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CONFIABILIDADE ESTRUTURAL APLICADA AO COLAPSO

PROPAGANTE DE DUTOS SUBMARINOS

Luís A. D. Aguiar
Segen F. Estefen
COPPE/UFRJ

ABSTRACT direções dependendo da magnitude da pressão


externa e das propriedades geométricas e de
Laboratory tests have been conducted using steel materiais. Uma vez iniciado, o fenômeno só é
small scale models of pipelines with diameter to interrompido ou por diminuição da pressão aplicada
thickness ratios typical for deepwater applications to ou por colocação de reforços locais chamados
determine the minimum pressure to sustain the “buckle arrestors” . A pressão mínima para sustentar
propagation buckling. Formulae available in the a progressão do colapso é conhecida como pressão
literature for propagation pressure in pipelines have de propagação (pp).
been selected and a correlation study has been
performed in order to compare the results from O colapso propagante em dutos submarinos tem sido
analytical formulae and laboratory tests. Statistical estudado por vários grupos de pesquisa obtendo-se
parameters have been used to evaluate the safety previsões empíricas e analíticas para a pressão de
factor related to target reliability levels. The propagação. Neste trabalho testes laboratoriais em
probabilities of failure are evaluated using a tubos de aço em escala reduzida com razão
computer program based on the Monte Carlo diâmetro/espessura típicos para águas profundas são
simulation method. realizados para avaliar as respectivas pressões de
propagação. Os resultados experimentais são
RESUMO correlacionados com as formulações disponíveis na
literatura e códigos de projeto.
Testes laboratoriais sâo realizados utilizando tubos
de aço em escala reduzida com razão Técnicas de confiabilidade estrutural utilizando-se
diâmetro/espessura típicos para águas profundas para formulação selecionada como função estado limite,
determinar a pressão mínima de propagação. são aplicadas a um exemplo de duto em escala real
Formulações disponíveis na literatura para pressão para avaliar os fatores de segurança relacionados aos
de propagação em dutos submarinos foram índices de confiabilidade alvo desejados. O
selecionadas e um estudo de correlação é realizado programa computacional RANSSY (Reliability
em razão de comparar com os resultados de Analysis of Structural Systems) (Aguiar, 1995),
formulações analíticas e de testes laboratoriais. baseado no método da simulação de Monte Carlo é
Parâmetros estatísticos são usados para avaliar os utilizado para a determinação das probabilidades de
fatores de segurança relacionados aos níveis de falha.
confiabilidade alvo desejáveis. As probabilidades de
falha são determinadas utilizando-se um programa 2- TESTES EXPERIMENTAIS
computacional baseado no método da simulação de
Monte Carlo. Seis tubos longos com propriedades geométricas e de
material indicadas na Tabela 1 são danificados numa
1- INTRODUÇÃO seção próxima das bordas e submetidos a aplicação
de pressão externa em câmara hiperbárica para
Dutos submarinos podem ser submetidos a danos determinar suas respectivas pressões de propagação.
localizados devido a cargas acidentais causadas por
impacto de objetos pesados tais como queda de O procedimiento experimental inclui a simulação de
equipamentos das plataformas ou âncoras. Em dano usando um indentador e mapeamento da
adição, perda de tensão axial durante sua instalação e superfície na região danificada. A magnitude de
irregularidades no fundo do mar também induzem dano de aproximadamente 63% do
danos locais em dutos submarinos que qos quais respectivodiâmetro nominal do tubo é simulado a
podem levar a iniciação do colapso (Estefen et al., cerca de 600 mm da extremidade. Antes de colocado
1995). na câmara o tubo é cheio internamente com água e
suas extremidades seladas com luvas cilíndricas
providas de o’rings. A extremidade oposta ao do
O colapso local pode propagar-se ao longo do duto
dano é conectada ao ambiente externo em razão de
submarino por longas distâncias em ambas as
assegurar que a pressão interna do tubo é
1
atmosférica. A câmara hiperbárica é entâo fechada e esquemático da montagem é mostrado na Figura 1
cheia completamente com água. Um desenho

Tabela 1: Propriedades Geométricas e de Material para os Modelos em Escala Reduzida

