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DIREITO P ROCESSUAL P ENAL

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RESUMO
Tratam do uso dos meios eletrônicos na
realização dos atos do processo penal, a
exemplo de outros segmentos da Justiça,

INTERNET E
e da dificuldade que ainda tem o Poder
Judiciário de dinamizar os ritos e procedi-
mentos nessa área.

VIDEOCONFERÊNCIA
Defendem a adaptação do processo cri-
minal à nova realidade tecnológica, que
permite a utilização da internet para a prá-
tica de diversos atos processuais, assim

NO PROCESSO como a realização de videoconferências,


cujas possibilidades de uso são múltiplas,
inclusive o teledepoimento e o

PENAL teleinterrogatório.
Sustentam que a produção de provas no
processo penal por meio virtual não fere
os direitos individuais constitucionalmen-
Marco Antonio de Barros
César Eduardo Lavoura Romão te garantidos e que a modernização dos
instrumentos de realização da justiça é
uma necessidade que se impõe, sob pena
de esta tornar-se apenas um símbolo dis-
tante e abstrato.

PALAVRAS-CHAVE
Administração da Justiça; Direito Proces-
sual Penal; ato processual; videocon-
ferência; internet; tecnologia; processo
penal; direito individual.

Revista CEJ, Brasília, n. 32, p. 116-125, jan./mar. 2006


1 A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO partilhado por poderes locais, regionais e de atual”, ou “pós-industrial”, ou “pós-
E O DIREITO nas estruturas continentais em rede, sen- moderna”. No dizer de João Maurício
Muitas ações externas impactantes do uma das conseqüências a fragilização Adeodato, a sociedade da informação é
de efeitos sociológicos, antropológicos, do poder do Estado. Além disso, a socie- aquela que valoriza uma autonomia da
econômicos, psicológicos, jurídicos etc. dade da informação corresponde também técnica que, paradoxalmente, quanto mais
compõem atualmente o processo judi- à era da revolução tecnológica, essencial- abandona as referências éticas, mais tem
cial, ao ponto de se exigir do juiz um certo mente de tecnologias intelectuais que necessidade delas. Mas é a capacidade
preparo intelectual nessas áreas. Além constituem as bases da economia do co- de informação e a liderança tecnológica
desses aspectos extrínsecos, uma nova nhecimento. que definem a condição hegemônica de
onda constituída de poderosa força, que Vale a pena anotar a substanciosa Estados e empresas no mundo
não é passageira, produz reflexos de al- explicação feita por Marco Antonio Barbo- globalizado. As características são muitas
cance ainda não totalmente delimitado sa, para quem a sociedade do conheci- e inusitadas. Passa a ser possível lançar
pelos operadores do Direito, e por isso mento não é sinônimo de sociedade da mão dos grandes contingentes de mão-
tem sido discutida, criticada e até rejeita- informação. A chamada “sociedade da in- de-obra barata na periferia sem precisar
da por alguns. Trata-se do impacto que a formação” é desigual, pois a informação arcar com os deveres trabalhistas nem
tecnologia moderna tem provocado no é hoje privilégio de zonas geográficas es- com as demandas pelo Estado social. E o
processo, o que se nota com maior in- pecíficas e de grupos sociais privilegiados. papel do Estado nacional na definição dos
tensidade na última década. Sociedade de informação corresponde ao vetores tecnológicos, que determinam a
Tal metamorfose constitui mera momento presente, em que a informação liderança, diminui em prol de um maior
questão superficial e periférica do fenô- não é equanimemente compartilhada, por poder do setor privado.
meno chamado “sociedade da informa- isso a sociedade do conhecimento é um Feitas essas sucintas ponderações 117
ção”. E esta, afinal, o que é? Não existe, ideal a ser alcançado, quando houver con- introdutórias sobre a matéria, e conside-
por enquanto, um conceito doutrinário- dições para um conhecimento comparti- rando que a nossa intenção não é desen-
científico definitivamente aceito. Muitos lhado, pluralista e participativo. volver aqui uma análise aprofundada so-
tratadistas estão escrevendo sobre o as- Diante dessa complexa realidade so- bre tão rico debate acadêmico, cumpre-
sunto e a nós, neste curto espaço, cabe ciológica, concordamos com o entendimen- nos a cautela de delimitar o objetivo des-
apenas sintetizar essas idéias. to do mencionado professor Barbosa, no te trabalho, qual seja, o de somente
Para uma corrente de estudiosos, a sentido de que o debate sobre o Direito na enfocar alguns pontos sobre as múltiplas
sociedade da informação é tida como sociedade de informação não pode restrin- conseqüências da informática no Direito,
sinônimo de sociedade pós-industrial, na gir-se ao estudo do Direito aplicado à ou as conseqüências do Direito na
qual se atribui ao Direito a característica informática, mesmo porque ela ainda é hoje informática, especificamente no que se
de analisar não somente o direito adap- muito excludente (exclusão digital), mas refere ao Direito Processual Penal.
tado ao serviço dos meios eletrônicos, deve dedicar-se à análise dos desafios im-
mas toda realidade jurídica afetada pela postos para o acesso a um mundo jurídico 1.1 PROCESSO E TECNOLOGIA
sociedade pós-industrial. A tecnologia de mais equidade, com respeito à diversi- Embora bem aceita nas relações so-
eletrônica é apenas uma pequena parte dade cultural, baseado substancialmente na ciais comuns do indivíduo, a tecnologia
desse universo jurídico reorganizado por ética, na educação, no rompimento das moderna ainda não sedimentou, com a
outras imposições econômicas, filosófi- assimetrias norte-sul do planeta, portanto, velocidade que a caracteriza, suas raízes
cas, políticas etc. consubstanciado na idéia de direito simplificadoras e úteis no processo crimi-
Noutra visão antropológica e mais prospectivo, de ordem negociada e não nal. Enquanto em outras áreas da Justiça
abrangente, define-se a sociedade da imposta, de pluralismo jurídico, de discri- tornou-se comum a adoção de um pro-
informação como sociedade contempo- minação positiva, de respeito à diversidade cesso virtual, como, por exemplo, nas va-
rânea, pós anos 1980, caracterizada por identitária e cultural no espaço público. Essa ras judiciais federais que julgam benefícios
vertentes infinitas, tais como: globalização é a busca da sociedade do conhecimento, previdenciários, realizando-se ali a prática
econômica, livre mercado, retorno do li- cujas bases são estabelecidas na atual socie- de atos em ambiente virtual, por meio da
beralismo, desregulamentação, Estado dade da informação. internet e de outros meios de comunica-
mínimo, privatizações, direito-adesão no Em outras palavras, ainda não se for- ção, no processo criminal existe uma bar-
lugar do direito-sanção, delegação de mou uma idéia doutrinária homogênea a reira intelectual que oferece significativa
funções estatais a agências reguladoras respeito da conceituação de “sociedade da resistência a esse tipo de progresso.
