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Guia do Aluno

Módulo 2
PRINCÍPIOS BÁSICOS DO
CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR - CDC
2019 © Secretaria Nacional do Consumidor
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meio, salvo com autorização por escrito da Secretaria Nacional do Consumidor.
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542 – Brasília, DF, CEP 70.964-900.

Curso Princípios e Direitos Básicos do CDC

Edição
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Secretaria Nacional do Consumidor
Escola Nacional de Defesa do Consumidor

O conteúdo deste curso foi adaptado a partir da obra produzida pelos Consultores Leonardo R. Bessa, Walter J. F.
Moura. Manual de Direito do Consumidor. 2014, Brasília/DF: Escola Nacional de Defesa do Consumidor – ENDC,
4ª edição.

Ministério da Justiça e Segurança Pública - MJ

Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública


Sérgio Fernando Moro

Secretário Nacional do Consumidor


Luciano Benetti Timm

Diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor


Fernando Boarato Meneguin

Escola Nacional de Defesa do Consumidor


Supervisão
Andiara Maria Braga Maranhão

Apoio Técnico
Ana Cláudia Sant’Ana Menezes

Equipe Técnica da Fundação Universidade de Brasília - FUB


Coordenação Meirirene Moslaves Meira
Prof. Dr. Rafael Timóteo de Sousa Júnior Andréia Santiago de Oliveira
Prof. Dr. Ugo Silva Dias
Revisão
Coordenação Pedagógica Renatha Choairy
Janaína Angelina Teixeira
Ilustração
Design Instrucional Lucas Pacífico
Josiane do Carmo Silva
Diagramação
Apoio ao Núcleo Pedagógico Sanny Saraiva
Nayara Gomes Lima Patrícia Faria
Suzane Lais de Freitas

Curso desenvolvido no âmbito do Termo de Execução Descentralizada nº 1/2015 celebrado entre a Secretaria
Nacional do Consumidor (Senacon) e a Fundação Universidade de Brasília, por intermédio do Centro de
Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (FUB/CDT).
Sumário

APRESENTAÇÃO............................................................................................................. 4

1. PRINCÍPIOS DO CDC .................................................................................................. 5

2. ENCERRAMENTO DO MÓDULO ................................................................................ 19

2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 20


Escola Nacional de Defesa do Consumidor

APRESENTAÇÃO

Vamos lá?
Bom estudo!
Olá! Seja
bem-vindo(a) ao
Módulo 2.

Neste módulo você


conhecerá os Princípios do
Código de Defesa do
Consumidor – CDC.

Ao final deste módulo você deverá ser capaz de:

• Definir o princípio de vulnerabilidade.

• Nomear os tipos de vulnerabilidade.

• Explicar vulnerabilidade técnica, jurídica, fática e informacional.

• Identificar situações de vulnerabilidade nas relações de consumo.

• Identificar outros princípios como a transparência, a boa-fé, o equilíbrio e a harmonia


nas relações de consumo.

• Explicar porque os contratos de adesão fazem parte das relações de consumo.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

1. PRINCÍPIOS DO CDC

Você sabia que a


Lei nº 8.078/90 (CDC)
parte do pressuposto de
que o consumidor é um
sujeito vulnerável ao adquirir
produtos e serviços ou
simplesmente se expor a
práticas do mercado?

A vulnerabilidade é o ponto fundamental do CDC e, na prática, traduz-se na insuficiência, na


fragilidade de o consumidor se manter imune a práticas lesivas sem a intervenção auxiliadora de
órgãos ou instrumentos para sua proteção. Por se tratar de conceito tão relevante, a vulnerabilidade
permeia, direta ou indiretamente, todos os aspectos da proteção do consumidor.

Em um rápido apanhado histórico, é preciso saber que o modo de produção da economia


mundial tem se modificado profundamente, especialmente pelos avanços tecnológicos da
humanidade. No século XVIII, vários países da Europa atravessaram a chamada Revolução Industrial
– processo histórico marcado pela invenção da máquina a vapor, a partir do qual se deixou de

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

produzir bens de consumo, o que era feito em pequena escala e de modo rudimentar, para fabricá-
los a partir de máquinas, aumentando consideravelmente a oferta destes bens no mercado. Antes,
as relações entre comerciantes e seus compradores eram pessoais e estes últimos detinham maior
poder de decisão quanto à escolha, forma de pagamento, técnica adotada para a feitura do bem
e correta identificação do comerciante e seu domicílio, fatores que lhes permitiam exercer não
apenas uma negociação segura, mas também confiável.

