DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I
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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

É com muita satisfação que lhe apresentamos a estrutura dos fascículos que irão compor o seu Programa de Curso. é apresentada a temática que será abordada na ..... Também são oferecidas oportunidades de cooperação entre alunos-alunos e alunos-tutor.desenvolvimento da autonomia do aluno. . Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. A estrutura típica de cada unidade se inicia com a apresentação das expectativas de aprendizagem. Das memórias às capacidades criativas Busca na vivência de cada pessoa informações que possam enriquecer seu desenvolvimento pessoal e profissional.. colocar o aluno em situações que lhe permitam construir conhecimentos. Auto-avaliação – Olhando para dentro. indispensáveis ao seu desenvolvimento e ao exercício de sua cidadania. uma postura crítica e indagativa. por nós considerado agente e sujeito de seu processo de aprendizagem. Mapeamento da Unidade e Referências Bibliográficas. vinculando essas experiências a atividades como Textos e contextos: de pergunta em pergunta Dispõe textos e artigos relacionados ao tema e suas dimensões histórico-sociais com questões. unidade.incentivo ao aprender a aprender.. a estrutura divide-se em sete grandes seções: Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho.. É justamente o posicionamento ativo desse sujeito diante do conhecimento que. ao mesmo tempo em que se visa estimular em cada aluno a autonomia e a busca do conhecimento. . acreditamos. Mobilização do Conhecimento – Iniciando o caminho.Caro (a) Aluno (a): O fascículo não apresenta uma estrutura linear. Para cada momento e atividade são fornecidas as orientações necessárias. consistente e agradável ao material que servirá como ponto de partida para os estudos propostos... . O princípio fundamental que norteou nosso trabalho foi dispensar um tratamento sério. expondo os objetivos a serem atingidos. Trabalhamos com subseções volantes. Eles foram pedagogicamente concebidos para a Modalidade de Ensino a Distância e são estruturados em textos autoinstrucionais. nem uniforme. Outros princípios norteadores da organização didática e metodológica dos fascículos apóiam-se nas diretrizes: seguintes Na primeira seção. mas obedece a um padrão básico. pois.. desenho. Construção e Expressão do Conhecimento – Fazendo e aprendendo. apresentadas a seguir....consideração dos conhecimentos prévios do aluno.participação do aluno na construção e elaboração do conhecimento. Os principais conceitos são abordados e o assunto é contextualizado e problematizado. Esse pressuposto coincide com o que pensamos sobre o papel do aluno.desenvolvimento da relação dialógica. pintura. nossa proposta é.. e que aparecerão de acordo com a Partimos do pressuposto de que a finalidade da educação escolar é formar o aluno na sua globalidade. Estrutura dos Fascículos dramatização. Subseções especificidade do assunto tratado nas unidades. o afetivo e o social. por conseguinte. buscando Assim. Para Além das Fronteiras Localizando. Estas seções guardam uma dinâmica entre si. poderão assumir relação de interdependência. entre outras. Síntese da Unidade – Repensando e provocando.. Teleaula Apresenta a teleaula relacionada à unidade. .possibilidade de aprender com o outro. . decorrente dos conteúdos abordados na unidade.. reflexões e análises. De modo geral.. Essa formação envolve os diferentes âmbitos do indivíduo – o cognitivo. valores e atitudes enriquecer os conhecimentos sobre o assunto. organizamos diferentes estratégias para auxiliar o aluno a construir e a expressar seus conhecimentos.... além de privilegiar o ensinoaprendizagem dos conhecimentos básicos que permeiam a formação profissional. embora as atividades e as propostas possam ser independentes.. possibilita-lhe a aprendizagem e. Olhando para fora.. Na segunda seção. ..

abrindo novas perspectivas de Intercâmbio de idéias: roda viva Promovendo a troca de idéias. elaboração de resumos e esquemas. de domínio público ou autorizados pelas editoras e/ou autores. fotos. resgata a reflexão sobre as Acreditamos em você! Bom trabalho! Um Pouco Mais. já os apêndices apresentam textos. letras de músicas. Treinando Promove a fixação do conteúdo e leva ao raciocínio rápido a partir de um treinamento que é proposto ao aluno.. textos.. Síntese da Unidade – Repensando e provocando. Dinâmica de grupo Revitaliza a motivação. apresentamos anexos ou apêndices. a fim de aprofundar o conhecimento sobre o assunto. Além dessas grandes seções que constituem o padrão básico do fascículo... Referências Bibliográficas... Auto-Avaliação – Olhando para dentro... como meios de despertar e aguçar a sensibilidade criativa.aprendizagens realizadas. o aluno é provocado a posicionar-se criticamente. Mapeamento da Unidade. Análise de casos: reunindo experiências Com a apresentação de situações e casos fictícios ou reais relacionados ao tema. Indagação e busca Promove leituras. sejam consultados. Reflexão Permite o movimento da busca. etc. encaminhando-a para a reflexão sobre o assunto. quando possível. o interesse e a busca por novos conhecimentos. da indagação para uma compreensão mais apurada do assunto. elaborados pelos responsáveis pelo conteúdo. .. compõem a estrutura de cada unidade: referências dos documentos utilizados em cada unidade do fascículo. Os anexos trazem textos e artigos científicos de veiculação e reprodução livres. A quinta seção. durante todo o processo formativo.. apresenta todas as Obra prima Expõe obras de arte. pesquisas. outras duas complementares.. A quarta seção. apresentação de seminários para desenvolver habilidades e competências e atualizar os conhecimentos sobre o assunto. Anexos/Apêndices Ao final das unidades. artigos. possibilita o debate e estimula o desenvolvimento da capacidade crítica. privilegiando as normas da ABNT. Na terceira seção. destaca as expressões que traduzem os conceitos mais importantes abordados na unidade. a fim de contribuir para as sínteses provisórias do conhecimento.. igualmente importantes. Possui informações e/ou conceitos que vão para além dos conteúdos tratados na unidade. esquemas. Temos certeza de que você. filmes. para que. redações. etc. que são retomados e provocam novas indagações. Para Além das Fronteiras – Localizando. Olhando para fora. filmes. A sétima seção. caro aluno. tem o objetivo de indicar livros. o objetivo é consolidar os principais conceitos. promovendo a interação do grupo. A sexta seção. saberá aproveitar o suporte que este material lhe proporcionará. enriquecimento e desenvolvimento pessoal e profissional. sites.. da interrogação. sem medir esforços para aperfeiçoar seus conhecimentos e aplicá-los em sua futura prática profissional. Atividade extraclasse Tem a finalidade de permitir a autonomia do aluno para fazer pesquisa de campo em busca do conhecimento. análises..

.................................................................................................................................................................................................................................................... 68 Referências Bibliográficas ........................................................................................................................................................................ 49 Síntese da Unidade ................. 55 Expectativas de Aprendizagem ....................................................................................... 53 Referências Bibliográficas ............................................................. 68 .......................................................................................................................................................................................................................................................................... 39 Mapeamento da Unidade ....................................................... 55 Construção e Expressão do Conhecimento ................. 60 Síntese da Unidade ................................................................................. 23 UNIDADE 2: TROCAS E MEDIAÇÕES PEDAGÓGICAS .............................................................................................................................................. 19 Para Além das Fronteiras ......................................................... 52 Auto-avaliação ............................................................................................................................................................................................... 16 Síntese da Unidade ..... 52 Para Além das Fronteiras .... 19 Auto-avaliação ............................................................. 21 Anexo: Trajetória Histórica da Didática .............................................................................................................. 40 UNIDADE 3: PLANEJAMENTO ESCOLAR ................................................................ REFLEXÃO E OBJETIVOS ....................................... 53 UNIDADE 4: OBJETIVOS NO PLANO DIDÁTICO .................................... 42 Mobilização do Conhecimento .......... 10 Mobilização do Conhecimento ..................................................................................................... 10 Expectativas de Aprendizagem ......................................................................................................... 42 Construção e Expressão do Conhecimento ................................................................................................................................................................................................... 67 Mapeamento da Unidade ...................... 38 Para Além das Fronteiras ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 20 Mapeamento da Unidade .............................................................................................................................. 21 Referências Bibliográficas ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 67 Para Além das Fronteiras ...................................... 35 Síntese da Unidade ......................................................................................................................................................................................................................................................................................... 28 Expectativas de Aprendizagem ....................................... 52 Mapeamento da Unidade ............................................................................. 66 Auto-avaliação ..... 55 Mobilização do Conhecimento ................................................................................................................................................................................................. 42 Expectativas de Aprendizagem ....................................................................................................................................................................................................................... 28 Construção e Expressão do Conhecimento .............................................................................................................................................................................................................................................. 37 Auto-avaliação .............................................................................................. 10 Construção e Expressão do Conhecimento ....................................................................................................................................................................................................................................... 09 UNIDADE 1: DIDÁTICA: HISTÓRIA...................................................................................................................................... 40 Referências Bibliográficas .................................... 28 Mobilização do Conhecimento .........Sumário INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................................................

................................................................................................ 93 UNIDADE 7: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS NO PLANO DIDÁTICO .......................... 106 UNIDADE 8: AVALIAÇÃO NO PLANO DIDÁTICO ......................................... 122 Mapeamento da Unidade ............................................................................................................................. 77 Síntese da Unidade ......................................................................... 93 Referências Bibliográficas .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 103 Síntese da Unidade ......................................................................... 121 Auto-avaliação ................................................................................ 81 Expectativas de Aprendizagem ....................... 105 Para Além das Fronteiras .................. 91 Auto-avaliação ................................................................................................................. 117 Síntese da Unidade ..................................................................................... 123 Referências Bibliográficas .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 79 Para Além das Fronteiras ............................................................................................................................................................. 92 Mapeamento da Unidade ...................................................................................................... 122 Para Além das Fronteiras ................................................. 94 Construção e Expressão do Conhecimento ............................................................................................................................................................................................................................................................................ 123 ...................................... 69 Construção e Expressão do Conhecimento .................................................................................................................................................. 81 Mobilização do Conhecimento ..... 107 Expectativas de Aprendizagem ................................... 81 Construção e Expressão do Conhecimento ........ 69 Expectativas de Aprendizagem .................................................................................................................................................................................. 69 Mobilização do Conhecimento .................................UNIDADE 5: CONTEÚDOS NO PLANO DIDÁTICO ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 92 Para Além das Fronteiras ............... 80 Referências Bibliográficas ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 105 Mapeamento da Unidade ......................................................................................... 107 Construção e Expressão do Conhecimento ............................................................................................................................................................... 94 Mobilização do Conhecimento .......................................................................... 78 Auto-avaliação ....................................... 104 Auto-avaliação ................................. 107 Mobilização do Conhecimento .............................................. 80 UNIDADE 6: INTERDISCIPLINARIDADE .......................................................................................... 79 Mapeamento da Unidade .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 90 Síntese da Unidade ... 106 Referências Bibliográficas ........................................... 94 Expectativas de Aprendizagem ...........................................

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os processos internos. Conteúdos no Plano Didático. conheceremos o surgimento da didática. chegamos aos dias de hoje. Estudaremos a contribuição de grandes mestres para a delimitação e sistematização do objeto de estudo da didática e veremos que a gênese desse campo de investigação é marcada por duas linhas de estudo: uma centrada no sujeito e outra no método. Isso significa que ora se prioriza o aluno e como este aprende – ou seja. Como trabalhar os conteúdos e que estratégias ou caminhos seguir para que o aluno aprenda e se sinta comprometido. Na Unidade 5. Na Unidade 1. que demonstrando como eles contribuem no processo de construção do conhecimento do aluno. suas implicações na 9 . Nessa trajetória da didática. e. Dando continuidade aos nossos estudos. na Unidade 6. Didática: História. Com esse propósito. enfatizando-se o método. uma atividade que ultrapassa a mera formalidade escolar. Nessa mesma linha. analisaremos o planejamento e seus diferentes momentos a partir da Vamos então começar esta empreitada que permitirá a você conhecer e construir seus saberes pedagógicos! Esperamos que nessa modalidade de trabalho possamos interagir e nos refazer como pedagogos mediante a reconstrução. quais métodos usar e como usá-los será estudado na Unidade 7. analisar. superando. na Unidade 2. trabalharemos como avaliar e o que é avaliação e também como deve ser avaliado o processo ensinoaprendizagem. Planejamento e Avaliação I. A partir de agora seremos parceiros na construção do conhecimento profissão professor. Reflexão e Objetivos. premissa de que esse é um processo de reflexão e de tomada de decisões que envolve todos os integrantes do processo de ensino-aprendizagem. os conteúdos escolares serão apresentados numa perspectiva ampla. conseqüentemente. Trocas e Mediações Pedagógicas. Por fim. Dessa forma. abordaremos a pedagógico. a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos.Introdução envolve os diversos campos e saberes que fazem parte da Seja bem-vindo à disciplina Didática. apresentaremos as oito unidades que compõem este fascículo. Objetivos no Plano Didático. Esperamos que no decorrer de nossos estudos você possa compreender que a didática tem como objetivo compreender. Na Unidade 3. Dentro desses fatores vemos a sala de aula e a relação entre professor e aluno na construção do conhecimento permeada por uma comunicação autêntica e respeito mútuo. essencial para a formação dos profissionais da educação. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino. estudar e intervir na prática pedagógica. Assim. Planejamento Escolar. disciplina esta que faz parte da grade curricular do curso de Pedagogia na modalidade EaD. permitindo a formação de educadores críticos e comprometidos com sua profissão educação. vendo-a como um campo de estudo cujo objeto é o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social. a dicotomia do método ou de quem aprende e envolvendo todos os sujeitos e processos presentes no ensino como fenômeno social. psicológicos – ora se preocupa com as estratégias para ensinar – o como se ensina –. como parte desse processo de planejamento. Cabe dizer que cada uma dessas linhas se caracteriza pelos diversos momentos e mudanças sofridas no campo de estudo da didática. como veremos na Unidade 4. Avaliação no Plano Didático. assim. Procedimentos Metodológicos no Plano Didático. em outras palavras. estudaremos a importância e concretização dos objetivos educacionais e a postura do docente na explicitação e definição destes tanto no planejamento escolar (plano de ensino e de aula) como no sistema educativo. Interdisciplinaridade. na Unidade 8. trataremos da construção da identidade docente como um processo dinâmico que interdisciplinaridade e sua contribuição como forma de entender e trabalhar o conhecimento construído no processo ensino-aprendizagem. sua trajetória e seu objeto de estudo. reformulação e reelaboração de conceitos e práticas escolares.

. ou ainda. História da Didática Ao término da aula. ele 10 .. Vamos então conhecer um pouco da visão histórica da didática. as implicações e contribuições desta disciplina na sua formação de educador. veremos que depois de estudar esta unidade as expressões como: esse professor não tem didática. – Ah! Não concordo. Conheça o contexto histórico da didática.Didática: História.. Reconheça as relações entre didática.. Identifique o objetivo de estudo da didática.. seu objeto de estudo.. tem.. pedagogia e educação. afinal ele domina o conteúdo é um expert no assunto.. Reflexão e Objetivos EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Compreenda a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem. porém. Conhecer esta trajetória permite repensar e entender o que é a didática.. Em algumas situações você talvez já tenha ouvido ou feito comentários a esse respeito. não tem didática. – Mas lhe falta algo. Iniciaremos esta unidade com uma breve análise da história da didática. – Nossa. Esperamos que você possa construir um caminho como o dos grandes educadores e que a partir deste estudo possa fundamentar a sua prática docente. ainda bem que acabou! – Não entendo porque você pensa desta maneira. ele não.. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho.

Unidade 1: Didática: História. impregnada de piedade. deverão cair em desuso. o ensino tem seu fundamento na própria natureza. que didática é essa de que todos falam. Nessa época os textos religiosos estavam escritos em latim. O termo didática vem da expressão grega techné didaktiké. 43]. pertencentes aos países onde a Reforma Protestante havia se instalado. e qual é o significado (s) dessa palavra? Dessa forma. as primeiras tentativas de sistematizar esta área de estudo se dão no século XVII. provenientes da Europa Central. fundamentados em idéias éticas e religiosas. que significava ensinar ou instruir. Para o autor. em todas as comunidades de qualquer reino cristão. pudemos ver que o termo didática já nasce trazendo a idéia de “ensino”. esperamos que depois deste estudo vocês possam entender que falar de Didática vai muito além desses tipos de colocações. cidades. instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e á futura. aldeias. educada nos bons costumes. necessitando de condições adequadas para se desenvolver. é perfeita. p. 2002. Vejamos então o que Comenio entendia por Didática: João Amós Comenio (1592-1670) Um processo seguro e excelente de instruir. Na obra de Comenio encontramos as bases para a generalização da escola e o acesso de toda população a ela. Segundo Castro [2001]. que se traduz por arte ou técnica de ensinar. nos anos da puberdade. por ser divina. que. escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo. com agrado e com solidez [COMÊNIO apud PIMENTA. os textos religiosos deveriam ser escritos nas línguas das diferentes localidades. Todavia. Segundo as propostas de Comenio. maneira. 11 . pautada por idéias éticoreligiosas e de caráter revolucionário. O vocábulo origina-se do verbo grego didasko. Um processo no qual o curso dos estudos é distribuído por anos. Este livro foi considerado o primeiro tratado de didática. Assim. Esses estudiosos se transformaram em um marco na história da didática. meses. possa ser. e desta. dias e horas. a partir dos trabalhos de dois grandes mestres revolucionários: Ratíquio e Comenio. Dessa forma. Assim. sem executar ninguém em parte alguma. nos mostra um caminho fácil e seguro para por em prática estas idéias com bom resultado e sem esforços extremos para o aluno. já que através de seus trabalhos. possa ser formado nos estudos. com economia de tempo e de fadiga. com cada etapa a seu tempo. sem a intermediação da Igreja Católica. desenvolveram um método único para ensinar tudo a todos. sistematizando o ensino através do esforço da racionalização dos meios de ensinar. Reflexão e Objetivos sabe. para que todos tivessem direito a esses escritos. parte do simples para o complexo. mas não é didático. Foi em 1632 que João Amós Comenio (1592-1670) escreveu a Didática Magna.

PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I 1 Ratio Studiorum (Ordem dos estudos) era um conjunto de conceitos. política. Antes de prosseguirmos com as idéias da Escola Nova é necessário falar de outro educador. Continha os caminhos didáticos de como educar. Na época. sem pressa e sem livros. econômica. dentre elas se destacam: Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. estas só serão concretizadas e sistematizadas um século mais tarde. Nesse período. como evidencia Castro: Essa etapa da gênese da Didática a faz servir. Do contrato social. (1712 – 1778). o objetivo é o seu desenvolvimento harmônico. Eles mostram que para educar é necessário um percurso. e não em regras. em diversas áreas (social. A valorização da infância trouxe conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógica. à causa da Reforma Protestante. uma estratégia a ser seguida. que faz parte do movimento Escola Nova. escreveu obras que marcaram a segunda revolução da didática. uma vez que o aspecto metodológico da Didática é centrado em princípios. mas.DIDÁTICA. suíço. em nome dela. Jean Jacques Rousseau. seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e. Esse percurso caracteriza o grande aporte que foi o realizado pelos reformistas. e Emílio ou da Educação (1762). marcada pelos acontecimentos significativos. s/d]. Essas idéias de Rousseau foram compartilhadas e trabalhadas por outros educadores. o qual tinha o objetivo de formar integralmente o homem cristão de acordo com a cultura e fé da época. segundo Castro [s/d]. entre eles Pestalozzi (1749 . Doutrinariamente. com um campo próprio e disciplinar de estudo. respeitando um caminho que leve a conseguir resultados. A estes educadores reformistas do século XVII devemos a identificação do fazer educativo como tal. no processo de origem da educação secundária e que propunha a formação dos jovens especialmente através da religião.1827). 12 Jean-Jaques Rousseau (1712-1778) . normas e estratégias. de modo marcante. Herbart. fundamental na história da didática: Johann F. Para Rousseau. respeitando a sua natureza. a Igreja Católica utilizava os trabalhos de Ratíquio – Ratio Atque Institutioni Studiorum 1 – para doutrinar. de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. e esse fato marca seu caráter revolucionário. não considerava o ritmo e os interesses dela ao impor um ensino pré-estabelecido e igual para todos. a sociedade corrompia a criança. na educação da criança. Rousseau não sistematiza a didática. destinado às classes dominantes. mas a obra Emílio dá origem. com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” [CASTRO. com ardor. grande referência na Educação. científica e cultural) que transformaram o mundo. Observamos que a contribuição desses grandes mestres definiram a origem da didática como área do conhecimento específico. Este era o Método Pedagógico dos Jesuítas. a um novo conceito de infância. Assim. Continuaremos nossos estudos agora com o processo da gênese nos séculos XVIII e XIX.

o aluno. Herbart erige as bases da pedagogia científica. É necessário observar que até este momento pudemos diferenciar duas linhas de estudo da didática. psicológicos. de seus anseios e necessidades. ora preocupando-se e dando as estratégias para ensinar. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. Para ele.1841) Rousseau lança. fortemente influenciada por seus conhecimentos da filosofia e da psicologia da época. Reflexão e Objetivos De acordo com Zacarias [s/d]. Johann F. nos processos internos. assim como a importância do aspecto metodológico dentro da sua obra. sistematização e aplicação dos conhecimentos adquiridos. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. Nesse processo. Este momento crucial de conflito da história da Didática é apontado da seguinte maneira por Castro [s/d]: Da original proposta didática do século XVII. 2002]. por meio da aplicação de rigor e certa cientificidade ao seu método. uma centrada no sujeito e outra no método. sintetizando os autores estudados. podemos entender a Escola Nova da seguinte forma: 13 . Desse modo. apresentação. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. Como você pode perceber. então. De acordo com sua teoria. motivação. o modo como ensinar. destaca-se o papel do professor. enfatizando o método. em maio de 1776 – contribuiu de maneira marcante para a Pedagogia como ciência. Herbart dava importância ao método de ensinar. Herbart (1776 . Rousseau enfatizava a criança. como sujeito que aprende. acentuando o perene interno do educando. A linha oposta parte do sujeito. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. Foi o pioneiro da aplicação da psicologia experimental à Pedagogia e o primeiro a procurar enquadrar a Pedagogia como uma ciência da educação. evidenciando o preparo da aula como de total responsabilidade para o sucesso do ensino [PIMENTA. o processo educativo tem como base seus próprios objetivos e meios. as quais entrarão em conflito: ora priorizando o aluno e como este aprende. Ele fez com que a Pedagogia fosse o ponto central de um círculo de investigação próprio. que questiona o método único e a valorização dos aspectos externos ao sujeito-aprendiz decorrentes de Herbart. qualquer situação de ensino devia cumprir os passos formais do método: preparação (da aula e da classe). as bases da Escola Nova. Situa-se dentro da didática por ser o defensor da idéia da Educação pela instrução. que.Unidade 1: Didática: História. representando a idéia de Comenio de um método único para ensinar tudo a todos. Herbart – nascido em Oldenburgo. bem como a Ética e a Psicologia. na Alemanha. embora o faça em nome do sujeito (criança. De um lado fica a linha metodológica. aluno.

destacando-se as técnicas do planejamento racional das situações de ensinar [PIMENTA. uma vez que enfatiza o sujeito-aprendiz como agente ativo da aprendizagem e valoriza os métodos que respeitam a natureza da criança e a motivação por aprender. É essa idéia de didática que está presente nos cursos de licenciatura e permite identificar a influência e a origem de alguns mitos sobre seu campo de estudo: técnicas para ensinar. autores europeus cujas idéias conviviam com a época em que a criança passava a ser valorizada no bojo do desenvolvimento industrial e da expansão da escolaridade pública. por último. Esse movimento expande-se com as idéias da médica italiana Maria Montessori (1870-1952) e do filósofo americano John Dewey (1870-1932). considerada esta como direito e. normas. área restrita às questões relacionadas à aprendizagem de crianças e adolescentes e. p. reduzir a docência ao espaço escolar. e depois no final do século XX. regras para um bom aprendizado. com a informática. surge um novo paradigma didático: o desenvolvimento de novas técnicas de ensinar. requisito para formação de mão de obra do nascente capitalismo. por isto deve ser realizada com objetividade científica. tendo como referência a eficácia nos resultados do ensino. 14 . Para entender do que se preocupa a didática e o seu papel no campo educativo. 2002]. período em que primam no mundo as técnicas e a tecnologia. o que acaba por deixar de fora a filosofia. Na década de 1960. Cabe à didática trabalhar com os fins do ensino o papel da escola estabelecido pela sociedade (dominante): preparar para o mercado do trabalho.DIDÁTICA. Cada um destes pontos faz com que a didática seja vista por alguns apenas como um campo da educação que ajuda a elaborar boas aulas ou dar receitas para que todos os alunos aprendam. Uma nova conceituação de didática aparece nesse contexto: fornecer aos novos professores os meios e instrumentos eficientes para o desenvolvimento e o controle do processo de ensinar. e seus objetivos para a educação encontram-se nas leis do desenvolvimento biológico da criança. compreendidos como aplicação dos conhecimentos científicos e traduzidos em técnicas de ensinar. que teve por discípulo Anísio Teixeira (1900-1972). ao mesmo tempo. uma vez que não é passível de verificação experimental. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Movimento que propôs alteração significativa nos métodos de ensinar baseado na atividade do aprendiz. Esta vertente tem suas bases na psicologia experimental (empirismo). que é o critério de avaliação do sistema escolar. 44]. veremos a seguir qual é o seu objeto de estudo. A didática indicaria apenas caminhos. com o desenvolvimento tecnológico. do alemão Kerchensteir (1854-1932) e do francês Decroly (1871-1932). A didática no movimento escolanovista fica restrita aos métodos e procedimentos. O movimento também conhecido como escolanovista muda o aspecto da didática. 2002. principal responsável pela formulação e expansão desse movimento no Brasil [PIMENTA. Formulado com base nas contribuições de Pestalozzi (1749-1827). aplicando-as em diversas situações. teoria de ensino formada por um corpo de conhecimentos técnicos e instrumentais (receitas para as situações de ensino).

Educação. Reflexão e Objetivos Didática: objeto de estudo A partir dos anos 80 e 90 do século XX. sociológicos. do pensamento histórico e das ciências. ao mesmo tempo. determinado pelos seus agentes. pedagogia e didática? Podemos considerar que o ponto em comum entre elas é o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma. Ao estudar a história da didática. o estudo da didática tornou-se mais intenso. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. não se pode compreender a didática dissociada do mundo. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. 29]. 2002]. podemos dizer que a didática é uma das áreas da pedagogia que investiga os fundamentos. artístico. Este é o desafio que já enfrentava Comenio e que os teóricos e estudiosos atuais da didática continuam a enfrentar. o Ensino. vemos que o ensino teve diferentes conceitos e definições. uma diretriz orientadora da ação educativa”. 15 . trata-se de “um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e. do momento. professores e alunos. filosóficos ou outros. Para Pimenta [2002]. p. por exemplo). dialogar com os outros campos do conhecimento numa perspectiva multidisciplinar e ajudar a criar respostas sobre a natureza deste campo. atitudes morais ou intelectuais. que. mas para ampliar e compreender as demandas que a atividade de ensinar produz. ou seja. um processo dinâmico que não pode ser fragmentado. mas entendido como: Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. políticos. considerando os saberes acumulados deste campo de estudo. o ensino é visto como um processo complexo. de acordo com Libâneo [2004. as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino não de maneira normativa. mas como elas se distinguem? Conforme vimos no breve estudo introdutório desta unidade. num determinado momento e realidade. Segundo Castro [s/d]. nem fracionado. Este momento nos permite compreender qual é o seu objeto no contexto educacional: o processo de ensino. antropológicos. bem como compreender o funcionamento do ensino nas suas múltiplas instâncias e momentos. é fácil entender que suas fronteiras devem ser fluidas. e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. Dessa forma. entender o ensino como fenômeno complexo e o ensinar como prática social é a tarefa da didática. Desse modo. Nesta perspectiva. novos modelos de interpretação do ensino deram origem a novos enfoques.Unidade 1: Didática: História. suas causas. conseqüências e soluções [PIMENTA. Pedagogia e Didática Qual é a diferença entre educação. o objeto de estudo da didática é o ensino. como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. tomemos então a área pedagogia. social.

que se ordena no sistema educacional de um país. significando os resultados obtidos da ação educativa conforme propósitos sociais e políticos pretendidos. reflita sobre qual é o conceito de didática empregado nas afirmações apresentadas logo no início de nossos estudos: “Esse professor não tem didática”. o que implica uma concepção de mundo. 2002].. Tal perfil acompanha este campo de estudo. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A pedagogia refere-se às finalidades da ação educativa. num determinado momento histórico. educação é um conceito amplo e corresponde às diversas influências de inter-relações necessárias para a formação da personalidade social e do caráter. de ideais. exigindo para os envolvidos na prática educativa uma constante pesquisa e investigação. ela não se restringe à sala de aula ou aos espaços escolares. em diferentes contextos dentro e fora da escola. momentos em que aconteça a prática pedagógica. valores e formas de agir que se manifestam por meio de convicções ideológicas. princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática. A pedagogia originase. mas está presente enquanto prática educativa. é um produto. “Nesse sentido a educação é instituição social. REFLEXÃO ______________________ Mediante a leitura realizada da Mobilização do Conhecimento. p. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. pense e reflita: Será que o conceito de didática que acabamos de estudar é o mesmo entendido hoje no campo da didática? Percebam que essa 16 . a sua trajetória e o seu objeto de estudo sempre estiveram pautadas por momentos de transformações desde seu início. implicando objetivos sociopolíticos a partir dos quais se estabelecem a organização metodológica da ação educativa na sociedade.. é um processo de transformações sucessivas tanto no sentido histórico quanto no desenvolvimento da personalidade. “Ele sabe. a atividade de transformar a educação que ocorre na sociedade em conteúdos formativos. morais.DIDÁTICA. ou seja. Dessa forma. políticas. Segundo Libâneo [1992. Pautando-se em nossos estudos e suas novas aprendizagens.” A didática. 23]. Este caráter evolutivo da didática faz que todo docente precise rever e atualizar os conceitos que envolvem a prática educativa e seus referenciais. mas não é didático”. o ato de ensinar. cria-se e se renova na relação teoria-prática da educação como ação educativa [PIMENTA.

explicite suas considerações sobre o que vem a ser DIDÁTICA. A atividade deverá ser anexada em seu caderno. 2. Remeta-se ao texto e comente a respeito da relação entre a didática e a sociedade. Se considerar necessário. Reflexão e Objetivos didática refere-se a uma fragmentação ilusória e é parte de um intento de descontextualizar o que não pode ser fragmentado e já historicamente ultrapassado. reescreva as idéias principais sobre a didática em Rousseau e Herbert. e a importância que o professor deve atribuir ao ato de ensinar. Mediante a leitura realizada. “Será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática. Registre suas respostas em seu caderno. Relacione os ideais escolanovista com a didática. 3. pedagogia e didática. VIDEOAULA ______________________ Vamos assistir agora à videoaula: A Importância do Ato de Ensinar. Em forma de um texto crítico. realize anotações em seu caderno. Nela evidenciaremos o conceito de educação. 17 . uma espécie de receituário do bom ensino?”. ensino.Unidade 1: Didática: História. Depois respondam as seguintes questões: DE PERGUNTA EM PERGUNTA 1. Redija suas considerações sobre esta frase. 4. TEXTOS E CONTEXTOS: DE PERGUNTA EM PERGUNTA _______________________________________________________ Reúnam-se em duplas e leiam atentamente o texto anexo: “A Trajetória Histórica da Didática”.