e outras instituições estruturadas no informação”. Existe uma recusa em Com efeito, no campo do processo
modelo empresarial, poder difuso com- interpretá-la como sinônimo de “socieda- penal, um dos grandes entraves ao real

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cumprimento da norma constitucional que que constitui um verdadeiro avanço se con- federação em que isso já se tornou reali-
garante a razoável duração do processo e siderarmos o extenso território nacional. dade, facilitou o trabalho de consulta so-
a celeridade da prestação jurisdicional é a Hoje é possível o acompanhamen- bre o andamento processual e a obten-
própria dificuldade que tem o Poder to de atos processuais via internet, e em ção de cópias de acórdãos, sentenças e
Judiciário em tentar dinamizar os ritos e alguns órgãos do Poder Judiciário há o demais decisões por qualquer interessa-
reciclar os procedimentos processuais. Jus- chamado “processo eletrônico”, o qual do. Dessa forma, são evitadas diligências
tiça lenta, tardia, não é justiça verdadeira- abandona o papel, as pastas e os bar- desnecessárias de advogados e partes às
mente eficaz, e tampouco atende ao cla- bantes, e todos os atos são praticados sedes dos foros e, com isso, diminui-se o
mor dos jurisdicionados. Entretanto, o seu de maneira digital. É a transformação dos número de atendimentos realizados pe-
oposto, justiça rápida, veloz, também não átomos em bits. los serventuários da Justiça, permitindo a
garante, por si só, o melhor julgamento
ou a efetividade da Justiça. Entre esses ex- Vivemos na sociedade da informação. (...) Ou adaptamos os
tremos deve prevalecer o ponto de equilí- nossos instrumentos de realização da Justiça, ou esta se tornará
brio ou da razoabilidade. inoperante. (...) Os anais da ciência jurídica nos ensinam que a
Vivemos na sociedade da informa-
adoção de novas tecnologias sempre é marcada e precedida de
ção. Isto é um fato e não há escapatória.
Ou adaptamos os nossos instrumentos de
períodos traumáticos, (...) mas logo se tornam superados pelo
realização da Justiça, ou esta se tornará bom senso e pelo predomínio de uma nova e irresistível
inoperante e apenas um símbolo distan- realidade social.
te e abstrato. Os anais da ciência jurídica
nos ensinam que a adoção de novas Até que ponto se pode aproveitar a estes executarem outras tarefas com mai-
tecnologias sempre é marcada e precedi- tecnologia moderna no processo? É nes- or produtividade.
da de períodos traumáticos, repletos de sa quadra de debates que vamos apre- Existe um campo fértil a semear nes-
acalorados debates, que num primeiro sentar ao leitor a nossa colaboração, com ta área. Há muito espaço para o desen-
momento podem encontrar eco na dou- o cuidado preliminar de dizer que não se volvimento desse benefício, que precisa
trina, mas logo se tornam superados pelo prega aqui a radical transformação do evoluir para atingir a totalidade de ofícios
bom senso e pelo predomínio de uma processo penal ao limite de transformá- judiciais e aumentar a confiabilidade das
118 nova e irresistível realidade social. lo em procedimento exclusivamente vir- informações prestadas nos sites dos tri-
Sem fazer uma digressão histórica tual. Nem tanto ao mar nem tanto à ter- bunais, conferindo a estas a segurança de
muito longa, basta lembrar as duras críti- ra, mas é preciso dar um passo adiante. fé pública.
cas que o sistema de estenotipia (“taqui- O aparelho estatal de repressão à
grafia” mecânica) sofreu quando implan- criminalidade organizada precisa ser re- 2.2 PETIÇÕES E RECURSOS
tado. Muitos afirmavam não saber o que modelado (Polícia, Ministério Público e INTERPOSTOS PELA INTERNET
estavam assinando e que era um absur- Poder Judiciário). A nobre classe dos ad- Utilizar a rede mundial de compu-
do assinar uma tira de papel sem conhe- vogados (a defesa do acusado) não so- tadores para desburocratizar o tradicio-
cer seu conteúdo. Com o decurso dos frerá abalos por isso. Vale dizer, o propó- nal ritual na realização de atos forenses
anos, o sistema passou a ser utilizado sito deste trabalho é um só: contribuir já não é apenas um sonho, mas uma
freqüentemente nas audiências criminais. para o aperfeiçoamento do processo cri- necessidade. Impõe-se a modernização
Outro exemplo é o próprio objeto minal e facilitar a comunicação com o do Judiciário para tornar possível o en-
da Lei n. 9.800/99, que permite às partes Judiciário. Nesse sentido, sem pretensão vio da denúncia do Ministério Público,
a transmissão de dados e imagens tipo de querer esgotar a análise sob todos os de petições de defesa, a interposição de
fac-símile, para o envio de peças proces- ângulos que cercam o tema, apresenta- recursos e o próprio ajuizamento de
suais, a qual, também, foi muito criticada. mos a seguir alguns argumentos sobre ações por meio da internet, utilizando-
Hoje o sistema de fax já se tornou reco- os novos mecanismos de colheita de pro- se procedimento semelhante ao envio
nhecidamente útil e aceitável na praxe vas e de realização de atos processuais. de um e-mail, inclusive com a possibili-
forense1. Isso para não lembrarmos as dade de certificação da data e da hora
críticas que em épocas passadas foram 2 A INTE RNET NO PROCESSO de entrada da peça. Esse sistema de do-
feitas ao sistema de datilografia. É sabido que a internet apresenta um cumentação digital, pelo qual os docu-
Assim, sempre que o Poder Judiciá- amplo sistema de comunicação em tempo mentos são produzidos e armazenados
rio tenta inovar com a utilização de real, e parte desse sistema guarda plena nos computadores, carece de regula-
tecnologias mais modernas, várias ban- correspondência com a instrumentalização mentação, mas é utilizado com freqüên-
deiras contrárias se levantam, gerando do processo. A seguir, mencionaremos al- cia no setor privado.
uma enorme dificuldade de adaptação. guns desses instrumentos. Apesar da natural resistência às mu-
Mas o importante é que já abandonamos danças dos costumes centenários – o
os atos processuais reduzidos a termo 2.1 ACOMPANHAMENTO que se nota com maior ênfase em ma-
com a utilização da escrita com pena, e PROCESSUAL nifestações de profissionais pertencen-
em grande parte dos ofícios judiciais já A informatização dos ofícios judici- tes às gerações maduras, e muito me-
não se usa a máquina de datilografia, o ais e o acesso à internet, nas unidades da nos nas gerações mais novas, aliás
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educadas e treinadas desde tenra idade nesse ambiente mun- ganizado, especializado na movimentação de enormes quan-
dial e sobre as quais repousam o futuro domínio dos meios tias em dinheiro, bem como nos processos de crimes de lava-
eletrônicos de comunicação –, um sentimento crescente vem- gem de capitais, sonegação fiscal etc. Entrementes, esse siste-
se fortalecendo dia após dia na sociedade de informação, qual ma pode facilitar a realização das medidas assecuratórias pre-
seja, aquele que despreza o acúmulo de documentos de pa- vistas no Código de Processo Penal, e também de leilões judi-
pel, pois estes não permitem uma rápida circulação, demoram ciais via internet, tornando a persecução penal e a reparação
a ser elaborados, seu arquivamento é dispendioso e seu enve- do dano mais eficazes.
