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Prof.ª. Dr.ª MARIA RAQUEL CAETANO

Nome da disciplina: Gestão da Educação Pública


TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
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INTRODUÇÃO

Este terceiro Texto Base que apresentamos, abordará dois temas


de extrema importância quando estudamos a Gestão da Escola: o
planejamento e a avaliação que são processos que exigem clareza e
intenção.
O planejamento será abordado como processo participativo e
coletivo que possibilita antecipar a prática e é imprescindível à tomada
de decisões. A avaliação é compreendida como processo emancipatório
desenvolvido numa perspectiva formativa daqueles que avaliam, são
avaliados e se autoavaliam.
Na primeira parte do texto trazemos esclarecimentos conceituais
sobre os processos de planejamento e após sobre avaliação, bem como
sobre as formas como estão relacionados entre si, no sentido de oferecer
subsídios necessários para compreender o tema a partir da organização
e gestão da escola.
Assim como nos demais textos, priorizamos o diálogo com
produções de pesquisadores da área.
No dia 17 de novembro, as 19h será nossa aula no Canal do
Youtube do curso. Boa semana e até lá.
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Gestão da Educação Pública
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O que é planejamento e qual a sua importância na organização e


gestão da escola?

O processo de organização e gestão escolar, assim como de


qualquer outra instituição, tem como base suas funções essenciais. As
teorias clássicas da Administração Geral estabelecem quatro funções a
partir das quais são definidas as ações e operações necessárias à
organização, estrutura e funcionamento de qualquer instituição. São
elas:

• Planejamento – Consiste na explicitação de objetivos e antecipação


de decisões para orientar a instituição, com a previsão do que se deve
fazer para atingi-los.

• Organização – Compreende a racionalização de recursos humanos,


físicos, materiais, financeiros, ou seja, os meios pelos quais se asseguram
a efetividade dos processos de ensino e aprendizagem, criando e
viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado.

• Direção e coordenação – Implicam a coordenação do esforço humano


coletivo do pessoal da escola. Trata-se do desenvolvimento propriamente
dito dos processos de planejamento, da organização e da avaliação.
Assim, as funções de direção e coordenação envolvem: mobilização,
liderança, motivação, comunicação e a capacidade de articulação dos
esforços de cada um dos atores envolvidos nesses processos. Dirigir e
coordenar implica o exercício da autoridade – e não do autoritarismo –
da responsabilidade, do poder de decisão, da disciplina e da iniciativa.

• Avaliação – É a comprovação e a avaliação do funcionamento da escola.


Ou seja: com base em dados e informações coletados através de
processos e instrumentos diversificados, a avaliação consiste em verificar
se o que foi previsto está sendo alcançado, de fato. A avaliação envolve
além da análise qualitativa de dados e informações, a apreciação
valorativa (juízo de valor), a quantificação, a mensuração, ou seja, o uso
de formas diferenciadas de medidas com critérios definidos previamente.
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Essas funções não ocorrem de forma isolada ou estanque, antes


se constituem em processos que, de forma sistemática, articulada e
permanente, buscam garantir a organização e o desenvolvimento da
gestão da escola. Elas irão se materializar nos planos e projetos
elaborados pela escola.

O que precisa ficar claro aqui é a concepção de planejamento que


deve ser entendida para que possa ser assegurada uma efetiva
organização do trabalho da escola e a gestão democrática conforme o
desejado por aqueles que fazem educação. O processo e o exercício de
planejar constituem uma antecipação da prática, ou seja, planejar é
prever e programar as ações e os resultados desejados,
possibilitando à equipe gestora a tomada de decisões.
A escola necessita formular objetivos, tendo como referência as
suas necessidades e em articulação com o projeto político-educacional do
sistema de ensino do qual faz parte. É necessário que a escola elabore
planos de trabalho ou planos de ação onde são definidos seus objetivos
e sistematizados os meios para a sua execução bem como os critérios de
avaliação da qualidade do trabalho que realiza. Sem planejamento, as
ações dos diversos atores da escola irão ocorrer ao sabor das
circunstâncias, com base no improviso ou na reprodução mecânica de
planos anteriores e sem avaliar os resultados do trabalho.
A falta de planejamento leva a equipe gestora a se
especializar em “apagar incêndios”, mas, nem todos os incêndios
podem ser apagados sem que haja sérios prejuízos.
Algo que deve ser observado no processo de planejamento e na
organização geral do trabalho é o tipo de gestão que se desenvolve na
escola. O planejamento escolar não pode ser conduzido de forma
autoritária e centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma
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cultura mais democrática e participativa nos processos


desenvolvidos na escola.
A gestão democrática não se constrói sem um planejamento e
avaliação participativa, que conte com o envolvimento dos segmentos
representativos da comunidade escolar nos processos de tomada de
decisão. A participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar
nesse processo é fator relevante para o seu sucesso, pois agrega ao
planejamento o compromisso e a corresponsabilidade na consecução de
metas e objetivos definidos.

Planejamento Escolar na perspectiva democrática1

De onde vem a ideia do Planejamento? A ideia de planejamento


acompanha o homem em seu próprio processo de humanização uma vez
que o ato de planejar está associado à organização de uma determinada
ação. Desse modo, cabe dizer que, como prática humana, o planejamento
é anterior à ideia de escola. Refletir sobre a trajetória histórica do
planejamento implica reconhecer que a atividade de planejar é
essencialmente humana, demandando reflexão e intencionalidade.
Diferentes conceitos e práticas de planejamento encontram-se
intrinsecamente vinculados à categoria trabalho em suas múltiplas
configurações e às diferentes formações sociais. Nesse sentido o planejar
remete à própria evolução humana e o processo civilizatório.
Há importantes pesquisadores que investigam e analisam a
trajetória do conceito de planejamento, entre eles cita-se Albers Gerd
(1972) que distingue três fases do planejamento, interligadas à trajetória
do desenvolvimento técnico-científico e tecnológico.

1
Excertos retirados do texto de Marta Leandro da Silva. Ver referências.
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No início do processo civilizatório o homem preocupava-se,


prioritariamente, com as questões técnicas, focadas no domínio e
modificação da natureza. Nesta primeira fase, a ênfase está no como
fazer as coisas e na busca imediata de soluções satisfatórias para as suas
necessidades primárias. Há, portanto, a clara atribuição do planejamento
como instrumental para facilitar ações. Numa segunda etapa evolutiva
do planejamento a ênfase passa do aspecto prático/técnico, instrumental
para focar a elaboração de quadros teóricos de referências, buscando
interpretar as emergentes necessidades e aspirações humanas. Nessas
circunstâncias o planejamento recebe contributos de diferentes áreas do
conhecimento (da sociologia; da política; da economia; da antropologia;
da psicologia), sendo o pensado à luz de diferentes dimensões, aspectos
e linhas teóricas. A terceira fase, ora emergente, caracteriza-se pela
compreensão de que o planejamento é aberto às finalidades do homem,
mas também requer do planejador a consciência dos fatores
interdependentes que afetam o ato de planejar.
Assim, consciência e intencionalidade, participação e
responsabilidade se tornam termos-chave dentro de uma nova visão de
planejamento. Em contextos histórico-sociais, técnico-científicos e
político-econômicos diversos, observamos diferentes formas de
transposição e ou adaptação das teorias administrativas para o campo
educacional. Esse é, contudo, um processo repleto de embates,
contradições e tensões e, conforme Vasconcellos (2000 p. 27), explica
porque a sistematização do planejamento se dá fora do campo
educacional, estando ligada ao mundo da produção ( I, II Revoluções
Industriais) e à emergência da ciência da Administração, no final do
século XIX.” Neste campo de saber são emblemáticos os nomes do
americano Taylor (1856-1915) e do francês Fayol (1814-1925). É,
portanto, imprescindível reconhecer a relevância e a complexidade dos
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estudos e pesquisas no campo da gestão educacional (escolar) que


