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Matemática I

Cálculo Diferencial em R

Anabela Pereira

Depart. de Matemática

Ano letivo 2021/22

Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Cálculo Diferencial Matemática I 1 / 36


De…nição de Derivada

Designa-se:
∆x = x c ! por incremento de x
∆f = ∆y = f (x ) f (c ) ! por incremento de f (ou y )
∆f f (x ) f (c )
∆x = x c ! por razão incremental

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De…nição de Derivada
De…nição
Seja f uma f. r. v. r. de…nida num intervalo aberto que contém c.
Chama-se derivada de f em c a
f (x ) f (c )
f 0 (c ) = lim x c ,
x !c

caso este limite exista (…nito, +∞ ou ∞).

Observações:
Fazendo h = x c , x = c + h (ou ∆x = x c , x = c + ∆x),
esta de…nição é também apresentada nas formas
f (c + h ) f (c ) f (c + ∆x ) f (c )
f 0 (c ) = lim ou f 0 (c ) = lim .
h !0 h ∆x !0 ∆x

f é diferenciável em c se f tem derivada …nita em c;


f é diferenciável em ]a, b [ se f for diferenciável em todos os pontos
de ]a, b [.
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Recta Tangente e Recta Normal

Se f é diferenciável em c:
a recta que passa por (c, f (c )) e tem declive m = f 0 (c ) é a recta
tangente ao grá…co de f no ponto (c, f (c )). É dada por

y = f (c ) + f 0 (c )(x c );

a recta normal ao grá…co de f no ponto (c, f (c )) é a recta


perpendicular à recta tangente nesse ponto. É dada por
1
y = f (c ) f 0 (c )
(x c) , se f 0 (c ) 6= 0;
x =c , se f 0 (c ) = 0.

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Recta Tangente e Recta Normal

Observações:
Se f 0 (c ) = 0, a recta tangente ao grá…co de f nesse ponto é
horizontal, sendo dada por y = f (c ) (e a recta normal é vertical,
sendo dada por x = c );

y 100

50

-4 -2 2 4
-50
x

-100

f (x ) = x 3

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Recta Tangente e Recta Normal

Observações:
Se f 0 (c ) = +∞ ou f 0 (c ) = ∞, a recta tangente ao grá…co de f
nesse ponto é vertical, sendo dada por x = c (e a recta normal é
horizontal, sendo dada por y = f (c ));

y 1.5
1.0
0.5

-4 -2 2 4
-0.5 x
-1.0
-1.5
p
3
f (x ) = x

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Recta Tangente e Recta Normal

Observações:
Se f 0 (c ) é in…nito sem sinal determinado, não existe recta tangente
(nem recta normal) ao grá…co nesse ponto.
3
y
2

-4 -2 0 2 4
x
p
3
f (x ) = x2

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Aplicações à Física
Considere-se que deslocamos um objecto (ou ponto) ao longo de uma recta
ou eixo com uma origem; se o objecto se deslocar para a direita (esquerda)
ou para cima (baixo), considera-se o sentido positivo (negativo). A
posição do objecto, na recta, em cada instante t é dada por s (t ).
Sendo t0 e t dois instantes (com t0 < t):

Velocidade Média
A velocidade média de um objecto no intervalo de tempo [t0 , t ] é dada por:
espaço percorrido ∆s s (t ) s (t0 )
= = .
tempo gasto ∆t t t0

Velocidade Instantânea
A velocidade instantânea de um objecto no instante t0 é dada por:
s (t ) s (t0 )
v (t0 ) = lim = s 0 (t0 ).
t !t 0 t t0
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Aplicações à Física

De forma análoga, considerando t0 e t dois instantes (com t0 < t):

Aceleração Média
A aceleração média de um objecto no intervalo de tempo [t0 , t ] é dada por:

velocidade atingida ∆v v (t ) v ( t0 )
= = .
tempo gasto ∆t t t0

Aceleração Instantânea
A aceleração instantânea de um objecto no instante t0 é dada por:

v (t ) v ( t0 )
a(t0 ) = lim = v 0 (t0 ).
t !t 0 t t0

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Derivadas Laterais

De…nem-se como derivadas laterais da função f em c os seguintes limites


(sempre que existam):

f (x ) f (c ) f (c + h ) f (c )
fe 0 ( c ) = lim = lim
x
x !c c h !0 h
f (x ) f (c ) f (c + h ) f (c )
fd0 (c ) = lim+ = lim+ .
x !c x c h !0 h

Nota: A derivada à esquerda de f em c representa-se também por f 0 (c )


(e terá que estar de…nida num intervalo à esquerda de c) e a derivada à
direita por f 0 (c + ) (e terá que estar de…nida num intervalo à direita de c).

