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Direito Civil IV – 09/07/2018 – Aula 01


O que é responsabilidade civil? Reparação de danos em decorrência de algum ato praticado.
Sempre que a ação ou omissão de alguém representar danos para terceiros, existirá o dever de
indenizar as vítimas do dano? Indenizar é voltar ao estado anterior ao dano (algo praticamente
possível, mesmo na situação de dano material). A responsabilidade está associada a algum tipo de
obrigação. Quando se fala em obrigação civil, pode-se está falando sobre obrigação civil, obrigação
de um dono de imóvel dar passagem a outro. Enfim, obrigação de natureza civil se refere a todas as
obrigações civis. Uma obrigação de indenizar quando se causar dano a outra pessoa. Obrigação civil
– Obrigação de indenizar. Indenização pressupõe um dano. Essa obrigação é uma obrigação de
natureza civil. A obrigação civil extracontratual decorre da lei – É a obrigação legal de indenizar
alguém em razão do dano causado a uma pessoa.
1 TEORIA GERAL DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Conceito de responsabilidade civil – Sérgio Cavalieri, 2015, p. 16.
Em seu sentido etimológico, responsabilidade exprime a ideia de obrigação, encargo,
contraprestação. Em sentido jurídico, o vocábulo não foge dessa ideia. A essência de
responsabilidade está ligada à noção de desvio de conduta, ou seja, foi ela engendrada par alcançar as
condutas praticadas de forma contrária ao direito e danosas a outrem. Designa o dever que alguém
tem de reparar o prejuízo decorrente da violação de um outro dever jurídico. Em apertada síntese,
responsabilidade civil é um dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano
decorrente da violação de um dever jurídico originário. Responsabilidade civil PRESSUPÕE A
VIOLAÇÃO DE UM DEVER JURÍDICO.
Se a conduta não for contrária ao direito – TECNICAMENTE – não haverá configuração de
responsabilidade civil. Só se pode falar em responsabilidade civil se houver a prática de uma conduta
anti-jurídica, isto é, o descumprimento de algum dever, de uma obrigação anterior. A
responsabilidade civil é uma obrigação de natureza civil, porque existe uma obrigação originária –
que é originalmente descumprida – para a caracterização de obrigação de indenizar.
Jurisprudência – Responsabilidade civil. Dano moral. Adultério. Ação ajuizada pelo marido
traído em face do cúmplice da ex-esposa. Ato ilícito. Inexistência. Ausência de violação de norma
posta. (STJ, REsp, 1122547/MG. Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em
10/11/2009, DJe 27/11/2009).

Direito Civil IV – 11/07/2018 – Aula 02


Só é possível falar em responsabilidade civil diante de uma ilicitude, tecnicamente, se não há
ilicitude, não haverá obrigação de indenizar/responsabilidade civil. Tecnicamente, pois o Código
Civil
Obrigação – Dar, fazer, não fazer: Sempre um dever jurídico originário. Pode ser voluntária ou legal.


Responsabilidade (indenizar) – Dever jurídico sucessivo consequente à violação de um dever
jurídico originário. Decorrente da vontade das partes/contrato ou ex lege/da lei.
Código Civil – art. 389, 927.
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Art. 389, CC – Dispositivo da responsabilidade civil contratual.


A responsabilidade civil não é uma obrigação originária, sempre presume uma outra
obrigação, um outro dever que foi descumprido (descumprimento = conduta antijurídica, contrária ao
direito). O art. 927 traz a regra geral da responsabilidade civil extracontratual. Para reparar/indenizar,
é preciso haver um ato ilícito. Tecnicamente, a responsabilidade civil presume a prática anterior de
um ato ilícito.
1.2 Posicionamento da responsabilidade civil na teoria geral do direito
Fatos naturais (acontecimentos da natureza, como o nascimento, a morte, etc.)

Fatos jurídicos Fatos (atos) ilícitos


(violação de dever imposto
pela norma jurídica)

Fatos voluntários (originários da conduta humana)

Fatos (atos) lícitos

Atos jurídicos Negócios jurídicos


(efeitos pré-determinados na lei. (efeitos escolhidos por quem os pratica
Ex.: adoção, reconhecimento da paternidade) Ex.: testamento (unilateral); contrato (bilateral)
Pode-se falar em responsabilidade civil sem que haja ato ilícito?
Art. 188; 929; 930.
Tecnicamente, não. Muito embora não se possa falar em responsabilidade civil no sentido
técnico, não se pode dizer que o direito de indenizar só surge quando há ato ilícito.
Apelação Cível. Ação de Indenização. Acidente de Trânsito. Danos Materiais. Procedência.
Preliminar. Carência de ação por ilegitimidade passiva ad causam. Culpa de Terceiro. Matéria que se
confunde com o mérito. Mérito. Caminhão de propriedade que invade a pista contrária para desvia de
outro que estava parado sobre a pista. Colisão frontal com o veículo da autoral. Culpa de terceiro.
(TJ-SC – AC 509279 SC 2007.050927-9, Relator: Victor Ferreira, Data de Julgamento 12/01/2010,
Quarta Câmara de Direito Civil, Data da Publicação: Apelação)
Não há responsabilidade civil em sentido técnico, mas mera obrigação legal de indenizar por
ato lícito.
Ato ilícito (civil ou penal) – Aspecto objetivo (sentido amplo): Simples conduta antijurídica,
ou seja, contrária à norma jurídica. Independe de origem numa vontade livre e consciente do agente.
Art. 927, 187.
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Aspecto subjetivo (sentido estrito): Ato consciente e livre contrário à lei (presume um juízo
de valor em relação à conduta do agente). Art. 927, 186.
Culpa – Dolo ou imprudência, negligencia ou imperícia.
1.3. Princípios da responsabilidade civil

Direito Civil IV – 16/07/2018 – Aula 03


1.3.1. Princípio da dignidade humana
A obrigação de indenizar, o foco dela, é muito mais na pessoa do ofendido do que na pessoa
do ofensor.
1.3.2. Princípio da solidariedade
Corresponsabilidade – prevenção – deslocamento do foco da sanção ao ofensor para a tutela
do ofendido.
Este princípio está baseado no sentimento de corresponsabilidade que cada tem um para com
o outro. O que é construído deve ser construído na busca do interesse comum, não se afasta os
interesses individuais, mas sim a conciliação entre a satisfação dos interesses individuais e o bem
comum. Na Constituição, um dos fundamentos da República é a construção de uma sociedade livre,
justa e solidária.
Falar em solidariedade é falar de ajuda mútua, alteridade, se colocar no lugar do outro,
perceber o mundo a partir da visão do outro e conciliar os diversos interesses de modo que todos
possam construir uma existência melhor para todos. Isso gera impactos na própria construção das
normas do Código Civil. Exemplo: Função social dos contratos, da propriedade.
1.3.3. Princípio da prevenção/precaução
Fala-se em prevenção quando há um risco certo ou conhecido a se evitar e em precaução
quando o risco é ainda incerto, não confirmado, mas que, mesmo na dúvida, é preciso evita-lo. É o
gerenciamento de um estado de incerteza quanto ao risco. Em última instancia, a prevenção e
precaução na responsabilidade civil representam a passagem de um sistema repressivo para
um proativo, preventivo, que se antecede à ocorrência de danos. Diante dos riscos da vida
moderna, deve-se agir logo para prevenir.
A responsabilidade civil não pode mais ser o agir pós-fato, no puro sentido repressivo. O
centro da responsabilidade civil passou a ser a vítima, então a melhor responsabilidade civil está
pautada em situações que façam a situação lesiva não surgir.
Na relação de prevenção existem dois momentos: o anterior ao dano e posterior ao dano. No
modelo anterior, a relação da responsabilidade civil era focada apenas no momento posterior ao
dano, pois o foco era apenas o ofensor. Era preciso que o ofensor praticasse o ato, obrigando o
ofensor a indenizar o ofendido.
Com a mudança do foco para o ofendido – baseado na solidariedade e dignidade humana – há
uma preocupação com ambas as partes – anterior e posterior ao dano –, a questão anterior se foca na
prevenção/precaução. A defesa só é efetiva quando se constrói os meios para que o dano sequer
aconteça.
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Prevenção – Riscos concretos. Precaução – Riscos abstratos.


1.3.4. Princípio da reparação integral
Seguindo Cristiano Chaves de Farias et al (2016, p. 49).
O ofensor deve colocar o ofendido na mesma posição que ele se encontrava antes do dano.
O princípio da reparação integral possui por finalidade repor o ofendido ao estado anterior à
eclosão do dano injusto, assumindo a árdua tarefa de transferir ao patrimônio do ofensor as
consequências do evento lesivo, de forma a conceder à vítima uma situação semelhante àquela que
detinha. É claro que há uma pretensão idílica em se alcançar a plena reparação, pois raramente a
condenação será capaz de preencher a totalidade dos danos sofridos.
O próprio código civil abre uma margem, uma brecha para a mitigação da reparação integral.
Em regra, no âmbito da responsabilidade civil, a gradação de culpa é irrelevante. Normalmente, a
culpa tem impacto na indenização por danos morais e um menor impacto nos casos de grande
desproporção entre a gravidade da culpa e o dano e se a indenização for tal que pode colocar o
ofensor em penúria.
Art. 944. Parágrafo único.
Art. 928. Parágrafo único.
Art. 6º, VI, CDC.
1.4. As funções da responsabilidade civil
Função reparatória: transferência dos danos do patrimônio do lesando ao lesado como forma
de reequilíbrio patrimonial (a vítima como foco). Art. 944.
Função punitiva: sanção consistente na aplicação de uma pena civil ao ofensor como forma
de desestímulo a comportamentos reprováveis.
Função precaucional: possui o objetivo de inibir atividades potencialmente danosas.
1.5. Modalidades de responsabilidade civil
1.5.1. Responsabilidade civil e penal
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Responsabilidade civil Responsabilidade penal

Infringência de uma norma do direito privado Infringência de uma norma penal (ilícito penal).
(ilícito civil).

Foca na vítima, representa uma reação contra o Foca na pessoa do ofensor. As sanções incidem,
dano injusto mediante a sua reparação. principalmente, sobre o bem da liberdade
pessoal.

Possui, como principal finalidade, a reparação Possui funções retributiva (mal com mal),
(ao lado da punição e da precaução). preventiva geral (para coletividade), preventiva
especial (para o réu).

Despreza, em regra, a gradação da culpa. Dá relevância à gradação da culpa.

Tem o dano como elemento essencial. Não tem o dano como elemento essencial.

Não se submete ao princípio da tipicidade. Submete-se ao princípio da tipicidade.

A obrigação transmite-se aos herdeiros. Sanção personalíssima.

Direito Civil IV – 18/07/2018 – Aula 04


Interseção entre a jurisdição civil e penal
Art. 935, CC.
Repercussão civil da decisão penal condenatória
Art. 63, p. único, CPP.
Art. 387, IV (necessidade de pedido expresso da acusação – não pode ser de ofício)
PENAL. AGRAVO. REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO.
REPARAÇÃO DE NATUREZA CIVIL. ART. 387, IV DO CPP. DENÚNCIA. PEDIDO
EXPRESSO. NECESSIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. AgRg no REsp 1622852/MT, Rel.
Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta turma, julgado em 07/03/2017, DJe 14/03/2017)
Art. 91, I, CP.
Art. 515, VI, CPC.
A sentença penal condenatória transitada em julgado tem repercussão na esfera civil. O juízo
penal pode fixar o mínimo indenizatório, desde que provocado pelo ministério público ou
querelantes. Esse mínimo não é algo fechado. Quando não houver a fixação do mínimo
indenizatório, a sentença condenatória não perde o caráter de ... Execução é dar cumprimento. A
sentença penal condenatória é um título executivo.
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De uma forma geral o ajuizamento das ações cível e penal são independentes, a parte,
entretanto, pode esperar, ou pode haver suspensão da ação cível para não haver decisões conflitantes,
mas isso é uma faculdade. Se a decisão da ação penal contrariar uma decisão na ação civil, cabe
ação rescisória se ainda estiver no lapso temporal e vice-versa.
Art. 64, p. único, CPP. – poderá (faculdade).
Art. 315, CPC. p. 1º e 2º. – máximo de um ano.
Art. 200, CC. – não ocorrerá a prescrição (no final: ação penal ou inquérito policial).
O inquérito policial pode apurar que não houve crime, nesse momento, ele termina e ocasiona o
término da suspensão. Mas o inquérito pode ser concluído e a ação penal aberta, abrindo a suspensão
do processo cível. (pode)
O que poderá acontecer se após o juízo cível julgar improcedente a demanda indenizatória sobrevier
sentença penal condenatória¿
O que poderá acontecer se após o juízo cível condenar o réu ao pagamento de indenização sobrevier
sentença penal absolutória fundada na inocência desse sujeito¿
Cabimento da ação rescisória no prazo de dois anos...
Sentença penal absolutória fundada em prova da inexistência do crime ou da autoria: Impede a ação
civil. Art. 66, CPP. (necessidade trânsito em julgado)
Sentença penal absolutória fundada em ausência de prova (fato, autoria, culpa) ou de culpa: Não
impede a ação civil.
Nem mesmo a sentença penal absolutória por ausência de culpa impede a ação civil, pois existe a
responsabilidade objetiva.
Sentença absolutória por motivo peculiar do Direito Penal: Não impede a ação civil.
De acordo com Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 650):
A decisão criminal só repercute na esfera cível naquilo que é comum às duas instancias, e só até esse
limite. O fato que não foi categoricamente afirmado ou negado no crime não foi julgado, sendo
ampla a discussão cível a seu respeito.
Art. 67, CPP, I, II, III.
Sentença penal absolutória fundada em excludente de ilicitude: Nem sempre impede a ação civil.
Art. 65, CPP.
Art. 188, CC, I, II, Parágrafo único.
Art. 929, 930, parágrafo único.
Ressarcimento fundado na equidade
Sentença absolutória do tribunal do júri: Não impede a ação civil. Isso ocorre porque é uma decisão
não fundamentada, porque é feita pela percepção dos jurados, que muitas vezes não tem fundamento
jurídico.
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PROCESSO CIVIL – RECURSO ESPECIAL – NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL


– INEXISTENCIA – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS – MORTE DE MENOR –
ABSOLVIÇÃO PELO TRIBUNAL DO JURI – EFEITO SOBRE A RESPONSABILIDADE
CIVIL. (STJ, REsp 485.865/RJ, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 25/05/2004,
DJ 07/06/2004).

Direito Civil IV – 23/07/2018 – Aula 05


1.5.2. Responsabilidade contratual e extracontratual
 Responsabilidade negocial/extranegocial
CC, art. 584.

Responsabilidade contratual Responsabilidade extracontratual

O dever jurídico violado decorre do O dever jurídico violado decorre da lei. Não há
contrato/negócio jurídico. Presume relação relação jurídica preexistente entre ofensor e
jurídica preexistente entre ofensor e vítima. vítima.

Art. 30, CDC. A oferta vincula.


O contrato é um negócio jurídico preestabelecido entre as partes. Na responsabilidade civil
contratual, há um vínculo jurídico prévio entre as partes, em que o dever jurídico é violado. Na
extracontratual, o dever jurídico violado está na própria lei. Na extracontratual, o que gerou a
responsabilização não é o vínculo jurídico preexistente entre as partes. O dever de indenizar não
partiu de um vínculo jurídico preexistente, porque quando isso ocorre há responsabilidade contratual.