Os grupos deverão discutir e elencar tópicos sobre os aspectos que considerarem relevantes na discussão. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet. Logo após a discussão. Dois enfoques da didática: receituário ou contextualização do processo de ensino. 4. selecione um dos itens a seguir para cada equipe. Vamos buscar conhecimentos? O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para que os alunos realizem uma pesquisa sobre o movimento da escola nova. realize uma pesquisa (na internet ou em livros). 3. iniciando. Lembrem-se de registrar as considerações dos outros grupos em seu caderno. uma plenária sobre a didática e suas possíveis conclusões. Vocês deverão buscar informações sobre as idéias da escola nova. estabelecendo a segunda revolução da didática. 2. O (a) tutor (a) deverá organizar a sala em quatro grupos com número igual de integrantes. Organizados os grupos. para que os grupos exponham suas considerações sobre seu item. assim. As características que definem a didática. Itens: 1. o (a) tutor (a) deverá organizar a classe em uma grande roda. A conceituação.DIDÁTICA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ É hora de dialogar e trocar idéias! Reúnam-se em grupos para posterior debate. os principais fundadores envolvidos nestes ideais e qual foi seu marco inicial? A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. A atividade deverá ser entregue ao (à) tutor (a) na próxima semana. conceituando a importância que ele destaca ao ensino desde a infância. 18 . “Nossa prática pedagógica em sala de aula é permeada por uma concepção de didática”. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Para ampliar seus conhecimentos sobre os conceitos utilizados por Rousseau. o papel da didática no contexto atual.

Nesta unidade analisamos a trajetória histórica da Didática. Sendo este uma ação historicamente situada. podemos citar dois grandes momentos da didática que se perpetuam até hoje.” Este perfil da didática como teoria do ensino e não meramente normativa é que deve estar presente durante toda a sua formação inicial e contínua. Estamos englobando os diferentes aspectos associados e que influenciam no ensino.. ora privilegiando uma área. Dessa forma. Agora convidamos você a realizar uma reflexão sobre seu aprendizado. Segundo o que estudamos. Nas palavras de Pimenta [2002. e considerado como processo complexo no qual participam sujeitos determinados (aluno-professor) que se transformam por meio dele. Ela investiga os fundamentos as condições e os modos de realizar a educação mediante o ensino.. como referência para o fazer docente. Olhando para fora. 66-67]. A seguir apresentaremos algumas questões para lhe auxiliar nesta sua auto-avaliação: Compreendi a didática como reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem? Identifiquei o objetivo de estudo da didática? Consigo redigir uma linha do tempo sobre os diferentes momentos da didática? Posso definir didática e ensino? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio.Unidade 1: Didática: História. Reflexão e Objetivos SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. que trata sobre como atuar em relação ao educando. “a didática é uma das áreas da Pedagogia. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. Ambos os momentos nos levam a fragmentar o objeto de estudo da didática: o ensino. tendo como pano de fundo as diferentes concepções de educação e ensino. p. e por outro lado a que se centra no aprendiz. a linha que centra o objeto de estudo no Método. sendo marcadamente influenciada pela psicologia da criança. o conceito de educação e a praxis educativa. entendida como o estudo da prática pedagógica que envolve: os sujeitos que atuam. podemos considerar que a didática é uma das áreas da Pedagogia. 19 . Por um lado... saindo dessa forma da mera Didática normativa.. que instrui a receita de como ensinar. a didática vai constituindo-se como teoria do ensino. ora outra..

São Paulo: DIFEL. A. ROUSSEAU. Didática Magna.. 581 p. Emílio ou Da Educação.DIDÁTICA. Podendo ser destacada: a construção da infância por meio da escolaridade formal. 1968. organização da escola e a transmissão dos saberes de todas as ciências e artes a todos. prestigie os seguintes filmes: Ficha Técnica Título: O Clube do Imperador Direção: Michael Hoffman Gênero: Drama Origem: EUA Ano: 2002 Distribuição: Universal Pictures / UIP Duração: 109 min. Vale a pena você conferir! UM POUCO MAIS. um ensino unificado.. J. Buscando ampliar e subsidiar seus estudos. 525 p. Esse livro apresenta as características necessárias à instituição escolar. Para avançar um pouco mais em seus conhecimentos a respeito da Ratio Studiurm. ed. J. Rousseau retrata a criança. 4.. 1996. o educador deverá mantê-la longe dos perigos da sociedade. eluciadando que durante a infância ela deve dispor de liberdade física e durante o seu desenvolvimento deverá conquistar a sua liberdade interior. Para auxiliá-la durante esse processo. J. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. para que esta não a corrompa.. 20 . realista e permanente. sugerimos a título de enriquecimento que consulte a seguinte bibliografia: COMENIUS. Nesse livro. enfatizando. assim.

Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

Sinopse Em uma escola da elite, um professor leciona a respeito de estudos de filósofos gregos e romanos. Certo é que sua prática pedagógica é baseada em uma metodologia tradicional, porém um dia um novo aluno se insere no grupo perturbando a ordem e questionando o modelo de ensino. Apesar de o aluno ser extremamente crítico, o professor o reconhece como sábio. Porém, fatos acontecem e talvez o professor poderá perder a confiança em seu aluno exemplar.

MAPEAMENTO DA UNIDADE

Ensino Pedagogia Didática Receita Objeto de Estudo Momentos históricos Método R E F E R Grandes Mestres Processo Centrado no aluno

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, A. D. O ensino como objeto da didática. In: CASTRO, A. et al. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira, 2001. _______. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2007. COMENIUS, J. A. Didática Magna. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. FREIRE, P. Professora sim, tia não – cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olhos D‟água, 1993.

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

LIBÂNEO, J. C Didática. São Paulo: Cortez, 1992. _______. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia, ciência da educação. São Paulo: Cortez, 1996. _______. Pedagogia e pedagogos, para quê? 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004. PIMENTA, S. G. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002. (Coleção Docência em formação). ROUSSEAU, J. J. Emílio ou Da Educação. São Paulo: DIFEL, 1968. WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal>. Acesso em: 22 set. 2008. ZACARIAS, V. L. C.. Herbart. Disponível em: <http://www.centrorefeducacional.com.br/herbart.html>. Acesso em: 13 dez. 2008.

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Unidade 1: Didática: História, Reflexão e Objetivos

ANEXO
CASTRO, A. D.. A Trajetória Histórica da Didática. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_11_p015-025_c.pdf >. Acesso em: 8 out. 2008.

A Trajetória Histórica da Didática Houve Um Tempo de Didática Difusa Como adjetivo – didático, didática – o termo é conhecido desde a Grécia antiga, com significação muito semelhante à atual, ou seja, indicando que o objeto ou a ação qualificada dizia respeito a ensino: poesia didática, por exemplo. No lar e na escola, procedimentos assim qualificados – didáticos – tiveram lugar e são relatados na história da Educação. Como objeto de reflexão de filósofos e pensadores, participam da história das idéias Constata-se que a delimitação da Didática constituiu a primeira tentativa que se conhece de agrupar os conhecimentos pedagógicos, atribuindo-lhes uma situação superior à da mera prática costumeira, do uso ou do mito. A Didática surge graças á ação de dois educadores, RATÍQUIO e COMÊNIO, ambos provenientes da Europa Central, que atuaram em países nos quais se havia instalado a Reforma Protestante. A situação didática, pois, foi vivida e pensada antes de ser objeto de sistematização e de constituir referencial do discurso ordenado de uma das disciplinas do campo pedagógico, a Didática. Na longa fase que se poderia chamar de didática difusa, ensinava-se intuitivamente e/ou seguindo-se a prática vigente. De alguns professores conhecemos os Essa etapa da gênese da Didática a faz servir, com ardor, á causa da Reforma Protestante, e esse fato marca seu caráter revolucionário, de luta contra o tipo de ensino da Igreja Católica Medieval. Doutrinariamente, seu vínculo é com o preparo para a vida eterna e, em nome dela, com a natureza como “nosso estado primitivo e fundamental ao qual devemos regressar como princípio” (Comênio). Conheçam Seus Alunos - diz Rousseau As instituições dos didatas parecem ter-se estiolado no decurso do tempo e a História da Educação consigna apenas iniciativas esparsas até o final do século XVIII. ROUSSEAU é o autor da segunda grande revolução didática. Não é um sistematizador da Educação, mas sua Século XVII: surgimento da Didática A inauguração de um campo de estudos com esse nome tem uma característica que vai ser reencontrada na vida histórica da Didática: surge de uma crise e constitui um marco revolucionário e doutrinário no campo da Educação. Da nova disciplina espera-se reformas da Humanidade, já que deveria orientar educadores e destes, por sua vez, A prática das idéias de ROUSSEAU foi empreendida, entre outros, por PESTALOZZI, que em seus escritos e atuação dá dimensões sociais ã problemática educacional. O aspecto metodológico da Didática encontra-se, sobretudo, em princípios, e não em regras, transportando-se o foco de
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dependeria a formação das novas gerações. Justifica-se, assim, as muitas esperanças nela depositadas,

acompanhadas, infelizmente, de outras tantas frustrações.

pedagógicas.

procedimentos, podendo-se dizer que havia uma didática implícita em Sócrates quando perguntava aos discípulos: “pode-se ensinar a virtude?” ou na lectio e na disputatio medievais. Mas o traçado de uma linha imaginária em torno de eventos que caracterizam o ensino é fato do início dos tempos modernos, e revela uma tentativa de distinguir um campo de estudos autônomo.

obra dá origem, de modo marcante, a um novo conceito de infância.

que já se iniciam as novas doutrinas socialistas que ao final do século vão ser progressivamente dominadas pelo marxismo. 24 Não é coincidência que a era do liberalismo e do capitalismo. só conseguida se houver uma Educação liberal. talvez “seduzido” a aprender pelo caminho com curiosidade e motivação – ou ênfase no método. Observe-se que os fundamentos de suas propostas. da industrialização e urbanização tenha exigido novos rumos á Educação. A lenta descoberta da natureza da criança que a Psicologia do final do século XIX começa a desvendar sustenta uma atenção maior. caminho formal descoberto pela razão humana. de seus anseios e necessidades. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I atenção às condições para o desenvolvimento harmônico do aluno. A Escola Nova HERBART tem o mérito de tornar a Pedagogia o "ponto central de um círculo de investigação próprio”. uma nova onda de . De um lado fica a linha metodológica. Situa-se no plano didático ao defender a idéia da “Educação pela Instrução”. É preciso considerar. o século assiste ao despontar dos poderes públicos com relação á escola popular. Já o final do século XVIII é a época revolucionária. fundamentada no que se conhecia sobre a natureza no século XVII ou sobre a Psicologia no começo do século XIX. bem como pela relevância do aspecto metodológico em sua obra O método dos passos formais celebrizou o autor. que o considerava próprio a toda e qualquer situação de ensino. Numa relação que só pode ser plenamente compreendida como de reciprocidade. O método é interpretado como uma defesa dos interesses da criança. vieram a merecer críticas dos precursores da Escola Nova cujas idéias começam a propagar-se ao final do século XIX. fortemente influenciada por seus conhecimentos de Filosofia e da Psicologia da época. A linha oposta parte do sujeito. que se anunciam. seja na forma de monarquia constitucional (Inglaterra e França pós-revolução) ou na de república. embora o faça em nome do sujeito (criança. mas desconfiava dos rumos escolanovistas. duas linhas se destacam e estarão daí em diante em conflito. Um Intervalo na Trajetória Histórica: comentário sobre o duplo aspecto da Didática Da original proposta didática do século XVII. No entanto. como caminho que conduz do não-saber ao saber. e estas mesmas. O pressuposto é a igualdade entre os homens e a Educação política do povo. que é peça importante de uma nova sociedade. João Frederico HERBART (1776-1841) deseja ser o criador de uma Pedagogia Científica. em países atingidos pela Reforma. mas estas vão ainda aguardar mais de um século para concretizar-se. a Escola Nova vai encontrar ressonância. Na burguesia dominante e enriquecida. A valorização da infância está carregada de conseqüências para a pesquisa e a ação pedagógicas.DIDÁTICA. que. nos aspectos interno e subjetivo do processo didático. Quanto à relação entre Didática e Sociedade ocorre o seguinte: no século XVII. a sua própria necessidade de reorganização política impunha um esforço de Educação. no entanto. com seus ideais de liberdade e atividade. na Europa e América dos séculos XIX e XX. estamos já no caminho do que se convencionou chamar o Estado representativo. aluno. a sociedade reformada dos principados germânicos. no Século XIX Na primeira metade do século XIX. aos debates entre a escola laica e a confessional e ás lutas entre orientações católicas e protestantes. Na prática. acentuando o perene interno do educando. Inflexão Metodológica Herbartiana. acentua o aspecto externo e objetivo do processo de ensinar. aprendiz) que se pretende ensinar de modo eficiente. em que o feudalismo e a monarquia absoluta receberam seu golpe mortal. A Didática do século XIX oscila entre esses dois modos de interpretar a relação didática: ênfase no sujeito – que seria induzido. a constituição dos estados nacionais e a modernidade valorizam o ensino e desejam aumentar seu rendimento. Quanto aos Estados socialistas que se vão desenvolver a partir do primeiro quarto do século XX.

ativa. e outras pela relevância do sujeito-aluno. como no plural) que deve nortear as pesquisas sobre o processo. Contrapõe-se. E condena-se o continente por seu conteúdo. inversamente. 25 . no entanto.” (Kuhn. O movimento doutrinário. E atrevo-me a dizer que boa parte dessa situação se deve a uma espécie de contaminação entre a Didática disciplina – e o conteúdo dos cursos. o da Psicologia do Desenvolvimento ou Aprendizagem. a concepções consideradas antigas. quanto à Didática? Como é que a comunidade educacional interpreta esse paradigma? Considero que a dificuldade de responder a essas questões encontra-se no fato de que não há um paradigma. KERSCHENSTEINER e COUSINET. experimental. nem a psicologia aplicada à Educação atingem o seu núcleo central: o Ensino. em termos de tendências doutrinárias ou teóricas. nova. psicológica. do desenvolvimento intelectual. pelo menos. tradicional. DEWEY. filosóficas –. sem que se pudesse discernir a dialética professor − aluno (no CLAPARÈDE. que tantas vezes ficou obscurecido pelo conceito de Método. É esse conceito que é objeto de controvérsias teóricas. surge todo o problema moral. Na Europa como nos Estados Unidos. pois. Ativa ou Progressista. e crucial. aquilo mesmo que justifica tentá-lo. moderna. da Sociologia. é a Aprendizagem. E nem a teoria social ou a econômica. o continente didático acolhe diferentes conteúdos. Há diferenças singular. Na verdade ela nunca foi monolítica: é o que prova a própria necessidade de adjetivação adotada tantas vezes: Didática renovada. já que o conteúdo do ensino – o “o quê” se ensina – tanto pode ser problema didático quanto curricular. que às vezes levam a disputa ao campo interdisciplinar do “currículo”. a Didática Oscila Entre Diferentes Paradigmas “Um paradigma (ou um conjunto de paradigmas) é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e. conforme as vertentes de sua atuação. ideológico. uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma. FERRIÈRE. afetivo. mas talvez paradigmas em conflito. igualmente interdisciplinar. está nas outras questões: por que ensinar? e para quê? E chegamos aos limites da Filosofia da Educação. Mais um problema de limites. algumas obras ou cursos privilegiam determinadas inflexões-sociológicas.Unidade 1: Didática: História. Pois é certo que a Didática têm uma determinada contribuição ao campo educacional. medicina pedagógica com MONTESSORI e DECROLY ou a sociopedagogia de FREINET. também Renovada. No Final do Século. A Estrutura das Revoluções Científicas) Qual o paradigma compartilhado. nem a cibernética ou a tecnologia do ensino. a com entre posições teóricas e diretrizes metodológicas ou tecnológicas. filosófica. É como decorrência desse conceito nuclear que se situam as inquietações da Didática atual. sociológica. da Política. A base psicológica é predominantemente funcionalista. Reflexão e Objetivos pensamento e ação faz o pêndulo oscilar para o lado do sujeito da Educação. como que exigindo da Didática que proceda ã sua invasão. Tomar consciência que a Didática hoje oscila entre diferentes paradigmas pode ser algo muito auspicioso para a comunidade pedagógica. social. algo que deveria ser entregue. Explicando melhor. voltadas para o passado. os fundamentos sociológicos divergem. Interpretam o Ensino de muitos modos. Outras vezes leva a outro campo interrelacionado. caracteriza-se por sua denominação mais comum: Escola Nova. especial etc. psicológicas. E. tradicionais. unilateralmente e individualmente. mas nem sempre as mesmas. conforme a Teoria. indo da linha social-democrata à socialista. mas afastando-se tanto do pragmatismo americano quanto das influências do associacionismo. que nenhuma outra disciplina poderá cumprir. Ou seja. pode-se arrolar tendências diferentes: a psicopedagogia BOVET. já que o êxito do processo de Ensino. “presenteado” ao professor. Esse núcleo. geral.

em cada um deles. e a mais ampla (c).. Se assim fosse não valeria a atenção de tantos. vê-se que. explícita ou implicitamente. artístico. uma tomada de posição teórica. há muitos anos. parece dominar o conteúdo da disciplina. ao contrário. ora recorre às correntes neomarxistas. de um lado ou de outro. que. no entanto. Sua dupla dimensão (vertical e horizontal) e o ciclo didático sempre recomeçado. E que essa fluidez é qualidade e não defeito. E uma prática muito especial. Esta. afinal. são amplos e diferenciados e não estritos e exclusivos. Conseguindo-se apontar o núcleo dos estudos didáticos. em sua necessidade de explicar as relações entre os eventos que 26 Didática está impregnada de todas as inquietações da época e. uma secção intermediária (b) destacando o aspecto técnico do ensino. vivido na situação didática típica. antropológicos. entre as muitas frentes de pesquisa e exploração. visualizei a situação didática como um tronco de cone no qual uma secção menor (a) refletindo o plano da relação humana. o Ensino. teórica e prática. ao contrário do que julgam alguns tecnodidatas. possibilidade de uma “Didática Marxista” ou “Didática Sociológica” ou “Didática Cognitivista” ou qualquer outra adjetivação que indique um ponto de vista exclusivo sobre seu campo de estudos. o que de modo algum prejudica sua autonomia. e de desenvolver a capacidade de aprender e compreender. Considerações Finais Qual a Situação Atual da Didática? O panorama do final do século XX não é simples. de hipóteses conduzidas pela teoria. Disse um eminente pensador. Pois os caminhos didáticos. Assim é a Didática. de sua autonomia e relacionamento com outras áreas de conhecimento e reflexão. é fácil entender que suas fronteiras devem sei fluidas. pela responsabilidade social que a envolve. social. pois a função da teoria é a explicação. mas. que giram em torno do objeto de estudos e da delimitação do campo da Didática. seu compromisso com a prática do ensino. que chamei de região cultural. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Dei esses exemplos da para mostrar com que o interdo estuda. Pois ocorre que. em conseqüência. já que tem uma grande impregnação social. elaboração de um rol de prescrições e o traçado de conjecturas. como vimos. como qualquer disciplina que comporta aplicações práticas. A Didática deve conviver com essa dupla feição. técnico e cultural). por constituir-se a Didática numa disciplina que pode ser desmembrada em vários planos (exemplifiquei com os planos humano. por exemplo). como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico. sem perder. se aproxima de outras teorias. contribuições de áreas diferentes se tornam úteis e mesmo necessárias. uma espécie de receituário do bom ensino? Esse é um dos mais discutidos problemas da disciplina.. vinculam-na .DIDÁTICA. filosóficos ou outros. essa fermentação ideológica nem sempre consegue um resultado harmônico: os novos temas ainda não tiveram função aglutinadora e vêem-se programações enviesadas com exclusividade. que o pedagogo quase nunca foi o filósofo de sua pedagogia. vai-se familiarizar com teorias de origem epistemológica e social. sociológicos. pois permite sua aproximação com conhecimentos psicológicos. Mas a teorização em Didática é quase uma fatalidade: em todas as discussões há. na qual se decidem objetivos e conteúdos. atitudes morais ou intelectuais. políticos. será mesmo a Didática apenas uma orientação para a prática. que defendo a Mas. entretanto. embora possa até chegar lá. Mas a situação repousa sobre bases que abrangem todos os aspectos da sociedade. Há alguns anos. vem enriquecê-la. de proposições com diferentes graus de probabilidade. A Chegou o momento de procurar responder às questões iniciais. por outro lado. ora requer auxílio da psicologia profunda de origem freudiana. A oscilação entre uma tendência psicológica que acentua a relevância da compreensão da inteligência humana e sua construção e outra que se apóia na visão sociológica das relações escolasociedade. Nos programas de Didática. ou seja. Como a Medicina. Não se entenda. Mas são diferentes a relacionamento Didática outras áreas conhecimento é intenso e constante.

Conseguir plenamente a autonomia. parece acelerar o progresso no sentido de uma autoconsciência de sua identidade – encontrada em seu núcleo central – e de sua necessária interdisciplinaridade. por condições que são do desenvolvimento humano integral. é palavra-ação. e. ainda. em capacidade ampliada para conhecer (ou aprender). a meu ver. palavraprospectiva. mas envolverá igualmente progressos na afetividade. cuja eficiência é objeto de pesquisa e experimentação. 27 . terá como subproduto (sub ou super?) alguma mobilização da inteligência redundando em progresso cognitivo. O ato assimilador. palavra-ordem. uma teórica e outra prática: são duas faces da mesma moeda. exige recursos e técnicas. depende tanto de um esforço teórico e reflexivo. sem prejudicar suas fecundas relações com disciplinas afins. como disciplina e campo de estudos. do meu ponto de vista. Um esclarecimento final. Mas. essência da aprendizagem legítima. depois de PIAGET. É desse fenômeno que trata a Didática: do ensino que implica desenvolvimento. melhoria. Mas não existem duas Didáticas. por exemplo. moralidade ou sociabilidade. um conhecimento ou uma atitude. quanto de um avanço no campo experimental. Creio que é tarefa para o século XXI. sobre o conceito foco da Didática: o Ensino. E mais: não se limita o bom ensino ao avanço cognitivo intelectual. deixar claro que. Quero. interdependentes. é um projeto que.Unidade 1: Didática: História. não se pode mais entender o ensino como a simples apropriação de um conteúdo: uma informação. a Didática. palavra que revela um resultado desejado. Revela uma intenção: a de produzir aprendizagem. em sua complexidade. como elas. correspondente ao ensino que merece esse nome. Reflexão e Objetivos diretamente á prática e esta.

apresentando a importância da construção docente. Valorize a docência. deve assumir a posição de mediador da interação dos alunos com os objetos de conhecimento. o aluno deve se posicionar como o sujeito de sua aprendizagem.. incorporando atitudes de autonomia que ajudem na construção da sua prática pedagógica. começando a identificar este processo complexo de identidade profissional. por sua vez. . 28 . inicialmente propomos nosso estudo. Para tanto. e o professor. O contexto escolar do professor e a escola como espaço de atuação e formação profissional farão parte dos assuntos abordados nesta unidade. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Analise e identifique o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa.. Com isto pretendemos que você enquanto professor reflita e perceba que trabalhar com os princípios didáticos implica considerar que os alunos constroem significados a partir de múltiplas e complexas interações. assunto abordado no tópico a seguir: Construção da Identidade Docente Esperamos que durante o desenvolvimento da leitura e das discussões desta unidade você consiga se ver e se construir como professor. Reconheça e identifique os princípios da relação professor-aluno e sua importância. Nesse processo.Trocas e Mediações Pedagógicas EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Analise criticamente o trabalho docente enquanto profissional que trabalha com a prática educativa.

saberes que fazem parte da profissão de professor. na construção de novas teorias. sendo assim. em suas representações. Esse processo identitário envolve vários campos. é ele que se (des)faz e se (re)constrói na sua prática pedagógica. vamos definir o que é entendido por mediação reflexiva. todo seu caráter dinâmico da profissão docente como prática social. das tradições e também das práticas consagradas culturalmente que permanecem significativas até os dias de hoje. É a vivência que determina a profissão professor. em seu modo de situar-se no mundo. Estudar e refletir sobre este tema o fará questionar-se sobre o significado: “ser professor”. com base em seus valores. este movimento deve vir acompanhado da mediação reflexiva. evidenciando. na interação dele enquanto docente na nossa sociedade. Ela se constrói e se reconstrói a partir da revisão constante e da significação social da profissão. também. Vemos que o professor é o centro do processo identitário. a qual. como as demais. Como já mencionamos. nas suas relações com os outros colegas. p. O “ser professor” mudou em conseqüência das novas demandas da sociedade frente a esta profissão. e. Perceba. confere à atividade docente de seu cotidiano. Conforme nos indica Pimenta [2002]. em sua história de vida. A identidade do professor não é um dado imutável. do que é ensinar. Antes de continuar. em seus saberes. nos sucessos e medos da sua prática cotidiana. Segundo Pimenta [2002. assim. além daquelas que valorizam ou desvalorizam a profissão. assim como o valor dado à educação em si. nesse movimento ou dinâmica. no sentido que tem em sua vida ser professor. o que exige conhecimentos. o lado apaixonante do que é ser professor e de se tornar o agente principal da sua construção da identidade. pois agora estamos frente ao mundo do conhecimento globalizado. o conhecimento e os saberes pedagógicos. dizer o significado de ser professor é falar em processo identitário docente. então. para alcançar este significado de forma coerente existe um tripé formado pelos saberes da docência: experiência. surge frente à necessidade de responder as demandas apresentadas pela sociedade. pelo significado que cada professor. é considerada como uns dos saberes da docência. Nos dias atuais. não pode ser incorporada no dia em que se termina o curso de graduação. até adquirir estatuto de legalidade. é um processo de construção formado pelos saberes da docência: a experiência. 29 . na análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes. conhecimento e saberes pedagógicos. a identidade profissional não é uma condição externa nem imutável. em suas angústias e anseios. da opção feita ao querer estudar pedagogia. enquanto ator e autor. Ser professor hoje não é o mesmo que durante o século XIX e inícios do século XX. Como vimos. 77]: Identidade que se constrói com base no confronto entre teorias e as práticas. segundo Pimenta [2002]. A profissão de professor. Constrói-se. e é nesse processo. confronto e análise que cada um de nós constitui a sua identidade profissional. no valor que dá a sua profissão.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas A construção da identidade do professor é abordada nos cursos de formação inicial na disciplina didática.

Retomemos os saberes da docência para definir do que se constituem e suas características: SABERES DA DOCÊNCIA Que saberes são necessários para ser professor? Por que falamos em saberes? Vários tipos de saberes integram o conhecimento profissional do professor. mesmo em processo de formação. Esta experiência prévia amplia-se durante a formação inicial. Saberes da experiência. buscando respostas para os conflitos que são comuns ao processo de ensino-aprendizagem: “Consiste em relacionar a atividade de aprender dos alunos aos conhecimentos que permeiam a sociedade. Saberes da experiência Quando ingressamos no curso de Pedagogia. 2002. p.DIDÁTICA. 98]. específicos-conhecimentos e pedagógicos. coletivamente. então. mediante o processo de reflexão sobre sua prática em confronto com as pesquisas e teorias existentes. já que passamos pela escola e tivemos contatos com diferentes professores e situações de ensino. conhecemos professores significativos e aqueles de que nos esquecemos. 30 . para isto é necessário que durante o curso de graduação os alunos passem a assumir esse papel. pesquisa questionamentos por parte do professor frente aos desafios enfrentados no dia a dia na sua prática pedagógica. Dentro deste saber encontra-se também a experiência socialmente acumulada do que significa ser professor na sociedade. Porém. já temos a experiência do que é ser aluno ou mesmo ser professor. A experiência adquirida como aluno durante toda sua trajetória de graduação permite identificar o que é um bom ou mau professor. salientando também que da mesma forma fazem parte as experiências que são produzidas no seu cotidiano docente. Por isso é necessário trabalhar com os saberes específicos. Este processo implica trabalhar e produzir conhecimentos. que foram nela produzidos e a constituem. Todas estas experiências contribuem para a construção da identidade docente. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I A mediação reflexiva é um trabalho que exige esforço. Vamos. Essa “bagagem” permite-nos pensar o que é ser um bom professor e qual será a nossa referência. em relação à aprendizagem do „eu‟ à aprendizagem do „nós‟ [PIMENTA. pelo contato com professores no curso superior. entender o que designam cada um desses saberes. vemos que este processo de re-significação não é suficiente. todos eles fazem parte da formação docente e devem ser trabalhados durante o processo de formação inicial e continuada. a (des)valorização docente.

o trabalho da escola e dos professores é mediar a relação entre a sociedade da informação e os alunos. Para construir a inteligência é necessário trabalhar adequadamente com as informações. revê-los e reconstruí-los com sabedoria. Para isso. as informações para gerar novos conhecimentos). O que implica analisá-los. segundo o que nos aponta Pimenta [2002]: Qual é o papel que o conhecimento ocupa na sociedade contemporânea? Qual é a importância que os alunos dão para o conhecimento acadêmico construído na escola? O que é conhecimento e como ele é trabalhado nas escolas? Existe diferença entre informação e conhecimento? Qual é a relação entre os diferentes conhecimentos escolares? Segundo Morin citado por Pimenta [2002]. através do desenvolvimento da capacidade reflexiva (essa expressão dá a idéia de estático. p. o conhecimento abrange três estágios: 1) Informação. Entretanto. produzindo novas formas de progresso e desenvolvimento. Seu objetivo é contribuir com o processo de humanização de ambos mediante o trabalho coletivo e interdisciplinar destes com o conhecimento. o trabalho com o conhecimento específico de cada área ainda não é suficiente na construção da identidade docente. que envolvem reflexão. é possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos. é preciso operar com as informações para se chegar ao conhecimento. que trabalha com as informações. resultando na capacidade de produzir novas formas de existência e humanização. classificando-as. Trabalhar com conhecimento significa entender que conhecer não se reduz a se informar. que é completamente diferente do que significa reflexão enquanto pensar. O professor deve se questionar sobre o significado que o conhecimento tem para si próprio e se perguntar. Como nos afirma Pimenta [2002]. Dessa forma. Não basta estar exposto às informações através dos meios de comunicação. desenvolvendo habilidades para operá-los. atuar nessa determinada realidade. 81]. confrontá-los.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Saberes específicos Ter conhecimentos específicos é fundamental para a docência. Por isso a finalidade da educação escolar na sociedade tecnológica. a partir de uma perspectiva crítica social transformadora. multimídia e globalizada. contextualizá-los. que permitam aos alunos irem construindo a noção de “cidadania mundial” [PIMENTA. uma vez que faltam os saberes pedagógicos. há que articulá-los em totalidades. Educar na escola significa: preparar as crianças e os jovens para alcançar o nível de civilização atual e. a educação é um processo de humanização e baseia-se fundamentalmente no trabalho dos professores e dos alunos. adquirir a sabedoria necessária à permanente construção do ser humano. dessa forma. transformando-a. contextualizando-as. 31 . possibilitando-lhes. confrontar. 3) Sabedoria e Consciência. Mas isso vai além do conceito enciclopédico ou de informações. 2) Inteligência. 2002.

