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IEFP - ISG

Ficha Técnica

Colecção MANUAIS PARA APOIO À FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS EMPRESARIAIS

Título Contabilidade Analítica


Suporte Didáctico Guia do Formador
Coordenação e Revisão Pedagógica IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional -
Departamento de Formação Profissional
Coordenação e Revisão Técnica ISG – Instituto Superior de Gestão
Autor Gracinda Santos/ISG
Capa IEFP
Maquetagem ISG
Montagem ISG
Impressão e Acabamento JERAMA – Artes Gráficas, Lda.
Propriedade Instituto do Emprego e Formação Profissional, Av. José
Malhoa, 11 1099-018 Lisboa
Edição Portugal, Lisboa, Dezembro de 2004
Tiragem 100 exemplares
Depósito Legal 218238/04
ISBN 972-732-928-4

Copyright, 2004
Todos os direitos reservados ao IEFP
Nenhuma parte deste título pode ser reproduzido ou transmitido,
por qualquer forma ou processo sem o conhecimento prévio, por escrito, do IEFP

Contabilidade Analítica Guia do Formador


ÍNDICE GERAL IEFP

Índice Geral

1. Objectivos Globais do Guia............................................................................................................................. 1


2. Pré-Requisitos................................................................................................................................................. 2
3. Perfil do Formador........................................................................................................................................... 3
4. Campo de Aplicação do Guia ......................................................................................................................... 4
5. Plano de Desenvolvimento do Módulo/das Unidades Temáticas................................................................... 5
6. Orientações Metodológicas Recomendadas .................................................................................................. 8
7. Recursos Didácticos ....................................................................................................................................... 9
8. Bibliografia Recomendada ............................................................................................................................ 10

I. INTRODUÇÃO............................................................................................................ 11

1. Resumo ............................................................................................................................................ 13
2. Plano das Sessões........................................................................................................................... 14
3. Actividades/Avaliação....................................................................................................................... 15
4. Transparências................................................................................................................................. 16
5. Textos Complementares para o Formador ..................................................................................... 18

II. OS CUSTOS ............................................................................................................... 19

1. Resumo ............................................................................................................................................ 21
2. Plano das Sessões........................................................................................................................... 25
3. Actividades/Avaliação....................................................................................................................... 26
4. Transparências................................................................................................................................. 36

III. SISTEMAS DE CUSTOS ............................................................................................ 39

1. Resumo ............................................................................................................................................ 41
2. Plano das Sessões........................................................................................................................... 43
3. Actividades/Avaliação....................................................................................................................... 44
4. Transparências................................................................................................................................. 50

IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA ............................................... 53

1. Resumo ............................................................................................................................................ 55
2. Plano das Sessões........................................................................................................................... 58
3. Actividades/Avaliação....................................................................................................................... 59
4. Transparências................................................................................................................................. 69
5. Textos Complementares para o Formador ..................................................................................... 78

Contabilidade Analítica Guia do Formando


IEFP ÍNDICE GERAL

V. REPARTIÇÃO DE GASTOS .......................................................................................79

1. Resumo .............................................................................................................................................81
2. Plano das Sessões............................................................................................................................85
3. Actividades/Avaliação .......................................................................................................................86
4. Transparências..................................................................................................................................93
5. Textos Complementares para o Formador ................................................................................... 106

VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS ..................................................................107

1. Resumo .......................................................................................................................................... 109


2. Plano das Sessões......................................................................................................................... 111
3. Actividades/Avaliação .................................................................................................................... 112
4. Transparências............................................................................................................................... 118

VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE


GERAL ..........................................................................................................................119

1. Resumo .......................................................................................................................................... 121


2. Plano das Sessões......................................................................................................................... 123
3. Actividades/Avaliação .................................................................................................................... 124
4. Transparências............................................................................................................................... 129

FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL .............................................................................137

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ...................................................................................149

GLOSSÁRIO .................................................................................................................151

Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

1. OBJECTIVOS GLOBAIS DO GUIA

Habilitar os formandos dos meios necessários para poderem:

• Enunciar as características e as dificuldades da Contabilidade Analítica;

• Classificar os diversos custos;

• Distinguir e aplicar os diferentes sistemas de custos;

• Movimentar as contas mais importantes da Contabilidade Analítica;

• Efectuar a repartição dos gastos de fabrico em função de diferentes critérios;

• Calcular e analisar desvios;

• Distinguir e utilizar os diferentes sistemas de ligação da Contabilidade Analítica com a


Contabilidade Geral.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 1


IEFP I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

2. PRÉ-REQUISITOS

Para Técnico de Contabilidade:

Idade >= 17 anos;

Habilitação escolar : 11º ano de escolaridade ou equivalente;

Candidatos ao primeiro emprego ou desempregados.

2 Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

3. PERFIL DO FORMADOR

Formação superior em na área da Gestão com particular ênfase nas áreas Contabilisticas e de
Gestão Orçamental;

Experiência em efectuar movimentos contabilisticos e efectuar orçamentos;

O formador deve possuir certificado de aptidão profissional emitido pelo IEFP, garantia de que
possui competências pedagógicas para exercer a actividade de formação.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 3


IEFP I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

4. CAMPO DE APLICAÇÃO DO GUIA

Técnico de Contabilidade.

4 Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

5. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO MÓDULO/DAS UNIDADES TEMÁTICAS

Introdução

No fim desta unidade o formando deve estar apto a:

• Explicar a necessidade da Contabilidade Analítica, como instrumento de apoio à Gestão;

• Identificar a semelhança e complementaridade face à Contabilidade Geral;

• Identificar o tipo de informação produzida e os objectivos a cumprir.

Duração - 2 h

Os Custos

No final desta unidade o formando deve estar apto a:

• Identificar e classificar os diversos custos;

• Explicar e diferenciar os custos em função do tipo de empresa;

• Identificar os principais componentes dos custos de produção;

• Aplicar as noções básicas sobre repartição de custos e bases de repartição;

• Explicar o conceito de periodização de certas naturezas de gastos gerais de fabrico.

Duração - 7 horas

Contabilidade Analítica Guia do Formador 5


IEFP I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

Sistemas de Custos

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Distinguir e explicar os diferentes sistemas de custos.

Duração - 21 horas

Organização da Contabilidade Analítica

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Descrever o funcionamento da Contabilidade Analítica;

• Explicar o conteúdo e movimentar as contas mais importantes.

Duração - 14 horas

Repartição de Gastos

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Efectuar a repartição dos gastos gerais de fabrico em função de diferentes critérios;

• Caracterizar produção conjunta;

• Efectuar a valorização dos sub – produtos;

• Entender a importância do ponto de separação;

• Definir e classificar centros de custos;

• Aplicar o método das secções homogéneas;

• Fazer a repartição de custos;

• Entender e aplicar o conceito de prestações recíprocas;

• Determinar o custo unitário dos produtos fabricados.

Duração - 35 horas

6 Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

Análise e Cálculo dos Desvios

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Utilizar os elementos produzidos pela Contabilidade Analítica para comparar com os custos
orçamentados;

• Calcular e justificar os principais desvios que formam o desvio do custo de produção,


nomeadamente, o desvio de matérias, de mão de obra e de gastos gerais de fabrico.

Duração - 12 horas

Contabilização de Custos e a sua Integração na Contabilidade Geral

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Distinguir e utilizar os diferentes sistemas de contas da Contabilidade Analítica com a


Contabilidade Geral;

• Identificar os tipos de sistemas existentes, o monista e o dualista;

• Justificar a necessidade da normalização contabilística;

• Definir “plano sectorial” exemplificando os já existentes;

• Explicar a implementação e organização de uma Contabilidade Analítica.

Duração - 14 horas

Contabilidade Analítica Guia do Formador 7


IEFP I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

6. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS RECOMENDADAS

Utilizar o manual como base de trabalho introduzindo toda a matéria teórica com os exercícios e
exemplos que vão sendo fornecidos.

Em quadro grande deduzir as formulas apresentadas de uma forma pausada e de fácil percepção
para os formandos.

Utilizar sempre que possível Folhas de Cálculo para a resolução dos exercícios em que seja
necessário construir mapas.

8 Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

7. RECURSOS DIDÁCTICOS

• Máquina de calcular com raízes e potências.

• Equipamento informático para utilização de folha de cálculo.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 9


IEFP I. APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

8. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

HASEN, Don R. e Mowen, Maryanne M., Gestão de Custos – Contabilidade e Controle, Editora
Dinternal 3ª Edição

CAIADO, António Pires, Contabilidade de Gestão, Editora Áreas Editora 2ª Edição 2002

FRANCO, Víctor e Oliveira, Benvinda e Morais, Ana Isabel e Lourenço, Isabel e Major, Maria João
e Vieira, Rui José, Contabilidade Analítica – Exames Resolvidos e Exercícios Propostos, Editora
Rei dos Livros 1ª Edição 1996

PEREIRA, Carlos Caiado e Franco, Víctor Seabra, Contabilidade Analítica – Casos Práticos,
Editora Rei dos Livros 1º Edição 1994

PALMA, João, Casos Práticos de Contabilidade de Analítica, Editora Plánato Editora 1º Edição
1997

PALMA, João, Casos Práticos de Contabilidade de Gestão, Editora Plánato Editora 1º Edição 1998

HORNGREN, Foster e Datar, Cost Accounting: A Managerial Emphasis

Artigos de Opinião Publicados na Revista da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas.

Artigos de Opinião Publicados no Jornal de Contabilidade da Associação Portuguesa de Técnicos


de Contabilidade.

IASC, International Accounting Standards 2001.

Plano Oficial de Contabilidade de 1989 e Directrizes Contabilística

10 Guia do Formador Contabilidade Analítica


I. INTRODUÇÃO

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
I. INTRODUÇÃO IEFP

1. RESUMO

1. A questão que se coloca aos que analisam e decidem as medidas a implementar numa
empresa é se a informação prestada pela Contabilidade Geral será suficiente.

2. Normalmente a resposta que escutamos é não.

3. A Contabilidade Geral não fornece as informações suficientes para os gestores de quaisquer


organizações tomarem as suas decisões!

4. A Contabilidade Geral não responde porque, a sua principal característica é permitir a avaliação
fiscal do seu património, o apuramento de um resultado por exercício e porque está virada para
o exterior.

5. Os principais documentos produzidos são utilizados para a tomada de decisão de elementos


externos à empresa, por exemplo: bancos, clientes, Estado e o público em geral.

6. Alguns dos objectivos prosseguidos pela Contabilidade Analítica são:

• Calcular o custo dos bens ou dos serviços oferecidos pela empresa;

• Controlar as condições internas de exploração;

• Efectuar o controlo de gestão;

• Efectuar a análise económica e a tomada de decisão.

7. O grande objectivo prosseguido pela Contabilidade Analítica é permitir a análise de custos e


proveitos, isto é, de resultados, na unidade de resultado mais pequena que possa existir em
cada organização, seja um produto, uma actividade, uma unidade fabril ou uma secção.

8. Comparação entre Contabilidade Geral e Contabilidade Analítica:

Contabilidade Geral Contabilidade Analítica


Externa a nível de documentos; Interna a nível de processos;

Externa a nível de utilizadores; Interna a nível de utilizadores;

Global; Pormenorizada;

Rígida e uniforme; Maleável e diversa;

Factos passados. Factos presentes e para o futuro.

9. O grande dilema, a enfrentar na implementação da Contabilidade Analítica, é o custo da


informação versus utilidade da informação.

I
Contabilidade Analítica Guia do Formador 13
IEFP I. INTRODUÇÃO

2. PLANO DAS SESSÕES

Neste capítulo vamos abordar a noção de Contabilidade Analítica, sua necessidade, objectivos e
interligação com a Contabilidade Geral.

No fim desta unidade o formando deve estar apto a:

• Explicar a necessidade da Contabilidade Analítica, como instrumento de apoio à Gestão;

• Identificar a semelhança e complementaridade face à Contabilidade Geral;

• Identificar o tipo de informação produzida e os objectivos a cumprir.

Duração estimada: 2 horas

I
14 Guia do Formador Contabilidade Analítica
I. INTRODUÇÃO IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

1. Indique se é Verdadeira (V) ou Falsa (F) cada uma das seguintes atribuições da Contabilidade
Analítica:
Rubricas V F

a. Permite orientar os preços de venda.


b. Permite calcular a rentabilidade de cada produto.
c. Permite apurar o IVA a pagar em determinado mês.
d. Dá-nos o valor global das vendas num determinado ano.
e. Permite aos bancos analisarem a situação financeira da
empresa.
f. Está virada para o interior da empresa.
g. Acompanha as operações económicas de transformação
das matérias-primas em produtos acabados.
h. Não permite valorizar os custos de produção.
i. Permite controlar as condições internas de exploração.
j. Permite analisar a partícula mais reduzida do resultado
gerado na empresa.
k. É obrigatória por Lei.

Resolução

a. V

b. V

c. F

d. V

e. F

f. V

g. V

h. F

i. V

j. V

k. F

I
Contabilidade Analítica Guia do Formador 15
IEFP I. INTRODUÇÃO

4. TRANSPARÊNCIAS

Questão que se coloca aos que analisam e decidem as medidas a implementar numa empresa:
• É a informação prestada pela Contabilidade Geral suficiente ?

A resposta que mais vezes vamos escutar é:


Não!, a Contabilidade Geral não fornece as informações suficientes para os gestores de
quaisquer organizações tomarem as suas decisões!

Alguns Objectivos Prosseguidos pela Contabilidade Analítica:

• Calcular o custo dos bens ou dos serviços oferecidos pela empresa:

• Orientar os preços de venda;

• Valorizar os custos de produção e os produtos acabados;

• Controlar os custos e a eficiência da empresa;

• Controlar as condições internas de exploração:

• Acompanhar as operações económicas de transformação das matérias primas em produtos


acabados;

• Calcular a rentabilidade dos diversos produtos;

• Controlo de gestão:

• Fornecer dados para o controlo orçamental;

• Repartir por produtos, ou por actividades o resultado global a atingir;

• Estabelecer objectivos departamentais que orientem as actividades para atingir o resultado


final previsto;

• Análise económica e tomada de decisão:

• Fornecer aos órgãos de gestão a informação necessária a um controlo eficaz e à realização


de operações alternativas;

• Preparar programas económicos e financeiros;

• Efectuar cálculos de viabilidade comparada.

I
16 Guia do Formador Contabilidade Analítica
I. INTRODUÇÃO IEFP

Podemos resumir todos estes objectivos da seguinte forma:

O grande objectivo prosseguido pela Contabilidade Analítica é permitir a análise de custos e


proveitos, isto é, de resultados, na unidade de resultado mais pequena que possa existir em
cada organização, seja um produto, uma actividade, uma unidade fabril ou uma secção.

Comparação entre Contabilidade Geral e Contabilidade Analítica:

Contabilidade Geral Contabilidade Analítica

• externa a nível de documentos • interna a nível de processos


• externa a nível de utilizadores • interna a nível de utilizadores
• global • pormenorizada
• rígida e uniforme • maleável e diversa
• factos passados • factos presentes e para o
futuro

O grande dilema a enfrentar na implementação da Contabilidade Analítica:

Custo da Informação versus Utilidade da Informação

I
Contabilidade Analítica Guia do Formador 17
IEFP I. INTRODUÇÃO

5. TEXTOS COMPLEMENTARES PARA O FORMADOR

• http://www.dashofer.pt

• http://www.apotec.pt

• http://www.boletimempresarial.pt

• http://www.ctoc.pt

I
18 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
II. OS CUSTOS IEFP

1. RESUMO

1. O custo é o montante de recursos que é necessário utilizar para atingir determinado objectivo.

2. Os custos e proveitos correspondem a factos económicos, independentes do momento em


que vão ser pagos ou recebidos os valores.

3. As despesas e receitas são compromissos financeiros, geradores de entrada e saída de


fundos, que podem estar relacionados com custos e proveitos, com investimentos ou
financiamentos.

4. Os pagamentos e recebimentos são factos financeiros de saída ou entrada de fundos, que


estão sempre associados a uma despesa ou receita, mas não obrigatoriamente a um custo ou
proveito.

5. Os custos na empresa podem estar relacionados com as funções que os originam:

• De aprovisionamento;

• De produção ou industriais;

• De venda ou distribuição;

• Administrativos;

• Financeiros.

Custo industrial = Matérias-primas consumidas + Mão-de-obra directa + Gastos gerais de


fabrico
Custo económico-técnico = Custo complexivo + Custos figurativos (o valor de venda
equivalente ao preço de venda normal)

6. Os conceitos de lucro:

• Lucro puro = Preço de venda - Custo económico-técnico

• Lucro líquido = Preço de venda - Custo complexivo

• Lucro bruto = Preço de venda - Custo industrial

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 21
IEFP II. OS CUSTOS

7. Custos dos produtos e custos dos períodos:

• Custos do produto - custos relacionados com esse produto;

• Custos do período - não estão relacionados com um só produto, mas com toda a actividade
que é exercida durante um determinado espaço de tempo.

8. A evolução dos custos nas empresas industriais:

• Compra das matérias-primas;

• Investimentos efectuados que se reflectem pelas amortizações;

• Aquisições diversas de fornecimentos e serviços externos;

• Despesas com pessoal;

• Outras despesas.

9. Da fabricação resulta o custo dos produtos acabados que vai valorizar as entradas desses
produtos em armazém.

10. A repartição dos custos verifica-se no decorrer das actividades produtivas. Estes custos não
são exclusivos de uma ou outra actividade, sendo necessário reparti-los pelas actividades
respectivas.

11. Os encargos por natureza são normalmente tipificados pela sua natureza. Posteriormente vai-
se distribuir esses encargos pelos seus destinos.

12. Possíveis classificação dos custos:

1. Por natureza

Respeita a classificação do POC (Plano Oficial de Contabilidade), nas suas classes 6 -


Custos e perdas e 7 - Proveitos e ganhos.