lhecimento e deterioração são mais rápidos. A crítica que recai
sobre essa nova forma de representação da realidade envolve 3 SISTEMA D E VI DEOCONFERÊNCIA
a prova de sua autoria, a qual vem sendo afastada pela utiliza- Discordâncias e críticas doutrinárias à parte, o Poder
ção da criptografia. Judiciário vem buscando maneiras de modernizar seus siste-
mas, seja prestando informações aos jurisdicionados por meio
2.3 INTI MAÇÕES da internet, inclusive com acompanhamento processual, seja
Também pode ser usada a rede mundial no caso de otimizando atos processuais, a exemplo da realização de
intimações e de comunicações do juízo com os atores proces- audiências pelo sistema de videoconferência. É uma evolução
suais, bem como nas comunicações entre os órgãos do Po- que merece o nosso aplauso, muito embora esteja sendo feita
der Judiciário, abandonando-se a técnica milenar de expedi- silenciosamente e, ao que parece, com certa timidez. Mas é
ção de ofícios e requerimentos impressos para o cumprimento uma evolução.
de uma diligência, como, por exemplo, a realização de atos Nas linhas abaixo, o foco da análise versará sobre as pos-
por cartas precatórias. sibilidades de utilização da videoconferência. A bem da verda-
A transmissão desses atos pela internet pode facilitar a de, as possibilidades são múltiplas, variáveis e infinitas mas,
comunicação entre os órgãos que compõem o aparelho esta- para delimitar este estudo, trataremos apenas de algumas de-
tal de repressão à criminalidade, acelerando o cumprimento las, que permitem a transmissão de áudio e vídeo em tempo
das diligências. No Estado de São Paulo, a Secretaria de Segu- real, com ótima qualidade e segurança de transmissão devida-
rança Pública possui um moderno sistema de comunicação, mente atestadas em ações penais em tramitação ou já encer-
que permite o registro de Boletins de Ocorrência via web, faci- radas no Judiciário paulista.
lita e agiliza o início da persecução penal e evita maiores cons-
trangimentos às vítimas. 3.1 TELESSESSÃO 119
O sistema de videoconferência permite a integração de di-
2.4 DOCUMENTO DIGITAL versos órgãos do Poder Judiciário sem a necessidade de deslo-
O documento digital é meio de prova que pode ser utili- camento físico dos magistrados. Nesse diapasão, podemos ter
zado para a demonstração da existência de fatos e atos jurídi- sessões de tribunais ou reuniões de magistrados sem que estes
cos e, como tal, chegará às barras da Justiça conforme ocorreu necessitem deslocar-se para uma única sala de audiência.
com os disquetes, fitas de vídeo, compact disc e com as foto- A hipótese está prevista no § 3º do art. 14 da Lei n. 10.259/
grafias, estas já com tecnologia digital. 01, que instituiu os Juizados Especiais Federais e criou a possibi-
Em breve o documento digital fará parte do cotidiano da lidade de reunião virtual para as turmas de uniformização de
vida forense. Necessitamos apenas aperfeiçoar os instrumen- jurisprudência daqueles juizados. Pelo dispositivo citado, as tur-
tos de preservação da integridade dos documentos, a fim de mas podem fazer suas reuniões e deliberar sobre o que for ne-
evitar as fraudes, e os mecanismos de assinatura digital para cessário por meio do sistema de videoconferência, evitando-se
identificação da autoria. Para tanto basta uma mudança de o dispendioso deslocamento dos magistrados de diversas uni-
hábito e a aceitação da tecnologia em benefício do processo, dades da federação ao local físico designado para a sessão.
pois, como já foi dito, a transformação dos átomos em bits A telessessão foi testada e aprovada como instrumento
está ocorrendo de forma ininterrupta e é inevitável. adequado para facilitar a integração dos cinco Tribunais Regio-
nais Federais, localizados em Brasília, Rio de Janeiro, São Pau-
2.5 PENHORA ON LINE NO PROCESSO PENAL lo, Porte Alegre e Recife, reduzindo os custos e a perda de
Outro exemplo da incontestável presença da internet na tempo em viagens.
rotina do processo judicial é o convênio celebrado entre os
órgãos do Poder Judiciário e o Banco Central, Bacen Jud, co- 3.2 TELESSUSTENTAÇÃO
nhecido como “penhora on line”, que permite aos magistra- Por meio da videoconferência o advogado pode realizar a
dos a consulta, o rastreamento e o bloqueio de contas bancá- sustentação oral em defesa de seu cliente, sem a necessidade
rias das partes envolvidas no processo. Esse sistema tem sido de deslocar-se até a sede do Tribunal. Isso facilita a defesa nos
utilizado em larga escala pela Justiça do Trabalho e espera-se tribunais superiores, pois muitas vezes os clientes não têm con-
que a nova versão do Bacen Jud, lançada em 2005, seja utiliza- dições financeiras de arcar com os custos de viagens de seus
da pelos juízes cíveis e tributários. defensores.
Cogita-se a possibilidade de seu aproveitamento no pro- Esse sistema também pode ser adotado nos tribunais es-
cesso penal, no qual o magistrado pode e deve buscar provas taduais, haja vista que os advogados estabelecidos no interior
para o descobrimento da verdade (arts. 156, 502, 616 e 807 do não precisariam deslocar-se até a capital para participar pessoal-
CPP), principalmente em processos que envolvam o crime or- mente do julgamento.