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Derivadas Laterais

Proposição: Se f está de…nida num intervalo aberto que contém c, então


f 0 (c ) existe sse fe0 (c ) e fd0 (c ) existem e são iguais (sendo esse o seu valor).

Diz-se que f é derivável no intervalo [a, b ] se for derivável em todos


os pontos do intervalo ]a, b [ e existirem fd0 (a) e fe0 (b );

Diz-se que f é diferenciável no intervalo [a, b ] se for diferenciável


em todos os pontos do intervalo ]a, b [ e existirem e forem …nitas
fd0 (a) e fe0 (b ).

Observação: Se fe0 (c ) 6= fd0 (c ), então f não é derivável (nem


diferenciável) em c e o grá…co de f não tem recta tangente no ponto
(c, f (c )).

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Propriedades e Regras de Derivação

Proposição: Se f é diferenciável em c, então f é contínua em c.

Observações:
Da proposição anterior conclui-se que: se f não é contínua em c,
então f não é diferenciável em c;

O recíproco da proposição não é verdadeiro, isto é: se f é contínua


em c não implica que f é diferenciável em c.

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Propriedades e Regras de Derivação

Proposição (derivada de uma constante): A derivada de uma função


contante é nula.
Proposição (derivada da potência): Se n é um número racional e
f (x ) = x n , então f é diferenciável e

f 0
(x ) = (x n )0 = nx n 1
.

- Em particular (x )0 = 1.
- Desta proposição resulta também que
p 0 1 0 1
n
x = xn = p
n
(com n 2 N).
n xn 1

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Propriedades e Regras de Derivação

Propriedades das operações: Se f e g são funções diferenciáveis em a e


k 2 R, então
kf , f + g , f g e f g ,
são diferenciáveis em a e:
(kf )0 (a) = kf 0 (a);
(f + g ) 0 (a ) = f 0 (a ) + g 0 (a );
(f g ) 0 (a ) = f 0 (a ) g 0 (a );
(f g ) 0 (a ) = f 0 (a ) g (a ) + f (a ) g 0 (a );
Se g (a) 6= 0, então gf é diferenciável em a e

0 0
f f (a ) g (a ) f (a ) g 0 (a )
(a ) = .
g [g (a)]2

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Propriedades e Regras de Derivação

Proposição (Derivada do Seno e Coseno): Se f (x ) = sen x e


g (x ) = cos x, então f e g são diferenciáveis e

f 0
(x ) = (sen x )0 = cos x e g 0 (x ) = (cos x )0 = sen x.

Da proposição e propriedades anteriores conclui-se que:

(tg x )0 = sec2 x, (cotg x )0 = cosec2 x,


(sec x )0 = sec x tg x, (cosec x )0 = cosec x cotg x
cos x 1 1
(recorde-se que cotg x = sen x , sec x = cos x e cosec x = sen x )

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Propriedades e Regras de Derivação
Proposição (Derivada da Exponencial e do Lgaritmo): Se f (x ) = e x e
g (x ) = ln x, então f e g são diferenciáveis (no seu domínio) e

1
f 0
(x ) = (e x ) 0 = e x e g 0 (x ) = (ln x )0 = .
x

Teorema (Derivada da Função Composta)


Sejam g diferenciável em a e f diferenciável em g (a). Então f g é
diferenciável em a e

(fog )0 (a) = f 0 [g (a)] g 0 (a ) .

