DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I
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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

expondo os objetivos a serem atingidos. Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. nem uniforme. Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho. possibilita-lhe a aprendizagem e. apresentadas a seguir.. pintura.. entre outras.. Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. Na segunda seção. Auto-avaliação – Olhando para dentro. Síntese da Unidade – Repensando e provocando. Para cada momento e atividade são fornecidas as orientações necessárias..possibilidade de aprender com o outro. indispensáveis ao seu desenvolvimento e ao exercício de sua cidadania.. ao mesmo tempo em que se visa estimular em cada aluno a autonomia e a busca do conhecimento. e que aparecerão de acordo com a Partimos do pressuposto de que a finalidade da educação escolar é formar o aluno na sua globalidade. é apresentada a temática que será abordada na . mas obedece a um padrão básico... Também são oferecidas oportunidades de cooperação entre alunos-alunos e alunos-tutor. colocar o aluno em situações que lhe permitam construir conhecimentos.desenvolvimento da relação dialógica. organizamos diferentes estratégias para auxiliar o aluno a construir e a expressar seus conhecimentos.consideração dos conhecimentos prévios do aluno. Subseções especificidade do assunto tratado nas unidades. reflexões e análises. . É com muita satisfação que lhe apresentamos a estrutura dos fascículos que irão compor o seu Programa de Curso.. poderão assumir relação de interdependência. valores e atitudes enriquecer os conhecimentos sobre o assunto. nossa proposta é.. É justamente o posicionamento ativo desse sujeito diante do conhecimento que. A estrutura típica de cada unidade se inicia com a apresentação das expectativas de aprendizagem.. . embora as atividades e as propostas possam ser independentes.. acreditamos. unidade. . Trabalhamos com subseções volantes. pois. O princípio fundamental que norteou nosso trabalho foi dispensar um tratamento sério. De modo geral. consistente e agradável ao material que servirá como ponto de partida para os estudos propostos.. Esse pressuposto coincide com o que pensamos sobre o papel do aluno. buscando Assim. além de privilegiar o ensinoaprendizagem dos conhecimentos básicos que permeiam a formação profissional.. Os principais conceitos são abordados e o assunto é contextualizado e problematizado. a estrutura divide-se em sete grandes seções: Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho.. por nós considerado agente e sujeito de seu processo de aprendizagem. decorrente dos conteúdos abordados na unidade. o afetivo e o social. uma postura crítica e indagativa. Essa formação envolve os diferentes âmbitos do indivíduo – o cognitivo.incentivo ao aprender a aprender. . ... Das memórias às capacidades criativas Busca na vivência de cada pessoa informações que possam enriquecer seu desenvolvimento pessoal e profissional.. Estrutura dos Fascículos dramatização. Olhando para fora... Eles foram pedagogicamente concebidos para a Modalidade de Ensino a Distância e são estruturados em textos autoinstrucionais. Para Além das Fronteiras Localizando.desenvolvimento da autonomia do aluno. por conseguinte. Estas seções guardam uma dinâmica entre si.participação do aluno na construção e elaboração do conhecimento. . Outros princípios norteadores da organização didática e metodológica dos fascículos apóiam-se nas diretrizes: seguintes Na primeira seção. Mapeamento da Unidade e Referências Bibliográficas..Caro (a) Aluno (a): O fascículo não apresenta uma estrutura linear.. desenho. vinculando essas experiências a atividades como Textos e contextos: de pergunta em pergunta Dispõe textos e artigos relacionados ao tema e suas dimensões histórico-sociais com questões. Teleaula Apresenta a teleaula relacionada à unidade...

durante todo o processo formativo. como meios de despertar e aguçar a sensibilidade criativa.. Para Além das Fronteiras – Localizando. Os anexos trazem textos e artigos científicos de veiculação e reprodução livres. Anexos/Apêndices Ao final das unidades. sejam consultados. de domínio público ou autorizados pelas editoras e/ou autores. Indagação e busca Promove leituras. Olhando para fora. saberá aproveitar o suporte que este material lhe proporcionará. elaborados pelos responsáveis pelo conteúdo. Referências Bibliográficas. compõem a estrutura de cada unidade: referências dos documentos utilizados em cada unidade do fascículo... análises. caro aluno. filmes. elaboração de resumos e esquemas. outras duas complementares. textos. etc. privilegiando as normas da ABNT. artigos. apresenta todas as Obra prima Expõe obras de arte. quando possível.. a fim de contribuir para as sínteses provisórias do conhecimento. tem o objetivo de indicar livros. fotos. já os apêndices apresentam textos. apresentação de seminários para desenvolver habilidades e competências e atualizar os conhecimentos sobre o assunto. Possui informações e/ou conceitos que vão para além dos conteúdos tratados na unidade. redações. para que. sem medir esforços para aperfeiçoar seus conhecimentos e aplicá-los em sua futura prática profissional.aprendizagens realizadas.. o interesse e a busca por novos conhecimentos.. abrindo novas perspectivas de Intercâmbio de idéias: roda viva Promovendo a troca de idéias. A quarta seção. Na terceira seção. resgata a reflexão sobre as Acreditamos em você! Bom trabalho! Um Pouco Mais. sites. promovendo a interação do grupo. Mapeamento da Unidade.. o objetivo é consolidar os principais conceitos. Treinando Promove a fixação do conteúdo e leva ao raciocínio rápido a partir de um treinamento que é proposto ao aluno.. filmes. Análise de casos: reunindo experiências Com a apresentação de situações e casos fictícios ou reais relacionados ao tema. A quinta seção... etc.. a fim de aprofundar o conhecimento sobre o assunto. que são retomados e provocam novas indagações. destaca as expressões que traduzem os conceitos mais importantes abordados na unidade. Reflexão Permite o movimento da busca. A sétima seção.. enriquecimento e desenvolvimento pessoal e profissional. o aluno é provocado a posicionar-se criticamente. pesquisas. esquemas. da interrogação. A sexta seção. da indagação para uma compreensão mais apurada do assunto. possibilita o debate e estimula o desenvolvimento da capacidade crítica.. apresentamos anexos ou apêndices. letras de músicas.. Síntese da Unidade – Repensando e provocando. Temos certeza de que você. Além dessas grandes seções que constituem o padrão básico do fascículo. Dinâmica de grupo Revitaliza a motivação. Atividade extraclasse Tem a finalidade de permitir a autonomia do aluno para fazer pesquisa de campo em busca do conhecimento. Auto-Avaliação – Olhando para dentro. igualmente importantes. . encaminhando-a para a reflexão sobre o assunto.

...................................................................................................................................... 52 Auto-avaliação ...................... 55 Expectativas de Aprendizagem ...... REFLEXÃO E OBJETIVOS ......................................................................................................................................................................... 42 Mobilização do Conhecimento ............................................................................................................ 66 Auto-avaliação ..................................................................................................................................................................................... 09 UNIDADE 1: DIDÁTICA: HISTÓRIA............................................................... 28 Expectativas de Aprendizagem ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 40 UNIDADE 3: PLANEJAMENTO ESCOLAR ..................... 20 Mapeamento da Unidade ............ 49 Síntese da Unidade .................... 68 Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 39 Mapeamento da Unidade ........................................................................................................................................................................................ 40 Referências Bibliográficas .......... 28 Construção e Expressão do Conhecimento .......................................... 23 UNIDADE 2: TROCAS E MEDIAÇÕES PEDAGÓGICAS .................... 52 Para Além das Fronteiras ........................... 55 Mobilização do Conhecimento .............................................................................................................. 35 Síntese da Unidade ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 10 Construção e Expressão do Conhecimento ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 53 UNIDADE 4: OBJETIVOS NO PLANO DIDÁTICO ................................................ 10 Mobilização do Conhecimento ...................................... 19 Auto-avaliação .......................................................................................................................................................... 53 Referências Bibliográficas ........................ 60 Síntese da Unidade ....................................................................................................................................... 21 Referências Bibliográficas ......... 10 Expectativas de Aprendizagem ................................................... 67 Mapeamento da Unidade ........................... 19 Para Além das Fronteiras ...............................................................................................................................................Sumário INTRODUÇÃO ...................... 28 Mobilização do Conhecimento ............................................................................... 42 Expectativas de Aprendizagem .......................................................... 55 Construção e Expressão do Conhecimento ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 52 Mapeamento da Unidade ................................................................................................................................................ 16 Síntese da Unidade ....................... 37 Auto-avaliação ......................................................................... 68 ...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 21 Anexo: Trajetória Histórica da Didática ............................................................................................................................................................................................................................................... 42 Construção e Expressão do Conhecimento .............................................................................. 67 Para Além das Fronteiras ......................................................................................... 38 Para Além das Fronteiras .........................................................................................................................................................

................................................................. 106 Referências Bibliográficas ............... 81 Expectativas de Aprendizagem ........................................................................................................................................................................................................................................ 80 Referências Bibliográficas ......... 105 Mapeamento da Unidade .......................................... 93 Referências Bibliográficas ....... 80 UNIDADE 6: INTERDISCIPLINARIDADE ............................................................................................... 69 Expectativas de Aprendizagem .................................................................................................................................................................................... 117 Síntese da Unidade ................................................................................................................................................................................... 91 Auto-avaliação .......................... 107 Construção e Expressão do Conhecimento ....................................................................................................................... 106 UNIDADE 8: AVALIAÇÃO NO PLANO DIDÁTICO ........................................................................................................................................ 94 Mobilização do Conhecimento ................................................................................................................................................................................. 103 Síntese da Unidade . 69 Construção e Expressão do Conhecimento ............................................ 93 UNIDADE 7: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS NO PLANO DIDÁTICO ........... 92 Para Além das Fronteiras ................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 123 Referências Bibliográficas .............................................................................. 79 Para Além das Fronteiras ............................................................................................................................................................... 78 Auto-avaliação .................................................................................................................................................................................. 92 Mapeamento da Unidade .....................................................................UNIDADE 5: CONTEÚDOS NO PLANO DIDÁTICO ............................... 122 Mapeamento da Unidade ...................................................................................................................................................................................................................................... 107 Expectativas de Aprendizagem .................................................................................................................................................................................................................................................................. 77 Síntese da Unidade ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 123 ........................................ 104 Auto-avaliação ..................... 81 Construção e Expressão do Conhecimento ........................................................................................................................................................................................................................................................ 81 Mobilização do Conhecimento .......................................................................................................................................................................... 79 Mapeamento da Unidade ........................... 107 Mobilização do Conhecimento .............................................................................................................................................................................................. 90 Síntese da Unidade ..................................................................................... 94 Expectativas de Aprendizagem ............................................................................................... 69 Mobilização do Conhecimento ...................................................................... 121 Auto-avaliação ............................................................................................................................................................................................................................................... 94 Construção e Expressão do Conhecimento .................................................................... 105 Para Além das Fronteiras ......................................................................................................................................................................................................................................................... 122 Para Além das Fronteiras .........................................................

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Dentro desses fatores vemos a sala de aula e a relação entre professor e aluno na construção do conhecimento permeada por uma comunicação autêntica e respeito mútuo. na Unidade 8. Planejamento e Avaliação I. como parte desse processo de planejamento. a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos. essencial para a formação dos profissionais da educação. Dessa forma. disciplina esta que faz parte da grade curricular do curso de Pedagogia na modalidade EaD. os conteúdos escolares serão apresentados numa perspectiva ampla. Esperamos que no decorrer de nossos estudos você possa compreender que a didática tem como objetivo compreender. estudar e intervir na prática pedagógica. A partir de agora seremos parceiros na construção do conhecimento profissão professor. abordaremos a pedagógico. suas implicações na 9 . como veremos na Unidade 4. enfatizando-se o método. Assim. Trocas e Mediações Pedagógicas. psicológicos – ora se preocupa com as estratégias para ensinar – o como se ensina –. e. Como trabalhar os conteúdos e que estratégias ou caminhos seguir para que o aluno aprenda e se sinta comprometido. conseqüentemente. a dicotomia do método ou de quem aprende e envolvendo todos os sujeitos e processos presentes no ensino como fenômeno social. que demonstrando como eles contribuem no processo de construção do conhecimento do aluno. Na Unidade 5. Dando continuidade aos nossos estudos. Cabe dizer que cada uma dessas linhas se caracteriza pelos diversos momentos e mudanças sofridas no campo de estudo da didática. uma atividade que ultrapassa a mera formalidade escolar. Conteúdos no Plano Didático. analisar. chegamos aos dias de hoje. os processos internos. Nessa trajetória da didática. trataremos da construção da identidade docente como um processo dinâmico que interdisciplinaridade e sua contribuição como forma de entender e trabalhar o conhecimento construído no processo ensino-aprendizagem. Na Unidade 1. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino. Por fim. quais métodos usar e como usá-los será estudado na Unidade 7. Didática: História. trabalharemos como avaliar e o que é avaliação e também como deve ser avaliado o processo ensinoaprendizagem. Estudaremos a contribuição de grandes mestres para a delimitação e sistematização do objeto de estudo da didática e veremos que a gênese desse campo de investigação é marcada por duas linhas de estudo: uma centrada no sujeito e outra no método. Na Unidade 3. conheceremos o surgimento da didática. Isso significa que ora se prioriza o aluno e como este aprende – ou seja. Reflexão e Objetivos. premissa de que esse é um processo de reflexão e de tomada de decisões que envolve todos os integrantes do processo de ensino-aprendizagem. Com esse propósito. estudaremos a importância e concretização dos objetivos educacionais e a postura do docente na explicitação e definição destes tanto no planejamento escolar (plano de ensino e de aula) como no sistema educativo. Nessa mesma linha. reformulação e reelaboração de conceitos e práticas escolares. em outras palavras. Interdisciplinaridade. Planejamento Escolar. analisaremos o planejamento e seus diferentes momentos a partir da Vamos então começar esta empreitada que permitirá a você conhecer e construir seus saberes pedagógicos! Esperamos que nessa modalidade de trabalho possamos interagir e nos refazer como pedagogos mediante a reconstrução. na Unidade 6. assim. apresentaremos as oito unidades que compõem este fascículo. superando.Introdução envolve os diversos campos e saberes que fazem parte da Seja bem-vindo à disciplina Didática. vendo-a como um campo de estudo cujo objeto é o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social. Procedimentos Metodológicos no Plano Didático. Avaliação no Plano Didático. sua trajetória e seu objeto de estudo. Objetivos no Plano Didático. permitindo a formação de educadores críticos e comprometidos com sua profissão educação. na Unidade 2.

Esperamos que você possa construir um caminho como o dos grandes educadores e que a partir deste estudo possa fundamentar a sua prática docente. veremos que depois de estudar esta unidade as expressões como: esse professor não tem didática. porém... Reflexão e Objetivos EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Compreenda a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem..Didática: História... afinal ele domina o conteúdo é um expert no assunto. Vamos então conhecer um pouco da visão histórica da didática. ele não.. Conhecer esta trajetória permite repensar e entender o que é a didática. Identifique o objetivo de estudo da didática. – Nossa. – Mas lhe falta algo. as implicações e contribuições desta disciplina na sua formação de educador. ele 10 . pedagogia e educação. Iniciaremos esta unidade com uma breve análise da história da didática.. tem. Em algumas situações você talvez já tenha ouvido ou feito comentários a esse respeito. – Ah! Não concordo. História da Didática Ao término da aula. Conheça o contexto histórico da didática. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. ainda bem que acabou! – Não entendo porque você pensa desta maneira. Reconheça as relações entre didática.. seu objeto de estudo. ou ainda... não tem didática.

o ensino tem seu fundamento na própria natureza. dias e horas. educada nos bons costumes. cidades. provenientes da Europa Central. Esses estudiosos se transformaram em um marco na história da didática. pautada por idéias éticoreligiosas e de caráter revolucionário. Dessa forma. com cada etapa a seu tempo. Segundo Castro [2001]. Na obra de Comenio encontramos as bases para a generalização da escola e o acesso de toda população a ela. por ser divina. parte do simples para o complexo. para que todos tivessem direito a esses escritos. Vejamos então o que Comenio entendia por Didática: João Amós Comenio (1592-1670) Um processo seguro e excelente de instruir. e desta. nos mostra um caminho fácil e seguro para por em prática estas idéias com bom resultado e sem esforços extremos para o aluno. possa ser. possa ser formado nos estudos. O termo didática vem da expressão grega techné didaktiké. 11 . meses. mas não é didático. Nessa época os textos religiosos estavam escritos em latim. Foi em 1632 que João Amós Comenio (1592-1670) escreveu a Didática Magna. que significava ensinar ou instruir. Todavia. nos anos da puberdade. Um processo no qual o curso dos estudos é distribuído por anos. que. e qual é o significado (s) dessa palavra? Dessa forma. sem executar ninguém em parte alguma. necessitando de condições adequadas para se desenvolver. instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e á futura. 2002. que se traduz por arte ou técnica de ensinar. a partir dos trabalhos de dois grandes mestres revolucionários: Ratíquio e Comenio. deverão cair em desuso. já que através de seus trabalhos. Assim. p. escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo. com agrado e com solidez [COMÊNIO apud PIMENTA. fundamentados em idéias éticas e religiosas. 43]. impregnada de piedade. sistematizando o ensino através do esforço da racionalização dos meios de ensinar. é perfeita. os textos religiosos deveriam ser escritos nas línguas das diferentes localidades. Assim. Segundo as propostas de Comenio. com economia de tempo e de fadiga. O vocábulo origina-se do verbo grego didasko. as primeiras tentativas de sistematizar esta área de estudo se dão no século XVII. desenvolveram um método único para ensinar tudo a todos. sem a intermediação da Igreja Católica. maneira. Este livro foi considerado o primeiro tratado de didática.Unidade 1: Didática: História. pudemos ver que o termo didática já nasce trazendo a idéia de “ensino”. Reflexão e Objetivos sabe. em todas as comunidades de qualquer reino cristão. esperamos que depois deste estudo vocês possam entender que falar de Didática vai muito além desses tipos de colocações. que didática é essa de que todos falam. aldeias. pertencentes aos países onde a Reforma Protestante havia se instalado. Para o autor.

em diversas áreas (social. de modo marcante. Continuaremos nossos estudos agora com o processo da gênese nos séculos XVIII e XIX. Assim. científica e cultural) que transformaram o mundo. com ardor. suíço. como evidencia Castro: Essa etapa da gênese da Didática a faz servir. grande referência na Educação. à causa da Reforma Protestante. entre eles Pestalozzi (1749 . Antes de prosseguirmos com as idéias da Escola Nova é necessário falar de outro educador. política. mas. e esse fato marca seu caráter revolucionário. sem pressa e sem livros. em nome dela. que faz parte do movimento Escola Nova. Na época. segundo Castro [s/d]. estas só serão concretizadas e sistematizadas um século mais tarde. econômica. destinado às classes dominantes. Doutrinariamente. dentre elas se destacam: Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. e Emílio ou da Educação (1762). Continha os caminhos didáticos de como educar. no processo de origem da educação secundária e que propunha a formação dos jovens especialmente através da religião. a um novo conceito de infância. a Igreja Católica utilizava os trabalhos de Ratíquio – Ratio Atque Institutioni Studiorum 1 – para doutrinar. Nesse período. uma vez que o aspecto metodológico da Didática é centrado em princípios. marcada pelos acontecimentos significativos. uma estratégia a ser seguida.DIDÁTICA. de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. mas a obra Emílio dá origem. Observamos que a contribuição desses grandes mestres definiram a origem da didática como área do conhecimento específico. respeitando a sua natureza. Eles mostram que para educar é necessário um percurso. Essas idéias de Rousseau foram compartilhadas e trabalhadas por outros educadores. Rousseau não sistematiza a didática. Jean Jacques Rousseau. s/d]. Herbart. (1712 – 1778). com um campo próprio e disciplinar de estudo. A valorização da infância trouxe conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógica. 12 Jean-Jaques Rousseau (1712-1778) . com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” [CASTRO. na educação da criança. A estes educadores reformistas do século XVII devemos a identificação do fazer educativo como tal. Este era o Método Pedagógico dos Jesuítas. a sociedade corrompia a criança. o qual tinha o objetivo de formar integralmente o homem cristão de acordo com a cultura e fé da época. o objetivo é o seu desenvolvimento harmônico. não considerava o ritmo e os interesses dela ao impor um ensino pré-estabelecido e igual para todos. seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e. Esse percurso caracteriza o grande aporte que foi o realizado pelos reformistas. fundamental na história da didática: Johann F.1827). escreveu obras que marcaram a segunda revolução da didática. Do contrato social. e não em regras. respeitando um caminho que leve a conseguir resultados. normas e estratégias. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I 1 Ratio Studiorum (Ordem dos estudos) era um conjunto de conceitos. Para Rousseau.

representando a idéia de Comenio de um método único para ensinar tudo a todos. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. Johann F.1841) Rousseau lança. as quais entrarão em conflito: ora priorizando o aluno e como este aprende. o modo como ensinar. aluno. que. como sujeito que aprende. 2002]. o processo educativo tem como base seus próprios objetivos e meios. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. apresentação. Herbart erige as bases da pedagogia científica. Situa-se dentro da didática por ser o defensor da idéia da Educação pela instrução. assim como a importância do aspecto metodológico dentro da sua obra. enfatizando o método. que questiona o método único e a valorização dos aspectos externos ao sujeito-aprendiz decorrentes de Herbart. De um lado fica a linha metodológica. Nesse processo. psicológicos. acentuando o perene interno do educando. Herbart dava importância ao método de ensinar. ora preocupando-se e dando as estratégias para ensinar. motivação. Para ele. uma centrada no sujeito e outra no método. evidenciando o preparo da aula como de total responsabilidade para o sucesso do ensino [PIMENTA. na Alemanha. então. Este momento crucial de conflito da história da Didática é apontado da seguinte maneira por Castro [s/d]: Da original proposta didática do século XVII. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. nos processos internos. podemos entender a Escola Nova da seguinte forma: 13 . embora o faça em nome do sujeito (criança. Ele fez com que a Pedagogia fosse o ponto central de um círculo de investigação próprio. Herbart (1776 . em maio de 1776 – contribuiu de maneira marcante para a Pedagogia como ciência.Unidade 1: Didática: História. sistematização e aplicação dos conhecimentos adquiridos. sintetizando os autores estudados. De acordo com sua teoria. Reflexão e Objetivos De acordo com Zacarias [s/d]. Herbart – nascido em Oldenburgo. fortemente influenciada por seus conhecimentos da filosofia e da psicologia da época. Desse modo. A linha oposta parte do sujeito. Como você pode perceber. destaca-se o papel do professor. bem como a Ética e a Psicologia. de seus anseios e necessidades. É necessário observar que até este momento pudemos diferenciar duas linhas de estudo da didática. as bases da Escola Nova. qualquer situação de ensino devia cumprir os passos formais do método: preparação (da aula e da classe). por meio da aplicação de rigor e certa cientificidade ao seu método. o aluno. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. Foi o pioneiro da aplicação da psicologia experimental à Pedagogia e o primeiro a procurar enquadrar a Pedagogia como uma ciência da educação. Rousseau enfatizava a criança.

destacando-se as técnicas do planejamento racional das situações de ensinar [PIMENTA. área restrita às questões relacionadas à aprendizagem de crianças e adolescentes e. 2002]. É essa idéia de didática que está presente nos cursos de licenciatura e permite identificar a influência e a origem de alguns mitos sobre seu campo de estudo: técnicas para ensinar.DIDÁTICA. que teve por discípulo Anísio Teixeira (1900-1972). e seus objetivos para a educação encontram-se nas leis do desenvolvimento biológico da criança. com a informática. A didática no movimento escolanovista fica restrita aos métodos e procedimentos. Esse movimento expande-se com as idéias da médica italiana Maria Montessori (1870-1952) e do filósofo americano John Dewey (1870-1932). do alemão Kerchensteir (1854-1932) e do francês Decroly (1871-1932). requisito para formação de mão de obra do nascente capitalismo. Formulado com base nas contribuições de Pestalozzi (1749-1827). 44]. Na década de 1960. tendo como referência a eficácia nos resultados do ensino. Cada um destes pontos faz com que a didática seja vista por alguns apenas como um campo da educação que ajuda a elaborar boas aulas ou dar receitas para que todos os alunos aprendam. O movimento também conhecido como escolanovista muda o aspecto da didática. uma vez que enfatiza o sujeito-aprendiz como agente ativo da aprendizagem e valoriza os métodos que respeitam a natureza da criança e a motivação por aprender. e depois no final do século XX. Uma nova conceituação de didática aparece nesse contexto: fornecer aos novos professores os meios e instrumentos eficientes para o desenvolvimento e o controle do processo de ensinar. Para entender do que se preocupa a didática e o seu papel no campo educativo. Cabe à didática trabalhar com os fins do ensino o papel da escola estabelecido pela sociedade (dominante): preparar para o mercado do trabalho. Esta vertente tem suas bases na psicologia experimental (empirismo). principal responsável pela formulação e expansão desse movimento no Brasil [PIMENTA. surge um novo paradigma didático: o desenvolvimento de novas técnicas de ensinar. que é o critério de avaliação do sistema escolar. ao mesmo tempo. regras para um bom aprendizado. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Movimento que propôs alteração significativa nos métodos de ensinar baseado na atividade do aprendiz. 14 . com o desenvolvimento tecnológico. A didática indicaria apenas caminhos. considerada esta como direito e. período em que primam no mundo as técnicas e a tecnologia. normas. por isto deve ser realizada com objetividade científica. por último. uma vez que não é passível de verificação experimental. veremos a seguir qual é o seu objeto de estudo. 2002. o que acaba por deixar de fora a filosofia. autores europeus cujas idéias conviviam com a época em que a criança passava a ser valorizada no bojo do desenvolvimento industrial e da expansão da escolaridade pública. reduzir a docência ao espaço escolar. compreendidos como aplicação dos conhecimentos científicos e traduzidos em técnicas de ensinar. teoria de ensino formada por um corpo de conhecimentos técnicos e instrumentais (receitas para as situações de ensino). p. aplicando-as em diversas situações.

e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. determinado pelos seus agentes. Este momento nos permite compreender qual é o seu objeto no contexto educacional: o processo de ensino. pedagogia e didática? Podemos considerar que o ponto em comum entre elas é o processo de ensino-aprendizagem. entender o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social é a tarefa da didática. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. professores e alunos. antropológicos. Segundo Castro [s/d]. de acordo com Libâneo [2004. mas para ampliar e compreender as demandas que a atividade de ensinar produz. como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. dialogar com os outros campos do conhecimento numa perspectiva multidisciplinar e ajudar a criar respostas sobre a natureza deste campo. filosóficos ou outros. o objeto de estudo da didática é o ensino. vemos que o ensino teve diferentes conceitos e definições. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino não de maneira normativa. Reflexão e Objetivos Didática: objeto de estudo A partir dos anos 80 e 90 do século XX. conseqüências e soluções [PIMENTA. Desse modo. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. novos modelos de interpretação do ensino deram origem a novos enfoques. do momento. 15 . ou seja. é fácil entender que suas fronteiras devem ser fluidas. ao mesmo tempo. num determinado momento e realidade. considerando os saberes acumulados deste campo de estudo. o Ensino. tomemos então a área pedagogia. sociológicos. bem como compreender o funcionamento do ensino nas suas múltiplas instâncias e momentos. trata-se de “um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e. que. Pedagogia e Didática Qual é a diferença entre educação. do pensamento histórico e das ciências. podemos dizer que a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos. Dessa forma. uma diretriz orientadora da ação educativa”. o ensino é visto como um processo complexo. social. Ao estudar a história da didática. Dessa forma. Este é o desafio que já enfrentava Comenio e que os teóricos e estudiosos atuais da didática continuam a enfrentar. o estudo da didática tornou-se mais intenso. p. nem fracionado. mas entendido como: Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. mas como elas se distinguem? Conforme vimos no breve estudo introdutório desta unidade. artístico. atitudes morais ou intelectuais. 2002]. Educação. Nesta perspectiva. Para Pimenta [2002]. por exemplo). um processo dinâmico que não pode ser fragmentado. suas causas. políticos.Unidade 1: Didática: História. 29]. não se pode compreender a didática dissociada do mundo.

é um processo de transformações sucessivas tanto no sentido histórico quanto no desenvolvimento da personalidade. pense e reflita: Será que o conceito de didática que acabamos de estudar é o mesmo entendido hoje no campo da didática? Percebam que essa 16 . ou seja. A pedagogia originase. mas não é didático”. momentos em que aconteça a prática pedagógica. Pautando-se em nossos estudos e suas novas aprendizagens. “Ele sabe. que se ordena no sistema educacional de um país. exigindo para os envolvidos na prática educativa uma constante pesquisa e investigação. Tal perfil acompanha este campo de estudo. significando os resultados obtidos da ação educativa conforme propósitos sociais e políticos pretendidos. morais.” A didática. é um produto. ela não se restringe à sala de aula ou aos espaços escolares. Dessa forma. cria-se e se renova na relação teoria-prática da educação como ação educativa [PIMENTA. 23]. Este caráter evolutivo da didática faz que todo docente precise rever e atualizar os conceitos que envolvem a prática educativa e seus referenciais. princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática.DIDÁTICA.. mas está presente enquanto prática educativa. educação é um conceito amplo e corresponde às diversas influências de inter-relações necessárias para a formação da personalidade social e do caráter. políticas. p. em diferentes contextos dentro e fora da escola. “Nesse sentido a educação é instituição social. 2002]. o que implica uma concepção de mundo. a sua trajetória e o seu objeto de estudo sempre estiveram pautadas por momentos de transformações desde seu início. de ideais. o ato de ensinar. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo.. REFLEXÃO ______________________ Mediante a leitura realizada da Mobilização do Conhecimento. Segundo Libâneo [1992. valores e formas de agir que se manifestam por meio de convicções ideológicas. reflita sobre qual é o conceito de didática empregado nas afirmações apresentadas logo no início de nossos estudos: “Esse professor não tem didática”. num determinado momento histórico. a atividade de transformar a educação que ocorre na sociedade em conteúdos formativos. implicando objetivos sociopolíticos a partir dos quais se estabelecem a organização metodológica da ação educativa na sociedade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A pedagogia refere-se às finalidades da ação educativa.

