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NOÇÕES DE DIREITO

ADMINISTRATIVO
Lei n. 8.429/1992 - Improbidade
Administrativa

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
Diogo Surdi

Improbidade Administrativa............................................................................................4
1. Conceito de Improbidade e Disposições Constitucionais...............................................4
2. Sujeitos da Ação de Improbidade. ................................................................................5
2.1. Sujeitos Ativos..........................................................................................................6
2.2. Sujeitos Passivos................................................................................................... 10
3. Atos de Improbidade Administrativa.......................................................................... 11
3.1. Atos que Importam Enriquecimento Ilícito.............................................................. 13
3.2. Atos que Causam Prejuízo ao Erário.. ..................................................................... 14
3.3. Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública.......................... 15
3.4. Atos Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de Benefício Financeiro
ou Tributário.................................................................................................................. 16
4. Características dos Atos de Improbidade Administrativa.......................................... 16
5. Indisponibilidade dos Bens. ........................................................................................ 19
6. Penas Aplicáveis....................................................................................................... 21
7. Declaração de Bens...................................................................................................23
8. Procedimento Administrativo e Judicial.....................................................................24
9. Competência............................................................................................................ 30
10. Prescrição...............................................................................................................32
Resumo.........................................................................................................................35
Questões de Concurso...................................................................................................39
Gabarito........................................................................................................................67
Questões Comentadas. ................................................................................................. 68

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Olá, querido(a) aluno(a), tudo bem? Espero que sim!


Na aula de hoje, estudaremos um assunto que encontra a maior parte de sua base jurídica
em um dispositivo legal.
Trata-se da Improbidade Administrativa, cujas principais disposições estão expressas na
Lei n. 8.429/1992, de 1992.
Para uma completa compreensão acerca do assunto, a aula seguirá o seguinte formato:
a) Durante a exposição da parte teórica, teremos acesso a algumas questões comentadas
da banca organizadora.
b) Ao término da aula, os alunos terão acesso a diversas questões comentadas, todas da
banca responsável pela organização do concurso (FGV).
c) Por fim, teremos, ainda, algumas questões (com o gabarito) para fixação e treinamento.

Grande abraço e boa aula!


Diogo

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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
1. Conceito de Improbidade e Disposições Constitucionais

Para compreendermos as disposições concernentes à lei da improbidade administrativa,


devemos, em um primeiro momento, entender a origem da prática dos atos de improbidade.
Assim, devemos fazer menção ao princípio da moralidade, que, em sentido amplo, com-
porta os subprincípios da probidade, decoro e boa-fé. Como é sabido, a  moralidade é um
princípio constitucionalmente estabelecido, de forma a ser observado pelos órgãos e entida-
des de todos os entes federativos, independente de estarmos no âmbito do Poder Executivo,
Legislativo ou Judiciário.
Não respeitar a moralidade ou qualquer um de seus subprincípios acarreta a anulação do
ato administrativo praticado.

Nesse sentido, para conferir maior segurança ao respeito do subprincípio da probidade,


é que a Constituição Federal estabeleceu, em seu artigo 37, § 4º, as seguintes consequência
para a prática dos atos de improbidade:

Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

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Tal artigo, no entanto, trata-se de norma constitucional de eficácia limitada, carecendo,


quando da promulgação da Constituição Federal, de regulamentação para a produção de efei-
tos jurídicos.
Dessa forma, foi com a edição, em 1992, da Lei n. 8.429/1992, conhecida como Lei da
Improbidade Administrativa, que o legislador infraconstitucional estabeleceu as regras e pro-
cedimentos a serem observados quando da prática de atos de improbidade.
É importante salientar que a Lei n. 8.429/1992 é uma lei nacional, sendo, por isso mesmo,
de observância obrigatória por parte da administração direta e indireta de todos os entes fe-
derativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).
Todas as regras que iremos ver, a partir de agora, são oriundas do mencionado diploma
legal.

2. Sujeitos da Ação de Improbidade

Analisar os sujeitos ativo e passivo da Lei de Improbidade Administrativa é compreender


quais partes figuram no polo ativo e passivo da relação jurídica instaurada com o cometimen-
to da improbidade.
Ao passo que os sujeitos ativos são aqueles que podem vir a cometer atos de improbida-
de administrativa e a figurar no polo passivo da respectiva ação, os sujeitos passivos são as
pessoas jurídicas vítimas dos atos ímprobos, figurando, quando da instauração da ação de
improbidade, no polo ativo.

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2.1. Sujeitos Ativos


Os sujeitos ativos, como já mencionado, são as pessoas que podem vir a cometer atos
que sejam configurados como improbidade administrativa.
De acordo com o artigo 2º da Lei n. 8.429/1992, extraímos a relação de pessoas com vín-
culo com o Poder Público que podem vir a se tornar sujeito passivo da ação de improbidade.

Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoria-
mente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra
forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas
no artigo anterior.

Trata-se de um conceito extremamente amplo de agente público, de forma que mesmo


aqueles que exerçam suas atribuições em caráter transitório ou ainda que sem remuneração
são considerados, para efeitos legais, como possíveis sujeitos ativos.

Aprendendo na Prática
Jaime foi escolhido para ser jurado em um Tribunal do Júri, oportunidade em que desempe-
nhará uma função pública de caráter transitório e sem remuneração.
Caso Jaime pratique alguma das condutas elencadas como atos de improbidade adminis-
trativa, deverá, nos termos legais, ser responsabilizado com base nas disposições da Lei
n. 8.429/1992.

O conceito de sujeito ativo, entretanto, não compreende apenas as pessoas que tenham
algum tipo de vínculo com o Poder Público, abrangendo também as pessoas que, ainda que
não sejam titulares de cargo, emprego ou função pública, induzam ou concorram para a prá-
tica de improbidade administrativa.
Nesse sentido é a previsão da Lei n. 8.429/1992, conforme disposição do seu artigo 3º:

As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente pú-
blico, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer
forma direta ou indireta.

Assim, chegamos a constatação que duas são as classes de pessoas que podem figuram
como sujeito ativo dos atos de improbidade administrativa: os que mantenham algum vínculo

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com o Poder Público, ainda que transitório ou sem remuneração, e os particulares que indu-
zam ou concorram para a prática de improbidade.

No entanto, temos que fazer uma importante distinção no que se refere às duas

classes de pessoas que podem vir a figurar como sujeito ativo dos atos de impro-

bidade:
• Para que o agente público venha a figurar como sujeito ativo, basta que ele tenha agido
com dolo (intencionalmente) ou com culpa (por negligência, imperícia ou imprudência).
• Para que o particular (que tenha induzido ou concorrido para a improbidade) figurar
como sujeito ativo, faz-se necessário, obrigatoriamente, que ele tenha agido com dolo,
ou seja, que tenha havido a intenção do particular em cooperar para a improbidade.

Trata-se de uma regra que faz todo o sentido, uma vez que a participação do particular,
ainda que tenha sido de extrema importância para a caracterização da irregularidade, jamais
seria capaz, por si só, de gerar a improbidade administrativa. Para a configuração do ilícito,
faz-se necessária a existência de um elo de ligação com o serviço público, condição que é
preenchida pelo respectivo agente público.

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Jurisprudência para Concursos

Nesse sentido, já decidiu o STJ, no REsp 1155992, de seguinte teor:

1. Os arts. 1º e 3º da Lei n. 8.429/1992 são expressos ao prever a responsabilização


de todos, agentes públicos ou não, que induzam ou concorram para a prática do ato de
improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer forma, direta ou indireta.
2. Não figurando no polo passivo qualquer agente público, não há como o particular figu-
rar sozinho como réu em Ação de Improbidade Administrativa.

Durante muito tempo, a doutrina se dividia acerca da possibilidade de as pessoas jurídi-


cas virem a figurar como sujeito ativo dos atos de improbidade administrativa. Tal controvér-
sia foi sanada no julgamento do REsp 970.393, de autoria do STJ, que decidiu que as pessoas
jurídicas, tal como ocorre com os agentes públicos, podem perfeitamente concorrer para a
prática dos atos de improbidade.

Considerando que as pessoas jurídicas podem ser beneficiadas e condenadas por atos
ímprobos, é  de se concluir que, de forma correlata, podem figurar no polo passivo de
uma demanda de improbidade, ainda que desacompanhada de seus sócios.

Durante muito tempo, o  entendimento consolidado pelas bancas organizadoras era de


que as disposições da Lei de Improbidade Administrativa não se aplicavam aos agentes po-
líticos que estivessem sujeitos às disposições da Lei n. 1.079, de 1950 (Lei dos Crimes de
Responsabilidade).
Tal entendimento podia ser verificado, por exemplo, no âmbito da reclamação 2138-DF, de
autoria do STF:

Os atos de improbidade administrativa são tipificados como crime de responsabili-


dade na Lei n. 1.079/1950, delito de caráter político-administrativo. II. Distinção entre
os regimes de responsabilização político-administrativa. O sistema constitucional bra-
sileiro distingue o regime de responsabilidade dos agentes políticos dos demais agen-

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tes públicos. A Constituição não admite a concorrência entre dois regimes de respon-
sabilidade político-administrativa para os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 4º
(regulado pela Lei n. 8.429/1992) e o regime fixado no art. 102, I, c, (disciplinado pela Lei
n. 1.079/1950). Se a competência para processar e julgar a ação de improbidade (CF,
art. 37, § 4º) pudesse abranger também atos praticados pelos agentes políticos, subme-
tidos a regime de responsabilidade especial, ter-se-ia uma interpretação ab-rogante do
disposto no art. 102, I, c, da Constituição. II.

No mencionado julgado, o STF afirma a impossibilidade dos agentes públicos virem a ser
responsabilizados por dois regimes distintos. No caso em tela, afirmou-se que os Ministros
de Estado não responderiam pela prática de improbidade administrativa, com base nas dis-
posições da Lei n. 8.429/1992, uma vez que já se encontravam regidos pelas normas da Lei
n. 1.079.
Com a decisão, o STF diferenciou os atos de improbidade administrativa das condutas
que acarretam crime de responsabilidade, de forma que os agentes que encontram-se regi-
dos pelas disposições deste último regime (crime de responsabilidade) não podem respon-
dem por improbidade administrativa.
Contudo, em decisão histórica, proferida no final de 2015, o STF, em decisão unânime, in-
verteu a posição que até então defendia, assegurando que os agentes políticos estão sujeitos a
uma “dupla normatividade em matéria de improbidade, com objetivos distintos” Pet 3.923/SP.

Professor, isso significa que todos os agentes políticos estão sujeitos à dupla responsa-
bilização (por crime de responsabilidade e com base nas regras de improbidade adminis-
trativa)?

Quase todos! De acordo com o STF, em decisão proferida no AC 3585 AgR/RS, todos os agen-
tes políticos, com exceção do Presidente da República, estão sujeitos à dupla responsabilização.
A exceção ao Presidente da República ocorre na medida em que tal agente possui um
regramento para as ações de improbidade administrativa previsto na própria Constituição
Federal, que possui a seguinte redação:

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Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a
Constituição Federal e, especialmente, contra:
V – a probidade na administração;
Art.  86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos
Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações
penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

Para fins de prova, levaremos os seguintes entendimentos:


• Todos os agentes administrativos estão sujeitos às disposições da Lei n. 8.429/1992
no que se refere aos atos de improbidade administrativa.
• Os agentes políticos, de acordo com entendimento recente do STF, estão sujeitos a
uma dupla responsabilização: tanto por crime de responsabilidade quanto por atos de
improbidade administrativa.
• O Presidente da República, em caráter de exceção, não está sujeito a esta dupla res-
ponsabilização, mas sim apenas ao regramento estabelecido na Constituição Federal.

2.2. Sujeitos Passivos

Os sujeitos passivos, de maneira contrária, são as pessoas jurídicas que são lesadas pela
prática de improbidade administrativa, passando a figurar, quando da respectiva ação, no
polo ativo da demanda.
De acordo com a Lei n. 8.429/1992, são as seguintes as pessoas que podem figurar em tal
situação (extração do artigo 1º):
• Administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território;
• Empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou cus-
teio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimô-
nio ou da receita anual;

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• Entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão


público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou
concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitan-
do-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição
dos cofres públicos.

Tais entidades, conforme mencionado, são as que são lesadas com a prática de atos de
improbidade administrativa, vindo a figurar, no âmbito da relação processual instaurada com
a ação de improbidade, no polo ativo da demanda.
É importante salientar, nesse sentido, que o Ministério Público, ainda que não seja uma
das entidades relacionadas expressamente pela Lei n. 8.429/1992, pode figurar, tal como as
demais pessoas jurídicas, no polo ativo da ação.
O fundamento para tal atuação é a defesa, por parte do Ministério Público, dos interesses
públicos indisponíveis, conforme previsão no artigo 127 da Constituição Federal:

Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,


incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e indi-
viduais indisponíveis.

3. Atos de Improbidade Administrativa

A Lei n. 8.429/1992 apresenta, a depender da conduta do agente público ou de terceiros


relacionados, quatro espécies de atos de improbidade administrativa, sendo elas: atos que
importam em enriquecimento ilícito, atos que causam prejuízo ao erário, atos que atentam
contra os princípios da administração pública e atos que violam a legislação do ISS no que se
refere aos benefícios financeiros ou tributários.
A depender da configuração em cada uma das espécies, diversas sanções de natureza
administrativa, cível e política são aplicadas aos responsáveis.
Frisa-se que o conhecimento das ações de improbidade administrativa elencadas exem-
plificativamente pela Lei n. 8.429/1992 é um dos temas mais exigidos em provas de con-

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cursos públicos, sendo bastante comum as bancas apresentarem uma conduta ímproba e
exigirem do candidato qual a classificação com base na norma legal.
Assim, antes de conhecermos as condutas previstas no texto da Lei n. 8.429/1992, preci-
samos conhecer um método que possibilita a rápida resolução deste tipo de questão sem a
eventual necessidade de o candidato memorizar todas as condutas previstas em lei.
• Enriquecimento ilícito: o agente público é quem recebe vantagem indevida.
• Prejuízo ao erário: um terceiro (que não o agente público) recebe a vantagem ou alguma
norma prevista em lei ou regulamento não é observada.
• Violação aos princípios: situações que não geram, por si só, vantagem indevida ao
agente público ou a terceiros.
• Violação da legislação do ISS: situações relacionadas com benefícios financeiros ou
tributários.

Aprendendo na Prática
Caso um agente público utilize bens da administração pública para a realização de ativida-
des particulares, estamos diante de uma conduta que representa uma vantagem direta ao
servidor, uma vez que é ele que será beneficiado com a utilização dos bens. Logo, trata-se de
enriquecimento público.
Caso o agente público apenas permita que os bens da repartição sejam utilizados, em ativida-
des particulares, por terceiros, nota-se que não é o servidor quem está recebendo diretamente
a vantagem, mas sim um terceiro alheio ao serviço público. Neste caso, estamos diante de um
ato que causa prejuízo ao erário.
Caso o agente público, notificado pela administração, não preste suas contas no prazo legal,
estaremos diante de uma conduta que não causa, por si só, vantagem ao servidor ou a tercei-
ros. Por exclusão, estamos diante de um ato que atenta contra os princípios da administração
pública.

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3.1. Atos que Importam Enriquecimento Ilícito

Estabelece o artigo 9º da Lei n. 8.429/1992 uma série de condutas que resultam na mais
grave das espécies de improbidade administrativa:

Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qual-
quer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, em-
prego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1º desta lei, e notadamente:
I – receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem
econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem
tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão de-
corrente das atribuições do agente público;
II – perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou locação
de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1º por preço
superior ao valor de mercado;
III – perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou lo-
cação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de
mercado;
IV – utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qual-
quer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º
desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por
essas entidades;
V – receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar a exploração
ou a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer
outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;
VI – receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração
falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quanti-
dade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das
entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
VII – adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública,
bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do
agente público;
VIII – aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pes-
soa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omis-
são decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade;
IX – perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de
qualquer natureza;
X – receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de
ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado;
XI – incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes
do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

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XII – usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial
das entidades mencionadas no art. 1º desta lei.

3.2. Atos que Causam Prejuízo ao Erário

As condutas que são configuradas como prejuízo ao erário estão previstas, de forma
exemplificativa, no artigo 10 da Lei n. 8.429/1992.
Tais atos de improbidade administrativa possuem a peculiaridade de poder resultar tanto
de condutas omissivas quanto comissivas do agente público. Da mesma forma, podem dar
ensejo à lesão ao erário atos dolosos (com intenção) ou culposos (em que houve a imperícia,
a negligência ou a imprudência do agente estatal).

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
I – facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pes-
soa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das
entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
II – permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a
observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
III – doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins edu-
cativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades legais e regulamentares apli-
cáveis à espécie;
IV – permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qual-
quer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas,
por preço inferior ao de mercado;
V – permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao
de mercado;
VI – realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar
garantia insuficiente ou inidônea;
VII – conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;
VIII – frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para celebração de parcerias
com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los indevidamente;
IX – ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento;
X – agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à con-
servação do patrimônio público;

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XI – liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer
forma para a sua aplicação irregular;
XII – permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
XIII – permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades men-
cionadas no art. 1º desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros
contratados por essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos
por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentá-
ria, ou sem observar as formalidades previstas na lei.
XVI – facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio particular de
pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administra-
ção pública a entidades privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das forma-
lidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
XVII – permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas
ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidade privada mediante celebração
de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
XVIII – celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
XIX – agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de contas de par-
cerias firmadas pela administração pública com entidades privadas;
XX – liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas
sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação
irregular.
XXI – liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas
sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação
irregular.

