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MATEMÁTICA

FINANCEIRA

Robertson Campelo Panaino


Presidente Divisão Sul-Americana: Stanley Arco
Diretor do Departamento de Educação para a Divisão Sul-Americana: Antônio Marcos
Presidente Mantenedora Unasp (IAE): Maurício Lima

EAD
Educação Adventista a Distância

Reitor e Diretor Campus Engenheiro Coelho: Martin Kuhn


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Editora Universitária Adventista

Conselho editorial e artístico: Dr. Adolfo Suárez; Dr. Afonso Cardoso; Dr. Allan Novaes;
Me. Diogo Cavalcanti; Dr. Douglas Menslin; Pr. Eber Liesse; Me. Edilson Valiante;
Dr. Fabiano Leichsenring, Dr. Fabio Alfieri; Pr. Gilberto Damasceno; Dra. Gildene Silva;
Pr. Henrique Gonçalves; Pr. José Prudêncio Júnior; Pr. Luis Strumiello; Dr. Martin Kuhn;
Dr. Reinaldo Siqueira; Dr. Rodrigo Follis; Esp. Telson Vargas

Editor-chefe: Rodrigo Follis


Gerente administrativo: Bruno Sales Ferreira
Editor associado: Werter Gouveia
Responsável editorial pelo EaD: Luiza Simões
Robertson Campelo Panaino
Mestre em Engenharia de Produção, linha de MATEMÁTICA
pesquisa Gestão da Tecnologia e Inovação pela
Universidade Federal de são Carlos (UFSCar) FINANCEIRA

1ª Edição, 2021

Editora Universitária Adventista


Engenheiro Coelho, SP
Matemática financeira
Editora Universitária Adventista
1ª edição – 2021
Caixa Postal 88 – Reitoria Unasp e-book (pdf)
Engenheiro Coelho, SP – CEP 13448-900
Tel.: (19) 3858-5171 / 3858-5172

www.unaspress.com.br Validação editorial científica ad hoc:


Robinson Panaino
Mestre em Educação Matemática pela Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

Conselho editorial e artístico: Martin Kuhn, Telson


Coordenação editorial: Amanda Ferelli Vargas, Rodrigo Follis, Adolfo Suárez, Afonso Cardoso,
Allan Novaes, Antônio Marcos Alves, Diogo Cavalcanti,
Preparador: Samara Paradello Douglas Menslin, Eber Liesse, Edilson Valiante, Fabiano
Leichsenring, Fabio Alfieri, Gilberto Damasceno, Gildene
Projeto gráfico: Ana Paula Pirani Silva, Henrique Gonçalves, José Prudêncio Júnior, Luis
Capa e Diagramação: Felipe Rocha Strumiello, Reinaldo Siqueira

Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP)


(Ficha catalográfica elaborada por Hermenérico Siqueira de Morais Netto – CRB 7370)

Campagnoni, Mariana / dos Santos, Diego Henrique Moreira


Formação da identidade profissional do contador [livro eletrônico] / Mariana Campagnoni. -- 1.
ed. -- Engenheiro Coelho, SP : Unaspress, 2020.

1 Mb ; PDF

ISBN 978-85-8463-172-8

1. Carreira profissional 2. Contabilidade 3. Contabilidade como profissão 4. Contabilidade como


profissão - Leis e legislação 5. Formação profissional 6. Negócios I. Título.

20-33026 CDD-370.113

OP 00123_127

Editora associada:

Todos os direitos reservados à Unaspress - Editora Universitária Adventista. Proibida


a reprodução por quaisquer meios, sem prévia autorização escrita da editora, salvo
em breves citações, com indicação da fonte.
SUMÁRIO

JUROS E TAXAS........................................................9
VOCÊ ESTÁ AQUI

Introdução.........................................................................................10

Juros e Taxas......................................................................................12

Juro simples......................................................................................12
Tempo de aplicação.................................................................16
Montante..................................................................................16
Cálculo de juros .......................................................................16
Cálculo da taxa.........................................................................18
Cálculo do capital.....................................................................19
Cálculo do montante................................................................20
Cálculo do tempo de aplicação................................................21

Desconto simples..............................................................................23
Cálculo do desconto e valor presente......................................24
VOCÊ ESTÁ AQUI Cálculo do valor futuro.............................................................25

Juros compostos...............................................................................26

Desconto composto..........................................................................33

Taxa nominal e efetiva......................................................................37

Taxas equivalentes............................................................................44

Considerações finais.........................................................................47

Referências........................................................................................51
EMENTA
Estudo dos fundamentos da matemática
financeira aplicada à resolução de problemas
típicos das atividades mercantis e financeiras
das organizações. Introdução à HP-12C.
Conceitos e aplicações de Juros simples, juros
compostos, taxas equivalentes, séries de
pagamentos uniformes e não uniformes e
sistemas de amortização.
UNIDADE 1

JUROS E TAXAS

- Reconhecer a necessidade da matemática financeira para o bom


desenvolvimento econômico da empresa e do país;
- Conhecer e aplicar as ferramentas da matemática financeira na resolução
OBJETIVOS

de problemas econômicos e administrativos em seu dia a dia;


- Habituar-se aos cálculos financeiros na resolução de problemas;
- Obter conhecimento necessário para aumentar sua competência ao
tomar decisões organizacionais;
- Pensar estrategicamente.
MATEMÁTICA FINANCEIRA

INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo ao tópico de matemática financeira.
Este estudo foi elaborado com a finalidade de fazer você
compreender, de forma prática e didática, os temas abordados.
Estudar matemática financeira é estudar as diferentes formas da
evolução do dinheiro ao longo do tempo, bem como responder
a algumas questões financeiras, tais como juros, compras à vista
ou a prazo, aplicações e investimentos. Por isso, estudaremos
uma série de exemplos e atividades ao longo dessa temática.