abarcam as diferentes concepções e práticas de planejamento.
Vale ainda destacar os embates e as equivocadas tentativas de
transposição dos conceitos e práticas de planejamento no campo da
administração/gestão de empresas para o campo educacional.
O desafio é pensar na especificidade do conceito de
planejamento no campo educacional e na reflexão quanto às
implicações de transposições lineares não reflexivas de teorias e
práticas de planejamento não condizentes com os fins da
educação e o papel social das escolas.

Vasconcelos (2000) explica que é por essa razão que ao


analisarmos a história da educação escolar, percebemos que, de acordo
com cada contexto sócio-político econômico-cultural, diferentes
concepções do processo de planejamento orientaram os educadores.
Atualmente, no campo dos estudos sobre planejamento, identificamos os
enfoques: o planejamento estratégico e o planejamento
participativo.
No Brasil, quanto ao aspecto histórico as autoras Sant’Anna;
Enricone; André; Turra revisitam os enfoques de planejamento
denominados: planejamento normativo e planejamento
participativo. Para as referidas autoras são diversas as questões que
podem ser levantadas sobre as teorias e práticas do planejamento
educacional. Elas colocam em discussão a relevância, no âmbito da
educação, de um conceito racional e técnico de planejamento, adaptado
das teorias de administração de empresas, indagando: “de que modo
ajustar ideais e ideias educativas a conceitos de eficiência e
eficácia, mais condizentes com a construção de pontes, empresas
automobilísticas etc. que se orientam por outras finalidades?”
(1986, p. 272).
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Na trajetória histórica do planejamento é possível destacar,


segundo MCGuinn (1980), dois enfoques: o planejamento normativo ou
racional e o planejamento situacional, interativo, participativo. A grosso
modo o planejamento normativo é caracterizado pelo caráter
determinístico sendo assim denominado porque está situado na ótica da
prescrição de formas de ação dentro de uma programação mais fechada
e pré-ativa.
O planejamento participativo recebe variadas
denominações, sendo uma delas o planejamento interativo ou
situacional, assim concebido, porque “as organizações são
manejadas por pessoas, cuja percepção do que é possível e
desejável depende da situação em que são colocadas.[...] o
planejamento é interativo no sentido de que a organização (e as
pessoas que nela atuam) é o sujeito do plano e, na busca de seus
objetivos, ela própria se modifica e encoraja transformações
(também das pessoas)”. (SANT’ANNA, ENRICONE, ANDRÉ e TURRA,
1986, p. 275).
Destacaremos as concepções de planejamento participativo
concebido, segundo Cornely (1977), como sendo um processo de um
contínuo propósito coletivo, de reflexão e amplo debate a fim de deliberar
sobre a construção do futuro da comunidade contando com a participação
do maior número possível de membros das categorias que a constituem.
O planejamento participativo no âmbito da escola implica reavivar
continuamente o processo de reflexão e ação da coletividade (da
comunidade escolar). Implica ainda a busca da identidade
institucional, ou seja, da identidade construída e reconstruída
pela coletividade. Seu escopo é obter a participação corresponsável e
consciente das maiorias a favor de mudanças estruturais. A
corresponsabilidade dessas maiorias atinge também o processo decisório.
A serviço dessas decisões, e buscando atingir seus objetivos de maneira
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mais rápida, racional e eficaz, é que se colocam as técnicas de


planejamento” (VIANNA, 1977, p.38). Veja o Quadro 1 nos anexos no
final desse caderno.
O Planejamento Normativo Tradicional (PNT) é marcado pela
concepção tecnocrática e economicista. Conforme esclarecem Vieira e
Albuquerque (2001) este tipo de planejamento fundamenta-se na ação
instrumental do modelo positivista. Esta concepção de planejamento
origina-se nas primeiras décadas do século XX, na antiga União Soviética,
expandindo-se logo após a Segunda Guerra Mundial para os países
capitalistas.
Na América Latina, a expansão da concepção de planejamento
normativo tradicional ocorre por meio da Conferência de representantes
dos países latino-americanos realizada em Punta del Este, em 1961.
Segundo Vieira (1999) o surgimento deste enfoque vincula-se à Aliança
para o Progresso e a sua exigência de projetos de desenvolvimento
econômico e social para a concessão de financiamentos e vem sendo
utilizado cada vez mais intensamente no decorrer dos anos.
No Brasil, é a partir da Segunda Guerra Mundial que as práticas
governamentais passaram a incorporar o enfoque do planejamento
normativo tradicional na condução da política econômica, então,
concebido conforme Ianni (1996), como uma técnica racionalizada de
organização das informações. A esse respeito Vieira e Albuquerque
(2001) esclarecem que é somente a partir da ditadura militar que o
planejamento é de fato instituído como sistemática governamental,
conforme formalizado pelo Decreto-Lei nº 200/67. Neste momento
histórico do contexto brasileiro podemos observar o fomento das
diferentes formas de financiamento internacional e ao planejamento
direcionado ao desenvolvimento econômico, culminando com a
elaboração e implantação de planos e programas setoriais e regionais,
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com destaque : os Planos Setoriais da Educação e os Planos Nacionais de


Desenvolvimento.
Diante das circunstâncias acima descritas surge um novo
enfoque denominado Planejamento Estratégico (PE) em resposta aos
limites do campo de ação do planejamento normativo tradicional. Ao lidar
com as incertezas o planejamento estratégico comporta duas vertentes
intituladas de Planejamento Estratégico Corporativo (PEC) e
Planejamento Estratégico-Situacional (PES) que visam abrir espaços para
diferentes formas de sistematização das ações. O planejamento
estratégico corporativo está centrado nos problemas característicos e
peculiares das grandes corporações privadas e visa atender às demandas
da economia. Neste enfoque a sistematização das ações surge da
identificação e enumeração de possibilidades e alternativas para o
enfrentamento do concorrente, ou seja, do fortalecimento da competição
empresarial, com a identificação da capacidade de previsão e de
orientação das ações futuras. Este enfoque situa-se predominantemente
no campo empresarial, contudo constata-se também a necessidade de
um tipo de planejamento focado para as práticas governamentais,
surgindo o Planejamento Estratégico Situacional (PES), enfoque proposto
por Matus (1996). Assim, o referido autor esclarece que partindo-se do
entendimento de que a realidade comporta variáveis político-pedagógicas
e não apenas econômicas, esta concepção de planejamento, pensada
para dirigentes políticos, “ no governo ou na oposição, pode ser aplicada
a qualquer órgão cujo centro do jogo não seja exclusivamente o mercado,
mas o jogo econômico, político e social” (MATUS, 1996, p. 354).
Outra característica a ser destacada na própria nomenclatura do
Planejamento Estratégico-Situacional é a ênfase conferida à categoria
situação. Vieira e Albuquerque (2001, p.36) identificam o deslocamento
da “centralização para o exercício da descentralização; do reducionismo
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econômico para a inclusão das demais variáveis sociopolíticas; do