Classe 6 - Custos e perdas Classe 7 - Proveitos e ganhos

61 Custo das mercadorias 71 Vendas


vendidas e consumidas
62 Fornecimentos e serviços 72 Prestação de serviços
externos
63 Impostos 73 Proveitos suplementares
64 Custos com pessoal 74 Subsídios à exploração
65 Outros custos e perdas 75 Trabalhos para a Própria Empresa
operacionais
66 Amortizações do exercício 76 Outros Proveitos Operacionais
67 Provisões do exercício

II
22 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

Classe 6 - Custos e perdas Classe 7 - Proveitos e ganhos

68 Custos e perdas financeiras 78 Proveitos e ganhos financeiros


69 Custos e perdas extraordinárias 79 Proveitos e ganhos extraordinários

2. Por centros de responsabilidade

As empresas encontram-se estruturadas em unidades organizacionais, formando grupos,


constituídos por recursos materiais e humanos, de maior ou menor dimensão.

Cada uma destas unidades organizacionais é denominada centro de responsabilidade,


devendo existir uma repartição de custos de funcionamento por centros de
responsabilidade.

Estes centros de responsabilidade necessitam, muitas vezes, de ser decompostos em


unidades ainda mais particularizadas e primárias para repartição dos custos - os centros de
custos.

Os custos directos são os que se identificam claramente ao produzir um produto.

Os custos indirectos não são passíveis de uma visualização clara nos produtos finais.

Os custos reais são custos determinados a posteriori, e correspondem aos custos dos
produtos comprados ou produzidos e aos serviços prestados.

Os custos básicos, custos a priori, são custos teóricos definidos para valorização interna
dos produtos e serviços.

Os custos fixos mantêm-se inalteráveis, independentemente das quantidades produzidas.

Os custos variáveis acompanham directamente as variações ocorridas nas quantidades


produzidas, pois variam directamente com essas quantidades.

13. Os custos variáveis podem ser:

• Progressivos - crescem mais do que o aumento da capacidade instalada;

• Proporcionais - aumentam na mesma razão da capacidade instalada;

• Degressivos - diminuem com o aumento da capacidade instalada, exemplo das economias


de escala.

14. Existem ainda custos semi-variáveis que são constituídos por uma parte fixa e outra parte
variável.

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 23
IEFP II. OS CUSTOS

15. Definem-se por custos por actividade quando as empresas se organizam em actividades para
determinar custos e tomar decisões, nomeadamente:

• Conjunto de actividades;

• Família de proveitos;

• Fase de fabricação.

16. Dependendo do objecto em estudo, existem, em cada caso, custos que não se mostram
determinantes para a situação em análise sendo designados custos irrelevantes.

17. Os custos de oportunidade representam o valor dos proveitos que se poderiam obter se
escolhesse uma aplicação alternativa.

18. Os custos não controláveis são aqueles que o seu responsável directo não consegue
controlar.

19. Um custo controlável só depende do responsável do centro de custo.

20. O custo marginal é o custo de produzir mais uma unidade.

21. O custo diferencial é a diferença de custos entre duas alternativas de produção.

II
24 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Neste capítulo vamos estudar os principais tipos de custos estudados em Contabilidade Analítica.

No final desta unidade o formando deve estar apto a:

• Identificar e classificar os diversos custos;

• Explicar e diferenciar os custos em função do tipo de empresa;

• Identificar os principais componentes dos custos de produção;

• Aplicar as noções básicas sobre repartição de custos e bases de repartição;

• Explicar o conceito de periodização de certas naturezas de gastos gerais de fabrico.

Duração estimada: 7 horas

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 25
IEFP II. OS CUSTOS

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

1. Responder às questões seguintes devendo limitar-se a cinco linhas de texto:

• Apresente uma breve definição, para cada um dos conceitos seguintes:

Custo;

Preço de Venda;

Resultado;

Receita;

Despesa;

Recebimento;

Pagamento.

Resolução

A noção de custo, o montante de recursos que é necessário utilizar para atingir determinado
objectivo. Custos e proveitos - relativo a factos económicos, independentemente do momento em
que vão ser pagos ou recebidos os valores. Despesas e receitas - compromissos financeiros
geradores de entrada e saída de fundos, que podem estar relacionados com custos e proveitos,
com investimentos ou financiamentos. Pagamentos e recebimentos - dizem respeito a factos
financeiros de saída ou entrada de fundos, e estão sempre associados a uma despesa ou receita,
mas não obrigatoriamente a um custo ou proveito.

• Que tipo de custos se identificam numa empresa?

Resolução

De aprovisionamento - relacionados com a compra, a armazenagem e a distribuição das


matérias-primas;
De produção ou industriais - relacionados com a fabricação dos produtos;
De venda ou distribuição - relacionados com a promoção, a venda e a distribuição dos
produtos vendidos;
Administrativos - relacionados com a administração e controlo das actividades da empresa;
Financeiros - relacionados com os custos do “dinheiro” utilizado.

II
26 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

• Que é o Custo Industrial?

Resolução

O custo industrial representa o somatório do custo das matérias-primas, com o custo da mão-de-
obra directa e os custos de gastos gerais de fabrico.

• Que é o Custo Primo?

Resolução

O custo primo ou directo é uma parte do custo industrial, formado pela soma das matérias-primas
com a mão-de-obra directa.

• Que é o Custo de Transformação?

Resolução

O custo de transformação é uma sub-parcela, entre o custo primo e o custo industrial, formado
pela mão-de-obra directa e os gastos gerais de fabrico. Representa os valores incorporados na
transformação das matérias-primas, categorizados como mão-de-obra directa e gastos gerais de
fabrico.

• Que é o Custo Complexivo?

Resolução

Quando somamos ao custo industrial os custos não industriais obtemos o custo complexivo. Ou
seja, o custo abaixo do qual não devemos vender, por forma a recuperarmos todos os custos.

Este custo representa o ponto em que o lucro é nulo. Isto é, apenas recuperamos os custos
incorridos, não estando contemplada qualquer parcela referente à recuperação dos capitais
investidos.

• Que é o Custo Económico - Técnico?

Resolução

O custo económico-técnico é a soma do custo complexivo com os custos figurativos. Este custo
representa o valor de venda equivalente ao preço de venda normal.

• Que distingue Lucro Puro de Lucro Líquido?

Resolução

Lucro puro

É calculado pela diferença entre o preço de venda e o custo económico-técnico. Este lucro
representa o que é efectivamente gerado, após a dedução, ao preço obtido pela venda dos
produtos, de todos os custos existentes , inclusive os custos figurativos.

Lucro líquido

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 27
IEFP II. OS CUSTOS

É calculado pela diferença entre o preço de venda e o custo complexivo. Representa o lucro
antes de considerarmos os custos figurativos, ou seja, o custo da retribuição do capital.

• Que distingue Lucro Líquido de Lucro Bruto?

Resolução

Lucro líquido

É calculado pela diferença entre o preço de venda e o custo complexivo. Representa o lucro
antes de considerarmos os custos figurativos, ou seja, o custo da retribuição do capital.

Lucro bruto

Calculado pela diferença entre o preço de venda e o custo industrial, o que nos dá a
verdadeira margem industrial. Não considera nenhum custo cuja origem não seja industrial.

• Distinga Custos de Produtos e Custos de Períodos.

Resolução

Para podermos produzir um produto é necessário suportar determinados custos,


relacionados com esse e só esse produto. É o caso das matérias-primas consumidas, da
mão-de-obra directa e dos gastos gerais de fabrico. Os custos que vão ser recuperados no
momento da venda, daquele produto concreto, são os denominados custos do produto.

Existem, também, custos que não estão relacionados com um só produto, mas com toda a
actividade que é exercida durante um determinado espaço de tempo. Esses são chamados
os custos do período. É o caso, por exemplo, dos custos administrativos, dos custos
financeiros ou dos custos de distribuição.

• Que entende por repartição de custos?

Resolução

Verificam-se custos no decorrer das actividades produtivas que não são exclusivos de uma
ou outra actividade.

• Dê exemplos de Custos e Proveitos classificados por Natureza.

II
28 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

Resolução

Classe 6 - Custos e perdas Classe 7 - Proveitos e ganhos

61 Custo das mercadorias 71 Vendas


vendidas e consumidas
62 Fornecimentos e serviços 72 Prestação de serviços
externos
63 Impostos 73 Proveitos suplementares
64 Custos com pessoal 74 Subsídios à exploração
65 Outros custos e perdas 75 Trabalhos para a própria
operacionais empresa
66 Amortizações do exercício 76 Outros proveitos operacionais
67 Provisões do exercício
68 Custos e perdas financeiras 78 Proveitos e ganhos financeiros
69 Custos e perdas extraordinárias 79 Proveitos e ganhos
extraordinários
Quadro II.5 - Contas das classes 6 e 7 do POC

• Que entende por Centro de Custo?

Resolução

Estes centros de responsabilidade necessitam, muitas vezes, de ser decompostos em unidades


ainda mais particularizadas e primárias para repartição dos custos - são os centros de custos.

Centro de custo 1

Centro de responsabilidade 1 Centro de custo 2

Centro de custo 3

• Distinga Custos Directos de Custos Indirectos.

Resolução

Os custos directos são os que se identificam claramente ao produzir um produto.

Os custos indirectos, não são passíveis de uma visualização clara nos produtos finais.

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 29
IEFP II. OS CUSTOS

• Distinga Custos Reais de Custos Básicos.

Resolução

Os custos reais são custos determinados a posteriori e correspondem aos custos dos produtos
comprados ou produzidos e aos serviços prestados.

Os custos básicos, ou custos a priori, são custos teóricos definidos para valorização interna dos
produtos e serviços.

• Dê exemplos de Custos Básicos.

Resolução

Podem ser utilizados vários tipos de custos básicos:

Custos padrões ou standard - resultam da consideração de normas técnicas atribuídas aos


diferentes factores da unidade fabril.

Custos orçamentados - resultam dos orçamentos elaborados para um determinado período, em


função dos objectivos e planos definidos e aprovados pelos órgãos de gestão.

• Distinga Custos Fixos de Custos Variáveis.

Resolução

Os custos variáveis acompanham directamente as variações ocorridas nas quantidades


produzidas, pois variam directamente com essas quantidades.

Os custos fixos mantêm-se inalteráveis, independentemente das quantidades produzidas.

• Distinga Custos Relevantes de Custos Irrelevantes.

Resolução

Existem custos que não se mostram determinantes para a situação em análise sendo designados
por custos irrelevantes, o que depende do objecto em estudo. Se, por exemplo, a empresa tem
duas máquinas paradas e estuda a possibilidade de as colocar a trabalhar, o custo da secção de
contabilidade é um custo irrelevante, mas a energia que essas máquinas vão gastar é um custo
relevante.

• Que entende por Custos de Oportunidade?

Resolução

O custo de oportunidade representa o valor dos proveitos que se poderiam obter se escolhesse
uma aplicação alternativa, ou seja, quanto é que se deixa de ganhar por tomar uma determinada
decisão.

II
30 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

• Distinga Custos Controláveis de Custos Incontroláveis.

Resolução

Dentro de um mesmo centro de custo podem existir custos que o seu responsável directo não
consegue controlar. Se, por exemplo, o director de uma secção produtiva não escolhe as
máquinas com que trabalha, não pode controlar as amortizações.

Um custo controlável é aquele que só depende do responsável do centro de custo.

Por exemplo, as horas extraordinárias do pessoal fabril.

• Distinga Custo Marginal de Custo Diferencial.

Resolução

O custo marginal é o custo de produzir mais uma unidade, ou seja, é dado pela diferença entre
produzir 200 e 201 unidades. O custo diferencial é a diferença de custos entre duas alternativas
de produção.

• Enumere os critérios de valorimetria das saídas de armazém de produtos e matérias.

Resolução

FIFO, LIFO e CMP.

Exercício 2
Apresenta-se uma listagem de custos relativos a uma empresa de confecção de roupa de desporto,
pretende-se que os mesmos sejam classificados de acordo com:

• Por Natureza, por classe do Plano Oficial de Contabilidade;

• Por função da empresa;

• Em directos e indirectos;

• Em fixos e variáveis.

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 31
IEFP II. OS CUSTOS

Resolução

Directo Fixos
Natureza Função
Indirecto Variáveis
• ordenados do pessoal da Custos com Pessoal Industrial
D V
estrutura produtiva
• ordenado do gerente Custos Pessoal Administrativo I V
• gasolina consumida pelos Fornecimentos Vendas
I V
vendedores Serviços
• amortização das viaturas Amortizações Distribuição
que fazem a distribuição I F
do produto
• algodão consumido na Materias Primas Industrial
D V
fabricação do mês
• óleo das máquinas de Fornecimentos serviços Industrial
D V
costura
• amortização das Amortização Industrial
D F
máquinas de costura
• custos de telefones dos Fornecimentos Administrativo
I V
escritórios Serviços
• custos da manutenção do Fornecimentos Administrativo
sistema informático global Serviços I F
da empresa
• material de publicidade Fornecimentos Comercial
I V
adquirido Serviços
• pintura do andar em que Imobilizado Investimento
estão os escritórios da I V
empresa
• custo de transporte de Fornecimento Serviços Comercial
produtos acabados para D V
os clientes
• custos do empréstimo Custos Financeiros Financeiro
contraído para comprar o I V
carro do gerente

II
32 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

Exercício 3

A empresa R dedica-se ao fabrico do produto Z, neste produto são incorporadas matérias-primas e


matérias subsidiárias.

Conhecemos os seguintes elementos relativos ao ano de 199X (em u.m.):

Total de aquisição de matérias-primas 7.500


Despesas e transporte com as matérias-primas 150
Descontos obtidos nas compras de matérias 300
primas
Salários dos operários fabris 900
Encargos sociais dos operários fabris 540
Ordenados do responsável fabril 400
Encargos sociais dos responsável fabril 240
Amortização do edifício fabril 450
Electricidade e água consumidas 65
Ordenados administrativos 200
Encargos dos ordenados administrativos 120
Vendas 12.000
Descontos comerciais concedidos nas vendas 400
Existências no inicio do ano
Matérias primas 9.000
Matérias subsidiárias 600
Produtos acabados 2.000

Existências no final do ano


Matérias primas 8.500
Matérias subsidiárias 500
Produtos acabados 2.500

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 33
IEFP II. OS CUSTOS

Pretende-se que calcule:

1. Custo de transformação dos produtos acabados;

2. Custo industrial dos produtos acabados;

3. Custo complexivo;

4. Lucro bruto;

5. Lucro líquido.

Resolução:

Custo de Transformação = 900 + 540 + 400 + 240 + 450 + 65 + 100 = 2.695

Custo Industrial = 750 + 150 - 300 + 900 + 540 + 400 + 240 + 450 + 65 + 100 = 10.045

Custo Complexivo = 10.045 + 200 + 120 = 10.365

Lucro Liquido = 12.000 - 400 - 10.365 = 1.235

Lucro Bruto = 12.000 - 400 - 10.045 = 1.555

Exercício 4

A empresa S dedica-se à venda de computadores e peças, os modelos comercializados são de três


tipos:

1. Computador indiferenciado, com baixo nível de especialização;

2. Computador para redes, com acessórios especializados;

3. Computador “Super”, devidamente equipado para ser um produto de ponta.

Pretende-se que calcule o valor de custo de existências vendidas utilizando ambos os critérios de
valorização das saídas, FIFO e LIFO, com os dados que se apresentam:

Computador 1 Computador 2 Computador 3 Peças


Num. C. Unitário Num. C. Unitário Num. C. Unitário Valor
Vendas
120 200 u.m. 58 350 u.m. 12 1.000 u.m. 1.000 u.m.

Compras 140 150 u.m. 47 295 u.m. 12 750 u.m. 1.000 u.m.
Existência
20 125 u.m. 13 270 u.m. - - 500 u.m.
Inicial
Existência
? ? ? ? ? ? 500 u.m.
Final

II
34 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

Resolução:

Computador 1 Computador 2 Computador 3 Peças


Num. C. Unitário Num. C. Unitário Num. C. Unitário Valor
Vendas 120 200 u.m. 58 350 u.m. 12 1.000 u.m. 1.000 u.m.
Compras 140 150 u.m. 47 295 u.m. 12 750 u.m. 1.000 u.m.
Existência 20 125 u.m. 13 270 u.m. - - 500 u.m.
Inicial

Existência 40 150 u.m. 2 295 u.m. 0 0 500 u.m.


Final FIFO
C.E.V. FIFO 120 17.500 58 19.260 12 9.000
Existência 20 125 u.m. 2 270 u.m. 0 0 500 u.m.
Final LIFO
20 150 u.m.
C.E.V. LIFO 120 18.000 58 16.835 12 9.000

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 35
IEFP II. OS CUSTOS

4. TRANSPARÊNCIAS

O Conceito de Custo:

Custos, Despesas, Pagamentos, Proveitos, Receitas e Recebimentos.

Os custos na empresa - podem estar relacionados com as funções que os originam:

• De aprovisionamento;

• De produção ou industriais;

• De venda ou distribuição;

• Administrativos;

• Financeiros.

O Custo Industrial = Matérias - Primas consumidas+ Mão de Obra Directa + Gastos Gerais de
Fabrico.

O Custo Económico - Técnico = Custo complexivo + custos figurativos (o valor de venda


equivalente ao preço de venda normal)

Os Conceitos de Lucro:

Lucro Puro = Preço de Venda - Custo Económico - Técnico


Lucro Liquido = Preço de Venda - Custo Complexivo
Lucro Bruto = Preço de Venda - Custo Industrial

Custos dos Produtos e Custos dos Períodos:

A evolução dos custos nas empresas industriais

Em primeiro lugar temos:

• a compra das matérias-primas;

• os investimentos efectuados que se reflectem pelas amortizações;

• as aquisições diversas de fornecimentos e serviços externos;

• as despesas com pessoal;

• e outras despesas; que são incorporadas na Fabricação directamente ou por via dos Gastos
Gerais de Fabrico.

Da Fabricação resulta o custo dos produtos acabados que vai valorizar as entradas desses
produtos em armazém.

II
36 Guia do Formador Contabilidade Analítica
II. OS CUSTOS IEFP

A Repartição dos Custos

Encargos por Natureza e Gastos por Destino

Possíveis Classificações dos Custos:

• Por Natureza

Respeita a classificação do POC ( Plano Oficial de Contabilidade), nas suas classes 6 - Custos
e Perdas e 7 - Proveitos e Ganhos.