Responsabilidade contratual Responsabilidade extracontratual

A gradação da culpa será, em alguns casos, A rigor, a gradação da culpa não impacta a
fator prévio e abstrato da isenção da obrigação obrigação de indenizar, que surgirá diante da
de indenizar. CC, art. 392. existência de um dano. CC, art. 944. P. único.

Extensão da reparação: possibilidade de Extensão da reparação de acordo com o dano.


inserção de cláusula limitadora da indenização CC, art. 944.
ou de não indenizar.

Permite a prévia quantificação dos danos Os danos patrimoniais e extrapatrimoniais são


patrimoniais e extrapatrimoniais. quantificados em juízo.
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A responsabilidade só abrange o agente capaz Permite a responsabilização do incapaz. CC, art.


ou incapaz que tenha procedido de má-fé ou 928.
esteja devidamente representado/assistido.

Mora. CC, art. 397, p. único. Mora. CC, art. 398.

Diante do inadimplemento caberá ao devedor Como regra, caberá à vítima provar a existência
provar que o fato causador do dano não poderia dos pressupostos de responsabilização.
lhe ser imputado.

Prescrição Prescrição
CC, art. 206, p. 5, I. CC, art. 206, p. 3º, V.

Foro competente (regra domicílio do réu) Foro competente


CPC, art. 146 Art. 53, IV, a, V

1.5.3. Responsabilidade subjetiva e objetiva


 Responsabilidade subjetiva: culpa como elemento essencial
 Responsabilidade objetiva: culpa como elemento irrelevante
Quando se trata de responsabilidade objetiva, o ato ilícito é referido como conduta culposa. O
grande diferencial entre a responsabilidade civil subjetiva e objetiva, é que não subjetiva o elemento
culpa é essencial para a caracterização do dano. Já na extracontratual, o elemento culpa é irrelevante.
É uma responsabilidade pautada na teoria do risco – na solidariedade.
2 Responsabilidade extracontratual subjetiva
CC, art. 927.
CC, art. 186.

Conduta culposa
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Pressupostos Nexo causal

Dano
Violar direito E causar dano a outrem gera a obrigação de reparação. O ato ilícito é uma ação
ou omissão voluntária ou culposa (negligencia, imprudência, imperícia). O dolo é quando o sujeito
pratica o ato na intensão de gerar o evento danoso; a negligencia, imprudência e imperícia é quando
o sujeito pratica o ato mas não tem a intensão de gerar o ato, o resultado danoso. A conduta que gera
a responsabilidade civil é sempre voluntária. Se a conduta for involuntária, não gera
responsabilidade civil. Quando se fala em dolo, há a vontade de realizar a conduta com a finalidade
do resultado dano. Já na culpa em sentido estrito, há vontade em praticar o ato mas não se busca o
resultado danoso. A responsabilidade civil objetiva abrange a culpa em sentido amplo (dolo + culpa
em sentido estrito). Na imprudência, negligência e imperícia o dever jurídico violado é o dever
jurídico de cuidado.
2.1 Conduta culpável
2.1.1. Conduta
Segundo Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 41)
Conduta é o comportamento humano voluntário que se exterioriza através de uma ação ou
omissão, produzindo consequências jurídicas.
2.1.2. Imputabilidade
Segundo Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 43)
Imputar é atribuir a alguém a responsabilidade por alguma coisa. Imputabilidade é, pois, o
conjunto de condições pessoais que dão ao agente capacidade para poder responder pelas
consequências de uma conduta contrária ao dever; imputável é aquele que podia e devia ter agido de
outro modo.
MATURIDADE + SANIDADE MENTAL
Imputável é o agente mentalmente são e desenvolvido, capaz de entender o caráter de sua
conduta e determinar-se de acordo com esse entendimento.
CC, art. 932, I [exercício do poder familiar], II.
ECA, art. 116.
CC, art. 928, p. único.
2.1.3. Culpa
Em sentido amplo, abrange toda espécie de comportamento contrário ao Direito, seja
intencional (vontade de praticar o ato dirigida à ocorrência do resultado dano), como no caso de dolo,
ou tencional (vontade praticar o ato não dirigida à ocorrência do resultado dano), como na culpa
(sentido estrito).
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Culpa (lato sensu)

Dolo Culpa (stricto


sensu)

Em sentido estrito, é a conduta voluntária contrária ao dever de cuidado imposto pelo


Direito, com a produção de um evento danoso involuntário, porém previsto ou previsível.
DEVER DE CUIDADO: Dever jurídico cuja violação enseja a responsabilidade civil
objetiva.
Aferido conforme a capacidade, o conhecimento e aptidão exigíveis de uma pessoa prudente, da
mesma profissão ou idêntico grupo de pessoas (médico, motorista, agricultor, empregada doméstica,
etc.). O que essa pessoa prudente faria?
2.1.4. Elementos da conduta culposa
 Conduta voluntária com resultado involuntário (deseja-se a ação, mas não o resultado
danoso)
 Previsão ou previsibilidade
 Falta de cuidado, cautela, diligência ou atenção
Previsão e previsibilidade:
 Se o resultado foi previsto pelo agente, tem-se a culpa consciente, ou grave, muito próxima
ao dolo (diferindo-se porque o agente não deseja o dano)
 Para configurar da culpa, o resultado tem que ser, pelo o menor, previsível (previsibilidade
específica, atual, não genérica)
o Critério objetivo: considera o homem médio, diligente e cauteloso
o Critério subjetivo: leva em consideração as condições pessoais do sujeito, como
idade, sexo, grau de cultura, etc.
Se o resultado foi previsto, por que o agente não o evitou?
Se era pelo menos previsível, por que o agente não o previu e, consequentemente, o evitou?
Porque faltou com o dever de cuidado.
Falta de cuidado: imprudência negligência e imperícia. Ex.: motorista que avança o sinal
vermelho.
Imprudência: falta de cuidado por conduta comissiva, por ação. Ex.: Trafegar com veículo
sem a adequada manutenção.
Negligência: falta de cuidado por conduta omissiva. Ex.: Trafegar com veículo sem a
adequada manutenção.
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Imperícia: falta de habilidade do exercício de atividade técnica. Ex.: Motorista que provoca
acidente por falta de habilidade na direção.

Direito Civil IV – 25/07/2018 – Aula 06


2.1.5. Espécies de culpa
A gradação de culpa é relativamente irrelevante para o quantum indenizatório, porque o
quantum indenizatório é medido pela extensão do dano (segundo o próprio código civil).
Culpa grave, leve e levíssima
 Culpa grave: há a previsão do resultado danoso (culpa consciente)
 Culpa leve: quando a falta puder ser evitada com atenção ordinária, com o cuidado próprio do
homem comum
 Culpa levíssima: quando a falta só puder ser evitada com atenção extraordinária, que presume
a habilidade especial ou conhecimento singular (CC, art. 944, parágrafo único)
Culpa contratual e extracontratual
Culpa “in eligendo”, “in vigilando” e “in custodiando”:
 Culpa “in elegendo”: diante da má escolha do preposto
 Culpa “in vigilando”: diante da falta de atenção ou cuidado com o procedimento de outrem
que estava sob a guarda ou responsabilidade
 Culpa “in custodiando”: diante da falta de atenção em relação a animal ou coisa que estavam
sob os cuidados do agente
OBS.: tais modalidades de culpa foram abaladas pelo disposto nos artigos 932 e 933 do atual Código
Civil.
Art. 932, CC.
Art. 933, CC.
Culpa presumida e culpa contra a legalidade
 Culpa presumida: O causador do dano, até prova em contrário, presume-se culpado.
Art. 936, CC.
 Culpa contra a legalidade: quando o dever violado resulta de texto expresso de lei ou
regulamento. Ex.: Violação de uma norma de trânsito.
Culpa (causa, responsabilidade) concorrente
Art. 945, CC.
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ASSOCIAÇÃO DE CLASSE. CLUBE
RECREATIVO. PISCINA APARENTEMENTE SEMIOLÍMPICA. DIFERENTES NÍVEIS DE
PROFUNDIDADE. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES E PESSOAL PARA GARANTIR A
SEGURANÇA DOS USUÁRIOS. ACIDENTE. TETRAPLEGIA. NEGLIGÊNCIA. VÍTIMA EM
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IDADE SUFICIENTE PARA ANTEVER O PERIGO. FALTA DE CAUTELA. CONCORRENCIA


DE CULPAS. SUBSISTENCIA DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. REDUÇÃO DO
QUANTUM. RECURSO PROVIDO. (STJ – Resp 1226974/PR, Rel. Ministro João Otávio de
Noronha, Terceira turma, julgado em 12/08/2014, DJe 30/09/2014).
2.2. Nexo causal
2.2.1. Conceito
Nexo causal é o liame que liga a conduta (causa) do agente ao resultado danoso (consequência).

NEXO CAUSAL
CONDUTA DANO
Nexo causal = culpabilidade (diferente)
Segundo Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 66)
“A relação causal, portanto, não se confunde com a culpabilidade. Tem-se no primeiro caso uma
imputação objetiva – se a conduta do agente deu causa ao resultado (dano), independente de
qualquer apreciação do elemento subjetivo da conduta. No segundo caso (culpabilidade) tem-se uma
imputação subjetiva. Apurado que a conduta do agente deu causa ao resultado, verifica-se a seguir
se o agente tinha capacidade de entendimento e se podia agir de forma diferente. ”
2.2.2. Teorias sobre o nexo causal
2.2.2.1. Teoria da equivalência dos antecedentes
Não faz distinção entre causa (aquilo que uma coisa depende quanto à existência) e condição (que
permite à causa produzir seus efeitos negativos ou positivos) ”. Todas as condições são causa.
“Se tal coisa tivesse ocorrido, haveria o dano? ” Se a reposta for sim, não há nexo de causalidade. Se
a resposta for não, há nexo de causalidade.
 Engloba, sem distinção, todas as condições que concorreram para o mesmo resultado.
 Teoria não adotada majoritariamente em sede de responsabilidade civil ate o seu efeito
generalizador.
2.2.2.2. Teoria da causalidade adequada (majoritária)
 Não basta que um fato tenha sido, em concreto, uma condição sine qua non do prejuízo. É
preciso, ainda, que o fato constitua, em abstrato, uma causa adequada do dano [só há uma
relação de causalidade adequada entre o fato e o dano]”.
 Causa = condição mais adequada, mais determinante a causar o dano (ação ou omissão
por si mesma capaz de ocasionar o dano)
 Também chamada de teoria da causalidade direta e imediata
CC, art. 403 – Ligado a questão contratual.
Teoria adotada pelo STJ:
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ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO RESPONSABILIDADE CIVIL DO
MUNICÍPIO, AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. TEORIA DA CAUSALIDADE
ADEQUADA. NEXO CAUSAL AFASTADO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, COM BASE NO
ACERVO FÁTICO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE, NO CASO DE REEXAME DE PROVAS,
EM SEDE E RECURSO ESPECIAL. SUMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (STJ,
REsp 1.307.032/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 01/08/2013). No mesmo
sentido: STJ, REsp 669.258/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, segunda turma...)
2.2.3. Concorrência de causas (concausas)
 A vítima concorre com sua conduta para o evento juntamente com aquele que é apontado
como único causador do dano.
 A culpa grave necessária e suficiente para o dano exclui a concorrência de culpas.
 A concorrência de culpas não rompe o nexo causal quando não há preponderância causal
manifesta e provada da conduta do agente.
2.2.4. Concausas
Segundo Sergi Cavalieri Filho (2015, p. 83):
“Concausa é outra causa que, juntando-se à principal, concorre para o resultado. Ela não inicia nem
interrompe o nexo causal, apenas o reforça, como um rio menor que deságua em outro maior,
aumentando-lhe o caudal. ”
“A gradação de culpa não é o instrumento a ser considerado, a princípio, na indenização”
2.2.4.1. Concausas preexistentes
 Não rompem o nexo causal, porque não produzem o resultado por si sós.
Ex.: Anterior fragilidade de saúde uma vítima de atropelamento.
 Só afastam a responsabilidade se não tiverem relação alguma com a conduta do agente.
2.2.4.1. Concausas supervenientes ou concomitantes
 Não rompem o nexo causal, porque não produzem o resultado por si sós.
Ex.: Demora no socorro a uma vítima de atropelamento.
 Só afastam a responsabilidade se não tiverem relação alguma com a conduta do agente.
2.2.4.3. Coparticipação. Causalidade comum.
 O dano é resultado da conduta de vários agentes, ainda que a ação isolada de cada um não
tenha sido, isoladamente, suficiente para a ocorrência do dano.
 Responsabilização solidária.
 Causalidade alternativa: responsabilização de um grupo de pessoas quando não se consegue
identificar o membro desse grupo que efetivamente tenha causado o dano.
2.2.5. Exclusão do nexo causal
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 Fato exclusivo da vítima


 Fato (exclusivo) de terceiro
 Caso fortuito e força maior

Direito Civil IV – 01/08/2018 – Aula 07


O nexo causal é o segundo elemento para a caracterização da responsabilidade civil. Existem
três: conduta, nexo causal e dano. Quando se trata de responsabilidade civil subjetiva, ao elemento
conduta acrescenta-se a culpa. A conduta culpável é a culpa em sentido amplo, que compreende
tanto o dolo quanto a culpa (culpa em sentido estrito = negligência, imprudência e imperícia).
Quanto ao nexo de causalidade existem duas teorias, a da equivalência dos antecedentes e a
da causalidade adequada. O nexo de causalidade pode ser excluído em três ocasiões: a culpa
exclusiva da vítima – a vítima se colocou naquela situação danoso. O caso fortuito e a força maior
tem um elemento em comum: a inevitabilidade. Se é inevitável, afasta-se a responsabilidade civil.
Com relação ao fortuito, a inevitabilidade se dá em relação a impossibilidade de previsão do evento
danoso. A previsão para se evitar o dano tem que ser de acordo com parâmetro objetivos e dentro da
realidade.
Só o afastamento do nexo de causalidade é capaz de afastar a responsabilidade civil. Existem
alguns casos em que o caso fortuito e a força maior não excluem a responsabilidade civil. Caso
fortuito e força maior como excludentes de responsabilidade configuram regra, porém, existem
exceções.

Adoção da teoria do risco integral (em que Sem adoção do risco integral (caso fortuito e
caso fortuito e a força maior não eliminam a força maior servem de excludentes de
responsabilidade) responsabilidade)

Dano ambiental (Art. 14, da Lei 9.938/81) Dano ao consumidor (Arts. 12 e 18 do CDC)

Dano nuclear (Art. 21, XXIII, d, da CF/88) Dano causado pela Administração Pública (Art.
37, p. 6º da CF/88)

Perda ou deterioração da coisa pelo possuidor Responsabilidade do transportador (Art. 732 a


de má-fé (Arts. 1.216 e 1.217 do CC/02) 734 do CC/02)

Responsabilidade do comodatário em mora Risco do desenvolvimento (Art. 931, CC/02)


(Art. 582, CC/02)

Fonte: Código Civil Comentado de Nelson Rosenvald. CC – Art. 582.