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Saberes pedagógicos É tarefa do professor a análise crítica da informação relacionada à constituição da sociedade e de seus valores. Para ensinar, não são suficientes apenas a experiência e os conhecimentos específicos, também são necessários os saberes pedagógicos e didáticos, visto que entender os saberes pedagógicos a partir da prática social da educação como ponto de partida e de chegada permite uma re-significação na formação do professor. Nesse sentido, Houssaye [apud PIMENTA 2002] afirma que os saberes pedagógicos devem ir além dos esquemas apriorísticos das ciências da educação, é necessário reinventar os saberes pedagógicos com base na prática social da educação. A renovação da didática deve ter como base os aspectos pedagógicos, e para isso é necessária uma leitura crítica da prática social do ensinar, partindo da realidade existente, considerando os aspectos epistemológicos que acrescentam novas contribuições ao ensino, promovendo, dessa forma, um diálogo intelectual entre teoria e prática (para significar a identidade docente do professor). Este processo se realiza e se efetiva através da pesquisa, princípio formativo na formação inicial, criando, assim, mecanismos que permitam ao professor conhecer os alunos, a realidade escolar, os sistemas, as práticas por meio de observações, a coleta de dados sobre determinados temas, os registros, o desenvolvimento de projetos de ensino, entre outras atividades. A pesquisa como princípio cognitivo de apreensão da realidade é eixo fundamental na formação docente e deve ser abordada em todas as disciplinas, especialmente as que contribuirão para a construção de sua identidade. Esperamos, então, que possamos construir o caminho da docência juntos, para isso é fundamental nossa interatividade através das ferramentas de que dispomos, da sua interação com os colegas e da sua comunicação com o (a) tutor (a).

A sala de aula Na relação didática o processo ensino-aprendizagem envolve as interações entre os sujeitos atuantes, professor-aluno e a relação destes com a construção do conhecimento. Encontra-se uma relação triádica: entre professor, alunos e conhecimentos, pela qual não se pode descontextualizar e estudar a relação na sala de aula de forma isolada, mas sim sob uma perspectiva na qual o ensino-aprendizagem resulte dessa relação social entre interações humanas. Essas relações humanas determinadas social e historicamente e a construção do conhecimento formam parte da relação pedagógica. Nesse enfoque, Anastasiou [2004] destaca que no processo de “ensinagem” a ação de ensinar relaciona-se diretamente à ação de apreender, que implica tanto o conteúdo como as relações que se formam neste processo. Estudaremos agora como se dá essa relação pedagógica em sala de aula. Na sala de aula essa interação baseia-se na confiança e empatia recíproca, nos interesses e necessidades que levam o encontro entre professor e aluno como condição necessária para a aprendizagem. A sala de
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Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas

aula é um lugar onde se constroem conhecimentos, se aprendem valores e comportamentos por meio de uma comunicação real, autêntica, pensando no outro e com o outro, com transparência e respeito mútuo. Para Ventura e Hernández [1998, p. 57], na relação com o conhecimento o professor precisa entender as respostas dos alunos e as relações que se estabelecem com o que já sabem:
Por outro lado, se concede um especial valor às inter-relações comunicativas que se estabelecem entre as intenções, recursos e atividades propostas pelos professores, e as conexões que, a partir de seus conhecimentos iniciais, cada estudante possa chegar a estabelecer.

Dessa forma, a aprendizagem exige estabelecer relações entre o que o aluno já sabe e o novo conhecimento, ampliando ou modificando-o. Toda disciplina, aluno e turma exige estratégias diferentes, cabe ao professor, através de uma comunicação autêntica e liderança sábia, estabelecer um diálogo e confiança para que aconteça o processo ensino-aprendizagem de cada aluno, estabelecendo, assim, uma relação pedagógica que favoreça este processo. A mediação docente se estende para o preparo das atividades e estratégias necessárias para levar aos alunos a aprendizagem. Isto deve ser definido no planejamento do semestre, da disciplina ou matéria. A relação professor-aluno depende da relação estabelecida pelo professor: da empatia com os alunos, da capacidade de escutar, refletir e analisar no nível de compreensão destes para mediar o processo de construção do conhecimento. “O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos”. [LIBÂNEO, 1992, p. 250]. Todavia, para ter uma boa interação é necessário se adequar às necessidades cognitivas, sociais dos alunos, saber escutar o outro e estabelecer uma relação de parceria com a aprendizagem. No planejamento realiza-se a escolha adequada dos métodos, das seqüências e das estratégias para que no processo de ensino-aprendizagem todos os alunos aprendam no sentido de estabelecer relações com o conhecimento tanto escolar como de mundo: “Um professor competente se preocupa em dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo.” [LIBÂNEO, 1992, p. 252]. O sucesso na sala de aula depende da relação do professor com os alunos, da mediação deste entre o aluno e o conhecimento e da forma como o docente se coloca ou entende as diversas respostas dos alunos. Junto a isto é necessário explicitar no início das aulas as normas de funcionamento da classe, o que é permitido e o que não pode ser realizado numa sala de aula, aspectos estes que devem fazer parte da relação pedagógica estabelecida. Como foi dito no início deste tópico, não se pode estudar a sala de aula isolada do processo educativo, da escola e do que acontece fora desta. Por outro lado, para que o aluno encontre sentido e se

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DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

comprometa no processo ensino-aprendizagem, o professor deve pensar, planejar e entender as respostas dos alunos a partir das relações que se fazem com o conhecimento.
Resgatar o sentido do conhecimento. Conhecer para quê? Para poder compreender o mundo em que vivemos, para poder usufruir dele, mas sobretudo para poder transformá-lo! Isto implica o professor tanto se compreender como sujeito de transformação, quanto ter clareza de que está participando da formação dos novos sujeitos de transformação. A nosso ver, se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade, não deveríamos estar no magistério, pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS, s/d].

Segundo Vasconcellos [s/d], alguns aspectos devem ser trabalhados e incorporados na relação professor-aluno: Elaborar coletivamente as normas da escola e da sala de aula: participação de todos os docentes da escola e representantes de alunos, pais, etc. Tanto para estabelecer ou para cumprir limites. Resgatar o diálogo, fazendo com que este não seja nem autoritário, nem tenha clima de impunidade. Lutar para a superação do clima de impunidade na sociedade. Criar clima de respeito na escola. Criar, desenvolver uma metodologia participativa em sala de aula. Entender o estudo como trabalho. Compromisso do professor. Realizar e ocupar bem o espaço de trabalho coletivo constante na escola e sala de aula. O aluno deve assumir a responsabilidade coletiva pela aprendizagem e participar de forma ativa das aulas, demonstrando de forma clara suas necessidades. A família deve fazer parte da escola, resolvendo possíveis conflitos que venham a existir diretamente com a escola e não por meio do filho. Nesse sentido, pensemos: como estabelecer a autoridade pedagógica sem ser autoritário? Para isto, inicialmente, é necessário entender autoridade como a capacidade de fazer o outro autor, conforme nos apresenta Vasconcellos [2008], é dizer, dar autonomia e segurança para que o aluno estabeleça relações efetivas frente a sua aprendizagem. Dessa forma, o professor deve viver entre a eterna tensão estabelecida entre a necessidade de dirigir, orientar, limitar e, por outro lado, a necessidade de criar, possibilitar, deixar acontecer, ouvir, acatar. Esta contradição não pode ser esquecida ou anulada, apenas solucionada nas diversas situações e momentos de sala de aula, considerando os objetivos do trabalho e restabelecendo-os continuamente em outro patamar e contexto. Não existe receita para a disciplina e para a relação professor-aluno. Dessa forma, os problemas e conflitos devem ser enfrentados e solucionados por esses que são os agentes do processo de ensinoaprendizagem. O professor não deve se esquecer que, quando necessário, precisa tomar decisões e estar preparado para assegurar um ambiente de trabalho favorável para todos os seus alunos. A atitude
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Devemos pesquisar.. Ressignifiquem a expressão do seguinte texto destacado em negrito (trecho extraído do texto Os desafios da indisciplina em sala de aula e na escola): A nosso ver. se não acreditamos na possibilidade de transformação da realidade.. mas por seu caráter apaixonante e desafiador vale a pena ser realizado e construído. (des)construções de conceitos. posturas e tomada de decisões. 2. Redijam suas considerações criticamente em forma de um pequeno texto e. paradigmas. ao término. desafios. 1. grifo nosso]. entreguem a atividade do grupo ao (à) tutor (a).Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas cooperativa é fundamental na constituição de boas condições para a aprendizagem dentro da sala de aula. pois ser professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser [VASCONCELLOS. REFLEXÃO ______________________ Considerando a leitura realizada na Mobilização do Conhecimento. s/d. permitindo auto-reconhecer-se como professor. De acordo com o estudado no tópico Sala de Aula: listem pelo menos três situações didáticas que vocês acreditem favorecer o processo de construção do conhecimento do aluno. conflitos e alunos com os quais trabalhamos e compartilhamos a construção do conhecimento. reúnam-se em grupos de quatro ou três pessoas para realizarem uma reflexão sobre a prática docente. questionar e (re)fazer a cada turma. Esse processo não tem tempo para começar ou terminar. Utilizem as questões a seguir como parâmetro para esta reflexão. disciplina. é contínuo e permanente. VIDEOAULA ______________________ Vamos dinamizar os conceitos? 35 . não deveríamos estar no magistério. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. Construir a identidade docente é um processo que implica idas e vindas. Parece um processo difícil.

DAS MEMÓRIAS ÀS CAPACIDADES CRIATIVAS ________________________________________________ Ao longo da sua trajetória escolar como aluno. contribuindo para sua formação como professor-aluno. Com base no que foi estudado nesta unidade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Agora é hora da videoaula: O Espaço da Sala de Aula. Cansado das canseiras desta vida O professor vai sacudi-lo? Vai repreendê-lo? Não. Ao final desta atividade entregue seu texto ao (à) tutor (a). O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações estabelecendo uma ordem para os grupos se apresentarem. Em grupos. explique por meio de um pequeno texto reflexivo como você considera a atitude do aluno e do professor. Cada grupo deverá representar em um breve teatro alguma situação didática referente à metodologia empregada pelo professor escolhido. realize anotações em seu caderno dos principais aspectos apresentados. Veremos algumas das situações que ocorrem no espaço da sala de aula e sua importância para o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. OBRA PRIMA _______________________ Leia o poema de Drummond apresentado a seguir. O professor baixa a voz Com medo de acordá-lo.DIDÁTICA. 36 . s/d. Professor O professor disserta Sobre ponto difícil do programa. lembre-se de um professor que marcou sua trajetória escolar positivamente. __________________ Fonte: ANDRADE. muitos foram os momentos que permaneceram vivos na sua memória. Se considerar necessário. Um aluno dorme.

os saberes necessários para o exercício das funções de professor. ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Hora de investigar. Quais os desafios da profissão docente? 3. Outros dois serão responsáveis pelo tratamento das respostas..Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas Após a representação dos grupos. Por que a escolha desta profissão? 2. Tendo esta preocupação em mente. E quais as expectativas? SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. nos preocupamos em abordar a questão dos saberes da docência.. Os relatórios deverão ser entregues ao (à) tutor (a) na próxima aula. posicionem-se frente às seguintes atividades: Um integrante do grupo deverá ficar responsável em entrevistar um professor (seguindo o formulário da pesquisa ou eixo). O último integrante será responsável em dialogar com seu grupo sobre a pesquisa e o representar em uma conversa de roda na sala. ou seja. uma vez que os mesmos são indissociáveis. expondo a que conclusões o grupo chegou com a pesquisa: se o que esperavam ouvir foi realmente o que o professor respondeu. A reflexão sobre a docência tem mostrado a necessidade de estabelecer a identidade do professor tanto no âmbito do ensino quanto da pesquisa e da extensão. façam uma lista com as principais características que fizeram os professores representados serem inesquecíveis. Pesquisa de campo! Em grupos de quatro integrantes. O simples contato com outros 37 . Eixo da entrevista/pesquisa 1.. que deverão estar dispostas de maneira clara em forma de um relatório. o que apreenderam com essa pesquisa..

Veja que o caminho a ser percorrido é longo e cheio de desafios. suas qualificações acadêmicas. Este é o momento de refletir sobre seu aprendizado.. concluiu-se que a formação para a docência não pode esquecer a unidade teoria-prática. A isso demos o nome de saberes da experiência. o qual só é possível por meio da pesquisa.. Além destes. está se preparado para analisar. Com o objetivo de refletir a formação do professor. visando sempre proporcionar e assegurar um ambiente condizente com o aprendizado. há os saberes específicos. portanto. 38 . revê-los e reconstruí-los na forma de sabedoria. Consegui identificar os processos e conceitos presentes na luta pela dignidade docente? Reconheci os princípios da relação professor-aluno: disciplina e indisciplina? Posso refletir sobre o saber por meio da análise crítica dos princípios didáticos da prática educativa? Anexe suas considerações em seu portfólio. de um enfoque que se volte de forma mais abrangente para a relação pedagógica. Para que esses saberes se manifestem. pedagógicas utilizando subsídios teóricos. método que permite ao professor se familiarizar com a realidade escolar em todos os aspectos... Olhando para fora. enquanto elemento constitutivo da formação docente. considerando as diferenças e peculiaridades de cada aluno. é do professor que deve partir a iniciativa de criar um diálogo que estabeleça uma relação pedagógica favorável ao processo de ensino-aprendizagem. Formação inacabada. vistos sob a ótica da prática social da educação. aqueles que permitem que os conhecimentos tecnológicos e científicos sejam transmitidos aos alunos para que eles possam desenvolver habilidades para colocá-los em prática. que deve ser construída por meio da formação contínua dentro do ambiente escolar. refletir sua prática cotidiana? AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. A mediação reflexiva permite a reformulação do trabalho docente por meio da pesquisa. tratamos dos saberes pedagógicos. Contudo.. necessitando. E então.DIDÁTICA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I professores ou mesmo nossa posição de alunos em outras fases de nossas vidas nos proporciona uma experiência prévia fundamental que nos permite formar a idéia do que é ser um bom professor.. A seguir estão algumas questões que lhe auxiliaram a avaliar se você atendeu as expectativas de aprendizagens desta unidade. Por fim. é fundamental a boa relação entre alunos e professor na sala de aula e a relação destes com o conhecimento. Problemas e conflitos sempre existem e cabe ao professor solucioná-los.

C. o magistério e o ofício de ensinar. Esta parte levará você. SOUSA. M...). B. para contribuir nas mudanças. Por isso. a descobrir seu caminho de identidade docente. M. docentes da USP explicam os pressupostos. ALONSO.. Na segunda parte. Os relatos realizados pelos professores cativam e ensinam. em que vocês poderão ver representada a relação pedagógica de forma tradicional e a proposta de mudança apresentada nesta unidade. futuro professor. O conteúdo apresentado nesta unidade é muito vasto e objeto de trabalho de muitos estudiosos. a rigidez do sistema de ensino e a estrutura da escola. Ficha Técnica Título: O sorriso de Monalisa Direção: Mike Newell Gênero: Drama Origem: EUAAno: 2004 Distribuição:Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment Duração: 117 min. 176 p. CATANI.. ALONSO. textos dos professores da rede pública que participam do projeto são retratos amadurecidos dos mestres sobre suas vidas. UM POUCO MAIS. A análise do tema mostra os limites da mudança e a necessidade de definir o processo de formação de professores dentro de um contexto social definido.. indicamos duas obras que lhe trarão maiores (e valiosas) informações sobre o assunto em questão: BUENO. O texto também mostra que é necessário que as políticas educacionais incorporem a contribuição dos professores sobre as experiências e conhecimentos adquiridos no trabalho diário com os alunos. fundamentos e modos de execução do projeto de educação contínua que deu origem a esta obra. São Paulo: Pioneira. 1999. (Org. 2000. São Paulo: Escrituras. por outro. O texto evidencia o complexo processo de mudança na escola e as forças inibidoras: de um lado a resistência dos professores que se sentem inseguros e ameaçados e. O trabalho docente: teoria e prática. In: QUELUZ. G. D. A. Formar professores para uma nova escola..Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. 39 . Vida e ofício de professores.. 150 p. Na primeira parte do livro. Temos a honra de lhes apresentar neste momento um longa-metragem muito interessante..

. A.. tia não: cartas a quem ousa ensinar.. CATANI. D. D. São Paulo: Escrituras. 2000. G. 40 .info/frase/MjMxNzA3/>.). Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. SOUSA. Formar professores para uma nova escola.. B. ALVES. L. (Orgs. C. 3. 2004. 2008. In: QUELUZ. Joinville: Univille. L. São Paulo: Olhos D‟Água. ALONSO. P. Professora sim. porém ganha espaço nos corações das alunas que passam.). P. ANASTASIOU. C. (Org. M. pedagógicos e específicos Identidade docente Profissão docente Disciplina Autoridade Autoritarismo Relações e inter-relações Processo de construção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO. O trabalho docente: teoria e prática. não apenas a apreender conteúdos. 1993. Acesso em: 25 set. ANDRADE. FREIRE.DIDÁTICA. das G. MAPEAMENTO DA UNIDADE Construção do Conhecimento Mediador da Aprendizagem Saberes da Docência: experiência. BUENO.. Professor. C.. São Paulo: Pioneira. ed. M. A princípio enfrenta diversas dificuldades. mas aprender o que é a vida e seus desafios. 1999. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Sinopse Julia Roberts interpreta uma recém graduada que irá lecionar em um colégio tradicional. Disponível em: <http://www. Vida e ofício de professores.pensador.

2008.celsovasconcellos. 2008. PIMENTA. Pedagogia. Didática. NÓVOA.. São Paulo: Cortez.). Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. Disponível em: <http://revistaescola.com. 1992.shtml>.br/indi. ed. VENTURA. (Coleção Magistério). 41 . Disponível em: <http://www.Unidade 2: Trocas e Mediações Pedagógicas LIBÂNEO. M. dos S. São Paulo: Libertad Editora. (Org. A organização de currículos por projetos de trabalhos. G. Acesso em: 13 out.com. 2002. C. C.abril. S. 18. 1995. _______. Planejamento: Projeto de ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para a elaboração e realização. ciência da educação. Porto Alegre: Artmed. HERNÁNDEZ. Didática. Nova Escola. _______.br/edicoes/0142/aberto/mt_247181. Que destino os pedagogos darão à pedagogia. _______. Acesso em: 14 out. 2008. (Coleção Docência em formação) VASCONCELLOS. A.pdf >. J. 1998. São Paulo: Cortez. Libertad. 1996. F. In: PIMENTA S. Professor se forma na escola.

p. Para Libâneo [1994. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Esta idéia de planejamento é que justamente deveria ser trabalhada na escola..Planejamento Escolar EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Saiba definir o que é planejamento. organização. Identifique os tipos de planejamentos escolares. O autor levanta nesta afirmativa as seguintes idéias: a tarefa docente implica a previsão. Analise e identifique a estrutura de um plano de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes. como no projeto político pedagógico. No segundo momento o cerne do planejamento escolar se refere à reflexão das ações docentes. execução e revisão das atividades didáticas e docentes segundo os objetivos propostos. questionar o processo de ensino-aprendizagem é buscar estratégias e condições pensando nos alunos e na escola. Planejamento: Conceituação e Importância Planejamento em educação precisa ser entendido como um processo de reflexão.. mas também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação. plano de aula entre outros. 42 . nas diversas instâncias presentes nas escolas. no plano de ensino. 221]: O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos de sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos. Essas idéias geralmente são compreendidas em um primeiro momento do planejamento pelos professores. quanto sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. Desse modo.. dada uma determinada realidade. as quais trabalharemos detalhadamente nesta unidade. vivenciado na prática pedagógica.

1998. os problemas da educação escolar. É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política de sua prática educativa. que permitem consolidar e dinamizar as ações que representam os interesses de uma coletividade. avaliação. de organização: “O planejamento. Assim. É válido ressaltar que se entende por estas ações o resultado de decisões políticas individuais e/ou coletivas de caráter pedagógico. como citamos anteriormente. considerando os objetivos da escola. mas um trabalho coletivo de organização da atividade educativa. não é um momento isolado de pura reflexão. ideológico e isenta de neutralidade. no processo ensino aprendizagem. etc. o “fazer do professor” no âmbito educacional. uma atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente” [FUSARI. „rigorosa‟ e „de conjunto‟. 45] ainda acrescenta ao conceito de planejamento que: “Pode-se. Assim.” O radical que o autor nos fala significa buscar a raiz do problema. referem-se ao projeto político pedagógico. ao entender esta atividade como processo permite-nos vê-la como uma função pedagógica que envolve períodos de discussão. sistematização. Na escola o planejamento é apresentado em forma de documentos chamados: plano. os quais fazem parte do processo. afirmar que o planejamento do ensino é o processo de pensar. plano de ensino. escolhas. plano de aula. garantindo a continuidade do processo educativo. Planejamento na escola Como se dá o planejamento dentro da escola? Como é esse processo individual e coletivo? Como aplicar o conceito de planejamento como um ato de tomar decisões imprescindíveis e não como uma mera formalização burocrática? O ato de realizar um planejamento envolve indubitavelmente momentos de decisões políticas. de forma „radical‟. 45]. demandando do educador uma atitude de análise. Para tanto. mas todos devem considerar que o planejamento é uma articulação dinâmica e coletiva entre o fazer. p. Sendo assim. é. constituída de vários atores. Cada um deles caracteriza os diferentes momentos da prática educativa. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. apropriação de instrumentos e procedimentos teórico-metodológicos. o refletir e o sentir. científica de caráter político. o planejamento é um processo amplo que necessita abranger todos os momentos do também processo ensino-aprendizagem (elaboração. tomadas de decisões e re-definições. execução e avaliação). pois. ou seja.Unidade 3: Planejamento Escolar O professor Fusari [1998. de forma a considerar o coletivo dos indivíduos no desempenho de diferentes atividades e a tomada de decisões pertinentes. que são formalizados em documentos. p. programa ou projetos que. 43 . O planejamento deve ser considerado uma forma de viabilizar e contribuir positivamente no processo educativo de seus envolvidos. é fundamental que o professor perceba que o ato de planejar significa a realização de uma atividade de forma intencional. rigorosa pressupõe que tem caráter científico de pesquisa. acima de tudo. e de conjunto refere-se ao domínio ou visão total do processo de ensino aprendizagem. Dessa forma. nesta perspectiva.

na qual a realidade concreta (escola. 1992. também contribui para a produção de novos conhecimentos. diretor. aluno. 45]. avançar. professores de forma coletiva e professores individualmente). coordenador e comunidade escolar na construção da cidadania e dos saberes. valorizando a participação de todos: professores. dentro da escola encontram-se três níveis de planejamento: o plano de escola (Projeto Político Pedagógico). também se inter relaciona com os variados projetos didáticos e gestoriais que a escola possa estar desenvolvendo e com os diferentes planos de ensino. que expressa orientações gerais que sintetizam as ligações entre a escola e o sistema escolar mais amplo. Cabe salientar que Enquanto planejamento de ensino é o processo que envolve a atuação concreta dos educadores no cotidiano do seu trabalho pedagógico. alunos. envolvendo a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos [FUSARI. uma pensada e amplamente discutida construção do futuro da comunidade escolar. por isto a necessidade da participação. melhorar qualitativamente. Em seu contexto. O planejamento exige a participação de todos os envolvidos como um momento de repensar o caminho de formação dos educadores e educandos. criar algo novo. é impossível a convivência de um discurso com a prática de divisão e da competição. o plano de ensino e o plano de aula. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encarar o planejamento desta forma permite re-significar o modo de organização do trabalho na escola. deve ser preservada a relação cooperativa para que seja levada em consideração à participação de todos os elementos envolvidos no processo de ensino e que se estabeleça a relação entre teoria e prática. Mais adiante detalharemos melhor estes dois planos. alunos. O planejamento participativo caracteriza-se pela busca da integração efetiva entre a escola e a realidade social. ousar. Observamos então que o Projeto Político Pedagógico é um documento global. No processo de planejamento existe o desafio da transformação. especialistas e demais pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem. sociedade) seja o ponto de partida do planejamento.DIDÁTICA. 225]. p. para que os fins mais amplos da educação sejam alcançados. Dessa forma. O planejamento constitui um processo político. “O plano de ensino é a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um ano ou semestre e o Plano de aula é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou um conjunto de aulas” [LIBÂNEO. Dessa forma. um propósito contínuo e coletivo. Logo a seguir será apresentado um quadro que relaciona as atividades e os documentos inerentes a cada nível funcional (escola. encaminha o aluno para a reelaboração dos conteúdos escolares e do saber sistematizado. o tempo todo. p. envolvendo todas as suas ações e situações. ressaltando a relação entre teoria e prática e a participação da comunidade escolar: professores. O planejamento participativo permite a realização de um trabalho problematizador. 44 . 1998.

] um momento de documentação do processo educacional escolar como um todo. p. os planos de ensino e os planos de aula. Vemos que a ação consciente. 1992]. 24. p. O Plano de Ensino Segundo Fusari [1991. é um subsídio para a organização do seu trabalho pedagógico. É importante ressaltar que o processo de reflexão frente ao planejado e ao vivenciado na sala de aula completa e mostra a inter-relação entre planejamento e plano e a natureza e necessidade do processo AçãoReflexão-Ação da prática docente [FUSARI. Vemos que nessa definição de Fusari [1991] o plano aparece como um instrumento que contribui para orientar e organizar a prática docente. Plano de ensino é. numa área e/ou disciplina específica. pois. Todavia o professor deve e pode superar os limites do plano de ensino quando for necessário. tendo-se a certeza e a clareza de que a competência pedagógica-política do educador escolar deve ser mais abrangente do que aquilo que está registrado no seu plano. Nível Atividade Documentos Projeto Político Pedagógico Escola Elaboração de diretrizes políticas para todo o currículo Diretrizes sobre aspectos específicos Programação Escolar Elaboração de diretrizes para as Professores de forma coletiva ou com os coordenadores pedagógicos disciplinas Elaboração de planos para cada curso ou série Planejar e preparar unidades didáticas Professores Preparar e planejar aulas Documentos de diretrizes para as disciplinas Seqüências didáticas Planos para as unidades didáticas Planos de aula e materiais didáticos Fonte: Adaptado de BUTT. 223] ao explicitar a função do plano como orientador da prática e que exige reflexão: 45 . e não o plano em si... de inter-relação entre ação prática pedagógica e realidade também é colocado por Libâneo [1992. Este documento refere-se a um aspecto da prática pedagógica-política do professor.Unidade 3: Planejamento Escolar Quadro 1 Relação entre os níveis de planejamento: currículo. um documento elaborado pelo(s) docente(s). o plano de ensino é [. 2006. e não como uma “camisa de força” ou mero cumprimento de uma exigência pedagógica. contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho. p. competente e crítica do profissional é o que provoca mudanças. Esse movimento dinâmico. 45-53]. O plano de ensino deve ser percebido como um instrumento orientador do trabalho docente.

Atitude) Língua Portuguesa Matemática Ciências Naturais História Geografia Arte Língua Estrangeira Ensino Médio. Os itens do plano de ensino variam conforme a escola. Escola Ano do Ciclo (público-alvo) Conteúdo (o quê? Área Objetivos (para quê?) Conceitual.DIDÁTICA. É a possibilidade de continuamente fazer e retomar o planejamento que confere sentido às ações cotidianas. pedagógica e estratégica para o docente. organizacional. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Como sua função é orientar a prática. em cada área do Ensino Fundamental. No Quadro 2 a seguir são detalhados os pontos de um plano de ensino. O plano de ensino pode conter os seguintes elementos: Objetivos da educação escolar: para que ensinar e aprender? Conteúdos: o que ensinar e aprender? É organizado em unidades didáticas. não importa o modelo ou formato. pois uma das caraterísticas do processo de ensino é que está sempre em movimento. Áreas Linguagem Códigos e suas tecnologias Ciências da Natureza. está sempre sofrendo modificações face às condições reais. entre outras Recursos Duração (cronograma de Trabalho Tipo de instrumento de avaliação (como definir avanços) 46 . Procedimental. Quadro 2 Modelo de Plano de Ensino. Métodos: como e com o que ensinar e aprender? Tempo e espaço da educação escolar: quando e onde ensinar e aprender? Recursos: o que será utilizado? Avaliação: como e o que realmente foi ensinado e aprendido? O importante é que o professor busque seu caminho de forma pessoal e coletivamente para que consiga organizar e planejar as suas estratégias. partindo das exigências da própria prática. assim como uma possível apresentação do plano. ele não pode ser um documento rígido e absoluto. mas a função política.