Classe 6 - Custos e Perdas

61 Custo das Mercadorias Vendidas e Consumidas


62 Fornecimentos e Serviços Externos
63 Impostos
64 Custos com Pessoal
65 Outros Custos e Perdas Operacionais
66 Amortizações do exercício
67 Provisões do exercício
68 Custos e Perdas Financeiras
69 Custos e Perdas Extraordinárias

Classe 7 - Proveitos e Ganhos

71 Vendas
72 Prestação de Serviços
73 Proveitos Suplementares
74 Subsídios à Exploração
75 Trabalhos para a própria empresa
76 Outros Proveitos Operacionais
78 Proveitos e Ganhos Financeiros
79 Proveitos e Ganhos Extraordinários

• Por Centros de Responsabilidade:

• Custos Directos e Indirectos.

• Custos Reais e Custos Básicos:

• Custos Fixos e Variáveis:

II
Contabilidade Analítica Guia do Formador 37
IEFP II. OS CUSTOS

Os custos variáveis podem ser:

• progressivos - crescem mais do que o aumento da capacidade instalada;

• proporcionais - aumentam na mesma razão da capacidade instalada;

• degressivos - diminuem com o aumento da capacidade instalada, exemplo das economias


de escala.

Existem ainda custos semi-variáveis são constituídos por uma parte fixa e outra parte variável.

• Custos por Actividade:

As empresas podem organizar-se em actividades para determinar custos e tomar decisões,


nomeadamente:

• conjunto de actividades

• família de proveitos

• fase de fabricação.

• Custos Relevantes e Irrelevantes:

• Custos de Oportunidade:

• Custos Controláveis e Não Controláveis:

• Custos Marginais e Diferenciais:

II
38 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

1. RESUMO

1. Os componentes do custo industrial dos produtos são: o custo das matérias-primas, da mão-de-
obra directa e os gastos gerais de fabrico.

2. Custo da produção acabada e da produção em vias de fabrico:

Utilizemos a seguinte nomenclatura:

• CPA = Custo de produção acabada no mês;

• PVFi = Produção vias fabrico inicial;

• PVFf = Produção vias fabrico final;

• Cm = Custo do mês;

Teremos:

CPA = PVFi + Cm - PVFf

3. O custo da produção acabada de determinado mês corresponde ao somatório dos custos


incorridos nesse mês e dos custos incorporados em meses anteriores na produção por acabar.
A este valor vamos retirar o valor da produção que fica por terminar no final do corrente mês.

4. O custo das matérias-primas é resultado da valorização das quantidades utilizadas na


produção ao seu custo unitário. O custo das matérias-primas é determinado pelo custo de
aquisição e por todos os custos suportados na sua aquisição, tais como seguros ou transportes.

5. No custo da mão-de-obra directa é necessário registar os tempos unitários de cada


trabalhador em cada produção. Esta quantidade será valorizada ao custo unitário do
trabalhador em causa. Estes custos não se referem apenas à remuneração auferida pelos
trabalhadores, mas a todos os encargos e direitos a remunerações acessórias.

6. A questão que se coloca com os gastos gerais de fabrico é como reparti-los pelos produtos.

Para fazer esta repartição vamos recorrer às chamadas bases de imputação e determinar as
unidades de imputação ou coeficientes de imputação.

Gastos gerais de fabrico


Quota de imputação =
Base de imputação

As bases de imputação que destacamos são as unidades de matéria consumida e o número de


horas de trabalho utilizadas.

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 41
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

7. O tipo de custeio, também denominado de sistema de custeio, pode ser utilizado em duas
vertentes distintas:

1. grau de incorporação dos custos fixos na determinação do custo dos produtos fabricados:
total, variável e de imputação racional;

2. tipo de custos que são utilizados na determinação do custo industrial do produto: real e
básico.

8. O sistema de custeio real e básico pode ser total, variável e com imputação racional de custos
fixos.

9. O custeio total é caracterizado por ser considerado na valorização dos produtos os custos
fixos na sua totalidade bem como os custos variáveis, sendo as existências finais valorizadas
pelo custo total de produção.

10. Uma das formas de aplicar o sistema de imputação racional é imputar os custos fixos
industriais à produção do mês, através da adopção de quotas teóricas e em função da
actividade esperada para o período em análise.

11. O sistema de custeio variável ou direct costing é caracterizado por, apenas, considerar como
custos dos produtos, os custos de produção variáveis.

12. O custeio total básico e o custeio variável básico caracterizam-se por determinar o custo
industrial dos produtos em função de custos básicos.

A vantagem da utilização deste sistema é o facto de este ser um meio eficaz do controlo de
gestão produzido, que simplifica o tratamento da informação analítica.

Os principais tipos de custos básicos são: os preços de mercado, os custos históricos, os


custos orçamentados e os custos padrão (ideais ou normais), ou standard.

Nestes sistemas de custeio vamos fixar custos a priori para: as compras, custos de
transformação e custos de produção.

As diferenças entre os valores reais e os valores calculados em sistemas de custeio básico vão
originar os custos industriais não incorporados, resultantes da diferença entre os custos reais e
os básicos.

As diferenças entre os valores reais e os valores calculados em sistemas de custeio básico vão,
ainda, originar os desvios entre os valores reais e os valores básicos.

III
42 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Vamos estudar neste capítulo os sistemas de custos utilizados em Contabilidade Analítica para
determinar o Custo Industrial dos Produtos.

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Distinguir e explicar os diferentes sistemas de custos.

Duração estimada: 21 horas

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 43
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Sabendo que a empresa Domingo S.A. produz um produto que consome duas matérias-primas (A e
B), e que dispõe de um departamento de produção, de um departamento comercial e de um
departamento fabril.

Assinale no quadro seguinte o que considerar correcto em relação ao processo produtivo:

Classificação face ao processo produtivo

Custos Custos de Custo de período


produção

MP MOD GGF Comercial Administrativo

Consumo de água.
Consumo de matéria-prima B.
Combustíveis dos carros dos
vendedores.
Amortização de máquina produtiva.
Amortização do carro do vendedor.
Amortização do material de escritório.
Custo com campanha publicitária.
Salário do tesoureiro.
Comissões dos vendedores.
Consumo da matéria-prima A.
Ordenado do director produção.
Materiais de conservação da
produção.
Salário do operário fabril.
Encargo com o salário do operário
fabril.
Combustíveis utilizados na produção.

III
44 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

Resolução

Classificação face ao Processo Produtivo


Custos de Produção Custos de
período
Custos da empresa Domingo S.A.: M-P MOD GGF Comerc. Admin
Consumo de água X
Consumo de Matéria-prima B X
Combustíveis dos carros dos vendedores X
Amortização de máquina produtiva X
Amortização do carro do vendedor X
Amortização do material de escritório X
Custo com campanha publicitária X
Salário do tesoureiro X
Comissões dos vendedores X
Consumo da Matéria-prima A X
Ordenado do Director Produção X
Materiais de conservação da produção X
Salário do operário fabril X
Encargo com o salário do operário fabril X
Combustíveis utilizados na produção X
Legenda:
M-P = Matérias-Primas;
MOD – Mão-de-Obra Directa;
GGF - Gastos Gerais de Fabrico

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 45
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

Exercício 2

Complete os campos sombreados nos quadros seguinte:

Rubricas Valor Valor

PVFi = Produção vias fabrico inicial


Matérias 4 500 000
Mão-de-obra directa
Gastos gerais fabrico 4 678 000 21 778 000
Custos do mês:
Matérias
Mão-de-obra directa 68 422 660
Gastos gerais fabrico 16 159 839 +
PVFf = Produção vias fabrico final
Matérias 1 235 000
Mão-de-obra directa 8 750 000
Gastos gerais fabrico - 12 417 000

Custo da produção acabada 123 432 100


Produção acabada
Custo unitário da produção acabada 5 555

Demonstração de Resultados do mês:

Rubricas Valor Unidade

Vendas u.m. 22 220x7 000


Custo industrial produtos vendidos u.m.
Lucro bruto 32 108 000 u.m.
Custos não industriais:
Custos de distribuição 4 750 000 u.m.
Custos administrativos u.m.
Custos financeiros 12 369 265 u.m.
Total custos não industriais u.m.
Lucro líquido antes de imposto sobre o u.m. 22 220x368,5
rendimento

III
46 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

Resolução

PVFi = Produção vias fabrico inicial


• Matérias 4.500.000
• Mão de obra directa 12.600.000
• Gastos gerais fabrico 4.678.000 21.778.000
Custos do mês:
• Matérias 4.654.501
• Mão de obra directa 68.422.660
• Gastos gerais fabrico 16.159.839 + 89.237.000
PVFf = Produção vias fabrico final
• Matérias 1.235.000
• Mão de obra directa 8.750.000
• Gastos gerais fabrico 2.432.000 - 12.417.000
----------------

Custo da produção acabada 123.432.000


Produção acabada 22.220
Custo unitário da produção acabada 5.555

Demonstração de Resultados do mês:


1. Vendas 155.540.000 u.m. 22.220x7.000
2. Custo industrial produtos 123.432.000 u.m.
vendidos
3. Lucro bruto 32.108.000 u.m.
4. Custos não industriais:
5. Custos de distribuição 4.750.000 u.m.
6. Custos administrativos 6.800.665 u.m.
7. Custos financeiros 12.369.265 u.m.
8. Total custos não industriais 23.919.930 u.m.
9. Lucro liquido antes de 8.188.070 u.m. 22.220x368,5
imposto. sobre o rendimento

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 47
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

Exercício 3

Suponhamos que determinada olaria produziu 40.000 vasos para flores no mês de Setembro de
199X, no entanto devido a dificuldades de vendas apenas comercializou 30.000 desses vasos.

São conhecidas as seguintes informações:

• a empresa não tinha quaisquer stock de produtos acabados, matérias-primas ou produtos em


vias de fabrico no início do mês;

• as unidades não vendidas ficaram em stock;

• os custos variáveis unitários são os seguintes:

• matérias-primas - 75 u.m.;

• mão de obra directa - 50 u.m.;

• gastos gerais de fabrico - 20 u.m.;

• custos comerciais - 5 u.m.;

• custos administrativos - 2,5 u.m.;

• os custos fixos mensais são os seguintes:

• gastos gerais de fabrico - 1.490.000 u.m.;

• custos comerciais - 435.000 u.m.;

• custos administrativos - 256.000 u.m.;

• outros custos - 240.000 u.m.;

• preço de venda unitário foi de 240 u.m. por vaso de barro.

Pretende-se para os sistemas de custeio total e variável:

1. Determinação do custo industrial dos produtos fabricados;

2. Determinação do custo industrial dos produtos vendidos;

3. Elaboração da demonstração de resultados operacionais.

III
48 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

Resolução

Custo Global Custo Global


Rubrica Quantidade Custo Unitário
Variável Fixo

Matérias 40.000 75 3.000.000


Primas
Mão de Obra 40.000 50 2.000.000
Directa
Gastos gerais 40.000 20 800.000 1.490.000
Fabrico
5.800.000 1.490.000
Custo Industrial 40.000 182.25 7.290.000
Produtos
fabricados
Custo Industrial 30.000 182.25 5.467.500
Produtos
Vendidos

Demonstração de Resultados Operacionais

Rubricas Quantidades Valores Unitários Valores Totais

Vendas 30.000 240 7.200.000


C.I.P.V. 30.000 182.25 5.467.500
Custos Comerciais 435.000
Custos 256.000
Administrativos
Outros Custos 240.000
Resultado 801.500
Operacional

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 49
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

4. TRANSPARÊNCIAS

Custos fixos
de produção Custo Total > Existências Custo total > Custo
------------- > Fabricação dos produtos de produtos dos produtos Industrial dos
Custos acabados acabados vendidos produtos
variáveis de vendidos
produção

Custos dos produtos Custos do


Período
O custo dos
produtos é
formado por
custos fixos e por
C.Fixos C. variáveis
custos variáveis

Sistema de custos variável

Custos
Sistemas de imputação
variáveis racional de custos fixos
Custos variáveis +
parte de custos fixos

Custos fixos + custos variáveis Sistemas de custos total

III
50 Guia do Formador Contabilidade Analítica
III. SISTEMAS DE CUSTOS IEFP

Componentes do Custo Industrial dos Produtos:

• Custo das matérias primas;

• Custos da mão de obra directa;

• Gastos gerais de fabrico.

O Custo da Produção Acabada e da Produção em Vias de Fabrico:

Utilizamos a seguinte nomenclatura:

• CPA = Custo de Produção Acabada no mês

• PVFi = Produção Vias Fabrico inicial

• PVFf = Produção Vias Fabrico final

• Cm = Custo do mês

Teremos:

CPA = PVFi + Cm - PVFf

O Custo das Matérias Primas

O Custo da Mão-de-Obra Directa

Os Gastos Gerais de Fabrico

Gastos gerais de fabrico

Quota de imputação =---------------------------------------

base de imputação

Existem duas vertentes distintivas do tipo de custeio que podemos utilizar:

1. O grau de incorporação dos custos fixos na determinação do custo dos produtos fabricados:
• Total - todos os custos fixos são incorporados no custo industrial do produto;
• Variável - só os custos variáveis são custos dos produtos, pelo que nenhum custo fixo
influência o custo do produto;
• De imputação racional - os custos fixos são incorporados parcialmente em função de
relações estabelecidas entre a capacidade instalada e o volume dos custos fixos.

III
Contabilidade Analítica Guia do Formador 51
IEFP III. SISTEMAS DE CUSTOS

2. O tipo de custos que são utilizados na determinação do custo industrial do produto:

• Real - todos os custos são reais, verificados efectivamente e portanto passados;

• Básicos - os custos considerados em certas operações são custos determinados antes do


acontecimento efectivo, são custos provisionais determinados a priori.

Em função destas características podemos ter:

1. Sistemas de custeio total:

• real ou básico;

2. Sistemas de custos com imputação racional de custos fixos:

• reais ou básicos

3. Sistemas de custeio variável:

• real ou básico.

Ou de outra forma:

1. Custeio Real

• total

• variável

• imputação racional de custos fixos

2. Custeio Básico

• total

• variável

• imputação racional de custos fixos

III
52 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

1. RESUMO

1. Os sistemas de registo dos movimentos contabilísticos são: monistas - movimentados por


contrapartidas das contas da contabilidade analítica e dualistas - não há movimentações da
Contabilidade Geral, por contrapartida da Contabilidade Analítica.

2. De acordo com o POC - (Plano Oficial de Contabilidade), as contas da Contabilidade Analítica


estão integradas na classe 9.

9 X

1º dígito - Classe de contas da 2º dígito - grupo de contas


Contabilidade Analítica

3. Contas típicas da Contabilidade Analítica são:

Conta Designação de conta


91 - Contas reflectidas
92 - Reclassificações de custos
93 - Centros de custos
94 - Fabricação
95 - Existências
96 - Encargos a repartir
97 - Desvios sobre custos preestabelecidos
98 - Diferenças de incorporação
99 - Resultados analíticos

As contas mais significativas pelo sistema de movimentação monista radical são:

91 Contas reflectidas - utilizadas no sistema dualista e funcionam como contas espelho das
contas da contabilidade geral na contabilidade analítica.

92 Reclassificação de custos;

92.1 Custo das compras - debita-se pelos custos externos, por contrapartida das contas da
classe 6 - Custos e perdas; credita-se pelos custos internos, por contrapartida das contas
de Centros de custos (94) e por contrapartida das contas de existências (93) de matérias-
primas, subsidiárias e de consumo;

92.2 Mão-de-obra directa - debita-se pelos custos reais, por contrapartida das contas da
classe 6 - Custos e perdas e pelos custos mensualizados de encargos sociais, por
contrapartida das contas de encargos sociais; credita-se por contrapartida das contas de
fabricação na parcela de custos de mão-de-obra imputados aos produtos fabricados;

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 55
IEFP IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

92.3 Gastos gerais de fabrico - debita-se pelos encargos reais, por contrapartida das contas
da classe 6 - Custos e perdas, pelos custos internos, por contrapartida das contas de
Encargos a repartir (92) e pelos custos internos, por contrapartida das contas de
existências, pelos consumos de matérias subsidiárias e materiais diversos; credita-se por
contrapartida das contas de fabricação (95), pela parcela de gastos gerais de fabrico de
mão-de-obra imputados aos produtos fabricados;

92.4 Custos de transformação - esta conta é movimentada em alternativa às anteriores 91.1,


91.2 e 91.3.

93 Centros de Custos - estas contas utilizam-se para apuramento de custos, em alternativa às de


reclassificação de custos de mão-de-obra (91.2) e de gastos gerais de fabrico (91.3) ou de
custos de transformação (91.4), movimentando-se da mesma forma.

Os centros de custos de distribuição (94.3) e administrativos (94.4) são saldados mensalmente


por débito das contas de resultados analíticos, 98.4 - Custos de distribuição e 98.5 - Custos
administrativos;

94 Fabricação - debita-se por contrapartida da conta de Existências de matérias-primas,


subsidiárias e de consumo - 93.4 e por contrapartida das contas que reflectem os custos de
mão-de-obra e gastos gerais de fabrico; credita-se por contrapartida das contas de existências
de produtos acabados e semi-acabados (93.1), e subprodutos, desperdícios, resíduos e
refugos (93.2);

95 Existências - registam-se pelo sistema de inventário permanente.

95.1 Produtos e trabalhos em curso e a 93.2 - Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos


movimentam-se da seguinte forma. Debita-se por contrapartida das contas de fabricação,
para apuramento do custo industrial dos produtos fabricados entrados em armazém;
credita-se por contrapartida das contas 98.2 pelas saídas de armazém para vendas e por
contrapartida das contas de fabricação (95), pelos produtos semi-acabados saídos de
armazém para a fabricação;

95.4 Matérias-primas, subsidiárias e de consumo - debita-se por contrapartida das contas de


reclassificações - custo das compras (91.1), pelo valor das entradas em armazém;
credita-se por contrapartida das contas de fabricação (95), pelas saídas de armazém
para consumo na produção e por contrapartida das contas de gastos gerais de fabrico
(91.3), ou custos de transformação (91.4), ou centros de custos (94) pelo consumo de
matérias subsidiárias e de consumo.