autoritarismo para a participação.
A ideia de governabilidade é aqui compreendida como uma
relação entre as variáveis que o ator controla e as que não controla no
processo de governo[...]” assim, constata-se uma mudança de foco do
planejamento normativo tradicional para o planejamento estratégico.
Embora esta corrente de planejamento tenha adquirido grande destaque,
inclusive, na formulação das políticas governamentais focalizando
questões estratégicas é necessário atentar-se para as limitações que
engendra no processo de participação da coletividade no âmbito do
planejamento escolar.
Outro enfoque de planejamento advindo do campo empresarial
que ganha destaque nas últimas décadas do século XX é denominado
Planejamento no Gerenciamento da Qualidade Total (CGT)e que
atualmente pode ter outros nomes. No campo da teoria de administração
o conceito de qualidade total abarca elementos de diversos modelos e
teorias organizacionais caracterizando-se pelo seu caráter híbrido e pela
amplificação de sua área de implementação seguindo linguagem e
metodologias próprias. A implementação deste enfoque de planejamento
no campo educacional tem gerado inúmeras implicações e equívocos
decorrentes de uma tentativa de transposição linear que desconsidera o
papel social da escola e a especificidade da dinâmica organizacional da
escola e de seus diferentes protagonistas.
Por fim, evidenciamos que a cada momento histórico um tipo de
planejamento é proposto em função das concepções de sociedade,
homem, de educação e de projeto de formação que se coloca para a
escola e seus agentes. E, assim, lidamos, na condição de professores,
coordenadores, diretores, etc., com a discussão sobre planejamentos e a
elaboração de programas, projetos e planos da escola e do ensino. Como
apresenta Soares:
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Em diferentes momentos e lugares em que a educação se desenvolve somos solicitados


a apresentar algum tipo de documento que expresse o planejamento do trabalho a ser
desenvolvido. Seja a proposta pedagógica da escola, o projeto político-pedagógico da
instituição, o plano de curso, o plano de aula, enfim, a necessidade de se trabalhar de
forma planejada sempre foi uma constante e continua fortemente presente no interior
da escola. Também, no âmbito dos sistemas de ensino encontramos a demanda pelo
planejamento do trabalho a ser desenvolvido, desde o Plano Nacional de Educação com
suas metas e diretrizes, até os planos elaborados pelos sistemas de ensino nos estados
e municípios.

Dessa maneira, em nosso cotidiano, em nosso fazer pedagógico


tomamos decisões e desencadeamos um processo de reflexão sobre as
ações que necessitamos desenvolver para alcançarmos os objetivos que
definimos, utilizando, de forma mais adequada, os recursos existentes.
Também definimos meios para que as metas e objetivos sejam possíveis
de realização.

LEMBRE-SE: As nossas necessidades em correlação com a


nossa realidade é sempre o ponto de partida rumo ao ideal
que desejamos alcançar!

Os Dispositivos do Planejamento escolar e a prática pedagógica2

A ideia de planejamento está associada ao que desejamos


realizar, transformar e até mesmo manter. Isto porque as “concepções
sobre planejamento tanto podem estar ligadas a ideais de transformação
como às de manutenção de realidades ou situações existentes”.
(SANT’ANNA, ENRICONE, ANDRÉ e TURRA, 1986, p.273).
Contudo, de modo geral a ideia de planejamento está muito mais
vinculada aos propósitos de transformação de uma dada realidade.
Assim, o planejamento escolar é também um processo reflexivo.

2
Idem ao anterior.
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Contudo, a reflexão exigida no planejamento conduz nosso olhar para a


realidade da escola. Realidade física, cultural, pedagógica, social e
política. É importante que, para o alcance dos objetivos estabelecidos no
planejamento, não descuidemos da ideia de que o planejamento é
também um ato político-pedagógico. Nesse sentido, a apreensão da
escola em sua singularidade, a reflexão em torno das práticas
pedagógicas e do compromisso social da escola pública são atitudes
essenciais dos diversos sujeitos que interagem como protagonistas na
dinâmica organizacional das instituições escolares. Concebemos o
planejamento como instrumento teórico-metodológico para a
intervenção na realidade.

O que
O que
Planejamento para queremos
temos
intervir na realidade

Lembrando que os sistemas, as escolas, setores, aulas e as


instituições, precisam de planejamento.
Dessa forma, o planejamento é imprescindível à ação educativa
e ao fazer pedagógico. Vasconcelos (2000, p.63) define o planejamento
“enquanto construção-transformação de representações é uma mediação
teórico-metodológica para a ação, que, em função de tal mediação, passa
a ser consciente e intencional”.
Nessa perspectiva, é importante que a reflexão acerca da
escola contemple três dimensões:
*a realidade (onde estamos);
*os fins (onde queremos chegar ou que desejamos alcançar);
* a mediação (como iremos alcançar o desejado ou de que forma iremos
chegar lá).
Sua estrutura básica é composta por três dimensões:
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- análise da realidade (AR);


- projeção de Finalidades (PF)
- elaboração das formas de mediação (FM). (Vasconcellos, 2000).

São muitos os pesquisadores brasileiros que estudam o conceito


e as práticas de planejamento. Assim, há diversas definições de
planejamento concebido como atividade essencial e exclusivamente
humana.
Desse modo, o planejamento no campo educacional comporta
diferentes níveis e aspectos:

a) no macro contexto das políticas educacionais temos o conceito de planejamento


educacional referindo-se ao planejamento dos sistemas de ensino e de suas redes;
b) no âmbito das instituições escolares temos o conceito de planejamento escolar
referindo-se à organização da escola, dos tempos e espaços escolares;
c) no âmbito do currículo temos o planejamento curricular referindo-se às formas
de reflexão e organização de temáticas, disciplinas em seus diversos campos de
conhecimento;
d) no âmbito do ensino temos ainda o planejamento elaborado pelo professor
(plano docente ou plano de trabalho docente) que compreende os conteúdos
programáticos, objetivos e os procedimentos metodológicos e avaliatórios, bem
como os recursos e materiais didático-pedagógicos.
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Sintetizando.....