Possuir bons conhecimentos sobre cálculos financeiros


e análise de investimentos é de suma importância, já que a
matemática financeira pode ser aplicada em diversas áreas do
nosso cotidiano. Por exemplo, é importante saber como calcular
as prestações do financiamento de um móvel ou imóvel,
escolhendo pelo pagamento à vista ou parcelado. Também
é por meio da matemática financeira que se consegue tomar
decisões em relação a investimentos ou financiamentos de bens
de consumo, ou seja, entender como funciona o fluxo de capital
nas mais diversas situações financeiras.

Para um melhor aproveitamento do estudo, esse assunto


foi dividido em duas unidades, com o objetivo de desenvolver
técnicas e práticas presentes no mercado profissional.

10
Juros e Taxas

Nesta unidade você aprenderá a:

• Calcular os juros e os descontos simples;

• Calcular os juros e os descontos compostos,


saber diferenciá-los dos juros simples e
compreender em quais situações se aplicam;

• Compreender os conceitos de taxa


nominal e de taxa efetiva;

• Diferenciar e calcular as taxas efetiva e nominal;

• Entender os conceitos de juro, capital,


taxa, prazo e montante;

• Compreender juro e desconto no mercado financeiro.

Esperamos que você aproveite o estudo disciplina, pois


com ele você poderá ser mais crítico ao analisar operações
financeiras, possuindo autonomia para a tomada de decisões
sobre as opções que o mercado oferece.

Bom estudo!

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

JUROS E TAXAS
Cotidianamente, nos deparamos com algumas situações
como, por exemplo, comprar uma roupa parcelada, realizar um
empréstimo no banco para comprar uma casa ou depositar certa
quantia em uma poupança para render juros ou descontos nas
mercadorias compradas à vista. O conteúdo que vamos estudar
agora é relacionado a essas situações, mais especificamente aos
juros e descontos simples.

JURO SIMPLES
Os juros existem porque nem sempre as pessoas possuem
recursos financeiros para comprar algo ou pagar suas dívidas.
Algumas pessoas também podem querer quitar suas dívidas
antes do prazo final, gerando uma alteração no valor, o que
chamamos de desconto.

Antonik (2012) define juro como um aluguel, sendo


aplicado pelo uso do dinheiro de outra pessoa. Assim, quando
alguém fornece um capital a terceiros, o fornecedor deve ser
remunerado por isso.

12
Juros e Taxas

Nesse contexto, o dono do dinheiro, conforme aponta


Vieira Sobrinho (2012, p. 18), deve considerar alguns aspectos
quando estiver disposto a emprestar uma quantia:

• Risco: Probabilidade de o tomador do


empréstimo não resgatar o dinheiro.

• Despesas: Todas as despesas operacionais,


contratuais e tributárias para a formalização
do empréstimo e a efetivação da cobrança.

• Inflação: Índice de desvalorização do


poder aquisitivo da moeda previsto
para o prazo de empréstimo.

• Ganho ou lucro: Fixado em função das


demais oportunidades de investimentos,
justifica-se pela privatização, por parte
de seu dono, da utilidade do capital.

Assim, os juros devem ser suficientes para cobrir o


risco, as despesas e a perda do poder aquisitivo do capital
emprestado, além de proporcionar certo lucro ao seu
aplicador (VIEIRA SOBRINHO, 2012).

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

Juro simples pode ser caracterizado como um sistema de


capitalização linear, em que a taxa de juros é aplicada somente
sobre o capital inicial (CRESPO, 2009). Vieira Sobrinho (2012)
ressalta que as pessoas que possuem recursos para utilizar na
compra de bens de consumo ou imóveis podem emprestá-los
a terceiros, adquirir títulos de renda ou guardá-los para um
posterior investimento, obtendo lucro com essas operações.

Dessa forma, é importante que você entenda que o dinheiro


possui um preço, pois quem pede emprestado de bancos ou de
financiadoras deve devolver a quantia emprestada depois de certo
tempo, sendo, com isso, acrescido um valor extra pelo uso do dinheiro
de outra pessoa. O mesmo acontece com o cheque especial: você paga
o aluguel temporário por uma quantia que o banco emprestou.

SAIBA MAIS

Você poderá aprofundar esse assunto assistindo ao vídeo


do Professor Daniel Ferretto: “Matemática Básica - Aula
28 - Juros Simples (parte 1)”. Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=YHFAeGkBHZI. Acesso em: 06 out.
2021. Também poderá pesquisar em outros livros que tra-
tam desse tema, pois existe um farto material disponível.

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Juros e Taxas

Como você pôde perceber, o cálculo dos juros está


diretamente ligado ao capital aplicado, à taxa de juro, ao
período de tempo que esse dinheiro foi usado e ao montante.
Vejamos, a seguir, o que significa cada um desses termos.

• Capital: Em matemática financeira, uma quantia


em dinheiro que vai ser aplicada, emprestada
ou investida em algo (ANTONIK, 2012).

• Taxas de juro: Chamamos de taxa de juro a


relação existente entre o juro e o capital, qual
pode ser representada em termos unitários
ou percentuais. Logo, temos a seguinte
fórmula em que J é o juro e C é o capital:

• Normalmente, a taxa é expressa da forma


percentual, seguida da especificação do período de
tempo. Portanto, um exemplo de taxa seria: 1,5%
a.m. Lê-se um porcento e meio ao mês. Outros
tipos de períodos são: ao dia (a.d.), ao ano (a.a.),
ao semestre (a.s.), ao trimestre (a.t.), entre outros.

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

TEMPO DE APLICAÇÃO

Todas as taxas estão associadas a períodos de tempo (n),


mas, quanto maior for esse tempo, maiores serão os riscos de o
proprietário do capital não o receber e, por consequência, maior
será seu custo (ANTONIK, 2012).

Dessa forma, apreendemos que o tempo de aplicação é o


período em que o dinheiro ficou aplicado rendendo juros. A
seguir, vamos apresentar o valor que resulta da soma do capital
com o juro aplicado em toda a operação de empréstimo.

