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Medidas e Materiais

Elétricos
Prof.a Vanessa Galdino Mendes de Farias Machado

Indaial – 2019
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019

Elaboração:
Prof.a Vanessa Galdino Mendes de Farias Machado

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

M149m

Machado, Vanessa Galdino Mendes de Farias

Medidas e materiais elétricos. / Vanessa Galdino Mendes de Farias


Machado. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.

181 p.; il.

ISBN 978-85-515-0329-4

1. Aparelhos e materiais elétricos. - Brasil. 2. Medidas. – Brasil. II. Centro


Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 621.3028

Impresso por:
Apresentação
Caro acadêmico! Conhecer os materiais e suas principais aplicações
é importante para fundamentar escolhas adequadas de utilização desses em
nosso dia a dia. Compreender suas propriedades facilitará o entendimento
do comportamento dos materiais.

A mensuração desses materiais também é uma característica essencial,


pois a obtenção de medidas de precisão colabora no progresso da maioria
das áreas de conhecimento.

Desse modo, na Unidade 1 estudaremos os conceitos fundamentais


relacionados às propriedades dos materiais e iniciaremos o estudo sobre esses
com os materiais condutores, apresentando suas características e aplicações.

Na Unidade 2 serão estudadas as principais características e aplicações


dos materiais isolantes, semicondutores e magnéticos.

Por fim, na Unidade 3 concluiremos com o estudo sobre as medidas


elétricas.

Ótima leitura e bons estudos!

Prof.a Vanessa Galdino Mendes de Farias Machado

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto


para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS................................................................... 1

TÓPICO 1 – PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS.............. 3


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 ESTRUTURA ATÔMICA..................................................................................................................... 4
2.1 LIGAÇÃO IÔNICA.......................................................................................................................... 5
2.2 LIGAÇÃO COVALENTE................................................................................................................. 6
2.3 LIGAÇÃO METÁLICA.................................................................................................................... 7
2.4 LIGAÇÃO SECUNDÁRIA OU DE VAN DER WAALS.............................................................. 8
3 ESTRUTURA CRISTALINA................................................................................................................ 9
4 PROPRIEDADES ELÉTRICAS........................................................................................................... 10
4.1 CONDUTIVIDADE E RESISTIVIDADE ELÉTRICA.................................................................. 10
4.2 CONDUÇÃO NOS SÓLIDOS......................................................................................................... 12
4.3 CONDUÇÃO NOS LÍQUIDOS...................................................................................................... 13
4.4 CONDUÇÃO NOS GASES............................................................................................................. 13
5 PROPRIEDADES MECÂNICAS........................................................................................................ 14
5.1 DEFORMAÇÃO NOS METAIS...................................................................................................... 14
5.2 OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS................................................................................... 16
6 PROPRIEDADES TÉRMICAS............................................................................................................ 18
7 PROPRIEDADES QUÍMICAS............................................................................................................ 21
8 PROPRIEDADES ÓPTICAS................................................................................................................ 22
8.1 REFRAÇÃO....................................................................................................................................... 24
8.2 REFLEXÃO OU REFLETÂNCIA.................................................................................................... 26
8.3 TRANSPARÊNCIA, TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE............................................................ 29
8.4 ABSORÇÃO....................................................................................................................................... 30
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 32
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 33

TÓPICO 2 – MATERIAIS CONDUTORES......................................................................................... 35


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 35
2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS CONDUTORES........................................................... 36
2.1 VARIAÇÃO DA RESISTIVIDADE COM A TEMPERATURA . ................................................ 36
2.2 RESISTÊNCIA DE CONTATO NOS METAIS.............................................................................. 38
2.3 MATERIAIS DE ELEVADA CONDUTIVIDADE........................................................................ 39
2.3.1 Cobre e suas ligas.................................................................................................................... 39
2.3.2 Alumínio e suas ligas.............................................................................................................. 41
2.3.3 Chumbo (Pb)............................................................................................................................ 44
2.3.4 Estanho (Sn).............................................................................................................................. 45
2.3.5 Prata (Ag).................................................................................................................................. 46
2.3.6 Ouro (Au).................................................................................................................................. 46
2.3.7 Platina (Pt)................................................................................................................................. 47
2.3.8 Mercúrio (Hg)........................................................................................................................... 48
2.3.9 Zinco (Zn)................................................................................................................................. 49
2.3.10 Cádmio (Cd)........................................................................................................................... 50

VII
2.3.11 Níquel (Ni).............................................................................................................................. 50
2.3.12 Cromo (Cr).............................................................................................................................. 51
2.3.13 Ferro (Fe)................................................................................................................................. 52
2.4 MATERIAIS DE ELEVADA RESISTIVIDADE............................................................................. 52
2.4.1 Ligas de aquecimento.............................................................................................................. 53
2.4.2 Ligas para fins de medição..................................................................................................... 53
2.4.3 Ligas para fins de regulação................................................................................................... 53
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 55
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 58
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 59

UNIDADE 2 – MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS................................................................... 61

TÓPICO 1 – MATERIAIS ISOLANTES............................................................................................... 63


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 63
2 POLARIZAÇÃO DOS DIELÉTRICOS.............................................................................................. 64
2.1 POLARIZAÇÃO ELETRÔNICA (DIPOLO INDUZIDO) . ........................................................ 65
2.2 POLARIZAÇÃO IÔNICA .............................................................................................................. 67
2.3 POLARIZAÇÃO POR ORIENTAÇÃO DE DIPOLOS PERMANENTES................................. 68
3 COMPORTAMENTO DOS DIELÉTRICOS EM SERVIÇO......................................................... 68
3.1 RESISTÊNCIA DE ISOLAMENTO................................................................................................ 69
3.2 RESISTÊNCIA SUPERFICIAL........................................................................................................ 69
3.3 RIGIDEZ DIELÉTRICA.................................................................................................................... 70
3.4 RIGIDEZ DIELÉTRICA SUPERFICIAL......................................................................................... 70
3.5 RUPTURA DOS DIELÉTRICOS..................................................................................................... 70
3.6 EFEITO CORONA............................................................................................................................ 70
4 TIPOS DE MATERIAIS ISOLANTES............................................................................................... 72
4.1 ISOLANTES GASOSOS................................................................................................................... 73
4.2 ISOLANTES LÍQUIDOS.................................................................................................................. 74
4.2.1 Óleo mineral............................................................................................................................. 74
4.2.2 Óleos de silicone...................................................................................................................... 77
4.3 ISOLANTES SÓLIDOS..................................................................................................................... 77
4.3.1 Papel.......................................................................................................................................... 77
4.3.2 Fibras sintéticas........................................................................................................................ 78
4.3.3 Materiais cerâmicos................................................................................................................. 79
4.3.4 Vidros........................................................................................................................................ 81
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 83
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 84

TÓPICO 2 – MATERIAIS SEMICONDUTORES............................................................................... 85


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 85
2 ESTRUTURAS DE BANDAS DE ENERGIA NOS SÓLIDOS..................................................... 85
3 CONDUÇÃO EM BANDAS ELETRÔNICAS................................................................................. 88
4 SEMICONDUÇÃO INTRÍNSECA..................................................................................................... 91
5 SEMICONDUÇÃO EXTRÍNSECA.................................................................................................... 93
6 TIPOS E APLICAÇÕES DE SEMICONDUTORES........................................................................ 97
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 99
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 100

TÓPICO 3 – MATERIAIS MAGNÉTICOS.......................................................................................... 101


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 101
2 MAGNETISMO..................................................................................................................................... 101

VIII
3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS MAGNÉTICOS.................................. 103
4 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS MAGNÉTICOS................................................................. 106
5 MAGNETIZAÇÃO E DESMAGNETIZAÇÃO DE UM METAL FERROMAGNÉTICO........ 109
6 ALGUNS MATERIAIS MAGNÉTICOS E SUAS APLICAÇÕES................................................ 110
7 SUPERCONDUTORES......................................................................................................................... 114
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 116
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 120
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 121

UNIDADE 3 – MEDIDAS ELÉTRICAS............................................................................................... 123

TÓPICO 1 – CONCEITOS DE MEDIDA............................................................................................. 125


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 125
2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM MEDIDAS........................................................................... 126
2.1 PRECISÃO E EXATIDÃO................................................................................................................ 126
2.2 ALGARISMO SIGNIFICATIVO...................................................................................................... 127
2.3 TÉCNICAS DE ARREDONDAMENTO........................................................................................ 128
2.4 ERRO DE ARREDONDAMENTO................................................................................................. 129
3 SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES.............................................................................. 129
4 PADRÕES DE MEDIDA...................................................................................................................... 135
4.1 HIERARQUIA DE PRECISÃO E EXATIDÃO.............................................................................. 137
5 ERROS DE MEDIÇÃO ........................................................................................................................ 138
5.1 ERRO SISTEMÁTICO...................................................................................................................... 138
5.1.1 Erro aleatório ou acidental..................................................................................................... 139
5.1.2 Erro grosseiro........................................................................................................................... 140
6 CONCEITOS BÁSICOS EM ESTATÍSTICA E TRATAMENTO DE DADOS.......................... 141
6.1 CONCEITOS QUE SE APLICAM À ANÁLISE DAS VARIAÇÕES DE SISTEMAS DE
MEDIÇÃO.......................................................................................................................................... 143
7 PROPAGAÇÃO DE ERROS................................................................................................................ 144
8 TERMINOLOGIA.................................................................................................................................. 144
9 CALIBRAÇÃO........................................................................................................................................ 145
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 148
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 149

TÓPICO 2 – MEDIDAS ELÉTRICAS................................................................................................... 151


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 151
2 GRANDEZAS ELÉTRICAS................................................................................................................. 151
3 CLASSIFICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE MEDIDAS ELÉTRICAS................................. 155
3.1 PRINCÍPIOS DE MEDIÇÃO ANALÓGICA EM CORRENTE CONTÍNUA E
ALTERNADA.................................................................................................................................... 158
3.2 PRINCÍPIOS DE MEDIÇÃO DIGITAL.......................................................................................... 160
3.3 EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS...................................................................................................... 161
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 167
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 174
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 175
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................................... 177

IX
X
UNIDADE 1

MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender a estrutura do material em escala atômica;

• compreender as principais propriedades elétricas, térmicas, ópticas e quí-


micas dos materiais;

• conhecer as características que definem o material condutor;

• conhecer diferentes tipos de materiais condutores disponíveis para utili-


zação;

• compreender as principais aplicações dos materiais condutores;

• compreender conceitos estruturais do material que o auxiliarão no estudo


de todo o livro.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com objetivo de reforçar o conteúdo apresentado:

TÓPICO 1 – PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS


FUNDAMENTAIS

TÓPICO 2 – MATERIAIS CONDUTORES

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1
PROPRIEDADES DOS MATERIAIS:
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Neste tópico apresentaremos conceitos fundamentais
dos materiais que servirão de base para os conteúdos que serão apresentados nas
unidades seguintes.

Desde o princípio, o homem tem usado os materiais para melhorar sua


vida. Materiais tais como madeira, aço, plástico, vidro e borracha são alguns dos
mais utilizados na fabricação de produtos que utilizamos em nosso dia a dia.

O conhecimento de suas propriedades é uma ferramenta importante para


compreender o comportamento dos materiais e para que estes sejam aplicados
adequadamente (OLIVEIRA; BOFF; PRESTES, 2015). Uma função importante dos
engenheiros é definir tecnologias que permitam a construção de novos materiais.
Por isso, é relevante que conheçam a estrutura interna e suas propriedades e
assim possam escolher os mais adequados para a produção (SMITH, 1998).

Para Callister (2007) a acessibilidade a materiais produzidos


adequadamente está intimamente relacionada ao avanço na compreensão dos
tipos de materiais:

O desenvolvimento de muitas tecnologias que tornam a nossa


existência tão confortável tem sido intimamente associado ao acesso
a materiais adequados. Um avanço na compreensão de um tipo de
material é frequentemente o precursor para a progressão gradual de
uma tecnologia (CALLISTER, 2007, p. 2, tradução nossa).

O objetivo geral desta primeira parte dos estudos é habilitar o acadêmico


na seleção e distinção de materiais apropriados ao uso em equipamentos
e dispositivos eletrônicos, compreendendo e relacionando suas principais
propriedades.

De acordo com Smith (1998), os engenheiros de investigação e


desenvolvimento tecnológico buscam criar materiais ou modificar as propriedades
dos já existentes. Já os engenheiros projetistas usam materiais que existem, sejam
esses modificados ou novos, para criar produtos e/ou sistemas.

3
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Qual deles você pretende ser, caro acadêmico? Vamos estudar um pouco
mais os materiais para que você possa escolher.

Aproveite a leitura!

2 ESTRUTURA ATÔMICA
Segundo Shackelford (2008), uma base para a classificação dos materiais é
encontrada na essência de suas ligações atômicas:

Para entender as propriedades ou características observáveis dos


materiais da engenharia, é necessário entender sua estrutura em uma
escala atômica e/ou microscópica. Praticamente, cada propriedade
principal das cinco categorias de materiais que esboçamos resulta
diretamente de mecanismos que ocorrem no nível atômico ou
microscópico (SHACKELFORD, 2008, p. 9).

A ligação atômica se divide em duas áreas principais: ligação primária


e ligação secundária. Na primeira, encontram-se as ligações iônica, metálica
e covalente que apresentam junção forte entre átomos adjacentes, além
da possibilidade de compartilhamento de elétrons. Na segunda, estão as
ligações de Van der Walls, com fracas conexões entre os átomos e ausência de
compartilhamento de elétrons.

De acordo com Callister (2007), as propriedades mais importantes do


material dependem da sua organização geométrica atômica e das interações entre
os átomos ou moléculas.

A estrutura do material é diretamente relacionada aos tipos de átomo e


ligações atômicas que são formadas. Os átomos consistem das partículas prótons,
elétrons e nêutrons. As duas primeiras partículas subatômicas são carregadas
eletricamente e suas cargas equivalem a aproximadamente 1,6 x 10 -19 C, sendo
esse valor negativo para os elétrons e positivo para os prótons. Suas massas
correspondem respectivamente a 1,67 x 10 -27 kg e 9,11 x 10 -31 kg. Já os nêutrons
possuem carga nula e a massa é equivalente à do próton. Essas duas partículas
estão concentradas em um pequeno núcleo no átomo, com os elétrons em sua
volta em movimento.

Os elétrons que circundam o núcleo do átomo possuem diferentes níveis


energéticos que dependem da camada em que estão localizados. A camada mais
externa é chamada de valência.

De acordo com Caram (2000), os elétrons contribuem com uma pequena


parcela da massa total do átomo. No entanto, eles são responsáveis, principalmente
os que se localizam nas camadas mais externas, pelas principais características
do material, tais como elétricas, mecânicas, químicas e térmicas. Desse modo, é
importante estudá-los com mais atenção.

4
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

A estrutura interna dos materiais resulta da junção de átomos por meio de


forças de ligação conhecidas como interatômicas. Essa atração que ocorre entre
os átomos e permite a junção entre eles, está também relacionada à sua estrutura
eletrônica. Ou seja, os elementos com mais estabilidade, que são aqueles com
oito elétrons em sua camada de valência, apresentam atração mais fraca entre
os átomos. Entre esses se destacam os gases nobres, por exemplo, o Hélio (He)
e o Neônio (Ne). A maioria dos outros elementos pode adquirir um arranjo de
estabilidade recebendo, perdendo ou compartilhando elétrons. Os átomos que
possuem facilidade em receber elétrons são chamados de eletronegativos ou
ânions e os que têm em perder são conhecidos como eletropositivos ou cátions.

2.1 LIGAÇÃO IÔNICA


A ligação iônica ocorre basicamente entre elementos metálicos, que
tendem perder elétrons, e não metálicos, que tendem ganhá-los.

De acordo com Askeland, Fulay e Wright (2011), se há mais de um tipo


de átomos presente no material, um deles pode doar os elétrons de sua camada
de valência para o outro, preenchendo os níveis de energia do segundo. Nesse
caso, ambos ganharam carga elétrica e se comportaram como íons. O que perdeu
elétron deixou uma carga positiva e o que recebeu adquiriu uma carga negativa,
comportando-se respectivamente como cátion e ânion, como definimos no ponto
anterior. Logo, esses íons com cargas contrárias se atraem formando uma ligação
iônica. Observe a figura a seguir:

FIGURA 1 - LIGAÇÃO IÔNICA ENTRE DOIS ÁTOMOS DIFERENTES.

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 38)

Na figura anterior é possível observar dois átomos diferentes em que o


átomo de Sódio (Na) doa um elétron de sua camada de valência para o de Cloro
(Cl) e se tornam, respectivamente, eletrizados positiva e negativamente. Os íons
são atraídos um pelo outro e o resultado dessa ligação é o cloreto de sódio (NaCl),
o sal de cozinha.

Uma característica importante da ligação iônica é que ela é não direcional,


isto é, um átomo carregado positivamente atrairá elétrons do átomo adjacente
carregado negativamente, em todas as direções.

5
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Segundo Callister (2007) as forças de ligação iônica são resultantes da


atração coulombiana, ou seja, ocorre entre cargas opostas.

2.2 LIGAÇÃO COVALENTE


A ligação covalente ocorre por meio do compartilhamento de elétrons de
átomos adjacentes comumentemente não metais, com semelhantes e elevadas
eletronegatividades.

Dois átomos com eletronegatividades similares atrairão elétrons um


do outro ao se aproximarem. No entanto, o átomo que perde o elétron, além
de retomá-lo, atrairá outro elétron e essa configuração seguirá se repetindo,
permitindo que esse par de elétrons constituído de um elétron de cada átomo
orbite entre os dois átomos. Observe a representação deste comportamento na
figura que segue:

FIGURA 2 - LIGAÇÃO COVALENTE ENTRE ÁTOMOS DE SILÍCIO (Si)

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 36)

Na figura anterior observamos as ligações covalentes entre átomos de


Silício (Si) e, conforme já discutimos, os átomos compartilham seus elétrons da
camada de valência com os adjacentes. No exemplo apresentado, os átomos
de Silício, por possuírem quatro elétrons de valência, formam quatro ligações
covalentes. Veja que a ligação covalente é direcional, ou seja, há apenas uma
direção de compartilhamento entre os átomos.

6
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

2.3 LIGAÇÃO METÁLICA


De acordo com Callister (2007), as ligações metálicas possuem átomos
eletropositivos que doam seus elétrons da camada de valência e estes formam
uma nuvem de elétrons em torno dele.

Smith (1998) diz que os átomos dos metais estão agrupados de uma forma
bastante compacta e nesta configuração eles estão tão próximos uns dos outros que
os elétrons da camada de valência são atraídos pelos núcleos dos vários átomos
adjacentes. Logo, esses elétrons não ficam associados a um único núcleo, mas
em volta dos inúmeros átomos formando essa nuvem que é a causa da elevada
condutividade elétrica dos metais.

Segundo Shackelford (2008), esses elétrons livres são considerados


deslocalizados, ou seja, têm a mesma probabilidade de estarem associados a
qualquer um entre um elevado número de átomos próximos. A próxima figura
representa a estrutura desta ligação.

FIGURA 3 - LIGAÇÃO METÁLICA ENTRE ÁTOMOS QUE DOAM OS ELÉTRONS DE VALÊNCIA

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 35)

Observamos a nuvem de elétrons formada e sua distribuição entre os


inúmeros átomos próximos.

7
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

2.4 LIGAÇÃO SECUNDÁRIA OU DE VAN DER WAALS


A ligação secundária ou de Van der Waals é fraca se comparada à força das
ligações primárias que discutimos anteriormente, pois não há compartilhamento
ou transferência de elétrons nesta ligação e são formadas de dipolos atômicos
ou moleculares. Os dipolos surgem sempre que as cargas elétricas de átomos ou
moléculas não estão distribuídas simetricamente.

Segundo Shackelford (2008), o mecanismo de ligação secundária é similar


à iônica e a diferença principal está na ausência de transferência de elétrons. A
força de atração da ligação depende das assimetrias entre as cargas opostas dos
átomos ou moléculas que estão sendo ligados, ou seja, dos dipolos.

Há dois principais tipos de ligações secundárias a partir de dipolos


elétricos:

• Ligação secundária entre dipolos induzidos ou flutuantes.


• Ligação secundária entre dipolos permanentes.

A ligação entre dipolos induzidos pode ser formada a partir de átomos


ou moléculas cuja distribuição espacial dos elétrons é simétrica, ou seja, suas
camadas externas são preenchidas e estáveis com oito elétrons. Shackelford
(2008) menciona o exemplo do argônio (Ar), que é um gás nobre com camada
orbital externa estável, e por esse motivo não forma ligação primária. Quando
um átomo idêntico se aproxima, ele atrai elétrons para seu núcleo positivo e isso
ocorre ao mesmo tempo nos dois átomos e o resultado dessa rápida assimetria na
distribuição da carga forma o dipolo induzido. Essa configuração é representada
na figura seguinte.

FIGURA 4 - DESENVOLVIMENTO DE DIPOLOS INDUZIDOS EM ÁTOMOS DE ARGÔNIO

FONTE: Shackelford (2008, p. 35)

Na figura anterior observamos o desenvolvimento dos dipolos induzidos


em átomos (Ar) próximos que ocasionam uma ligação secundária fraca.

A ligação entre dipolos permanentes, ou dipolo-dipolo, ocorre entre


moléculas polares que são as possuem um polo positivo e outro negativo.

8
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Em Smith (1998) é discutido o exemplo do hidrogênio. Em moléculas de


água constituídas por hidrogênio (centro de carga positiva) e oxigênio (centro
de carga negativa), a região carregada negativamente é atraída por forças
coulombianas pela região positiva da outra molécula e são estabelecidas forças
intermoleculares dipolo-dipolo entre as moléculas de água.

3 ESTRUTURA CRISTALINA
A estrutura atômica para a maioria dos materiais é a cristalina, isto é, os
átomos estão agrupados de forma regular e repetitiva. E esses arranjos dependem
das forças interatômicas, fortes ou fracas, e da direção das ligações.

Os materiais que não possuem estrutura atômica cristalina são chamados


de amorfos e o vidro é um exemplo desta estrutura. A combinação de átomos
é menos definida nos materiais amorfos; possuem ordem apenas em curtas
distâncias e apresentam diferenças maiores em sua composição.

Segundo Shackelford (2008), as possibilidades de estruturas cristalinas


estão reduzidas a um número pequeno de geometrias de célula unitária, que é
uma unidade estrutural representativa. Há sete tipos de células unitárias que
podem ser agrupadas para ocupar o espaço tridimensional que são os sete
tipos de sistemas cristalinos: cúbico, tetragonal, ortorrômbico, romboédrico,
hexagonal, monoclínico e triclínico. A tabela a seguir descreve esses sistemas e
seus subgrupos de forma simplificada.

TABELA 1 - OS SISTEMAS E REDES CRISTALINOS

9
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FONTE: Adaptado de Shackelford (2008, p. 46-47)

A tabela mostra que os parâmetros a, b e c são os tamanhos da aresta


de cada célula unitária e os parâmetros α, β e γ são os ângulos entre as células
adjacentes. A igualdade entre as arestas não é exigida, mas pode ocorrer
ocasionalmente. Por isso, em alguns sistemas, as arestas são comparadas com um
símbolo de desigualdade (SHACKELFORD, 2008).

4 PROPRIEDADES ELÉTRICAS
O estudo das propriedades elétricas dos materiais é importante, pois
auxilia na seleção de materiais adequados ao objetivo estabelecido para o projeto.
Para Callister (2007), em determinadas funções é necessário que o material tenha
alta condutividade elétrica, como nos fios que conduzem corrente. É interessante
que o material que encapsula o fio e o protege seja isolante, ou seja, não conduza
corrente elétrica. O conhecimento das propriedades elétricas dos materiais
ajudará nessa decisão. Discutiremos algumas a seguir.

4.1 CONDUTIVIDADE E RESISTIVIDADE ELÉTRICA


De acordo com Shackelford (2008), a condução elétrica nos materiais
ocorre por meio de portadores de carga como os elétrons, que possuem carga
negativa equivalente a 1,6 X 10 -19 C e dos “buracos” eletrônicos, que ocorrem na
inexistência de elétrons, em que se atribui a essa lacuna uma carga positiva com

10
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

valor idêntico ao do elétron. Em materiais iônicos, os cátions podem ser portadores


de carga positiva e os ânions portadores de carga negativa. A carga dos íons é um
múltiplo de 1,6 X 10 -19 C, devido à reduzida ou excedente quantidade de elétrons.

Os portadores de carga se deslocam em forma de corrente elétrica. O


movimento das cargas difere entre os diversos materiais que existem e formam
um espectro de resistividade e condutividade, como é apresentado na figura a
seguir.

FIGURA 5 - ESPECTRO DE RESISTIVIDADE

FONTE: Rolim (2002, p. 7)

Na figura anterior observamos que os materiais condutores de eletricidade


apresentam resistividade bem menor que os materiais isolantes, o que permite a
condutividade de cargas elétricas com facilidade.

E
IMPORTANT

Para compreender melhor o conceito de resistividade, observe a discussão


proposta no Tópico 2: Variação da resistividade com a temperatura.

A condutividade elétrica corresponde à facilidade com que a corrente


pode circular em um material sujeito a uma diferença de potencial. A equação
que a quantifica é apresentada em Shackelford (2008) e é dada por:

=σ nn qn µn + npqp µp (1)

em que,
• 𝞼 é a condutividade elétrica do material dada em Ω-1m-1;
• nnenp são, respectivamente, a concentração de elétrons livres e lacunas (cm-3 ou
m-3);

11
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

• qne qp são, respectivamente, as cargas elétricas elementares para elétrons e


lacunas (1, 6022 x 10-19 C - Coulombs);
• µn e µp mobilidade dos elétrons e lacunas dadas em m2/Vs.

Os elétrons livres estão presentes em todos os materiais, no entanto, as


lacunas, apenas nos semicondutores. Dessa forma, apenas a primeira parte da
Equação (1) é utilizada para quantificar a condutividade em materiais condutores
e isolantes.

A condutividade elétrica depende de características microscópicas do


material e é independente da geometria dele. Quantifica a oposição, em maior
ou menor intensidade, à passagem da corrente elétrica em um material. Logo, é o
inverso da condutividade e pode ser expressa por:

1 1
ρ
= = (2)
σ nn qn µn + np qp µp

A unidade da resistividade (ρ) é o Ωm.

É importante mencionar que a resistividade possui uma relação com


a temperatura. Em materiais condutores, com o aumento da temperatura, a
resistividade aumenta devido à perda de mobilidade junto com o insuficiente
aumento de elétrons livres disponíveis para condução da corrente elétrica. No
entanto, nos materiais isolantes, a resistividade diminui com o aumento da
temperatura por causa do aumento do número de elétrons livres para condução
da corrente, que se sobrepõe à redução da mobilidade dos elétrons.

4.2 CONDUÇÃO NOS SÓLIDOS


Os elétrons livres, nos materiais sólidos, estão em constante agitação
térmica influenciados pela temperatura e podem estar agitados por influência de
outras condições físicas também. Esse movimento é desordenado e não constitui
corrente elétrica.

No entanto, se esses materiais forem sujeitos a um campo elétrico, os


elétrons serão atraídos a um movimento que gera a corrente. É importante destacar
que não há corrente sem a presença de um campo e consequente movimento de
cargas. E o sentido positivo dessa corrente será sempre o oposto ao do movimento
dos elétrons.

12
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

4.3 CONDUÇÃO NOS LÍQUIDOS


Quando se dissolvem algumas substâncias na água, pela hipótese de
Arrhenius, elas se separam em íons que podem se deslocar naquela solução
líquida. Na presença de um campo elétrico, os íons positivos se deslocam no
sentido do anodo e os íons negativos em sentido oposto, em direção ao cátodo.

A condução da corrente em líquidos se diferencia dos sólidos devido à


possibilidade de movimento das cargas nos dois sentidos.

4.4 CONDUÇÃO NOS GASES


O gás é considerado um bom isolante se estiver em pressão atmosférica,
mas se for sujeito a um campo elétrico intenso ele poderá se tornar um condutor.

O gás se torna ionizado quando o campo elétrico aplicado atinge um


determinado valor e os elétrons começam a se distanciar dos átomos deixando-
os, consequentemente, com carga positiva. Se há campo elétrico presente no gás
ionizado, haverá passagem de corrente por meio dele e efeitos luminescentes, que
são as luzes geradas em temperatura normal ou ambiente.

Quando o que ocasionou a ionização do gás desvanece ele se mantém


ionizado por um tempo, mas logo vai se dissipando e desaparece. Assim, os íons
se combinam novamente.

O próximo gráfico nos mostra a variação da corrente com o campo elétrico,


supondo que ela é uniforme nos gases ionizados e que a causa da ionização
também se mantém constante.

GRÁFICO 1 - VARIAÇÃO DA CORRENTE COM O VALOR DO CAMPO ELÉTRICO

FONTE: Tavares (2009, p.11)

13
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Com o gráfico anterior observamos que a variação da corrente com o


campo é proporcional entre os pontos 0 e a, e que a partir do ponto a até o b ocorre
uma saturação devido a produção de poucos íons na unidade de tempo e por
volume do gás. Logo, quando a corrente atinge o valor suficiente para transportar
esses íons produzidos, ela não pode mais crescer e por esse motivo a variação da
corrente torna-se praticamente constante nesse intervalo. A partir do ponto b a
corrente se liberta e volta a aumentar com o campo.

5 PROPRIEDADES MECÂNICAS
As propriedades mecânicas de um material são mensuradas basicamente
em função do seu comportamento quando submetido a uma força e são
determinadas por suas deformações. Ou seja, essas propriedades dependem da
microestrutura do material.

Como mencionado em Callister (2007), alguns materiais estão sujeitos a


cargas intensas quando utilizados: a liga de alumínio que é aplicada na construção
de asas de avião e o aço utilizado em eixo de automóvel. Nesses casos é importante
conhecer intrinsecamente o material que será utilizado e projetá-lo de modo que
a deformação a qual ele estará sujeito não seja excessiva e não ocasione fraturas.