O planejamento educacional compreende diferentes níveis:

**no âmbito dos Sistemas e de Redes de ensino;


**no âmbito da Unidade Escolar
**no âmbito das atividades de ensino.

Finalidade do Planejamento escolar

Enquanto mediação teórico-metodológica o planejamento tem por


finalidade “ fazer algo vir à tona, fazer acontecer, concretizar, e para isto
é necessário ‘amarrar’, ‘condicionar’, estabelecer as condições – objetivas
e subjetivas – prevendo o desenvolvimento da ação no tempo (o que vem
primeiro, o que vem em seguida), no espaço (onde vai ser feita), as
condições materiais (que recursos, materiais, equipamentos serão
necessários) e políticas (relações de poder, negociações, estruturas),
bem como a disposição interior (desejo, mobilização), para que aconteça”
(VASCONCELLOS, 2000, p.79). Esta perspectiva de análise implica
conceber o planejamento enquanto processo de reflexão e de tomada de
decisão.
Assim, quando falamos de planejamento referimo-nos a um
processo, contínuo e dinâmico, portanto, permanente. Por isso é
importante distinguir os conceitos de planejamento e plano.
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O plano é o resultado do planejamento. Refere-se a um determinado


momento do planejamento.
Se o planejamento consiste no processo de tomada de decisões, o plano
é a formalização dos diferentes momentos desse processo. O plano se
configura, portanto, num registro escrito, apresentado sob a forma de
um documento.
Enquanto que o planejamento é o processo contínuo, dinâmico que incita
uma determinada intervenção na realidade, contudo, para fazermos esta
intervenção (e ou transformação) necessitamos definir objetivos, metas
e plano de ação.

Podemos definir o objetivo como “a expressão de uma necessidade


humana que só se satisfaz atingindo-se o resultado que aquele prefigura
ou antecipa. Por isto, não se trata apenas de antecipação ideal do que
está por vir, mas sim de algo que, além disso, queremos que venha”
(VÁSQUEZ 1977, p.191).

No intento de realizar o que planejamos muitas vezes vivenciamos


um processo de constantes aproximações. No planejamento fazemos
mediações entre o real e o ideal (realidade e finalidade)
identificamos então uma dada realidade (ou representações que
fazemos dela) com vistas à sua transformação.
Na perspectiva da gestão democrática o planejamento escolar
caracteriza-se pelo seu caráter interativo/dialógico e flexível tendo por
finalidades:
a) orientar o processo de tomada de decisão e da execução dos objetivos
e metas estabelecidas pela comunidade;
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b) fazer a retroalimentação do sistema de informação oferecendo


subsídios para o redirecionamento/replanejamento das ações;
c) otimizar os diferentes usos e realocações de recursos materiais,
financeiros, humanos;
d) viabilizar alternativas/estratégias para o estabelecimento do fazer
pedagógico-organizacional a curto, médio ou longo prazo);
e) visualizar a instituição escolar em sua totalidade considerando o
enfoque holístico e os fatores interdependentes e suas relações;
e) viabilizar as estratégias de inovação e de mudança cultural nos
espaços organizacionais.

Concluindo

Algo que deve ser observado no processo de planejamento e na organização


geral do trabalho é o tipo de gestão que se desenvolve na escola. O
planejamento escolar não pode ser conduzido de forma autoritária e
centralizadora, uma vez que se pretende instituir uma cultura mais democrática
e participativa nos processos desenvolvidos na escola. Uma gestão democrática
não se constrói sem um planejamento participativo, que conte com o
envolvimento dos segmentos representativos da comunidade escolar nos
processos de tomada de decisão, bem como na definição de metas e estratégias
de ação, como já vimos no Texto Base 1. A participação dos diferentes
segmentos da comunidade escolar nesse processo é fator relevante para o seu
sucesso, pois agrega ao planejamento o compromisso e a corresponsabilidade
na consecução de metas e objetivos definidos.

Agora, pense e avalie: como tem sido a sua experiência de


planejamento na escola/instituição em que você trabalha
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O Planejamento é processo e, como tal, irá gerar resultado(s), que


podem ser planos de trabalho ou planos de ação com temporalidade
definida e áreas específicas para a sua aplicação.
Os resultados gerados a partir do planejamento são instrumentos
flexíveis, que auxiliam o desenvolvimento do trabalho da escola nas di-
mensões político -pedagógica, e administrativo-financeira. O processo de
planejamento exige uma atenção permanente ao projeto político-
pedagógico da escola e, por isso mesmo, permite acompanhá-lo e
avaliá-lo. Os produtos gerados pelo processo de planejamento deverão
assegurar a operacionalização do projeto político-pedagógico, garantindo
aquelas características citadas anteriormente, ou seja, a de manutenção
do instituído e instituição do novo.

Sobre Projeto Politico Pedagógico da Escola, leia os materiais que

estão no Saiba Mais(sala de aula virtual) e que abordaremos na

próxima semana.

O que deve ser planejado e avaliado na escola?3

Para que possamos definir o objeto do planejamento e da avaliação


escolar, é necessário ter clareza de quais são as atividades e processos
que movimentam o dia-a-dia da escola. Em suma, para avaliar e planejar
a organização e gestão da escola, é preciso saber o que a escola faz ou
precisa fazer para cumprir sua função social. De maneira bastante
simples podemos dizer que, no cumprimento da sua função social, a
escola deve assegurar a realização de dois grupos de atividades básicas

3
Excertos retirados do material: Organização e gestão da escola: planejamento e
avaliação Ana Maria de Carvalho Luz, Patrícia Rosa da Silva e Fernanda Alamino do
Amaral. UFBA, 2008.
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para a sua organização, estrutura e funcionamento: atividades-fim e


atividades-meio.
• As atividades-fim possuem relação direta com todos os aspectos que
envolvem a tarefa maior da escola: o processo de ensino e aprendizagem.
• As atividades-meio não possuem uma relação direta com o processo
educativo, mas concorrem para torná-lo efetivo, propiciando as condições
básicas para que ele se realize.

Esses dois grupos de atividades, desenvolvidas de forma integrada


e articulada, irão possibilitar que a organização e a gestão sejam realiza-
das com vistas ao cumprimento da missão maior da escola: propiciar uma
educação de qualidade para todos. Essas atividades podem ser
consideradas o próprio objeto do planejamento e da avaliação escolar.
A ação de planejamento deverá ser desenvolvida no sentido de
prever a execução dessas atividades, ou seja, o planejamento da escola
deverá prever como, quando e com quem essas atividades serão
realizadas. Por sua vez, a avaliação irá se constituir num processo
indispensável ao próprio ato de planejar, uma vez que permitirá
responder se as atividades planejadas foram realizadas a contento, ou
seja, se os resultados previstos no planejamento foram alcançados e em
que medida. As atividades-meio e as atividades-fim a serem planejadas
e avaliadas podem ser identificadas a partir dos diferentes processos que
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se desenvolvem no interior da escola e que correspondem a três grandes


dimensões:
• A dimensão pedagógica. Essa dimensão diz respeito às ações e
procedimentos diretamente associados ao processo de ensino e ao
processo de aprendizagem dos alunos: gestão do currículo, tempo
pedagógico, equipes docentes, formação continuada, recursos didáticos
e desenvolvimento de projetos educativos.
• A dimensão política. Os processos políticos englobam a formulação
de mecanismos de participação da comunidade local e escolar na
construção e consolidação de um projeto político pedagógico, bem como
a implementação das relações da escola com o sistema de ensino e com
a sociedade.
• A dimensão administrativo-financeira. Os processos administra-
tivos tratam do desenvolvimento das condições para a concretização da
proposta educativa da escola, envolvendo a gestão financeira e do
patrimônio da escola, manutenção e conservação do espaço físico e
administração de pessoal (docentes e funcionários) da escola.
No cotidiano da escola, tais processos não ocorrem de forma isolada
e independente, mas se desenvolvem de forma interligada. Essa
classificação é feita apenas no sentido de se compreender, com maior
clareza, a natureza das atividades que se constituem objeto do
planejamento e da avaliação.