A atividade deverá ser anexada em seu caderno. Remeta-se ao texto e comente a respeito da relação entre a didática e a sociedade. Em forma de um texto crítico. explicite suas considerações sobre o que vem a ser DIDÁTICA. e a importância que o professor deve atribuir ao ato de ensinar. ensino.Unidade 1: Didática: História. Reflexão e Objetivos didática refere-se a uma fragmentação ilusória e é parte de um intento de descontextualizar o que não pode ser fragmentado e já historicamente ultrapassado. Nela evidenciaremos o conceito de educação. realize anotações em seu caderno. VIDEOAULA ______________________ Vamos assistir agora à videoaula: A Importância do Ato de Ensinar. “Será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática. Depois respondam as seguintes questões: DE PERGUNTA EM PERGUNTA 1. Redija suas considerações sobre esta frase. 4. pedagogia e didática. 17 . uma espécie de receituário do bom ensino?”. 3. Registre suas respostas em seu caderno. Se considerar necessário. TEXTOS E CONTEXTOS: DE PERGUNTA EM PERGUNTA _______________________________________________________ Reúnam-se em duplas e leiam atentamente o texto anexo: “A Trajetória Histórica da Didática”. 2. Mediante a leitura realizada. reescreva as idéias principais sobre a didática em Rousseau e Herbert. Relacione os ideais escolanovista com a didática.

Vocês deverão buscar informações sobre as idéias da escola nova. Dois enfoques da didática: receituário ou contextualização do processo de ensino. estabelecendo a segunda revolução da didática. 2. As características que definem a didática. para que os grupos exponham suas considerações sobre seu item. realize uma pesquisa (na internet ou em livros). Itens: 1. A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet. Organizados os grupos. O (a) tutor (a) deverá organizar a sala em quatro grupos com número igual de integrantes. Vamos buscar conhecimentos? O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para que os alunos realizem uma pesquisa sobre o movimento da escola nova. conceituando a importância que ele destaca ao ensino desde a infância. o (a) tutor (a) deverá organizar a classe em uma grande roda. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Para ampliar seus conhecimentos sobre os conceitos utilizados por Rousseau. 3. “Nossa prática pedagógica em sala de aula é permeada por uma concepção de didática”. Lembrem-se de registrar as considerações dos outros grupos em seu caderno. iniciando. 4. Logo após a discussão. os principais fundadores envolvidos nestes ideais e qual foi seu marco inicial? A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. A conceituação. 18 . selecione um dos itens a seguir para cada equipe. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ É hora de dialogar e trocar idéias! Reúnam-se em grupos para posterior debate.DIDÁTICA. Os grupos deverão discutir e elencar tópicos sobre os aspectos que considerarem relevantes na discussão. uma plenária sobre a didática e suas possíveis conclusões. assim. o papel da didática no contexto atual.

e por outro lado a que se centra no aprendiz. Por um lado. a didática vai constituindo-se como teoria do ensino. podemos citar dois grandes momentos da didática que se perpetuam até hoje. tendo como pano de fundo as diferentes concepções de educação e ensino. “a didática é uma das áreas da Pedagogia. entendida como o estudo da prática pedagógica que envolve: os sujeitos que atuam. Segundo o que estudamos. que trata sobre como atuar em relação ao educando. A seguir apresentaremos algumas questões para lhe auxiliar nesta sua auto-avaliação: Compreendi a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem? Identifiquei o objetivo de estudo da didática? Consigo redigir uma linha do tempo sobre os diferentes momentos da didática? Posso definir didática e ensino? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio. podemos considerar que a didática é uma das áreas da Pedagogia. e considerado como processo complexo no qual participam sujeitos determinados (aluno-professor) que se transformam por meio dele. Estamos englobando os diferentes aspectos associados e que influenciam no ensino. Ambos os momentos nos levam a fragmentar o objeto de estudo da didática: o ensino. p. sendo marcadamente influenciada pela psicologia da criança. saindo dessa forma da mera Didática normativa. ora privilegiando uma área..Unidade 1: Didática: História. Sendo este uma ação historicamente situada. Agora convidamos você a realizar uma reflexão sobre seu aprendizado.. 66-67]. que instrui a receita de como ensinar. Dessa forma. ora outra. Nesta unidade analisamos a trajetória histórica da Didática. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. a linha que centra o objeto de estudo no Método. Olhando para fora. 19 . Ela investiga os fundamentos as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino.” Este perfil da didática como teoria do ensino e não meramente normativa é que deve estar presente durante toda a sua formação inicial e contínua. Nas palavras de Pimenta [2002... como referência para o fazer docente.. Reflexão e Objetivos SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando.. o conceito de educação e a praxis educativa.

. Vale a pena você conferir! UM POUCO MAIS. Nesse livro. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. São Paulo: DIFEL.. 20 . 525 p. Podendo ser destacada: a construção da infância por meio da escolaridade formal. Para avançar um pouco mais em seus conhecimentos a respeito da Ratio Studiurm. 1996. J. A.. para que esta não a corrompa. Esse livro apresenta as características necessárias à instituição escolar. prestigie os seguintes filmes: Ficha Técnica Título: O Clube do Imperador Direção: Michael Hoffman Gênero: Drama Origem: EUA Ano: 2002 Distribuição: Universal Pictures / UIP Duração: 109 min. enfatizando. 4. Para auxiliá-la durante esse processo. sugerimos a título de enriquecimento que consulte a seguinte bibliografia: COMENIUS.DIDÁTICA. ROUSSEAU. J. um ensino unificado. ed. Emílio ou Da Educação. Rousseau retrata a criança. Didática Magna. organização da escola e a transmissão dos saberes de todas as ciências e artes a todos. realista e permanente. eluciadando que durante a infância ela deve dispor de liberdade física e durante o seu desenvolvimento deverá conquistar a sua liberdade interior. 581 p. o educador deverá mantê-la longe dos perigos da sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Buscando ampliar e subsidiar seus estudos. J. 1968. assim..

Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

Sinopse Em uma escola da elite, um professor leciona a respeito de estudos de filósofos gregos e romanos. Certo é que sua prática pedagógica é baseada em uma metodologia tradicional, porém um dia um novo aluno se insere no grupo perturbando a ordem e questionando o modelo de ensino. Apesar de o aluno ser extremamente crítico, o professor o reconhece como sábio. Porém, fatos acontecem e talvez o professor poderá perder a confiança em seu aluno exemplar.

MAPEAMENTO DA UNIDADE

Ensino Pedagogia Didática Receita Objeto de Estudo Momentos históricos Método R E F E R Grandes Mestres Processo Centrado no aluno

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, A. D. O ensino como objeto da didática. In: CASTRO, A. et al. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira, 2001. _______. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2007. COMENIUS, J. A. Didática Magna. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. FREIRE, P. Professora sim, tia não – cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olhos D‟água, 1993.

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

LIBÂNEO, J. C Didática. São Paulo: Cortez, 1992. _______. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia, ciência da educação. São Paulo: Cortez, 1996. _______. Pedagogia e pedagogos, para quê? 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004. PIMENTA, S. G. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002. (Coleção Docência em formação). ROUSSEAU, J. J. Emílio ou Da Educação. São Paulo: DIFEL, 1968. WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal>. Acesso em: 22 set. 2008. ZACARIAS, V. L. C.. Herbart. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.com.br/herbart.html>. Acesso em: 13 dez. 2008.

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Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

ANEXO
CASTRO, A. D.. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf >. Acesso em: 8 out. 2008.

A Trajetória Histórica da Didática Houve Um Tempo de Didática Difusa Como adjetivo – didático, didática – o termo é conhecido desde a Grécia antiga, com significação muito semelhante à atual, ou seja, indicando que o objeto ou a ação qualificada dizia respeito a ensino: poesia didática, por exemplo. No lar e na escola, procedimentos assim qualificados – didáticos – tiveram lugar e são relatados na história da Educação. Como objeto de reflexão de filósofos e pensadores, participam da história das idéias Constata-se que a delimitação da Didática constituiu a primeira tentativa que se conhece de agrupar os conhecimentos pedagógicos, atribuindo-lhes uma situação superior à da mera prática costumeira, do uso ou do mito. A Didática surge graças á ação de dois educadores, RATÍQUIO e COMÊNIO, ambos provenientes da Europa Central, que atuaram em países nos quais se havia instalado a Reforma Protestante. A situação didática, pois, foi vivida e pensada antes de ser objeto de sistematização e de constituir referencial do discurso ordenado de uma das disciplinas do campo pedagógico, a Didática. Na longa fase que se poderia chamar de didática difusa, ensinava-se intuitivamente e/ou seguindo-se a prática vigente. De alguns professores conhecemos os Essa etapa da gênese da Didática a faz servir, com ardor, á causa da Reforma Protestante, e esse fato marca seu caráter revolucionário, de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. Doutrinariamente, seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e, em nome dela, com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” (Comênio). Conheçam Seus Alunos - diz Rousseau As instituições dos didatas parecem ter-se estiolado no decurso do tempo e a História da Educação consigna apenas iniciativas esparsas até o final do século XVIII. ROUSSEAU é o autor da segunda grande revolução didática. Não é um sistematizador da Educação, mas sua Século XVII: surgimento da Didática A inauguração de um campo de estudos com esse nome tem uma característica que vai ser reencontrada na vida histórica da Didática: surge de uma crise e constitui um marco revolucionário e doutrinário no campo da Educação. Da nova disciplina espera-se reformas da Humanidade, já que deveria orientar educadores e destes, por sua vez, A prática das idéias de ROUSSEAU foi empreendida, entre outros, por PESTALOZZI, que em seus escritos e atuação dá dimensões sociais ã problemática educacional. O aspecto metodológico da Didática encontra-se, sobretudo, em princípios, e não em regras, transportando-se o foco de
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dependeria a formação das novas gerações. Justifica-se, assim, as muitas esperanças nela depositadas,

acompanhadas, infelizmente, de outras tantas frustrações.

pedagógicas.

procedimentos, podendo-se dizer que havia uma didática implícita em Sócrates quando perguntava aos discípulos: “pode-se ensinar a virtude?” ou na lectio e na disputatio medievais. Mas o traçado de uma linha imaginária em torno de eventos que caracterizam o ensino é fato do início dos tempos modernos, e revela uma tentativa de distinguir um campo de estudos autônomo.

obra dá origem, de modo marcante, a um novo conceito de infância.

DIDÁTICA. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. talvez “seduzido” a aprender pelo caminho com curiosidade e motivação – ou ênfase no método. vieram a merecer críticas dos precursores da Escola Nova cujas idéias começam a propagar-se ao final do século XIX. só conseguida se houver uma Educação liberal. Um Intervalo na Trajetória Histórica: comentário sobre o duplo aspecto da Didática Da original proposta didática do século XVII. nos aspectos interno e subjetivo do processo didático. Já o final do século XVIII é a época revolucionária. mas estas vão ainda aguardar mais de um século para concretizar-se. A lenta descoberta da natureza da criança que a Psicologia do final do século XIX começa a desvendar sustenta uma atenção maior. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. em que o feudalismo e a monarquia absoluta receberam seu golpe mortal. mas desconfiava dos rumos escolanovistas. o século assiste ao despontar dos poderes públicos com relação á escola popular. Observe-se que os fundamentos de suas propostas. em países atingidos pela Reforma. e estas mesmas. Quanto aos Estados socialistas que se vão desenvolver a partir do primeiro quarto do século XX. O método é interpretado como uma defesa dos interesses da criança. Numa relação que só pode ser plenamente compreendida como de reciprocidade. a constituição dos estados nacionais e a modernidade valorizam o ensino e desejam aumentar seu rendimento. De um lado fica a linha metodológica. no Século XIX Na primeira metade do século XIX. Inflexão Metodológica Herbartiana. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. uma nova onda de . Quanto à relação entre Didática e Sociedade ocorre o seguinte: no século XVII. a Escola Nova vai encontrar ressonância. No entanto. A Didática do século XIX oscila entre esses dois modos de interpretar a relação didática: ênfase no sujeito – que seria induzido. É preciso considerar. Situa-se no plano didático ao defender a idéia da “Educação pela Instrução”. embora o faça em nome do sujeito (criança. O pressuposto é a igualdade entre os homens e a Educação política do povo. A Escola Nova HERBART tem o mérito de tornar a Pedagogia o "ponto central de um círculo de investigação próprio”. João Frederico HERBART (1776-1841) deseja ser o criador de uma Pedagogia Científica. a sua própria necessidade de reorganização política impunha um esforço de Educação. como caminho que conduz do não-saber ao saber. da industrialização e urbanização tenha exigido novos rumos á Educação. no entanto. fortemente influenciada por seus conhecimentos de Filosofia e da Psicologia da época. Na prática. de seus anseios e necessidades. na Europa e América dos séculos XIX e XX. aos debates entre a escola laica e a confessional e ás lutas entre orientações católicas e protestantes. que já se iniciam as novas doutrinas socialistas que ao final do século vão ser progressivamente dominadas pelo marxismo. que é peça importante de uma nova sociedade. 24 Não é coincidência que a era do liberalismo e do capitalismo. caminho formal descoberto pela razão humana. A valorização da infância está carregada de conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógicas. seja na forma de monarquia constitucional (Inglaterra e França pós-revolução) ou na de república. A linha oposta parte do sujeito. com seus ideais de liberdade e atividade. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. que o considerava próprio a toda e qualquer situação de ensino. acentuando o perene interno do educando. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I atenção às condições para o desenvolvimento harmônico do aluno. bem como pela relevância do aspecto metodológico em sua obra O método dos passos formais celebrizou o autor. que se anunciam. que. aluno. estamos já no caminho do que se convencionou chamar o Estado representativo. a sociedade reformada dos principados germânicos. Na burguesia dominante e enriquecida.

mas nem sempre as mesmas. Tomar consciência que a Didática hoje oscila entre diferentes paradigmas pode ser algo muito auspicioso para a comunidade pedagógica. Há diferenças singular. no entanto. nem a psicologia aplicada à Educação atingem o seu núcleo central: o Ensino. Na verdade ela nunca foi monolítica: é o que prova a própria necessidade de adjetivação adotada tantas vezes: Didática renovada. Interpretam o Ensino de muitos modos.” (Kuhn. Contrapõe-se. a concepções consideradas antigas. como no plural) que deve nortear as pesquisas sobre o processo. mas talvez paradigmas em conflito. geral. Pois é certo que a Didática têm uma determinada contribuição ao campo educacional. surge todo o problema moral. também Renovada. e outras pela relevância do sujeito-aluno. Na Europa como nos Estados Unidos. Explicando melhor. conforme as vertentes de sua atuação. No Final do Século. que às vezes levam a disputa ao campo interdisciplinar do “currículo”. ideológico. DEWEY. E atrevo-me a dizer que boa parte dessa situação se deve a uma espécie de contaminação entre a Didática disciplina – e o conteúdo dos cursos. nova. A Estrutura das Revoluções Científicas) Qual o paradigma compartilhado. a com entre posições teóricas e diretrizes metodológicas ou tecnológicas. algo que deveria ser entregue. sociológica. mas afastando-se tanto do pragmatismo americano quanto das influências do associacionismo.Unidade 1: Didática: História. já que o conteúdo do ensino – o “o quê” se ensina – tanto pode ser problema didático quanto curricular. como que exigindo da Didática que proceda ã sua invasão. e crucial. em termos de tendências doutrinárias ou teóricas. tradicional. Esse núcleo. KERSCHENSTEINER e COUSINET. moderna. Outras vezes leva a outro campo interrelacionado. caracteriza-se por sua denominação mais comum: Escola Nova. ativa. do desenvolvimento intelectual. tradicionais. filosófica. psicológicas. especial etc. sem que se pudesse discernir a dialética professor − aluno (no CLAPARÈDE. está nas outras questões: por que ensinar? e para quê? E chegamos aos limites da Filosofia da Educação. nem a cibernética ou a tecnologia do ensino. a Didática Oscila Entre Diferentes Paradigmas “Um paradigma (ou um conjunto de paradigmas) é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e. 25 . E. quanto à Didática? Como é que a comunidade educacional interpreta esse paradigma? Considero que a dificuldade de responder a essas questões encontra-se no fato de que não há um paradigma. é a Aprendizagem. FERRIÈRE. É como decorrência desse conceito nuclear que se situam as inquietações da Didática atual. A base psicológica é predominantemente funcionalista. Reflexão e Objetivos pensamento e ação faz o pêndulo oscilar para o lado do sujeito da Educação. já que o êxito do processo de Ensino. igualmente interdisciplinar. da Política. psicológica. pode-se arrolar tendências diferentes: a psicopedagogia BOVET. experimental. algumas obras ou cursos privilegiam determinadas inflexões-sociológicas. Ativa ou Progressista. afetivo. que tantas vezes ficou obscurecido pelo conceito de Método. social. conforme a Teoria. medicina pedagógica com MONTESSORI e DECROLY ou a sociopedagogia de FREINET. O movimento doutrinário. indo da linha social-democrata à socialista. da Sociologia. E nem a teoria social ou a econômica. aquilo mesmo que justifica tentá-lo. filosóficas –. Mais um problema de limites. uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma. Ou seja. o continente didático acolhe diferentes conteúdos. É esse conceito que é objeto de controvérsias teóricas. o da Psicologia do Desenvolvimento ou Aprendizagem. pois. voltadas para o passado. pelo menos. “presenteado” ao professor. que nenhuma outra disciplina poderá cumprir. E condena-se o continente por seu conteúdo. os fundamentos sociológicos divergem. inversamente. unilateralmente e individualmente.

ora requer auxílio da psicologia profunda de origem freudiana. se aproxima de outras teorias. por constituir-se a Didática numa disciplina que pode ser desmembrada em vários planos (exemplifiquei com os planos humano. já que tem uma grande impregnação social. como vimos. que. embora possa até chegar lá. A Chegou o momento de procurar responder às questões iniciais. Pois ocorre que. A oscilação entre uma tendência psicológica que acentua a relevância da compreensão da inteligência humana e sua construção e outra que se apóia na visão sociológica das relações escolasociedade. ou seja. Mas a teorização em Didática é quase uma fatalidade: em todas as discussões há. seu compromisso com a prática do ensino. são amplos e diferenciados e não estritos e exclusivos. Esta. teórica e prática. mas. atitudes morais ou intelectuais. essa fermentação ideológica nem sempre consegue um resultado harmônico: os novos temas ainda não tiveram função aglutinadora e vêem-se programações enviesadas com exclusividade. de hipóteses conduzidas pela teoria. Pois os caminhos didáticos. uma espécie de receituário do bom ensino? Esse é um dos mais discutidos problemas da disciplina. sociológicos. em conseqüência. parece dominar o conteúdo da disciplina. Não se entenda. vivido na situação didática típica. vinculam-na . há muitos anos. filosóficos ou outros. Disse um eminente pensador. que giram em torno do objeto de estudos e da delimitação do campo da Didática. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Dei esses exemplos da para mostrar com que o interdo estuda. social. ora recorre às correntes neomarxistas. Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. vai-se familiarizar com teorias de origem epistemológica e social. entre as muitas frentes de pesquisa e exploração. que chamei de região cultural. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. elaboração de um rol de prescrições e o traçado de conjecturas. e a mais ampla (c). visualizei a situação didática como um tronco de cone no qual uma secção menor (a) refletindo o plano da relação humana. afinal. Assim é a Didática. no entanto. que o pedagogo quase nunca foi o filósofo de sua pedagogia. explícita ou implicitamente. sem perder. Como a Medicina. de sua autonomia e relacionamento com outras áreas de conhecimento e reflexão. por outro lado. como qualquer disciplina que comporta aplicações práticas. técnico e cultural). por exemplo). que defendo a Mas. Mas são diferentes a relacionamento Didática outras áreas conhecimento é intenso e constante. políticos. ao contrário do que julgam alguns tecnodidatas. o que de modo algum prejudica sua autonomia. será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática. pois a função da teoria é a explicação.DIDÁTICA. e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. Sua dupla dimensão (vertical e horizontal) e o ciclo didático sempre recomeçado. é fácil entender que suas fronteiras devem sei fluidas. uma tomada de posição teórica. vem enriquecê-la. em cada um deles. E uma prática muito especial. na qual se decidem objetivos e conteúdos. o Ensino. como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. Se assim fosse não valeria a atenção de tantos. entretanto. pela responsabilidade social que a envolve. de proposições com diferentes graus de probabilidade. em sua necessidade de explicar as relações entre os eventos que 26 Didática está impregnada de todas as inquietações da época e. artístico. Nos programas de Didática. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. vê-se que.. possibilidade de uma “Didática Marxista” ou “Didática Sociológica” ou “Didática Cognitivista” ou qualquer outra adjetivação que indique um ponto de vista exclusivo sobre seu campo de estudos. ao contrário. de um lado ou de outro. Há alguns anos. antropológicos. Mas a situação repousa sobre bases que abrangem todos os aspectos da sociedade. A Didática deve conviver com essa dupla feição. Considerações Finais Qual a Situação Atual da Didática? O panorama do final do século XX não é simples.. uma secção intermediária (b) destacando o aspecto técnico do ensino. contribuições de áreas diferentes se tornam úteis e mesmo necessárias.

sobre o conceito foco da Didática: o Ensino. deixar claro que. como disciplina e campo de estudos. palavra-ordem. 27 . depois de PIAGET. Reflexão e Objetivos diretamente á prática e esta. quanto de um avanço no campo experimental. moralidade ou sociabilidade. em sua complexidade. melhoria. é um projeto que. como elas. Quero. sem prejudicar suas fecundas relações com disciplinas afins. É desse fenômeno que trata a Didática: do ensino que implica desenvolvimento. é palavra-ação. Mas não existem duas Didáticas. um conhecimento ou uma atitude. E mais: não se limita o bom ensino ao avanço cognitivo intelectual. palavra que revela um resultado desejado. Conseguir plenamente a autonomia. cuja eficiência é objeto de pesquisa e experimentação. uma teórica e outra prática: são duas faces da mesma moeda. palavraprospectiva. não se pode mais entender o ensino como a simples apropriação de um conteúdo: uma informação. parece acelerar o progresso no sentido de uma autoconsciência de sua identidade – encontrada em seu núcleo central – e de sua necessária interdisciplinaridade. ainda. terá como subproduto (sub ou super?) alguma mobilização da inteligência redundando em progresso cognitivo. do meu ponto de vista. Revela uma intenção: a de produzir aprendizagem. Um esclarecimento final. essência da aprendizagem legítima. correspondente ao ensino que merece esse nome. a meu ver. mas envolverá igualmente progressos na afetividade. depende tanto de um esforço teórico e reflexivo. Creio que é tarefa para o século XXI. exige recursos e técnicas. e. interdependentes. por exemplo. O ato assimilador.Unidade 1: Didática: História. em capacidade ampliada para conhecer (ou aprender). Mas. a Didática. por condições que são do desenvolvimento humano integral.

Analise e identifique o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa. incorporando atitudes de autonomia que ajudem na construção da sua prática pedagógica. Nesse processo.. e o professor. Para tanto. O contexto escolar do professor e a escola como espaço de atuação e formação profissional farão parte dos assuntos abordados nesta unidade. deve assumir a posição de mediador da interação dos alunos com os objetos de conhecimento. Com isto pretendemos que você enquanto professor reflita e perceba que trabalhar com os princípios didáticos implica considerar que os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações. apresentando a importância da construção docente. Reconheça e identifique os princípios da relação professor-aluno e sua importância. começando a identificar este processo complexo de identidade profissional. 28 . MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho.. o aluno deve se posicionar como o sujeito de sua aprendizagem. por sua vez. Valorize a docência. . inicialmente propomos nosso estudo. assunto abordado no tópico a seguir: Construção da Identidade Docente Esperamos que durante o desenvolvimento da leitura e das discussões desta unidade você consiga se ver e se construir como professor.Trocas e Mediações Pedagógicas EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Analise criticamente o trabalho docente enquanto profissional que trabalha com a prática educativa.

até adquirir estatuto de legalidade. então. é considerada como uns dos saberes da docência. assim. evidenciando. Vemos que o professor é o centro do processo identitário. é um processo de construção formado pelos saberes da docência: a experiência. surge frente à necessidade de responder as demandas apresentadas pela sociedade. além daquelas que valorizam ou desvalorizam a profissão. para alcançar este significado de forma coerente existe um tripé formado pelos saberes da docência: experiência. a identidade profissional não é uma condição externa nem imutável. pelo significado que cada professor. não pode ser incorporada no dia em que se termina o curso de graduação. Ser professor hoje não é o mesmo que durante o século XIX e inícios do século XX. o lado apaixonante do que é ser professor e de se tornar o agente principal da sua construção da identidade. e. Estudar e refletir sobre este tema o fará questionar-se sobre o significado: “ser professor”.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas A construção da identidade do professor é abordada nos cursos de formação inicial na disciplina didática. Como vimos. A identidade do professor não é um dado imutável. do que é ensinar. 77]: Identidade que se constrói com base no confronto entre teorias e as práticas. Antes de continuar. no sentido que tem em sua vida ser professor. confronto e análise que cada um de nós constitui a sua identidade profissional. segundo Pimenta [2002]. sendo assim. assim como o valor dado à educação em si. saberes que fazem parte da profissão de professor. na interação dele enquanto docente na nossa sociedade. vamos definir o que é entendido por mediação reflexiva. em suas representações. também. em seu modo de situar-se no mundo. é ele que se (des)faz e se (re)constrói na sua prática pedagógica. Esse processo identitário envolve vários campos. no valor que dá a sua profissão. o que exige conhecimentos. este movimento deve vir acompanhado da mediação reflexiva. É a vivência que determina a profissão professor. como as demais. 29 . pois agora estamos frente ao mundo do conhecimento globalizado. das tradições e também das práticas consagradas culturalmente que permanecem significativas até os dias de hoje. em suas angústias e anseios. na construção de novas teorias. p. A profissão de professor. nos sucessos e medos da sua prática cotidiana. a qual. Conforme nos indica Pimenta [2002]. enquanto ator e autor. todo seu caráter dinâmico da profissão docente como prática social. Nos dias atuais. em sua história de vida. da opção feita ao querer estudar pedagogia. Constrói-se. nesse movimento ou dinâmica. Perceba. e é nesse processo. O “ser professor” mudou em conseqüência das novas demandas da sociedade frente a esta profissão. com base em seus valores. Ela se constrói e se reconstrói a partir da revisão constante e da significação social da profissão. conhecimento e saberes pedagógicos. nas suas relações com os outros colegas. Como já mencionamos. o conhecimento e os saberes pedagógicos. Segundo Pimenta [2002. confere à atividade docente de seu cotidiano. na análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes. em seus saberes. dizer o significado de ser professor é falar em processo identitário docente.

Saberes da experiência Quando ingressamos no curso de Pedagogia. Retomemos os saberes da docência para definir do que se constituem e suas características: SABERES DA DOCÊNCIA Que saberes são necessários para ser professor? Por que falamos em saberes? Vários tipos de saberes integram o conhecimento profissional do professor. Dentro deste saber encontra-se também a experiência socialmente acumulada do que significa ser professor na sociedade. pelo contato com professores no curso superior. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A mediação reflexiva é um trabalho que exige esforço. buscando respostas para os conflitos que são comuns ao processo de ensino-aprendizagem: “Consiste em relacionar a atividade de aprender dos alunos aos conhecimentos que permeiam a sociedade. Todas estas experiências contribuem para a construção da identidade docente. a (des)valorização docente. coletivamente. para isto é necessário que durante o curso de graduação os alunos passem a assumir esse papel. já que passamos pela escola e tivemos contatos com diferentes professores e situações de ensino. então. já temos a experiência do que é ser aluno ou mesmo ser professor. Este processo implica trabalhar e produzir conhecimentos. mesmo em processo de formação. específicos-conhecimentos e pedagógicos. p. todos eles fazem parte da formação docente e devem ser trabalhados durante o processo de formação inicial e continuada. Por isso é necessário trabalhar com os saberes específicos. Porém. salientando também que da mesma forma fazem parte as experiências que são produzidas no seu cotidiano docente. 2002. que foram nela produzidos e a constituem. 30 . Essa “bagagem” permite-nos pensar o que é ser um bom professor e qual será a nossa referência. conhecemos professores significativos e aqueles de que nos esquecemos. Vamos. Saberes da experiência. vemos que este processo de re-significação não é suficiente.DIDÁTICA. entender o que designam cada um desses saberes. 98]. Esta experiência prévia amplia-se durante a formação inicial. A experiência adquirida como aluno durante toda sua trajetória de graduação permite identificar o que é um bom ou mau professor. pesquisa questionamentos por parte do professor frente aos desafios enfrentados no dia a dia na sua prática pedagógica. em relação à aprendizagem do „eu‟ à aprendizagem do „nós‟ [PIMENTA. mediante o processo de reflexão sobre sua prática em confronto com as pesquisas e teorias existentes.

confrontar. dessa forma. Mas isso vai além do conceito enciclopédico ou de informações. segundo o que nos aponta Pimenta [2002]: Qual é o papel que o conhecimento ocupa na sociedade contemporânea? Qual é a importância que os alunos dão para o conhecimento acadêmico construído na escola? O que é conhecimento e como ele é trabalhado nas escolas? Existe diferença entre informação e conhecimento? Qual é a relação entre os diferentes conhecimentos escolares? Segundo Morin citado por Pimenta [2002]. Seu objetivo é contribuir com o processo de humanização de ambos mediante o trabalho coletivo e interdisciplinar destes com o conhecimento. 81]. que trabalha com as informações. Entretanto. 2002. O professor deve se questionar sobre o significado que o conhecimento tem para si próprio e se perguntar. uma vez que faltam os saberes pedagógicos. é possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos. que é completamente diferente do que significa reflexão enquanto pensar. atuar nessa determinada realidade. possibilitando-lhes. confrontá-los. a partir de uma perspectiva crítica social transformadora. revê-los e reconstruí-los com sabedoria. 31 . Para construir a inteligência é necessário trabalhar adequadamente com as informações. multimídia e globalizada. 2) Inteligência. desenvolvendo habilidades para operá-los. Educar na escola significa: preparar as crianças e os jovens para alcançar o nível de civilização atual e. o conhecimento abrange três estágios: 1) Informação. Trabalhar com conhecimento significa entender que conhecer não se reduz a se informar. adquirir a sabedoria necessária à permanente construção do ser humano. há que articulá-los em totalidades. Para isso. Não basta estar exposto às informações através dos meios de comunicação. produzindo novas formas de progresso e desenvolvimento. Por isso a finalidade da educação escolar na sociedade tecnológica. transformando-a. contextualizando-as. que permitam aos alunos irem construindo a noção de “cidadania mundial” [PIMENTA. classificando-as. Como nos afirma Pimenta [2002]. as informações para gerar novos conhecimentos). Dessa forma. contextualizá-los. o trabalho com o conhecimento específico de cada área ainda não é suficiente na construção da identidade docente. é preciso operar com as informações para se chegar ao conhecimento. a educação é um processo de humanização e baseia-se fundamentalmente no trabalho dos professores e dos alunos. o trabalho da escola e dos professores é mediar a relação entre a sociedade da informação e os alunos. p. resultando na capacidade de produzir novas formas de existência e humanização. O que implica analisá-los. que envolvem reflexão. 3) Sabedoria e Consciência. através do desenvolvimento da capacidade reflexiva (essa expressão dá a idéia de estático.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Saberes específicos Ter conhecimentos específicos é fundamental para a docência.