Modelo D(mm) t(mm) σo (N/mm2) Et (N/mm2) pp (N/mm2)


TSP216 42.00 2.71 320.33 2261.00 11.932
TSP316 42.00 2.69 334.00 2120.00 12.415
TSP416 42.00 2.74 305.27 2316.00 11.828
TSP214 42.00 3.02 326.26 2067.00 14.829
TSP314 42.00 3.02 333.99 2250.00 14.760
TSP514 42.00 2.95 336.83 2333.00 14.967
TSP112 42.00 3.29 371.38 2100.00 22.070
TSP212 42.00 3.54 357.33 1840.00 22.622
TSP312 42.00 3.51 351.10 1900.00 22.070

Figura 1: Desenho Esquemático da Montagem do Aparato

A pressão é gradualmente incrementada até a pressão de injeção de água é controlada para produzir op
de iniciação, quando a seção danificada colapsa colapso propagante entre o equivalente a um ou dois
acompanhada por queda instantânea de pressão. A diâmetros por minuto. A pressão é gravada durante o
propagação pára quando a pressão cai a um valor teste para o modelo TP é mostrado na Figura 2. Os
suavemente mais baixo que a pressão de propagação. resultados laboratoriais para os testes de pressão de
A partir deste momento, água é bombeada para a propagação são mostreados na Tabela 1. É assumido
câmara em taxa muito baixa até alcançar o nível de que o equipamento de teste não introduz incertezas
pressão de propagação. O colapso então restarta nos resultados dos experimentos usados na análise de
propagando-se num modo quasi-estático enquanto a confiabilidade.
água colocada no interior do tubo é expelida através
da conexão externa para o exterior da câmara. A taxa
8

Model TP220
2
pp= 2.883 N/mm
external pressure (N/mm2)

0
0 20 40 60 80 100
time (minutes)

Figura 2: Histórico da Pressão Aplicada para o Modelo TP

3- EQUAÇÕES DE PROJETO combinado. Estudos experimentais foram conduzidos para


determinar a pressão de propagação de tubos longos e uma
curva foi plotada para os resultados experimentais, Melosh
O fenômeno de colapso propagante foi primeiro observado
et., Al (1976). Simultaneamente, Palmer e martin (1975)
no início dos anos 70 por pesquisadores da Battelle
realizou estudos teóricos de um anel inextensível
durante testes experimentais em modelos em escala
considerando o comportamento elástico perfeitamente
reduzida de dutos submarinos sob carregamento
plástico. Os autores sugeriram uma fórmula para a preeão
2
de propagação. Steel e Spencer (1983) extenderam esta
fórmula levando em conta o comportamento do material B = (pp )test / (pp )formula (1)
com “strain hardening”.
Pode ser observado a partir da Tabela 2 que as
Kyriakides e Babcock (1981) testaram modelos em escala formulações de Melosh et al. (1976) e Shell/Langner
reduzida de alumínio e aço com geometria variada e (1984) apresentam os melhores resultados em relação a
propuseram uma expressão empírica para pressão de pressão de propagação obtida a partir das amostras. A
propagação tal como AGA/Shell (1990) e Shell/Langner Figura 3 e 4 apresentam a correlação entre resultados
(1984). Códigos de projeto para dutos submarinos da DnV experimentais e teóricos para as formulações mensionadas.
(1981) e BSI (1993) também apresentam fórmulações para Aga/Shell is the only formula which overpredict the
pressão de propagação. propagation pressure. On the other hand Palmer & Martin,
DnV and BSI are overconservative. Discrepancies between
Modelação de incertezas são expressas pelo parâmetro the results from diferent formulations are probably due to
biasB, equação (1), descrita pela razão entre o valor médio the respective experimental data base employed in the
e o coeficiente de variação COV, é usado para indicar a correlation studies. In many cases the studies were
exatidão da fórmula comparado com o resultado performed in geometries not representative of deepwater
experimental para avaliar a pressão de propagação. pipelines
Valores das médias µ e coeficientes de variação COV são
indicados na Tabela 2 para diferentes formulações.