As próximas regras de derivação resultam das derivadas já conhecidas e do


Teorema da Derivada da Função Composta.
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Propriedades e Regras de Derivação
Sendo u e v funções diferenciáveis e k e α 2 R,

(ku )0 = ku 0
(u α )0 = αu α 1 u 0
(e u ) 0 = u 0 e u
0
(ln u )0 = uu
(au )0 = u 0 au ln a (a 2 R+ )
u0
(loga u )0 = u log a (a 2 R )
+

(sen u )0 = u 0 cos u
(cos u )0 = u 0 sen u
(tg u )0 = u 0 sec2 u
(cotg u )0 = u 0 cosec2 u
(sec u )0 = u 0 sec u tg u
(cosec u )0 = u 0 cosec u cotg u

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Propriedades e Regras de Derivação
Teorema (Derivada da Função Inversa)
Seja f : I R ! R uma função estritamente monótona e contínua em I .
Se f é diferenciável em a 2 I e f 0 (a) 6= 0, então f 1 é diferenciável em
f (a ) e
1 0 1
f (f (a ))
= 0 (a )
.
f

Deste Teorema resultam as derivadas das funções trigonométricas inversas:


(arcsen x )0 = p11 x 2 ; (arccos x )0 = p 1
1 x2
;
(arctg x )0 = 1 +1x 2 ; (arccotg x )0 = 1
1 +x 2
.

Do Teorema da Derivação da Função Composta resulta que:


0 0
(arcsen u )0 = pu
1 u2
; (arccos u )0 = pu
1 u2
;
0 0
(arctg u )0 = u
1 +u 2
; (arccotg u )0 = u
1 +u 2
.
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Teoremas Fundamentais

Proposição: Sejam f uma função diferenciável em ]a, b [ e c 2]a, b [. Se


f (c ) é extremo relativo de f (ou seja, um máximo ou mínimo relativo),
então
f 0 (c ) = 0.

Observações:
A proposição só se aplica a pontos interiores do intervalo.
O recíproco não é verdadeiro - a derivada de uma função pode ser
nula num ponto e a função não ter um extremo nesse ponto, logo
esta proposição é necessária mas não su…ciente.
A função pode não ser diferenciável num ponto mas ter um extremo
nesse ponto.

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Teoremas Fundamentais

Teorema (de Rolle)


Seja f uma função contínua em [a, b ] e diferenciável em ]a, b [. Se
f (a) = f (b ), então:
9 c 2]a, b [: f 0 (c ) = 0.

Corolário
Entre dois zeros de uma função diferenciável num intervalo há pelo menos
um zero da sua derivada.

Corolário
Entre dois zeros consecutivos da derivada de uma função diferenciável não
pode haver mais do que um zero da função.

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Teoremas Fundamentais
Teorema (de Lagrange)
Se f é uma função contínua em [a, b ] e diferenciável em ]a, b [, então:

f (b ) f (a )
9 c 2]a, b [: f 0 (c ) = .
b a

Corolário
Nas condições do Teorema de Lagrange, se 8x 2]a, b [,
f 0 (x ) = 0, então f é constante em [a, b ];
f 0 (x ) > 0, então f é estritamente crescente em [a, b ];
f 0 (x ) < 0, então f é estritamente decrescente em [a, b ];
f 0 (x ) 0, então f é crescente em [a, b ];
f 0 (x ) 0, então f é decrescente em [a, b ].
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Teoremas Fundamentais

Teorema (de Cauchy)


Se f e g são funções contínuas em [a, b ] e diferenciáveis em ]a, b [, com
0
g 0 (x ) 6= 0, 8x 2]a, b [, então: 9 c 2]a, b [: gf ((bb )) fg ((aa)) = fg 0 ((cc)) .

Corolário (Regra de Cauchy)


Sejam f e g duas funções diferenciáveis em ]a, b [ (com a, b …nitos ou
in…nitos) tais que:
g 0 (x ) 6= 0, 8x 2 ]a, b [ ;
lim f (x ) = lim g (x ) = 0, lim f (x ) = ∞ e limg (x ) = ∞
x !a x !a x !a x !a
0 ∞
(indeterminações do tipo 0 ou ∞ ).
f 0 (x ) f (x )
Então, se existir lim 0 , também existe lim g (x ) e estes dois limites
x !a g (x ) x !a
são iguais (resultado idêntico para o limite em b ou em c 2]a, b [).

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Derivadas de Ordem Superior

Se f : Df R ! R uma função diferenciável em a tal que f 0 também é


diferenciável em a, diz-se que f é duas vezes diferenciável em a.