3.3. Atos que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública

Por fim, temos os atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da
administração pública. Em tais situações, ainda que não tenha ocorrido a vantagem do agente pú-
blico ou de terceiros, certos princípios ou deveres do Poder Público deixaram de ser observados.
Relaciona-se abaixo tais condutas, com a menção ao princípio ou dever que deixou de ser
observado pelo agente público:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da adminis-
tração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

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I – praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de
competência; (Legalidade)
II – retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício; (Poder-Dever de Agir)
III – revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva perma-
necer em segredo; (Publicidade)
IV – negar publicidade aos atos oficiais; (Publicidade)
V – frustrar a licitude de concurso público; (Impessoalidade)
VI – deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo; (Probidade)
VII – revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação
oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou ser-
viço; (Publicidade)
VIII – descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parce-
rias firmadas pela administração pública com entidades privadas. (Legalidade)
IX – deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação. (Legalidade)
X – transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem
a prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo úni-
co do art. 24 da Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. (Legalidade)

3.4. Atos Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de


Benefício Financeiro ou Tributário

A Lei Complementar 157, de 2016, instituiu uma nova modalidade de atos de improbidade
administrativa.
De acordo com a Lei n. 8.429/1992, enquadra-se em tal modalidade qualquer ação ou
omissão destinada a conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário
ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar n. 116, de 31 de julho de
2003 (que é a norma relacionada com o ISS).

4. Características dos Atos de Improbidade Administrativa

Como se percebe, as quatro grandes espécies de atos de improbidade administrativa es-


tão hierarquizadas de acordo com a lesão sofrida pelo patrimônio público.
Dessa forma, sempre que um ato cause enriquecimento ilícito, ainda que possa recair em
outra hipótese de ilícito (prejuízo ao erário ou desobediência aos princípios da administra-
ção), será configurado como pertencente ao primeiro caso.

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Jurisprudência para Concursos

Nesse sentido, inclusive, já decidiu o STJ, conforme se observa do julgamento do Recurso


Especial 1.075.882, de seguinte teor:

1. A Lei de Improbidade Administrativa visa a tutela do patrimônio público e da mora-


lidade, impondo aos agentes públicos e aos particulares padrão de comportamento
probo, ou seja, honesto, íntegro, reto.
2. A Lei n. 8.429/1992 estabelece três modalidades de improbidade administrativa, pre-
vistas nos arts.  9º, 10 e 11, a  saber, respectivamente: enriquecimento ilícito, lesão ao
erário e violação aos princípios norteadores da Administração Pública.
3. A conduta prevista no art. 9º da LIA (enriquecimento ilícito) abrange, por sua ampli-
tude, as demais formas de improbidade estabelecidas nos artigos subsequentes. Desta
maneira, a violação aos princípios pode ser entendida, em comparação ao direito penal,
como “soldado de reserva”, sendo, aplicada, subsidiariamente, isto é, quando a conduta
ímproba não se subsume nas demais formas previstas.

Outro ponto importante se refere à necessidade da existência de dolo ou culpa para a carac-
terização de cada uma das hipóteses elencadas nas quatro espécies de atos de improbidade.
De acordo com a doutrina majoritária, as condutas que resultam em enriquecimento ilícito
ou em desrespeito aos princípios da administração pública necessitam, para a sua configura-
ção, da presença de dolo (intenção) do agente público para a sua configuração. Dessa forma,
a simples conduta culposa do agente não enseja a configuração de improbidade administra-
tiva nas espécies enriquecimento ilícito e lesão aos princípios da administração pública.
Nos casos de prejuízo ao erário, por sua vez, a improbidade estará configurada tanto nas hi-
póteses de dolo quanto nas condutas praticadas com simples culpa do agente público. Tal enten-
dimento está consubstanciado no julgamento do Recurso Especial 1.364.529, da lavra do STJ:

Para que seja configurado o ato de improbidade de que trata a Lei n. 8.429/1999, “é
necessária a demonstração do elemento subjetivo, consubstanciado pelo dolo para os
tipos previstos nos artigos 9º e 11 e, ao menos, pela culpa, nas hipóteses do artigo 10”.

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Sobre os atos de improbidade administrativa que causam enriquecimento ilícito ou lesão


ao erário, merecem destaque, ainda, alguns artigos da Lei n. 8.429:

Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de
terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano. (art. 5º)
No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou va-
lores acrescidos ao seu patrimônio. (art. 6º)

Tais artigos possuem o claro objetivo de evitar que uma possível omissão legislativa seja
alegada, pela parte que está respondendo pela prática de improbidade administrativa, como
forma de evitar o ressarcimento ao Poder Público ou a perda dos bens acrescidos ao patrimô-
nio quando da prática dos atos em questão.
Ainda, como forma de evitar que não haja o correto ressarcimento dos danos causados ao
Poder Público, o artigo 8º da mesma norma estabelece que

Art. 8º O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente
está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança”.

Tal regra encontra fundamento na obrigação do Estado em preservar o bem-estar coleti-


vo, garantindo que o interesse público seja preservado ante as práticas que tentam usufruir
indevidamente dos direitos indisponíveis da sociedade.

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Esclarecendo

Uma das principais finalidades do Estado é a garantia do bem-estar da população exis-


tente em seu território.
Como é a população, basicamente, quem financia, por meio do pagamento de tributos,
as atividades do Estado, quando ocorre uma prática de improbidade administrativa que causa
prejuízo ao Erário, é o próprio patrimônio coletivo que está sendo dilapidado.
Assim, cabe ao Estado, por meio da exigência de ressarcimento aos cofres públicos, a ma-
nutenção do patrimônio daqueles que financiam as suas atividades, qual seja, o povo.
Dessa forma, se algum agente público adquirir, ao longo de sua carreira no serviço pú-
blico, bens que são comprovadamente desproporcionais ao valor da sua remuneração, esta-
remos diante da prática de improbidade administrativa causadora de enriquecimento ilícito.
Nesta situação, caso tal agente venha a falecer, ocorrerá a transferência do patrimônio,
oportunidade em que os sucessores receberão a herança do agente ímprobo.
E, como boa parte dos bens transferidos foram adquiridos com base no ato de improbida-
de, uma vez que o Poder Público tome conhecimento da prática, poderá exigir dos herdeiros
a responsabilização, com base nas disposições da Lei n. 8.429/1992, até o limite dos valores
que foram transferidos.

5. Indisponibilidade dos Bens

Como anteriormente mencionado, o  artigo 37, §  4º, da Constituição Federal estabelece


uma série de consequências para os atos de improbidade administrativa, dentre as quais se
inclui a possibilidade da decretação da indisponibilidade dos bens.
Em sintonia com a disposição constitucional, a Lei n. 8.429/1992 estabelece, em seu arti-
go 7º, que a indisponibilidade dos bens será declarada sempre que o ato de improbidade ad-
ministrativa ficar caracterizado como enriquecimento ilícito ou lesão ao patrimônio público.

Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito,
caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público,
para a indisponibilidade dos bens do indiciado.

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A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o inte-
gral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.

É importante mencionarmos que a indisponibilidade dos bens não trata-se de uma espé-
cie de sanção, mas, sim, de medida cautelar que tem por finalidade assegurar que o indiciado
não dilapide o seu patrimônio antes que o Poder Público conclua o respectivo processo ad-
ministrativo.
De acordo com a doutrina majoritária, dois são os requisitos que devem estar presentes
para que seja possível a determinação da indisponibilidade dos bens no curso da ação de
improbidade administrativa, sendo eles o fumus boni juris e o periculum in mora.
O fumus boni juris consiste na probabilidade de os fatos imputados ao agente público
serem verossímeis. Isso não significa que o ato ímprobo deve estar cabalmente provado, uma
vez que tal pressuposto é averiguado por ocasião da sentença. O que deve existir é uma gran-
de possibilidade, no curso do processo administrativo, da ocorrência do ato de improbidade
administrativa.
O periculum in mora (também conhecido como perigo de dano iminente e irreparável) por
sua vez, refere-se à possibilidade daquele que está indiciado dilapidar o seu patrimônio, im-
possibilitando a devolução dos valores devidos aos cofres públicos.
Uma vez estando presentes estas duas características, a autoridade administrativa repre-
senta ao Ministério Público, que, analisando os fatos, requer ao juiz responsável pela ação a
decretação da indisponibilidade dos bens.
Ressalta-se que a possibilidade de decretação da indisponibilidade dos bens é privativa
do Poder Judiciário, não havendo que se falar na possibilidade de o Ministério Público atuar
desta forma.

Aprendendo na Prática
Álvaro foi indiciado pelo cometimento de ato de improbidade administrativa que configura
enriquecimento ilícito.

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Neste caso, a autoridade que está conduzindo o inquérito, verificando que é muito provável
que tenha ocorrido a improbidade (fumus boni juris), bem como que Álvaro está em vias de
dilapidar os seus bens (periculum in mora), representa ao Ministério Público, que, após anali-
sar os fatos, requer ao Poder Judiciário a decretação da indisponibilidade.

6. Penas Aplicáveis

Para cada uma das condutas que dão ensejo às quatro diferentes espécies de improbida-
de administrativa, a Lei n. 8.429/1992 apresenta uma série de sanções de natureza adminis-
trativa, civil e política.
Tais sanções estão hierarquizadas de acordo com a gravidade da conduta, de forma que
as ações que ensejam enriquecimento ilícito possuem como consequência as sanções mais
graves, as que ensejam lesão ao patrimônio público possuem sanções intermediárias e as
que atentam contra os princípios da administração pública, por sua vez, possuem as sanções
de menor gravidade.
As sanções de natureza civil são aquelas que implicam na obrigação de pagar ou devolver
algo ao poder público. De acordo com as normas da Lei n. 8.429/1992, são as seguintes:
• ressarcimento ao Erário;
• perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;
• multa.

As sanções de natureza política são aquelas que implicam em restrições aos direitos po-
líticos, sendo, nos termos do dispositivo legal, uma só:
• suspensão dos direitos políticos;

Por fim, as sanções administrativas são aquelas que implicam na impossibilidade de ser
mantido vínculo com a administração pública, sendo elas:
• perda da função pública;
• proibição de contratar com o Poder Público;
• proibição de receber incentivos fiscais ou creditícios por parte do Poder Público;

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Cível Administrativa Política


Ressarcimento ao erário. Perda da função pública. Suspensão dos direitos políticos.
Perda dos bens e valores acresci- Proibição de contratar com o Poder
dos ilicitamente ao patrimônio. Público.
Proibição de receber incentivos Proibição de receber incentivos
fiscais ou creditícios do Poder fiscais ou creditícios por parte do
Público. Poder Público.

Tais sanções, independentemente da natureza (administrativa, civil e política), são gradu-


adas, conforme já mencionado, de acordo com a gravidade da conduta praticada pelo agente
público ou por terceiro, conforme se extrai do artigo 12 da Lei n. 8.429:

Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica,


está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser apli-
cadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato (...)

Ato de Improbidade Sanção Política Sanção Cível Sanção Administrativa


Suspensão dos direitos Pagamento de multa de Proibição de contratar
Enriquecimento Ilícito políticos de 8 a 10 anos até 3 vezes o valor do ou receber benefícios do
acréscimo Poder Público por 10 anos
Suspensão dos direitos Pagamento de multa Proibição de contratar
Dano causado ao Erário políticos de 5 a 8 anos de até 2 vezes o valor ou receber benefícios do
do dano Poder Público por 5 anos
Suspensão dos direitos Pagamento de multa Proibição de contratar
Não obediência aos políticos de 3 a 5 anos civil de até 100 vezes o ou receber benefícios do
princípios valor da remuneração do Poder Público por 3 anos
agente
Violação relacionada Suspensão dos direitos Pagamento de multa civil
com benefício financeiro políticos de 5 a 8 anos de até 3 vezes o valor do
ou tributário contrário à benefício financeiro ou
norma do ISS tributário concedido

No que se refere à perda da função pública e à suspensão dos direitos políticos, tais san-
ções só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória.
A aplicação das sanções previstas na Lei n. 8.429/1992 independe, conforme previsão do
artigo 21, dos seguintes fatores:

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I – da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento;
II – da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conse-
lho de Contas.

Aprendendo na Prática
A circunstância das contas de determinado agente público ou do órgão onde este desempenha
suas atribuições terem sido aprovadas pelos tribunais ou conselhos de contas não impede
que, diante de provas, seja o respectivo agente responsabilizado pela prática de improbidade.
Isso ocorre porque os tribunais e conselhos, em determinadas situações, não conseguem
detectar que houve a prática de improbidade.
Da mesma forma, ainda que não haja dano ao patrimônio público, poderá o agente público
ou terceira pessoa ser responsabilizado pela prática de improbidade, situação que ocorre, por
exemplo, com a violação dos princípios da administração pública.
A única ressalva, nesta última situação, fica por conta da pena de ressarcimento, ou seja, para
que o agente seja obrigado a ressarcir o erário, deverá obrigatoriamente ser comprovado que
houve dano ao Poder Público.

7. Declaração de Bens

Dois são os momentos distintos, de acordo com a lei de improbidade, em que o agente
público deve demonstrar a sua declaração de bens: na posse e no exercício da função pública.
Assim, ao  ser empossado, o  agora servidor deve apresentar a declaração de todos os
bens que constituem o seu patrimônio, incluindo imóveis, móveis, semoventes, dinheiros, tí-
tulos, ações, e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais, localizado no país ou no
exterior. Quando for o caso, a declaração deverá abranger os bens e valores patrimoniais do
cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência eco-
nômica do declarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso doméstico.
Posteriormente, a cada ano, o agente público deve demonstrar a mesma declaração, até
que ocorra a sua saída do respectivo cargo, mandato, emprego ou função.

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A ideia de tal medida é propiciar que a autoridade administrativa verifique a evolução pa-
trimonial do agente público, uma vez que esta, quando incompatível com a soma das remu-
nerações do servidor, é um dos principais indícios de improbidade administrativa.
Como forma de simplificar a comprovação dos valores, o agente público poderá entregar,
anualmente, cópia de sua declaração do Imposto de Renda à repartição pública.
Caso o agente não cumpra com a obrigação de apresentar os bens que compõem o seu
patrimônio, ou então apresente declaração falsa, teremos, nos termos do § 3º do artigo 13 da
Lei n. 8.429/1992, a demissão a bem do serviço público, sem prejuízo das demais sanções
previstas em lei.

§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras san-
ções cabíveis, o  agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo
determinado, ou que a prestar falsa.

8. Procedimento Administrativo e Judicial

A Lei n. 8.429/1992 também estabelece regras processuais a serem observadas no âm-


bito do procedimento administrativo e do processo judicial destinado a verificar a ocorrência
de improbidade administrativa.
Inicialmente, tem-se que qualquer pessoa é parte competente para representar à autori-
dade administrativa solicitando a instauração das investigações necessárias para a apuração
da Improbidade Administrativa.
Caso, no entanto, alguém representar contra agente público ou terceiro e já souber, de
antemão, que tais pessoas são inocentes, incorrerá em crime, devendo responder com a pena

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de detenção, de 6 a 10 meses, e multa. Além disso, será obrigado a indenizar o denunciado


pelos danos materiais, morais e à imagem.
A representação deverá ser formulada por escrito ou reduzida a termo, possuindo, ainda,
a qualificação e demais dados do denunciante.
Atendidos todos os pressupostos legais, a  autoridade competente tem a obrigação de
instaurar o competente procedimento administrativo disciplinar, que será regido pelo estatuto
de cada categoria funcional. No âmbito da União, as regras a serem observadas estão previs-
tas na Lei n. 8.112/1990.
Neste ponto, merece destaque o fato da Lei n. 8.429/1992 ser uma norma de natureza
cível, viabilizando a aplicação de sanções de natureza extrapenal, ou seja, aquelas que não
estão tipificadas como crime. Tal característica não inviabiliza a aplicação de sanções de na-
tureza penal ante a prática de improbidade administrativa. Para que isso ocorra, as condutas
previstas na norma em estudo devem estar tipificadas, também, como crime.
Da mesma forma, a aplicação de qualquer uma das sanções previstas na Lei de Impro-
bidade Administrativa é competência privativa do Poder Judiciário, conforme se observa da
decisão do STF no âmbito do RMS 24699/DF, de seguinte teor:

Jurisprudência para Concursos

Ato de improbidade: a aplicação das penalidades previstas na Lei n. 8.429/1992 não


incumbe à Administração, eis que privativa do Poder Judiciário. Verificada a prática
de atos de improbidade no âmbito administrativo, caberia representação ao Ministério
Público para ajuizamento da competente ação, não a aplicação da pena de demissão.

Assim, ainda que a autoridade administrativa seja competente para a apuração das even-
tuais faltas funcionais cometidas pelos servidores públicos, quando a conduta em questão
ficar caracterizada como improbidade, não poderá a autoridade administrativa aplicar a pe-
nalidade, devendo formular representação junto ao Ministério Público, que representará ao
Poder Judiciário para o ajuizamento da ação e o ajuizamento da ação e consequente aplica-
ção da penalidade.

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Aprendendo na Prática
Elias, servidor público federal, praticou infração disciplinar que restou configurada como vio-
lação dos deveres previstos no estatuto dos servidores e como improbidade administrativa.
Nesta situação, a autoridade administrativa competente deve instaurar processo administra-
tivo disciplinar para a investigação da situação. Tendo sido verificada a ocorrência das duas
infrações, a autoridade deve proceder da seguinte forma:
No que se refere à infração prevista no estatuto dos servidores, deve aplicar a penalidade
de acordo com as disposições da mencionada norma, sem necessidade de acionar o Poder
Judiciário.
Com relação à infração de improbidade administrativa, a  autoridade não poderá aplicar a
penalidade prevista no estatuto, devendo acionar, por meio do Ministério Público, o  Poder
Judiciário, que será competente para aplicar a penalidade prevista na Lei n. 8.429/1992.