Direito Civil IV – 06/08/2018 – Aula 08


2.3. Dano
O dano é o grande vilão da responsabilidade civil. Não há que se falar em indenização
sem dano, nem em ressarcimento. A obrigação de indenizar só ocorre quando alguém pratica ato
ilícito e causa dano a outrem. O dever de reparar pressupõe o dano e sem ele não há
15

indenização devida. Não basta o risco de dano, a conduta ilícita. Sem uma consequência concreta,
lesiva ao patrimônio econômico ou moral, não se impõe o dever de reparar.
O ato ilícito nunca será aquilo que os penalistas chamam de crime de mera conduta; será
sempre um delito material, com resultado de dano. Sem dano pode haver responsabilidade
penal, mas não há responsabilidade civil. Indenização sem dano importaria em enriquecimento
ilícito, enriquecimento sem causa para quem a recebesse e pena para quem pagasse, porquanto o
objetivo da indenização é reparar o prejuízo sofrido pela vítima, reintegrá-la ao estado em que se
encontrava antes da prática do ato ilícito.
De acordo com Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 103):
“Dano é a [...] lesão a um bem ou interesse juridicamente tutelado, qualquer que seja a
sua natureza, quer se trate de um bem patrimonial, quer se trate de um bem integrante da
personalidade da vítima, como a sua honra, imagem, liberdade etc. Em suma, dano é lesão de um
bem jurídico, tanto patrimonial quanto moral [...]”.
Dano material ou patrimonial (ressarcimento)
Modalidades de dano
Dano moral ou extrapatrimonial (compensação)
2.3.1. Dano patrimonial
O dano patrimonial – também chamado dano material – atinge os bens integrantes do
patrimônio da vítima, entendendo-se como tal o conjunto de relações jurídicas de uma
pessoa apreciáveis economicamente. A expressão conjunto de relações jurídicas abrange
coisas corpóreas e coisas incorpóreas. Nem sempre o dano patrimonial resulta de lesão de bens
ou interesses patrimoniais. A violação de bens personalíssimos, como o bom nome, reputação,
saúde, imagem e própria honra, pode refletir no patrimônio da vítima, gerando perda de receitas
ou realização de despesas. O dano patrimonial é suscetível de avaliação pecuniária, podendo
ser reparado diretamente – restauração natural ou reconstituição específica da situação
anterior à lesão – ou indiretamente, por meio de equivalente ou indenização pecuniária.
O dano material pode atingir não somente o patrimônio presente da vítima, mas também o
futuro, pode provocar diminuição, mas também impedir seu crescimento. Por isso, o dano
patrimonial está dividido em dano emergente e lucro cessante.
 Atinge os bens integrantes do patrimônio da vítima (coisas corpóreas e incorpóreas).
CC - Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos
devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu [dano
emergente], o que razoavelmente deixou de lucrar [lucro cessante].
O que a vítima deixou de lucrar são os lucros cessantes. O artigo 402 fala no que
RAZOAVELMENTE se deixou de lucrar. Os lucros cessantes não correspondem a integralidade
do valor que a vítima deixou de lucrar, mas o valor razoável, isto é, os lucros deduzidos das
despesas eventuais, caso contrário há o enriquecimento ilícito.
O dano material compreende o dano emergente – a diminuição imediata no patrimônio da
vítima – e o lucro cessante – o que a vítima razoavelmente deixou de lucrar, em que se considera as
16

particularidades e as eventuais despesas da vítima para com a atividade lucrativa. É mais correto
falar em lucros líquidos cessantes.
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. USO INDEVIDO DE
IMAGEM. NADADOR PROFISSIONAL. FINALIDADE COMERCIAL. PREEXISTÊNCIA DE
CONTRATO PARA TAL FINALIDADE. UTILIZAÇÃO DA IMAGEM DO ATLETA EM
PERÍODO POSTERIOR AO PACTUADO. DANOS MORAIS E MATERIAIS.
CONFIGURAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO MATERIAL. LUCROS CESSANTES.
MAJORAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME
DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Ação indenizatória promovida por
nadador profissional em desfavor de empresa fabricante de produtos alimentícios em virtude de
supostos danos materiais e morais que teria suportado pelo uso indevido de sua imagem nas
embalagens de um dos produtos por ela comercializado (bolachas "top crock") em período posterior
ao término do contrato que haviam celebrado para tal finalidade. 2. Recurso especial que veicula a
pretensão do autor (i) à indenização pelos prejuízos materiais daí decorrentes - consubstanciados nos
valores que deixou de receber caso tivesse sido regularmente renovada a avença - e (ii) à majoração
da indenização arbitrada pela Corte local a título de reparação pelos danos morais por ele suportados
em decorrência desses mesmos fatos. 3. O dano material pode atingir não só o patrimônio presente
da vítima, mas também o futuro, sendo perfeitamente possível afirmar que a ação ilícita de terceiro
enseja reparação material tanto quando reduz o acervo patrimonial da vítima (dano emergente),
quanto quando impede o crescimento que lhe é razoavelmente esperado (lucros cessantes). 4. Por
isso, aquele que teve sua imagem utilizada, com fins comerciais, por prazo superior ao
regularmente contratado, faz jus tanto à indenização pelos danos morais quanto à reparação
material pelos lucros cessantes suportados, devendo corresponder estes últimos aos valores que
proporcionalmente receberia caso a autora do ilícito tivesse promovido a regular renovação do
pacto, ainda que com significativa redução do objeto deste. 5. A indenização material deve ser
fixada levando-se em consideração não só o tempo pelo qual irregularmente perpetrada a
indevida utilização da imagem do autor (aproximadamente 12 meses no caso), mas também a
redução proporcional da contraprestação que lhe seria devida, tendo em vista que o contrato
originalmente entabulado tinha objeto muito mais amplo do que a simples utilização de sua
imagem. [...]. (STJ - REsp 1323586/PB, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 03/03/2015, DJe 11/03/2015)
CC - Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras
reparações:
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da
família; (DANO EMERGENTE)
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em
conta a duração provável da vida da vítima. (LUCRO CESSANTE)

P.S.: Aula 09 foi só de correção da prova.

Direito Civil IV – 20/08/2018 – Aula 10


O dano é uma lesão a um bem juridicamente tutelado. Dentro da ideia de dano, há o dano
patrimonial/material, em que a indenização tem natureza de ressarcimento, buscando deixar o
sujeito em situação anterior ao dano, mas nem sempre no caso de danos materiais é possível fazer
com que o sujeito volte ao estado antes do dano. Por isso, hoje ganha bastante relevância o princípio
17

da precaução/prevenção. Isso é um fruto de um deslocamento do foco da responsabilidade civil do


sujeito ofensor para a figura da vítima, considerando o princípio da solidariedade, dignidade da
pessoa humana.
O dano moral ou extrapatrimonial tem natureza compensatória. Jamais, nessa
modalidade de dano, é possível colocar o sujeito em estado anterior ao dano. O dano material é
caracterizado pelo dano emergente e pelo lucro cessante. O dano emergente é a diminuição imediata
no patrimônio da vítima. O lucro cessante é quando o evento danoso compromete a renda futura da
vítima, o que razoavelmente se deixou de lucrar. É preciso falar em lucro líquido cessante, porque
na sua quantificação é preciso abater as despesas que a vítima teria na normalidade.
Dano emergente, também chamado positivo, importa efetiva e imediata diminuição no
patrimônio da vítima em razão do ato ilícito. O dano emergente é aquilo que a vítima
efetivamente perdeu. A mensuração do dano emergente não enseja maiores dificuldades. Via de
regra, importará no desfalque sofrido pelo patrimônio da vítima, sendo a diferença do valor do
bem jurídico entre aquele que ele tinha antes e depois do ato ilícito. Dano emergente é tudo
aquilo que se perdeu, sendo que, em regra, a indenização será suficiente para a restituição integral.
Lucro cessante ocorre porque o ato pode não produzir apenas efeitos diretos e imediatos no
patrimônio da vítima (dano emergente), mas também mediatos ou futuros, reduzindo ganhos,
impedindo lucros e assim por diante. O lucro cessante é a consequência futura de um fato já
ocorrido. Se o objeto do dano é um bem ou interesse já existente, é o dano emergente. Tratando-se de
bem ou interesse futuro, ainda não pertencente ao lesado, é o lucro cessante. O lucro cessante é a
perda do ganho esperado, na frustração da expectativa de lucro, na diminuição potencial do
patrimônio, podendo decorrer da paralisação da atividade lucrativa ou produtiva da vítima ou
frustração daquilo que era razoavelmente esperado.

Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos


devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que
razoavelmente deixou de lucrar.

O novo código civil consagrou o princípio da razoabilidade ao caracterizar o lucro cessante.


Razoável é tudo aquilo que seja, ao mesmo tempo, adequado, necessário e proporcional, é aquilo
que o bom senso diz que o credor lucraria, apurado segundo um juízo de probabilidade, de
acordo com o normal desenrolar dos fatos. É sempre necessário que os efeitos decorram e se
produzam do ato danoso em relação ao futuro.
STJ: Decisão sobre posto de combustível, indenização reduzida.
O artigo 948 fala em indenização em razão de morte. No caso de homicídio, a indenização
consiste sem excluir outras reparações. Os incisos do artigo 948 tratam de dano material, outras
reparações tratarão do dano extrapatrimonial, sendo uma indenização in re ipsa (caracterização do
dano), a dor, o constrangimento são presumidos em relação aos parentes mais próximos. Em
relação aos outros, é preciso a demonstração do vínculo forte.

Pensão por morte (STJ)


 Cônjuge, companheiro e filhos menores – dependência presumida
Legitimados
 Ascendentes, filhos maiores e irmãos – dependência não presumida
18

Pais de classe média Sem direito à pensão


ou alta
Direito à pensão
2/3 do salário mínimo (ou 1/3 do salário mínimo (ou da
Morte de filho da renda comprovada à renda comprovada da
Pais de baixa renda
menor vítima) até a data em que a vítima) até que a data em
vítima completaria 25 anos que a vítima atingiria a
expectativa média da vítima
do brasileiro ao tempo do
óbito (65 anos ou 76 anos?)
*
A pensão cessa com o falecimento dos beneficiários
Direito conjunto a pensão correspondente a 2/3 do salário
mínimo (ou da renda comprovada da vítima) até a data em
Filhos (menores) e
Morte de que a vítima atingiria a expectativa média da vida do
cônjuge/companheiro
adulto brasileiro ao tempo do óbito (65 anos ou 76 anos?) *
, se deixar os pais
como dependentes, os Ao completar 25 anos, o (a) filho (a) perde o direito à sua
pais entram nessa parte, que será revertida para o (a) viúvo (a)
pensão
A pensão cessa com o falecimento dos beneficiários
* Importante lembrar que algumas decisões do STJ veiculam a expectativa de vida de 65 anos. Isso
porque era essa a expectativa na época do evento morte. Atualmente, a expectativa é de 75/76 anos.
Ocorrendo morte da vítima, a indenização consistirá no pagamento as despesas com
tratamento, funeral e luto da família (danos emergentes), bem como prestação de pensão às
pessoas a quem o de cujus devia alimentos (lucros cessantes), consoante o artigo 948 do Código
Civil. As despesas com tratamento médico-hospitalar deverão ser comprovadas por documentos
idôneos. As verbas indenizatórias não são numerus clausus, permitindo-se a inclusão de outras
verbas reparatórias de natureza patrimonial ou moral decorrente da morte da vítima. Os alimentos
referenciados pelo inciso II do artigo 948 objetivam a indenização que visa reparar, pecuniariamente,
o mal originado do ato ilícito.
No caso de morte da vítima, a indenização consiste na “prestação de alimentos às pessoas a
quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima”. Tratando-se de
cônjuge e filhos menores, tem-se entendido que a dependência é presumida. Nos demais casos,
ascendente, filhos maiores, irmãos da vítima, a dependência econômica terá que ser provada. Não
provada, será devida apenas a indenização por dano moral eventual. A (o) companheira (o), desde
que comprovadas a vida em comum e a efetiva dependência econômica, também tem legitimidade
para pleitear indenização.
O período de duração da indenização é a duração provável da vida da vítima de acordo
com a expectativa de vida do brasileiro na data do óbito. O valor do pensionamento deverá ser
fixado em 2/3 dos ganhos da vítima, devidamente comprovados. A prática tem consagrado a dedução
de 1/3 correspondente, em tese, ao que a vítima gastaria com seu próprio sustento se viva estivesse.
Se a vítima não tinha ganho fixo, ou não foi possível comprová-lo, a pensão deverá ser fixada com
19

base em 2/3 do salário mínimo. A pensão será corrigida sempre que houver reajuste do mínimo e no
mesmo percentual, de acordo com a súmula 490 do STF.
Firmou-se no STJ o entendimento de que a pensão devida aos pais pela morte de filho em
idade de trabalho tem por termo final a data que a vítima completaria a idade de expectativa
de vítima (calculada de acordo com a data do óbito). A partir da data em que a vítima completaria 25
anos, quando presumidamente constituiria nova família, a pensão deve ser diminuída em 50%.
A pensão devida ao filho menor em caso de morte do pai finda aos 25 anos de idade do
beneficiário. Presume-se que em tal idade terá ele completado a sua formação escolar, inclusive
universitária.
 Não há compensação do valor da pensão com seguro de vida (salvo DPVAT): O valor do
seguro obrigatório recebido pela vítima deve ser descontado da indenização comum, para
evitar o bis in idem.
 A pensão é cumulável com benefícios previdenciários: A responsabilidade é um dever de
responder pelo ato ilícito perante a ordem jurídico, indenizar é reparar o dano dele decorrente
da forma mais completa possível. Por isso, não é possível ao autor do dano aproveitar-se do
patrimônio da própria vítima para diminuir o quantum indenizatório. O patrimônio causador
do dano é que deve responder pela indenização e não o da vítima. Admitir a diminuição da
indenização em razão de benefício previdenciário, seguros pessoais, aposentadoria e outros
rendimentos da vítima importaria no absurdo de permitir ao causador do dano indenizar a
vítima com o patrimônio da própria vítima. A indenização civil busca o ressarcimento da
lesão física sofrida pela vítima, pela incapacidade para o trabalho ou a redução dessa
capacidade, e não a redução da sua capacidade econômica, redução dos ganhos. O que
deve ser ressarcido é o dano, a lesão, a incapacidade.
 Correção monetária: Se a pensão é fixada em salário mínimo, não haverá o que corrigir. A
pensão está automaticamente corrigida sempre que o salário for corrigido. As demais
parcelas, eventualmente pleiteadas em quantia fixa, deverão ser corrigidas a partir do evento
danoso. A correção monetária é admitida independentemente de ter sido pleiteada na petição
inicial, pois é a penas o reajuste do valor nominal da moeda, razão pela qual é sempre devida,
independentemente de pedido, para se evitar o enriquecimento sem causa.
STF - SÚMULA 490 - A pensão correspondente à indenização oriunda
de responsabilidade civil deve ser calculada com base no salário-
mínimo vigente ao tempo da sentença e ajustar-se-á às variações
ulteriores.
 A pensão arbitrada é passível de revisão diante da mudança do quadro econômico dos
sujeitos envolvidos: Constatado um fato superveniente que modificou a relação jurídica
anterior, decidida pela sentença, nada impede um novo pronunciamento judicial, mesmo
porque existe uma nova relação jurídica.
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. MORTE DE FILHO
MENOR. QUEDA DE COMPOSIÇÃO FERROVIÁRIA. DANOS MORAIS E MATERIAIS
PRETENDIDOS PELA MÃE E PELO PADRASTO DA VÍTIMA. MAJORAÇÃO DA
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. POSSIBILIDADE NO CASO DA GENITORA. VALOR
IRRISÓRIO. FIXAÇÃO DE INDENIZAÇÃO SUBSTANCIALMENTE INFERIOR EM PROL DO
20