Designa-se por segunda derivada (ou derivada de ordem 2) de f no


ponto a a
0 f 0 (x ) f 0 (a )
f 00 (a) = f 0 (a) = lim ,
x !a x a
caso este limite exista.
00
Observação: Notação para a segunda derivada de f em a: f (a),
2
f (2 ) (a), ddx f2 (a), D 2 [f (a)] .

Diz-se que f é n vezes diferenciável no ponto a se existir e for …nita a


derivada f (n ) (a) (o que obriga a que a função f e todas as suas derivadas
de ordem menor que n sejam diferenciáveis em a).

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Polinómio e Fórmula de Taylor
Objectivo: Aproximar uma função, em torno de um ponto, por funções
polinomiais.
De…nição
Seja f uma função n vezes diferenciável em a.Chama-se polinómio de
Taylor de ordem n de f em a (ou polinómio de Taylor de ordem n de f
em potências de (x a)), a

f 00 (a) f (n ) ( a )
Pn (x ) = f (a) + f 0 (a)(x a) + (x a )2 + + (x a )n .
2! n!

Chama-se polinómio de Mac-Laurin de ordem n de f ao polinómio de


Taylor de ordem n de f , para a = 0, isto é, a
f 00 (0) 2 f (n ) ( 0 )
Pn (x ) = f (0) + f 0 (0)x + x + + xn.
2! n!
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Polinómio e Fórmula de Taylor

Se considerarmos o polinómio de Taylor de ordem 1 de f em a, temos

P1 (x ) = f (a) + f 0 (a)(x a ).

Este polinómio é uma aproximação linear de f em torno de a

f (x ) P1 (x ) , f (x ) f (a) + f 0 (a)(x a)

e consiste em aproximar o valor de f (x ) pela recta tangente ao grá…co de


f em (a, f (a)).

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Polinómio e Fórmula de Taylor

Generalizando: se quisermos aproximar o valor de f (x + ∆x ) pela recta


tangente ao grá…co de f em (x, f (x )) temos:

f (x + ∆x ) f (x ) + f 0 (x )∆x .

Interpretação geométrica:
y=f(x)
f(x+∆x) α∆x ∆x, é a variação (ou incremento)
∆f f’(x)∆x da variável x
f(x)
∆f = f (x + ∆x ) f (x ), é a variação
0 x x+∆x (ou incremento) da função f ,
∆x correspondente à variação ∆x

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Polinómio e Fórmula de Taylor
Chama-se diferencial de f em x relativamente à variação ∆x, ao
produto f 0 (x )∆x. Escreve-se:
df = f 0 (x )∆x ou dx f (∆x ) = f 0 (x )∆x.

Aplicações:
estimação do valor da função f (o valor exacto é f (x + ∆x )) para
valores perto de x,
f (x + ∆x ) f (x ) + f 0 (x )∆x.

estimação do valor da variação de f ou do erro propagado (o valor


exacto é ∆f = f (x + ∆x ) f (x )), isto é, do erro que se comete
quando usamos uma estimativa para o argumento da função:
∆f f 0 (x )∆x.
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Polinómio e Fórmula de Taylor

Teorema (Fórmula de Taylor de ordem n)


Seja f uma função de…nida num intervalo aberto I , contínua e n vezes
diferenciável no ponto a 2 I . Então, para qualquer x 2 I , temos a
Fórmula de Taylor de ordem n,

f (x ) = Pn (x ) + Rn (x ) =
f 00
(a ) f (n )
(a )
f (a ) +f 0 (a ) (x a) + (x a )2 + . . . + (x a )n +R n (x ) ,
2! n!
onde Rn (x ) veri…ca a condição

Rn (x )
lim = 0.
x !a (x a )n

À função Rn (x ) chama-se resto de ordem n da Fórmula de Taylor.

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Polinómio e Fórmula de Taylor

Observação: Há várias expressões para Rn (x ), entre as quais a do resto


de Lagrange de ordem n que vamos usar:

f (n +1 ) ( ξ )
Rn (x ) = (x a ) (n +1 ) ,
(n + 1) !
para a < ξ < x ou x < ξ < a.