Em todas as ações destinadas à apuração da prática de improbidade administrativa, obri-


gatoriamente deverá haver a participação do Ministério Público, conforme estabelecido no
artigo 17, § 4º, da Lei n. 8.429/1992:

O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará obrigatoriamente, como fiscal
da lei, sob pena de nulidade.

E o Ministério Público tem um papel extremamente importante nas ações de improbidade.


Tanto o é que o artigo 15 da norma em análise determina que a autoridade competente dê co-
nhecimento ao órgão e aos Tribunais ou Conselhos de contas da existência do procedimento
administrativo destinado a apurar as condutas de improbidade.
Da mesma forma, quando houver indícios fundados de responsabilidade, a comissão que
estiver instruindo o processo comunicará ao Ministério Público sobre tal fato, de forma que
sejam sequestrados os bens suficientes para garantir o provável valor do dano.
Vejamos o teor de tais disposições, de acordo com o texto da Lei n. 8.429:

Havendo fundados indícios de responsabilidade, a  comissão representará ao Ministério Público


ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do sequestro dos
bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio
público. (art. 16)

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Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancá-
rias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados
internacionais. (art. 16, § 2º)

Nestas situações, conforme já mencionado, estamos diante de medidas de caráter caute-


lar, se forma a impedir que o patrimônio do indiciado seja dilapidado (vendido ou transferido
a outras pessoas) e que o Poder Público, como consequência, deixe de ser ressarcido pelos
prejuízos devidos.
Importante julgado do STJ (REsp 1.771.440) dispõe que a indisponibilidade em questão
poderá se dar em valor superior ao da respectiva ação de improbidade, bem como sobre bens
adquiridos antes da prática do ato improbo.

Jurisprudência para Concursos

É pacífica no Superior Tribunal de Justiça a orientação de que a medida constritiva deve


recair sobre o patrimônio dos réus em ação de improbidade administrativa, de modo
suficiente a garantir o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário, levando-se
em consideração, ainda, o valor de possível multa civil como sanção autônoma.
A indisponibilidade acautelatória prevista na Lei de Improbidade Administrativa tem
como finalidade a reparação integral dos danos que porventura tenham sido causa-
dos ao erário; trata-se de medida preparatória da responsabilidade patrimonial, repre-
sentando, em essência, a  afetação de todos os bens necessários ao ressarcimento,
podendo, por tal razão, atingir quaisquer bens ainda que adquiridos anteriormente ao
suposto ato de improbidade.

Temos que cuidar, no entanto, para não confundirmos tais situações com a impossibili-
dade (já pacífica no âmbito do STJ) de responsabilização por atos cometidos anteriormente
à vigência da Lei n. 8.429/1992 (que ocorreu em 03/06/1992), e, por consequência, da própria
Constituição Federal de 1988.
Nesse sentido, temos a importante decisão do REsp 1129121, de 2013:

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
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Jurisprudência para Concursos

LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA A FATOS POSTERIO-


RES À EDIÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. IMPOSSIBILIDADE.
1. A  Lei de Improbidade Administrativa não pode ser aplicada retroativamente para
alcançar fatos anteriores a sua vigência, ainda que ocorridos após a edição da Consti-
tuição Federal de 1988.
2. A observância da garantia constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, esteio
da segurança jurídica e das garantias do cidadão, não impede a reparação do dano ao
erário, tendo em vista que, de há muito, o princípio da responsabilidade subjetiva se acha
incrustado em nosso sistema jurídico. 3. Consoante iterativa jurisprudência desta Corte,
a condenação do Parquet ao pagamento de honorários advocatícios no âmbito de ação
civil pública está condicionada à demonstração de inequívoca má-fé, o que não ocorreu
no caso. 4. Recurso especial provido em parte, apenas para afastar a condenação do
recorrente em honorários advocatícios.

Aprendendo na Prática
Se estivermos diante de uma conduta prevista na Lei n. 8.429/1992 como improbidade admi-
nistrativa, mas que foi praticada, por exemplo, no mês de dezembro de 1991, não poderá haver
a responsabilização por tal prática, uma vez que a Lei n. 8.429/1992 apenas entrou em vigor
em meados de 1992.
Assim, ainda que a Constituição Federal de 1988 já estivesse em vigor, não há que se falar em
responsabilização com base em uma norma legal que apenas foi publicada posteriormente à
prática de improbidade administrativa.

Outra forma de medida cautelar é o afastamento do servidor, com remuneração, quando


tal providência se fizer necessária para a melhor instrução processual. Em tais situações,
ainda que o servidor seja afastado com remuneração, o que é levado em conta é a necessida-
de da apuração de uma possível prática de improbidade, dano que envolveria a coletividade
como um todo.
Afastando o servidor do desempenho das suas atribuições, pode a comissão processante
desempenhar suas atividades com maior imparcialidade e eficiência.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
Diogo Surdi

A possibilidade da adoção desta medida está prevista no parágrafo único do artigo 20 da


Lei n. 8.429/1992, de seguinte teor:

A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente


público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida
se fizer necessária à instrução processual.

A ação destinada a apurar a prática de improbidade administrativa será processada de


acordo com o rito ordinário, podendo ser proposta, pelo Ministério Público ou pelas pessoas
jurídicas interessadas, no prazo de 30 dias da efetivação da medida cautelar.
Importante destacar que, com a edição da Lei n. 13.964/2019, passamos a contar com a
possibilidade de celebração de acordo de não persecução cível.
Nesse sentido, em caso de possibilidade de solução consensual, poderão as partes re-
querer ao Juiz a interrupção do prazo para a realização da contestação por até 90 dias.

Art. 17, § 10-A. Havendo a possibilidade de solução consensual, poderão as partes requerer ao juiz
a interrupção do prazo para a contestação, por prazo não superior a 90 (noventa) dias.

As demais regras processuais, no âmbito da ação de improbidade administrativa, podem


ser resumidas da seguinte forma:
• Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do
requerido, para oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com docu-
mentos e justificações, dentro do prazo de quinze dias.
• Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão fundamentada, re-
jeitará a ação, se convencido da inexistência do ato de improbidade, da improcedência
da ação ou da inadequação da via eleita.
• Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar contestação.
• Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento.
• Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação de improbidade,
o juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
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• Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta
Lei o disposto no art. 221, caput e § 1º, do Código de Processo Penal.
• A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda
dos bens havidos ilicitamente determinará o pagamento ou a reversão dos bens, con-
forme o caso, em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito.

9. Competência

A competência para o julgamento das ações de improbidade administrativa é tema que


não está pacificando na doutrina. O motivo das inúmeras controvérsias dos tribunais supe-
riores está na possibilidade ou não de aplicação do foro por prerrogativa de função no âmbito
das ações em questão.
Basicamente, o foro por prerrogativa de função (ou foro privilegiado) trata-se de uma prer-
rogativa concedida a certas autoridades detentoras de poder, tais como os Parlamentares,
os Magistrados e os Chefes do Poder Executivo. Estas autoridades possuem o direito (prerro-
gativa) de serem processadas e julgadas, no âmbito das ações de natureza penal, por tribu-
nais e juízes especializados, escapando assim do julgamento da justiça comum.
Inicialmente, o entendimento do STF sempre foi no sentido de que o foro por prerrogativa
de função tratava-se de prerrogativa que apenas poderia ser exercida no âmbito das ações
de natureza penal, dentre as quais não se inclui a ação de improbidade administrativa, de
natureza civil.
Da mesma forma, o entendimento do tribunal em questão era no sentido de que tal prerro-
gativa apenas poderia ser exercida enquanto o seu titular estivesse no exercício no mandato,
não se estendendo, por conseguinte, após a quebra de tal vínculo com o Estado.
De acordo com tais entendimentos, e considerando que a ação de improbidade adminis-
trativa é de natureza cível, a competência para processar e julgar sempre foi atribuída ao juiz
comum de primeiro grau.

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Com a entrada em vigor da Lei n. 10.628, em 2002, diversos artigos do Código de Processo
Penal foram alterados, de forma que passou a existir, em nosso ordenamento, a possibilidade
do foro por prerrogativa de função ser estendido para as ações de improbidade administrativa.
Não demorou para a questão chegar no STF, que, por meio da ADIN 2.797, manifestou seu
entendimento de que não era possível ao legislador ordinário impor um entendimento contrá-
rio ao até então esposado pelo tribunal superior.
A grande controvérsia surgiu, no entanto, quando o mesmo tribunal decidiu, no julgamen-
to da Questão de Ordem 3.211/DF, que caberia a ele próprio (STF) o julgamento das ações de
improbidade administrativa contra seus próprios membros:

1. Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar ação de improbidade contra seus membros.
2. Arquivamento da ação quanto ao Ministro da Suprema Corte e remessa dos autos ao Juízo de 1º
grau de jurisdição no tocante aos demais.

Não obstante a decisão do STF, o entendimento que deve ser levado para as provas de con-
cursos é o de que é competente para o processamento e julgamento das ações de improbida-
de administrativa o juiz ordinário comum de primeiro grau.
Caso a banca exija o conhecimento do posicionamento do STF, vindo a exigir a literalidade da
ementa expressa na Questão de Ordem 3.211, deve-se entender que, de acordo com a Supre-
ma Corte, cabe ao STF julgar seus membros nas ações de improbidade.
Da mesma forma, deve-se seguir o entendimento anterior do STF no que se refere a não pos-
sibilidade da aplicação do foro por prerrogativa de função no âmbito de ações de natureza
cível ou após o término do exercício do mandato ou cargo.

Tais entendimentos podem ser sedimentados da seguinte forma:


• As ações de improbidade administrativa possuem natureza cível, devendo ser proces-
sadas e julgadas pelos juízes de primeiro grau.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
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• O STF possui entendimento de que cabe a ele processar e julgar, nas ações de improbi-
dade administrativa, seus próprios ministros.
• O foro por prerrogativa de função não é aplicado nas ações de natureza civil, mas sim
apenas nas de natureza penal.
• O foro por prerrogativa de função não é aplicado após o término do cargo ou do man-
dato do agente público.

10. Prescrição

Tal como ocorre com as demais penalidades aplicáveis no âmbito do Direito Administra-
tivo, as  sanções previstas como consequência pela prática de improbidade administrativa
apenas podem ser propostas até um determinado período de tempo, após o qual ocorrerá a
prescrição e a impossibilidade da penalização ao agente público ou ao terceiro beneficiado.
Tal lapso temporal, no âmbito da Lei n. 8.429/1992, está previsto no artigo 23, que assim
dispõe:

As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I – até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança;
II – dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
III – até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final
pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1º desta Lei.

Aprendendo na Prática
Afonso foi eleito vereador de um pequeno município. Caso ele venha a cometer, no curso do
seu mandato, algum ato que configure improbidade administrativa, poderá o Poder Público
propor as medidas necessárias à responsabilização de Afonso no prazo de 5 anos após o tér-
mino do seu mandato.

Não podemos confundir o prazo prescricional previsto na Lei n. 8.429/1992 com a pos-
sibilidade do ressarcimento aos cofres públicos pela prática de improbidade administrativa.

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Nos termos do artigo 37, § 5º, da Constituição Federal, as ações de ressarcimento de pre-
juízos causados ao erário, quando decorrentes de improbidade administrativa, são imprescri-
tíveis, podendo ser propostas a qualquer tempo.

A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou
não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

O fundamento para tal possibilidade, conforme já mencionado diversas vezes, é a indispo-
nibilidade do interesse público que permeia toda a atividade do Poder Público.
Dessa forma, como a administração apenas gere a coisa alheia (que pertence ao povo),
as ações de ressarcimento de prejuízos causados aos cofres públicos é, em última análise,
o ressarcimento dos danos causados à própria coletividade.
A imprescritibilidade das ações de ressarcimentos decorrentes de ilícitos civis, contudo,
sofreu alterações após o julgamento do Recurso Extraordinário 669069, realizado pelo STF
em fevereiro de 2016.
Se até o aquele momento todas as ações de ressarcimento decorrentes de ilícitos cíveis
eram pacificamente consideradas imprescritíveis, a jurisprudência, após o julgado em ques-
tão, inclina-se no sentido de admitir que as ações de ressarcimento, salvo as hipóteses ex-
pressamente ressalvadas, são prescritíveis.

Jurisprudência para Concursos

RE 669069/MG, rel. Min. Teori Zavascki, 3.2.2016. (RE-669069)


É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil.
Esse o entendimento do Plenário, que em conclusão de julgamento e por maioria, negou
provimento a recurso extraordinário em que discutido o alcance da imprescritibilidade
da pretensão de ressarcimento ao erário prevista no § 5º do art. 37 da CF (“§ 5º – A lei
estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, ser-
vidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de res-
sarcimento”).
A Corte pontuou que a situação em exame não trataria de imprescritibilidade no tocante
a improbidade e tampouco envolveria matéria criminal.

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Com base neste importante julgado, devemos levar para a prova as seguintes informações:
a) A ação de ressarcimento não mais é imprescritível para todos os danos decorrentes de
ilícitos civis.
b) No caso de ilícito civil decorrente de improbidade administrativa ou que envolva matéria
criminal, a ação de ressarcimento continua sendo imprescritível, podendo o Estado ajuizar o
ressarcimento a qualquer tempo.
c) Não há, ainda, uma definição acerca do prazo prescricional para as demais ações de res-
sarcimento (aquelas que não são decorrentes de improbidade ou de matéria criminal). Ainda
assim, uma eventual questão de prova cobrando o assunto deve ter como resposta o prazo
de 5 anos.
O prazo prescricional para o ajuizamento das ações decorrentes de improbidade administra-
tiva pode ser mais bem visualizado no quadro abaixo:

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RESUMO

• O princípio constitucional da moralidade compreende os subprincípios da probidade,


decoro e boa-fé. Violar a moralidade ou qualquer um dos seus subprincípios implica na
anulação do respectivo ato administrativo.
• Estabelece a Constituição Federal, em seu artigo 37, § 4º, que os atos de improbidade
administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a  perda da função pú-
blica, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
• Tal disposição trata-se de uma norma de eficácia limitada, carecendo de regulamenta-
ção para a produção de efeitos jurídicos.
• Com a edição da Lei n. 8.429, ocorrida em 1992, passamos a contar com a possibilida-
de de responsabilização pela prática de atos de improbidade administrativa.
• Os sujeitos ativos são aqueles que cometem o ato ímprobo, passando a figurar, quando
da ação de improbidade, no posso passivo da demanda.
• De acordo com as disposições da Lei n. 8.429/1992, podem ser sujeitos ativos os agen-
tes públicos ou terceiros sem vínculo com o Poder Público. Neste último caso, faz-se
necessário a presença de um elo de ligação com o serviço público. Dessa forma, o par-
ticular, por si só, é incapaz de causar improbidade administrativa.
• Todos os agentes administrativos estão sujeitos às disposições da Lei n. 8.429/1992
no que se refere aos atos de improbidade administrativa.
• Os agentes políticos, de acordo com entendimento recente do STF, estão sujeitos a
uma dupla responsabilização: tanto por crime de responsabilidade quanto por atos de
improbidade administrativa.
• O Presidente da República, em caráter de exceção, não está sujeito a esta dupla res-
ponsabilização, mas sim apenas ao regramento estabelecido na Constituição Federal.
• O conceito de agente público adotado é o mais amplo possível, abrangendo inclusive
aqueles que exerçam suas atribuições sem remuneração ou em caráter temporário.

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• Nem todos os agentes públicos estão sujeitos às disposições de Lei n. 8.429/1992.