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3.3 TELERRECONHECIMENTO nha com freqüência se dizem intimida- se que as transmissões e filmagens das
O reconhecimento dos acusados fei- das na presença do réu, seguindo-se daí audiências não são realizadas no interior
to por vídeo busca suprir a necessidade o isolamento deste. Ou seja, não é eficaz do estabelecimento prisional, mas sim em
emergencial da realização do ato quando todo esse sacrifício para, ao final, apenas salas reservadas próximas, para que seja
vítimas e testemunhas tiverem dificulda- colher-se a assinatura do réu preso no possível a assistência por qualquer pes-
des, ou não puderem, por motivo justifi- termo de uma audiência, que ele não soa interessada.
cável, fazer o reconhecimento pessoal. assistiu. Por isso é que se diz que bem Com esses equipamentos é possí-
Tal método eletrônico de produção mais simples será a utilização desse re- vel captar o áudio e o vídeo da figura do
é inegavelmente superior à corriqueira curso tecnológico, pois basta o réu, que estará obrigatoriamente acom-
utilização do reconhecimento fotográfico. acionamento de um botão e o réu não panhado por advogado e por
terá nem o áudio nem o vídeo da audi- serventuários da Justiça, os quais, em tese,
3.4 TELEDEPOIMENTO ência, obedecendo-se assim ao disposto garantirão a integridade do ato. Na outra
Pela videoconferência ainda pode-se no art. 217 do CPP. ponta do sistema estarão o juiz, o pro-
colher declarações das vítimas e das teste- O teledepoimento também pode motor e mais um advogado. Como se vê,
munhas, sem que estas ou o réu estejam liquidar a burocrática expedição das car- o réu preso conta com a assistência, no
fisicamente presentes na vara criminal. tas precatórias, de ordem e rogatórias, ato do interrogatório, de pelo menos dois
Há situações em que as vítimas, tes- as quais só dificultam e retardam a dis- advogados (um na sala do juiz e outro ao
temunhas e peritos têm muita dificuldade tribuição da Justiça. Já temos preceden- seu lado).
de acompanhar a audiência no prédio do te jurisprudencial nesse sentido, con- Os modernos aparelhos de áudio e
fórum. Com a utilização do depoimento forme se verifica da atuação do Tribu- vídeo permitem a captação dos mínimos
por videoconferência essas pessoas não nal Regional Federal da 4ª Região, que detalhes, das modificações na voz e das
precisam empreender grandes esforços se serviu do sistema em análise para expressões corporais, e ainda podem ser
para colaborar com a Justiça. Se as circuns- proceder à oitiva de uma testemunha, repetidas inúmeras vezes, pois o ato é
tâncias do caso concreto recomendarem, gerente do Mercans Bank, nos EUA, em gravado em compact disc. Ademais, caso
o juiz poderá autorizar a produção do processo crime que envolve lavagem o advogado constituído esteja na sala de
teledepoimento com o fito de garantir a de capitais2. audiência, poderá utilizar o aparelho te-
segurança ou evitar constrangimento. lefônico e assim ter uma conversa reser-
120 Por outro lado, a realização do 3.5 TELEINTERROGATÓRIO vada e sigilosa com seu cliente.
teledepoimento pode ser interessante O interrogatório do réu por meio da
ao próprio acusado. É notória a dificul- videoconferência é a forma de produção 3.6 WEBCONFERÊNCIA
dade de deslocamentos dos réus às eletrônica de ato processual mais comba- A webconferência não tem sido apro-
sedes dos fóruns, sobretudo quando o tida e criticada por grande parte da doutri- veitada no processo judicial. Entretanto,
presídio se localiza em região distante. na. Muitos doutrinadores apontam o con- não custa apontar suas principais carac-
Com o uso dessa tecnologia, estes po- flito com a regra do art. 185, § 1º, do CPP, terísticas, ao menos para incluí-la no con-
dem assistir ao depoimento e partici- segundo a qual o interrogatório do acusa- texto tecnológico aqui destacado. Refe-
par dele sem a necessidade de sair do do preso deve ser feito no estabelecimen- re-se à transmissão de som, imagem e
estabelecimento prisional. to prisional em que se encontrar, em sala dados em tempo real. Um dos
Sua utilização é relevante, pois mui- própria, desde que estejam garantidas a interlocutores fica numa sala de conferên-
tas vezes os réus são levados à sede do segurança do juiz e auxiliares, a presença cia, adaptada eletronicamente para trans-
fórum e acabam não participando das do defensor e a publicidade do ato.
audiências, nos termos do que prevê o
art. 217 do CPP. Demais disso, pode ocor- (...) a realização do teledepoimento pode ser interessante ao
rer que o próprio réu não queira deslo- próprio acusado. É notória a dificuldade de deslocamentos dos
car-se, até mesmo para melhor preservar réus às sedes dos fóruns, sobretudo quando o presídio se
a sua integridade física.
De qualquer modo, a questão não é
localiza em região distante. Com o uso dessa tecnologia,
tão simples e deve ser analisada pelo juiz estes podem assistir ao depoimento e participar dele sem a
caso a caso. Em regra, o acusado tem di- necessidade de sair do estabelecimento prisional.
reito de ser conduzido para, pessoalmen-
te, participar da audiência. Porém, é pre- Cabe aqui a explicação de como é mitir som e imagem pela rede. O outro
ciso temperar as peculiaridades de cada realizado o teleinterrogatório, o que se faz (ou outros espectadores) acessa uma
processo com a estrutura disponível, pois com base na experiência constatada em página de internet especificada e pode
grande parte dos contribuintes, que pa- algumas varas criminais da capital de São acompanhar a sessão, reunião ou ato ao
gam impostos e sustentam o Estado, não Paulo. Para o pleno funcionamento do vivo, ou assistir ao vídeo previamente gra-
consideram aceitável o fabuloso dispên- sistema e a efetiva realização da audiên- vado. Diferem a videoconferência e a
dio para levar o réu preso ao fórum, e cia, são instalados televisores, câmeras e webconferência na medida em que os
quando ali chegar, ficar trancafiado numa aparelhos telefônicos nas salas de audi- participantes desta não conseguem
salinha, porquanto a vítima e a testemu- ência, nos fóruns e nas prisões. Ressalte- interagir pelo próprio vídeo.
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3.7 AUDIOCONFERÊNCIA 5 A VIDEOCONFERÊNCIA NA JUSTIÇA
Também convém distinguir as duas transmissões citadas – CRIMINAL PAULISTA
videoconferência e webconferência – da audioconferência. A No Estado de São Paulo, a Prodesp (Companhia de
comunicação neste caso se dá por meio de telefone. Três ou Processamento de Dados do Estado de São Paulo) encaminhou,
mais pessoas podem conversar simultaneamente, mas precisam no primeiro semestre de 2003, à Secretaria de Segurança Públi-
discar, no horário previamente combinado, o número de telefo- ca um projeto de teleaudiências para análise do Tribunal de Jus-
ne indicado pelo líder da reunião, devendo ser informada a se- tiça (REL. STA. 013/2003), prevendo a implantação do sistema
nha de acesso. Os participantes não vêem uns aos outros, e o de videoconferência nos fóruns e estabelecimentos prisionais.
sistema depende de um equipamento a ser acoplado à central O projeto previa a instalação de câmeras de vídeo, apare-
telefônica ou da contratação de empresa provedora. lhos de televisão, aparelhos telefônicos e computadores, todos
interligados pela rede “Intragov”. Naquela época, a proposta
4 A VIDEOCONFERÊNCIA NO JUDICIÁRIO envolvia a criação de salas de videoconferência nos fóruns e nas
DE OUTROS PAÍSES unidades prisionais equipadas com as tecnologias acima apon-
Com o intuito de facilitar a distribuição da Justiça e acele- tadas, a um custo de aproximadamente quarenta mil reais por
rar a resposta penal aos criminosos, muitos países vêm regula- sala de videoconferência instalada.
