos negócios, processos, produtos ou serviços, onde, é preciso bom
direcionamento estratégico, de modo que, os gestores exercem papel central. No entanto, a questão é:

Como lidar com a mudança? De que forma pode-se visualizar uma crise como oportunidade?
Sobre a primeira questão, conforme Mintzberg, et al (2009) o segredo está em buscar o

equilíbrio. Tal equilíbrio reflete em uma relação entre mudança e continuidade, isto é, procurar chegar
à mudança quando e onde necessário, no entanto, visando ao mesmo tempo manter a ordem
(MINTZBERG, et al, 2009). Para o autor, adotar o novo e abandonar o velho pode parecer muito

moderno, mas em geral é muito mais eficaz encontrar formas para que se integre o melhor do novo
com o mais útil do velho (MINTZBERG, et al, 2009). Como exemplo, tem-se a descoberta de novos
canais de distribuição, a qual pode ampliar a demanda ou diferenciar o produto no mercado

(MINTZBERG, et al, 2009). Compreende-se então, que nem sempre o abandono do “velho” faz-se
necessário, mas sim, que também é um caminho a adaptação do “velho” com novas práticas.

No que tange à segunda questão, conforme Ribeiro (2016), diz respeito à transformação de o
que é a princípio uma ameaça em oportunidades para a organização. Para tanto, é imprescindível a

mentalidade de longo prazo, considerando três pilares importantes: tecnologia, gestão e capital

(RIBEIRO, 2016). Em outras palavras, entende-se que ao transformar uma ameaça em oportunidade,

deve-se atentar às práticas gerenciais para que sejam estratégicas e compatíveis com o objetivo
organizacional, ao capital disponível e por fim, tecnologias disponíveis e de possível efetivação no

contexto organizacional, visando um retorno em longo prazo. Nesse sentido, compreender a realidade

organizacional é fundamental.
Ainda sobre tornar uma ameaça em oportunidade, Bressant e Tidd (2009) pontuam que a

capacidade de ver oportunidades em possíveis “problemas” e criar novas formas de explorá-las está

associada e é indispensável ao processo de inovação. Confirmando este argumento a respeito da

125 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

inovação, Wenzel et al (2020) realizaram uma pesquisa sobre respostas estratégicas que as empresas

deram à crise, ocasionada pela pandemia da COVID-19. Os autores chegaram à conclusão de que a
inovação é uma estratégia potencialmente eficaz, além de ser inevitável e valiosa para a sobrevivência
de empresas no longo prazo, considerando o contexto de crise.

Para Cicconi (2014) a inovação pode ser entendida como uma importante ferramenta, pelas

quais exploram as mudanças e alterações como uma oportunidade, seja para um negócio ou um serviço

diferente. Já Bressant e Tidd (2009) compreendem a inovação como um processo, capaz de ser
organizado e gerenciado em qualquer tipo de empreendimento, seja novo ou não. Para os autores, a

inovação possui quatro etapas, a saber: a) reconhecer a oportunidade; b) encontrar recursos; c)


desenvolver a ideia; d) capturar valor (BRESSANT; TIDD, 2009).

Para Oliveira (2014) a identificação de uma oportunidade de mercado, está associada a buscar
clientes potenciais com necessidades não satisfeitas, possibilitando oferecer uma solução que seja mais

barata ou simples. Sobre encontrar recursos, Bressant e Tidd (2009) argumentam a importância de ter
pessoas que acreditem na “nova ideia”, seja para investir, ou para auxílio no lançamento, sendo assim,
para os autores é necessário que se busque coalizões de apoio, além de identificar recursos necessários

e disponíveis para o novo empreendimento. Sobre desenvolver a ideia, diz respeito à análise de
mercado, estudos, testes, além de buscar soluções para possíveis problemas futuros (BRESSANT;
TIDD, 2009). Por fim, o processo de capturar valor envolve tentativas de maximizar as chances de que

a ideia “dê certo”, refletindo de que forma a ideia pode ser “valorizada” pelo público que a consome.
Segundo Bressant e Tidd (2009), a natureza da inovação está ligada ao próprio empreendedorismo

(BESSANT; TIDD, 2009). Para Cicconi (2014) os empreendedores têm papel reconhecido na
inovação, uma vez que ser empreendedor significa ter iniciativa, novas ideias, flexibilidade para

adaptá-las, além de criatividade para transformá-las em uma oportunidade de negócio. Além disso,

cabe ao empreendedor capacidade de enxergar, assim como perceber a mudança como uma

oportunidade (CICCONI, 2014), visto que, muitas empresas vão à falência por não reconhecer ou não
perceber possibilidade de mudança (RIBEIRO, 2016). Portanto o empreendedor que busca inovar deve

oferecer a seu consumidor a possibilidade de fazer algo que antes não era possível, sendo assim, a

melhor forma de se pensar na inovação é identificar as oportunidades existentes no mercado


(OLIVEIRA, 2014).

