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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO – FACUDADE DE DIREITO – DIREITO DAS OBRIGACÕES – ISS 2021 ®

FDUAN – 1

Casos práticos sobre:


Princípios gerais do Direito das Obrigações;

Caso prático n.º 1

Bento, proprietário de uma quinta em Viana na zona do Bita, pretendendo melhorar e


aumentar a produtividade dos produtos agrícolas que comercializa, celebrou um
contrato de aluguer dos instrumentos agrícolas de Carlos seu compadre, Bento obrigou-
se a pagar 10.000 kz mensais a Carlos.

Volvidos cinco meses após ter recebido os instrumentos agrícolas, Bento não realizou
a sua prestação. Bento assumira ainda uma dívida com Dário, no valor de 60.000 kz,
proveniente do contrato de empreitada celebrado entre ambos onde, Dário obrigavase
reparar na íntegra os compartimentos da casa daquele e receberia como prestação os
valores em dívida.

Nesta senda, Bento celebrara um contrato de transporte dos utensílios agrícolas com
António motorista de profissão, no valor de 40.000kz, para acarretar os respectivos
materiais até à quinta. Uma vez transportados os utensílios, Bento não cumpriu com a
sua palavra.

Desejando receber os valores em dívida, os credores de Bento decidem atacar o


património deste, sendo certo que o valor patrimonial líquido de Bento é inferior ao valor
total das dívidas (100.000 Kz).

VALOR TOTAL 150.000 PATRIMÓNIO LÍQUIDO: 100.000

Caso prático n.º 2

Bailundo, arrendatário de um imóvel sito na Caála, onde paga ao Senhorio Catchiungo


a renda semestral de USD 5000, é devedor no casino Ekunha resultante de uma aposta
mal sucedida no valor de USD 4000 e de uma prestação com Longonjo, pela reparação
da mesma casa no valor de USD 6000.

Em função das chuvas torrenciais que caíram sobre Londuimbale, onde tem a sua
residência, o seu património ficou avaliado em USD 10.000.

Caso prático n.º 3

Analise, fundadamente e tendo em conta os níveis de controlo, a compatibilidade das


cláusulas constantes das ― condições gerais de utilização de «cartões de crédito
Classic» para pessoas singulares Gold do banco BAE – Banco Angolano Express com
a lei angolana:

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a) Cláusula 6ª nº 6:
― 6. O Banco será alheio a eventuais incidentes entre o comerciante ou
prestador de serviços e o Titular do Cartão, bem como às responsabilidades e
consequências que tais factos possam originar.

b) Cláusula 11ª nº 6 e 7:
― 6. O Banco poderá debitar ao Titular os encargos que este o faça
incorrer por virtude de dificuldades de cobrança. Nos casos de falta de
pagamento que obriguem a acção judicial, todas as despesas do processo serão
da responsabilidade do devedor.

―7. O Banco fica desde já autorizado a debitar as despesas e encargos,


referidos no ponto anterior, em qualquer outra conta depósito que o Titular tenha
no Banco.

c) Cláusula 13ª nº1 e 6:


― 1. O Titular do Cartão compromete-se a comunicar de imediato o
Banco, por telefone ou outro meio mais expedito, sendo sempre tal
comunicação confirmada por escrito, em caso de extravio, furto, roubo ou
falsificação do Cartão e registos no extracto da Conta-Cartão de quaisquer
transacções não autorizadas ou quaisquer erros ou irregularidades na sua
utilização.

― 6. A responsabilidade do Titular pelas operações irregulares derivadas


dos factos referidos no nº 1 efectuadas até à comunicação ao Banco, está
limitada, à data da primeira operação irregular, ao valor do saldo disponível face
ao limite de crédito do conhecimento do Titular, salvo se forem devidas a dolo
ou negligência grosseira do Titular, na guarda do Cartão e/ou do respectivo PIN,
do dever de comunicação ou indevida e incorrecta utilização.

d) Cláusula 15ª nº 5 al. f) e g): ―5. O Banco poderá proceder, sem aviso prévio, à
suspensão e ao cancelamento de todos os Cartões, exigindo, todavia, a sua
devolução e o pagamento dos valores em dívida, nas seguintes situações:

Al. f): no caso do titular constar na Lista de Utilizadores da Central


de Riscos do Banco Nacional de Angola1.

