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História do Amazonas

1. Ocupação originária do território. 1.1 Etnias indígenas locais. 1.2


Amazônia Pré-colombiana. 1.3 Lendas amazônicas.
2. Presença espanhola e colonização portuguesa na região amazônica.
3. Influência da política dos Reinos da Espanha e de Portugal ao longo
dos séculos XVI, XVII e XVIII na região amazônica. 3.1 Tratados de
Tordesilhas e de Madrid.
Não podemos esquecer que, na origem, a Amazônia não pertencia ao Brasil.
Na verdade, os portugueses tinham duas colônias na América do Sul, uma
descoberta por Cabral em 1500, governada pelo vice-rei do Brasil, a outra, o
Grão-Pará e Rio Negro, descoberta por Vicente Iañes Pinzon em 1498, logo
após a terceira viagem de Colombo à América, quando batizou o rio Amazonas
de mar Dulce, mas efetivamente ocupada pelos portugueses a partir de 1630.
Esses dois Estados se desenvolveram distintamente até 1823, data em que o
Império do Brasil começou a anexar o seu vizinho. A violência era naquela
altura a única via possível, tão diferentes eram as estratégias, a cultura e a
economia dessas duas colônias. A Amazônia então não era uma fronteira: este
é um conceito que foi inventando pelo Império e retomado pela República.
No Grão-Pará e Rio Negro, a economia era fundada na produção
manufaturada, a partir das transformações do látex. Era uma indústria
florescente, produzindo objetos de fama mundial, como sapatos e galochas,
capas impermeáveis, molas e instrumentos cirúrgicos, destinados à
exportação ou ao consumo interno.
Baseava-se também na indústria naval e numa agricultura de pequenos
proprietários. O marquês de Pombal nomeara seu próprio irmão para dirigir
o país, com o intento de reter o processo de decadência do império
português, que dava mostras de ser incapaz de acompanhar o
desenvolvimento capitalista. Nesse contexto, os escravos tinham uma
importância menor do que em outros lugares.
O país desfrutava, além disso, de uma cultura urbana bastante desenvolvida, com
Belém, construída para ser a capital administrativa, ou a sede da capitania do Rio
Negro, Barcelos, que conheceu um importante desenvolvimento antes de Manaus
e para a qual recorrera-se ao arquiteto e urbanista de Bolonha, Antônio José Landi.
Em compensação, a colônia chamada Brasil dependia amplamente da agricultura e
da agroindústria, tendo, portanto, uma forte proporção de mão-de-obra escrava.

Em meados do século XVIII, tanto o Grão-Pará quanto o Brasil conseguem criar


uma forte classe de comerciantes, bastante ligados à importação e exportação,
senhores de grandes fortunas e bastante autônomos em relação à Metrópole.

Mas, enquanto os comerciantes do Rio de Janeiro deliberadamente optaram pela


agricultura de trabalho intensivo, como o café, baseando-se no regime da
escravidão, os empresários do Grão-Pará intensificaram seus investimentos na
indústria naval e nas primeiras fábricas de beneficiamento de produtos extrativos,
especialmente o tabaco e a castanha-do-pará.
Ano: 2014 Banca: FCC Órgão: CETAM Prova: FCC - 2014 - CETAM - Técnico de Tecnologia da Informação
Considere o texto abaixo para responder à questão.

Muitos nativos e ribeirinhos da Amazônia acreditavam − e ainda acreditam − que no fundo de um rio ou lago existe uma
cidade rica, esplêndida, exemplo de harmonia e justiça social, onde as pessoas vivem como seres encantados. Elas são
seduzidas e levadas para o fundo do rio por seres das águas ou da floresta (geralmente um boto ou uma cobra sucuri), e só
voltam ao nosso mundo com a intermediação de um pajé, cujo corpo ou espírito tem o poder de viajar para a Cidade
Encantada, conversar com seus moradores e, eventualmente, trazê-los de volta ao nosso mundo.
(HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, p. 106)
Infere-se do texto que o narrador
A destaca, por meio de associações harmoniosas de palavras, ritmos e imagens, o conteúdo verídico da lenda narrada.
B critica o fato de que, mesmo com o avanço tecnológico dos dias de hoje, as populações ribeirinhas ainda acreditem em
lendas.
C evidencia a importância que certas lendas, como a narrada no fragmento, tiveram na formação da identidade dos
nativos da Amazônia.
D reproduz uma lenda amazônica, distanciando-se do material narrado, o que se evidencia pelo fato de considerá-lo uma
crença de povos da Amazônia.
E apresenta aquilo que presencia a partir de sua participação ativa nos acontecimentos narrados, o que permite concluir
que é um dos personagens da narrativa.

Gabarito: D
Leia o texto abaixo, de autoria de Márcio Souza, constante do livro História da Amazônia (p.69-71), antes de responder à questão, que a ele se referem:

Uma das lendas mais persistentes e que mais incendiou a imaginação dos conquistadores foi a do El Dorado. País fabuloso situado em algum lugar do noroeste
amazônico, dele se dizia ser tão rico e cheio de tesouros que, segundo a lenda, o chefe da tribo recebia em todo o corpo uma camada de ouro em pó e a seguir se
banhava num lago vulcânico.

A lenda do El Dorado era tão recorrente nos primeiros anos da conquista da Amazônia que muitos aventureiros encontraram um destino trágico na sua busca. Sir
Walter Raleigh andou buscando esse país em sua última e desastrada expedição ao Orenoco, seguindo os espanhóis na Venezuela. Em busca do El Dorado
também foram para as selvas outros europeus, como portugueses, franceses, holandeses e irlandeses.