Além dos elementos apontados até aqui, é preciso observar o cenário atual, no que tange ao

contexto econômico e mercadológico em que a empresa está inserida. Para Ribeiro (2016) uma gestão

126 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

estratégica que não considere a realidade presente pode deparar-se com obstáculos, e assim,

comprometer a sobrevivência da organização.


Porter (2004) aponta para a importância da estratégia competitiva, a qual envolve o
posicionamento do negócio visando maximizar o valor de suas características que o torna diferente de

seus concorrentes, isto é, busca-se ser diferente. Nesse sentido, para Porter (1999) a tecnologia da

informação traria efeitos poderosos sobre a vantagem competitiva, tanto no custo, como na

diferenciação. Sendo assim, a tecnologia de informação é um fator de importância crescente para a


diversificação corporativa (PORTER, 1999).

Por fim, pensando na aplicação de tecnologias como estratégia e vantagem competitiva no


cenário atual, é válido mencionar as ferramentas digitais disponíveis. Segundo Nassif et al (2020), o

momento mostra um processo de transformação digital sem volta, ao qual todos precisam adaptar-se.
As ações estratégicas associadas às ferramentas de marketing digital, além de promover novos

negócios, devem auxiliar na inclusão digital e consequentemente na ativação de economias locais e na


recuperação pós-crise (NASSIF et al, 2020).

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.1 PERFIL DA EMPREENDEDORA E DO EMPREENDIMENTO

Iolanda é uma jovem empreendedora de Araruna-PR, que iniciou suas atividades de

comercialização de roupas íntimas femininas em junho de 2019, época em que tinha 19 anos. O início
do empreendimento foi viabilizado devido uma parceria com a empresa onde atua como gerente, a qual

permitiu que ela utilizasse o espaço físico para a instalação de sua loja de roupas íntimas femininas e

realizasse suas vendas. Atualmente sua empresa é denominada de Iolanda Moda Íntima e contínua no

mesmo endereço da loja onde atua como gerente, decorrente da parceria firmada com o empregador da
Iolanda.

A Global Entrepreneurship Monitor - GEM (2018) destaca que o percentual de mulheres

que abrem seus empreendimentos é semelhante ao dos homens na fase inicial de uma empresa.
Contudo, na medida em que o empreendimento se consolida, destaca-se maior proeminência da

participação masculina. Dessa forma, o próprio relatório em questão destaca a necessidade de trabalhar

com iniciativas para incentivo ao empreendedorismo feminino, para que elas possam alcançar maior

127 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

sucesso enquanto empreendimento estabelecido. Além disso, a GEM (2018) destaca que a faixa etária
com maior percentual de pessoas que querem ter seu próprio negócio é abaixo dos 34 anos, faixa

etária na qual se encontra a empreendedora entrevistada.

De acordo com o GEM (2018) a decisão de empreender depende de como o indivíduo percebe
suas próprias características, o quanto está disponível para novas oportunidades, o acesso à informação,

entre outros. Para Iolanda, a opção por se inserir no comércio varejista voltado para comercialização de

roupas esteve atrelado a um sonho individual. Assim, a motivação para que ela abrisse seu próprio
negócio está relacionada com:
“O antigo desejo de empreender, vinculado à inserção no ramo de vendas, no
qual encontrei uma oportunidade de investir e iniciar um novo projeto,
levando em conta a afinidade com a área”. (Iolanda)