Exemplo disso são alguns dos agentes políticos, tal como os Ministros de Estado, que
estão regidos pelas disposições do crime de responsabilidade.
• Ainda que alguns dos agentes políticos também se submetam às disposições da Lei de
Improbidade Administrativa, as bancas organizadoras, em diversas oportunidades, ge-
neralizam ao afirmar que todos os agentes políticos não estão abrangidos pelo regime
de improbidade administrativa.
• As pessoas jurídicas também podem ser sujeito ativo pela prática de improbidade.
• Os sujeitos passivos são as pessoas que sofrem com os atos de improbidade adminis-
trativa, figurando, quando da competente ação, no polo ativo da demanda.
• A Lei n. 8.429/1992 apresenta, a depender da conduta do agente público ou de terceiros
relacionados, quatro espécies de atos de improbidade administrativa, sendo elas: atos
que importam em enriquecimento ilícito, atos que causam prejuízo ao erário, atos que
atentam contra os princípios da administração pública e ato que viole a legislação do
ISS no que se refere à concessão e aplicação de benefício financeiro ou tributário.
• No caso de enriquecimento ilícito, o agente público é quem obtêm a vantagem indevida
de forma direta.
• No caso de atos que causem prejuízo ao erário, o agente público apenas permite que
um terceiro receba a vantagem indevida. Também são casos de prejuízo ao erário a
falta de observância das normas previstas em lei ou regulamento.
• As situações de desrespeito aos princípios da administração pública são hipóteses em
que o agente público não observa, nas suas condutas, os postulados norteadores da
atividade administrativa.
• Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder,
aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõe a legislação
do ISS.
• Para cada espécie de atos de improbidade administrativa, temos sanções de natureza
cível, administrativa e política, que podem ser melhor visualizadas por meio do seguinte
quadro:

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Ato de Improbidade Sanção Política Sanção Cível Sanção Administrativa


Suspensão dos direitos Pagamento de multa de Proibição de contratar ou
Enriquecimento Ilícito políticos de 8 a 10 anos até 3 vezes o valor do receber benefícios do Poder
acréscimo Público por 10 anos
Suspensão dos direitos Pagamento de multa Proibição de contratar ou
Dano causado ao
políticos de 5 a 8 anos de até 2 vezes o valor receber benefícios do Poder
Erário
do dano Público por 5 anos
Suspensão dos direitos Pagamento de multa Proibição de contratar ou
Não obediência aos políticos de 3 a 5 anos civil de até 100 vezes o receber benefícios do Poder
princípios valor da remuneração do Público por 3 anos
agente
Violação relacionada Suspensão dos direitos Pagamento de multa civil
com benefício políticos de 5 a 8 anos de até 3 vezes o valor do
financeiro ou tributário benefício financeiro ou
contrário à norma tributário concedido
do ISS

• Nos casos de enriquecimento ilícito ou de desrespeito aos princípios da administração


pública, faz-se necessário a presença de dolo (intenção) para a sua configuração.
• Nos casos de prejuízo ao erário, a configuração ocorrerá quando houver dolo ou culpa.
• Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriqueci-
mento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar
ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado.
• A indisponibilidade dos bens não trata-se de uma espécie de sanção, mas sim de me-
dida cautelar que tem por finalidade assegurar que o indiciado não dilapide o seu patri-
mônio antes que o Poder Público conclua o respectivo processo administrativo.
• A indisponibilidade dos bens poderá ocorrer em valor superior ao da respectiva ação de
improbidade, bem como sobre bens adquiridos antes da prática do ato improbo.
• Dois são os momentos distintos, de acordo com a lei de improbidade, em que o agente
público deve demonstrar a sua declaração de bens: na posse e, anualmente, no exercí-
cio da função pública.
• Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, den-
tro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

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• Ainda que a Lei n. 8.429/1992 apresente as diretrizes a serem observadas no âmbito da


investigação destinada a apuar o cometimento de improbidade, a aplicação das penali-
dades previstas na norma é competência exclusiva do Poder Judiciário.
• O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará obrigatoriamente,
como fiscal da lei, sob pena de nulidade.
• De acordo com o entendimento dos tribunais superiores, não poderá ocorrer a respon-
sabilização pela prática de improbidade administrativa com base em atos cometidos
antes da entrada em vigor da Lei n. 8.429/1992, ainda que tais atos tenham sido come-
tidos na vigência da Constituição Federal de 1988.
• As ações de improbidade administrativa possuem natureza cível, devendo ser proces-
sadas e julgadas pelos juízes de primeiro grau.
• O STF possui entendimento de que cabe a ele processar e julgar, nas ações de improbi-
dade administrativa, seus próprios ministros.
• O foro por prerrogativa de função não é aplicado nas ações de natureza civil, mas sim
apenas nas de natureza penal.
• A Lei n. 8.429/1992 apresenta um prazo prescricional para a propositura das ações de
improbidade. Tal regra, no entanto, não se aplica para as ações de ressarcimento, que,
em sintonia com o princípio da indisponibilidade do interesse público, são imprescrití-
veis para os atos decorrentes de improbidade administrativa.

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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1 (FGV/PREF NITERÓI/2015) Fernando, servidor público municipal, no exercício da
função inerente ao seu cargo efetivo de Fiscal de Tributos, agiu negligentemente na arrecada-
ção de tributo municipal. De acordo com a Lei n. 8.429/1992, em tese, Fernando:
a) não praticou ato de improbidade administrativa, para cuja configuração é imprescindível
conduta dolosa;
b) não praticou ato de improbidade administrativa, porque não se beneficiou direta e econo-
micamente;
c) não praticou ato de improbidade administrativa, devendo apenas ser responsabilizado em
âmbito disciplinar;
d) deve ser condenado, mediante processo administrativo, às sanções previstas na citada lei,
por ter praticado ato de improbidade administrativa;
e) deve ser condenado, mediante processo judicial de natureza cível, às sanções previstas na
citada lei, por ter praticado ato de improbidade administrativa.

Questão 2 (FGV/PREF CUIABÁ/2016) Patrícia, enfermeira sem vínculo estatutário com a


Administração Pública e ocupante de cargo em comissão na Secretaria Municipal de Saúde,
deixa de prestar contas às quais estava, por lei, obrigada.
Com relação à hipótese descrita, assinale a afirmativa correta.
a) Patrícia somente responderá por improbidade administrativa se ocorrer efetivo prejuízo à
Administração Pública, caso em que seus bens poderão ser declarados indisponíveis para
assegurar o integral ressarcimento do dano.
b) Patrícia responde por improbidade administrativa, mesmo na hipótese de não haver efetivo
prejuízo à Administração Pública, sendo certo que a ação de improbidade será imprescritível
e deverá ser proposta pelo Ministério Público, legitimado exclusivo.
c) Patrícia não responde por ato de improbidade administrativa, uma vez que não possui vín-
culo estatutário com a Administração Pública, mas poderá ser responsabilizada civilmente
caso tenha causado prejuízo.

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d) Patrícia responde por improbidade administrativa, independentemente de haver dano pa-


trimonial à Administração Pública, sendo certo que seus sucessores respondem no limite da
herança caso o ato também cause lesão ao patrimônio público.
e) Patrícia responde por improbidade administrativa, independentemente do dano causado,
porém, por não ter vínculo estatutário com a Administração pública, não está sujeita à sus-
pensão de direitos políticos, mas sim à perda de função pública e pagamento de multa civil.

Questão 3 (FGV/PREF NITERÓI/2015) Ronaldo, servidor público municipal ocupante de


cargo efetivo, recebeu vantagem econômica consistente em um veículo zero-quilômetro, para
fazer declaração falsa sobre medição em determinada obra pública municipal. Ronaldo agiu
em conluio com os sócios da sociedade empresária contratada pelo Município e a citada
fraude causou dano ao erário no valor de cem mil reais. Sob o prisma da Lei de Improbidade
Administrativa, é correto afirmar que:
a) apenas Ronaldo responderá por ato de improbidade administrativa, cujas sanções são aplicá-
veis tão somente aos agentes públicos, e o particular se limitará a responder em âmbito criminal;
b) apenas Ronaldo responderá por ato de improbidade administrativa, cujas sanções são
aplicáveis tão somente aos agentes públicos, e o particular responderá em âmbito criminal e
de responsabilidade civil;
c) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e,
no bojo do processo administrativo disciplinar, poderá ser decretada a indisponibilidade de
bens de ambos;
d) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e,
no bojo do processo administrativo disciplinar, poderá ser decretada a indisponibilidade de
bens apenas de Ronaldo;
e) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e, so-
mente no bojo do processo judicial, poderá ser decretada a indisponibilidade de bens de ambos.

Questão 4 (FGV/PREF NITERÓI/2015) De acordo com o texto constitucional, sem prejuízo


da ação penal cabível, os atos de improbidade administrativa importarão, na forma e grada-
ção previstas em lei:

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a) a cassação dos direitos políticos, a suspensão da função pública, o arresto dos bens e a
devolução em dobro do valor do dano ao erário;
b) a multa civil, a proibição de contratar com o poder público, o ressarcimento ao erário e a
cassação dos direitos políticos;
c) a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens
e o ressarcimento ao erário;
d) a inelegibilidade, a  suspensão do cadastro de pessoa física ou do cadastro nacional de
pessoa jurídica e o ressarcimento ao erário;
e) a devolução em dobro do valor do dano ao erário, a suspensão dos direitos administrativos
e o sequestro dos bens adquiridos ilicitamente.

Questão 5 (FGV/TJ BA/ADMINISTRATIVA/2015) O Tribunal de Contas do Estado da Bahia


verificou que determinado gestor estadual percebeu vantagem econômica indevida e direta
para facilitar a aquisição de bem imóvel pelo Estado, por preço superior ao valor de mercado.
Assim, a Corte de Contas remeteu a documentação pertinente ao Ministério Público Estadual,
que ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa. No caso em tela, o ges-
tor está sujeito, no bojo do citado processo judicial, dentre outras, às seguintes consequên-
cias pelo ato de improbidade administrativa:
a) cassação dos direitos políticos, perda da função pública, inscrição no serviço de proteção
ao crédito;
b) Pena – privativa de liberdade, perda da função pública, suspensão do cadastro de pessoa
física;
c) suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade dos bens e
ressarcimento ao erário;
d) proibição de figurar como sócio de qualquer sociedade empresária, perda da função públi-
ca e ressarcimento ao erário;
e) perda da função pública, ressarcimento ao erário, pena privativa de liberdade e cassação
dos direitos políticos.

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Questão 6 (FGV/MPE RJ/NOTIFICAÇÃO E ATOS INTIMATÓRIOS/2016) Promotor de Justiça


Criminal notificou diversas vezes famoso político ex-ocupante de mandato eletivo municipal
para comparecer ao órgão de execução ministerial, na qualidade de testemunha, para prestar
declarações, no bojo de procedimento investigatório criminal com sigilo decretado, que apura
crimes contra a Administração Pública. Diante da recusa reiterada e injustificada de compa-
recimento do político, o Promotor determinou sua condução coercitiva, designando Antônio,
Técnico do Ministério Público da Área de Notificação (TNAI), e  policiais para cumprirem a
diligência. Com o escopo de fornecer informação privilegiada ao político, o TNAI Antônio re-
velou-lhe fato de que tinha ciência em razão de suas atribuições e que devia permanecer em
segredo, ou seja, que seria conduzido coercitivamente na manhã do dia seguinte. A conduta
do TNAI Antônio frustrou a diligência, pois o político viajou para local incerto. De acordo com
a Lei n. 8.429/90, o TNAI Antônio:
a) não cometeu ato de improbidade administrativa, eis que não houve prejuízo ao erário, mas
cometeu crime contra a administração pública, que deverá ser julgado pelo juízo de compe-
tência criminal do local onde ocorreram os fatos;
b) não cometeu ato de improbidade administrativa, eis que não houve prejuízo ao erário, mas
cometeu infração administrativa disciplinar punível com pena de demissão;
c) cometeu ato de improbidade administrativa, que deverá ser julgado pelo juízo de compe-
tência criminal do local onde ocorreram os fatos;
d) cometeu ato de improbidade administrativa, que pode acarretar, dentre outras sanções,
o ressarcimento integral do dano e a cassação dos direitos políticos;
e) cometeu ato de improbidade administrativa, que pode acarretar, dentre outras sanções,
a perda da função pública e o pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remune-
ração percebida pelo agente.

Questão 7 (FGV/TJ PI/ADMINISTRATIVA/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2015) A posse e o


exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e
valores que compõem o seu patrimônio privado, que deve ser arquivada no serviço de pesso-

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al competente. De acordo com a Lei de Improbidade Administrativa, sem prejuízo de outras


sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do
prazo determinado, ou que a prestar falsa, será punido com a pena de:
a) multa e suspensão da função pública;
b) multa e advertência;
c) suspensão até apresentar o documento;
d) exoneração, com multa no valor de um salário-mínimo;
e) demissão, a bem do serviço público.

Questão 8 (FGV/DPE RO/ANALISTA JURÍDICO/2015) Marcelo exerceu cargo em comissão


de Assessor Executivo em determinado Município do Estado de Rondônia, de janeiro a de-
zembro de 2009. Em abril de 2015, o Ministério Público Estadual ajuizou ação civil pública por
ato de improbidade administrativa imputando a Marcelo a prática de conduta que, em tese,
atentou contra princípios da administração pública e frustrou a licitude de concurso público,
sem, contudo, ter causado dano ao erário. Por estar desempregado desde sua exoneração e
em situação de hipossuficiência econômica, Marcelo buscou auxílio jurídico na Defensoria
Pública. Na defesa prévia do assistido, dentre outros argumentos, o Defensor Público alegou
corretamente que, de acordo com a Lei n. 8.429/1992:
a) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até cinco anos após o término do exercício do cargo em comissão;
b) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até dois anos após o término do exercício do cargo em comissão;
c) apesar de ser imprescritível a pretensão autoral, o réu não possui legitimidade ad causam
para figurar no polo passivo, porque atualmente não exerce qualquer função pública;
d) apesar de ser imprescritível a pretensão autoral, o réu não possui legitimidade ad causam
para figurar no polo passivo, porque não era agente político, mas mero ocupante de cargo em
comissão à época dos fatos;

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e) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até dois anos após o término do exercício do cargo em comissão, e que o réu não possui
legitimidade ad causam para figurar no polo passivo.

Questão 9 (FGV/AL-BA/2014/TÉCNICO SUPERIOR) No que concerne ao ato de improbida-


de administrativa que causa prejuízo ao erário, assinale a afirmativa correta.
a) Não há a necessidade de comprovação de dolo ou culpa para a responsabilização do
servidor.
b) Apenas haverá responsabilização do servidor quando restar provado o dolo, não bastando
a comprovação da culpa.
c) o dolo ou a culpa são necessários para a responsabilização do servidor.
d) O prejuízo ao erário decorrente de omissão culposa não possibilita a responsabilização por
ato de improbidade administrativa.
e) O prejuízo ao erário, sem que haja enriquecimento ilícito, não tem o condão de caracterizar-
-se como ato de improbidade administrativa.

Questão 10 (FGV/TCE-BA/2013/AGENTE PÚBLICO) Dentre as medidas a seguir, assinale


aquela que pode ser imposta a quem pratica ato de improbidade administrativa.
a) Prisão ainda que o fato não seja tipificado como crime.
b) Perda dos direitos políticos.
c) Perda dos direitos civis.
d) Perda da nacionalidade brasileira.
e) Ressarcimento ao erário, ainda que as sanções estejam prescritas.

Questão 11 (FGV/CONDER/2013/ADVOGADO) No que concerne ao sujeito ativo do ato de


improbidade administrativa, assinale a afirmativa correta.
a) Aquele que não é considerado agente público pela Lei n. 8.429/1992 poderá responder por
improbidade administrativa.
b) A Lei de Improbidade aplica-se apenas a servidores públicos.

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c) A Lei de Improbidade aplica-se apenas contra agentes públicos que venham a lesar entida-
de na qual o poder público contribua com mais de 50% para a criação ou custeio.
d) A pessoa que é vinculada a entidade pública sem remuneração não pode ser considerada
agente público para fins de aplicação da Lei de Improbidade Administrativa.
e) A pessoa que é vinculada a entidade pública de forma transitória não pode ser considerada
agente público para fins de aplicação da Lei de Improbidade Administrativa.

Questão 12 (FGV/SUDENE/2013/ANALISTA TÉCNICO) A Lei n. 8.429/1992 dispõe sobre os


atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos. A referida lei classifica
os atos de improbidade em atos que importam enriquecimento ilícito, atos que causam preju-
ízo ao erário e atos que atentam contra os princípios da Administração Pública.
Com relação a essa classificação legal, analise as afirmativas a seguir.
I – Frustrar a ilicitude de concurso público é ato de improbidade que causa prejuízo ao
erário.
II – Deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, é ato de improbidade admi-
nistrativa que importa em enriquecimento ilícito.
III – Negar publicidade de atos oficiais é ato que atenta contra os princípios da Administra-
ção Pública.

Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

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Questão 13 (FGV/TJ-AM/2013/ANALISTA) Com relação aos atos de improbidade adminis-


trativa, assinale V para a afirmativa verdadeira e F a falsa.
 (  ) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamen-
te, está sujeito às cominações (ameaça de punição, por infração à lei) da Lei até o limite
do valor da herança.
 (  ) Comete um ato de improbidade administrativa aquele que, mesmo não sendo agente
público, induza ou concorra para a prática de ato de improbidade que o beneficie de
forma direta ou indireta.
 (  ) Reputa-se agente público, para os efeitos da Lei específica, todo aquele que exerce,
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, mandato, cargo, emprego ou função
nas entidades.
As afirmativas são respectivamente:
a) V, F e F.
b) F, F e V.
c) V, V e F.
d) F, V e F.
e) V, V e V.

Questão 14 (FGV/TJ-AM/2013/ANALISTA) Os atos de improbidade administrativa possuem


uma disciplina específica no nosso ordenamento jurídico. Com relação ao regramento da im-
probidade administrativa pelo nosso ordenamento jurídico, assinale a afirmativa correta.
a) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário e à perda da função pública e dos direitos políticos.
b) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário e à perda dos direitos políticos.
c) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário, à perda da função pública e à suspensão dos direitos políticos.
d) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário, à perda direitos políticos e à suspensão da função pública.

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e) O ato de improbidade sujeita o autor apenas à indisponibilidade dos bens, ao ressarcimen-


to ao erário e à suspensão da função pública.

Questão 15 (FGV/PREF NITERÓI/2015) De acordo com o texto constitucional, os  atos de


improbidade administrativa importarão, na forma e gradação previstas em lei:
a) a perda dos direitos políticos, o afastamento cautelar da função pública, o ressarcimento
ao erário e a multa;
b) a perda da função pública, o  sequestro dos bens, a  suspensão do cadastro nacional de
pessoa jurídica e a multa;
c) a pena privativa de liberdade, a suspensão dos direitos políticos, a perda do cargo público
e o ressarcimento ao erário;
d) a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens
e o ressarcimento ao erário;
e) a pena privativa de liberdade, o sequestro dos bens, a perda do cargo público e o ressarci-
mento ao erário.

Questão 16 (FGV/ALERJ/QUALQUER NÍVEL SUPERIOR/2017) A Lei n. 8.429/1992 dispõe


sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no
exercício de função na administração pública.
Acerca das disposições legais relativas à declaração de bens pelos agentes públicos, é cor-
reto afirmar que:
a) a posse no cargo do agente público é condicionada à apresentação de declaração de bens;
b) a declaração de bens do agente público está limitada ao seu patrimônio pessoal;
c) a declaração de bens só precisa ser atualizada quando houver alterações significativas no
patrimônio do agente público;
d) é obrigatória a entrega de cópia da declaração anual de imposto de renda do agente público;
e) a pena para o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens é a suspensão.

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Questão 17 (FGV/ TCM-PA/2008) Proposta ação de improbidade administrativa, após au-


tuada, o Juiz ordenará a notificação do requerido, para oferecer manifestação por escrito, no
prazo de:
a) 20 dias.
b) 10 dias.
c) 15 dias.
d) 5 dias.
e) 30 dias.