As propriedades mecânicas são determinadas na execução detalhada de


experimentos realizados em laboratório que simulam o mais próximo possível
as condições que os materiais serão submetidos em atividade. Entre os fatores a
serem analisados se destacam a natureza da força ou carga aplicada, a duração da
aplicação e a condição ambiente.

Os testes obtidos em laboratórios precisam ser realizados de forma


cuidadosa. É importante que haja consistência na forma como eles são testados
e na interpretação dos resultados. Para isso, há normas técnicas apropriadas que
devem ser seguidas. Caro acadêmico, seguiremos o conteúdo conhecendo as
principais propriedades mecânicas.

5.1 DEFORMAÇÃO NOS METAIS


Quando uma tensão, que corresponde a força por unidade de área, é
aplicada ao material, ele pode se tornar deformado. E a deformação pode ser
elástica ou plástica.

A deformação elástica possui um efeito temporário, ou seja, é dissipada


quando a tensão é retirada. A deformação plástica é permanente, ou seja, ela
permanece mesmo quando a carga é afastada e as dimensões do material não
voltam à forma original.

14
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Observe a seguir o comportamento do material elástico e plástico


submetido a uma tensão.

GRÁFICO 2 - CURVA DE TENSÃO VERSUS DEFORMAÇÃO

FONTE: Shackelford (2008, p.122)

A região elástica (gráfico 2) é a parte linear no início da curva tensão


versus deformação. A região plástica ocorre a partir do ponto em que a curva
deixa de ser linear, que é quando a tensão atinge o seu limite elástico, ou seja,
aproximadamente 400 MPa (SHACKELFORD, 2008).

Na Figura 6 temos a representação de um ensaio de ruptura por tração(a) e


as principais propriedades mecânicas obtidas no ensaio de tração de um metal(b).
Esse ensaio corresponde a um teste cujo corpo de prova é submetido a uma força
que poderá alongá-lo ou esticá-lo até o seu rompimento (SHACKELFORD, 2008).

FIGURA 6 - ENSAIO DE RUPTURA POR TRAÇÃO EM UM METAL(A). PRINCIPAIS PROPRIEDADES


MECÂNICAS OBTIDAS EM UM ENSAIO DE TRAÇÃO(B)

FONTE: Shackelford (2008, p. 122)

15
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Como definidos em Shackelford (2008), o ensaio de ruptura de tração


representado na Figura 6(a), descreve a força do material e a deformação que
ocorre quando ele é submetido à determinada carga.

Na Figura 6(b) é representado o comportamento do metal (corpo de


prova), por meio das principais propriedades mecânicas. O ponto 1 corresponde
ao módulo de elasticidade ou módulo E, que é a inclinação da curva e que
também pode ser chamado de módulo de Young. Ele demonstra a resistência à
deformação elástica do material ou sua rigidez. O ponto 2 representa a tensão
limite de escoamento (LE), que indica a resistência do metal à deformação
permanente. No ponto 3 está representado o limite de resistência à tração (LRT),
que corresponde à máxima tensão em que o material foi submetido. A região
entre LE e LTR (pontos 2 e 3) na qual ocorre a elevação da resistência com o
aumento da deformação, é chamada de endurecimento por encruamento, ou seja,
deformação plástica a frio. O ponto 4 representa a área de ductilidade do material
que é a capacidade do metal ser deformado plasticamente até o ponto de ruptura.
E o ponto 5 é o módulo de resiliência do metal que representa a capacidade do
material voltar ao estado inicial, quando submetido à tensão. É a área sob a curva
(SHACKELFORD, 2008).

5.2 OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS


Entre outras propriedades mecânicas do material, podemos citar a dureza
que corresponde à resistência de um material a uma deformação local. De acordo
com Shackelford (2008), há uma relação quase linear entre a dureza e a resistência
que pode ser observada por meio da escala Brinell (BNH) que apresenta um
grande intervalo de dureza dos materiais.

Nos testes de Brinell, um objeto duro e esférico é penetrado na superfície


do metal a ser testado. A carga aplicada no teste varia entre 500 e 3000 kg que se
mantém constante por um período. Quanto mais duro for o material, maior será
a carga aplicada. O número de dureza de Brinell depende tanto do tamanho da
carga quanto do diâmetro da abertura que foi realizada. O valor mensurado do
diâmetro é convertido em um número por meio de um gráfico no qual uma única
escala é utilizada (CALLISTER, 2007).

Outras técnicas, como o teste de Rockwell, podem ser aplicadas, onde várias
escalas podem ser utilizadas para diferentes faixas de dureza (SHACKELFORD,
2008).

Outra propriedade importante corresponde à tenacidade – que é a


capacidade do material em absorver energia após o impacto da carga aplicada.
Ela indica quanto de energia é necessária para ocasionar a ruptura da amostra
testada.

16
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Podemos citar ainda a fluência que, como definida em Shackelford (2008),


pode ser uma deformação permanente em elevada temperatura e submetida a
uma carga constante por um longo intervalo de tempo. Apenas o ensaio de ruptura
por tração, mencionado anteriormente, não consegue descrever o comportamento
do material em altas temperaturas. Os mesmos testes realizados em temperaturas
elevadas geram resultados diferentes.

Na Figura 7(a) é apresentado o formato padrão do teste de fluência e na


Figura 7(b), a curva de fluência em função da deformação e do tempo.

FIGURA 7 - TESTE DE FLUÊNCIA(A) CURVA DE FLUÊNCIA (B)

FONTE: Shackelford (2008, p.143)

Podemos observar na Figura 7(a) o teste de fluência padrão, cujo corpo


de prova está submetido a uma carga constante e ao aquecimento em um forno.
Na Figura 7(b) é possível analisar o comportamento do material submetido
ao teste: no início há uma deformação elástica instantânea e logo em seguida
ocorrem três fases de deformação por fluência. O primeiro estágio é o primário
e apresenta uma taxa de deformação decrescente. Logo em seguida, o material
entra no estágio secundário, definido por uma região com taxa de deformação
constante. Nesta fase, o risco de deslizamento da amostra é amenizado pelas
barreiras microestruturais que surgem. E no último estágio antes da fratura, a
taxa de deformação aumenta por causa do crescimento da tensão que ocorre por
começar a surgir o “pescoço” do corpo de prova, ou seja, a redução da área da
seção reta (SHACKELFORD, 2008).

Há ainda outras propriedades: a resistência ao choque, à fadiga, entre


outras.

17
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

6 PROPRIEDADES TÉRMICAS
De acordo com Callister (2007), a propriedade térmica corresponde à
resposta do material ao calor. Um material sólido absorve energia em forma de
calor e sua temperatura e dimensão aumentam. Essa energia pode ser absorvida
pelas partes mais frias da amostra analisada podendo vir a derreter. Logo, a análise
da reação dos materiais ao calor se torna importante. Três são as propriedades
que configuram seu comportamento térmico:

• Capacidade térmica.
• Expansão térmica.
• Condutividade térmica.

A capacidade térmica indica a eficiência do material em absorver calor


das regiões próximas. Quando ocorre essa absorção, a temperatura do material se
eleva. E esse aumento da temperatura em função do calor pode ser expresso por
(SHACKELFORD, 2008):

Q
C= (3)
∆T

em que,
• C é a capacidade térmica do material;
• Q é a quantidade de calor necessária para gerar uma mudança de temperatura;
• ΔT é a variação de temperatura.

A capacidade térmica pode ser expressa em J/mol-K ou cal/mol-K.

Outra propriedade é a expansão térmica. De acordo com Shackelford


(2008), corresponde a um aumento da dimensão do material e é resultante de
uma maior distância entre os átomos vizinhos. Esse distanciamento ocorre
devido ao aumento da vibração térmica dos átomos, ocasionada pela elevação
da temperatura. Essa relação que ocorre entre o crescimento da dimensão do
material e o aumento da temperatura é expressa pelo coefieciente linear de
expansão térmica, dado por (SHACKELFORD, 2008):

dL
α= (4)
LdT

em que,
• α é o coeficiente linear de expansão térmica, mm/(mm. oC);
• L é a dimensão total do material, mm;
• T é a temperatura, oC.

18
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

A representação do fenômeno de espaçamento entre os átomos devido


às vibrações ocasionadas pelo aumento de temperatura pode ser observada na
figura a seguir. Na legenda atente para a posição normal do átomo e à nova
localização após as vibrações (CALLISTER, 2007).

FIGURA 8 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA VIBRAÇÃO E DISTANCIAMENTO ENTRE OS


ÁTOMOS

FONTE: Callister (2007, p. 724)

No gráfico a seguir é possível observar que a partir de um ponto de


vista atômico, a expansão térmica é refletida pelo aumento da distância entre os
átomos. Essa ocorrência pode ser melhor compreendida por meio da curva de
espaçamento, dada em função da energia atômica e da distância interatômica
(CALLISTER, 2007).

GRÁFICO 3 - ENERGIA POTENCIAL VERSUS A DISTÂNCIA ENTRE OS ÁTOMOS

FONTE: Callister (2007, p. 727)

19
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

No gráfico anterior é possível observar o aumento da separação entre


os átomos com o aquecimento do material que gera maior energia vibracional.
Perceba que o distanciamento interatômico cresce progressivamente de r0 para r1
,
e assim sucessivamente (CALLISTER, 2007).

No que diz respeito à condutividade térmica, Shackelford (2008) descreve


como a propagação ou fluxo do calor por meio de um material. É o fenômeno
pelo qual o calor é transferido de uma região com elevada temperatura para uma
com baixa. E essa capacidade de um material transferir calor pode ser expressa
por (CALLISTER, 2007; ASKELAND, FULAY E WRIGHT, 2011):

Q dT
=k (5)
A dx

em que,
• Q é o calor transferido;
• A é a área em que ocorre a condução do calor;
• K é a condutividade térmica (W/mK);
• dT/dx é o gradiente de temperatura.

Observe na figura a seguir a representação da expressão para


condutividade térmica.

FIGURA 9 - REPRESENTAÇÃO DA CONDUTIVIDADE DE CALOR EM UM MATERIAL

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 839)

O calor Q é transferido por meio da área de um material cilíndrico quando


aquecido por uma fonte de calor, conforme ilustrado anteriormente. Ou seja, ele é
transferido da região mais aquecida para a mais fria. O gradiente de temperatura
indica a direção e a taxa de variação da temperatura na área do material.

A transferência da energia térmica no material pode ocorrer por meio de


dois mecanismos: transporte de elétrons e vibração de fônons. Para Askeland,
Fulay e Wright (2011), a quantidade da energia que será transportada pelo material
dependerá principalmente do número de elétrons agitados e de sua mobilidade:

20
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Os elétrons de valência ganham energia, movem-se para as áreas


mais frias do material e transferem sua energia para outros átomos.
A quantidade de energia transferida depende do númerode elétrons
excitados e sua mobilidade; estes, por sua vez, dependem do tipo de
material, imperfeições da rede e temperatura. Além disso, as vibrações
dos átomos induzidas termicamente transferem energia por meio do
material (ASKELAND; FULAY; WRIGHT, 2011, p. 840 - tradução
nossa).

NOTA

“Um fônon é definido na mecânica quântica como um ‘movimento vibratório


simples no qual uma estrutura de átomos ou moléculas oscila de maneira uniforme em uma
única frequência”.
FONTE: <http://br.amadamiyachi.com/glossary/glossphonon>. Acesso em: 14 dez. 2018.

7 PROPRIEDADES QUÍMICAS
Há alguns efeitos químicos prejudiciais associados aos materiais, dentre
esses a radiação e corrosão. Vamos estudá-los brevemente a seguir.

Radiação

A radiação é a propagação de ondas eletromagnéticas ou partículas em


velocidade elevada. Pode ocasionar danos nos materiais e precisa ser levada em
consideração, por exemplo, em um projeto de reatores nucleares. Ela possui a
capacidade de modificar a estrutura do material.

A energia extra gerada pela radiação direcionada ao material pode


ocasionar ruptura de ligações e átomos rearranjados em estruturas novas. Nos
materiais poliméricos, a radiação ultravioleta gera degradação (TAVARES, 2009).

Corrosão

A corrosão é o processo de degradação do material que resulta da ação


do meio. O processo ocasiona variações químicas, desgastes e modificações na
estrutura do material.

A corrosão metálica ocorre por mecanismo eletroquímico na superfície do


material, está relacionada à exposição do metal ou liga a um meio condutor de
cargas elétricas em que estejam presentes moléculas de água, gás oxigênio e íons
de hidrogênio (TAVARES, 2009).

21
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Materiais não metálicos como borracha, concreto, polímeros etc., também


estão sujeitos ao processo de corrosão por causa da ação do meio ambiente. Alguns
exemplos de corrosão nesses materiais são a degradação do cimento ocasionada
pelo sulfato, a perda da elasticidade nas borrachas por ação do ozônio e a perda
de resistência da madeira resultante da ação de hidrólise na célula (COSTA, 2009).

8 PROPRIEDADES ÓPTICAS
Quando os materiais são expostos à radiação eletromagnética é importante
poder prever e alterar as suas respostas, mas isso só é possível quando conhecemos
as propriedades ópticas e compreendemos os mecanismos responsáveis por seu
comportamento óptico (CALLISTER, 2007).

Em determinados materiais, o comportamento óptico, que corresponde à


forma como eles refletem e transmitem a luz visível, é muito importante. O vidro
é um exemplo da importância da análise do papel óptico em um material. E
as telecomunicações possuem também várias aplicações práticas relacionadas ao
comportamento óptico (SHACKELFORD, 2011).

DICAS

Para mais informações sobre as aplicações práticas do comportamento óptico


nas telecomunicações, leia: KEISER, G. Comunicações por fibras ópticas. Porto Alegre:
McGRAW-HILL EDUCATION, 2014.

Para compreendermos a natureza do comportamento óptico é necessário


relembrar o espectro de radiação eletromagnética. De acordo com Callister
(2007), a radiação é uma onda composta por componentes elétricos e magnéticos,
perpendiculares entre si. Observe a seguir:

FIGURA 10 - ONDA ELETROMAGNÉTICA

FONTE: Callister (2007, p. 115)

22
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Na figura anterior, conforme já mencionado, observamos que o


componente elétrico (E) e o magnético (H) são perpendiculares entre si e na
direção de propagação e que λ quantifica o comprimento da onda.

Entre os exemplos de radiação eletromagnética podemos citar a luz, o


calor, ondas de rádio, raios–x etc. Cada radiação é caracterizada pelo intervalo
de comprimento de onda em que está inserida e pela forma como foi gerada
(CALLISTER, 2007).

FIGURA 11 - ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

FONTE: Callister (2007, p. 116)

Conseguimos identificar, na figura anterior, que a luz visível ocupa uma


pequena faixa do espectro eletromagnético e está inserida entre os comprimentos
de onda 0,4 µm e 0,7µm. Ela é a parte do espectro que pode ser observada pelo
olho humano (CALLISTER, 2007; SHACKELFORD, 2008).

A velocidade da luz corresponde aproximadamente a 3 x 108 m/s e


pode ser representada pela relação entre propriedades elétricas e magnéticas
(SHACKELFORD, 2008):

1
C= (6)
ε 0 µ0

23
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

em que,
• ε0 corresponde à permissividade elétrica do vácuo;
• µ0 é a permissividade magnética do vácuo.

NOTA

A permissividade elétrica e a permeabilidade magnética serão discutidas na


Unidade 2: Materiais Magnéticos.

A luz também pode ser definida como pacotes de energia chamados


fótons, sendo que a energia de um fóton (Eg) pode ser representada por meio da
expressão (SHACKELFORD, 2008):

E g = hf (7)

em que,
• h é a constante de Planck (6,626 x 10-34 J.s);
• f é a frequência dada por (c/λ).

Após discutirmos os conceitos fundamentais relacionados ao


comportamento óptico do material e à faixa de luz visível, seguiremos estudando
as principais propriedades ópticas nessa faixa que corresponde ao intervalo do
espectro especialmente transmitido em materiais ópticos.

8.1 REFRAÇÃO
É o fenômeno em que os feixes de luz seguem de um meio para o outro,
passam por uma alteração na velocidade de propagação e uma mudança na
direção.

Ao passar por um material, a velocidade relativa da luz é definida como


índice de refração n e corresponde à razão entre a velocidade no vácuo e a
velocidade no meio (CALLISTER, 2007; SHACKELFORD, 2008):

c sen θ i
n= = (8)
v sen θ r

24
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

em que,
• c é a velocidade da luz no vácuo;
• v é a velocidade da luz em um material transparente;
• θi e θr correspondem respectivamente aos ângulos de incidência e refração.

A seguir, observe o fenômeno de refração:

GRÁFICO 4 - REFRAÇÃO DA LUZ EM UMA SUPERFÍCIE TRANSPARENTE

FONTE: Smith (1998, p. 835)

Podemos observar no gráfico anterior a refração da luz quando passa do


primeiro meio (vácuo ou ar), com n=1, para um segundo meio composto por um
material transparente, que no exemplo é o vidro de sílica-sodo-cálcico (n’=1,51).
Atente que o feixe de luz incide no material formando um ângulo θi= 30º com
a normal à superfície no ponto em que ocorre a incidência e refrata no meio
transparente com um ângulo θr= 19,3º, dessa forma conseguimos identificar um
desvio em relação ao primeiro feixe (incidente). E quanto maior for o índice de
refração do material em relação ao ar, maior será o desvio dos raios luminosos ao
passar pelos meios.

A maioria dos materiais possui índice de refração tabelado após testes


realizados em laboratório. Os índices de refração para os vidros e cerâmicas
variam entre 1,5 e 2,5 e para os polímeros entre 1,4 e 1,6. Na tabela a seguir observe
os índices de refração calculados para algumas cerâmicas, vidros e polímeros.

TABELA 2 - ÍNDICE DE REFRAÇÃO PARA CERÂMICAS, VIDROS E POLÍMEROS

Material Índice de refração


médio
Cerâmicas e vidros
Quartzo (SiO2) 1,55
Mulita (3AL2 O3 . 2SIO2) 1, 6444
Ortoclásio (KALSi3O3) 1, 525

25
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Albita (NaAlSi3O8) 1, 529


Coríndon (Al2O3) 1,76
Períclásio (MgO) 1,74
Espinélio (MgO . Al2O3) 1,72
Vidro de sílica (SiO2) 1, 458
Polímeros
Cloreto de polovinila 1, 54-1, 55
Polipropileno 1, 47
Poliestireno 1,59
Celuloses 1,46-1,50
Poliamidas (náilon 66) 1, 53
Politetrafluoretileno (Teflon) 1, 35-1, 38
FONTE: Shackelford (2008, p. 374)

Outra informação importante é quanto maior for o índice de refração


maior será o brilho do material, devido às múltiplas reflexões internas da luz
que ocorrem nele. Por exemplo, se for adicionado óxido de chumbo, cujo n= 2,61,
a vidros de sílica, o índice de refração aumentará e o material terá o aspecto de
vidro de cristal, que é bastante utilizado em peças decorativas. Outro exemplo é
o diamante: o elevado índice de refração de 2,41 faz com que suas múltiplas faces
cintilem (SMITH, 1998; SHACKELFORD, 2008). Discutiremos a propriedade da
refletância na sequência.

8.2 REFLEXÃO OU REFLETÂNCIA


Alguns raios luminosos que atingem um material transparente não são
refratados, parte da luz é refletida pela superfície, ou seja, a luz volta a se propagar
no meio inicial. A parcela de luz refletida na superfície é conhecida como reflexão
e possui relação com o índice de refração pela fórmula de Fresnel, expressa por
(SHACKELFORD, 2008):

2
 n −1
R =  (9)
 n +1

A fórmula é válida para um ângulo de incidência nulo igual à normal, mas


pode ser utilizada por aproximação para outros ângulos de incidência. Observe a
seguir o comportamento do feixe de luz refletido em uma superfície transparente.

26
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

GRÁFICO 5 - REFLEXÃO DA LUZ NA SUPERFÍCIE DE UM MATERIAL TRANSPARENTE

FONTE: Shackelford (2008, p. 375)

É possível observar que parte dos feixes de luz é refletida e outra parte
refratada. Isso ocorre se o material do meio de origem dos raios luminosos
possuir índice de refração menor que o segundo meio. Para que ocorra apenas
reflexão, além da condição citada, é necessário que o ângulo de incidência seja o
ângulo limite e que o ângulo de reflexão seja igual a 90º. Conseguimos identificar
também que o ângulo de reflexão é igual ao ângulo de incidência, isso ocorre com
base nas leis da reflexão que são divididas em duas:

Primeira lei – O plano de incidência coincide com o plano de reflexão.


Dito de outra forma essa lei estabelece que "O raio de incidência a reta
normal e o raio refletido estão emitidos no mesmo plano".
Segunda lei – O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão.
Na verdade, essas duas leis, essencialmente empíricas, podem ser
entendidas a partir da natureza corpuscular da luz. De fato, podemos
pensar na reflexão como resultado de colisão dos fótons com a
superfície de separação entre dois meios. É algo parecido com a colisão
de uma bola de tênis (ou outra bola) com uma parede. O fenômeno da
colisão da bola com a parede obedece às mesmas leis da reflexão da
luz (e vice-versa). (CEPA, 2017, s.p)

NOTA

“O ângulo limite é definido como ‘menor ângulo de incidência da luz em


uma superfície de separação entre dois meios a partir dos quais ela é totalmente refletida”.
Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/reflexao-total-luz.htm>.
Acesso em: 16 dez. 2018.

27
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

De acordo com Shackelford (2008), em algumas situações a reflexão


é desejável, como por exemplo em revestimentos com esmalte brilhante. No
entanto, em outras ocasiões a refletividade não é interessante, como em aplicações
com lentes.

O autor afirma ainda que existem dois tipos principiais de reflexão, a


especular e a difusa. A refletividade especular corresponde à reflexão relativa à
superfície e a difusa é a reflexão que ocorre devido à rugosidade da superfície em
que incide os raios luminosos, como representados a seguir:

FIGURA 12 - REFLEXÃO ESPECULAR E DIFUSA

FONTE: Shackelford (2008, p. 375)

É possível observar que a reflexão especular ocorre em relação à superfície


média e à difusa, em relação a elementos não paralelos na superfície.

A relação entre a reflexão especular e a difusa pode ser melhor


compreendida por meio de diagramas polares. Para Shackelford (2008, p. 376),
“tais diagramas indicam a intensidade de reflexão em uma determinada direção
pelo comprimento relativo do vetor”.

A Figura 13 apresenta os diagramas polares para uma superfície plana


com reflexão especular (a) e para uma superfície rugosa com reflexão difusa (b).

A intensidade da reflexão pode ser representada pela lei dos cossenos


(para a Figura 13(b), por se tratar de um diagrama circular perfeito) na seguinte
expressão:

I = I 0 cos θ (10)

em que,
I0 é a intensidade espalhada em  θ=0º. Tendo em vista que os segmentos da área
serão encurtados vistos de um ângulo  θ, o brilho da superfície com reflexão

28
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

difusa será sempre constante independentemente do ângulo de observação. Já os


materiais como vidros chegam a ter um brilho superficial por causa do alto índice
de refração em uma superfície plana.

FIGURA 13 - DIAGRAMAS POLARES: (A) REFLEXÃO EM UMA SUPERFÍCIE PLANA / (B) REFLEXÃO
EM UMA SUPERFÍCIE RUGOSA

FONTE: Shackelford (2008, p. 376)

Observe que a lei dos cossenos não pode ser aplicada na Figura 13(b) por
sua reflexão não formar um diagrama perfeitamente circular.

8.3 TRANSPARÊNCIA, TRANSLUCIDEZ E OPACIDADE


De acordo com Shackelford (2008), a maioria das cerâmicas, vidros e
polímeros são bons transmissores de luz. A intensidade de transmissão será
definida pela característica do material de transparência, translucidez e opacidade.

Os materiais transparentes possuem a capacidade de transmitir uma


imagem clara. Os materiais que são translúcidos transmitem uma imagem difusa
e os opacos apresentam perda total de transmissão da imagem.

A figura a seguir apresenta a reflexão de um feixe incidente em um


material translúcido. Observe o comportamento da transmissão.

29
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 14 - REFLEXÃO E TRANSMISSÃO DA LUZ EM UMA PLACA TRANSLÚCIDA

FONTE: Shackelford (2008, p. 376)

Foi possível observar que uma parcela do feixe de luz incidente é


transmitida em maior parte difusamente e outra parte é refletida (também com a
maioria dos feixes difusos).

Em relação à opacidade, ela pode ser ocasionada pela porosidade do


material que pode ocasionar o espalhamento da luz em pequenos poros. A
intensidade da opacidade depende da dimensão e concentração de poros e da
diferença entre os índices de refração dos poros e do material analisado (para nporo
> nmaterial). Os vidros, por exemplo, possuem partículas opacificantes com índice
de refração (n=2), superior ao do vidro (n=1,5).

8.4 ABSORÇÃO
Os materiais não metálicos podem ser opacos, translúcidos e transparentes
à luz visível, como já vistos. Se forem transparentes, eles costumam parecer que
são coloridos. A radiação da luz nesse tipo de material pode ser absorvida de
duas formas (CALLISTER, 2007):

• Absorção por polarização eletrônica.


• Absorção por transições eletrônicas.

A absorção por polarização eletrônica ocorre na transição de elétrons


entre os níveis eletrônicos de uma molécula. Um componente de campo elétrico
na faixa de luz visível interage com a nuvem de átomo de tal forma a ocasionar
a polarização eletrônica. Como resultado, ocorre a absorção ou a alteração da
nuvem de elétrons do átomo (CALLISTER, 2007).

A absorção do fóton por transações eletrônicas ocorre pela excitação de


um elétron da banda de valência para um estado de energia vazio da banda de
condução. Observe a seguir:

30
TÓPICO 1 | PROPRIEDADES DOS MATERIAIS: CONCEITOS FUNDAMENTAIS

FIGURA 15 - MECANISMO DE ABSORÇÃO DE FÓTON DA BANDA DE VALÊNCIA

FONTE: Callister (2007, p. 123)

Observamos que um elétron é excitado por meio da banda de lacuna e


deixa um buraco na banda de valência. A energia absorvida pelo fóton é ΔE e
tem que ser maior que a energia da banda de lacuna (Eg), para que esse fenômeno
ocorra.

Caro acadêmico! Neste primeiro tópico conseguimos compreender as


características básicas que definem a classificação dos materiais. Com base nestes
conceitos fundamentais, estudaremos os materiais condutores no Tópico 2.

31
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• As ligações atômicas são de extrema importância para entender as propriedades


dos materiais da engenharia. Praticamente, cada propriedade principal
das cinco categorias de materiais que esboçamos resulta diretamente de
mecanismos que ocorrem no nível atômico ou microscópico.

• Os materiais também podem ser caracterizados por suas propriedades elétricas,


mecânicas, térmicas, químicas, ópticas, entre outras.

• Os materiais podem ser deformados mecanicamente e também modificados


pela temperatura.

• Só é possível prever as respostas do material quando submetido à


radiação eletromagnética, quando conhecemos as propriedades ópticas e
compreendemos os mecanismos responsáveis por seu comportamento óptico.

32
AUTOATIVIDADE

1 No estudo do Tópico 1 vimos que a base para a classificação dos materiais


é encontrada na essência de suas ligações atômicas. Dessa forma, discuta
brevemente a respeito dos tipos de ligações químicas do material.

2 Um material metálico sujeito a um teste de tração pode apresentar


deformações elásticas ou plásticas. Se um material deformado plasticamente
for submetido a uma fonte de calor, qual efeito será observado no material?
Leia atentamente as proposições e assinale a alternativa CORRETA.

a) ( ) O material é submetido a algumas etapas de deformação plástica antes


da ruptura. Inicialmente a deformação cresce, em seguida diminui e se torna
constante.
b) ( ) O material é submetido a algumas etapas antes da ruptura. Inicialmente
a deformação decresce, em seguida se torna constante e elástica.
c) ( ) Inicialmente é deformado elasticamente e depois é submetido a estágios
de deformação plástica antes da ruptura. A deformação decresce, em seguida
se torna constante e volta a crescer.
d) ( ) Inicialmente é deformado elasticamente e depois é submetido a dois
estágios de deformação plástica antes da ruptura. A deformação cresce e em
seguida se torna constante.
e) ( ) O material é submetido inicialmente às etapas de deformação crescente e
decrescente e, em seguida, é deformado elasticamente.

3 Defina expansão térmica e discuta os principais efeitos ao material.

33
34
UNIDADE 1
TÓPICO 2

MATERIAIS CONDUTORES

1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! No Tópico 1 apresentamos conceitos fundamentais dos
materiais, importantes para a compreensão do comportamento dos diferentes
tipos que estão disponíveis para nós. E a partir deste segundo tópico, habituados
com os principais conceitos, estudaremos o que são os materiais e suas principais
aplicações.

Com base em suas propriedades, os materiais podem ser classificados em


condutores, isolantes, semicondutores e magnéticos. No Tópico 2 discutiremos os
materiais condutores.

Os íons e elétrons se movimentam na presença de campo elétrico


e conduzem corrente elétrica, como discutimos no Tópico 1. Os materiais
condutores podem ser caracterizados por condutividade e resistividade elétrica,
condutividade térmica, comportamento mecânico, entre outras. E essas são
grandezas importantes na escolha de materiais, pois indicarão se os materiais
possuem a capacidade de desempenhar suas funções. A escolha do material mais
adequado nem sempre depende das características elétricas mais vantajosas,
conforme discutido por Rolim (2002, p. 51):

A escolha do material condutor mais adequado nem sempre é


direcionada a aquele que possui características elétricas mais
vantajosas, mas sim, outro metal ou liga que, apesar de apresentar
mais desvantagens eletricamente, satisfaz as demais condições de
utilização.

Conforme a citação, embora determinado material não possua


características elétricas superiores, ele poderá ser o material mais adequado caso
satisfaça outras propriedades estabelecidas no projeto.

Entre os principais materiais condutores estão os metais nobres e suas


ligas. Esses conceitos serão discutidos a seguir.