mentando e autorizando a realização de atos processuais com Segundo informou o Secretário de Segurança Pública do
o emprego de tecnologias audiovisuais. Estado, Saulo de Castro Abreu Filho3, no ano de 2003 a média
Nos Estados Unidos, desde 1983, o vídeo-link tem previ- semanal de gastos envolvia valores necessários para cobrir apro-
são na legislação processual, tanto no âmbito federal como no ximadamente 7.500 escoltas policiais, executadas por um efetivo
estadual, sendo possível a realização de depoimentos e inter- de 4.800 agentes, sendo utilizados 1.700 veículos no transporte,
rogatórios com o fito de evitar o contato das vítimas com seus os quais rodaram 267.000 quilômetros.
agressores e preservar a integridade dos acusados nos casos De tanto bater na tecla de que a videoconferência possi-
de grande repercussão social. bilita maior agilidade e segurança na instrução dos proces-
A Itália também adotou esse sistema em 1992, visando re- sos criminais, e tendo em vista os enormes gastos com a
primir a máfia. Atualmente emprega a tecnologia para a oitiva mobilização do aparato policial para a escolta dos detentos,
de presos perigosos, em hipóteses definidas por sua legislação. uso de viaturas, combustíveis, manutenção, além dos riscos
No Reino Unido, com a adoção da Lei Geral sobre Coope- de fuga ou de resgate dos detentos transportados, a admi-
ração Internacional em matéria criminal, desde 2003 é possí- nistração estadual motivou politicamente a edição da Lei Es- 121
vel que testemunhas na Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte tadual n. 11.819, de 5/1/2005, a qual dispõe sobre a implan-
ou no País de Gales prestem depoimentos por meio dessa tação de aparelhos de videoconferência para interrogatório e
tecnologia. audiências de presos a distância, com o objetivo de tornar
A Espanha também tem regulamentação sobre a matéria mais célere o trâmite processual, observadas as garantias
e emprega o sistema, principalmente para a preservação de constitucionais.
vítimas e testemunhas. Na prática, no que concerne ao Tribunal de Justiça do Esta-
Já o Código Penal francês, desde 2001, prevê a utilização do de São Paulo, já houve a instalação desse sistema em algu-
de meios eletrônicos de comunicação para a oitiva de teste- mas varas criminais do Foro Central, Fórum da Barra Funda, quais
munhas e o interrogatório dos acusados. sejam, 11ª, 18ª e 25ª.
Em 2000 a União Européia ratificou o Tratado de Assis-
tência Judicial em matéria penal, o qual, em seu art. 10, criou a 6 CONSIDERAÇÕES SOBRE LEGALI DADE
possibilidade de realização de atos processuais com a utiliza- Na medida em que defendemos o ajustamento do processo
ção de tecnologia audiovisual. penal a uma nova realidade tecnológica, não podemos simples-
No Direito de nações estrangeiras, a utilização da mente ignorar as críticas que muitos autores e mestres das ciênci-
videoconferência é aplaudida, vez que facilita a repressão aos as jurídicas das áreas penal e processual penal têm lançado contra
crimes transnacionais. Diante disso, a ONU já inseriu em do- a utilização desses sistemas. A internet, a videoconferência, a
cumentos internacionais o uso do sistema em comento, in- webconferência e outros meios de comunicação pertencem à
centivando a regulamentação pelos Estados participantes. humanidade. Nós precisamos aprender a utilizar esses bens na
Apenas para ilustrar, a Convenção da ONU contra a flexibilização dos ritos do processo, sem no entanto ferir os direi-
Corrupção, de dezembro de 2003, também chamada de “Con- tos individuais constitucionalmente garantidos.
venção de Mérida”, traz disposições sobre o sistema de Respeitamos os entendimentos contrários, mas pretende-
videoconferência, em seus arts. 32, § 2º, e 46, § 18. Também a mos, nos breves argumentos abaixo, apresentar os motivos que
Convenção contra o Crime Organizado Transnacional, deno- dão sustentabilidade ao ingresso desses novos meios de provas
minada “Convenção de Palermo”, introduzida no ordenamento no processo penal.
jurídico brasileiro pelo Decreto n. 5.015, de 12/3/2004, igual-
mente prevê o uso dessa tecnologia em seus arts. 18, item 18, 6.1 A GARANTIA D A AMPLA DEFESA
e 24, item 2, b. Por fim, cabe apontar a previsão do art. 69, n. A primeira crítica levantada pelos opositores do sistema
2, do Tratado de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacio- consiste na alegada limitação do contraditório e da ampla de-
nal e foi introduzido na legislação brasileira pelo Decreto n. fesa, previstos no art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal. O
4.388, de 25/9/02. réu tem o direito ao contato físico com o juiz no momento do
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interrogatório e deve estar, obrigatoriamente, acompanhado A condução do réu à presença do juiz assegura o contato
por seu advogado. do julgador com o ser humano que será julgado, é verdade.
Entendemos não existir o mencionado desprezo à garantia Mas a videoconferência não retira esse direito do réu, pois ele
constitucional em comento, pois, além de não vingar no proces- será colocado defronte ao julgador, virtualmente, e será realiza-
so penal o princípio da identidade física do juiz, e dessa forma da uma audiência em tempo real.
não se ter a garantia inequívoca de que o magistrado que inter- Pretende-se a flexibilização da condução física do acusa-
rogar o acusado e colher as provas será efetivamente o que dará do. Vale dizer, a regra geral continua a ser preferencialmente a
a sentença final, o réu tem a possibilidade de audiência com o realização de interrogatório pessoal. Todavia, nem mesmo a
juiz, em tempo real. Ao se utilizar o mecanismo da inusitada teoria dos “olhos nos olhos” é suficiente para invali-
videoconferência, aquele poderá manifestar-se livremente, e to- dar o sistema de videoconferência, que também transmite e
das as suas expressões serão vistas e ouvidas pelo juiz, por meio permite captar emoções, modificações na voz, expressões
de câmeras e microfones. faciais, trejeitos etc.