MONTANTE
O montante (M), para Antonik (2012), é o resultado da
soma entre o capital inicialmente emprestado (C) e os juros (J)
gerados nesse período de tempo (n), ou seja:

CÁLCULO DE JUROS

A partir deste momento, vamos aprender a calcular os juros


e os componentes da capitalização linear. É importante lembrar
que, nesse tipo de capitalização, os juros são iguais em todos os

16
Juros e Taxas

períodos, ou seja, não têm variação durante o período. Assim, o


juro é calculado da seguinte maneira:

Exemplo 1: Calcule o valor gerado por um capital de R$


5.000,00 emprestado a uma taxa de juros de 3% ao mês durante
um ano. Note que a taxa de juros é dada em meses e o tempo, em
anos. Portanto, precisamos adequar o período para uma mesma
unidade. Podemos transformar um ano em 12 meses. Assim:

C = R$ 5.000,00
n = 12 meses

Precisamos, também, transformar a taxa de juros que está


em percentual em um índice. Essa operação sempre será feita
como segue:

i = 3% a.m = 0,03 a.m

Agora, podemos utilizar a fórmula indicada no início do


tópico e os dados apresentados. Desse modo, vamos obter:

J = C.i.n
J = 5.000 . 0,03 . 12
J = R$ 1.800,00

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

Logo, o juro produzido pelo capital dado em um ano foi de


R$ 1.800,00.

CÁLCULO DA TAXA

Em algumas ocasiões, temos as informações do capital, do


período em que o capital é aplicado e quanto ele rendeu. Porém,
não sabemos em que taxa essa operação foi aplicada. O exemplo
a seguir ilustra essa situação:

Exemplo 2: Um capital de R$ 25.000,00, aplicado durante


cinco meses, rende juros de R$ 2.500,00. Determine a taxa
correspondente a essa aplicação, a partir dos dados a seguir:

C = 25.000,00
n = 5 meses
i=?
J = R$ 2.500,00

Podemos utilizar a mesma fórmula do tópico anterior para obter


o valor desejado, sendo que agora a incógnita é a taxa de juros “i”:

2.500 = 25.000 . i . 5
2.500 = 12.500 . i

18
Juros e Taxas

Em porcentagem: 0,02 x 100 = 2% a.m.

CÁLCULO DO CAPITAL

Para quando não sabemos o capital inicial aplicado.

Exemplo 3: Qual o valor do capital que, aplicado a uma


taxa de 2,5% ao mês, rende juros de R$ 120.000,00 em dois anos?

Análise os seguintes dados para a resolução:

J = R$ 120.000,00
i = 2,5% = 0,025
n = 2 anos = 24 meses
C=?

Podemos utilizar a mesma fórmula, mas com a incógnita


sendo capital “C”. Assim, temos que:

120.000 = C . 0,025 . 24
120.000 = C . 0,6
C = 200.000

Portanto, o capital aplicado foi de R$ 200.000,00.

19
MATEMÁTICA FINANCEIRA

CÁLCULO DO MONTANTE

A situação mais comum no cotidiano é conhecermos


capital, taxa e período de investimento. Nesse caso, desejamos
saber o montante que será obtido ao final do período.

Exemplo 4: Calcule o montante e os juros referentes a um


capital de R$ 490,50 investido a uma taxa de 0,3% a.d, durante
1,5 anos. Para este cálculo, temos os seguintes dados:

C = 490,50
i = 0,3% = 0,003 a.d.

A taxa de juros está ao dia, e o tempo, em anos. Então,


precisamos deixar esses valores na mesma unidade, lembrando
que, em matemática financeira, o ano comercial tem 360 dias.
Assim, temos que: n = 1,5 anos x 360 dias = 540 dias.

Para calcularmos os juros, usamos a fórmula:

J=C.i.n
J = 490,50 . 0,003 . 540
J = 794,61

20
Juros e Taxas

Como vimos, o montante é encontrado somando o valor do


capital inicial com os juros obtidos desse capital. Portanto, temos:

M=C+J
M = 490,50 + 794,61
M = 1285,11

Desse modo, o presente capital rendeu R$ 794,61 de juros,


gerando um montante de R$ 1.285,11.

CÁLCULO DO TEMPO DE APLICAÇÃO

Quando sabemos o valor investido, a taxa e o montante que


desejamos obter, calculamos o tempo de aplicação.

Exemplo 5: Fernanda pretende comprar um carro que custa


R$ 23.500,00, mas possui apenas R$ 18.000,00. Como ela não
quer pagar juros ao comprar o carro, decide esperar e aplicar o
seu dinheiro em uma instituição financeira que paga uma taxa
de juros de 5% a.m. Sabendo disso, depois de quanto tempo
Fernanda poderá comprar o carro que deseja?

Para este problema, temos a seguinte solução:

21
MATEMÁTICA FINANCEIRA

C = 18.000
M = 23.500
i = 5% a.m = 0,05 a.m

Como o montante é obtido somando o valor do capital


inicial com os juros obtidos desse capital, logo:

M=C+J
23.500 = 18.000 + J
J = 5.500

Assim, sabemos que o juro que Fernanda precisa é de R$


5.500,00. Agora vamos utilizar a fórmula do juro para descobrir
o período que o dinheiro precisa ficar aplicado.

J=C.i.n
5.500 = 18.000 . 0,05 . n
5.500 = 900 . n
n 6,11

Portanto, Fernanda deverá deixar seu dinheiro aplicado


durante aproximadamente seis meses para então conseguir
comprar o carro deseja.

22
Juros e Taxas

SAIBA MAIS

Convidamos você a pesquisar um pouco mais sobre as


aplicações financeiras e os juros assistindo à reportagem
da Rede União: “Aplicações financeiras”. Disponível
em: http://www.youtube.com/watch?v=lqXckYv0gE8.
Acesso em: 06 out. 2021. Nesse vídeo, você obterá
informações sobre alguns investimentos seguros para
se guardar dinheiro.