96 Encargos a repartir - as várias contas têm movimentação semelhante variando apenas as


contrapartidas. Assim debita-se por contrapartida das contas da classe 6 - Custos e perdas:
custos com pessoal, seguros, conservação e reparação e amortizações; credita-se por
contrapartida das contas de reclassificação de custos e das contas de centros de custos;

99 Resultados Analíticos

Contas a debitar:

99.2 Custo das vendas por contrapartida das contas de existências (93.1) pelo valor do custo
industrial dos produtos vendidos;

IV
56 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

99.4 Custos de distribuição ou por contrapartida da classe 62 - Fornecimentos e serviços


externos ou por contrapartida do centro de custo de distribuição (94.3);

99.5 Custos administrativos ou por contrapartida da classe 62 - Fornecimentos e serviços


externos ou por contrapartida do centro de custo administrativos (94.4);

99.6.1 Custos financeiros por contrapartida da classe 68 - Custos financeiros;

99.7. Outros custos e 98.8.1 - Resultados extraordinários ou 98.8.2 de exercícios anteriores,


por contrapartida das contas de Custos e perdas extraordinárias - 69;

Contas a creditar:

99.1 Vendas por contrapartida da 71 - Vendas de mercadorias e produtos;

99.6.2 Proveitos financeiros por contrapartida da conta 78 - Proveitos financeiros;

99.7.2 Outros proveitos e 98.8.1 - Resultados extraordinários ou 98.8.2 de exercícios


anteriores, por contrapartida da conta 69.

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 57
IEFP IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

2. PLANO DAS SESSÕES

Vamos estudar neste capítulo as possíveis formas de organizar uma Contabilidade Analítica e a
forma de movimentar as suas principais contas.

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Descrever o funcionamento da Contabilidade Analítica;

• Explicar o conteúdo e movimentar as contas mais importantes.

Duração estimada: 14 horas

IV
58 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Explique as diferenças entre sistema monista e sistema dualista (num máximo de dez linhas)

Resolução

Nos sistemas monistas há movimentação das contas da Contabilidade Analítica, por contrapartida
de contas da Contabilidade Geral.

Nos sistemas dualistas as duas contabilidades encontram-se totalmente separadas, não sendo
movimentadas contas de uma por contrapartida da outra. Embora seja necessário assegurar a sua
concordância, funcionam separadamente.

Exercício 2

Preencher os espaços em branco no seguinte quadro de contas:

9 2 C __ustos__. R _epartir__.
9 R . C .
9 E .
9 F .
9 E . R .
9 D . S . C . P
.
9 C . C .
9 R . A .
9 D . I .

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 59
IEFP IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

Resolução

9 1 Contas Reflectidas

9 2 Reclassificação Custos

9 3 Centros Custos

9 4 Fabricação

9 5 Existências

9 6 Encargos Repartir

Pré-
9 7 Desvios Sobre Custos
estabelecidos

9 8 Diferenças Incorporação

9 9 Resultados Analiticos

IV
60 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

Exercício 3

A empresa “Pão Bom” produz bolos secos para hospitais através da transformação de 2 tipos de
farinha e algumas matérias subsidiárias. São conhecidos os seguintes elementos referentes ao mês
de Junho:
Existências Compras Consumos
iniciais
Matérias primas
Farinha de 1ª 15.123 Kg a 45.154 Kg a 57.935 Kg
200 u.m./Kg 210 u.m./Kg
Farinha de 2ª 32.458 Kg a 65.795 Kg a 90.143 Kg
150 u.m. / Kg 145 u.m./Kg
Matérias 354.748 u.m. 2.350.000 u.m. 2.504.748u.m.
subsidiárias
Produtos 4.350 Kg a
acabados 2000 u.m.

• A empresa utiliza o critério do custo médio na valorização das saídas das matérias-primas e
subsidiárias e dos produtos acabados.
• A produção do mês foi de 45.835 Kg de bolos.
• As vendas do mês foram de 47.500 Kg de bolos a 3000 u.m. por Kg, as vendas são
integralmente realizadas a crédito.
• Os custos de transformação suportados foram os seguintes:

Salários (mão de obra directa) 30.000.000 u.m.


Encargos sociais 60%
Electricidade e água 4.502.569 u.m.
Manutenção e conservação 15.897.256 u.m
Amortizações mensais 2.500.000 u.m
Custos administrativos
Ordenados 5.000.000 u.m
Encargos sociais 60%
Amortizações mensais 565.498 u.m
Custos financeiros 32.614.235 u.m

Calcular os valores que considerar necessários e efectuar os lançamentos do mês.


Resolução
Vamos efectuar os lançamentos referentes às operações do mês de Junho:

Cálculos Acessórios.

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 61
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

Custo das Compras:


Farinha de 1ª 45.154 210 9.482.340
Farinha de 2ª 65.795 145 9.540.275
Matérias Subsidiárias 2.350.000
Total 21.372.615

Custos suportados com a Produção Mensal:


Materias Primas 25.240.625
Materias Subsidiárias 2.504.748
Fornecimentos Serviços externos 20.399.825
Custos com Pessoal 48.000.000
Amortizações Exercicio 2.500.000
Total 98.645.198

Custos não industriais


Custos com Pessoal 8.000.000
Amortizações Exercicio 565.498
Total 8.565.498

Custos Financeiros 32.614.235

IV
62 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

Vendas 142.500.000

Quadro de valorização das existencias de MP e Subsidiárias


Ei Compras Valor Consumo Ef
medio
Farinha 1ª 15.123 200 3.024.600 45.154 210 9.482.340 207 57.935 12.020.996 485.944
Farinha 2ª 32.458 150 4.868.700 65.795 145 9.540.275 147 90.143 13.219.629 1.189.346
Materias Subsidiárias 354.748 2.350.000 2.504.748 200.000
Total 8.248.048 21.372.615 27.745.373 1.875.290

Fornecimentos Serviços Externos


Electricidade e agua 4.502.569
Manutenção e Conservação 15.897.256
20.399.825

Despesas com Pessoal


Salarios 30.000.000
Encargos Sociais 18.000.000
48.000.000

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 63
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

Determinação do Custo de
Produção
Materias Primas 25.240.625
Materias Subsidiárias 2.504.748
Fornecimentos Serviços externos 20.399.825
Custos com Pessoal 48.000.000
Amortizações Exercicio 2.500.000
98.645.198
Produção 45.835
Custo de Produção 2.152

Valorização do Custo das Vendas


Existencias Iniciais 4.350 2.000 8.700.000
Produção 45.835 2.152 98.645.198
Custo médio de Produção 50.185 107.345.198
Custo unitário 2.139
Custo das Vendas 47.500 2.139 101.602.011

IV
64 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

Vamos em primeiro lugar efectuar os lançamentos no diário

(a unidade são unidades monetárias):

92.1 Custo das compras


a 31.6 Compras de Matérias primas
(1) - Pelo custo das compras 21.372.615
------------/-----------

95.6 Matérias-primas Subsidiárias


Consumo
a 91.1 Custo das compras
(2) - Transferência do custo 21.372.615
compras
------------/-----------

92.4 Custos de transformação


a Diversos
(3) - Custos de transformação do
mês
a 95.6 Matérias-primas subsidiárias 27.745.373
consumo
a 62.9 Fornecimentos serviços externos 20.399.825
a 64.9 Custos com pessoal 48.000.000
a 66.9 Amortizações exercício 2.500.000 98.645.198
------------/-----------
99.5 Custos Administrativos
a Diversos
(4) Custos não industriais
a 64.9 Custos com pessoal 8.000.000
a 66.9 Amortizações 565.498 8.565.498
------------/-----------
94.1 Fabricação do produto
a 92.4 Custos de transformação

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 65
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

(5) - Apuramento do custo 98.645.198


produção
------------/-----------
94.1 Produtos acabados e semi
acabados
a 95.1 Fabricação do produto
(6) - Transferência do custo dos 98.645.198
produtos acabados
------------/-----------
99.2 Custo das vendas
a 95.1 Produtos acabados e semi 101.602.011
acabados
(7) - Custo das vendas
------------/-----------
71 Vendas
a 99.1 Vendas liquidas
(8) - Vendas efectuadas 142.500.000
------------/-----------
99.6 Custos Financeiros
a 68.9 Custos Financeiros
(9) - Custos Financeiros 32.614.235
------------/-----------

Em segundo lugar vamos efectuar os lançamentos no razão:

31.9 Compras de matérias primas

(1) 21.372.615

62.9 Fornecimentos e serviços externos

(3) 20.399.825

IV
66 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

64.9 Custos com o pessoal

(3) 48.000.000
(4) 8.565.498

66.9 – Amortizações

(3) 2.500.000
(4) 565.498

68.9 Custos Financeiros

(9) 32.614.235

92.1 Custo das compras

(1) 21.372.615 (2) 21.372.615

92.4 Custos de transformação

(3) 98.645.198 (5) 98.645.198

95.1 Produtos acabados e semi acabados

Ei 8.700.000 (7) 101.602.011


(6) 98.645.198 Ef 5.743.187
107.345.198 107.345.198

95.4 Matérias primas, subsidiárias e de consumo

Ei 8.248.048 (3) 27.745.373


(2) 21.372.615 Ef 1.875.290

29.620.663 29.620.663

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 67
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

94.1 – Fabricação

(5) 98.645.198 (6) 98.645.198

99.1 Vendas liquidas

(8) 142.500.000

99.2 Custo das vendas

(7) 101.602.011

99.5 Custos administrativos

(4) 8.565.498

99.6 Custos Financeiros

(9) 32.614.235

IV
68 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

4. TRANSPARÊNCIAS

Contas Típicas da Contabilidade Analítica e sua Movimentação:

De acordo com o POC - Plano Oficial de Contabilidade, as contas da Contabilidade


Analítica estão integradas na classe 9.

9 X
1º digito - Classe de contas da 2º digito - grupo de contas
C.A.

As contas existentes na contabilidade analítica são as seguintes:

Conta Designação de conta

91 - Contas reflectidas
92 - Reclassificações de custos
93 - Centros de custos
94 - Fabricação
95 - Existências
96 - Encargos a repartir
97 - Desvios sobre custos preestabelecidos
98 - Diferenças de incorporação
99 - Resultados analíticos

Custo das Compras:

Debita-se Credita-se

• pelos custos externos, por • por contrapartida das contas de


contrapartida das contas da classe 6 - existências (93) de matérias-primas,
Custos e perdas; subsidiárias e de consumo.
• pelos custos internos, por contrapartida
das contas de centros de custos - 94
(por exemplo, armazéns).

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 69
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

Esquematicamente poderemos representar:

95.4-Matérias-
92.1-Custo
primas,
61-Compras das
subsidiárias e
compras
de consumo

Custos
62 - F.S.E Externos

Custos
totais
94.1-Centro
de Custo

Custos
Internos

Mão de Obra Directa:

Debita-se Credita-se
• pelos custos reais, por contrapartida • por contrapartida das contas de
das contas da classe 6 - Custos e fabricação (95) na parcela de custos de
perdas (despesas com pessoal - 64); mão-de-obra imputados aos produtos
• pelos custos mensualizados de fabricados.
encargos sociais, por contrapartida das
contas de encargos sociais (92.1).

IV
70 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

91.3 - Gastos Gerais de Fabrico:

Debita-se Credita-se
• pelos encargos reais, por contrapartida • por contrapartida das contas de
das contas da classe 6 - Custos e fabricação (95), pela parcela de gastos
perdas; gerais de fabrico de mão-de-obra
• pelos custos internos, por contrapartida imputados aos produtos fabricados.
das contas de encargos a repartir - 92;
• pelos custos internos, por contrapartida
das contas de existências (93.4), pelos
consumos de matérias subsidiárias e
materiais diversos.

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 71
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

94 – Fabricação:

Debita-se por: Credita-se por:

• contrapartida da conta de existências • contrapartida das contas de existências


de matérias-primas, subsidiárias e de de:
consumo -95.6; produtos acabados e semi-acabados
(95.2), e
• contrapartida das contas que reflectem
subprodutos, desperdícios, resíduos e
os custos de mão de obra e gastos
refugos (95.4).
gerais de fabrico, 92.2 - mão de obra
directa, ou 92.3 - gastos gerais de
fabrico, ou 92.4 - custos de
transformação, ou 93.2 - centros de
custos industriais.

Teremos o seguinte esquema para apuramento do Custo industrial dos produtos fabricados:

9.6- Matérias 94.1 - 95.2 -


primas Fabricação - Produtos
Produto A Acabados

93.2 - Centro
de Custos
Industriais

94.2 -
Fabricação
Produto B

92.2 - Mão de
obra directa

IV
72 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

93 - Centros de Custos

Contas da 93.2 - Centro 94- Fabricação


Classe 6 de custo
industrial

92 - Encargos 93.3- Centro 99.4 - Custos de


a repartir de custo de distribuição
distribuição

95.6-Matérias 93.4-Centro de 99.5-Custos


primas custo administrativos
subsidiárias e administrativo
de consumo

95 – Existências.

Registam-se neste grupo os movimentos das existências pelo sistema de inventário permanente:

A conta 95.5 - Produtos e trabalhos em curso e a 95.4 - Sub - produtos, desperdícios, resíduos e
refugos movimentam-se da seguinte forma:

Debita-se por: Credita-se por:


• contrapartida das contas de fabricação • contrapartida das contas 99.2 pelas
(94), para apuramento do custo saídas de armazém para vendas;
industrial dos produtos fabricados • por contrapartida das contas de
entrados em armazém. fabricação (94), pelos produtos semi-
acabados saídos de armazém para a
fabricação.

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 73
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

A conta 95.6 - Matérias primas, subsidiárias e de consumo:

Debita-se por: Credita-se por:

• contrapartida das contas de • contrapartida das contas de fabricação


reclassificações - custo das compras (954) pelas saídas de armazém para
(92.1) pelo valor das entradas em consumo na produção
armazém
• por contrapartida das contas de gastos
gerais de fabrico (92.3), ou custos de
transformação (92.4) ou centros de
custos (92) pelo consumo de matérias
subsidiárias e de consumo

96 - Encargos a repartir:

As várias contas têm movimentação semelhante variando apenas as contrapartidas:

Debita-se Credita-se

• Por contrapartida das contas da classe • Por contrapartida das contas de


6 - Custos e perdas: reclassificação de custos - 91 e das
64- despesas com pessoal; contas de centros de custos - 94.
62- seguros;
62- conservação e reparação;
66- amortizações.

IV
74 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

99 - Resultados Analíticos

Contas a debitar Contas a creditar

• 99.2 - custo das vendas por • 99.1 - vendas por contrapartida da 71 -


contrapartida das contas de existências vendas de mercadorias e produtos;
(95.1) pelo valor do custo industrial dos
• 99.6.2-proveitos financeiros por
produtos vendidos;
contrapartida da conta 78 - proveitos
• 99.4 - custos de distribuição ou por financeiros;
contrapartida da classe 62 -
• 99.7.2 - outros proveitos e 99.8.1 -
fornecimentos e serviços externos ou
resultados extraordinários ou 99.8.2 de
por contrapartida do centro de custo de
exercícios anteriores, por contrapartida
distribuição (93.3);
da conta 69.
• 99.5 - custos administrativos ou por
contrapartida da classe 62 -
fornecimentos e serviços externos ou
por contrapartida do centro de custo
administrativos (93.4);
• 99.6.1- custos financeiros por
contrapartida da classe 68 - custos
financeiros;
• 99.7.1 - outros custos e 99.8.1 -
resultados extraordinários ou 99.8.2 de
exercícios anteriores, por contrapartida
das contas de custos e perdas
extraordinárias - 69.

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 75
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

Resultados Analíticos:

99.1 - Vendas 71- Vendas

95.2- Existências 99.2 - Custo


produtos acabados vendas

93.3 - Centro custo 99.4 - Custos


distribuição distribuição

99.5 Custos
93.4 - Centro custo
administrativos
administrativo

Contas da classe 6

99.6- Custos e
68- Custos 78-Proveitos
proveitos
financeiros financeiros
financeiros

IV
76 Guia do Formador Contabilidade Analítica
IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA IEFP

Resultados Extraordinário:

99.6- Custos e
68- Custos 78-Proveitos
proveitos
extraordinário extraordinario
extraordinário

IV
Contabilidade Analítica Guia do Formador 77
IEFP IV. ORGANIZAÇÃO DA CONTABILIDADE ANALÍTICA

5. TEXTOS COMPLEMENTARES PARA O FORMADOR

• http://www.dashofer.pt

• http://www.apotec.pt

• http://www.boletimempresarial.pt

• http://www.ctoc.pt

IV
78 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

1. RESUMO

1. Apuramento do custo de produção e regimes de fabrico

Um ciclo produtivo inicia-se com a compra das matérias-primas e encerra-se com a venda dos
produtos:

Compra de Entrada Venda dos Recebimento


matérias- dos produtos do valor da
primas produtos acabados venda e nova
acabados compra de
em matérias-
armazém primas

Transformação Expedição
das matérias- dos
primas em produtos
produtos acabados
acabados
Figura V.4 - Ciclo produtivo

2. Com base nestas divisões, existem tipos de fabricação principais: a fabricação contínua de um
único produto, a fabricação de produtos diferentes do ponto de vista de qualidade, a fabricação
por fases e fabricação por obras ou por tarefas.

3. Em função do regime de fabrico vamos ter, também, formas de apuramento distintas do custo
de produção, distinguindo-se dois métodos principais: método directo ou dos custos por
ordens de produção ou da encomenda e método indirecto ou dos custos por processos.

4. O coeficiente de imputação é uma relação verificada entre duas grandezas, sendo o


denominador a base de imputação. Podemos trabalhar com coeficientes de imputação reais ou
teóricos.

5. Quando imputamos os custos por quotas teóricas aos produtos, vamos ocasionar as chamadas
diferenças de imputação.

6. Os gastos gerais de fabrico podem, ainda, ser repartidos de acordo com uma única base de
repartição. Trata-se da chamada imputação de base única. As bases possíveis são:

• Custo da mão-de-obra directa;

• Número de horas de mão-de-obra directa;

• Número de unidades fabricadas;

• Quantidade de matérias-primas consumidas;

• Custo das matérias-primas consumidas;

• Número de horas de trabalho das máquinas.