Mas de modo amplo. para tanto. É na aula que o professor direciona a ação docente para que se efetive o processo de aprendizagem escolar: a assimilação consciente e ativa dos conteúdos. quem é seu aluno. podemos dizer que o plano de aula é um detalhamento do plano de ensino. a forma como são tratados os conteúdos dentro de sua disciplina. [FUSARI. também. e dos seus compromissos com a democratização do ensino. Cada professor pode e deve organizar seu plano de aula levando em consideração que a aula é um período de tempo variável. a tarefa cotidiana de preparar suas aulas. conteúdo ou unidade didática. como inicia rotineiramente suas aulas. Cada professor ou equipe escolar pode escolher o seu modelo próprio de plano de aula. É na aula que se organizam ou se criam situações docentes para que se produza o ensino-aprendizagem. p. por isso é preciso planejar um conjunto de aulas que correspondam a um tema. como as conduz e se existe a preocupação com uma síntese final do dia ou dos quarenta ou cinqüenta minutos vivenciados durante a hora-aula. Para Fusari [1998]. Cada conceito novo deve seguir uma continuidade do anterior ou ser resgatado nos conhecimentos prévios dos alunos. o que pretende com o conteúdo. 1998. Dificilmente em apenas uma aula trabalha-se uma seqüência didática completa ou inicia-se um novo conteúdo e já o finaliza. preparar aulas é uma das atividades mais importantes do trabalho docente. o que implica ter claro. a construção e a inter-relação de conhecimentos por parte dos alunos. faz parte da competência teórica do professor e dos seus compromissos com a democratização do ensino. Em cada aula vai-se formando a rede do currículo escolar proposto para cada etapa e modalidade de ensino. 6]. O autor também chama a atenção para outro aspecto da importância do preparar e planejar as aulas: Também aqui vale reforçar que faz parte da competência teórica do professor. O plano de aula é visto como auxílio e ao mesmo tempo parte necessária do trabalho pedagógico que permite pensar o que. como e quando fazer.Unidade 3: Planejamento Escolar Plano de Aula Por caracteriza-se pela previsão mais detalhada das realizações do dia-a-dia. deve-se considerar também o nível de preparação inicial dos alunos. Os professores devem estar atentos na continuidade e na progressão. enfatizando a ação e a dinamização da proposta global do plano de ensino. pode-se elencar os itens que compõem um modelo: Título da aula Série Tempo necessário Introdução Objetivos Recursos didáticos Organização da sala Procedimentos didáticos ou desenvolvimento da aula Avaliação Referências bibliográficas 47 .

2006. 2006. Quadro 3 Modelo de Planejamento A. p. Data Aula Horário Turma Sala Título da aula Objetivo da aula Objetivos de aprendizagens Conteúdo: sobre PCN e a outros conteúdos Relações interdisciplinares Recursos Atividades – tarefas de aprendizagens duração Estratégias de ensino Oportunidades de avaliação. objetivos. Dia Objetivo da aula Período Série Objetivos de aprendizagem Unidade didática Métodos – procedimentos. 44. critérios Avaliação do ensino Avaliação da aprendizagem Fonte: Adaptado de BUTT.DIDÁTICA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I No Quadro 3 a seguir serão apresentados dois modelos de planejamento de aula que podem ser utilizados pelos professores. 44. 48 . p. estratégias Atividades do professor dos alunos Tarefa para casa Avaliação Fonte: Adaptado de BUTT. Quadro 4 Modelo de Planejamento B.

Caso considere necessário. VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora para assistir à videoaula: Planejamento na Escola. tomadas de decisões e re-definições. não deve ser visto como um instrumento que deva ser elaborado a uma só mão. É um processo dinâmico que permite ao professor assumir uma atitude crítica e política sobre sua prática educativa. REFLEXÃO ______________________ Como vimos. Contudo. coordenadores.. avaliação. todo ato de planejamento exige do docente momentos de reflexão. reflita: como você acredita que deva ser o ato de planejar sem que este se transforme em um ato burocrático. escolhas. encerramos esta unidade e aproveitamos para reforçar a importância do planejamento no processo de ensino-aprendizagem. realize anotações em seu caderno. direção e todo o corpo docente. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. sem nunca perder de vista a realidade da comunidade na qual a escola está inserida. mostrando seus benefícios e a importância que cada um possui perante a uma instituição de ensino.. Escreva um breve texto reflexivo sobre qual deve ser o motivo de descontentamento e desinteresse dos docentes em realizar freqüentemente um planejamento de suas atividades. A partir dela conheceremos os conceitos do planejamento escolar. Ao término da atividade o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para lerem para a sala suas respectivas reflexões. Dessa forma. É preciso ficar claro que sua elaboração é o momento no qual o professor faz reflexões e questionamentos que visam as melhores estratégias e condições para a educação do aluno. afinal sua realização não depende tão somente do esforço do professor.Unidade 3: Planejamento Escolar Com isso. mas de todos os envolvidos no processo de educação: alunos. 49 .

de qualquer maneira. a se encaminharem para uma sala de aula onde a reunião se realizará. por meio da qual orienta cada 50 . um clima de alegria. Distribui uma paleta para cada uma delas. entre outros. imediatamente. após o que. Início do ano letivo. O tema da reunião admisnistrativa e pedagógica é. Por outro lado. olhares curiosos. definido pela equipe diretiva durante as férias dos professores. cantina. o coordenador pedagógico dá início a uma dinâmica de grupo. é um novo recomeçar. lista de alunos das novas turmas. O coordenador pedagógico convida os presentes. como deveria ser. dedicando-se mais à “parte administrativa”. Acrescenta que estes. alguma retração. Todos ocupam seus lugares e as boas vindas são oferecidas pela diretora. sobre as próximas tarefas.DIDÁTICA. recém-ingressantes também participam da confraternização. Educar é uma luta constante. Vai começar a primeira reunião de um novo trabalho educativo. observada carinhosamente pelos colegas. por sua vez. pontualidade dos professores na entrada e saída. de acordo com suas disciplinas. Agora. de abraços meteóricos. Ela distribui uma pauta mimeografada com os itens que estarão sendo discutidos: entrega de documentos. com sua voz grave. Professoras e professores. crachás para as primeiras séries. planejamento e organização do trabalho da escola. calmamente. cautelosos. foram elaborados por especialistas da escola dentro dos padrões científicos e técnicos exigidos pela Secretaria da Educação e estão perfeitamente de acordo com os Planos Nacional e Estadual de Educação. Em seguida. Uma atmosfera cor-de-rosa entre docentes e equipe diretiva. Dia de reencontros explosivos. reúnam-se em duplas e analisem o caso a seguir. Lembra que os mesmos deverão ser elaborados em fina consonância com o Plano Diretor da Escola e com os Planos de Curso já definido nos anos anteriores. O coordenador pedagógico passa a falar. mas. antigos companheiros de trabalho. novos horários de intervalos. novo código disciplinar para os alunos. Uma professora chega atrasada na ponta dos pés. que fala um pouco sobre a organização da escola. alguma aproximação. todos concordam. passa a palavra à senhora diretora. visando responder às posteriores questões.. que logo em seguida declara abertos os trabalhos. A diretora da escola exercita sua pontualidade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A partir da concepção de planejamento que estudamos.. Solicita a formação de equipes. Informa que os planos de ensino deverão ser providenciados pela equipe docente e entregues ao final de três dias de reuniões. as aulas terão início.

O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet aos grupos. reunidos em grupos de cinco alunos. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Agora. Professoras e professores que se mostravam confusos e aparentemente desanimados diante das palavras planos. Sua análise deve ser registrada em seu caderno. A disciplina deverá ser escolhida pelo grupo. 1997. planejamentos. normas e prazos. Recordem sobre seus antigos professores e tentem encontrar em suas memórias posturas docentes que transpareceram ser desmotivadas e os conseqüentementes prejuízos que sofriam as aulas. o que não consegue provocar reações nos companheiros. Sem escolha. Após quase uma hora o coordenador anuncia o início das exposições. 3. Como é visto o planejamento nesta escola? Se você fosse professor. agora ilhados em suas definições. qual postura teriam no início do ano letivo para a elaboração do planejamento? Reescreva o caso mediante ao que estudamos seguindo a postura que adotaram. como informa a diretora. ou. que a todos lembrava experiências burocráticas de anos anteriores nada compensadoras. 51 . Terminada a dinâmica e estourado o tempo da reunião na parte da manhã. Nota-se no recinto um amargo sentimento. faça a pesquisa pela internet ou outros meios de busca. como seria sua postura no decorrer do ano letivo? Atente-se para o fato de que seus alunos necessitam construir conhecimentos significativos. Assim começava a tarefa de planejar naquela escola e naquele ano. Descreva esta(s) situação(ões). 4. ______________________ Fonte: BRASIL. os professores disporão de novos livros didáticos enviados pelas editoras. podem utilizar como referência os modelos apresentados na Mobilização do Conhecimento.Unidade 3: Planejamento Escolar grupo para que se reúna por meia hora e em seguida apresente aos demais grupos alguns objetivos específicos de suas disciplinas para o ano letivo. se preferir. tal o silêncio que toma conta do ambiente. Se quiserem. analise: 1. 2. como se o encantamento inicial tivesse se evaporado subitamente e dado lugar a um ar de constrangimento. cada reprsentante de grupo lê os objetivos específicos aos quais chegara sua equipe. realizem o planejamento de uma aula. Se vocês fossem os gestores. transfere-se para o perído da tarde o início da elaboração do planejamento. O tempo acaba não sendo suficiente. Para tanto. a partir dos quais poderão adaptar seus planos de ensino dos anos anteriores. Mediante a leitura.

Vimos que o planejamento escolar tem diferentes níveis. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando.DIDÁTICA... AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. planeje e perceba o caráter decisório e fundamental para sua prática docente. um professor competente faz um bom planejamento e não um bom planejamento garante um bom professor ou uma boa aula. por isso é fundamental que você entenda e pesquise. para pensar na melhor forma de trabalhar e garantir a prendizagem dos seus alunos. Olhando para fora. O planejamento deve ser uma exigência do próprio docente. Agora convidamos você para realizar sua alto-avaliação.. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. algo que vem pronto de fora da esfera de trabalho docente e é imposto. Esta unidade permitiu a você compreender o que é planejamento e a sua importância na profissão docente.. Deve-se ultrapassar a imagem de cumprir o planejamento como se fosse uma “camisa de força”. intencional e própria da atividade pedagógica. 52 . sugerimos que consulte a seguinte referência que compôs a base desta unidade. Visando enriquecer seu aprendizado. Posso definir planejamento através do estudo realizado? Identifiquei quais são os tipos de planejamentos escolares? Sei identificar a estrutura de um plano de ensino? Arquive suas respostas em seu portfólio... Independente da esfera em que se desenvolva o planejamento. Atente-se para as questões a seguir que nortearão suas considerações a respeito de seu aprendizado. deve ficar claro para você que a relação aluno-professor e situações de aprendizagens compreendem uma instância política. Deve-se entender planejamento como um processo de reflexão e questionamento sobre e para a prática sendo seu caráter político e intencional. Parafraseando Fusari [1998]..

php?t=001>. G.gov. M. C. Disponível em: <http://www. Essa obra traz uma análise do cotidiano da prática pedagógica. J. 44-53. 2008. São Paulo: FDE. 1998. Introdução. O planejamento de aulas bem sucedidas. 2008. Acesso em: 17 set. BUTT.sp. (Série Idéias. J.gov.Unidade 3: Planejamento Escolar NEIRA. MAPEAMENTO DA UNIDADE Burocratização Participação Planejamento Ato político Autonomia Momento de aprendizagem Aluno Instâncias diferentes Educação Formação docente Plano de aula Identidade docente Planejamento escolar Unidade didática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. FUSARI.br/edc_a. São Paulo: SBS. p. São Paulo: FDE.php?t=016>. Aparecem como destaque: a maneira de entender o discente.. C. Parâmetros Curriculares Nacionais.sp. Secretaria da Educação Fundamental. 208 p.crmariocovas. p. visando inovações. Acesso em: 17 set. Disponível em: <http://www. Brasília: MEC/SEF. 1992. (Série Expansão) FUSARI. como levá-lo à formação consciente. 2004. 3). 1327. 2006. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática. São Paulo: Phorte.br/prp_a. G. n. 1997. como realizar os objetivos e avaliá-los sob o prisma da educação como forma de libertação e sentido a prática docente. Tendências históricas do treinamento em Educação. 53 . O Planejamento do Trabalho Pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas.crmariocovas.

NEIRA. VIANNA. 54 . I. 1986. 1994. São Paulo: Cortez. Didática. M. São Paulo: EPU. Planejamento participativo na escola. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LIBÂNEO. 2004. _______. J. São Paulo: Cortez. Por dentro da sala de aula: conversando com a prática. 1992. Didática. C. São Paulo: Phorte. G.DIDÁTICA.

sua classificação. Entenda e compreenda as relações existentes entre planejamento. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. visando. a prática educacional se orienta necessariamente por meio de uma ação intencional e sistemática. são fundamentais no processo de planejamento e de formulação de objetivos educacionais. 55 . que permitirão elaborar e compreender novos conhecimentos necessários para exercer a sua cidadania. que faz parte do fazer educativo. assim.Objetivos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Contextualize os objetivos no cenário educacional brasileiro. Os objetivos educacionais compreendem-se como ponto de partida tanto para pensar no que se quer ensinar quanto na iniciação do planejamento escolar. futuro professor ou aluno-professor. elaboração e definição dentro dos diferentes momentos do planejamento educacional. mesmo no momento de formação.. Saiba analisar o processo de elaborar objetivos gerais e específicos para o ensino fundamental. objetivos e o papel do professor como agente de uma prática social. se inserir desde já dentro deste processo e perceber que sua participação e ação. Por isso destacamos que é importante a você.. os diferentes momentos deste processo. Veremos também o papel do professor dentro de sua área de atuação e sua prática educativa. Entende-se que através da prática educativa os indivíduos de uma sociedade poderão se apropriar dos conhecimentos socialmente acumulados pelas gerações anteriores. Planejamento: Conceituação e Importância Objetivos Educacionais Nesta unidade estudaremos o que são os objetivos educacionais. Na iniciativa de alcançar determinados objetivos.

pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. Os objetivos educacionais expressam. O caráter pedagógico da prática educativa está. Observa-se. é importante salientar que existe uma relação estreita entre os objetivos. das lutas pela democratização. 1992. a fim de que sejam realizáveis. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. município ou escola deseja alcançar. aonde se quer chegar. Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho em conjunto do professor e alunos. Os conteúdos básicos das ciências. já que através deles se estabelecem e definem os objetivos da educação. estado. sendo. assim como em que medida atendem às exigências 56 . Para definir e orientar essa ação é que são formulados. portanto. na formulação dos objetivos existem três referências que devem ser respeitadas e trabalhadas em conjunto: O proposto pela legislação educacional que expressa os ideais e propósitos dos grupos políticos dominantes no sistema social. 49]. ao longo da escolaridade obrigatória. 120]. propósitos definidos explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. Em âmbito nacional encontram-se os objetivos educacionais determinados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). 1997. Cabe ao professor desenvolver nessa relação um papel de organizador na tomada de decisões para que os objetivos sejam alcançados ou realizados através da prática educativa. expressam conhecimentos. nesse sentido. p. os quais expressam que: Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham. Nesse sentido. definidos e estabelecidos os objetivos. Essas três referências permitem que o professor avalie a pertinência dos conteúdos e objetivos frente a realidade dos alunos. orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos [BRASIL. capacidades. As necessidades e expectativas de formação cultural exigida pela população majoritária da sociedade decorrente das condições concretas de vida e trabalho. precisamente. os objetivos educacionais são os resultados esperados. conteúdos e as estratégias de ensino. Devem. quais são as finalidades educativas que um país. assim. portanto. o caráter fundamental dos objetivos. em explicitar fins e meios que orientem tarefas da escola e do professor para aquela direção [LIBÂNEO. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desse modo. valores e sentimentos (conteúdos) a serem aprendidos a partir das estratégias metodológicas elaboradas em função dos alunos juntamente com as características específicas relacionadas aos processos de ensino-aprendizagem. habilidades. assim como. p.DIDÁTICA. Para Libâneo [1992]. desejados para a ação educativa. o saber acumulado pela humanidade.

A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático de democratização da educação. É relevante destacar a necessidade de o professor compreender o seu papel de agente de uma prática profissional. com diferentes conteúdos e por estratégias diversificadas. Os objetivos podem ser definidos em termos de capacidades de ordem cognitiva ou intelectual. O professor deve ficar atento e observar que há todo um caminho a ser percorrido com cautela e compromisso para que durante o percurso os alunos aprendam e possam responder às exigências e tarefas enfrentadas no âmbito social. tendo em vista tanto os conteúdos do saber culturalmente acumulado quanto as capacidades que se referem à relação interpessoal e a inserção e atuação social dos alunos. uma vez desenvolvidas. Entretanto. é fundamental desenvolver na escola. Educar é formar cidadãos que não se apresentam dividos em comportamentos ou capacidades isoladas [ZABALA. a qual está inserida num contexto maior. Nessa perspectiva. pois as capacidades. podem se expressar numa variedade de comportamentos. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos [BRASIL. referente à prática social. nem sempre os objetivos da educação nacional representam os interesses majoritários da população. respeitando as características de cada grupo e ao mesmo tempo garantindo a educação para todos. na sala de aula todas as capacidades que contribuem para o desenvolvimento integral do aluno. pois essa mediação interfere no desenvolvimento do aluno. por isso a necessidade de o professor realizar uma prática pedagógica responsável. Ao professor cabe a adequação dos objetivos para seus alunos. profisional. ética e estética. de relação interpessoal. devem-se incluir na formação escolar as relações que se estabelecem com os outros e com a realidade social. para o qual é necessário um posicionamento ativo do professor na explicitação e definição destes. Para continuar nossa análise é necessário observar: como são definidos os objetivos nos PCNs? Podemos ver neste documento que os objetivos se constituem como capacidades. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. A capacidade de uma pessoa para se relacionar depende das experiências vividas. inserção social. p. tanto no processo do planejamento escolar (plano de ensino e de aula) quanto nos elaborados pelo sistema de educação. afetiva (equilíbrio e autonomia pessoal). O professor deve pensar que os objetivos educacionais são uma exigência no trabalho docente. O professor. Por isso. político e cultural. 1998]. 47]. 1997. 57 . que devem ser desenvolvidas pelos educandos durante o período de escolarização e que permitem serem trabalhadas em diferentes momentos. A intenção dessa classificação é considerar a formação ampla do educando. e a escola é um lugar onde se estabelecem vínculos e relações que condicionarão e definirão as próprias concepções socias sobre si e sobre os outros.

assim como também indicam as opções políticas e pedagógicas dos professores diante das contradições sociais [LIBÂNEO. Representam as exigências da sociedade em relação à escola. O docente deve ficar atento à diversidade de seus alunos. O professor participa diretamente no nível dos objetivos da escola. Porém. p. Por trás de qualquer ação pedagógica encontra-se uma tomada de posição que sempre é ideológica. podendo. Dessa forma. assim como dos métodos e estratégias necessárias para uma aprendizagem sólida dos alunos. por isso o educador deve pensar e agir de forma consciente para que o aluno consiga desenvolver todas as capacidades que lhe são exigidas. contando com a participação de toda a equipe docente. Isso permite que o professor trabalhe de forma que valorize a diferença. assim. dos conteúdos escolares para a formação de cidadãos ativos e participantes na sociedade. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cabe ao professor apresentar os conteúdos e as atividades de aprendizagem de maneira que os alunos entendam a razão e a finalidade daquilo que aprendem. é esperado que estes alunos desenvolvam expectativas positivas sobre a aprendizagem e tenham motivação para as atividades escolares. conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. habilidades. No plano de ensino sua responsabilidade é direta. a padronização (exigindo que todos manifestem o mesmo tipo de comportamento). os materiais usados) cada uma das decisões produz experiências educativas. Este processo exige que o professor possua convicções próprias sobre os fins sociais. exercer seus direitos e deveres como cidadão. o professor tem a possibilidade de compreender que a forma de estabelecer a comunicação na sala de aula. a forma como os objetivos são formulados são favoráveis para o desenvolvimento dos alunos. 1992]. assim. 122]. as regras de convivência. Vemos que os objetivos são ponto de partida do processo pedagógico e representam as premissas gerais dos diferentes níveis de planejamento e da ação pedagógica. Dessa forma. já que as capacidades podem ser manifestadas de diferentes formas e comportamentos. ao realizar uma aula (a organização. estes depois serão convertidos em específicos de cada disciplina de ensino. deixando de lado. já que o trabalho escolar deve ser uma atividade coletiva. Com isso. referentes a conhecimentos. 1992. Objetivos Gerais e Objetivos Específicos Os objetivos educacionais podem ser apresentados em dois níveis: gerais e específicos. atitudes e convições cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de transmissão e assilimilação ativa das matérias de estudo [LIBÂNEO.DIDÁTICA. ao ensino. Os gerais definem as linhas gerais da prática educativa brasileira: o conceito de escola e ensino diante da sociedade e do desenvolvimento de cada aluno. aos alunos. as expectativas que se tem do aluno. 58 . pois é este que orientará sua prática de sala de aula frente aos alunos. políticos e pedagógicos do trabalho docente. Os objetivos específicos de ensino determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos.

de relação interpessoal. que expressam conhecimentos. pois explicitam um rumo que orienta o trabalho escolar em torno de uma programação para uma disciplina. b) Objetivos estabelecidos pela escola: princípios. inserção social. e elaborar critérios para avaliar o próprio trabalho docente. ética e estética. conteúdo e alunos. A partir dessa definição estabelecem-se os conteúdos objetivos e o professor poderá definir conteúdos em termos das capacidades a serem desenvolvidas. O professor deve vincular os objetivos específicos aos gerais. diretrizes que orientam o trabalho escolar. atitudes. plano de curso). organizar. de relação interpessoal e inserção social. a partir da visão de conjunto do trabalho escolar e da programação escolar indicada pelos diferentes órgãos do sistema escolar. Os objetivos definidos nos PCN‟s em termos de capacidades de ordem cognitiva. o professor deve trabalhar. Os objetivos específicos têm sempre um caráter pedagógico. afetiva. hábitos. Dessa forma. definir e priorizar os objetivos específicos de ensino. tendo presente a situação real na qual serão trabalhados: escola. os objetivos específicos devem: 59 . equilíbrio e autonomia pessoal). convicções que buscam o desenvolvimento das diversas capacidades dos alunos (cognitiva ou intelectual. conteúdos e métodos: os conteúdos são preparados pedagogicamente para serem ensinados e apreendidos. estabelecer os procedimentos e estratégias de ensino. determinar o processo de avaliação. já que orienta suas atividades e permite a avaliação da própria prática pedagógica. Existe uma estreita relação entre objetivos. A definição dos objetivos específicos subsidia o trabalho do professor. Percebemos que em todo momento se faz necessário que o professor reflita sobre as implicações sociais de seu trabalho. Conhecimento e análise das diretrizes de ensino e exigência de postura política frente aos objetivos (plano de ensino. aos pais e demais educadores. sobre o papel das disciplinas que leciona na formação de alunos ativos e participantes e sobre as formas didáticas pedagógicas de organização do ensino. unidade de ensino ou uma aula. c) Objetivos explicitados pelo professor: concretiza a sua própria visão de educação e sociedade no ensino do conteúdo de uma determinada disciplina. Os objetivos específicos expressam as expectativas do professor sobre as capacidades a serem desenvolvidas pelos alunos durante o processo de ensino. segundo os valores dominantes na sociedade. O conteúdo escolar possui objetivos que indicam resultados. Desse modo. habilidades. afetiva. comunicar de forma clara seus propósitos de ensino aos próprios alunos. física. tendo em vista uma formação ampla (podemos incluir também aqui os objetivos gerais da Educação Fundamental).Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Para esse autor os objetivos gerais podem ser explicitados em três níveis de abrangência: a) Objetivos estabelecidos pelo sistema escolar: valores e finalidades da educação. ética e estética. Escolhas das estratégias e dinâmica da sala de aula para a aprendizagem dos alunos (plano de aula). o projeto político pedagógico.

Dosar o grau de dificuldade. mas não se esqueça de que eles representam ou são parte de um objetivo mais amplo. a sua autonomia passa pela preocupação e pelo conhecimento das intenções educativas no âmbito nacional. problemas. • Possibilitar enfoque comum aos professores.. Especificar as capacidades fundamentais que serão desenvolvidas e aplicadas em situações escolares. questões estimulantes e viáveis. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. Esperamos que depois de ler e analisar o que são os objetivos educacionais.. de modo que sejam incorporados como os próprios objetivos dos alunos. a seguir evidenciaremos alguns objetivos gerais para o ensino fundamental extraídos dos PCNs.DIDÁTICA. descreva as capacidades expressas de cada um e os explique com suas palavras. e cabe a você enquanto profissional a tarefa de fazer com que eles representem os interesses de todos os envolvidos no processo educativo e se adéqüem aos diferentes alunos com os quais trabalha e propicie a aprendizagem destes. respeitando as diversidades de cada educando. facilitando o processo de avaliação. possibilitando uma compreensão de conjunto. Expressar os objetivos de forma clara. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Desdobrar e operacionalizar os objetivos gerais: os objetivos gerais são amplos e precisam ser detalhados e adequados ao grau e à série na qual o professor trabalha. sua classificação e importância. Exemplo: 60 . expressando desafios. TREINANDO ______________________ Visando dar continuidade aos conceitos apresentados na Mobilização do Conhecimento. Ser formulados como resultados a alcançar. Os objetivos específicos fazem parte do planejamento de cada unidade didática. regional e individual (sua realidade escolar). você perceba que estes contribuem para o seu trabalho docente e que permitem compreender e adequar os objetivos educacionais à sua prática educativa. Estabelecer uma seqüência lógica de forma que os conteúdos sejam trabalhados de forma interrelacionada. na vida prática e em situações futuras. Realizando esta atividade você treinará sua percepção e contextualizará os objetivos no cenário educacional. Para tanto. Após fazer a leitura destes objetivos.

pdf>. O (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet. Caso seja necessário. de etnia ou outras características individuais e sociais. Posicionar-se de maneira crítica. disponível no site: <http://portal. identificando seus elementos e as interações entre eles. no dia-a-dia. pessoal e o sentimento de pertinência ao País. de sexo. 69]. descrevendo a capacidade a que se refere e sua devida explicação. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro.gov. posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático Objetivos Gerais do Ensino Fundamental “Compreender a cidadania como participação social e política.br/seb/arquivos/pdf/introducao. assim como exercício de direitos e deveres políticos. Como exemplificado. p. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Perceber-se integrante. 1997.mec. de crenças. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. agora realize essa atividade em seu caderno. dependente e agente transformador do ambiente. de classe social.” [Brasil. Capacidades Expressas Ética ExplicaçãoComentário Respeito pelo grupo social e cultural ao qual o aluno pertence. adotando. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. consulte via internet a versão on line do PCN. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais. contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente. civis e sociais. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações. 61 . cooperação e repúdio às injustiças. atitudes de solidariedade. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional.

interpretar e usufruir das produções culturais. 62 . de inter-relação pessoal e de inserção social. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. a intuição. utilizando para isso o pensamento lógico. a criatividade. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Conhecer e cuidar do próprio corpo. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva. plástica e corporal –como meio para produzir. 69. matemática.DIDÁTICA. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: _______________ Fonte: Adaptado de BRASIL. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Utilizar as diferentes linguagens – verbal. p. valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. estética. em contextos públicos e privados. gráfica. física. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. expressar e comunicar suas idéias. atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação. cognitiva. para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. ética. 1997. Capacidades expressas: Explicação/Comentário: Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. a capacidade de análise crítica.

Formulam objetivos tais como: reconhecer diferentes gêneros textuais ao invés de: reconhecer os gêneros textuais segundo as situações de uso. Se considerar necessário. o (a) tutor (a) deverá disponibilizar o acesso à internet para consulta aos PCN‟s. Realizada a leitura. A partir dela iremos tratar dos objetivos como um dos componentes básicos que constituem um planejamento. O (a) tutor (a) deverá organizar as apresentações. que se reúnam em grupos de quatro ou seis participantes e elaborem uma atividade para as primeiras séries iniciais do ensino fundamental. Ele se refere aos objetivos de se trabalhar os temas transversais nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Sugerimos. INDAGAÇÃO E BUSCA ______________________________ Concentre-se e leia individualmente o excerto de texto apresentado a seguir. A atividade deverá ser anexada em seu caderno. Se necessário. Alguns professores trabalham com objetivos que priveligiam a capacidade intelectual e deixam de lado as de relação interpessoal e inserção social. Não priorizem apenas a capacidade cognitiva/intelectual e façam a representação de uma sala de aula na qual o professor deverá trabalhar a atividade que criaram. 63 . inseridos na vida social. VIDEOAULA ______________________ Convidamos você agora a assistir à videoaula A importância de estabelecer objetivos. elabore um texto que apresente a relação do nível dos objetivos e importância da participação do professor.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático DINÂMICA DE GRUPO ______________________________ Nos Parâmetros Curriculares Nacionais são definidas cada uma das capacidades que devem ser trabalhadas no ensino. então. realize anotações em seu caderno. também tente descrever a dimensão da prática educativa e social do professor relacionando-os com os objetivos e conteúdos propostos pelo documento.

atitudes e tomadas de decisão e possibilitando o conhecimento de que a formulação de tais sistemas é fruto de relações humanas. de um ou vários grupos sociais e de comprometer-se pessoalmente com questões que considere relevantes para a vida coletiva. permite a superação da rigidez moral. os valores e opções que envolvem. de relação interpessoal e inserção social. da representação espacial. A ação pedagógica contribui com tal desenvolvimento. No trabalho escolar o desenvolvimento dessa capacidade é propiciado pela realização de trabalhos em grupo. conviver e produzir com os outros. tem diante de si maiores possibilidades de atender à diversidade de seus alunos. A decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades é crucial nesta proposta. contrastes de temperamento. nas diferentes situações da vida. de maneira consciente ou não. incentivando a reflexão e a análise crítica de valores. A afetiva refere-se às motivações. de intenções e de estados de ânimo. pessoal. percebendo distinções entre as pessoas. na relação interpessoal e na compreensão das relações sociais. A capacidade afetiva está estreitamente ligada à capacidade de relação interpessoal. à auto-estima. uma vez desenvolvidas. nos jogos. de uma classe. no julgamento e na atuação pessoal. consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao desenvolvimento de uma mesma capacidade. no deslocamento com segurança. historicamente situadas. à sensibilidade e à adequação de atitudes no convívio social. tendo em vista uma formação ampla. A construção interna. Quanto à capacidade de inserção social. envolvendo a resolução de problemas. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Objetivos Os objetivos propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da escolaridade. ética e estética. conseqüências e intenções. pois seu desenvolvimento é necessário 64 . condicionantes. Assim. os objetivos se definem em termos de capacidades de ordem cognitiva. de princípios considerados válidos para si e para os demais implica considerar-se um sujeito em meio a outros sujeitos. O desenvolvimento da inter-relação permite ao aluno se colocar do ponto de vista do outro e a refletir sobre seus próprios pensamentos. vinculando-se diretamente ao uso de formas de representação e de comunicação. refere-se à possibilidade de o aluno perceber-se como parte de uma comunidade. A capacidade ética é a possibilidade de reger as próprias ações e tomadas de decisão por um sistema de princípios segundo o qual se analisam. podem se expressar numa variedade de comportamentos. pois as capacidades.DIDÁTICA. Esses fatores levam o aluno a compreender a si mesmo e aos outros. por práticas de cooperação que incorporam formas participativas e possibilitam a tomada de posição em conjunto com os outros. entre outras formas afirmando claramente seus princípios éticos. O desenvolvimento dessa capacidade permite considerar e buscar compreender razões. Essa capacidade é nuclear ao exercício da cidadania. afetiva. que envolve compreender. A capacidade estética permite produzir arte e apreciar as diferentes produções artísticas produzidas em diferentes culturas e em diferentes momentos históricos. estando vinculada à valorização do resultado dos trabalhos produzidos e das atividades realizadas. na superação de estereótipos de movimentos. isto é. A capacidade física engloba o autoconhecimento e o uso do corpo na expressão de emoções. A aquisição progressiva de códigos de representação e a possibilidade de operar com eles interfere diretamente na aprendizagem da língua. física. O professor. da matemática. A capacidade cognitiva tem grande influência na postura do indivíduo em relação às metas que quer atingir nas mais diversas situações da vida. temporal e gráfica e na leitura de imagens. nuanças.