Questão 18 (FGV/PC AP/2010) Tem legitimidade para representar à autoridade administra-


tiva competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade:
a) somente o Ministério Público.
b) somente o controle externo ou corregedoria do órgão.
c) somente o controle interno do órgão, em caráter sigiloso.
d) somente o Ministério Público, Tribunal ou Conselho de Contas.
e) qualquer pessoa que deseje ver apurada a prática de ato de improbidade.

Questão 19 (FGV/TCE-BA/2014/ADAPTADA) Dentre as medidas a seguir, assinale aquela


que pode ser imposta a quem pratica ato de improbidade administrativa.
a) Prisão ainda que o fato não seja tipificado como crime.
b) Perda dos direitos políticos.
c) Perda dos direitos civis.
d) Perda da nacionalidade brasileira.
e) Ressarcimento ao erário.

Questão 20 (FGV/MPE RJ/PROCESSUAL/2016) Hamilton foi eleito Prefeito Municipal para


o período de 2005 a 2008. No ano de 2007, Hamilton concedeu benefício fiscal a determi-
nada sociedade empresária, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares
aplicáveis à espécie. O Prefeito foi reeleito e encerrou seu mandato em 31 de dezembro de

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2012. Em 2015, o Promotor de Tutela Coletiva com atribuição em patrimônio público na área
do Município recebeu peças de informação do Tribunal de Contas noticiando a ilegalidade.
Imediatamente, o Promotor instaurou inquérito civil público e, em abril de 2016, concluiu as
investigações com fartas provas da prática de improbidade administrativa. No caso em tela,
de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável à matéria, é correto afirmar que:
a) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de improbi-
dade em relação a Hamilton, mas a sociedade empresária ainda pode ser acionada com base
na responsabilidade civil;
b) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de improbida-
de em relação a Hamilton e à sociedade empresária, pois o prazo de cinco anos é contado a
partir da data do ilícito;
c) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções pessoais da lei de
improbidade em relação a Hamilton e à sociedade empresária, mas é possível ajuizamento de
ressarcimento, pois o dano ao erário é imprescritível;
d) ainda não ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de
improbidade em relação a Hamilton e à sociedade empresária, pois o prazo para ambos é de
cinco anos contados a partir do término do segundo mandato eletivo;
e) ainda não ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de
improbidade em relação a Hamilton, pois o prazo de cinco anos é contado a partir do término
do segundo mandato eletivo, mas já transcorreu a prescrição para a sociedade empresária.

Questão 21 (FGV/IBGE/PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES/2016/ADAPTADA)


De acordo com a Lei n. 8.429/1992, que dispõe sobre os atos de improbidade administrativa,
a prescrição para a pretensão de aplicação aos agentes das sanções pessoais pela prática de
ato de improbidade ocorre em:
a) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
b) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, sendo que o ressarcimento ao erário é imprescritível;

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c) cinco anos após o término do exercício de mandato eletivo e dois anos após o fim da inves-
tidura de cargo em comissão ou de função de confiança;
d) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
e) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança.

Questão 22 (FGV/PREF FLORIANÓPOLIS/2014) Tício, Vereador Presidente da Câmara Muni-


cipal, em conluio com o sócio-administrador da sociedade empresária Mutretas Muitas Ltda,
dispensou indevidamente processo licitatório, com o intuito de favorecer seu amigo João,
fato que causou dano ao erário. De acordo com o ordenamento jurídico, a  condenação de
Tício por improbidade administrativa:
a) tem por sanção a aplicação de pena privativa de liberdade;
b) deve ser decretada pelo Tribunal de Justiça, pois Tício possui foro especial por prerrogativa
de função;
c) importa a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade
dos bens e o ressarcimento ao erário;
d) ocorre após regular processo administrativo disciplinar, respeitados o contraditório e am-
pla defesa;
e) é decretada após regular processo criminal e tem como sanções o ressarcimento ao erário,
cassação dos direitos políticos e pena privativa de liberdade.

Questão 23 (FGV/ALERJ/CIÊNCIAS CONTÁBEIS/2017) A Lei Federal n. 8.429/1992 trata dos


atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos e os apresenta em três
tipos: os que importam enriquecimento ilícito, os  que causam prejuízo ao erário e os que
atentam contra os princípios da Administração Pública.
Constitui um exemplo de ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito:
a) agir negligentemente na arrecadação de tributos;
b) deixar de prestar contas quando estiver obrigado a fazê-lo;

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c) frustrar a licitude de concurso público;


d) ordenar a realização de despesas não autorizadas;
e) usar, em proveito próprio, bens integrantes do patrimônio das entidades públicas.

Questão 24 (FGV/PREF RECIFE/FINANÇAS PÚBLICAS/2014) No caso de atos de impro-


bidade administrativa que atentem contra os princípios da administração pública, a  Lei n.
8.429/1992 impõe, como uma das suas cominações,
a) a suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco a oito anos.
b) a proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de cinco anos.
c) a proibição de receber benefícios ou incentivos fiscais, direta ou indiretamente, pelo prazo
de cinco anos.
d) a suspensão da função pública pelo prazo de até três anos.
e) o pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente.

Questão 25 (FGV/MPE RJ/ADMINISTRATIVA/2016) Rodrigo é servidor público estadual ocu-


pante exclusivamente de cargo em comissão e está lotado em setor da controladoria do Estado.
De forma livre e consciente e no exercício da função pública, Rodrigo descumpriu normas rela-
tivas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parceria firmada pela administração
pública com determinada entidade privada, que se beneficiou do ato, bem como negou publici-
dade a ato oficial, pois impediu a publicação na imprensa oficial do extrato do termo de parceria,
tudo em conluio com o particular beneficiado. De acordo com a Lei n. 8.429/1992, em tese:
a) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
cuja prescrição é de 5 (cinco) anos contados da data da conduta ímproba;
b) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
para cuja configuração é prescindível a existência de dano patrimonial ao erário;
c) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
e o Ministério Público deverá decretar, no bojo de inquérito civil público, a indisponibilidade de
seus bens para ressarcimento ao erário;

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d) Rodrigo incorreu na prática de ato de improbidade administrativa, desde que fique compro-
vado que houve dano patrimonial ao erário, mas a entidade privada responderá apenas com
base na responsabilidade civil;
e) Rodrigo incorreu na prática de ato de improbidade administrativa, cuja prescrição é de 3
(três) anos contados da data da conduta ímproba, mas a entidade privada responderá apenas
com base na responsabilidade civil.

Questão 26 (FGV/PREF RECIFE/FINANÇAS PÚBLICAS/2014) Constitui ato de improbidade


administrativa qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialida-
de, legalidade e lealdade às instituições.
A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.
I – Praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na
regra de competência.
II – Revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva
permanecer em segredo.
III – Frustrar a licitude de concurso público.

São atos que atentam contra princípios da Administração Pública


a) somente I.
b) somente II.
c) somente I e III.
d) somente II e III.
e) I, II e III.

Questão 27 (FGV/TCM-PA/2008) A sanção patrimonial, na hipótese de atos de improbidade


administrativa praticados em detrimento de entidade cujo erário público haja concorrido para
a criação do respectivo patrimônio, pressupõe uma participação anual de:
a) mais de cinquenta por cento.
b) menos de cinquenta por cento.
c) mais de quarenta por cento.

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d) menos de quarenta por cento.


e) mais de vinte por cento.

Questão 28 (FGV/ALERJ/2017) A Assembleia Legislativa instaurou comissão parlamentar


de inquérito para apurar as condições estruturais, materiais e de pessoal do sistema peni-
tenciário estadual, diante da reiteração de denúncias de tortura e maus tratos aos detentos.
A conclusão da CPI foi no sentido da procedência das representações, inclusive com a iden-
tificação de agentes penitenciários responsáveis pelas torturas.
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:
a) o agente penitenciário responderá pelo crime de tortura e por infração disciplinar, mas não
poderá ser responsabilizado por ato de improbidade administrativa, eis que a vítima imediata
do ato ilícito não foi a Administração Pública e não houve dano ao erário;
b) o detento vítima do ato de tortura deverá pleitear diretamente do agente penitenciário que
praticou o ato ilícito indenização pelos danos sofridos, com base na responsabilidade civil
subjetiva, não se aplicando o art. 37, § 6º, da Constituição Federal por ausência de omissão
do poder público;
c) o agente penitenciário responsável direto pelo ato ilícito e o Secretário de Estado de Ad-
ministração Penitenciária responderão, em tese, solidariamente pelo crime de tortura, por in-
fração disciplinar e por ato de improbidade administrativa, o primeiro por ato comissivo e o
segundo por omissão;
d) a violência policial arbitrária não é ato apenas contra o particular-vítima, mas sim contra
a própria Administração Pública, ferindo suas bases de legitimidade e respeitabilidade, razão
pela qual o agente penitenciário responderá apenas na esfera penal, não havendo que se falar
em improbidade administrativa;
e) a tortura de preso custodiado no sistema prisional praticada por agente penitenciário
constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração
Pública, fora as demais repercussões nas esferas penal e disciplinar.

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Questão 29 (FGV/CONSULTORIA E ASSESSORAMENTO LEGISLATIVO/DIREITO CONSTITU-


CIONAL, ADMINISTRATIVO, ELEITORAL E PROCESSO LEGISLATIVO/2012) Extrai-se da juris-
prudência dominante do STJ que a improbidade administrativa, por ato administrativo tido
como violador de princípio, aperfeiçoa-se somente
a) com a transgressão do princípio.
b) mediante prova de prejuízo ao erário.
c) se comprovada má-fé do servidor.
d) nos atos vinculados, independentemente da subjetividade da conduta.
e) em face de comprovada conduta culpável.

Questão 30 (FGV/AFRE RJ/SEFAZ RJ/2007) Assinale a afirmativa incorreta.


a) É vedada ao servidor a utilização de bens da Administração Pública para fins particulares.
b) Somente se caracteriza ato de improbidade administrativa quando ocorre dano patrimonial
ao erário.
c) Constitui ato de improbidade administrativa facilitar a aquisição de bem ou serviço por
preço superior ao de mercado.
d) Permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento constitui exem-
plo de ato de improbidade administrativa.
e) A lei prevê ser improbidade administrativa o ato de facilitar ou concorrer para que terceiro
se enriqueça ilicitamente.

Questão 31 (FGV/AFRE RJ/SEFAZ RJ/2009) Com relação ao tema da improbidade adminis-


trativa, analise as afirmativas a seguir.
I – De acordo com a atual jurisprudência do STF, a Lei de Improbidade Administrativa não
se aplica aos agentes políticos, os quais estão submetidos a um regime especial de
responsabilidade com prerrogativa de foro.
II – Para garantir o ressarcimento do erário público, o réu da ação de improbidade admi-
nistrativa pode ter decretada judicialmente a indisponibilidade de seus bens.

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III – O Ministério Público ou pessoa jurídica interessada pode celebrar transação judicial
com o réu da ação de improbidade administrativa desde que o ato ímprobo não cause
prejuízo ao erário.
IV – Conforme o atual posicionamento jurisprudencial do STJ, além de incidir em um dos
tipos previstos na Lei n. 8.429/1992, é necessária a presença do elemento má-fé para
caracterização do ato de improbidade administrativa.

Assinale:
a) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas I e IV estiverem corretas.
e) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

Questão 32 (FGV/AFRE RJ/SEFAZ RJ/2008) Constitui ato de improbidade administrativa, in-


dependentemente de prejuízo, passível de ser sancionado:
a) frustar a licitude de processo licitatório.
b) dispensar processo licitatório indevidamente.
c) permitir a aquisição de bens por preço superior ao de mercado.
d) revelar teor de medida política capaz de afetar o preço de mercadoria.
e) agir negligentemente na arrecadação de tributo.

Questão 33 (FGV/AFRE RJ/SEFAZ RJ/2010) Com relação ao tema da improbidade adminis-


trativa, analise as afirmativas a seguir.
I – O Ministério Público deve obrigatoriamente figurar como parte na ação de improbidade
administrativa, pois se trata de hipótese de litisconsórcio necessário.
II – Conforme a jurisprudência prevalecente do STF, os agentes políticos não se submetem
ao regime da Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992), sendo-lhes apli-
cável o regime de responsabilização jurídico-administrativa especial.

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III – Segundo a jurisprudência prevalecente do STJ, as penas cominadas no art. 12 da Lei


n. 8.429/1992 devem ser aplicadas cumulativamente ao responsável pelo ato de im-
probidade administrativa.

Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Questão 34 (FGV/SEN/2008) Analise as seguintes afirmativas:


I – No caso de improbidade administrativa em que haja enriquecimento ilícito ou lesão ao
patrimônio público, o sucessor do autor da conduta está sujeito às sanções previstas
na Lei n. 8.429/1992 até o limite do valor da herança.
II – Na ação de improbidade administrativa devem figurar como réus, em litisconsórcio
passivo, o servidor responsável pelo ato, o terceiro que concorreu para o resultado e a
pessoa jurídica a que pertence o servidor.
III – A revelação a terceiros de fato sigiloso de que o servidor tenha ciência em virtude de
suas atribuições somente pode enquadrar-se como ato de improbidade que atenta
contra os princípios da Administração Pública.

Assinale:
a) se apenas a afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa III estiver correta.
c) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

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Questão 35 (FGV/SEAD AP/2010) De acordo com a Lei n. 8.429/1992 – Lei de Improbidade


Administrativa, é correto afirmar que:
a) o sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio está sujeito às cominações da lei, sal-
vo se o valor da herança for menor do que o dano ao erário público.
b) para que o agente público seja enquadrado como sujeito ativo da improbidade adminis-
trativa é necessário ser servidor público, com vínculo empregatício estatutário ou contratual.
c) a indisponibilidade dos bens do indiciado é uma medida de natureza cautelar, cabível quan-
do o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito.
d) o prazo prescricional para as ações que visam aplicar sanções ao agente público que exer-
ce cargo em comissão é de até três anos após o término do exercício do cargo.
e) quando o ato de improbidade ensejar enriquecimento ilícito, caberá à autoridade adminis-
trativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a disponibilidade
dos bens do indiciado.

Questão 36 (FGV/JE TJPA/TJ PA/2008) Analise as afirmativas a seguir:


I – A conduta do administrador público em desrespeito ao princípio da moralidade admi-
nistrativa enquadra-se nos denominados “atos de improbidade”. Tal conduta poderá
ser sancionada com a suspensão dos direitos políticos, a  perda da função pública,
a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação prevista
em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
II – O princípio da democracia participativa é instrumento para a efetividade dos princípios
da eficiência e da probidade administrativa.
III – Além dos agentes públicos, terceiros podem ser sujeitos ativos de improbidade ad-
ministrativa. O terceiro, quando beneficiário direto ou indireto do ato de improbidade,
só pode ser responsabilizado por ação dolosa, ou seja, quando tiver ciência da origem
ilícita da vantagem.

Assinale:
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

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c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.


d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Questão 37 (FGV/IBGE/PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES/2016) Francisco,


servidor de fundação pública federal de direito público, percebeu vantagem econômica direta,
consistente na quantia de cem mil reais em espécie, para facilitar a alienação de bem público
da fundação por preço inferior ao valor de mercado, beneficiando seu cunhado, que é Depu-
tado Federal. Descoberta a fraude, por meio de investigações levadas a cabo pelo Ministério
Público Federal, o parquet ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa em
face de todos os envolvidos. O processo deve tramitar perante o:
a) juízo de competência cível da Justiça Federal do primeiro grau de jurisdição;
b) juízo de competência criminal da Justiça Federal do primeiro grau de jurisdição;
c) órgão colegiado de competência cível do respectivo Tribunal Regional Federal;
d) órgão colegiado de competência criminal do respectivo Tribunal Regional Federal;
e) Supremo Tribunal Federal.

Questão 38 (FGV/COMPESA/ADVOGADO/2016) Após investigação do Ministério Público


Estadual, agente da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA é denunciado
por ato de improbidade administrativa, por suposta prática de ato que teria violado princípios
da administração pública.
Sobre o caso descrito, assinale a afirmativa correta.
a) Não será caracterizada a improbidade administrativa caso não tenha havido prejuízo ao
erário.
b) Os agentes da COMPESA não se submetem à Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.
8.429/1992), a qual tem como sujeitos passivos servidores públicos estatutários.
c) O direito de propositura da ação de improbidade em face do agente da COMPESA não se
sujeita a prazo prescricional.

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d) Em sendo proposta a ação de improbidade administrativa, não será possível o ajuizamento


de nova demanda pela Fazenda Pública com objetivo de complementação do ressarcimento
do patrimônio público.
e) Em sendo o agente condenado por violação aos princípios da administração pública no
exercício de suas funções, ele poderá perder a função pública, ter suspensos seus direitos
políticos e pagar multa civil.

Questão 39 (FGV/OAB UNI NAC/OAB/XXIV EXAME/2017) Em ação civil pública por atos de
improbidade que causaram prejuízo ao erário, ajuizada em desfavor de José, servidor público
estadual estável, o Juízo de 1º grau, após os devidos trâmites, determinou a indisponibilidade
de todos os bens do demandado, cujo patrimônio é superior aos danos e às demais imputa-
ções que constam na inicial.
Apresentado o recurso pertinente, observa-se que a aludida decisão
a) não merece reforma, na medida em que José deve responder com todo o seu patrimônio,
independentemente do prejuízo causado pelos atos de improbidade que lhe são imputados.
b) deve ser reformada, considerando que somente podem ser objeto da cautelar os bens ad-
quiridos depois da prática dos atos de improbidade imputados a José.
c) deve ser reformada, pois não é possível, por ausência de previsão legal, a determinação de
tal medida cautelar em ações civis públicas por ato de improbidade.
d) deve ser reformada, porquanto a cautelar somente pode atingir tantos bens quantos bas-
tassem para garantir as consequências financeiras dos atos de improbidade imputados
a José.