DESCONTO SIMPLES
O desconto simples é similar ao juro simples, a diferença
é que o desconto, como o próprio nome diz, é um benefício
concedido a uma pessoa ou empresa pelo pagamento
antecipado da sua dívida, enquanto o juro é dado para estender
o prazo de pagamento.

Para Crespo (2009), desconto (D) é a quantia a ser abatida do


valor nominal, ou seja, é a diferença entre o valor nominal (valor
futuro, VF) e o valor atual (valor presente, VP). Para obter o valor
presente, basta subtrairmos o desconto do valor futuro:

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MATEMÁTICA FINANCEIRA

VP = VF – D

CÁLCULO DO DESCONTO E VALOR PRESENTE

Exemplo 6: Qual o valor do desconto simples e do valor


presente de um título de R$ 2.000,00 com vencimento para 120
dias, a uma taxa de 2,5% ao mês? Para a resolução do problema
acima, análise os dados:

VF = R$ 2.000,00
n = 120 dias = 4 meses
i = 2,5% a.m = 0,025 a.m

Utilizando a fórmula estudada anteriormente e


substituindo com os dados acima, temos que:

D = VF . i . n
D = 2.000 . 0,025 . 4
D = 200

Dando continuidade, vamos obter o seguinte valor presente:

VP = VF – D
VP = 2.000 – 200
VP = 1.800

24
Juros e Taxas

Portanto, o desconto do título hoje seria de R$ 200,00, e o


valor presente, de R$ 1.800,00.

CÁLCULO DO VALOR FUTURO

Exemplo 7: Uma duplicata, que tem 37 dias até o seu prazo


de vencimento, se for paga hoje, terá o valor de R$ 30.190,00.
Levando em consideração que o banco cobra uma taxa de
desconto de 5,2% ao mês, qual seria o valor dessa duplicata em
seu prazo final? Inicialmente, temos que:

VP = R$ 30.190,00
n = 37 dias
0,052
i = 5,2% a.m = = a.d. ≅ 0,00173 a.d.
30
VF = ?

Como nessa equação não temos valores definidos para duas


variáveis, D e VF, é impossível obter a solução desse problema
somente por meio da fórmula D = VF . i . n. Entretanto, como
sabemos que VP = VF – D, vamos substituir essa igualdade na
equação de desconto, conforme segue:

VF – VP = VF . i . n
VF – VF . i . n = VP
VF (1 – i . n) = VP
VP
VF =
1–i.n 25

30.190
VF =
1 – 0,00173 . 37
MATEMÁTICA FINANCEIRA VF – VP = VF . i . n
VF – VF . i . n = VP
VF (1 – i . n) = VP
VF – VP = VF . i . n
VP
VF–=VF . i . n = VP
VF
1–i.n
VF (1 – i . n) = VP
30.190
Assim temos que:VF =VF = 1 – 0,00173
VP
. 37
1–i.n
VF = 32.258,87
30.190
VF =
1 – 0,00173 . 37
VF = 32.258,87

Portanto, o valor futuro, ou o valor da duplicata, é de R$


32.258,87.

Agora que você já conhece juros e descontos simples e sabe


como realizar cálculos com esses conceitos, podemos, no próximo
capítulo, estudar outro conceito importante: os juros e descontos
compostos. Vamos compreender as diferenças entre juros simples
e compostos, descontos simples e compostos, além de conhecer a
importância desses conceitos no mercado financeiro.

JUROS COMPOSTOS
Você viu, no capítulo anterior, a importância de saber calcular
os juros e descontos simples, a definição e o cálculo do montante e
as taxas aplicadas aos juros simples. Também teve a oportunidade
de ver alguns exemplos resolvidos envolvendo esse conteúdo.

26
Juros e Taxas

Dando continuidade ao assunto, mostraremos a


importância de entender o que é o juro e desconto composto,
como são calculados e quais as semelhanças e diferenças com o
juro e o desconto simples.

Juro composto, ou capitalização composta, é diferente


do juro simples, pois, nesse caso, a taxa é calculada sobre o
capital inicial com o acréscimo do juro acumulado até o período
anterior. Popularmente falando, seria “juros sobre juros”
(ANTONIK, 2012). Esse tipo de capitalização, segundo Vieira
Sobrinho (2012), é o mais utilizado nas transações financeiras,
as quais se baseiam nos seguintes princípios (Figura 1):

Figura 1 - Princípios da capitalização composta.

FINAL 1º PERÍODO FINAL 2º PERÍODO FINAL 3º PERÍODO

Ao final do terceiro período,


Ao fi­ nal do primeiro período, Ao ­final do segundo período,
os juros calculados sobre
os juros que incidem sobre os juros incidem sobre
o segundo montante
o capital inicial são a ele o primeiro montante e
incorporam-se a ele, gerando,
incorporados, produzindo o incorporam-se a ele, gerando
assim, o terceiro montante; e
primeiro montante. o segundo montante.
assim por diante.

Fonte: Adaptada de Vieira Sobrinho (2012).

Assim, podemos entender que um Capital C, aplicado a


juros compostos, com uma taxa i, durante um período de tempo
n, gera um montante (Figura 2):

27
MATEMÁTICA FINANCEIRA

Figura 2 – Desenvolvimento da fórmula da capitalização composta.

FINAL 1º PERÍODO FINAL 2º PERÍODO FINAL 3º PERÍODO

M1=C.(1+i)1 M2=C.(1+i)2 M3=C.(1+i)3

Fonte: Elaborada pelo autor (2021).

Portanto, ao final do n-ésimo período o montante será:

Mn=C.(1+i)n

Segundo Vieira Sobrinho (2012), aplicar o capital em juros


compostos significa que a taxa é modificada exponencialmente
em relação ao período de tempo.

SAIBA MAIS

Você poderá aprofundar esse estudo assistindo ao vídeo


do Professor Ferretto “Matemática Básica - Aula 29 - Ju-
ros Compostos (parte 1)”. Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=ZxhZpTcNgX8. Acesso em: 06
out. 2021. Também poderá consultar os livros indicados
nas referências, além de poder pesquisar em outros li-
vros que tratam desse tema.