A escola preocupada em fazer com que os alunos desenvolvam capacidades ajusta sua maneira de ensinar e seleciona os conteúdos de modo a auxiliá-los a se adequarem às várias vivências a que são expostos em seu universo cultural. • Objetivo Geral do Ensino Fundamental: utilizar diferentes linguagens – verbal. Esta. plástica. apresentam inicialmente os Objetivos Gerais do ensino fundamental. de modo a tornar o ensino mais humano. o que muitas vezes exige uma atenção especial por parte do professor a um ou outro aluno. Um exemplo de desdobramento dos objetivos é o que se apresenta a seguir. na explicitação das mencionadas capacidades. e assim desenvolvam expectativas positivas em relação à aprendizagem e sintam-se motivados para o trabalho escolar. pois a ele cabe apresentar os conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os alunos compreendam o porquê e o para que do que aprendem. será possível conduzir um ensino pautado em aprendizados que sirvam a novos aprendizados. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. a desenvolver capacidades de maneira heterogênea. que são as grandes metas educacionais que orientam a estruturação curricular. A partir do reconhecimento das diferenças existentes entre pessoas. gráfica. nem aprendem da mesma maneira. Embora os indivíduos tendam. é importante salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas as capacidades. crucial. considera as capacidades que os alunos já têm e as potencializa. em função de sua natureza. portanto. bem como o desdobramento que estes devem receber no primeiro e no segundo ciclos. mais ético. Mas depende também de que os conteúdos de aprendizagem tenham sentido para ele e sejam funcionais. O papel do professor nesse processo é. fruto do processo de socialização e do desenvolvimento individual. matemática. como forma de conduzir às conquistas intermediárias necessárias ao alcance dos objetivos gerais. é preciso considerar que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses ou habilidades. O aprendizado de diferentes formas e possibilidades de participação social é essencial ao desenvolvimento dessa capacidade. A partir deles são definidos os Objetivos Gerais de Área. Para garantir o desenvolvimento dessas capacidades é preciso uma disponibilidade para a aprendizagem de modo geral. Para tanto.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático para que se possa superar o individualismo e atuar (no cotidiano ou na vida política) levando em conta a dimensão coletiva. 65 . interpretar e usufruir das produções da cultura. fazendo uso do conhecimento matemático para interpretá-las e avaliá-las criticamente. depende em boa parte da história de êxitos ou fracassos escolares que o aluno traz e vão determinar o grau de motivação que apresentará em relação às aprendizagens atualmente propostas. os dos Temas Transversais. • Objetivo Geral do Ensino de Matemática: analisar informações relevantes do ponto de vista do conhecimento e estabelecer o maior número de relações entre elas. para que todos possam se integrar no processo de aprender. por sua vez. preocupa-se com aqueles alunos que encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas. corporal – como meio para expressar e comunicar suas idéias.

Se considerar necessário. de cidadania. _______________ Fonte: BRASIL. norteiam e direcionam a atividade pedagógica. Nesta unidade foi estudado que os objetivos educacionais. bem como das escolas. que a escola deseja proporcionar e tem possibilidades de realizar. pontos de referência que devem orientar a atuação educativa em todas as áreas. As capacidades expressas nos Objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais são propostas como referenciais gerais e demandam adequações a serem realizadas nos níveis de concretização curricular das secretarias estaduais e municipais. sendo. Finalmente. de direitos. que muitas informações são organizadas em tabelas e gráficos para facilitar a leitura e a interpretação. a fim de atender às demandas específicas de cada localidade. Devem. e construir formas pessoais de registro para comunicar informações coletadas. 1997. diretrizes. 47-49. TELEAULA _____________________ Este é o momento de assistirmos a uma teleaula. devem constituir-se uma referência indireta da avaliação da atuação pedagógica da escola. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. portanto. princípios. Eles trazem conceitos de educação.. sejam gerais ou específicos. vivências 66 .DIDÁTICA. Fique atento. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Objetivo do Ensino de Matemática para o Primeiro Ciclo: identificar. registre em seu caderno os principais aspectos apresentados a fim de subsidiar seus posteriores estudos. nesse sentido. assim como o trabalho docente. ao longo da escolaridade obrigatória. Essa adequação pode ser feita mediante a redefinição de graduações e o reequacionamento de prioridades. pois ela sintetizará todos os conceitos trabalhados durante nossas quatro primeiras unidades. p. Mas vemos que é tarefa do docente transformar ou adequar os objetivos às necessidades específicas onde atua e segundo a sua própria formação. orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos.. desenvolvendo alguns aspectos e acrescentando outros que não estejam explícitos. em situações práticas. Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que se pretende que os alunos obtenham.

1992. analisar e questionar os objetivos de ensino para que seus alunos aprendam.. Nessa obra – mais especificamente no capítulo 6 – o autor nos apresenta a importância da estreita relação entre objetivos e conteúdos do Plano Didático.. ainda. C. sugerimos a seguinte obra para aprofundamento do assunto tratado nesta unidade: LIBÂNEO. pense sobre suas aprendizagens e responda as seguintes questões: Sei identificar o que são os objetivos de ensino? Entendi como as diferentes capacidades conseguem o trabalho integral para a formação de um cidadão? Compreendi qual é a função dos objetivos específicos? Consigo contextualizar os objetivos no cenário educacional brasileiro? Soube entender e compreender as relações existentes entre planejamento.Unidade 4: Objetivos no Plano Didático e saberes pedagógicos. Agora é o momento de você se auto-avaliar! Com base no que foi exposto nesta unidade. É uma leitura obrigatória para qualquer educador. não pode se omitir de seu papel de trabalhar com uma prática social. que é a educação. Com o objetivo de ampliar e subsidiar seus estudos. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando.. Olhando para fora. São Paulo: Cortez. cada docente deve pesquisar e confrontar o que é sugerido pelos diferentes níveis educacionais e adequá-los à realidade de sala de aula na qual desenvolve seu trabalho. O autor enfatiza a importância dos objetivos educacionais. ressaltando que os mesmos podem. Isto assegura a autonomia do professor e a exigência de ser comprometido profissionalmente. J. auxiliar o professor na definição dos objetivos gerais e específicos. Esperamos que você compreenda que cabe ao professor mais do que simplesmente preocupar-se em acatar e cumprir os programas oficiais. Para tanto.. Didática.. ele tem a tarefa de re-avaliar. Por isso. bem como a relação destes com os métodos de ensino. objetivos e papel do professor como agente de uma prática social? Não se esqueça de arquivar suas considerações em seu portfólio.. 67 .

gov. Didática.1998. C. LIBÂNEO. A.pdf>. Disponível em: <http://portal. Secretária da Educação Fundamental.mec.br/seb/arquivos/pdf/livro01. A prática educativa: como ensinar. Brasília: MEC/SEF. 2008. 1997. Acesso em: 12 out. 68 . Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Objetivos educacionais Atitude Objetivos gerais-específicos Planejamento Compromisso Orientação do trabalho docente Processo Prática pedagógica Seqüência Parâmetros Curriculares Nacionais REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL.DIDÁTICA. J. Porto Alegre: ArtMed. 1992. ZABALA. São Paulo: Cortez.

ou seja. nesse processo. no qual o professor conjuga a atividade de organizar e selecionar o ensino com a atividade de aprendizagem dos alunos. trataremos agora sobre os conteúdos escolares. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho.. os alunos formam 69 . 128]. Sempre que considerar necessário volte às anteriores. ensino e aprendizagem dos alunos. Nesta visão. É por meio do processo de ensino que a escola cumpre esse papel. devemos pensar nos conteúdos escolares numa relação tríplice entre conteúdo. a relação cognoscitiva do aluno por meio do processo didático com os diferentes conteúdos de ensino. É importante evidenciar que cada unidade é seqüência da anterior e todas se relacionam entre si. Identifique os conteúdos conceituais. permitindo a aprendizagem dos educandos. o qual faz a mediação dos objetivos e conteúdos. Analise os currículos do Ensino Fundamental e traduza em conteúdos escolares segundo as capacidades cognitivas. A escola tem como tarefa principal democratizar os conhecimentos e garantir a cultura de base para todas as crianças e jovens. o ensino é uma atividade específica da escola. Vamos então iniciar nossos estudos. p. procedimentais e factuais.Conteúdos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: Conheça e identifique o procedimento de seleção e organização de conteúdos no processo de ensino. aluno e procedimentos deve proporcionar ou permitir o desenvolvimento de capacidades intelectuais e o pensamento criativo e independente: Através do ensino criam-se as condições para assimilação consciente e sólida de conhecimentos habilidades e atitudes e. que tem como centro a aprendizagem dos alunos. visando sanar possíveis dúvidas conceituais.. Segundo Libâneo [1992. físicas e afetivas dos alunos. essa relação entre conteúdo. Contudo. Para dar continuidade ao processo de planejamento que estudamos. atitudinais.

. não é suficiente uma organização lógica deles. este também envolve a parte afetiva (valores. tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. de trabalho e de convivência social. O que são os conteúdos? Neste tópico usaremos alguns autores e os Parâmetros Curriculares Nacionais para definir o que são os conteúdos.DIDÁTICA. mas também as relações interpessoais e de convivência social. pensando sempre na diversidade e particularidade de seus alunos. portanto. modos valorativos e atitudinais de atuação social. Cabe salientar que apesar de os conteúdos serem apresentados nos PCNs (como seu nome indica. p. Para Libâneo [1992. processos. Ou seja. atitudes). quem decide como trabalhar com eles é a escola e o professor. a necessidade de pensar e planejar os conteúdos como fonte principal para que os alunos trabalhem e apreendam os conhecimentos escolares. A ação de pensar. a matéria a ser transmitida proporciona determinados procedimentos de ensino. métodos de compreensão e aplicação. que. sempre mais. organizar os conteúdos. Assim. Isso quer dizer que quando se ensina e se apreende um conceito que envolve habilidades intelectuais (conceitos e fatos). fatos. Englobam. sujeitos da própria aprendizagem. Vemos. hábitos de estudo. com o propósito de que sejam apreendidos de forma consciente e ativa. Portanto. os [. modos de atividade. as guias e idéias). o saber de novos saberes. 70 . regras. mas deve-se incorporar elementos da vivência prática dos alunos ou de uma determinada escola. estimulando. conceitos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I suas capacidades e habilidades intelectuais para se tornarem. tornando os conteúdos significativos.] conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos. por sua vez. é de suma importância aprender e estudar conteúdos que possam ser usados na vida das crianças e não só para responder uma prova ou cumprir o currículo escolar. organizados pedagógica e didaticamente. são os parâmetros. sendo ação do docente explicitar os objetivos. Para este autor. Desse modo. escola e professores. levam a formas de organização do estudo ativo dos alunos. hábitos. os conteúdos englobam diferentes tipos ou formas de conhecimentos nas diferentes disciplinas ou áreas escolares. portanto. não só as habilidades intelectuais. atitudes. compreender o nível cognitivo do aluno e definir a metodologia. assim como procedimentos (como fazer e chegar a um determinado conceito). mas também fora dela. leis científicas. valores.. princípios. o conteúdo é tudo o que é trabalhado na sala de aula. habilidades cognoscitivas. habilidades. 128]. convicções. Os conteúdos são usados não só na escola. idéias. selecionar e trabalhar determinados conteúdos começa pelo sistema de ensino. assim. assim como valores e atitudes. Libâneo [1992] aponta a relação entre o ensinar da docência e o apreender do aluno.

Dos conteúdos conceituais ramificam-se os conteúdos factuais. códigos. normas e atitudes. não para dividir ou fragmentá-los. Como dissemos.. é necessário compreender seus significados para poder usálos. procedimental e atitudinal. por exemplo. 42].] se referem ao conjunto de fatos. Esta classificação é realizada para ver e estabelecer a proximidade de aprendizagem dos diferentes conteúdos que são trabalhados na escola e na sala de aula. Coll. p. situações. São considerados princípios as leis ou regras. Desse modo. Vamos compreender então o que designa cada um desses tipos de conteúdo que o autor nos fala. mas pelo tipo de conteúdo que será aprendido. um fato determinado num certo momento. abarcar além da habilidade intelectual as habilidades conceitual. acontecimentos. entre outros. Por conteúdos factuais entende-se o conhecimento de fatos. Essa tipologia compreende os diferentes tipos de conteúdos. Representa. na procedimental. demografia. uma melhor forma de trabalhá-los. valores. Segundo Zabala [1998. Na conceitual encontram-se fatos. procedimentos. os conteúdos conceituais [. e na atitudinal. que relacionam demografia e território. Não pense que essa tipologia é uma nova divisão de conteúdos. assim como as diferentes habilidades e capacidades cognoscentes. todo conteúdo possui as três dimensões e essa tipologia foi elaborada para ajudar no planejamento e na organização do processo de ensino-aprendizagem.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ao se referir à tipologia dos conteúdos estabelecida por C. entre outros. Os três tipos de conteúdo estão sempre presentes. conceitos e princípios. as quais devem ser trabalhadas. normas ou regras de uma corrente literária. dados e fenômenos concretos e singulares: idade de uma pessoa. estudadas e apreendidas pelos alunos na escola. conquista de um território. e os princípios se referem a mudanças num fato. e que quando se aprende também se faz com divisões. técnicas e métodos. ou ensinado. Zabala [1998] também compartilha a visão de Libâneo em relação aos conteúdos. densidade. cidade. objetos ou situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação. objetos. Tanto os conceitos como os princípios são trabalhados numa mesma categoria. objeto ou situação em relação a outros fatos. ou símbolos que tem características comuns. destacando que em alguns momentos se dá prioridade a um ou a outro conteúdo. já que ambos têm necessidade de compreensão. nomes. Vejamos alguns exemplos de conceitos trabalhados: mamíferos.. Os conteúdos são classificados não por matéria ou disciplina. 71 . mais especificamente. sujeito. ou seja. localização ou altura de uma montanha.

regras de comportamento que devem ser seguidas em determinadas situações que obrigam a todos os membros de um grupo social. p. dirigidas para a realização de um objetivo”. vocabulário nas línguas estrangeiras. responsabilidade. os conteúdos procedimentais são “um conjunto de ações ordenadas e com um fim. são todos aqueles conteúdos que se enquadram na definição de ser um conjunto de ações ordenadas e dirigidas para um fim. nomes de autores e correntes na literatura. Incluem as regras. respeitar o meio ambiente. etc. atitudes e normas. classificar. entre outros. Veremos agora o que são os conteúdos procedimentais. calcular. etc. liberdade. matemática. atitudes e normas? Valores: são os princípios ou as idéias éticas que permitem que as pessoas emitam um juízo sobre as condutas e seus sentidos. estes englobam uma série de conteúdos que. Atitudes: entendidas como tendências ou predisposições de caráter relativamente estável das pessoas para atuar de uma forma determinada. “as normas constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que se pode fazer e o que não se pode fazer neste grupo”. as destrezas ou habilidades. podem agrupar-se em: valores.DIDÁTICA. música e artes plásticas. ou seja. O que são valores. 47]. recortar. inferir. participar das tarefas escolares. as estratégias e os procedimentos. física e química. De acordo com Zabala [1998. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Encontramos uma grande quantidade dos conteúdos factuais no ensino: datas e nomes de acontecimento na história. desenhar. saltar. códigos e símbolos na área da língua. É a forma como cada pessoa atua de acordo com valores determinados. por sua vez. os métodos. ajudar os colegas. solidariedade. como cooperar com o grupo. 43]. Para Zabala [1998. Normas: são padrões. como respeito aos outros. Exemplos de conteúdos procedimentais: ler. as técnicas. Quanto aos conteúdos atitudinais. p. 72 .

Cabe ressaltar aqui a utilização e importância dos programas oficias. A luta pela socialização do saber. tendo em vista o mundo do trabalho e a participação na sociedade como cidadão [LIBÂNEO. que elas não se convertam em discriminação ou desvantagem no acesso e permanência das crianças e jovens na escola. mas de acordo com a coerência dos conteúdos trabalhados em função dos alunos para que eles realmente aprendam significativamente e que. A aquisição do domínio teórico-prático do saber sistematizado é uma necessidade humana. organização e seleção dos conteúdos escolares e o seu papel neste processo. 1992]. a re-seleção dos conteúdos. parte integrante das condições de sobrevivência. portanto. Assim. para que todos tenham acesso à instrução e à educação. podemos perceber que para cada tipo de conteúdo precisamos de diferentes tipos de estratégias de ensino-aprendizagem. a escolha de métodos e estratégias são e devem ser determinadas pelo professor. além da responsabilidade de trabalhar com determinados alunos. essa diferença na aprendizagem é de suma importância para determinar nosso modo de agir desta ou daquela forma. para que as novas gerações possam assimilá-los e ampliar o grau de compreensão da realidade. esperamos que você. já que permite a participação plena de todos no mundo do trabalho. ainda que as diferenças sejam regionais. e dos recursos para a manutenção do sistema escolar. dessa forma. é necessário que o professor escolha quais e como trabalhar com eles. com suas características de origem social e cultural. Vale lembrar que em última instância é tarefa do professor escolher e selecionar os conteúdos. O saber escolar adequado à prática de vida real permite a compreensão dos conhecimentos em uma visão científica e mais crítica da própria realidade. fixada nacionalmente. Dessa forma. conseqüentemente. Como já foi dito. É possível e necessária a ligação entre os conhecimentos sistematizados e a experiência vivida pelos alunos no meio social.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Diante dessas conceituações apresentadas. os quais devem ser encarados como diretrizes de orientação geral. São três as fontes que o professor utilizará para selecionar os conteúdos do plano de ensino e organizar suas aulas: a primeira diz respeito à programação oficial na qual são fixados os conteúdos de cada matéria. isto ajude na sua formação como cidadãos para compreender a sociedade em que vivem e poder participar construtivamente nela. os Parâmetros Curriculares Nacionais auxiliam o trabalho do professor. e a terceira são as exigências teóricas e práticas colocadas pelas experiências vividas pelos alunos. tendo o conhecimento dos conteúdos. futuro professor. Parece difícil conciliar essas três fontes. para que eles apreendam significativamente e sejam capazes de atuar no seu grupo social. O mais importante não é organizar os conteúdos em função de um ou outro modelo. mas o desdobramento dos programas. depende de uma base comum de conhecimentos. a segunda refere-se aos próprios conteúdos das ciências transformadas em matérias ou disciplinas de ensino. visto que aprendemos de forma distinta uns dos outros o que sabemos e o modo como fazemos. sociais ou políticas. tendo em conta as condições locais 73 . Na escola. o conhecimento expresso no saber científico transforma-se em conteúdos de ensino. da cultura e da cidadania [LIBÂNEO. mas é preciso e fundamental. compreenda a complexidade e importância da conceituação. O trabalho pedagógico implica a preparação desses alunos. 1992].

p. que não haja excesso de informação e que se tome como ponto de partida o conhecimento que o aluno já tem. assim como as situações didáticas específicas nas diferentes séries ou anos. Aqui. Dissemos que alguém aprendeu quando é capaz de recordar e expressar. quando se dá a data com precisão. de forma mais fiel possível. Em situações em que os conteúdos factuais se referem a acontecimentos. Trata-se de conteúdos cuja resposta é inequívoca [ZABALA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I da escola. um estudo individual relacionado a exercícios de repetição e uma posterior prova podem ser suficientes. a reprodução é feita de forma literal. a aprendizagem adequada é mais acerca do texto que se está estudando em sua exposição. o original. com a parceria entre professor e aluno no processo de ensino-aprendizagem. Ensino dos conteúdos Depois de definidos e caracterizados os conteúdos. As atividades básicas para as seqüências de conteúdos factuais englobam. vejamos agora como trabalhar com eles na sala de aula. A tarefa de ensinar está intimamente relacionada à intencionalidade para aprender. pede-se que o aluno se lembre. Considera-se que em relação aos fatos. confrontando-os com a sua visão de mundo e o processo pedagógico. A intenção de trabalhar com a tipologia é demonstrar a natureza diferente de um mesmo conteúdo e fazer um trabalho pedagógico que envolva e permita a aprendizagem dos alunos. de maneira exata. não sendo necessária a compreensão. dos alunos. Exemplo Uma apresentação dos conteúdos de acordo com um modelo expositivo. de todos os elementos que os compõem e de suas relações. Além disso. o professor deve avaliar criticamente os programas. o nome sem nenhum erro. deve-se ter presente que a exposição consiga atrair o interesse dos alunos. Ensino de conteúdos Factuais É válido lembrar que um aluno aprende um conteúdo factual quando é capaz de reproduzi-lo. 74 .DIDÁTICA. exercícios de repetição. para esse conteúdo. necessariamente. 1998. Na maioria das situações. a atribuição exata de um símbolo. 41].

pois sempre existe a possibilidade de aprofundar o seu conhecimento. para que o aluno possa utilizá-lo em diferentes situações e construir outras idéias. o professor deve pensar em trabalhar com as seguintes atividades: experimentais. que favoreçam a compreensão do conceito. seja dentro ou fora da escola. o conteúdo deve ter sentido na vida do aluno. Como já vimos. Exemplo O aluno sabe o conceito de rio quando é capaz de utilizar este termo em qualquer atividade que o necessite. os conteúdos procedimentais são um conjunto de ações ordenadas e com um fim. que dêem significado e funcionalidade aos novos conceitos e princípios. 1998]. objetos ou situações concretas naquele conceito que os inclui [ZABALA. Modelos em que se tenha a visão em conjunto do processo. Ensino dos Conteúdos Procedimentais Aprende-se esse tipo de conteúdo por meio de modelos especializados. como identificar em um mapa. das diferentes fases. Como é compreender esse significado para a aprendizagem? Para responder esta questão. que façam o aluno relacionar o novo conteúdo com os conhecimentos prévios. que instiguem e desafiem as possibilidades dos alunos.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Ensino de conceitos e princípios Conceitos e princípios são temas abstratos que requerem a compreensão do significado e. o utiliza para a interpretar. de torná-la mais significativa. além de defini-lo. para passar posteriormente à complexidade do modelo. dos passos ou das ações que os compõem. portanto. Essas atividades devem partir de situações significativas. e o seu ponto de partida está na realização de ações. ou seja. Uma das características dos conteúdos conceituais é que sua aprendizagem quase nunca pode ser considerada finalizada. O aluno sabe um conceito ou princípio quando. por isso exige: a realização das ações que será condição importante para a aprendizagem. A seqüência deve contemplar atividades que apresentem modelos de desenvolvimento do contexto da aprendizagem. um processo de elaboração e construção pessoal do conceito. compreender ou expor um fenômeno ou uma situação. 75 . quando é capaz de situar os fatos. que promovam uma forte atividade mental. e não só reproduzir a definição deste termo.

é preciso realizá-las quantas vezes forem necessárias. Isso exige que as exercitações sejam numerosas e realizadas em contextos diferentes. Portanto. debates ou diálogos em que são tratados. para que as aprendizagens possam ser utilizadas em qualquer ocasião. 76 . PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I a exercitação múltipla é fundamental para o domínio competente. Todo valor tem um componente cognitivo. Exemplo O ensino da observação nas áreas de Ciências Sociais e Naturais propõem-se atividades de observação em que são necessárias atividades de diferentes graus e práticas guiadas. é fundamental levar em conta não somente os aspectos evidentes e explícitos dos valores no momento das exposições. não basta repetir um exercício. até que seja suficiente para chegar ao seu domínio. Ensino dos Conteúdos Atitudinais Quando o conteúdo adquire um valor ao ser interiorizado pelo aluno. como critérios morais que exigem a sua atuação e a de outros. Uma atitude é aprendida quando a pessoa pensa. Essas atitudes vão desde disposições basicamente intuitivas de escassa reflexão até as atitudes fortemente reflexivas. esse auxílio é diminuído progressivamente. contudo. ou seja. a reflexão sobre a própria atividade permite que se tome consciência da atuação. Exemplo Uma das primeiras medidas a se tomar é sensibilizar o aluno sobre as normas existentes na escola e na aula. observar é conduzir os alunos por meio de um processo de prática guiada. entre os próprios alunos e entre todos os membros do corpo docente. Não basta fazer uma vez as ações do conteúdo procedimental. ao longo das diferentes ações. a aplicação em contextos diferenciados baseia-se no fato de que aquilo que aprendemos será mais útil à medida que podemos utilizá-lo em situações nem sempre previsíveis. por isso é necessário mobilizar todos os recursos relacionados com o componente afetivo. O ensino desses conteúdos é complexo. Para poder melhorá-lo. Desse modo. sente e atua de forma mais ou menos constante frente ao objeto concreto a quem se dirige essa atitude.DIDÁTICA. fruto de uma clara consciência dos valores que as provocam. mas também toda a rede de relações: o tipo de interação entre professores e alunos. este toma uma atitude frente a algo que deve ser considerado positivo ou negativo. Nessas atividades proporcionase auxílio aos alunos e. tornar sua participação ativa. deve-se refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais do seu uso.

” Redijam em uma folha tópicos com as principais considerações de seu grupo.. seus alunos aprenderão de forma significava. reúnam-se em grupos de quatro alunos. favorecer modelos das atitudes que se queiram desenvolver. introduzir processos que remetam à reflexão crítica das normas de convívio social. apresentem suas argumentações trocando idéias com os demais grupos. desenvolver atividades que façam com que os alunos participem em processos de mudança atitudinal. não apenas por parte dos professores. situação familiar e valores que prevalecem em seu ambiente. Todavia. estimular a autonomia de cada aluno.Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático Outro exemplo é o intercâmbio entre os alunos para debater as opiniões e idéias sobre tudo o que os afeta em seu trabalho na aula e na escola – compromissos derivados dos valores e das atitudes aceitas livremente. o que significa dizer que os professores devem estabelecer não somente espaços para colocá-la em prática. expandindo os conteúdos de dentro para fora da sala de aula. conduzir o trabalho desses conteúdos partindo da realidade e aproveitando os conflitos que nela se apresentam. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Com base no conhecimento adquirido na Mobilização do Conhecimento. uma série de medidas deve ser levada em consideração: adaptar o caráter dos conteúdos atitudinais às necessidades e situações reais dos alunos: traços socioculturais. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. reunidos em uma grande roda. reflitam e expliquem a seguinte afirmação: “Escolher um conteúdo não se reduz ao planejamento do início do ano. as crenças e os sentimentos de forma adaptada ao nível de desenvolvimento dos alunos. como selecioná-los e organizá-los. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe. esperamos que você tenha alcançado os objetivos desta unidade. A partir disso. mas é uma reflexão contínua durante todo o ano letivo. Agora. propor situações que ponham em conflito os conhecimentos. Dessa forma. entendendo o que são os conteúdos. 77 .. mas também momentos nos quais ocorra o exercício dos processos de aquisição que favoreçam esta autonomia.

culturais e econômicas particulares de cada localidade. Atente-se às questões principais e. a definição de conteúdos nos Parâmetros Curriculares Nacionais é uma referência suficientemente aberta para técnicos e professores analisarem. ao escolher um conteúdo escolar. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I VIDEOAULA ______________________ Assistam agora à videoaula Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares.. realize as devidas anotações em seu caderno. Pense em suas vivências escolares no ensino fundamental.DIDÁTICA. Considere o seguinte trecho extraído dos PCN‟s: [. evidenciando cada tipo de conteúdo que será desenvolvido. 1997. Agora.] A definição dos conteúdos a serem tratados deve considerar o desenvolvimento de capacidades adequadas às características sociais.. Assim. Reflita como era o ensino de história e confronte-o com a idéia equivocada que todo conteúdo é atitudinal. explique como deve ser o seu trabalho na sala de aula. conceituais. Ao final. se considerar necessário. o (a) tutor (a) intermediará um debate para que sejam levantadas algumas considerações sobre esta atividade.. vimos que é fundamental a atuação consciente e política do professor.. de maneira reflexiva e crítica. tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais. Para tanto. Nesta unidade estudamos o que são os conteúdos e como selecioná-los para serem trabalhados no processo de ensino-aprendizagem. 78 . 2. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. a realidade da escola e dos alunos com os quais trabalha. 54]. refletirem e tomarem decisões. redija em seu caderno um pequeno texto sobre a necessidade de trabalhar os conteúdos factuais. REFLEXÃO ______________________ 1. resultando em ampliações ou reduções de certos aspectos. em função das necessidades de aprendizagem de seus alunos [BRASIL. procedimentais e atitudinais dentro da disciplina de história. como professor. elencando possíveis atividades que poderiam ser trabalhadas. Com base no trecho anterior e no conteúdo abordado nesta unidade. p. Redija um texto e troque-o com outros colegas e veja os pontos em comum e os pontos divergentes.

considerando os contextos socioculturais e as capacidades cognitivas. é necessário que o educador questione se os saberes selecionados ocultam os conflitos ou os problemas socioculturais? Os conteúdos fazem circular na escola as necessidades e o discurso sobre a diversidade dos alunos? Anexe as suas considerações em seu portfólio. uma vez que ela permitirá um maior aprofundamento sobre o tema. físicas e afetivas dos alunos. se precisar. Utilize as seguintes questões norteadoras para realizar esta auto-avalição e. política e pedagógica para fazer com que todos os seus alunos aprendam.. ZABALA. 79 . Olhando para fora. uma vez que apresenta detalhadamente os conteúdos escolares e sua tipologia. de saber converter o conhecimento científico em curricular... Avalie os conhecimentos que você construiu nesta unidade. fazendo com que seu estudo se torne mais claro. exigindo de você. A. 1998. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro.. releia a Mobilização do Conhecimento: Como podem ser usados os Parâmetros Curriculares Nacionais na seleção dos conteúdos? Ao selecionar um conteúdo para ser trabalhado. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando.. É fundamental a consulta da referência a seguir. O trabalho de organização e seleção de conteúdos estará presente durante todo o exercício docente. uma atitude crítica. Porto Alegre: ArtMed. 27-32. p..Unidade 5: Conteúdos no Plano Didático A tipologia apresentada assim como a contribuição dos autores citados podem contribuir no processo de re-construção da sua prática pedagógica ao identificar o processo de seleção e organização de conteúdos. A prática educativa: como ensinar. futuro professor. O capítulo 2 desse livro pode ampliar ainda mais seu conhecimento sobre os conteúdos escolares tratados nesta unidade.