Ao gestor, diretor da escola em conjunto com o grupo, cabe planejar,


coordenar, controlar
Por fim, e avaliar os
é imprescindível nãoprocessos
esquecereque
atividades que se desen-
o planejamento e a
volvem na
avaliação escola,
devem serverificando
realizados os
emresultados alcançados.
fina sintonia Para tanto,
com os preceitos da é
necessário
gestão ter a habilidade
democrática. de éintegrar
Para tanto, e motivar
primordial toda a equipe
que se conheça para
a cultura
garantir o êxito
organizacional dade tais processos,
unidade incluindo delegar.
escolar, constituída Isso significa
do conjunto que a
de valores,
liderança exercida
princípios, crenças pelo gestor irá
e símbolos influenciar
sobre os quaisna condução
todo dos processos
o trabalho educativo de
trabalho
está e, consequentemente,
assentado. nos resultados
Somente conhecendo as formasesperados para a“pensa
como a escola escola.
e
reage” será possível consolidar o processo de planejamento.
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Agora pense e reflita: na sua prática, o que ocupa mais o seu


tempo – atividades-meio ou atividades-fim?

Que dimensões do trabalho da escola devem ser


consideradas no planejamento e na avaliação?

Alguns autores destacam a importância da coordenação do


trabalho da escola a partir de duas dimensões fundamentais para as quais
se dirige o trabalho – uma interna e outra externa.
Nesse sentido, os processos de planejamento e de avaliação
deverão contemplar a escola em seu contexto. Ou seja, é preciso con-
siderar a escola como instituição que desenvolve uma cultura própria,
que influencia e é influenciada pela cultura geral. Assim, as duas
dimensões mencionadas deverão ser cuidadosamente analisadas no
momento de realização do planejamento e da avaliação escolar.

Dimensão Externa

A dimensão externa tem relação com a função social da escola de


propiciar uma educação de qualidade que permita a socialização de um
saber historicamente produzido, preparando para o exercício da
cidadania. Nesse sentido, é preciso procurar conhecer bem a comunidade
em que a escola está inserida, suas condições, necessidades e
aspirações. Deve ainda estimular a comunidade a apropriar-se da escola
como um bem público, participando das suas atividades, colaborando no
que for possível para que a instituição escolar possa cumprir bem o seu
papel. Para isso, deve manter uma relação de conhecimento e diálogo
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Gestão da Educação Pública
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com as famílias dos alunos, com as lideranças comunitárias, com o


comércio local, com outras escolas e instituições, de modo a criar um
contexto de apropriação da escola como um equipamento comunitário de
alta relevância.
Nesse sentido, é fundamental cultivar, a transparência da
gestão com a divulgação de ações, projetos, financiamento e
necessidades. Outro nível de sua atuação na dimensão externa está na
forma como se estabelece à relação com o órgão gestor da educação do
município, a secretaria de educação ou equivalente, com os conselhos
sociais da área de educação e com as instâncias educacionais do estado
presente no município. Essas relações devem ser conduzidas de forma a
propiciar fluxos de informações e colaborações que tornem a escola uma
instituição viva, presente no seu espaço. Esses níveis de atuação da
dimensão externa devem ser contemplados tanto no planejamento como
na avaliação da organização e gestão da escola.

Dimensão Interna

A dimensão interna, por sua vez, refere-se à organização e à


gestão dos espaços e das atividades escolares propriamente ditas, de
modo que os vários segmentos da escola possam ter condições iguais de
expressar suas opiniões, questionando, analisando, avaliando e deci-
dindo. Em suma: participando democraticamente da gestão.
Nesse sentido, é importante que se instale, na escola, a cultura
de avaliação permanente de suas atividades, ou autoavaliação, com o
diagnóstico das principais causas dos resultados satisfatórios ou insa-
tisfatórios do trabalho realizado, o que deverá fundamentar o plane-
jamento dos objetivos e das metas a serem alcançadas. Esse processo
ajudará a escola a enfrentar problemas como:
• falta de participação da comunidade escolar nas ações propostas;
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
23

• ausência de um plano de gestão que revele propostas suficiente-


mente coordenadas e articuladas;
• baixo nível de conscientização dos vários segmentos sobre a im-
portância e papel social da escola;
• problemas de indisciplina;
• desmobilização e insatisfação dos profissionais nela lotados;
• insuficiente clareza de orientações pedagógicas que contribuam para
lidar com dificuldades decorrentes de problemas sociais graves que
afetam a clientela da escola;
• fatores que influenciam a credibilidade da escola e os percentuais de
evasão e repetência.
É importante que se tenha como horizonte no processo de plane-
jamento e avaliação da organização e gestão escolar, o acesso e a per-
manência dos alunos em uma escola de qualidade social para todos.
Nesse sentido, a escola deve avaliar como têm sido desenvolvidas as suas
práticas nas dimensões interna e externa e, de que forma tais práticas
têm contribuído de maneira efetiva para aquilo que de fato importa para
o aluno e para a sociedade, ou seja, sua aprendizagem. Não se deve
esquecer, ainda, que é fundamental assegurar a participação efetiva da
comunidade escolar nos projetos desenvolvidos na e pela escola, de
forma que seja possível verificar os resultados e benefícios alcançados
através do esforço coletivo.

Agora, reflita: na sua escola/instituição, como essas duas


dimensões – a externa e a interna – se realizam?
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
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Organização e gestão escolar: o que e porque avaliar?

Nos últimos anos percebemos uma grande preocupação dos


governos com a avaliação dos sistemas de ensino e da escola. Dos
esforços empreendidos pelo poder público nessa direção, dois aspectos
importantes merecem ser destacados.
O primeiro diz respeito às pressões exercidas pelos organismos
internacionais que, com base nas análises sobre as relações entre
educação e desenvolvimento econômico, passam a definir e a orientar o
planejamento e as políticas públicas educacionais, exigindo maior
controle dos resultados, ajustando-as ao consumo e à produção. O
segundo aspecto – mesmo sofrendo influência do primeiro – está rela-
cionado à luta pela qualidade da escola pública, daqueles que
pensam e fazem educação. Nas reivindicações da sociedade civil
organizada, no debate acadêmico e no discurso oficial dos governos mais
progressistas, a construção de uma escola pública com qualidade social
implica em instituir processos mais participativos na gestão escolar,
principalmente no que diz respeito ao acompanhamento e a avaliação do
que a escola faz e deve fazer para cumprir sua função social.