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 81
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

7. Na produção conjunta podemos obter os produtos principais ou co-produtos, subprodutos e,


ainda, resíduos ou desperdícios:

• Os produtos principais ou co-produtos são os produtos que, obtidos da produção conjunta,


têm o mesmo grau de importância.

• Os subprodutos são produtos secundários. Existe um produto principal e um subproduto.

• Os resíduo são produtos de baixo valor.

8. Na produção conjunta vão ser individualizadas três fases: fase conjunta, ponto de separação
e fase especifica.

• Se estivermos perante uma produção conjunta teremos um ponto de separação de onde


resultarão produtos diferentes e cada um terá custos específicos.

9. Os critérios de repartição dos custos de produção conjuntos:

Rubricas Critérios de repartição

Co-produtos. • Quantidades produzidas;


• Valor de venda da produção;
• Valor de venda da produção reportado ao
ponto de separação.
Subprodutos e resíduos. Critério do lucro nulo.

10. A produção descontínua ou por tarefa caracteriza-se por podermos identificar o produto em
cada fase do ciclo produtivo de fabricação.

11. método mais apropriado para apurar o custo industrial dos produtos vendidos é o directo.

12. método das secções homogéneas consiste no cálculo do custo industrial e dos custos não
industriais recorrendo a centros de custos ou secções.

13. Os custos de funcionamento devem ser repartidos pelos centros de responsabilidade


existentes, devendo estes estarem divididos em centros de custos.

14. Para se considerar uma secção homogénea, o centro de custo tem que respeitar as seguintes
características: ter um só responsável, as funções devem ser semelhantes e a actividade tem
que ser medida numa unidade.

15. Podemos considerar a seguinte classificação de secções, derivada das funções estabelecidas
na empresa: secções de aprovisionamento, secções de produção, secções de distribuição e
secções administrativas e financeiras.

V
82 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

16. Podemos, de outra forma, classificar as secções ou centros de custos em:

• Industriais:

Secções principais - responsáveis pelo aprovisionamento, produção e venda;

Secções auxiliares - para produzir bens ou prestar serviços para outras.

• Não industriais:

Secções administrativas - secções de contabilidade, pessoal, etc...

17. Chama-se unidade de imputação à unidade de medida que vai ser incorporada nos produtos
finais ou noutras secções.

18. A unidade de custeio expressa o custo de determinada secção.

19. A unidade de obra expressa a actividade de cada secção e é simultaneamente unidade de


custeio e unidade de imputação.

20. O método das secções caracteriza-se por, em primeiro lugar, reflectir nas secções os custos de
funcionamento e, em segundo lugar, o custo de produção ser apurado pelos consumos de
unidades dessas mesmas secções.

21. Os custos das secções

• Directos - que ocorrem ou que estão directamente relacionados com cada secção;

• Reembolsos - custos indirectos, ou seja contribuição de outras secções que são imputados
nas secções principais beneficiárias, que estão a ser valorizadas, através de bases
repartição.

22. Nas secções ou centros de custos industriais, de aprovisionamento ou armazéns temos:

• custo total de cada secção - soma dos custos directos com os reembolsos;

• custo total dividido pela actividade da secção - unidade de obra;

• custo total dividido pela base de imputação - unidade de imputação;

• custo total dividido pelo número de meses ou de dias - unidade de custeio.

23. As secções, ou centros de custos não industriais, vão ser totalizadas e directamente levadas à
Demonstração de Resultados, não entrando na valorização dos produtos, nomeadamente, as
secções administrativas e financeiras.

24. Após o cálculo do custo de transformação vamos apurar os custos de produção utilizando só os
custos das unidades de obra das secções principais.

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 83
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

25. Bases de repartição utilizadas para repartir os gastos não industriais:

Gastos Bases de imputação


Secção de vendas: • Valor das vendas;
• Administrativos; • Quantidades vendidas;
• Comerciais puros; • Número de encomendas;
• Publicidade e promoção. • Valor das vendas.
Armazenagem de produtos acabados. • Quantidades entradas em
armazém;
• Quantidades saídas de armazém;
• Valor produtos entrados em
armazém;
• Valor dos produtos saídos de
armazém.
Distribuição e entrega de produtos. • Distâncias percorridas;
• Pesos dos produtos.
Contabilidade, tesouraria e outros. • Valor das vendas;
• Número de documentos;
• Valor de vendas.

26. A repartição dos gastos não industriais é de dois grandes tipos: os de distribuição relativos
às acções de vendas, marketing e outras rubricas e os administrativos relativos às secções de
contabilidade, expediente, tesouraria, etc...

V
84 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Neste capítulo vão ser estudadas as formas de repartir os gastos pelos produtos, em função dos
produtos fabricados e dos métodos utilizados.

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Efectuar a repartição dos gastos gerais de fabrico em função de diferentes critérios;

• Caracterizar produção conjunta;

• Efectuar a valorização dos sub – produtos;

• Explicar a importância do ponto de separaçã;

• Definir e classificar centros de custos;

• Aplicar o método das secções homogéneas;

• Fazer a repartição de custos;

• Identificar e aplicar o conceito de prestações recíprocas;

• Determinar o custo unitário dos produtos fabricados.

Duração estimada: 35 horas

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 85
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Identifique se são verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações, justificando as suas respostas


num máximo de 10 linhas por afirmação:

1. A fabricação continua está associada a um regime de fabricação múltiplo.

2. No regime de fabricação por obras ou tarefas sabemos em cada momento os custos incorridos.

3. Num regime de fabricação descontinuo conseguimos identificar as diversas fases em que o


produto se encontra.

4. O regime de produção complexa caracteriza-se pela existência de uma única operação de


transformação.

Resolução:

1. FALSA

2. VERDADEIRA

3. VERDADEIRA

4. FALSA

Exercício 2

Identifique, caracterizando cada um dos aspectos distintivos dos métodos directo e indirecto que se
podem utilizar para o apuramento do custo de produção ( não exceder 5 linhas por cada um dos
aspectos).

V
86 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Resolução

Método directo Método indirecto

Regimes de fabrico
• Produção múltipla, diversificada e • Produção uniforme ou pouco
descontínua. diferenciada e contínua.
Forma de cálculo do custo industrial
• Por ordens de produção - custo por • Por produtos - custo unitário.
obra ou ordem.
Período a que respeita o custo industrial do produto
• Relativo ao tempo necessário para • Relativo ao mês.
cada obra.
Identificação do produto
• Identificável ao longo de todo o • O produto não é identificável ao
processo de produção pela ordem; longo da produção;
• Os custos de cada ordem de • Os custos do mês são do produto.
produção estão identificados.
Acumulação dos custos industriais
• Feita por ordem de produção, obra • Feita por cada produto;
a obra;
• Feita durante todo o período de • Acumulação mensal.
produção da obra.
Determinação do custo da produção em vias de fabrico no fim do mês
• Pelo saldo apresentado na ficha da • Pela inventariação da produção em
obra. vias de fabrico e correspondente
valorização.

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 87
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Exercício 3

A empresa D dedica-se à produção de três produtos o P1, o P2 e o P3.

A produção resulta da transformação das matérias-primas MP1 e MP2 nas secções S1, S2 e S3,
estas são três secções fabris cuja unidade de imputação é a Hora Homem (Hh).

Conhecemos os elementos referentes ao mês de Junho do ano 199Z que constam no quadro 1.

Com base nestes elementos e sabendo que:

• a empresa utiliza o critério LIFO na valorização do custo das existências vendidas;

• os gastos gerais de fabrico são imputados aos produtos em função do número de horas de mão
de obra directa consumidas;

• os consumos de mão de obra directa são considerados custos variáveis;

Calcule:

1. O custo de produção industrial da produção acabada no mês em estudo pelos sistema de


custeio total e custeio variável, repartindo os gastos gerais de fabrico numa base única e numa
base múltipla;

2. A valorização das existências finais em cada um dos sistemas referidos em 1;

3. O resultado líquido gerado por cada um dos sistemas de custeio apresentados.

Resolução

Produto Produto Produto


Rubrica: Unidade C. Unitário Total
P1 P2 P3
Produção produtos Ton 25.000 15.000 5.000
acabados
Exist. iniciais prod. Ton 5.000 4.000 1.500
Acabados
Custo / Ton 350 250 180
Matérias-primas MP1 Kg 15 3 / ton 1,5/ton 2 / ton
Matérias-primas MP2 Kg 20 0,5 /ton 0,5 /ton 0,5 / ton
Mão-de-obra directa Hora 1.750 2.050 1.950 200
GGF - Secção S1 Hh 1.000 700 100
GGF - Secção S2 Hh 750 700 50
GGF - Secção S3 Hh 300 550 50
Custos fixos S1 1.598.324

V
88 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Produto Produto Produto


Rubrica: Unidade C. Unitário Total
P1 P2 P3
Custos fixos S2 1.569.250
Custos fixos S3 496.000
Custos variáveis S1 4.548.750
Custos variáveis S2 1.350.000
Custos de 250.000
distribuição
Custos 375.000
administrativos
Vendas - quantidade ton 25.000 17.000 6.000
preço unitário u.m. 400 300 200

S1 S2 S3
Custos Fixos 1.598.325 1.569.250 496.000
Custos Variaveis 4.548.750 1.350.000 0
Total 6.147.075 2.919.250 496.000
Horas 1.800 1.500 900
trabalhadas
Cuto Unitário total 3.415 1.946 551
Custo Unitário 2.527 900 0
variavel

Mapa do custo de
produção Custeio Total
P1 P2 P3
Custo Quantidade Quantidade
Valor Valor Quantidades Valor
Unitário s s
Materias primas
MP1 15 225.000 3.375.000 22.500 337.500 10.000 150.000
MP2 20 12.500 250.000 7.500 150.000 2.500 50.000
Total 3.625.000 487.500 200.000
Mao de obra 1.750 2.050 3.587.500 1.950 3.412.500 200 350.000
directa
Total 3.587.500 3.412.500 350.000

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 89
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Custos de
Transformação
S1 3.415 1.000 3.415.042 700 2.390.529 100 341.504
S2 1.946 750 1.459.625 700 1.362.317 50 97.308
S3 551 300 165.333 550 303.111 50 27.556
Total 5.040.000 4.055.957 466.368
Custo do produto 12.252.500 7.955.957 1.016.368
acabado
Quantidades 25.000 15.000 5.000
produzidas
Custo unitário 490 530 203

Mapa do custo de produção Custeio


Variável

P1 P2 P3
Custo
Quant. Valor Quant. Valor Quant. Valor
Unitário
Materias primas
MP1 15 225.000 3.375.000 22.500 337.500 10.000 150.000
MP2 20 12.500 250.000 7.500 150.000 2.500 50.000
Total 3.625.000 487.500 200.000
Mao de obra 1.750 2.050 3.587.500 1.950 3.412.500 200 350.000
directa
Total 3.587.500 3.412.500 350.000
Custos de
Transformação
S1 2.527 1.000 2.527.083 700 1.768.958 100 252.708
S2 900 750 675.000 700 630.000 50 45.000
S3 0 300 0 550 303.111 50 0
Total 3.202.083 2.702.069 297.708

Custo do produto 10.414.583 6.602.069 847.708


acabado
Quantidades 25.000 15.000 5.000
produzidas
Custo unitário 417 440 170

V
90 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Valorização das Existências Finais -


LIFO - Custeio Total
P1 P2 P3 Total
Existências Q 5.000 4.000 1.500
iniciais
Custo 350 650 180
unitário
Total 1.750.000 2.600.000 270.000 4.620.000
Produção Q 25.000 15.000 5.000
Custo 490 530 203
unitário
Total 12.252.500 7.955.957 1.016.368 21.224.825
Vendas Q 25.000 17.000 6.000
Custo 490 544 199
unitário
Total 12.252.500 9.255.957 1.196.368 22.704.825
Existências finais Q 5.000 2.000 500
Custo 350 650 180
unitário
Total 1.750.000 1.300.000 90.000 3.140.000

Valorização das Existências Finais - LIFO -


Custeio variável
P1 P2 P3 Total
Existências Q 5.000 4.000 1.500
iniciais
Custo 350 650 180
unitário
Total 1.750.000 2.600.000 270.000 4.620.000

Produção Q 25.000 15.000 5.000


Custo unit 417 440 170
Total 10.414.583 6.602.069 847.708 17.864.361
Vendas Q 25.000 17.000 6.000
Custo 417 465 171
unitário
Total 10.414.583 7.902.069 1.027.708 19.344.361
Existências finais Q 5.000 2.000 500
Custo 350 650 180
unitário
Total 1.750.000 1.300.000 90.000 3.140.000

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 91
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Determinação do Resultado
Liquido
Custeio Custeio
Total Variável

Vendas 24.800.000 24.800.000


Custo das 22.704.825 19.344.361
Vendas
Margem bruta 2.095.175 5.455.639
Custos Industriais 0 3.663.574
Custos 250.000 250.000
Distribuição
Custos 375.000 375.000
Administrativos
Total Custos não 625.000 4.288.574
incorporados
Resultado Liquido 1.470.175 1.167.065

V
92 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

4. TRANSPARÊNCIAS

Um ciclo produtivo inicia-se com a compra das matérias primas e encerra-se com a venda dos
produtos .

Compra de Entrada Venda dos Recebimento


matérias dos produtos do valor da
primas produtos acabados venda e nova
acabados compra de
em matérias primas
armazém

Transfor- Expedição
mação das dos
matérias produtos
primas em acabados
produtos
acabados

Existem diversos regimes de fabrico ou de produção:

• uniforme - a empresa fabrica um único produto - exemplo electricidade;

O produto é só um e não
sofre transformações.

• múltipla - a empresa fabrica diversos produtos;

• conjunta - de uma mesma matéria prima obtêm-se diversos produtos, por exemplo a farinha e o
farelo;

Produto 1

Matéria-prima Produto 2

Produto 3

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 93
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

• disjunta - os diferentes produtos obtêm-se em operações completamente separadas, por


exemplo industria de calçado;

Cada uma
destas setas
representa
um produto.

• contínua - em qualquer momento da fabricação temos produção em curso, por exemplo numa
cimenteira;

O produto só está
acabado quando
se terminar a
“volta” toda.

• descontínua - a fabricação é efectuada por fases, por exemplo na industria de calçado;

Na operação 1 cortaram-se
Operação 1 as solas ;nestas formam-se
as peles para fazer os
sapatos.

• simples - a transformação faz-se numa única operação;

De uma só operação resulta


um trabalho final.

• complexa - existe um conjunto de operações de transformação,

Cada uma destas peças representa


uma operação de transformação,
individualmente não obtemos nenhum
produto mas no seu conjunto obtemos
um produto final.

V
94 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Com base nestas distinções existem tipos de fabricação principais:

• fabricação contínua de um único produto;

• fabricação de produtos diferentes do ponto de vista de qualidade;

• fabricação por fases;

• fabricação por obras ou por tarefas;

Em função do regime de fabrico vamos ter também formas de apuramento distintas do custo
de produção, distinguindo-se dois métodos principais:

• método directo ou dos custos por ordens de produção ou da encomenda:

• os custos industriais são apurados relativamente às ordens de produção ou às encomendas;

• os trabalhos são independentes entre si;

• por exemplo quando levamos o nosso carro à manutenção, é aberta uma ordem de produção
onde são registadas as peças substituídas e o número de horas utilizadas, sendo apurado um
valor total a pagar e cada obra.

• método indirecto ou dos custos por processos:

• os custos industriais são acumulados por produtos;

• posteriormente são calculados os custos unitários através da divisão dos custos acumulados
pelo total da produção verificada;

• é o caso da produção de pão, em que sabemos os custos totais e dividimos pelo peso total do
pão fabricado, ou pelo número de unidades obtidas;

• os objectos contabilisticos são as entidades portadoras de custo, por exemplo, as secções, os


produtos ou os clientes.

Aspectos distintivos dos dois métodos:

Método Directo Método Indirecto

Regimes de fabrico
• Produção múltipla, • Produção uniforme ou pouco
diversificada, descontínua. diferenciada, contínua.
Forma de cálculo do custo industrial

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 95
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

• Por ordens de produção. • Por produtos.


• O custo é por obra ou ordem. • Temos custo unitário.

Período a que respeita o custo industrial do produto


• Corresponde ao tempo • Corresponde ao mês.
necessário para cada obra.

Identificação do produto
• É identificável ao longo de • O produto não está
todo o processo de produção identificável ao longo da
pela ordem. produção.
• Os custos de cada ordem de • Os custos do mês são custos
produção estão identificados. do produto.

Acumulação dos custos industriais


• È feita por ordens de • É feita por cada produt.o
produção, obra a obra.
• È feita durante todo o período • A acumulação é mensal.
de produção da obra.

Determinação do custo da produção em vias de fabrico no fim do mês


• Pelo saldo apresentado na • Pela inventariação da
ficha da obra. produção em vias de fabrico e
correspondente valorização.

Coeficientes de Imputação:

• Custo da mão de obra directa;

• Número de horas de mão de obra directa;

• Número de unidades fabricadas;

• Quantidade de matérias primas consumidas;

• Custo das matérias primas consumidas;

• Número de horas de trabalho das máquinas.

Assim, em alternativa à forma anterior a que chamamos base única de imputação vamos ter a
imputação de base múltipla.

V
96 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Na imputação de base múltipla vamos ter critérios diferentes para repartir os Gastos Gerais de
Fabrico, decompondo-se o seu valor em rubricas equiparáveis em termos de base de imputação,
estabelecendo-se critérios diferentes para cada uma destas rubricas.

Produção Conjunta:

Diz-se que a produção é conjunta quando ao proceder-se à transformação de uma ou diversas


matérias primas se obtém diversos produtos, por exemplo óleos refinados e ácidos gordos.

Na produção conjunta podemos obter os produtos principais ou co-produtos, subprodutos e, ainda


resíduos ou desperdícios:

• Produtos principais ou co-produtos são os produtos que obtidos da produção conjunta têm o
mesmo grau de importância, são produtos semelhantes, por exemplo carne de vaca para bife
ou para assar;

• Subproduto é um produto secundário, existe um produto principal, por exemplo a carne de vaca
para bife e um subproduto que pode ser o fígado de vaca;

• Resíduo é um produto de baixo valor, no caso do exemplo referido podemos considerar os


ossos como um resíduo.