Questão 40 (FGV/SEN/APOIO TÉCNICO E ADMINISTRATIVO/ADMINISTRAÇÃO/2008)


a) As entidades da administração indireta não podem qualificar-se como sujeitos passivos
dos atos de improbidade em razão de não serem pessoas políticas.
b) Para que se configure a improbidade administrativa, basta que o agente aceite emprego
em pessoa jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou
omissão decorrente das atribuições do agente, durante a atividade.

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c) O terceiro responde por improbidade administrativa quando manifesta apoio psicológico


ao agente público para prática de improbidade, mesmo que não se locuplete materialmente
do resultado da conduta.
d) O recebimento de vantagem econômica de qualquer natureza pelo agente público enqua-
dra-se como ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário.
e) A sanção de suspensão dos direitos políticos é mais gravosa nos casos de atos de impro-
bidade que causem prejuízo ao erário do que nas hipóteses em que os mesmos atos impor-
tem enriquecimento ilícito.

Questão 41 (FGV/AAAJ (DP DF)/DP DF/JUDICIÁRIA/2014) Francisco, servidor público titu-


lar de cargo efetivo municipal, lotado na secretaria municipal de administração, usou de seu
cargo público para favorecer seu irmão André, que se preparava para prestar concurso para
ingressar no serviço público municipal. Por trabalhar ao lado da sala da comissão de concur-
so, Francisco obteve com antecedência o gabarito das questões, passando tal informação
privilegiada ao seu irmão, que fez as provas, foi o primeiro colocado e assim nomeado para
o cargo de auxiliar administrativo. Descoberta a fraude, o Ministério Público ajuizou a ação
pertinente por ato de improbidade administrativa porque a conduta contra os princípios da
administração pública, violando os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e le-
aldade às instituições, notadamente frustrou a licitude de concurso público. Sobre o caso em
tela, é correto afirmar que:
a) embora a nomeação de André deva ser anulada por vício de legalidade e Francisco deva
responder a processo administrativo disciplinar, não está configurado o ato de improbidade
administrativa, porque não houve dano ao erário.
b) apenas Francisco pode ser responsabilizado por ato de improbidade administrativa, pois à
época dos fatos André ainda não era funcionário público em sentido amplo, e o ato de nome-
ação de André deverá ser declarado nulo por vício de legalidade.
c) ambos (Francisco e André) deverão responder a ação penal por ato de improbidade admi-
nistrativa, Francisco porque era servidor público à época dos fatos e André porque se benefi-
ciou do ato, devendo a ação ser ajuizada na vara criminal.

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d) dentre as sanções aplicáveis ao caso concreto, é possível o ressarcimento do dano, perda


da função pública, cassação dos direitos políticos, pagamento de multa civil e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais.
e) a ação civil pública por ato de improbidade administrativa deverá ser ajuizada perante o
juízo cível, e ambos os irmãos (Francisco e André) responderão independentemente da exis-
tência de dano ao erário.

Questão 42 (FGV/PROCEMPA/ADVOGADO/2014) Um servidor de determinada empresa pú-


blica municipal está envolvido em um escândalo de corrupção, referente à gestão de um con-
trato administrativo de prestação de serviço, juntamente com o gerente da empresa particular
contratada.
Considerando a situação descrita, assinale a afirmativa correta.
a) O servidor público responderá sozinho por improbidade administrativa; no entanto, não
responderá criminalmente pelo mesmo fato, sob pena de bis in idem.
b) O particular apenas responderá criminalmente pelo fato, eis que a ação de improbidade
administrativa destina-se ao sancionamento dos agentes públicos.
c) O servidor público não responderá por improbidade administrativa, pois essa ação somen-
te pode ser dirigida em face de servidores estatutários.
d) O servidor público e o particular deverão figurar no polo passivo da ação de improbidade
administrativa, bem como responder criminalmente pelo mesmo fato.
e) O servidor público e o particular poderão livrar-se da responsabilização por improbidade
administrativa caso se disponham a ressarcir, integralmente, o dano causado ao erário.

Questão 43 (FGV/MPE RJ/ADMINISTRATIVA/2016) Marcelo, Secretário Municipal de Trans-


porte, permitiu que seu irmão Antônio utilizasse, para fins particulares, bens integrantes do
acervo patrimonial do Município, consistente em veículo da Secretaria e combustível, pelo pe-
ríodo de dois anos, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis
à espécie. O fato foi noticiado ao Promotor de Tutela Coletiva com atribuição no Município,
que, prontamente, instaurou inquérito civil público e reuniu fartas provas da ilegalidade. Ao fi-
nal da investigação, deverá o Promotor ajuizar ação:

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a) por crime de responsabilidade em face do Secretário Municipal Marcelo e ação indenizató-


ria em face do particular Antônio;
b) por crime de responsabilidade em face do Secretário Municipal Marcelo e do particular
Antônio;
c) para impeachment do Secretário Municipal Marcelo e ação indenizatória em face do parti-
cular Antônio;
d) civil pública por ato de improbidade administrativa em face do Secretário Municipal Mar-
celo e do particular Antônio;
e) civil pública por ato de improbidade administrativa em face Secretário Municipal Marcelo e
ação indenizatória em face do particular Antônio.

Questão 44 (FGV/OAB UNI NAC/OAB/XX EXAME/2016) O diretor-presidente de uma cons-


trutora foi procurado pelo gerente de licitações de uma empresa pública federal, que propôs a
contratação direta de sua empresa, com dispensa de licitação, mediante o pagamento de uma
“contribuição” de 2% (dois por cento) do valor do contrato, a ser depositado em uma conta
no exterior. Contudo, após consumado o acerto, foi ele descoberto e publicado em revista de
grande circulação.
A respeito do caso descrito, assinale a afirmativa correta.
a) Somente o gerente de licitações da empresa pública, agente público, está sujeito a eventual
ação de improbidade administrativa.
b) Nem o diretor-presidente da construtora e nem o gerente de licitações da empresa pública,
que não são agentes públicos, estão sujeitos a eventual ação de improbidade administrativa.
c) O diretor-presidente da construtora, beneficiário do esquema, está sujeito a eventual ação
de improbidade, mas o gerente da empresa pública, por não ser servidor público, não está
sujeito a tal ação.
d) O diretor-presidente da construtora e o gerente de licitações da empresa pública estão su-
jeitos a eventual ação de improbidade administrativa.

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Questão 45 (FGV/OAB UNI NAC/OAB/XX EXAME/2016) Uma organização da sociedade civil


recebeu recursos públicos para a execução de um projeto, em regime de colaboração com a
Administração Pública.
A partir da hipótese apresentada, segundo a Lei de Improbidade Administrativa, assinale a
afirmativa correta.
a) Uma organização da sociedade civil, que se qualifica como entidade privada sem fins lu-
crativos, ao receber recursos públicos, inclusive sob a forma de auxílio ou subvenção, pode
ser sujeito passivo de ato de improbidade administrativa.
b) Uma organização da sociedade civil, por ser entidade privada, não pode ser sujeito passivo
de ato de improbidade administrativa.
c) Os atos praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou
incentivo, fiscal ou creditício, de ente público, não se sujeitam às penalidades previstas na Lei
de Improbidade Administrativa.
d) Uma organização da sociedade civil, por ser entidade privada sem fins lucrativos, pode re-
ceber recursos públicos, razão pela qual não pode ser sujeito passivo de ato de improbidade
administrativa.

Questão 46 (FGV/TJ TRE PA/TRE PA/ADMINISTRATIVA/2011) No que diz respeito à impro-


bidade administrativa, analise as afirmativas a seguir:
I – Dar-se-á o integral ressarcimento do dano somente nos casos de lesão ao patrimônio
público decorrentes de ação dolosa.
II – Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do
agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano.
III – A aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado
é conduta que viola o princípio da moralidade, mas que não se enquadra como ato de
improbidade de acordo com a lei.
IV – As omissões que são consideradas contrárias ao princípio da moralidade administra-
tiva não constituem atos de improbidade, que só podem ser comissivos.
V – O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicita-
mente está sujeito às cominações da lei até o limite do valor da herança.

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Assinale
a) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
b) se apenas as afirmativas I e V estiverem corretas.
c) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
d) se apenas as afirmativas II e IV estiverem corretas.
e) se apenas as afirmativas II e V estiverem corretas.

Questão 47 (FGV/TCE-BA/2014) Segundo a Lei n. 8.429/1992, comumente chamada de Lei


de Improbidade Administrativa, analise as afirmativas a seguir.
I – Constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento ilícito, per-
ceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou
locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior
ao valor de mercado.
II – Constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento ilícito, aceitar
emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pes-
soa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por
ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade.
III – Constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento ilícito, con-
ceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie.

Assinale:
a) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
d) se somente a afirmativa III estiver correta.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

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Questão 48 (FGV/ANA (MPE RJ)/MPE RJ/PROCESSUAL/2016) Leandro, Prefeito Municipal,


confeccionou e distribuiu pela cidade, utilizando verba pública, vinte mil panfletos intitulados
“boletim informativo”, contendo sua imagem em diversas fotografias de inauguração de obras
públicas com os seguintes dizeres: “O Prefeito Leandro continua cuidando de seu povo e cons-
truindo postos de saúde e escolas municipais para sua família! Com o seu apoio, darei conti-
nuidade às minhas ações beneficentes no próximo mandato!!!”. No caso em tela, Leandro:
a) não cometeu ato de improbidade administrativa, porque, na qualidade de agente político, não
se sujeita ao regime da lei de improbidade, respondendo apenas por crime de responsabilidade;
b) não cometeu ato de improbidade administrativa, porque a legislação permite que seja feita
publicidade de caráter institucional, para dar ciência à população das ações sociais do Município;
c) não cometeu ato de improbidade administrativa, porque não houve dano ao erário, já que a
publicação veiculou obras públicas que efetivamente existiram, mas cometeu ilícito de natu-
reza eleitoral por propaganda antecipada;
d) cometeu ato de improbidade administrativa, porque a publicidade não teve caráter educa-
tivo, informativo ou de orientação social, e sim de promoção pessoal, com ofensa aos princí-
pios da moralidade e impessoalidade;
e) cometeu ato de improbidade administrativa, porque implicitamente solicitou votos para a
próxima eleição e, por isso, está sujeito à cassação de seus direitos políticos e outras sanções
previstas na lei de improbidade.

Questão 49 (FGV/IBGE/PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES/2016) Em relação


ao ato de improbidade administrativa, de acordo com a doutrina, a jurisprudência e a Lei n.
8.429/1992, é correto afirmar que:
a) o sujeito ativo é o agente público responsável pelo ato ímprobo, excluído o particular bene-
ficiário do ato;
b) o ato de improbidade administrativa pode ocorrer sem que haja dano ou prejuízo ao erário
público;
c) o dolo é imprescindível para configuração do ato de improbidade, não existindo a modali-
dade culposa;

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d) a conduta que configura o ato de improbidade é a comissiva, não existindo a modalidade


omissiva, diante do princípio da tipicidade estrita;
e) as sanções previstas na lei de improbidade englobam todas as punições aplicáveis aos
agentes, não podendo haver outras sanções penais, civis ou administrativas pelos mesmos
fatos.

Questão 50 (FGV/TJ AM/2005) Assinale a alternativa que complete corretamente a propo-


sição a seguir:
Representar contra alguém imputando prática de ato de improbidade administrativa, que não
constitui crime, quando o autor da denúncia o sabe inocente _____.
a) é crime previsto em lei especial
b) é crime de denunciação caluniosa, previsto no Código Penal
c) não é crime, já que o ato imputado, embora de improbidade, não é criminoso
d) constitui crime de difamação, previsto no Código Penal
e) configura conduta de injúria, segundo o Código Penal

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GABARITO
1. e 26. e
2. d 27. b
3. e 28. e
4. c 29. c
5. c 30. b
6. e 31. e
7. e 32. d
8. a 33. b
9. c 34. a
10. e 35. c
11. a 36. e
12. c 37. a
13. e 38. e
14. c 39. d
15. d 40. b
16. a 41. e
17. c 42. d
18. e 43. d
19. e 44. d
20. d 45. a
21. e 46. e
22. c 47. a
23. e 48. d
24. e 49. b
25. b 50. a

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QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1 (FGV/PREF NITERÓI/2015) Fernando, servidor público municipal, no exercício da
função inerente ao seu cargo efetivo de Fiscal de Tributos, agiu negligentemente na arrecada-
ção de tributo municipal. De acordo com a Lei n. 8.429/1992, em tese, Fernando:
a) não praticou ato de improbidade administrativa, para cuja configuração é imprescindível
conduta dolosa;
b) não praticou ato de improbidade administrativa, porque não se beneficiou direta e econo-
micamente;
c) não praticou ato de improbidade administrativa, devendo apenas ser responsabilizado em
âmbito disciplinar;
d) deve ser condenado, mediante processo administrativo, às sanções previstas na citada lei,
por ter praticado ato de improbidade administrativa;
e) deve ser condenado, mediante processo judicial de natureza cível, às sanções previstas na
citada lei, por ter praticado ato de improbidade administrativa.

Letra e.
No caso, houve o cometimento de improbidade administrativa, conforme previsão do artigo
10, X, da Lei n. 8.429:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
X – agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à con-
servação do patrimônio público;

E, como as penas de improbidade administrativa apenas podem ser aplicadas pelo Poder Ju-
diciário, faz-se necessário que haja, previamente, um processo judicial (e não administrativo)
regularmente instaurado.

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Questão 2 (FGV/PREF CUIABÁ/2016) Patrícia, enfermeira sem vínculo estatutário com a


Administração Pública e ocupante de cargo em comissão na Secretaria Municipal de Saúde,
deixa de prestar contas às quais estava, por lei, obrigada.
Com relação à hipótese descrita, assinale a afirmativa correta.
a) Patrícia somente responderá por improbidade administrativa se ocorrer efetivo prejuízo à
Administração Pública, caso em que seus bens poderão ser declarados indisponíveis para
assegurar o integral ressarcimento do dano.
b) Patrícia responde por improbidade administrativa, mesmo na hipótese de não haver efetivo
prejuízo à Administração Pública, sendo certo que a ação de improbidade será imprescritível
e deverá ser proposta pelo Ministério Público, legitimado exclusivo.
c) Patrícia não responde por ato de improbidade administrativa, uma vez que não possui vín-
culo estatutário com a Administração Pública, mas poderá ser responsabilizada civilmente
caso tenha causado prejuízo.
d) Patrícia responde por improbidade administrativa, independentemente de haver dano pa-
trimonial à Administração Pública, sendo certo que seus sucessores respondem no limite da
herança caso o ato também cause lesão ao patrimônio público.
e) Patrícia responde por improbidade administrativa, independentemente do dano causado,
porém, por não ter vínculo estatutário com a Administração pública, não está sujeita à sus-
pensão de direitos políticos, mas sim à perda de função pública e pagamento de multa civil.

Letra d.
Ainda que Patrícia não seja servidora pública (não possuindo, por isso mesmo, vínculo esta-
tutário com o Poder Público), deve ela responder pelos atos de improbidade administrativa
eventualmente cometidos.
Para a configuração da improbidade, não há necessidade da efetiva ocorrência de dano ao
patrimônio público, conforme previsão no artigo 21, I, da Lei n. 8.429:

Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:


I – da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento;

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Por fim, é importante frisar que os sucessores de Patrícia (seus herdeiros) responderão pelos
prejuízos causados até o limite do patrimônio transferido. Tal regra encontra fundamento no
artigo 8º da Lei n. 8.429/1992:

Art. 8º O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente
está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança.

Questão 3 (FGV/PREF NITERÓI/2015) Ronaldo, servidor público municipal ocupante de


cargo efetivo, recebeu vantagem econômica consistente em um veículo zero-quilômetro, para
fazer declaração falsa sobre medição em determinada obra pública municipal. Ronaldo agiu
em conluio com os sócios da sociedade empresária contratada pelo Município e a citada
fraude causou dano ao erário no valor de cem mil reais. Sob o prisma da Lei de Improbidade
Administrativa, é correto afirmar que:
a) apenas Ronaldo responderá por ato de improbidade administrativa, cujas sanções são aplicá-
veis tão somente aos agentes públicos, e o particular se limitará a responder em âmbito criminal;
b) apenas Ronaldo responderá por ato de improbidade administrativa, cujas sanções são
aplicáveis tão somente aos agentes públicos, e o particular responderá em âmbito criminal e
de responsabilidade civil;
c) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e,
no bojo do processo administrativo disciplinar, poderá ser decretada a indisponibilidade de
bens de ambos;
d) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e,
no bojo do processo administrativo disciplinar, poderá ser decretada a indisponibilidade de
bens apenas de Ronaldo;
e) Ronaldo e a sociedade empresária responderão por ato de improbidade administrativa e, so-
mente no bojo do processo judicial, poderá ser decretada a indisponibilidade de bens de ambos.

Letra e.
No caso narrado, tanto Ronaldo quanto a sociedade empresária responderão pelos atos de
improbidade administrativa. Isso acontece na medida em que a Lei n. 8.429/1992 apresenta,

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em seu artigo 3º, que “As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que,
mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade
ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta”.
Uma das medidas cabíveis, quando estivermos no curso de uma ação de improbidade admi-
nistrativa, é a decretação da indisponibilidade dos bens, evitando assim que os particulares
investigados dilapidem o seu patrimônio e não tenham como ressarcir os cofres públicos.
Importante frisar que a decretação da indisponibilidade, tal como a aplicação de qualquer uma
das sanções previstas na norma em análise, apenas pode ser decretada pelo Poder Judiciário.