Organismos internacionais:
Banco Mundial, UNESCO, FMI, OCDE, PREAL e outras agências de
regulação internacional que exercem influência nas políticas educacionais,
planejamento, avaliação e programas de países e estados.
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
25

Tem se tornado imperativo o movimento de avaliação interna e


externa dos sistemas escolares e da escola, tendo em vista a necessidade
de verificar sua eficiência e eficácia. A avaliação realizada se desdobra
em duas modalidades: a avaliação institucional e a avaliação acadêmica.
• A avaliação institucional ou administrativa visa à obtenção de
dados quantitativos e qualitativos sobre alunos, professores, estrutura
organizacional, recursos físicos, materiais e didáticos, as práticas de
gestão, dentre outros aspectos.
• A avaliação acadêmica tem por objetivo produzir informações
sobre os resultados da aprendizagem, em função do acompanhamento e
revisão das políticas educacionais implementadas, com vistas à
formulação de indicadores de qualidade dos resultados do ensino.
É essencial que se tenha clareza de que os grandes sistemas de
avaliação contribuem para um diagnóstico amplo do sistema e da escola,
mas não podem ser considerados sem fazermos as relações com as
demais estruturas necessárias para o funcionamento pleno de uma
escola. Os professores e todos os que fazem parte da instituição
precisam se familiarizar com as avaliações feitas pelo Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Básica - SAEB e o Exame Nacional do
Ensino Médio - ENEM , que verificam o aproveitamento escolar. Essa
discussão interessa pelo fato de que a escola será sempre objeto de
avaliação externa do poder público, mas que precisa ser analisada pela
sua comunidade escolar.

Saiba mais sobre:


SAEB acessando o link https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-
atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb
ENEM – acessando o link
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-
exames-educacionais/enem
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Gestão da Educação Pública
26

Entretanto, o que importa mesmo é saber: o que significa avaliar?


O que deve ser avaliado? Qual a importância da avaliação para garantir
a qualidade social da escola? E o que tem a ver avaliação com a
organização e gestão da escola?
É necessário que a escola desenvolva uma cultura de avaliação
das suas atividades e processos, como já foi colocado anteriormente, que
é algo que se diferencia da avaliação da aprendizagem que ela já realiza.
Mas qual a diferença entre avaliação da aprendizagem e avaliação da
escola? Apesar de parecer obvio, essa é uma questão que ainda não foi
bem assimilada no processo de organização e gestão da escola, haja vista
que a avaliação é uma preocupação relativamente recente tanto no
âmbito dos sistemas como da própria escola. Se pararmos para refletir,
iremos perceber que a própria avaliação da aprendizagem, uma das
práticas escolares tão antigas quanto o próprio ensino, nunca foi vista
como um processo que avalia também as práticas pedagógicas adotadas
pelos professores.
A avaliação da aprendizagem, ou seja, as formas e os
instrumentos de mensuração do rendimento escolar dos alunos, quando
bem elaborados e aplicados, permitem a identificação de problemas e
dificuldades em determinadas disciplinas ou no trabalho desenvolvido por
determinados professores, favorecendo uma intervenção mais efetiva.
Entretanto, só isso não basta: a escola precisa realizar um processo que
permita ao corpo técnico-pedagógico e aos professores discutirem e
avaliarem o trabalho da escola, em função do aprimoramento do projeto
político-pedagógico e da qualidade do ensino. É preciso considerar não
só o resultado do desempenho como também o conjunto de fatores que
o influenciam.
Nesse sentido, deve-se levar em consideração, no processo de
avaliação da escola, os elementos que determinam a qualidade da oferta
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
27

de serviços de ensino e o sucesso escolar dos alunos. Alguns desses


elementos estão presentes – ou deveriam estar – na escola e concorrem
para o desenvolvimento efetivo do trabalho pedagógico. São eles:
• características dos alunos (necessidades educacionais especiais,
gênero, etnia, classe social, dentre outras);
• rendimento escolar por classe;
• composição do corpo docente (tempo de trabalho, idade, currículo
profissional);
• condições de trabalho e motivação dos professores;
• recursos físicos e materiais;
• materiais didáticos e recursos informacionais.
Além desses elementos, é preciso que a escola avalie outras variá-
veis da organização e da gestão escolar, tais como:
• dados estatísticos e informações sobre a população escolar como:
reprovação, abandono, defasagem entre idade e série, situação sócio-
econômica da família;
• clima organizacional da escola, que inclui: tipo de organização; tipo
de direção (acolhedora, hostil, democrática, autoritária, etc); relações
humanas; envolvimento dos diversos segmentos da comunidade escolar
com os objetivos e as ações propostas pela escola;
-rendimento escolar dos alunos por turma, série em todas as
disciplinas;
• execução do projeto político-pedagógico em seu conjunto: currículo,
processos de ensino e de aprendizagem, regimento escolar, estrutura e
atuação da coordenação pedagógica, relações interpessoais, etc;
• desempenho dos professores (qualidade das relações que estabe-
lecem com os alunos, conhecimento dos conteúdos da disciplina, domínio
dos métodos e procedimentos de ensino e de avaliação, compreensão do
processo de aprendizagem, etc).
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Gestão da Educação Pública
28

Acreditamos que aqui ficou claro que a avaliação não ocorre de


forma estanque. Ao contrário disso, constitui-se numa importante etapa
do processo de planejamento. Também acreditamos que já deu para
entender a importância da avaliação - com o envolvimento dos vários
segmentos -, para que a escola possa perceber, com mais clareza, os
aspectos que precisam ser tratados com especial atenção. A análise
cuidadosa de tais aspectos irá fornecer elementos para que, no ato do
planejamento, sejam definidas novas prioridades, possam ser
estabelecidas metas e delimitados prazos e responsabilidades, para
avançar nos aspectos merecedores de maior atenção. Nessa direção, a
escola pode reconhecer como a avaliação contribui para a melhoria da
qualidade da educação oferecida à comunidade.

De que forma o planejamento escolar se materializa?

Uma vez reconhecida a importância do processo de avaliação da


escola, agora é o momento de saber quais os resultados a serem gerados
no processo de planejamento. Ou seja, os instrumentos que a escola deve
elaborar para concretizar ou materializar o processo de planejamento.
Para começarmos a delinear o resultado do processo de planejamento, é
preciso obedecer a uma lógica que é comum a toda atividade de
planejamento:

1. Construção do diagnóstico da escola, ou seja, coleta de


informações sobre a realidade ou situação que se quer
transformar, ou problemas que precisam ser superados.
2. Com base nos objetivos traçados no projeto político-
pedagógico da escola, as informações e os dados coletados
são analisados e interpretados.
3. Diante do panorama traçado, são identificadas as
prioridades para que se possa tomar as decisões, traçar as
metas, definir as ações e as estratégias mais eficazes para
produzir as mudanças necessárias ou desejadas.
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
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4. Por fim, elabora-se um plano de ação, projeto ou plano de


trabalho, que irá materializar o processo de planejamento
realizado pela escola e que reflete o seu projeto político-
pedagógico. Ou seja, o instrumento gerado nesse processo
irá operacionalizar aquilo que foi instituído e está consolidado
no projeto político-pedagógico da escola.

A escola precisa exercitar permanentemente as atividades de


planejamento e avaliação, para que não se perca de vista as suas reais
necessidades e o potencial dos seus integrantes sejam subutilizados.
Via de regra, o resultado gerado a partir do planejamento é o
plano anual de trabalho. O plano não deve ser encarado como um instru-
mento que a escola faz para cumprir as exigências do sistema ao qual
está integrada, arquivando-o logo após concluí-lo. Esse instrumento deve
ser fonte de consulta e inspiração para que se possa construir outros
instrumentos de apoio ao desenvolvimento do trabalho escolar, como:
plano de ação do professor; plano de ação da coordenação pedagógica;
das coordenações de curso, plano de ação dos funcionários da escola; e
o plano de ação da direção. Todos esses instrumentos devem garantir
que a organização e a gestão escolar sejam orientadas numa perspectiva
sistêmica, ou seja, cada segmento da escola se reconheça e reconheça o
seu trabalho como parte de uma proposta global, construída de forma
coletiva e com base em objetivos comuns.