PADRASTO. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. DANOS


MATERIAIS. PENSIONAMENTO MENSAL EM BENEFÍCIO DA GENITORA DA VÍTIMA.
FAMÍLIA DE BAIXA RENDA. PRESCINDIBILIDADE DA PROVA DE EXERCÍCIO DE
ATIVIDADE REMUNERADA PELO MENOR. 1. Ação indenizatória promovida pela mãe e
padrasto de menor (15 anos) falecido em virtude de queda de composição férrea na qual viajava e
que, de modo inadequado, trafegava com as portas abertas. 2. Recurso especial que veicula a
pretensão dos autores (i) de fixação de pensionamento mensal a título de danos materiais e (ii) de
majoração das indenizações arbitradas pela Corte local a título de reparação pelos danos morais
suportados pela mãe (R$ 83.000,00) e pelo padrasto (R$ 5.000,00) do falecido menor. 3. Em se
tratando de família de baixa renda, é devida a indenização por danos materiais, sob a forma de
pensionamento mensal, em prol dos genitores de menor de idade falecido em decorrência de
ato ilícito, independentemente da comprovação de que este exercia, quando em vida, atividade
remunerada. 4. Consoante a jurisprudência desta Corte, a pensão mensal em tal situação deve
ser fixada no patamar de 2/3 (dois terços) do salário mínimo, desde os 14 anos de idade da
vítima (data em que o direito laboral admite o contrato de trabalho), devendo ser reduzida
para 1/3 (um terço) do salário após a data em que esta completaria 25 anos (quando
possivelmente constituiria família própria, reduzindo a sua colaboração no lar primitivo),
perdurando tal obrigação até a data em que a vítima atingiria idade correspondente à
expectativa média de vida do brasileiro, prevista na data do óbito, segundo a tabela do IBGE,
ou até o falecimento dos eventuais beneficiários, se tal fato ocorrer primeiro. 5. O Superior
Tribunal de Justiça, afastando a incidência da Súmula nº 7/STJ, tem reexaminado o montante
fixado pelas instâncias ordinárias a título de indenização por danos morais apenas quando
irrisório ou abusivo, circunstâncias existentes no presente caso, apenas no tocante à verba
indenizatória arbitrada em benefício da genitora do menor (R$ 83.000,00), que deve ser
majorada, com amparo na orientação jurisprudencial desta Corte, para o patamar de R$
315.200,00 (trezentos e quinze mil e duzentos reais), que é o equivalente a 500 (quinhentos)
salários mínimos. 6. As peculiaridades do caso, que revelaram a ausência de comprovação da
existência de relação afetiva entre o falecido e seu padrasto e o curto tempo de convivência
familiar entre ambos, justificam a fixação de verba indenizatória em favor deste último em
montante substancialmente inferior ao arbitrado para a genitora do menor, sendo obstada sua
revisão, na estreita via do recurso especial, em virtude da inafastável incidência da Súmula nº
7/STJ. 7. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1201244/RJ, Rel. Ministro RICARDO
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 13/05/2015)
P.S.: ATENÇÃO!!!!!! PROVA. Expectativa média de vida do brasileiro na data do óbito.
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.
MORTE DE POLICIAL CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PENSÃO MENSAL ÀS FILHAS.
DANOS MATERIAIS. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM PENSÃO
PREVIDENCIÁRIA. VALOR DE 2/3 DOS RENDIMENTOS DA VÍTIMA ATÉ FILHAS
COMPLETAREM 25 ANOS DE IDADE. PARA A VIÚVA ATÉ A IDADE PROVÁVEL DO
DE CUJUS. PRECEDENTES. DIREITO DE A MÃE/VIÚVA ACRESCER O VALOR
RECEBIDO PELAS FILHAS. 1. A jurisprudência desta Corte é disposta no sentido de que o
benefício previdenciário é diverso e independente da indenização por danos materiais ou
morais, porquanto têm origens distintas. O primeiro assegurado pela Previdência; e a segunda,
pelo direito comum. A indenização por ato ilícito é autônoma em relação a qualquer benefício
previdenciário que a vítima receba. Precedentes. 2. Configurada a possibilidade de cumulação da
21

pensão previdenciária e os danos materiais, bem como a dependência econômica das filhas e
viúva em relação ao de cujus, afirmada no acórdão recorrido, o valor da pensão mensal deve
ser fixado em 2/3 (dois terços) do soldo da vítima, deduzindo que o restante seria gasto com seu
sustento próprio, e é devida às filhas menores desde a data do óbito até o limite de 25 (vinte e
cinco) anos de idade. Precedentes. 3. Quanto à viúva, a pensão mensal de 2/3 do soldo da vítima
à época do evento danoso deverá ser repartida entre as filhas e a viúva, sendo que para as
filhas deverá ser pago até a data em que elas completarem 25 anos de idade cada uma, e para a
viúva, em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, até a data em
que a vítima (seu falecido cônjuge) atingiria idade correspondente à expectativa média de vida
do brasileiro, prevista na data do óbito, segundo a tabela do IBGE. Precedentes. 4. Também é
pacífico nesta Corte o entendimento jurisprudencial de ser possível acrescer as cotas das filhas,
ao completarem 25 anos, à cota da mãe. Precedentes. Agravo regimental improvido. (STJ -
AgRg no REsp 1388266/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado
em 10/05/2016, DJe 16/05/2016)
A pensão pode ser revisada a qualquer momento sempre pensando no binômio necessidade e
possibilidade.

Direito Civil IV – 22/08/2018 – Aula 11


2.3.1.1. Perda de uma chance
Nos casos em que o ato ilícito tira da vítima a oportunidade de obter uma situação futura
melhor ocorre a perda de uma chance. Caracteriza-se a perda de uma chance quando, em virtude
da conduta de outrem, desaparece a probabilidade de um evento que possibilitaria um
benefício futuro para a vítima. A chance é a probabilidade de se obter um lucro ou de se evitar
uma perda. É preciso chance séria e real, que proporcione ao lesado efetivas condições pessoais de
concorrer à situação futura esperada. A chance perdida reparável deverá caracterizar um prejuízo
material ou imaterial resultante de fato consumado, não hipotético. É preciso verificar se o
resultado favorável seria razoável ou não passaria de mera possibilidade aleatória. A vantagem
esperada não pode consistir em mera eventualidade, suposição ou desejo. O valor da indenização
deverá ser fixado de forma equitativa e segundo o princípio da razoabilidade. A perda de uma
chance, segundo forte corrente doutrinária, seria um terceiro gênero de indenização. A indenização
deve corresponder à própria chance, que o juiz apreciará in concreto, e não ao lucro ou perda que
dela era objeto, uma vez que o que falhou foi a chance, suja natureza é sempre problemática na sua
realização. A perda de uma chance se aplica tanto aos danos materiais quanto aos danos
morais.
 Exigência de uma chance séria, real (razoabilidade)
 Não se exige a certeza do “dano final”, mas da chance perdida (objeto da reparação)
 A indenização deve ser medida “pela perda da probabilidade de obter uma vantagem e
não pela perda da própria vantagem”
RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO. IMPROPRIEDADE DE PERGUNTA FORMULADA
EM PROGRAMA DE TELEVISÃO. PERDA DA OPORTUNIDADE. 1. O questionamento, em
programa de perguntas e respostas, pela televisão, sem viabilidade lógica, uma vez que a
Constituição Federal não indica percentual relativo às terras reservadas aos índios, acarreta,
como decidido pelas instâncias ordinárias, a impossibilidade da prestação por culpa do devedor,
22

impondo o dever de ressarcir o participante pelo que razoavelmente haja deixado de lucrar,
pela perda da oportunidade. 2. Recurso conhecido e, em parte, provido. (STJ - REsp 788.459/BA,
Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, QUARTA TURMA, julgado em 08/11/2005, DJ
13/03/2006, p. 334).
STJ – INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA:
Informativo nº 0530
Período: 20 de novembro de 2013.
Segunda Turma
DIREITO ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.
Na fixação do valor da indenização, não se deve aplicar o critério referente à teoria da perda
da chance, e sim o da efetiva extensão do dano causado (art. 944 do CC), na hipótese em que o
Estado tenha sido condenado por impedir servidor público, em razão de interpretação
equivocada, de continuar a exercer de forma cumulativa dois cargos públicos regularmente
acumuláveis. Na hipótese de perda da chance, o objeto da reparação é a perda da possibilidade de
obter um ganho como provável, sendo que há que fazer a distinção entre o resultado perdido e a
possibilidade de consegui-lo. A chance de vitória terá sempre valor menor que a vitória futura, o que
refletirá no montante da indenização. Contudo, na situação em análise, o dano sofrido não advém da
perda de uma chance, pois o servidor já exercia ambos os cargos no momento em que foi
indevidamente impedido de fazê-lo, sendo este um evento certo, em relação ao qual não restam
dúvidas. Não se trata, portanto, da perda de uma chance de exercício cumulativo de ambos os cargos,
porque isso já ocorria, sendo que o ato ilícito imputado ao ente estatal gerou dano de caráter certo e
determinado, que deve ser indenizado de acordo com sua efetiva extensão (art. 944 do CC). REsp
1.308.719-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/6/2013.
Perda de uma chance não se confunde com a vitória futura, logo isso impacta no valor da
indenização, porque a indenização pela perda de uma chance é baseada na chance que a pessoa teria.
Informativo nº 0513
Período: 6 de março de 2013.
Terceira Turma
DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. FIXAÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO
PELA PERDA DE UMA CHANCE.
Não é possível a fixação da indenização pela perda de uma chance no valor integral
correspondente ao dano final experimentado pela vítima, mesmo na hipótese em que a teoria
da perda de uma chance tenha sido utilizada como critério para a apuração de
responsabilidade civil ocasionada por erro médico. Isso porque o valor da indenização pela perda
de uma chance somente poderá representar uma proporção do dano final experimentado pela vítima.
REsp 1.254.141-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/12/2012.
Aplicada à atividade médica, a teoria ficou conhecida como teoria da perda de uma chance de
cura ou de sobrevivência, em que o elemento que determina a indenização é a perda de uma chance
de resultado favorável no tratamento. O que se perde é a chance de cura e não da continuidade da
vida. A falta reside em não se dar ao paciente todas as chances de cura ou de sobrevivência. O
problema gira em torno do nexo causal entre a atividade médica (ação ou omissão) e o resultado
23

danoso consiste na perda da chance de sobrevivência ou cura. A atividade médica, normalmente


omissiva, não causa a doença ou morte do paciente, mas faz com que o doente perca a possibilidade
de que a doença possa vir a ser curada. A omissão médica, embora culposa, não é, a rigor, a causa
do dano; apenas faz com que o paciente perca uma possibilidade. Se há erro médico, então não é
perda de uma chance, mas sim dano direito causado pelo médico.
CONDUTA MÉDICA OMISSIVA = PERDA DE UMA CHANCE
ERRO MÉDICO = DANO DIRETO
2.3.2. Dano Moral
O homem é titular de relações jurídicas que, embora despidas de expressão pecuniária
intrínseca, representam para o seu titular um valor maior, por serem atinentes à própria
natureza humana. São os direitos da personalidade, que ocupam posição supraestatal, dos quais
são titulares todos os seres humanos a partir do nascimento com vida. São direitos inatos,
reconhecidos pela ordem jurídica e não outorgados, atributos inerentes à personalidade, tais
como o direito à vida, à liberdade, à saúde, à honra, ao nome, à imagem, à intimidade, à privacidade,
enfim, à própria dignidade da pessoa humana. A dignidade humana é um dos fundamentos do nosso
Estado Democrático de Direito. Em sentido estrito dano moral é violação no direito à dignidade.
Em sentido amplo. O dano moral envolve diversos graus de violação dos direitos da
personalidade, abrange todas as ofensas às pessoas, considerada esta em suas dimensões
individual e social, ainda que a dignidade não seja arranhada.
O dano moral não mais se restringe à dor, tristeza e sofrimento, estendendo a sua tutela a
todos os bens personalíssimos, razão pelo qual, de forma abrangente, é uma agressão a um bem ou
atributo da personalidade. O dano moral é insuscetível de avaliação pecuniária, podendo apenas
ser compensado com a obrigação pecuniária imposta ao causador do dano, sendo esta mais uma
satisfação do que uma indenização.
De acordo com Sérgio Cavalieri Filho (2015, p. 110)
O dano moral consiste “[...] consiste em uma agressão a um bem ou atributo da
personalidade”.
Engloba os direitos à integridade física (à saúde, à vida, ao corpo etc.); e à integridade
moral (à vida privada, à honra, à intimidade, à imagem).
 Sentido amplo: Violação de algum direito ou atributo da personalidade
 Sentido estrito: Violação do direito à dignidade
“[...] o dano moral não está necessariamente vinculado a alguma reação psíquica da vítima. Pode
haver ofensa à dignidade da pessoa humana sem dor, vexame, sofrimento, assim como pode
haver dor, vexame e sofrimento sem violação da dignidade. Dor, vexame, sofrimento de
humilhação podem ser consequências e não causas. Assim como a febre é o efeito de uma
agressão orgânica, a reação psíquica da vítima só pode ser considerada dano moral quando tiver
por causa uma agressão à sua dignidade”. (CAVALIERI FILHO, 2015, P. 117-119)
Ressarcimento ≠ Compensação
(Dano material) (Dano moral)
24

Direito Civil IV – 27/08/2018 – Aula 12


2.3.2.1. Cumulação de indenizações por dano moral e material
STJ – Súmula nº 37: São cumuláveis as indenizações por dano material e dano
moral oriundos do mesmo fato.

2.3.2.2. Configuração do dano moral

 Agressão à dignidade (mais grave) ou a um bem integrante da personalidade.