Tabela 2: Incertezas Estatísticas para Pressão de Propagação

Formulação Bias
µ COV
Melosh et al. 0.99 0.06
Palmer & Martin 2.87 0.03
Steel & Spencer 1.24 0.04
Kyriakides & Babcock 1.23 0.04
AGA/Shell 0.91 0.06
Shell/Langner 0.92 0.10
DnV 1.29 0.06
BSI 1.62 0.04

16.00

14.00
Propagation Pressure (N/mm2 )

12.00

Melosh et al.
10.00
Experimental Result
Predicted Value
8.00

6.00

4.00

2.00

0.00

0.00 1.00 2.00 3.00 4.00 5.00


(D/t) ( σo /E t )

Figura 3 : Correlação entre Valores Experimentais e Teóricos Obtidos da Equação de Meslosh et. al

3
16.00

14.00

Propagation Pressure (N/mm 2 )


12.00

Langner

10.00 Experimental Result


Predicted Value

8.00

6.00

4.00

2.00

0.00

0.00 1.00 2.00 3.00 4.00 5.00


(D/t) (σ o /E t )
Figura 4 : Correlação entre Valores Experimentais e Teóricos Obtidos da Equação de Meslosh et. al

4- ANÁLISE DE CONFIABILIDADE using the program RANSSY, Reliability Analysis of


APLICADA A UM DUTO EM ESCALA Structural Systems (Aguiar, 1995).
REAL The parameters involved, with respective
mean value (µ), standard deviation (σ) and
A sensitivity study based on reliability level III
coefficient of variation (COV) are presented in Table
method associated with Monte Carlo simulation was
3 for three actual pipelines installed at Campos Basin
performed in order to analyse the influence of the
/ Brazil. The parameters are considered as normal
parameter variation in each one of the selected
distributed functions.
formulae on the respective probability of failure

Tabela 3: Parâmetros Estatísticos usados na Análise de Confiabilidade

Duto Diâmetro Espessura Tensão de Módulo Tangente


D (mm) t (mm) Escoamento Et (MPa)
σo (MPa)
µ COV µ COV µ COV µ COV
D14 355.60 1.5 % 15.82 4% 487.78 5% 1202 6%

Failure functions are obtained from the where Et is the tangent modulus, D the outer
respective propagation pressure formulae adjusted diameter, pp the applied external pressure assumed
in relation to the experimental results through the as reference for the determination of the probability
bias factors. The failure functions for the three of failure and BM, BKB and BL the bias factors (BM =
formulae with bias factors much closer to the unity, 1.010, BKB = 1.022 and BL = 1.012).
proposed by Melosh et al. (1976), Kyriakides &
Babcock (1981) and Langner (1984), are given Figure 6, 7 and 8 show the results for the
below. sensitivity analysis for the D10 pipe. Coefficient of
variation has been considered in he range of 1 to
  2t 2.5 
G( X )M = BM 6 σo    − p p
Melosh et al. (2) 8%. The applied pressure (pp) was assumed as the
 D  buckling propagation pressure for each selected
formula. Tangent modulus described in Figure 7 is
  t 2.25 
G( X ) KB = BKB σo 
Et  Kyriakides & almost insensitive for the COV range considered.
10.7 + 0.54 − pp
 D  σo  Yield stress and diameter are slightly influenced by
Babcock (3) COV but thickness is strongly influenced as shown
  t 2.4  t 6  in Figure 6, 7, and 8. Similar results can be obtained
G( X )S = BL  24 σo   + 48000σo    − pp Langner (4)
 D  D   for D14 pipe.

4
0.50

0.49

0.48

Probability of Failure
0.47

0.46

0.45

0.44
Melosh et al.
0.43
Yield Stress

0.42 Thickness
Outer Diameter
0.41

0.40

1.00 2.00 3.00 4.00 5.00 6.00 7.00 8.00


Coefficient of Variation (COV) %

FIGURE 6 : SENSITIVITY ANALYSIS FOR MELOSH ET AL. FORMULA

Figure 9 shows probability of failure versus tends to approach Melosh et al. and Langner for
applied external pressure in the neighbourhood of the small probabilities of failure which normally
propagation pressure for each selected formula. correspond to the region of target reliability for
Kyriakides & Babcock formulation is more design purposes.
conservative for high probabilities of failure but it