Ao falar sobre quem influenciou sua carreira como empreendedora, Iolanda destaca o papel do
círculo familiar e também a existência de um trabalho formal que concilia com o desenvolvimento de

sua atividade empreendedora. Diferentes critérios devem ser adotados antes de realizar a escolha sobre
empreender ou não, onde, se questionar sobre o apoio da família é uma dessas necessidades
(DORNELAS, 2016). Iolanda destaca que:
“Os maiores influenciadores para iniciar a trajetória foram meus pais, porém
também tive muito apoio do meu namorado e do meu patrão, que abriu as
portas para uma oportunidade de parceria na loja que eu já trabalhava há dois
anos e meio.” (Iolanda)

A existência de uma ocupação paralela formal remete a uma realidade na qual cerca de 35% dos
empreendedores iniciais vivem, ou seja, trabalham em tempo integral ou parcial para terceiros. Mesmo

quando se fala sobre os empreendedores já estabelecidos, cerca de 41% ainda mantém outra ocupação
(GEM, 2018).

Embora já possuísse emprego e fonte de renda formal, a opção por empreender foi derivada de

algumas características pessoais, bem como o desejo de inovar no atendimento trazendo uma proposta

que poderia auxiliar no empoderamento das mulheres. Como ela própria destaca, foi decisivo para essa
iniciativa:
“O desejo de reconhecer o meu poder como mulher, minha proatividade e
disposição em atender de maneira personalizada, o desejo de inovar e buscar
um novo conceito em atendimento para a cidade, assim como a facilidade na
comunicação interpessoal.” (Iolanda)

Assim, a empresa que carrega o seu nome, comercializa roupas íntimas com o objetivo de:

128 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

“O meu objetivo sempre foi levar não apenas um produto a minhas clientes,
mas sim, provocar um sentimento de segurança, autoconfiança e
reconhecimento do poder feminino ao usarem as peças, proporcionando
momentos memoráveis, não só em um momento a dois, mas com o seu
próprio íntimo. Tendo isso em vista, o perfil em foco é uma mulher madura,
com a faixa etária de 24 a 48 anos, estabilizada financeiramente, porém,
insegura em alguns aspectos pessoais e íntimos, que está em busca desse
reconhecimento de si própria e de seu poder, e que muitas vezes encontra em
uma peça que a valoriza e exalta suas qualidades ocultas. O público alvo de
início eram minhas amigas, familiares, moradoras da cidade de Araruna –
PR, cidade em que resido.” (Iolanda)

A empreendedora feminina pode estar em busca de sua autorrealização, sucesso financeiro, mas
também a questões relacionadas a um bem-estar subjetivo, pois os desafios superados são como uma

conquista. Para colocar em ação seu potencial pessoal e profissional realizam transformações em si
mesmas e no contexto no qual estão inseridas (JONATHAN, 2011). “O empreendedorismo aliado ao

empoderamento feminino podem prover para sociedade, um crescimento econômico significativo, em


virtude das mulheres empoderadas saberem o que querem e aonde pretendem chegar” (DUMINELLI;
TOPANOTTI; YAMAGUCHI, 2017, p. 2).

A despeito de todos os benefícios, o empreendedorismo enfrenta dificuldades, especialmente se


considerar o contexto de pandemia. Assim, o próximo tópico abordará os principais desafios
enfrentados por Iolanda.

4. 2 PRINCIPAIS DESAFIOS

Alguns avanços foram alcançados para tentar atingir de maneira positiva o empreendedor no

Brasil, mesmo assim, eles ainda apontam algumas dificuldades como programas do governo que não

atendem a todos, política tributária, baixa escolaridade dos empreendedores, burocracia, dificuldade de

acesso à tecnologia, entre outras. Além disso, a maior parte dos empreendimentos no Brasil (60%) é
voltada para o consumidor (incluindo comércio de vestuário), essas atividades são mais sensíveis à

concorrência e possuem menor valor agregado (GEM, 2018). Congruente com este cenário, Iolanda

afirma que era um desafio a ser superado se diferenciar e manter a sua forma de atender, como ela
mesma diz:
“O principal desafio que imaginava seria o de apresentar a minha marca e
proposta de trabalho de maneira atrativa e diferenciada e o de manter um
padrão em atendimento e marketing.” (Iolanda)