Questão 4 (FGV/PREF NITERÓI/2015) De acordo com o texto constitucional, sem prejuízo


da ação penal cabível, os atos de improbidade administrativa importarão, na forma e grada-
ção previstas em lei:
a) a cassação dos direitos políticos, a suspensão da função pública, o arresto dos bens e a
devolução em dobro do valor do dano ao erário;
b) a multa civil, a proibição de contratar com o poder público, o ressarcimento ao erário e a
cassação dos direitos políticos;
c) a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens
e o ressarcimento ao erário;
d) a inelegibilidade, a  suspensão do cadastro de pessoa física ou do cadastro nacional de
pessoa jurídica e o ressarcimento ao erário;
e) a devolução em dobro do valor do dano ao erário, a suspensão dos direitos administrativos
e o sequestro dos bens adquiridos ilicitamente.

Letra c.
As questões que exigem o conhecimento das consequências pelos atos de improbidade es-
tão previstas no artigo 37, § 4º da Constituição Federal, muito exigido em provas de concurso
público:

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Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Questão 5 (FGV/TJ BA/ADMINISTRATIVA/2015) O Tribunal de Contas do Estado da Bahia


verificou que determinado gestor estadual percebeu vantagem econômica indevida e direta
para facilitar a aquisição de bem imóvel pelo Estado, por preço superior ao valor de mercado.
Assim, a Corte de Contas remeteu a documentação pertinente ao Ministério Público Estadual,
que ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa. No caso em tela, o ges-
tor está sujeito, no bojo do citado processo judicial, dentre outras, às seguintes consequên-
cias pelo ato de improbidade administrativa:
a) cassação dos direitos políticos, perda da função pública, inscrição no serviço de proteção
ao crédito;
b) Pena – privativa de liberdade, perda da função pública, suspensão do cadastro de pessoa
física;
c) suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade dos bens e
ressarcimento ao erário;
d) proibição de figurar como sócio de qualquer sociedade empresária, perda da função públi-
ca e ressarcimento ao erário;
e) perda da função pública, ressarcimento ao erário, pena privativa de liberdade e cassação
dos direitos políticos.

Letra c.
As questões que exigem o conhecimento das consequências pelos atos de improbidade es-
tão previstas no artigo 37, § 4º da Constituição Federal:

Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

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Questão 6 (FGV/MPE RJ/NOTIFICAÇÃO E ATOS INTIMATÓRIOS/2016) Promotor de Justiça


Criminal notificou diversas vezes famoso político ex-ocupante de mandato eletivo municipal
para comparecer ao órgão de execução ministerial, na qualidade de testemunha, para prestar
declarações, no bojo de procedimento investigatório criminal com sigilo decretado, que apura
crimes contra a Administração Pública. Diante da recusa reiterada e injustificada de compa-
recimento do político, o Promotor determinou sua condução coercitiva, designando Antônio,
Técnico do Ministério Público da Área de Notificação (TNAI), e  policiais para cumprirem a
diligência. Com o escopo de fornecer informação privilegiada ao político, o TNAI Antônio re-
velou-lhe fato de que tinha ciência em razão de suas atribuições e que devia permanecer em
segredo, ou seja, que seria conduzido coercitivamente na manhã do dia seguinte. A conduta
do TNAI Antônio frustrou a diligência, pois o político viajou para local incerto. De acordo com
a Lei n. 8.429/90, o TNAI Antônio:
a) não cometeu ato de improbidade administrativa, eis que não houve prejuízo ao erário, mas
cometeu crime contra a administração pública, que deverá ser julgado pelo juízo de compe-
tência criminal do local onde ocorreram os fatos;
b) não cometeu ato de improbidade administrativa, eis que não houve prejuízo ao erário, mas
cometeu infração administrativa disciplinar punível com pena de demissão;
c) cometeu ato de improbidade administrativa, que deverá ser julgado pelo juízo de compe-
tência criminal do local onde ocorreram os fatos;
d) cometeu ato de improbidade administrativa, que pode acarretar, dentre outras sanções,
o ressarcimento integral do dano e a cassação dos direitos políticos;
e) cometeu ato de improbidade administrativa, que pode acarretar, dentre outras sanções,
a perda da função pública e o pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remune-
ração percebida pelo agente.

Letra e.
Para respondermos rapidamente a questão, temos que identificar, no enunciado, a conduta de
improbidade administrativa praticada pelo servidor Antônio. E ela está presente no seguinte

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trecho: “O TNAI Antônio revelou-lhe fato de que tinha ciência em razão de suas atribuições e
que devia permanecer em segredo”.
De acordo com a Lei n. 8.429/1992, tal conduta implica em improbidade por violação aos
princípios da Administração Pública:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da adminis-
tração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
III – revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva perma-
necer em segredo;

Para esta espécie de improbidade, as sanções, de acordo com as Lei n. 8.429/1992, são as
seguintes:
• perda da função pública;
• suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
• pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo
agente;
• proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais
ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da
qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Questão 7 (FGV/TJ PI/ADMINISTRATIVA/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2015) A posse e o


exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração dos bens e
valores que compõem o seu patrimônio privado, que deve ser arquivada no serviço de pesso-
al competente. De acordo com a Lei de Improbidade Administrativa, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do
prazo determinado, ou que a prestar falsa, será punido com a pena de:
a) multa e suspensão da função pública;
b) multa e advertência;
c) suspensão até apresentar o documento;
d) exoneração, com multa no valor de um salário-mínimo;
e) demissão, a bem do serviço público.

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Letra e.
Trata-se de questão que exige o conhecimento do artigo 13, § 3º, da Lei n. 8.429:

Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determi-
nado, ou que a prestar falsa.

Questão 8 (FGV/DPE RO/ANALISTA JURÍDICO/2015) Marcelo exerceu cargo em comissão


de Assessor Executivo em determinado Município do Estado de Rondônia, de janeiro a de-
zembro de 2009. Em abril de 2015, o Ministério Público Estadual ajuizou ação civil pública por
ato de improbidade administrativa imputando a Marcelo a prática de conduta que, em tese,
atentou contra princípios da administração pública e frustrou a licitude de concurso público,
sem, contudo, ter causado dano ao erário. Por estar desempregado desde sua exoneração e
em situação de hipossuficiência econômica, Marcelo buscou auxílio jurídico na Defensoria
Pública. Na defesa prévia do assistido, dentre outros argumentos, o Defensor Público alegou
corretamente que, de acordo com a Lei n. 8.429/1992:
a) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até cinco anos após o término do exercício do cargo em comissão;
b) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até dois anos após o término do exercício do cargo em comissão;
c) apesar de ser imprescritível a pretensão autoral, o réu não possui legitimidade ad causam
para figurar no polo passivo, porque atualmente não exerce qualquer função pública;
d) apesar de ser imprescritível a pretensão autoral, o réu não possui legitimidade ad causam
para figurar no polo passivo, porque não era agente político, mas mero ocupante de cargo em
comissão à época dos fatos;
e) já ocorreu prescrição da pretensão autoral, pois a ação deveria ter sido proposta no prazo
de até dois anos após o término do exercício do cargo em comissão, e que o réu não possui
legitimidade ad causam para figurar no polo passivo.

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Letra a.
O prazo de prescrição para as ações de improbidade administrativa é de 5 anos, que serão
contados, no caso de exercício de cargo de comissão ou função de confiança, a partir do tér-
mino do respectivo exercício.
No caso narrado, o término do exercício do cargo em comissão de Marcelo foi em dezembro
de 2009. Como consequência, a ação de improbidade administrativa poderia ter sido proposta
até dezembro de 2014, encontrando-se, em abril de 2015, prescrita.

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I – até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança;

Questão 9 (FGV/AL-BA/2014/TÉCNICO SUPERIOR) No que concerne ao ato de improbida-


de administrativa que causa prejuízo ao erário, assinale a afirmativa correta.
a) Não há a necessidade de comprovação de dolo ou culpa para a responsabilização do
servidor.
b) Apenas haverá responsabilização do servidor quando restar provado o dolo, não bastando
a comprovação da culpa.
c) o dolo ou a culpa são necessários para a responsabilização do servidor.
d) O prejuízo ao erário decorrente de omissão culposa não possibilita a responsabilização por
ato de improbidade administrativa.
e) O prejuízo ao erário, sem que haja enriquecimento ilícito, não tem o condão de caracterizar-
-se como ato de improbidade administrativa.

Letra c.
Das três hipóteses de atos de improbidade administrativa (enriquecimento ilícito, prejuízo ao
erário e desrespeito aos princípios da administração pública), a doutrina entende que apenas
nas situações de prejuízo ao erário é que poderá haver a responsabilização por dolo ou culpa.
Nas duas demais espécies, apenas com a ocorrência de dolo (intenção) é que poderá ocorrer
a responsabilização. Nesse sentido é a posição do STJ (REsp 1364529):

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Para que seja configurado o ato de improbidade de que trata a Lei n. 8.429/99, “é necessária a de-
monstração do elemento subjetivo, consubstanciado pelo dolo para os tipos previstos nos artigos
9º e 11 e, ao menos, pela culpa, nas hipóteses do artigo 10.

Questão 10 (FGV/TCE-BA/2013/AGENTE PÚBLICO) Dentre as medidas a seguir, assinale


aquela que pode ser imposta a quem pratica ato de improbidade administrativa.
a) Prisão ainda que o fato não seja tipificado como crime.
b) Perda dos direitos políticos.
c) Perda dos direitos civis.
d) Perda da nacionalidade brasileira.
e) Ressarcimento ao erário, ainda que as sanções estejam prescritas.

Letra e.
De acordo com a Constituição, as seguintes condutas podem ser imputadas aos Agentes Pú-
blicos que praticarem Improbidade Administrativa (artigo 37, § 4º):

Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Quanto ao ressarcimento, determina a CF/88 que este, ao  contrário das demais sanções,
é imprescritível (artigo 37, § 5º):

A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou
não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

Questão 11 (FGV/CONDER/2013/ADVOGADO) No que concerne ao sujeito ativo do ato de


improbidade administrativa, assinale a afirmativa correta.
a) Aquele que não é considerado agente público pela Lei n. 8.429/1992 poderá responder por
improbidade administrativa.
b) A Lei de Improbidade aplica-se apenas a servidores públicos.
c) A Lei de Improbidade aplica-se apenas contra agentes públicos que venham a lesar entida-
de na qual o poder público contribua com mais de 50% para a criação ou custeio.

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d) A pessoa que é vinculada a entidade pública sem remuneração não pode ser considerada
agente público para fins de aplicação da Lei de Improbidade Administrativa.
e) A pessoa que é vinculada a entidade pública de forma transitória não pode ser considerada
agente público para fins de aplicação da Lei de Improbidade Administrativa.

Letra a.
O conceito de Agente Público utilizado para efeitos de responsabilização por Improbidade Ad-
ministrativa é o mais amplo possível, recaindo, inclusive, para aqueles que exercem atividade
não remunerada ou em caráter transitório.
Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que tran-
sitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qual-
quer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades
mencionadas no artigo anterior.
No entanto, a responsabilização não é restrita aos agentes públicos, de forma que os tercei-
ros que receberem vantagem poderão, da mesma forma, sofre as penas da Lei n. 8.429/1992,
conforme se verifica da literalidade do artigo 3º:

As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente pú-
blico, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer
forma direta ou indireta.

Questão 12 (FGV/SUDENE/2013/ANALISTA TÉCNICO) A Lei n. 8.429/1992 dispõe sobre os


atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos. A referida lei classifica
os atos de improbidade em atos que importam enriquecimento ilícito, atos que causam preju-
ízo ao erário e atos que atentam contra os princípios da Administração Pública.
Com relação a essa classificação legal, analise as afirmativas a seguir.
I – Frustrar a ilicitude de concurso público é ato de improbidade que causa prejuízo ao
erário.
II – Deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, é ato de improbidade admi-
nistrativa que importa em enriquecimento ilícito.

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III – Negar publicidade de atos oficiais é ato que atenta contra os princípios da Administra-
ção Pública.

Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

Letra c.
Item I.
Errado. Ao frustrar a licitude do concurso público, temos que o servidor não respeitou o prin-
cípio da Impessoalidade. Logo, houve violação aos princípios da Administração Pública.
Item II.
Errado. Perceba que, ao deixar de prestar contas quando esteja obrigado a assim proceder,
não houve vantagem do agente público ou de um terceiro alheio à função estatal. Logo, des-
respeito aos princípios da Administração Pública.
Item III.
Certo. Item certo pelos mesmos motivos dos itens anteriores, ou seja, considerando que não
houve vantagem do agente ou de terceiros, a situação de Improbidade recai em Desrespeito
aos Princípios da Administração Pública.

Questão 13 (FGV/TJ-AM/2013/ANALISTA) Com relação aos atos de improbidade adminis-


trativa, assinale V para a afirmativa verdadeira e F a falsa.
 (  ) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamen-
te, está sujeito às cominações (ameaça de punição, por infração à lei) da Lei até o limite
do valor da herança.

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 (  ) Comete um ato de improbidade administrativa aquele que, mesmo não sendo agente
público, induza ou concorra para a prática de ato de improbidade que o beneficie de
forma direta ou indireta.
 (  ) Reputa-se agente público, para os efeitos da Lei específica, todo aquele que exerce,
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, mandato, cargo, emprego ou função
nas entidades.

As afirmativas são respectivamente:


a) V, F e F.
b) F, F e V.
c) V, V e F.
d) F, V e F.
e) V, V e V.

Letra e.
Item I. Certo. O item está de acordo com o artigo 8º da Lei n. 8.429/1992:

O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está su-
jeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança.

Item II. Certo. Item está de acordo com o artigo 3º da Lei n. 8.429:

As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente pú-
blico, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer
forma direta ou indireta.

Item III. Certo. O item está de acordo com o artigo 2º da mesma norma:

Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoria-
mente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra
forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas
no artigo anterior.

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Questão 14 (FGV/TJ-AM/2013/ANALISTA) Os atos de improbidade administrativa possuem


uma disciplina específica no nosso ordenamento jurídico. Com relação ao regramento da im-
probidade administrativa pelo nosso ordenamento jurídico, assinale a afirmativa correta.
a) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário e à perda da função pública e dos direitos políticos.
b) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário e à perda dos direitos políticos.
c) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário, à perda da função pública e à suspensão dos direitos políticos.
d) O ato de improbidade sujeita o autor à indisponibilidade dos bens, ao  ressarcimento ao
erário, à perda direitos políticos e à suspensão da função pública.
e) O ato de improbidade sujeita o autor apenas à indisponibilidade dos bens, ao ressarcimen-
to ao erário e à suspensão da função pública.

Letra c.
De acordo com a Constituição Federal, artigo 37, § 4º:

Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Questão 15 (FGV/PREF NITERÓI/2015) De acordo com o texto constitucional, os  atos de


improbidade administrativa importarão, na forma e gradação previstas em lei:
a) a perda dos direitos políticos, o afastamento cautelar da função pública, o ressarcimento
ao erário e a multa;
b) a perda da função pública, o  sequestro dos bens, a  suspensão do cadastro nacional de
pessoa jurídica e a multa;
c) a pena privativa de liberdade, a suspensão dos direitos políticos, a perda do cargo público
e o ressarcimento ao erário;

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d) a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens
e o ressarcimento ao erário;
e) a pena privativa de liberdade, o sequestro dos bens, a perda do cargo público e o ressarci-
mento ao erário.

Letra d.
Esta questão exige o conhecimento do artigo 37, §  4º da Constituição Federal, de seguin-
te teor:

Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação pre-
vistas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Questão 16 (FGV/ALERJ/QUALQUER NÍVEL SUPERIOR/2017) A Lei n. 8.429/1992 dispõe


sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no
exercício de função na administração pública.
Acerca das disposições legais relativas à declaração de bens pelos agentes públicos, é cor-
reto afirmar que:
a) a posse no cargo do agente público é condicionada à apresentação de declaração de bens;
b) a declaração de bens do agente público está limitada ao seu patrimônio pessoal;
c) a declaração de bens só precisa ser atualizada quando houver alterações significativas no
patrimônio do agente público;
d) é obrigatória a entrega de cópia da declaração anual de imposto de renda do agente público;
e) a pena para o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens é a suspensão.

Letra a.
No momento da posse, como medida necessária ao controle da evolução patrimonial do agen-
te público, deve o servidor apresentar a declaração de bens que constitui o seu patrimônio.
b) Errada. Ao contrário do que afirmado, a declaração compreenderá imóveis, móveis, semo-
ventes, dinheiro, títulos, ações, e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais, loca-

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lizado no país ou no exterior, e, quando for o caso, abrangerá os bens e valores patrimoniais
do cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência
econômica do declarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso doméstico.
c) Errada. A declaração precisa ser anualmente atualizada.
d) Errada. Não há obrigatoriedade de entrega de cópia da declaração de imposto de renda.
Em sentido diverso, a Lei n. 8.429/1992 apresenta a possibilidade de entrega como forma de
suprir a exigência da entrega da declaração de bens.
e) Errada. Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de ou-
tras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro
do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

Questão 17 (FGV/ TCM-PA/2008) Proposta ação de improbidade administrativa, após au-


tuada, o Juiz ordenará a notificação do requerido, para oferecer manifestação por escrito, no
prazo de:
a) 20 dias.
b) 10 dias.
c) 15 dias.
d) 5 dias.
e) 30 dias.

Letra c.
O prazo em questão, de acordo com a Lei n. 8.429/1992, é de 15 dias.

Art. 17
§ 7º Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do reque-
rido, para oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justifica-
ções, dentro do prazo de quinze dias.

Questão 18 (FGV/PC AP/2010) Tem legitimidade para representar à autoridade administra-


tiva competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade:

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a) somente o Ministério Público.


b) somente o controle externo ou corregedoria do órgão.
c) somente o controle interno do órgão, em caráter sigiloso.
d) somente o Ministério Público, Tribunal ou Conselho de Contas.
e) qualquer pessoa que deseje ver apurada a prática de ato de improbidade.