1.0E+0
1.0E-1
1.0E-2
1.0E-3
1.0E-4
1.0E-5
1.0E-6
Probability of Failure

1.0E-7
1.0E-8
1.0E-9
1.0E-10
1.0E-11
1.0E-12
10 in Pipe
1.0E-13
14 in Pipe
1.0E-14
1.0E-15
1.0E-16 Melosh et al.
Kyriakides & Babcock
1.0E-17 Langner
1.0E-18
1.0E-19
1.0E-20

0 2 4 6 8 10 12 14 16
Applied External Pressure (MPa)

FIGURE 9 : RELIABILITY ANALYSIS OF ACTUAL PIPELINES UNDER EXTERNAL APPLIED


PRESSURE

5- CONSLUSÕES the pipe generator and then submitted to external


pressure inside a hyperbaric chamber.
Laboratory tests for propagation buckling of
small scale models representative of deepwater Propagation pressure values obtained
pipelines have been performed. The models were experimentally have been compared with those from
damaged by a knife indenter acting perpendicular to proposed formulae using modelling uncertainty
statistics based on mean value (µ) and coefficient of
5
variance (COV) of the bias parameter (B). The most Melosh, R., Johns, T.G. and Sorenson, J.E.,
suitable formulae for evaluating the propagation “The Propagation Buckle”, Proceedings of the
pressure at the design stage have been identified as International Conference on Behaviour of Offshore
those from Melosh et al. (1976), Kyriakides and Structures, Vol.1, 1976, pp.787- 797.
Babcock (1981) and Langner (1984).
Palmer, A.C. and Martin, J.H., “Buckle
Sensitivity studies using reliability Propagation in Submarine Pipelines”, Nature,
techniques indicated that the variation of geometrical Vol.254, 1975, pp.46-48.
parameter represented by thickness have an
important influence on the probability of failure for Steel, W. J. and Spencer, J., “On
the selected formulae in the range of the assumed Propagating Buckles and Their Arrest in Sub-Sea
coefficient of variation (COV). Pipelines”, Proc. Instn. Mech. Engrs., Vol.197A,
1983, pp.139-147.
Results obtained for actual pipes using the
selected formulae with respective bias factors as Kyriakides, S. and Babcock, C.D.,
failure functions indicated that for low probability of “Experimental Determination of the Propagation
failure associated with design target reliability the Pressure of Circular Pipes”, Journal of Pressure
failure pressures converge to similar values. Based Vessel Technology, Vol.1033, 1981, pp.328-336.
on the laboratory tests performed the selected
formulations with respective bias factors are Shell Development Co., Seminar
recommended for design purposes. Proceedings on Collapse of Offshore Pipelines,
AGA, Houston, 1990.
6- NOMENCLATURA
D outer diameter Langner, C, “Design of Deepwater
t thickness Pipelines”, TNO - IWECO 30th Anniversary
σo yield stress Symposium on Underwater Tecnology, The Hangue,
Et tangent modulus May 1984.
µ mean value
COV coeficient of variation Det Norske Veritas, “Rules for Submarine
BM, Br , BL bias factors Pipelines Systems”, Hovik, 1981
pp propagation pressure

7- AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem o suporte financeiro
da FAPERJ e PETROBRAS S.A. ao projeto de
pesquisa de colapso propagante em águas profundas
the research project Propagation Buckling in
Deepwater Pipelines. Special thanks to Mr. Marcos
P. Silva, Mr. Marcelo M. Pinheiro and Mr. João
Fabricio M. Castilho from the Submarine
Technology Laboratory / COPPE who performed
the experimental tests.

8- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Aguiar, L. A. D. - “RANSSY - Reliability
Analysis of Structural Systems “ , User Manual,
Rio de Janeiro, Brazil, December 1995.

British Standart Institution , “Subsea


Pipelines”, BS 8010, Part 3, Annex C, 1993.

Estefen, S.F., Netto, T.A. and Alves,


T.M.J., “Initiation and Propagation Buckling in
Deepwater Pipelines”, Proceedings of the 9th
International Symposium on Offshore Engineering,
Rio de Janeiro, September 1995, pp.459-466.

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