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Parecer Jurídico nº.

01/2019
Referência: Projeto de Lei nº. 01/2019
Autoria: Vereador Raimundo Adonias Siqueira de Araújo.
Ementa: Dispõe sobre a obrigatoriedade de execução dos hinos nacional do brasil, Estado do
Maranhão e do Município de Governador Newton Bello/MA, na rede de ensino público
municipal e privado, e dá outras providências.

I – RELATÓRIO
Foi encaminhado a Procuradoria Jurídica desta Casa de Leis para emissão de parecer, o
Projeto de Lei nº. 01/2019, de 26 de abril de 2019, de autoria parlamentar, que Dispõe sobre a
obrigatoriedade de execução dos hinos nacional do brasil, Estado do Maranhão e do
Município de Governador Newton Bello/MA, na rede de ensino público municipal e privado,
e dá outras providências.

É o relatório.

Passo a análise jurídica.

II – ANÁLISE JURÍDICA
2.1. Da Competência
O projeto versa sobre matéria de competência do Município em face do interesse local,
encontrando amparo no artigo 30, inciso I da Constituição da República e no artigo 24, inciso
I, da Lei Orgânica Municipal.
2.2 - Da Forma Da Proposição
No presente tópico, será analisada a proposição sob a visão da constitucionalidade formal.
Avaliando o projeto, verifica-se que o projeto apresenta vício legislativo por
inconstitucionalidade formal.
De fato, segundo a Bernardo Gonçalves Fernandes (Curso de Direito Constitucional. 5. Ed.
Bahia: JusPODIVM, 2013, pg. 1068/1070), que muito bem aborda a matéria, a análise da
constitucionalidade leva obrigatoriamente à consideração de aspectos constitucionais de
ordem formal e material. Diz o autor:
A inconstitucionalidade, também, pode ser conceituada como
formal (nomodinâmica) ou material (nomoestática), conforme o
tipo de vício ocorrido na edição de leis ou atos normativos em
relação à Constituição. Portanto, conforme o conceito acima
citado de controle de constitucionalidade, temos que as leis ou
atos normativos devem preencher requisitos formais e materiais
para terem validade e, com isso, adequarem-se à Constituição.
A inconstitucionalidade formal é aquela que envolve um vício
no processo de produção das normas jurídicas, na medida em
que as leis ou atos normativos são editados em desconformidade
com as normas previstas constitucionalmente. Nesse sentido
fala-se na obediência
a requisitos formais [...].
[..]
Certo é que, para a doutrina majoritária, o processo legislativo
tem três fases: iniciativa, constitutiva e complementar. Nesse
sentido, será necessário cumprir os seguintes requisitos para
que haja uma produção adequada (ou em consonância) das
respectivas espécies normativas previstas na Constituição:
Requisitos formais subjetivos: dizem respeito à primeira fase do
processo legislativo, qual seja a fase de iniciativa. Portanto,
relaciona-se ao sujeito que tem competência ou legitimidade
para iniciar/deflagrar o processo [...].
Requisitos formais objetivos: dizem respeito às outras fases do
processo legislativo, chamadas de constitutiva (na qual há a
discussão e votação das proposições) e complementar (na qual
ocorre a integração de eficácia do ato normativo já aprovado,
por meio da promulgação e publicação) [...].
A inconstitucionalidade material é aquela que ocorre quando o
conteúdo de leis ou atos normativos encontra-se em
desconformidade (ou desacordo) com o conteúdo das normas
constitucionais. Nesse sentido, fala-se na inobservância de
requisitos materiais por parte de leis ou atos normativos. Com
isso, haverá inconstitucionalidade material quando o conteúdo
da lei ou ato normativo contrariar o conteúdo da Constituição.

No caso específico da proposição, a jurisprudência tem considerado de competência privativa


do Chefe do Executivo os projetos que inserem obrigações no âmbito escolar.

Alertamos, outrossim, que eventual sanção do projeto não convalida o vício de iniciativa.
Nesse sentido é o entendimento do Supremo Tribunal Federal:

O Projeto de Lei em questão padece de vício formal, por se tratar de matéria de iniciativa
privativa do Chefe do Poder Executivo, nos termos do artigo 69 da Lei Orgânica Municipal.
Quanto às normas da técnica legislativa e redacional a proposição encontra-se adequada à Lei
complementar 95/1998.
2.3 - Da Materialidade Da Proposição
A inconstitucionalidade material é, segundo Bernardo Gonçalves Fernandes, (Curso de
Direito Constitucional. 5. Ed. Bahia: JusPODIVM, 2013, pg. 1068/1070)
"[...] aquela que ocorre quando o conteúdo de leis ou atos normativos
encontra-se em desconformidade (ou desacordo) com o conteúdo das
normas constitucionais. Nesse sentido, fala-se na inobservância de
requisitos materiais por parte de leis ou atos normativos. Com isso, haverá
inconstitucionalidade material quando o conteúdo da lei ou ato normativo
contrariar o conteúdo da Constituição."
Nessa seara, não vislumbro inconstitucionalidade, até porque a Lei Federal nº 12.031/09,
tornou obrigatória, nos estabelecimentos públicos e privados, a execução do Hino Nacional
uma vez por semana.

2.4. Da Espécie Normativa


A espécie normativa, Lei Ordinária, está adequada, tendo em vista, não se enquadrar
especificamente no rol de Leis Complementares, conforme o artigo 67 de Lei Orgânica
Municipal.
2.5. Da Tramitação e Votação
Preliminarmente, a propositura deverá ser submetida ao crivo da Comissão Permanente de
Constituição, Justiça e Redação (art. 43, § 1º do R.I.).
Após a emissão do parecer, na forma regimental, e a posterior inclusão na ordem do dia, a
propositura deverá ser votada em turno único de discussão e votação (artigo 122 e 123 do R.
I,).
O quórum para aprovação será por maioria simples, em turno único de discussão e votação,
em conformidade com o artigo 68 da Lei Orgânica Municipal e artigo 128, I, do Regimento
Interno.
O processo de votação se dará por votação nominal.

III – Das atribuições da Comissão de Legislação e Redação Final e do controle da


constitucionalidade:
Adentrando na análise do Projeto, não é demais relembrar que a atividade da Comissão de
Legislação e Redação Final, é verificar:
a) A constitucionalidade: compatibilidade com regras e princípios da Constituição
Federal e Estadual;
b) A Legalidade: compatibilidade com as regras legais;
c) A juridicidade: compatibilidade com o Direito como um todo (ordenamento jurídico);
d) Compatibilidade com regras regimentais;
e) Compatibilidade com regras da boa técnica legislativa redacional.

IV – CONCLUSÃO
Pelo abordado acima, verifica-se que o projeto apresenta vício formal, merecendo, portanto,
receber manifestação CONTRÁRIA deste órgão técnico.

É o parecer. Contudo, à consideração superior.

À Comissão de Justiça e Redação para as providências que entender pertinentes.

Outrossim, cumpre-nos esclarecer que a emissão de parecer por esta Procuradoria Jurídica não
substitui os pareceres das Comissões Permanentes, porquanto essas são compostas pelos
representantes do povo e constituem-se em manifestação efetivamente legítima do
Parlamento. Dessa forma, a opinião jurídica exarada neste parecer não tem força vinculante,
podendo ser utilizada ou não pelos membros desta Casa.
É o parecer, salvo melhor juízo das Comissões Permanentes e do Plenário desta Casa
Legislativa.
Governador Newton Bello, 25 de junho de 2019.

Fulano de Tal
Procurador Jurídico
OAB/MA .....

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