Na produção conjunta vão ser individualizadas três fases:

1. Fase Conjunta

2. Ponto de Separação

3. Fase Especifica

Se estivermos perante uma produção conjunta da qual resultam produtos diferentes teremos:

Custos
específicos
Produto A

Produção Ponto
Conjunta separação
Produto B
Custos
específicos

A dificuldade, ou os principais cuidados colocam-se na forma como os custos conjuntos vão ser
repartidos pelos produtos finais.

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 97
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Os critérios adoptados são geralmente os seguintes:

Critérios de repartição
Co-produtos Quantidades produzidas;
Valor de venda da produção;
Valor de venda da produção reportado ao
ponto de separação.
Subprodutos e Critério do Lucro Nulo.
Resíduos

Produção descontínua ou por tarefa:

A produção descontinua ou por tarefa caracteriza-se por podermos identificar o produto em cada
fase do ciclo produtivo de fabricação.

O método mais apropriado para apurar o custo industrial dos produtos vendidos é o método directo.

Esta forma possibilita-nos a identificação do produto e a determinação de todos os custos


incorridos para o colocar, em cada estado de fabrico.

A ordem de produção:

O Método Directo utiliza-se em presença de empresas cujo processo de fabrico seja realizado por
encomendas, onde a produção é descontínua e múltipla e, permite distinguir e identificar
claramente os produtos.

Por este método, cada um dos produtos é sempre identificado ao longo de todo o processo de
fabrico e é possível determinar e atribuir directamente a cada um deles os seus respectivos custos
de produção.

Exemplos:Empresas de Construção Civil, Construção Naval, entre outras.O método directo


desenvolve-se em três fases:

1ª Fase) São apurados todos os custos do produto em análise.

2ª Fase) Para cada produto é elaborada uma ficha de custos, em que são imputados todos os
custos respeitantes a esse produto ( Exemplo: Mão-de-Obra Directa, Gastos Gerais de Fabrico,
entre outros).

3ª Fase) Após a conclusão da fabricação, somam-se todos os custos e divide-se o total destes pelo
número de unidades produzidas.

V
98 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V. REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

O Método das Secções Homogéneas:

Secção Homogénea

Uma secção para ser considerada homogénea tem que respeitar algumas características:

• ter um só responsável;

• as funções ou actividades desenvolvidas devem ser semelhantes, para que os custos respeitem
a funções ou actividades idênticas;

• a actividade tem que ser medida numa unidade, por exemplo:

• ras homem (Hh);

• Horas máquina (Hm).

Podemos considerar a seguinte classificação geral, derivada das funções estabelecidas na


empresa:

• Secções de aprovisionamento;

• Secções de produção;

• Secções de distribuição;

• Secções administrativas e financeiras.

Podemos, de outra forma, classificar as secções ou centros de custos em:

• Industriais, e estas em:

• Secções principais - responsáveis pelo aprovisionamento, produção e venda;

• Secções auxiliares - existem para produzir bens ou prestar serviços para outras;

• Não industriais

• Secções administrativas - secções de contabilidade, pessoal, etc.

Unidade de imputação:

Unidade de custeio:

Unidade de obra:

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 99
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Caracterização do método das secções:

Este método caracteriza-se por :

• Em primeiro lugar reflectir nas secções os custos de funcionamento

• Em segundo lugar o custo de produção ser apurado pelos consumos de unidades dessas
mesmas secções.

V
100 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V CONJUNTO DE TRANSPARÊNCIAS IEFP

Esquematicamente podemos representar:

Classe 6 - custos e 94.1 - Centro de 94.2 - Centro de 95 - Fabricação


perdas custos de custos industriais
aprovisionamento

93 - Existências 94.3 - Centro de 98.4 - Custos de


custos de distribuição
distribuição

92 - Encargos a 94.4 - Centro de 98.5 - Custos


repartir custos Administrativos
administrativos

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador
101
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Apuramento dos custos pelo método das secções:

Vamos apurar os custos de transformação de cada secção apurando os seguintes tipos de custos:

1. Directos - custos que ocorrem ou que estão directamente relacionados com cada secção;

2. Reembolsos - custos indirectos, ou seja contribuição de outras secções que são imputados nas
secções principais beneficiárias, que estão a ser valorizadas, através de bases repartição.

Os custos directos mais usualmente considerados são:

• mão de obra, salários e encargos;

• combustíveis;

• energia eléctrica;

• água;

• matérias subsidiárias e materiais diversos;

• conservação e reparações;

• ferramentas e utensílios;

• amortizações de edifícios e equipamentos;

• seguros de equipamento e instalações;

• etc.

Nas secções ou centros de custos industriais, de aprovisionamento ou armazéns teremos


que:

• O Custo Total de cada secção corresponde à soma dos Custos Directos com os Reembolsos;

• O Custo Total dividido pela actividade da secção dá-nos a Unidade de Obra;

• O Custo Total dividido pela base de imputação dá-nos a Unidade de Imputação;

• O custo total dividido pelo número de meses ou de dias, dá-nos a Unidade de Custeio.

V
102 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

Mapa de apuramento de custos das secções:

Secção A Secção B
Rubricas Unidade Actividade: Actividade: Total
Física Quant Valor Quant Valor
1- Custos Directos
Salários
Ordenados
Encargos sociais
Energia
Amortizações
Seguros
............
Total (1)
2-Reembolsos
Secção Aux 1
Secção Aux 2
..............
Total (2)
3-Custo total
Global
Unitário
Unidade de obra
Unidade de imputação
Unidade de custeio

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 103
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

Mapa de apuramento do custo de produção:

Produto X Produto Z
Rubricas Uni. Custo Produção:__ Produção:__ Total
Física Unit. Quant Valor Quant Valor
1- Matérias directas
M1
M2
.........
Total (1)
2-Custos de
transformação
Secção A
Secção B
.............
Total (2)
3-Produtos vias
fabrico
No inicio mês (+)
No final mês (-)
Total (3)
4-Subprodutos
S1
S2
.................
Total (4)
5-Custo do produto
principal
Global
Unitário

V
104 Guia do Formador Contabilidade Analítica
V REPARTIÇÃO DE GASTOS IEFP

A repartição dos gastos não industriais:

O tipo de custos não industriais

• de distribuição compreendem todos os custos relacionados com as secções de vendas,


marketing ou outras existentes, sendo as rubricas variáveis consoante as actividades;

• os administrativos dependem da forma como a empresa está organizada:

1. são englobadas as secções de contabilidade, expediente, tesouraria, pessoal, etc.

Apresentamos alguns exemplos das bases mais utilizadas:

Gastos Bases de imputação

Secção de vendas: • Valor das Vendas


• Administrativos • Quantidades vendidas
• Comerciais puros • Número de encomendas
• Publicidade e promoção • Valor das Vendas

Armazenagem de produtos • Quantidades entradas em


acabados armazém
• Quantidades saídas de
armazém
• Valor produtos entrados em
armazém
• Valor dos produtos saídos de
armazém

Distribuição e entrega de • Distâncias percorridas


produtos
• Pesos dos produtos

Contabilidade, tesouraria e outros • Valor das Vendas


• Número de documentos
• Valor de Vendas

V
Contabilidade Analítica Guia do Formador 105
IEFP V. REPARTIÇÃO DE GASTOS

5. TEXTOS COMPLEMENTARES PARA O FORMADOR

• http://www.dashofer.pt

• http://www.apotec.pt

• http://www.boletimempresarial.pt

• http://www.ctoc.pt

V
106 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS IEFP

1. RESUMO

1. O desvio é diferença entre uma situação real e uma situação prevista.

2. O desvio do resultado global é explicado por duas bases: o desvio sobre os custos e sobre as
margens comerciais.

3. O modelo geral da análise de um custo dá-nos duas realidades distintas: o desvio sobre a
quantidade, mantendo os preços inalterados e o desvio sobre o preço, mantendo as
quantidades inalteradas.

4. Alguns custos são imputados na actividade real, por custos básicos, componentes de análise:
as quantidades reais valorizadas a custos reais e quantidades reais valorizadas a custos
básicos.

5. Deste cálculo de desvio surgem os desvios de incorporação de custos.

6. O desvio da produção é formado pelos desvios de matérias, de mão de obra e de gastos


gerais de fabrico.

7. Desvios em matérias:

O desvio de matérias ( Dm ) resulta da diferença das duas expressões:

Dm = Qr x Pr - Qo x Po

8. Desvio de preços:

Dp = Qo x (Pr - Po)

9. Desvio de quantidades:

Dq = Po x (Qr - Qo)

10. Desvios em mão-de-obra:

O desvio de mão-de-obra (Dmdo) resulta da diferença das duas expressões:

Dmdo = NHr x CHr - NHo x NHo

11. Desvio sobre o custo horári:o

Dch = NHr x (CHr - CHo)

12. Desvio de rendimento (Dr):

Dr = CHo x (NHr - NHo)

VI
Contabilidade Analítica Guia do Formador 109
IEFP VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

13. Desvios em gastos gerais de fabrico:

Para os custos fixos o factor de desvio não está nos gastos gerais de fabrico, mas na base e
imputação escolhida.

Neste tipo de custos podemos dividir o desvio total em desvio de preços e desvio de
quantidade:

14. Controlo contabilístico dos desvios:

As contas utilizadas são as seguintes:

96 - Desvios sobre preços pré estabelecidos

96.1 - Desvios de compras

96.2 - Desvios das secções

96.3 - Desvios de fabricação

96.4 - .........

Estas contas serão debitadas pelos desvios desfavoráveis e creditadas pelos desvios
favoráveis.

VI
110 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Vamos estudar o conceito de desvio e sua aplicação no domínio da Contabilidade Analítica a nível
do desvio de Produção.

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Utilizar os elementos produzidos pela Contabilidade Analítica para comparar com os custos
orçamentados;

• Calcular e justificar os principais desvios que formam o desvio do custo de produção,


nomeadamente, o desvio de matérias, de mão de obra e de gastos gerais de fabrico.

Duração estimada: 12 horas

VI
Contabilidade Analítica Guia do Formador 111
IEFP VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Certa empresa dedica-se ao fabrico de dois produtos ( A e B) utilizando o seguinte processo de


fabrico:

• As matérias primas utilizadas são X, Y e Z;

• Utilizam-se secções homogéneas:

• S1 - unidade de obra - Hm

• S2 - unidade de obra - Hm

• Serviços gerais de produção - critério de imputação - ás restantes secções fabris

• unidade de custeio - mês;

• Armazém 1 - unidade de imputação - quantidade de matérias primas saídas

• unidade de custeio - mês

• Armazém 2 - unidade de imputação - quantidade de produtos acabados entrados

• unidade de custeio - mês.

Consideram-se variáveis as secções 1 e 2 e fixas as restantes.

A empresa adopta o custeio total básico.

Elementos referentes ao mês de Maio de 199X:

Actividade das secções : S1 - 3.520 Hm e S2 - 2.440 Hm

Custo das secções (custos directos):

S1 S2 Serv.Gerais A1 A2
Fixos 8.192 1.944 2.500 1.104 824
variáveis 2.680 860
10.872 2.804 2.500 1.104 824

VI
112 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS IEFP

Produção:
Produto A - 3.280 unidades
Produto B - 20.400 unidades

Vendas:
Produto A - 3.000 unidades a 2.2 u.m. cada
produto B - 18.000 unidades a 1.8 u.m. cada

Compras:
Matéria prima X - 47.200 unidades a 0.31 u.m. cada
Matéria prima Y - 4.400 unidades a 0.12 u.m. cada
Matéria prima Z - 7.400 unidades a 0.05 u.m. cada

Custos de produção:

Matérias Produto A Produto B


X unidade 6.724 37.944
Y unidade 464 3.628
Z unidade 800 6.528
Diversos unidade monetária 232,88 4.663
Custo de transform.
S1 unidade monetária 452,64 3.080
S2 unidade monetária 396,88 2.040

Do Orçamento Anual da empresa para 199X foram retiradas as seguintes informações:

Custos de transformação:

Descrição S1 S2 Serviços Gerais A1 A2


41.376 Hm 28.608 Hm 662.976 unid 278.400 unid
Custos directos
Fixos 83.672 14.140 28.800 8.952 9.884
Variáveis 29.384 8.096
Subtotal 113.056 22.236 28.800 8.952 9.884
Reembolsos
Serviços gerais 17.280 11.520
Custos de transform.
Global 130.336 33.756 28.800 8.952 9.884
Unidade de obra 3,15 1,18
Unidade imputação 0,014 0,036
Unidade custeio 2.400 744 824

VI
Contabilidade Analítica Guia do Formador 113
IEFP VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

Custos de produção:

Produto A Produto b
Custo Unidade 38.400 uni. 240.000 uni
Unitário física Consumo Custo Consumo Custo
unitário Total unitário Total
1 - MP
X 0.300 unidade 2,0 23.040 1,9 136.800
Y 0.120 unidade 0,14 644 0,18 5.184
Z 0.050 unidade 0,25 480 0,3 3.600
diversos u.m. 0,070 2.688 0,030 7.200
Subtotal 26.852 152.784
2 - C.T.
S1 3.150 Hm 0,14 16.936 0,15 113.400
S2 1.180 Hm 0,12 5.436 0,10 28.320
A1 0,014 unidade 1.240 7.712
A2 0,036 unidade 1.364 8.520
Subtotal 24.976 157.952
3-Custo total 51.828 310.736
Custo unitário 1.350 1.295

Pretende-se que elabore pelo custeio total:

1. mapa de custos das secções;

2. mapa de custos de produção;

3. apuramento dos desvios contabilisticos.

VI
114 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS IEFP

Resolução

1.
Mapas de Custos Secções - Secções
Variáveis
Mês de Maio 199X
S1 S2
Custos Fixos 8.192 1.944
Custos 2.680 860
Variaveis
Reembolsos 1.440 960
Total 10.872 2.804
Horas 3.280 20.400
trabalhadas
Cuto Unitário 3,315 0,137
total

Mapas de Custos Secções - Secções


Fixas
Mês de Maio 199X
Serviços Armazém 1 Armazém 2
Gerais
Custos Fixos 2.500 1.104 824
Custos 0 0 0
Variaveis
Total 2.500 1.104 824
Unidade 2.500
custeio
Unidade 0,020 0,003
Imputação

VI
Contabilidade Analítica Guia do Formador 115
IEFP VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

Matérias primas saidas 44.668


de armazem
4.092 38.400
7.328 240.000
56.088 278.400

2.
Mapa do Custo de
Produção
Produto A Produto B
Custo Unidade Cons.Unit. Custo Cons.Unit. Custo
Unitário Fisica Total Total
3.280 20.400
Materias
Primas
X 0,3 6.724 2.017 37.944 11.383
Y 0,12 464 56 3.628 435
Z 0,05 800 40 6.528 326
diversos 233 4.663
Sub Total 2.346 16.808

Custos Transformação
S1 3,15 453 1.426 3.080 9.703 11129,076
S2 1,18 397 468 2.040 2.407 2875,5184
A1 26 161 186,5
A2 28 178 205,91666
67
Sub Total 1.948 12.449
Custo Total 4.294 29.257
Custo Unitário 1,309 1,434

VI
116 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS IEFP

3.
Desvios do
Mês
Desvios das Secções
Gastos Gastos Desvios
Reais Imputados
Secção
S1 10.872 11.129 257
S2 2.804 2.876 72
Serviços 2.500 2.400 -100
Gerais
Armazém 1 1.104 187 -918
Armazém 2 1.104 206 -898
18.384 16.797 -1.587

Desvios do Custo de
Produção
Gastos Gastos Desvios
Reais Imputados
Produto A 4.294 4.428 134
Produto B 29.257 26.418 -2.839
51.935 47.643 -4.292

VI
Contabilidade Analítica Guia do Formador 117
IEFP VI. ANÁLISE E CÁLCULO DOS DESVIOS

4. TRANSPARÊNCIAS

Sistemas de contas:

Existem dois sistemas de contas em função da forma como se articulam com a contabilidade geral:

• Sistemas monistas;

• Sistemas dualistas.

Dentro de cada um deles vamos ainda dividir em:

• Monista radical ou único diviso;

• Monista diviso;

• Dualista duplo contabilistico;

• Dualista duplo misto.

Planificação e normalização:

A normalização contabilistica visa o desenvolvimento de um modelo uniforme e geral a ser aplicado


pelas diferentes empresas por forma a que a informação seja comparável.

Normalizar é estabelecer princípios, conceitos e critérios, por forma a que a contabilização dos
movimentos, e consequente apresentação de informação e resultados seja uniforme
independentemente da localização geográfica ou sectorial.

Normalizar apresenta vantagens aos seguintes níveis:

• da empresa;

• do profissional da contabilidade;

• do aspecto didáctico e pedagógico.

A nível de contabilidade analítica é difícil ultrapassar a barreira sectorial, existindo já alguns


sectores em que esta realidade está a ser implementada.

VI
118 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA
CONTABILIDADE GERAL

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

1. RESUMO

2. Existem dois sistemas de contas, em função da forma como se articulam com a Contabilidade
Geral, são os sistemas monistas e sistemas dualistas.

3. Por sua vez o, sistema monista está dividido em único indiviso ou diviso. O dualista em duplo
contabilístico e em duplo misto.

4. Ligação da Contabilidade Analítica com a Contabilidade Geral:

Os sistemas monistas não separam as duas Contabilidades, Geral e Analítica. A Contabilidade


Geral apresenta, no POC (Plano Oficial de Contabilidade), as seguintes classes de contas:

• Classe 6 - Custos e perdas;

• Classe 7 - Proveitos e ganhos;

• Classe 9 - Contabilidade de custos.

5. O sistema único indiviso, ou das contabilidades integradas, caracteriza-se pela existência das
contas da Contabilidade Analítica a par das contas da Contabilidade Geral.

6. No sistema único diviso a integração destas duas contabilidades não é integral. Neste sistema
existe uma conta cumulativa que reflecte todas as contas da Contabilidade Analítica.

