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APS – PROCESSO PENAL: INFRAÇÕES E PROCEDIMENTOS CRIMINAIS

NOME: Camila Beatriz de Souza Silva


RA: 3438453
TURMA: 003106B02

Resenha do texto A FILOSOFIA DE AGAMBEN, O TERRORISMO DE BIN


LADEN E O DIREITO PENAL DO INIMIGO: UM ESTUDO DE FRONTEIRAS
ENTRE A PROTEÇÃO E A PUNIÇÃO de Fernando Antônio C. Alves de Souza
e José Arlindo de Aguiar Filho

Os juristas Fernando Antônio C. Alves de Souza e José Arlindo de Aguiar Filho


fizeram uma análise sobre a visão filosófica de Giorgio Agamben, um professor
italiano de filosofia, acerca da forma adotado pelos EUA a para punir os
terroristas, na época dos ataques de 11 de setembro de 2001 e publicaram na
Revista Justiça e Sistema Criminal.

Nessa analise os juristas eles abordam a teoria do Direito Penal do Inimigo,


então iniciam o artigo especificando quem é o “inimigo” da teoria. Eles explicam
que no Direito, principalmente o penal, a prática e a teoria se divergem muito,
como é visto na prática nos casos que envolvem terrorismo. Na prática é bem
difícil conciliar o defender os direitos humanos e o punir os agentes que cometem
crimes, ainda mais os terroristas. Dessa forma, eles relembram o caso de Osama
Bin Laden e relacionam as teorias dos filósofos Agamben e Günther Jakobs.

No livro de Agamben, o estado de Exceção, não é um direito especial, mas a


suspensão do ordenamento jurídico cria o limite do próprio ordenamento jurídico,
ou seja, a suspensão do ordenamento jurídico abrange os limites da punição
para proteger o Estado. Nesse ponto de vista, em um estado de exceção os
direitos humanos estariam deixados de lado.

Essa visão de Agamben sobre o ordenamento jurídico no estado de exceção foi


observada na prática, na Guerra ao Terror declarada pelos EUA, depois dos
ataques de 11 de setembro de 2001, que gerou a morte de várias pessoas
ligadas ao terrorismo, principalmente Osama Bin Laden, o líder da AlQaeda, a
época.

A declarada Guerra ao Terror, em 2001, pelo ex-presidente dos EUA, George W.


Bush, permitiu abusos na hora de punir os terroristas. Manobras jurídicas no
estado de exceção fizeram com que os talibãs não se encaixassem em nenhuma
qualificação de réu já existente no ordenamento jurídico norte americano, nem
em prisioneiros de guerra, o que criou uma situação de vulnerabilidade perante
os tribunais americanos. Não havia leis já elaboradas para esse tipo de situação
nos EUA.

Nesse caso dos EUA versus terroristas, estes eram vistos como tão impuros que
não mereciam estar inseridos na jurisdição americana, de tal forma que suas
mortes não seriam consideradas homicídios. O Estado de Exceção observado
nos EUA, a essa época, foi a representação do que Agamben disse sobre os
limites do ordenamento jurídico em seu livro, a morte como pena para proteger
o Estado, a pena sem limites. A partir dessa situ ação cria-se a discussão sobre
quem realmente é considerado o inimigo e se existe inimigo em um Estado
democrático de Direito.

O conceito de Direito Penal do Inimigo foi criado e citado pela primeira vez para
caracterizar a legislação penal da Alemanha, dos anos 80, mas teve mais
publicidade quando Günther Jakobs passou a utilizar para abordar a forma como
o Estado, por meio do direito penal, pode deixar de confrontar seus cidadãos,
mas sim seus inimigos, ou seja, o Estado passa a usar a legislação penal para
punir seus inimigos de forma mais rígida e não com o objetivo de promover a
segurança da sua sociedade. Entretanto, depois de várias críticas, Jakobs
passou a defender a opinião de que para defender o Estado Democrático de
Direito dos perigos eminentes advindos da Globalização era necessário adotar
o Direito Penal do Inimigo, mas parcialmente.

No conflito entre defender os direitos humanos fundamentais e defen der o


Estado, Jakobs prioriza a defesa do Estado por meio do Direito Penal do Inimigo,
já que o Estado é algo inegociável, apenas ele sabe a melhor forma de proteger
a sua sociedade. A respeito desse ponto de vista, Paulo César Busato, em seu
livro diz que defender a adoção do Direito Penal do Inimigo na verdade deveria
ser fundamentado na Soberania do Estado, não nas teorias contratualistas como
fez Jakobs.

Os autores do artigo trazem a visão de Claus Roxin a respeito do tema, em


contraste com a visão de Jakobs, que se resume em que o Direito Penal do
Inimigo é um caminho para o totalitarismo, um risco para o Estado Democrático
de Direito, já que permite neste, todos são iguais perante a lei e naquele esse
princípio básico pode ser desrespeitado, ele diz qu e um Estado que deixa de
respeitar a isonomia não é mais um Estado de Direito.

No Brasil, observamos o oposto do Direito Penal do Inimigo. No ordenamento


jurídico brasileiro são estabelecidas formas de beneficiamento para o autor do
crime ou para até mesmo quem já foi condenado, sendo chamado de Direito
Penal do Amigo.

Foi discutido, em uma palestra, no Distrito Federal, sobre a possibilidade de


haver um inimigo no Estado Democrático de Direito e foi chegada a conclusão
de que sempre houve um inimigo para o Estado, desde a idade média, com as
bruxas, até o dia de hoje, com o tráfico ou o terrorismo. Entretanto, para a
fortificação do Estado Democrático de Direito não se deve haver essa ideia de
inimigo.

A partir disso, os autores do artigo concluem que no Brasil o Direito Penal é


composto, boa parte, por leis simbólicas, ou seja, leis derivadas da opinião
pública, da repercussão na sociedade, levando em conta valores morais
tradicionais para estabelecer uma punição. Sendo dessa forma um tipo de Direito
Penal do Inimigo, visando a punição com base na moral da sociedade.

Ao final do artigo, é feito um breve resumo sobre o texto, relembrando que


Agamben se contrapunha a teoria do Direito Penal do Inimigo, de Jakobs,
mesmo que em sua obra ele diz que esse modo de legislação é necessário para
defender o Estado Democrático de Direito dos perigos trazidos pela
Globalização. Além disso, relembram que na prática foi observado o Direito penal
do Inimigo quando os EUA declaram a guerra ao terror. Dizem que, nessa
guerra, os EUA perderam, já que o intuito dela era proteger o ordenamento
jurídico norte americano, porém eles o suspendera, com o Estado de Exceção e
a falta de legislação para tratar o caso. Os EUA não levaram em conta os direitos
humanos na hora de julgar os terroristas, os reduziram ao homo sacer, não
cabiam em seu ordenamento, então não teriam que ser julgados como pessoas,
nem se quer serem julgados.

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