Ótima leitura!

35
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

2 CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS CONDUTORES


O conhecimento das características dos materiais condutores envolve
conceitos de resistividade, resistência e condutividade. Vamos discuti-los a seguir
e analisar alguns materiais que compõem esse grupo.

2.1 VARIAÇÃO DA RESISTIVIDADE COM A TEMPERATURA


A resistência de uma peça de determinado material é dada por (ROLIM,
2002):

ρl (11)
R=
A

em que,
• R é a resistência em (Ω);
• ρ é a resistividade elétrica de um material (Ω.cm);
• A é a seção transversal (cm2);
• L é o comprimento do condutor (cm).

Logo, quanto maior for a área do condutor, menor será a resistência


elétrica ou resistência específica do material. Ou seja, as cargas elétricas possuem
mais facilidade em passarem pelo condutor.

E
IMPORTANT

Resistência elétrica é uma medida da oposição ao movimento de cargas, ou


seja, representa a dificuldade que as cargas encontram para se movimentarem através do
condutor. Quanto maior a mobilidade de carga, menor a resistência elétrica do condutor.
[...] A resistência elétrica é uma característica do condutor, portanto, depende do material de
que é feito, de sua forma e dimensões, bem como da temperatura a que está submetido o
condutor.
Resistividade elétrica (ρ) é uma grandeza característica do material com que é feito o
condutor, que só depende da temperatura, não dependendo da forma ou dimensão do
condutor. Disponível em: <http://uab.ifsul.edu.br/tsiad/conteudo/modulo1/fis/fis_ud/at1/01.
html>. Acesso em: 17 dez. 2018.

36
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Quando um condutor é submetido a uma temperatura elevada,


as partículas começam a vibrar e interferem no movimento dos elétrons,
ocasionando perdas em seu deslocamento e consequente aquecimento do corpo
condutor (ROLIM, 2002). Nos metais, quanto maior a temperatura, maior será
resistência do condutor. Observe no gráfico seguinte a curva de resistência versus
temperatura.

GRÁFICO 6 - VARIAÇÃO DA RESISTÊNCIA COM A TEMPERATURA

FONTE: <http://www.eletrica.ufpr.br/~jean/Eletrotecnica/Material_Didatico/Materiais_
Condutores.pdf >. Acesso em: 8 mar. 2019.

No gráfico anterior observamos que a curva não segue uma relação


constante entre R e T em toda sua extensão. O trecho de interesse em termos
práticos é o setor reto AB, cuja inclinação é dada por (ROLIM, 2002):

∆R (12)
tgα =
∆T

A relação tgα/R é o coeficiente de temperatura da resistência.

Em alguns materiais, na medida em que a temperatura aumenta a


resistência diminui, tais como o carbono e o telúrio (O UAB-IFSUL, 2018).

A resistividade do material em função da temperatura é dada por (O


UAB-IFSUL, 2018):

ρ = ρ 0 1 + α ( T − T0 )  (13)

em que,
• α é o coeficiente de temperatura em ºC -1 ou 1/ ºC;
• ρ0 é a resistividade elétrica na temperatura inicial (tomada como referência
T0=20 ºC);

37
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

• T é a máxima temperatura a que for submetido o material;


• T0 é a temperatura inicial.

O coeficiente α depende do material e varia com a temperatura, logo ele


não é constante no mesmo material. Mas, como a variação é pequena, ele pode
ser considerado constante para algumas dezenas de graus (O UAB-IFSUL, 2018).

Observe na tabela a seguir a relação de alguns materiais e suas respectivas


resistividades elétricas.

TABELA 3 - RESISTIVIDADE DOS MATERIAIS


Material Resistividade (Ω.m)
Condutores
Prata 1, 58 x 10-8
Cobre 1, 67 x 10-8
Alumínio 2, 65 x 10-8
Tungstênio 5, 6 x 10-8
Ferro 9, 71 x 10-8
Semicondutores
Carbono (3-60) x 10-5
Germânio (1-500) x 10-3
Silício 0, 1 - 60
Isolantes
Vidro 109 - 1012
Borracha 1013 – 1015
FONTE: Adaptado de <http://uab.ifsul.edu.br/tsiad/conteudo/modulo1/fis/fis_ud/at1/01.html>.
Acesso em: 17 dez. 2018.

Na tabela anterior observamos que os materiais isolantes possuem elevada


resistividade comparada aos materiais condutores.

A condutividade de metais e ligas é também muito importante, pois


demonstra a capacidade do material em liberar o aquecimento gerado pelas
perdas no ambiente.

2.2 RESISTÊNCIA DE CONTATO NOS METAIS


Se com o objetivo de contato elétrico são colocadas duas peças metálicas,
uma sobre a outra, elas não se unirão, ficarão distanciadas em uma ordem de µm
e apresentarão apenas alguns pontos de contato perfeito, seja qual for a pressão a
que forem submetidas. Ou seja, ocorre uma resistência de contato (ROLIM, 2002).

38
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

A propagação da energia de uma peça a outra pode ocorrer por duas


formas:

• Por meio de condução ou de uma região de contato íntimo.


• Por meio de uma região de interrupção dos padrões estabelecidos, na qual o
gradiente de potencial pode alcançar um alto valor.

Quando se apresentam ao mesmo tempo, efeitos condutivos e disruptivos


no contato entre as peças, a lei de Ohm não pode ser aplicada.

A relação entre a tensão das peças metálicas de um contato e a força


da corrente que passa por meio delas corresponde à resistência de contato. A
resistência não é constante e depende de outras grandezas, tais como: pressão de
contato, composição, forma, entre outras. Um bom contato é caracterizado por
uma mínima diferença entre a temperatura dele e os pontos adjacentes (ROLIM,
2002).

2.3 MATERIAIS DE ELEVADA CONDUTIVIDADE


Os materiais que se destacam como bons condutores de corrente elétrica
são os metais. Rolim (2002, p. 51) os conceitua como: “[...] elementos químicos
que formam sólidos opacos, lustrosos, bons condutores de eletricidade e calor e,
quando polidos, bons refletores de luz. A maioria dos metais é forte, útil, dúctil,
maleável e, em geral, de alta qualidade”.

Entre os principais materiais metálicos, destacam-se: o cobre e suas ligas,


o alumínio e suas ligas, chumbo, estanho, prata, ouro, platina, mercúrio, zinco,
cádmio, níquel, cromo e o ferro. Cada um desses materiais será brevemente
discutido a seguir.

2.3.1 Cobre e suas ligas


O cobre é um metal de cor avermelhada e pode ser representado como
(Cu) na química. Sua importância no desenvolvimento industrial precisa ser
destacada, pois representa a base da indústria elétrica e de equipamentos devido
a sua excelente condutividade elétrica (SILVA, 2011). Possui propriedades
importantes que o caracterizam como bons condutores, dentre elas temos
(ROLIM, 2002; IFBA, 2000):

• baixa resistividade: permite a passagem da corrente com facilidade. A prata


possui um valor mais baixo de resistividade, mas como possui um custo mais
alto não é possível utilizá-la em grandes quantidades;
• características mecânicas favoráveis: boa ductibilidade e maleabilidade que
permitem que o material seja deformado sem ruptura;

39
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

• baixa oxidação para a maioria das aplicações: ele se oxida lentamente quando
submetido à umidade, mas esse processo se torna rápido quando exposto a
uma temperatura elevada;
• Fácil deformação a frio e quente: o cobre é facilmente deformado em temperatura
baixa e alta, mesmo aqueles que possuem diâmetro mínimo, como os fios.

Outra característica do cobre é que sua condutividade é influenciada por


impurezas: quanto mais puro for o material, maior será sua condutividade.

Aplicações do cobre

O cobre duro ou encruado é utilizado em redes aéreas, tais como fios de


telefone e peças de contato devido às características de resistência à tração, dureza
e pequeno desgaste que possui. Nas demais aplicações, como em enrolamentos
e barramentos, usa-se o cobre mole ou recozido. Em algumas situações o cobre
puro não pode ser utilizado, sendo substituído pelas ligas discutidas a seguir.

Ligas de Cobre e algumas aplicações

De acordo com Rolim (2002), as ligas são constituídas por metais escolhidos
para compensar alguma propriedade do Cobre. As ligas de Cobre são formadas
com a adição de outros elementos químicos, tais como o níquel (Ni), o estanho
(Sn), zinco (Zn), chumbo (Pb), entre outros. O níquel e o estanho podem elevar
o custo da liga, já a adição de zinco e chumbo é mais barata e não ocorre uma
redução nítida na qualidade de suas propriedades.

O bronze é um exemplo de liga de cobre (observe a Figura 16): ele é


resistente ao desgaste por atrito, é elástico, pode ser utilizado em rolamentos,
engrenagens, molas condutoras, entre outros. Outro exemplo são os latões
que são constituídos de ligas de zinco e cobre com um pouco de chumbo ou
alumínio. Alguns latões são afetados por problemas de corrosão, mas há os que
possuem elevada resistência a esse efeito em alguns ambientes, como os que são
formados por uma fração maior de cobre, seguido de zinco (Zn) e alumínio (Al)
ou manganês (Mn), entre outros.

FIGURA 16 - ROLAMENTO COM GAIOLA DE BRONZE

FONTE: <http://abre.ai/1pH>. Acesso em: 20 dez. 2018.

40
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Na figura anterior foi apresentado um modelo de rolamento com gaiola


de bronze.

NOTA

Para mais informações sobre as características técnicas do rolamento apresentado


na Figura 16, acesse: <http://portuguese.balljointbearings.com/china-rolamento_de_esferas_
angular_do_contato_da_nica_fileira_da_longa_vida_com_gaiola_de_bronze-1865409.html>.

2.3.2 Alumínio e suas ligas


O alumínio é um dos metais mais utilizados em eletricidade. Ele é obtido
pela redução eletrolítica da alumina dissolvida em um banho de crioletos.
O alumínio líquido é retirado das cubas e transportado para fornos. A partir
dessa etapa, ele segue para máquinas de lingotamento nas quais é conformado
e resfriado. A sua produção supera a de todos os outros metais não ferrosos
somados (LAZARINO, 2007).

E
IMPORTANT

“A redução eletrolítica é a redução de íons aquosos metálicos (normalmente de


carga positiva, ou cátions) pela decomposição do eletrólito (condutor iônico) aquoso com a
passagem da corrente elétrica entre dois eletrodos (interface entre o condutor eletrônico e
iônico) nele mergulhados”. Para saber mais, acesse: <http://www.ct.ufrgs.br/ntcm/graduacao/
ENG06631/RedEletroAquosa.pdf>.

Alguns aspectos relacionados ao custo e a elevada produção nacional de


alumínio o tem destacado como um material adequado em várias aplicações,
substituindo, por exemplo, o cobre, apesar da sua fragilidade mecânica e rápida
oxidação (TAVARES, 2009).

Observe a tabela a seguir que apresenta comparações entre o cobre e o


alumínio.

41
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

TABELA 4 - COMPARAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO COBRE E ALUMÍNIO

FONTE: Tavares (2009, p. 29)

Apesar da necessidade de condutores de alumínio com diâmetro maior


do que seria necessário no cobre, o fio de alumínio possui aproximadamente
metade do peso do de cobre. E isso reduz o custo de materiais de sustentação,
o que é importante na construção de linhas de transmissão. Por esse motivo é
muito importante nas instalações elétricas de aviões (TAVARES, 2009).

Aplicações das ligas do alumínio

O alumínio puro é mais utilizado em cabos isolados e capacitores, no


entanto, as ligas de alumínio são muito utilizadas eletricamente. Nessas ligas, o
alumínio é associado ao cobre (Cu), manganês (Mn), magnésio (Mg), entre outros,
e formam sistemas cristalinos mistos, muito dependentes da temperatura em que
a liga é processada (TAVARES, 2009).

Na adição do manganês ao alumínio, por exemplo, as propriedades da


liga resultantes serão melhoradas como discutido em O Wiki.IFSC (20--, p.124):

42
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Quando se adiciona manganês (Mn) ao alumínio, a resistência


mecânica dessa liga aumenta em até 20% quando comparada ao
alumínio puro. Mesmo assim, ela não perde a capacidade que o
alumínio tem de ser trabalhado por todos os processos de conformação
e fabricação mecânicas, como por exemplo, a prensagem, a soldagem e
a rebitagem. Essa liga aceita acabamentos de superfície; é resistente à
corrosão; possui elevada condutividade elétrica, embora sua resistência
mecânica seja limitada. Com essas características, essa liga é usada nas
mesmas aplicações que o alumínio puro, ou seja, na fabricação de latas
de bebidas, placas de carro, telhas, equipamentos químicos, refletores,
trocadores de calor e como elemento decorativo na construção civil.

Na tabela seguinte é possível observar os tipos de ligas de alumínio


associados às suas características e aplicações.

TABELA 5 - LIGAS DE ALUMÍNIO E SUAS CARACTERÍSTICAS

FONTE: Rolim (2002, p. 54) e Tavares (2009, p.30)

43
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

O peso reduzido das ligas de alumínio permite que ele seja utilizado na
eletrotécnica, (ROLIM, 2002); (TAVARES 2009):

• em equipamentos portáteis;
• em partes de equipamentos elétricos em movimento;
• em peças que são transportadas;
• em estrutura de suporte de materiais elétricos;
• no uso específico de ligas de manganês em locais sujeitos a alta corrosão.

Observe a seguir a utilização de liga de alumínio em refletores para


lâmpadas halógenas.

FIGURA 17 - REFLETORES DE LIGA DE ALUMÍNIO

FONTE: <http://www.lumilandia.com.br/refletores/>. Acesso em: 20 dez. 2018.

Os refletores apresentados na figura anterior são constituídos de liga de


alumínio na parte lateral.

NOTA

Para mais informações sobre as características técnicas dos refletores, acesse


suas fichas técnicas disponíveis em: <http://www.lumilandia.com.br/refletores>.

2.3.3 Chumbo (Pb)


O chumbo é um metal que possui coloração cinzenta e um brilho metálico
quando não está oxidado. Entre suas principais características podemos destacar
(ROLIM, 2002; TAVARES 2009):

• rápida oxidação superficial;


• alta resistência a água potável devido a presença de alguns elementos como o
sal e o ácido sulfúrico;
• não é resistente ao cal, vinagre e materiais orgânicos que estão apodrecendo;
• é venenoso.
44
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Em relação às aplicações elétricas, ele pode ser encontrado no formato


de chapas finas nas blindagens de cabos, em paredes de proteção ao efeito dos
raios-x, em materiais de solda etc.

Nas ligas, ele pode ser encontrado adicionado ao antimônio (Sb), cádmio
(Cd), cobre (Cu) e estanho (Sn). Com essas junções aumenta a resistência mecânica
e a vibração do material, no entanto se torna mais suscetível à corrosão.

A liga mais encontrada é a de chumbo com antimônio. Elas são aplicadas


nas tubulações de água salina, projéteis de armas, usinas de energia nuclear,
indústria química e de papel, entre outras.

2.3.4 Estanho (Sn)


De acordo com Rolim (2002), o estanho é um metal branco prateado, mole,
no entanto, mais duro que o chumbo. Suas principais características são:

• elevada resistividade;
• utilização em temperaturas inferiores a 18 ºC;
• possui manchas cinzentas que desaparecem quando o material é aquecido;
• torna-se quebradiço ao ser aquecido acima de 160 ºC;
• em temperatura ambiente ele não oxida.

Por causa da última característica mencionada, ele pode ser utilizado em


revestimentos. É encontrado como material de solda em algumas aplicações como
finas folhas, de forma semelhante ao chumbo. A seguir, apresentaremos a figura
de uma solda em fio constituída de estanho (99,9%), Cobre (0,7 %) e alumínio
(0,3%), conforme descrição técnica do material.

FIGURA 18 - SOLDA EM FIO DE ESTANHO, COBRE E ALUMÍNIO

FONTE: <https://multilogica-shop.com/estanho-livre-de-chumbo-500g>. Acesso em: 19 dez.


2018.

45
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

2.3.5 Prata (Ag)


A prata é um metal nobre muito utilizado industrialmente, possui
coloração prateada brilhante e escurece por causa do óxido de prata e sulfito de
prata, formados em contato com o ar.

Ela é utilizada em forma pura ou liga em partes condutoras nas quais


a oxidação ou sulfatação poderia ocasionar problemas. Como por exemplo, nas
peças de contato, no local onde ocorre o contato entre as duas. Na figura seguinte
apresentamos um modelo de peças de contato que foram banhadas em prata.

FIGURA 19 - BANHO DE PRATA EM PEÇAS DE CONTATO

FONTE: <http://www.galtec.com.br/banho-prata-pecas>. Acesso em: 19 dez. 2018.

A prata em seu estado puro pode ser utilizada em pastilhas de contato em


baixa corrente.

Caso essa condição não seja adequada, são utilizadas ligas de prata em
que a prata é adicionada com níquel e cobalto, paládio, tungstênio e bromo.

Em temperaturas entre 200 º e 300 ºC, uma característica importante da


prata é a eliminação de óxidos de prata por meio de decomposição e liberação de
oxigênio em prata pura (ROLIM, 2002).

2.3.6 Ouro (Au)


O ouro é um metal com excelente condutividade elétrica. Entre suas
principais características se destacam (ROLIM, 2002):

• estabilidade química;
• resistência à oxidação e sulfatação;
• ótimas características mecânicas que o adéquam a várias aplicações elétricas.

46
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Apesar das ótimas características mecânicas que o ouro pode apresentar


em aplicações elétricas, ele não é mais utilizado devido às limitações relacionas
ao seu custo elevado.

O ouro pode ser encontrado em peças de contato percorridas por baixa


corrente, nas quais qualquer indício de oxidação poderia ocasionar a interrupção
da sua condução. É utilizado também na indústria de telecomunicações e
eletrônica (observe a figura a seguir) em forma pura, pois as ligas retirariam suas
principais vantagens para esses materiais (MORAES, 2009; ROLIM, 2002).

FIGURA 20 - PLACAS ELETRÔNICAS CONSTITUÍDAS DE OURO

FONTE: <http://www.indalogold.info/2016/04/tecnologia-de-oro.html>. Acesso em: 19 dez. 2018.

A figura anterior apresenta modelos de placas eletrônicas constituídas de


ouro, geralmente utilizadas em dispositivos eletrônicos.

2.3.7 Platina (Pt)


A platina é um metal nobre que possui coloração branca acinzentada
opaca em seu estado puro. As suas principais características são (QUIMLAB,
2018; ROLIM, 2002):

• material maleável e dúctil;


• estável quimicamente, resistente à corrosão;
• é dissolvido na maioria dos ácidos.

Por ser relativamente mole é facilmente deformado mecanicamente e


pode ser transformado em folhas ou fios finos com espessura ou diâmetro bem
reduzido. Por causa da sua resistência à oxidação, também é utilizado na fabricação
de peças de contato, fios de aquecimento e termoelementos. Ele também é muito
utilizado na fabricação de termômetros resistivos ou termoresistências (observe
a figura seguinte) para temperaturas que não ocasionem mudanças estruturais
(aproximadamente até 1000 ºC). Esses termômetros medem a temperatura a
correlacionando com a resistência. A platina realiza leituras mais precisas em um
intervalo de -200 ºC a 500 ºC (ROLIM, 2002).
47
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 21 - TERMÔMETRO RESISTIVO

FONTE: <http://www.escarre.com/sites/default/files/PT100_port_V7.pdf>. Acesso em: 19 dez.


2018.

A figura anterior apresentou um modelo de termômetro resistivo do


tipo PT100, o que indica que a termoresistência de platina a 0 °C possui uma
resistência de 100 Ω.

NOTA

Caro acadêmico! Você pode obter mais informações sobre as características


do termômetro de resistência apresentado na figura anterior, acessando sua ficha técnica.
Disponível em: <http://www.escarre.com/sites/default/files/PT100_port_V7.pdf>. Acesso em:
19 dez. 2018.

2.3.8 Mercúrio (Hg)


É um metal que em temperatura ambiente é líquido. Possui as seguintes
principais características (ROLIM, 2002; QUIMLAB, 2018):

• ele se oxida rapidamente quando é aquecido;


• não é um bom condutor de calor, mas é um bom condutor de eletricidade;
• é insolúvel em água;
• quando submetido à elevadas temperaturas pode se tornar em um vapor
tóxico.

O mercúrio pode ser utilizado em termômetros resistivos para medir


temperaturas na faixa de 0 a 100 ºC em amálgama dentário, em liga com a prata,
lâmpadas de descarga, como as lâmpadas fluorescentes (figura seguinte), entre
outros.

48
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

FIGURA 22 - LÂMPADA A VAPOR DE MERCÚRIO

FONTE: <http://www.lapsi.eletro.ufrgs.br/~luizfg/disciplinas_IEPrediais_arquivos/Lampada%20
HPLN.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2018.

A figura anterior apresentou um modelo de lâmpada fluorescente,


também conhecida como lâmpada de descarga, que contém um bulbo com gás
e um tubo de descarga de quartzo contendo vapor de mercúrio, que produz a
agitação dos elétrons e como resultado a luz.

NOTA

Para mais informações sobre as características da lâmpada de descarga


apresentada na figura anterior, confira a sua ficha técnica disponível em: <http://www.lapsi.
eletro.ufrgs.br/~luizfg/disciplinas_IEPrediais_arquivos/Lampada%20HPLN.pdf>. Acesso em:
19 dez. 2018.

2.3.9 Zinco (Zn)


O zinco é um metal branco-azulado que pode ser encontrado no ar, solo,
água e nos alimentos. Suas principais características são (ROLIM, 2002):

• ele é quebradiço em temperatura ambiente;


• ele se torna mole na faixa de 100 a 150 ºC e volta a ser mole em temperatura
acima de 200 ºC;
• no ar, é quimicamente estável;
• facilidade de formação de elementos galvânicos.

A formação de elementos galvânicos é produzida no contato com outros


metais e na presença de umidade, e podem corroer o zinco. O aço é o metal mais
utilizado para revestir o zinco, por causa de suas propriedades que reduzem
significativamente essa capacidade de corrosão.

49
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

As ligas de zinco são formadas a partir da união com o alumínio e cobre


e a partir dessas junções, à resistência a tração e demais propriedades mecânicas
podem ser elevadas.

A junção de zinco, alumínio e cobre, pode formar uma liga que com o
passar do tempo estará sujeita ao envelhecimento, devido à formação de cristais
mistos que se transformam com o tempo. As ligas de zinco e alumínio não
apresentam essa característica, mas se destacam por uma dilatação reduzida.

2.3.10 Cádmio (Cd)


O cádmio é um metal raro, branco azulado, considerado um subgrupo do
zinco. As principais características desse metal são descritas como (O FC.UNESP,
2018):

• é um metal mole, macio e dúctil à temperatura ambiente. Pode ser cortado com
uma lâmina;
• possui propriedades semelhantes com o zinco;
• é um metal venenoso.

O metal (Cd) possui um brilho metálico e pode ser utilizado como


revestimento para proteger os materiais contra a oxidação. Ele pode ser aplicado
em alguns tipos de soldas, em barreira de controle da fissão nuclear e a aplicação
mais visível é na bateria recarregável (Ni-Cd).

2.3.11 Níquel (Ni)


O níquel é um metal de transição branco-prateado. Ele é encontrado
em meteoritos e pode auxiliar na distinção entre esses e outros minerais. Suas
principais características são descritas como (O FC.UNESP, 2018):

• é levemente duro;
• possui propriedades ferromagnéticas;
• é resistente a sais, gases e materiais orgânicos;
é resistente à corrosão.

NOTA

As propriedades ferromagnéticas serão discutidas no Tópico 3 da Unidade 2:


Materiais Magnéticos.

50
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

O níquel pode ser utilizado em tubulações para condução da água do mar,


na composição de ligas para resistência elétrica, na produção de aços inoxidáveis,
em banhos de peças ferrosas e não ferrosas, em fios de eletrodos, anodos, grades,
parafusos, entre outros. O alto coeficiente de temperatura o habilita para ser
utilizado também em termômetros resistivos (ROLIM, 2002; O FC.UNESP, 2018).
Na a seguir é apresentada a resistência elétrica formada a partir da liga de níquel.

FIGURA 23 - RESISTÊNCIA ELÉTRICA DE LIGA DE NÍQUEL CROMO

FONTE: <http://www.higher.com.br/produtos/52/resistencia+eletrica+de+liga+niquel+cromo>.
Acesso em: 19 dez. 2018.

A resistência elétrica de liga (Ni-Cr) apresentada na figura anterior pode


ser utilizada em fornos de elevada temperatura, como o forno para cura de vidros.

NOTA

Saiba mais a respeito das características técnicas da resistência elétrica de liga


(Ni-Cr) acessando:
http://www.higher.com.br/produtos/52/resistencia+eletrica+de+liga+niquel+cromo
E para visualizar o do banho de níquel, acesse o vídeo disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=MfjBeUaHGpY>.

2.3.12 Cromo (Cr)


O cromo é um metal de transição que possui brilho prateado-azulado. As
suas principais características são (O FC. UNESP, 2018; ROLIM, 2002):

• alto grau de dureza;


• resistência à corrosão;
• não se modifica com o ar;
• elevada resistividade elétrica;
• alto coeficiente de reflexão.
51
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

O metal (Cr) pode ser oxidado em uma temperatura superior a 500 ºC,
com sensibilidade a enxofre e sais. Mas, se for imerso em solução salina ele recebe
uma camada de óxido que pode protegê-lo (ROLIM, 2002).

O cromo pode ser utilizado para endurecer o aço como uma camada
superficial para proteger outros metais do processo de corrosão, revestimento de
peças decorativas, entre outros (O FC. UNESP, 2018).

A união das características desse metal, mencionadas anteriormente,


permite que ele seja utilizado amplamente na fabricação de fios resistivos, seja
em forma pura ou de liga (ROLIM, 2002).

2.3.13 Ferro (Fe)


O ferro é um metal de transição, de coloração cinza-prateado, relativamente
abundante no universo e possui entre suas principais características (ROLIM,
2002; O FC. UNESP, 2018):

• maleabilidade e ductilidade;
• boas propriedades mecânicas;
• bom condutor de calor e eletricidade;
• é ferromagnético em temperatura ambiente;
• compõe diversos minerais;
• pode apresentar diferentes formas estruturais em função da temperatura.

O ferro pode ser utilizado como material estrutural, magnético e condutor


elétrico. Ele pode ser aplicado em circuitos de tração elétrica, ligas de ferro para
resistência elétrica e linhas aéreas (ROLIM, 2002).

2.4 MATERIAIS DE ELEVADA RESISTIVIDADE


Em algumas aplicações há o interesse por materiais que não sejam
condutores de corrente, mas que apresentem alta resistência. As ligas metálicas
resistivas são utilizadas nesse propósito e podem ser aplicadas em três finalidades
básicas (ROLIM, 2002):

• para fins térmicos ou de aquecimento;


• para fins de medição;
• para fins de regulação.

52
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

2.4.1 Ligas de aquecimento



Para Rolim (2002), as ligas para fins térmicos ou de aquecimento precisam
se adequar a algumas características, tais como:

• elevada estabilidade térmica;


• bom comportamento corrosivo ou químico;
• a temperatura máxima para o ambiente de serviço não pode ser ultrapassada.

Às vezes, as ligas possuem a propriedade de se revestirem com uma


fina camada de óxido, que protege o metal de ações do ambiente. Se houver
aquecimentos e resfriamentos com certa frequência, essa película poderá se
romper e diminuir a durabilidade do componente. Por esse motivo, é necessário
estar atento à capacidade de dilatação e irradiação do material dos compostos
da liga assim como ter informações precisas da variação da resistência com a
temperatura ambiente e a máxima de serviço.

2.4.2 Ligas para fins de medição


De acordo com Rolim (2002), os resistores para instrumentos de precisão
possuem:

• coeficiente de temperatura máximo de aproximadamente 2,5 x 10-6 ºC;


• baixa tensão de contato em relação ao cobre;
• resistência praticamente constante.

Essas ligas são geralmente deformadas a frio, o que pode ocasionar o


envelhecimento após algum tempo de uso. Dessa forma é aplicado um processo
de envelhecimento artificial que estabiliza o material com o tratamento térmico,
elimina tensões internas e mantém a estabilidade e homogeneidade dos cristais.

2.4.3 Ligas para fins de regulação


Segundo Rolim (2002), há cinco ligas resistivas que são geralmente
aplicadas na fabricação de reostatos, na resistência de aquecimento para fornos,
aquecedores, aparelhos de laboratório, entre outros.

Os fios resistentes são comumente revestidos de uma camada impermeável


e isolante de óxido que permitem o enrolamento das resistências com as espiras
próximas uma da outra, apenas para uma diferença de potencial menor ou igual a
2 V. Isso viabiliza a fabricação de reostatos com variação contínua em um contato
deslizante.

53
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

As ligas que geralmente são aplicadas são descritas em Rolim (2002) como:

Liga A (12Ni + 12Cr + 76Fe) – Aplicada em resistências de aquecimento


a temperatura moderada e reostatos de aquecimento de motores.
Liga B (36Ni + 11Cr + 53Fe) – Aplicada em resistências de aquecimento
a temperatura moderada. Aquecimento doméstico reostatos de
motores de tração.
Liga C (48Ni + 22Cr + 30Fe) – Aplicada na fabricação de radiadores
fornos de tratamento a altas temperaturas e em aparelhos de medida.
Liga D (60Ni + 15Cr + 25Fe) Aplicações análogas a anterior.
Liga E (80Ni + 20Cr) – Aplicável em radiadores luminosos, fornos de
tratamento a altas temperaturas, aparelhos de laboratório e resistências
de medidas (ROLIM, 2002, p. 62).

São diversos os materiais condutores disponíveis para utilização em


várias aplicações. Na primeira unidade estudamos algumas propriedades dos
materiais e descrevemos brevemente os principais materiais condutores. A partir
da próxima, discutiremos e analisaremos os demais materiais que podem ser
aplicados em nosso cotidiano.