A fantasia de terras e locais fantásticos sempre povoou os sonhos dos ambiciosos conquistadores. Desde os navegantes que se lançaram em busca da misteriosa
ilha onde estariam as minas de ouro e prata do rei Salomão, de onde retirou estes metais preciosos para a construção do Templo de Jerusalém – ilha fantasiosa
que às vezes estava no Atlântico e às vezes no Pacífico – até os mitos dos reinos perdidos, da fonte da eterna juventude e das cidades encantadas, sempre às
margens de algum rio caudaloso, paragens habitadas por amazonas guerreiras, pigmeus, homens sem cabeça, homens com rabos e outras quimeras. Os
conquistadores, homens pertinazes em seus ódios e amores, jamais renunciaram às suas mais íntimas ilusões, que lhes serviram de estímulo e consolo. E todos
quiseram se apossar da riqueza escondida, desses países fabulosos que foram progressivamente mudando de nome e de lugar: Guyana, El Dorado, Candire,
Paititi, Mojos, Manoa, mantendo sempre as mesmas promessas e causando os mesmos desenganos. Os mitos dourados são essencialmente fenômenos de
fronteira, e a fronteira sempre foi lugar violento. Nas buscas desvairadas desses conquistadores, muitas pessoas perderam a vida de forma atroz, mas, quando
relatados, os fatos, muitas vezes, parecem contos de fadas concebidos por um demente.

Embora as informações sobre o El Dorado tenham vindo exclusivamente de lendas indígenas, os espanhóis acreditaram nelas cegamente. Mas não se deve
estranhar esse fato, porque os espanhóis tiveram experiências tão extravagantes no Novo Mundo que o El Dorado não parecia menos real.
Ano: 2007 Banca: CESGRANRIO Órgão: TCE-RO Prova: CESGRANRIO - 2007 - TCE-RO - Analista de Sistemas

Os relatos espetaculares sobre a Amazônia, presentes nos depoimentos dos


indígenas e nas crenças europeias, contrapunham, a todo momento, duas visões
da nova terra: a idílica e a temível, a paradisíaca e a trágica. Esse contraponto, na
verdade, refletia o contexto histórico no qual estava inserido, significando que:

A a força dos nativos da Amazônia, proveniente de sua forte ligação com a


natureza, comoveu e transformou o universo ideológico europeu do século XVI.
B o longo confronto entre Portugal e Espanha, decorrente da Guerra de
Reconquista, perpetuava-se, na América, com a disputa de territórios além-mar.
C o encontro com o indígena significava, para o europeu, um estranhamento
perante aquele desconhecido, sempre vitorioso nos conflitos iniciais, apesar de
suas armas rudimentares.
D mesmo enfrentando dificuldades de toda sorte, a conquista da região
significava alcançar riquezas materiais que as expedições da época moderna
buscavam.
E quaisquer que fossem os perigos que a região apresentasse, deveriam ser
enfrentados, pois esta era a vontade divina, tanto no que se refere ao europeu,
como no imaginário nativo.

Gabarito: D
O último refúgio da língua geral no Brasil

No coração da Floresta Amazônica é falada uma língua que participou intensamente da história da maior região do Brasil. Trata-se da língua geral,
também conhecida como nheengatu ou tupi moderno. A língua geral foi ali mais falada que o próprio português, inclusive por não índios, até o ano
de 1877. Alguns fatores contribuíram para o desaparecimento dessa língua de grande parte da Amazônia, como perseguições oficiais no século
XVIII e a chegada maciça de falantes de português durante o ciclo da borracha, no século XIX. Língua-testemunho de um passado em que a
Amazônia brasileira alargava seus territórios, a língua geral hoje é falada por mais de 6 mil pessoas, num território que se estende pelo Brasil,
Venezuela e Colômbia. Em 2002, o município de São Gabriel da Cachoeira ficou conhecido por ter oficializado as três línguas indígenas mais usadas
ali: o nheengatu, o baníua e o tucano. Foi a primeira vez que outras línguas, além do português, ascendiam à condição de línguas oficiais no Brasil.
Embora a oficialização dessas línguas não tenha obtido todos os resultados esperados, redundou no ensino de nheengatu nas escolas municipais
daquele município e em muitas escolas estaduais nele situadas. É fundamental que essa língua de tradição eminentemente oral tenha agora sua
gramática estudada e que textos de diversas naturezas sejam escritos, justamente para enfrentar os novos tempos que chegaram.

NAVARRO, E. Estudos Avançados, n. 26, 2012 (adaptado).

O esforço de preservação do nheengatu, uma língua que sofre com o risco de extinção, significa o reconhecimento de que

a) as línguas de origem indígena têm seus próprios mecanismos de auto conservação.


b) a construção da cultura amazônica, ao longo dos anos, constituiu-se, em parte, pela expressão em línguas de origem indígena.
c) as ações políticas e pedagógicas implementadas até o momento são suficientes para a preservação da língua geral amazônica.
d) a diversidade do patrimônio cultural brasileiro, historicamente, tem se construído com base na unidade da língua portuguesa.
e) o Brasil precisa se diferenciar de países vizinhos, como Venezuela e Colômbia, por meio de um idioma comum na Amazônia brasileira.

Gabarito: B

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