2008. Brasília: MEC/SEB.br/seb/arquivos/pdf/livro01. 1998. atitudes REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. C. 1997.gov. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Tipologia Procedimentos Conteúdos Fatos Factuais Conceituais Atitudinais Seleção e organização de conteúdos Alunos / Contextos Compreensão Repetição Fases Normas. Porto Alegre: ArtMed. LIBÂNEO. São Paulo: Cortez. Acesso em: 15 out. Disponível em: <http://portal.DIDÁTICA.pdf>. Secretária da Educação Fundamental.mec. 80 . valores. ZABALA. J. 1992. Didática. A. A prática educativa: como ensinar.

Interdisciplinaridade EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • • Identifique e defina o conceito de interdisciplinaridade. na nova LDB n. A interdisciplinaridade passou a ser objeto de atenção no Brasil no final da década de 1960. Em outras palavras. influenciando-a de maneira marcante. Compreenda a importância e contribuição da visão interdisciplinar no planejamento pedagógico. Analise e compreenda a interdisciplinaridade na sala de aula.. já que estas não poderiam ser resolvidas por uma única disciplina ou área do saber. Devido à sua forte influência na legislação e nas propostas curriculares. é a substituição 81 . mais recentemente. de cooperação.. política e econômica da época. de imediato. para a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases n. Compreenda o que é o trabalho com projetos. Interdisciplinaridade significa uma relação de reciprocidade. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. Como e quando aparece este termo tão usado nos meios escolares? Por que trabalhar nas escolas interdisciplinarmente? Segundo Fazenda [1995]. 9.394/96 e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN‟s). a interdisciplinaridade vem se fortalecendo nas escolas. que exige uma atitude diferente da fragmentação frente ao problema do conhecimento.692/71. 5. tanto no discurso quanto na prática dos professores. colaborando. A partir desse momento. tem estado presente no cenário educacional brasileiro e. a interdisciplinaridade surge na França em meados da década de 1960 como resposta à reivindicação de um ensino mais preocupado com as grandes questões de ordem social. Veremos também o trabalho com projetos nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Nesta unidade estudaremos o que é interdisciplinaridade e como trabalhar na escola e na sala de aula através de uma perspectiva interdisciplinar.

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

dessa concepção fragmentária, na qual não existe integração entre as disciplinas e áreas do conhecimento, para uma percepção unitária de compreender o ser humano. Esse termo supera a racionalidade científica positivista1, propondo uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento no campo da pesquisa e organizar os novos paradigmas curriculares. Além disso, reflete também a comunicação do processo de entender as diferentes disciplinas, nas determinações do domínio das investigações, na constituição das linguagens compartilhadas, nos diversos saberes, nas possibilidades de intercâmbio de experiências e nos modos de realização da parceria entre os membros e participantes da produção do conhecimento escolar. Essa perspectiva de realização cooperativa-integrativa-interativa permite visualizar um conjunto de ações interligadas de forma global e isenta de qualquer óptica fragmentada, superando, assim, as atuais fronteiras disciplinares e conceituais, tão comuns no âmbito da educação. Frente a essas idéias, é necessário questionar e repensar o processo de geração e de sistematização do conhecimento fora das posturas científicas permeadas por dogmas, na perspectiva de inseri-las dentro de um contexto de totalidade. Assim, a complexidade do mundo em que vivemos passa a ser sentida e vivenciada de forma globalizada, inter-relacionada e interdependente, recuperando o sentido da unidade, a qual tem sido abafada pelos valores constantes da especificidade. Dessa forma, trabalhar interdisciplinarmente implica: uma atitude de abertura, sem preconceitos, a partir da qual todo conhecimento é igualmente importante, assim, o conhecimento individual torna-se nulo quando confrontado com o saber universal; uma atitude coerente, em que a opinião crítica do outro tem como fundamento a opinião particular, fato esse que supõe uma postura global e engajada à realidade educacional e pedagógica. Ao trabalhar com interdisciplinaridade na escola é necessário desenvolver a criação, a imaginação e a sensibilidade, para entender e esperar. Neste processo, a importância metodológica é fundamental para chegar ao trabalho integral, que requer um caminho diferente ao que se trabalha nas escolas. É preciso ficar claro que ela exige uma nova forma de trabalho pedagógico já que, segundo Fazenda [1995, p. 109], “a interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende: vive-se, exerce-se”. É uma forma de entender, ver, analisar e trabalhar o conhecimento, e a relação com ele é uma maneira de entender como se compreende e apreende o mundo. Veja a seguir algumas definições teóricas que mostram as possíveis relações entre as disciplinas: Disciplina – é a forma como se dividem as matérias escolares e refere-se ao conjunto específico de conhecimentos com características próprias em relação à formação de mecanismos, métodos e matérias. Multidisciplinaridade – justaposição de diferentes conteúdos de disciplinas distintas, sem relação aparente entre elas, todas estão no mesmo nível, sem a prática de um trabalho integrado ou de cooperação. Cada disciplina tem seus próprios objetivos.
82

Racionalidade científica positivista: entendida como forma de estudar a ciência compartilhada em áreas do saber.

1

Unidade 6: Interdisciplinaridade

Matemática

Português

HistóriaGeografia

Ciências

Figura 1 Multidisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 141.

Pluridisciplinaridade – a posição de disciplinas mais ou menos próximas nos diversos domínios do conhecimento. É um nível maior de relação entre as disciplinas, pois existe uma pequena cooperação entre a organização destas (Ex.: domínio científico: Matemática + Física). Trabalha-se com um mesmo tema nas diferentes disciplinas, mas sem integração, já que não existe coordenação de trabalhos do tema abordado. O conhecimento não é integrado. As disciplinas estão no mesmo nível, com pequenas e raras contribuições, não existindo uma coordenação para trabalhar um tema a partir de um problema e conseguir uma resposta para o estudado.

Matemática

Ciências

Não existe uma coordenação que integre o trabalho

Português

História Geografia

Figura 2 Pluridisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 142.

83

DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I

Interdisciplinaridade – é a relação mútua entre duas ou mais disciplinas. A interação pode ser desde a comunicação de idéias até a integração mútua entre os conceitos mais importantes da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos modos de fazer, dos dados, assim como da organização, da pesquisa e da forma como se trabalha o ensino. Um grupo interdisciplinar é formado de pessoas que possuem diferentes formações em domínios diversos do conhecimento (disciplinas), com seus métodos, conceitos, dados e termos próprios, reunindo, assim, estudos complementares de vários especialistas em um campo de estudo de âmbito coletivo. Esta forma de trabalho implica o compromisso de trabalhar um contexto mais amplo, no qual cada uma das disciplinas trabalhadas são modificadas e estabelecem uma relação de dependência uma das outras.

Ciências

Matemática

Coordenação

Português

História Geografia

Figura 3 Interdisciplinaridade. Fonte: Adaptada de NOGUEIRA, 2001, p. 145.

Transdisciplinaridade – não existem fronteiras entre as disciplinas, existe uma integração total entre elas. É o resultado de uma premissa comum a um conjunto de disciplinas. Dessa forma, supera-se o conceito de disciplina e desaparecem os limites entre elas. A finalidade a ser alcançada é comum a todas as disciplinas e interdisciplinas (Ex.: Antropologia, compreendida como a ciência que estuda o homem e suas obras). Vemos que no entorno interdisciplinar existem diferentes termos que se baseiam em diferentes pressupostos; no entanto, os cinco níveis anteriormente definidos são os que freqüentemente aparecem na bibliografia especializada no assunto. Segundo Japiassú apud Nogueira [2001, p. 143], “a interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Vemos a partir desta citação outro aspecto fundamental em relação à forma de

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A principal característica da atitude interdisciplinar é a busca pelo conhecimento. mediado pela ação do professor. os conhecimentos prévios que ele traz da sua experiência e vivência com o mundo. com pares anônimos ou consigo mesmo – atitude de humildade diante da limitação do próprio saber. portanto. atitude de espera ante os atos consumados.Unidade 6: Interdisciplinaridade entender o trabalho com o conhecimento. p. Assim. que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos.. atitude de reciprocidade que impele à troca. 82]. mediador. da qual é parte fundamental o diálogo. a parceria entre aluno-aluno e aluno-professor. que é a necessidade de existir. atitude de desafio – desafio perante o novo. Ampliado através do diálogo com o conhecimento científico. ser interdisciplinar é mais do que uma corrente ou método. ele não pode ser fragmentado. 17]. Segundo Fazenda [1999. exigindo deste último atitudes de desafio. É por meio do diálogo com o conhecimento. como forma uma rede de inter-relação entre as diferentes áreas. deixando-se interpenetrar por elas.. O professor precisa ter uma vontade política.] uma atitude diante das alternativas para conhecer mais e melhor. inter-relacionando-se com as diferentes áreas do saber. pois permite enriquecer nossa relação com o outro e com o mundo. pois é através do cotidiano que damos sentido às nossas vidas. o professor precisa de: [. tende a uma dimensão utópica e libertadora. como foi dito na unidade anterior. a transformação da insegurança num exercício do pensar. Como diz Fazenda [1998. Essa postura e atitude interdisciplinar contribuem para a atuação do professor como um facilitador. Quando realmente se instaura a interdisciplinaridade não se ensina. a reciprocidade. Aceita o conhecimento do senso comum como válido. E o resultado desta mediação é a aprendizagem e a superação do aluno. é uma forma de entender e pensar sobre o como se ensina e se aprende. pois. nem se aprende. vive-se e exerce-se. p. Desse modo. O que com isso queremos dizer é que o pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si mesma racional. estabelecer relações e interações entre as diferentes áreas do saber. humildade e compromisso. deve-se considerar a vida prática do aluno. que estabelece uma inter-relação do senso comum com o saber científico. Tenta. Atitude Interdisciplinar Para o professor desenvolver uma atitude interdisciplinar é necessário romper modelos de trabalho já estabelecidos nas escolas e pensar que o conhecimento é algo complexo. demonstrada através de uma postura diferente. atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes. É uma postura de como entender o processo de ensino-aprendizagem. o diálogo com outras formas de conhecimento. desafio em redimensionar o velho – atitude de envolvimento e comprometimento com as pessoas neles 85 . que o aluno aprende.

pois. Esta forma de trabalho pretende desenvolver no aluno um senso. atitude de responsabilidade. um tema. O projeto pode ser organizado seguindo um determinado eixo: a definição de um conceito. O trabalho com projetos é uma forma de articular os conhecimentos escolares e de organizar a atividade de ensino e aprendizagem. com a supremacia deste saber sobre o senso comum. Dessa forma. uma forma de se relacionar com a nova informação a partir da aquisição de estratégias procedimentais. enfim de vida. superando os limites de uma matéria. é fundamental que a integração se dê por parte de todos os participantes do processo de ensinoaprendizagem. Trabalho com Projetos Trabalhar com projetos é uma forma de articular os conteúdos escolares. considerando os conhecimentos práticos dos alunos. de compromisso em construir sempre da melhor forma possível. Dessa forma. que faça com que sua aprendizagem vá adquirindo um valor relacional e compreensível. É uma tentativa de organizar informações e conhecimentos escolares a partir da visão de um tema. 1998]. deve-se ter sempre em mente que o objetivo é a integração das disciplinas e dos diferentes saberes das diversas áreas do conhecimento. Estes conteúdos referem-se a situações de problemas ou hipóteses que permitam aos alunos a aprendizagem e a construção do conhecimento.DIDÁTICA. romper. ao trabalhar com um projeto interdisciplinar. na qual é ele quem detém o saber e o transmite para os seus alunos. frutos de suas experiências. VENTURA. na relação entre os diferentes conteúdos e em problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos assim como a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares [HERNÁNDEZ. implica uma estratégia de organização desses conhecimentos com base no tratamento da informação. sobre tudo de alegria. é uma convergência de um grupo de docentes para estabelecer um tema. uma atitude. tanto de ordem procedimental como de resultados. ou quem determina como os alunos vão se relacionar com o saber científico. o aluno aprende a organizar e estruturar seu próprio conhecimento. É necessário que a escola ou equipe docente tenha uma postura interdisciplinar para garantir a comunicação e permitir o consenso. de revelação. visto de diferentes ângulos e métodos. Essa atitude leva o professor a romper com a forma tradicional de trabalhar na sala de aula. e que se deixe para o aluno realizar mentalmente sua própria 86 . a partir da relação da informação que se dá na escola e na sala de aula. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I envolvidos. enfim. O professor deve ter uma postura de flexibilidade frente à descoberta dos conhecimentos que vão conformando as respostas ou dúvidas dos alunos sobre o tema estudado. que as diferentes matérias não sejam trabalhadas de forma compartimentada. tratando superficialmente o mesmo tema. Entretanto. atitude. um problema geral ou particular. Essa postura vai além das propostas individuais. mas. a divisão de tarefas e a eqüidade nas informações. um conjunto de perguntas inter-relacionadas. Sua função é facilitar a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares no que diz respeito à forma como é tratada a informação e a relação entre os diferentes conteúdos escolares. o comprometimento. de encontro.

os objetivos gerais da instituição de ensino. Vemos que o trabalho com projetos interdisciplinares envolve a integração de diferentes estratégias e fatores. Estudar e preparar o tema: selecionar a informação com critério de novidades e de planejamento de problema. mas lembre-se de que o trabalho interdisciplinar exige comunicação. e os objetivos específicos das diferentes disciplinas. assim como as organizações envolvidas. ou seja. o educador-investigador estabelece quais são as temáticas que representam uma problemática para aquele contexto.Unidade 6: Interdisciplinaridade integração. O apontamento das atividades que são adequadas à proposta pedagógica da escola. Envolver componentes do grupo: tema e foco dos interesses dos alunos. comprometimento e parceria de todos os envolvidos (professores. Isso faz com que todas as disciplinas contribuam de certa forma e que o aluno receba dos diferentes professores orientações e desafios para a pesquisa em relação ao tema ou problema estudado. os especialistas da área que será trabalhada. o estudo da realidade numa perspectiva integral. diversas fontes que permitam novos conhecimentos sobre o tema ou problema estudado. A pesquisa é outro fator fundamental. 2. que deve sempre ser adaptada e estudada à sua realidade escolar e docente. Esses passos são uma guia. 87 . A colaboração da comunidade escolar e da comunidade na qual a escola está inserida. Quando o aluno percebe as relações existentes entre as diferentes disciplinas. pode buscar. Os objetivos: aquilo que se pretende alcançar com esta ação (conhecimentos que serão construídos. assim como a de seus participantes. Buscar materiais: especificar objetivos e conteúdos. mediado pelo professor. envolve: Especificar o fio condutor: relacionar as referências curriculares. Destacar o sentido funcional do projeto: demonstrar a atualidade do tema para o grupo. necessidade do tema. diferentemente do que propõe o conhecimento interdisciplinar. Este processo contempla: Escolha do tema gerador: o tema surge do contexto observado e é ele que norteia todas as ações do projeto. interesse. Problematização: a problematização tem como parâmetro a observação. Cabe ressaltar que esta integração é só uma complementaridade das diferentes disciplinas que mostra as possíveis inter-relações entre elas. A escolha do tema ou objetivo: relevância. como um todo. o que se quer aprender com o projeto interdisciplinar. Serão elencados a seguir alguns passos necessários de como trabalhar com projetos interdisciplinares. alunos e comunidade escolar). mudanças de atitude e/ou habilidades conquistadas). 1. uma orientação. Através da observação pormenorizada do contexto. É fundamental que o tema seja bem delimitado e que seja relevante dentro do contexto em que se pretende trabalhar.

revistas. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Freqüentemente se tem um objetivo geral. etc. com a intenção de você perceber como o processo de ensino-aprendizagem ganha com essa forma de trabalho. 3. etc. figuras. o que foi alterado no planejamento e o progresso dos alunos. como também que os alunos envolvidos se posicionem e relatem os pontos positivos. de maior amplitude.DIDÁTICA. futuro professor. No momento de redigir o relatório desta etapa. além dos instrumentos usados. quais as dificuldades. um paralelo entre o trabalho tradicional e o trabalho com projetos. as críticas. as construções realizadas e os resultados obtidos: Processo de aprendizagem dos alunos: como será verificado o que os alunos aprenderam? Quais instrumentos de avaliação serão utilizados? Ao final é necessário apresentar a avaliação do que os alunos aprenderam. vídeos. Avaliação: é necessário acrescentar no projeto a concepção de avaliação que será utilizada. sendo assim. Objetivo geral e objetivos específicos.). 4. Sobre o trabalho pedagógico: esta avaliação é a o do grupo da atividade desenvolvida por eles e dos alunos sobre o trabalho realizado pelo grupo. É necessário que cada integrante do grupo que trabalhou no projeto faça uma auto-avaliação. Até agora descrevemos como e por que trabalhar com projetos. Agora será apresentado o Quadro 1. e objetivos específicos. Vimos que é uma estratégia que contribui para a aprendizagem significativa do aluno. artigos. sites. Isso. Conteúdos: os conteúdos curriculares são os mais importantes abordados no projeto e são necessários para alcançar os objetivos propostos. é necessário esclarecer como foi ou será implantada. Recursos: especificar quais recursos (livros. as falhas. que pretende mostrar a você. É fundamental que todo o material utilizado (produzido ou reunido de outras fontes) seja anexado ao projeto para o desenvolvimento da(s) tarefa(s) (questionários. entre outros) serão utilizados e como eles serão adquiridos (se a escola os possui ou se os integrantes do grupo vão fornecê-los.). o que se pretende com ela. computador. os conteúdos das outras disciplinas abordadas pela ação também devem ser elencados. 88 . cronologicamente. O projeto pode e deve envolver outras disciplinas (em um trabalho colaborativo com outros professores). que delimitam e esmiúçam o objetivo geral e se referem às ações. Referências bibliográficas: livros. textos. Metodologia: como pretende-se alcançar os objetivos e a dinâmica do projeto? É necessário descrever: Desenvolvimento das ações: passo-a-passo do trabalho e das atividades propostas. Especificar quais e onde estão disponíveis. vídeos.

89 .Unidade 6: Interdisciplinaridade Quadro 1 Comparação entre o trabalho tradicional e o trabalho com o uso de projeto. Propõe atividades abertas. que entende o todo e as relações e inter-relações ente as partes. Há flexibilidade no uso do tempo e do espaço escolares. Fonte: Adaptado de VALENTE. Levando isto para a esfera escolar. 2004. que recebe passivamente o conteúdo transmitido pelo professor. mas como uma forma global. que usa sua experiência e seu conhecimento para resolver problemas. conhecimento e respeito pelo outro. mas de forma integrada. com o papel de dar as respostas certas e cobrar sua memorização. reforçando a repetição e o treino. atitude. centrado na resolução de problemas significativos. Enfoque globalizador. O professor intervém no processo de aprendizagem ao criar situações problematizadoras. Realizar trabalhos interdisciplinares exigirá de você: preparação. O conteúdo estudado é visto dentro de um contexto que lhe dá sentido. centrado na transmissão de conteúdos prontos. que deve ser colocado em prática nas escolas e na vida. A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos. o que é necessário para entender. Para isso é fundamental que continue estudando sobre este assunto apaixonante. permitindo entender o conhecimento e como este se apresenta nas nossas vidas e relações que se estabelecem por meio do conhecimento. introduzir novas informações e dar condições para que seus alunos avancem em seus esquemas de compreensão da realidade. não só escolar. Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade. Propõe receitas e modelos prontos. O aluno é visto como sujeito ativo. O conteúdo a ser estudado é visto de forma compartimentada. O trabalho com interdisciplinaridade é uma forma de entender o conhecimento. Conhecimento como instrumento para a compreensão da realidade e possível intervenção nela. O tempo e o espaço escolares são organizados de forma rígida e estática. compreender e conhecer o mundo em que vivemos. não em parcelas. com pouca flexibilidade. permite aos alunos e aos professores serem parceiros na construção do saber. O professor é o único informante. O aluno é visto como sujeito dependente. permitindo que os alunos estabeleçam suas próprias estratégias. Trabalho Tradicional Trabalho com Projetos Enfoque fragmentado. Há uma seqüência rígida dos conteúdos das disciplinas. Baseia-se fundamentalmente em problemas e atividades dos livros didáticos. Conhecimento como acúmulo de fatos e informações isoladas.

reúnam-se em quatro grupos. organizem-se e marquem uma visita em uma escola.. Atente-se aos aspectos que considerar relevantes. Lá vocês deverão consultar alguns professores. explicar e discutir redigindo no caderno considerações sobre as seguintes afirmações: “A seqüenciação é vista em termos de nível de abordagem e de aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos.” “Baseia-se fundamentalmente em uma análise global da realidade”. reunidos em grupos de quatro alunos. o (a) tutor (a) deverá mediar uma plenária na sala para que sejam apresentadas as considerações de cada grupo para o restante da sala. questionando-os se trabalham com interdisciplinaridade na sala de aula. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ A partir do Quadro 1 apresentado na Mobilização do Conhecimento. 90 . VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Interdisciplinaridade. Depois da discussão em grupos. Cada grupo deve refletir. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. anotando-os em seu caderno para posteriores estudos. Escrevam suas análises e entregue-as ao (à) tutor (a). Analisem as respostas em função dos conhecimentos adquiridos nesta unidade e verifiquem as semelhanças ou divergências que podem ocorrer quando uma teoria é utilizada ou não na prática.DIDÁTICA. ATIVIDADE EXTRACLASSE _________________________________ Agora..

É também necessária a articulação do currículo que permita o trabalho didático da compreensão da realidade sob a ótica da complexidade do conhecimento. Isto é que faz com que alunos e professores comprometam-se com a formação de todos e de cada um. Ao se tratar do conhecimento. de parceria entre todos os que nela participam. evitar a diluição delas em generalidades. ao mesmo tempo. reflita considerando os pressupostos necessários para que a interdisciplinaridade realmente seja inserida no cotidiano escolar. No decorrer desta Unidade aprendemos sobre o conceito de interdisciplinaridade. Assim. a partir do qual todos os envolvidos participam e apreendem numa relação de interatividade e ajuda. O (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para realizar a leitura dos textos para a sala. 75].. um fenômeno social ou cultural. p. é um tema complexo que implica uma postura. Mediante a afirmação anterior.. deve-se perceber e entender as múltiplas implicações e relações que se estabelecem ao analisar um acontecimento.. perceber. um aspecto da natureza.Unidade 6: Interdisciplinaridade REFLEXÃO ______________________ Leia a seguinte citação extraída dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM): “[.] a interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas e. é necessário que o corpo docente acredite e viva a perspectiva interdisciplinar como uma forma de trabalho em cooperação de respeito e ajuda mútua entre parceiros que conhecem re-constroem o saber e o mundo. De fato.]” [BRASIL. O trabalho com projeto é uma forma de trabalho interdisciplinar que tem se apresentado como uma alternativa efetiva e interessante dentro das práticas escolares. sentir e estar no mundo. será principalmente na possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo. 2000. pesquisa e ação que a interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica e didática adequada [. Redija as suas considerações em um pequeno texto reflexivo. 91 .. sabendo que ela é mais do que uma modalidade de trabalho. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. O trabalho com a interdisciplinaridade na escola requer que a instituição faça um trabalho coletivo... uma atitude sobre a forma de ver.

. Os artigos em questão procuram trazer à tona discussões sobre aspectos referentes a diferentes assuntos que fazem parte da vida do educador: ambiente de aprendizagem.DIDÁTICA. Procure na seção temas pedagógicos e gestão pedagógica artigos sobre interdisciplinaridade ou trabalhos com projetos.gov. Desejando ampliar seus conhecimentos.. Disponível em: <http://www.. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando.sp.. relação entre escola e comunidade. Será uma ótima e enriquecedora pesquisa! 92 .crmariocovas.. reflita em que medida esta contribuiu para enriquecer e auxiliar sua futura prática profissional.br/>. acesse o site a seguir. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. planejamento e proposta pedagógica. Pense também sobre os aspectos em que precisará se aprofundar nos estudos para uma melhor compreensão. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS. Registre sua auto-avaliação em seu portfólio.. dentre outros. Olhando para fora. Considerando os conhecimentos que você possuía antes de estudar esta unidade.

I. 2009. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MÁRIO COVAS.br/site/content/view/69/48/>. ZABALA. F. 1998. 1995. Acesso em: 19 jan.gov.mariocovas.sp. A organização do currículo por projetos de trabalho. 2009. Secretaria da Educação Básica. VENTURA. Parâmetros Curriculares Nacionais.Unidade 6: Interdisciplinaridade MAPEAMENTO DA UNIDADE Articulação do trabalho docente Multidisciplinaridade Projetos Trabalho em equipe Aprendizagem significativa Pluridisciplinaridade Visão global Transdisciplinaridade Projetos de intervenção REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. 1998.br/>. Acesso em: 16 jan. NOGUEIRA. Porto Alegre: ArtMed. São Paulo: Loyola. Ensino com Projetos – Introdução.pdf>. Disponível em:<http. FAZENDA. 93 . VALENTE. _______. São Paulo: Papirus. 2000. Introdução. Didática e Interdisciplinaridade.). Interdisciplinaridade: um projeto em parceria.br/seb/arquivos/pdf/blegais. Disponível em: <http://www.mec. Brasília: MEC/SEF. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das inteligências múltiplas. A prática educativa: como ensinar. (Org. HERNÁNDEZ. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.www. 1998. F. São Paulo: Érica.conteudoescola. Conteúdoescola. 2004. 1997. M. Secretaria da Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEB.. Disponível em: <http://portal. C. 2001. N. 22 jul.gov. A. _______.com. Porto Alegre: Artes Médicas.

estratégias adequadas aos alunos. bem como a realidade na qual trabalha. Analise estratégias de ensino. Compreenda a aplicação de diferentes métodos de ensino. realiza um conjunto de ações.. esses também obedecem a uma determinada concepção de educação. Em outras palavras. chamado métodos de ensino. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. os métodos e estratégias de ensino não podem ser analisados ou estudados como meras técnicas ou procedimentos. mas. sociedade. conteúdos. 94 . E é sobre esta realidade que trataremos nesta unidade. envolve diferentes momentos: a escolha e seleção dos objetivos. sobre as relações de estudo entre objetos e fatos e sobre as relações dos conteúdos de ensino. podemos dizer que os métodos fundamentam-se na reflexão e ação que se vivencia ou se percebe sobre a realidade educacional. Quando o professor dirige o processo de ensino para a aprendizagem dos alunos. É necessário lembrar que.Procedimentos Metodológicos no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique diversos métodos de ensino.. procedimentos e condições externas. aluno e principalmente a uma compreensão da prática educativa de uma determinada sociedade. o método é o caminho para alcançar um objetivo. vinculando sempre o processo de conhecimento à conduta e à vivência do aluno em sua realidade social. os métodos são meios adequados para realizar objetivos [LIBÂNEO. Nesse sentido. é necessário realizar esse caminho e organizar uma seqüência de ações. métodos e formas de organização do ensino. 1992]. como temos estudado durante as unidades. passos. De forma ampla. Entretanto. assim como os conteúdos e objetivos. O trabalho do professor. para alcançá-lo.

entre outros.[LIBÂNEO. isto é.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O método de ensino permite estudar as relações internas de um objeto. e o uso adequado desse método pretende realizar a aprendizagem significativa dos alunos. desenvolvimento das capacidades. Assim. 1992. 95 . p. Uma vez que por meio dos métodos pretende-se a realização dos objetivos. por sua vez. dos conteúdos específicos e dos métodos de assimilação e aprendizagem de cada disciplina 1. “o docente deve propor ações que desafiem e possibilitem o desenvolvimento das operações mentais”. consolidação do conhecimento. p. 1 esquecer dos objetivos gerais da educação previstos no plano de ensino da escola. cujo resultado é a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. sem se Aqui deve ser lembrado o tipo de conteúdo a ser trabalhado: conceitual. como capacidade de assimilação segundo o seu nível de desenvolvimento e características sócio-culturais e individuais. os objetivos devem estar claros para todos os sujeitos envolvidos e registrados no plano de ensino ou de aula. portanto. é necessário saber onde se deseja chegar e ter clareza para conduzir o processo de ensino-aprendizagem. 152]. exigem unidade entre objetivosconteúdos-métodos e as formas de organização do ensino. é bilateral já que as atividades de direção do professor e de aprendizagem dos alunos devem atuar reciprocamente: o professor estimulando e dirigindo o processo em função da aprendizagem dos alunos. os métodos de ensino dependem: dos objetivos imediatos da aula: introdução à matéria (disciplina) que se estudará. podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem. Em resumo. cada tipo de conteúdo exigirá um determinado procedimento. para estabelecer o como ensinar e as formas de intervenção na sala de aula. da construção e das sínteses. factual. As situações didáticas devem propiciar a ligação entre os objetivos e conteúdos propostos pelo professor e as condições de aprendizagem dos alunos. assim como as condições concretas das situações didáticas. Para isso. fenômeno ou problema sob diferentes ângulos. organizar os processos de apreensão de modo que as operações mentais sejam despertadas. entre o professor e os alunos. Conhecer o aluno é fundamental na escolha do método. O processo de ensino. De acordo com Anastasiou e Alves [2004. exercitadas e reconstruídas por meio da mobilização. Esses critérios devem ser utilizados ao escolher e selecionar os métodos para as diferentes instâncias didáticas. procedimental e atitudinal. 69]. A escolha e a organização dos métodos de ensino. isto é. a fim de que o aluno aprenda de forma ativa e significante. do conhecimento das características próprias dos alunos. permitindo ao aluno sensações de vivência pessoal e de renovação. explicação de conceitos.