54
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

LEITURA COMPLEMENTAR

Artigo de físicos brasileiros demonstra que fótons podem se comportar como


elétrons

Fernando Nicácio

O elétron é a partícula subatômica responsável pela condução de


eletricidade nos materiais ditos condutores. Ao se deslocar em um meio, a
resistência do material à passagem de corrente elétrica dissipa energia, na forma
de calor. É esse fenômeno o responsável, por exemplo, pelo aquecimento da água
do chuveiro elétrico e pela iluminação das lâmpadas incandescentes.

Do mesmo modo que água se transmuta em algo completamente


diferente quando tem sua temperatura e pressão alteradas – e passa a ter outras
propriedades físicas –, alguns materiais também sofrem tal transformação –
chamada tecnicamente transição de fase. Por exemplo, certos metais podem
passar de condutores a supercondutores, só que, para isso, a temperatura deles
deve ser baixada a um valor extremamente pequeno, próximo de 273 graus célsius
negativos.

A fase supercondutora tem a propriedade de não oferecer resistência


alguma à passagem de corrente elétrica, isto é, não há dissipação de calor. A
supercondutividade foi descoberta pelo físico holandês Kamerlingh Onnes
(1853-1926) – que ganhou o Nobel de 1913 por esse resultado – e faz parte de
uma seleta classe de fenômenos nos quais efeitos genuinamente quânticos –
ou seja, relacionados ao diminuto mundo das moléculas, dos átomos e das
partículas subatômicas – manifestam-se na escala macroscópica, de nosso dia a
dia. Até hoje, cinco prêmios Nobel já foram concedidos a estudos relacionados à
supercondutividade – o que é prova da importância científica e tecnológica desse
fenômeno.
 
Bósons e férmions

E por que o comportamento do material muda e ele se torna um


supercondutor? Voltemos à analogia sobre a transição da fase líquida para a sólida
da água: em temperaturas próximas do ponto de solidificação, é mais favorável
(ou menos dispendioso) energeticamente que as moléculas se organizem e se
interliguem para formar o gelo. Uma explicação simples para isso é que a natureza
sempre tende a menores estados de energia.

O mesmo ocorre para o condutor, no qual uma nova organização da


matéria emerge: os elétrons do material se ligam em pares, pois, na temperatura
da transição entre a fase condutora e supercondutora, essa configuração tem
menor energia, apesar da mútua repulsão entre os elétrons por conta de suas
cargas elétricas. Esses pares de elétrons são denominados pares de Cooper, em

55
UNIDADE 1 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

homenagem ao físico norte-americano Leon Cooper, descobridor do fenômeno.


Por resultados relacionados à supercondutividade, Cooper e outros dois norte-
americanos, John Bardeen (1908-1991) e Robert Schrieffer, ganharam o Nobel de
Física de 1957.

Os fótons (partículas de luz) têm propriedades completamente distintas


das dos elétrons. Por exemplo, enquanto elétrons possuem carga elétrica e massa,
fótons não as têm. Mas, talvez, a mais notável diferença entre essas duas partículas
seja a seguinte: os fótons têm spin inteiro (1), e os elétrons, spin fracionário (½).

O spin, assim como a massa e a carga, é uma propriedade fundamental


da matéria e, para nossos propósitos aqui, pode ser comparado a uma ‘rotação’
natural da partícula ao redor de seu próprio ‘eixo’, como o movimento diário da
Terra.

A grande divisão no estudo das propriedades da matéria vem do


valor do spin – e não do fato de terem ou não massa e carga. Assim, partículas
com spin inteiro, como o fóton, são chamadas bósons; aquelas com spin fracionário
(elétrons, por exemplo), férmions.
 
Também em pares

Até pouco tempo atrás não se especulava que fótons e elétrons pudessem
se parecer ou se comportar de forma similar. Contudo, um trabalho genuinamente
brasileiro, desenvolvido por uma colaboração de físicos da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal
Fluminense, mostrou que fótons, quando atravessam materiais transparentes,
interagem aos pares, exatamente como os de Cooper.

Em um supercondutor, a formação dos pares de elétrons ocorre por


mediação da própria estrutura do material – mais especificamente, da rede
cristalina, ou seja, do modo como os núcleos atômicos estão dispostos. O que foi
mostrado no artigo recém-publicado em Physical Review Letters – e sustentado por
medidas feitas em laboratório em vários materiais – é que dois fótons também
podem interagir por meio da mediação da rede cristalina do material, de forma
muito similar ao que ocorre com os elétrons em um supercondutor.

É interessante dizer que esses resultados foram fruto da colaboração de


pesquisadores teóricos e experimentais de áreas distintas da física. Esse trabalho
conjunto culminou no belo, surpreendente e profundo resultado sobre um
comportamento da natureza até então desconhecido. A exploração do fenômeno
da supercondutividade possibilitou várias aplicações tecnológicas interessantes,
como o uso da levitação magnética para o transporte, motores magnéticos e
geradores mais eficientes. Os possíveis desdobramentos do resultado obtido
pelos grupos brasileiros ainda são especulativos e dependem de mais pesquisa.
Mas, certamente, já devem estar na pauta de vários pesquisadores e laboratórios.

56
TÓPICO 2 | MATERIAIS CONDUTORES

Por fim, vale dizer que os resultados relatados aqui – cuja qualidade
científica é indiscutível – serão democraticamente explorados por cientistas de
todo o mundo. Em um país que levasse a sério o desenvolvimento humano,
científico, tecnológico e industrial, caberia um plano estratégico para avaliar e
investir em possíveis desdobramentos práticos de tal descoberta. Contudo, no
momento em que a ciência brasileira se encontra abandonada pelo governo, o
Brasil, certamente, passará ao largo disso. E, assim, deixaremos, mais uma vez,
que outras instituições internacionais tomem a frente nesse processo.

Tudo indica que, ‘como nossos pais’, aguardaremos, pacificamente, que


Brasil, algum dia, torne-se o tão esperado país do futuro. No entanto, desde já
temos uma certeza: sem ciência e tecnologia, esse dia nunca chegará.

FONTE: http://portal1.cbpf.br/pt-br/ultimas-noticias/artigo-de-fisicos-brasileiros-demonstra-que-
fotons-podem-se-comportar-como-eletrons. Acesso em: 7 de mar. 2019.

57
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Os materiais condutores têm como principais características: boa condutividade


de corrente; possuem resistividade bem menor que os materiais isolantes;
quando submetidos à uma temperatura elevada, as partículas começam a
vibrar e interferem no movimento dos elétrons, ocasionando perdas em seu
deslocamento e, consequentemente, aquecimento do corpo condutor, entre
outras.

• Os materiais condutores podem variar a resistividade com a temperatura.

• Os materiais condutores podem ser aplicados em rolamentos, soldas, peças de


contato, placas eletrônicas, termômetros resistivos, entre outros.

58
AUTOATIVIDADE

1 Com base no estudo do Tópico 2 defina condutividade e resistividade


elétrica.

2 Discuta brevemente a relação entre resistência e temperatura para materiais


condutores.

3 Com base nas características de materiais condutores, calcule a resistência


elétrica de um condutor de cobre com 5 cm de comprimento e com uma
área de seção transversal igual a 3 cm2.

59
60
UNIDADE 2

MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender as características dos materiais isolantes e suas principais


aplicações;

• compreender as principais propriedades dos materiais semicondutores e


suas aplicações;

• conhecer as características que definem o material magnético e suas prin-


cipais aplicações;

• compreender as principais diferenças e qualidades dos materiais para se-


leção em aplicações apropriadas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1– MATERIAIS ISOLANTES

TÓPICO 2 – MATERIAIS SEMICONDUTORES

TÓPICO 3 – MATERIAIS MAGNÉTICOS

61
62
UNIDADE 2
TÓPICO 1
MATERIAIS ISOLANTES

1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Na Unidade 1 estudamos as principais propriedades dos
materiais e, com base nelas, iniciamos os estudos sobre os materiais classificados
como condutores. Neste primeiro tópico da Unidade 2 daremos continuidade ao
estudo e veremos o que são e como funcionam os materiais isolantes ou dielétricos.

Os meios com elevada resistividade elétrica se opõem intensamente à


passagem de corrente elétrica e, dessa forma, são conhecidos como dielétricos.
Os materiais do dielétrico são designados como isolantes.

Os isolantes são materiais com baixa condutividade e são importantes para


serem utilizados em aplicações em que a condução de corrente não é desejada, ou
seja, a oposição a sua passagem é necessária. Como por exemplo, no isolamento
elétrico para fins de segurança, em equipamentos e estruturas.

De acordo com Shackelford (2008, p. 360), os materiais isolantes têm


aplicações importantes na indústria:

É importante observar que esses materiais com baixa condutividade


são uma parte importante da indústria eletrônica. Por exemplo,
aproximadamente 80 % do mercado de cerâmica industrial no mundo
pertence a essa categoria... o uso industrial dominante das cerâmicas
eletrônicas inclui suas aplicações baseadas no comportamento
magnético intimamente associado.

Esses materiais também podem ser utilizados no aumento da capacitância


dos capacitores, por meio do armazenamento de energia, que ocorre devido à
polarização dos isolantes. Entre os principais materiais isolantes se destacam os
vidros, madeiras, polímeros e cerâmicas.

É importante destacar que há materiais poliméricos que são condutores


de eletricidade. Essa característica é obtida por meio de síntese química ou
eletroquímica. E podem ser utilizados na proteção de metais contra a corrosão,
sensores de gás, biossensores, entre outras aplicações. Alguns desses materiais
possuem a capacidade eletrocrômica que possibilita mudança de cor quando
submetidos a uma tensão elétrica externa (PADILLA (2011); LIMA et al. (2018).

Vamos estudar esses materiais?

Boa leitura!
63
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

2 POLARIZAÇÃO DOS DIELÉTRICOS


Na Unidade 1 vimos que os materiais condutores são capazes de conduzir
corrente elétrica. Isso é possível, pois os elétrons da camada mais externa do átomo
estão fracamente ligados e quando submetidos a um campo elétrico, mesmo que
possuam baixa intensidade, podem se deslocar facilmente de um átomo para
outro.

Nos dielétricos, os elétrons estão intensamente ligados na camada externa


do átomo, de modo que a movimentação deles, quando submetidos a um campo
elétrico, é nula ou praticamente nula. Ou seja, as cargas não estão livres para se
mover, como ocorre nos materiais condutores.

No entanto, ao serem submetidos ao campo, os dielétricos se tornam


polarizados, ou seja, os elétrons se deslocam em relação à posição de equilíbrio e
formam cargas polarizadas ou dipolos. Observe a seguir.

FIGURA 1 - FORMAÇÃO DE DIPOLOS

FONTE: <http://www.unespeletromag.com/pdf/eletromag1aula16_2017.pdf>. Acesso em: 14 jan.


2019.

Na figura anterior observamos que quando o átomo é submetido ao


campo elétrico, os elétrons não se movem em direção a outros átomos, mas são
formados dipolos ou cargas polarizadas dentro do mesmo átomo separadas por
uma distância d.

Geralmente, os dipolos estão organizados aleatoriamente dentro dos


átomos e se alinham em direção ao campo elétrico aplicado. Nos átomos polares
as cargas polarizadas já se encontram alinhadas, mesmo na ausência de campo
elétrico. Observe a seguir a diferença entre as moléculas polares e não polares.

64
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

FIGURA 2 - (A) MOLÉCULAS POLARIZADAS. (B) MOLÉCULAS NÃO POLARIZADAS

FONTE: <http://www4.feb.unesp.br/dee/docentes/aquino/eletromag_I/eletromagI_teoria/
cap07.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019.

Os dielétricos possuem duas características importantes: eles realizam o


isolamento entre condutores e a terra ou entre eles e partes metálicas próximas,
e podem também armazenar energia, como discutimos na introdução. A última
característica deve-se ao processo de polarização, discutido nesse tópico, que é um
dos principais processos do dielétrico quando submetido a uma tensão elétrica.
Esse processo de armazenamento ocorre porque quando o campo elétrico é
introduzido no dielétrico, ao invés de movimentar as cargas livres, ele desloca os
prótons e elétrons formando os dipolos e gerando um armazenamento de energia
potencial, contrário as forças atômicas.

O processo de polarização pode ser caracterizado pelo valor da constante


dielétrica e pelos ângulos de perdas dielétricas se na polarização houver dissipação
de energia e, consequentemente, aquecimento do dielétrico (ROLIM, 2002).
Dependendo do material, podem ocorrer três tipos principais de polarização:
eletrônica, iônica e por orientação dos dipolos.

2.1 POLARIZAÇÃO ELETRÔNICA (DIPOLO INDUZIDO)


A polarização eletrônica ocorre em todas as moléculas por causa do
deslocamento da nuvem de elétrons em relação aos núcleos atômicos. Ou seja,
acontece devido a um rápido deslocamento dos elétrons em volta do núcleo
em direção ao eletrodo positivo e do núcleo em direção ao eletrodo negativo.
Os centros da carga não coincidem e formam pequenos dipolos. A polarização
eletrônica pode ser representada por (MORA, 2010):

Pe = ∑ µe (1)

65
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

em que,
µe corresponde ao momento dipolar resultante.

O número de momentos dipolares resultantes é baixo e,


consequentemente, a polarização eletrônica resultante. Com o aumento da
temperatura, a polarização eletrônica também diminui devido à dilatação que
ocorre no dielétrico e ocasiona a redução do número de partículas por unidade
de volume.

Em frequências elevadas, tais como na ordem de 1016 Hz, quando o campo


elétrico que foi aplicado ao átomo é retirado, ocorre o retorno dos elétrons e
núcleo à posição inicial. Observe a figura a seguinte.

FIGURA 3 - (A) RETIRADA DO CAMPO ELÉTRICO. (B) CAMPO ELÉTRICO APLICADO

FONTE: < http://www.foz.unioeste.br/~lamat/downmateriais/materiaiscap18.pdf>. Acesso em:


15 jan. 2019.

Observe que na ausência do campo os elétrons e prótons retornam as suas


posições de origem. E isso ocorre porque quando um campo é aplicado a uma
determinada região ele altera a simetria do átomo, conforme veremos na figura
seguinte.

FIGURA 4 - ÁTOMO EM UM CAMPO ELÉTRICO

FONTE: <http://www.foz.unioeste.br/~lamat/downmateriais/materiaiscap18.pdf>. Acesso em: 15


jan. 2019.

Na figura anterior observamos que a carga positiva (núcleo) é atraída para


cima e a negativa para baixo e quando esse átomo, que foi um pouco distorcido,
atingir o equilíbrio, ele apresentará um momento de dipolo elétrico tendo em
vista que os centros de carga negativa e positiva deixaram de coincidir.

66
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

O módulo do momento do dipolo induzido poderá ser representado por


(MORA, 2010):

p = eb (2)

em que,
b é o deslocamento das cargas.

Esse deslocamento é proporcional à intensidade do campo, logo o


momento do dipolo também pode ser representado por (MORA, 2010):

 
p = αe E (3)

em que,
αe é a constante de proporcionalidade e é característica de cada átomo.

Para um dielétrico que possua N moléculas por unidade de volume, o


momento de dipolo induzido total poderá ser dado por (MORA, 2010):

 
p = Nα e E (4)

Esse vetor é conhecido como polarização.

2.2 POLARIZAÇÃO IÔNICA


A polarização iônica corresponde ao deslocamento de íons positivos
e negativos submetidos a um campo elétrico, principalmente em materiais
cerâmicos. O campo aplicado ao material pode ocasionar um deslocamento
intenso em algumas estruturas, gerando elevadas constantes dielétricas (MORA,
2010).

A polarização iônica e eletrônica são caracterizadas pelo deslocamento


elástico de íons ligados ao núcleo, no entanto, apenas a primeira aumenta com a
intensidade da temperatura, pois nela as ligações elásticas são enfraquecidas e a
distância entre os íons aumenta com a dilatação do material. Vale destacar que
a polarização desaparece quando é retirada a ação do campo elétrico (ROLIM,
2002), (MORA, 2010). Veja na figura a seguir.

67
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 5 - POLARIZAÇÃO IÔNICA. (A) AUSÊNCIA DE CAMPO ELÉTRICO. (B) CAMPO ELÉTRICO
APLICADO

FONTE: <http://www.foz.unioeste.br/~lamat/downmateriais/materiaiscap18.pdf>. Acesso em: 15


jan. 2019.

Observe que na polarização iônica o campo elétrico, quando aplicado ao


átomo, distorce a rede.

2.3 POLARIZAÇÃO POR ORIENTAÇÃO DE DIPOLOS


PERMANENTES
A polarização por orientação ocorre em materiais que possuem dipolos
permanentes que são resultado da estrutura original do material. Pode
desestruturar os cristais e por esse motivo não é interessante para materiais
cerâmicos. No entanto, é importante para os polímeros.

Alguns materiais, devido a sua estrutura assimétrica, possuem momentos


de dipolo mesmo na ausência de campo elétrico, ou seja, os centros de cargas
positivas e negativas estão sempre distanciados e caracterizam as moléculas
polares. A polarização que ocorre nessas moléculas é por orientação.

3 COMPORTAMENTO DOS DIELÉTRICOS EM SERVIÇO


Conhecer as propriedades dos dielétricos é importante na escolha do
material isolante adequado. Sabendo que uma porção de isolamento apresenta
resistência e discutiremos algumas propriedades relacionadas a essa característica
do material, tais como: resistência de isolamento, resistência superficial, rigidez
dielétrica, rigidez dielétrica superficial, ruptura dos dielétricos e efeito corona.

68
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

3.1 RESISTÊNCIA DE ISOLAMENTO


A resistência de isolamento mede a dificuldade da passagem da corrente
em um dielétrico, sendo que esse impedimento ocorre enquanto o campo
elétrico nele aplicado for menor que um determinado valor que está diretamente
relacionado à natureza do material isolante e as suas condições físicas (ROLIM,
2002).

A resistência de isolamento pode ser definida como o quociente entre a


tensão (U) e a corrente (I) aplicada ao material isolante. Logo, o impedimento à
passagem da corrente não é total, mas se o isolante for submetido a uma tensão,
ele será percorrido por uma corrente e a divisão entre essas duas grandezas
quantifica a resistência de isolamento. Ela não é constante, ou seja, não obedece à
lei de Ohm, exceto os gases submetidos a baixos valores de tensão. Em dielétricos
sólidos, a variação da corrente com a tensão possui comportamento semelhante
ao gráfico apresentado a seguir.

GRÁFICO 1 - VARIAÇÃO DA CORRENTE COM A TENSÃO EM DIELÉTRICOS SÓLIDOS

FONTE: Rolim (2002, p. 74)

Observe no gráfico anterior que o final da curva corresponde ao momento


de perfuração do isolamento ou instantes antes. O aumento do calor em função
do crescimento da corrente ocasionará a perfuração.

3.2 RESISTÊNCIA SUPERFICIAL


Os dielétricos sólidos que possuem elevada resistividade apresentam alta
resistência em sua massa, no entanto, quando esses materiais são submetidos à
umidade e poeira, um caminho superficial para a passagem da corrente pode
ser formado. Esse efeito ocorre geralmente com peças isolantes expostas à ação
do tempo, como por exemplo, as que são utilizadas em linhas de transmissão. A
resistência do novo circuito formado é a resistência de isolamento (ROLIM, 2002).

69
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

3.3 RIGIDEZ DIELÉTRICA


A rigidez dielétrica corresponde ao valor do campo elétrico em que ocorre
a ruptura do isolante, ou seja, quantifica a capacidade de um dielétrico suportar
tensões elevadas. Ela não é constante e depende de alguns fatores, como por
exemplo, a espessura do material isolante, as dimensões e formas do eletrodo
utilizados na aplicação da tensão, temperatura, umidade, entre outros.

Conhecer o valor do campo elétrico no momento exato da ruptura é difícil


pelo fato do campo não ser uniforme. Por esse motivo, a rigidez do dielétrico
pode ser resultante da divisão entre a tensão aplicada no momento da ruptura e
a espessura do isolamento (ROLIM, 2002).

3.4 RIGIDEZ DIELÉTRICA SUPERFICIAL


Em alguns dielétricos ao invés do arco de ruptura passar por meio da
massa do material, passa pela superfície dele.

A razão tensão e distância entre os condutores é definida como rigidez


dielétrica e depende da superfície e da forma do material isolante (ROLIM, 2002).

3.5 RUPTURA DOS DIELÉTRICOS


A ruptura do dielétrico ocorre quando o valor do campo aplicado a ele
está acima de determinada referência e os efeitos ocasionados pelo rompimento
dependerão do tipo de material.

Em materiais sólidos, a ruptura pode ocasionar destruição no ponto em


que ocorre. Em materiais fluidos, a matéria atingida pela carga de rompimento é
substituída por outra. Uma consequência nesse tipo de material também seria o
surgimento de partículas carbonizadas em seu interior (ROLIM, 2002).

3.6 EFEITO CORONA


Se houver elevada diferença de potencial entre dois condutores, um
campo elétrico é gerado em suas superfícies e o gás ou ar que se encontra no
espaço entre eles pode se tornar ionizado. Isso ocorre quando o campo aplicado
ultrapassa o limite da isolação do ar.

O fenômeno que ocorre com o gás ou ar os torna condutores também e,


por esse motivo, ocasiona um aumento nas dimensões dos condutores.

70
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

Se a distância entre os condutores for elevada e eles possuírem uma


pequena seção, a ionização ocorre com a diminuição do campo das regiões
vizinhas. Dessa forma, a primeira camada é ionizada, mas as camadas seguintes
não.

A ionização ocorre em volta dos condutores, é visível sob a forma de uma


luz azulada e sensível ao ozônio. A esse fenômeno denominamos efeito corona
(ROLIM, 2002).

E
IMPORTANT

Curiosidade sobre o efeito corona: “O efeito Corona também é conhecido


como Fogo de Santelmo. Isso porque o ‘Santo Elmo’ é o padroeiro dos marinheiros, que
costumavam observar os mastros dos navios envolvidos por uma camada de luz. Muito
tempo depois, descobriu-se que as nuvens ionizadas induziam cargas elétricas nos mastros
sempre antes de tempestades, principalmente em regiões tropicais”. Disponível em: <https://
www.tecnogera.com.br/blog/entenda-a-definicao-de-efeito-corona-e-como-age-em-
isoladores>.

Fator de perdas

Em dielétricos submetidos à tensão alternada, a corrente que passa por


eles deve estar em π/2 em relação à tensão. Mas como ocorrem perdas ôhmicas,
há um componente da corrente em fase com a tensão, o que resulta em uma
diferença de fase de (π/2- δ). O δ é o ângulo de perdas. O valor pode variar de
minutos a graus, dependendo da qualidade do dielétrico (ROLIM, 2002).

O fator de perdas a partir do ângulo pode ser expresso também por tg δ.


Esse fator pode variar de acordo com as condições em que o material é submetido
(ROLIM, 2002).

Capacitância dos dielétricos

Os dielétricos ou isolantes apresentam uma aplicação importante nos


capacitores de placas paralelas. O alinhamento dos dipolos elétricos no interior
dos isolantes ocasiona o acúmulo de cargas e produz a densidade de cargas que
pode ser expressa por (SHACKELFORD, 2008):

D = εE (5)

71
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

em que,
ɛ é a permissividade elétrica do dielétrico (C/V.m);
E é o campo elétrico em (V/m).

A densidade é diretamente proporcional à intensidade do campo elétrico e a


unidade de medida é (C/m2). No vácuo a permissividade elétrica é 8,854 X 10-12C/
(V.m).

Para um dielétrico genérico a equação (5) pode ser escrita como


(SHACKELFORD, 2008):

D = ε 0 kE (6)

em que,
k é uma constante característica do material, conhecida como permissividade
relativa ou constante dielétrica (adimensional).

A permissividade relativa do material é responsável pelo aumento da
capacitância quando é inserido um dielétrico no espaço que era ocupado pelo
vácuo. O capacitor de placas paralelas apresenta um isolante entre os eletrodos
metálicos e o acúmulo da densidade de carga no material é concernente com sua
constante dielétrica.

4 TIPOS DE MATERIAIS ISOLANTES


Alguns materiais isolantes apresentam características mais vantajosas
que outros, dependendo da aplicação desejada. Entre esses materiais se destaca a
porcelana por possuir vantagens no isolamento de linhas aéreas, tendo em vista
suas propriedades mecânicas e dielétricas. Mas pela ausência de flexibilidade,
não é o material ideal para ser utilizado em cabos isolados (ROLIM, 2002).

Se um material possui propriedades elétricas maiores que outros materiais,


apenas essa característica não poderá indicar se ele é o mais adequado, a não
ser que os excelentes aspectos elétricos atuem em conjunto com propriedades
químicas e mecânicas adequadas (ROLIM, 2002).

Nesse contexto, uma classificação dos materiais isolantes pode ser definida
por seu estado: gasoso, líquido e sólido. Vamos discutir esses diferentes estados
dos dielétricos a seguir.

72
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

4.1 ISOLANTES GASOSOS


O isolante gasoso mais conhecido é o ar e ele pode ser utilizado nas redes
elétricas de transmissão e de distribuição, em que os condutores são fixados em
postes ou torres protegidas por isoladores. No entanto, entre os condutores nus o
ar é o único isolante e, inclusive, o afastamento que há entre os fios se dá também
pela rigidez dielétrica que ele apresenta.

O distanciamento entre os condutores depende de propriedades elétricas,


mecânicas e também das condições do ar, como umidade, poeira, entre outros
fatores (ROLIM, 2002).

Outro exemplo de isolante gasoso é o hexafluoreto de enxofre (SF6). De


acordo com Cruz (2014), ele também é utilizado como isolante em equipamentos
elétricos, como transformadores e disjuntores (observe a figura a seguir). Quando
ocorre a interrupção da descarga e o meio é resfriado, ocorrem reações reversíveis,
formando vários subprodutos. Isso ocorre pelo fato dos condutores possuírem
substâncias que possuem relação com o enxofre e o flúor. Por esse motivo, o gás
possui um tempo de vida útil determinado em função do número e da força das
descargas a que é submetido.

FIGURA 6 - DISJUNTOR (HEXAFLUORETO DE ENXOFRE)

FONTE: <https://www.nei.com.br/produto/2013-09-disjuntor-de-media-tensao-hd4-aps-
componentes-eletricos-ltda?id=831d3c8e-6e64-11e4-9fa8-0e94104de12e>. Acesso em: 18 de
jan. 2019.

A figura anterior apresenta um disjuntor de média tensão que utiliza o


gás hexafluoreto de enxofre como isolador entre os contatos fixos e móveis.

73
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

DICAS

Para mais informações sobre as características técnicas do disjuntor apresentado


na Figura 6, acesse: <https://www.nei.com.br/produto/2013-09-disjuntor-de-media-tensao-
hd4-aps-componentes-eletricos-ltda?id=831d3c8e-6e64-11e4-9fa8-0e94104de12e>.

4.2 ISOLANTES LÍQUIDOS


Os isolantes líquidos são utilizados principalmente em duas atividades
(ROLIM, 2002):
• refrigeração;
• isolação.

Na refrigeração o isolante atua retirando o calor dos condutores aquecidos,


transportando-o para radiadores, dessa forma é mantido um valor adequado de
temperatura neles.

Entre os principais isolantes líquidos se destacam o óleo mineral e o óleo


de silicone, cujas características serão discutidas a seguir.

4.2.1 Óleo mineral


De acordo com Leme e Ribeiro (2017, p.1) “aproximadamente 95% dos
equipamentos presentes na planta de empresas distribuidoras de energia elétrica
no Brasil utilizam óleo isolante mineral”.

O óleo mineral pode ser constituído do petróleo e de produtos como


misturas de hidrocarbonatos, gorduras, entre outros. Ele possui uma cor preto-
azulada ou marrom, cuja composição depende do local em que é encontrado.
Entre suas principais características, destacam-se (ROLIM, 2002):

• ponto de chama: é caracterizada por uma determinada temperatura em que


os vapores formam uma chama quando são aproximados a uma chama de
ignição, e se extingue quando essa é afastada;
• ponto de queima: ponto térmico superior ao ponto de chama, nesse a chama
não se extingue quando a chama de ignição é afastada;
• ponto de ignição: no valor de temperatura do ponto de ignição os vapores se
incandescem por si mesmos;

74
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

• ponto de solidificação: o óleo se torna denso em baixas temperaturas;


• viscosidade: é a resistência que existe entre duas camadas próximas do líquido.
Em algumas aplicações, como em máquinas leves, é interessante que o óleo seja
pouco viscoso. Já em outras, como em máquinas que funcionam em pressões
elevadas, é melhor utilizar um óleo mais viscoso.

Outros coeficientes como o de saponificação, acidez e neutralização e


oxidação também caracterizam esses óleos.

Os óleos isolantes são fabricados por meio de uma rígida purificação.


E além de serem bastante líquidos, precisam ser estáveis para serem utilizados
como dielétricos e também transmitirem o calor. Em dispositivos de comando, o
óleo deve fluir entre os contatos para dissipar o arco voltaico. Óleos mais densos
não podem ser utilizados nessas aplicações.

E
IMPORTANT

“Arco voltaico é uma descarga contínua que emite luz muito branca e muito
brilhante, e que provoca grande elevação de temperatura dos eletrodos, dando como
consequência sua destruição progressiva. O arco voltaico produz uma temperatura das mais
altas que já se conseguiram na superfície da Terra: em torno de 4.000oC”. Disponível em:
<http://efisica.if.usp.br/moderna/conducao-gas/cap1_06/>.

O ponto de chama dos óleos varia entre 130 e 145º C e o fator de perdas
a 20º C é de 0,0001 e depende diretamente da temperatura. A rigidez dielétrica
é de aproximadamente 200 kV/cm para óleos secos e novos na faixa de -40 a 50
ºC utilizados em transformadores, e de 120 kV/cm para óleos disjuntores. Esses
valores podem variar dependendo da ação do campo elétrico nos eletrodos e de
seu formato (ROLIM, 2002).

Outro fator importante a ser observado é a oxidação dos óleos que pode
ocorrer quando submetidos ao oxigênio, elevadas temperaturas e à luz solar. Por
isso, os óleos devem ser protegidos.