28
Juros e Taxas

Neste capítulo aprendemos sobre juros compostos.


Portanto, agora, você pode resolver problemas financeiros que
envolvem tanto juro simples como composto.

Como você estudou no primeiro capítulo, os juros simples


também estão presentes nas transações financeiras. Em que
situações e por que você escolheria o juro composto em vez do
juro simples?

Para entender melhor a diferença entre juros simples e


compostos, vamos observar quanto um capital aplicado em
regimes de capitalização simples e composta rende de juros.

Exemplo 8: Segundo Crespo (2009, p. 117) um capital de


R$ 100,00, aplicado a 2% ao mês, tem a seguinte evolução no
regime de juro simples (Figura 3):

Figura 3 – Regime de capitalização simples.

MÊS JURO MONTANTE

0 - R$ 100,00

1 100 x 0,02 x 1 = 2 R$ 102,00

29
MATEMÁTICA FINANCEIRA

MÊS JURO MONTANTE

2 100 x 0,02 x 1 = 2 R$ 104,00

3 100 x 0,02 x 1 = 2 R$ 106,00

Fonte: adaptado de Crespo (2009, p. 117).

Dando continuidade ao exemplo, vamos analisar a


aplicação do juro composto (Figura 4):

Figura 4 – Regime de capitalização composta.

MÊS JURO MONTANTE

0 - R$ 100,00

1 100 x 0,02 x 1 = 2 R$ 102,00

2 102 x 0,02 x 1 = 2,04 R$ 104,04

3 100 x 0,02 x 1 = 2,08 R$ 106,12

Fonte: adaptado de Crespo (2009, p. 118).

Com base nos dados das Figuras 3 e 4, e considerando


um investimento de R$ 100,00, após o segundo mês é possível
perceber que, na capitalização composta, os juros são um pouco
mais altos e crescem gradativamente (Figura 5).

30
Juros e Taxas

Figura 5 – Comparativo de Juros Simples e Compostos do Exemplo 8


R$ 1.200,00
R$ 1.000,00
R$ 800,00
R$ 600,00
R$ 400,00
R$ 200,00
R$ 0,00
1
8
15
22
29
36
43
50
57
64
71
78
85
92
99
106
113
120
Juros simples
Juros compostos

Fonte: elaborado pelo autor (2021)

Por meio da Figura 5 é possível notar que, apesar de


inicialmente não haver grandes diferenças nos rendimentos, ao
longo do tempo a diferença é notável e evidente, ao passo que,
por exemplo, após 10 anos os mesmos R$ 100,00 reais, quando
investidos a juros simples, totalizam um montante de R$ 340,00,
já o investimento a juros compostos retorna, no mesmo período,
um montante de R$ 1076,52, uma diferença considerável. A
disparidade entre os dois tipos de juros cresce conforme o
tempo decorrido, visto que o tempo é variável exponencial
na fórmula de juros compostos. A seguir, veremos mais um
exemplo de juros compostos.

31
MATEMÁTICA FINANCEIRA

Exemplo 9: Calcule a taxa de juros de um capital de R$


1.000,00 que, em um prazo de 12 meses, rendeu R$ 350,00 de
juros. Sabendo que:

C = R$ 1.000,00
n = 12 meses

Como rendeu R$ 350,00 de juros, podemos calcular o


montante da seguinte maneira:

M=C+J
M = 1.000,00 + 350,00
M = 1.350,00

Aplicando a fórmula, temos a seguinte resolução:


n
M n=C.(1+i)
1.350 = 1.000(1 + i)12
1.350
= (1+i)12
1.350
1,35 = (1 + i)12
12
1,35 = 1 + i
1,0253 = 1 + i
1,0253 – 1 = i
i = 0,0253
i x 100 = 2,53%
32
Juros e Taxas

Portanto, a taxa de juro dessa transação financeira é de


2,53% a.m.

SAIBA MAIS

Agora que você já aprendeu a calcular o valor dos juros


simples e compostos, resolva os exercícios propostos no
vídeo “Juros Simples e Juros Compostos (EXERCÍCIOS
RESOLVIDOS)”. Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=CFvH0mdJzhM. Acesso em: 08 out. 2021.

Depois desses exemplos, você deve ter notado que, nos


juros compostos, outros cálculos, como equações logarítmicas
e exponenciais, servem de suporte. Até agora, aprendemos a
calcular e entender como os juros compostos atuam no mercado
financeiro. Neste momento, vamos aprender um pouco sobre
como funciona o desconto composto.

DESCONTO COMPOSTO
Segundo Crespo (2009), o conceito de desconto composto é
o mesmo do desconto simples: o abatimento que conseguimos
ao quitar uma dívida ou compromisso antes do vencimento.
Esse tipo de desconto é obtido em função de cálculos

33
MATEMÁTICA FINANCEIRA

exponenciais (VIEIRA SOBRINHO, 2012). Nesse caso, também


são conhecidos dois tipos de descontos: o desconto composto
“por fora” e o desconto composto “por dentro”, ou racional.

Segundo Antonik (2012), desconto composto “por fora”


não tem aplicabilidade prática. Quanto ao desconto composto
“por dentro”, ou desconto real composto, nada mais é do que
a diferença entre o valor futuro de um título e o seu valor atual
(ANTONIK, 2012). Por isso, vamos estudar apenas o desconto
“por dentro”.

Calculando-se com base no regime de capitalização


composta, podemos definir desconto racional como a diferença
entre o valor futuro (montante) de um título e o seu valor atual.
Assim, temos que:
n
(1 + i) – 1
D = VF .
(1 + i) n

Exemplo 10: Qual será o valor do desconto composto


racional de um título no valor de R$ 40.000,00, sabendo-se que o
prazo para pagamento é de seis meses e que a taxa de desconto
é de 3,5% ao mês?