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Saberes pedagógicos É tarefa do professor a análise crítica da informação relacionada à constituição da sociedade e de seus valores. Para ensinar, não são suficientes apenas a experiência e os conhecimentos específicos, também são necessários os saberes pedagógicos e didáticos, visto que entender os saberes pedagógicos a partir da prática social da educação como ponto de partida e de chegada permite uma re-significação na formação do professor. Nesse sentido, Houssaye [apud PIMENTA 2002] afirma que os saberes pedagógicos devem ir além dos esquemas apriorísticos das ciências da educação, é necessário reinventar os saberes pedagógicos com base na prática social da educação. A renovação da didática deve ter como base os aspectos pedagógicos, e para isso é necessária uma leitura crítica da prática social do ensinar, partindo da realidade existente, considerando os aspectos epistemológicos que acrescentam novas contribuições ao ensino, promovendo, dessa forma, um diálogo intelectual entre teoria e prática (para significar a identidade docente do professor). Este processo se realiza e se efetiva através da pesquisa, princípio formativo na formação inicial, criando, assim, mecanismos que permitam ao professor conhecer os alunos, a realidade escolar, os sistemas, as práticas por meio de observações, a coleta de dados sobre determinados temas, os registros, o desenvolvimento de projetos de ensino, entre outras atividades. A pesquisa como princípio cognitivo de apreensão da realidade é eixo fundamental na formação docente e deve ser abordada em todas as disciplinas, especialmente as que contribuirão para a construção de sua identidade. Esperamos, então, que possamos construir o caminho da docência juntos, para isso é fundamental nossa interatividade através das ferramentas de que dispomos, da sua interação com os colegas e da sua comunicação com o (a) tutor (a).

A sala de aula Na relação didática o processo ensino-aprendizagem envolve as interações entre os sujeitos atuantes, professor-aluno e a relação destes com a construção do conhecimento. Encontra-se uma relação triádica: entre professor, alunos e conhecimentos, pela qual não se pode descontextualizar e estudar a relação na sala de aula de forma isolada, mas sim sob uma perspectiva na qual o ensino-aprendizagem resulte dessa relação social entre interações humanas. Essas relações humanas determinadas social e historicamente e a construção do conhecimento formam parte da relação pedagógica. Nesse enfoque, Anastasiou [2004] destaca que no processo de “ensinagem” a ação de ensinar relaciona-se diretamente à ação de apreender, que implica tanto o conteúdo como as relações que se formam neste processo. Estudaremos agora como se dá essa relação pedagógica em sala de aula. Na sala de aula essa interação baseia-se na confiança e empatia recíproca, nos interesses e necessidades que levam o encontro entre professor e aluno como condição necessária para a aprendizagem. A sala de
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Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas

aula é um lugar onde se constroem conhecimentos, se aprendem valores e comportamentos por meio de uma comunicação real, autêntica, pensando no outro e com o outro, com transparência e respeito mútuo. Para Ventura e Hernández [1998, p. 57], na relação com o conhecimento o professor precisa entender as respostas dos alunos e as relações que se estabelecem com o que já sabem:
Por outro lado, se concede um especial valor às inter-relações comunicativas que se estabelecem entre as intenções, recursos e atividades propostas pelos professores, e as conexões que, a partir de seus conhecimentos iniciais, cada estudante possa chegar a estabelecer.

Dessa forma, a aprendizagem exige estabelecer relações entre o que o aluno já sabe e o novo conhecimento, ampliando ou modificando-o. Toda disciplina, aluno e turma exige estratégias diferentes, cabe ao professor, através de uma comunicação autêntica e liderança sábia, estabelecer um diálogo e confiança para que aconteça o processo ensino-aprendizagem de cada aluno, estabelecendo, assim, uma relação pedagógica que favoreça este processo. A mediação docente se estende para o preparo das atividades e estratégias necessárias para levar aos alunos a aprendizagem. Isto deve ser definido no planejamento do semestre, da disciplina ou matéria. A relação professor-aluno depende da relação estabelecida pelo professor: da empatia com os alunos, da capacidade de escutar, refletir e analisar no nível de compreensão destes para mediar o processo de construção do conhecimento. “O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos”. [LIBÂNEO, 1992, p. 250]. Todavia, para ter uma boa interação é necessário se adequar às necessidades cognitivas, sociais dos alunos, saber escutar o outro e estabelecer uma relação de parceria com a aprendizagem. No planejamento realiza-se a escolha adequada dos métodos, das seqüências e das estratégias para que no processo de ensino-aprendizagem todos os alunos aprendam no sentido de estabelecer relações com o conhecimento tanto escolar como de mundo: “Um professor competente se preocupa em dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo.” [LIBÂNEO, 1992, p. 252]. O sucesso na sala de aula depende da relação do professor com os alunos, da mediação deste entre o aluno e o conhecimento e da forma como o docente se coloca ou entende as diversas respostas dos alunos. Junto a isto é necessário explicitar no início das aulas as normas de funcionamento da classe, o que é permitido e o que não pode ser realizado numa sala de aula, aspectos estes que devem fazer parte da relação pedagógica estabelecida. Como foi dito no início deste tópico, não se pode estudar a sala de aula isolada do processo educativo, da escola e do que acontece fora desta. Por outro lado, para que o aluno encontre sentido e se

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

comprometa no processo ensino-aprendizagem, o professor deve pensar, planejar e entender as respostas dos alunos a partir das relações que se fazem com o conhecimento.
Resgatar o sentido do conhecimento. Conhecer para quê? Para poder compreender o mundo em que vivemos, para poder usufruir dele, mas sobretudo para poder transformá-lo! Isto implica o professor tanto se compreender como sujeito de transformação, quanto ter clareza de que está participando da formação dos novos sujeitos de transformação. A nosso ver, se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade, não deveríamos estar no magistério, pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS, s/d].

Segundo Vasconcellos [s/d], alguns aspectos devem ser trabalhados e incorporados na relação professor-aluno: Elaborar coletivamente as normas da escola e da sala de aula: participação de todos os docentes da escola e representantes de alunos, pais, etc. Tanto para estabelecer ou para cumprir limites. Resgatar o diálogo, fazendo com que este não seja nem autoritário, nem tenha clima de impunidade. Lutar para a superação do clima de impunidade na sociedade. Criar clima de respeito na escola. Criar, desenvolver uma metodologia participativa em sala de aula. Entender o estudo como trabalho. Compromisso do professor. Realizar e ocupar bem o espaço de trabalho coletivo constante na escola e sala de aula. O aluno deve assumir a responsabilidade coletiva pela aprendizagem e participar de forma ativa das aulas, demonstrando de forma clara suas necessidades. A família deve fazer parte da escola, resolvendo possíveis conflitos que venham a existir diretamente com a escola e não por meio do filho. Nesse sentido, pensemos: como estabelecer a autoridade pedagógica sem ser autoritário? Para isto, inicialmente, é necessário entender autoridade como a capacidade de fazer o outro autor, conforme nos apresenta Vasconcellos [2008], é dizer, dar autonomia e segurança para que o aluno estabeleça relações efetivas frente a sua aprendizagem. Dessa forma, o professor deve viver entre a eterna tensão estabelecida entre a necessidade de dirigir, orientar, limitar e, por outro lado, a necessidade de criar, possibilitar, deixar acontecer, ouvir, acatar. Esta contradição não pode ser esquecida ou anulada, apenas solucionada nas diversas situações e momentos de sala de aula, considerando os objetivos do trabalho e restabelecendo-os continuamente em outro patamar e contexto. Não existe receita para a disciplina e para a relação professor-aluno. Dessa forma, os problemas e conflitos devem ser enfrentados e solucionados por esses que são os agentes do processo de ensinoaprendizagem. O professor não deve se esquecer que, quando necessário, precisa tomar decisões e estar preparado para assegurar um ambiente de trabalho favorável para todos os seus alunos. A atitude
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CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. grifo nosso]. conflitos e alunos com os quais trabalhamos e compartilhamos a construção do conhecimento. VIDEOAULA ______________________ Vamos dinamizar os conceitos? 35 . 1. entreguem a atividade do grupo ao (à) tutor (a). Parece um processo difícil. De acordo com o estudado no tópico Sala de Aula: listem pelo menos três situações didáticas que vocês acreditem favorecer o processo de construção do conhecimento do aluno. Utilizem as questões a seguir como parâmetro para esta reflexão. Devemos pesquisar. desafios. mas por seu caráter apaixonante e desafiador vale a pena ser realizado e construído. pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS. questionar e (re)fazer a cada turma. é contínuo e permanente. REFLEXÃO ______________________ Considerando a leitura realizada na Mobilização do Conhecimento. ao término. posturas e tomada de decisões. Redijam suas considerações criticamente em forma de um pequeno texto e. 2. reúnam-se em grupos de quatro ou três pessoas para realizarem uma reflexão sobre a prática docente.. não deveríamos estar no magistério. s/d. permitindo auto-reconhecer-se como professor. disciplina. se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade. paradigmas.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas cooperativa é fundamental na constituição de boas condições para a aprendizagem dentro da sala de aula. (des)construções de conceitos. Ressignifiquem a expressão do seguinte texto destacado em negrito (trecho extraído do texto Os desafios da indisciplina em sala de aula e na escola): A nosso ver. Esse processo não tem tempo para começar ou terminar.. Construir a identidade docente é um processo que implica idas e vindas.

Um aluno dorme. O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações estabelecendo uma ordem para os grupos se apresentarem. explique por meio de um pequeno texto reflexivo como você considera a atitude do aluno e do professor. realize anotações em seu caderno dos principais aspectos apresentados.DIDÁTICA. muitos foram os momentos que permaneceram vivos na sua memória. lembre-se de um professor que marcou sua trajetória escolar positivamente. Se considerar necessário. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Agora é hora da videoaula: O Espaço da Sala de Aula. contribuindo para sua formação como professor-aluno. Em grupos. __________________ Fonte: ANDRADE. Ao final desta atividade entregue seu texto ao (à) tutor (a). Veremos algumas das situações que ocorrem no espaço da sala de aula e sua importância para o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. 36 . Com base no que foi estudado nesta unidade. Cada grupo deverá representar em um breve teatro alguma situação didática referente à metodologia empregada pelo professor escolhido. OBRA PRIMA _______________________ Leia o poema de Drummond apresentado a seguir. O professor baixa a voz Com medo de acordá-lo. DAS MEMÓRIAS ÀS CAPACIDADES CRIATIVAS ________________________________________________ Ao longo da sua trajetória escolar como aluno. Cansado das canseiras desta vida O professor vai sacudi-lo? Vai repreendê-lo? Não. Professor O professor disserta Sobre ponto difícil do programa. s/d.

. A reflexão sobre a docência tem mostrado a necessidade de estabelecer a identidade do professor tanto no âmbito do ensino quanto da pesquisa e da extensão. que deverão estar dispostas de maneira clara em forma de um relatório. O simples contato com outros 37 . os saberes necessários para o exercício das funções de professor. Tendo esta preocupação em mente. posicionem-se frente às seguintes atividades: Um integrante do grupo deverá ficar responsável em entrevistar um professor (seguindo o formulário da pesquisa ou eixo)... nos preocupamos em abordar a questão dos saberes da docência. O último integrante será responsável em dialogar com seu grupo sobre a pesquisa e o representar em uma conversa de roda na sala. ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Hora de investigar. E quais as expectativas? SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. Os relatórios deverão ser entregues ao (à) tutor (a) na próxima aula. façam uma lista com as principais características que fizeram os professores representados serem inesquecíveis. expondo a que conclusões o grupo chegou com a pesquisa: se o que esperavam ouvir foi realmente o que o professor respondeu. Pesquisa de campo! Em grupos de quatro integrantes. ou seja.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Após a representação dos grupos.. Outros dois serão responsáveis pelo tratamento das respostas. Quais os desafios da profissão docente? 3. uma vez que os mesmos são indissociáveis. Por que a escolha desta profissão? 2. Eixo da entrevista/pesquisa 1. o que apreenderam com essa pesquisa.

Olhando para fora. A seguir estão algumas questões que lhe auxiliaram a avaliar se você atendeu as expectativas de aprendizagens desta unidade. 38 . visando sempre proporcionar e assegurar um ambiente condizente com o aprendizado. A mediação reflexiva permite a reformulação do trabalho docente por meio da pesquisa. método que permite ao professor se familiarizar com a realidade escolar em todos os aspectos. Por fim. Além destes...DIDÁTICA. é fundamental a boa relação entre alunos e professor na sala de aula e a relação destes com o conhecimento. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I professores ou mesmo nossa posição de alunos em outras fases de nossas vidas nos proporciona uma experiência prévia fundamental que nos permite formar a idéia do que é ser um bom professor. portanto. concluiu-se que a formação para a docência não pode esquecer a unidade teoria-prática. Veja que o caminho a ser percorrido é longo e cheio de desafios.. aqueles que permitem que os conhecimentos tecnológicos e científicos sejam transmitidos aos alunos para que eles possam desenvolver habilidades para colocá-los em prática. considerando as diferenças e peculiaridades de cada aluno. A isso demos o nome de saberes da experiência. Com o objetivo de refletir a formação do professor. revê-los e reconstruí-los na forma de sabedoria.. enquanto elemento constitutivo da formação docente. necessitando. é do professor que deve partir a iniciativa de criar um diálogo que estabeleça uma relação pedagógica favorável ao processo de ensino-aprendizagem.. refletir sua prática cotidiana? AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. suas qualificações acadêmicas. o qual só é possível por meio da pesquisa. está se preparado para analisar. E então.. tratamos dos saberes pedagógicos. Formação inacabada. Problemas e conflitos sempre existem e cabe ao professor solucioná-los. vistos sob a ótica da prática social da educação. Contudo. de um enfoque que se volte de forma mais abrangente para a relação pedagógica. que deve ser construída por meio da formação contínua dentro do ambiente escolar. há os saberes específicos. Este é o momento de refletir sobre seu aprendizado. Consegui identificar os processos e conceitos presentes na luta pela dignidade docente? Reconheci os princípios da relação professor-aluno: disciplina e indisciplina? Posso refletir sobre o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa? Anexe suas considerações em seu portfólio. Para que esses saberes se manifestem. pedagógicas utilizando subsídios teóricos.

Por isso. São Paulo: Escrituras. para contribuir nas mudanças. ALONSO. D. C... em que vocês poderão ver representada a relação pedagógica de forma tradicional e a proposta de mudança apresentada nesta unidade.. 176 p. M. 1999. Vida e ofício de professores. M. Ficha Técnica Título: O sorriso de Monalisa Direção: Mike Newell Gênero: Drama Origem: EUAAno: 2004 Distribuição:Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment Duração: 117 min. A. 39 . São Paulo: Pioneira. Esta parte levará você. O trabalho docente: teoria e prática.. fundamentos e modos de execução do projeto de educação contínua que deu origem a esta obra. O texto também mostra que é necessário que as políticas educacionais incorporem a contribuição dos professores sobre as experiências e conhecimentos adquiridos no trabalho diário com os alunos.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. Os relatos realizados pelos professores cativam e ensinam. textos dos professores da rede pública que participam do projeto são retratos amadurecidos dos mestres sobre suas vidas. Formar professores para uma nova escola.. CATANI. a rigidez do sistema de ensino e a estrutura da escola. Na primeira parte do livro.). ALONSO. In: QUELUZ. por outro. Temos a honra de lhes apresentar neste momento um longa-metragem muito interessante. futuro professor. a descobrir seu caminho de identidade docente.. Na segunda parte. o magistério e o ofício de ensinar. SOUSA. (Org. G. B. 2000.. O texto evidencia o complexo processo de mudança na escola e as forças inibidoras: de um lado a resistência dos professores que se sentem inseguros e ameaçados e. 150 p. UM POUCO MAIS. O conteúdo apresentado nesta unidade é muito vasto e objeto de trabalho de muitos estudiosos.. docentes da USP explicam os pressupostos. indicamos duas obras que lhe trarão maiores (e valiosas) informações sobre o assunto em questão: BUENO. A análise do tema mostra os limites da mudança e a necessidade de definir o processo de formação de professores dentro de um contexto social definido.

. porém ganha espaço nos corações das alunas que passam. ALONSO. Joinville: Univille. 3. 2008. mas aprender o que é a vida e seus desafios.pensador.. P. MAPEAMENTO DA UNIDADE Construção do Conhecimento Mediador da Aprendizagem Saberes da Docência: experiência. CATANI. (Org. FREIRE. A. P. A princípio enfrenta diversas dificuldades. C. L. O trabalho docente: teoria e prática. ANASTASIOU.). D. 1999. 2000. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. ALVES. não apenas a apreender conteúdos. Vida e ofício de professores.. (Orgs. Professor. 40 . tia não: cartas a quem ousa ensinar. Formar professores para uma nova escola. Acesso em: 25 set. das G. Professora sim. ANDRADE. In: QUELUZ. São Paulo: Olhos D‟Água. C. SOUSA. C. M. L. BUENO. 1993. pedagógicos e específicos Identidade docente Profissão docente Disciplina Autoridade Autoritarismo Relações e inter-relações Processo de construção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO.DIDÁTICA. ed. D.). Disponível em: <http://www... PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Sinopse Julia Roberts interpreta uma recém graduada que irá lecionar em um colégio tradicional. São Paulo: Pioneira. M. 2004. G.. São Paulo: Escrituras.info/frase/MjMxNzA3/>. B.

F. 1992. 2002.com. Pedagogia. dos S.com. São Paulo: Cortez.). Didática. (Coleção Magistério).br/indi. 2008. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez.celsovasconcellos. 41 .pdf >. A. C. S. G. J. VENTURA. São Paulo: Libertad Editora. Libertad. 2008. A organização de currículos por projetos de trabalhos. (Org. _______. _______. M..br/edicoes/0142/aberto/mt_247181. 18. Acesso em: 14 out. Didática. PIMENTA. Porto Alegre: Artmed. Acesso em: 13 out. C. 1995. Disponível em: <http://revistaescola. São Paulo: Cortez. Planejamento: Projeto de ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para a elaboração e realização. _______. HERNÁNDEZ.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas LIBÂNEO. NÓVOA.abril. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. In: PIMENTA S. 1996. Docência no ensino superior. Nova Escola. ciência da educação. 2008.shtml>. Disponível em: <http://www. ed. 1998. Professor se forma na escola. (Coleção Docência em formação) VASCONCELLOS.

mas também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação. questionar o processo de ensino-aprendizagem é buscar estratégias e condições pensando nos alunos e na escola. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. 42 . plano de aula entre outros. Planejamento: Conceituação e Importância Planejamento em educação precisa ser entendido como um processo de reflexão. Esta idéia de planejamento é que justamente deveria ser trabalhada na escola. Essas idéias geralmente são compreendidas em um primeiro momento do planejamento pelos professores.. quanto sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. No segundo momento o cerne do planejamento escolar se refere à reflexão das ações docentes. O autor levanta nesta afirmativa as seguintes idéias: a tarefa docente implica a previsão. Identifique os tipos de planejamentos escolares. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes.. Analise e identifique a estrutura de um plano de ensino. Desse modo. organização. execução e revisão das atividades didáticas e docentes segundo os objetivos propostos. dada uma determinada realidade. vivenciado na prática pedagógica.. nas diversas instâncias presentes nas escolas. p. as quais trabalharemos detalhadamente nesta unidade. no plano de ensino. como no projeto político pedagógico. Para Libâneo [1994.Planejamento Escolar EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Saiba definir o que é planejamento. 221]: O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos de sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos.

1998. de forma a considerar o coletivo dos indivíduos no desempenho de diferentes atividades e a tomada de decisões pertinentes. É válido ressaltar que se entende por estas ações o resultado de decisões políticas individuais e/ou coletivas de caráter pedagógico. que são formalizados em documentos. sistematização. como citamos anteriormente. científica de caráter político. Sendo assim. plano de ensino. 45] ainda acrescenta ao conceito de planejamento que: “Pode-se. etc. execução e avaliação). ao entender esta atividade como processo permite-nos vê-la como uma função pedagógica que envolve períodos de discussão. Para tanto. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. avaliação. Dessa forma. O planejamento deve ser considerado uma forma de viabilizar e contribuir positivamente no processo educativo de seus envolvidos. rigorosa pressupõe que tem caráter científico de pesquisa. é fundamental que o professor perceba que o ato de planejar significa a realização de uma atividade de forma intencional. Planejamento na escola Como se dá o planejamento dentro da escola? Como é esse processo individual e coletivo? Como aplicar o conceito de planejamento como um ato de tomar decisões imprescindíveis e não como uma mera formalização burocrática? O ato de realizar um planejamento envolve indubitavelmente momentos de decisões políticas. Assim. referem-se ao projeto político pedagógico. considerando os objetivos da escola. Assim. de organização: “O planejamento.” O radical que o autor nos fala significa buscar a raiz do problema. É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política de sua prática educativa. „rigorosa‟ e „de conjunto‟. os quais fazem parte do processo. tomadas de decisões e re-definições. escolhas. não é um momento isolado de pura reflexão. programa ou projetos que. p. ideológico e isenta de neutralidade. e de conjunto refere-se ao domínio ou visão total do processo de ensino aprendizagem. no processo ensino aprendizagem. acima de tudo.Unidade 3: Planejamento Escolar O professor Fusari [1998. pois. ou seja. 43 . é. plano de aula. constituída de vários atores. nesta perspectiva. p. o planejamento é um processo amplo que necessita abranger todos os momentos do também processo ensino-aprendizagem (elaboração. uma atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente” [FUSARI. o refletir e o sentir. que permitem consolidar e dinamizar as ações que representam os interesses de uma coletividade. mas um trabalho coletivo de organização da atividade educativa. de forma „radical‟. demandando do educador uma atitude de análise. garantindo a continuidade do processo educativo. 45]. apropriação de instrumentos e procedimentos teórico-metodológicos. Cada um deles caracteriza os diferentes momentos da prática educativa. Na escola o planejamento é apresentado em forma de documentos chamados: plano. afirmar que o planejamento do ensino é o processo de pensar. o “fazer do professor” no âmbito educacional. os problemas da educação escolar. mas todos devem considerar que o planejamento é uma articulação dinâmica e coletiva entre o fazer.

Dessa forma. por isto a necessidade da participação. diretor. O planejamento participativo caracteriza-se pela busca da integração efetiva entre a escola e a realidade social. 1992. o plano de ensino e o plano de aula. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encarar o planejamento desta forma permite re-significar o modo de organização do trabalho na escola. “O plano de ensino é a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou semestre e o Plano de aula é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou um conjunto de aulas” [LIBÂNEO. dentro da escola encontram-se três níveis de planejamento: o plano de escola (Projeto Político Pedagógico). O planejamento participativo permite a realização de um trabalho problematizador. Mais adiante detalharemos melhor estes dois planos. 45]. aluno. sociedade) seja o ponto de partida do planejamento. o tempo todo. melhorar qualitativamente. Cabe salientar que Enquanto planejamento de ensino é o processo que envolve a atuação concreta dos educadores no cotidiano do seu trabalho pedagógico. O planejamento exige a participação de todos os envolvidos como um momento de repensar o caminho de formação dos educadores e educandos. é impossível a convivência de um discurso com a prática de divisão e da competição. 44 . ousar. que expressa orientações gerais que sintetizam as ligações entre a escola e o sistema escolar mais amplo. O planejamento constitui um processo político. avançar. também contribui para a produção de novos conhecimentos. No processo de planejamento existe o desafio da transformação. um propósito contínuo e coletivo. alunos. na qual a realidade concreta (escola. valorizando a participação de todos: professores. coordenador e comunidade escolar na construção da cidadania e dos saberes. Em seu contexto. Observamos então que o Projeto Político Pedagógico é um documento global. p. também se inter relaciona com os variados projetos didáticos e gestoriais que a escola possa estar desenvolvendo e com os diferentes planos de ensino. criar algo novo. deve ser preservada a relação cooperativa para que seja levada em consideração à participação de todos os elementos envolvidos no processo de ensino e que se estabeleça a relação entre teoria e prática. Dessa forma. ressaltando a relação entre teoria e prática e a participação da comunidade escolar: professores. para que os fins mais amplos da educação sejam alcançados. 225]. p. envolvendo todas as suas ações e situações. Logo a seguir será apresentado um quadro que relaciona as atividades e os documentos inerentes a cada nível funcional (escola. professores de forma coletiva e professores individualmente). encaminha o aluno para a reelaboração dos conteúdos escolares e do saber sistematizado. envolvendo a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos [FUSARI. especialistas e demais pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem. alunos. uma pensada e amplamente discutida construção do futuro da comunidade escolar. 1998.DIDÁTICA.

Este documento refere-se a um aspecto da prática pedagógica-política do professor. Todavia o professor deve e pode superar os limites do plano de ensino quando for necessário. p. Esse movimento dinâmico. os planos de ensino e os planos de aula. 45-53]. numa área e/ou disciplina específica. O Plano de Ensino Segundo Fusari [1991. contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho.. 1992]. O plano de ensino deve ser percebido como um instrumento orientador do trabalho docente. pois.] um momento de documentação do processo educacional escolar como um todo. um documento elaborado pelo(s) docente(s). Vemos que a ação consciente. 223] ao explicitar a função do plano como orientador da prática e que exige reflexão: 45 . 2006. Plano de ensino é. p. Nível Atividade Documentos Projeto Político Pedagógico Escola Elaboração de diretrizes políticas para todo o currículo Diretrizes sobre aspectos específicos Programação Escolar Elaboração de diretrizes para as Professores de forma coletiva ou com os coordenadores pedagógicos disciplinas Elaboração de planos para cada curso ou série Planejar e preparar unidades didáticas Professores Preparar e planejar aulas Documentos de diretrizes para as disciplinas Seqüências didáticas Planos para as unidades didáticas Planos de aula e materiais didáticos Fonte: Adaptado de BUTT. Vemos que nessa definição de Fusari [1991] o plano aparece como um instrumento que contribui para orientar e organizar a prática docente. e não como uma “camisa de força” ou mero cumprimento de uma exigência pedagógica.Unidade 3: Planejamento Escolar Quadro 1 Relação entre os níveis de planejamento: currículo. É importante ressaltar que o processo de reflexão frente ao planejado e ao vivenciado na sala de aula completa e mostra a inter-relação entre planejamento e plano e a natureza e necessidade do processo AçãoReflexão-Ação da prática docente [FUSARI. o plano de ensino é [. de inter-relação entre ação prática pedagógica e realidade também é colocado por Libâneo [1992. e não o plano em si. é um subsídio para a organização do seu trabalho pedagógico.. tendo-se a certeza e a clareza de que a competência pedagógica-política do educador escolar deve ser mais abrangente do que aquilo que está registrado no seu plano. competente e crítica do profissional é o que provoca mudanças. p. 24.

assim como uma possível apresentação do plano. É a possibilidade de continuamente fazer e retomar o planejamento que confere sentido às ações cotidianas. Os itens do plano de ensino variam conforme a escola. Atitude) Língua Portuguesa Matemática Ciências Naturais História Geografia Arte Língua Estrangeira Ensino Médio. pois uma das caraterísticas do processo de ensino é que está sempre em movimento. No Quadro 2 a seguir são detalhados os pontos de um plano de ensino. Quadro 2 Modelo de Plano de Ensino. organizacional. mas a função política. pedagógica e estratégica para o docente. Procedimental. não importa o modelo ou formato. ele não pode ser um documento rígido e absoluto. Escola Ano do Ciclo (público-alvo) Conteúdo (o quê? Área Objetivos (para quê?) Conceitual. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Como sua função é orientar a prática.DIDÁTICA. Métodos: como e com o que ensinar e aprender? Tempo e espaço da educação escolar: quando e onde ensinar e aprender? Recursos: o que será utilizado? Avaliação: como e o que realmente foi ensinado e aprendido? O importante é que o professor busque seu caminho de forma pessoal e coletivamente para que consiga organizar e planejar as suas estratégias. Áreas Linguagem Códigos e suas tecnologias Ciências da Natureza. O plano de ensino pode conter os seguintes elementos: Objetivos da educação escolar: para que ensinar e aprender? Conteúdos: o que ensinar e aprender? É organizado em unidades didáticas. está sempre sofrendo modificações face às condições reais. partindo das exigências da própria prática. em cada área do Ensino Fundamental. entre outras Recursos Duração (cronograma de Trabalho Tipo de instrumento de avaliação (como definir avanços) 46 .