O fato de o réu não ser levado fisicamente para entrevistar-
se pessoalmente com o magistrado em nada atrapalha a defesa, 6.4 A QUESTÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA H UMANA
pois seu advogado estará na sala de audiência do fórum com o A dignidade da pessoa humana é fundamento da Repúbli-
juiz e o promotor, enquanto na sala de audiência do estabeleci- ca Federativa do Brasil e está prevista logo no art. 1º, inc. III, da
mento prisional estarão oficiais de justiça, escreventes judiciá- Constituição da República. Mister se faz a observância desse fun-
rios e mais um advogado para acompanhar o réu. Se não bas- damento no momento em que é discutida a utilização de meios
tasse isso, ainda há um telefone, que permite o contato direto e eletrônicos na realização de atos do processo penal.
sigiloso entre cliente e advogado, garantindo-se, assim, a ampli- Todos sabem que, durante sua condução física ao fórum,
tude da defesa. o réu sofre vários constrangimentos. Essa triste realidade, que
Posto isso, não há falar em limitação da defesa ou da autode- atinge a quase totalidade dos réus presos, pode ser narrada da
fesa, pois o réu é colocado defronte ao juiz, podendo com ele seguinte maneira. De início destaca-se que seu deslocamento
comunicar-se em tempo real, na presença de seu defensor. Este, a é feito logo que o dia amanhece e antes do desjejum dos
seu turno, tem plenas condições de apontar as falhas e desvios no presos, ou seja, o réu é levado para audiência só com o ali-
interrogatório que poderão prejudicar o exercício da defesa, ca- mento do dia anterior. Em seguida, durante o trajeto, segundo
bendo-lhe registrar a termo nos autos as eventuais ilegalidades. reclamam a maioria dos conduzidos, as humilhações são cons-
122 tantes, e os condutores fazem questão de ver o preso “sacu-
6.2 O RESPEITO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO dindo” na “gaiola” do veículo, já que não faltam lombadas,
PROCESSO LEGAL buracos e curvas percorridas em alta velocidade. Depois de
Outra crítica ao teleinterrogatório é a ofensa ao princípio do ser transportado em um veículo fechado e sem ventilação, ba-
devido processo legal, previsto no art. 5º, inc. LIV, da Constitui- lançando de um lado para o outro, o réu chega ao fórum e
ção da República, que se faz baseada na falta de previsão legal aguarda muitas horas para ser visto pelo juiz que o interroga-
da utilização da videoconferência no processo penal. rá. Frise-se sem alimentação, pois também não lhe é servido
O Código de Processo Penal de 1941 não prevê o empre- qualquer tipo de alimento.
go dessa tecnologia, mas nosso ordenamento jurídico já pos- Se tal será o único momento em que o juiz analisará a
sui normas que contemplam o referido sistema. Nesse sentido personalidade do réu, este indivíduo não deveria ser submetido
é a regra do art. 69, n. 2, do Decreto n. 4.388, de 25/9/2002, o a esse estresse. Ao contrário, deveria ali chegar em condições
qual recepcionou em nosso ordenamento o Estatuto de Roma de ser analisado sem ter sofrido alterações psíquicas ou físicas
do Tribunal Penal Internacional. Previsão semelhante está no do gênero. Assim, as horas de viagem sem alimentação, os abu-
art. 24, item 2, b, do Decreto n. 5.015, de 12/3/2004, que san- sos e as humilhações sofridas durante o deslocamento em meio
cionou a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Orga- de transporte inadequado ferem a dignidade da pessoa huma-
nizado Transnacional. na, podendo a videoconferência abrandar tal ofensa.
Além das citadas normas e diplomas legais, há também a Lei Em outras palavras, não é razoável negar ao réu preso o
Estadual n. 11.819/05, adiante comentada. De outro vértice, não exis- direito de optar pela realização do teleinterrogatório ou do
te vedação legal para a aplicação do sistema de videoconferência. teledepoimento. Se isso a ele próprio interessar – e inclusive ao
seu próprio defensor –, não há falar em desrespeito à dignidade
6.3 AUSÊNCIA DE OFENSA AOS PACTOS da pessoa humana.
E ACORDOS INTERNACIONAIS
Há os que se agarram a acordos internacionais sobre direi- 6.5 PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS
tos humanos, para tentar afastar a aplicação do teleinterrogatório, Outros ainda sustentam que o sistema ofende o princípio
afirmando ser direito do réu a condução à presença do juiz. da publicidade dos atos processuais, previsto nos arts. 5º, inc.
Os documentos internacionais apontados são: Declaração LX, e 93, inc. IX, da CF, e 792 do CPP, visto que da combinação
Universal dos Direitos do Homem de 1948; Pacto Internacional de tais dispositivos se conclui que os atos processuais serão pú-
de Direitos Civis e Políticos, sancionado pelo Decreto n. 591/92, blicos e realizados nas sedes dos tribunais, devendo ser permi-
e Convenção Americana de Direitos Humanos, também chama- tida a entrada de qualquer interessado em assisti-la.
da de “Pacto de São José da Costa Rica”, sancionada pelo Decre- Não há como acolher essa crítica, pois aqueles que compa-
to n. 678/92. recerem à sede do juízo verão o juiz e os demais participantes
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da audiência, bem como a imagem e toda teleinterrogatório, mas todas as modali- Ainda no estudo sobre as nulidades,
ação do réu como se ele estivesse no lo- dades de atos praticados pelo sistema de destaca-se a previsão do art. 563 do CPP,
cal. Já aqueles que quiserem acompanhar videoconferência contribuem para dar o qual acolhe o princípio da instrumen-
a audiência na sede do estabelecimento maior celeridade processual, sem que talidade das formas, ou seja, não haverá
prisional, também poderão fazê-lo, pois haja limitação prejudicial do contraditó- nulidade sem prejuízo. Com a possibili-
as salas de videoconferência são abertas rio e da ampla defesa. dade de realização de todos os atos que
ao público e permitem a assistência de É comum – e a rotina forense o tem compõem o interrogatório, e como já fi-
audiências pelos monitores, para que não demonstrado em muitos casos – a extre- cou demonstrado que não há ofensa às
haja prejuízo da publicidade processual. ma cautela de magistrados, que insistem garantias constitucionais do acusado, não
Na verdade, analisando-se a questão em aguardar o interrogatório do réu para há falar em prejuízo, logo, afastada está a
sob um outro prisma, pouco explorado, o só a partir disto apreciar o seu pedido de nulidade processual.
emprego da videoconferência pode até liberdade provisória. Quando ocorre o Em última instância de argumenta-
potencializar a publicidade dos atos pro- adiamento da audiência por falta de trans- ção, a hipótese de nulidade teria seu
cessuais, na medida em que os tribunais porte ou de escolta do preso até o fórum, enquadramento legal no inc. IV do art.
podem disponibilizar o som e a imagem o pedido de liberdade demora mais tem- 564 do CPP, o qual preceitua que ocorre-
da audiência em seus respectivos sites, para po para ser apreciado e, conseqüente- rá nulidade por omissão de formalidade
que qualquer pessoa possa assisti-la, em mente, o réu permanece preso em situa- que constitua elemento essencial do ato.
todo o mundo, bastando apenas um com- ção indefinida. Entretanto, para poder vingar a alegação
putador conectado à internet. É evidente, portanto, que o sistema de irregularidade do ato, é mister de-
Com a videoconferência, a publici- de videoconferência favorece o cumpri- monstrar cabalmente a omissão de for-
dade dos atos processuais será ampliada mento da garantia constitucional da malidade essencial e o efetivo prejuízo
no espaço e no tempo. No aspecto espa- celeridade do processo penal. E, no exem- para a defesa, e não esquecer que tal
cial, porque em qualquer lugar do mun- plo dado, isso pode ocorrer em atenção nulidade é superável, ou seja, é sanável,
do será possível ir à audiência. E no tem- ao próprio interesse do acusado. se o ato atingir sua finalidade, isto é, se
po porque, com a gravação da audiência o interrogado for ouvido, não haverá nu-
em compact disc e sua juntada aos autos 6.7 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE lidade, nos exatos termos do art. 572,
do processo, será possível a consulta em PROCESSUAL inc. II, do CPP.