Al. g): no caso de se registar uma alteração relevante da situação


patrimonial do Titular.

1Base de dados gerida pelo Banco Nacional de Angola com informação prestada pelos bancos sobre o conjunto de
entidades, pessoas singulares e colectivas, com os quais os bancos tenham rescindido a convenção de cheque por
utilização indevida.

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Caso prático n.º 4

A discoteca FUN intentou uma acção contra KAPUKA & CAIPIRINHA SA, invocando a
invalidade da seguinte estipulação que consta do contrato geral de fornecimento
normalmente utilizado por esta sociedade com os demais clientes:
«A empresa não se responsabiliza por quaisquer danos em pessoas que
resultem da ingestão dessa bebida.»

Caracterize a situação em causa inserindo-a no seu contexto específico.

Caso prático n.º 5

A tem uma frustração doentia por nunca ter conseguido aprender a tocar bem piano,
frustração que aumentou quando B, filha de um amigo seu, começou a aprendê-lo. B
foi evoluindo na sua arte até que, aos 18 anos, entrou no curso superior da «Orquestra
Sinfónica Kapossoca». A ofereceu-lhe então Kz. 2.500.000 para que nunca mais
tocasse. B aceitou e A pagou-lhe. Passado um ano, B arrependeu-se.

Caso prático n.º 6

A Associação Lubanguense de Restauração intentou uma acção contra a Central


Cervejeira N’Gola, SA., invocando a invalidade da seguinte estipulação constante dos
seus contratos de fornecimento que utiliza sempre que contrata com os seus clientes:
“a empresa não se responsabiliza por eventuais danos em pessoas ou bens, na
sequência do rebentamento de barris de cerveja armazenados ou já instalados pela
contraparte”.

a) Qualifique e fundamente a acção judicial em causa, sem esquecer de a


caracterizar.

b) Diga, justificando, se terá fundamento a pretensão apresentada em Tribunal.

Caso prático n.º 7

Entre a empresa têxtil A e a empresa transitária B foi celebrado um contrato pelo qual
esta última se comprometeu a concretizar as formalidades respeitantes à exportação
de mercadoria e a entregá-la directamente à firma francesa importadora.

Por negligência da empresa B, a mercadoria extraviou-se, não chegando a ser entregue


ao importador. Na acção de indemnização proposta por A, B defendeu que o litígio
deveria ser resolvido de acordo com o disposto nas ”Condições Gerais de Prestação
de Serviços pelo Transitário”, elaboradas pela associação profissional do sector,
publicadas no Diário da República e constantes do verso de um dos diversos
documentos que acompanhavam o contrato celebrado entre A e B.

a) Diga, justificando, se o tribunal deve aceitar a pretensão de B.

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b) Nas referidas ”Condições Gerais de Prestação de Serviços pelo Transitário”


estava estipulado o seguinte: “A responsabilidade do transitário emergente
da prestação dos serviços que lhe forem confiados, não poderá ultrapassar o
valor de 1.000 Kz por quilo de mercadoria transportada”. Na hipótese de o
litígio dever ter em conta aquelas “ Condições Gerais”, pronuncie-se sobre o
valor jurídico desta estipulação.

c) A “Associação das Empresas Têxteis do Sul de Angola” pretende propor uma


acção com o objectivo de inviabilizar a utilização daquelas ”Condições Gerais
de Prestação de Serviços pelo Transitário”. Indique, qualifique e caracterize
o meio processual ao seu dispor.

Caso prático n.º 8

Analise, à luz da Lei n.º 4/03, um formulário de abertura de conta ou outro contrato
bancário de uma instituição financeira bancaria à sua escolha ou ainda outro formulário,
de outro sector de actividade económica, que entenda conveniente, contendo cláusulas
contratuais gerais.

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