Conforme os dados do problema, temos a seguinte solução:

34
Juros e Taxas

VF = R$ 40.000,00
n = 6 meses
i = 3,5% = 0,035 ao mês

Aplicando a fórmula, temos:

(1 + i)n – 1
D = VF .
(1 + i)n
(1 + 0,035)6 – 1
D = 40.000 .
(1 + 0,035)6
(0,22926)
D = 40.000 .
(0,22925)
D = 7.460,01

Portanto, o desconto desse problema será de R$ 7.460,01.

Vejamos agora um exemplo para calcular a taxa de desconto.

Exemplo 11: Suponha que um laticínio tenha efetuado


uma venda a uma determinada rede de laticínios no valor de
R$ 90.000,00, cuja quantia deve ser paga quatro meses após a
entrega dos produtos.

Passado um mês da data da entrega, o fornecedor,


precisando de dinheiro, procurou o banco para tentar descontar

35
MATEMÁTICA FINANCEIRA

a duplicata. O banco ofereceu em troca DUPLICATA

do título a quantia de R$ 86.000,00. Tendo “[...] é um título de crédito, um


sido aceita a proposta, o fornecedor documento nominal que é emi-
tido sempre pelo comerciante,
recebeu do banco a importância de R$ com o valor e vencimento da
86.000,00, e o banco passou a ser o credor fatura, para que o comprador se
da dívida, que será saldada pela empresa obrigue a pagar dentro do prazo
estipulado. Nesse sentido, ela
de laticínio. Ou seja, na data inicialmente regulamenta a compra e venda”
estabelecida, a empresa de laticínios fará o (Disponível em: https://www.
pagamento de R$ 90.000,00 diretamente ao meusdicionarios.com.br/duplica-
ta. Acesso em: 06 out. 2021).
banco, e não mais ao fornecedor.

Conforme o exemplo dado, qual


deve ser a taxa de desconto simples que
corresponde ao período de antecipação de
dois meses?

De acordo com o enunciado, pôde-se


observar que o valor da duplicata era de R$
90.000,00 e que o banco pagou R$ 86.000,00.
Assim, R$ 4.000,00 correspondem ao valor
do desconto. Desse modo:

D = VF . i . n
4.000 = 90.000 . i . 3
4.000
= 3i
90.000
36 0,0444 = 3i
0,0444
=i
D = VF . i . n
4.000 = 90.000 . i . 3
Juros e Taxas
4.000
= 3i
90.000
0,0444 = 3i
0,0444
=i
3
i = 0,0148 . 100
Portanto, antecipando três meses e pagando R$ 86.000,00, o
i = 1,48%
banco aplicou uma taxa de 1,48% ao mês.

TAXA NOMINAL E EFETIVA


Você viu nos capítulos anteriores a importância e os
conceitos sobre os juros e descontos e suas aplicações no meio
financeiro. Agora, dando continuidade ao tema, mostraremos
com mais calma as taxas utilizadas nessas operações.

Também apresentaremos alguns exemplos resolvidos, para


que você possa entender melhor esse tema e para que seja capaz
de resolver problemas de matemática financeira envolvendo
juros e descontos compostos. Mas, afinal, como podemos definir
a taxa de juros e como ela é classificada?

No mercado financeiro brasileiro ocorre muita confusão em


relação aos conceitos de taxas de juros, principalmente sobre as
taxas nominal, efetiva e real (VIEIRA SOBRINHO, 2012). Em

37
MATEMÁTICA FINANCEIRA

consequência desse fato, os negócios são afetados, pois ocorre


um conflito de entendimento entre os negociantes.

Quando procuramos entender as taxas existentes em


matemática financeira, percebemos sua grande variedade,
ocorrendo uma confusão também quando uma mesma taxa
é nomeada de maneiras diferentes, dependendo do autor
(ANTONIK, 2012).

Além das taxas já mencionadas, temos ainda a simples


(ou linear), a composta (ou exponencial), a equivalente, a
proporcional, a aparente, a antecipada etc., além das taxas de
desconto “por fora” (ou comercial, ou bancária) e “por dentro”
(ou racional), simples e compostas.

Neste capítulo, aprofundaremos o estudo das taxas de


juros efetiva e nominal. Isto porque, no mercado financeiro, é
essencial o entendimento do que são as taxas de juros, como
funcionam, qual a diferença entre elas e a transformação de
um tipo de taxa em outra. Com esse conhecimento é possível
que os negócios tenham melhores resultados. Assim, na
Figura 5 podemos observar que as taxas de juros podem ser
entendidas de duas maneiras:

38
Juros e Taxas

Figura 5 – Entendimento das taxas de juros.

Quanto ao valor do capital tomado como base de cálculo. Por


exemplo: qual é a taxa de juros de uma importância em dinheiro
com valor de R$ 100,00 empregada durante três períodos e que
resultou em um montante com valor de R$ 120,00?

Quanto ao período de capitalização da taxa. Por exemplo: qual é a


taxa de juros equivalente ao mês que produz um ganho acumulado
de 12% ao ano?

Fonte: Antonik (2012, p. 49)

No segundo item, a taxa está em função da divisão do


seu período de capitalização, pois geralmente a capitalização
acontece com uma taxa diferente dos períodos. Nesses casos,
é necessário um ajuste desses períodos. Dito isso, resta
examinar cada um dos tipos de taxas e as suas respectivas
particularidades e especificidades.

Na maioria dos materiais referentes à matemática financeira


as taxas são rotuladas como nominais ou efetivas em função da
divisão do período em subdivisões de períodos de capitalização
(VIEIRA SOBRINHO, 2012). Dessa forma, as taxas efetivas e
nominais referem-se ao valor do capital inicial tomado como
base de cálculo.