qualquer momento, pelo juiz ou pelos Cabe indagar: são nulos os atos pro- 123
magistrados das instâncias superiores, os cessuais praticados com o emprego dos 6.8 A CONSTITUCIONALI DADE
quais poderão assistir inúmeras vezes ao meios eletrônicos retromencionados? DA LEI ESTADUAL
ato. Esse foi um dos motivos que leva- Para responder a essa pergunta, va- Por fim, registre-se mais um breve
ram o legislador a criar a possibilidade mos aproveitar o exemplo do comentário sobre as críticas dirigidas con-
de gravação de audiências ocorridas no teleinterrogatório, ato mais combatido tra a Lei n. 11.819/05, do Estado de São
âmbito dos juizados especiais, instituídos pela doutrina. Paulo, considerada por muitos incons-
pela Lei n. 9.099/95.
Com a videoconferência, a publicidade dos atos processuais
6.6 A GARANTIA CONSTITUCIONAL será ampliada no espaço e no tempo. No aspecto espacial,
DA CELERIDADE PROCESSUAL
porque em qualquer lugar do mundo será possível ir à
Com a Emenda Constitucional n. 45,
de 8/12/2004, foi elevada à categoria de
audiência. E no tempo porque, com a gravação da audiência
garantia constitucional a celeridade proces- em compact disc e sua juntada aos autos do processo, será
sual, estando subentendida uma razoável possível a consulta em qualquer momento, pelo juiz ou pelos
duração do processo, consoante o art. 5º, magistrados das instâncias superiores (...)
inc. LXXVIII, da Constituição da República.
De certo modo esse objetivo de O ponto de partida para o estudo titucional por vício de origem, já que o
celeridade já fazia parte do ordenamento das nulidades no contexto do Código uso de videoconferência em interrogató-
jurídico nacional, com previsão em trata- de Processo Penal brasileiro está deli- rios e audiências só pode ser instituído
dos e convenções internacionais ratifica- mitado pela previsão do ato de interro- por lei federal, já que compete privativa-
dos pelo Brasil, mas o constituinte con- gatório nos arts. 185 a 196. Em tais dis- mente à União legislar sobre o Direito
signou a preocupação com o largo tem- positivos, destacam-se os procedimen- processual (art. 22, inc. I, da CF).
po de tramitação dos processos no Po- tos para a realização do interrogatório, Com a devida vênia, o estado
der Judiciário. Assim, podemos entender composto por perguntas do magistra- paulista não inovou em matéria de pro-
que a celeridade e a razoabilidade do tem- do, participação das partes e interven- cesso. Embora utilizadas como sinôni-
po de duração do processo são garantias ções do réu ou até a garantia de este mas, processo e procedimento são ex-
do cidadão, da mesma forma que o con- permanecer calado. Todas essas forma- pressões distintas. Processo, em senti-
traditório e a ampla defesa. lidades podem ser atendidas por meio do amplo, segundo a terminologia jurí-
Com a interpretação conjunta des- do teleinterrogatório, sem que haja pre- dica mais aceita, significa o conjunto de
sas garantias constitucionais, não só o juízo às partes. princípios e regras jurídicas instituído
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para que se administre a Justiça. Em sentido estrito, revela-se
no conjunto de atos, que se executam numa ordem REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES
preestabelecida, tendo por finalidade investigar e descobrir a ABREU FILHO, Saulo de Castro. Segurança pública. Revista de Cultura do Insti-
tuto Metropolitano de Altos Estudos, v. 4, n 10, p.46-57, jul./ dez. 2003.
verdade, que seja efetivamente adequada à apuração dos fa- ADEODATO, João Maurício. Filosofia do Direito: uma crítica à verdade na ética
tos, produzindo os alicerces básicos de uma sentença penal e na ciência. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
absolutória ou condenatória. Por outro lado, procedimento é ALMEIDA, José Raul Gavião de. O interrogatório à distância. Universidade de
designado juridicamente como método para que se faça ou se São Paulo, São Paulo, 2000. (Tese Doutorado)
ARAS, Vladimir. Videoconferência no processo penal. Jus Navigandi, Teresina.
execute alguma coisa, vale dizer, é o modo de agir, a maneira v. 9, n. 585, 12 fev. 2005. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/
de atuar ou a ação de proceder. É o meio exterior utilizado texto.asp?id=6311>. Acesso em: 13 ago. 2005.
para realizar o objetivo intentado. ________. O teleinterrogatório no Brasil. Jus Navigandi, Teresina, v. 7, n. 61,
jan. 2003. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3632>.
A nosso ver, a regulamentação efetuada envolve procedi- Acesso em: 13 ago. 2005.
mento processual, e não processo. Sendo assim, como a maté- BADARÓ, Gustavo Henrique Righi Ivany. A Lei Estadual n. 11.819, de 5/1/05, e o
ria é procedimental, a unidade estadual tem competência para interrogatório por videoconferência: primeiras impressões. Boletim IBCCrim, v.
12, n. 14, p. 2, mar. 2005.
legislar, nos exatos termos do art. 24, inc. XI, da Constituição da BARBOSA, Marco Antonio. O Direito do passado e o futuro do Direito. Revista
República, que atribui competência concorrente entre União, do Curso de Direito do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas
estados e Distrito Federal para legislar sobre procedimentos em Unidas, v. 17, n. 25, p. 85-91, 2003.
BARROS, Marco Antonio de. A busca da verdade no processo penal. São Paulo:
matéria processual.
Revista dos Tribunais, 2002.
________. Teleaudiência, interrogatório “on-line”, videoconferência e o prin-
7 CONCLUSÃO cípio da liberdade da prova. Revista do Curso de Direito do Centro Universitário
Na instrução do processo penal, ainda prevalece, como re- das Faculdades Metropolitanas Unidas, v. 17, n. 25, p. 197-209, 2003.
BECHARA, Fábio Ramazzini; CAMPOS, Pedro Franco de. Princípios constitucio-
gra geral, e preferencial, a colheita de depoimentos e a realiza- nais do processo penal: questões polêmicas. Jus Navigandi, v. 9, n. 593, fev.
ção do interrogatório do acusado pela via direta, ou seja, em 2005. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6348>.
audiência presencial e com a atuação participativa do juiz, sem a Acesso em: 13 ago. 2005.