O dano moral é agressão à dignidade humana, por isso, não basta a mera contrariedade para
configurá-lo. Só deve ser reputado como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou humilhação
que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do
indivíduo, causando-lhes aflições, angústia. Irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da
órbita do dano moral, pois essas situações não são intensas e duradouras a ponto de romper o
equilíbrio psicológico do indivíduo. Dor, vexame e humilhação são consequência, e não causa. O
dano moral se configura quando tiverem por causa uma agressão à dignidade de alguém.
AGRAVOS REGIMENTAIS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO
CONSUMATIVA. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
RESPONSABILIDADE CIVIL. PRESENÇA DE CORPO ESTRANHO EM ALIMENTO. NÃO
OCORRÊNCIA DE INGESTÃO. DANO MORAL INEXISTENTE. MERO DISSABOR. […]. 2.
Não há dano moral na hipótese de aquisição de gênero alimentício com corpo estranho no
interior da embalagem se não ocorre a ingestão do produto, considerado impróprio para consumo,
visto que referida situação não configura desrespeito à dignidade da pessoa humana, desprezo à
saúde pública ou mesmo descaso para com a segurança alimentar. (STJ - AgRg no REsp
1537730/MA, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em
15/03/2016, DJe 28/03/2016)
Dano moral e inadimplemento contratual
O mero inadimplemento contratual, mora ou prejuízo econômico não configuram, por si só,
dano moral, porque não agridem a dignidade humana. Os aborrecimentos decorrentes ficam
subsumidos pelo dano material, salvo se os efeitos do inadimplemento contratual, por sua
natureza ou gravidade exorbitarem o aborrecimento na esfera da dignidade da vítima, quando,
então, configuração o dano moral.
Por isso, o importante para configuração do dano moral não é o ilícito em si mesmo, mas a
repercussão que ele possa ter. Uma mesma agressão pode acarretar agressão a um bem patrimonial e
personalíssimo, gerando dano material e moral. Para o dano moral, não é preciso que a agressão
tenha repercussão externa, sendo apenas indispensável que ela atinja o sentimento íntimo e
pessoal de dignidade da vítima. A eventual repercussão apenas ensejará o seu agravamento.
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC) - AÇÃO DE ANULAÇÃO DE
NEGÓCIO JURÍDICO DE COMPRA E VENDA - VÍCIOS NA AVENÇA. INADIMPLEMENTO
CONTRATUAL - DANO MORAL - NÃO CABIMENTO - DECISÃO AGRAVADA MANTIDA
POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. A jurisprudência consolidada nesta Corte Superior
permeia-se no sentido de que o mero inadimplemento contratual não se revela suficiente a
ensejar dano de ordem moral hábil a perceber indenização, porquanto considerado como
hipótese de dissabor do cotidiano, razão pela qual o entendimento perfilhado pela Corte de origem
25

se coaduna com o posicionamento adotado por esta Casa. […] (STJ - AgRg no AREsp 362.136/SP,
Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 03/03/2016, DJe 14/03/2016)
Inexistência de dano moral por fato constitutivo de direito
Não gravitam na órbita do dano moral aquelas situações que, não obstante
desagradáveis, são necessárias ao exercício regular de certas atividades. E assim o é porque o
direito e o ilícito são antíteses absolutas – um exclui o outro: onde há ilícito não há direito;
onde há direito não pode existir ilícito. Nessa linha de princípio não gravita na órbita da ilicitude
civil a mera indicação de alguém como suspeito da prática de um crime perante a autoridade
competente, eis que a investigação de delitos e de seus respectivos autores é permitida por lei,
dentro de certos limites, em atenção aos superiores interesses públicos. É dever moral e legal de
todos levar ao conhecimento da autoridade competente a ocorrência do fato ilícito, mormente quando
circunstancias do evento autorizam supor a existência do crime. Consequentemente, a simples
absolvição criminal por insuficiência de prova não gera por si só nenhum dever de indenizar. Nessa
questão não se aplica a teoria do risco, sendo preciso, se não dolo ou má-fé, pelo menos culpa
provada, que se revela pela leviana comunicação à autoridade policial.
CÓDIGO CIVIL - Art. 188. Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito
reconhecido;

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MANTIDA.


DANO MORAL. COMPROVAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. ENUNCIADO 7 DA
SÚMULA DO STJ. NOTITIA CRIMINIS. APURAÇÃO. REPARAÇÃO CIVIL. NÃO
CABIMENTO. ENTENDIMENTO ADOTADO NESTA CORTE. VERBETE 83 DA SÚMULA
DO STJ. APRECIAÇÃO PELA ALÍNEA "C". INVIABILIDADE. NÃO PROVIMENTO. […] 2. A
notitia criminis, desde que não caracterizada má-fé, enquadra-se no exercício regular de
direito, não ensejando qualquer reparação civil. 3. O Tribunal de origem julgou nos moldes da
jurisprudência pacífica desta Corte. Incidente, portanto, o enunciado 83 da Súmula do STJ. […]. 5.
Agravo regimental a que se nega provimento.
(ATJ - AgRg no AREsp 80.952/ES, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA
TURMA, julgado em 03/10/2013, DJe 18/10/2013)
A prova do dano moral
 Ofensa grave = presunção de dano (provado o fato, o dano se configura “in re ipsa”)
Por se tratar de algo imaterial ou ideal, a prova do dano moral não pode ser feita através dos
mesmos meios utilizados para comprovação do dano material. Seria uma demasia, até mesmo
impossível, exigir que a vítima comprove a dor, a tristeza ou humilhação através de depoimentos,
documentos ou perícia; não teria ela como demonstrar o descrédito, o repúdio, dor ou desprestígio
através dos meios probatórios tradicionais, o que acabaria por ensejar retorno à fase de
irreparabilidade do dano moral em razão de fatos instrumentais.
O dano moral está inserido na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. O dano
moral existe in re ipsa, deriva inevitavelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provida
ao ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma
presunção hominis ou facti, que decorre das regras da experiência comum. O dano moral é in re
26

ipsa decorre inexoravelmente da gravidade do próprio ato ofensivo, de sorte que, provado o fato,
provado está o dano moral. Para se presumir o dano moral pela simples comprovação do fato, esse
fato tem que ter a capacidade de causar dano, o que se apura por um juízo de experiência.
PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. TELEFONIA. COBRANÇA INDEVIDA. REPETIÇÃO EM DOBRO.
ENGANO JUSTIFICÁVEL. SÚMULA 7/STJ. DANO MORAL. COMPROVAÇÃO. SÚMULA
7/STJ. 1. A jurisprudência desta Corte, interpretando o art. 42 do CDC, estabelece que o engano
é considerado justificável quando não decorre de dolo ou culpa na conduta do prestador de
serviço. Na hipótese, não é possível aferir a existência dos mencionados aspectos subjetivos
sem novo exame dos fatos e das provas constantes do autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 2. A
inscrição indevida do nome do usuário de serviço público em cadastro de inadimplentes
gera o direito à indenização independentemente da comprovação do dano moral, que, na
hipótese, é in re ipsa. Essa solução, porém, não é a mesma aplicável à situação em que inexiste
qualquer ato restritivo de crédito, mas apenas falha na prestação ou cobrança do serviço.
Nesse caso, conforme a regra geral, o dano moral deve ser demonstrado, não presumido. […].
(AgRg no AREsp 672.481/RS, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA
CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/08/2016, DJe 12/08/2016)
Legitimação para pleitear o dano moral
Toda e qualquer pessoa que alega ter sofrido um dano tem a legitimidade para propor a ação
indenizatória. A questão se coloca em razão do limite para a reparação do dano moral. Até que grau
um parente pode pleitear indenização pelo dano moral em razão da morte de familiar? Irmãos, tios,
primos? E o amigo íntimo, também teria legitimidade? O código civil nada dispõe a respeito.
A regra do artigo 948, II, entretanto, embora pertinente ao dano material, pode ser aplicada
analogicamente para limitar a indenização pelo dano moral àqueles que estavam em estreita relação
familiar com a vítima, como o cônjuge ou companheiro, os descendentes, os ascendentes e os
colaterais. A partir daí o dano moral só poderá ser pleiteado na falta daqueles familiares e
dependerá da prova de convivência próxima. Além dessas pessoas, todas as outras, parentes ou
não, terão que provar o dano moral sofrido em virtude de fatos ocorridos com terceiros.
Outra questão relevante é a legitimidade dos pais para pleitearem indenização quando este
sobrevive ao sinistro. Nesses casos, há o dano moral reflexo ou indireto, também denominado dano
moral por ricochete.
O dano moral sofrido pelos familiares da vítima falecida, também chamado de prejuízo
de afeição (préjudice d’affection), modalidade de dano extrapatrimonial que atinge as vítimas
por ricochete, constitui uma das principais modalidades de dano moral stricto sensu (pretium
doloris). Busca-se com a indenização um paliativo para o sofrimento psíquico ensejado pelo evento
danoso, razão pela qual tem natureza individual, apresentando cada situação peculiaridades próprias,
podendo variar a sua gradação conforme o grau de afinidade ou proximidade de parentesco com o
falecido. Assim, o direito à reparação também deve receber tratamento individualizado, atribuindo-se
a cada prejudicado a possibilidade de postular a sua parcela indenizatória. Esse entendimento tem
encontrado amplo respaldo na jurisprudência do STJ, que se firmou no sentido da concessão de
uma parcela indenizatória individual para cada vítima por ricochete (EREsp. 1.127.913, Relator
Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). As parcelas indenizatórias não apenas devem ser
27

arbitradas separadamente como os seus valores podem ser individualizados de acordo com o
grau de afeição de cada vítima por ricochete, variando o montante concedido a cada um.
CÓDIGO CIVIL - Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem
excluir outras reparações:
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da
família;
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em
conta a duração provável da vida da vítima.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. MORTE


DE PASSAGEIROS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. IRMÃOS DA VÍTIMA.
LEGITIMIDADE ATIVA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. De
acordo com a jurisprudência desta Casa, são ordinariamente legitimados para a ação indenizatória
o cônjuge ou companheiro, os descendentes, os ascendentes e os colaterais, de modo não
excludente. Relativamente aos colaterais, aliás, a orientação desta Casa firmou-se no sentido de que
"os irmãos de vítima fatal de acidente aéreo possuem legitimidade para pleitear indenização por
danos morais ainda que não demonstrado o vínculo afetivo entre eles ou que tenha sido celebrado
acordo com resultado indenizatório com outros familiares" […]. (STJ - AgRg no REsp 1418703/RJ,
Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe
06/06/2016)

Direito Civil IV – 29/08/2018 – Aula 13


Dano moral reflexo
Os efeitos do ato ilícito repercutir não apenas diretamente sobre a vítima, mas também
sobre pessoa intercalar, titular de relação jurídica que é afetada pelo dano não na sua
substancia, mas na sua consistência prática. Para saber até que ponto é possível reclamar pelo
reflexo de um dano patrimonial causado a outra pessoa. A solução deve ser buscada no nexo de
causalidade. O ofensor deve reparar todo o dano que causou, segundo a relação de causalidade. O
que importa é saber se o dano decorreu efetivamente da conduta do agente, já que, em sede de
responsabilidade civil, predomina a teoria da causalidade adequada, ou da causa direta e
imediata. Sendo assim, somente o dano reflexo certo e que tenha sido consequência direta e
imediata da conduta ilícita pode ser objeto de reparação, ficando afastado aquele que se coloca
como consequência remota, como mera perda de uma chance.
Os danos reflexamente causados a terceiros, portanto, sem violação de qualquer relação
contratual ou extracontratual, não encontra cobertura direta, nem na responsabilidade aquiliana, nem
na responsabilidade contratual, porque não decorrem diretamente do ato ilícito. A única exceção que
a lei abre à regra geral de que o direito à indenização cabe apenas a quem sofreu diretamente o dano
é no caso de morte da vítima, pois admite-se que a indenização seja pleiteada por aqueles que viviam
sob sua dependência econômica.
ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO
POR DANO MORAL. LEGITIMIDADE DO FILHO E ESPOSA DA VÍTIMA. MARIDO E PAI
TETRAPLÉGICO. ESTADO VEGETATIVO. DANO MORAL REFLEXO. […] 1. Não obstante
a compensação por dano moral ser devida, em regra, apenas ao próprio ofendido, tanto a doutrina
quanto à jurisprudência tem admitido a possibilidade dos parentes do ofendido e a esse ligados
28

afetivamente, postularem, conjuntamente com a vítima compensação pelo prejuízo experimentado,


conquanto sejam atingidos de forma indireta pelo ato lesivo. 2. Trata-se de hipótese de danos
morais reflexos, ou seja, embora o ato tenha sido praticado diretamente contra determinada
pessoa, seus efeitos acabam por atingir, indiretamente, a integridade moral de terceiros. É o
chamado dano moral por ricochete, cuja reparação constitui direito personalíssimo e
autônomo dos referidos autores. 3. No caso em apreço, não pairam dúvidas que a esposa e o filho
foram moralmente abalados com o acidente que vitimou seu esposo e pai, atualmente sobrevivendo
em estado vegetativo, preso em uma cama, devendo se alimentar por sonda, respirando por
traqueostomia e em estado permanente de tetraplegia, sendo que a esposa jamais poderá dividir com
o marido a vicissitudes da vida cotidiana de seu filho, ou a relação marital que se esvazia, ou ainda, o
filho que não será levado pelo pai ao colégio, ao jogo de futebol, ou até mesmo a colar as figurinhas
da Copa do Mundo. 4. Dessa forma, não cabe a este Relator ficar enumerando as milhões de razões
que atestam as perdas irreparáveis que sofreram essas pessoas (esposa e filho), podendo qualquer um
que já perdeu um ente querido escolher suas razões, todas poderosamente dolorosas; o julgamento de
situações como esta não deve ficar preso a conceitos jurídicos ou pré-compreensões processuais, mas
leva em conta a realidade das coisas e o peso da natureza da adversidade suportada. 5. Esta Corte já
reconheceu a possibilidade de indenização por danos morais indiretos ou reflexos, sendo irrelevante,
para esse fim, até mesmo a comprovação de dependência econômica entre os familiares lesados.
Precedentes: REsp. 1.041.715/ES, Rel. Min. MASSAMI UYEDA, DJe 13/06/2008; AgRg no
AREsp. 104.925/SP, Rel. Min. MARCO BUZZI, DJe 26/06/2012; e AgRg no Ag 1.413.481/RJ, Rel.
Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe 19/03/2012. 6. Agravo Regimental a que se nega
provimento. (STJ - AgRg no REsp 1212322/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA
FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 10/06/2014)
Transmissibilidade do dano moral
No que diz respeito à transmissibilidade mortis causa do dano moral, existem três posições: a
da instramissibilidade, a da transmissibilidade condicionada e a da transmissibilidade
incondicionada. A teoria da intransmissibilidade dizia que a honra é um direito personalíssimo,
não sendo possível a sua transmissão a terceiros, ainda que herdeiros (filhos). Já a
transmissibilidade condicionada prelecionava que se a vítima do dano moral falece no curso da
ação indenizatória, é irrecusável que o herdeiro suceda o morto no processo, por se tratar de
ação de natureza patrimonial. Exercido o direito de ação pela vítima, o conteúdo econômico da
reparação do dano moral fica configurado e, como tal, transmite-se aos sucessores (somente irá
transmitir o direito à reparação do dano extrapatrimonial caso a vítima tenha ingressado com
a ação em vida).
Por último, a transmissibilidade incondicionada. O dano moral sempre decorre de uma
agressão a bens integrantes da personalidade, só a vítima pode sofrer e enquanto viva, porque a
personalidade extingue-se com a morte. Mas o que se extingue é a personalidade, não o dano
consumado ou direito a indenização. E assim é porque a obrigação de indenizar o dano moral
nasce no mesmo momento em que nasce a obrigação de indenizar o dano patrimonial – no
momento em que o agente inicia a prática do ato ilícito e o bem juridicamente tutelado sofre a
lesão.
O artigo 943 assevera que o direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la
transmitem-se com a herança. A morte da vítima seria um prêmio para o causador do dano se o
exonerasse da obrigação de indenizar. Por este ângulo, é possível a transmissão do direito a
29

indenização por dano moral, e não o próprio dano moral. O problema se resume em saber se
houve ou não dano moral, se a vítima, antes de morrer, foi ou não, atingida em sua dignidade. Se foi,
não há por que não transmitir aos herdeiros o direito à indenização, mormente em face do texto
expresso em lei.
O artigo 11 do Código Civil é expresso quanto à intransmissibilidade dos direitos da
personalidade. A regra do parágrafo único do artigo 20, que confere legitimidade ao cônjuge,
aos ascendentes e descendentes para postularem a proteção da imagem do morto, ou
indenização pela ofensa à sua boa forma e respeitabilidade, alcança aquelas agressões que
ocorrerem após o falecimento, caos em que os parentes virão à juízo com direito próprio. Não
se confunde, portanto, com a situação em que a postulação é feita em razão daquele sentimento
próprio do ofendido já morto. No primeiro caso, o que confere titularidade é o direito dos herdeiros
à proteção da imagem do morto; no segundo, cuida-se da incorporação ao patrimônio dos herdeiros
daquele direito que nasceu e foi reconhecido pela própria vítima, a qual, contudo, não teve a
oportunidade de iniciar a ação.