129 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

Essas dificuldades estão especialmente relacionadas ao contexto pré-pandemia, dessa forma,

associam-se a estes elementos as restrições de comercialização e circulação de pessoas que impuseram


dificuldades à atividade empreendedora. Com isso, muitos empreendimentos, especialmente comércio

varejista de roupas, foram afetados e tiveram que realizar adaptações para atender uma população que

estava passando por uma mudança em seu comportamento, consequentemente afetando a sua forma de

consumir (SEBRAE, 2020; NASSIF et al, 2020). Assim, no contexto vivenciado pela pandemia a

empreendedora destaca como suas expectativas relativas aos desafios a serem superados foram
ampliados:
“O desafio de reinventar as maneiras de apresentar os produtos e chegar até a
cliente, assim como a de oferecer um produto e atendimento que suprisse as
novas necessidades criadas pela circunstância atual, para assim manter o
padrão de vendas. Aliado a isso, a insegurança financeira da população gerou
um bloqueio de consumo daquilo que é considerado supérfluo, tornando um
desafio para a empresa apresentar os produtos que vendemos como uma
necessidade.” (Iolanda)

Com isso percebe-se que houve uma ampliação das dificuldades enfrentadas pelos
empreendedores, pois a pandemia da COVID-19, propiciou uma crise de saúde e econômica. Nesse

contexto, a taxa de desocupação sofreu elevação (GUIMARÃES, 2021), com isso, o nível de renda e
consumo são afetados, embora ainda seja necessário conhecer melhor quais são os resultados e como
isso afetará os empreendedores (NASSIF et. al, 2020). Contudo, Iolanda indica que a comercialização

dos produtos foi o maior impacto sentido com a pandemia, além de sentir impacto no prazo de entrega

de seus fornecedores:
“O setor mais afetado foi o das vendas presenciais que, inclusive, era o setor
que sustentava a empresa, já que era o foco principal. Devido à redução do
fluxo de pessoas na loja física, as vendas presenciais caíram em até 40%.”
(Iolanda)

Assim, os empreendedores precisam estar preparados para se adaptar em diferentes áreas para

que possam entender e atender as necessidades dos consumidores diante desse novo padrão de
consumo estabelecido. Isso pode ser alcançado por meio de mudanças na estratégia da empresa

(NASSIF et al, 2020). Conforme Ribeiro (2016), as organizações devem estar preparadas para realizar

mudanças significativas a qualquer momento, e a organizar-se estrategicamente. Este assunto será


explorado no próximo tópico.

130 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

4.3 ESTRATÉGIAS ADOTADAS

As estratégias adotadas permitem que determinadas empresas possam estar à frente de seus

competidores e assim, ganhar a preferência dos clientes (DORNELAS, 2016). Para destacar-se, Iolanda

buscou inicialmente, trazer um novo conceito de consumo e de forma de atendimento. Assim, a

estratégia antes da pandemia era:


“Trazer um novo conceito de loja na cidade de Araruna – PR, com
atendimento personalizado e produtos diferenciados, que se destacam,
atraindo o público alvo da cidade.” (Iolanda)

Assim, no início, o objetivo era conquistar seus clientes por meio da qualidade e da proposta que

a empresa trazia para a cidade. Contudo, fatores externos, especialmente diante de um contexto de
pandemia, geraram impacto em diferentes aspectos, tais como, saúde, economia e consumo, por
exemplo. Assim, mudar a forma de atuação, ou seja, adotar novas estratégias se fez relevante para lidar

com os efeitos da pandemia (NASSIF et al, 2020). Iolanda buscou ampliar o leque de produtos e canais
de divulgação e venda, assim, sua estratégia diante da pandemia foi:
“expandir o meu público alvo, aumentando os canais de divulgação e
comunicação, para atingir toda a região e não ficar restrita a minha cidade.
Desse modo, após estudar bastante sobre marketing digital, intensifiquei e
alterei o padrão de divulgação no Instagram, trazendo conteúdos
diversificados e mantendo um índice de visualização. Além disso, iniciei a
criação de uma loja virtual, para divulgar a minha loja em todo o Brasil.
Vinculado a isso, trouxe peças com o conceito “loungewear”, muito usado
para o home office, que tornou-se a realidade de trabalho de muitas pessoas
após a pandemia.” (Iolanda)

A adaptação e a reformulação estratégica é uma forma de continuar competitiva num contexto

atual. Reformular estratégias envolve um plano global de ações a serem tomadas para garantir um

objetivo a ser alcançado no futuro (RIBEIRO, 2016). No caso da Iolanda, ela viu no “novo normal”,

nas oportunidades de home office proporcionadas pelo “novo cenário”, uma oportunidade para atender
a demanda de produtos com um conceito estratégico para suprir a necessidade de pessoas que querem

conforto, beleza e praticidade no seu dia-a-dia de trabalho em casa.