Dificilmente em apenas uma aula trabalha-se uma seqüência didática completa ou inicia-se um novo conteúdo e já o finaliza. preparar aulas é uma das atividades mais importantes do trabalho docente. também. podemos dizer que o plano de aula é um detalhamento do plano de ensino. como as conduz e se existe a preocupação com uma síntese final do dia ou dos quarenta ou cinqüenta minutos vivenciados durante a hora-aula. a construção e a inter-relação de conhecimentos por parte dos alunos. Mas de modo amplo. o que pretende com o conteúdo. [FUSARI. p. enfatizando a ação e a dinamização da proposta global do plano de ensino. quem é seu aluno. como e quando fazer. conteúdo ou unidade didática. 6].Unidade 3: Planejamento Escolar Plano de Aula Por caracteriza-se pela previsão mais detalhada das realizações do dia-a-dia. a forma como são tratados os conteúdos dentro de sua disciplina. O plano de aula é visto como auxílio e ao mesmo tempo parte necessária do trabalho pedagógico que permite pensar o que. pode-se elencar os itens que compõem um modelo: Título da aula Série Tempo necessário Introdução Objetivos Recursos didáticos Organização da sala Procedimentos didáticos ou desenvolvimento da aula Avaliação Referências bibliográficas 47 . faz parte da competência teórica do professor e dos seus compromissos com a democratização do ensino. O autor também chama a atenção para outro aspecto da importância do preparar e planejar as aulas: Também aqui vale reforçar que faz parte da competência teórica do professor. 1998. a tarefa cotidiana de preparar suas aulas. deve-se considerar também o nível de preparação inicial dos alunos. o que implica ter claro. Cada professor ou equipe escolar pode escolher o seu modelo próprio de plano de aula. Em cada aula vai-se formando a rede do currículo escolar proposto para cada etapa e modalidade de ensino. como inicia rotineiramente suas aulas. Para Fusari [1998]. É na aula que se organizam ou se criam situações docentes para que se produza o ensino-aprendizagem. Cada professor pode e deve organizar seu plano de aula levando em consideração que a aula é um período de tempo variável. por isso é preciso planejar um conjunto de aulas que correspondam a um tema. Cada conceito novo deve seguir uma continuidade do anterior ou ser resgatado nos conhecimentos prévios dos alunos. e dos seus compromissos com a democratização do ensino. Os professores devem estar atentos na continuidade e na progressão. para tanto. É na aula que o professor direciona a ação docente para que se efetive o processo de aprendizagem escolar: a assimilação consciente e ativa dos conteúdos.

Dia Objetivo da aula Período Série Objetivos de aprendizagem Unidade didática Métodos – procedimentos. 2006. Quadro 3 Modelo de Planejamento A. critérios Avaliação do ensino Avaliação da aprendizagem Fonte: Adaptado de BUTT. estratégias Atividades do professor dos alunos Tarefa para casa Avaliação Fonte: Adaptado de BUTT. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I No Quadro 3 a seguir serão apresentados dois modelos de planejamento de aula que podem ser utilizados pelos professores. objetivos. Quadro 4 Modelo de Planejamento B. Data Aula Horário Turma Sala Título da aula Objetivo da aula Objetivos de aprendizagens Conteúdo: sobre PCN e a outros conteúdos Relações interdisciplinares Recursos Atividades – tarefas de aprendizagens duração Estratégias de ensino Oportunidades de avaliação. 48 . 44. 2006.DIDÁTICA. p. 44. p.

direção e todo o corpo docente. mas de todos os envolvidos no processo de educação: alunos. tomadas de decisões e re-definições. Dessa forma.Unidade 3: Planejamento Escolar Com isso. sem nunca perder de vista a realidade da comunidade na qual a escola está inserida. É preciso ficar claro que sua elaboração é o momento no qual o professor faz reflexões e questionamentos que visam as melhores estratégias e condições para a educação do aluno. Escreva um breve texto reflexivo sobre qual deve ser o motivo de descontentamento e desinteresse dos docentes em realizar freqüentemente um planejamento de suas atividades. realize anotações em seu caderno. 49 . VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora para assistir à videoaula: Planejamento na Escola. Contudo. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. coordenadores.. reflita: como você acredita que deva ser o ato de planejar sem que este se transforme em um ato burocrático. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. escolhas. É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política sobre sua prática educativa. afinal sua realização não depende tão somente do esforço do professor. encerramos esta unidade e aproveitamos para reforçar a importância do planejamento no processo de ensino-aprendizagem. Caso considere necessário.. A partir dela conheceremos os conceitos do planejamento escolar. não deve ser visto como um instrumento que deva ser elaborado a uma só mão. avaliação. Ao término da atividade o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para lerem para a sala suas respectivas reflexões. REFLEXÃO ______________________ Como vimos. mostrando seus benefícios e a importância que cada um possui perante a uma instituição de ensino.

Solicita a formação de equipes. Por outro lado. como deveria ser. todos concordam. um clima de alegria. a se encaminharem para uma sala de aula onde a reunião se realizará. imediatamente. alguma retração. Ela distribui uma pauta mimeografada com os itens que estarão sendo discutidos: entrega de documentos. de acordo com suas disciplinas. olhares curiosos. Professoras e professores. sobre as próximas tarefas. após o que. novo código disciplinar para os alunos. Início do ano letivo.DIDÁTICA. de abraços meteóricos. Educar é uma luta constante. O coordenador pedagógico convida os presentes. Distribui uma paleta para cada uma delas. A diretora da escola exercita sua pontualidade. entre outros. novos horários de intervalos. Uma atmosfera cor-de-rosa entre docentes e equipe diretiva. O coordenador pedagógico passa a falar. reúnam-se em duplas e analisem o caso a seguir. o coordenador pedagógico dá início a uma dinâmica de grupo. Lembra que os mesmos deverão ser elaborados em fina consonância com o Plano Diretor da Escola e com os Planos de Curso já definido nos anos anteriores. O tema da reunião admisnistrativa e pedagógica é. Agora. foram elaborados por especialistas da escola dentro dos padrões científicos e técnicos exigidos pela Secretaria da Educação e estão perfeitamente de acordo com os Planos Nacional e Estadual de Educação... Acrescenta que estes. que logo em seguida declara abertos os trabalhos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A partir da concepção de planejamento que estudamos. Em seguida. com sua voz grave. calmamente. visando responder às posteriores questões. Dia de reencontros explosivos. cautelosos. por meio da qual orienta cada 50 . de qualquer maneira. observada carinhosamente pelos colegas. é um novo recomeçar. pontualidade dos professores na entrada e saída. que fala um pouco sobre a organização da escola. antigos companheiros de trabalho. Vai começar a primeira reunião de um novo trabalho educativo. Todos ocupam seus lugares e as boas vindas são oferecidas pela diretora. dedicando-se mais à “parte administrativa”. recém-ingressantes também participam da confraternização. por sua vez. lista de alunos das novas turmas. definido pela equipe diretiva durante as férias dos professores. Informa que os planos de ensino deverão ser providenciados pela equipe docente e entregues ao final de três dias de reuniões. as aulas terão início. mas. cantina. crachás para as primeiras séries. planejamento e organização do trabalho da escola. alguma aproximação. passa a palavra à senhora diretora. Uma professora chega atrasada na ponta dos pés.

tal o silêncio que toma conta do ambiente. Sua análise deve ser registrada em seu caderno. como se o encantamento inicial tivesse se evaporado subitamente e dado lugar a um ar de constrangimento. O tempo acaba não sendo suficiente. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet aos grupos. normas e prazos. podem utilizar como referência os modelos apresentados na Mobilização do Conhecimento. A disciplina deverá ser escolhida pelo grupo. Como é visto o planejamento nesta escola? Se você fosse professor. agora ilhados em suas definições.Unidade 3: Planejamento Escolar grupo para que se reúna por meia hora e em seguida apresente aos demais grupos alguns objetivos específicos de suas disciplinas para o ano letivo. os professores disporão de novos livros didáticos enviados pelas editoras. planejamentos. 4. Professoras e professores que se mostravam confusos e aparentemente desanimados diante das palavras planos. reunidos em grupos de cinco alunos. 2. Nota-se no recinto um amargo sentimento. Se quiserem. 1997. faça a pesquisa pela internet ou outros meios de busca. ou. como seria sua postura no decorrer do ano letivo? Atente-se para o fato de que seus alunos necessitam construir conhecimentos significativos. Para tanto. se preferir. Terminada a dinâmica e estourado o tempo da reunião na parte da manhã. Assim começava a tarefa de planejar naquela escola e naquele ano. 3. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Agora. ______________________ Fonte: BRASIL. que a todos lembrava experiências burocráticas de anos anteriores nada compensadoras. Recordem sobre seus antigos professores e tentem encontrar em suas memórias posturas docentes que transpareceram ser desmotivadas e os conseqüentementes prejuízos que sofriam as aulas. Após quase uma hora o coordenador anuncia o início das exposições. Sem escolha. o que não consegue provocar reações nos companheiros. realizem o planejamento de uma aula. cada reprsentante de grupo lê os objetivos específicos aos quais chegara sua equipe. Mediante a leitura. qual postura teriam no início do ano letivo para a elaboração do planejamento? Reescreva o caso mediante ao que estudamos seguindo a postura que adotaram. analise: 1. Descreva esta(s) situação(ões). como informa a diretora. Se vocês fossem os gestores. 51 . a partir dos quais poderão adaptar seus planos de ensino dos anos anteriores. transfere-se para o perído da tarde o início da elaboração do planejamento.

Posso definir planejamento através do estudo realizado? Identifiquei quais são os tipos de planejamentos escolares? Sei identificar a estrutura de um plano de ensino? Arquive suas respostas em seu portfólio. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. Atente-se para as questões a seguir que nortearão suas considerações a respeito de seu aprendizado. 52 .. Olhando para fora. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. planeje e perceba o caráter decisório e fundamental para sua prática docente. um professor competente faz um bom planejamento e não um bom planejamento garante um bom professor ou uma boa aula. Independente da esfera em que se desenvolva o planejamento. intencional e própria da atividade pedagógica.. sugerimos que consulte a seguinte referência que compôs a base desta unidade. Parafraseando Fusari [1998]. para pensar na melhor forma de trabalhar e garantir a prendizagem dos seus alunos.. deve ficar claro para você que a relação aluno-professor e situações de aprendizagens compreendem uma instância política.. Esta unidade permitiu a você compreender o que é planejamento e a sua importância na profissão docente.... Agora convidamos você para realizar sua alto-avaliação.DIDÁTICA. algo que vem pronto de fora da esfera de trabalho docente e é imposto. O planejamento deve ser uma exigência do próprio docente. Vimos que o planejamento escolar tem diferentes níveis.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. Visando enriquecer seu aprendizado. Deve-se entender planejamento como um processo de reflexão e questionamento sobre e para a prática sendo seu caráter político e intencional. Deve-se ultrapassar a imagem de cumprir o planejamento como se fosse uma “camisa de força”. por isso é fundamental que você entenda e pesquise.

(Série Expansão) FUSARI.. O Planejamento do Trabalho Pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. Introdução. BUTT.php?t=016>. 1998.php?t=001>.sp. Brasília: MEC/SEF. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática. Disponível em: <http://www. Acesso em: 17 set. 3). C. FUSARI. 1327. G. 2006. 1992. p.gov. MAPEAMENTO DA UNIDADE Burocratização Participação Planejamento Ato político Autonomia Momento de aprendizagem Aluno Instâncias diferentes Educação Formação docente Plano de aula Identidade docente Planejamento escolar Unidade didática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. São Paulo: FDE. C.br/edc_a.sp. São Paulo: FDE.gov. Parâmetros Curriculares Nacionais. como levá-lo à formação consciente. n. São Paulo: Phorte.br/prp_a. J.Unidade 3: Planejamento Escolar NEIRA.crmariocovas. visando inovações. G. J. p. 2004. 53 . 2008. 44-53. Acesso em: 17 set. Disponível em: <http://www. 2008.crmariocovas. M. Tendências históricas do treinamento em Educação. O planejamento de aulas bem sucedidas. (Série Idéias. Secretaria da Educação Fundamental. como realizar os objetivos e avaliá-los sob o prisma da educação como forma de libertação e sentido a prática docente. 208 p. 1997. Essa obra traz uma análise do cotidiano da prática pedagógica. Aparecem como destaque: a maneira de entender o discente. São Paulo: SBS.

54 . J. São Paulo: EPU. 1986. 1994. São Paulo: Phorte. Didática. NEIRA. Planejamento participativo na escola. 1992.DIDÁTICA. C. VIANNA. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LIBÂNEO. M. 2004. _______. I. G. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. Didática.

. que permitirão elaborar e compreender novos conhecimentos necessários para exercer a sua cidadania. visando. Os objetivos educacionais compreendem-se como ponto de partida tanto para pensar no que se quer ensinar quanto na iniciação do planejamento escolar. Por isso destacamos que é importante a você.. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Planejamento: Conceituação e Importância Objetivos Educacionais Nesta unidade estudaremos o que são os objetivos educacionais. Entenda e compreenda as relações existentes entre planejamento. se inserir desde já dentro deste processo e perceber que sua participação e ação. futuro professor ou aluno-professor. elaboração e definição dentro dos diferentes momentos do planejamento educacional. Veremos também o papel do professor dentro de sua área de atuação e sua prática educativa. são fundamentais no processo de planejamento e de formulação de objetivos educacionais. sua classificação. Entende-se que através da prática educativa os indivíduos de uma sociedade poderão se apropriar dos conhecimentos socialmente acumulados pelas gerações anteriores. objetivos e o papel do professor como agente de uma prática social. Saiba analisar o processo de elaborar objetivos gerais e específicos para o ensino fundamental. que faz parte do fazer educativo. a prática educacional se orienta necessariamente por meio de uma ação intencional e sistemática. 55 . assim.Objetivos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Contextualize os objetivos no cenário educacional brasileiro. os diferentes momentos deste processo. mesmo no momento de formação. Na iniciativa de alcançar determinados objetivos.

Os objetivos educacionais expressam. Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho em conjunto do professor e alunos. em explicitar fins e meios que orientem tarefas da escola e do professor para aquela direção [LIBÂNEO. a fim de que sejam realizáveis. assim. propósitos definidos explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. 49]. O caráter pedagógico da prática educativa está. Devem. os quais expressam que: Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham. 1992. pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. expressam conhecimentos. Em âmbito nacional encontram-se os objetivos educacionais determinados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Os conteúdos básicos das ciências. Essas três referências permitem que o professor avalie a pertinência dos conteúdos e objetivos frente a realidade dos alunos. ao longo da escolaridade obrigatória. estado. sendo. precisamente. capacidades. assim como em que medida atendem às exigências 56 . nesse sentido. valores e sentimentos (conteúdos) a serem aprendidos a partir das estratégias metodológicas elaboradas em função dos alunos juntamente com as características específicas relacionadas aos processos de ensino-aprendizagem. assim como. 1997. Para Libâneo [1992]. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desse modo. conteúdos e as estratégias de ensino. portanto. é importante salientar que existe uma relação estreita entre os objetivos. quais são as finalidades educativas que um país. Cabe ao professor desenvolver nessa relação um papel de organizador na tomada de decisões para que os objetivos sejam alcançados ou realizados através da prática educativa. das lutas pela democratização. As necessidades e expectativas de formação cultural exigida pela população majoritária da sociedade decorrente das condições concretas de vida e trabalho. os objetivos educacionais são os resultados esperados. na formulação dos objetivos existem três referências que devem ser respeitadas e trabalhadas em conjunto: O proposto pela legislação educacional que expressa os ideais e propósitos dos grupos políticos dominantes no sistema social. definidos e estabelecidos os objetivos. p. Observa-se. portanto. p. desejados para a ação educativa. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. habilidades. orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos [BRASIL. aonde se quer chegar. 120]. Nesse sentido. Para definir e orientar essa ação é que são formulados. o caráter fundamental dos objetivos. já que através deles se estabelecem e definem os objetivos da educação.DIDÁTICA. o saber acumulado pela humanidade. município ou escola deseja alcançar.

tendo em vista tanto os conteúdos do saber culturalmente acumulado quanto as capacidades que se referem à relação interpessoal e a inserção e atuação social dos alunos. profisional.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático de democratização da educação. A capacidade de uma pessoa para se relacionar depende das experiências vividas. que devem ser desenvolvidas pelos educandos durante o período de escolarização e que permitem serem trabalhadas em diferentes momentos. afetiva (equilíbrio e autonomia pessoal). com diferentes conteúdos e por estratégias diversificadas. O professor deve pensar que os objetivos educacionais são uma exigência no trabalho docente. para o qual é necessário um posicionamento ativo do professor na explicitação e definição destes. na sala de aula todas as capacidades que contribuem para o desenvolvimento integral do aluno. devem-se incluir na formação escolar as relações que se estabelecem com os outros e com a realidade social. Por isso. 1997. a qual está inserida num contexto maior. referente à prática social. de relação interpessoal. respeitando as características de cada grupo e ao mesmo tempo garantindo a educação para todos. Ao professor cabe a adequação dos objetivos para seus alunos. Para continuar nossa análise é necessário observar: como são definidos os objetivos nos PCNs? Podemos ver neste documento que os objetivos se constituem como capacidades. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. e a escola é um lugar onde se estabelecem vínculos e relações que condicionarão e definirão as próprias concepções socias sobre si e sobre os outros. É relevante destacar a necessidade de o professor compreender o seu papel de agente de uma prática profissional. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. Entretanto. uma vez desenvolvidas. 57 . Educar é formar cidadãos que não se apresentam dividos em comportamentos ou capacidades isoladas [ZABALA. pois as capacidades. é fundamental desenvolver na escola. tanto no processo do planejamento escolar (plano de ensino e de aula) quanto nos elaborados pelo sistema de educação. 1998]. pois essa mediação interfere no desenvolvimento do aluno. Nessa perspectiva. político e cultural. A intenção dessa classificação é considerar a formação ampla do educando. p. nem sempre os objetivos da educação nacional representam os interesses majoritários da população. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos [BRASIL. 47]. Os objetivos podem ser definidos em termos de capacidades de ordem cognitiva ou intelectual. O professor. podem se expressar numa variedade de comportamentos. O professor deve ficar atento e observar que há todo um caminho a ser percorrido com cautela e compromisso para que durante o percurso os alunos aprendam e possam responder às exigências e tarefas enfrentadas no âmbito social. por isso a necessidade de o professor realizar uma prática pedagógica responsável. inserção social. ética e estética.

Porém. pois é este que orientará sua prática de sala de aula frente aos alunos. a padronização (exigindo que todos manifestem o mesmo tipo de comportamento). atitudes e convições cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de transmissão e assilimilação ativa das matérias de estudo [LIBÂNEO. Vemos que os objetivos são ponto de partida do processo pedagógico e representam as premissas gerais dos diferentes níveis de planejamento e da ação pedagógica. contando com a participação de toda a equipe docente. ao realizar uma aula (a organização. 1992]. podendo. já que o trabalho escolar deve ser uma atividade coletiva.DIDÁTICA. Os objetivos específicos de ensino determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos. No plano de ensino sua responsabilidade é direta. Com isso. Este processo exige que o professor possua convicções próprias sobre os fins sociais. as expectativas que se tem do aluno. assim. exercer seus direitos e deveres como cidadão. é esperado que estes alunos desenvolvam expectativas positivas sobre a aprendizagem e tenham motivação para as atividades escolares. 122]. assim como também indicam as opções políticas e pedagógicas dos professores diante das contradições sociais [LIBÂNEO. aos alunos. já que as capacidades podem ser manifestadas de diferentes formas e comportamentos. habilidades. Objetivos Gerais e Objetivos Específicos Os objetivos educacionais podem ser apresentados em dois níveis: gerais e específicos. o professor tem a possibilidade de compreender que a forma de estabelecer a comunicação na sala de aula. deixando de lado. assim como dos métodos e estratégias necessárias para uma aprendizagem sólida dos alunos. por isso o educador deve pensar e agir de forma consciente para que o aluno consiga desenvolver todas as capacidades que lhe são exigidas. as regras de convivência. O professor participa diretamente no nível dos objetivos da escola. a forma como os objetivos são formulados são favoráveis para o desenvolvimento dos alunos. dos conteúdos escolares para a formação de cidadãos ativos e participantes na sociedade. referentes a conhecimentos. ao ensino. Representam as exigências da sociedade em relação à escola. Dessa forma. Os gerais definem as linhas gerais da prática educativa brasileira: o conceito de escola e ensino diante da sociedade e do desenvolvimento de cada aluno. 58 . Dessa forma. Por trás de qualquer ação pedagógica encontra-se uma tomada de posição que sempre é ideológica. assim. 1992. Isso permite que o professor trabalhe de forma que valorize a diferença. p. políticos e pedagógicos do trabalho docente. conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. estes depois serão convertidos em específicos de cada disciplina de ensino. os materiais usados) cada uma das decisões produz experiências educativas. O docente deve ficar atento à diversidade de seus alunos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cabe ao professor apresentar os conteúdos e as atividades de aprendizagem de maneira que os alunos entendam a razão e a finalidade daquilo que aprendem.

inserção social. A partir dessa definição estabelecem-se os conteúdos objetivos e o professor poderá definir conteúdos em termos das capacidades a serem desenvolvidas. Escolhas das estratégias e dinâmica da sala de aula para a aprendizagem dos alunos (plano de aula). diretrizes que orientam o trabalho escolar. definir e priorizar os objetivos específicos de ensino.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Para esse autor os objetivos gerais podem ser explicitados em três níveis de abrangência: a) Objetivos estabelecidos pelo sistema escolar: valores e finalidades da educação. Os objetivos definidos nos PCN‟s em termos de capacidades de ordem cognitiva. comunicar de forma clara seus propósitos de ensino aos próprios alunos. convicções que buscam o desenvolvimento das diversas capacidades dos alunos (cognitiva ou intelectual. e elaborar critérios para avaliar o próprio trabalho docente. unidade de ensino ou uma aula. de relação interpessoal. Dessa forma. física. Conhecimento e análise das diretrizes de ensino e exigência de postura política frente aos objetivos (plano de ensino. já que orienta suas atividades e permite a avaliação da própria prática pedagógica. organizar. A definição dos objetivos específicos subsidia o trabalho do professor. Existe uma estreita relação entre objetivos. que expressam conhecimentos. o professor deve trabalhar. Os objetivos específicos têm sempre um caráter pedagógico. ética e estética. pois explicitam um rumo que orienta o trabalho escolar em torno de uma programação para uma disciplina. o projeto político pedagógico. a partir da visão de conjunto do trabalho escolar e da programação escolar indicada pelos diferentes órgãos do sistema escolar. habilidades. O professor deve vincular os objetivos específicos aos gerais. tendo em vista uma formação ampla (podemos incluir também aqui os objetivos gerais da Educação Fundamental). tendo presente a situação real na qual serão trabalhados: escola. de relação interpessoal e inserção social. O conteúdo escolar possui objetivos que indicam resultados. b) Objetivos estabelecidos pela escola: princípios. c) Objetivos explicitados pelo professor: concretiza a sua própria visão de educação e sociedade no ensino do conteúdo de uma determinada disciplina. plano de curso). estabelecer os procedimentos e estratégias de ensino. determinar o processo de avaliação. hábitos. segundo os valores dominantes na sociedade. ética e estética. Desse modo. afetiva. conteúdo e alunos. atitudes. aos pais e demais educadores. afetiva. conteúdos e métodos: os conteúdos são preparados pedagogicamente para serem ensinados e apreendidos. equilíbrio e autonomia pessoal). Os objetivos específicos expressam as expectativas do professor sobre as capacidades a serem desenvolvidas pelos alunos durante o processo de ensino. sobre o papel das disciplinas que leciona na formação de alunos ativos e participantes e sobre as formas didáticas pedagógicas de organização do ensino. Percebemos que em todo momento se faz necessário que o professor reflita sobre as implicações sociais de seu trabalho. os objetivos específicos devem: 59 .

facilitando o processo de avaliação. e cabe a você enquanto profissional a tarefa de fazer com que eles representem os interesses de todos os envolvidos no processo educativo e se adéqüem aos diferentes alunos com os quais trabalha e propicie a aprendizagem destes. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desdobrar e operacionalizar os objetivos gerais: os objetivos gerais são amplos e precisam ser detalhados e adequados ao grau e à série na qual o professor trabalha. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. sua classificação e importância. Para tanto. Estabelecer uma seqüência lógica de forma que os conteúdos sejam trabalhados de forma interrelacionada. a sua autonomia passa pela preocupação e pelo conhecimento das intenções educativas no âmbito nacional. possibilitando uma compreensão de conjunto. Esperamos que depois de ler e analisar o que são os objetivos educacionais. de modo que sejam incorporados como os próprios objetivos dos alunos. você perceba que estes contribuem para o seu trabalho docente e que permitem compreender e adequar os objetivos educacionais à sua prática educativa. expressando desafios. regional e individual (sua realidade escolar).. • Possibilitar enfoque comum aos professores. questões estimulantes e viáveis. Após fazer a leitura destes objetivos. descreva as capacidades expressas de cada um e os explique com suas palavras. TREINANDO ______________________ Visando dar continuidade aos conceitos apresentados na Mobilização do Conhecimento.DIDÁTICA. Ser formulados como resultados a alcançar. mas não se esqueça de que eles representam ou são parte de um objetivo mais amplo. Dosar o grau de dificuldade. Os objetivos específicos fazem parte do planejamento de cada unidade didática.. na vida prática e em situações futuras. Realizando esta atividade você treinará sua percepção e contextualizará os objetivos no cenário educacional. Especificar as capacidades fundamentais que serão desenvolvidas e aplicadas em situações escolares. Expressar os objetivos de forma clara. Exemplo: 60 . respeitando as diversidades de cada educando. a seguir evidenciaremos alguns objetivos gerais para o ensino fundamental extraídos dos PCNs. problemas.

O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet. 69]. consulte via internet a versão on line do PCN.” [Brasil. p. Capacidades Expressas Ética ExplicaçãoComentário Respeito pelo grupo social e cultural ao qual o aluno pertence. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. agora realize essa atividade em seu caderno. bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações. civis e sociais. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro.gov. dependente e agente transformador do ambiente.pdf>. identificando seus elementos e as interações entre eles. 61 . Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais. adotando. Posicionar-se de maneira crítica. de etnia ou outras características individuais e sociais. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. descrevendo a capacidade a que se refere e sua devida explicação. posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais.mec. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Objetivos Gerais do Ensino Fundamental “Compreender a cidadania como participação social e política. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Perceber-se integrante. assim como exercício de direitos e deveres políticos.br/seb/arquivos/pdf/introducao. atitudes de solidariedade. cooperação e repúdio às injustiças. de sexo. contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente. no dia-a-dia. Como exemplificado. pessoal e o sentimento de pertinência ao País. 1997. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional. de crenças. de classe social. disponível no site: <http://portal. Caso seja necessário.

1997.DIDÁTICA. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação. utilizando para isso o pensamento lógico. expressar e comunicar suas idéias. 62 . PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva. p. de inter-relação pessoal e de inserção social. gráfica. 69. valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. a capacidade de análise crítica. em contextos públicos e privados. cognitiva. plástica e corporal –como meio para produzir. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. estética. a criatividade. para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. interpretar e usufruir das produções culturais. física. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: _______________ Fonte: Adaptado de BRASIL. a intuição. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Utilizar as diferentes linguagens – verbal. matemática. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e cuidar do próprio corpo. ética. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos.

63 . elabore um texto que apresente a relação do nível dos objetivos e importância da participação do professor. Sugerimos. O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações. o (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para consulta aos PCN‟s. então. A atividade deverá ser anexada em seu caderno. Se considerar necessário. Não priorizem apenas a capacidade cognitiva/intelectual e façam a representação de uma sala de aula na qual o professor deverá trabalhar a atividade que criaram. Realizada a leitura. que se reúnam em grupos de quatro ou seis participantes e elaborem uma atividade para as primeiras séries iniciais do ensino fundamental. Formulam objetivos tais como: reconhecer diferentes gêneros textuais ao invés de: reconhecer os gêneros textuais segundo as situações de uso. inseridos na vida social. VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora a assistir à videoaula A importância de estabelecer objetivos. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Concentre-se e leia individualmente o excerto de texto apresentado a seguir.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático DINÂMICA DE GRUPO ______________________________ Nos Parâmetros Curriculares Nacionais são definidas cada uma das capacidades que devem ser trabalhadas no ensino. A partir dela iremos tratar dos objetivos como um dos componentes básicos que constituem um planejamento. também tente descrever a dimensão da prática educativa e social do professor relacionando-os com os objetivos e conteúdos propostos pelo documento. Se necessário. realize anotações em seu caderno. Ele se refere aos objetivos de se trabalhar os temas transversais nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Alguns professores trabalham com objetivos que priveligiam a capacidade intelectual e deixam de lado as de relação interpessoal e inserção social.

A afetiva refere-se às motivações. de uma classe. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. atitudes e tomadas de decisão e possibilitando o conhecimento de que a formulação de tais sistemas é fruto de relações humanas. incentivando a reflexão e a análise crítica de valores. ética e estética. O desenvolvimento dessa capacidade permite considerar e buscar compreender razões. A ação pedagógica contribui com tal desenvolvimento. A capacidade ética é a possibilidade de reger as próprias ações e tomadas de decisão por um sistema de princípios segundo o qual se analisam. conviver e produzir com os outros. A aquisição progressiva de códigos de representação e a possibilidade de operar com eles interfere diretamente na aprendizagem da língua. conseqüências e intenções. pois seu desenvolvimento é necessário 64 . Esses fatores levam o aluno a compreender a si mesmo e aos outros. O professor. de intenções e de estados de ânimo. à sensibilidade e à adequação de atitudes no convívio social. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos. estando vinculada à valorização do resultado dos trabalhos produzidos e das atividades realizadas. percebendo distinções entre as pessoas. de maneira consciente ou não. uma vez desenvolvidas. no deslocamento com segurança. no julgamento e na atuação pessoal. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Objetivos Os objetivos propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da escolaridade. A capacidade estética permite produzir arte e apreciar as diferentes produções artísticas produzidas em diferentes culturas e em diferentes momentos históricos. A capacidade afetiva está estreitamente ligada à capacidade de relação interpessoal. de um ou vários grupos sociais e de comprometer-se pessoalmente com questões que considere relevantes para a vida coletiva. os objetivos se definem em termos de capacidades de ordem cognitiva. A construção interna. na superação de estereótipos de movimentos. historicamente situadas. nas diferentes situações da vida. No trabalho escolar o desenvolvimento dessa capacidade é propiciado pela realização de trabalhos em grupo. de princípios considerados válidos para si e para os demais implica considerar-se um sujeito em meio a outros sujeitos. Essa capacidade é nuclear ao exercício da cidadania. temporal e gráfica e na leitura de imagens. da matemática. Assim. pois as capacidades. condicionantes. tendo em vista uma formação ampla. A capacidade física engloba o autoconhecimento e o uso do corpo na expressão de emoções. contrastes de temperamento. pessoal. permite a superação da rigidez moral. O desenvolvimento da inter-relação permite ao aluno se colocar do ponto de vista do outro e a refletir sobre seus próprios pensamentos. da representação espacial. refere-se à possibilidade de o aluno perceber-se como parte de uma comunidade. à auto-estima. de relação interpessoal e inserção social. envolvendo a resolução de problemas. podem se expressar numa variedade de comportamentos. física. os valores e opções que envolvem. afetiva. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. vinculando-se diretamente ao uso de formas de representação e de comunicação. Quanto à capacidade de inserção social. por práticas de cooperação que incorporam formas participativas e possibilitam a tomada de posição em conjunto com os outros. A capacidade cognitiva tem grande influência na postura do indivíduo em relação às metas que quer atingir nas mais diversas situações da vida.DIDÁTICA. que envolve compreender. na relação interpessoal e na compreensão das relações sociais. nos jogos. nuanças. isto é. entre outras formas afirmando claramente seus princípios éticos.

