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Professora: Natalia

7 ANO

Filosofia

HUMANO E OUTROS ANIMAIS


O que significa a natureza humana?
Retornemos ao nosso objeto de estudo neste capítulo. As
interrogações sobre o que é o ser humano e o que significa ser
um ente humano concentraram a atenção de pensadores de
todas as épocas, o que permitiu que nosso tema fosse analisado
sob diversos ângulos.
Vejamos primeiro três concepções clássicas sobre a natureza
humana (isto é, a constituição essencial do ser humano),
conformando uma espécie de “antropologia metafísica”.
comecemos por duas dessas concepções, formuladas na Grécia
antiga.
CONCEPÇÃO PLATÔNICA

No pensamento de Platão a essência do ser


humano é sua alma, que é imortal e preexistente
ao corpo. A união da alma com o corpo seria
acidental (isto é, não necessária), e o corpo limitaria
a alma humana como se fosse uma prisão. Platão
também concebia a alma dividida em três partes
distintas, que se relacionam entre si: alma
concupiscente (vinculada aos desejos), alma
irascível (vinculada às paixões) e alma racional
(vinculada ao conhecimento).
CONCEPÇÃO ARISTOTÉLICA

Aristóteles, por sua vez, entendia o ser humano como um


animal racional, isto é, como um sistema único natureza-
racionalidade. como teria chegado a essa conclusão? segundo
sua doutrina, os seres humanos, como todos os seres, seriam
constituídos de dois princípios inseparáveis: matéria e forma. A
alma – que para Aristóteles é o princípio da vida – seria a forma
do corpo (isto é, seu princípio determinante) e, como qualquer
forma, não poderia existir separadamente da matéria.
A alma humana, segundo o filósofo, se caracterizaria
fundamentalmente por ser intelectiva ou racional, mas englobaria
também as virtudes da alma sensitiva (própria dos animais) e da
alma vegetativa (própria das plantas) por outro lado, Aristóteles
também Defendeu a concepção de que o ser humano é social
por natureza, o que quer dizer que ele só se desenvolve
plenamente vivendo em sociedade e atuando como animal
político. daí, então, a ideia de animal racional.
CONCEPÇÃO CARTESIANA

Já no século XVII, o filósofo francês René


Descartes afirmou, como vimos, que o ser
humano é corpo e alma, porém concebeu
essas duas dimensões como radicalmente
distintas e separadas (discordando, portanto,
de Aristóteles). O corpo seria constituído pela
substância denominada res extensa; a alma
(ou mente, ou consciência), pela res cogitans.
O filósofo também afirmou que a alma teria a faculdade de
comandar o corpo, mas não conseguiu explicar como isso se
daria, tendo em vista que, segundo sua doutrina, um corpo só
poderia ser movido ou afetado por outro corpo, e a alma não é
um corpo.
Existência e condição humana

No século XX, o filósofo francês Jean-


Paul Sartre – um dos principais
expoentes do existencialismo– abriu
uma exceção à noção metafísica
tradicional de que cada coisa tem um ser,
uma essência, e que desta resulta sua
forma de existir. Ou seja, de acordo com
essa concepção antiga, a natureza (ou
essência) de um ser determina sua
existência.
No entanto, Sartre reconhecia que as pessoas devem enfrentar as
condições a priori (anteriores, já existentes) de sua existência, ou
seja, sua situação histórica, aproximando-se das concepções de
marx. Por exemplo: nascer escravo não é o mesmo que nascer
livre. portanto, para Sartre, não é a natureza humana, mas sim a
condição humana – a situação de cada indivíduo no mundo –
que impõe limites à liberdade das pessoas
Sartre dizia que, no caso humano, a existência precede a
essência. Isso significa que, para ele, o ser humano é um nada
quando nasce, isto é, quando passa a existir. Só depois, à medida
que vai existindo e se definindo, é que passa a ser (ser algo). no
início, há apenas esse nada, que confere ao ser humano a
liberdade de escolha e a grande responsabilidade de construir a
si mesmo dentro das condições encontradas desde seu
nascimento.

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