A capacidade de o empreendedor identificar as situações de adversidades e oportunidades em


momento de crise é fundamental, isso demanda também habilidades, como a capacidade e velocidade

de adaptação, criatividade e inovação (NASSIF, 2020). Destaca-se também a necessidade de

comprometimento e busca de parceiros para novas descobertas e ações estratégicas (MARCELINO, et

131 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

al, 2020). Como exemplo, tem-se a descoberta de novos canais de distribuição, a qual pode ampliar a

demanda ou diferenciar o produto no mercado (MINTZBERG, et al, 2009).


Iolanda destaca que a principal estratégia adotada no contexto da pandemia foi a utilização de

novos canais ampliando o uso das mídias sociais como ferramenta de marketing digital, assim como

criou sua loja virtual, aumentando os canais de comercialização, ou seja, uma associação da missão

antiga de empoderamento da mulher, agora redesenhada pela intermediação digital. Assim, sobre a

estratégia mais importante para se manter no mercado, Iolanda destaca:


“A dedicação ao Instagram da loja, vinculada a criação da loja virtual, assim
alcancei maior visibilidade do público alvo e tornei o acesso ao meu produto
mais fácil e ágil. O novo “control action” pós pandemia foi alterado para:
“A oportunidade de declarar seu amor próprio está na palma da sua mão”."
(Iolanda)

A percepção da necessidade de mudança de estratégia para superar os desafios proporcionados

pela pandemia da COVID-19 teve início quando notou-se o comprometimento de receita e diminuição
das pessoas que passavam pela loja. Conforme observa-se pela sua própria fala, a mudança de
estratégia foi necessária quando:
“Quando o fluxo de pessoas na loja física reduziu em até 30% e as vendas
diminuíram significativamente, comprometendo o financeiro da empresa.”
(Iolanda)

Esse processo de transformar as dificuldades e ameaças em oportunidades coloca em prática a

capacidade do empreendedor de criar novas formas de explorar a sua atividade, sendo para isso,

indispensável o processo de inovação (BRESSANT; TIDD, 2009). O próximo tópico irá esclarecer as

principais inovações necessárias por parte da empreendedora para lidar com as dificuldades
decorrentes da pandemia.

4.4 INOVAÇÕES ADOTADAS

Em um contexto de pandemia, a inovação é primordial para a sobrevivência da empresa

(WENZEL et al, 2020). Assim, com a inovação, é como se cada mudança pudesse ser uma

oportunidade de entregar um negócio ou um serviço diferente (CICCONI, 2014). A despeito das


diferentes abordagens sobre inovação, pode se dizer que está relacionada a identificar uma

oportunidade não explorada, a busca por clientes que possuem necessidades não satisfeitas, oferecendo

a eles uma solução (OLIVEIRA, 2014). No caso da Iolanda, como inovação diversificou a oferta de

132 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

produtos ao identificar uma oportunidade diante de uma nova rotina de “home office”. A partir daí,
observou-se a necessidade da aquisição de roupas confortáveis para trabalhar em home office e passou

a oferecer uma nova linha de produtos no segmento “loungewear” – conceito de roupas confortáveis

para uso “em casa”-. Deste modo, além de realizar vendas on-line, a diversificação de produtos e
adaptação ao novo contexto, foram inovações e mudanças na estratégia da empresa que foram adotadas

para manter-se no mercado.

Atender a essa nova necessidade demandou que ela própria acredita-se nesse potencial, assim,
ela investiu em si e no seu negócio, realizando capacitação e criando conteúdo por meio de loja virtual,

com o intuito de buscar coalizões de apoio (BRESSANT; TIDD, 2009). Dito de outra forma, divulgar
seus valores e diferenciais, com atendimento personalizado por meio de um conteúdo on-line,

realizando tentativas de maximizar as chances de que a ideia “dê certo”, refletindo na forma de que a
ideia pode ser “valorizada” pelo público que a consome.