A partir deles são definidos os Objetivos Gerais de Área. plástica. A escola preocupada em fazer com que os alunos desenvolvam capacidades ajusta sua maneira de ensinar e seleciona os conteúdos de modo a auxiliá-los a se adequarem às várias vivências a que são expostos em seu universo cultural. em função de sua natureza. fruto do processo de socialização e do desenvolvimento individual. é preciso considerar que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses ou habilidades. por sua vez. para que todos possam se integrar no processo de aprender. Mas depende também de que os conteúdos de aprendizagem tenham sentido para ele e sejam funcionais. portanto. considera as capacidades que os alunos já têm e as potencializa. será possível conduzir um ensino pautado em aprendizados que sirvam a novos aprendizados. fazendo uso do conhecimento matemático para interpretá-las e avaliá-las criticamente. Embora os indivíduos tendam. A partir do reconhecimento das diferenças existentes entre pessoas. mais ético. O aprendizado de diferentes formas e possibilidades de participação social é essencial ao desenvolvimento dessa capacidade. crucial. bem como o desdobramento que estes devem receber no primeiro e no segundo ciclos.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático para que se possa superar o individualismo e atuar (no cotidiano ou na vida política) levando em conta a dimensão coletiva. Para garantir o desenvolvimento dessas capacidades é preciso uma disponibilidade para a aprendizagem de modo geral. na explicitação das mencionadas capacidades. Um exemplo de desdobramento dos objetivos é o que se apresenta a seguir. depende em boa parte da história de êxitos ou fracassos escolares que o aluno traz e vão determinar o grau de motivação que apresentará em relação às aprendizagens atualmente propostas. preocupa-se com aqueles alunos que encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas. o que muitas vezes exige uma atenção especial por parte do professor a um ou outro aluno. gráfica. • Objetivo Geral do Ensino de Matemática: analisar informações relevantes do ponto de vista do conhecimento e estabelecer o maior número de relações entre elas. como forma de conduzir às conquistas intermediárias necessárias ao alcance dos objetivos gerais. corporal – como meio para expressar e comunicar suas idéias. que são as grandes metas educacionais que orientam a estruturação curricular. de modo a tornar o ensino mais humano. Para tanto. • Objetivo Geral do Ensino Fundamental: utilizar diferentes linguagens – verbal. matemática. a desenvolver capacidades de maneira heterogênea. 65 . Esta. é importante salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas as capacidades. e assim desenvolvam expectativas positivas em relação à aprendizagem e sintam-se motivados para o trabalho escolar. pois a ele cabe apresentar os conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os alunos compreendam o porquê e o para que do que aprendem. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. apresentam inicialmente os Objetivos Gerais do ensino fundamental. interpretar e usufruir das produções da cultura. nem aprendem da mesma maneira. O papel do professor nesse processo é. os dos Temas Transversais.

desenvolvendo alguns aspectos e acrescentando outros que não estejam explícitos.. em situações práticas. Essa adequação pode ser feita mediante a redefinição de graduações e o reequacionamento de prioridades. As capacidades expressas nos Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais são propostas como referenciais gerais e demandam adequações a serem realizadas nos níveis de concretização curricular das secretarias estaduais e municipais. diretrizes. Fique atento. a fim de atender às demandas específicas de cada localidade. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. TELEAULA _____________________ Este é o momento de assistirmos a uma teleaula. Devem. 1997. assim como o trabalho docente. p.DIDÁTICA. 47-49. registre em seu caderno os principais aspectos apresentados a fim de subsidiar seus posteriores estudos. que muitas informações são organizadas em tabelas e gráficos para facilitar a leitura e a interpretação.. princípios. ao longo da escolaridade obrigatória. sejam gerais ou específicos. norteiam e direcionam a atividade pedagógica. pois ela sintetizará todos os conceitos trabalhados durante nossas quatro primeiras unidades. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. de cidadania. nesse sentido. _______________ Fonte: BRASIL. Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Objetivo do Ensino de Matemática para o Primeiro Ciclo: identificar. sendo. Se considerar necessário. Finalmente. Eles trazem conceitos de educação. bem como das escolas. Nesta unidade foi estudado que os objetivos educacionais. orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos. de direitos. Mas vemos que é tarefa do docente transformar ou adequar os objetivos às necessidades específicas onde atua e segundo a sua própria formação. devem constituir-se uma referência indireta da avaliação da atuação pedagógica da escola. vivências 66 . e construir formas pessoais de registro para comunicar informações coletadas. pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. portanto.

sugerimos a seguinte obra para aprofundamento do assunto tratado nesta unidade: LIBÂNEO.. C. Nessa obra – mais especificamente no capítulo 6 – o autor nos apresenta a importância da estreita relação entre objetivos e conteúdos do Plano Didático. Para tanto. Por isso. objetivos e papel do professor como agente de uma prática social? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio. bem como a relação destes com os métodos de ensino. cada docente deve pesquisar e confrontar o que é sugerido pelos diferentes níveis educacionais e adequá-los à realidade de sala de aula na qual desenvolve seu trabalho. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. Com o objetivo de ampliar e subsidiar seus estudos. ele tem a tarefa de re-avaliar. Esperamos que você compreenda que cabe ao professor mais do que simplesmente preocupar-se em acatar e cumprir os programas oficiais. O autor enfatiza a importância dos objetivos educacionais. Olhando para fora.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático e saberes pedagógicos. 1992.. analisar e questionar os objetivos de ensino para que seus alunos aprendam. Didática. Agora é o momento de você se auto-avaliar! Com base no que foi exposto nesta unidade. que é a educação. auxiliar o professor na definição dos objetivos gerais e específicos. ressaltando que os mesmos podem. ainda. J. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. É uma leitura obrigatória para qualquer educador.. pense sobre suas aprendizagens e responda as seguintes questões: Sei identificar o que são os objetivos de ensino? Entendi como as diferentes capacidades conseguem o trabalho integral para a formação de um cidadão? Compreendi qual é a função dos objetivos específicos? Consigo contextualizar os objetivos no cenário educacional brasileiro? Soube entender e compreender as relações existentes entre planejamento.. São Paulo: Cortez. Isto assegura a autonomia do professor e a exigência de ser comprometido profissionalmente.. não pode se omitir de seu papel de trabalhar com uma prática social. 67 .

mec. 1997.pdf>.DIDÁTICA. Brasília: MEC/SEF. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Objetivos educacionais Atitude Objetivos gerais-específicos Planejamento Compromisso Orientação do trabalho docente Processo Prática pedagógica Seqüência Parâmetros Curriculares Nacionais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL.gov. Disponível em: <http://portal. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais.br/seb/arquivos/pdf/livro01. Didática. A prática educativa: como ensinar. Secretária da Educação Fundamental. A. LIBÂNEO. São Paulo: Cortez. 2008. Acesso em: 12 out. C. J.1998. 68 . ZABALA. 1992. Porto Alegre: ArtMed.

devemos pensar nos conteúdos escolares numa relação tríplice entre conteúdo.Conteúdos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Conheça e identifique o procedimento de seleção e organização de conteúdos no processo de ensino. Nesta visão. É importante evidenciar que cada unidade é seqüência da anterior e todas se relacionam entre si.. essa relação entre conteúdo. trataremos agora sobre os conteúdos escolares. Para dar continuidade ao processo de planejamento que estudamos. atitudinais. ensino e aprendizagem dos alunos. que tem como centro a aprendizagem dos alunos. permitindo a aprendizagem dos educandos. 128]. Analise os currículos do Ensino Fundamental e traduza em conteúdos escolares segundo as capacidades cognitivas. Contudo. o ensino é uma atividade específica da escola. Segundo Libâneo [1992. É por meio do processo de ensino que a escola cumpre esse papel. visando sanar possíveis dúvidas conceituais. os alunos formam 69 . Vamos então iniciar nossos estudos. Identifique os conteúdos conceituais. o qual faz a mediação dos objetivos e conteúdos. A escola tem como tarefa principal democratizar os conhecimentos e garantir a cultura de base para todas as crianças e jovens. no qual o professor conjuga a atividade de organizar e selecionar o ensino com a atividade de aprendizagem dos alunos. p. ou seja.. nesse processo. físicas e afetivas dos alunos. Sempre que considerar necessário volte às anteriores. a relação cognoscitiva do aluno por meio do processo didático com os diferentes conteúdos de ensino. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. procedimentais e factuais. aluno e procedimentos deve proporcionar ou permitir o desenvolvimento de capacidades intelectuais e o pensamento criativo e independente: Através do ensino criam-se as condições para assimilação consciente e sólida de conhecimentos habilidades e atitudes e.

os [. Ou seja. assim como procedimentos (como fazer e chegar a um determinado conceito). Isso quer dizer que quando se ensina e se apreende um conceito que envolve habilidades intelectuais (conceitos e fatos). não só as habilidades intelectuais. que. princípios. sendo ação do docente explicitar os objetivos. compreender o nível cognitivo do aluno e definir a metodologia. Os conteúdos são usados não só na escola.] conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos. as guias e idéias). tornando os conteúdos significativos. mas também fora dela. atitudes). com o propósito de que sejam apreendidos de forma consciente e ativa. Para Libâneo [1992. a necessidade de pensar e planejar os conteúdos como fonte principal para que os alunos trabalhem e apreendam os conhecimentos escolares. são os parâmetros. os conteúdos englobam diferentes tipos ou formas de conhecimentos nas diferentes disciplinas ou áreas escolares. hábitos. convicções. mas deve-se incorporar elementos da vivência prática dos alunos ou de uma determinada escola. leis científicas. não é suficiente uma organização lógica deles. tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida.. selecionar e trabalhar determinados conteúdos começa pelo sistema de ensino. 128]. quem decide como trabalhar com eles é a escola e o professor. portanto. modos de atividade. o conteúdo é tudo o que é trabalhado na sala de aula. organizar os conteúdos. Portanto. modos valorativos e atitudinais de atuação social. idéias. Para este autor. atitudes. levam a formas de organização do estudo ativo dos alunos. organizados pedagógica e didaticamente. habilidades cognoscitivas. estimulando. valores. p. hábitos de estudo. é de suma importância aprender e estudar conteúdos que possam ser usados na vida das crianças e não só para responder uma prova ou cumprir o currículo escolar. processos. Libâneo [1992] aponta a relação entre o ensinar da docência e o apreender do aluno. Vemos. de trabalho e de convivência social. assim. fatos. assim como valores e atitudes. portanto. a matéria a ser transmitida proporciona determinados procedimentos de ensino.. A ação de pensar. Englobam. este também envolve a parte afetiva (valores. 70 . Assim. pensando sempre na diversidade e particularidade de seus alunos. escola e professores. habilidades. mas também as relações interpessoais e de convivência social. o saber de novos saberes. conceitos. Desse modo. sujeitos da própria aprendizagem. regras. Cabe salientar que apesar de os conteúdos serem apresentados nos PCNs (como seu nome indica. por sua vez. métodos de compreensão e aplicação. O que são os conteúdos? Neste tópico usaremos alguns autores e os Parâmetros Curriculares Nacionais para definir o que são os conteúdos.DIDÁTICA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I suas capacidades e habilidades intelectuais para se tornarem. sempre mais.

Vamos compreender então o que designa cada um desses tipos de conteúdo que o autor nos fala. conceitos e princípios. entre outros. Dos conteúdos conceituais ramificam-se os conteúdos factuais. é necessário compreender seus significados para poder usálos. Por conteúdos factuais entende-se o conhecimento de fatos. destacando que em alguns momentos se dá prioridade a um ou a outro conteúdo. e os princípios se referem a mudanças num fato. ou ensinado. objeto ou situação em relação a outros fatos. assim como as diferentes habilidades e capacidades cognoscentes. um fato determinado num certo momento. ou símbolos que tem características comuns. Desse modo. sujeito. Os três tipos de conteúdo estão sempre presentes. e que quando se aprende também se faz com divisões. Vejamos alguns exemplos de conceitos trabalhados: mamíferos. Essa tipologia compreende os diferentes tipos de conteúdos. conquista de um território.. demografia. Coll. técnicas e métodos.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ao se referir à tipologia dos conteúdos estabelecida por C. entre outros.. densidade. as quais devem ser trabalhadas. 71 . São considerados princípios as leis ou regras. Na conceitual encontram-se fatos. que relacionam demografia e território.] se referem ao conjunto de fatos. valores. objetos. normas ou regras de uma corrente literária. uma melhor forma de trabalhá-los. 42]. e na atitudinal. procedimentos. p. os conteúdos conceituais [. localização ou altura de uma montanha. acontecimentos. Tanto os conceitos como os princípios são trabalhados numa mesma categoria. dados e fenômenos concretos e singulares: idade de uma pessoa. Segundo Zabala [1998. já que ambos têm necessidade de compreensão. códigos. estudadas e apreendidas pelos alunos na escola. Os conteúdos são classificados não por matéria ou disciplina. Esta classificação é realizada para ver e estabelecer a proximidade de aprendizagem dos diferentes conteúdos que são trabalhados na escola e na sala de aula. ou seja. Representa. Zabala [1998] também compartilha a visão de Libâneo em relação aos conteúdos. abarcar além da habilidade intelectual as habilidades conceitual. normas e atitudes. Como dissemos. objetos ou situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação. cidade. procedimental e atitudinal. não para dividir ou fragmentá-los. situações. mais especificamente. na procedimental. Não pense que essa tipologia é uma nova divisão de conteúdos. nomes. mas pelo tipo de conteúdo que será aprendido. por exemplo. todo conteúdo possui as três dimensões e essa tipologia foi elaborada para ajudar no planejamento e na organização do processo de ensino-aprendizagem.

inferir. Atitudes: entendidas como tendências ou predisposições de caráter relativamente estável das pessoas para atuar de uma forma determinada. ajudar os colegas. p. calcular. as técnicas.DIDÁTICA. códigos e símbolos na área da língua. dirigidas para a realização de um objetivo”. Exemplos de conteúdos procedimentais: ler. etc. vocabulário nas línguas estrangeiras. De acordo com Zabala [1998. respeitar o meio ambiente. matemática. como respeito aos outros. 72 . Incluem as regras. entre outros. p. liberdade. estes englobam uma série de conteúdos que. É a forma como cada pessoa atua de acordo com valores determinados. como cooperar com o grupo. Quanto aos conteúdos atitudinais. são todos aqueles conteúdos que se enquadram na definição de ser um conjunto de ações ordenadas e dirigidas para um fim. regras de comportamento que devem ser seguidas em determinadas situações que obrigam a todos os membros de um grupo social. 43]. atitudes e normas? Valores: são os princípios ou as idéias éticas que permitem que as pessoas emitam um juízo sobre as condutas e seus sentidos. por sua vez. Normas: são padrões. atitudes e normas. desenhar. etc. recortar. solidariedade. os métodos. “as normas constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que se pode fazer e o que não se pode fazer neste grupo”. Veremos agora o que são os conteúdos procedimentais. classificar. os conteúdos procedimentais são “um conjunto de ações ordenadas e com um fim. podem agrupar-se em: valores. responsabilidade. participar das tarefas escolares. música e artes plásticas. nomes de autores e correntes na literatura. saltar. Para Zabala [1998. ou seja. física e química. as estratégias e os procedimentos. as destrezas ou habilidades. O que são valores. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encontramos uma grande quantidade dos conteúdos factuais no ensino: datas e nomes de acontecimento na história. 47].

1992]. mas o desdobramento dos programas. depende de uma base comum de conhecimentos. para que eles apreendam significativamente e sejam capazes de atuar no seu grupo social. É possível e necessária a ligação entre os conhecimentos sistematizados e a experiência vivida pelos alunos no meio social. portanto. O trabalho pedagógico implica a preparação desses alunos. mas de acordo com a coerência dos conteúdos trabalhados em função dos alunos para que eles realmente aprendam significativamente e que. os Parâmetros Curriculares Nacionais auxiliam o trabalho do professor. tendo em conta as condições locais 73 . para que as novas gerações possam assimilá-los e ampliar o grau de compreensão da realidade. Assim. São três as fontes que o professor utilizará para selecionar os conteúdos do plano de ensino e organizar suas aulas: a primeira diz respeito à programação oficial na qual são fixados os conteúdos de cada matéria. isto ajude na sua formação como cidadãos para compreender a sociedade em que vivem e poder participar construtivamente nela. essa diferença na aprendizagem é de suma importância para determinar nosso modo de agir desta ou daquela forma. e a terceira são as exigências teóricas e práticas colocadas pelas experiências vividas pelos alunos. Cabe ressaltar aqui a utilização e importância dos programas oficias. O mais importante não é organizar os conteúdos em função de um ou outro modelo. tendo o conhecimento dos conteúdos. mas é preciso e fundamental.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Diante dessas conceituações apresentadas. é necessário que o professor escolha quais e como trabalhar com eles. 1992]. A aquisição do domínio teórico-prático do saber sistematizado é uma necessidade humana. além da responsabilidade de trabalhar com determinados alunos. Na escola. A luta pela socialização do saber. da cultura e da cidadania [LIBÂNEO. sociais ou políticas. que elas não se convertam em discriminação ou desvantagem no acesso e permanência das crianças e jovens na escola. Vale lembrar que em última instância é tarefa do professor escolher e selecionar os conteúdos. compreenda a complexidade e importância da conceituação. conseqüentemente. Como já foi dito. já que permite a participação plena de todos no mundo do trabalho. parte integrante das condições de sobrevivência. organização e seleção dos conteúdos escolares e o seu papel neste processo. Dessa forma. dessa forma. o conhecimento expresso no saber científico transforma-se em conteúdos de ensino. ainda que as diferenças sejam regionais. a re-seleção dos conteúdos. tendo em vista o mundo do trabalho e a participação na sociedade como cidadão [LIBÂNEO. visto que aprendemos de forma distinta uns dos outros o que sabemos e o modo como fazemos. a segunda refere-se aos próprios conteúdos das ciências transformadas em matérias ou disciplinas de ensino. os quais devem ser encarados como diretrizes de orientação geral. Parece difícil conciliar essas três fontes. O saber escolar adequado à prática de vida real permite a compreensão dos conhecimentos em uma visão científica e mais crítica da própria realidade. a escolha de métodos e estratégias são e devem ser determinadas pelo professor. futuro professor. com suas características de origem social e cultural. fixada nacionalmente. e dos recursos para a manutenção do sistema escolar. para que todos tenham acesso à instrução e à educação. podemos perceber que para cada tipo de conteúdo precisamos de diferentes tipos de estratégias de ensino-aprendizagem. esperamos que você.

Considera-se que em relação aos fatos. Aqui. um estudo individual relacionado a exercícios de repetição e uma posterior prova podem ser suficientes. 74 . 41]. exercícios de repetição. deve-se ter presente que a exposição consiga atrair o interesse dos alunos. Em situações em que os conteúdos factuais se referem a acontecimentos. p. Além disso.DIDÁTICA. não sendo necessária a compreensão. o original. o professor deve avaliar criticamente os programas. de todos os elementos que os compõem e de suas relações. o nome sem nenhum erro. Ensino de conteúdos Factuais É válido lembrar que um aluno aprende um conteúdo factual quando é capaz de reproduzi-lo. pede-se que o aluno se lembre. de maneira exata. dos alunos. vejamos agora como trabalhar com eles na sala de aula. Exemplo Uma apresentação dos conteúdos de acordo com um modelo expositivo. a atribuição exata de um símbolo. a aprendizagem adequada é mais acerca do texto que se está estudando em sua exposição. de forma mais fiel possível. 1998. confrontando-os com a sua visão de mundo e o processo pedagógico. com a parceria entre professor e aluno no processo de ensino-aprendizagem. quando se dá a data com precisão. necessariamente. A intenção de trabalhar com a tipologia é demonstrar a natureza diferente de um mesmo conteúdo e fazer um trabalho pedagógico que envolva e permita a aprendizagem dos alunos. que não haja excesso de informação e que se tome como ponto de partida o conhecimento que o aluno já tem. Na maioria das situações. A tarefa de ensinar está intimamente relacionada à intencionalidade para aprender. a reprodução é feita de forma literal. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I da escola. Trata-se de conteúdos cuja resposta é inequívoca [ZABALA. As atividades básicas para as seqüências de conteúdos factuais englobam. assim como as situações didáticas específicas nas diferentes séries ou anos. para esse conteúdo. Dissemos que alguém aprendeu quando é capaz de recordar e expressar. Ensino dos conteúdos Depois de definidos e caracterizados os conteúdos.

dos passos ou das ações que os compõem. que instiguem e desafiem as possibilidades dos alunos. que façam o aluno relacionar o novo conteúdo com os conhecimentos prévios. para que o aluno possa utilizá-lo em diferentes situações e construir outras idéias. Como é compreender esse significado para a aprendizagem? Para responder esta questão. Ensino dos Conteúdos Procedimentais Aprende-se esse tipo de conteúdo por meio de modelos especializados. Exemplo O aluno sabe o conceito de rio quando é capaz de utilizar este termo em qualquer atividade que o necessite. o professor deve pensar em trabalhar com as seguintes atividades: experimentais. A seqüência deve contemplar atividades que apresentem modelos de desenvolvimento do contexto da aprendizagem. 1998]. como identificar em um mapa. objetos ou situações concretas naquele conceito que os inclui [ZABALA. um processo de elaboração e construção pessoal do conceito. quando é capaz de situar os fatos. compreender ou expor um fenômeno ou uma situação. o utiliza para a interpretar. para passar posteriormente à complexidade do modelo. por isso exige: a realização das ações que será condição importante para a aprendizagem.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ensino de conceitos e princípios Conceitos e princípios são temas abstratos que requerem a compreensão do significado e. os conteúdos procedimentais são um conjunto de ações ordenadas e com um fim. das diferentes fases. além de defini-lo. O aluno sabe um conceito ou princípio quando. Essas atividades devem partir de situações significativas. o conteúdo deve ter sentido na vida do aluno. Uma das características dos conteúdos conceituais é que sua aprendizagem quase nunca pode ser considerada finalizada. que dêem significado e funcionalidade aos novos conceitos e princípios. e o seu ponto de partida está na realização de ações. ou seja. que favoreçam a compreensão do conceito. 75 . Como já vimos. seja dentro ou fora da escola. e não só reproduzir a definição deste termo. de torná-la mais significativa. que promovam uma forte atividade mental. portanto. Modelos em que se tenha a visão em conjunto do processo. pois sempre existe a possibilidade de aprofundar o seu conhecimento.

O ensino desses conteúdos é complexo. é preciso realizá-las quantas vezes forem necessárias. para que as aprendizagens possam ser utilizadas em qualquer ocasião. Essas atitudes vão desde disposições basicamente intuitivas de escassa reflexão até as atitudes fortemente reflexivas. é fundamental levar em conta não somente os aspectos evidentes e explícitos dos valores no momento das exposições. Para poder melhorá-lo. até que seja suficiente para chegar ao seu domínio. Isso exige que as exercitações sejam numerosas e realizadas em contextos diferentes. 76 . fruto de uma clara consciência dos valores que as provocam. não basta repetir um exercício. mas também toda a rede de relações: o tipo de interação entre professores e alunos. debates ou diálogos em que são tratados. a aplicação em contextos diferenciados baseia-se no fato de que aquilo que aprendemos será mais útil à medida que podemos utilizá-lo em situações nem sempre previsíveis. observar é conduzir os alunos por meio de um processo de prática guiada. esse auxílio é diminuído progressivamente. ao longo das diferentes ações. Exemplo O ensino da observação nas áreas de Ciências Sociais e Naturais propõem-se atividades de observação em que são necessárias atividades de diferentes graus e práticas guiadas. ou seja. Não basta fazer uma vez as ações do conteúdo procedimental. Ensino dos Conteúdos Atitudinais Quando o conteúdo adquire um valor ao ser interiorizado pelo aluno. Nessas atividades proporcionase auxílio aos alunos e. Desse modo. contudo. Portanto. este toma uma atitude frente a algo que deve ser considerado positivo ou negativo. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I a exercitação múltipla é fundamental para o domínio competente. entre os próprios alunos e entre todos os membros do corpo docente. Todo valor tem um componente cognitivo.DIDÁTICA. a reflexão sobre a própria atividade permite que se tome consciência da atuação. como critérios morais que exigem a sua atuação e a de outros. tornar sua participação ativa. deve-se refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais do seu uso. sente e atua de forma mais ou menos constante frente ao objeto concreto a quem se dirige essa atitude. Uma atitude é aprendida quando a pessoa pensa. Exemplo Uma das primeiras medidas a se tomar é sensibilizar o aluno sobre as normas existentes na escola e na aula. por isso é necessário mobilizar todos os recursos relacionados com o componente afetivo.

propor situações que ponham em conflito os conhecimentos. 77 . reúnam-se em grupos de quatro alunos. apresentem suas argumentações trocando idéias com os demais grupos.” Redijam em uma folha tópicos com as principais considerações de seu grupo. expandindo os conteúdos de dentro para fora da sala de aula. Todavia. as crenças e os sentimentos de forma adaptada ao nível de desenvolvimento dos alunos. mas é uma reflexão contínua durante todo o ano letivo.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Outro exemplo é o intercâmbio entre os alunos para debater as opiniões e idéias sobre tudo o que os afeta em seu trabalho na aula e na escola – compromissos derivados dos valores e das atitudes aceitas livremente. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Com base no conhecimento adquirido na Mobilização do Conhecimento. situação familiar e valores que prevalecem em seu ambiente. Dessa forma. reflitam e expliquem a seguinte afirmação: “Escolher um conteúdo não se reduz ao planejamento do início do ano. estimular a autonomia de cada aluno. como selecioná-los e organizá-los. entendendo o que são os conteúdos. seus alunos aprenderão de forma significava. Agora. o que significa dizer que os professores devem estabelecer não somente espaços para colocá-la em prática. favorecer modelos das atitudes que se queiram desenvolver. desenvolver atividades que façam com que os alunos participem em processos de mudança atitudinal. mas também momentos nos quais ocorra o exercício dos processos de aquisição que favoreçam esta autonomia. conduzir o trabalho desses conteúdos partindo da realidade e aproveitando os conflitos que nela se apresentam. não apenas por parte dos professores. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe. introduzir processos que remetam à reflexão crítica das normas de convívio social.. esperamos que você tenha alcançado os objetivos desta unidade. reunidos em uma grande roda.. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. uma série de medidas deve ser levada em consideração: adaptar o caráter dos conteúdos atitudinais às necessidades e situações reais dos alunos: traços socioculturais. A partir disso.

. Reflita como era o ensino de história e confronte-o com a idéia equivocada que todo conteúdo é atitudinal. de maneira reflexiva e crítica. elencando possíveis atividades que poderiam ser trabalhadas..DIDÁTICA. resultando em ampliações ou reduções de certos aspectos. 1997. p. Considere o seguinte trecho extraído dos PCN‟s: [. Nesta unidade estudamos o que são os conteúdos e como selecioná-los para serem trabalhados no processo de ensino-aprendizagem. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I VIDEOAULA ______________________ Assistam agora à videoaula Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares. Redija um texto e troque-o com outros colegas e veja os pontos em comum e os pontos divergentes. Agora. em função das necessidades de aprendizagem de seus alunos [BRASIL. culturais e econômicas particulares de cada localidade. Pense em suas vivências escolares no ensino fundamental. ao escolher um conteúdo escolar. 78 .. redija em seu caderno um pequeno texto sobre a necessidade de trabalhar os conteúdos factuais. realize as devidas anotações em seu caderno. se considerar necessário. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando.. 2. a realidade da escola e dos alunos com os quais trabalha. Ao final. tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais. explique como deve ser o seu trabalho na sala de aula. refletirem e tomarem decisões.] A definição dos conteúdos a serem tratados deve considerar o desenvolvimento de capacidades adequadas às características sociais. a definição de conteúdos nos Parâmetros Curriculares Nacionais é uma referência suficientemente aberta para técnicos e professores analisarem. como professor. evidenciando cada tipo de conteúdo que será desenvolvido. procedimentais e atitudinais dentro da disciplina de história. conceituais. o (a) tutor (a) intermediará um debate para que sejam levantadas algumas considerações sobre esta atividade. Com base no trecho anterior e no conteúdo abordado nesta unidade. Atente-se às questões principais e. 54]. Para tanto. Assim. REFLEXÃO ______________________ 1. vimos que é fundamental a atuação consciente e política do professor.

p.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático A tipologia apresentada assim como a contribuição dos autores citados podem contribuir no processo de re-construção da sua prática pedagógica ao identificar o processo de seleção e organização de conteúdos. físicas e afetivas dos alunos. fazendo com que seu estudo se torne mais claro. Utilize as seguintes questões norteadoras para realizar esta auto-avalição e. política e pedagógica para fazer com que todos os seus alunos aprendam. Olhando para fora. se precisar. É fundamental a consulta da referência a seguir. O trabalho de organização e seleção de conteúdos estará presente durante todo o exercício docente. 1998. O capítulo 2 desse livro pode ampliar ainda mais seu conhecimento sobre os conteúdos escolares tratados nesta unidade. uma vez que ela permitirá um maior aprofundamento sobre o tema... é necessário que o educador questione se os saberes selecionados ocultam os conflitos ou os problemas socioculturais? Os conteúdos fazem circular na escola as necessidades e o discurso sobre a diversidade dos alunos? Anexe as suas considerações em seu portfólio. considerando os contextos socioculturais e as capacidades cognitivas.. ZABALA. exigindo de você.. de saber converter o conhecimento científico em curricular. Porto Alegre: ArtMed.. uma vez que apresenta detalhadamente os conteúdos escolares e sua tipologia. Avalie os conhecimentos que você construiu nesta unidade. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. uma atitude crítica. futuro professor. A prática educativa: como ensinar. 27-32. 79 . A. releia a Mobilização do Conhecimento: Como podem ser usados os Parâmetros Curriculares Nacionais na seleção dos conteúdos? Ao selecionar um conteúdo para ser trabalhado.. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando.