7. O sistema duplo contabilístico é caracterizado pela existência da Contabilidade Geral que


actua de forma habitual e da Contabilidade Analítica que apresenta as operações internas de
apuramento de custos de produtos e a análise de resultados.

O método utilizado é o digráfico - das partidas dobradas. Verifica-se a existência na


Contabilidade Geral de contas de ligação - as chamadas contas reflectidas.

91- Contas reflectidas


9161 Custo das compras reflectido
91.62 Fornecimentos e serviços externos
reflectidos
91.63 Impostos reflectidos
91.64 Custos com pessoal reflectidos
91.65 Outros custos e perdas reflectidas
91.66 Amortizações reflectidas
91.67 Provisões reflectidas
91.68 Custos e perdas financeiras reflectidas
91.71 Vendas reflectidas
91.72 Prestação de serviços reflectidas
etc.

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 121
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

8. O sistema duplo misto caracteriza-se pela execução da Contabilidade Analítica em mapas e


registo e não pelo método das partidas dobradas.

9. A normalização contabilística visa o desenvolvimento de um modelo uniforme e geral, a ser


aplicado pelas diferentes empresas por forma a que a informação seja comparável.

Normalizar apresenta vantagens aos seguintes níveis: ao nível da empresa, do profissional da


contabilidade e do aspecto didáctico e pedagógico.

A nível de Contabilidade Analítica é difícil ultrapassar a barreira sectorial.

Exemplos de planos sectoriais:

• Plano de contas das Instituições de Segurança Social (Decreto Lei nº 24/88);

• Plano de contas dos Serviços municipalizados e Federações de municípios (Decreto Lei nº


226/93);

• Plano para os Serviços de Saúde (Decreto Lei nº 410/89).

10. A escolha entre os diversos sistemas deve ter em conta a natureza da exploração, numa
perspectiva técnica, e as características da empresa.

11. Para se proceder à escolha dos diversos sistemas de Contabilidade Analítica tem de se definir a
organização interna da empresa, precisar a informação necessária, implementar, quando
necessário, o sistema de inventário e decidir o tipo de valorização dos diversos circuitos
internos. Por fim, tem de se analisar os custos de implementação e o respectivo benefício.

12. O plano de contas da Contabilidade Analítica envolve um trabalho de preparação que abarca a
definição das secções, de produtos ou serviços, a escolha do sistema de custeio e a definição
do tipo de informação que se deseja obter.

VII
122 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Vamos completar o estudo realizado no capítulo IV sobre a contabilização dos custos e sua
integração na Contabilidade geral, bem como analisar o processo prático de implementação e
organização de uma Contabilidade analítica.

No final desta unidade temática o formando deve estar apto a:

• Distinguir e utilizar os diferentes sistemas de contas da Contabilidade Analítica com a


Contabilidade Geral;

• Identificar os tipos de sistemas existentes, o monista e o dualista;

• Justificar a necessidade da normalização contabilística;

• Definir “plano sectorial” exemplificando os já existentes;

• Explicar a implementação e organização de uma Contabilidade Analítica.

Duração estimada: 14 horas

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 123
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

1. Com base nas seguintes informações, efectue os lançamentos, seguindo o método do sistema
único diviso, efectuando todos os cálculos intercalares necessários.

A empresa X fabrica o produto A na secção de Produção e valoriza os seus produtos pelo FIFO
(First In First Out). Durante o mês de maio de 200Z foram efectuados os seguintes movimentos:
• Compra de matérias-primas de 400 ton. a 20 u.m. a ton.;
• As existências iniciais de matérias-primas ascendem a 20 ton. ao preço de 17 u.m.;
• As existências iniciais de produto A ascendem a 25 ton. ao preço de 50 u.m. por tonelada;
• O consumo de matérias-primas foi de 390 ton.;
• A produção foi de 520 ton.;
• As vendas efectuadas foram de 490 ton. ao preço de 30 u.m. por ton.;
• Os custos financeiros do mês ascenderam a 200 u.m.

Os encargos do mês foram os seguintes:

Custos de Custos de Custos Total


transformação distribuição administrativos
Fornecimentos e 500 605 175 1 280
serviços externos
Impostos 10 5 15 30
Despesas com
pessoal:
• Ordenados 400 750 120 1 270
• Encargos soci- 140 250 40 430
ais
Amortizações 400 300 5 705
Total 1 450 1 910 355 3 715

VII
124 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

Resolução

Custo de transformação:

Rubricas Montante Uni.


Fornecimentos e serviços externos 500 u.m.
Impostos 10 “
Despesas com pessoal:
Ordenados 400 “
Encargos sociais 140 “
Amortizações 400 “
Total 1.450 “

Custo da produção acabada:

Rubricas Montante Uni.


1 - Matérias primas
20 ton x 17 u.m. + 370 ton x 20 7.740 u.m.
2 - Custos de transformação 1.450 u.m.
3 - Custo global (1+2) 9.190 u.m
4 - Quantidade produzida 520 ton
5 - Custo unitário dos produtos 17.67 u.m.
acabados
3/4)
Custo das vendas:

critério : FIFO

Quantidade Preço Preço


unitário total
25 50 1.250
465 17.67 8.217
490 9.467

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 125
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

Lançamentos a efectuar no Diário:

1 - Contabilidade geral

(1) Diversos
a Diversos
Custos do mês
31 Compras 8.000
62 Fornecimentos e 1.280
serviços externos
63 Impostos 30
64 Custos com pessoal 1.700
66 Amortizações do 705
exercício
68 Custos e perdas 200
financeiras
11.915
a 12 Depósitos à ordem
a 22 Fornecedores 11.915
------------//------------
(2) 21 Clientes
a 71 Vendas
Vendas do mês 14.700

VII
126 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

2 - Os lançamentos a fazer para reflectir esta realidade na contabilidade analítica seriam:

(3) Diversos
A Diversos
Custos do mês
92.1 Custo das compras 8.000
92.2 Encargos sociais 430
94.2 Centro de custo de 1.310
transformação
99.4 Custos de 1.660
distribuição
99.5 Custos 455
administrativos
99.6.1 Custos financeiros 200
11.915
a 31.9 Compras 8.000
a 62.9 Fornecimentos e 1.280
serviços externos
a 63.9 Impostos 30
a 64.9 Custos com pessoal 1.700
a 66.9 Amortizações do 705
exercício
a 68.9 Custos e perdas 200 11.915
financeiras
-----------------//---------
(4) 71.9 Vendas
a 99.1 Vendas liquidas 14.700
Transferência

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 127
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

3 - Em terceiro lugar temos que lançar os movimentos internos da empresa nomeadamente


existências, encargos a repartir e custos das vendas.

(5) Diversos
a 92.2 Encargos a repartir
Pela imputação dos
60% de encargos
sociais
94.2 Centro custo de 140
transformação
99.4 Custos de 250
distribuição
99.5 Custos 40 430
administrativos
-------------//-----------

(6) 94.1 Fabricação


a Diversos
Pelos custo de
produção do mês
a 93.2 Centro de custo 1.450
industrial
a 95.6 Matérias primas 7.740 9.190
----------------//----------

(7) 958.6 Matérias primas


a 92.1 Custo das compras
Transferência do 8.000
custo das compras
-----------------//---------

(8) 95.3 Produtos acabados e


semi-acabados
a 94.1 Fabricação
Custo da produção 9.191
acabada do mês
---------------//-----------

(9) 99.2.1 Custo das vendas


a 95.3 Produtos acabados e
semi-acabados
Custo das vendas 9.467

VII
128 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

4. TRANSPARÊNCIAS

Definição das Principais Contas da Contabilidade Analítica

Neste ponto da matéria, iremos tratar das principais contas da Contabilidade Analítica e a sua
respectiva movimentação contabilística.

Conta 91 – Contas Reflectidas:

Esta conta serve de contrapartida para os movimentos da Contabilidade Analítica, no caso de


existir uma separação entre a Contabilidade Analítica e a Contabilidade Geral. Assim sendo, utiliza-
se apenas no Sistema Duplo Contabilístico ou Dualista.

Conta 92 – Reclassificação dos Custos:

Esta conta serve para transferir os Custos Industriais da Contabilidade Geral para a Contabilidade
Analítica.

São subcontas típicas:

• 92.1 – Custo das Compras;


• 92.2 – Mão-de-Obra Directa;
• 92.3 – Gastos Gerais de Fabrico;
• 92.4 – Custos de Transformação.

Conta 93 – Centros de Custos:

Esta conta é utilizada quando a empresa encontra-se decomposta em centros de custos, os quais
correspondem a centros de responsabilidade (matéria desenvolvida no capítulo 7).

Pertencem a este grupo de contas:

• 93.1 – Centro de Custos de Aprovisionamento;


• 93.2 – Centro de Custos de Produção;
• 93.3 – Centro de Custos de Distribuição;
• 93.4 – Centro de Custos Administrativos.

Conta 94 – Fabricação:

Esta conta serve para apurar o Custo de Produção dos bens e serviços fabricados. Decompõe-se
esta conta em função do número de produtos que a empresa produza.

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 129
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

• 94.1 – Fabricação Produto A


• 94.2 – Fabricação Produto B

Conta 95 –
Existências:

Esta conta é utilizada como armazém das existências iniciais e finais, quer de mercadorias, como
de produtos acabados e intermédios, de subprodutos e resíduos, e ainda de produtos em vias de
fabrico e matérias-primas e subsidiárias.

• 95.2 – Armazém de Mercadorias;


• 95.3 – Armazém de Produtos Acabados;
• 95.4 – Armazém de Subprodutos e Resíduos
• 95.5 – Armazém de Produtos em Vias de Fabrico;
• 95.6 – Armazém de Matérias-Primas e Subsidiárias.

Conta 97 – Desvios sobre Custos Pré-Estabelecidos:

Esta conta é apenas movimentada no custeio básico, e registam-se os desvios contabilísticos


encontrados no final de cada mês.

Conta 98 – Diferenças de Incorporação:

Conta 99 – Resultados Analíticos:

Esta conta apresenta os resultados do período contabilístico adoptado e as subcontas evidenciadas


assemelham-se às rubricas que compõem a Demonstração de Resultados por Funções.

• 99.1 – Vendas Líquidas;


• 99.2 – Custos das Vendas;
• 99.3 – Custos de Distribuição;
• 99.4 – Custos Administrativos;
• 99.5 – Outros Custos e Proveitos Operacionais;
99.5.1 – Outros Custos;
99.5.2 – Outros Proveitos;
• 99.6 – Resultados Financeiros;
99.6.1 – Custos e Perdas Financeiros;
99.6.2 – Proveitos e Ganhos Financeiros;

VII
130 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

• 99.7 – Resultados Extraordinários;


99.7.1 – Custos e Perdas Extraordinários;
99.7.2 – Proveitos e Ganhos Extraordinários.

Sistemas de Contas ou de Contabilização

De acordo com a relação existente entre a Contabilidade Analítica e a Contabilidade Geral, existem
dois sistemas de contas ou de contabilização:

• Sistema Duplo Contabilístico ou Dualista;

• Sistema Monista Radical ou Único Indiviso.

Definição e Representação Esquemática do Sistema Duplo Contabilístico ou Dualista:

Neste sistema, as contabilidades encontram-se separadas:

• por um lado existe a Contabilidade Geral que está a funcionar e a apurar os seus valores;
• e, em paralelo, existe a Contabilidade Analítica que também esta a funcionar e a apurar os seus
valores.

Isto significa que não há transferência de dados entre as contabilidades.

Em presença deste sistema, somos obrigados a utilizar as chamadas Contas Reflectidas (Conta
91), que servem para registar as transacções / movimentos de Custos e Proveitos contabilizados na
Contabilidade Geral.

Definição e Representação Esquemática do Sistema Monista Radical ou Único Indiviso:

Trata-se de um sistema integrador, pois integra a Contabilidade Analítica e a Contabilidade Geral.


Não existe um divórcio entre as contabilidades. Isto significa então que um valor, ou está na
Contabilidade Analítica, ou está na Contabilidade Geral. O que nunca acontece neste sistema é um
determinado valor estar tanto na Contabilidade Geral como na Contabilidade Analítica.

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 131
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

Neste sistema, um determinado valor é, em primeiro lugar, classificado como Custo ou Proveito da
Contabilidade Geral, e depois transferido para as contas da Contabilidade Analítica, por forma que
as contas de Custos e Proveitos da Contabilidade Geral estejam sempre saldadas.Movimentação
Contabilística

Conta 91 – Contas Reflectidas:

Esta conta é debitada por contrapartida das contas usadas para registar os proveitos na classe 7.
Exemplificando, as vendas de uma empresa, é debitada a conta 91.71 por contrapartida da conta
99.1.

Esta conta é creditada por contrapartida das contas usadas para registar os custos na classe 6.
Exemplificando, a electricidade consumida por uma empresa, é debitada a conta 92.3 por
contrapartida da conta 91.62xxx.

Nunca esquecer que esta conta só existe quando se está a trabalhar no sistema duplo
contabilístico:

Conta 92 – Reclassificação dos Custos:

Permite reclassificar os custos da Contabilidade Geral segundo as opções de gestão da empresa.

• Conta 92.1- Custo das Compras

Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 3 ou 91.3x (em caso de se tratar do
sistema duplo contabilístico).

NOTA: Depois de efectuada a compra, é necessário transferir o seu valor para Armazém, pelo que
debita-se a conta 95.6- Armazém de Matéria-Primas e Subsidiária por contrapartida da conta 92.1.

• Conta 92.2- Mão-de-Obra Directa

Esta conta é debitada por contrapartida da conta 64 ou 91.64 (em caso de se tratar do sistema
duplo contabilístico).

Esta conta é creditada por contrapartida da conta 94.

• Conta 92.3- Gastos Gerais Fabrico

Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 (contas 62,63,64 (MOI),65,66) ou
91.6x (em caso de se tratar do sistema duplo contabilístico), e da conta 95.6- Armazém de Matéria
Subsidiária.

Esta conta é creditada por contrapartida da conta 94.

• Conta 92.4 – Custos de Transformação

VII
132 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

Esta conta tem um movimento igual ao das contas 92.2 e 92.3, dado que se adopta como
alternativa a elas.

Conta 93 – Centros de Custos:

Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( contas 61,62,63,64
(MOD+MOI),65,66) e da conta 95.6- Armazém de Matéria Subsidiária.

Esta conta é creditada por contrapartida das contas 99.4 e 99.5.

Conta 94 – Fabricação:

Esta conta é debitada por contrapartida das contas 95.6- Armazém de Matérias-Primas, 92.2 e 92.3
(ou , no caso de se estar a tratar de tudo de uma forma global, utiliza-se a conta 92.4 em vez das
contas 92.2 e 92.3) e 95.5- Armazém de Produtos em Vias de Fabrico (Inicial).

Esta conta é creditada por contrapartida das contas 95.3 e 95.5- Armazém de Produtos em Vias de
Fabrico (Final).

Conta 95 – Existências:

• Conta 95.2- Armazém de Mercadorias

Esta conta é debitada por contrapartida da conta 92.1.

Esta conta é creditada por contrapartida da conta 99.2- Custo das Vendas.

• Conta 95.3- Armazém de Produtos Acabados

Esta conta é debitada por contrapartida da conta 94.

Esta conta é creditada por contrapartida da conta 99.2- Custo das Vendas.

• Conta 95.4- Armazém de Subprodutos e Resíduos

Esta conta tem um movimento semelhante ao que foi descrito para a conta 95.3.

• Conta 95.5- Armazém de Produtos em Vias de Fabrico

Esta conta é debitada em contrapartida da conta 94.1.

Esta conta é creditada em contrapartida da conta 94.1.

• Conta 95.6- Armazém de Matérias-Primas e Subsidiárias

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 133
IEFP VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL

Esta conta é debitada por contrapartida da conta 92.1.

Esta conta é creditada por contrapartida da conta 92.3 ( Matéria Subsidiária) ou 92.4, e da conta
94.1 ( Matéria(s)-Prima(s)).

Conta 97 – Desvios sobre Custos Pré-Estabelecidos:

Esta conta é debitada em contrapartida das contas das classe 6.

Esta conta é creditada em contrapartida das contas dos grupos 92 e 93.

Conta 99 – Resultados Analíticos:

O saldo final desta conta tem de ser igual ao Resultado Líquido do Exercício apurado na
Contabilidade Geral.

• Conta 99.1 – Vendas Líquidas

Esta conta credita-se por contrapartida das contas 71.1 ou 91.71 (em caso de se tratar do sistema
duplo contabilístico).

• Conta 99.2 – Custos das Vendas

Esta conta debita-se por contrapartida da conta 95.2 ( Mercadorias) e/ou 95.3 ( Produtos
Acabados).

• Conta 99.3 – Custos de Distribuição

Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( contas 62,63,64,65,66) ou 91.6x
(em caso de se tratar do sistema duplo contabilístico) e da conta 95.6 ( Matéria Subsidiária).

• Conta 99.4 – Custos Administrativos

Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( contas 62,63,64,65,66) ou 91.6x
(em caso de se tratar do sistema duplo contabilístico) e da conta 95.6 ( Matéria Subsidiária).

• Conta 99.5 – Outros Custos e Proveitos Operacionais

Conta 99.5.1 – Outros Custos


Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( contas 62,63,64,65,66 e 67) ou
91.6x (em caso de se tratar do sistema duplo contabilístico).

Conta 99.5.2 – Outros Proveitos


Esta conta é creditada por contrapartida das contas da classe 7 ( contas 72,73,75) ou 91.7x (em
caso de se tratar do sistema duplo contabilístico).

VII
134 Guia do Formador Contabilidade Analítica
VII. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS E A SUA INTEGRAÇÃO NA CONTABILIDADE GERAL IEFP

• Conta 99.6 – Resultados Financeiros

Conta 99.6.1 – Custos e Perdas Financeiros


Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( conta 68) ou 91.68 (em caso
de se tratar do sistema duplo contabilístico).

Conta 99.6.2 – Proveitos e Ganhos Financeiros


Esta conta é creditada por contrapartida das contas da classe 7 ( conta 78) ou 91.78 (em caso
de se tratar do sistema duplo contabilístico).