O envelhecimento dos óleos ocorre a partir do aumento do coeficiente


de acidez, que além de prejuízos próprios como a perda de propriedades, pode
ocasionar efeitos sobre os materiais nos quais está em contato. A celulose do papel,
por exemplo, possui a capacidade de absorver impurezas do óleo (ROLIM, 2002).

Outro fator que caracteriza o envelhecimento é a variação do fator de


perdas (tg δ) para diferentes frequências. Observe a seguir.

75
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 7 - VARIAÇÃO DE PERDAS DIELÉTRICAS DE ÓLEOS MINERAIS EM FUNÇÃO DA PUREZA


E DO ENVELHECIMENTO (FREQUÊNCIA 60 HZ)

FONTE: Rolim (2002, p. 81)

Na figura anterior foi apresentada a variação de perdas dielétricas do óleo


em função da pureza e do envelhecimento. Observe que o fator de perdas não foi
alterado para o óleo purificado.

A inflamabilidade do óleo é outro problema que precisa ser observado,


pois ele é capaz de entrar em combustão espontânea se for aquecido em excesso
e, dessa forma, colocar em risco as pessoas e os equipamentos que estiverem
próximos. Sendo assim, os equipamentos que utilizam óleo mineral como isolante
são aparelhados com termômetros que acionam um alarme caso a temperatura
do óleo esteja excessiva. Se nenhuma precaução for tomada, ele aciona o disjuntor
que desliga o equipamento (ROLIM, 2002).

DICAS

Se desejar obter mais informações técnicas sobre um tipo de óleo mineral,


acesse a ficha disponível em: <http://abre.ai/1rq>.
Para mais informações sobre composições e normas de segurança no manuseio de alguns
tipos de óleo, acesse a ficha de informações de segurança. Disponível em: <http://www.
br.com.br/wcm/connect/8698a9a3-73e0-4154-a70c-c3d9813a0141/fispq-lub-ind-isolante-
lubrax-av-66-in-rev01.pdf?MOD=AJPERES&CVID=lmtkHM6>.

76
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

4.2.2 Óleos de silicone


Os óleos de silicone são incolores, muito viscosos e apresentam vários
pontos de ebulição. O ponto de chama é elevado, aproximadamente 300 ºC, e
o ponto de ebulição é baixo (-100 ºC). Nesses óleos, mesmo com a variação de
temperatura, a viscosidade não se modifica na mesma taxa, e essa variação é bem
menor que em óleos minerais (ROLIM, 2002).

Outra característica interessante do óleo de silicone é que ele se mantém


neutro em contato com a maioria dos elementos. Desse modo, não envelhece
devido à estabilidade química que possui (ROLIM, 2002).

Os silicones apresentam outras aplicações, como: na composição de


vernizes, lubrificantes, tintas, resinas e pastas. O preço dos óleos de silicone, no
entanto, é superior ao óleo mineral (ROLIM, 2002).

DICAS

Se desejar obter mais informações técnicas sobre um tipo de óleo de silicone,


acesse a ficha técnica. Disponível em: <http://www.quimidrol.com.br/media/blfa_files/Oleo_
de_Silicone_47V350_2.pdf>.

4.3 ISOLANTES SÓLIDOS


Os isolantes sólidos são caracterizados por fibras que podem ser orgânicas,
representadas por papel, seda, entre outras fibras sintéticas e não sintéticas.
Também podem ser inorgânicas, cujas principais são o vidro e o amianto (ROLIM,
2002). Algumas dessas fibras serão discutidas a seguir.

4.3.1 Papel
O papel é constituído de celulose que em forma pura pode ser obtida a
partir do algodão e de árvores. O uso do papel para finalidades elétricas é comum
devido sua flexibilidade, reduzida espessura e estabilidade térmica. Apresenta
como desvantagem a elevada higroscopia, ou seja, alta capacidade de absorção de
água que o subordina a uma impregnação adequada com óleos (ROLIM, 2002).

77
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

O papel possui adequadas propriedades elétricas e resistência mecânica.


Essa última característica é interessante principalmente quando o papel é
utilizado como isolante dos cabos, pois é submetido a efeitos de compressão e
tração quando o cabo é manuseado. Ele pode ainda ser dobrado sem romper suas
fibras.

O comportamento térmico depende da natureza da fibra. Por exemplo, a


celulose sulfitada não pode ser utilizada em temperatura igual a 100º C por longo
tempo; já celulose sulfatada pode ser utilizada em até uma semana (ROLIM, 2002).

O papel pode ser utilizado para isolar fios juntos com óleos, como por
exemplo, em capacitores, isolando os condutores. Ele pode ainda ser umedecido
por verniz e se tornar menos flexível e desse modo é utilizado como dielétrico em
barramentos ou base de suporte dos núcleos de transformadores (ROLIM, 2002).
Observe a utilização do papel como isolante na figura seguinte.

FIGURA 8 - TRANSFORMADOR DE DISTRIBUIÇÃO COM ISOLANTES DE PAPEL

FONTE: <http://abre.ai/1rx>. Acesso em: 26 mar. 2019.

A figura anterior apresenta um modelo de transformador de distribuição


cuja ficha técnica indica que os condutores são revestidos com papel isolante.

Apesar das várias aplicações do papel a expectativa é que ele seja


substituído por fibras sintéticas.

4.3.2 Fibras sintéticas


Produtos de fibra natural vêm sendo substituídos por fibras sintéticas
devido a maior variedade e por apresentarem propriedades favoráveis com custos
menores (ROLIM, 2002). Entre as principais se destacam as fibras de poliamida e
de vidro.

78
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

As fibras de poliamida são utilizadas para reforçar mecanicamente


os cabos, revestindo-os para situações em que sejam submetidos ao fogo, que
exijam flexibilidade e elevado esforço à tração. É necessário a aplicação de verniz
de colagem nessas fibras para que o material adquira consistência mecânica e
mantenha uma camada isolante (ROLIM, 2002).

De acordo com Shackelford (2008), a fibra de vidro é um modelo de


compósito moderno, ou seja, um material que é composto por dois ou mais
materiais. Uma região de fratura de um compósito apresenta as fibras inseridas
na matriz polimérica. A composição de vidro mais utilizada é o vidro-E, que
corresponde ao vidro tipo elétrico. Ela apresenta baixa condutividade elétrica
devido à reduzida presença de sódio. Observe a seguir um modelo de fibra de
vidro de reforço, utilizada em um compósito de fibras de vidro.

FIGURA 9 - REFORÇO EM UM COMPÓSITO DE FIBRA DE VIDRO

FONTE: Shackelford ( 2008, p. 317)

Outra propriedade que caracteriza as fibras de vidro é a estabilidade térmica


que é maior do que em outros modelos de fibra. Por esse motivo são utilizadas
com frequência em materiais que devem suportar elevadas temperaturas, como
por exemplo, em câmaras de extinção de arco voltaico (ROLIM, 2002).

4.3.3 Materiais cerâmicos


De acordo com Callister (2007), as cerâmicas são materiais inorgânicos e
constituídos de metálicos e não metálicos. As ligações são predominantemente
iônicas, mas com algum caráter covalente, ou seja, apresentam ligações de caráter
misto iônico-covalente. A palavra cerâmica advém do grego keramikos (material
queimado), as propriedades ideais desses materiais são obtidas a partir da sua
queima.

A cerâmica é um material antigo e uma ferramenta que se destaca nesse


período são as louças, constituídas de argila queimada (SHACKELFORD, 2008).

79
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Segundo Askeland, Fulay e Wright (2011) algumas propriedades cerâmicas


podem ser caracterizadas por suas estruturas. O vidro inorgânico, por exemplo,
é transparente por não ser cristalino, já as características magnéticas permanentes
de alguns materiais são resultantes de sua estrutura cristalina.

Alguns dos materiais cerâmicos mais utilizados e suas aplicações são


(ASKELAND; FULAY; WRIGHT, 2011):

• Alumina (Al2O3): pode ser utilizada como isolantes em velas de ignição, dopada
com cromo pode ser aplicada na fabricação de lasers.
• Diamante (C): os industriais são utilizados como abrasivos em polimentos. Os
revestimentos de diamante podem ser aplicados, por exemplo, em ferramentas
de corte para torná-los resistentes à abrasão, assim como em joias.
• Sílica (SiO2) é um dos materiais cerâmicos mais utilizados. Pode ser aplicado
em vitrocerâmicas, isolamento térmico, refratários, na fabricação de fibras
ópticas, entre outras aplicações.
• Carboneto de silício (SiC): apresenta elevada resistência à oxidação em
temperaturas acima do ponto de fusão e pode ser aplicado como revestimento
para metais, assim como para constituir elementos que são utilizados em
fornos. Ele é considerado um elemento semicondutor.

E
IMPORTANT

O carboneto de silício, apesar de ser um material cerâmico, é considerado um


semicondutor. Os semicondutores serão discutidos no tópico: Materiais semicondutores.

Caro acadêmico, as tabelas a seguir apresentarão algumas propriedades


da cerâmica. Vamos conferir!

TABELA 1 - PROPRIEDADES DE CRISTAIS POLICRISTALINOS

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 574)

80
TÓPICO 1 | MATERIAIS ISOLANTES

TABELA 2 - PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CERÂMICAS AVANÇADAS

FONTE: Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 575)

Nas tabelas apresentadas observamos as elevadas temperaturas de fusão


e de resistência elástica, de compressão e flexão das cerâmicas. De acordo com
Askeland, Fulay e Wright (2011, p. 574): “o peso de um caminhão de bombeiros
pode ser suportado em quatro xícaras de café de cerâmica”.

4.3.4 Vidros
De acordo com Shackelford (2011), os vidros são sólidos não cristalinos
com composições semelhantes às cerâmicas cristalinas. Os mais utilizados
são constituídos de silicatos, como por exemplo, aqueles que geralmente são
utilizados em janelas, em que o maior percentual é sílica (SiO2) e o restante óxido
de sódio (Na2O) e óxido de sílica (CaO).

No entanto, há outras combinações que constituem os vidros e que os


classificam como (ROLIM, 2002):

• vidros sódio-cálcicos;
• vidros cálcio-cálcicos;
• vidros de cálcio chumbo;
• vidros de silicato de boro e alumínio;
• espécies, como por exemplo, os vidros de quartzo.

Observe na tabela seguinte a composição de alguns tipos de vidros e suas


características. Atente que o de sílica é um dos mais importantes e vantajosos,
porém o mais facilmente fabricado é o de sódio-cálcio.

81
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

TABELA 3 - COMPOSIÇÕES DE ALGUNS VIDROS

FONTE: Smith (1998, p. 643)

Com base nas informações discutidas nesse tópico, podemos observar a


importância dos materiais isolantes em conjunto com outros materiais. Buscamos
apresentar a maioria dos materiais dielétricos que estão disponíveis para serem
selecionados, dependendo da aplicação desejada.

82
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Nos dielétricos os elétrons estão intensamente ligados na camada externa


do átomo, de modo que a movimentação deles é nula ou praticamente nula
quando submetidos a um campo elétrico.

• Geralmente, os dipolos estão organizados aleatoriamente dentro dos átomos e


se alinham em direção ao campo elétrico aplicado.

• A polarização eletrônica ocorre em todas as moléculas por causa do


deslocamento da nuvem de elétrons em relação aos núcleos atômicos.

• Alguns materiais isolantes apresentam características mais vantajosas que


outros, dependendo da aplicação desejada. Por exemplo a porcelana, que possui
vantagens no isolamento de linhas aéreas tendo em vista suas propriedades
mecânicas e dielétricas. Porém, pela ausência de flexibilidade não é o material
ideal para ser utilizado em cabos isolados.

83
AUTOATIVIDADE

1 Estudamos que há três principais tipos de polarização em materiais


dielétricos. Discuta brevemente essas polarizações.

2 Conhecer as principais características do dielétrico é importante na escolha


do material adequado. Com base no comportamento dos dielétricos em
serviço, leia atentamente as proposições e assinale a alternativa CORRETA.

( ) A resistência de isolamento mensura a facilidade a passagem da corrente


elétrica em um dielétrico e a resistência superficial mede a resistência no
caminho superficial formado por poeira e umidade.
( ) A rigidez dielétrica é o valor do campo no momento em que ocorre a
ruptura e a ruptura dielétrica ocorre quando o campo aplicado está acima
de um valor de referência.
( ) A resistência de isolamento mensura a facilidade da passagem da corrente
elétrica em um dielétrico e a ruptura dielétrica não ocasiona efeitos no
ponto em que ocorre.
( ) O fator de perdas é característico de dielétricos submetidos à corrente
contínua.
( ) Nos capacitores de placa paralela a desorientação dos dipolos no interior
dos dielétricos produz densidade de carga.

84
UNIDADE 2 TÓPICO 2
MATERIAIS SEMICONDUTORES

1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! No Tópico 2 daremos continuidade aos estudos dos
materiais e analisaremos os materiais semicondutores.

Os materiais isolantes, estudados no Tópico 1, são materiais altamente


visíveis e ocasionaram um grande impacto na sociedade. Os materiais
semicondutores são invisíveis, mas tiveram impacto semelhante (SHACKELFORD,
2008).

Para Shackelford a eletrônica em estado sólido ocasionou uma revolução


na sociedade:

A tecnologia certamente revolucionou a sociedade, mas a eletrônica


no estado sólido revolucionou a própria tecnologia. Um grupo de
elementos e compostos relativamente pequeno tem uma propriedade
elétrica importante, a semicondutividade, mas eles não são bons
condutores elétricos nem bons isolantes elétricos (SHACKELFORD,
2008, p. 8).

Os materiais mencionados na citação são os semicondutores. Como


discutimos anteriormente, os metais são bons condutores e os não metais, em
geral, são condutores fracos, porém bons isolantes. Nos materiais semicondutores,
a capacidade de conduzir eletricidade é intermediária (SHACKELFORD, 2008).

As magnitudes da condutividade desses materiais estão entre 10-4 e 10+4


Ω-1.m-1 e possuem relação com os espaçamentos entre as bandas inferiores a 2 e
V (SHACKELFORD, 2008). Dessa forma, discutiremos inicialmente a estrutura
das bandas de energia e compreenderemos em seguida os tipos e principais
características dos semicondutores, assim como suas aplicações.

Ótima leitura!

2 ESTRUTURAS DE BANDAS DE ENERGIA NOS SÓLIDOS


De acordo com Callister (2007), a força da condutividade nos materiais
depende do número de elétrons livres disponíveis para a condução e esse número
é função do arranjo de elétrons e dos níveis de energia ocupados por eles.

85
Em cada átomo há níveis de energia discretos que podem ser ocupados
por elétrons em níveis e subníveis: (1, 2, 3 etc.) e (s, p, d e f), respectivamente. Na
maioria dos átomos, os elétrons preenchem os estados com energias mais baixas,
no limite de dois elétrons com spins opostos por estado, em conformidade com o
princípio de exclusão de Pauli.

E
IMPORTANT

O Princípio de Pauli pode ser definido como: “Em um átomo, dois elétrons
quaisquer nunca poderão ter o mesmo conjunto de números quânticos [...], ou seja, os dois
elétrons nunca estarão no mesmo estado quântico”.
FONTE: <http://fap.if.usp.br/~vannucci/2014_FisicaIV_EngEletrica_Aula%2018.pdf>. Acesso
em 23 jan. 2019.

A partir das informações apresentadas podemos discutir os materiais


sólidos, que são formados por um número N de átomos separados uns dos
outros. Em distâncias de separação elevadas, os átomos são independentes. No
entanto, quando estão próximos, os elétrons são agitados por núcleos e elétrons
adjacentes. A influência é significativa de forma que um estado atômico pode se
dividir em vários (CALLISTER, 2007). Observe:

FIGURA 10 - ENERGIA ELETRÔNICA VERSUS SEPARAÇÃO ELETRÔNICA

FONTE: Callister (2007, p. 669)

A figura anterior nos apresenta um esquema de energia versus separação


interatômica para um arranjo de 12 átomos. Quando os átomos são aproximados,
os elétrons interagem com os átomos adjacentes e ocasionam a divisão de um
estado em vários outros, pouco distanciados, formando a banda eletrônica
de energia. A amplitude da divisão depende das separações interatômicas
(CALLISTER, 2007).
86
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

Em espaçamento de equilíbrio, nos níveis mais adjacentes ao núcleo pode


não ocorrer a formação de bandas de energia, como podemos verificar a seguir:

FIGURA 11 - (A) ESTRUTURA DE BANDA DE ENERGIA ELETRÔNICA. (B) ENERGIA ELETRÔNICA


VERSUS SEPARAÇÃO INTERATÔMICA

FONTE: Callister (2007, p. 669)

Verificamos que a parte (a) é a representação de bandas de energia para


espaçamento interatômico de equilíbrio e (b) corresponde à separação entre
átomos versus energia eletrônica e demonstra como a estrutura de banda de
energia em (a) é formada na separação de equilíbrio (CALLISTER, 2007).

De acordo com Callister (2007), as propriedades elétricas de um material


sólido dependem da estrutura de banda do elétron. São possíveis quatro diferentes
tipos de estruturas a 0 K, veja a seguir:

FIGURA 12 - POSSIBILIDADES DE ESTRUTURAS DE BANDAS ELETRÔNICAS EM SÓLIDOS

FONTE: Callister (2007, p. 670)

87
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

A energia que corresponde ao maior estado preenchido é chamada de


Fermi (Ef) (veja figura anterior). A primeira estrutura (a) é típica em metais como
o cobre (Cu), que possui apenas um elétron de valência. Na segunda estrutura (b)
há sobreposição de bandas externas vazias e caracteriza metais, por exemplo, o
magnésio (Mg). A estrutura representada em (c) é comum em materiais isolantes,
a banda de condução vazia é distanciada da banda de valência e preenchida por
um elevado intervalo de banda. E em (d) temos a representação da estrutura de
banda dos semicondutores, semelhante aos isolantes, diferindo na largura do
intervalo de banda que é menor (CALLISTER, 2007).

3 CONDUÇÃO EM BANDAS ELETRÔNICAS


Conforme já discutido, a energia que corresponde ao maior estado atômico
é a de Fermi. Para Callister (2007) os elétrons conhecidos como livres, são aqueles
que possuem energia superior à de Fermi e podem participar do processo de
condução. Apenas esses podem ser agitados quando submetidos a um campo
elétrico.

Outra carga eletrônica é a lacuna, conhecida também como buraco. Está


presente em materiais isolantes e semicondutores, possui energia inferior à de
Fermi, mas também participa do processo de condução.

A principal diferença entre os materiais condutores e não condutores


(semicondutores e isolantes) está no número de elétrons e lacunas que possui,
pois a condutividade é diretamente relacionada ao número de cargas livres.

Para que um elétron se torne livre, ele precisará ser excitado e deslocado
para um estado de energia disponível, acima da energia de Fermi (Ef). Observe a
figura seguinte:

FIGURA 13 - CONDUÇÃO DE ELÉTRONS EM CONDUTORES

FONTE: Callister (2007, p. 671)

88
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

Observe na próxima figura que em materiais condutores há, inicialmente,


estados disponíveis acima da energia de Fermi (a). Em seguida, um elétron é
excitado e deslocado da banda com estados ocupados para um estado vazio na
banda de estados diponíveis (b). Esse processo é diferente do que ocorre em
materiais semicondutores, conforme poderá ser visto na figura seguinte.

FIGURA 14 - CONDUÇÃO DE ELÉTRONS EM SEMICONDUTORES

FONTE: Callister (2007, p. 672)

Observamos que há uma banda de lacuna na estrutura de banda de um


material semicondutor, não há estados vazios adjacentes à banda de valência (a).
Dessa forma, o elétron que está localizado na banda de valência é excitado e se
desloca por meio da banda de lacuna até a banda de condução, onde há estados
disponíveis. Ao ser deslocado, o elétron deixa uma lacuna ou buraco na banda de
valência e ocupa um estado que antes estava vazio na banda de condução (b). Isso
só é possível porque é direcionado ao elétron uma diferença de energia entre os
dois estados que é aproximadamente equivalente a energia de lacuna, cuja fonte
pode ser elétrica, o calor e a luz (CALLISTER, 2007).

Em relação a movimentação dos elétrons quando a intensidade do campo


é aplicada, eles são acelerados em direção oposta ao campo devido a sua carga
negativa. Por causa das imperfeições cristalinas, no movimento, o elétron muda
várias vezes de direção, ocasionando seu espalhamento, conforme é possível
observar na figura seguinte.

89
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 15 - DIAGRAMA DOS PERCURSOS DO ELÉTRON SUBMETIDO A EVENTOS DE


ESPALHAMENTO

FONTE: Callister (2007, p. 673)

A dimensão deste espalhamento representado na figura anterior pode ser


caracterizada por sua velocidade de deriva que é dada por (CALLISTER, 2007):

vd = µe E (7)

em que,
vd é a velocidade de deriva que corresponde à velocidade média em direção ao
campo aplicado;
µe é uma constante de proporcionalidade que caracteriza a mobilidade do elétron
(m2/V.s);
E é o campo elétrico aplicado.

A condutividade dos materiais pode ser expressa por (CALLISTER, 2007):

σ = n q µe (8)

em que,
n corresponde ao número de elétrons livres;
|q| é a carga absoluta do elétron (1,6 x 10-19C);
µe é a mobilidade do elétron.

Com base na expressão (8) observamos que a condutividade dos materiais


é diretamente proporcional ao número de elétrons, conforme já discutido.

Nos últimos pontos compreendemos que a semicondução é caracterizada


por elementos da tabela periódica que apresentam valores intermediários de
condutividade. Esses elementos semicondutores podem ser divididos em duas
categorias: intrínseca e extrínseca. Vamos discuti-las a seguir.

90
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

4 SEMICONDUÇÃO INTRÍNSECA

De acordo com Shackelford (2008, p. 391), “a semicondução intrínseca
é uma propriedade do material puro”. Ou seja, o comportamento elétrico dos
materiais semicondutores intrínsecos é baseado na estrutura específica do
material.

Os semicondutores elementares são o silício (Si) e o germânio (Ge), cujas


larguras de banda correspondem respectivamente a 1,1 e 0,7 e V, e possuem
ligações covalentes. Há ainda outros materiais compostos que apresentam
características semicondutoras, tais como o arseneto de gálio (GaAs) e
o antimoneto de índio (InSb) (CALLISTER, 2007). Observe as principais
características de alguns materiais semicondutores na tabela a seguir.

TABELA 4 - CARACTERÍSTICAS DE ALGUNS MATERIAIS SEMICONDUTORES SUBMETIDOS À


TEMPERATURA AMBIENTE

Material Banda de Condutividade Mobilidade Mobilidade das


lacuna (eV) (Ω.m)-1 dos elétrons lacunas (m2/V.s)
(m2/V.s)
Si 1,11 4x10-4 0,14 0,05
Ge 0,67 2,2 0,38 0,18
GaAs 1,42 10-6 0,85 0,04
InSb 0,17 2x104 7,7 0,07
FONTE: Adaptado de Callister (2007, p. 680)

Na tabela anterior observamos que todos os elementos citados possuem


mobilidade dos elétrons superior à das lacunas, e que o semicondutor composto
InSb é o que apresenta maior condutividade. O GaAs é o que possui maior largura
de banda de lacuna, ou seja, a carga percorre um caminho mais extenso para
atingir a banda de condução. Veja que ele é o que apresenta menor condutividade.

O princípio da semicondução intrínseca pode ser resumido na seguinte


expressão (SHACKELFORD, 2008):

=σ n n q n µn + n p q p µ p (9)

em que,
n é a densidade de carga;
q é a carga de um único portador;
µ é a mobilidade do portador.

Os subscritos n e p são referências para os portadores negativos e positivos,


respectivamente. Observe que a condutividade é a soma dos portadores de carga
positiva e negativa.

91
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

De acordo com Shackelford (2008), em um sólido, como por exemplo o


silício elementar, a condução é resultante da movimentação térmica de elétrons
da banda de valência preenchida para uma de condução vazia. Os elétrons que são
a carga negativa, após serem retirados da banda de valência produzem lacunas,
que são as cargas positivas. Logo, como a densidade de elétrons de condução e
lacunas é a mesma a Equação (7) pode ser reescrita como:

= (
σ nq µe + µ p ) (10)

em que,
n corresponde à densidade dos elétrons de condução;

FIGURA 16 - LIGAÇÃO ELETRÔNICA DE UM SILÍCIO INTRÍNSECO

FONTE: Callister (2007, p. 681)

92
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

A figura anterior apresenta um modelo de ligação eletrônica de um silício


intrínseco em que (a) demonstra a estrutura da ligação antes da excitação do
elétron e em (b) e (c) são apresentados os movimentos dos elétrons livres quando
submetidos à ação de um campo externo, ou seja, o momento após a excitação.
Veja que os elétrons e lacunas se movem em direção oposta.

Nos semicondutores intrínsecos os níveis de impureza não são


mencionados, pois são preparados com um grau elevado de pureza. A ação das
impurezas nesses materiais será tratada no próximo ponto.

5 SEMICONDUÇÃO EXTRÍNSECA
Segundo Shackelford (2008, p. 391), “a semicondução extrínseca resulta
da adição de impurezas, conhecidas como dopantes”.

Para Callister (2007) a maioria dos semicondutores disponibilizados


comercialmente são extrínsecos:

Praticamente todos os semicondutores comerciais são extrínsecos;


isto é, o comportamento elétrico é determinado por impurezas que,
quando presentes em concentrações mínimas, introduz excesso de
elétrons ou buracos. Por exemplo, a concentração de impurezas em
em um átomo de 1012 é suficiente para tornar o silício extrínseco à
temperatura ambiente (CALLISTER, 2007, p. 682, tradução nossa).

O procedimento de inclusão de impurezas nesses materiais é conhecido


como dopagem. As impurezas são comumentemente indesejáveis e são resultado
de componentes de matéria-prima que foram trazidos ao material, por exemplo,
pelo ar. Nos semicondutores, elas são cuidadosamente acrescentadas no material
intrínseco. Há dois tipos de semicondutores extrínsecos: tipo n e tipo p. Vamos
discuti-los a seguir.

Semicondutor tipo n

Os semicondutores extrínsecos são do tipo n quando os portadores de


carga negativa dominam. Por exemplo, o silício, um semicondutor intrínseco,
tem quatro elétrons de valência. O fósforo possui cinco elétrons de valência, é
um dopante do tipo n e a carga negativa adicional pode se tornar um elétron de
condução (SHACKELFORD, 2008).

93
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 17 - MODELO DE SEMICONDUÇÃO EXTRÍNSECA TIPO N

FONTE: Callister (2007, p. 683)

Por meio da figura anterior (a) conseguimos observar que o átomo


impuro do fósforo substituiu um átomo de silício. E isso ocasiona um elétron
extra que orbita o fósforo. Quando o campo elétrico externo é aplicado, ocorre
uma excitação que forma um elétron livre (b). Em seguida, com a ação do campo,
esse elétron se move (c) (CALLISTER, 2007).

O acréscimo de um átomo de fósforo a uma solução sólida em um cristal


de silício modificará a estrutura da banda de energia do material. No átomo de
fósforo apenas quatro elétrons são necessários para se ligarem aos quatro que
pertencem ao silício. O elétron extra que não foi utilizado é instável e gera um
estado doador próximo a banda de condução (SHACKELFORD, 2008).
94
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

FIGURA 18 - ESTRUTURA DE BANDA DE UM SEMICONDUTOR EXTRÍNSECO DO TIPO N

FONTE: Callister (2007, p. 684)

Um único estado doador é formado para cada um dos elétrons que estão
ligados fracamente e localizados na largura de banda de lacuna (ou proibida) (a).
Em seguida, para cada excitação, um elétron é doado para a banda de condução
(b). É importante destacar que como o elétron doado é resultado do estado de
impureza, não são formadas lacunas correlatas na banda de valência quando
ocorre a excitação do elétron.

Segundo Callister (2007), em temperatura ambiente a energia térmica que


está disponível é capaz de excitar um elevado número de elétrons de estados
doadores. Ao mesmo tempo, ocorrem alguns deslocamentos de elétrons da
banda de valência, mas em proporções muito menores. Dessa forma, o número
de elétrons na banda de condução excede as lacunas da banda de valência. Essas
características definem um material semicondutor extrínseco do tipo n.

Semicondutor tipo p

Em um semicondutor tipo p, diferentemente do tipo n, os portadores de


carga positiva excedem em quantidade na estrutura de banda. Como exemplo
considere o alumínio (Al) ou o boro (B) que possuem apenas três elétrons na
camada de valência. Quando um deles é colocado em uma solução sólida
com o silício, um elétron desse último não será ligado, pois não há suficientes
correspondentes no Al ou B. O que pode gerar um estado receptor próximo a
camada de valência. (SHACKELFORD, 2008); (CALLISTER, 2007).

95
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

FIGURA 19 - MODELO DE SEMICONDUÇÃO EXTRÍNSECA TIPO P PARA A IMPUREZA BORO (B)

FONTE: Callister (2007, p. 684)

A figura anterior nos apresenta um modelo de semicondução extrínseca


do tipo p para o boro, como exemplo de impureza. Observe que uma lacuna é
liberada do átomo de impureza (a). Um campo elétrico é aplicado à estrutura e a
lacuna se movimenta em direção a um átomo de silício. A excitação da lacuna é
semelhante à do elétron doador da estrutura de semicondução extrínseca tipo n
discutida anteriormente (CALLISTER, 2007).

A deficiência de elétrons na impureza boro gera um nível receptor


próximo à banda de valência. Segundo Shackelford (2008, p. 394). “um elétron
de valência do silício pode ser facilmente promovido para esse nível receptor
gerando um buraco (ou seja, um portador de carga positiva)”.