Intransmissibilidade
Teorias Transmissibilidade condicionada
Transmissibilidade incondicionada

Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com


a herança.

– Transmissão do direito à indenização por dano moral, e não do próprio dano moral.
Arbitramento do dano moral
O meio mais eficiente para se fixar o dano moral é o arbitramento judicial. Cabe ao juiz, de
acordo com prudente arbítrio, atentando para a repercussão do ato e a possibilidade econômica
do ofensor, estimar uma quantia a título de reparação pelo dano moral. Na fixação do quantum
debeatur o juiz deve ter em mente o princípio de que o dano não pode ser fonte de lucro. A
indenização deve ser suficiente para reparar o dano. Qualquer quantia maior ensejará em
enriquecimento sem causa, ensejador de novo dano. Outro princípio é o da lógica do razoável. Para
que seja razoável é necessário que a conclusão nela estabelecida seja adequada aos motivos que a
determinaram; que os meios escolhidos sejam compatíveis com os fins visados; que a sanção
seja proporcional ao dano. Isto é, o juiz, ao valorar o dano moral, deve arbitrar uma quantia que, de
acordo com seu prudente arbítrio, seja compatível com a reprovabilidade da conduta ilícita, a
intensidade e duração do sofrimento experimentado pela vítima, a capacidade econômica do
causador dano, as condições sociais do ofendido e outras circunstâncias que se fizerem
presentes.
 Razoabilidade e proporcionalidade
Reprovabilidade da conduta ilícita, intensidade e duração do sofrimento experimentado pela
vítima, capacidade econômica do causador do dano, condições sociais do ofendido etc.
30

O dano não pode ser fonte de lucro. A razoabilidade, proporcionalidade, é média, do


homem médio, homem ponderado.
Dano moral punitivo
Doutrina e jurisprudência admitem hoje o caráter punitivo do dano moral, pelo menos em
algumas circunstancias. A indenização punitiva do dano moral atende a dois objetivos: prevenção,
através da dissuasão, e a punição, no sentido de redistribuição.
Na reparação por dano moral estão conjugados dois motivos, ou duas concausas: punição ao
infrator pelo fato de haver ofendido um bem jurídico da vítima, posto que imaterial; pôr nas mãos do
ofendido uma soma que não é pretium doloris, porém o meio de lhe oferecer oportunidade de
conseguir uma satisfação de qualquer espécie, seja de ordem intelectual ou moral, seja mesmo de
cunho material, o que pode ser obtido no fato de saber que esta soma em dinheiro pode amenizar a
amargura da ofensa e de qualquer maneira o desejo de vingança. O arbitramento deve ser
moderado e equitativo para que não se o converta o sofrimento em móvel de captação de lucro.
A indenização por dano moral de natureza punitiva ocorre em casos de pessoas famosas
atingidas moralmente pelos noticiários, ou quando é criança em tenra idade. Entende-se que a
reparação pelo dano moral tem também natureza de pena privada. É a justa punição contra
quem atenta contra a honra, o nome, imagem de outrem, pena, esta que deve reverter em favor
da vítima. A indenização punitiva do dano moral deve ser também adotada quando o
comportamento do ofensor se revelar particularmente reprovável – dolo ou culpa grave – e,
ainda, nos casos em que, independentemente de culpa, o agente obtiver lucro com o ato ilícito
ou incorrer em reiteração da conduta ilícita.
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS. HOMICÍDIO E
TENTATIVA DE HOMICÍDIO. ATOS DOLOSOS. CARÁTER PUNITIVO-PEDAGÓGICO E
COMPENSATÓRIO DA REPARAÇÃO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA
FIXAÇÃO. […] 1. Na fixação do valor da reparação do dano moral por ato doloso, atentando-se
para o princípio da razoabilidade e para os critérios da proporcionalidade, deve-se levar em
consideração o bem jurídico lesado e as condições econômico-financeiras do ofensor e do ofendido,
sem se perder de vista o grau de reprovabilidade da conduta e a gravidade do ato ilícito e do dano
causado. 2. Sendo a conduta dolosa do agente dirigida ao fim ilícito de ceifar as vidas das vítimas, o
arbitramento da reparação por dano moral deve alicerçar-se também no caráter punitivo e
pedagógico da compensação. 3. Nesse contexto, mostra-se adequada a fixação pelas instâncias
ordinárias da reparação em 950 salários mínimos, a serem rateados entre os autores, não sendo
necessária a intervenção deste Tribunal Superior para a revisão do valor arbitrado a título de danos
morais, salvo quanto à indexação. […]. (STJ - REsp 1300187/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO,
QUARTA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 28/05/2012)
2.3.2.3. Dano moral contra pessoa jurídica
A reparabilidade do dano moral causado à pessoa jurídica sofreu forte resistência de parte da
doutrina e jurisprudência apegadas à noção de que a hora é bem personalíssimo, exclusivo do ser
humano, não sendo possível reconhece-la na pessoa jurídica. Concorreu também para a resistência a
ideia de que dano moral é sinônimo de dor, sofrimento, tristeza, etc. Apesar da pessoa jurídica não
ter vida física ou vontade própria, tem existência jurídica e atua no mundo socioeconômico pela
vontade dos seus órgãos dirigentes. Por isso, o direito faculta-lhes adquirir e exercer direitos e
contrair obrigações. Há pessoas jurídicas que são economicamente mais fortes e poderosas que
31

muitos Estados. Se o Direito assim trata a pessoa jurídica é preciso reconhecer que ela, embora
despida de certos direitos que são próprios da personalidade humana, é titular de alguns
direitos especiais da personalidade, ajustáveis às suas características particulares, tais como o
bom nome, a imagem, a reputação, o sigilo de correspondência.
A pessoa jurídica não pode sofrer dano moral em sentido estrito – ofensa à dignidade – pois
esta é exclusiva da pessoa humana, mas pode sofrer dano moral em sentido amplo – violação de
algum direito da personalidade, porque é titular de honra objetiva.
 Honra objetiva (repercussão social da honra: reputação, bom nome e imagem perante a
sociedade) – comum à pessoa natural e jurídica
 Honra subjetiva (autoestima, o que cada um pensa a respeito de si) – é exclusiva do ser
humano
CÓDIGO CIVIL - Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a
proteção dos direitos da personalidade.
STJ – SÚMULA N.º 227. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DANOS MORAIS. REDE


SOCIAL.FACEBOOK. OFENSAS. PESSOA JURÍDICA. HONRA SUBJETIVA.
IMPERTINÊNCIA. HONRA OBJETIVA. LESÃO. TIPO DE ATO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIA
DE FATOS CERTOS. BOM NOME, FAMA E REPUTAÇÃO. DIREITO PENAL. ANALOGIA.
DEFINIÇÃO DOS CRIMES DE DIFAMAÇÃO E CALÚNIA. 1. O propósito recursal é determinar
se as manifestações da recorrida na rede social Facebook têm o condão de configurar dano moral
indenizável à pessoa jurídica recorrente. 2. Ao disponibilizarem informações, opiniões e comentários
nas redes sociais na internet, os usuários se tornam os responsáveis principais e imediatos pelas
consequências da livre manifestação de seu pensamento, a qual, por não ser ilimitada, sujeita-lhes à
possibilidade de serem condenados pelos abusos que venham a praticar em relação aos direitos de
terceiros, abrangidos ou não pela rede social. 3. Os danos morais podem referir-se à aflição dos
aspectos mais íntimos da personalidade ou à valoração social do indivíduo no meio em que vive e
atua. A primeira lesão reporta-se à honra subjetiva, a segunda à honra objetiva. 4. A pessoa jurídica,
por não ser uma pessoa natural, não possui honra subjetiva, estando, portanto, imune às violências a
esse aspecto de sua personalidade, não podendo ser ofendida com atos que atinjam a sua dignidade,
respeito próprio e autoestima. 5. Existe uma relação unívoca entre a honra vulnerada e a modalidade
de ofensa: enquanto a honra subjetiva é atingida pela atribuição de qualificações, atributos, que
ofendam a dignidade e o decoro, a honra objetiva é vulnerada pela atribuição da autoria de fatos
certos que sejam ofensivos ao bom nome do ofendido, sua fama e sua reputação no meio social em
que atua. Aplicação analógica das definições do Direito Penal. 6. Na hipótese em exame, não tendo
sido evidenciada a atribuição de fatos ofensivos à reputação da pessoa jurídica, não se verifica
nenhum vilipêndio a sua honra objetiva e, assim, nenhum dano moral passível de indenização. 7.
Recurso especial conhecido e não provido. (STJ - REsp 1650725/MG, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/05/2017, DJe 26/05/2017)

Direito Civil IV – 03/09/2018 – Aula 14


Dano moral coletivo
O dano moral coletivo é uma espécie do dano coletivo ou difuso. A noção de bens jurídicos
coletivos está consagrada no ordenamento jurídico pátrio. Entre os princípios da administração
32

pública, a Constituição cravou a moralidade pública, sendo de honestidade, retidão, ética das
instituições. Os bons costumes, conjunto de regras de convivência, são limites para o exercício de
todo e qualquer direito subjetivo. Existe ainda a opinião pública, entendimento predominante na
coletividade a respeito de pessoas, fatos ou questões de natureza social ou política. Assim como há
moralidade pública, opinião pública, bons costumes e outros bens de titularidade coletiva, existe a
moral coletiva, sentimento de honradez, dignidade, valor, unidade ou necessidade da
coletividade. A moral coletiva são valores morais, patrimônio ideal (histórico, artístico, ecológico,
cultural, paisagístico) da coletividade.
Daí ser imperioso conceber o dano moral coletivo como ofensa a valores coletivos, lesão a
sentimentos da coletividade, que causam desgosto, angústia, insegurança, intranquilidade aos
membros da sociedade. De forma objetiva e sintética pode-se então conceituar o dano moral
coletivo como sentimento de desapreço que afeta negativamente toda a coletividade pela perda
de valores essenciais; sentimento coletivo de comoção, de intranquilidade ou insegurança pela
lesão a bens de titularidade coletiva, como o meio ambiente, a paz pública, a confiança coletiva,
o patrimônio (ideal) histórico, artístico, cultural, paisagístico.
A indenização pelo dano coletivo deverá reverter ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos
(FDD), criado pelo art. 13 da Lei 7.347/1985, gerido por um Conselho Federal ou Conselhos
Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade.
A responsabilidade é objetiva. O dano moral coletivo decorre normalmente do exercício da
atividade de risco inerente, que gera responsabilidade objetiva.
CDC - Art. 81. A defesa dos interesses e direitos [sinônimos] dos consumidores e
das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo.

Direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos


Direito difuso é o interesse indivisível que abrange número indeterminado de pessoas
unidas pelo mesmo fato, os sujeitos são indeterminados e indetermináveis. Ex.: Paz pública,
segurança pública, meio ambiente. Todas as pessoas têm esse direito, não existe como individualiza-
las.
Direito coletivo são os interesses indivisíveis que pertencem a grupos ou categorias de
pessoas determináveis; pessoas unidas pelo mesmo interesse jurídico, sujeitos indeterminados,
mas determináveis. Ex.: Sindicato dos bancários, atinge todos os bancários, mas não os advogados.
OAB, atinge todos os advogados, mas não os médicos.
Direitos individuais homogêneos são de natureza divisível e os titulares são pessoas
determinadas; mesmo quando uma única lesão atinge várias pessoas, cada uma delas,
individualmente, pode pleitear jurisdicionalmente a reparação de sua lesão para preservar seu
bem jurídico.
CDC - Art. 81. Omissis.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas
indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
33

II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os


transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe
de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes
de origem comum.

Direitos Coletivos1

Direitos essencialmente coletivos Direitos coletivos apenas na forma que


são tutelados
Diretos difusos (CDC, art. 81, parágrafo único, I) Direitos individuais homogêneos (CDC,
Direitos coletivos em sentido estrito (CDC, art. 81 art. 81, parágrafo único, III)
Parágrafo único, II)
Direitos difusos
O que caracteriza o objeto dos direitos difusos é a indivisibilidade. (Resolvendo o problema
de Maria eu resolvo o problema de todos? Se a resposta for sim, então o objeto é indivisível; se a
resposta for não, o objeto não é indivisível).
CDC - Art. 81. Omissis.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas
indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;

 Aspecto subjetivo: Indeterminação dos titulares; inexistência de relação jurídica base entre os
titulares.
 Aspecto objetivo: Indivisibilidade do bem jurídico (uma única ofensa é suficiente para a
lesão de todos os consumidores, e igualmente a satisfação de um deles, por exemplo,

1
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo
individualmente, ou a título coletivo.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível,
de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza
indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma
relação jurídica base;
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
34

mediante a retirada de produtos demasiadamente nocivo do mercado, beneficia ao mesmo


tempo todos eles. (Kazuo, Watanabe, 2005, p. 802)
Exemplos:
 Publicidade enganosa ou abusiva (CDC, art. 37)
 Produtos com alto risco de periculosidade à saúde ou segurança do consumidor (CDC, art.
10)
Direitos coletivos em sentido estrito
CDC - Art. 81. Omissis.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
[...].
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe
de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;

 Aspecto subjetivo: determinabilidade dos titulares, seja por meio da relação jurídica base
que os une, seja por meio do vínculo jurídico que os liga à parte contrária (elemento de
distinção em relação aos direitos difusos).
De acordo com Kazuo Watanabe (2005, p. 803):
Essa relação jurídica base é preexistente à lesão ou ameaça de lesão do interesse ou direito
do grupo, categoria ou classe de pessoas. Não a relação jurídica nascida da própria lesão ou da
ameaça de lesão (p. 803).
 Aspecto objetivo: indivisibilidade do bem jurídico.
Exemplos:
 Boa qualidade do fornecimento dos serviços públicos essenciais, como água,
energia elétrica, gás etc.
 Não reajuste abusivo da mensalidade escolar.
 Anulação de cláusula contratual abusiva.
Direitos individuais homogêneos
CDC - Art. 81. Omissis.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
[...].
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes
de origem comum.