DIDÁTICA. Supõem os objetivos do professor. 96 3 Métodos e Procedimentos de Ensino Quando se trabalha numa escola em que existe participação coletiva e ativa de um colegiado. 2 Na metodologia convencional. . ao mesmo tempo. às vezes. estão presentes nas formas em que o professor apresenta e trabalha determinadas matérias. Objetivo-Conteúdo-Método Temos que destacar que os métodos só servem em função dos objetivos e conteúdos. p. O conteúdo determina o método. uma aula com leituras que permita ao aluno aprender determinado conteúdo por meio das leituras. os meios e as formas de organização do ensino que usa e. Da mesma forma. e estes formam o conjunto das formas didáticas. se a instituição escolar não trabalha coletivamente e de forma participativa. requisito para aprender determinados conteúdos. por sua vez. o método também é objeto de aprendizagem. através da combinação dessa ação conjunta. O Projeto Político Pedagógico define as normas e conceitos para o funcionamento de um estabelecimento educacional de forma coletiva. que dá a possibilidade de implantar métodos e meios de trabalho diferenciados. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Os métodos que mobilizam esse processo correspondem à seqüência de atividades do professor e dos alunos. 154]. no qual são abordados: a função da escola. a discussão dos métodos é tratada na elaboração do Projeto Político Pedagógico 3 a partir de objetivos gerais e conteúdos educacionais que norteiam as escolhas de sala de aula. mas pode também influir na determinação de objetivos e conteúdos”. existe a autonomia docente. os objetivos dos alunos e a ativação das suas habilidades mentais. os conteúdos constituem a base informativa concreta para alcançar os objetivos e determinar os métodos. ações e meios de organizar o ensino para propiciar a assimilação dos conteúdos e o alcance dos objetivos. “a relação objetivo-conteúdo-método tem como característica a mútua interdependência. realiza-se o processo de aprendizagem. assim. a visão de homem. No entanto. a relação objetivo-conteúdo-método. do conhecimento e saber escolar e dos objetivos gerais e específicos. O método de ensino é determinado pela relação objetivo-conteúdo. a assimilação dos conteúdos depende tanto dos métodos de ensino como dos métodos de aprendizagem. Assim. A matéria de ensino é a referência para a elaboração dos objetivos específicos. é muito comum o uso da memorização. A unidade objetivo-conteúdo-método é fundamental na compreensão do processo didático: os objetivos definem os propósitos pedagógicos intencionados e planejados de instrução e educação dos alunos para a formação e participação na sociedade. passos. ainda que seja num nível de ação individual. os quais orientam a ação do professor para promover a aprendizagem dos alunos. por exemplo. observando-se. O conteúdo possui uma lógica interna que lhe é própria e que precisa ser captada e adequada para sua compreensão. Nessa assimilação são usados os processos mentais ou as operações de pensamento2. Cabe alertar que. Segundo Libâneo [1992. já que é a base pela qual se conseguem ou alcançam os objetivos específicos. Os métodos.

No que diz respeito ao professor. estudaremos os métodos a partir do critério que resulta da relação existente entre ensino e aprendizagem. no entanto. agora. seqüências históricas. os métodos e procedimentos de ensino em detalhes. Além disso. A aula expositiva como forma de trabalho. é um procedimento didático que contribui para a assimilação dos conhecimentos. mas agrupações diferentes dos diversos métodos existentes. Cabe destacar que nas estratégias grupais é fundamental a preparação e organização cuidadosa junto com o aluno. como a coordenação de idéias e sistematização dos conhecimentos. incitando nos educandos a motivação para aprender o assunto em questão. principalmente para as séries iniciais do ensino fundamental. tais como imagens em slides. estimular a curiosidade dos alunos e seu interesse pelo aprendizado narrando fatos e acontecimentos e fazendo a leitura de textos de maneira marcante e eloqüente. a fim de que os alunos desenvolvam sua capacidade de concentração e de observação. museus. Exemplificação: o professor realiza uma leitura em voz alta. como na demonstração. gráficos. necessariamente. que o conteúdo da aula deve ser significativo e estar vinculado aos interesses e conhecimentos que os alunos possuem. empresas. observar um fato a partir de um roteiro e tirar conclusões ou estabelecer relações entre fatos e acontecimentos. Método de aula expositiva dialogada Nesse método. portanto a estratégia escolhida e a ação que o grupo objetiva devem ser explícitas e compactuadas. conforme o critério de cada autor. gravuras. concretizada pelas atividades do professor e alunos no processo de ensino. Cabe ao professor.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem diversas formas de classificação e estudo dos métodos de ensino. Desse modo. o professor deve ter o cuidado de propiciar conhecimentos e habilidades que facilitem a assimilação ativa e o desenvolvimento de capacidades para que o educando aproveite a exposição de modo ativo-receptivo. Vale dizer que a exposição ou o relato de conhecimentos adquiridos ou de experiências vividas ajuda a desenvolver a relação entre pensamento e linguagem. etc. O objetivo é ensinar ao educando o modo como se deve realizar uma determinada tarefa. os alunos assumem uma postura de receptividade sem. mapas. 97 . então. organizar cadernos. adotar atitudes passivas. por exemplo: como usar o dicionário. redige ou fala uma palavra e o aluno observa e repete. ele é responsável por apresentar os conhecimentos e habilidades por meio da: Exposição verbal: como não há uma relação direta entre o aluno e o material de estudo. É importante lembrar. que é sujeito do seu processo de aprendizagem. o professor explica o assunto de modo sistematizado. Entretanto. visitas a laboratórios. Esse é um meio auxiliar importante da exposição verbal. Vejamos. essa classificação não apresenta novas formas de trabalho. da maneira como foi descrita. Demonstração: o professor apresenta ferramentas e eventos que ilustram fenômenos e processos. Ilustração: é uma forma de apresentação gráfica da realidade e fatos. podem ser apresentados.

compreensíveis e estejam à altura dos conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos educandos. dar e solicitar ajuda dos colegas. estudo dirigido. rompe-se com a aula tradicional e mecânica. respondendo algumas perguntas ou fazendo uma redação sobre o tema. é necessário que as tarefas sejam claras. porém. Isso permite ao professor saber os conhecimentos prévios dos alunos ou despertar os interesses destes. por exemplo. deixa-se a reprodução. Método de trabalho independente São aplicadas tarefas e atividades para serem solucionadas de forma independente pelos alunos. memorização ou mero decorar de fatos e regras sem que haja a compreensão do assunto estudado. desenho de um mapa depois de uma aula de geografia. interesse ou envolvimento. compreensíveis e adequadas aos conhecimentos e às capacidades de pensamento dos alunos. em que o professor as realiza como trabalho individual ou em grupos. pesquisa. sob a direção e orientação do professor. Desse modo. Nesse momento podem ser feitas perguntas que levem o aluno a pensar e a relatar suas observações ou o que aprendeu. por fim. na qual o professor fala e o aluno repete sem contextualização. e. Nas tarefas de assimilação do conteúdo são realizados exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas estudados. Esse método pode ser usado na parte preparatória da aula. Nesse sentido. além de acompanhar de perto a sua realização. solução de problemas. o professor deve permitir ou promover condições para que o trabalho seja realizado. A principal característica do trabalho independente é a atividade mental dos alunos e. leitura de textos do livro didático. acompanhamento de perto do trabalho dos alunos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I para que ela deixe de ser um repasse de informações e passa a ser um modo receptivo-ativo de se trabalhar. 98 . na tarefa de assimilação do conteúdo e no processo de elaboração pessoal.DIDÁTICA. evitam-se nas avaliações propostas pelo professor ou pelo livro didático respostas que são cópias do assunto tratado durante as aulas. Estas atividades podem ser intercaladas durante a aula expositiva. para que o trabalho independente seja realizado. entre outros. Contudo. Os resultados dessas atividades devem ser corrigidos. são necessárias as seguintes condições: Do professor: tarefas claras. dominar as técnicas que a atividade exige (fazer uma leitura. socialização do resultado das tarefas para toda a classe. As tarefas de assimilação pessoal correspondem aos exercícios que os alunos realizam dando respostas a partir do seu próprio pensamento. Na parte preparatória os alunos escrevem o que pensam sobre o tema que será estudado. ser capaz de trabalhar em grupo. procurar no dicionário. Dos alunos: saber o que fazer e como trabalhar. entre outros). para que esta ocorra.

partindo do material estudado. aplicando-os a situações novas e a problemas do seu dia a dia e de sua vida social. tanto do professor quanto dos alunos. fazendo que cada aluno. 99 . Sistematizar e consolidar as diferentes capacidades do aluno. a partir dos conhecimentos que possui. resolução de questões e situações-problema. dessa forma. bem como aos avanços de cada um. além de analisar também a eficácia do seu trabalho pedagógico. consolidação e aplicação. Por meio do estudo dirigido pode-se: Criar habilidades e hábitos para um trabalho independente e criativo. superar dificuldades e produzir seus próprios caminhos de aprendizagem. Método de elaboração conjunta É uma forma de interação ativa entre professor e alunos e pode ser aplicada em diferentes momentos do desenvolvimento da unidade didática: na fase inicial e preparatória para o estudo do conteúdo. Esse método é visto como um excelente meio para promover a assimilação ativa dos conteúdos e instigar a atividade mental. pensar. duvidar. através dos conhecimentos e experiências que possui. A forma mais usual de aplicação da conversação didática é a pergunta. que incite os alunos a observar. discussão de soluções. na fase de organização e sistematização ou ainda na fase de fixação. podemos. debates sobre o tema estudado. Permitir que o professor observe os alunos especificamente.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático O estudo dirigido é uma das formas de trabalho independente e pode ser realizado para a elaboração pessoal de novos conhecimentos a partir de questões sobre problemas diferentes dos resolvidos na sala de aula. seja capaz de solucionar problemas. leva os alunos a se aproximar gradativamente da organização lógica dos conhecimentos e a dominar métodos de elaborar as suas idéias de forma independente. avaliações críticas de uma situação ou para incitar a busca de novos caminhos para a resolução de problemas. posicionar-se. Para que o método seja útil. na qual o professor. atentando-se às formas de trabalhar as dificuldades. A forma mais comum desse método é a conversação didática. Possibilitar que o aluno desenvolva a capacidade de trabalhar de forma livre. obter pistas de como eles estão entendendo a matéria por meio de respostas elaboradas e articuladas corretamente. Os passos ou a dinâmica do estudo dirigido podem ser evidenciados por atividades individualizadas ou grupais e podem ser socializadas através de: leitura individual segundo um roteiro elaborado pelo professor. Ele também pode ser utilizado para obter respostas pensadas sobre a causa de determinados fenômenos. reflexão e posicionamento crítico dos estudantes frente à realidade vivida. ao mesmo tempo. individualmente. é necessário que a pergunta seja um estímulo para o raciocínio.

DIDÁTICA. o encontro direto entre o aluno e o que se estuda e a relação de ajuda recíproca entre os membros dos diferentes grupos. Método de trabalho em grupo O método de trabalho em grupo consiste. etc. Para ser bem sucedido é fundamental que exista uma ligação coordenada entre as fases de preparação. ou em duplas. O GO deve prestar atenção se os conceitos utilizados na discussão entre os integrantes do GV são adequados. 100 . Essa forma de trabalho deve possibilitar expressões individuais dos alunos. preferencialmente indicado pelo professor. se o conteúdo discutido é relevante. Debate Consiste em promover a discussão entre alguns alunos sobre um tema polêmico perante a turma. o Philips 66 professor divide a turma em seis grupos de seis alunos (ou cinco grupos de cinco. a observação do seu desempenho. Seminário Um aluno ou um grupo prepara um tema e apresenta este tema à classe. sem influência de terceiros nem preocupação de censura. Além disso. Em todo trabalho em grupo. em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis. para. Grupo de Verbalização e Grupo de Observação (GV– GO) Uma parte da classe forma um círculo no centro da sala (GV) para analisar um tema. etc. compostos de três a cinco alunos escolhidos pelo professor e reunidos em diferentes níveis de compreensão. os alunos expõem as idéias que vão surgindo. Os grupos devem ser trocados na mesma ou em outra aula. deve-se ter presente o desenvolvimento das habilidades de trabalho coletivo responsável e a capacidade de verbalização. Estes grupos discutirão em poucos minutos (seis minutos) o tema. os demais formam um círculo em volta para observar (GO) o primeiro grupo. mesmos as incorretas devem ser utilizadas como ponto de partida para revisões ou novas explicações. então. destacam-se as seguintes. mas com a garantia de que todos os integrantes tenham oportunidade de se expressar. Os grupos devem ter um coordenador. Tempestade Mental A partir de um tema qualquer. Fonte: Adaptado de SILVA. se eles trabalham adequadamente.). As idéias são anotadas na lousa e é selecionado aquilo que é mais relevante para o andamento da aula. organização dos conteúdos e comunicação dos seus resultados para a classe. Entre as diversas formas de sistematização de grupos. a sala de aula deve ser arranjada para trabalhar em grupo antes do início da aula. apresentarem as conclusões a que chegaram. basicamente. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve ter sempre uma atitude positiva frente às respostas dos alunos. de forma que todos os alunos aprendam a se expressar e a defender seus pontos de vista. se todos participam. Para se saber de forma rápida o quanto uma turma conhece sobre determinado assunto. 2006. descritas no quadro a seguir: Quadro 1 Formas de organização de grupos para trabalho em sala de aula.

o importante é que os resultados da visita devem ser discutidos com a classe. com os alunos já na sala de aula. desafiadora para os alunos. com os agentes e o ambiente que o cercam: sua família. na busca de soluções do caso proposto. museus. Execução: nessa etapa os alunos fazem as anotações que consideram importantes. fábricas. Diante disso. mas ver o esforço e o trabalho de cada um. por exemplo: o estudo do meio. bem como a sistematização dos conteúdos e a elaboração de conclusões. os alunos registrarão os fatos mais importantes. baseando-se em perguntas. exploração de resultados e avaliação.) e não se restringe apenas a visitas e passeios. o professor explica o caso que será analisado. mais envolvidos estarão os alunos. que consiste em refletir sobre os aspectos mais importantes a serem observados e as questões a serem feitas ao pessoal do local que vai ser visitado. Procedimento para trabalhar o estudo de caso: Oralmente ou através da apresentação de material impresso ou audiovisual. pois esses resultados fornecerão os subsídios para avaliar os objetivos. Mais tarde. destacando o conhecimento adquirido e as conclusões sobre o fato. entre outros.. O estudo do meio é a interação do aluno em diferentes níveis. execução.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático Existem atividades complementares aos métodos de ensino. Para tanto. sempre sob a orientação do professor e tendo como base os objetivos de estudo e o planejamento anterior. uma vez que os estudantes se envolvem no estudo. ou seja. etc. É necessário que o professor defina o objetivo a ser alcançado e estabeleça as habilidades cognoscentes e os conhecimentos que serão aplicados. O estudo de caso é uma análise minuciosa e objetiva de uma situação real que necessita ser investigada e. seu trabalho. Em vez do relatório. fundamentalmente. para que. mas. Pode ser um caso para cada grupo ou um mesmo caso para diversos grupos. através dos conhecimentos e habilidades já adquiridos. à compreensão da realidade e dos problemas presentes na vida cotidiana. o teatro. já que é principalmente uma atividade mental. ocorre um segundo momento do planejamento. ele deve fazer parte da vida do aluno ou de um tema de estudo. quanto mais desafiador o tema. Desse modo. são necessárias as fases de planejamento. se eles foram alcançados. O estudo de caso permite a elaboração de um forte potencial de argumentação com os alunos na elaboração e consolidação dos conhecimentos. descritas a seguir: Planejamento: o local escolhido deve ser visitado com antecedência pelo professor e as informações mais importantes devem ser levantadas. a assembléia de alunos. etc. ao mesmo tempo. Exploração dos resultados e avaliação: por meio de um relatório sobre a visita. Isso se dá por meio de visitas a locais determinados (seções públicas. conversas. fazendas. apresentações. o professor não deve comparar as soluções dadas pelos diferentes grupos. sua cidade. 101 . as quais ajudam na compreensão e incorporação dos conteúdos. etc. pode ser proposta também uma redação ou a discussão dos problemas encontrados. o aluno retorne à escola modificado e enriquecido pelas novas experiências e conhecimentos.

segundo o objeto que se estuda. No final. podendo ser interpretada. Não se pode esquecer também que a escolha e o trabalho com os diversos métodos. Argumentação: o aluno justifica suas posturas através da aplicação dos elementos teóricos de que dispõe. de escola. cabe ao professor ter clareza do papel que cada um deles representa no trabalho e planejamento docente com o fim de poder trabalhar em parceria com o aluno para que aconteça o processo de ensino-aprendizagem. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Cada grupo analisa o caso e faz suas considerações sobre o assunto. etc. O professor torna a apontar os principais aspectos do problema e ressalta as soluções coletivamente propostas. deve dominar o uso destas ferramentas e deve fazê-lo de maneira pedagógica. estratégias e meios não ocorre aleatoriamente ou de forma inconsciente. a perda da inibição e a liberdade de expressão. O professor. contudo. deixa-se por conta dos alunos. Entre os benefícios da dramatização para o aluno. orientando como devem atuar. o docente deve escolher o material de estudo. filmes. preparar um roteiro de trabalho. fazer um trabalho de orientação nos grupos durante o processo e elaborar instrumentos de avaliação. O intuito da dramatização é provocar nos alunos questões ligadas a casos de relações humanas. As soluções são discutidas pelo grupo e as mais adequadas são selecionadas. Procedimento para realizar a dramatização: A atividade pode ser planejada ou espontânea. Os alunos que não participam podem formar um círculo ao redor da cena e assistir à representação. escolhe-se um conceito de educação. estratégias e meios têm um significado e uma função dentro do processo ensinoaprendizagem. o professor ou os alunos devem fazer o fechamento da atividade. enfatizando os principais aspectos do problema avaliado. Os exemplos são os mais diversos possíveis: lousa. conferindo mais autenticidade ao trabalho. Prescrição do caso: o aluno apresenta propostas para mudar ou solucionar a situação. podemos destacar o estímulo à criatividade. slides. de aluno e de ser professor. Nessa etapa. Meios de Ensino São os instrumentos (recursos materiais) utilizados tanto por professores quanto pelos alunos para conduzir organizada e metodicamente o processo de ensino-aprendizagem. quando se escolhe um determinado caminho e forma a ser seguida dentro da sala de aula. etc. A dramatização é uma representação teatral que tem como ponto de partida um problema. adequada e criativa. Na primeira situação. portanto. 102 . como uma forma especial de estudo de caso. inclusive. O professor deve informar o tempo disponível e pede aos alunos que prestem atenção nos pontos relevantes.DIDÁTICA. o docente escolhe o assunto e os papéis de cada um. data show. mapas. tema. Os métodos. Na forma espontânea.

escolha no mínimo três. Você deve contemplar os seguintes aspectos: o nome do método. Nessa vídeoaula.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. 103 . complete o quadro esquemático a seguir. Veja um exemplo: MÉTODO Aula expositiva dialogada DESCRIÇÃO É uma exposição de conteúdos que tem a participação ativa dos alunos. TREINANDO ______________________ Realizada a leitura da Mobilização do Conhecimento. conheceremos um pouco mais sobre alguns procedimentos metodológicos em um plano didático. assim como a sua aplicação. a descrição e o comentário pessoal acerca de cada método escolhido. VIDEOAULA ______________________ Assistam à videoaula A Necessidade de Procedimentos Metodológicos Adequados. Atente-se aos aspectos que considerar mais relevantes e anote-os em seu caderno.. COMENTÁRIO PESSOAL É uma forma de trabalho que supera a famosa aula em que o professor fala o aluno escuta. evidenciando os métodos que tenham despertado sua curiosidade..

no qual não há lugar para receitas ou métodos infalíveis que dão certo com todos os seus alunos e turmas. quais serão os procedimentos usados na sala de aula por seus alunos e por ele para que aqueles apreendam e construam conhecimentos. define o que o professor espera dos alunos e da educação. vimos nesta unidade que na seleção da estratégia ou método a utilizar o professor deve considerar a relação objetivo-conteúdo-método.. O (a) tutor (a) irá mediar e organizar o debate/discussão com o grupo-classe em uma grande roda e deverá escolher um aluno para anotar na lousa os principais aspectos levantados na discussão. todos os alunos deverão registrar em seus cadernos esses tópicos. as vivências e também suas características sociais. o que. reunidos em grupos de quatro alunos. o (a) tutor (a) deverá selecionar alguns alunos para ler suas produções.DIDÁTICA. as características e nível de desenvolvimento dos seus alunos. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando. A análise de cada um desses itens permite que o professor planeje sua prática docente pensando no que será estudado e como.. 104 . elabore um pequeno texto que apresente suas considerações reflexivas acerca dessa afirmação. Agir dessa forma garante a realização de um trabalho docente comprometido e responsável. por sua vez. REFLEXÃO ______________________ Reflita sobre a seguinte afirmação: “A escolha do método é política. O importante é que você procure os melhores métodos e procedimentos educativos para que os alunos aprendam e se sintam felizes e responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem.” Em seguida. escolham um dos métodos de trabalho em grupo apresentados nesta unidade e discutam sobre os principais aspectos que devem ser considerados ao escolher um método de ensino. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Agora. Diante disso. está relacionado ao conceito que cada um tem de como se ensina e de como se aprende. Trabalhar com determinado método ou estratégia depende da forma como o docente entende o processo de ensino-aprendizagem. Posteriormente. Ao final da plenária.

a autora apresenta diferentes métodos e estratégias para serem utilizadas em sala de aula e faz. Posso identificar sem dificuldades os diversos métodos de ensino? Tenho condições de analisar as estratégias de ensino? Compreendi a aplicação dos diferentes métodos de ensino? Ao refletir sobre estas questões. é muito importante que vocês se interessem por leituras complementares de modo a enriquecer ainda mais sua formação.. Campinas (SP): Papirus.. Agora é o momento de avaliarmos tudo o que foi estudado na unidade... ainda. Dessa forma. Quando concluir seu texto. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas.. sugerimos a seguinte obra: RANGEL. Olhando para fora.. Para tanto. ed. 2. 2006. além de ser uma obra de fácil leitura. não se esqueça de arquivá-lo em seu portfólio. M. norteie-se pelas questões apresentadas seguir para sua auto-avaliação. Como o assunto abordado nesta unidade não se esgota no conteúdo abordado aqui. você poderá escrever um pequeno texto expondo o que você aprendeu nesta unidade e o que ela pôde acrescentar para sua carreira docente. uma distinção entre método e metodologia. 105 . Nesse livro. 93 p. O livro é uma ajuda para as possíveis dúvidas que se apresentam aos professores.Unidade 7: Procedimentos Metodológicos no Plano Didático AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando.

Conteúdos Método de aula expositiva dialogada Critérios Seleção. M. RANGEL. Disponível em: <http://www. São Paulo: Cortez.grupoempresarial. BRASIL. V. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I MAPEAMENTO DA UNIDADE Método de trabalho independente: estudo dirigido Métodos grupais Passos Capacidades cognitivas Objetivos. 2006. G.. 2. SILVA. Joinvile: Univille. ALVES. Acesso em: 21 jan. Parâmetros Curriculares Nacionais. LIBÂNEO. 2004.C. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das aulas. Introdução. ed. Organização Método de trabalho em grupo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANASTASIOU. Os Métodos de Ensino. M. 2006. 1997. 106 .DIDÁTICA. Campinas (SP): Papirus. J. Didática. Leonir Pessate.p df>. G. Camargo. L. 1992. Processos de Ensinagem na Universidade.adm. Grupo Empresarial ADM. M. 19 jan.. 2009. da. ed. Brasília: MEC-SEF.br/download/uploads/Os%20Metodos%20de%20Ensino_M9_AR. Secretária da Educação Fundamental. 3.

Entenda e reflita sobre o processo de avaliação como parte da aprendizagem dos alunos. do professor – ou de ambos –.Avaliação no Plano Didático EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM Metas: Ao final desta unidade esperamos que você: • • • Identifique e entenda a avaliação como um processo e sua importância no processo de planejamento do ensinoaprendizagem. a avaliação desempenha funções didáticas e pedagógicas. 107 . p. Por meio dela. pois apenas revela informações e dados que devem passar por uma apreciação qualitativa.. com a finalidade de analisar os progressos. questionamento. A avaliação é uma tarefa didática presente nos diversos momentos do trabalho docente e acompanha passo a passo o processo de ensino-aprendizagem. educador ou sistema educacional. do aluno. “são necessárias a tomada de consciência e a reflexão a respeito desta compreensão equivocada da avaliação como julgamentos de resultados. Compreenda os diversos instrumentos e formas de avaliação. o trabalho do aluno e do professor pode ser comparado com os objetivos propostos. Segundo Hoffmann [2006]. Para a autora. as dificuldades e reorientar o trabalho. Desse ponto de vista. MOBILIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Iniciando o caminho. é o produto de uma postura que separa educação e avaliação que leva a práticas educativas descontextualizadas e perigosas.. como também da aprendizagem no processo educativo. quando se fala em avaliação como julgamento de valor dos resultados esperados. A avaliação é inerente à educação e é entendida como problematização. reflexão da ação educativa e de todos os momentos em que ela se realiza. Desse modo. avaliar é uma tarefa intrincada que não deve ser resumida à mensuração do educando. ou seja. 15]. procurando diagnosticar e controlar eventuais problemas no processo de ensino-aprendizagem por meio de instrumentos de verificação do rendimento escolar. porque ela veio se transformando numa perigosa prática educativa” [2006.

é fundamental que a entenda como reflexão transformada em ação. que essas avaliações são sempre realizadas em determinados períodos. 1 O Comportamentalism o: linha da psicologia do desenvolvimento. a ação avaliativa e o seu trabalho pedagógico. que tiveram uma grande influência nas pesquisas sobre o tema. [.. Na década de 70 do século XX. Na década de 1930. entre outros) que foram disseminados por Ralph W. pense. a idéia de mensuração ampliou-se e foram desenvolvidos outros procedimentos mais abrangentes para avaliar o desempenho dos alunos (inventários. Groundl e Ausbel. 2006]. cabe dizer. pois o que se pretende em educação é justamente modificar tais comportamentos. nessa perspectiva. O enfoque do autor é comportamentalista1 e resume a avaliação à verificação ou à medida das mudanças ocorridas a partir dos objetivos que são definidos pelo professor. que relaciona aprendizagem com a mudança de comportamentos. fortemente arraigada em alguns professores até hoje..] A avaliação deve julgar o comportamento dos alunos. Essa concepção de avaliação encontra-se amplamente difundida entre professores até hoje e entende a avaliação como um processo externo e de mensuração do aluno ou do processo educativo. reflexão permanente do professor sobre a sua realidade e acompanhamento de todos os passos do aluno no seu caminho de construção do conhecimento [HOFFMANN. pois não basta saber e definir a avaliação. A avaliação é o processo destinado a verificar o grau em que mudanças comportamentais estão ocorrendo. define uma prática avaliativa que se inicia com o estabelecimento dos objetivos por parte do professor. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O professor deve perceber a contradição existente entre avaliar de um modo amplo e a concepção de avaliação como resultado e como julgamento. norteada pelo princípio de 108 . na época. Essa visão. os quais geralmente se referem a pontos do conteúdo programático. 2006]. além disso. discute-se sobre instrumentos de verificação e critérios de análise de desempenho final [HOFFMANN. apresentaremos as idéias de alguns autores que trabalharam nessa área. Em síntese. É esse processo de reflexão que esperamos que consiga fazer. p. Tyler e Smith. quando se fala de avaliação. escalas. a fim de contextualizar como até hoje alguns conceitos ultrapassados continuam nas práticas escolares. Esse pensamento começou a ser difundido no Brasil por alguns autores como Bloom. seus conceitos e sua importância. registros de comportamento. Essa tendência refletia a época em que predominava a pedagogia tecnicista. Para entender melhor o processo de avaliação. questione a sua própria prática. Para tanto. 106]. seu representante nos Estados Unidos foi Robert Thorndike. os autores brasileiros faziam publicações sobre orientações para o desenvolvimento de testes e medidas educacionais imbuídos da teoria sobre avaliação que valorizava a dimensão tecnológica. deixando de fora o acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno. Na abordagem de Tyler [1976.DIDÁTICA. assim como nos docentes e suas práticas. Souza [1995] descreve que nas duas primeiras décadas do século XX a avaliação ocorria no sentido de mensuração (medida) de capacidade e características do ser humano e era realizada por meio de testes padronizados. e a verificação do alcance desses objetivos pelos alunos por meio de testes. é fundamental que ele reflita.

Unidade 8: Avaliação no Plano Didático que a maior produtividade do sistema de ensino era produto da racionalização do trabalho educativo. era orientado por uma visão externa da escola. que fez surgir uma nova concepção de educação. A escola passa a ser analisada como um espaço de construção da democracia. Nesse contexto. uma vez que a avaliação passa a ser entendida como um processo que faz parte do ensino-aprendizagem.] JUÍZO DE QUALIDADE: juízos são afirmações ou negações sobre alguma coisa. que até hoje se encontra nas escolas. de forma a poder construir uma sociedade mais justa e igualitária. Nos anos 80. p. porém. desde que incida sobre uma realidade atribuída ao objeto. O principal papel da escola. na qual todos têm direitos e acesso ao conhecimento por meio da educação. que expressa a qualidade do objeto que está sendo ajuizado. 69]. a avaliação ganha o sentido de um processo que busca a compreensão da realidade escolar. O juízo. a qual valoriza a escola e o seu papel como forma de mudança e transformação para todos os cidadãos. O juízo de existência pretende dizer o que o objeto é. O juízo que se faz sobre o aspecto substantivo da realidade recebe a denominação de “juízo da existência” na medida em que sua expressão pode ser justificada pelos dados empíricos da realidade. o qual. era o ensino de uma consciência ideológica.. mostrando um novo caminho. como era no início da década de 70. A partir dessa definição. Em busca de uma definição. com novas concepções sobre o tema. tendo em vista uma tomada de decisão. deixando de ser vista como uma medida ou técnica. o juízo de existência resulta da relação direta do sujeito com o objeto e o de qualidade de um processo comparativo entre o que está sendo avaliado e um padrão ideal de julgamento. Vale lembrar que todo o planejamento educacional sofreu a forte influência tecnicista. Essas afirmações ou negações poderão incidir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade. [.. que ajudava a reproduzir a divisão do trabalho na sociedade. por sua vez. Segundo Luckesi [1995.. inicia-se uma época de transição democrática no país e discute-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).. observamos a mudança de alguns aspectos vigentes até o fim da década de 70 do século XX. cuja finalidade é a tomada de decisão sobre dados relevantes em relação a um 109 . recebe o nome de “juízo de qualidade”. Na metade dos anos 80. a avaliação da aprendizagem é entendida como um juízo de qualidade sobre dados relevantes. nesse contexto. o juízo de qualidade tem por objetivo expressar uma qualidade que se atribui ao objeto. Continuando com o autor. desenvolveram-se diversas pesquisas e estudos que expressavam movimentos de renovação teórica e discordavam da visão tecnicista da avaliação.

os juízos usados para tomar decisões sobre o trabalho escolar devem considerar o que se estuda e o que foi alcançado pelo aluno. Dentro desse contexto encontra-se Libâneo [1992]. da análise dos erros como tentativas de acertos que permitem ver o que o aluno sabe e o que tem que ser aprofundado. a importância do critério para o autor é fundamental. 1995] se refere aos dados relevantes da realidade. Esse tipo de avaliação deve ser realizado em três momentos do processo de ensino-aprendizagem: 110 . pois permite compreender a avaliação. em outras palavras. objeto de estudo ou conteúdo escolar e de como essa realidade foi atingida. Assim. Na primeira trabalha-se e preocupa-se com as dificuldades do aluno e sua superação. orientar as tomadas de decisão em relação às atividades didáticas: verificação. pois a avaliação não pode ser praticada sobre dados inventados pelo sujeito. de diagnóstico e de controle. ou seja. a preparação dos alunos para enfrentar as exigências da sua realidade social e a contribuição para assimilação e fixação das aprendizagens. no âmbito da construção do conhecimento. Portanto. Luckesi [apud DEPRESBÍTERES. direcionar o aprendizado dos alunos e conseqüentemente o seu desenvolvimento. enquanto na segunda a formação permite um contínuo acompanhamento e regulação da atividade de ensino. observa-se como foram alcançadas as finalidades sociais do ensino. Por sua vez. Quando se avalia sistematicamente os resultados do processo de ensino. a avaliação cumpre três funções: pedagógico-didática. segundo um padrão estabelecido. determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. Não existe um padrão ideal sempre fixo. qualificação e apreciação qualitativa. a partir disso. transformada ou apreendida. assim como da atuação do docente. De acordo com a autora. Observe. A função de diagnóstico permite identificar os progressos e dificuldades dos alunos. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I objeto de estudo. determinando as modificações do processo de ensino. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. deve ser utilizada a avaliação diagnóstica e formativa. com o fim de melhorar o cumprimento das exigências dos objetivos gerais e específicos. ele modifica-se segundo as necessidades dos seres humanos situados no espaço e no tempo. o padrão deve ser consciente e explícito. que diz que a avaliação escolar é um componente do processo de ensino. A função pedagógico-didática refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos específicos e gerais da educação escolar. que possibilitam decidir. A definição de juízo de qualidade como afirmação ou negação pode interferir sobre o aspecto substantivo ou adjetivo da realidade do objeto que se avalia e marca uma nova esfera e contexto de avaliação na escola e na educação.DIDÁTICA. Nesse momento deve ser considerado o que o aluno faz e o que se esperava dele. além da mensuração e controle. por meio de uma constante orientação das diferentes maneiras de pensar do aluno. O juízo valorativo faz-se de maneira comparativa. na definição proposta por Luckesi [1995]. a realidade que está sendo avaliada é confrontada com um padrão de comportamento que se julgaria ideal para ela. numa perspectiva de apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensinoaprendizagem. o qual visa. que os juízos de qualidade e de existência aparecem juntos para realizar uma revisão ou uma tomada de decisão sobre dados de uma determinada realidade.