BOTELHO, Fernando Netto. Videoconferência na Justiça. Disponível em: <http:/
utilização de instrumentos de vídeos ou de técnicas que afastem /sunweb-6.tjmg.gov.br/ejef/ead/mod/resource/view.php?id=103>. Acesso em:
o julgador do contato direto com o acusado e depoentes. 13 jan. 2006.
Todavia, nada justifica impedir a utilização de modernos BRANDÃO, Edison Aparecido. Do interrogatório por videoconferência. Revista
dos Tribunais, v. 87. n. 755, p. 504-506, set. 1998.
meios eletrônicos de comunicação, tais como a internet, a
BRANCO, Tales Castelo. Parecer sobre interrogatório on line. Boletim IBCCrim.
124 videoconferência e suas modalidades tecnológicas na produção São Paulo, n. 124, mar. 2003.
de atos e na colheita de provas no processo criminal. Não se CAMARGO, Antonio Luis Chaves. Interrogatório on line e Direito Penal atual.
pode fechar essa porta de evolução procedimental para o Judiciá- Boletim IBCcrim, São Paulo, n. 48, p. 11, nov.1996.
CARVALHO, Ivan Lira de. Internet e o acesso à Justiça. Revista de Processo, São
rio. É preciso manter a confiança nos juízes criminais que, na Paulo, v. 25, n. 100, p. 107-126, out./dez. 2000.
instância adequada, são os verdadeiros garantidores dos direi- ________. Internet e o operador jurídico on-line: Justiça Federal RN. Disponí-
tos e das garantias fundamentais, e que certamente não permi- vel em: http://www.jfrn.gov.br. Acesso em: 11 out. 2005.
CAVALHEIRO, Gelson Luiz da Silva. Interrogatório virtual: Justiça real? Disponí-
tirão o ingresso de novas técnicas de procedimento que possam vel em: <http://www.ufsm.br/direito/artigos/processopenal/
ferir tais princípios. interrogatorio_virtual.htm> Acesso em: 11.out. 2005
Se a lentidão do curso do processo pode ensejar a eventual CINTRA JÚNIOR, Dyrceu Aguiar Dias. Interrogatório on line ou virtual? Boletim
ocorrência da prescrição, o que pode ser aceitável como estilo IBCCrim, n. 42, p. 3, jun. 1996.
COSTA, Julio Machado Teixeira. A transmissão de atos processuais por fac-símile
de defesa, também não se pode esquecer que a mesma lenti- ou meios semelhantes: Lei 9.800/99. Revista de Processo, n. 96, p. 10, out./dez.
dão pode tornar-se prejudicial ao interesse do acusado quando 1999.
este deixa de obter a liberdade mais rapidamente, por circuns- DELGADO, José Augusto. Sistema processual brasileiro e cidadania. Teia Jurídi-
ca. Disponível em: <http://www.teiajuridica.com/mz/proccida.htm>. Acesso em:
tâncias diversas já elencadas neste comentário. 15 out. 2005.
Em suma, somos favoráveis à utilização dos meios eletrôni- DOTTI, René Ariel. O interrogatório à distância: um novo tipo de cerimônia
cos para a colheita de prova e o interrogatório, sempre que as degradante. Revista dos Tribunais, v. 86, n. 740, p. 476-481, jun. 1997.
peculiaridades do caso justificarem a substituição do contato D’URSO, Flávia. A videoconferência na crise do constitucionalismo democráti-
co. Boletim IBCCrim, São Paulo, v. 11, n. 129, p. 2, ago. 2003.
pessoal do juiz com os atores do processo. D’URSO, Luiz Flavio Borges. O interrogatório por teleconferência: uma desa-
gradável Justiça virtual. Revista Síntese de Direito Penal e Processual Penal, v. 3,
n. 17, p. 42-44, dez. 2002/jan. 2003.
FERNANDES, Antonio Scarance. A inconstitucionalidade da lei estadual sobre
REFERÊNCIAS videoconferência. Boletim IBCCrim, São Paulo, v. 12, n. 147, p. 7, fev. 2005.
1 Apenas para reforço dessa afirmação, anota-se que o Tribunal de Justiça de FERNANDES, Paulo Sergio Leite. A falácia dos interrogatórios virtuais. Boletim
São Paulo editou a Portaria GPSC n. 1/2006, da presidência da Seção Crimi- IBCCrim, São Paulo, v. 10. n. 120, p. 1-2, nov. 2002.
nal, uniformizando as atividades realizadas pelos Serviços de Processamento GANDINI, João Agnaldo Donizeti; SALOMÃO, Diana Paola da Silva et al. A vali-
dos Grupos de Câmaras de Direito Criminal, determinando, em seu art. 3º,
dade jurídica dos documentos digitais. Jus Navigandi, v. 6, n. 58, ago. 2002.
que, em relação aos processos do interior (do Estado de São Paulo), os
Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3165>. Acesso em:
mandados de intimação da pauta de julgamento aos defensores públicos
serão transmitidos via fac-símile aos juízos respectivos, que, após ciência 13 ago. 2005.
do Procurador do Estado, os retransmitirão pelo mesmo meio à Secretaria GOMES, Luiz Flávio. O interrogatório a distância (on line). Boletim IBCCrim,
do Tribunal (portaria publicada em 4 e 5/1/2006, DOE Just., Parte I, p. 4). São Paulo, n. 42, p. 6, jun. 1996.
2 Notícia publicada na revista Consultor Jurídico de 11 de agosto de 2005, ________. Era digital, Justiça informatizada. Revista Síntese de Direito Penal e
comentando o Habeas Corpus n. 2005.04.01.026884-2 Disponível em: Processual Penal, v. 3, n. 17, p. 40-41, dez. 2002/jan. 2003.
<http://conjur.estadao.com.br/static/text/37014,1>. ________. O interrogatório a distância através de computador. Revista Literá-
3 Segurança Pública. Revista de Cultura do Instituto Metropolitano de Altos ria de Direito, n. 14, p.14, 1996.
Estudos (IMAE), São Paulo, v. 4, n. 10, p. 55, jul./dez. 2003. GOMES FILHO, Antonio Magalhães. Garantismo à paulista: a propósito da

Revista CEJ, Brasília, n. 32, p. 116-125, jan./mar. 2006


videoconferência. Boletim IBCCrim, v. 12, n. 147, p. cesso penal. Monografia (Especialização em Direi-
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tanas Unidas, v.17, n. 25, p. 61-71, 2003. Marco Antonio de Barros é professor e
________. Interrogatório a distância: on line. Re- pesquisador do curso de pós-graduação da
vista dos Tribunais, v. 90, n. 788, p. 487-496, jun.
2001.
UniFMU e doutor em Direito Processual
STROZAKE, Iara Alves Ferreira Yabiku. pela Universidade de São Paulo – USP.
Videoconferência: a utilização da tecnologia no pro- César Eduardo Lavoura Romão é advogado.

Revista CEJ, Brasília, n. 32, p. 116-125, jan./mar. 2006