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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DISCIPLINA: GERAÇÃO DE ENERGIA


Prof.a: CARMINDA CÉLIA M. M CARVALHO

CAPÍTULO 1: CARACTERÍSTICAS DE UM SISTEMA GERADOR

1.1- COMPONENTES DE UM SISTEMA DE ENERGIA ELÉTRICA

Sistema Elétrico de Potência ou Sistema de Energia Elétrica é o conjunto


formado pelos elementos responsáveis pela transformação de energia não elétrica em energia
elétrica, pelo transporte da energia gerada e pela sua distribuição. Em resumo, tem-se:

As Centrais Geradoras
As Linhas de Transmissão
Os Sistemas de Distribuição

A energia elétrica fornecida pelas concessionárias, portanto, é a última etapa de


um processo que se inicia com a produção de energia pelas usinas geradoras, passa pelos
sistemas de transmissão e de distribuição e chega ao seu destino final: os consumidores.
Embora possam ser estudados separadamente, os três subsistemas citados constituem um todo
que deve ser operado com eficiência e confiabilidade, o que implica na necessidade de
empenho do setor elétrico no que diz respeito à pesquisa, desenvolvimento e implementação
de tecnologia.

1.2- A GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

O Subsistema de Geração é responsável pela transformação de energia


convencional (energia cinética das máquinas primárias) e/ou não convencional (energia eólica,
solar, etc.) em energia elétrica.
Um dos principais aspectos relacionados à geração diz respeito ao método
utilizado na transformação de outro tipo de energia em energia elétrica. O desenvolvimento de
técnicas variadas resultou em diferentes maneiras de produção, que são utilizadas de acordo
com as potencialidades de cada local, região ou país. Assim, existem países onde predomina a
utilização de energia térmica e países, como o Brasil, onde é vasta a produção de energia
através das usinas hidrelétricas. Deve-se ressaltar também o desenvolvimento das fontes
alternativas de geração, que aos poucos foram sendo adicionadas às formas clássicas e
representam, hoje em dia, uma opção importante e significativa em certos países.
Complementando as fontes convencionais existentes, as unidades geradoras provenientes de
fontes alternativas possuem características particulares que podem resultar em vantagens para
um determinado sistema.
A determinação do tipo de geração, portanto, está condicionada ao
levantamento da viabilidade técnica e econômica associada às características do local em
estudo. Deve-se ressaltar ainda o compromisso da geração em atender aos requisitos de
energia necessários para manter o equilíbrio do sistema e os níveis de tensão dentro dos
padrões estabelecidos, tendo em vista a natureza intermitente da carga.
De um modo geral, pode-se classificar as fontes de geração de energia elétrica
em duas categorias: térmica e não térmica, conforme abordado resumidamente a seguir.

1.2.1- Fontes de Geração Térmicas

A energia produzida pelas usinas térmicas é resultante da transformação de


vapor, óleo, gás ou outro combustível em energia mecânica pelas turbinas e, através do
acoplamento dessas com o gerador, em energia elétrica. Existem dois grupos de usinas
térmicas:

Usinas Térmicas Convencionais: a esse grupo pertencem as usinas de queima


de combustível fóssil, como carvão mineral, gás natural e óleo combustível.

Usinas Térmicas Nucleares: utilizam como combustível urânio natural ou


enriquecido.

As usinas que funcionam com o vapor produzido pela queima de carvão ou


outros combustíveis caracterizam-se pela boa flexibilidade face às variações da demanda,
sendo bastante utilizadas, inclusive nos horários de “pico”. Porém, possuem tempo mínimo
para entrar e sair de operação que varia de algumas horas para as unidades de menor potência
até de 12 a 24 horas para as unidades maiores.
As usinas de queima de combustível líquido ou gases, também denominadas de
Usinas de Turbinas de Combustão, são mais utilizadas nos horários de pico da demanda e são
caracterizadas pela rápida capacidade para entrar e sair de operação. Porém, esse tipo de usina
tem a desvantagem de possuir alto custo de operação.
As usinas nucleares são caracterizadas por possuírem alto custo de
investimento e baixo custo de utilização. Em sistemas predominantemente térmicos, são
utilizadas como geração de base.
Existe também a geração térmica produzida por fontes alternativas, como a
geotérmica (calor do interior da Terra combinado com água próxima da superfície produzindo
vapor natural) e a energia de biomassa (queima de material orgânico).

1.2.2- Fontes de Geração Não Térmicas

As usinas hidrelétricas são a principal fonte de geração de energia não-térmica,


embora existam outros tipos de aproveitamentos, como o aproveitamento da energia das
marés (armazenamento da água durante a maré alta para produzir energia com o desnível da
maré baixa), a energia eólica (turbinas acionadas pelo movimento do ar e utilizadas para
acionar os geradores de energia elétrica) e a energia solar (captação e armazenamento da

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energia solar em baterias). A descoberta e a busca contínua de novas fontes de energia
representam um avanço em termos de minimização de custos operacionais e danos à natureza.
A geração de energia por meio de uma usina hidrelétrica é obtida através da
transformação das energias cinética e de pressão da água em energia elétrica. As
características peculiares de cada curso d’água aproveitado para fins energéticos dão origem a
usinas hidrelétricas com características próprias sob o ponto de vista físico. Embora possa ser
afirmado que nenhum sistema hidrelétrico possui outro similar, pode-se classificar essas
usinas sob vários outros aspectos como, por exemplo, quanto a sua potência, quanto à forma
de utilizar as suas vazões naturais e quanto a sua função no sistema.