FIGURA 20 - ESTRUTURA DE BANDA DE UM SEMICONDUTOR EXTRÍNSECO DO TIPO P

FONTE: Callister (2007, p. 685)

96
TÓPICO 2 | MATERIAIS SEMICONDUTORES

• vidros sódio-cálcicos;

É possível observar na figura anterior (a) que excitações extrínsecas geram


uma lacuna próxima a banda de valência, conhecida como estado de aceitação ou
recepção. Em (b) a excitação de um elétron e sua recepção no estado de aceitação
na banda de lacuna deixa para trás um buraco na banda de valência.

Nessa condução, as lacunas aparecem em concentrações muito maiores


que os elétrons. Logo, as cargas positivas são as principais responsáveis pelo
percurso da corrente elétrica, caracterizando dessa forma o material extrínseco
tipo p (CALLISTER, 2007).

Para Callister (2007) é importante destacar que tanto os semicondutores


intrínsecos quanto os extrínsecos (seja o tipo n ou p) são formados a partir de
materiais que inicialmente apresentavam pureza elevada. Desse modo, a inserção
de doadores ou receptores é realizada propositadamente e um elevado número de
elétrons ou lacunas, dependendo da impureza aplicada, é criado em temperatura
ambiente com a energia térmica disponível.

A maior parte desses materiais é utilizada em dispositivos eletrônicos


operando em temperatura ambiente. No próximo ponto discutiremos alguns
tipos e aplicações desses materiais.

6 TIPOS E APLICAÇÕES DE SEMICONDUTORES


Alguns dos semicondutores mais utilizados são o diodo, o transistor e o
circuito elétrico.

Diodo

O diodo é um semicondutor formado a partir do silício ou germânio,


em que as faces são dopadas com diferentes gases. É um dos tipos mais simples
de componente eletrônico semicondutor. O diodo LED, por exemplo, é emissor
de luz e opera com tensão entre 1,6 e 3,3 V. A potência está entre 10 e 150 mW
(JÚNIOR, 2006).

Os diodos emissores de luz podem ser utilizados na fabricação de displays


alfanuméricos, como por exemplo, celulares.

Algumas das limitações do LED é que seus terminais não podem entrar
em contato com a tensão diretamente. As lâmpadas de sinalização, ou pilotos, em
painéis de instrumentos diversos, por exemplo, também são formados por LED.

97
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Transistores

O transistor é um dos principais responsáveis pela revolução da eletrônica,


corresponde a um componente eletrônico e entre as suas aplicações se destacam
amplificar e realizar o chaveamento de sinais elétricos. Ele pode ser aplicado,
por exemplo, em um circuito eletrônico de um microfone e transformar um sinal
fraco em forte, ao amplificá-lo.

O semicondutor transistor possui importância na sociedade,


principalmente por suas características, tais como: facilidade em ser produzido
em larga escala, por meio de técnicas simples com custos reduzidos. A maioria
dos circuitos integrados é composta por diversos transistores (JÚNIOR, 2006).

Circuito integrado

O circuito integrado é um dispositivo microeletrônico constituído de


transistores e outros componentes interligados. A importância da integração
dos circuitos está no custo e tamanho reduzidos, confiabilidade e estabilidade
(JUNIOR, 2006).

Para Callister (2007) as propriedades elétricas diferenciadas dos


semicondutores permitem que eles sejam utilizados na construção de componentes
eletrônicos e sejam inovadores na microeletrônica. Um elevado número de
pequenos circuitos constituídos de vários dispositivos eletrônicos pode ser
inserido em um único chip de silicone. A criação de dispositivos semicondutores
originou os circuitos em miniatura e, consequentemente, ocasionou uma
revolução e a criação de novas indústrias.

98
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Em cada átomo há níveis de energia discretos que podem ser ocupados por
elétrons em níveis e subníveis: (1, 2, 3 etc.) e (s, p, d e f), respectivamente. Na
maioria dos átomos os elétrons preenchem os estados com energias mais baixas,
no limite de dois elétrons com spins opostos por estado, em conformidade com
o princípio de exclusão de Pauli.

• A principal diferença entre os materiais condutores e não condutores


(semicondutores e isolantes) está no número de elétrons e lacunas que possuem:
a condutividade é diretamente relacionada ao número de cargas livres.

• O comportamento elétrico dos materiais semicondutores intrínsecos é baseado


na estrutura específica do material. E a semicondução extrínseca resulta da
adição de impurezas, conhecidas como dopantes.

99
AUTOATIVIDADE

1 Discuta brevemente as características da semicondução intrínseca e


extrínseca.

2 Discuta a condução dos semicondutores em bandas eletrônicas.

100
UNIDADE 2 TÓPICO 3
MATERIAIS MAGNÉTICOS

1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmicos! Na primeira unidade deste livro didático e nos
últimos dois tópicos discutimos os materiais classificados de acordo com suas
propriedades. Nesse tópico finalizaremos o estudo sobre materiais abordando os
materiais magnéticos.

De acordo com Smith (1998), os materiais magnéticos têm uma elevada


importância industrial e podem ser utilizados em diversas aplicações de
engenharia.

Segundo Askeland, Fulay e Wright (2011) todos os materiais respondem a


presença de um campo magnético:

Todo material no mundo responde à presença de um campo magnético.


Materiais magnéticos são usados ​​para operar coisas como motores
elétricos, geradores e transformadores. A maior parte da tecnologia
de armazenamento de dados (discos rígidos de computador, discos
de computador, vídeo e áudio cassetes, e similares) é baseado em
partículas magnéticas. Materiais magnéticos também são usados ​​em
alto-falantes, telefones, CD players, telefones, televisões e gravadores
de vídeo. Supercondutores também podem ser vistos como materiais
magnéticos. Materiais magnéticos, como partículas de óxido de
ferro (Fe3O4), são usados para fazer composições exóticas de "ímãs
líquidos" ou ferrofluidos. As mesmas partículas de óxido de ferro
também são usadas para ligar moléculas de DNA, células e proteínas.
(ASKELAND; FULAY; WRIGHT, 2011, p.767, tradução nossa).

Com base no comportamento, esses materiais podem ser classificados


como ferromagnéticos, diamagnéticos e paramagnéticos. Vamos discutir
inicialmente as propriedades que os caracterizam e em seguida compreenderemos
suas principais aplicações.

Boa leitura!

2 MAGNETISMO
De acordo com Shackelford (2008, p. 416). magnetismo é “o fenômeno
físico associado à atração de certos materiais”.

101
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Para Callister (2007) vários instrumentos tecnológicos modernos estão


associados ao magnetismo, tais como: geração de potência elétrica, motores
elétricos, telefones, computadores, televisores, entre outros. Materiais como o
ferro, ligas de aço e a magnetita apresentam propriedades magnéticas próprias,
no entanto, todas as substâncias que conhecemos são influenciadas de alguma
forma pela presença de um campo magnético.

As forças magnéticas são geradas por meio da movimentação de


partículas carregadas eletricamente. A região em que há atração entre as
partículas ou presença de campo elétrico pode ser representada por linhas de
fluxo magnético que são geradas por um anel de corrente elétrica (CALLISTER,
2007); (SHACKELFORD, 2008).

FIGURA 21 - ANEL DE CORRENTE ELÉTRICA

FONTE: Shackelford (2008, p. 417)

Observe as linhas de fluxo magnético que são geradas em torno de um anel


de corrente elétrica. A corrente passa por meio do anel, ou seja, há movimentação
de cargas o que implica que há campo elétrico, e esse campo gera as linhas de
fluxo magnético que circundam o anel.

Alguns materiais podem gerar um campo magnético na ausência de


corrente elétrica o que os caracterizam como intrinsecamente magnéticos. Um
exemplo simples é o ímã em barra.

FIGURA 22 - ÍMÃ EM BARRA

FONTE: Schackelford (2008, p.417)

102
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

Podemos observar na figura anterior que um material magnético com


características intrinsecamente magnéticas, por exemplo, o ímã, pode gerar um
campo magnetizado mesmo na ausência de corrente elétrica por meio de forças
de atração e repulsão de polos do material. Observe que o ímã possui um polo
norte, considerado negativo, e um polo sul identificado como positivo e que as
linhas de campo emergem do norte para o sul.

A próxima figura apresenta o comportamento das linhas de campo em


torno de uma barra magnética que foi identificado pela disposição de limalha de
ferro em uma folha de papel sob o ímã (SMITH, 1998).

FIGURA 23 - CAMPO MAGNÉTICO EM TORNO DE UMA BARRA MAGNÉTICA

FONTE: Smith (1998, p. 661)

Observe na Figura 23 que a barra possui dois polos e que as linhas de campo
partem de uma extremidade a outra, assim como representado na Figura 22.

Em materiais magnéticos há vários dipolos ou momentos magnéticos que


se assemelham a dipolos elétricos. Eles são pequenos ímãs que possuem polos
norte e sul, semelhantes à barra de ímã das Figuras 22 e 23. Sob a ação de um
campo magnético, a força gerada tende a orientar os dipolos no sentido do campo
como ocorre com a bússola, cujo sentido da agulha é orientado pelo sentido do
campo (CALLISTER, 2007).

3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS


MAGNÉTICOS
O campo magnético aplicado externamente pode ser chamado de
intensidade de campo magnético (H). Se um campo é gerado por um solenoide
percorrido por uma corrente i pode ser definido como (CALLISTER, 2007):

ni
H= (11)
l
103
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

em que,
n é o número de espiras do solenoide;
l é o comprimento do solenoide;
i é a intensidade da corrente que passa por meio do solenoide.
A unidade da intensidade de campo magnético é o ampere por metro (A/m).

Observe que a intensidade do campo é inversamente proporcional ao


comprimento do solenoide.

NOTA

Solenoide é “uma hélice de fio de cobre” (SMITH, 1998, p. 661).

Indução magnética

A indução magnética pode ser explicada por meio de um modelo de


solenóide com uma barra de ferro em seu interior.

FIGURA 24 - (A) CAMPO MAGNÉTICO AO REDOR DE UM SOLENOÓIDE; (B) MAGNÉTICO AO


REDOR DE UM SOLENOIDE COM A INSERÇÃO DE UMA BARRA DE FERRO

FONTE: Smith (1998, p. 661)

De acordo com Smith (1998), a corrente i passa por meio das solenoides
indicadas em (a) e (b) da figura anterior. Em (b) o campo se torna mais intenso
com a iserção da barra de ferro, isso ocorre porque o campo magnético gerado
é resultante da sobreposição dos campos da solenoide e do exterior da barra

104
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

magnetizada. O campo magnético adicional pode ser definido como indução


magnética ou densidade de fluxo (B) que correspode a soma entre o campo
aplicado e o campo externo gerado pela magnetização da barra (SMITH, 1998):

B =µ0 H + µ0 M =µ0 ( H + M ) (12)

em que,
 μ0 é a permeabilidade do espaço livre (4 π x10-7 T.m/A);
H é o campo aplicado (A/m);
M é o momento magnético induzido por unidade de volume, a barra. Ou
intensidade de magnetização (A/m).

A unidade de B é o Tesla (T).

Permeabilidade magnética

Como discutimos, quando um material como o ferro é colocado em um meio


com um campo magnético aplicado, ocorre um aumento da intensidade de campo
magnético e esse crescimento da magnetização é medido pela permeabilidade
magnética, uma grandeza que pode ser expressa por (SMITH, 1998):

B
µ= (13)
H

No vácuo µ0=4 π x10-7 T.m/A;

A permeabilidade magnética também pode ser dada por (SMITH, 1998):

µ
µr = (14)
µ0

µr é a permeabilidade relativa. E B pode ser expresso por:

B = µ0µr H (15)

A permeabilidade relativa mede a intensidade do campo magnético


induzido.

Em um material magnético, a permeabilidade magnética pode ser


mensurada pela permeabilidade inicial ou máxima. Esses materiais são facilmente
magnetizados e consequentemente possuem elevadas permeabilidades.

105
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Susceptibilidade magnética

De acordo com Smith (1998), a susceptibilidade magnética é um fator


de proporcionalidade dado que a magnetização de um material magnético é
proporcional ao campo aplicado, logo ele pode ser expresso por:

M
χm = (16)
H

Ou seja, é definida pelo quociente entre a intensidade de magnetização e


o campo magnético aplicado.

Observe na próxima tabela a susceptibilidade magnética para alguns


materiais.

TABELA 5 - SUSCEPTIBILIDADE MAGNÉTICA PARA ALGUNS MATERIAIS MAGNÉTICOS

FONTE: Smith (1998, p. 665)

Observe que os materiais paramagnéticos apresentam valores de


susceptibilidade positivos, ou seja, esses materiais apresentam uma capacidade
maior de se magnetizar quando submetidos a um campo magnético do que os
materiais diamagnéticos, que serão discutidos a seguir.

4 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS MAGNÉTICOS


Como discutimos anteriormente todos os materiais respondem de
alguma forma ao campo magnético, logo não há materiais não magnéticos. Mas,
vários comportamentos podem ser observados em diferentes tipos de materiais
quando submetidos a um campo magnético externo. Os principais tipos são:
diamagnéticos, paramagnéticos, ferromagnéticos e ferrimagnéticos.

106
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

Diamagnetismo

Para Callister (2007) diamagnetismo corresponde a uma forma fraca de


magnetismo cujas propriedades permanecem apenas enquanto o campo está
sendo aplicado. A magnitude da magnetização é bem reduzida e em sentido
oposto ao do campo aplicado. Desse modo a susceptibilidade é negativa (observe
a Tabela 5), o que implica que o campo B no vácuo é maior que em um material
sólido diamagnético. E a permeabilidade relativa é menor que um.

Dessa forma, se os materiais diamagnéticos forem colocados entre os


polos de um eletroímã com fortes propriedades magnéticas, eles serão atraídos
para a região cujo campo é mais fraco. O efeito de diamagnetismo ocorre em
todos os materiais, mas por ser fraco, ele é percebido apenas quando os demais
tipos de magnetismo não estão presentes.

Paramagnetismo

O paramagnetismo é resultante do alinhamento de átomos no sentido do
campo aplicado, mas o efeito desaparece quando o campo é retirado. Ou seja, os
momentos ou dipolos magnéticos passam a se orientar aleatoriamente.

Quando submetidos a um campo os dipolos se alinham individualmente


e na medida que eles se orientam a permeabilidade relativa se torna maior que
um e a susceptibilidade magnética positiva, conforme vimos na Tabela 5.

Nesses materiais, a agitação térmica ocasiona o desalinhamento dos


dipolos magnéticos e por esse motivo quando há um aumento da temperatura o
efeito diminui (SMITH, 1998); (CALLISTER, 2007).

Ferromagnetismo

Os materiais ferromagnéticos apresentam a importante propriedade de se


manterem magnetizados mesmo na ausência de um campo elétrico externo, ou
seja, o efeito magnético é permanente.

Conforme discutimos anteriormente os materiais diamagnéticos e


paramagnéticos permanecem magnetizados enquanto o campo magnético
externo permace atuando sobre eles. Em ferromagnéticos há a possibilidade de
manter ou eliminar campos intensos. Entre os mais importantes se destacam o
ferro (Fe), o cobalto (Co) e o níquel (Ni) e alguns metais de terras raras (SMITH,
1998); (CALLISTER, 2007).

A susceptibilidade magnética desses materiais é elevada e dessa forma


H<<M. A indução do campo magnético nesses materiais pode ser expressa por
(CALLISTER, 2007):

B ≅ µ0 M (17)

107
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

As propriedades ferromagnéticas que esses materiais possuem se devem


a forma como os spins dos elétrons se alinham. Camadas internas dos átomos são
preenchidas com elétrons de spins opostos e por esse motivo não há um momento
dipolar magnético resultante.

Nos materiais ferromagnéticos os elétrons 3d que não estão ligados são


responsáveis por esse efeito. O ferro, por exemplo, possui quatro elétrons 3d
desemparelhados. Em uma amostra de material ferromagnético em temperatura
ambiente esses elétrons podem se alinhar na mesma direção e sentido no processo
de magnetização espontânea. O alinhamento ocorre apenas em pequenas regiões
chamadas de domínio e se esses estiverem desorientados a magnetização não é
completa (SMITH, 1998).

FIGURA 25 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE DOMÍNIOS MAGNÉTICOS EM MATERIAL


FERROMAGNÉTICO

FONTE: Smith (1998, p. 671)

A figura anterior representa um modelo de magnetização incompleta.


Podemos observar que os dipolos magnéticos estão todos alinhados dentro de
cada domínio, no entanto as orientações dos domínios são aleatórias (SMITH,
1998).

De acordo com Callister (2007), no processo de magnetização há uma


taxa de saturação que é resultante da fase em que todos os momentos estão
alinhados com o campo aplicado externamente. A magnetização máxima é obtida
pelo produto entre o momento magnético líquido de cada átomo e o número de
átomos.

O número de momentos magnéticos líquido para os principais materiais


ferromagnéticos são apresentados na Tabela 6.

108
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

TABELA 6 - MOMENTOS MAGNÉTICOS DE MATERIAIS FERROMAGNÉTICOS

Elemento Número de momentos


magnéticos (Bohr)
Ferro (Fe) 2,22
Cobalto (Co) 1,72
Níquel (Ni) 0,60
FONTE: Callister (2007)

Ferrimagnetismo

Nos materiais cerâmicos os íons possuem diferentes momentos


magnéticos, então alguns dipolos podem se alinhar no sentido do campo e outros
podem se opor. Os materiais ferrimagnéticos mais conhecidos são as ferrites, a
maioria são cerâmicos e apresentam baixa condutividade. As perdas por corrente
parasita são menores que em materiais ferromagnéticos e por esse motivo podem
ser utilizadas em aplicações de alta frequência (SMITH, 1998); (ASKELAND,
FULAY E WRIGHT, 2011).

5 MAGNETIZAÇÃO E DESMAGNETIZAÇÃO DE UM METAL


FERROMAGNÉTICO
Os materiais ferromagnéticos são fortemente magnetizados quando
submetidos a um campo elétrico externo (H) e essa característica permanece
mesmo em um grau reduzido quando o campo é retirado (SMITH, 1998).

O processo de magnetização e desmagnetização desses materiais pode


ser representado por um anel de magnetização conhecido como curva ou anel de
histerese (SMITH, 1998). Essa curva é representada na figura seguinte.

FIGURA 26 - ANEL DE HISTERESE

FONTE: Smith (1998, p. 678)

109
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Na figura anterior um material ferromagnético é desmagnetizado em um


aquecimento lento em temperatura maior que à de Curie. Depois um campo é
aplicado (H). Observe que na medida em que (H) vai aumentando a densidade
magnética (B) também aumenta a partir de 0, no trecho OA. É atingida a saturação
no ponto A e permanece uma densidade remanescente Br. Para que a densidade
magnética permaneça um campo negativo ou força coercitiva é aplicada (Hc) e
se esse campo inverso continuar subindo, a densidade magnética de saturação é
atingida no ponto E. Após a retirada do campo inverso a densidade magnética
retorna à densidade remanescente em F, e se um novo campo positivo é aplicado,
a curva segue em F, G e A, formando o anel de histerese (SMITH, 1998).

NOTA

Em alguns materiais, o magnetismo diminui com o aumento da temperatura e


dissipa totalmente na temperatura de Curie. (MOREIRA, 2017).

6 ALGUNS MATERIAIS MAGNÉTICOS E SUAS APLICAÇÕES


De acordo com Smith (1998), os materiais magnéticos podem ser moles
ou duros. O material mole se magnetiza e desmagnetiza com facilidade e o duro
encontra dificuldade nesses processos.

Entre os materiais moles temos as ligas de ferro com 3 a 4 % de silício que


podem ser utilizadas em motores, geradores e transformadores. E para materiais
duros, os ímãs permanentes.

Ligas de ferro silício

As ligas de ferro silício são os materiais magnéticos moles de maior


utilização. O acréscimo de 3 a 4 % de silício apresenta vários benefícios (SMITH,
1998):

• aumenta a resistividade elétrica do aço reduzindo perdas de corrente de


Foucault;
• reduz a energia de magneto-anisotropia do ferro e eleva a permeabilidade
magnética;
• reduz as perdas por histerese e o ruído de transformadores.

110
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

E
IMPORTANT

“A anisotropia magnética reflete a dependência das propriedades magnéticas de


um material com a direção em que são medidas. A anisotropia magnética está intimamente
ligada à simetria da rede cristalina que resulta de interações intrínsecas e extrínsecas do
material. Assim como a simetria da rede, a distância entre os íons vizinhos e a intensidade dos
momentos magnéticos associados a tais íons ou átomos também são fatores determinantes
para a anisotropia magnética do material” (MEDEIROS, 2014, p. 15).

Apesar das vantagens que a adição do silício proporciona ao material, ele


também pode, por exemplo, diminuir a ductilidade e a temperatura de Curie do ferro,
por esse motivo o percentual adicional não deve ser superior a 4% (SMITH, 1998).

Como já discutimos, as ligas de ferro silício podem ser utilizadas em


transformadores. Elas são aplicadas no núcleo em forma de placas empilhadas
com espessuras que variam entre 0,025 e 0,035 cm (SMITH, 1998). Observe a
seguir um modelo de transformador constituído de ligas de ferro silício além de
outros materiais como ferrite e epóxi.

FIGURA 27 - TRANSFORMADOR COM NÚCLEO COMPOSTO DE FERRO-SILÍCIO E OUTROS


MATERIAIS

FONTE: <https://etnatransformadores.com.br/trafo-transformadores/>. Acesso em: 29 de jan. 2019.

DICAS

Para conhecer as características técnicas do transformador composto de ferro


silício, acesse: <https://etnatransformadores.com.br/trafo-transformadores/>.

111
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

Vidros metálicos

Segundo Smith (1998), os vidros metálicos são materiais metálicos com


estrutura não cristalina que diferem dos metais comuns que são cristalinos. Eles
consistem basicamente em combinações de ferromagnéticos como Fe e Co e os
metaloides B e Si, apresentam propriedades magnéticas e são moles.

Esses materiais são resistentes e podem ser magnetizados e


desmagnetizados com facilidade. Os limites dos domínios podem se mover com
facilidade.

São obtidos por meio de um processo de solidificação rápida. O vidro é


aquecido em alta velocidade, aproximadamente (106 ºC/s), sobre uma superfície
revestida de cobre. Eles podem ser utilizados em núcleos de transformadores de
potência, cabeçotes de gravadores e em sensores magnéticos.

FIGURA 28 - SENSOR DE CORRENTE DE VIDRO METÁLICO

FONTE: <https://www.p21.com.br/sensor-corrente-eletrica.html>. Acesso em: 29 jan. 2019.

A figura anterior apresenta um sensor fabricado com vidro metálico,


também conhecido como metal amorfo, capaz de realizar leitura de uma corrente
elétrica que passe por meio de um condutor.

DICAS

Você poderá obter mais informações sobre o sensor de corrente de vidro


metálico, acessando: <https://www.p21.com.br/sensor-corrente-eletrica.html>.

112
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

Ligas níquel ferro

São ligas que apresentam permeabilidade elevada em campos fracos.


A alta permeabilidade se deve as baixas energias de magneto-anisotropia e
magnetostricção. Podem ser utilizadas em equipamentos de comunicação com
alta sensibilidade de detecção e também de transmissão de sinais mais fracos, em
núcleos de fita bobinada e relés de instrumentos (SMITH, 1998).

E
IMPORTANT

“A magnetostricção é a propriedade dos materiais ferromagnéticos de se


deformarem pela presença de um campo magnético externo. Trata-se de uma propriedade
inerente ao material que não muda com o tempo, como pode acontecer com alguns
materiais ferroelétricos” (PACHECO, 2007, p. 15).

Os principais tipos de ligas níquel ferro são as que apresentam 50 %


de níquel e as que possuem aproximadamente 79 %. A liga composta por um
percentual menor de Ni possui permeabilidade moderada (SMITH, 1998).

Ligas de terras raras

As ligas de terras raras apresentam intensidade magnética superior a


muitos materiais. Os principais grupos são os magnetes monofásicos (SmCo5) e
Sm(Co, Cu)7,5. São obtidos por meio de técnicas de pulverometalurgia, a partir de
partículas com dimensões de 1 a 10 µm, depois são prensadas e alinhadas a um
campo magnético, em seguida são sinterizados (SMITH, 1998).

Os magnetes podem ser utilizados em relógios de pulso eletrônicos,


motores síncronos e de corrente contínua, instrumentos médicos como em
válvulas implantes, entre outros (SMITH, 1998).

FIGURA 29 - MOTOR ELÉTRICO DE CORRENTE CONTÍNUA

FONTE: <https://www.transtecno.com/pt-br/redutores-motoredutores/12v-24v-cc/motores-em-
corrente-contnua/>. Acesso em: 29 jan. 2019.

113
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

A figura anterior apresenta um motor elétrico de corrente contínua


constituído de magnetes permanentes que geram o campo magnético necessário
ao processo.

DICAS

Para adquirir mais informações sobre o motor elétrico de corrente contínua,


consulte suas características técnicas acessando: https://www.transtecno.com/wordpress/
wp-content/uploads/2017/10/219id-Transtecno-Permanent-magnet-12V-24V-DC-electric-
motors_150923-2.pdf.

7 SUPERCONDUTORES
A supercondutividade é um fenômeno elétrico, mas possui várias
características magnéticas e são utilizados principalmente em ímãs que geram
elevados campos (CALLISTER, 2007).

A condutividade em metais aumenta quando a temperatura diminui,


mesmo abaixo da temperatura ambiente. No entanto, os metais típicos
apresentam condutividade finita ao atingirem determinado valor de temperatura
(SHACKELFORD, 2008).

Alguns materiais atuam como exceção, o mercúrio, por exemplo, ao


atingir uma temperatura crítica, sua resistividade cai para zero e ele se torna um
supercondutor. Ele foi o primeiro material a apresentar esse comportamento,
em 1911, quando o cientista H. Karmerlingh Onnes realizava pesquisas sobre
liquefação e solidificação do hélio. Após essa descoberta, outros materiais
apresentaram propriedades semelhantes, tais como o nióbio (Nb) e o chumbo
(Pb) (SHACKELFORD, 2008).

Após vários estudos foi observado que o efeito era reversível e que ocorria
geralmente com materiais que possuíam baixa condutividade em temperatura
ambiente. Foi observado ainda que os metais puros apresentavam quedas
abruptas da resistividade ao atingirem a temperatura crítica, no entanto nas ligas
isso ocorria em um intervalo que podia variar de 1 a 2 K (SHACKELFORD, 2008).

A temperatura crítica dos supercondutores, ou seja, a temperatura em que


a resistividade se torna nula, varia de acordo com cada material (CALLISTER,
2007).

114
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

O efeito de supercondutividade é resultante da atração entre pares


de elétrons condutores. O movimento desses elétrons interligados se torna
coordenado de modo que vibrações térmicas ou mesmo impurezas não dissipam
o fenômeno. Dessa forma, como a resistividade é diretamente proporcional a
dispersão dos elétrons, mas conforme discutimos, esse espalhamento não ocorre
e então se tornará nula (CALLISTER, 2007).

Há dois tipos de supercondutores: I e II. Os que estão no tipo I se tornam


diamagnético quando estão sobre o efeito de supercondutividade. Nesse grupo
ocorre o efeito Meissner, ou seja, todo o campo magnético é retirado do material.
Ele permanece diamagnético mesmo que o campo aplicado aumente, e isso
permanece até que seja atingido o campo magnético crítico. Entre os principais
elementos estão o chumbo, alumínio e mercúrio (CALLISTER, 2007).

No tipo II eles são totalmente diamagnéticos em campos aplicados


com baixa intensidade. E na medida em que o campo vai aumentando ele vai
penetrando no material. Os materiais desse tipo apresentam temperatura e campo
magnético críticos superiores aos do tipo I. Os principais elementos são o nióbio-
zircônio (Nb-Zr) e o nióbio-titânio (Nb-Ti) (CALLISTER, 2007).

Os materiais supercondutores podem ser utilizados em aplicações da


biomedicina, geofísica, metrologia, ressonância magnética, reatores de fusão,
sensores e detectores, entre outros. Isso por causa de suas vantagens que abrangem
a ausência de dissipação do calor e de perdas na condução da eletricidade
(MOREIRA et al., 2002).

DICAS

Caro acadêmico! Você poderá visualizar uma experiência com materiais


supercondutores e algumas aplicações acessando: <https://www.youtube.com/
watch?v=Z4XEQVnIFmQ>. A versão legendada deste vídeo está disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=BHW1YdGY-00.

115
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

LEITURA COMPLEMENTAR

Resíduos de equipamentos elétricos: descarte de óleo isolante – Estudo de


caso no município de Rio Claro – SP

Alexandre Magnum Leme


Daniela Ferreira Ribeiro

INTRODUÇÃO

O cenário energético brasileiro é composto de um complexo sistema para


fornecer energia elétrica para todo o território nacional. Para o funcionamento
destes equipamentos elétricos se mostra necessário o uso de fluidos isolantes em
grandes quantidades em subestações de alta tensão, demandando quantidade
considerável de óleos isolantes. Estes produtos apresentam sérios riscos ao meio
ambiente e à saúde, portanto, medidas de proteção e prevenção à contaminação
são de grande importância.

Valente (2011) caracteriza o óleo isolante mineral como um hidrocarboneto


obtido do refino de petróleo, utilizado como isolante elétrico e refrigerante
térmico em equipamentos elétricos de potência. Este tipo de óleo é amplamente
utilizado em transformadores das redes elétricas de todo o país, bem como
em outros equipamentos existentes em subestações de energia. Estima-se que
aproximadamente 95% dos equipamentos presentes na planta de empresas
distribuidoras de energia elétrica no Brasil utilizam óleo isolante mineral.

Transformadores e capacitores antigos utilizam o óleo ascarel, caracterizado


como uma bifenila policlorada (PCB), com alto teor de cloro em sua fórmula
química, como óleo isolante dos equipamentos. Este produto apresenta um alto
teor de periculosidade, pois é tóxico, bioacumulativo e não biodegradável. Em
contato com o meio ambiente pode atingir o plâncton, afetando peixes, pássaros
e o homem através da cadeia alimentar. Além disso, produz efeitos teratogênicos
e carcinogênicos, lesões dermatológicas e alterações morfológicas nos dentes,
fígado e rins (ANTONELLO, 2006). A produção do ascarel foi gradativamente
sendo interrompida a partir de 1976, devido registros de contaminação ambiental.