80 . A prática educativa: como ensinar.pdf>.mec. 1997. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Disponível em: <http://portal. Porto Alegre: ArtMed. Brasília: MEC/SEB. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Tipologia Procedimentos Conteúdos Fatos Factuais Conceituais Atitudinais Seleção e organização de conteúdos Alunos / Contextos Compreensão Repetição Fases Normas. A.DIDÁTICA. 2008. J. 1992. atitudes REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Didática. LIBÂNEO. São Paulo: Cortez.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01. ZABALA. Acesso em: 15 out. C. 1998. Secretária da Educação Fundamental. valores.

Veremos também o trabalho com projetos nas primeiras séries do Ensino Fundamental. tem estado presente no cenário educacional brasileiro e. Compreenda o que é o trabalho com projetos. é a substituição 81 . para a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases n. de cooperação. Em outras palavras. mais recentemente. influenciando-a de maneira marcante.692/71. Como e quando aparece este termo tão usado nos meios escolares? Por que trabalhar nas escolas interdisciplinarmente? Segundo Fazenda [1995].394/96 e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN‟s).. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Interdisciplinaridade significa uma relação de reciprocidade.Interdisciplinaridade EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Identifique e defina o conceito de interdisciplinaridade. colaborando. A partir desse momento. a interdisciplinaridade vem se fortalecendo nas escolas. já que estas não poderiam ser resolvidas por uma única disciplina ou área do saber. Devido à sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. Compreenda a importância e contribuição da visão interdisciplinar no planejamento pedagógico. Nesta unidade estudaremos o que é interdisciplinaridade e como trabalhar na escola e na sala de aula através de uma perspectiva interdisciplinar. 5. de imediato. a interdisciplinaridade surge na França em meados da década de 1960 como resposta à reivindicação de um ensino mais preocupado com as grandes questões de ordem social. A interdisciplinaridade passou a ser objeto de atenção no Brasil no final da década de 1960. tanto no discurso quanto na prática dos professores. 9. Analise e compreenda a interdisciplinaridade na sala de aula.. política e econômica da época. que exige uma atitude diferente da fragmentação frente ao problema do conhecimento. na nova LDB n.

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

dessa concepção fragmentária, na qual não existe integração entre as disciplinas e áreas do conhecimento, para uma percepção unitária de compreender o ser humano. Esse termo supera a racionalidade científica positivista1, propondo uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento no campo da pesquisa e organizar os novos paradigmas curriculares. Além disso, reflete também a comunicação do processo de entender as diferentes disciplinas, nas determinações do domínio das investigações, na constituição das linguagens compartilhadas, nos diversos saberes, nas possibilidades de intercâmbio de experiências e nos modos de realização da parceria entre os membros e participantes da produção do conhecimento escolar. Essa perspectiva de realização cooperativa-integrativa-interativa permite visualizar um conjunto de ações interligadas de forma global e isenta de qualquer óptica fragmentada, superando, assim, as atuais fronteiras disciplinares e conceituais, tão comuns no âmbito da educação. Frente a essas idéias, é necessário questionar e repensar o processo de geração e de sistematização do conhecimento fora das posturas científicas permeadas por dogmas, na perspectiva de inseri-las dentro de um contexto de totalidade. Assim, a complexidade do mundo em que vivemos passa a ser sentida e vivenciada de forma globalizada, inter-relacionada e interdependente, recuperando o sentido da unidade, a qual tem sido abafada pelos valores constantes da especificidade. Dessa forma, trabalhar interdisciplinarmente implica: uma atitude de abertura, sem preconceitos, a partir da qual todo conhecimento é igualmente importante, assim, o conhecimento individual torna-se nulo quando confrontado com o saber universal; uma atitude coerente, em que a opinião crítica do outro tem como fundamento a opinião particular, fato esse que supõe uma postura global e engajada à realidade educacional e pedagógica. Ao trabalhar com interdisciplinaridade na escola é necessário desenvolver a criação, a imaginação e a sensibilidade, para entender e esperar. Neste processo, a importância metodológica é fundamental para chegar ao trabalho integral, que requer um caminho diferente ao que se trabalha nas escolas. É preciso ficar claro que ela exige uma nova forma de trabalho pedagógico já que, segundo Fazenda [1995, p. 109], “a interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende: vive-se, exerce-se”. É uma forma de entender, ver, analisar e trabalhar o conhecimento, e a relação com ele é uma maneira de entender como se compreende e apreende o mundo. Veja a seguir algumas definições teóricas que mostram as possíveis relações entre as disciplinas: Disciplina – é a forma como se dividem as matérias escolares e refere-se ao conjunto específico de conhecimentos com características próprias em relação à formação de mecanismos, métodos e matérias. Multidisciplinaridade – justaposição de diferentes conteúdos de disciplinas distintas, sem relação aparente entre elas, todas estão no mesmo nível, sem a prática de um trabalho integrado ou de cooperação. Cada disciplina tem seus próprios objetivos.
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Racionalidade científica positivista: entendida como forma de estudar a ciência compartilhada em áreas do saber.

1

Unidade 6: Interdisciplinaridade

Matemática

Português

HistóriaGeografia

Ciências

Figura 1 Multidisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 141.

Pluridisciplinaridade – a posição de disciplinas mais ou menos próximas nos diversos domínios do conhecimento. É um nível maior de relação entre as disciplinas, pois existe uma pequena cooperação entre a organização destas (Ex.: domínio científico: Matemática + Física). Trabalha-se com um mesmo tema nas diferentes disciplinas, mas sem integração, já que não existe coordenação de trabalhos do tema abordado. O conhecimento não é integrado. As disciplinas estão no mesmo nível, com pequenas e raras contribuições, não existindo uma coordenação para trabalhar um tema a partir de um problema e conseguir uma resposta para o estudado.

Matemática

Ciências

Não existe uma coordenação que integre o trabalho

Português

História Geografia

Figura 2 Pluridisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 142.

83

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Interdisciplinaridade – é a relação mútua entre duas ou mais disciplinas. A interação pode ser desde a comunicação de idéias até a integração mútua entre os conceitos mais importantes da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos modos de fazer, dos dados, assim como da organização, da pesquisa e da forma como se trabalha o ensino. Um grupo interdisciplinar é formado de pessoas que possuem diferentes formações em domínios diversos do conhecimento (disciplinas), com seus métodos, conceitos, dados e termos próprios, reunindo, assim, estudos complementares de vários especialistas em um campo de estudo de âmbito coletivo. Esta forma de trabalho implica o compromisso de trabalhar um contexto mais amplo, no qual cada uma das disciplinas trabalhadas são modificadas e estabelecem uma relação de dependência uma das outras.

Ciências

Matemática

Coordenação

Português

História Geografia

Figura 3 Interdisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 145.

Transdisciplinaridade – não existem fronteiras entre as disciplinas, existe uma integração total entre elas. É o resultado de uma premissa comum a um conjunto de disciplinas. Dessa forma, supera-se o conceito de disciplina e desaparecem os limites entre elas. A finalidade a ser alcançada é comum a todas as disciplinas e interdisciplinas (Ex.: Antropologia, compreendida como a ciência que estuda o homem e suas obras). Vemos que no entorno interdisciplinar existem diferentes termos que se baseiam em diferentes pressupostos; no entanto, os cinco níveis anteriormente definidos são os que freqüentemente aparecem na bibliografia especializada no assunto. Segundo Japiassú apud Nogueira [2001, p. 143], “a interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Vemos a partir desta citação outro aspecto fundamental em relação à forma de

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ele não pode ser fragmentado. tende a uma dimensão utópica e libertadora. como forma uma rede de inter-relação entre as diferentes áreas. A principal característica da atitude interdisciplinar é a busca pelo conhecimento. que o aluno aprende. pois permite enriquecer nossa relação com o outro e com o mundo. demonstrada através de uma postura diferente. deixando-se interpenetrar por elas.. É por meio do diálogo com o conhecimento. estabelecer relações e interações entre as diferentes áreas do saber. os conhecimentos prévios que ele traz da sua experiência e vivência com o mundo. é uma forma de entender e pensar sobre o como se ensina e se aprende. pois é através do cotidiano que damos sentido às nossas vidas. Aceita o conhecimento do senso comum como válido. exigindo deste último atitudes de desafio. deve-se considerar a vida prática do aluno. com pares anônimos ou consigo mesmo – atitude de humildade diante da limitação do próprio saber. O que com isso queremos dizer é que o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. Essa postura e atitude interdisciplinar contribuem para a atuação do professor como um facilitador. atitude de desafio – desafio perante o novo. como foi dito na unidade anterior. que é a necessidade de existir. Desse modo. 82]. que estabelece uma inter-relação do senso comum com o saber científico. Quando realmente se instaura a interdisciplinaridade não se ensina. p. pois. Assim. É uma postura de como entender o processo de ensino-aprendizagem. p. Tenta. Atitude Interdisciplinar Para o professor desenvolver uma atitude interdisciplinar é necessário romper modelos de trabalho já estabelecidos nas escolas e pensar que o conhecimento é algo complexo. nem se aprende. atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes. da qual é parte fundamental o diálogo. ser interdisciplinar é mais do que uma corrente ou método. o professor precisa de: [. mediado pela ação do professor. atitude de espera ante os atos consumados. Como diz Fazenda [1998. o diálogo com outras formas de conhecimento. vive-se e exerce-se. mediador. Ampliado através do diálogo com o conhecimento científico. Segundo Fazenda [1999. que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos. humildade e compromisso. a transformação da insegurança num exercício do pensar. portanto.. a parceria entre aluno-aluno e aluno-professor. E o resultado desta mediação é a aprendizagem e a superação do aluno. inter-relacionando-se com as diferentes áreas do saber. O professor precisa ter uma vontade política. 17]. a reciprocidade. atitude de reciprocidade que impele à troca.Unidade 6: Interdisciplinaridade entender o trabalho com o conhecimento.] uma atitude diante das alternativas para conhecer mais e melhor. desafio em redimensionar o velho – atitude de envolvimento e comprometimento com as pessoas neles 85 .

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I envolvidos. ao trabalhar com um projeto interdisciplinar. um conjunto de perguntas inter-relacionadas. de revelação. o aluno aprende a organizar e estruturar seu próprio conhecimento. O projeto pode ser organizado seguindo um determinado eixo: a definição de um conceito. Entretanto. pois. que faça com que sua aprendizagem vá adquirindo um valor relacional e compreensível. Esta forma de trabalho pretende desenvolver no aluno um senso. É necessário que a escola ou equipe docente tenha uma postura interdisciplinar para garantir a comunicação e permitir o consenso. Dessa forma. um tema. Dessa forma. Essa postura vai além das propostas individuais. com a supremacia deste saber sobre o senso comum. 1998]. uma atitude. atitude. e que se deixe para o aluno realizar mentalmente sua própria 86 . uma forma de se relacionar com a nova informação a partir da aquisição de estratégias procedimentais. O trabalho com projetos é uma forma de articular os conhecimentos escolares e de organizar a atividade de ensino e aprendizagem. de encontro.DIDÁTICA. VENTURA. é fundamental que a integração se dê por parte de todos os participantes do processo de ensinoaprendizagem. Sua função é facilitar a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares no que diz respeito à forma como é tratada a informação e a relação entre os diferentes conteúdos escolares. romper. na qual é ele quem detém o saber e o transmite para os seus alunos. na relação entre os diferentes conteúdos e em problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos assim como a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares [HERNÁNDEZ. de compromisso em construir sempre da melhor forma possível. O professor deve ter uma postura de flexibilidade frente à descoberta dos conhecimentos que vão conformando as respostas ou dúvidas dos alunos sobre o tema estudado. deve-se ter sempre em mente que o objetivo é a integração das disciplinas e dos diferentes saberes das diversas áreas do conhecimento. um problema geral ou particular. superando os limites de uma matéria. sobre tudo de alegria. o comprometimento. tanto de ordem procedimental como de resultados. enfim. enfim de vida. a divisão de tarefas e a eqüidade nas informações. É uma tentativa de organizar informações e conhecimentos escolares a partir da visão de um tema. considerando os conhecimentos práticos dos alunos. Trabalho com Projetos Trabalhar com projetos é uma forma de articular os conteúdos escolares. ou quem determina como os alunos vão se relacionar com o saber científico. frutos de suas experiências. visto de diferentes ângulos e métodos. mas. atitude de responsabilidade. é uma convergência de um grupo de docentes para estabelecer um tema. que as diferentes matérias não sejam trabalhadas de forma compartimentada. implica uma estratégia de organização desses conhecimentos com base no tratamento da informação. a partir da relação da informação que se dá na escola e na sala de aula. Essa atitude leva o professor a romper com a forma tradicional de trabalhar na sala de aula. Estes conteúdos referem-se a situações de problemas ou hipóteses que permitam aos alunos a aprendizagem e a construção do conhecimento. tratando superficialmente o mesmo tema.

uma orientação. 2. 1. Buscar materiais: especificar objetivos e conteúdos. Problematização: a problematização tem como parâmetro a observação. É fundamental que o tema seja bem delimitado e que seja relevante dentro do contexto em que se pretende trabalhar. A pesquisa é outro fator fundamental. Envolver componentes do grupo: tema e foco dos interesses dos alunos. alunos e comunidade escolar). o educador-investigador estabelece quais são as temáticas que representam uma problemática para aquele contexto. mudanças de atitude e/ou habilidades conquistadas). Serão elencados a seguir alguns passos necessários de como trabalhar com projetos interdisciplinares. mediado pelo professor. e os objetivos específicos das diferentes disciplinas. O apontamento das atividades que são adequadas à proposta pedagógica da escola. A colaboração da comunidade escolar e da comunidade na qual a escola está inserida. Cabe ressaltar que esta integração é só uma complementaridade das diferentes disciplinas que mostra as possíveis inter-relações entre elas. Os objetivos: aquilo que se pretende alcançar com esta ação (conhecimentos que serão construídos. Vemos que o trabalho com projetos interdisciplinares envolve a integração de diferentes estratégias e fatores. interesse. Estudar e preparar o tema: selecionar a informação com critério de novidades e de planejamento de problema. como um todo. assim como a de seus participantes. Esses passos são uma guia. pode buscar. necessidade do tema. o estudo da realidade numa perspectiva integral. 87 . Este processo contempla: Escolha do tema gerador: o tema surge do contexto observado e é ele que norteia todas as ações do projeto. Através da observação pormenorizada do contexto. Isso faz com que todas as disciplinas contribuam de certa forma e que o aluno receba dos diferentes professores orientações e desafios para a pesquisa em relação ao tema ou problema estudado. assim como as organizações envolvidas. comprometimento e parceria de todos os envolvidos (professores. mas lembre-se de que o trabalho interdisciplinar exige comunicação. que deve sempre ser adaptada e estudada à sua realidade escolar e docente. o que se quer aprender com o projeto interdisciplinar. diversas fontes que permitam novos conhecimentos sobre o tema ou problema estudado. envolve: Especificar o fio condutor: relacionar as referências curriculares. Quando o aluno percebe as relações existentes entre as diferentes disciplinas. os objetivos gerais da instituição de ensino. diferentemente do que propõe o conhecimento interdisciplinar. ou seja. A escolha do tema ou objetivo: relevância.Unidade 6: Interdisciplinaridade integração. os especialistas da área que será trabalhada. Destacar o sentido funcional do projeto: demonstrar a atualidade do tema para o grupo.

Conteúdos: os conteúdos curriculares são os mais importantes abordados no projeto e são necessários para alcançar os objetivos propostos. sites. além dos instrumentos usados. as construções realizadas e os resultados obtidos: Processo de aprendizagem dos alunos: como será verificado o que os alunos aprenderam? Quais instrumentos de avaliação serão utilizados? Ao final é necessário apresentar a avaliação do que os alunos aprenderam. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Freqüentemente se tem um objetivo geral. Objetivo geral e objetivos específicos. vídeos. as falhas. 4. É necessário que cada integrante do grupo que trabalhou no projeto faça uma auto-avaliação. que delimitam e esmiúçam o objetivo geral e se referem às ações. vídeos. revistas. o que foi alterado no planejamento e o progresso dos alunos. Isso. as críticas. os conteúdos das outras disciplinas abordadas pela ação também devem ser elencados. Avaliação: é necessário acrescentar no projeto a concepção de avaliação que será utilizada. 3. computador. etc. Recursos: especificar quais recursos (livros. futuro professor. de maior amplitude. é necessário esclarecer como foi ou será implantada. No momento de redigir o relatório desta etapa. Até agora descrevemos como e por que trabalhar com projetos. quais as dificuldades. um paralelo entre o trabalho tradicional e o trabalho com projetos. cronologicamente. O projeto pode e deve envolver outras disciplinas (em um trabalho colaborativo com outros professores). com a intenção de você perceber como o processo de ensino-aprendizagem ganha com essa forma de trabalho. o que se pretende com ela.). como também que os alunos envolvidos se posicionem e relatem os pontos positivos. textos. sendo assim. figuras. entre outros) serão utilizados e como eles serão adquiridos (se a escola os possui ou se os integrantes do grupo vão fornecê-los. 88 . que pretende mostrar a você. Referências bibliográficas: livros.DIDÁTICA. Especificar quais e onde estão disponíveis. artigos. Metodologia: como pretende-se alcançar os objetivos e a dinâmica do projeto? É necessário descrever: Desenvolvimento das ações: passo-a-passo do trabalho e das atividades propostas. Agora será apresentado o Quadro 1.). Sobre o trabalho pedagógico: esta avaliação é a o do grupo da atividade desenvolvida por eles e dos alunos sobre o trabalho realizado pelo grupo. etc. e objetivos específicos. É fundamental que todo o material utilizado (produzido ou reunido de outras fontes) seja anexado ao projeto para o desenvolvimento da(s) tarefa(s) (questionários. Vimos que é uma estratégia que contribui para a aprendizagem significativa do aluno.

Enfoque globalizador. centrado na resolução de problemas significativos. Realizar trabalhos interdisciplinares exigirá de você: preparação. que recebe passivamente o conteúdo transmitido pelo professor. Há uma seqüência rígida dos conteúdos das disciplinas. com pouca flexibilidade. Propõe receitas e modelos prontos. O trabalho com interdisciplinaridade é uma forma de entender o conhecimento. permitindo entender o conhecimento e como este se apresenta nas nossas vidas e relações que se estabelecem por meio do conhecimento. Propõe atividades abertas. Conhecimento como instrumento para a compreensão da realidade e possível intervenção nela. O aluno é visto como sujeito ativo. introduzir novas informações e dar condições para que seus alunos avancem em seus esquemas de compreensão da realidade. O professor intervém no processo de aprendizagem ao criar situações problematizadoras. compreender e conhecer o mundo em que vivemos. conhecimento e respeito pelo outro. Trabalho Tradicional Trabalho com Projetos Enfoque fragmentado. mas como uma forma global. o que é necessário para entender. O aluno é visto como sujeito dependente. Levando isto para a esfera escolar. não só escolar. que entende o todo e as relações e inter-relações ente as partes. reforçando a repetição e o treino. O conteúdo estudado é visto dentro de um contexto que lhe dá sentido. mas de forma integrada. Há flexibilidade no uso do tempo e do espaço escolares. que usa sua experiência e seu conhecimento para resolver problemas. Conhecimento como acúmulo de fatos e informações isoladas. permitindo que os alunos estabeleçam suas próprias estratégias. não em parcelas. Baseia-se fundamentalmente em problemas e atividades dos livros didáticos. com o papel de dar as respostas certas e cobrar sua memorização. Para isso é fundamental que continue estudando sobre este assunto apaixonante. A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos. Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade. O conteúdo a ser estudado é visto de forma compartimentada. O tempo e o espaço escolares são organizados de forma rígida e estática. 89 . centrado na transmissão de conteúdos prontos.Unidade 6: Interdisciplinaridade Quadro 1 Comparação entre o trabalho tradicional e o trabalho com o uso de projeto. que deve ser colocado em prática nas escolas e na vida. O professor é o único informante. atitude. 2004. Fonte: Adaptado de VALENTE. permite aos alunos e aos professores serem parceiros na construção do saber.

Analisem as respostas em função dos conhecimentos adquiridos nesta unidade e verifiquem as semelhanças ou divergências que podem ocorrer quando uma teoria é utilizada ou não na prática. VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Interdisciplinaridade. reunidos em grupos de quatro alunos. organizem-se e marquem uma visita em uma escola. Escrevam suas análises e entregue-as ao (à) tutor (a). ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Agora. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo.. 90 . Atente-se aos aspectos que considerar relevantes. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ A partir do Quadro 1 apresentado na Mobilização do Conhecimento. explicar e discutir redigindo no caderno considerações sobre as seguintes afirmações: “A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos. reúnam-se em quatro grupos. questionando-os se trabalham com interdisciplinaridade na sala de aula.DIDÁTICA. Cada grupo deve refletir. Depois da discussão em grupos. o (a) tutor (a) deverá mediar uma plenária na sala para que sejam apresentadas as considerações de cada grupo para o restante da sala.” “Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade”.. anotando-os em seu caderno para posteriores estudos. Lá vocês deverão consultar alguns professores.

um fenômeno social ou cultural. perceber. pesquisa e ação que a interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica e didática adequada [.. uma atitude sobre a forma de ver. Mediante a afirmação anterior. Assim. O trabalho com a interdisciplinaridade na escola requer que a instituição faça um trabalho coletivo. De fato. será principalmente na possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo. É também necessária a articulação do currículo que permita o trabalho didático da compreensão da realidade sob a ótica da complexidade do conhecimento. p..Unidade 6: Interdisciplinaridade REFLEXÃO ______________________ Leia a seguinte citação extraída dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM): “[. 2000. No decorrer desta Unidade aprendemos sobre o conceito de interdisciplinaridade. Isto é que faz com que alunos e professores comprometam-se com a formação de todos e de cada um. 91 .] a interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas e. de parceria entre todos os que nela participam. sabendo que ela é mais do que uma modalidade de trabalho.]” [BRASIL. a partir do qual todos os envolvidos participam e apreendem numa relação de interatividade e ajuda.. ao mesmo tempo.. O trabalho com projeto é uma forma de trabalho interdisciplinar que tem se apresentado como uma alternativa efetiva e interessante dentro das práticas escolares.. reflita considerando os pressupostos necessários para que a interdisciplinaridade realmente seja inserida no cotidiano escolar. é um tema complexo que implica uma postura. 75]. evitar a diluição delas em generalidades. é necessário que o corpo docente acredite e viva a perspectiva interdisciplinar como uma forma de trabalho em cooperação de respeito e ajuda mútua entre parceiros que conhecem re-constroem o saber e o mundo. Redija as suas considerações em um pequeno texto reflexivo. O (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para realizar a leitura dos textos para a sala.. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. Ao se tratar do conhecimento. sentir e estar no mundo. deve-se perceber e entender as múltiplas implicações e relações que se estabelecem ao analisar um acontecimento. um aspecto da natureza.

.gov. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. Os artigos em questão procuram trazer à tona discussões sobre aspectos referentes a diferentes assuntos que fazem parte da vida do educador: ambiente de aprendizagem. Considerando os conhecimentos que você possuía antes de estudar esta unidade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. relação entre escola e comunidade. Disponível em: <http://www. Procure na seção temas pedagógicos e gestão pedagógica artigos sobre interdisciplinaridade ou trabalhos com projetos.br/>. Olhando para fora..crmariocovas.. planejamento e proposta pedagógica. Pense também sobre os aspectos em que precisará se aprofundar nos estudos para uma melhor compreensão. Será uma ótima e enriquecedora pesquisa! 92 .. Desejando ampliar seus conhecimentos. acesse o site a seguir. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS.. reflita em que medida esta contribuiu para enriquecer e auxiliar sua futura prática profissional. dentre outros. Registre sua auto-avaliação em seu portfólio..DIDÁTICA.sp.

_______.conteudoescola.). 2009. Didática e Interdisciplinaridade. A organização do currículo por projetos de trabalho. Brasília: MEC/SEB. F. VENTURA.sp. Parâmetros Curriculares Nacionais. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. Acesso em: 16 jan. C. VALENTE. 1998. 1997.. HERNÁNDEZ. 1995. São Paulo: Érica. M. A prática educativa: como ensinar. Introdução.gov. Secretaria da Educação Básica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.mariocovas. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS. 1998. A. 2004. Conteúdoescola. Secretaria da Educação Fundamental. 2000. N. São Paulo: Papirus.br/site/content/view/69/48/>. Porto Alegre: ArtMed. _______. Brasília: MEC/SEF. NOGUEIRA.pdf>. 1998. 2009. Disponível em:<http.mec. Ensino com Projetos – Introdução. ZABALA.Unidade 6: Interdisciplinaridade MAPEAMENTO DA UNIDADE Articulação do trabalho docente Multidisciplinaridade Projetos Trabalho em equipe Aprendizagem significativa Pluridisciplinaridade Visão global Transdisciplinaridade Projetos de intervenção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. 93 . Acesso em: 19 jan. 22 jul. F.br/>. I.www. FAZENDA.br/seb/arquivos/pdf/blegais. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://portal.gov. 2001. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das inteligências múltiplas. São Paulo: Loyola. (Org.com. Porto Alegre: Artes Médicas.

mas. assim como os conteúdos e objetivos. os métodos são meios adequados para realizar objetivos [LIBÂNEO. Entretanto. 94 . estratégias adequadas aos alunos. sociedade. Compreenda a aplicação de diferentes métodos de ensino. procedimentos e condições externas. De forma ampla. 1992]. como temos estudado durante as unidades. conteúdos.Procedimentos Metodológicos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique diversos métodos de ensino. Analise estratégias de ensino. métodos e formas de organização do ensino. para alcançá-lo. E é sobre esta realidade que trataremos nesta unidade. o método é o caminho para alcançar um objetivo. vinculando sempre o processo de conhecimento à conduta e à vivência do aluno em sua realidade social. bem como a realidade na qual trabalha. passos. O trabalho do professor. É necessário lembrar que. Quando o professor dirige o processo de ensino para a aprendizagem dos alunos. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. sobre as relações de estudo entre objetos e fatos e sobre as relações dos conteúdos de ensino. envolve diferentes momentos: a escolha e seleção dos objetivos. é necessário realizar esse caminho e organizar uma seqüência de ações. os métodos e estratégias de ensino não podem ser analisados ou estudados como meras técnicas ou procedimentos. realiza um conjunto de ações. aluno e principalmente a uma compreensão da prática educativa de uma determinada sociedade. chamado métodos de ensino. esses também obedecem a uma determinada concepção de educação. podemos dizer que os métodos fundamentam-se na reflexão e ação que se vivencia ou se percebe sobre a realidade educacional.. Em outras palavras. Nesse sentido..

assim como as condições concretas das situações didáticas. da construção e das sínteses. exigem unidade entre objetivosconteúdos-métodos e as formas de organização do ensino. por sua vez. 95 . isto é. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem. entre outros. cada tipo de conteúdo exigirá um determinado procedimento. os métodos de ensino dependem: dos objetivos imediatos da aula: introdução à matéria (disciplina) que se estudará. isto é. p. como capacidade de assimilação segundo o seu nível de desenvolvimento e características sócio-culturais e individuais. 1992. cujo resultado é a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O método de ensino permite estudar as relações internas de um objeto. Esses critérios devem ser utilizados ao escolher e selecionar os métodos para as diferentes instâncias didáticas. desenvolvimento das capacidades. As situações didáticas devem propiciar a ligação entre os objetivos e conteúdos propostos pelo professor e as condições de aprendizagem dos alunos. explicação de conceitos. os objetivos devem estar claros para todos os sujeitos envolvidos e registrados no plano de ensino ou de aula. Em resumo. “o docente deve propor ações que desafiem e possibilitem o desenvolvimento das operações mentais”. exercitadas e reconstruídas por meio da mobilização. procedimental e atitudinal. e o uso adequado desse método pretende realizar a aprendizagem significativa dos alunos. organizar os processos de apreensão de modo que as operações mentais sejam despertadas. portanto. é necessário saber onde se deseja chegar e ter clareza para conduzir o processo de ensino-aprendizagem. consolidação do conhecimento. Para isso. p. factual. entre o professor e os alunos. é bilateral já que as atividades de direção do professor e de aprendizagem dos alunos devem atuar reciprocamente: o professor estimulando e dirigindo o processo em função da aprendizagem dos alunos. De acordo com Anastasiou e Alves [2004. permitindo ao aluno sensações de vivência pessoal e de renovação. 152]. podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico.[LIBÂNEO. sem se Aqui deve ser lembrado o tipo de conteúdo a ser trabalhado: conceitual. Assim. para estabelecer o como ensinar e as formas de intervenção na sala de aula. O processo de ensino. 69]. 1 esquecer dos objetivos gerais da educação previstos no plano de ensino da escola. dos conteúdos específicos e dos métodos de assimilação e aprendizagem de cada disciplina 1. fenômeno ou problema sob diferentes ângulos. Conhecer o aluno é fundamental na escolha do método. A escolha e a organização dos métodos de ensino. do conhecimento das características próprias dos alunos. a fim de que o aluno aprenda de forma ativa e significante. Uma vez que por meio dos métodos pretende-se a realização dos objetivos.