Letra e.
A legitimidade para representar à autoridade administrativa acerca da existência de ato de
improbidade é conferida a qualquer pessoa, conforme previsão da Lei n. 8.429:

Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja
instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade.

Questão 19 (FGV/TCE-BA/2014/ADAPTADA) Dentre as medidas a seguir, assinale aquela


que pode ser imposta a quem pratica ato de improbidade administrativa.
a) Prisão ainda que o fato não seja tipificado como crime.
b) Perda dos direitos políticos.
c) Perda dos direitos civis.
d) Perda da nacionalidade brasileira.
e) Ressarcimento ao erário.

Letra e.
Para respondermos a questão, façamos uso de uma importante regra expressa no texto da
Constituição Federal.

Art. 37
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Dentre as medidas elencadas pela questão, apenas o ressarcimento ao erário trata-se de uma
possibilidade para os atos de improbidade administrativa.

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Questão 20 (FGV/MPE RJ/PROCESSUAL/2016) Hamilton foi eleito Prefeito Municipal para


o período de 2005 a 2008. No ano de 2007, Hamilton concedeu benefício fiscal a determi-
nada sociedade empresária, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares
aplicáveis à espécie. O Prefeito foi reeleito e encerrou seu mandato em 31 de dezembro de
2012. Em 2015, o Promotor de Tutela Coletiva com atribuição em patrimônio público na área
do Município recebeu peças de informação do Tribunal de Contas noticiando a ilegalidade.
Imediatamente, o Promotor instaurou inquérito civil público e, em abril de 2016, concluiu as
investigações com fartas provas da prática de improbidade administrativa. No caso em tela,
de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável à matéria, é correto afirmar que:
a) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de improbi-
dade em relação a Hamilton, mas a sociedade empresária ainda pode ser acionada com base
na responsabilidade civil;
b) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de improbida-
de em relação a Hamilton e à sociedade empresária, pois o prazo de cinco anos é contado a
partir da data do ilícito;
c) já ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções pessoais da lei de
improbidade em relação a Hamilton e à sociedade empresária, mas é possível ajuizamento de
ressarcimento, pois o dano ao erário é imprescritível;
d) ainda não ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de
improbidade em relação a Hamilton e à sociedade empresária, pois o prazo para ambos é de
cinco anos contados a partir do término do segundo mandato eletivo;
e) ainda não ocorreu a prescrição da pretensão estatal de aplicação das sanções da lei de
improbidade em relação a Hamilton, pois o prazo de cinco anos é contado a partir do término
do segundo mandato eletivo, mas já transcorreu a prescrição para a sociedade empresária.

Letra d.
Esta é uma importante questão para compreendermos a forma como a banca elabora suas
questões.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
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Na situação narrada, estamos diante de um prefeito que foi reeleito para um novo mandato.
Considerando que o prazo prescricional previsto na Lei n. 8.429/1992 é de 5 anos, este, no
caso de reeleição, deve ter início após o término do segundo mandato.
Nesse sentido, por exemplo, é o entendimento do STJ (REsp 1153079/BA).

1. O termo inicial do prazo prescricional da ação de improbidade administrativa, no caso de reelei-


ção de prefeito, se aperfeiçoa após o término do segundo mandato. 2. O artigo 23, inciso I, da Lei
n. 8.429/1992, faz essencial à constituição do dies a quo da prescrição na ação de improbidade
o término do exercício do mandato ou, em outras palavras, a cessação do vínculo temporário do
agente ímprobo com a Administração Pública, que somente se verifica, no caso de reeleição, após
o término do segundo mandato, pois que, nesse caso, há continuidade do exercício da função de
Prefeito, por inexigido o afastamento do cargo.

Logo, o  prazo prescricional, na situação apresentada, iria até 31/12/2017, de forma que a
ação proposta não se encontra prescrita.
Com relação à sociedade empresária, a Lei n. 8.429/1992 foi omissa em estabelecer um prazo
prescricional.
Coube à doutrina, desta forma, afirmar que o prazo a ser observado, nestas situações, é  o
mesmo daquele aplicado para o agente público que, em conjunto, causou o do ato de impro-
bidade.
Assim, por exemplo, é o entendimento do STJ (REsp 1156519/RO):

Em relação ao terceiro que não detém a qualidade de agente público, incide também a norma do
art. 23 da Lei n. 8.429/1992 para efeito de aferição do termo inicial do prazo prescricional.

Com base nestes dois entendimentos, verifica-se que ambos os prazos prescricionais ainda
não transcorreram quando da propositura da ação de improbidade.

Questão 21 (FGV/IBGE/PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES/2016/ADAPTADA)


De acordo com a Lei n. 8.429/1992, que dispõe sobre os atos de improbidade administrativa,
a prescrição para a pretensão de aplicação aos agentes das sanções pessoais pela prática de
ato de improbidade ocorre em:

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a) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de


confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
b) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, sendo que o ressarcimento ao erário é imprescritível;
c) cinco anos após o término do exercício de mandato eletivo e dois anos após o fim da inves-
tidura de cargo em comissão ou de função de confiança;
d) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
e) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança.

Letra e.
Vejamos, de acordo com a Lei n. 8.429/1992, os prazos prescricionais estabelecidos.

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I – até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função
de confiança;
II – dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
III – até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final
pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1º desta Lei.

Questão 22 (FGV/PREF FLORIANÓPOLIS/2014) Tício, Vereador Presidente da Câmara Muni-


cipal, em conluio com o sócio-administrador da sociedade empresária Mutretas Muitas Ltda,
dispensou indevidamente processo licitatório, com o intuito de favorecer seu amigo João,
fato que causou dano ao erário. De acordo com o ordenamento jurídico, a  condenação de
Tício por improbidade administrativa:
a) tem por sanção a aplicação de pena privativa de liberdade;
b) deve ser decretada pelo Tribunal de Justiça, pois Tício possui foro especial por prerrogativa
de função;

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c) importa a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade


dos bens e o ressarcimento ao erário;
d) ocorre após regular processo administrativo disciplinar, respeitados o contraditório e am-
pla defesa;
e) é decretada após regular processo criminal e tem como sanções o ressarcimento ao erário,
cassação dos direitos políticos e pena privativa de liberdade.

Letra c.
Trata-se das sanções previstas, de acordo com o texto da Constituição Federal:

Art. 37
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

a) Errada. A pena privativa de liberdade não é medida aplicável para os atos de improbidade
administrativa.
b) Errada. Não há foro privilegiado nas ações de improbidade administrativa.
d) Errada. Não há necessidade de processo administrativo disciplinar para a aplicação de to-
das as sanções decorrentes de improbidade. Como exemplo, temos a sanção de suspensão
dos direitos políticos, que independe de PAD.
e) Errada. A ação de improbidade é uma ação tipicamente cível, e não uma ação criminal.

Questão 23 (FGV/ALERJ/CIÊNCIAS CONTÁBEIS/2017) A Lei Federal n. 8.429/1992 trata dos


atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos e os apresenta em três
tipos: os que importam enriquecimento ilícito, os  que causam prejuízo ao erário e os que
atentam contra os princípios da Administração Pública.
Constitui um exemplo de ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito:
a) agir negligentemente na arrecadação de tributos;
b) deixar de prestar contas quando estiver obrigado a fazê-lo;
c) frustrar a licitude de concurso público;

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d) ordenar a realização de despesas não autorizadas;


e) usar, em proveito próprio, bens integrantes do patrimônio das entidades públicas.

Letra e.
Nas situações de enriquecimento ilícito, o agente público é beneficiado diretamente com a
medida.
Dentre as situações apresentadas, apenas ao “usar, em proveito próprio, bens integrantes do
patrimônio das entidades públicas” é que temos esta característica atendida.

Questão 24 (FGV/PREF RECIFE/FINANÇAS PÚBLICAS/2014) No caso de atos de impro-


bidade administrativa que atentem contra os princípios da administração pública, a  Lei n.
8.429/1992 impõe, como uma das suas cominações,
a) a suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco a oito anos.
b) a proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de cinco anos.
c) a proibição de receber benefícios ou incentivos fiscais, direta ou indiretamente, pelo prazo
de cinco anos.
d) a suspensão da função pública pelo prazo de até três anos.
e) o pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente.

Letra e.
Quando o ato de improbidade estiver classificado como violador dos princípios da Adminis-
tração Pública, as seguintes sanções podem ser adotadas:

Ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políti-
cos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração perce-
bida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

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Questão 25 (FGV/MPE RJ/ADMINISTRATIVA/2016) Rodrigo é servidor público estadual ocu-


pante exclusivamente de cargo em comissão e está lotado em setor da controladoria do Esta-
do. De forma livre e consciente e no exercício da função pública, Rodrigo descumpriu normas
relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parceria firmada pela adminis-
tração pública com determinada entidade privada, que se beneficiou do ato, bem como negou
publicidade a ato oficial, pois impediu a publicação na imprensa oficial do extrato do termo de
parceria, tudo em conluio com o particular beneficiado. De acordo com a Lei n. 8.429/1992,
em tese:
a) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
cuja prescrição é de 5 (cinco) anos contados da data da conduta ímproba;
b) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
para cuja configuração é prescindível a existência de dano patrimonial ao erário;
c) Rodrigo e a entidade privada incorreram na prática de ato de improbidade administrativa,
e o Ministério Público deverá decretar, no bojo de inquérito civil público, a indisponibilidade de
seus bens para ressarcimento ao erário;
d) Rodrigo incorreu na prática de ato de improbidade administrativa, desde que fique compro-
vado que houve dano patrimonial ao erário, mas a entidade privada responderá apenas com
base na responsabilidade civil;
e) Rodrigo incorreu na prática de ato de improbidade administrativa, cuja prescrição é de 3
(três) anos contados da data da conduta ímproba, mas a entidade privada responderá apenas
com base na responsabilidade civil.

Letra b.
Na situação narrada, dois foram os atos de improbidade administrativa cometidos por Rodri-
go e pela sociedade empresária (que, ainda que seja particular, foi beneficiada com ambas as
condutas).

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

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XIX – agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de contas de par-
cerias firmadas pela administração pública com entidades privadas;
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da adminis-
tração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
IV – negar publicidade aos atos oficiais;

Observe que as violações estão classificadas em duas diferentes espécies de atos de impro-
bidade. Nesta situação, prevalece, para fins de aplicação das penalidades, a conduta cujas
sanções são mais gravosas.
Logo, devemos tomar por base, para analisar a questão, o ato de improbidade administrativa
que causa lesão ao erário.
b) Certa. Para a configuração como ato de improbidade administrativa, é prescindível (dis-
pensável) a efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público.

Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:


I – da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento;
II – da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Con-
selho de Contas.

a) Errada. Como Rodrigo ocupa um cargo comissionado, a prescrição terá início após o térmi-
no do exercício do cargo, e não a partir do dia em que houve a conduta.
c) Errada. A indisponibilidade dos bens, que é medida cautelar, deve ser decretada pelo Juiz,
que é quem julga a ação, e não pelo Ministério Público.
d) Errada. Como já afirmado, não há necessidade de dano ao patrimônio para a configuração
da improbidade. Além disso, tanto Rodrigo quanto a entidade privada (que foi beneficiada)
responderão pelos atos de improbidade.
e) Errada. O prazo prescricional, no caso, é de 5 anos, que serão contados a partir do momento
em que Rodrigo deixar de ocupar o cargo em comissão.

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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
Diogo Surdi

Questão 26 (FGV/PREF RECIFE/FINANÇAS PÚBLICAS/2014) Constitui ato de improbidade


administrativa qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialida-
de, legalidade e lealdade às instituições.
A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.
I – Praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na
regra de competência.
II – Revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva
permanecer em segredo.
III – Frustrar a licitude de concurso público.

São atos que atentam contra princípios da Administração Pública


a) somente I.
b) somente II.
c) somente I e III.
d) somente II e III.
e) I, II e III.

Letra e.
Todos os atos elencados são classificados como de improbidade administrativa por violação
aos princípios da Administração Pública.

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da adminis-
tração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
I – praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra
de competência;
III – revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva perma-
necer em segredo;
V – frustrar a licitude de concurso público;

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
Diogo Surdi

Questão 27 (FGV/TCM-PA/2008) A sanção patrimonial, na hipótese de atos de improbidade


administrativa praticados em detrimento de entidade cujo erário público haja concorrido para
a criação do respectivo patrimônio, pressupõe uma participação anual de:
a) mais de cinquenta por cento.
b) menos de cinquenta por cento.
c) mais de quarenta por cento.
d) menos de quarenta por cento.
e) mais de vinte por cento.

Letra b.
A questão exigiu o conhecimento do parágrafo único do artigo 1º da Lei n. 8.429:

Art. 1º
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade pratica-
dos contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou credi-
tício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou
concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nes-
tes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.

Ainda que o enunciado da questão seja bastante confuso, o que a banca exigiu do candidato
foi o conhecimento do percentual máximo de participação do Poder Público para que a enti-
dade, em atos de improbidade, apenas seja sancionada até o limite da repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos.
Para que isso ocorra, o percentual do Poder Público deverá ser de até 50% do patrimônio ou
da receita anual.

Questão 28 (FGV/ALERJ/2017) A Assembleia Legislativa instaurou comissão parlamentar


de inquérito para apurar as condições estruturais, materiais e de pessoal do sistema peni-
tenciário estadual, diante da reiteração de denúncias de tortura e maus tratos aos detentos.
A conclusão da CPI foi no sentido da procedência das representações, inclusive com a iden-
tificação de agentes penitenciários responsáveis pelas torturas.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
Diogo Surdi

De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:


a) o agente penitenciário responderá pelo crime de tortura e por infração disciplinar, mas não
poderá ser responsabilizado por ato de improbidade administrativa, eis que a vítima imediata
do ato ilícito não foi a Administração Pública e não houve dano ao erário;
b) o detento vítima do ato de tortura deverá pleitear diretamente do agente penitenciário que
praticou o ato ilícito indenização pelos danos sofridos, com base na responsabilidade civil
subjetiva, não se aplicando o art. 37, § 6º, da Constituição Federal por ausência de omissão
do poder público;
c) o agente penitenciário responsável direto pelo ato ilícito e o Secretário de Estado de Ad-
ministração Penitenciária responderão, em tese, solidariamente pelo crime de tortura, por in-
fração disciplinar e por ato de improbidade administrativa, o primeiro por ato comissivo e o
segundo por omissão;
d) a violência policial arbitrária não é ato apenas contra o particular-vítima, mas sim contra
a própria Administração Pública, ferindo suas bases de legitimidade e respeitabilidade, razão
pela qual o agente penitenciário responderá apenas na esfera penal, não havendo que se falar
em improbidade administrativa;
e) a tortura de preso custodiado no sistema prisional praticada por agente penitenciário
constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração
Pública, fora as demais repercussões nas esferas penal e disciplinar.

Letra e.
No caso, estamos diante de questão que apresenta uma importante informação: a prática de
tortura, de acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores, éato de improbidade admi-
nistrativa que viola os princípios da Administração Pública.
Nesse sentido é o entendimento exposto no REsp 1.177.910-SE, de seguinte teor:

A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de impro-
bidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública.

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Lei n. 8.429/1992 - Improbidade Administrativa
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Além disso, como não poderia deixar de ser, o agente causador da tortura está sujeito às de-
mais cominações legais (em âmbito penal e disciplinar).

Questão 29 (FGV/CONSULTORIA E ASSESSORAMENTO LEGISLATIVO/DIREITO CONSTITU-


CIONAL, ADMINISTRATIVO, ELEITORAL E PROCESSO LEGISLATIVO/2012) Extrai-se da juris-
prudência dominante do STJ que a improbidade administrativa, por ato administrativo tido
como violador de princípio, aperfeiçoa-se somente
a) com a transgressão do princípio.
b) mediante prova de prejuízo ao erário.
c) se comprovada má-fé do servidor.
d) nos atos vinculados, independentemente da subjetividade da conduta.
e) em face de comprovada conduta culpável.

Letra c.
Para que a improbidade administrativa esteja caracterizada, nos casos de atos que violem os
princípios da Administração Pública, exige-se, obrigatoriamente, a presença de dolo, ou seja,
a intenção na prática do ato por parte do agente público.
Logo, tais atos não são caracterizados como improbidade nas condutas meramente culposas.

Questão 30 (FGV/AFRE RJ/SEFAZ RJ/2007) Assinale a afirmativa incorreta.


a) É vedada ao servidor a utilização de bens da Administração Pública para fins particulares.
b) Somente se caracteriza ato de improbidade administrativa quando ocorre dano patrimonial
ao erário.
c) Constitui ato de improbidade administrativa facilitar a aquisição de bem ou serviço por
preço superior ao de mercado.
d) Permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento constitui exem-
plo de ato de improbidade administrativa.

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e) A lei prevê ser improbidade administrativa o ato de facilitar ou concorrer para que terceiro
se enriqueça ilicitamente.

Letra b.
Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra b está errada.
De acordo com a Lei n. 8.429/1992, para a caracterização dos atos de improbidade adminis-
trativa é dispensável (prescindível) a ocorrência de dano patrimonial ao Poder Público.

Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:


I – da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento;

Diogo Surdi
Diogo Surdi é formado em Administração Pública e é professor de Direito Administrativo em concursos
públicos, tendo sido aprovado para vários cargos, dentre os quais se destacam: Auditor-Fiscal da Receita
Federal do Brasil (2014), Analista Judiciário do TRT-SC (2013), Analista Tributário da Receita Federal do
Brasil (2012) e Técnico Judiciário dos seguintes órgãos: TRT-SC, TRT-RS, TRE-SC, TRE-RS, TRT-MS e
MPU.

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