Apresentamos, a seguir, um roteiro simplificado de um plano de


trabalho, com os elementos comuns a qualquer tipo de instrumento de
planejamento, comentando os principais passos para a sua elaboração.
1º passo – Descrição do contexto escolar
Diagnóstico das principais características da organização e da gestão
escolar. O diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações
que irá possibilitar uma visão global das necessidades e problemas
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
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enfrentados pela escola. Deve ser elaborado de tal forma, que favoreça,
com base no conhecimento das características da comunidade escolar,
suas expectativas e necessidades em relação ao processo de ensino e de
aprendizagem, a escolha de alternativas de solução para os problemas
identificados. Os dados a serem levantados são de natureza qualitativa
(como o professor de matemática está ensinando; de que forma a
comunidade tem participado das atividades da escola); e quantitativa
(qual o percentual de alunos aprovados e reprovados em matemática;
qual o número de atividades realizadas pela escola e qual o percentual
de participação da comunidade). A seguir, são indicados alguns aspectos
imprescindíveis ao diagnóstico do plano de trabalho da escola:
• Caracterização sócio, política, econômica e cultural da comunidade
onde a escola se insere e da comunidade escolar.
• Estrutura física, mobiliário e material: prédio escolar; salas de aula;
sanitários; áreas de lazer, esporte e recreação; laboratórios; bibliotecas;
bebedouros; carteiras; mesas; utensílios de cozinha; computadores;
televisor; vídeo; cartazes; mapas; e outros recursos didático-
pedagógicos.
• Recursos financeiros: verbas de que a escola dispõe; formas de
efetuar as despesas e de controle.
• Pessoal: número de professores, funcionários e especialistas.
• Organização geral da escola: organograma, atribuições e funcio-
namento dos setores, distribuição de horários, enturmação, número de
alunos por sala, aspectos administrativos gerais.
• Secretaria escolar: organização e funcionamento, registros, docu-
mentação dos alunos, etc.
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Gestão da Educação Pública
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• Relacionamento com o órgão central da educação.


• Participação da comunidade e das famílias: conselho escolar, As-
sociação de Pais e Mestres, reunião de pais; relacionamento da escola
com órgãos, instituições, ONGs, etc.
• Sistemática de produção e organização de dados e de estatísticas
educacionais.
• Convivência na escola.
• Instrumentos de gestão e de organização do trabalho pedagógico
(regimento, PDE, projeto político-pedagógico, planos de aula).
Projetos desenvolvidos;
• O desempenho dos alunos: aprovação, evasão, distorção entre idade
e série, etc.
• Participação dos alunos na gestão escolar e organização colegiada:
conselho escolar, grêmio estudantil,.........

Além desses, muitos outros aspectos podem ser levantados e


analisados para que se tenha um “retrato fiel” do que é a escola. Um
diagnóstico preciso e consistente permitirá à equipe gestora saber onde
está pisando para poder traçar os caminhos para onde quer chegar.

2º Passo – Identificação dos desafios e problemas

A partir do diagnóstico, do retrato da realidade da escola, traçado


a partir das características levantadas no item anterior, deve-se buscar
identificar os principais desafios e problemas que o contexto escolar
revela. Os desafios e problemas consistem em situações que se
constituem em entraves para o pleno funcionamento da escola, que
levam a buscar uma situação mais satisfatória. A depender do número
de problemas que a escola enfrenta, é preciso estabelecer prioridades.
Nesse sentido, tornam-se prioridades os problemas cuja natureza e
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
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desdobramentos influenciam mais diretamente nos resultados da


aprendizagem do aluno.

3º Passo – Definição dos objetivos, estratégias e metas

Uma vez que se conhece a realidade que se quer transformar e os


desafios ou problemas a serem superados, resta, então, traçar os
objetivos, estratégias e metas para a operacionalização do plano de
trabalho. De maneira simples, esses elementos podem ser definidos da
seguinte forma:
1. Os objetivos são indicações da situação ideal a ser atingida
para superação de problemas identificados, elaborados, cuja
formulação deve utilizar verbos que expressam ação
(exemplo: reduzir os altos índices de reprovação nas séries
iniciais, atualizar o regimento escolar, elaborar uma
sistemática de informações educacionais, etc).
2. As estratégias necessárias para se atingir cada um dos
objetivos estabelecidos. As estratégias são formas de inter-
venção a serem utilizadas durante a execução de um plano,
ou seja, são as alternativas de solução criadas em coerência
com os desafios e problemas identificados. (exemplo: criação
de grupos de atendimento a alunos com dificuldades de
aprendizagem no contra-turno escolar).
3. As metas indicarão se os objetivos traçados foram atin-
gidos ou não. As metas são os resultados a serem obtidos,
considerando a quantidade e o tempo. (Exemplo: Elevação do
desempenho acadêmico dos alunos das séries iniciais em
70%, até o final da 3ª unidade pedagógica).

É importante lembrar que todos os elementos do plano de traba-


lho devem estar perfeitamente articulados. Isso significa que, para
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
33

determinado problema identificado a partir do diagnóstico, deve-se


buscar um objetivo correspondente, uma estratégia que represente uma
possível alternativa de solução para tal problema e uma meta que indique
o quanto e em quanto tempo se conseguiu alcançar o objetivo previsto.
Para ilustrar essa lógica, traçamos um roteiro com base em uma situação
imaginária:
• O diagnóstico realizado pela equipe gestora de uma escola
que atende o Ensino Médio apontou um alto índice de
reprovação: 40% dos alunos dos primeiros anos reprovados.
• Daí, o problema foi formulado: Como reduzir esse índice?
• O objetivo traçado para sair dessa situação indesejável foi
de elevar o desempenho acadêmico dos alunos.
• A equipe gestora, após a análise das condições da escola,
definiu como estratégias possíveis para solucionar o problema
encontrado: implantar, no contraturno escolar, um programa
de apoio pedagógico para os alunos que apresentam
dificuldades de aprendizagem, com duração de seis meses;
capacitar os professores.
• Após definir as estratégias e novamente analisar as con-
dições da escola, foram estabelecidas as seguintes metas:
elevar o desempenho acadêmico de 50% dos alunos que
apresentam dificuldades de aprendizagem até o final do
programa de apoio pedagógico; capacitar, em 06 meses, 80%
dos professores.

Com certeza, na prática, a coisa não será tão simples, pois, como
já foi dito aqui, o processo de planejamento é bem mais complexo e de
pende de inúmeros fatores para a sua realização. Entretanto,
acreditamos que esse exemplo demonstra de forma clara a articulação e
a coerência necessárias que os elementos do plano de trabalho devem
manter.
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
34

Uma vez definidos todos esses elementos, faz-se necessário,


agora, que sejam elaborados os mecanismos e instrumentos de
acompanhamento e avaliação da implementação do plano de trabalho.
A importância desse processo já foi reiteradamente discutida, embora
na perspectiva da sua utilização para avaliar a organização e gestão da
escola.
No plano de trabalho, deverão constar as várias formas e
instrumentos que a equipe gestora acha possíveis e pertinentes à
realização das ações previstas. É preciso criar uma sistemática de
acompanhamento da realização do plano de trabalho e de controle dos
resultados, utilizando-se de instrumentos que permitam a obtenção de
dados que possam ser analisados e utilizados para reorientar o
planejamento da escola, em função dos objetivos e metas previstas no
plano de trabalho.