 Requisitos: homogeneidade e origem comum (pode ser de fato ou de direito)


 O vínculo com a parte contrária é decorrente da própria lesão
 O objeto é divisível
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Exemplos:
 Indenização decorrente de acidente em transporte coletivo
 Ressarcimento de cobrança indevida
2.3.2.4. Dano estético
O dano estético não tem disciplina própria no Código Civil, porém, é possível deduzi-lo da
última parte do artigo 949 (“além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido”).
Inicialmente ligado às deformidades físicas que provocam aleijão e repugnância, o dano estético
também são marcas e outros defeitos físicos que causem à vítima desgosto ou complexo de
inferioridade.
O dano estético é distinto do dano moral, correspondendo o primeiro a uma alteração
morfológica de formação corporal que agride à visão, causando desagrado e repulsa; e o
segundo, ao sofrimento mental – dor na alma, aflição e angústia a que a vítima é submetida. Um é de
ordem puramente psíquica, pertencente ao foro íntimo; outro é visível, porque concretizado na
deformidade.
STJ – SÚMULA N.º 387. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético
e dano moral.

2.3.2.5. Dano à imagem


A imagem recebeu tutela expressa no artigo 20 do Código Civil e, segundo a Constituição, é
inviolável. IMAGEM: conjunto de traços e caracteres que distinguem e individualizam uma
pessoa no meio social.
Em razão do extraordinário progresso dos meios de comunicação, a imagem tornou-se um
bem extremamente relevante, ao mesmo tempo altamente sensível, capaz de ensejar fabuloso
aproveitamento econômico ao seu titular, bem como tremendos dissabores. A imagem destaca-
se pelo aspecto da disponibilidade, ou seja, a imagem só pode ser usada em campanha
publicitária de produtos, serviços, entidades mediante autorização do seu titular, com exceção
de figura que aparece em uma fotografia coletiva, a reprodução de imagem de personalidades
notórias a que é feita para atender à interesse público, com o fito de informar, ensinar, desenvolver a
ciência, manter a ordem pública ou a necessária à administração da justiça.
 Imagem-retrato: Aspectos físico-mecânicos, fisionômicos, estéticos.
 Imagem-atributo: Conjunto de atributos cultivados pelo indivíduo e que são reconhecidos
pelo corpo social. Ex.: A imagem de artista, jurista, líder religioso, pai de família, etc.
Constituição Federal:
Art. 5º Omissis.
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
indenização por dano material, moral ou à imagem;
[…].
36

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;
CÓDIGO CIVIL - Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à
administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de
escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da
imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a
respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.        (Vide ADIN 4815 -
biografias)
STJ – SÚMULA N.º 403. Independe de prova do prejuízo a indenização pela
publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou
comerciais.

Uso da imagem de pessoa falecida. Direito próprio e novo dos herdeiros


Os direitos da personalidade são, assim, direitos que devem necessariamente permanecer na
esfera do próprio titular, e o vínculo que a ele os liga atinge o máximo de intensidade. Na sua maior
parte respeitam ao sujeito pelo simples e único fato da sua qualidade de pessoa, adquirida com o
nascimento, continuando todos a ser-lhe inerentes durante toda a vida, mesmo contra a sua vontade,
que não tem eficácia jurídica. A imagem, assim como os demais bens personalíssimos, extingue-
se com a morte, o que a torna física e juridicamente intransmissível.
Contudo, a imagem, dependendo da notoriedade do seu titular, pode produzir e
projetar efeitos jurídicos para além da morte, afetando os sucessores do de cujus. O mesmo
pode ocorrer quando aos efeitos morais. Dessa forma, os parentes próximos de pessoas famosas
falecidas passam a ter um direito próprio, distinto da imagem do de cujus, que os legitima a pleitear
indenização em juízo. Assim, mesmo depois da morte, a memória, a imagem, a honra das
pessoas continua a merecer tutela da lei. Essa proteção é feita em benefício dos parentes do
morto. Seguindo a trilha aberta pela doutrina e jurisprudência, o Código Civil legitima o cônjuge,
os ascendentes ou descendentes para requererem a proteção da imagem do morto ou ausente.
CÓDIGO CIVIL - Art. 20. Omissis.
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para
requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.

CIVIL. DANOS MORAIS E MATERIAIS. DIREITO À IMAGEM E À HONRA DE PAI


FALECIDO. Os direitos da personalidade, de que o direito à imagem é um deles, guardam como
principal característica a sua intransmissibilidade. Nem por isso, contudo, deixa de merecer proteção
a imagem e a honra de quem falece, como se fossem coisas de ninguém, porque elas permanecem
perenemente lembradas nas memórias, como bens imortais que se prolongam para muito além da
vida, estando até acima desta, como sentenciou Ariosto. Daí porque não se pode subtrair dos filhos o
direito de defender a imagem e a honra de seu falecido pai, pois eles, em linha de normalidade,
são os que mais se desvanecem com a exaltação feita à sua memória, como são os que mais se
abatem e se deprimem por qualquer agressão que lhe possa trazer mácula. Ademais, a imagem de
pessoa famosa projeta efeitos econômicos para além de sua morte, pelo que os seus sucessores
passam a ter, por direito próprio, legitimidade para postularem indenização em juízo, seja por
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dano moral, seja por dano material. […]. (STJ - REsp 521.697/RJ, Rel. Ministro CESAR ASFOR
ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 20/03/2006, p. 276)
Valor da indenização pelo uso indevido da imagem
O valor da indenização pela indevida utilização da imagem não deve ser o mesmo que
normalmente se obteria pela utilização autorizada. Se assim não for, a ilicitude passará a ser um
estímulo e ninguém mais respeitará a imagem de ninguém. Com ou sem consentimento do titular, a
sua imagem será utilizada e as consequências serão as mesmas. O efeito do ato vedado não pode ser
o mesmo do ato permitido, sobretudo quando há implicações.
O QUE A VÍTIMA RECEBERIA EM CASO DE AUTORIZAÇÃO DO USO
+
PERCENTUAL POR USO SEM AUTORIZAÇÃO
Abandono afetivo
O abandono afetivo tem sido utilizado como fundamento de ações indenizatórias movidas por
filhos em face dos pais por dano moral. O vínculo que une pais e filhos não é apenas afetivo, mas
também legal. E entre os deveres inerentes ao poder familiar, destacam-se o dever de convívio,
de cuidado, de criação e educação dos filhos, vetores que, por obvio, envolvem a necessária
transmissão de atenção e o acompanhamento do desenvolvimento sociopsicológico da criança.
É esse vínculo que deve ser buscado e mensurado para garantir a proteção do filho quando o
sentimento for tão tênue a ponto de não sustentarem, por si só, a manutenção física e psíquica do
filho, por seus pais – biológicos ou não.
Aqui não se fala ou se discute o amar e, sim, a imposição biológica e legal de cuidar, que
é dever jurídico, corolário da liberdade das pessoas de gerarem ou adotarem filhos. O amor diz
respeito à motivação, questão que refoge os lindes legais, situando-se, pela sua subjetividade e
impossibilidade de precisa materialização, no universo metajurídico da filosofia, da psicologia ou da
religião. O cuidado, distintamente, é tisnado por elementos objetivos, distinguindo-se do amar
pela possibilidade de verificação e comprovação de seu cumprimento, que exsurge da avaliação
de ações concretas: presença; contatos, mesmo que não presenciais; ações voluntárias em favor
da prole; comparações entre o tratamento dado aos demais filhos – quando existirem –, entre
outras fórmulas possíveis que serão trazidas à apreciação do julgador, pelas partes. Em suma,
amar é faculdade, cuidar é dever. É o descumprimento dessa imposição legal de cuidado, que
implica na ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de omissão, pois na hipótese o non facere que
atinge um bem juridicamente tutelado, leia-se, o necessário dever de criação, educação e companhia
– de cuidado – importa em vulneração da imposição legal.
Deve existir um núcleo mínimo de cuidados parentais com o menor que, para além do
mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para
uma adequada formação psicológica e inserção social. O abandono afetivo apenas ocorre quando
o progenitor descumpre totalmente seu dever de cuidado, infringindo flagrantemente as mais
comezinhas obrigações para com seu filho.
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FAMÍLIA. ABANDONO AFETIVO. COMPENSAÇÃO POR
DANO MORAL. POSSIBILIDADE. 1. Inexistem restrições legais à aplicação das regras
concernentes à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar no Direito de
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Família. 2. O cuidado como valor jurídico objetivo está incorporado no ordenamento jurídico
brasileiro não com essa expressão, mas com locuções e termos que manifestam suas diversas
desinências, como se observa do art. 227 da CF/88. 3. Comprovar que a imposição legal de cuidar da
prole foi descumprida implica em se reconhecer a ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de
omissão. Isso porque o non facere, que atinge um bem juridicamente tutelado, leia-se, o necessário
dever de criação, educação e companhia - de cuidado - importa em vulneração da imposição legal,
exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos morais por abandono
psicológico. 4. Apesar das inúmeras hipóteses que minimizam a possibilidade de pleno cuidado de
um dos genitores em relação à sua prole, existe um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para
além do mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições
para uma adequada formação psicológica e inserção social. 5. A caracterização do abandono
afetivo, a existência de excludentes ou, ainda, fatores atenuantes - por demandarem revolvimento de
matéria fática - não podem ser objeto de reavaliação na estreita via do recurso especial. 6. A
alteração do valor fixado a título de compensação por danos morais é possível, em recurso especial,
nas hipóteses em que a quantia estipulada pelo Tribunal de origem revela-se irrisória ou exagerada.
7. Recurso especial parcialmente provido. (STJ - REsp 1159242/SP, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/04/2012, DJe 10/05/2012)
2.3.2.6. Liberdade de informação e inviolabilidade da vida privada
O artigo 5º, inciso X da Constituição diz que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas. Inviolável é aquilo que é indevassável, não pode ser violado, não
pode ser divulgado, nem revelado, aquilo que deve ser mantido em segredo, sob sigilo. A
privacidade também é direito garantido pela Constituição e, segundo a doutrina unanime, é o direito
de estar só, direito de ser deixado em paz para, sozinho, tomar as decisões na esfera da
intimidade, e assim evitar que certos aspectos da vida privada cheguem ao conhecimento de
terceiros. A constituição considera a privacidade inviolável sob qualquer pretexto.
A liberdade de expressão é o direito de expor livremente uma opinião, uma ideia, seja ela
política, religiosa, artística, filosófica ou científica. A liberdade de expressão nada tem a ver com
os fatos, tudo se passa no mundo das ideias, sem qualquer compromisso com a veracidade e a
imparcialidade. É a o direito que qualquer pessoa tem de expor livremente as suas ideias,
pensamentos e convicções, respeitada a toda evidencia a inviolabilidade da privacidade de
outrem.
Já a liberdade de informação ou de comunicação é o direito de informar e de receber
livremente informações, agora sobre fatos, acontecimentos, dados objetivamente apurados. Está
vinculado à imparcialidade e veracidade. Quem divulga um fato fica responsável pela
demonstração de sua existência. A liberdade de informação não é absoluta, pela irrestrita. A sua
primeira limitação é a verdade. A segunda limitação está disposta no parágrafo primeiro do artigo
220 da Constituição.
No tocante à inviolabilidade, ressalva-se nos casos de pessoa de notoriedade, principalmente
quando exerce função pública. Fala-se em direito à informação e direito à história, a título de
justificar a revelação de fatos do interesse público, independentemente da anuência da pessoa
envolvida. Mas o limite da confidencialidade persiste preservado, sobre fatos íntimos não é lícita a
divulgação sem consentimento. Há, por exemplo, a falsa impressão de que quem exerce cargo
público perde a privacidade, que tudo se torna público em relação a ele. Na realidade, para o
exercício de certas atividades expostas ao público, entre as quais o exercício de cargo ou função
39

pública, o indivíduo necessita abdicar de parte de sua privacidade. Entende-se que, nesses casos,
existe redução espontânea dos limites da privacidade. Mas a redução não é total. Por mais que a
pessoa alcance a notoriedade, ela não perde a intimidade. O limite da confidencialidade persiste
preservado sobre fatos íntimos, vida familiar etc. Como regra geral, não haverá́ interesse público em
ter acesso a esse tipo de informação. E assim é, segundo essa mesma doutrina, porque a vida dessas
pessoas compreende um aspecto voltado para o exterior e outro voltado para o interior. A vida
exterior, que envolve a pessoa nas relações sociais e nas atividades públicas, pode ser objeto das
pesquisas e das divulgações de terceiros, porque é pública. A vida interior, todavia, que se debruça
sobre a pessoa mesma, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, integra o conceito de
vida privada, inviolável, nos termos da Constituição.
No caso de conflitos entre liberdade de expressão ou de informação e direito à
intimidade, não basta só́ o elemento subjetivo da notícia (notoriedade da pessoa noticiada ou
sua qualidade), para que a notícia possa ser publicada. Hão de estar também presentes o elemento
objetivo da notícia – o interesse público da notícia (e não do público) – e a conexão com a
atividade desenvolvida. Somente quando há́ relevância para a sociedade, bem como nos casos em
que outros direitos fundamentais são afetados, será́ possível a intromissão ou divulgação dos
fatos ou acontecimentos que ocorreram na esfera da vida privada. Assim, por exemplo, a vida
familiar de uma autoridade pública é privada, mas se a autoridade utiliza o helicóptero ou aeronave
públicos para levar a sua família à casa de praia ou de campo e buscá-lá, o fato ganha relevância
social e merece divulgação por ter conexidade com a atividade pública. No que diz respeito à
veracidade dos fatos, não se exige verdade absoluta, provada previamente em sede de
investigação administrativa, policial ou judicial. Basta que o fato seja tido como veraz no
momento de sua divulgação, após o mínimo comprometimento do dever de apuração e sob a
perspectiva de um interesse legítimo.
CF - Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a
informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer
restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena
liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social,
observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

CF – Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
40

do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos


seguintes:
[…]
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;  
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização
por dano material, moral ou à imagem; 
[…]
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;   
[…]
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer;   
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional;

 Direito ao esquecimento
O conflito entre liberdade de informação e os direitos da personalidade ganhou nova
dimensão após a internet. É justamente nesse terreno pantanoso que se coloca a questão do direito ao
esquecimento. Como meio de comunicação moderno mais veloz e eficiente, a Internet pode ser
concebida como um jornal digital universal, ao qual tem acesso qualquer pessoa e de qualquer lugar
do mundo (basta ter um celular), e nele escreve o que bem entende a respeito de quem quiser, ou
posta imagens, fotografias ou filmes, com a imediata consequência de universalizar e perenizar a
mensagem. Fatos e fotos da vida passada de pessoas são publicados nesse jornal digital
universal, envolvendo intimidade, privacidade, relações familiares, deslizes amorosos ou
profissionais, prática de crime etc., cujos protagonistas querem esquecer, apagar, afastá-los
definitivamente, mas, uma vez lançados na Internet, dificilmente de lá́ conseguem tirá-los.
Forte corrente doutrinária e jurisprudencial entende que a retirada dessas informações da Internet
atenta contra a liberdade de expressão e de informação, pelo que se opõe à tese do direito ao
esquecimento. Em linhas gerais, as principais assertivas utilizadas podem ser assim resumidas:
(i) o acolhimento do chamado direito ao esquecimento constitui atentado à liberdade de
expressão e de imprensa;
(ii) o direito de fazer desaparecer as informações que retratam uma pessoa significa
perda da própria história, o que vale dizer que o direito ao esquecimento afronta
o direito à memória de toda a sociedade;
(iii) cogitar de um direito ao esquecimento equivale a dizer que a privacidade é a censura
do nosso tempo;
(iv) o direito ao esquecimento teria o condão de fazer desaparecer registros sobre
crimes e criminosos perversos, que entraram para a história social, policial e
judiciária, informações de inegável interesse público;
41