Mesmo sendo biodegradável, o óleo mineral isolante é bastante nocivo


ao meio ambiente. Em caso de falhas ou vazamentos em transformadores, os
compostos de hidrocarbonetos, devido sua relativa alta solubilidade na água,
podem migrar, com infiltração da água de chuva, da superfície para a primeira
camada do lençol freático

116
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

Numericamente, a medida do potencial de contaminação de um fluido


é medido pelo seu nível de biodegradabilidade. Para o óleo mineral
este fator é muito baixo, sendo, de acordo com a norma OECD 301, de
apenas 10%. Isto significa que após 28 dias da entrada do óleo no meio
ambiente somente uma pequena parte dele é auto degradada. Assim
as falhas relativas a curto circuito, e vazamentos de óleo mineral em
geral são bastante nocivas ao meio ambiente (água, ar, solo), sendo
os custos, para tratar seus efeitos, bastante altos. (FRIEDENBERG,
SANTANA, p.9, 2014).

Além das preocupações envolvendo acidentes e vazamentos deve ser levado


em consideração que após um período de utilização dentro dos equipamentos,
o óleo isolante sofre um processo de envelhecimento, sendo necessária a sua
substituição. Entretanto, o processo de descarte do óleo apresenta-se como um
problema, pois este é altamente poluente ao meio ambiente. Segundo Thomaz et
al. (2016) um litro de óleo isolante mineral pode contaminar aproximadamente
um milhão de litros de água.

No trabalho é apresentado como estudo de caso, uma entrevista realizada


a uma empresa do setor energético localizada no município de Rio Claro, que atua
como terceirizada na realização de serviços de concessionárias de distribuição de
energia. A empresa realiza manutenção de equipamentos de manobra, proteção,
correção, regularização e recuperação de medidores de energia, logística,
manutenção e ensaios elétricos em transformadores de distribuição, serviços
e manutenções especializadas em subestações de até 138 kV, instrumentos e
ferramentas, cadeia reversa e painéis eletrônicos.

OBJETIVO

O objetivo do presente trabalho é apresentar quais são as medidas corretas


de disposição final de óleos isolantes, evitando a contaminação do meio ambiente,
obedecendo a legislação vigente e apresentar algumas soluções alternativas
propostas para a reutilização desse tipo de produto.

METODOLOGIA

A etapa inicial consistiu em uma pesquisa bibliográfica relacionada aos


temas: resíduos sólidos, com enfoque no óleo isolante; a disposição adequada
desse produto; a legislação ambiental vigente nas esferas municipais, estaduais e
federais; e os impactos ocasionados devido à disposição irregular do óleo isolante.

Em seguida foi realizada uma pesquisa com o responsável do setor de


meio ambiente na empresa utilizada como estudo de caso para a pesquisa, além
de uma visita técnica às instalações da empresa, dando enfoque aos locais de
armazenamento de óleo, tanto o óleo novo (que será utilizado para reabastecer o
equipamento) quanto o óleo antigo/utilizado (que será descartado).

117
UNIDADE 2 | MEDIDAS E MATERIAIS ELÉTRICOS

RESULTADOS OBTIDOS

Para melhor entendimento da utilização do óleo isolante foi realizado


uma entrevista em uma empresa que realiza a manutenção de equipamentos
de manobra, proteção, correção, regularização e recuperação de medidores
de energia, logística, manutenção e ensaios elétricos em transformadores de
distribuição, serviços e manutenções em subestações de até 138kV, instrumentos
e ferramentas, cadeia reversa e painéis eletrônicos.

Como já observado a empresa faz a manutenção de equipamentos


elétricos, ou seja, lida diretamente com o óleo isolante, realizando a troca do óleo
isolante usado por um novo, no momento da manutenção. A seguir apresenta-se
os resultados obtidos a partir da entrevista realizada:

1. Como ocorre o armazenamento de óleo isolante dentro da empresa (óleo novo


e óleo descartado)?
Resp. Dependendo da quantidade e o motivo pela qual ele veio para a empresa,
o óleo isolante sujo a recuperar, novo e recuperado é armazenado em tambores
de 200 litros, tanquinhos de 1000 litros e tanques de 15.000 litros em caixas de
contenção impermeabilizadas.
2. Como é feita a disposição final deste óleo? (Para onde vai o óleo sujo?) Para
qual empresa? Vocês sabem o que essa empresa faz com o óleo depois de levá-
lo?
Resp. O óleo que não é passível de tratamento, muito sujo, é descartado através
de CADRIs (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental)
às empresas receptoras que manufaturam transformando em diversos
produtos e finalidades: queima controlada clinquerização, e transformação e
desengripantes como WD.
3. Qual o procedimento em caso de contaminação do solo por óleo?
Resp. Em caso de derramamento em piso cimentado impermeabilizado,
é aplicado serragem pó de serra, turfa e ou cimento e em seguida é lavado
com um produto desagregador biodegradável de nome MEKO, em caso de
derramamento em terra ou brita, se faz a retirada desse material na quantidade
necessária, até não ter mais vestígios, a terra/brita é então recomposta e o
resíduo é descartado através de CADRIs.
4. Como é realizado o descarte de peças, panos e serragens com óleo?
Resp. Após coleta nas áreas produtivas, esses resíduos são descartados em
caçambas apropriadas, armazenadas no DTR - Deposito Temporário de
Resíduos, que quando cheias são encaminhadas a empresa gerenciadora desses
resíduos, onde são pesados e emitido os CDRs - certificados de destinação de
Resíduos Classe I.
5. Vocês já receberam óleo contaminado com PCB's (Ascarel)? Qual o procedimento
nesses casos?
Resp. Não. Os equipamentos para manutenção com óleo isolante que recebemos,
já vem com o óleo ensaiado em laboratórios credenciados com teores abaixo de
50 ppm de PCB, índice que não é considerado contaminado de acordo com a
NBR-8371.

118
TÓPICO 3 | MATERIAIS MAGNÉTICOS

6. Há algum tipo de campanha ou preocupação com o manuseio desse óleo pelos


colaboradores da empresa?
Resp. Campanha Não, preocupação sempre, porém periodicamente nas
reuniões de segurança / meio ambiente são tratados desses assuntos. Quanto
ao óleo de cozinha temos uma campanha permanente que arrecada óleo usado
que é encaminhado ao ONG Planeta Azul.

Durante a visita técnica foi possível observar as instalações que foram


coincidentes com o apresentado na entrevista, entretanto não foi possível
fotografar o interior da empresa, nem os locais de armazenamento de óleo,
entretanto nota-se uma ausência do conhecimento dos perigos da utilização
do óleo isolante nos colaboradores da empresa, que mantém o contato direto
com o óleo, e são responsáveis pela rápida tomada de decisão no momento de
contaminação por vazamento desse produto.

CONCLUSÕES

O óleo isolante é um produto perigoso, mesmo não estando contaminado


com Ascarel (teor abaixo de 50 ppm), e sua destinação deve se dar dentro do
exigido perante a lei, pois o risco do despejo de óleo no solo ou em rios e lagos é
desastroso e sua contaminação é alta.

O óleo isolante sempre que possível deve ser tratado para reutilização,
e somente quando não for passível de tratamento deve ser descartado, sempre
através de CADRIs para destinações apropriadas e certificadas.

Em caso de contato com o meio ambiente, a resposta ao acidente deve ser


rápida e buscar reduzir ao máximo o impacto a esse meio, como por exemplo
a utilização de serragem, pó de serra e turfa, no local atingido ou a retirada
desse material até não haver vestígios de contaminação, portanto os cuidados
a serem tomados na manutenção destes equipamentos, prevenindo vazamentos
e falhas devem ser priorizados para que os efeitos de um acidente possam ser
minimizados e até evitados.

FONTE: <http://soac.eesc.usp.br/index.php/sirs/vsirs/paper/viewFile/785/399> Acesso em: 26


mar. 2019.

119
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• Vários instrumentos tecnológicos modernos estão associados ao magnetismo,


tais como: geração de potência elétrica, motores elétricos, telefones,
computadores, televisores, entre outros.

• As forças magnéticas são geradas por meio da movimentação de partículas


carregadas eletricamente. A região em que há atração entre as partículas ou
presença de campo elétrico pode ser representada por linhas de fluxo magnético
que são geradas por um anel de corrente elétrica.

• Os materiais respondem de alguma forma ao campo magnético e desse modo


podem ser classificados como: diamagnéticos, paramagnéticos, ferromagnéticos
e ferrimagnéticos.

• A supercondutividade é um fenômeno elétrico, mas possui várias características


magnéticas e são utilizados principalmente em ímãs que geram elevados
campos.

120
AUTOATIVIDADE

1 Com base no estudo do Tópico 3, defina indução, permeabilidade e


susceptibilidade magnética.

2 Discuta as principais características dos materiais diamagnéticos,


paramagnéticos, ferromagnéticos e ferrimagnéticos. Cite seus principais
elementos.

3 Discuta a supercondutividade e suas principais aplicações.

121
122
UNIDADE 3

MEDIDAS ELÉTRICAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender os principais conceitos de medidas;

• compreender o que é o Sistema Internacional de Medidas e o que ele esta-


belece;

• conhecer as características que definem as medidas elétricas;

• conhecer as principais grandezas e instrumentos elétricos.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – CONCEITOS DE MEDIDA

TÓPICO 2 – MEDIDAS ELÉTRICAS

123
124
UNIDADE 3
TÓPICO 1
CONCEITOS DE MEDIDA

1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Nas Unidades 1 e 2 estudamos as principais propriedades
dos materiais, o que são e como funcionam, de acordo com sua classificação:
condutores, isolantes ou dielétricos e magnéticos. Com os conceitos estudados
nestas unidades nos preparamos para realizar escolhas adequadas de materiais
de acordo com suas características e aplicações.

Na Unidade 3 iniciaremos o estudo de medidas elétricas. Para Stout


(1974) os padrões elétricos exatos são importantes para o engenheiro de forma
semelhante a um sinal horário preciso para um navegador. As unidades de
medida confiáveis são essenciais ao progresso técnico em qualquer área.

Os instrumentos de medida são o meio utilizado para mensurar uma


variável ou quantidade física. A utilização da mão humana para determinar a
temperatura de um objeto ou mesmo a contagem de passos dos pés para medir
uma área não são métodos precisos de obtenção de resultado. Por esse motivo, de
acordo com Lira (2004, p. 15):

Os instrumentos de medida, portanto, servem como uma extensão


das faculdades humanas, e podem ser tão simples como um gabarito,
uma escala, ou um galvanômetro. Com a evolução da tecnologia e das
técnicas de medição, os instrumentos passaram a ser mais elaborados
e de melhor exatidão, de múltiplos recursos e usos, exigindo do
seu operador o conhecimento do princípio de funcionamento e dos
recursos incoporados, para utilizá-los de maneira eficiente.

Um operador precisa estar ciente de vários fatores que abrangem a


medição, como por exemplo, alguns termos da metrologia que auxiliarão na
interpretação dos resultados. Dessa forma, estudaremos no Tópico 1 os conceitos
fundamentais que envolvem as medidas, que servirão de base para o estudo do
Tópico 2.

Boa leitura!

125
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM MEDIDAS


Alguns conceitos fundamentais são importantes para o entendimento das
medidas elétricas. Neste tópico estudaremos aqueles que servirão de base para a
compreensão das medidas.

E
IMPORTANT

Conceito de metrologia:
“Ciência da medição que abrange todos os aspectos teóricos e práticos relativos às medições,
qualquer que seja a incerteza, em quaisquer campos da ciência ou tecnologia” (INMETRO.
VIM - 2. ed. Brasília, SENAI/DN, 2000, 75 p). Saiba mais a respeito do conceito de metrologia,
acessando: <http://www.inmetro.rs.gov.br/cicmac/material_didatico/polig_conceito_
metrologia.pdf>. Acesso em 11 fev. 2019.

2.1 PRECISÃO E EXATIDÃO


Os termos precisão e exatidão são utilizados no exame de incertezas
de valores obtidos em medições. De acordo com Lira (2004), a precisão está
relacionada com a dispersão dos resultados de medidas. É quantificada como o
desvio padrão de um conjunto de medidas. E a exatidão, por sua vez, corresponde
à aproximação do valor verdadeiro e pode ser expressa como desvio de um valor
conhecido. Observe a Figura 1.

FIGURA 1 - PRECISÃO E EXATIDÃO

FONTE: <http://www.unityinstrumentos.com.br/voce-conhece-a-diferenca-entre-precisao-e-
exatidao/>. Acesso em: 12 fev. 2019.

Na Figura 1 é possível observar modelos de efeitos de precisão e exatidão.


Em (a) observamos que os pontos estão dispostos de modo que não há precisão
ou exatidão, ou seja, há elevada dispersão dos resultados e de erros aleatórios. Na
Figura 1 (b) há precisão, mas não há exatidão. Ao contrário de (c) em que não há
precisão, mas há exatidão. Em (d) há precisão e exatidão.

126
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

O termo precisão também pode ser encontrado como repetitividade. De


acordo com Lira (2004):

Quando você tiver um instrumento utilizado sob as mesmas


condições, com o mesmo operador, mesmo processo de medição, no
mesmo local e com um pequeno intervalo de tempo entre a tomada
das medições, então as características de dispersão das indicações em
termos quantitativos podem ser expressas pela repetitividade (LIRA,
2004, p. 16).

2.2 ALGARISMO SIGNIFICATIVO


O resultado que é obtido por meio da medição é expresso em uma
grandeza física. De acordo com (O IPEM-SP, 2013), é importante diferenciar o
valor que foi obtido da medição daquele que foi arredondado numericamente.
Dessa forma, a partir de um valor adquirido na medição, os algarismos que são
considerados significativos são aqueles contados da esquerda para a direita a
partir do primeiro algarismo diferente de zero. Como exemplo, em 0,0595 há três
algarismos significativos.

Considere o exemplo apresentado por Lira (2004): com uma trena,


buscamos medir uma barra metálica com divisões da escala marcadas em cm
cujo valor da divisão é equivalente a 1 cm, observe a Figura 2.

FIGURA 2 - BARRA METÁLICA

FONTE: Lira (2004, p. 17)

Na Figura 2 podemos observar que o comprimento AB é maior que 13 cm e


menor que 14 cm, e o intervalo entre essas duas marcações que é equivalente a 1 cm,
não pode ser medido, mas pode ser estimado pelo operador ou experimentador.
Uma pessoa C pode medir e considerar que o comprimento é igual a 13,8 cm
(AB) e uma pessoa D pode realizar a mesma medição e quantificar como 13,7 cm.
Dessa forma, observamos que 13 é um número exato e, o 7 e 8 correspondem a
algarismos duvidosos. É importante destacar que o resultado da medida só pode
ser constituído por algarismos exatos e um único algarismo duvidoso, conforme
o exemplo Lira (2004).

Os algarismos significativos também podem ser compreendidos como


aqueles que são necessários na notação científica, com exceção do expoente,
observe os exemplos (Lira, 2004):

127
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• 2 = 2 x 100 (possui um algarismo significativo);


• 9,0 = 90 x 10-1 (possui dois algarismos significativos);
• 1, 001 = 1001 x 10-3 (possui quatro algarismos significativos).

Em relação aos zeros à direita ou à esquerda, é importante destacar que


os que estão à esquerda do primeiro algarismo exato ou correto, antes ou depois
da vírgula, não são significativos. Demonstra apenas a unidade ou múltiplos e
submúltiplos. No entanto, os que estão localizados à direita do resultado, são
significativos (O IPEM-SP, 2013). Por exemplo: 0, 0320 kg possui três algarismos
significativos, enquanto 0, 032 kg tem apenas dois.

E
IMPORTANT

“Grandeza é a propriedade de um fenômeno, corpo ou substância, que pode


ser expressa quantitativamente sob a forma de um número e de uma referência” (TOLEDO,
2014, p. 31).

2.3 TÉCNICAS DE ARREDONDAMENTO


Para compatibilização dos valores ou mesmo para expressá-los com um
número menor de algarismos, os resultados obtidos em uma medição podem ser
submetidos à manipulação numérica (LIRA, 2004). Essa manipulação numérica
deve ocorrer de forma padronizada, de modo que todos possam realizar
alterações homogêneas dos números. Dessa forma, é necessário observar algumas
características e realizar algumas etapas (LIRA, 2004) e (Resolução 886/66-IBGE):

• Inicialmente é necessário identificar a quantidade de algarismos significativos


que deve ficar no final de uma operação;
• Caso o algarismo à direita do último que se deseja representar seja inferior
a cinco, por exemplo, os dígitos à direita podem ser desprezados. Observe
o exemplo: se desejo apresentar um resultado com apenas três algarismos
significativos, então 3, 14159 = 3, 14. Observe que o algarismo após o terceiro
significativo é um, que é inferior a cinco;
• Se o algarismo à direita do último que se deseja representar seja superior a cinco,
uma unidade é adicionada ao último dígito que gostaria de representar e os
demais podem ser desprezados. Por exemplo, se desejo apresentar o resultado
com cinco algarismos significativos, então 3, 141592 = 3,1416. Observe que o
número após o quinto significativo é igual a nove, ou seja, maior que cinco.
Isso resulta em uma unidade adicional no quinto significativo que o torna
igual a seis;
• Se o cinco for o último algarismo após o que será mantido, ou se ele for seguido
de zeros, podem ocorrer duas situações:

128
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

ᵒ caso o último número que será mantido seja ímpar, ele aumentará em uma
unidade, por exemplo, 2, 7500 = 2,8.
ᵒ E se for par, o último número que se deseja manter permanecerá o mesmo.
Ou seja, 2, 6500 = 2,6.

2.4 ERRO DE ARREDONDAMENTO


De acordo com Lira (2004) o erro ocasionado pelo arredondamento é
de meia unidade dos algarismos que não foram eliminados. Os números são,
geralmente, advindos de um arredondamento, logo portam um erro implícito.

Como exemplo: 18,4 pode ser resultante de 18,45 ou 18,35, de acordo com
as regras que vimos anteriormente. Dessa forma, o erro máximo implícito do
exemplo é de 0,05 unidades. Conseguimos observar que a substituição de um
número ao realizarmos o arredondamento gera a noção de erro.

3 SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES


De acordo com Lira (2004, p. 25) o Sistema Internacional de Unidades
(SI) “é o fundamento da metrologia moderna”. Para Santos et al., (2012, p. 7) a
metrologia é importante no desenvolvimento de organizações: “a consolidação
da cultura metrológica é estratégica para o desenvolvimento das organizações.
Ela contribui para ganhos de produtividade, qualidade dos produtos e serviços,
redução de custos, eliminação de desperdícios e relações comerciais mais justas”.

A consolidação dessas metas discutidas na citação requer o atendimento


de algumas ações que vêm sendo coordenadas pelo Bureau Internacional de
Pesos e Medidas (BIPM), que possui como um dos objetivos principais apresentar
definições do Sistema Internacional de Medidas:

O BIPM, localizado em Paris, tem a responsabilidade de: a) estabelecer


os padrões das grandezas fundamentais e as escalas das principais
grandezas físicas e conservar os padrões internacionais; b) efetuar
a comparação de padrões nacionais e internacionais; c) assegurar a
coordenação das técnicas de medição correspondentes; e d) efetuar e
coordenar as determinações relativas às constantes físicas que intervêm
nas atividades supracitadas (condições de temperatura, umidade etc.)
(TOLEDO, 2014, p. 52).

O Bureau foi criado em 20 de maio de 1875 pela Convenção do Metro, em


Paris, intencionando a formulação de um sistema de medidas único. Em 1889,
as primeiras definições estabelecidas no Bureau foram aprovadas e adotadas
formalmente pela primeira Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM). O
sistema evoluiu ao longo dos anos adicionando unidades de medida e em 1960
o CGPM estabeleceu que o sistema seria definido como Sistema Internacional
de Medidas (SI), que advém do nome francês Système International d’Unités. O

129
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

SI evolui de acordo com as exigências e necessidades mundiais nos campos de


atividades humanas, ciência e tecnologia, ou seja, não é um sistema estático
(SANTOS et al., 2012).

As unidades são definidas a partir de experiências que são realizadas


em Laboratórios Nacionais. Algumas unidades podem ser definidas a partir
de outras, como por exemplo, o volt, que pode ser obtido a partir do metro,
quilograma e segundo. O Sistema Internacional de Medidas é constituído de sete
unidades de base, que são referências para as demais, 19 unidades derivadas e
duas derivadas, mas que são adimensionais, formando um conjunto total de 28
unidades (LIRA, 2004).

Observe no Quadro 1 as sete unidades de base. Adiante, ao estudarmos os


padrões de medida, obteremos mais informações sobre essas unidades.

QUADRO 1 - UNIDADES DE BASE

Grandeza Nome Símbolo Definição


Comprimento Metro m Distância percorrida pela luz no
vácuo durante um intervalo de
tempo de 1/299.792.458 segundo.
Massa quilograma kg A massa é a única unidade ainda
definida como artefato físico
(protótipo internacional do
quilograma). Consiste em um cilindro
de liga platina-irídio conservado no
BIPM em Sèvres, França.
Tempo segundo s Duração de 9.192.631.770 períodos da
radiação correspondente à transição
entre os dois níveis hiperfinos do
estado fundamental do átomo de
césio 133.
Corrente ampère A Corrente elétrica invariável que,
elétrica mantida em dois condutores
retilíneos, paralelos, de comprimento
infinito e da área de seção transversal
desprezível e situados no vácuo a 1
m de distância um do outro, produz
entre esses condutores uma força
igual a 2x10-7 newton, por metro de
comprimento desses condutores.
Observação: ampère também é
unidade de força magnetomotriz.
Temperatura kelvin K Fração 1/273, 16 da temperatura
termodinâmica termodinâmica do ponto tríplice da
água.

130
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

Intensidade candela cd Intensidade luminosa em uma dada


luminosa direção, de uma fonte que emite
uma radiação monocromática de
frequência 540x1012 hertz e cuja
intensidade energética naquela
direção é de 1/683 watt por
esterradiano.
Quantidade de mol mol Quantidade de matéria de um
matéria sistema que contém tantas entidades
elementares quantos são os átomos
contidos em 0, 012 quilograma de
carbono 12.
FONTE: Lira (2004, p. 26)

De acordo com Lira (2004), em relação à unidade, segundo o Comitê


Consultivo para a Definição do Segundo, acrescentou a sua definição a seguinte
informação: “na aplicação, as medidas devem ser corrigidas levando em conta a
velocidade dos átomos de césio em relação ao referencial do relógio, os campos
magnéticos e elétricos, a troca de spins e outras eventuais perturbações” (LIRA,
2004, p. 27).

Além das unidades base apresentadas no Quadro 1, há as derivadas


dessas que são definidas nos Quadros 2 e 3.

QUADRO 2 - UNIDADES DERIVADAS ADIMENSIONAIS


Grandeza Nome Símbolo Definição
Ângulo radiano rad Ângulo central que subtende um
plano arco de círculo de comprimento igual
ao do respectivo raio.
Ângulo esterradiano sr Ângulo sólido que tendo vértice
sólido no centro de uma esfera subtende
na superfície uma área igual ao
quadrado do raio da esfera.
FONTE: Lira (2004, p. 27)

No Quadro 3 estão detalhadas as unidades de medida derivadas.

131
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

QUADRO 3 - UNIDADES DERIVADAS

Grandeza Nome
Símbolo Definição
Frequência hertz
Hz Frequência de um fenômeno periódico
cujo período é de um segundo.
Força newton N Força que comunica à massa de um
quilograma a aceleração de um metro
por segundo, por segundo.
Pressão pascal Pa Pressão exercida por uma força de um
Newton, uniformemente distribuída
sobre uma superfície plana de um metro
quadrado de área, perpendicular à
direção da força.
Trabalho, joule J Trabalho realizado por uma força
Energia, constante de um Newton, que desloca
Quantidade de seu ponto de aplicação de um metro da
calor sua direção.
Potência, fluxo watt W Potência desenvolvida quando se
de energia realiza, de maneira contínua e uniforme,
o trabalho de um joule em um segundo.
Carga elétrica coulomb C Carga elétrica que atravessa, em um
(quantidade de segundo, uma seção transversal de um
eletricidade) condutor percorrido por uma constante
invariável de um ampère.
Gradiente volt por V/m Gradiente de potencial uniforme que
de potencial, metro se verifica em um meio homogêneo
Intensidade de e isótropo, quando é de uma volta
campo elétrico diferença de potência, entre dois planos
equipotenciais situado a um metro de
distância um do outro.
Resistência ohm Ω Resistência elétrica de um elemento
elétrica passivo de circuito que é percorrido por
uma corrente invariável de um ampère,
quando uma tensão elétrica constante de
um volt é aplicada aos seus terminais.
Condutância siemens S Condutância de um elemento passivo de
circuito cuja resistência elétrica é de um
ohm.
Capacitância farad F Capacitância de um elemento passivo de
circuito, entre cujos terminais a tensão
elétrica varia uniformemente à razão de
um volt por segundo, quando percorrido
por uma corrente invariável de um
ampère.

132
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

Indutância henry H Indutância de um elemento passivo de


circuito, entre cujos terminais se induz
uma tensão constante de um volt, quando
percorrido por uma corrente que varia
uniformemente à razão de um ampère
por segundo.
Indução tesla T Indução magnética uniforme que produz
magnética uma força constante de um Newton
por metro de um condutor retilíneo
situado no vácuo e percorrido por uma
corrente invariável de um ampère, sendo
perpendiculares entre si as direções
da indução magnética, da força e da
corrente.
Fluxo weber Wb Fluxo magnético uniforme através de
magnético uma superfície plana de área igual a um
metro quadrado, perpendicular à direção
de uma indução magnética uniforme de
um tesla.
Temperatura Grau ºC Intervalo de temperatura unitário igual a
Celsius Celsius um kelvin, numa escala de temperaturas
em que o ponto 0 coincide 273, 15 kelvins.
Fluxo lúmen Lm Fluxo luminoso emitido por uma fonte
luminoso puntiforme e invariável de uma candela,
de mesmo valor em todas as direções,
no interior de um ângulo sólido de um
esterradiano.
Iluminamento lux lx Iluminamento de uma superfície plana
de um metro quadrado de área sobre a
qual incide perpendicularmente um fluxo
luminoso de um lúmen uniformemente
distribuído.
Atividade becquerel Bq Atividade de um material radioativo
no qual se produz uma desintegração
nuclear por segundo.
Dose gray Gy Dose de radiação ionizante absorvida
absorvida uniformemente por uma porção de
matéria, à razão de um joule por
quilograma de sua massa.
Equivalente de sievert Sv Equivalente de dose de uma radiação
dose igual a um joule por quilograma.
FONTE: Lira (2004, p. 27, 28 e 29)

O Sistema Internacional de Unidades abrange as unidades especificadas


nos Quadros 1, 2 e 3 e também os prefixos que são apresentados no Quadro 4.

133
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

QUADRO 4 - PREFIXOS DO SI

Nome Símbolo Multiplicador


yotta Y 1024
Zetta Z 1021
exa E 1018
peta P 1015
tera T 1012
giga G 109
mega M 106
quilo k 103
hecto h 102
deca da 101
deci d 10-1
centi c 10-2
mili m 10-3
micro µ 10-6
nano n 10-9
pico p 10-12
femto f 10-15
atto a 10-18
zepto z 10-21
yocto y 10-24
FONTE: Lira (2004, p. 29-30)

De acordo com Lira (2004), os prefixos da Tabela 4 podem ser utilizados


por unidades que não são pertencentes ao Sistema Internacional de Medidas.

E
IMPORTANT

Um conceito importante a ser relembrado e que possui relação com os prefixos


SI é a notação científica. Em ciências, especialmente na física, é muito comum ter que expressar
números que ora são muito grandes, ora muito pequenos. Por isso, é conveniente se utilizar
a chamada notação científica, onde os números são expressos de uma forma compacta,
que dê uma ideia clara de sua magnitude e ordem de grandeza. A ideia básica desta notação
é bem simples: utilizar potências de 10, ao invés de escrever todos os algarismos decimais
do número original. Na notação científica o que se faz é expressar o número de interesse
em duas partes: a mantissa e a potência de 10 ou expoente. O valor absoluto (módulo)
da mantissa deve ser maior que 1 e menor que 10, e o expoente fornece a potência de 10
correspondente; isto é, quantas vezes a mantissa deve ser multiplicada por 10 para reproduzir
o número original. Por exemplo: o tamanho típico do átomo é 0,0000000001 m = 1x10-10 m.

FONTE: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1118013/mod_resource/content/0/
PrefixosSI%2BNotacaoCientifica.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2019.

134
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

4 PADRÕES DE MEDIDA
De acordo com Lira (2004), as unidades de medida possuem uma
definição, uma realização e uma representação. A definição é considerada
como uma unidade ideal e que faz parte do SI, a realização é obtida por meio
de experimentos realizados em laboratório nacional, em que os resultados são
próximos da definição. Após os resultados dessa última etapa serem obtidos, o
laboratório mantém o valor ou representação como o padrão mais elevado, que
funciona como referência para outros resultados.

Entre as definições de padrões de medida podemos destacar o metro,


o tempo, a massa, a força, a pressão, a temperatura e a quantidade de matéria
(TOLEDO, 2014).

• Metro Padrão – o padrão metro é recomendado pelo Instituto Nacional de


Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), baseado na velocidade da luz a
partir da determinação da CGPM, em 1983. As definições que foram assumidas
posteriormente a essa decisão apenas estabeleceram o valor da unidade com
mais exatidão (TOLEDO, 2014).

Verifique a seguir os principais múltiplos e submúltiplos do metro.