Com a produção em larga escala (também


conhecida como Fordismo – em alusão ao industrial
norte-americano Henry Ford, criador da linha de
produção), principalmente após a Segunda Guerra
Mundial, o comércio se despersonalizou. A vontade do
consumidor nem sempre tem sido considerada, como
ocorre nos contratos de adesão.

Observa-se, ademais, em algumas áreas, a imposição de condições mais vantajosas para o


fornecedor, tais como:

• o controle das informações transmitidas aos consumidores;

• a eliminação dos atendimentos pessoais;

• o aumento das vendas a distância (vendas em domicílio, inicialmente, depois por


telefone e, hoje, pela internet);

• o incremento das vendas a partir de técnicas publicitárias (de marketing), formas de


pagamento e demais regras impostas para o alcance de seus produtos ou serviços.

Os consumidores, a partir de então, experimentam situações cada vez mais desfavoráveis,


demonstrando extrema fragilidade ao se relacionar no mercado.

DESTAQUE
Atenção! A palavra ‘mercado’ tem vários sentidos. Pode designar um espaço físico onde comerciantes
se reúnem para oferecer bens de consumo (ex.: Mercado Municipal de uma cidade); pode indicar um
ramo específico de certa atividade empresarial (ex.: o mercado de automóveis importados cresceu
muito depois que o dólar baixou); ou, em seu significado amplo, mercado de consumo é todo o conjunto
de atividades econômicas (de toda natureza e forma, inclusive por meios eletrônicos, fora e dentro
dos estabelecimentos comerciais, bancárias, securitárias, financeiras e creditórias) envolvendo o
fornecimento de produtos e serviços.

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MERCADO
PROMOÇÃO
compre 1
leve 2

M M M Significado amplo –
E Espaço físico onde Pode indicar um ramo E
E Mercado de Consumo =
R comerciantes se R específico de certa R conjunto de atividades
C reúnem para oferecer C atividade empresarial C
A econômicas envolvendo
bens de consumo - A – Mercado de A
D D o fornecimento de
Ex: Supermercado. D automóveis.
O O O produtos e serviços.

O modo encontrado pelos fornecedores para se sobreporem na relação com tantos


e indefinidos consumidores foi se apoiar em formulários nos quais se inserem as imposições
contratuais, cumprindo ao consumidor, em regra, tão somente aceitá-los na sua integralidade ou
rejeitá-los. Este é um fator, dentre outros, que contribuiu para que as relações de consumo fossem
massificadas, isto é, concluíam-se as contratações em bloco sem atenção para a necessidade ou
vontade individual de cada consumidor. O instrumento, por excelência, das relações de consumo
em massa, são os chamados contratos de adesão. O que se pode extrair daí é que o consumidor
deixou de ter livre-escolha, o alcance de sua vontade real sobre o que adquire, para simplesmente
submeter-se às condições gerais do mercado.

Nesse contexto de relações massificadas concluídas, com cada vez mais agilidade, verifica-
se que os contratos de adesão são a realidade do mercado de consumo brasileiro. Basta observar
que lojas de departamento e eletrodomésticos, bancos ofertando linhas de crédito e o acesso aos
serviços de água, luz, telefone e energia elétrica, estão presentes tanto em grandes quanto em
pequenos municípios.

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SAIBA MAIS
O Contrato de Adesão é o contrato padrão cujas cláusulas são estabelecidas unilateral-
mente pelo fornecedor de produtos e serviços.

Mudanças na Relação de Consumo

As relações de consumo
Com a produção em larga
passam a ser massificadas e
escala marcada pelo
o consumidor deixou de ter
Fordismo, o comércio se
livre escolha, passando a
despersonalizou.
ser submetido às condições
Observa-se, em algumas
gerais do mercado.
áreas, a imposição de
condições mais vantajosas
para o fornecedor.