39
MATEMÁTICA FINANCEIRA

Agora que entendemos um pouco sobre as taxas de juros e


que elas estão presentes no mercado financeiro, vamos estudar
as taxas nominal e efetiva. Os conceitos de taxa nominal e
efetiva estão presentes em diversos investimentos financeiros,
negociações imobiliárias, empréstimos, entre outras operações
financeiras. Quanto às taxas nominais, Crespo (2009) informa
que são caracterizadas pelos exemplos a seguir (Figura 6):

Figura 6 – Exemplos de caracterização de taxas nominais.

TAXA NOMINAL CAPITALIZAÇÃO

48% a.a. Semestral

36% a.a. Trimestral

8% a.m. Diária

Fonte: Adaptado de Crespo (2009)

De acordo com Antonik (2012), na taxa nominal a unidade


de referência de seu tempo não coincide com a unidade de
referência do tempo dos períodos de capitalização. Nesse
contexto, quando temos uma taxa nominal, precisamos
transformá-la em efetiva (veremos a seguir) para conseguir
saber o quanto realmente pagaremos de taxa. Ou seja, a taxa
nominal seria a referência e a taxa efetiva seria a representação

40
Juros e Taxas

da taxa nominal a cada período de capitalização (quando a taxa


paga seus juros respectivos).

Vamos resolver alguns exemplos para entendermos melhor


sobre a taxa nominal. Um detalhe importante é que, na maioria
dos materiais sobre o assunto, a taxa nominal se refere a uma
taxa anual.

Exemplo 12: Observe este exemplo adaptado de Vieira


Sobrinho (2012): qual o montante de um capital de R$ 5.000,00,
no final de dois anos, com juros de 24% ao ano, capitalizados
trimestralmente? Para este problema temos a seguinte resolução:

C = R$ 5.000,00
n = 2 anos
i = 24% a.a. = 0,24 a.a.

Como a capitalização é trimestral e temos quatro trimestres


em um ano, obtemos:
0,24
i= = 0,6 a.t.
3

n = 2 anos = 2 x 4 trimestres = 8 trimestres


n
Mn = C (1 + i)

41
MATEMÁTICA FINANCEIRA

Logo, a resolução deve seguir desta


maneira:

M8 = 5.000 (1 + 0,06)8
M8 = 5.000 x 1,593848
M8 = 7,969,24

Portanto, o montante é de R$ 7.969,24.

Temos também a chamada taxa


efetiva, que se refere ao cálculo do valor
efetivamente aplicado ou emprestado,
ou seja, o valor disponibilizado ao
interessado na data da aplicação ou do
contrato (VIEIRA SOBRINHO, 2012).

Para Antonik (2012), a taxa efetiva TAXA EFETIVA

implica que o juro incida apenas uma vez Refere-se ao valor efetivamente
em cada período a que a taxa se refere. aplicado ou emprestado na data
da aplicação ou do contrato (VIEI-
Quando temos juros compostos e o período RA SOBRINHO, 2012).
de capitalização não for informado,
compreendemos que o período coincide
com o valor da taxa. Se um certo banco
tem uma taxa nominal de juros de 60%

42
Juros e Taxas

ao ano e deseja calcular as taxas efetivas com base no regime de


capitalização composta, temos que (Figura 7):

Figura 7 – Taxas nominal e efetiva.

PERIODICIDADE TAXA DO PERÍO- TAXA EFETIVA


PLANO
DE PAGAMENTO DO ANUAL

A Mensal 5% 79,585%

B Trimestral 15% 74,900%

C Semestral 30% 69,000%

D Anual 60% 60,000%

Fonte: Vieira Sobrinho (2012, p. 185).

Segundo Vieira Sobrinho (2012), a adoção da taxa nominal


implica pagamentos de menor tempo com taxas efetivas.
Para entendermos melhor como funciona a taxa efetiva são
apresentados alguns exemplos.

Exemplo 13: Segundo Crespo (2009, p. 134) quando


oferecemos 6% ao ano e capitalizamos semestralmente a 3%, a
taxa de 6% é, como vimos, a taxa nominal. Logo, a taxa efetiva é
a taxa anual equivalente a 3% semestrais. Calcule a taxa efetiva.
Considerando if a taxa efetiva, temos:

43
MATEMÁTICA FINANCEIRA

1 + if = (1 + i)n
1 + if = (1 + 0,03)2
if = 1,0609 – 1
if = 0,0609

Assim, a taxa efetiva anual equivalente a 3% a.s. é 6,09% a.a.

TAXAS EQUIVALENTES
Taxas equivalentes, segundo Vieira Sobrinho (2012),
ocorrem quando duas taxas estão relacionadas a períodos
diferentes de capitalização, mas produzem o mesmo montante
depois de um determinado período de tempo, pela aplicação de
um capital inicial de mesmo valor.

Para verificarmos a equivalência, vamos calcular o


montante mensal (Mm) e o montante anual (Ma) a partir das
taxas efetiva mensal e anual (que são equivalentes entre si),
respectivamente, pelo período de um ano. Considerando uma
taxa de 2% a.m. e outra de 26,8242% a.a., temos que:

Mm = 5.000 (1 + 0,02)12
Mm = 5.000 x 1,268242
Mm = 6.341,21

44
Juros e Taxas

Para a segunda taxa, temos:

Ma = 5.000 (1 + 0,268242)1
Ma = 5.000 x 1,268242 = 6.341,21

Portanto, para calcularmos o valor da taxa equivalente para


o caso mais comum, que envolve taxa em anos e meses, vamos
usar a fórmula:

n
a
nm
i = (1 + i ) – 1
a
Em que:
ia = taxa anual.
na = tempo em anos.
nm = tempo em meses.
Exemplo 14: A taxa efetiva de 32% a.a equivale a qual taxa
efetiva mensal? Os dados que temos são:

ia = 32% a.a.
na = 1 ano
nm = 12 meses

Substituindo na fórmula, obtemos:

1
12
i = (1 + 0,32) – 1
45
MATEMÁTICA FINANCEIRA

i = 1,023406 - 1
i = 0,023406

Portanto, i = 2,34% a.m corresponde a 32% a.a.