(v) quando alguém se insere em um fato de interesse coletivo, mitiga-se a proteção à


intimidade e privacidade em benefício do interesse público e, ademais, uma segunda
publicação (a lembrança, que conflita com o esquecimento) nada mais faz do que
reafirmar um fato que já é de conhecimento público.
Mas, não obstante o apoio recebido de respeitável corrente doutrinária e jurisprudencial, essa
premissa não tem respaldo em texto expresso da Constituição. Antes pelo contrário, conforme
acima ressaltado, a expressão constitucional “observado o disposto nesta Constituição” (parte
final do art. 220), bem como a constante da parte final do § 1o do art. 220 – “observado o disposto no
art. 5o, IV, V, X, XIII e XIV” – indicam reserva legal qualificada que autoriza o estabelecimento
de restrição à liberdade de informação com vistas a preservar os direitos da personalidade em
geral, mormente a intimidade e a vida privada, caso em que a ponderação de valores foi feita pela
própria Constituição.
O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um
fato, ainda que verídico, ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao
público em geral, causando-lhe sofrimento ou transtornos. Em março de 2013, na VI Jornada de
Direito Civil do CJF/STJ, foi aprovado um enunciado defendendo a existência do direito ao
esquecimento como uma expressão da dignidade da pessoa humana.
Enunciado 531: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o
direito ao esquecimento.
A 4ª Turma do STJ, em dois julgados recentes, afirmou que o sistema jurídico brasileiro
protege o direito ao esquecimento (REsp 1.335.153-RJ e REsp 1.334.097-RJ, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgados em 28/5/2013).
Deve-se analisar se existe um interesse público atual na divulgação daquela informação.
Se ainda persistir, não há que se falar em direito ao esquecimento, sendo lícita a publicidade
daquela notícia. É o caso, por exemplo, de “crimes genuinamente históricos, quando a narrativa
desvinculada dos envolvidos se fizer impraticável” (Min. Luis Felipe Salomão). Por outro lado, se
não houver interesse público atual, a pessoa poderá exercer seu direito ao esquecimento,
devendo ser impedidas notícias sobre o fato que já ficou no passado. Interesse público não
coincide com interesse do público.

2.3.3. Liquidação do dano – Critérios para quantificação


A indenização é proporcional ao dano sofrido pela vítima já que o objetivo da
indenização – tornar indene – é reparar o dano o mais completamente possível.

 Dano emergente – critério da diferença


 Lucro cessante – critério da razoabilidade
42

CC - Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos


devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que
razoavelmente deixou de lucrar.

 Perda de uma chance – critério da razoabilidade


 Dano moral – critério do arbitramento (reprovabilidade da conduta; intensidade da
duração do sofrimento da vítima; capacidade econômica do ofensor; condições sociais do
ofendido)
 Estimativa das partes – cláusula penal
A cláusula penal tem por função principal prefixar a indenização no caso de inexecução
da obrigação ou de retardamento no seu cumprimento. É um pacto acessório, de regra estipulado
no próprio contrato principal, pelo qual as partes estimam previamente as perdas e danos a serem
ressarcidos por aquela que, eventualmente, descumprir o contrato, total ou parcialmente. Tem por
função principal prefixar a indenização (quantum debeatur), evitar a penosa tarefa de liquidar
o dano, muitas vezes de difícil demonstração, de sorte que a penalidade estabelecida na
cláusula penal pode ser exigida independentemente de comprovação de qualquer prejuízo.
 Presunção de prejuízo – juros de mora: O termo inicial da mora é desde a prática do evento
danoso.
Os juros de mora são devidos ainda que não se alegue prejuízo, conforme dispõe o art. 407 do
Código Civil: “Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros de mora que se
contarão assim as dívidas em dinheiro, como as prestações de outra natureza[...]. ” Constituem a
indenização mínima legalmente presumida pelo retardamento do cumprimento da obrigação, pelo
que são sempre devidos.
CC - Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da
mora que se contarão assim às dívidas em dinheiro, como às prestações de outra
natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial,
arbitramento, ou acordo entre as partes.

 Indenização pela morte de filho menor – dano material presumido (pais de baixa
renda)
O Superior Tribunal de Justiça, que nesta matéria tem a palavra final, adotou uma posição
eclética: (1a) sendo os pais de classe média ou alta, a reparação não traz consequência material
eventual ou presumida, à medida que a presunção é a de que os pais apoiem os filhos até mesmo
após o casamento, sendo justo, assim, que recebam, tão somente, a reparação pelo dano moral;
nesses casos, em tese, não há dano material algum, nem expectativa de que tal venha a ocorrer,
diante da realidade de hoje; (2a) sendo os pais da classe trabalhadora, com baixa renda, a presunção
opera no sentido contrário, ou seja, além do dano moral há também dano material pela só razão de
contar os pais com a renda do filho, presente ou futura, pouco importando, desse modo, que exercia a
vítima no momento da morte atividade remunerada.
 Indenização por redução da capacidade laborativa de aposentados e pensionistas
A redução da capacidade laborativa da vítima por si só constitui o dano, importa em
presunção de prejuízo, pouco importando se a vítima continuará ou não a receber
aposentadoria, pensão ou vencimentos. Provada a incapacidade ou a redução laborativa da
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vítima, haverá́ dano, ainda que ela possa continuar exercendo alguma atividade, pois é
inquestionável que terá de desempenhá-la com maior esforço e sacrifício. O que pode variar é o
valor da indenização. Se, eventualmente, não for possível quantificá-la, a jurisprudência já tem a
solução para a hipótese – a indenização será fixada com base no critério do arbitramento judicial.
Lembre-se que um dos princípios da responsabilidade civil é o da reparação integral, que tem por
consequência afastar qualquer elemento de compensação, a não ser que esteja em relação direta com
o dano sofrido, como, por exemplo, a culpa concorrente.
 Critério da equidade
Em inúmeras hipóteses, em face da dificuldade ou mesmo impossibilidade de se
quantificar o dano, a lei determina que a indenização seja estabelecida com base no princípio
da equidade. Deve o juiz procurar expressar, na solução do caso, aquilo que corresponda a uma
ideia de justiça da consciência média, que está presente na sua comunidade. Será, em suma, a justiça
do caso concreto, um julgamento justo, temperado, fundado no sentimento comum de justiça. Aquilo
que o próprio legislador diria se estivesse presente; o que teria incluído na lei se tivesse
conhecimento do caso.
CC - Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele
responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes.
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa, não
terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem.
CC - Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa
e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.
CC - Art. 952. Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da restituição da
coisa, a indenização consistirá em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a
título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu equivalente
ao prejudicado.
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria coisa,
estimar-se-á ela pelo seu preço ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se
avantaje àquele.
CC - Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na
reparação do dano que delas resulte ao ofendido.
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao
juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das
circunstâncias do caso.
CC - Art. 954. A indenização por ofensa à liberdade pessoal consistirá no
pagamento das perdas e danos que sobrevierem ao ofendido, e se este não puder
provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do artigo
antecedente.
Parágrafo único. Consideram-se ofensivos da liberdade pessoal:
I - o cárcere privado;
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II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé;


III - a prisão ilegal.

 Morte da vítima
Ocorrendo a morte da vítima, a indenização consistirá no pagamento das despesas com
tratamento, funeral e luto da família (danos emergentes), bem como prestação de pensão às pessoas
a quem o de cujus devia alimentos (lucro cessante), consoante o art. 948 do Código Civil. As
despesas com tratamento médico-hospitalar deverão ser comprovadas por documentos idôneos. As
verbas indenizatórias previstas nos incisos I e II deste art. 948 não são numerus clausus; a expressão
“sem excluir outras reparações” constante da parte final do caput, repita-se, permite a inclusão de
outras verbas reparatórias de natureza patrimonial ou moral, decorrentes da morte da vítima.
O primeiro item – pagamento das despesas com tratamento da vítima, seu funeral e o luto da
família – abrange os danos emergentes de forma ampla, tais como despesas com internação
hospitalar, assistência médica, fornecimento de medicamentos etc. Se a vítima eventualmente
necessitar ser transportada de outra cidade ou mesmo país, inclui-se na indenização tudo o que foi
gasto com transporte, hospedagem e acompanhamento. No caso de ter a morte da vítima ocorrido,
por exemplo, em um acidente de veículos, a indenização deverá também abranger o valor do veículo
sinistrado; eventuais despesas de deslocamento, estadia e alimentação dos familiares ou parentes
próximos, e assim por diante. A toda evidencia, essas despesas deverão ser comprovadas por
documentos idôneos – recibos, faturas, orçamentos etc. Quando se trata de dano material, a tarefa do
juiz é facilitada pelas amplas possibilidades da prova técnica. Os peritos dispõem de meios para
oferecer ao juiz dados concretos, elementos objetivos, documentação apropriada. Com isso, é
possível fazer uma avaliação mais precisa do dano sofrido, apoiada em critérios que tenham lastro na
realidade. O período de duração da indenização é, como regra, a duração provável da vida da vítima.
Tem-se estabelecido, com base em tabelas elaboradas por entidades idôneas, entre 65 e 70 anos a
vida média do brasileiro. Assim, se a vítima falecer aos 45 anos, sua sobrevida provável seria de
mais 20 ou 25 anos, período em que a pensão será devida aos seus familiares. O Superior Tribunal de
Justiça tem adotado a Tabela de Sobrevida da Previdência Social.
CC - Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras
reparações:
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto
da família;
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em
conta a duração provável da vida da vítima.

 Lesão leve ou lesão grave


No caso de sofrer a vítima ferimento ou ofensa à saúde que lhe acarrete temporária ou
permanente redução da capacidade laborativa, como, por exemplo, perda de um braço, perna,
olho (arts. 949 e 950 do Código Civil), a indenização consistirá, além dos danos emergentes –
despesas de tratamento etc. –, em lucros cessantes até o fim da incapacidade, se temporária, ou,
se permanente, durante toda a sua sobrevida. Ressalte-se que aqui não há lugar para o critério
da sobrevida provável, só aplicável no caso de morte da vítima. A incapacidade laborativa, total
ou parcial, permanente ou temporária, deverá ser apurada por perícia médica (indispensável no caso)
e a indenização será fixada com base nos efetivos ganhos da vítima e na proporção da redução
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de sua capacidade laborativa. Na indenização deverá ser incluída verba para tratamento
especializado, quando necessário (fisioterapias, cirurgias) e para aquisição de aparelhos ortopédicos,
próteses, cadeira de rodas e afins.

CC - Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o


ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.
CC - Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer
o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização,
além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença,
incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou
da depreciação que ele sofreu.

Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização


seja arbitrada e paga de uma só vez.
 Pensão aos pais pela morte de filho – Termo final
Data em que a vítima completaria 65/76 anos (expectativa de vida do brasileiro ao tempo da
morte da vítima).
Redução de 50% após a dará em que a vítima completaria 25 anos (de 2/3 para 1/3 da renda
comprovada pela vítima ou do salário mínimo).
 Pensão a filho menor pela morte do pai – Termo final
Aos 25 anos do filho.
 Não compensação das indenizações previdenciária e comum
 13º salário
O 13º salário, ou gratificação natalina, deve integrar a pensão, salvo no caso de não ser a
vítima assalariada quando do seu falecimento, conforme firme entendimento do Superior Tribunal
de Justiça. Corrente doutrinária: Deve integrar.
 Correção monetária
STJ - Súmula n.º 43 Incide correção monetária sobre divida por ato ilícito a partir
da data do efetivo prejuízo.
STJ - Súmula n.º 362 A correção monetária do valor da indenização do dano moral
incide desde a data do arbitramento.

 Juros de mora
STJ – Súmula n.º 54 Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em
caso de responsabilidade extracontratual.

 Revisão do pensionamento
 Prescrição
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Prescrição: perda ou extinção da pretensão (poder de reagir contra a violação do


direito) e não do próprio direito subjetivo. Não é, pois, o direito subjetivo material, nem o direito
processual de ação que a prescrição atinge, mas sim a pretensão – poder de exigir a reparação do
dano ou a prestação que irá reparar o direito violado.
CC - Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue,
pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
Art. 206. Prescreve:
§ 3o Em três anos:
V - a pretensão de reparação civil;

Relação de consumo e Fazenda Pública: 5 anos (em regra).


2.4.1. Causas que impedem ou suspendem a prescrição
A prescrição tem por causa necessária a inércia do titular da pretensão, que deixa de
exercitá-la contra o obrigado durante longo tempo. Sendo assim, ninguém pode ser punido com a
perda da pretensão se estiver absolutamente impossibilitado de exercê-la. Prescrição e exigibilidade
são fenômenos indissociáveis, de sorte que só prescreve o que era exigível e não o foi. Se o direito
não socorre aos que dormem (dormientibus non sucurrit jus), nenhuma prescrição corre contra quem
não pode agir (contra non valentem agere nulla currit praescriptio). De regra, a prescrição inicia-se
com o nascer da pretensão, isto é, a partir do momento em que o titular do direito violado
possa exigir a reparação. Por isso o art. 189 do Código Civil estabelece como ponto de partida
da fluência do prazo prescricional o surgimento da pretensão provocada pela violação do
direito subjetivo do titular de uma obrigação. Entretanto, determinadas circunstâncias,
acontecimentos, situações fáticas, condições pessoais etc. podem impedir que a prescrição
comece a correr, ou que aquela já iniciada tenha prosseguimento. É o que a lei chama de causas
que impedem ou suspendem a prescrição, previstas nos arts. 197, 198 e 199 do Código Civil.
Todas essas causas têm em comum a força de impedir a fluência do prazo prescricional,
o que varia é o momento de sua ocorrência. Se o obstáculo é anterior ao momento em que o
prazo deveria começar a correr, funciona como impedimento da prescrição; se acontece já no
curso do respectivo prazo, qualifica-se como causa de suspensão ou de interrupção, conforme a
extensão do efeito sobre o tempo já transcorrido. As causas de impedimento ou suspensão
correspondem a três sortes de motivos: (i) as que se ligam à situação pessoal de ambas as partes da
relação jurídica (art. 197); (ii) as que se referem à situação pessoal de uma das partes da relação
jurídica (art. 198); (iii) as que se referem a circunstâncias objetivas ou materiais (art. 199). As
obrigações a termo, por exemplo, e as sob condição suspensiva não são exigíveis enquanto não
ocorre o vencimento previsto, ou não se verifica o implemento da condição. Por isso, não corre ainda
a prescrição, uma vez que esta se refere à pretensão, que só nasce depois que o obrigado viola a
obrigação. Se este momento ainda não chegou, o impedi- mento à prescrição é total (art. 199, I e II).
CC - Art. 197. Não corre a prescrição:
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou
curatela.
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CC - Art. 198. Também não corre a prescrição:


I - contra os incapazes de que trata o art. 3o;
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos
Municípios;
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.
CC - Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:
I - pendendo condição suspensiva;
II - não estando vencido o prazo;
III - pendendo ação de evicção.
CC - Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo
criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva.
CC - Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só
aproveitam os outros se a obrigação for indivisível.

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