• Conta 99.7 – Resultados Extraordinários

Conta 99.7.1 – Custos e Perdas Extraordinários


Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 6 ( contas 69) ou 91.69 (em caso
de se tratar do sistema duplo contabilístico).

Conta 99.7.2 – Proveitos e Ganhos Extraordinários


Esta conta é debitada por contrapartida das contas da classe 7 ( contas 79) ou 91.79 (em caso
de se tratar do sistema duplo contabilístico).

A finalizar este capítulo, importa ainda referir que, caso estejamos a trabalhar no sistema monista
radical, torna-se necessário verificar em que mês nos encontramos. Esta situação assume
particularmente importância se estivermos no mês de Janeiro ou Dezembro, pois temos que fazer a
transferência do valor das existências inicias da Contabilidade Geral para a Contabilidade Analítica
(Janeiro) ou então, transferir o valor das existências finais da Contabilidade Analítica para a
Contabilidade Geral (Dezembro).

Em Janeiro, debitam-se as contas 95.2, 95.3, 95.4, 95.5 e 95.6 em contrapartida das contas 32
(Mercadorias), 33 (Produtos Acabados), 34 ( Subprodutos e Resíduos), 35 (Produtos em Vias de
Fabrico) e 36 (Matérias-Primas e Subsidiárias), respectivamente.

Em Dezembro, debitam-se as contas 32 (Mercadorias), 33 (Produtos Acabados), 34 (Subprodutos e


Resíduos), 35 (Produtos em Vias de Fabrico) e 36 (Matérias-Primas e Subsidiárias) em
contrapartida das contas 95.2, 95.3, 95.4, 95.5 e 95.6, respectivamente.

VII
Contabilidade Analítica Guia do Formador 135
FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

CONTABILIDADE
ANALÍTICA
FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Fichas nº1

1. Como se interliga a Contabilidade Geral com a Contabilidade Analítica

2. O que se entende por CUSTO?

3. Explicar o que entende por custo complexivo.

4. Indique as diferenças entre um Sistema de Custeio Total e um Sistema de Custeio Variável.

5. Quais as contrapartidas da conta 95 - Fabricação

6. Que regimes de fabrico ou produção conhece?

7. Explique sucintamente o Método das Secções Homogéneas.

8. Dê exemplos de bases de repartição de gastos não industriais.

9. Qual o interesse da análise de desvios em Contabilidade analítica?

10. Distinga o sistema monista do sistema dualista.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 139


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha nº2

1. Quais as insuficiências da Contabilidade Geral para aqueles que tomam decisões numa
empresa.

2. Distinguir Proveito, Receita e Recebimento.

3. Explicar o conceito de Lucro bruto.

4. O que se entende por Sistema de Imputação racional.

5. Explicar as movimentações na conta 98 - Resultados Analíticos

6. Que métodos conhece para apurar o custo de produção em função dos tipos de fabricação que
conhece?

7. Explique sucintamente o Método das Secções Homogéneas.

8. Como se repartem os gastos não industriais (no método das Secções)

9. Como se justifica um desvio de produção?

10. Defina Plano sectorial exemplificando com um já existente.

140 Guia do Formador Contabilidade Analítica


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Ficha nº3

1. A Contabilidade Geral permite analisar custos e proveitos por unidade de resultado?

2. Distinguir Custo, Despesa e Pagamento.

3. O que se entende por custos do Período e custos dos produtos.

4. O que se entende por sistemas de custos básicos.

5. Qual a movimentação habitual da conta 94 - Centros de Custos

6. O que entende por coeficiente de imputação?

7. Explique sucintamente o Método das Secções Homogéneas.

8. Distinga Unidade de Imputação de Unidade de Custeio

9. Explique como se analisa um desvio de Mão de Obra.

10. Como se deve implementar uma Contabilidade Analítica?

Contabilidade Analítica Guia do Formador 141


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Resolução:

Ficha Nº1

1-) Um dos Objectivos da Contabilidade Analítica é Reclassificar os custos (evidenciados na


classe 6 (contas 61, 62, ...69) da Contabilidade Geral) e proveitos (evidenciados na classe 7
(contas 71, 72, ... 79) da Contabilidade Geral) para seis Áreas Funcionais.

2-) Custo é um recurso sacrificado ou não, utilizado para atingir um objectivo específico.

3-) Custo Complexivo é igual ao Custo Económico-Técnico a subtrair aos Custos Figurativos.

4-) O sistema de custeio Total considera na totalidade todos os custos fixos industriais e variáveis
industriais para o cálculo do custo industrial da produção. O sistema de custeio Variável considera
apenas os custos variáveis industriais para o cálculo do custo industrial da produção, funcionando
os custos fixos industriais como custos do período.

5-) As contrapartidas da conta 94 – Fabricação, são as contas 95.6 – Armazém de Matéria-Prima


Consumida, 92.2 – Reclassificação da Mão-De-Obra Directa, 92.3 – Reclassificação dos Gastos
Gerais de Fabrico, 92.4 – Reclassificação de Custos de Transformação e 95.5 – Armazém de
Produtos em Vias de Fabrico.

6-) Uniforme: a organização dedica-se ao fabrico ou à produção de um único produto.

Múltipla: a organização dedica-se ao fabrico ou à produção de vários produtos.Conjunta: obtêm-


se, em simultâneo, diversos produtos, a partir da utilização de uma mesma ou de um conjunto de
matérias-primas.

Disjunta: cada produto utiliza uma matéria-prima respectiva, bem como operações de
transformação diferentes.

Contínua: As operações de transformação acontecem rapidamente.

Descontínua: As operações de transformação desenvolvem-se separadas por espaços temporais.

Simples: o processo de fabrico da empresa é constituído por uma só operação de transformação.

Complex: o processo de fabrico da empresa é constituído por várias operações de transformação.

142 Guia do Formador Contabilidade Analítica


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

7-) Nos Centros de Custos, utilizamos o chamado Método das Secções para cálculo do Custo
Industrial da Produção Acabada. O sistema de custeio baseado nas secções homogéneas
determina o custo das funções individuais e imputa os custos aos objectos de custo secundários,
tais como os produtos e serviços, de acordo com as actividades desenvolvidas nas funções para
produzir cada produto ou serviço.

8-) Unidades Vendidas, Horas de Trabalho, entre outras.

9-) Um interesse dos desvios em Contabilidade Analítica é o de confrontar o que estava previsto
com a realidade, por forma a poder avaliar a performance e apurar eventuais responsabilidades.

10-) O sistema Monista Radical permite a transferência de dados entre a Contabilidade Geral e a
Contabilidade Analítica, ao passo que o sistema dualista não permite esta transferência,
funcionando assim as duas contabilidades em paralelo.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 143


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº2

1-)A Contabilidade Geral não consegue efectuar o Cálculo do custo industrial dos produtos
produzidos e vendidos, fornece informação em períodos de tempo muito distantes (normalmente
anual) e não fornece de elementos para o planeamento e controlo de gestão, nomeadamente para
a avaliação do desempenho em termos industriais, de sector e globais, assim como para a
tomada de decisão

2-) Receitas: São direitos, em geral constituídos perante clientes, e provêm de :

- Facturação de bens ou serviços prestados;

Alienação de património.

Recebimentos: Representam a regularização monetária das receitas geradas (são entradas em


dinheiro ou por cheques recebidos).

Proveitos: São gerados pela entrega de bens ou pela prestação de serviços a terceiros (aqueles
com quem temos transacções). 3-) Lucro Bruto é o valor obtido pela diferença entre as Vendas
Líquidas e o Custo Industrial.

4-) O Sistema de Imputação Racional considera no cálculo do valor da produção a totalidade dos
custos variáveis industriais e apenas parte dos custos fixos industriais, sendo a parte não considera
levada para a demonstração de resultados e funcionando como custos do período.

5-) Contas a debitar:

99.2 Custo das vendas por contrapartida das contas de existências (93.1) pelo valor do custo
industrial dos produtos vendidos;

99.4 Custos de distribuição ou por contrapartida da classe 62 - Fornecimentos e serviços


externos ou por contrapartida do centro de custo de distribuição (94.3);

99.5 Custos administrativos ou por contrapartida da classe 62 - Fornecimentos e serviços


externos ou por contrapartida do centro de custo administrativos (94.4);

99.6.1 Custos financeiros por contrapartida da classe 68 - Custos financeiros;

99.7. Outros custos e 98.8.1 - Resultados extraordinários ou 98.8.2 de exercícios anteriores,


por contrapartida das contas de Custos e perdas extraordinárias - 69;

144 Guia do Formador Contabilidade Analítica


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Contas a creditar:

99.1 Vendas por contrapartida da 71 - Vendas de mercadorias e produtos;

99.6.2 Proveitos financeiros por contrapartida da conta 78 - Proveitos financeiros;

99.7.2 Outros proveitos e 98.8.1 - Resultados extraordinários ou 98.8.2 de exercícios


anteriores, por contrapartida da conta 69.

6-) O Método Directo utiliza-se em presença de empresas cujo processo de fabrico seja realizado
por encomendas, onde a produção é descontínua e múltipla e, permite distinguir e identificar
claramente os produtos. O Método Indirecto utiliza-se geralmente em empresas que têm por
objectivo produzir um único produto ou séries de produtos homogéneos e que se desenvolva de
uma forma contínua e ininterrupta.7-) Nos Centros de Custos, utilizamos o chamado Método das
Secções para cálculo do Custo Industrial da Produção Acabada. O sistema de custeio baseado nas
secções homogéneas determina o custo das funções individuais e imputa os custos aos objectos
de custo secundários, tais como os produtos e serviços, de acordo com as actividades
desenvolvidas nas funções para produzir cada produto ou serviço.

8-) Valor das Vendas, Quantidade Vendida, Número de Encomendas, Quantidades entradas em
armazém, Quantidades saídas de armazém, entre outros.

9-) Um desvio de produção é justificado por alterações verificadas na matéria-prima consumida ou


na actividade e correspondentes custos das secções, isto é, desvios de mão de obra e gastos
gerais de fabrico.

10-) Um Plano Sectorial trata-se de um conjunto de acções a desenvolver por empresas que
pertencem ao mesmo sector de actividade.Trata-se de linhas de accção. Exemplos: Plano de
Contas das Institutições de Segurança Social

Contabilidade Analítica Guia do Formador 145


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº3

1-) Permite, sendo uma das técnicas utilizadas para tal o método das secções homogéneas.

Despesas são compromissos, em geral assumidos para com fornecedores, e destinam-se a:

Adquirir equipamentos (imobilizado);

Adquirir bens para aprovisionar (existências);- Pagar serviços;

Adquirir bens para consumo imediato ou quase imediato.

Pagamentos: Representam a regularização monetária das despesas efectuadas (são saídas em


dinheiro ou por cheques emitidos);Custo é um recurso sacrificado ou não, utilizado para atingir um
objectivo específico.3-) Custos do Período não estão relacionados com um só produto, mas copm
toda a actividade que é exercida durante um determinado espaço de tempo.

Custos do Produto estão relacionados com esse produto em concreto.

4-)Trata-se de uma metodologia que considera custos a priori, isto é, são custos teóricos definidos
para valorização interna dos produtos e serviços.

Centros de Custos - estas contas utilizam-se para apuramento de custos, em alternativa às de


reclassificação de custos de mão-de-obra (91.2) e de gastos gerais de fabrico (91.3) ou de custos
de transformação (91.4), movimentando-se da mesma forma.

Os centros de custos de distribuição (94.3) e administrativos (94.4) são saldados mensalmente por
débito das contas de resultados analíticos, 98.4 - Custos de distribuição e 98.5 - Custos
administrativos;

6-) Coeficiente de Imputação trata-se de uma técnica para repartir custos pelos produtos.

Nos Centros de Custos, utilizamos o chamado Método das Secções para cálculo do Custo
Industrial da Produção Acabada. O sistema de custeio baseado nas secções homogéneas
determina o custo das funções individuais e imputa os custos aos objectos de custo secundários,
tais como os produtos e serviços, de acordo com as actividades desenvolvidas nas funções para
produzir cada produto ou serviço.

8-) Unidade de Imputação é a unidade de medida que vai ser incorporada nos produtos finais ou
noutras secções.

Unidade de Custo expressa a actividade de cada secção e é simultaneamente unidade de custeio e


unidade de imputação.

146 Guia do Formador Contabilidade Analítica


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

9-) O desvio de mão de obra analisasse confontando o número real de horas de trabalho do
pessoal com o núemro previsto, bem como o custo unitário real por hora com o valor previsto.

10-) Deve-se definir a organização interna da empresa, precisar a informação necessária,


implementar, quando necessário, o sistema de inventário e decidir o tipo de valorização dos
diversos circuitos internos. Por fim tem de se analisar os custos de implementação e o respectivo
benefício.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 147


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA IEFP

Bibliografia Consultada

AZEVEDO, Domingos, Curso Regular de Contabilidade Analítica, Editora Rei dos Livros 1996.

CAIADO, António Campos Pires, Contabilidade de Gestão, Vislis 1997.

MARGERIN, Jacques e Ausset, Gerard, Contabilidade Analítica - Utensílio de Decisão em


Schémacolor, Ediprisma Lda 1990.

MENDES, Professor Doutor Júlio, Contabilidade Analítica e de Gestão, Gestão Orçamental, Plano
de Contas, Plátano Editora 1ª Edição 1996.

PEREIRA, Carlos Caiano e FRANCO, Victor Seabra, Contabilidade Analítica, 1992 5ª edição.

Contabilidade Analítica Guia do Formador 149


GLOSSÁRIO IEFP

Glossário

C
Desvio de preços
Contabilidade Analítica Desvio verificado pela variação dos preços
Contabilidade que permite a análise de praticados, no pressuposto de que as
custos e proveitos e, consequentemente, do quantidades se mantêm constantes.
resultado gerado, explicando os seus
Desvio de produção
valores de uma forma individual e
Desvio formado pelos desvios de matérias-
desagregada.
primas, de mão-de-obra directa e de gastos
Contabilidade Geral gerais de fabrico.
Contabilidade global da empresa, visa obter
Desvio de quantidades
o seu resultado global comparando o total
Desvio verificado pela variação das
de proveitos com o total de custos
quantidades consumidas ou produzidas, no
registados num determinado período
pressuposto de que os preços se mantêm
económico.
constantes.
Custo complexivo
Custo formado pelos custos industriais e G
não industriais, excluindo qualquer Gastos gerais de fabrico
componente de recuperação de capitais São todas as matérias subsidiárias e custos
investidos; limiar mínimo do preço de venda, indirectos de produção que não possam ser
corresponde ao lucro nulo. classificados como Mão-de-obra directa ou
Custo de transformação como matérias-primas.
Representa a incorporação efectuada no
produto de mão-de-obra directa e de gastos L
gerais de fabrico. Lucro bruto
Custo económico técnico Representa o lucro, se apenas for
Representa o preço de venda normal que considerado como custo o custo industrial
deve ser praticado, engloba o custo dos produtos vendidos.
complexivo e os custos figurativos. Lucro líquido
É o lucro verificado entre o preço de venda e
Custo industrial
o custo complexivo.
Corresponde ao custo de produção dos
produtos e engloba o custo da mão-de-obra Lucro puro
directa dos gastos gerais de fabrico e das É o lucro total verificado entre o preço de
matérias-primas consumidas. venda e o custo económico-técnico.
Custo primo ou directo
M
É definido pela parcela das matérias-primas
e da mão-de-obra directa. Mão-de-obra directa
É constituída pelas remunerações e
Custos dos períodos encargos do pessoal que trabalha
Custos que existem independentemente dos directamente na produção.
produtos serem ou não produzidos.
Matérias-primas
Custos dos produtos Engloba o custo de aquisição e todos os
São os custos relacionados com os custos suportados com a sua aquisição, tais
produtos, assim, se não se produzir esses como seguros e transportes.
custos não existem.
D

Contabilidade Analítica Guia do Formando 151


IEFP GLOSSÁRIO

Sistema de custeio total básico


Método das secções homogéneas Neste sistema, consideram-se todo o tipo de
Método que efectua o cálculo do custo custos, fixos ou variáveis, no apuramento do
industrial e dos custos não industriais custo industrial dos produtos, a preços
através da determinação do custo das básicos.
secções homogéneas.
Sistema de custeio total real
Método directo Neste sistema, consideram-se todo o tipo de
Método de determinação dos custos de custos, fixos ou variáveis, no apuramento do
produção utilizado na fabricação por ordens custo industrial dos produtos, a preços reais.
de produção ou de encomenda.
Sistema de custeio variável básico
Método indirecto Neste sistema, consideram-se apenas os
Método de determinação dos custos de custos variáveis no apuramento do custo
produção utilizado na fabricação contínua de industrial dos produtos, a preços básicos.
único produto.
Sistema de custeio variável real
P Neste sistema, consideram-se apenas os
custos variáveis no apuramento do custo
Produção conjunta industrial dos produtos, a preços reais.
Neste tipo de produção são obtidos vários
produtos a partir de um mesmo ciclo Sistema dualista
produtivo. Sistema de registo de movimentos
contabilístico em que não se verifica
S contrapartidas entre as contas da
Contabilidade Geral e da Contabilidade
Secção homogénea Analítica.
Unidade organizacional que tem um só
responsável, as funções desempenhadas Sistema monista
são semelhantes e é passível de ser medida Sistema de registo de movimentos
a sua actividade. contabilístico em que se verifica
contrapartidas entre as contas da
Sistema de custeio com imputação Contabilidade Geral e da Contabilidade
racional de custos fixos básicos Analítica.
Neste sistema, e para a determinação do
custo industrial dos produtos, apenas se U
consideram os custos variáveis e os custos
fixos básicos, na proporção da produção Unidade de custeio
esperada para o período em análise. Unidade de medida de cada centro de custo.

Sistema de custeio com imputação Unidade de imputação


racional de custos fixos reais Unidade de medida do centro de custo a
Neste sistema, e para a determinação do incorporar nos produtos finais ou noutros
custo industrial dos produtos, apenas se centros de custos.
consideram os custos variáveis e os custos
fixos reais, na proporção da produção
esperada para o período em análise.

152 Guia do Formador Contabilidade Analítica

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