Reflita: Em que medida o processo de planejamento, na sua


escola, contempla os passos apresentados neste segmento?

Chegamos ao final desse estudo. Não esqueça de acessar os textos


complementares para aprofundar seu conhecimento.

Atividade Avaliativa
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
35

A partir de seus estudos sobre planejamento, avaliação


institucional e avaliação da aprendizagem, elabore um texto dissertativo
sobre a temática abordando:

a) como vem se realizando o planejamento e avaliação da escola;

b) como superar os problemas que envolvem o planejamento e a


avaliação;

c) como organizar e desenvolver o planejamento e avaliação em uma


perspectiva de gestão democrática;

d) como tornar o planejamento e a avaliação instrumento de articulação


e dinamização do trabalho pedagógico da escola.

ORIENTAÇÃO:

Você deve escrever um texto de no máximo 2 laudas. Você poderá


escolher para dissertar, a relação entre:

ESCOLA/INSTITUIÇÃO: planejamento da escola e avaliação


institucional ou
SALA DE AULA: planejamento da aula/processo de ensino e
aprendizagem e avaliação da aprendizagem.
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
36

Referências:

FONSECA, Marília (Orgs). Avaliação: políticas e práticas. Campinas,


Papirus, 2001.

LUZ, Ana Maria; SILVA, Patrícia Rosa da, AMARAL, Fernanda Alamino.
Organização e gestão da escola: planejamento e avaliação. Salvador:
UFBA, 2008.

PADILHA, P. R. Planejamento Dialógico: como construir o projeto


político pedagógico da escola. São Paulo:Cortez; Instituto Paulo Freire,
2001

SILVA.Marta Leandro da. Planejamento Escolar na perspectiva


democrática. Escola de Gestores da Educação Básica.Brasilia: MEC,
2006.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de


Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos
metodológicos para a elaboração e a realização. 16ª ed. São Paulo:
Libertad, 2006 (1995). (Cadernos Pedagógicos do Libertad; v.1).

VÁSQUEZ, A. S. Filosofia da Práxis.Rio de Janeiro:Paz e Terra, 1977

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Inovações e projeto político-


pedagógico: uma relação regulatória ou emancipatória? Cad. CEDES,
Dez 2003, vol.23, no.61, p.267-281.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro.(Orgs).Quem sabe faz a hora de


construir o projeto político-pedagógico. Campinas,SP: Papirus,
2007.

TURRA; ENRICONE; SANT’ANNA; ANDRÉ. Planejamento de Ensino e


Avaliação. Porto Alegre, RS: Sagra Editora e Distribuidora,1986,
p.275- 277.

VIERA, Sofia Lerche. Educação básica: política e gestão da escola.


Brasília: Líber Livro, 2009. (Série Formar)

ANEXO 1
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
37

Quadro comparativo entre os enfoques do planejamento normativo e do


planejamento participativo elaborado pelas autoras SANT’ANNA;
ENRICONE; ANDRÉ; TURRA (1986, p.275- 277)

Quadro I – COMPARAÇÃO ENTRE OS ENFOQUES RACIONAL E PARTICIPATIVO


DE PLANEJAMENTO
REFERÊNCIAS ENFOQUE RACIONAL ENFOQUE
OU NORMATIVO PARTICIPATIVO OU
SITUACIONAL
FATORES • Secularização do Visão crítica do conhecimento. •
CONTEXTUAIS conhecimento Complexidade crescente das
• Diversificação da estruturas sociais e
estrutura econômica e econômicas.
racionalização do • Questionamento da
trabalho. • Importância organização burocrática do
crescente da trabalho
burocratização do • Revisões e rupturas no
trabalho • Aplicação da pensamento científico
ciência ao cotidiano, determinando novas formas de
conhecidas como aplicação
tecnificação
•Disciplinaridade
(especialização)
• Pressões externas para
o desenvolvimento (de
cima para baixo)
PRESSUPOSTOS • Realidade concreta com • Realidades teóricas a serem
PRINCIPAIS certa estabilidade, comprovadas no real, na ação
(FILOSÓFICOS E governada por leis concreta. Fenomenologia e
EPISTEMOLÓGICOS) inteligíveis. Racionalismo materialismo dialético.
e positivismo. • A mudança é dependente das
• A mudança é pessoas e das tendências em
determinada pelas jogo
possibilidades existentes. • O homem é capaz de elaborar
Princípio da causa e efeito. normas para regular suas
• O homem necessita de ações.
prescrições e normas para • Totalidade, diversidade,
regular suas ações. aceitação da subjetividade;
•Racionalidade, intersubjetividade.
objetividade, neutralidade
BASES CIENTÍFICAS • Ciência como processo • Ciência como produto (a
de conhecimento (como busca do certo, do provável)
construção e • Diminuição do risco e da
reconstrução) incerteza
• Convivência com o risco • Investigação (estratégia
e a incerteza quantitativa)
• Investigação (estratégia
qualitativa)
TEXTO BASE 03
Gestão da Educação Pública
38

ÊNFASE CONCEITUAL • Planejamento como • Planejamento como processo


instrumento ou método de transacional e atitudinal para
eficiência administrativa. desenvolvimento das pessoas e
das organizações
ÊNFASE PROCESSUAL • Prescrições nos • Conciliação de ideias de
conteúdos das decisões (o planejamento, liberdade e
que, como fazer), participação (fazer conjugado)
independente de valores e • Preocupação com a adaptação
da motivação das pessoas rápida às mudanças, com os
(nas sociedades conflitos interpessoais e sociais.
tradicionais) • Motivação e conscientização
• Preocupação pelo de todos os envolvidos.
processo de seleção • Caráter mais ético que
(sociedades industriais, racional do processo
tanto capitalistas como (compromisso e
socialistas) responsabilidade das decisões)
• Método racional • Solução de problemas,
(linearidade das etapas) metodologia heurística e
participante.
FUNCIONALIDADE • Definição de objetivos (a • Objetivos formulados de
partir das fontes políticas modo participativo e
e institucionais ou por diversificado, mais com base
diagnósticos de em feedback do que em
necessidades) diagnóstico de necessidades
• Confronto entre situação • Revisão crítica e
idealizada e a real, para questionamento dos objetivos
seleção de meios ou
alternativas de ação.
• Implementação das
alternativas e
acompanhamento
• Avaliação de resultados,
baseada em normas
PLANEJADOR • Técnico ou perito, cuja
• Profissional consciente da
preparação exige
influência de suas próprias
“objetividade” científica
decisões, cuja preparação
para a tomada de decisão;
envolve conhecimento das
conhecimento e domínio complexas interações entre
de estratégias e técnicas
pessoas e das
específicas interdependências de fatores
socais diversos.
Fonte: TURRA; ENRICONE; SANT’ANNA; ANDRÉ (1986).

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