“a relação objetivo-conteúdo-método tem como característica a mútua interdependência. já que é a base pela qual se conseguem ou alcançam os objetivos específicos. que dá a possibilidade de implantar métodos e meios de trabalho diferenciados. os meios e as formas de organização do ensino que usa e. os conteúdos constituem a base informativa concreta para alcançar os objetivos e determinar os métodos. Os métodos. Supõem os objetivos do professor. O método de ensino é determinado pela relação objetivo-conteúdo. observando-se. 154]. e estes formam o conjunto das formas didáticas. existe a autonomia docente. 2 Na metodologia convencional. a visão de homem. através da combinação dessa ação conjunta. Segundo Libâneo [1992. requisito para aprender determinados conteúdos. . Objetivo-Conteúdo-Método Temos que destacar que os métodos só servem em função dos objetivos e conteúdos. A unidade objetivo-conteúdo-método é fundamental na compreensão do processo didático: os objetivos definem os propósitos pedagógicos intencionados e planejados de instrução e educação dos alunos para a formação e participação na sociedade. a relação objetivo-conteúdo-método. Nessa assimilação são usados os processos mentais ou as operações de pensamento2. os objetivos dos alunos e a ativação das suas habilidades mentais. O conteúdo possui uma lógica interna que lhe é própria e que precisa ser captada e adequada para sua compreensão. estão presentes nas formas em que o professor apresenta e trabalha determinadas matérias. uma aula com leituras que permita ao aluno aprender determinado conteúdo por meio das leituras. ainda que seja num nível de ação individual. Assim. é muito comum o uso da memorização. O conteúdo determina o método. p. por exemplo. do conhecimento e saber escolar e dos objetivos gerais e específicos. às vezes. Da mesma forma. mas pode também influir na determinação de objetivos e conteúdos”. 96 3 Métodos e Procedimentos de Ensino Quando se trabalha numa escola em que existe participação coletiva e ativa de um colegiado. a discussão dos métodos é tratada na elaboração do Projeto Político Pedagógico 3 a partir de objetivos gerais e conteúdos educacionais que norteiam as escolhas de sala de aula. por sua vez. assim. O Projeto Político Pedagógico define as normas e conceitos para o funcionamento de um estabelecimento educacional de forma coletiva. a assimilação dos conteúdos depende tanto dos métodos de ensino como dos métodos de aprendizagem. ao mesmo tempo. no qual são abordados: a função da escola. os quais orientam a ação do professor para promover a aprendizagem dos alunos. se a instituição escolar não trabalha coletivamente e de forma participativa. ações e meios de organizar o ensino para propiciar a assimilação dos conteúdos e o alcance dos objetivos. Cabe alertar que. realiza-se o processo de aprendizagem.DIDÁTICA. passos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Os métodos que mobilizam esse processo correspondem à seqüência de atividades do professor e dos alunos. A matéria de ensino é a referência para a elaboração dos objetivos específicos. No entanto. o método também é objeto de aprendizagem.

essa classificação não apresenta novas formas de trabalho. museus. É importante lembrar. Esse é um meio auxiliar importante da exposição verbal. seqüências históricas. a fim de que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação. adotar atitudes passivas. Desse modo. redige ou fala uma palavra e o aluno observa e repete. ele é responsável por apresentar os conhecimentos e habilidades por meio da: Exposição verbal: como não há uma relação direta entre o aluno e o material de estudo. organizar cadernos. Cabe destacar que nas estratégias grupais é fundamental a preparação e organização cuidadosa junto com o aluno. Entretanto. Demonstração: o professor apresenta ferramentas e eventos que ilustram fenômenos e processos. necessariamente. mapas. gravuras. por exemplo: como usar o dicionário. que o conteúdo da aula deve ser significativo e estar vinculado aos interesses e conhecimentos que os alunos possuem. mas agrupações diferentes dos diversos métodos existentes. principalmente para as séries iniciais do ensino fundamental. A aula expositiva como forma de trabalho. o professor deve ter o cuidado de propiciar conhecimentos e habilidades que facilitem a assimilação ativa e o desenvolvimento de capacidades para que o educando aproveite a exposição de modo ativo-receptivo. observar um fato a partir de um roteiro e tirar conclusões ou estabelecer relações entre fatos e acontecimentos. agora. Vejamos. Método de aula expositiva dialogada Nesse método. gráficos. conforme o critério de cada autor. o professor explica o assunto de modo sistematizado. Exemplificação: o professor realiza uma leitura em voz alta. Cabe ao professor. então. incitando nos educandos a motivação para aprender o assunto em questão. concretizada pelas atividades do professor e alunos no processo de ensino. 97 .Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem diversas formas de classificação e estudo dos métodos de ensino. O objetivo é ensinar ao educando o modo como se deve realizar uma determinada tarefa. tais como imagens em slides. que é sujeito do seu processo de aprendizagem. empresas. os métodos e procedimentos de ensino em detalhes. no entanto. No que diz respeito ao professor. Vale dizer que a exposição ou o relato de conhecimentos adquiridos ou de experiências vividas ajuda a desenvolver a relação entre pensamento e linguagem. Além disso. da maneira como foi descrita. estudaremos os métodos a partir do critério que resulta da relação existente entre ensino e aprendizagem. etc. é um procedimento didático que contribui para a assimilação dos conhecimentos. visitas a laboratórios. os alunos assumem uma postura de receptividade sem. podem ser apresentados. como a coordenação de idéias e sistematização dos conhecimentos. portanto a estratégia escolhida e a ação que o grupo objetiva devem ser explícitas e compactuadas. estimular a curiosidade dos alunos e seu interesse pelo aprendizado narrando fatos e acontecimentos e fazendo a leitura de textos de maneira marcante e eloqüente. Ilustração: é uma forma de apresentação gráfica da realidade e fatos. como na demonstração.

na tarefa de assimilação do conteúdo e no processo de elaboração pessoal. o professor deve permitir ou promover condições para que o trabalho seja realizado. interesse ou envolvimento. compreensíveis e adequadas aos conhecimentos e às capacidades de pensamento dos alunos. para que o trabalho independente seja realizado. sob a direção e orientação do professor. é necessário que as tarefas sejam claras. por exemplo. leitura de textos do livro didático. rompe-se com a aula tradicional e mecânica. desenho de um mapa depois de uma aula de geografia. por fim. As tarefas de assimilação pessoal correspondem aos exercícios que os alunos realizam dando respostas a partir do seu próprio pensamento. solução de problemas. 98 . procurar no dicionário. Na parte preparatória os alunos escrevem o que pensam sobre o tema que será estudado. Nas tarefas de assimilação do conteúdo são realizados exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas estudados. socialização do resultado das tarefas para toda a classe. porém. Os resultados dessas atividades devem ser corrigidos. memorização ou mero decorar de fatos e regras sem que haja a compreensão do assunto estudado.DIDÁTICA. entre outros). evitam-se nas avaliações propostas pelo professor ou pelo livro didático respostas que são cópias do assunto tratado durante as aulas. Desse modo. Dos alunos: saber o que fazer e como trabalhar. estudo dirigido. A principal característica do trabalho independente é a atividade mental dos alunos e. são necessárias as seguintes condições: Do professor: tarefas claras. entre outros. compreensíveis e estejam à altura dos conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos educandos. e. Contudo. ser capaz de trabalhar em grupo. além de acompanhar de perto a sua realização. Esse método pode ser usado na parte preparatória da aula. dominar as técnicas que a atividade exige (fazer uma leitura. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I para que ela deixe de ser um repasse de informações e passa a ser um modo receptivo-ativo de se trabalhar. Isso permite ao professor saber os conhecimentos prévios dos alunos ou despertar os interesses destes. acompanhamento de perto do trabalho dos alunos. para que esta ocorra. dar e solicitar ajuda dos colegas. Método de trabalho independente São aplicadas tarefas e atividades para serem solucionadas de forma independente pelos alunos. Nesse momento podem ser feitas perguntas que levem o aluno a pensar e a relatar suas observações ou o que aprendeu. na qual o professor fala e o aluno repete sem contextualização. em que o professor as realiza como trabalho individual ou em grupos. pesquisa. deixa-se a reprodução. Nesse sentido. Estas atividades podem ser intercaladas durante a aula expositiva. respondendo algumas perguntas ou fazendo uma redação sobre o tema.

debates sobre o tema estudado. tanto do professor quanto dos alunos. 99 . dessa forma. partindo do material estudado. avaliações críticas de uma situação ou para incitar a busca de novos caminhos para a resolução de problemas. atentando-se às formas de trabalhar as dificuldades. na fase de organização e sistematização ou ainda na fase de fixação.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O estudo dirigido é uma das formas de trabalho independente e pode ser realizado para a elaboração pessoal de novos conhecimentos a partir de questões sobre problemas diferentes dos resolvidos na sala de aula. Sistematizar e consolidar as diferentes capacidades do aluno. fazendo que cada aluno. Para que o método seja útil. além de analisar também a eficácia do seu trabalho pedagógico. Ele também pode ser utilizado para obter respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos. reflexão e posicionamento crítico dos estudantes frente à realidade vivida. na qual o professor. resolução de questões e situações-problema. duvidar. Por meio do estudo dirigido pode-se: Criar habilidades e hábitos para um trabalho independente e criativo. através dos conhecimentos e experiências que possui. obter pistas de como eles estão entendendo a matéria por meio de respostas elaboradas e articuladas corretamente. posicionar-se. Permitir que o professor observe os alunos especificamente. é necessário que a pergunta seja um estímulo para o raciocínio. a partir dos conhecimentos que possui. A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta. individualmente. seja capaz de solucionar problemas. Esse método é visto como um excelente meio para promover a assimilação ativa dos conteúdos e instigar a atividade mental. que incite os alunos a observar. Método de elaboração conjunta É uma forma de interação ativa entre professor e alunos e pode ser aplicada em diferentes momentos do desenvolvimento da unidade didática: na fase inicial e preparatória para o estudo do conteúdo. discussão de soluções. Os passos ou a dinâmica do estudo dirigido podem ser evidenciados por atividades individualizadas ou grupais e podem ser socializadas através de: leitura individual segundo um roteiro elaborado pelo professor. podemos. superar dificuldades e produzir seus próprios caminhos de aprendizagem. pensar. A forma mais comum desse método é a conversação didática. aplicando-os a situações novas e a problemas do seu dia a dia e de sua vida social. Possibilitar que o aluno desenvolva a capacidade de trabalhar de forma livre. consolidação e aplicação. leva os alunos a se aproximar gradativamente da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaborar as suas idéias de forma independente. bem como aos avanços de cada um. ao mesmo tempo.

a observação do seu desempenho. o encontro direto entre o aluno e o que se estuda e a relação de ajuda recíproca entre os membros dos diferentes grupos. Os grupos devem ser trocados na mesma ou em outra aula. Debate Consiste em promover a discussão entre alguns alunos sobre um tema polêmico perante a turma. 100 . os alunos expõem as idéias que vão surgindo. deve-se ter presente o desenvolvimento das habilidades de trabalho coletivo responsável e a capacidade de verbalização. Essa forma de trabalho deve possibilitar expressões individuais dos alunos. destacam-se as seguintes. então. basicamente. se o conteúdo discutido é relevante. o Philips 66 professor divide a turma em seis grupos de seis alunos (ou cinco grupos de cinco. Grupo de Verbalização e Grupo de Observação (GV– GO) Uma parte da classe forma um círculo no centro da sala (GV) para analisar um tema. etc. Além disso. Os grupos devem ter um coordenador. a sala de aula deve ser arranjada para trabalhar em grupo antes do início da aula. Para ser bem sucedido é fundamental que exista uma ligação coordenada entre as fases de preparação. etc. Estes grupos discutirão em poucos minutos (seis minutos) o tema. se eles trabalham adequadamente. descritas no quadro a seguir: Quadro 1 Formas de organização de grupos para trabalho em sala de aula. O GO deve prestar atenção se os conceitos utilizados na discussão entre os integrantes do GV são adequados. preferencialmente indicado pelo professor. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve ter sempre uma atitude positiva frente às respostas dos alunos. os demais formam um círculo em volta para observar (GO) o primeiro grupo. organização dos conteúdos e comunicação dos seus resultados para a classe. apresentarem as conclusões a que chegaram.). Tempestade Mental A partir de um tema qualquer. Fonte: Adaptado de SILVA. compostos de três a cinco alunos escolhidos pelo professor e reunidos em diferentes níveis de compreensão. Em todo trabalho em grupo.DIDÁTICA. Entre as diversas formas de sistematização de grupos. mas com a garantia de que todos os integrantes tenham oportunidade de se expressar. As idéias são anotadas na lousa e é selecionado aquilo que é mais relevante para o andamento da aula. se todos participam. Seminário Um aluno ou um grupo prepara um tema e apresenta este tema à classe. em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis. ou em duplas. para. sem influência de terceiros nem preocupação de censura. Para se saber de forma rápida o quanto uma turma conhece sobre determinado assunto. mesmos as incorretas devem ser utilizadas como ponto de partida para revisões ou novas explicações. 2006. de forma que todos os alunos aprendam a se expressar e a defender seus pontos de vista. Método de trabalho em grupo O método de trabalho em grupo consiste.

ou seja. à compreensão da realidade e dos problemas presentes na vida cotidiana. descritas a seguir: Planejamento: o local escolhido deve ser visitado com antecedência pelo professor e as informações mais importantes devem ser levantadas. Mais tarde. já que é principalmente uma atividade mental. o importante é que os resultados da visita devem ser discutidos com a classe. O estudo do meio é a interação do aluno em diferentes níveis. ao mesmo tempo. mas ver o esforço e o trabalho de cada um. Em vez do relatório. apresentações. sua cidade.) e não se restringe apenas a visitas e passeios. Para tanto. exploração de resultados e avaliação. execução. fábricas. bem como a sistematização dos conteúdos e a elaboração de conclusões. os alunos registrarão os fatos mais importantes. a assembléia de alunos. mais envolvidos estarão os alunos. etc. o teatro. quanto mais desafiador o tema. com os agentes e o ambiente que o cercam: sua família. desafiadora para os alunos. baseando-se em perguntas. etc. ocorre um segundo momento do planejamento. Desse modo. etc. entre outros.. museus. com os alunos já na sala de aula. o aluno retorne à escola modificado e enriquecido pelas novas experiências e conhecimentos. sempre sob a orientação do professor e tendo como base os objetivos de estudo e o planejamento anterior. pode ser proposta também uma redação ou a discussão dos problemas encontrados. 101 . através dos conhecimentos e habilidades já adquiridos.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem atividades complementares aos métodos de ensino. se eles foram alcançados. por exemplo: o estudo do meio. uma vez que os estudantes se envolvem no estudo. Exploração dos resultados e avaliação: por meio de um relatório sobre a visita. o professor não deve comparar as soluções dadas pelos diferentes grupos. O estudo de caso é uma análise minuciosa e objetiva de uma situação real que necessita ser investigada e. Procedimento para trabalhar o estudo de caso: Oralmente ou através da apresentação de material impresso ou audiovisual. destacando o conhecimento adquirido e as conclusões sobre o fato. O estudo de caso permite a elaboração de um forte potencial de argumentação com os alunos na elaboração e consolidação dos conhecimentos. na busca de soluções do caso proposto. fazendas. Execução: nessa etapa os alunos fazem as anotações que consideram importantes. pois esses resultados fornecerão os subsídios para avaliar os objetivos. seu trabalho. que consiste em refletir sobre os aspectos mais importantes a serem observados e as questões a serem feitas ao pessoal do local que vai ser visitado. Isso se dá por meio de visitas a locais determinados (seções públicas. mas. fundamentalmente. Diante disso. para que. são necessárias as fases de planejamento. as quais ajudam na compreensão e incorporação dos conteúdos. o professor explica o caso que será analisado. ele deve fazer parte da vida do aluno ou de um tema de estudo. Pode ser um caso para cada grupo ou um mesmo caso para diversos grupos. conversas. É necessário que o professor defina o objetivo a ser alcançado e estabeleça as habilidades cognoscentes e os conhecimentos que serão aplicados.

inclusive. O professor torna a apontar os principais aspectos do problema e ressalta as soluções coletivamente propostas. enfatizando os principais aspectos do problema avaliado. O professor deve informar o tempo disponível e pede aos alunos que prestem atenção nos pontos relevantes. segundo o objeto que se estuda. A dramatização é uma representação teatral que tem como ponto de partida um problema.DIDÁTICA. Os exemplos são os mais diversos possíveis: lousa. O intuito da dramatização é provocar nos alunos questões ligadas a casos de relações humanas. Não se pode esquecer também que a escolha e o trabalho com os diversos métodos. estratégias e meios não ocorre aleatoriamente ou de forma inconsciente. como uma forma especial de estudo de caso. adequada e criativa. fazer um trabalho de orientação nos grupos durante o processo e elaborar instrumentos de avaliação. No final. Na forma espontânea. Na primeira situação. contudo. deixa-se por conta dos alunos. portanto. Prescrição do caso: o aluno apresenta propostas para mudar ou solucionar a situação. deve dominar o uso destas ferramentas e deve fazê-lo de maneira pedagógica. Meios de Ensino São os instrumentos (recursos materiais) utilizados tanto por professores quanto pelos alunos para conduzir organizada e metodicamente o processo de ensino-aprendizagem. Os alunos que não participam podem formar um círculo ao redor da cena e assistir à representação. orientando como devem atuar. conferindo mais autenticidade ao trabalho. o docente escolhe o assunto e os papéis de cada um. etc. o professor ou os alunos devem fazer o fechamento da atividade. O professor. o docente deve escolher o material de estudo. estratégias e meios têm um significado e uma função dentro do processo ensinoaprendizagem. cabe ao professor ter clareza do papel que cada um deles representa no trabalho e planejamento docente com o fim de poder trabalhar em parceria com o aluno para que aconteça o processo de ensino-aprendizagem. 102 . podendo ser interpretada. a perda da inibição e a liberdade de expressão. etc. Os métodos. escolhe-se um conceito de educação. Nessa etapa. de escola. filmes. As soluções são discutidas pelo grupo e as mais adequadas são selecionadas. Procedimento para realizar a dramatização: A atividade pode ser planejada ou espontânea. de aluno e de ser professor. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cada grupo analisa o caso e faz suas considerações sobre o assunto. quando se escolhe um determinado caminho e forma a ser seguida dentro da sala de aula. podemos destacar o estímulo à criatividade. Entre os benefícios da dramatização para o aluno. Argumentação: o aluno justifica suas posturas através da aplicação dos elementos teóricos de que dispõe. preparar um roteiro de trabalho. slides. tema. mapas. data show.

Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. Veja um exemplo: MÉTODO Aula expositiva dialogada DESCRIÇÃO É uma exposição de conteúdos que tem a participação ativa dos alunos. a descrição e o comentário pessoal acerca de cada método escolhido. conheceremos um pouco mais sobre alguns procedimentos metodológicos em um plano didático.. TREINANDO ______________________ Realizada a leitura da Mobilização do Conhecimento. COMENTÁRIO PESSOAL É uma forma de trabalho que supera a famosa aula em que o professor fala o aluno escuta. assim como a sua aplicação. Atente-se aos aspectos que considerar mais relevantes e anote-os em seu caderno.. escolha no mínimo três. Você deve contemplar os seguintes aspectos: o nome do método. VIDEOAULA ______________________ Assistam à videoaula A Necessidade de Procedimentos Metodológicos Adequados. Nessa vídeoaula. complete o quadro esquemático a seguir. 103 . evidenciando os métodos que tenham despertado sua curiosidade.

Diante disso. Ao final da plenária. as características e nível de desenvolvimento dos seus alunos. escolham um dos métodos de trabalho em grupo apresentados nesta unidade e discutam sobre os principais aspectos que devem ser considerados ao escolher um método de ensino. Agir dessa forma garante a realização de um trabalho docente comprometido e responsável. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. define o que o professor espera dos alunos e da educação. as vivências e também suas características sociais.. Posteriormente. o que. todos os alunos deverão registrar em seus cadernos esses tópicos. reunidos em grupos de quatro alunos. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe em uma grande roda e deverá escolher um aluno para anotar na lousa os principais aspectos levantados na discussão. quais serão os procedimentos usados na sala de aula por seus alunos e por ele para que aqueles apreendam e construam conhecimentos.. REFLEXÃO ______________________ Reflita sobre a seguinte afirmação: “A escolha do método é política. o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para ler suas produções. O importante é que você procure os melhores métodos e procedimentos educativos para que os alunos aprendam e se sintam felizes e responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem. no qual não há lugar para receitas ou métodos infalíveis que dão certo com todos os seus alunos e turmas. vimos nesta unidade que na seleção da estratégia ou método a utilizar o professor deve considerar a relação objetivo-conteúdo-método. 104 . por sua vez. elabore um pequeno texto que apresente suas considerações reflexivas acerca dessa afirmação. Trabalhar com determinado método ou estratégia depende da forma como o docente entende o processo de ensino-aprendizagem. A análise de cada um desses itens permite que o professor planeje sua prática docente pensando no que será estudado e como. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Agora.DIDÁTICA.” Em seguida. está relacionado ao conceito que cada um tem de como se ensina e de como se aprende.

Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. Campinas (SP): Papirus. norteie-se pelas questões apresentadas seguir para sua auto-avaliação. uma distinção entre método e metodologia.. Como o assunto abordado nesta unidade não se esgota no conteúdo abordado aqui. Para tanto. não se esqueça de arquivá-lo em seu portfólio. ed. ainda.... 2. 2006. Dessa forma.. 105 . Olhando para fora. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. M. Agora é o momento de avaliarmos tudo o que foi estudado na unidade. sugerimos a seguinte obra: RANGEL. a autora apresenta diferentes métodos e estratégias para serem utilizadas em sala de aula e faz. além de ser uma obra de fácil leitura. é muito importante que vocês se interessem por leituras complementares de modo a enriquecer ainda mais sua formação.. O livro é uma ajuda para as possíveis dúvidas que se apresentam aos professores. 93 p. Quando concluir seu texto. você poderá escrever um pequeno texto expondo o que você aprendeu nesta unidade e o que ela pôde acrescentar para sua carreira docente. Posso identificar sem dificuldades os diversos métodos de ensino? Tenho condições de analisar as estratégias de ensino? Compreendi a aplicação dos diferentes métodos de ensino? Ao refletir sobre estas questões. Nesse livro.

RANGEL. Secretária da Educação Fundamental. Disponível em: <http://www. Joinvile: Univille. 2006. Conteúdos Método de aula expositiva dialogada Critérios Seleção. M. Campinas (SP): Papirus. LIBÂNEO. L.adm. 1997. 1992. M. ALVES. 2004. Brasília: MEC-SEF. V. G. J. Organização Método de trabalho em grupo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANASTASIOU. 3. Processos de Ensinagem na Universidade. 2. 106 .. 19 jan. Grupo Empresarial ADM. 2009.p df>.grupoempresarial. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Método de trabalho independente: estudo dirigido Métodos grupais Passos Capacidades cognitivas Objetivos. Leonir Pessate. da..DIDÁTICA. Didática. ed.br/download/uploads/Os%20Metodos%20de%20Ensino_M9_AR. Acesso em: 21 jan. M. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas. Parâmetros Curriculares Nacionais. G. BRASIL. Introdução. SILVA. Camargo. 2006. ed. São Paulo: Cortez. Os Métodos de Ensino.C.

Para a autora. ou seja. A avaliação é inerente à educação e é entendida como problematização. 15].Avaliação no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique e entenda a avaliação como um processo e sua importância no processo de planejamento do ensinoaprendizagem.. Compreenda os diversos instrumentos e formas de avaliação. o trabalho do aluno e do professor pode ser comparado com os objetivos propostos. do aluno. porque ela veio se transformando numa perigosa prática educativa” [2006.. com a finalidade de analisar os progressos. 107 . A avaliação é uma tarefa didática presente nos diversos momentos do trabalho docente e acompanha passo a passo o processo de ensino-aprendizagem. Por meio dela. a avaliação desempenha funções didáticas e pedagógicas. do professor – ou de ambos –. Entenda e reflita sobre o processo de avaliação como parte da aprendizagem dos alunos. como também da aprendizagem no processo educativo. educador ou sistema educacional. questionamento. p. quando se fala em avaliação como julgamento de valor dos resultados esperados. reflexão da ação educativa e de todos os momentos em que ela se realiza. pois apenas revela informações e dados que devem passar por uma apreciação qualitativa. procurando diagnosticar e controlar eventuais problemas no processo de ensino-aprendizagem por meio de instrumentos de verificação do rendimento escolar. as dificuldades e reorientar o trabalho. avaliar é uma tarefa intrincada que não deve ser resumida à mensuração do educando. “são necessárias a tomada de consciência e a reflexão a respeito desta compreensão equivocada da avaliação como julgamentos de resultados. Desse ponto de vista. é o produto de uma postura que separa educação e avaliação que leva a práticas educativas descontextualizadas e perigosas. Desse modo. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Segundo Hoffmann [2006].

Essa concepção de avaliação encontra-se amplamente difundida entre professores até hoje e entende a avaliação como um processo externo e de mensuração do aluno ou do processo educativo. nessa perspectiva. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve perceber a contradição existente entre avaliar de um modo amplo e a concepção de avaliação como resultado e como julgamento. 1 O Comportamentalism o: linha da psicologia do desenvolvimento. seu representante nos Estados Unidos foi Robert Thorndike. 2006]. 106]. quando se fala de avaliação. norteada pelo princípio de 108 . fortemente arraigada em alguns professores até hoje. Souza [1995] descreve que nas duas primeiras décadas do século XX a avaliação ocorria no sentido de mensuração (medida) de capacidade e características do ser humano e era realizada por meio de testes padronizados. na época. [. registros de comportamento. reflexão permanente do professor sobre a sua realidade e acompanhamento de todos os passos do aluno no seu caminho de construção do conhecimento [HOFFMANN.. a ação avaliativa e o seu trabalho pedagógico. Essa tendência refletia a época em que predominava a pedagogia tecnicista. 2006]. pois não basta saber e definir a avaliação. que relaciona aprendizagem com a mudança de comportamentos. Groundl e Ausbel. pense. é fundamental que a entenda como reflexão transformada em ação. entre outros) que foram disseminados por Ralph W. Esse pensamento começou a ser difundido no Brasil por alguns autores como Bloom. cabe dizer.] A avaliação deve julgar o comportamento dos alunos. É esse processo de reflexão que esperamos que consiga fazer. Tyler e Smith. Em síntese. Essa visão.. define uma prática avaliativa que se inicia com o estabelecimento dos objetivos por parte do professor. a fim de contextualizar como até hoje alguns conceitos ultrapassados continuam nas práticas escolares. Para entender melhor o processo de avaliação. além disso.DIDÁTICA. Na década de 1930. a idéia de mensuração ampliou-se e foram desenvolvidos outros procedimentos mais abrangentes para avaliar o desempenho dos alunos (inventários. assim como nos docentes e suas práticas. apresentaremos as idéias de alguns autores que trabalharam nessa área. os autores brasileiros faziam publicações sobre orientações para o desenvolvimento de testes e medidas educacionais imbuídos da teoria sobre avaliação que valorizava a dimensão tecnológica. pois o que se pretende em educação é justamente modificar tais comportamentos. os quais geralmente se referem a pontos do conteúdo programático. O enfoque do autor é comportamentalista1 e resume a avaliação à verificação ou à medida das mudanças ocorridas a partir dos objetivos que são definidos pelo professor. Para tanto. A avaliação é o processo destinado a verificar o grau em que mudanças comportamentais estão ocorrendo. é fundamental que ele reflita. escalas. seus conceitos e sua importância. Na década de 70 do século XX. p. que essas avaliações são sempre realizadas em determinados períodos. Na abordagem de Tyler [1976. deixando de fora o acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno. discute-se sobre instrumentos de verificação e critérios de análise de desempenho final [HOFFMANN. questione a sua própria prática. e a verificação do alcance desses objetivos pelos alunos por meio de testes. que tiveram uma grande influência nas pesquisas sobre o tema.

como era no início da década de 70. que expressa a qualidade do objeto que está sendo ajuizado. O juízo. o qual. a avaliação ganha o sentido de um processo que busca a compreensão da realidade escolar. com novas concepções sobre o tema. tendo em vista uma tomada de decisão. Em busca de uma definição. inicia-se uma época de transição democrática no país e discute-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). a qual valoriza a escola e o seu papel como forma de mudança e transformação para todos os cidadãos. Segundo Luckesi [1995. desde que incida sobre uma realidade atribuída ao objeto. era o ensino de uma consciência ideológica. p. Continuando com o autor.. na qual todos têm direitos e acesso ao conhecimento por meio da educação.. O juízo que se faz sobre o aspecto substantivo da realidade recebe a denominação de “juízo da existência” na medida em que sua expressão pode ser justificada pelos dados empíricos da realidade. de forma a poder construir uma sociedade mais justa e igualitária. o juízo de qualidade tem por objetivo expressar uma qualidade que se atribui ao objeto. 69]. cuja finalidade é a tomada de decisão sobre dados relevantes em relação a um 109 . deixando de ser vista como uma medida ou técnica. nesse contexto.. Nos anos 80. O principal papel da escola. Na metade dos anos 80. Nesse contexto. O juízo de existência pretende dizer o que o objeto é. porém..] JUÍZO DE QUALIDADE: juízos são afirmações ou negações sobre alguma coisa. por sua vez. que até hoje se encontra nas escolas. Essas afirmações ou negações poderão incidir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade. o juízo de existência resulta da relação direta do sujeito com o objeto e o de qualidade de um processo comparativo entre o que está sendo avaliado e um padrão ideal de julgamento. mostrando um novo caminho. Vale lembrar que todo o planejamento educacional sofreu a forte influência tecnicista.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático que a maior produtividade do sistema de ensino era produto da racionalização do trabalho educativo. que fez surgir uma nova concepção de educação. era orientado por uma visão externa da escola. a avaliação da aprendizagem é entendida como um juízo de qualidade sobre dados relevantes. uma vez que a avaliação passa a ser entendida como um processo que faz parte do ensino-aprendizagem. que ajudava a reproduzir a divisão do trabalho na sociedade. A escola passa a ser analisada como um espaço de construção da democracia. desenvolveram-se diversas pesquisas e estudos que expressavam movimentos de renovação teórica e discordavam da visão tecnicista da avaliação. [. recebe o nome de “juízo de qualidade”. observamos a mudança de alguns aspectos vigentes até o fim da década de 70 do século XX. A partir dessa definição.