43]. através de diversas atividades que permitam que o professor observe como os alunos estão aprendendo e desenvolvendo suas capacidades e habilidades. por sua vez. em que estágio se encontram frente ao estudado. quando é exigido exame final. com toda sua autoridade.] em uma visão mecanicista da educação. Cabe ressaltar que essas funções não são separadas umas das outras. é importante que exista o controle sistemático e contínuo sobre o processo de interação professor-aluno durante as aulas. Trata-se de uma maneira interativa de alunos e professores se conhecerem melhor e aprenderem mais sobre a realidade das instituições educacionais no ato próprio da avaliação. da freqüência das verificações e das qualificações dos resultados escolares. p. do ano letivo ou avaliação global de um determinado período de trabalho. Durante o processo . corrigir falhas. que implica uma reflexão crítica sobre a prática. 3. 2. possibilitando o diagnóstico das situações didáticas. no sentido de captar seus avanços. e essa nova concepção indica a necessidade de se fazer da aprendizagem um ensino. que devem ser reproduzidas nas questões de provas. 2002. A necessidade de reflexão permanente do professor sobre seu papel como indivíduo incluso em seu meio social e do acompanhamento do aluno. A avaliação diagnóstica inicial é aquela que é feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe. do bimestre. então. No entanto. o professor. bem como a dos livros didáticos adotados e das apostilas utilizadas. A função de diagnóstico acompanha a função pedagógico-didática. Finalmente . Podemos dizer. no início do ano letivo. e a função de controle é restringida à mera atribuição de notas e classificação. elas se relacionam: a pedagógicodidática refere-se aos próprios objetivos de ensino e está vinculada diretamente às funções de diagnóstico e de controle. deve-se ter cuidado em não cair na mensuração ou quantificação dos resultados. é o único dono do saber na sala de aula. o controle parcial e final são as verificações realizadas durante o bimestre. Dessa forma. de modo a analisar resultados. Ao professor. 72-73]: [. como tem tratado a matéria. faz-se importante para orientar como está sendo realizado o seu trabalho. testes 111 . por sua vez..para acompanhar o progresso dos alunos. que serve para punir e selecionar. suas dificuldades e possibilitar a tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos” [VASCONCELLOS. seleção e utilização dos métodos. sem o intuito diagnóstico e tampouco pedagógico-didático. Acredita-se numa avaliação como “um processo abrangente da existência humana. Os alunos passivamente acatam suas verdades. esclarecer dúvidas. trata-se da avaliação tradicional. A função de controle.para verificar os conhecimentos prévios dos alunos. trata dos meios.para avaliar os resultados da aprendizagem no final de uma unidade didática. que avaliação envolve necessariamente um ato que efetue a sua melhoria.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático 1. estimular o trabalho deles para conseguir a aprendizagem. passo a passo. p. Inicialmente . Tipos de Avaliação Romeiro afirma [2000. etc. no seu caminho de construção do conhecimento. suas resistências.. no final deste e no final do semestre ou ano.

ao separar o que é bom do que não é. quando aprecia as reais possibilidades do educando de enfrentar ou não as exigências dos estudos posteriores e sistematiza informações que possam auxiliar os educadores que irão receber esse aluno. apesar de ser a escola o lugar onde se aprende. sem a existência de uma reflexão sobre os procedimentos que identifiquem se houve aprendizagem. que Gandin [apud ROMEIRO. sem pensar na possibilidade de se fazer um diagnóstico para melhoria. tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem.o importante é que os alunos procurem obter sempre graus mais altos. o aluno estuda apenas para obter resultados convenientes. Como conseqüência da preocupação constante com a nota. normalmente de menor peso. Para Luckesi [1995]. Para que sejam cumpridas essas funções. é necessário que os instrumentos de avaliação sejam elaborados. autocompreensão do professor. sendo estimulada a competição . Nesse caso. autocompreensão do aluno. apontados por Grounlund [apud LUCKESI. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I e. até de algum trabalho. 1995]: 112 . 81] afirma que a avaliação diagnóstica supre as carências e lacunas da avaliação escolar: […] a avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno.DIDÁTICA. ou seja. podendo os motivos ser os mais variados. o que pode torná-lo cada vez mais heterônomo. 2000] compara à avaliação de um agricultor numa colheita. o outro aprende ou não. deixando de dar tudo de si. Levando-se em conta que tanto educandos como educadores são seres pensantes. a avaliação é sempre diagnóstica. mais dependente do professor. para passar de ano. com suas histórias de vida e com o direito de errar e de procurar acertar. Dentro do contexto da atual sociedade capitalista. como forma de acompanhar e conhecer os avanços e retrocessos do aluno em busca da aprendizagem? Vamos então conhecer quatro tipos de avaliação que podem ser utilizados: Avaliação diagnóstica Luckesi [1995. por que não adotar na escola uma avaliação reflexiva e dialógica. o professor realiza a avaliação diagnóstica até mesmo em momentos nos quais seu objetivo principal é decidir-se sobre a promoção do aluno para a série subseqüente. p. a avaliação diagnóstica tem três funções: autocompreensão do sistema de ensino. a valorização recai sobre os acertos. Segundo o autor. executados e aplicados segundo alguns princípios. é utilizada a avaliação classificatória. às vezes. Curiosamente. Enquanto um ensina. a avaliação sob a ótica diagnóstica enquadra-se numa proposta pedagógica histórico-crítica. para o autor.

1995] a avaliação do aproveitamento escolar deve fugir do aspecto classificatório e ser vista como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem do aluno. formas de participação e decisão para os agentes envolvidos no processo educacional. como acompanhamento diário do aprendizado. o próprio educador e a sociedade não identificam e reconhecem como suas2. por determinadas situações e conjunturas. Nessa perspectiva. de forma direta ou indireta. Essa reflexão. Medir uma amostra. ela não deve ser tratada isoladamente. preocupada com a afirmação do aluno como ser humano que vive numa determinada realidade social e cultural. A prática de avaliação. visto que se articula dentro de uma concepção pedagógica progressista. para Luckesi [2000 . Avaliação formativa A avaliação formativa insere-se no processo educativo com a finalidade de proporcionar informações para ajustar ou mudar a atuação educativa. Os referenciais são os objetivos arquitetados para os alunos e o trabalho desenvolvido pelo educador. realizada diretamente pelos setores sociais aos quais os programas ou organizações se destinam. 2 histórica da profissão pedagógica. direcionando tanto o processo de avaliação da aprendizagem quanto o replanejamento das práticas e atuação docente. a aplicação e a execução de programas ou organizações. assim. pretende-se responder questões como a degradação Este assunto já foi abordado na Unidade 2 desta disciplina. constitui uma necessidade e um utensílio para os próprios agentes do processo. Avaliação participativa O termo “participativo” é compreendido como a conduta que o docente – fazendo uso dos instrumentos apropriados de avaliação – deve ter no momento de conversa com os educandos para a discussão do estado de aprendizagem destes. a avaliação participativa torna-se um processo de reflexão consciente e crítica sobre a teoria. auxilia o professor a ter clareza de quando e como intervir para que seus educandos caminhem na direção desejada. Ao adotar essa postura no campo educacional. revelando. Para que a avaliação diagnóstica seja realizável. o que significa que os pontos de chegada necessitam estar sempre presentes. que estejam em harmonia com os objetivos específicos. A avaliação diagnóstica inicial é aquela feita ao longo dos primeiros contatos do professor com a classe. Essa avaliação é importante para conhecer bem os alunos: é o momento de observá-los cuidadosamente e registrar as observações para poder planejar as primeiras intervenções. Ela é efetuada de maneira gradual e paralela aos diferentes 113 . no início do ano letivo. mais que uma contribuição para a instituição. A avaliação participativa tem de ser considerada como uma parte solidária da totalidade exemplificada por uma estratégia ou um modelo de gestão pedagógica. Nesse contexto.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático • • Medir resultados de aprendizagem claramente definidos. a fragmentação e a alienação de uma prática educativa que.

p. por exemplo –. especialmente a partir da observação e da escuta. entretanto. uma vez que permite identificar a intervenção a partir das informações obtidas durante as aulas. é definida como: [. Portanto.. 97 apud OLIVEIRA. nos quais se verifica o que os alunos são capazes de fazer quando ajudados ou quando se faz uma atividade juntamente com eles. aceitá-la e aproveitá-la. ajudar e propor coisas diferentes aos diferentes alunos. não deve ser entendida de modo passivo. A observação. Trata-se. situações e atividades desenvolvidas e possui mais sentido e importância. e o nível de desenvolvimento potencial. a qual. O mérito da avaliação formativa reside na ajuda que pode prestar ao aluno em relação à aprendizagem da matéria e dos comportamentos em cada unidade de aprendizagem no sentido de alcançar seu objetivo de recuperação e levá-lo ao domínio daquilo que ainda não aprendeu. SOLÉ. HUGUET. A observação participativa é produzida quando se ajuda o aluno a terminar um exercício. como evidencia Vygotsky. Para tanto. de adaptar o ensino às características e às necessidades que as crianças apresentam no decorrer das diferentes atividades – enquanto se ensina. dessa maneira. valoriza-se a zona de desenvolvimento proximal. Avaliação somativa A avaliação somativa realiza-se ao final do processo de ensino-aprendizagem com o fim de externar informações sobre o que os alunos aprenderam em relação aos conteúdos trabalhados. 1999].. Desse modo. a fim de que o aluno possa acompanhar ou recuperar as lacunas de aprendizagem. é possível detectar também a sua capacidade de receber ajuda. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. 1995. p. pois serve para planejar o processo de ensino 114 . enquanto jogam. determinado através da resolução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes [VIGOTSKY. 1984. é uma avaliação para emitir um juízo em relação ao aluno e aos seus progressos em um momento determinado que possui função reguladora. Trata-se de atividades específicas para avaliar os resultados das aprendizagens realizadas [BASSEDAS.] a distância entre o nível de desenvolvimento real. mas também o que pode fazer com a ajuda ou a interação de outras pessoas. Basicamente. como ao se fazer perguntas. então. A avaliação formativa proporciona informações sobre o que os alunos aprendem e as dificuldades que apresentam. enquanto trabalham. mas ativo. em situações como essas não se avalia somente o que o aluno é capaz de fazer sozinho.DIDÁTICA. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I acontecimentos. e em muitos outros momentos. a fim de poder ajudá-los de diferentes formas e replanejar a programação quando for necessário. a avaliação formativa deve ser realizada através de diversos materiais e procedimentos de ensino. 59]. Além disso. quando lhe é pedido para observar um companheiro ao tentar realizar uma tarefa.

no entanto. quando se avalia que não foram atingidos os objetivos previstos. Assim. atingidos ou não. ela pode servir para modificar a unidade didática que se havia planejado. numerando-as de acordo com a primeira coluna. 1999]. o aluno deverá assinalar apenas uma das respostas apresentadas. no decorrer de um espaço determinado [BASSEDAS. por exemplo: as provas aplicadas em vestibulares e concursos. quando se compreende o conceito e as funções da avaliação. o professor percebe que as provas parciais ou finais são apenas demonstrações de um processo de ensino bem conduzido: os alunos quase sempre terão bons resultados. Instrumentos da Avaliação O processo de avaliação inclui instrumentos e procedimentos diversificados. Prova A prova é a mais tradicional. • • Questões de múltipla-escolha: partindo de uma pergunta. mais ou menos sistemáticos ou formais. Questões de correspondência: são questões elaboradas e dispostas em duas colunas. Questões de interpretação de texto: são questões elaboradas com base em um texto. uma quinzena ou uma unidade didática. Na coluna da esquerda enumeram-se os conceitos ou frases. o educador precisa tomar o cuidado de não ser influenciado pela subjetividade durante a correção. A seguir serão descritos alguns instrumentos de avaliação que poderão ajudar o professor a avaliar as habilidades e as capacidades alcançadas pelos alunos e sua aprendizagem significativa. 115 . um ciclo. Existem diversas situações em que não é necessário aplicar prova e dar nota. ou alertar sobre a necessidade de retomar em momentos posteriores determinados conteúdos trabalhados. 1992]. seja um curso. essa avaliação permite realizar uma valorização de conhecimentos adquiridos pelos alunos ao final de uma atividade de ensino. o que os estimulará para a aprendizagem [LIBÂNEO. o aluno deverá assinalar se a questão é correta ou não. o professor apresenta um tema a ser desenvolvido pelo aluno. enquanto na coluna da direita colocam-se as respostas para que o aluno faça a correspondência. Outros dois tipos de prova dissertativa são: a composta por questões e a que permite aos educandos consultar livros ou outros materiais. SOLÉ. discutida e criticada estratégia usada para a avaliação dos alunos na escola. permite estabelecer o grau de alcance de alguns objetivos previamente estabelecidos.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático realizado. HUGUET. e. as provas podem ser de diferentes tipos. Dessa maneira. Certo-errado: nessa prova. assim como olhar a própria prática pedagógica. esta última com o objetivo de avaliar se o aluno sabe aplicar os conhecimentos aprendidos e não apenas copiar um trecho do texto estudado. alguns deles são: • Escrita dissertativa: nesse tipo de prova. além disso. • • • Escrita de questões objetivas: é elaborada a partir de questões com apenas uma resposta correta. Segundo Libâneo [1992].

p. contextualmente. Trabalhos dos educandos ao longo do tempo. Entrevista A entrevista não pode se confundida com prova oral. 116 . como: Registro em vídeo e áudio. ações e experiências do grupo de alunos. opiniões e idéias. Acompanhar os processos de desenvolvimento. Tem como objetivo ampliar os dados que o professor já tem. Além dessas formas de registro. bem como dos alunos individualmente.. Ter uma visão integral dos alunos. Observação e registro Observação e registro são instrumentos de que o professor dos ensinos fundamental e médio dispõe para apoiar sua prática. o educador pode: Registrar. os processos de aprendizagem do aluno. esclarecer dúvidas quanto a determinadas atitudes e hábitos da criança [LIBÂNEO. 215-16]. O registro cotidiano dos fatos. funcionários e com o professor. outras também podem ser consideradas. Diários São formados por cadernos ou blocos nos quais o professor descreve situações. Dimensionar a qualidade das interações estabelecidas com outros educandos. ao mesmo tempo em que revelam suas particularidades. visto que [. São várias as maneiras pelas quais a observação pode ser registrada pelos professores e dentre elas destacamos: A escrita que é. a mais habitual e acessível. obtendo informações sobre suas ações na escola. pode compor um vasto e rico material para posterior reflexão e de valiosa utilidade para o planejamento educativo. Por meio deles.DIDÁTICA. em relação à aprendizagem e ao relacionamento social. sem dúvida.] é uma técnica simples e direta de conhecer e ajudar o aluno no desempenho escolar. 1992. tratar de um problema específico detectado nas observações. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I • Questões de ordenação: as questões apresentadas são compostas por diversos dados fora de ordem e o aluno precisará ordená-los.. Fotografias.

Dessa forma. tornando-o autônomo. na qualidade da educação em nosso País. opiniões. emoções e questionamentos manifestados pelo assunto do dia. mostrando as impressões. Por isso. Nesta unidade conhecemos alguns conceitos que recuperam o papel da avaliação como norteadora e guia. professores e situações de aprendizagem. portanto. Redijam tópicos de suas principais considerações para apresentar posteriormente ao grupo classe. Além disso. a qual fornece subsídios para todo o processo educacional e. o portfólio é um registro do processo de aprendizagem do aluno. considera o aluno em todos os momentos nos quais se relaciona com outras crianças. Vemos que a avaliação é um tema complexo e implica um posicionamento sobre a educação e o processo de ensino-aprendizagem. O uso do portfólio auxilia no planejamento e reestruturação das ações e intervenções da prática pedagógica. Esse instrumento também permite que seja registrada pelo menos uma atividade realizada na aula. formativa ou processual e somativa (classificatório). não se deve esperar o final do bimestre ou semestre para construí-lo. INTERCÂMBIO DE IDÉIAS: RODA VIVA __________________________________________ Para iniciar nossa discussão. para o processo de ensinoaprendizagem.” Agora.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Portfólio No contexto educacional. reúnam-se em grupos e leiam a seguinte afirmação: “Em meio ao crescente interesse pela avaliação. conseqüentemente. CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DO CONHECIMENTO Fazendo e aprendendo. assim como o papel que cada um dos agentes deste processo possui ou não.. ela permite que o aluno conheça e tome decisões frente a sua aprendizagem e possa melhorar ou realizar caminhos diferentes. motivado e responsável nesse processo de construção do conhecimento. considerando-se especialmente elementos e fenômenos que interferem direta e indiretamente na aprendizagem dos alunos e. ainda não se chegou a um modelo que contemple totalmente as funções da avaliação da aprendizagem: diagnóstica. 117 . é um trabalho quase diário. discutam por que ainda não se chegou à compreensão das funções da avaliação. é uma forma de avaliação embasada e completa. segundo o que foi estudado nesta unidade..

DIDÁTICA. Em seguida. sua importância e como utilizá-la no âmbito escolar. mediando um debate entre os grupos. reúnam-se em grupos de quatro alunos e releiam na seção Mobilização do Conhecimento os tópicos referentes às avaliações formativa. 118 . em que ela pede ajuda sobre como trabalhar com um professor que está apresentando diversos problemas na escola. em que conheceremos o conceito de avaliação. Faça as anotações que julgar relevantes em seu caderno. em boa parte. diagnóstica e participativa. 2. leiam a carta analisando: 1. numa folha de papel. TREINANDO ______________________ Para esta atividade. apresentaremos a carta de uma diretora para uma colega. do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Faça suas considerações a respeito. A afirmação da diretora. Ao final. autora desta carta: “Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente?” Diante dessa análise. Em grupos de dois ou quatro alunos. reflitam: Por que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem. ANÁLISE DE CASOS: REUNINDO EXPERIÊNCIAS _________________________________________________ A seguir. apontem as principais características de cada uma delas. o (a) tutor (a) deve organizar os grupos para apresentação dos pontos levantados. VIDEOAULA ______________________ Assista agora à videoaula A Avaliação no Ambiente Escolar. de modo que se trace um paralelo entre os diferentes tipos de avaliação. A concepção do professor sobre avaliação e processo de ensino aprendizagem. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I O (a) tutor (a) deverá organizar os grupos em uma grande roda para a apresentação das considerações.

Na semana seguinte a esse Conselho. estabelecer relações. Eles dizem que dou mais atenção à escola que a eles – e é assim mesmo: o trabalho me absorve. Agradeço as dicas que você me deu sobre a HTPC. Oi. o que não é pouco. por seus colegas. o do professor de História da 8ª série me chamou muito a atenção. menos em História. Na reunião do Conselho.. Campos do Serrano. principalmente porque ele é considerado. 119 . de outubro de 1998. já que deve dar conta do conteúdo programado para a série. um profissional sério e comprometido. Nesse momento. encontrei um grupo de pais conversando com o professor de História. . portanto. assim como a bibliografia que você sugeriu. O professor dessa disciplina justificou o baixo rendimento de seus alunos. Colocou que. discordando. estou bastante preocupada com o grande número de notas vermelhas que algumas disciplinas apresentaram no último Conselho Bimestral. e principalmente. No momento. que está sempre muito em dia com as discussões feitas em sua área. O professor de História não discutiu o argumento da professora de Português e continuou dizendo que procurava garantir não só a memorização de fatos. Realmente. Entre tantos casos que discutimos. o estabelecimento de relações entre diferentes assuntos e conceitos. a comparação e a extrapolação dos conhecimentos trabalhados. o que os preocupa. a professora de Português. faz questão de apresentar. resumir e interpretar devem ser trabalhados em todas as disciplinas. mas. não sabendo sequer resumir ou interpretar textos – coisa que já deveriam ter aprendido em Português – e.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático Registrem em seus cadernos as ações que vocês considerariam mais relevantes para a resolução desses problemas encontrados na escola. dizendo que seus filhos vão indo bem em outras matérias. tivemos Reuniões de Pais e Mestres na escola para avaliação do bimestre.. Alguns queixavam-se de seu trabalho. apesar de ouvir reclamações constantes do marido e dos filhos por causa do meu envolvimento com o trabalho. especialmente nas provas.. Emilia. No entanto. Como sempre faço. por estar preocupado com isso. estava circulando pelas salas e.. ao passar em frente a sala das 8ª séries. como vai? Eu vou indo muito bem. argumentou que analisar. seus alunos vêm apresentando um índice muito alto de notas vermelhas. não somente em Português. dizendo que a maioria deles não sabe fazer análises e estabelecer relações entre fatos e conceitos. elas estão me ajudando bastante a organizar as reuniões. muitas questões que buscam a análise. quando começamos a discutir a 8ª série. o caso de História foi enfocado. que não cabe a ele ensinar. Dois ou três chegaram até a dizer que o professor não tem se interessado em entender as dificuldades dos alunos ou em ajudá-los.

do trabalho que desenvolvemos em sala de aula? Como devo encaminhar essa questão? Afinal. Cheguei. ela é tão delicada. davam margem à inúmeras interpretações e respostas. Resolvi. não costumam fazer as tarefas de casa”.. Ao olhar as provas. conceitos e dados da realidade. as perguntas foram tão difíceis que não conseguiram ir bem. percebi que elas continham perguntas abertas que. Como o professor pretende que os alunos possam responder tais questões se as habilidades necessárias para respondê-las não são trabalhadas regularmente? Estes acontecimentos têm me feito pensar: Por que será que é tão difícil aceitarmos que os resultados obtidos por nossos alunos dependem. no começo desta semana.. então. 120 . provavelmente. E que isso não precisava me deixar tão preocupada. apesar de se sentirem preparados. s/d.. alguns dos alunos da 8ª série que estão com notas vermelhas em História também me procuraram para reclamar do professor. de uma consciência social mais ampla. a discutir essas coisas com meu marido.. cheios de lições feitas em classe!”. nos alunos. e que não havia qualquer indício de correção individual ou coletiva. preocupada com essa quantidade de queixas vindas. ao mesmo tempo. mas que. que o livro didático é difícil de entender – e as explicações do professor nem sempre ajudam a entendê-lo – e que as provas são fogo! As perguntas exigem informações nem sempre trabalhadas em sala de aula. em boa parte. enfatizava a importância de sua disciplina para o desenvolvimento.DIDÁTICA. o que tornava a avaliação muito subjetiva. por sua vez. Você tem alguma dica.. que "racharam" de estudar para as provas.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Ele. Observando as atividades. dizia que aqueles que não conseguiam obter boas notas não se interessavam pela matéria. até mesmo. nem estudavam em casa. dizendo que ele faz o que pode: “Basta ver os cadernos dos alunos. exigindo a localização de informações – e não uma reflexão decorrente da análise ou comparação entre os fatos e os conceitos trabalhados –. Eu fiquei muito “encucada”. tantas crenças sobre a avaliação (“A nota vermelha” é um fantasma que mora no armário de muita gente!!!). Clarice _______________ Fonte: CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS. de lugares diferentes. que a maioria da classe não participa. Entretanto. algum texto para me indicar? Você não acha que isso dá discussão para “um ano” de HTPC? Um grande abraço. inclusive. “Os alunos que estão indo mal são desinteressados e indisciplinados e. Outros pais também se colocaram a seu favor. Ele falou que a escola é assim mesmo: o prêmio vai para quem se esforça.. Falaram que suas aulas são chatas. Alguns deles afirmaram. pedir os cadernos destes alunos para dar uma olhada. coladas no caderno. envolve tantas coisas. exigindo o estabelecimento de relações entre fatos.. percebi que eram questionários com respostas transcritas do livro didático.

além de conhecer alguns tipos de avaliação: formativa. mais precisamente à maneira que ele é tratado e sua melhor forma de assimilação e compreensão por parte do educando. O fundamental que deve ser discutido. por meio de atitudes concretas de observar. Essa postura deve propiciar o encontro da avaliação consigo mesma. construção e aplicação do conhecimento. entrevista.. como prova. 121 . intervir cotidianamente no processo de ensino-aprendizagem. Contudo. principalmente. decidir e. e aprofundado por você. como mediação entre o processo de aquisição e o conhecimento já construído. um momento em que educador e educando possam trocar idéias e refletir sobre elas. Nesse sentido. SÍNTESE DA UNIDADE Repensando e provocando.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático TELEAULA _____________________ Vamos assistir a uma teleaula que abordará o tema estudado nas quatro últimas unidades. ela deve ocorrer nas relações dinâmicas da sala de aula. realizando-se ao longo de todo o período em que se desenvolve a aprendizagem e não apenas em momentos isolados. é que a avaliação deve ser um instrumento para a reorganização do trabalho escolar.. autoavaliação. É necessário que o educador. que norteiam as tomadas de decisão relacionadas ao conteúdo. Assim. somativa e diagnóstica. Nesta unidade você teve contato com aspectos históricos sobre a avaliação e suas várias conceituações. contínua e organizada. cabe salientar que não serão apenas mudanças de modelos. além de compreender as questões teórico-metodológicas do tema. observação e registro. resgatando sua função fundamental de mediar junto aos educandos a tomada de resoluções no processo da aquisição. os docentes precisam ter opiniões claras e objetivas sobre como se realiza e processa a avaliação escolar e quais as suas finalidades. analisar. adote uma concepção do ato de avaliar. diários e portfólios. participativa. Uma proposta avaliativa deve ser processual. Também foram apresentados instrumentos de avaliação. conceitos e nomenclatura que mudarão o ato de avaliar em nossas escolas.

científicos e pedagógicos. que pense nos seus alunos como parceiros de um processo de construção de conhecimento para o desenvolvimento deles e que lhes permita contribuir significativamente para a formação de uma sociedade mais justa e democrática. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista.. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I Esperamos que esse nosso estudo tenha contribuído para sua formação como professor que reflete. ilustrando com exemplos didáticos o trabalho avaliativo de alguns professores. AUTO-AVALIAÇÃO Olhando para dentro. Para maior aprofundamento do conteúdo desta unidade. Olhando para fora. J. Anexe suas considerações sobre seu aprendizado em seu portfólio. PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS Localizando. 122 ... É um livro que relata de uma maneira de fácil compreensão os dilemas e complexidade da avaliação. e reflita a partir do que estudamos e de seus conhecimentos prévios a concepção de avaliação que queremos de fato garantir a todos os alunos em instituições educativas.. 104 p. Lembre-se de que se formar professor não é uma atividade que se encerra ao terminar o curso superior. sugerimos o livro: HOFFMANN.. os conceitos apresentados.. Revisite a unidade. mas sua identidade docente se constrói no exercício consciente da profissão. atua e modifica sua prática. formado pelos saberes da experiência. 2006. Porto Alegre: Mediação.DIDÁTICA.

1999.gov. BRASIL. diagnóstica. SOLÉ.sp. participativa Juízo de qualidade Mudança Tomada de decisão compartilhada Função pedagógico-didática. Aprender e ensinar na educação infantil. (Org. 1995. _______.pdf>. In: SOUSA. 1997. 2008. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 1992. Porto Alegre: Mediação. Avaliação da aprendizagem: revendo conceitos e posições. somativa. Avaliação do rendimento escolar. Campinas: Papirus.). 123 . Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Didática. I. diagnóstico. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF. E. 2006. J. Disponível em: <http://www. C. CENTRO DE REFERÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARIO COVAS.. São Paulo: Cortez. T.Unidade 8: Avaliação no Plano Didático MAPEAMENTO DA UNIDADE Processo Ação-reflexão Avaliação formativa. 1991. de controle REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASSEDAS. HOFFMANN. HYGUET. J. LIBÂNEO. L. Porto Alegre: Educação e Realidade. Avaliação e aprendizagem. DEPRESBITERIS. C.br/pdf/cartas_ped_p063-073_c.crmariocovas. Secretária da Educação Fundamental. Acesso em: 19 nov.. Porto Alegre: Artmed.

VASCONCELLOS. Campinas: Papirus. 124 . Centro de Referência em Educação Mario Covas. Avaliação Participativa. VASCONCELLOS. Disponível em: < http://www.DIDÁTICA. 2000. 1976.crmariocovas. São Paulo: Scipione. M. Avaliação: Concepção Dialética-Libertadora do processo de avaliação escolar. Princípios básicos de currículo e ensino. C. São Paulo: Cortez. dos S. São Paulo: Libertad. C. Um olhar sobre a avaliação hoje. _______. C. SOUZA. R.libertadora do processo de avaliação escolar. Porto Alegre: Globo. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO I LUCKESI. Acesso em: 19 nov. A. 2000. TYLER. Ministério da Educação à Distância. Avaliação: Concepção Dialética . 2000. OLIVEIRA. São Paulo: Libertad. 2008. C. 1995. dos S. K. C. Avaliação do rendimento escolar. Brasília: MEC/SEED.br>. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. WAISELFISZ. In: BRASIL. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez.gov. P. 1995. Um olhar sobre a escola. J. 2002.sp. 1995 ROMEIRO. Cadernos Pedagógicos. Vygotsky.

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