Simplificadamente, uma usina hidrelétrica é composta pelos seguintes


elementos:

Barragem: responsável pelo represamento da água.


Vertedouro: também denominado de Canal Extravasador, deixa passar
livremente a água excedente ao aproveitamento.
Tomada D’água: conduz a água até a Câmara de Adução e/ou ao Conduto
Forçado.
Casa de Máquinas: onde se localiza o conjunto Turbina-Gerador.

A figura 1.1 apresenta, esquematicamente, os principais componentes de uma


usina hidrelétrica:

nível de montante

tomada d’água / vertedouro gerador

reservatório conduto forçado

turbina nível de jusante


barragem canal de fuga

Figura 1.1- Representação esquemática de uma usina hidrelétrica

As pesquisas, no entanto, não se restringem somente ao campo da geração,


havendo interesse também quanto à transmissão e a distribuição de energia. Resultados
satisfatórios têm sido obtidos, representando melhorias para todo o sistema.

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1.3- A TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

As linhas de alta tensão e as linhas de interligação do sistema interligado


constituem o Subsistema de Transmissão, responsável pelo escoamento da geração.
O processo de transmissão se inicia com a elevação das tensões dos geradores
nas usinas. A primeira redução ocorre nas subestações de transmissão, podendo esta tensão ser
utilizada por alguns consumidores industriais. Posteriormente, nova redução dos níveis de
tensão ocorre nas subestações de distribuição, caracterizando o sistema primário de
distribuição. Esse último alimenta muitos consumidores industriais e os transformadores de
distribuição, que fornecem as tensões secundárias para uso residencial.
Os níveis mais elevados de tensão das linhas de transmissão tornam-se mais
vantajosos quando se considera que altas potências podem ser transmitidas através das linhas.
Deve-se ressaltar, no entanto, que a capacidade de transmissão das mesmas depende dos seus
limites térmicos, da queda de tensão permitida, do nível de confiabilidade requerido e de
exigências para ser mantido o sincronismo entre as máquinas do sistema. Como o sistema de
transmissão transporta grandes quantidades de potência através de distâncias consideráveis,
deve-se levar em conta também as perdas do sistema. Linhas de transmissão em paralelo
permitem a redução destas perdas.
Descargas atmosféricas e operações de chaveamento podem ocasionar
sobretensões transitórias nas linhas de transmissão, geralmente causadas por mudanças
bruscas nas condições de operação ou na configuração do sistema. As linhas aéreas de
transmissão podem ser protegidas das descargas atmosféricas por um ou mais fios suspensos
acima dos condutores e conectados a terra através das torres que sustentam as linhas, os quais
são denominados de “cabos guarda”.

1.4- A DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

O sistema de distribuição é caracterizado por uma estrutura predominantemente


radial, concentrando-se em pequenas áreas geográficas urbanas ou rurais. Seu principal
compromisso diz respeito à qualidade do fornecimento de energia aos consumidores, o que
significa minimizar os riscos de interrupção de energia e manter níveis de tensão aceitáveis.
Os circuitos radiais com recursos apresentam pontos definidos de interligação
entre os seus alimentadores, proporcionando condições para se isolar os trechos com falhas ou
em manutenção, garantindo o fornecimento de energia ao maior número possível de
consumidores.

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Na figura 1.2 é apresentado o esquema simplificado de um sistema de energia
elétrica.

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Fig.1.2: Esquema simplificado de um sistema de energia elétrica

Além dos aspectos anteriormente abordados, pode-se ressaltar ainda que a


energia elétrica possui um papel fundamental no desenvolvimento da humanidade, devendo
ser produzida da maneira mais adequada possível, com mínimo custo e sem muito impacto à
natureza. Essas características também dizem respeito à manutenção da tensão e da freqüência
do sistema em níveis aceitáveis de operação, que serão assuntos tratados nos próximos
capítulos.

1.5- REFERÊNCIAS

1- Stevenson Jr., W. D., “Elementos de Análise de Sistemas de Potência”, McGraw-Hill, 2a


edição em português, São Paulo, 1986.

2- Gross, C. A., “Power System Analysis”, John Wiley and Sons, 2a edição, New York, 1986.

3- Moura, C. C. M. de, “Coordenação Hidrotérmica: uma Abordagem para o Problema


Considerando as Perdas do Sistema de Transmissão”, Dissertação de Mestrado, Universidade
Federal do Pará, 1996.

4- Moura, C. C. M. de; Brito, P. de C. da S. e Branco, T. da M. M., “Planejamento de


Sistemas de Energia: Aspectos Gerais da Expansão e da Operação”, Relatório Técnico RT -
01/95/SP/CMEE/CT/UFPA - Dez. 1995.