Sabemos que duas taxas são ditas equivalentes se forem


aplicadas em um mesmo capital, em um período equivalente,
resultando no mesmo montante. Na prática, essas taxas são muito
utilizadas em financiamentos em longo prazo, em que, geralmente,
os bancos apenas apresentam as taxas mensais e acabamos nem
nos dando conta de que não somos informados sobre a taxa anual
ou do período determinado. Devemos estar cientes da necessidade
de obtermos uma relação que nos permita calcular a taxa
equivalente. Então, vamos para um último exemplo.

Exemplo 15: determine qual é o valor da taxa mensal


equivalente a 150% ao ano. Para resolver este problema,
devemos transformar a taxa anual em taxa mensal em uma
aplicação de regime composto. Assim, temos que:
n
a
nm
i = (1 + i ) – 1
a 1
12
i = (1 + 1,5) – 1
12
i = 2,5 – 1
i ≅ 1,079348 – 1
i = 0,079348

46
Juros e Taxas

Portanto, uma aplicação a uma taxa de 150% a.a.


corresponde a 7,93% a.m.

Neste conteúdo conseguimos entender a ideia de taxas


equivalentes, que são aquelas que mesmo relacionadas a
períodos diferentes geram o mesmo rendimento. Neste
momento, você é capaz de calcular e entender as taxas efetivas
presentes no mercado financeiro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao fim desta unidade. Muitos conceitos foram
aprendidos aqui. Eles possuem suas diferenças, mas também
são complementares.

Como todo conhecimento, a matemática financeira evolui


com o passar dos anos. Sendo de suma importância para o
desenvolvimento do comércio e também de atividades como
juros, descontos e aplicações financeiras em geral. Atividades
essas que por muito tempo atendiam apenas pequenos
comerciantes e agricultores, mas atualmente, também são
atribuídas aos grandes empresários.

47
MATEMÁTICA FINANCEIRA

Imagine uma situação em que você é levado a fazer o


financiamento de um imóvel ou automóvel. Devido à necessidade,
aceita o negócio. Porém, será que se realizasse o cálculo do juro
que irá pagar, faria o negócio mesmo assim? Qual seria o real
valor que pagaria pelo carro ou casa? Se resolvesse antecipar
algumas parcelas, qual seria o valor pago pelo bem? São muitos
questionamentos que devem ser levados em consideração.

Vimos que existem dois tipos de regimes distintos de


capitalização, o simples e o composto, com características próprias
bem definidas e que não devem ser misturadas. Definidas essas
capitalizações, podemos analisar as taxas nominal e efetiva. Então,
a partir desses conhecimentos, podemos tomar uma decisão mais
precisa em relação ao que fazer na situação acima. O conhecimento
é fundamental para tomar decisões melhores.

Por isso, siga se aprimorando, se aprofunde mais nos assuntos


abordados e os domine de fato. Isso trará vantagem competitiva
para você no mercado, além de melhorar as suas escolhas pessoais.

Você também pode se aperfeiçoar em seu trabalho, testando


diferentes soluções para os problemas que aparecerem. Por
exemplo, um investimento em tal área ou qual máquina poderia
trazer um ganho real? Ao aplicar VPL e a TIR você conseguirá
chegar a uma resposta satisfatória.

48
Juros e Taxas

Faça simulações de financiamentos e investimentos. Crie


planilhas para visualizar diferentes cenários. Altere as variáveis
para observar como os resultados se comportam. O importante
é manter o conhecimento sempre ativo, revisitando-o. Para isso,
procure oportunidades para colocá-lo à prova. Todo conhecimento
adquirido te leva para um novo patamar de possibilidades.

RESUMO

Nesta unidade aprendemos que:

• Os juros só existem se houver um capital


empregado, seja próprio ou de terceiros.

• O cálculo dos juros e dos descontos está diretamente


ligado ao capital aplicado, à taxa, ao período de tempo que
esse dinheiro foi usado (ou antecipado) e ao montante.

• O desconto simples é a antecipação de uma dívida, ou seja, a


redução de um valor futuro, que está diretamente relacionado
com um período de tempo e uma taxa de juro simples.

• Para calcularmos os juros, devemos aplicar um capital,


ou seja, um valor monetário sobre um acréscimo

49
MATEMÁTICA FINANCEIRA

determinado pela taxa estipulada pelo banco ou pela


financiadora em determinado período de tempo.

• Vimos também que os juros compostos se diferenciam


dos juros simples pelo fato de serem acumulativos. Assim,
na capitalização simples, os juros são calculados sobre
o mesmo capital e, na capitalização composta, os juros
são calculados sobre o montante do período anterior.

• Também estudamos que, quando uma pessoa aplica um


capital por certo tempo a uma determinada taxa, ao final
desse período ela tem à sua disposição não só o valor inicial
aplicado, mas também os juros que lhe são devidos. Esse
total, que é a soma do capital aplicado com os juros obtidos
durante um período de tempo, é chamado de montante.

• Por fim, vimos que podemos ter taxas nominais e efetivas,


visto que o valor determinante é o capital inicial tomado
como base de cálculo. Aprendemos ainda sobre as taxas
equivalentes, que são definidas como aquelas aplicadas a
capitais iguais, geram juros iguais e, consequentemente,
montantes iguais em períodos de tempo iguais.

50
Juros e Taxas

REFERÊNCIAS
ANTONIK, L. R. Matemática Financeira: instrumentos
financeiros para tomada de decisão em administração,
economia e contabilidade. São Paulo: Saraiva, 2012.

CAPITAL. In: Priberam Dicionário. Disponível em: https://


www.priberam.pt/dlpo/Capital. Acesso em: 06 out. 2021.

CRESPO, A. A. Matemática Financeira Fácil. 14. ed. São Paulo:


Saraiva, 2009.

DUPLICATA. In: Meus Dicionários. Disponível em: https://www.


meusdicionarios.com.br/duplicata. Acesso em: 06 out. 2021.

VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática Financeira. 7. ed. São


Paulo: Atlas, 2012.

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