Essas mudanças são Os consumidores, a partir


caracterizadas de então, experimentam
principalmente pelos situações cada vez mais
avanços tecnológicos da desfavoráveis
humanidade e marcadas demonstrando extrema
pela Revolução Industrial fragilidade ao se relacionar
ocorrida na Europa no no mercado.
século XVIII.

Não há dúvidas de
que o Código de Defesa
do Consumidor aplica-se
integralmente aos contratos de
adesão e às relações massificadas,
desde que sejam considerados
um patamar mínimo para o
estabelecimento das
relações comerciais.

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No entanto, conforme se verá adiante, o CDC é ainda mais abrangente e protege o


cidadão, inclusive na rara situação do contrato ter sido elaborado em conjunto, por fornecedor
e consumidor, de modo individualizado, visto que mesmo nesta situação, a vulnerabilidade do
consumidor não deixa de existir.

A intervenção do Estado (União, Estados, Municípios e Distrito Federal – diretamente ou


por intermédio dos órgãos de proteção e defesa de consumidor) na proteção do consumidor não
o coloca em situação de vantagem ou benefício unilateral em relação ao fornecedor, mas visa ao
equilíbrio e à harmonização deste frente a uma situação que é desigual desde seu nascedouro.

A transparência, confiança, harmonia nas relações de consumo, reconhecimento da


vulnerabilidade do consumidor, bem como a harmonização de interesses, sempre com base na
boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores, são princípios que estão
expressamente previstos no artigo 4º do CDC, no seguinte sentido:

LEGISLAÇÃO
“Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos
consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos,
a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;
II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor:
a) por iniciativa direta;
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas;
c) pela presença do Estado no mercado de consumo;
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade
e desempenho.
III – harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção
do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os
princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170 da Constituição Federal), sempre com base na
boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores”. (...)

O CDC instituiu o Princípio da proteção da confiança do consumidor, tendo como um dos seus
aspectos “a proteção da confiança na prestação contratual, que dará origem às normas cogentes
do CDC, que procuram garantir ao consumidor a adequação do produto ou serviço adquirido, assim
como evitar riscos e prejuízos oriundos destes produtos e serviços¹”.

O reconhecimento da vulnerabilidade, já anteriormente mencionado no módulo 1, é um


princípio estabelecido no inciso I, do artigo 4º, do CDC.

¹ MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. RT, 3a ed., 1999, p. 126 e 127.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

Ele vai passar


o sinal fechado?

Nossa! Ele
ultrapassou! Que
perigo corremos!

Essa história em quadrinho elucida bem uma situação de vulnerabilidade do


consumidor, pois ao utilizar um meio de transporte, o consumidor acredita, a
partir do princípio da boa-fé que rege as relações de consumo, que o motorista
conhece as leis de trânsito e que não exporá a vida dos consumidores a
qualquer tipo de risco. Acredita também que a parte mecânica está em bom
estado e que o meio de transporte está abastecido suficientemente para
levá-lo até seu destino.

Por ‘vulnerabilidade’, deve-se entender o princípio mais importante do CDC, pois a partir
dele é reconhecido que os consumidores são sujeitos que precisam da proteção especial do Estado
quando se relacionam com os fornecedores, pois sem este auxílio, não ficam em pé de igualdade
e passam a sofrer vários prejuízos pessoais e econômicos. Com efeito, uma vez caracterizada a
vulnerabilidade do consumidor (esta é marca de diferença), o Estado se viu obrigado a intervir no
mercado a partir da lei para garantir aos consumidores o restabelecimento de igualdade e respeito
à sua existência digna. Processo histórico parecido aconteceu com as Leis Trabalhistas.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

A presença do Estado nas relações de consumo dá-se pelo dever de ação governamental
(art. 4º, inciso II, CDC), repetindo a já referida norma constitucional dirigida ao Estado de promover
a defesa do consumidor na forma da lei, art. 5º, inciso XXXII, CF.

A Política Nacional das


Relações de Consumo
especifica que
o Estado agirá diretamente
ou dando incentivos à
criação e desenvolvimento
de associações
representativas dos
consumidores.