Chama-se Fórmula de Mac-Laurin de ordem n de f à fórmula de


Taylor de ordem n de f , para a = 0, isto é,

f (x ) = Pn (x ) + Rn (x ) =
f 00
(0) 2 f 000 (0) 3 f (n ) ( 0 ) n
= f (0) + f 0 (0) x + x + x + ... + x + Rn (x ) .
2! 3! n!

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Estudo de extremos e concavidades
Monotonia e Extremos
Recorde-se que, sendo f uma função diferenciável em a, se f tem um
extremo em a então:
f 0 (a) = 0.

Chamam-se pontos de estacionaridade de uma função f aos pontos em


que a sua derivada é nula.
Chamam-se números críticos de uma função f aos valores em que a sua
derivada é nula ou não existe.

Observações:
Um ponto de estacionaridade pode não ser um extremo de f .
Caso existam, os extremos relativos de uma função (de…nida num
intervalo) são atingidos em números críticos de f ou nos extremos do
intervalo (que pertençam ao intervalo).
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Estudo de extremos e concavidades
Monotonia e Extremos
Proposição: Seja f uma função contínua no intervalo aberto I , que
contém o número crítico a (isto é, f 0 (a) = 0), e diferenciável em I n fag,
tem-se que:
se à esquerda de a, f 0 (x ) > 0 e à direita de a, f 0 (x ) < 0, então
f (a) é um máximo relativo;
se à direita de a, f 0 (x ) < 0, e à esquerda de a, f 0 (x ) > 0, então
f (a) é um mínimo relativo.

Observação: Cada uma das duas condições anteriores garante a


existência de extremo de f mesmo que f não tenha derivada em a.
Proposição: Sendo f uma função que admite 2a derivada contínua numa
vizinhança de um ponto de estacionaridade a (isto é, f 0 (a) = 0):
se f 00 (a) < 0, então f (a) é um máximo relativo;
se f 00 (a) > 0, então f (a) é um mínimo relativo.
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Estudo de extremos e concavidades

Concavidades e pontos de in‡exão


Diz-se que f , diferenciável no intervalo ]a, b [, tem a concavidade voltada
para cima em ]a, b [ se, para qualquer x 2 ]a, b [, o grá…co de f está
acima da recta tangente ao grá…co em (x, f (x )) (analogamente de…ne-se
concavidade voltada para baixo).

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Estudo de extremos e concavidades

Proposição: Sendo f uma função com 2a derivada no intervalo aberto I .


Se 8x 2 I :
f 00 (x ) > 0, então f tem concavidade voltada para cima em I ;
f 00 (x ) < 0, então f tem concavidade voltada para baixo em I .

Seja f diferenciável no intervalo ]a, b [; um ponto c 2 ]a, b [ onde ocorra


uma mudança de concavidade do grá…co de f diz-se um ponto de
in‡exão de f .

Proposição: Se f tem um ponto de in‡exão em c e f 00 (c ) existe e é


…nita, então f 00 (c ) = 0.

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Assimptotas
Assímptotas verticais
A recta x = a é uma assímptota vertical de f se

lim f (x ) = ∞ ou lim f (x ) = ∞.
x !a + x !a

Assímptotas não verticais


A recta y = b é uma assímptota horizontal de f se

lim f (x ) = b.
x! ∞

A recta de equação y = mx + b é uma assímptota não vertical de f se

f (x )
= m e lim [f (x ) mx ] = b.
lim
xx! ∞ x! ∞

(note-se que se m = 0 a assímptota é horizontal e se m 6= 0 a assímptota


é oblíqua).
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Assimptotas

Observações:
Se f tem uma assímptota horizontal quando x ! +∞, então f não
tem assímptota oblíqua quando x ! +∞;

Como, em geral, é mais simples calcular lim f (x ) do que


x !+∞
f (x )
lim x , normalmente começamos por averiguar se há assímptota
x !+∞
horizontal quando x ! +∞;

O procedimento é análogo quando x ! ∞.

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Estudo de uma função e esboço do grá…co

Pontos fundamentais (em geral) para esboçar o grá…co de f :


domínio (e, eventualmente) o contradomínio;
pontos de descontinuidade e assimptotas verticais;
interseção com os eixos/zeros;
sinal;
paridade;
intervalos de monotonia e extremos;
concavidades e pontos de in‡exão;
assimptotas não verticais.

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