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Ficha de trabalho 1

Nome ____________________________________________ Ano _________________ Turma _____________ N.o ________

Unidade 2 – Heterónimos de Fernando Pessoa – Álvaro de Campos

GRUPO I
Lê atentamente os poemas de Álvaro de Campos. Em seguida, segue as indicações e responde às questões
assinaladas, de forma clara, bem estruturada e fundamentada no texto.

1. Este poema não apresenta regularidade métrica ou estrófica. No entanto, obedece a certas regras de composição
*1.1. Identifique as repetições que lhe marcam o ritmo.

*1.2. Mostre como as sensações auditivas e as visuais nele são referidas, fundamentando a sua resposta.

2. *Explicite de que modos é sugerida, ao longo deste poema, a experiência da passagem do tempo.

3. *Indique um sentido possível do verso 17: «Os duplos passos em conversa falam-me».

4. *Descreva a imagem que o sujeito poético dá de si mesmo ao longo do poema.


B

1. * No poema, o sujeito poético evoca uma viagem de barco. Caracterize o espaço físico representado.

2. *Explicite os efeitos de ritmo e de sentido produzidos pela repetição da interjeição «Ah» (vv. 6,8,13,19,22).

3. *Interprete a comparação entre o «eu» e «um livro» (v. 12).

4. *Comente o sentido da alusão à infância (vv. 16-18).

5. *Explique por que razão o sujeito poético anseia por «esse momento, como por outros análogos» (v. 22).
C

1. *Indique as relações de sentido que se estabelecem entre os quatro primeiros versos.

2. *Explique como se concretiza a atitude de «deliberação do desleixo» (v. 5).

3. *Explicite dois valores expressivos da antítese «vestida» / «nu» (vv. 7 e 8).

4. *Caracterize os lugares representados pelos advérbios «lá» (v. 6) e «aqui» (v. 11).

5. *Comente a importância dos dois últimos versos no contexto global do poema.


D

Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo. 15 Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
São – tictac visível – quatro horas de tardar o dia. Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Abro a janela diretamente, no desespero da insónia. Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.
E, de repente, humano,
5 O quadrado com cruz de uma janela iluminada! Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!
Fraternidade na noite! Que fazes, camarada, da janela com luz?

Fraternidade involuntária, incógnita, na noite! 20 Sonho, falta de sono, vida?


Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia. Tom amarelo cheio da tua janela incógnita...
Dorme. Nós temos luz. Tem graça: não tens luz elétrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!
10 Quem serás? Doente, moedeiro falso1, insone2 simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita, Álvaro de Campos, Poesia, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes, 1 moedeiro falso: pessoa que falsifica moeda.
2 insone: pessoa que tem insónias.
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.

1. *Analise os sentimentos do «eu» expressos nas três primeiras estrofes.


2. *Refira a importância das sensações representadas no poema, transcrevendo os elementos do texto em que se
fundamenta.
3. *Apresente uma interpretação possível para os versos «A noite eterna, informe, infinita, / Só tem, neste lugar, (…) /
O coração latente das nossas duas luzes» (vv.11- 13), identificando um dos recursos estilísticos evidenciados.
4. *Explique o sentido da apóstrofe do último verso, tendo em conta a globalidade do poema.

E
Na casa defronte de mim e dos meus sonhos, Que grande felicidade não ser eu!
Que felicidade há sempre!
15 Mas os outros não sentirão assim também?
Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi. Quais outros? Não há outros.
São felizes, porque não são eu. O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,
Ou, quando se abre,
5 As crianças, que brincam às sacadas altas, É para as crianças brincarem na varanda de grades,
Vivem entre vasos de flores, 20 Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.
Sem dúvida, eternamente.
Os outros nunca sentem.
As vozes, que sobem do interior do doméstico, Quem sente somos nós,
Cantam sempre, sem dúvida. Sim, todos nós,
10 Sim, devem cantar. Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro. 25 Nada? Não sei...


Assim tem que ser onde tudo se ajusta — Um nada que dói...
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.
Álvaro de Campos, Poesias, Ática, 1993

sacadas (verso 5) - varandas pequenas

1. As sensações do sujeito poético são determinantes para a construção de uma certa ideia de quotidiano feliz. Identifique
duas sensações representadas nas quatro primeiras estrofes, citando elementos do texto para fundamentar a sua
resposta.
2. Caracterize o tempo da infância tal como é apresentado na terceira estrofe do poema.
3. Explique a relação que o sujeito poético estabelece com os «outros» nas seis primeiras estrofes do poema,
fundamentando a sua resposta em referências textuais pertinentes.
4. Relacione o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas duas estrofes anteriores.

Bom trabalho!
Profª Consolação Francisco

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