Para Valério Dal Pai Moraes, vulnerabilidade, sob o enfoque jurídico, é, então, o princípio
pelo qual o sistema jurídico positivado brasileiro reconhece a qualidade ou condição daquele(s)
sujeito(s) mais fraco(s) na relação de consumo, tendo em vista a possibilidade de que venha(m) a ser
ofendido(s) ou ferido(s), na sua incolumidade física ou psíquica, bem como no âmbito econômico,
por parte do(s) sujeito(s) mais potente(s) da mesma relação² .

² MORAES, Paulo Valério Dal Pai. Código de Defesa do Consumidor: o princípio da vulnerabilidade no contrato, na publicidade nas demais

prátícas comerciais: interpretação sistemátíca do direito. 3. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, p. 125.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

SAIBA MAIS
Isso posto, pode-se dividir a vulnerabilidade em três³ âmbitos de forma clássica para doutrina
brasileira: a técnica, a jurídica e a fática. A reformulação dada pela Professora Cláudia Lima
Marques ao conceito insere a ideia de vulnerabilidade informacional , a qual ganha especial
relevância nos dias atuais.
A vulnerabilidade técnica é a mais fácil de se identificar. Basicamente, pode-se resumir na
ideia de que o consumidor não tem conhecimentos específicos sobre o produto ou serviço
adquirido, conhecimento este que, em geral, o fornecedor possui. Para Bruno Miragem, o
exemplo típico de relação é aquela do médico e paciente. Um outro exemplo seria o do con-
sumidor que, ao adquirir um medicamento, não pode identificar se o remédio que ele comprou
possui os elementos químicos constantes na bula ou se está adquirindo uma simples pílula
de farinha.
Por outro lado, a vulnerabilidade jurídica é aquela em que o consumidor não entende quais
as consequências de firmar um contrato ou estabelecer uma relação de consumo. Para Clau-
dia Lima Marques, estaria incluída aqui a vulnerabilidade, além de jurídica, também a contábil
e a econômica. Em linhas gerais, verifica-se quando é marcante que, enquanto o fornecedor
trabalha frequentemente com seu ramo econômico, contando com assessoramento jurídico
especializado, habitualmente defendendo causas semelhantes, o consumidor que precisa
com ele litigar (defender- se ou ajuizar ação judicial), terá, em contraste, poucos recursos.
Obviamente, a experiência, os argumentos, os documentos e provas nestes assuntos já es-
tão previamente organizados pelo fornecedor.
A vulnerabilidade fática é mais abrangente, e é reconhecida no caso concreto. É espécie
importante, pois além de ser uma ideia/conceito genérica de vulnerabilidade, é aqui que
se estabelecem casos de dupla vulnerabilidade do consumidor idoso e criança.
Por fim, a vulnerabilidade informacional constitui-se no reflexo da sociedade em que vive-
mos, a qual se caracteriza pelo surgimento de blocos econômicos e pela globalização, pela
acessibilidade, rapidez e fluidez do acesso à informação . Nesse contexto, o dever de infor-
mar ganha contornos importantíssimos e fundamentais nos tempos atuais, seja no direito civil
ou no direito do consumidor, onde sua importância é ainda maior, refletindo-se na proteção
legal da vulnerabilidade do consumidor, nos termos do art. 4º, Inciso III, do CDC.

A título de exemplo, caso um sujeito muito rico e estudado (consumidor) adquira, em um


estabelecimento comercial bastante humilde (fornecedor) à beira de uma estrada, uma refeição,
sua formação ou condição financeira não lhe afastam da condição de vulnerável, de consumidor.
Nesta situação específica, o sujeito não é obrigado a conhecer todos os ingredientes de preparo da
comida ou o modo de elaboração, mesmo se sujeitando ao preço e forma de pagamento estipulados
pelo pequeno estabelecimento comercial a todos os demais consumidores.