Observe. a avaliação cumpre três funções: pedagógico-didática. além da mensuração e controle. a preparação dos alunos para enfrentar as exigências da sua realidade social e a contribuição para assimilação e fixação das aprendizagens. qualificação e apreciação qualitativa. Não existe um padrão ideal sempre fixo. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I objeto de estudo. Dentro desse contexto encontra-se Libâneo [1992]. A função pedagógico-didática refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos específicos e gerais da educação escolar. determinando as modificações do processo de ensino. que possibilitam decidir. enquanto na segunda a formação permite um contínuo acompanhamento e regulação da atividade de ensino. Luckesi [apud DEPRESBÍTERES. em outras palavras. determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. A função de diagnóstico permite identificar os progressos e dificuldades dos alunos. no âmbito da construção do conhecimento. pois permite compreender a avaliação.DIDÁTICA. A definição de juízo de qualidade como afirmação ou negação pode interferir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade do objeto que se avalia e marca uma nova esfera e contexto de avaliação na escola e na educação. de diagnóstico e de controle. segundo um padrão estabelecido. numa perspectiva de apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensinoaprendizagem. observa-se como foram alcançadas as finalidades sociais do ensino. Por sua vez. direcionar o aprendizado dos alunos e conseqüentemente o seu desenvolvimento. Na primeira trabalha-se e preocupa-se com as dificuldades do aluno e sua superação. com o fim de melhorar o cumprimento das exigências dos objetivos gerais e específicos. pois a avaliação não pode ser praticada sobre dados inventados pelo sujeito. na definição proposta por Luckesi [1995]. que os juízos de qualidade e de existência aparecem juntos para realizar uma revisão ou uma tomada de decisão sobre dados de uma determinada realidade. o padrão deve ser consciente e explícito. ele modifica-se segundo as necessidades dos seres humanos situados no espaço e no tempo. De acordo com a autora. Assim. assim como da atuação do docente. Portanto. que diz que a avaliação escolar é um componente do processo de ensino. ou seja. transformada ou apreendida. a partir disso. Quando se avalia sistematicamente os resultados do processo de ensino. objeto de estudo ou conteúdo escolar e de como essa realidade foi atingida. 1995] se refere aos dados relevantes da realidade. a realidade que está sendo avaliada é confrontada com um padrão de comportamento que se julgaria ideal para ela. O juízo valorativo faz-se de maneira comparativa. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. Nesse momento deve ser considerado o que o aluno faz e o que se esperava dele. por meio de uma constante orientação das diferentes maneiras de pensar do aluno. deve ser utilizada a avaliação diagnóstica e formativa. da análise dos erros como tentativas de acertos que permitem ver o que o aluno sabe e o que tem que ser aprofundado. orientar as tomadas de decisão em relação às atividades didáticas: verificação. os juízos usados para tomar decisões sobre o trabalho escolar devem considerar o que se estuda e o que foi alcançado pelo aluno. a importância do critério para o autor é fundamental. Esse tipo de avaliação deve ser realizado em três momentos do processo de ensino-aprendizagem: 110 . o qual visa.

para verificar os conhecimentos prévios dos alunos. 2002. bem como a dos livros didáticos adotados e das apostilas utilizadas. no final deste e no final do semestre ou ano. do bimestre. Cabe ressaltar que essas funções não são separadas umas das outras. em que estágio se encontram frente ao estudado. é importante que exista o controle sistemático e contínuo sobre o processo de interação professor-aluno durante as aulas. Dessa forma. Finalmente . que avaliação envolve necessariamente um ato que efetue a sua melhoria. corrigir falhas.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático 1. no sentido de captar seus avanços.para acompanhar o progresso dos alunos. por sua vez..para avaliar os resultados da aprendizagem no final de uma unidade didática. Trata-se de uma maneira interativa de alunos e professores se conhecerem melhor e aprenderem mais sobre a realidade das instituições educacionais no ato próprio da avaliação. Durante o processo . 43]. suas dificuldades e possibilitar a tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos” [VASCONCELLOS. que serve para punir e selecionar. o controle parcial e final são as verificações realizadas durante o bimestre. esclarecer dúvidas. da freqüência das verificações e das qualificações dos resultados escolares. através de diversas atividades que permitam que o professor observe como os alunos estão aprendendo e desenvolvendo suas capacidades e habilidades. 72-73]: [. deve-se ter cuidado em não cair na mensuração ou quantificação dos resultados. Podemos dizer. A função de diagnóstico acompanha a função pedagógico-didática. com toda sua autoridade. faz-se importante para orientar como está sendo realizado o seu trabalho. p. de modo a analisar resultados. elas se relacionam: a pedagógicodidática refere-se aos próprios objetivos de ensino e está vinculada diretamente às funções de diagnóstico e de controle.] em uma visão mecanicista da educação. Inicialmente . e essa nova concepção indica a necessidade de se fazer da aprendizagem um ensino. possibilitando o diagnóstico das situações didáticas. é o único dono do saber na sala de aula. o professor. etc. testes 111 . suas resistências. no seu caminho de construção do conhecimento. No entanto. passo a passo. trata dos meios. Acredita-se numa avaliação como “um processo abrangente da existência humana. sem o intuito diagnóstico e tampouco pedagógico-didático. que implica uma reflexão crítica sobre a prática. quando é exigido exame final. p. como tem tratado a matéria. do ano letivo ou avaliação global de um determinado período de trabalho. 3.. Ao professor. e a função de controle é restringida à mera atribuição de notas e classificação. que devem ser reproduzidas nas questões de provas. então. seleção e utilização dos métodos. trata-se da avaliação tradicional. estimular o trabalho deles para conseguir a aprendizagem. por sua vez. A função de controle. Tipos de Avaliação Romeiro afirma [2000. 2. no início do ano letivo. A necessidade de reflexão permanente do professor sobre seu papel como indivíduo incluso em seu meio social e do acompanhamento do aluno. Os alunos passivamente acatam suas verdades. A avaliação diagnóstica inicial é aquela que é feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe.

DIDÁTICA. Levando-se em conta que tanto educandos como educadores são seres pensantes. 1995]: 112 . ao separar o que é bom do que não é. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I e. a avaliação é sempre diagnóstica. a avaliação diagnóstica tem três funções: autocompreensão do sistema de ensino. Para Luckesi [1995]. com suas histórias de vida e com o direito de errar e de procurar acertar. a avaliação sob a ótica diagnóstica enquadra-se numa proposta pedagógica histórico-crítica. é necessário que os instrumentos de avaliação sejam elaborados. executados e aplicados segundo alguns princípios. 2000] compara à avaliação de um agricultor numa colheita. é utilizada a avaliação classificatória. sem a existência de uma reflexão sobre os procedimentos que identifiquem se houve aprendizagem. por que não adotar na escola uma avaliação reflexiva e dialógica. o outro aprende ou não. que Gandin [apud ROMEIRO. normalmente de menor peso. Enquanto um ensina. a valorização recai sobre os acertos. mais dependente do professor. deixando de dar tudo de si. para o autor. 81] afirma que a avaliação diagnóstica supre as carências e lacunas da avaliação escolar: […] a avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno.o importante é que os alunos procurem obter sempre graus mais altos. ou seja. Segundo o autor. autocompreensão do professor. Nesse caso. até de algum trabalho. às vezes. Para que sejam cumpridas essas funções. como forma de acompanhar e conhecer os avanços e retrocessos do aluno em busca da aprendizagem? Vamos então conhecer quatro tipos de avaliação que podem ser utilizados: Avaliação diagnóstica Luckesi [1995. sem pensar na possibilidade de se fazer um diagnóstico para melhoria. p. tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem. apesar de ser a escola o lugar onde se aprende. Como conseqüência da preocupação constante com a nota. o aluno estuda apenas para obter resultados convenientes. o professor realiza a avaliação diagnóstica até mesmo em momentos nos quais seu objetivo principal é decidir-se sobre a promoção do aluno para a série subseqüente. autocompreensão do aluno. apontados por Grounlund [apud LUCKESI. para passar de ano. podendo os motivos ser os mais variados. sendo estimulada a competição . o que pode torná-lo cada vez mais heterônomo. Curiosamente. quando aprecia as reais possibilidades do educando de enfrentar ou não as exigências dos estudos posteriores e sistematiza informações que possam auxiliar os educadores que irão receber esse aluno. Dentro do contexto da atual sociedade capitalista.

no início do ano letivo. Nessa perspectiva. A avaliação diagnóstica inicial é aquela feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe. Avaliação formativa A avaliação formativa insere-se no processo educativo com a finalidade de proporcionar informações para ajustar ou mudar a atuação educativa. mais que uma contribuição para a instituição. formas de participação e decisão para os agentes envolvidos no processo educacional. assim. constitui uma necessidade e um utensílio para os próprios agentes do processo. Essa reflexão. Medir uma amostra. Ela é efetuada de maneira gradual e paralela aos diferentes 113 . Avaliação participativa O termo “participativo” é compreendido como a conduta que o docente – fazendo uso dos instrumentos apropriados de avaliação – deve ter no momento de conversa com os educandos para a discussão do estado de aprendizagem destes.1995] a avaliação do aproveitamento escolar deve fugir do aspecto classificatório e ser vista como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem do aluno. Essa avaliação é importante para conhecer bem os alunos: é o momento de observá-los cuidadosamente e registrar as observações para poder planejar as primeiras intervenções. o que significa que os pontos de chegada necessitam estar sempre presentes. por determinadas situações e conjunturas. Para que a avaliação diagnóstica seja realizável. preocupada com a afirmação do aluno como ser humano que vive numa determinada realidade social e cultural. como acompanhamento diário do aprendizado. 2 histórica da profissão pedagógica. A prática de avaliação. direcionando tanto o processo de avaliação da aprendizagem quanto o replanejamento das práticas e atuação docente. ela não deve ser tratada isoladamente. a avaliação participativa torna-se um processo de reflexão consciente e crítica sobre a teoria. a fragmentação e a alienação de uma prática educativa que. visto que se articula dentro de uma concepção pedagógica progressista. o próprio educador e a sociedade não identificam e reconhecem como suas2. de forma direta ou indireta. pretende-se responder questões como a degradação Este assunto já foi abordado na Unidade 2 desta disciplina. Os referenciais são os objetivos arquitetados para os alunos e o trabalho desenvolvido pelo educador. Nesse contexto. realizada diretamente pelos setores sociais aos quais os programas ou organizações se destinam. A avaliação participativa tem de ser considerada como uma parte solidária da totalidade exemplificada por uma estratégia ou um modelo de gestão pedagógica. revelando. Ao adotar essa postura no campo educacional. auxilia o professor a ter clareza de quando e como intervir para que seus educandos caminhem na direção desejada. que estejam em harmonia com os objetivos específicos.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático • • Medir resultados de aprendizagem claramente definidos. a aplicação e a execução de programas ou organizações. para Luckesi [2000 .

mas também o que pode fazer com a ajuda ou a interação de outras pessoas. 1995. SOLÉ. como ao se fazer perguntas. é uma avaliação para emitir um juízo em relação ao aluno e aos seus progressos em um momento determinado que possui função reguladora. A observação participativa é produzida quando se ajuda o aluno a terminar um exercício. entretanto. enquanto jogam. enquanto trabalham. de adaptar o ensino às características e às necessidades que as crianças apresentam no decorrer das diferentes atividades – enquanto se ensina.DIDÁTICA. a qual. uma vez que permite identificar a intervenção a partir das informações obtidas durante as aulas. como evidencia Vygotsky. mas ativo. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. Portanto. p.] a distância entre o nível de desenvolvimento real. A observação. Trata-se de atividades específicas para avaliar os resultados das aprendizagens realizadas [BASSEDAS. e em muitos outros momentos. não deve ser entendida de modo passivo. nos quais se verifica o que os alunos são capazes de fazer quando ajudados ou quando se faz uma atividade juntamente com eles.. O mérito da avaliação formativa reside na ajuda que pode prestar ao aluno em relação à aprendizagem da matéria e dos comportamentos em cada unidade de aprendizagem no sentido de alcançar seu objetivo de recuperação e levá-lo ao domínio daquilo que ainda não aprendeu. aceitá-la e aproveitá-la. a fim de que o aluno possa acompanhar ou recuperar as lacunas de aprendizagem. especialmente a partir da observação e da escuta. quando lhe é pedido para observar um companheiro ao tentar realizar uma tarefa. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I acontecimentos. a fim de poder ajudá-los de diferentes formas e replanejar a programação quando for necessário. Trata-se. p. a avaliação formativa deve ser realizada através de diversos materiais e procedimentos de ensino. determinado através da resolução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes [VIGOTSKY.. A avaliação formativa proporciona informações sobre o que os alunos aprendem e as dificuldades que apresentam. Para tanto. Basicamente. Desse modo. em situações como essas não se avalia somente o que o aluno é capaz de fazer sozinho. HUGUET. dessa maneira. pois serve para planejar o processo de ensino 114 . situações e atividades desenvolvidas e possui mais sentido e importância. é possível detectar também a sua capacidade de receber ajuda. 1984. e o nível de desenvolvimento potencial. ajudar e propor coisas diferentes aos diferentes alunos. 59]. Além disso. por exemplo –. Avaliação somativa A avaliação somativa realiza-se ao final do processo de ensino-aprendizagem com o fim de externar informações sobre o que os alunos aprenderam em relação aos conteúdos trabalhados. valoriza-se a zona de desenvolvimento proximal. é definida como: [. então. 97 apud OLIVEIRA. 1999].

Questões de correspondência: são questões elaboradas e dispostas em duas colunas. A seguir serão descritos alguns instrumentos de avaliação que poderão ajudar o professor a avaliar as habilidades e as capacidades alcançadas pelos alunos e sua aprendizagem significativa. o professor percebe que as provas parciais ou finais são apenas demonstrações de um processo de ensino bem conduzido: os alunos quase sempre terão bons resultados. • • Questões de múltipla-escolha: partindo de uma pergunta. e. Segundo Libâneo [1992]. SOLÉ. o aluno deverá assinalar se a questão é correta ou não. 115 . mais ou menos sistemáticos ou formais. o professor apresenta um tema a ser desenvolvido pelo aluno. • • • Escrita de questões objetivas: é elaborada a partir de questões com apenas uma resposta correta. essa avaliação permite realizar uma valorização de conhecimentos adquiridos pelos alunos ao final de uma atividade de ensino. numerando-as de acordo com a primeira coluna.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático realizado. por exemplo: as provas aplicadas em vestibulares e concursos. Outros dois tipos de prova dissertativa são: a composta por questões e a que permite aos educandos consultar livros ou outros materiais. esta última com o objetivo de avaliar se o aluno sabe aplicar os conhecimentos aprendidos e não apenas copiar um trecho do texto estudado. quando se avalia que não foram atingidos os objetivos previstos. Certo-errado: nessa prova. quando se compreende o conceito e as funções da avaliação. além disso. uma quinzena ou uma unidade didática. HUGUET. as provas podem ser de diferentes tipos. Questões de interpretação de texto: são questões elaboradas com base em um texto. permite estabelecer o grau de alcance de alguns objetivos previamente estabelecidos. enquanto na coluna da direita colocam-se as respostas para que o aluno faça a correspondência. no entanto. alguns deles são: • Escrita dissertativa: nesse tipo de prova. 1992]. assim como olhar a própria prática pedagógica. um ciclo. Assim. o que os estimulará para a aprendizagem [LIBÂNEO. ela pode servir para modificar a unidade didática que se havia planejado. Instrumentos da Avaliação O processo de avaliação inclui instrumentos e procedimentos diversificados. no decorrer de um espaço determinado [BASSEDAS. 1999]. Prova A prova é a mais tradicional. ou alertar sobre a necessidade de retomar em momentos posteriores determinados conteúdos trabalhados. discutida e criticada estratégia usada para a avaliação dos alunos na escola. Existem diversas situações em que não é necessário aplicar prova e dar nota. o educador precisa tomar o cuidado de não ser influenciado pela subjetividade durante a correção. Dessa maneira. atingidos ou não. seja um curso. o aluno deverá assinalar apenas uma das respostas apresentadas. Na coluna da esquerda enumeram-se os conceitos ou frases.

contextualmente. esclarecer dúvidas quanto a determinadas atitudes e hábitos da criança [LIBÂNEO. p. ações e experiências do grupo de alunos. pode compor um vasto e rico material para posterior reflexão e de valiosa utilidade para o planejamento educativo. os processos de aprendizagem do aluno. São várias as maneiras pelas quais a observação pode ser registrada pelos professores e dentre elas destacamos: A escrita que é. outras também podem ser consideradas. opiniões e idéias. Dimensionar a qualidade das interações estabelecidas com outros educandos. Diários São formados por cadernos ou blocos nos quais o professor descreve situações. obtendo informações sobre suas ações na escola. 1992. Além dessas formas de registro.DIDÁTICA. em relação à aprendizagem e ao relacionamento social. Tem como objetivo ampliar os dados que o professor já tem. a mais habitual e acessível. Ter uma visão integral dos alunos. o educador pode: Registrar. O registro cotidiano dos fatos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Questões de ordenação: as questões apresentadas são compostas por diversos dados fora de ordem e o aluno precisará ordená-los. bem como dos alunos individualmente. Fotografias.] é uma técnica simples e direta de conhecer e ajudar o aluno no desempenho escolar. Por meio deles... como: Registro em vídeo e áudio. funcionários e com o professor. visto que [. Acompanhar os processos de desenvolvimento. Observação e registro Observação e registro são instrumentos de que o professor dos ensinos fundamental e médio dispõe para apoiar sua prática. 215-16]. 116 . sem dúvida. tratar de um problema específico detectado nas observações. ao mesmo tempo em que revelam suas particularidades. Entrevista A entrevista não pode se confundida com prova oral. Trabalhos dos educandos ao longo do tempo.

Além disso. reúnam-se em grupos e leiam a seguinte afirmação: “Em meio ao crescente interesse pela avaliação.. motivado e responsável nesse processo de construção do conhecimento. Nesta unidade conhecemos alguns conceitos que recuperam o papel da avaliação como norteadora e guia. é uma forma de avaliação embasada e completa. Por isso. na qualidade da educação em nosso País. ainda não se chegou a um modelo que contemple totalmente as funções da avaliação da aprendizagem: diagnóstica. 117 . mostrando as impressões.. Redijam tópicos de suas principais considerações para apresentar posteriormente ao grupo classe. o portfólio é um registro do processo de aprendizagem do aluno. Vemos que a avaliação é um tema complexo e implica um posicionamento sobre a educação e o processo de ensino-aprendizagem. Esse instrumento também permite que seja registrada pelo menos uma atividade realizada na aula. considera o aluno em todos os momentos nos quais se relaciona com outras crianças. O uso do portfólio auxilia no planejamento e reestruturação das ações e intervenções da prática pedagógica. assim como o papel que cada um dos agentes deste processo possui ou não. para o processo de ensinoaprendizagem. tornando-o autônomo.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Portfólio No contexto educacional. portanto. ela permite que o aluno conheça e tome decisões frente a sua aprendizagem e possa melhorar ou realizar caminhos diferentes. conseqüentemente. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. não se deve esperar o final do bimestre ou semestre para construí-lo. emoções e questionamentos manifestados pelo assunto do dia. professores e situações de aprendizagem. discutam por que ainda não se chegou à compreensão das funções da avaliação. a qual fornece subsídios para todo o processo educacional e. formativa ou processual e somativa (classificatório). Dessa forma.” Agora. considerando-se especialmente elementos e fenômenos que interferem direta e indiretamente na aprendizagem dos alunos e. opiniões. é um trabalho quase diário. segundo o que foi estudado nesta unidade. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Para iniciar nossa discussão.

DIDÁTICA. A concepção do professor sobre avaliação e processo de ensino aprendizagem. em boa parte. Ao final. Faça as anotações que julgar relevantes em seu caderno. diagnóstica e participativa. em que conheceremos o conceito de avaliação. ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A seguir. mediando um debate entre os grupos. autora desta carta: “Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente?” Diante dessa análise. de modo que se trace um paralelo entre os diferentes tipos de avaliação. Em seguida. sua importância e como utilizá-la no âmbito escolar. TREINANDO ______________________ Para esta atividade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O (a) tutor (a) deverá organizar os grupos em uma grande roda para a apresentação das considerações. do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Faça suas considerações a respeito. reúnam-se em grupos de quatro alunos e releiam na seção Mobilização do Conhecimento os tópicos referentes às avaliações formativa. o (a) tutor (a) deve organizar os grupos para apresentação dos pontos levantados. apontem as principais características de cada uma delas. reflitam: Por que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem. VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Avaliação no Ambiente Escolar. 2. leiam a carta analisando: 1. apresentaremos a carta de uma diretora para uma colega. A afirmação da diretora. Em grupos de dois ou quatro alunos. 118 . numa folha de papel. em que ela pede ajuda sobre como trabalhar com um professor que está apresentando diversos problemas na escola.

Agradeço as dicas que você me deu sobre a HTPC. especialmente nas provas. não somente em Português. menos em História. estou bastante preocupada com o grande número de notas vermelhas que algumas disciplinas apresentaram no último Conselho Bimestral. resumir e interpretar devem ser trabalhados em todas as disciplinas. mas. Emilia. Nesse momento. Eles dizem que dou mais atenção à escola que a eles – e é assim mesmo: o trabalho me absorve. a comparação e a extrapolação dos conhecimentos trabalhados. o que os preocupa. Alguns queixavam-se de seu trabalho. .. quando começamos a discutir a 8ª série. Oi. e principalmente. encontrei um grupo de pais conversando com o professor de História. muitas questões que buscam a análise... seus alunos vêm apresentando um índice muito alto de notas vermelhas. tivemos Reuniões de Pais e Mestres na escola para avaliação do bimestre. discordando. faz questão de apresentar. Campos do Serrano. já que deve dar conta do conteúdo programado para a série.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Registrem em seus cadernos as ações que vocês considerariam mais relevantes para a resolução desses problemas encontrados na escola. o estabelecimento de relações entre diferentes assuntos e conceitos. Na reunião do Conselho. não sabendo sequer resumir ou interpretar textos – coisa que já deveriam ter aprendido em Português – e. Realmente. o que não é pouco. argumentou que analisar. um profissional sério e comprometido. O professor dessa disciplina justificou o baixo rendimento de seus alunos. Entre tantos casos que discutimos. que está sempre muito em dia com as discussões feitas em sua área. dizendo que a maioria deles não sabe fazer análises e estabelecer relações entre fatos e conceitos. que não cabe a ele ensinar. o do professor de História da 8ª série me chamou muito a atenção. o caso de História foi enfocado. Dois ou três chegaram até a dizer que o professor não tem se interessado em entender as dificuldades dos alunos ou em ajudá-los. apesar de ouvir reclamações constantes do marido e dos filhos por causa do meu envolvimento com o trabalho. O professor de História não discutiu o argumento da professora de Português e continuou dizendo que procurava garantir não só a memorização de fatos. de outubro de 1998. Na semana seguinte a esse Conselho. No momento. No entanto. por estar preocupado com isso. 119 . elas estão me ajudando bastante a organizar as reuniões. como vai? Eu vou indo muito bem. Colocou que. ao passar em frente a sala das 8ª séries. Como sempre faço.. portanto. principalmente porque ele é considerado. dizendo que seus filhos vão indo bem em outras matérias. a professora de Português. estabelecer relações. estava circulando pelas salas e. por seus colegas. assim como a bibliografia que você sugeriu.

Você tem alguma dica. do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Como devo encaminhar essa questão? Afinal. Entretanto. Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente? Estes acontecimentos têm me feito pensar: Por que será que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem. E que isso não precisava me deixar tão preocupada. Observando as atividades. preocupada com essa quantidade de queixas vindas. de lugares diferentes. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Ele. algum texto para me indicar? Você não acha que isso dá discussão para “um ano” de HTPC? Um grande abraço.. Ele falou que a escola é assim mesmo: o prêmio vai para quem se esforça. no começo desta semana. inclusive.. Ao olhar as provas. alguns dos alunos da 8ª série que estão com notas vermelhas em História também me procuraram para reclamar do professor. dizia que aqueles que não conseguiam obter boas notas não se interessavam pela matéria. por sua vez. que o livro didático é difícil de entender – e as explicações do professor nem sempre ajudam a entendê-lo – e que as provas são fogo! As perguntas exigem informações nem sempre trabalhadas em sala de aula. exigindo o estabelecimento de relações entre fatos. exigindo a localização de informações – e não uma reflexão decorrente da análise ou comparação entre os fatos e os conceitos trabalhados –.. não costumam fazer as tarefas de casa”. a discutir essas coisas com meu marido. ao mesmo tempo. coladas no caderno. provavelmente. até mesmo.. Cheguei. enfatizava a importância de sua disciplina para o desenvolvimento. dizendo que ele faz o que pode: “Basta ver os cadernos dos alunos.. envolve tantas coisas. percebi que eram questionários com respostas transcritas do livro didático. o que tornava a avaliação muito subjetiva. então. tantas crenças sobre a avaliação (“A nota vermelha” é um fantasma que mora no armário de muita gente!!!). e que não havia qualquer indício de correção individual ou coletiva. Eu fiquei muito “encucada”.. Outros pais também se colocaram a seu favor. Clarice _______________ Fonte: CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS. Resolvi. nos alunos. que "racharam" de estudar para as provas.. davam margem à inúmeras interpretações e respostas. “Os alunos que estão indo mal são desinteressados e indisciplinados e. mas que.. pedir os cadernos destes alunos para dar uma olhada. as perguntas foram tão difíceis que não conseguiram ir bem. percebi que elas continham perguntas abertas que. apesar de se sentirem preparados.DIDÁTICA. que a maioria da classe não participa. Falaram que suas aulas são chatas. ela é tão delicada. conceitos e dados da realidade. cheios de lições feitas em classe!”. de uma consciência social mais ampla. Alguns deles afirmaram. em boa parte. nem estudavam em casa. s/d. 120 .

realizando-se ao longo de todo o período em que se desenvolve a aprendizagem e não apenas em momentos isolados. contínua e organizada. diários e portfólios. Essa postura deve propiciar o encontro da avaliação consigo mesma. intervir cotidianamente no processo de ensino-aprendizagem. construção e aplicação do conhecimento. como mediação entre o processo de aquisição e o conhecimento já construído. mais precisamente à maneira que ele é tratado e sua melhor forma de assimilação e compreensão por parte do educando. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. conceitos e nomenclatura que mudarão o ato de avaliar em nossas escolas.. adote uma concepção do ato de avaliar. somativa e diagnóstica. além de compreender as questões teórico-metodológicas do tema. Nesta unidade você teve contato com aspectos históricos sobre a avaliação e suas várias conceituações. decidir e. ela deve ocorrer nas relações dinâmicas da sala de aula. um momento em que educador e educando possam trocar idéias e refletir sobre elas. O fundamental que deve ser discutido. resgatando sua função fundamental de mediar junto aos educandos a tomada de resoluções no processo da aquisição. Contudo. que norteiam as tomadas de decisão relacionadas ao conteúdo. por meio de atitudes concretas de observar. Uma proposta avaliativa deve ser processual. principalmente. Assim. autoavaliação. Nesse sentido. além de conhecer alguns tipos de avaliação: formativa. é que a avaliação deve ser um instrumento para a reorganização do trabalho escolar.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático TELEAULA _____________________ Vamos assistir a uma teleaula que abordará o tema estudado nas quatro últimas unidades. participativa. analisar.. cabe salientar que não serão apenas mudanças de modelos. os docentes precisam ter opiniões claras e objetivas sobre como se realiza e processa a avaliação escolar e quais as suas finalidades. como prova. observação e registro. Também foram apresentados instrumentos de avaliação. É necessário que o educador. e aprofundado por você. 121 . entrevista.

Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. ilustrando com exemplos didáticos o trabalho avaliativo de alguns professores... que pense nos seus alunos como parceiros de um processo de construção de conhecimento para o desenvolvimento deles e que lhes permita contribuir significativamente para a formação de uma sociedade mais justa e democrática. sugerimos o livro: HOFFMANN.DIDÁTICA. 122 . e reflita a partir do que estudamos e de seus conhecimentos prévios a concepção de avaliação que queremos de fato garantir a todos os alunos em instituições educativas. Porto Alegre: Mediação.. atua e modifica sua prática. Para maior aprofundamento do conteúdo desta unidade. Revisite a unidade. J. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. Anexe suas considerações sobre seu aprendizado em seu portfólio. científicos e pedagógicos. Lembre-se de que se formar professor não é uma atividade que se encerra ao terminar o curso superior. mas sua identidade docente se constrói no exercício consciente da profissão. 104 p.. 2006.. Olhando para fora. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. os conceitos apresentados. É um livro que relata de uma maneira de fácil compreensão os dilemas e complexidade da avaliação. formado pelos saberes da experiência.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Esperamos que esse nosso estudo tenha contribuído para sua formação como professor que reflete.

2006. C.br/pdf/cartas_ped_p063-073_c. L. São Paulo: Cortez. SOLÉ. BRASIL. Campinas: Papirus. Brasília: MEC/SEF. participativa Juízo de qualidade Mudança Tomada de decisão compartilhada Função pedagógico-didática.sp. somativa. Parâmetros Curriculares Nacionais. Porto Alegre: Educação e Realidade.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático MAPEAMENTO DA UNIDADE Processo Ação-reflexão Avaliação formativa.. Acesso em: 19 nov. Disponível em: <http://www. I. Avaliação e aprendizagem. DEPRESBITERIS. 1991.crmariocovas. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista.. T. 123 . Porto Alegre: Artmed.gov. diagnóstica. 1995. Porto Alegre: Mediação. In: SOUSA. Didática. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS. HYGUET. HOFFMANN. Avaliação da aprendizagem: revendo conceitos e posições. Aprender e ensinar na educação infantil. E. Avaliação do rendimento escolar. LIBÂNEO.). (Org. _______.pdf>. J. C. 1992. 2008. Secretária da Educação Fundamental. J. 1997. de controle REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASSEDAS. diagnóstico. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 1999.

OLIVEIRA. Acesso em: 19 nov. 1995. Um olhar sobre a escola. _______. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LUCKESI. WAISELFISZ. Avaliação: Concepção Dialética . C. dos S. 1995. TYLER. J. São Paulo: Libertad. R. VASCONCELLOS. 2008. M. Avaliação Participativa. Campinas: Papirus.gov. 2000. São Paulo: Scipione. 2000. C.crmariocovas. SOUZA. São Paulo: Cortez. VASCONCELLOS. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.sp. Centro de Referência em Educação Mario Covas. 2000. K. dos S. Princípios básicos de currículo e ensino. C. 1995 ROMEIRO. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. P. Um olhar sobre a avaliação hoje.br>. In: BRASIL.libertadora do processo de avaliação escolar. Vygotsky. Avaliação: Concepção Dialética-Libertadora do processo de avaliação escolar.DIDÁTICA. C. São Paulo: Cortez. Brasília: MEC/SEED. Cadernos Pedagógicos. 1976. Disponível em: < http://www. Porto Alegre: Globo. 2002. A. Avaliação do rendimento escolar. São Paulo: Libertad. C. 124 . Ministério da Educação à Distância.

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