Os empreendedores desenvolvem inovação por meio de iniciativas, novas ideias, flexibilidade


para adaptá-las, além de criatividade para transformá-las em uma oportunidade de negócio, que surgem
diante da capacidade de enxergar a mudança como uma oportunidade (CICCONI, 2014). Assim, em

síntese, as principais inovações observadas pelo empreendimento da Iolanda foram: marketing digital,
ampliação dos produtos oferecidos e do público alvo, criação de conteúdo on-line, preparação para
lidar com o público on-line e loja virtual.

Além disso, foram adotadas medidas sanitárias de enfrentamento da COVID-19, tais como,
cuidados com as peças que voltam do condicional, as quais passam dois dias separadas, assim como há

a higienização com álcool 70° nas embalagens são entregues aos clientes, uma vez que, tais práticas
tornaram-se necessárias como medidas de enfrentamento da COVID-19, além do que, transmite maior

segurança e credibilidade ao consumidor.

SEBRAE (2020) apontou que o comércio eletrônico representou neste período de pandemia,

uma alternativa para que as empresas pudessem continuar suas atividades mesmo com os períodos de
isolamento social e fechamento de lojas. Para Pereira (2020), o comércio on-line possui como uma das

suas dimensões a velocidade no relacionamento e a facilidade de acesso entre os consumidores e os

vendedores dos produtos. Especialmente no contexto de restrição provocada pela pandemia, as


empresas precisam tornar o consumo mais prático.

Desta forma, o consumidor passou a ter, com o comércio eletrônico, uma opção mais

personalizada de consumo, sendo essa experiência favorecida ao passo que o consumidor passa a ter

133 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

contato com as compras on-line. Outro aspecto é o desbloqueio do medo de realizar compras on-line

que foi provocado pelo maior contato com o comércio eletrônico neste período, favorecendo que haja
uma mudança no comportamento de consumo das pessoas (PEREIRA, 2020).
Porter (1999) já defendia o papel da tecnologia da informação como diferencial competitivo.

Pois, especialmente neste contexto de pandemia em que se passa por um processo de transformação

digital, provavelmente sem volta, as ações estratégicas associadas às ferramentas de marketing digital,

além de promover novos negócios, devem auxiliar na inclusão digital e consequentemente na ativação
de economias locais e na recuperação pós-crise (NASSIF et al, 2020).

5. CONCLUSÃO

O objetivo deste artigo foi compreender por meio de um estudo de caso de uma empreendedora

do comércio varejista de roupas íntimas femininas, quais ações estratégicas e inovações foram
adotadas, frente aos desafios provocados pela COVID-19. Com isso, observou-se que este se tratou de
um estudo de caso de uma empreendedora que busca por meio de seus produtos empoderar-se e

empoderar outras mulheres, por meio de um novo conceito que defende a busca de seu amor próprio.
Por meio de uma rede de apoio familiar e de parceria com seu empregador, uma vez que possui
emprego formal, pôde se dedicar a criação de seu empreendimento, o qual comercializa roupas íntimas

femininas para as mulheres da sua cidade, Araruna-PR. Inicialmente, seu desafio era se diferenciar em
relação aos seus concorrentes. Contudo, o contexto da pandemia causada pela COVID-19

potencializou os desafios de forma que ficou evidente a necessidade de mudança de estratégia e busca
de inovação para manter-se no mercado.

Assim, as principais inovações adotadas no empreendido foram o investimento em marketing

digital, na ampliação dos produtos oferecidos e do público alvo, criação de conteúdo on-line,

preparação para lidar com o público on-line e loja virtual. Deve-se lembrar que medidas sanitárias de
enfrentamento do COVID-19, também foram adotadas. Observando, portanto que a capacidade de

adaptação e necessidade de observar as ameaças e buscar oportunidades, devem ser constantes na vida

do empreendedor, além da necessidade crescente de se especializar na utilização de meios digitais para


atingir seu público, intensificada pela necessidade de distanciamento social necessários nesse momento

de pandemia.

A implicação gerencial deste artigo pode ser resumida da seguinte forma: os empreendedores

134 Livro: Empreendedorismo - Inovação e Tecnologia


Capítulo 9

precisam constantemente analisar o ambiente, suas ameaças e oportunidades; o marketing digital e a

interação por meio da criação de conteúdo que demonstra a missão da empresa podem manter o
relacionamento da empresa com o público; inovar envolve entregar aquilo que a sua empresa se propõe
a fazer de uma nova maneira, atendendo outras necessidades e acompanhando as demandas do

ambiente, visando manter o crescimento da empresa.

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