³De outro modo, Paulo Valério Dal Pai Moraes escreve que haveria, além dos três conceitos clássicos, outras espécies de vulnerabilidade: política ou
legislativa, neuropsicológica, econômica e social, ambiental e tributária.
“O princípio da vulnerabilidade é o princípio básico que fundamenta a existência e aplicação do direito do consumidor [...] e constitui presunção
legal absoluta [...] A doutrina e jurisprudência vêm distinguindo diversas espécies de vulnerabilidade. Entre nós, é conhecida a lição de Cláudia
Lima Marques que distingue a vulnerabilidade em três grandes espécies: vulnerabilidade técnica, vulnerabilidade jurídica e vulnerabilidade fática.
E recentemente identifica a autora gaúcha numa quarta espécie de vulnerabilidade: a vulnerabilidade informacional.” (MIRAGEM, 2008, p. 61-64).
MIRAGEM, Bruno Nunes. Direito do consumidor: fundamentos do direito do consumidor; direito material e processual do consumidor; proteção
administrativa do consumidor; direito penal do consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 63.
Neste sentido, vide o Manual de Direito do Consumidor: MARQUES et al (2009, p. 76-77) afirmam: “Resta analisar a vulnerabilidade informacional,
que é a vulnerabilidade básica do consumidor, intrínseca e característica deste papel na sociedade. Hoje merece ela uma menção especial, pois na
sociedade atual, é de grande importância a aparência, a confiança, a comunicação e a informação. Nosso mundo de consumo é cada vez mais visual,
rápido e de risco, daí a importância da confiança”.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

Pagamento
somente em
Dinheiro

Nossa essa comida


caseira parece bastante
gostosa! Que ingredientes
foram utilizados? Vou
tentar adivinhar!

DESTAQUE
Atenção! A partir de todos estes critérios de visualização da vulnerabilidade, é importante observar
que eles são apenas critérios didáticos que auxiliam na identificação do ponto de fragilidade do
consumidor. Na prática, a demonstração da vulnerabilidade é presumida pela própria lei. As espécies de
vulnerabilidade (técnica, fática, jurídica e informacional) não precisam se somar para que o consumidor
seja reconhecido. Basta uma!

A meta da política pública de proteção


dos consumidores é restabelecer o equilíbrio e a
harmonização dos interesses dos participantes das P
relações de consumo, sempre que possível, ponderando N
outros valores como a necessidade de desenvolvimento CONSUMIDOR R FORNECEDOR
econômico e tecnológico, fundando-se ainda na boa-fé. C
A boa-fé de que trata a PNRC merece destaque.
Cuida-se de um princípio relacionado com os contratos e as etapas de sua formação. A nova
perspectiva da boa-fé trazida pelo CDC impõe aos contratantes (especialmente aos fornecedores)
que não são apenas as regras contratuais que valem para disciplinar a relação entre as partes: na
verdade, além do que consta escrito no contrato, as partes têm o dever de respeitar deveres gerais
que não precisam sequer estar escritos, mas serão exigidos no dia a dia.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

Vamos conhecer os deveres gerais


que devem ser respeitados nas
relações de consumo.

Deveres Gerais

• Transparência.
• Honestidade.
• Ética.
• Confiança.
• Lealdade.

A preservação destes valores é essencial na medida em que, nos contratos de consumo, a


vontade do consumidor é praticamente eliminada.

Na prática, significa que não são permitidas táticas ou estratégias de mercado elaboradas
pelos fornecedores com a finalidade de enganar e ludibriar os consumidores. A boa-fé pode ser ex-
traída dos usos e costumes do local, assim como a partir das experiências das pessoas envolvidas,
fazendo-se necessária para permitir ou recuperar a legítima expectativa do consumidor que, a mais
das vezes, contrata uma coisa pensando noutra.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

A harmonização dos interesses, a boa-fé e o equilíbrio nas relações de consumo estão pre-
vistas no art.4°, inciso III, do CDC:

LEGISLAÇÃO
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos
consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos,
a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
(...)
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da
proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a
viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre
com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores;

Imagine você,
assegurado da
Operadora Viva+, sendo
convidado a se retirar da
UTI, pois seu prazo de
permanência foi
limitado a 10 dias.

Ele deverá ser


removido da Unidade
de Tratamento Intensivo
– UTI, pois o tempo de
permanência
terminou.

DO OR O que vocês
ITO ID estão fazendo é
I RE SUM
D N
CO uma prática
abusiva e o CDC a
repudia. O Princípio
da boa-fé (previsto
no CDC) garante a
permanência na
UTI pelo tempo que
for necessário.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

O Superior Tribunal de Justiça já decidiu, como exemplo de concretização das regras gerais
da boa-fé, que as operadoras de planos de saúde não podem limitar o prazo de cobertura para
pacientes que se internam em Unidade de Terapia Intensiva – UTI, o que significa dizer que esta
exigência contratual é totalmente contrária à legítima expectativa dos pacientes que, quando
buscaram este tipo de serviço, não tiveram condições ou mesmo oportunidade de avaliar a
malfadada exigência contratual (Súmula nº 302, do STJ; no mesmo sentido, Portaria 7, de 3 de
setembro de 2003 - SDE ).

É dever do Estado exigir que se mantenha a qualidade, a segurança, a durabilidade e o


desempenho dos produtos e serviços que são postos em circulação pelos fornecedores. Não resta
dúvida de que o grau de comprometimento do Estado para com a defesa dos consumidores é
obrigação legal expressa:

LEGISLAÇÃO
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos
consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos,
a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
(...)
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de
produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo;

Outro princípio importante do CDC diz respeito justamente à educação e ao aprimoramento


de fornecedores e consumidores e até entre os agentes do Sistema Nacional de Defesa do
Consumidor, visando à melhoria do mercado de consumo, assim como para alcançar as novas
e sempre renovadas práticas comerciais provocadas pelos fornecedores no mercado. Cumpre
destacar que os fornecedores também devem ser educados quanto a seus deveres, demonstração
clara de que as atividades dos órgãos de proteção e defesa do consumidor não são exclusivamente
repressivas ou punitivas, mas antes de tudo, pedagógicas:

LEGISLAÇÃO
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos
consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos,
a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
(...)
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com
vistas à melhoria do mercado de consumo;
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos;

Por fim, a referida Política ainda preza pela constante racionalização e melhoria dos serviços
públicos, devendo os órgãos de proteção e defesa do consumidor acompanhar e repensar formas
de otimização e evolução dos serviços públicos disponibilizados aos cidadãos.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

Política
Nacional das
Relações de
Consumo –
PNRC

Atendimento às
necessidades dos
Consumidores.

Transparência e
harmonia das
relações de consumo.

Racionalização e
Melhoria dos
Serviços Públicos.

Respeito à
Dignidade.

Proteção de seus
interesses
econômicos.

Saúde e Segurança.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

Assim, nota-se que, entre os objetivos da Política Nacional das Relações de Consumo, estão
o respeito à dignidade, o atendimento à saúde e segurança dos consumidores, a proteção dos
interesses econômicos e a transparência e harmonia nas relações de consumo por intermédio do
reconhecimento do Princípio da Vulnerabilidade.

Mas, de antemão, é importante realçar que o CDC não é uma lei que protege o consumidor
a todo e qualquer custo. Não é sempre verdadeiro o ditado de que o consumidor tem sempre
razão. O CDC veio para restabelecer uma situação de equilíbrio entre consumidor e fornecedor.
É exatamente o que estabelece a meta de harmonização das relações de consumo. Logo, o
consumidor deve pagar um preço justo e agir de boa-fé.

Nesse contexto, observa-se que o CDC é um microssistema jurídico


que determina a prevalência do Princípio da boa-fé e transparência
nas relações de consumo, com o intuito de garantir a harmonização
dos interesses das partes, restabelecendo uma situação de igualdade
onde há uma desigualdade de fato. Tais princípios estão expressamente
previstos no art. 4º do Código e determinam que o consumidor e o
fornecedor contratem com lealdade e segurança recíprocas.

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PDF Curso PDB - Módulo 2

2. ENCERRAMENTO DO MÓDULO

Chegamos ao final
deste módulo!
Parabéns! Agora vamos
fazer as atividades
avaliativas e avançar
para o último módulo?

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

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PDF Curso PDB - Módulo 2

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Bessa, L. R. e Moura W. J. F. Manual de Direito do Consumidor. 2014, Brasília/DF: Escola


Nacional de De-fesa do Consumidor – ENDC, 4ª edição.

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Escola Nacional de Defesa do Consumidor

Realização:

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