QUADRO 5 - DIVISÕES DO METRO

Nome Valor Símbolo


1 quilômetro 103 m km
1 hectômetro 102 m hm
1 decâmetro 101 m dam
1 metro 100 m m
1 decímetro 10-1 m dm
1 centímetro 10-2 m cm
1 milímetro 10-3 m mm
1 micrometro 10-6 m µm
1 nanometro 10-9 m nm
FONTE: TOLEDO (2014, p. 53)

• Padrão de tempo - de acordo com Toledo (2014), a frequência das radiações do


átomo possibilita a determinação do segundo. Isso ocorre quando os átomos
são excitados e as radiações monocromáticas são emitidas. Segundo o autor, “a
radiação do césio é a referência para estabilizar a frequência de um oscilador
de quartzo. A exatidão da escala de tempo atômica pode ser comparada a um
relógio que, em um milhão de anos, apresenta uma variação de menos de um
segundo” (TOLEDO, 2014, p. 53).

135
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• Padrão de massa - o quilograma é uma unidade que pode ser representada


por um protótipo internacional. O seu formato possui medidas que reduzem
alterações do padrão, corresponde a um cilindro composto de 90% de platina
e 10% de irídio com 39 mm de altura e diâmetro. As medições ocorrem no ar
sendo necessária a correção do empuxo do ar (TOLEDO, 2014).

• Padrão de força - a unidade de força é o newton (N), na prática a sua realização


utiliza uma massa (m) e a gravidade (g). A força peso (P) pode ser obtida por
meio da suspensão da massa (m) submetida ao campo gravitacional do local
(TOLEDO, 2014).

• Padrão de pressão - a unidade de pressão é o Pascal (Pa) que pode ser medida
para pressões baixas e também para qualquer intervalo de pressão. Para os
valores mais baixos (centenas de kPa), os valores podem ser mensurados por
uma coluna de mercúrio (manômetro). Já para qualquer outra faixa de pressão
podem ser obtidos a partir de uma balança de pressão (TOLEDO, 2014).

• Padrão de temperatura – o estado térmico de um mensurando é obtido a partir


da temperatura termodinâmica (T). Para formar a base da Escola Internacional
de Temperatura de 1990 são utilizados pontos fixos de temperatura, esses
pontos são as transições de fase de corpos puros, como por exemplo, o ponto
de solidificação, de fusão, entre outros (TOLEDO, 2014).

• Padrão de quantidade de matéria - o mol é a unidade que representa a quantidade


de matéria. O mol pode ser obtido contando o número de constituintes de uma
amostra e dividindo pela constante de Avogadro (TOLEDO, 2014).

De acordo com Lira (2009), conforme citado por Toledo (2014, p. 55),
uma forma de determinar uma quantidade física pode envolver características da
pessoa. Por exemplo:

Um juiz de futebol mede a distância entre a bola e a barreira contando


11 passos (que corresponderiam a 9,15 m), uma pessoa mede a
temperatura de um objeto por meio das mãos e pode também calcular
outras grandezas utilizando o tato, o olfato e a visão. Entretanto, em
qualquer um desses casos, não será possível afirmar com certeza o
valor da grandeza medida (TOLEDO, 2014, p. 55).

136
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

NOTA

“Um (1) mol equivale à massa em gramas de 6, 02 x 1023 (constante de


Avogadro) partículas, e a massa molar de qualquer substância é indicada em gramas/mol. A
massa molar do oxigênio (O2), por exemplo, é igual a 32 g/mol” (TOLEDO, 2014, p. 55).

Constante de Avogadro é o número de moléculas existentes na molécula-grama de


qualquer corpo. É também o número de átomos existentes no átomo-grama de qualquer
elemento. É uma constante importante em Física Atômica e Nuclear. N = 6, 0251 x 1023.
Disponível em: <http://efisica.if.usp.br/moderna/materia/avogadro/>. Acesso em: 26 fev. 2019.

4.1 HIERARQUIA DE PRECISÃO E EXATIDÃO


Os padrões são organizados em sequência a partir da hierarquia superior
seguindo para as de uso mais prático e correspondem a (TOLEDO, 2014):

a) Padrões internacionais: é reconhecido por um acordo internacional e serve


como base para fixação de valores referentes a outros padrões de grandeza.
Esses valores são testados com frequência por meio de medições absolutas;
b) Padrões primários ou nacionais: a manutenção dos padrões primários ou
nacionais, no Brasil, é de responsabilidade do Inmetro. O instituto pode
credenciar laboratórios que formam a Rede Brasileira de Calibração (RBC) e a
Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios (RBLE), que constituem referências
para calibrações secundárias. Os padrões desta hierarquia possuem elevadas
qualidades metrológicas;
c) Padrões secundários ou padrões de referência dos laboratórios de calibração
e ensaios: São aqueles utilizados em laboratórios industriais, geralmente são
mantidos por uma empresa particular. Eles são encaminhados aos laboratórios
nacionais para comparação com os padrões secundários;
d) Padrões de trabalho: São utilizados em testes de instrumentos de laboratório
ou de aplicações industriais diretas. Os valores mensurados em laboratórios de
empresas ou em operações nas fábricas são comparados ao resultado padrão
de um nível hierárquico superior. A confiabilidade dos resultados pode ser
obtida por meio da comparabilidade ou reprodutibilidade dos valores que
foram medidos.

Veja a seguir o esquema de hierarquia do sistema.

137
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 3 - HIERARQUIA DO SISTEMA

FONTE: Toledo (2014, p. 56)

NOTA

Confiabilidade ou reprodutibilidade é a capacidade (do teste) de proporcionar


medidas estáveis e consistentes em várias tentativas e ao longo do tempo (Precisão da
medida). A medida repetida duas ou mais vezes em um curto intervalo de tempo, deve
apresentar os mesmos resultados ou uma alta correlação entre eles.
FONTE: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3124738/mod_resource/content/1/
AULA%202%20-%20Crit%C3%A9rios%20sele%C3%A7%C3%A3o%20testes%20%2B%20
an%C3%A1lise%20dados.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2019.

5 ERROS DE MEDIÇÃO
De acordo com Lira (2004), o erro de medição corresponde ao resultado
que foi medido subtraindo-se o valor verdadeiro ou convencional do objeto da
medição, também conhecido como mensurando. Por exemplo: uma balança é
calibrada com uma massa de 10,000 kg, mas demonstra um valor de 9,96 kg. O
erro de medição será dado por 9,96 – 10,000 = - 0, 04 kg.

Alguns erros ocasionam influências adicionais a esses erros e com base


na causa ou origem dos erros cometidos, eles podem ser classificados em:
sistemáticos, aleatórios ou acidentais e grosseiros (LIRA, 2004); (FILHO, 1981).
Vamos discuti-los a seguir.

5.1 ERRO SISTEMÁTICO


De acordo com Lira (2004, p. 67), erro sistemático corresponde a “média de
um número infinito de medições de um mesmo mensurando e o valor verdadeiro
do mensurando quando são obedecidas as condições de repetitividade”.

138
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

O erro pode ser ocasionado por desgaste do sistema de medição, por


fatores ambientais, entre outros. Pode ser de difícil previsão, pois na maioria das
vezes não se mantém constante (LIRA, 2004).

Para Baratto et al., (2008, p. 5),

O erro sistemático, assim como o erro aleatório, não pode ser


eliminado, porém ele também, frequentemente, pode ser reduzido.
Se um erro sistemático se origina de um efeito reconhecido de uma
grandeza de influência em um resultado de medição, [...], o efeito
pode ser quantificado e, se for significativo com relação à exatidão
requerida da medição, uma correção [...] ou fator de correção [...] pode
ser aplicado para compensar o efeito).

Se considerarmos as características do processo de medição ele pode ser


mensurado seguindo o seguinte exemplo apresentado em Lira (2004): considere
uma série de dez medições de um bloco com dimensão de 25 mm utilizando um
micrômetro digital com valor de uma divisão de 0,001 mm, as leituras obtidas
foram: 25,003 mm, 25,003 mm, 25,004 mm, 25,003 mm, 25,004 mm, 25,003 mm,
25,003 mm, 25,004 mm, 25,003 mm, 25,000 mm. Nesse caso, segundo o autor, a
última medida que equivale a 25,000 mm deve ser desprezada ou repetida, pois
sua variação foi diferente das demais. Dessa forma a média é de 25,003 mm e o
erro é de 0,0033 mm.

A obtenção de infinitas medições é inatingível, desse modo a média


aritmética das medições pode ser considerada igual a 25,003 mm e como as
condições de repetitividade foram seguidas, logo o erro do pode ser classificado
como erro sistemático do micrômetro.

5.1.1 Erro aleatório ou acidental


Para Lira (2004, p. 68) o erro aleatório ou acidental corresponde “a
diferença entre o resultado de uma medição e a média de um número infinito de
medições do mesmo mensurando sob condições de repetitividade”.

De acordo com Baratto et al. (2008, p. 5):

O erro aleatório presumivelmente se origina de variações temporais


ou espaciais, estocásticas ou imprevisíveis, de grandezas de influência.
Os efeitos de tais variações, daqui para a frente denominados efeitos
aleatórios, são a causa de variações em observações repetidas do
mensurando. Embora não seja possível compensar o erro aleatório
de um resultado de medição, ele pode geralmente ser reduzido
aumentando-se o número de observações; sua esperança ou valor
esperado é [...] zero.

139
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

O erro aleatório ou acidental pode ser ocasionado por vibrações, flutuações


da rede, condições ambientais, entre outros (LIRA, 2004). Considere o exemplo
apresentado em Lira (2004): uma série de medições em um medidor para um
padrão de 30 µm a indicação do instrumento varia entre 20 µm e 25 µm, mas ao
colidir levemente com a ponta dos dedos, a indicação será de 30 µm, o que o torna
infiel devido ao atrito nos mancais ou folga no pivô, entre outros motivos.

5.1.2 Erro grosseiro


O erro grosseiro está associado a fatores externos. Pode ser gerado por
leitura errônea, como por exemplo paralaxe, manipulação indevida, anotações
erradas, entre outros. A eliminação total do erro é muito difícil, mas ele pode
ser identificado e reduzido, especialmente com treinamento específico para os
operadores (LIRA, 2004).

De acordo com Filho (1981, p. 51):

A experiência mostra que, a mesma pessoa realizando os mesmos


ensaios com os elementos constitutivos de um circuito elétrico, não
consegue obter, cada vez, o mesmo resultado. A divergência entre
estes resultados é devida à existência de um fator incontrolável [...],
diremos que os erros acidentais são a consequência do imponderável.
Como já foi dito, são erros essencialmente variáveis e não suscetíveis
de limitação.

Observe na sequência uma representação do erro grosseiro de paralaxe.

FIGURA 4 - ERRO DE PARALAXE

FONTE: <http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/abel/materiais/Medidas_eletricas.pdf>.
Acesso em: 14 mar. 2019.

140
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

O erro de paralaxe pode ser caracterizado pela leitura em um ângulo


incorreto que impede o operador de observar o valor que realmente é apresentado
no instrumento.

6 CONCEITOS BÁSICOS EM ESTATÍSTICA E TRATAMENTO


DE DADOS
De acordo com Toledo (2014), um sistema de medição adequado é
aquele que tem aderência aos padrões que são referência para o produto, o que
reduz a probabilidade de tomada de decisão errada. E isso só ocorre quando a
medida da dispersão (desvio-padrão e amplitude) é igual a zero e a medida de
posição central (média), representa o valor de referência. Além desses índices, há
outros derivados que serão discutidos. A qualidade do sistema será dada pelos
indicadores estatísticos associados a ele. Vamos discuti-los a seguir.

• Média aritmética - a melhor aproximação da média aritmética se dá quando o


número de medidas é grande. Na teoria, seria necessário um número infinito
de dados, mas por ser impossível, é adotado um número finito (LIRA, 2004).
Ela pode ser expressa matematicamente por (LIRA, 2004):

x1 + x 2 +…+ x n ∑ x
=X = (1)
n n

em que,
X corresponde a média aritmética;
x1, x2,...xn são as medidas efetuadas;
n é o número de medidas.

Considere o exemplo:

a) Foram realizadas por operadores algumas medidas de tensão e obtiveram os


seguintes valores: 15,4 V, 15,6 V, 15,2 V e 15,7 V. Calcule a média aritmética.

15, 4 + 15,6 + 15, 2 + 15,7


X = 15, 475
4

• Desvio da média - o desvio da média pode ser dado por (LIRA, 2004):

d=
1
x1 − x
(2)
d=
2
x2 − x
d=
3
x3 − x

141
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

Ou seja, a diferença entre o valor da amostra e a média obtida a partir de


todas as amostras.

Considere o exemplo:

a) Calcule o desvio da média para os dados apresentados em (a).


d1 = 15,4 - 15,475 = -0,075
d2 = 15,6 - 15,475 = 0,125
d3 = 15,2 - 15,475 = -0,275
d4 = 15,7 - 15,475 = 0,225

Esses são os resultados dos desvios para cada valor medido. O resultado
da soma de d1 a d4, em módulo, equivale a 0,45.

• Desvio padrão - o desvio padrão é uma medida de dispersão, assim como o


desvio da média. E corresponde à raiz quadrada da soma de todos os quadrados
dos desvios dividido pelo número de dados n, com n tendendo ao infinito e
pode ser expressa por (LIRA, 2004):

d12 + d 22 +…+ d n2
σ= (3)
n

em que,
𝞼 corresponde ao desvio padrão das medidas.

A expressão para o desvio padrão que elimina o erro por estimação da


média corresponde a (LIRA, 2004):

d12 + d 22 +…+ d n2
s= (4)
n −1

Para os dados apresentados no exemplo (a) o desvio padrão será:

( −0,075 ) + ( 0,0125 ) + ( −0, 275 ) + ( −0, 225 )


2 2 2 2

s=
3
s = 0, 21

• Desvio quadrático médio - para Lira (2004, p. 72) “o desvio quadrático médio
é definido como a média aritmética dos quadrados dos desvios ɛ de todos os
valores xi da grandeza com relação ao valor arbitrário A” e pode ser expresso
por (LIRA, 2004):

142
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

∑1n ε 2 ∑ i =1 ( xi − A )
n 2

Desvio quadrático médio


= = (5)
n n

em que,
ɛ corresponde ao desvio de qualquer valor xi.

No caso em que os desvios são calculados em relação à média, o desvio


quadrático também pode ser chamado de variância, considerando um número
finito de medições (LIRA, 2004):

∑ in=1 ( xi − A )
2
2
s = (6)
n

• Erro presumível da média - o valor real ou verdadeiro da medida não pode


ser conhecido, pois é calculado com base em um número finito de medidas. O
erro relacionado ao valor real que não é atingido pode ser expresso por (LIRA,
2004):

Em= X − V (7)

em que,
Em corresponde ao valor médio da grandeza;
X é o valor médio da grandeza;
V é o valor verdadeiro da grandeza.

Calculando Em para um elevado número de n, temos o erro presumível da


média (LIRA, 2004):

σ
(x − V ) = E m
=
n1/2
(8)

6.1 CONCEITOS QUE SE APLICAM À ANÁLISE DAS


VARIAÇÕES DE SISTEMAS DE MEDIÇÃO
Além dos conceitos estatísticos já discutidos ao longo do tópico estudado,
como reprodutibilidade e repetitividade, nesse ponto são discutidos brevemente
definições que também são importantes e se aplicam à análise das variações de
sistemas de medição.

143
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• Tendência ou erro sistemático - de acordo com Toledo (2014), esse conceito se


refere à diferença entre a média obtida daqueles valores que foram mensurados
e o valor de referência, que pode ser gerado por meio de um valor padrão ou
de uma medida realizada com um instrumento mais preciso que o aplicado na
amostra. A tendência também é conhecida como exatidão.

• Estabilidade - são as variações obtidas a partir de um dispositivo que mede a


mesma característica de uma mesma peça ao longo de um intervalo de tempo.
Quanto menor for a variação, melhor a estabilidade (TOLEDO, 2014).

• Linearidade - corresponde à diferença entre os valores de tendência obtidos a


área de medição do dispositivo (TOLEDO, 2014).

7 PROPAGAÇÃO DE ERROS
Para o entendimento da propagação de erros, considere que um resistor
e um voltímetro utilizados para medição sejam influenciados por desvios, esses
serão combinados na relação 𝞩V/ 𝞩R (aplicação da lei de ohm para encontrar o
valor da corrente indiretamente) e podem alterar o valor da corrente calculada
ocasionando propagação do erro (LIRA, 2004).

Observe o exemplo de propagação de erros apresentado por Lira (2004):



A corrente elétrica I pode ser determinada a partir da tensão V e da
resistência R, então I=f(V,R).
A potência elétrica P pode ser determinada a partir da tensão v e da
resistência R pela relação P=V2/R, então P=f(V,R).
Se o desvio padrão da grandeza a é as, da grandeza b é sb, etc. O desvio
padrão resultante que afeta V é dado por:
1/2
 ∂V  2 2
 ∂V  2  ∂V  2 
2
2
sV = ±  s +
 a  ∂b  b s +…+  ∂k  sk 
 ∂a       . Esta expressão está
baseada na série de Taylor de 1ª ordem, em que: ∂V é a derivada
∂a
parcial de V em relação à grandeza a. Estas derivadas são conhecidas
como coeficientes de sensibilidade e descrevem como a saída estimada
V varia com a variação das entradas estimadas a, b,...k (LIRA, 2004, p.
78-79).

8 TERMINOLOGIA
Neste ponto abordaremos algumas terminologias importantes para o
estudo das medições elétricas, tais como: Incerteza de Medição, Mensurando,
Incerteza Padrão, Avaliação do Tipo A e do Tipo B da Incerteza Padrão e Incerteza
Expandida, discutidas em Lira (2004).

144
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

• Incerteza de Medição – corresponde ao parâmetro que caracteriza a dispersão


de valores que podem ser atribuídos ao mensurando (LIRA, 2004).

• Mensurando – é uma grandeza que pode ser associada à medição (LIRA,


2004).

• Incerteza Padrão – Pode ser representado por um desvio padrão e corresponde


a incerteza de um resultado mensurado (LIRA, 2004).

• Avaliação do Tipo A e do Tipo B da Incerteza Padrão - correspondem a


métodos de avaliação da incerteza. O Tipo A inclui a estatística de séries de
observações e o Tipo B por outros meios (LIRA, 2004).

• Incerteza expandida – a incerteza expandida pode ser definida como: “grandeza


que define um intervalo em torno do resultado de uma medição com a qual se
espera abranger uma grande fração de distribuição dos valores que possam ser
razoavelmente atribuídos ao mensurando (LIRA, 2004, p. 83).

9 CALIBRAÇÃO
A calibração corresponde à relação, por exemplo, entre valores indicados
por um sistema de medidas e aqueles relacionados com grandezas estabelecidas
por padrões (TOLEDO, 2014).

A utilização de instrumentos no dia a dia pode ocasionar perda de precisão


e exatidão dos resultados, o que torna necessário a realização de ajustes a esses
equipamentos que permitam uma aproximação real das medidas geradas por
eles. E para isso um sistema de controle pode ser inserido para que as condições
iniciais sejam restauradas (TOLEDO, 2014).

Ainda para Toledo (2014, p. 89):

Esse sistema de controle metrológico deve estar formalizado,


detalhado e operacionalizado por meio de procedimentos prescritivos
(que determinam o que deve ser feito) documentados e de registro das
ações realizadas a fim de permitir a comprovação e a rastreabilidade
das ações tomadas para calibração, ajuste e seus efeitos. Para tanto,
devem ser definidos os intervalos de tempo para a calibração e a
ajustagem de instrumentos e equipamentos/aparelhos de ensaios, bem
como ser definidas as fontes de referência e os padrões para realizar as
análises necessárias e validadas.

A seguir, analisaremos brevemente os conceitos que baseiam e se


relacionam com a calibração.

145
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• Ajustes de medida – o ajuste de uma medida corresponde a uma correção


realizada no instrumento de modo que seja restabelecida a capacidade que
possuía em medir (TOLEDO, 2014). De acordo Toledo (2014), o Vocabulário
Internacional de Metrologia (VIM – 2012) informa que “[...] o ajuste de um
sistema de medição consiste em operações realizadas nesse sistema, de
modo que as medições forneçam indicações prescritivas correspondentes a
determinados valores de uma grandeza a ser medida” (TOLEDO, 2014, p. 90).

Ainda de acordo com Toledo (2014), os ajustes podem ser de defasagem e


de amplitude que apresentam uma indicação igual a zero equivalente ao zero da
grandeza mensurada. É importante que o conceito de ajuste não seja confundido
com o de calibração, pois quando o ajuste é realizado é necessário que o sistema
de medição seja em seguida recalibrado.

• Documentação do sistema metrológico – o controle metrológico de padrões


exige identificação de códigos e números de referência, assim como a
definição do procedimento aplicado, das condições ambientais, entre outros.
A documentação obtida com essas informações e registros é importante para
igualar a interpretação de todas as pessoas que estejam envolvidas no processo
analisado (TOLEDO, 2014). Dessa forma essa documentação deve conter em
sua estrutura algumas definições, tais como (TOLEDO, 2014):

a) Procedimentos de calibração: apresenta os detalhes da sequência de atividades


e das decisões para calibração de modo a manter os métodos utilizados de
forma uniforme e também a reduzir a ocorrência de erros por múltiplas
interpretações.
b) Intervalo de calibração: pode ser o tempo entre as calibrações ou na utilização
do equipamento.
c) Rastreabilidade da calibração: corresponde à relação entre padrões do
laboratório da empresa, do primário, do secundário, entre outros.
d) Registros de calibração: são os documentos nos quais constam as anotações
dos dados obtidos na calibração.
e) Selos e decalques: é necessário que constem no instrumento com a indicação a
validade e a situação do equipamento.
f) Controles ambientais: é importante que contenha essa informação para que
possa ocorrer a calibração e a ajustagem.
g) Regras das “4 a 10 vezes”: o instrumento de medição deve apresentar resolução
de 4 a 10 vezes menor que a tolerância apresentada pelo mensurando.

• Métodos de calibração – correspondem a procedimentos que foram


documentados e que devem ser adotados para cada um dos instrumentos,
conforme os padrões da empresa (TOLEDO, 2014).

De acordo com Morris (1991), os procedimentos relacionados à calibração


de instrumentos deve ser constituído por padrões que serão utilizados, método
necessário para manuseio de padrões e armazenamento, condições ambientais
(o nível de controle ambiental deve ser escolhido com cuidado), importantes

146
TÓPICO 1 | CONCEITOS DE MEDIDA

para a calibração e a determinação do número de pontos por faixa dos ciclos de


medição, da sequência de medição e do formato de registro das leituras realizadas,
verificados no processo de calibração.

• Frequência de calibração – a frequência que os instrumentos devem ser


calibrados depende da experiência do operador responsável pela calibração e
de alguns outros fatores (TOLEDO, 2014).

Alguns desses fatores, de acordo com Theisen (1997), podemos destacar:

• qual o tipo de instrumento;


• quais as recomendações do fabricante;
• dados das tendências observadas a partir de registros de calibração anteriores;
• condições ambientais, severidade, extensão de uso, entre outros.

De acordo com Toledo (2014), para delimitação do intervalo de tempo


entre uma calibração e outra é importante levar em consideração os custos para
realização do processo.

• Exemplo de aplicação de intervalo de calibração – os micrômetros, por


exemplo, podem ser calibrados de acordo com a frequência de utilização,
baseados em levantamento estatístico. Dessa forma, torna-se importante
registrar a necessidade de instrumentos danificados ou desgastados no uso
cotidiano (TOLEDO, 2014).

É recomendado, segundo Toledo (2014), que o intervalo inicial de


calibração seja entre três e seis meses. Se os equipamentos, por ventura,
apresentarem não conformidade antes do prazo recomendado, esse deve ser
reduzido. Assim como esse intervalo pode ser aumentado se comprovadamente,
por meio das calibrações realizadas anteriormente, não demonstrar efeitos sobre
a confiabilidade da exatidão do equipamento.

Fundamentados com os conceitos estudados nesse tópico, discutiremos


brevemente as medidas elétricas no Tópico 2.

147
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Precisão, exatidão, algarismo significativo e técnicas de arredondamento são


alguns dos conceitos fundamentais de medida.

• O sistema internacional de medidas é o fundamento da metrologia moderna e


que as unidades são obtidas a partir de experiências realizadas em laboratórios
nacionais.

• As principais definições de padrões de medida são o metro, o tempo, a massa,


a força, a pressão, a temperatura e a quantidade de matéria.

• A calibração é um processo importante em medidas e corresponde à relação,


por exemplo, entre valores indicados por um sistema de medidas e aqueles
relacionados com grandezas estabelecidas por padrões.

148
AUTOATIVIDADE

1 Com base nos conceitos fundamentais de medida, defina precisão e exatidão.

2 Após o estudo sobre as técnicas de arredondamento discutidas, arredonde


os seguintes valores com duas casas decimais após a vírgula:

a) 4, 12157
b) 5,12956
c) 3, 44500

149
150
UNIDADE 3
TÓPICO 2

MEDIDAS ELÉTRICAS

1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Foi no Tópico 1 que iniciamos os estudos sobre conceitos
fundamentais de medidas que servirão de base para o estudo das medidas
elétricas que discutiremos neste tópico.

A medida é capaz de estabelecer uma relação numérica entre grandezas


de um mesmo tipo. Para que as medidas elétricas sejam realizadas, torna-se
necessário a utilização de instrumentos que possam quantificar essas grandezas
(O FEIS.UNESP, 2019).

De acordo com Stout (1974, p. 11):

As medidas envolvem o uso de instrumentos de uma natureza ou de


outra. Um instrumento, de modo geral, é um meio físico de se obter
medições de maior refinamento do que é possível pelos sentidos
humanos desaparelhados ou de executar medições a que os sentidos
humanos estão incapacitados, sendo isto mais particularmente
verdade no campo da eletricidade.

Dessa forma, buscaremos abordar conceitos relacionados a grandezas


elétricas, princípios de medição, alguns instrumentos de medida mais utilizados
e outras características das medidas elétricas.

Vamos estudar um pouco mais sobre esse tema?

Bons estudos!

2 GRANDEZAS ELÉTRICAS
De acordo com O UFRGS (2019):

A ciência elétrica estuda o fenômeno da existência e interação entre


cargas elétricas. Tal como a massa, a carga elétrica é uma propriedade
fundamental da matéria que se manifesta através de uma interação,
designadamente através de uma força. No entanto, a carga elétrica
apresenta a particularidade de se manifestar através de uma força
que tanto pode ser de atração como de repulsão, ao contrário daquela
manifestada pelas massas, que, como se sabe, é apenas de atração.

151
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

Dentre as principais grandezas que fazem parte da ciência elétrica


discutiremos tensão elétrica, corrente elétrica, campo magnético, potência elétrica
e resistência elétrica.

• Tensão elétrica – grandeza tensão elétrica corresponde à diferença de potencial


(ddp) entre dois pontos de um circuito e essa diferença permitirá que os elétrons
se movimentem entre um ponto e outro e que a corrente elétrica seja formada.
Quanto maior for a ddp, maior será o número de elétrons que se movimentam
entre as extremidades do circuito e consequentemente maior será a intensidade
da corrente (FIGUEIREDO, 2016).

Segundo Figueiredo (2016, p. 25), a ddp pode ser produzida em usinas de


energia elétrica:

A ddp [...] é produzida por geradores de eletricidade que se


encontram nas usinas. Estes geradores produzem energia e as linhas
de transmissão transportam esta energia para as cidades e até nossas
casas e estabelecimentos, onde a tensão elétrica entre o condutor e o
solo (terra) é de 220 Volts ou 127 Volts eficazes conforme a região do
país.

O Volt corresponde à unidade de medida da tensão. Observe a


representação esquemática do processo de produção de tensão elétrica a seguir.

FIGURA 5 - CAMINHO PERCORRIDO PELA ENERGIA ELÉTRICA ATÉ O CONSUMO

FONTE: <http://www.abradee.com.br/setor-eletrico/visao-geral-do-setor/>. Acesso em: 13 mar.


2019.

De acordo com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia


Elétrica (ABRADEE), as etapas apresentadas podem ser definidas como:

• Geração: o local em que a energia é produzida;


• Transmissão: a tensão é ampliada e conduzida aos pontos de distribuição;
• Distribuição: nessa etapa a energia que é recebida em alta tensão e adequada
ou rebaixada para distribuição em centros urbanos;
• Consumo: a tensão é novamente rebaixada para consumo final nos valores de
127 Volts ou 220 Volts, de acordo com a região.

152
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• Corrente elétrica – a grandeza corrente elétrica corresponde à quantidade


de carga elétrica que percorre a superfície transversal de um condutor
(FIGUEIREDO, 2016). Observe na figura seguinte que a corrente pode
percorrer diferentes sentidos, tais como os que são classificados como real e
convencional.:

FIGURA 6 - CAMINHO PERCORRIDO PELA ENERGIA ELÉTRICA ATÉ O CONSUMO

FONTE: <https://www.gestaoeducacional.com.br/corrente-eletrica-o-que-e/>. Acesso em: 13


mar. 2019.

• Campo magnético – o campo magnético é uma grandeza elétrica que pode


ocorrer quando um corpo é energizado com uma corrente elétrica. Quando
um condutor retilíneo é submetido a corrente, são formadas linhas de campo
em volta desse que pode ser contraído ou expandido, proporcionalmente a
intensidade da corrente (FIGUEIREDO, 2016). Veja na figura a seguir que a
medida em que a corrente percorre o condutor, formam-se linhas de campo
magnético em volta dele.

FIGURA 7 - CAMINHO PERCORRIDO PELA ENERGIA ELÉTRICA ATÉ O CONSUMO

FONTE: <http://www4.feb.unesp.br/dee/docentes/aquino/eletromag_I/eletromagI_teoria/
cap09.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2019.

• Potência elétrica – a potência é uma grandeza elétrica e, segundo Kurokawa


(2013, p. 19), pode ser definida como:

153
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

[...] a quantidade de trabalho (conversão de energia de uma forma


para outra) realizado em um determinado intervalo de tempo, que
corresponde à taxa de variação de energia em relação ao tempo.
Aplicando a definição de potência para o caso de bipolos, pode-se
dizer que potência elétrica é a quantidade de energia elétrica que é
convertida para uma outra forma de energia em um determinado
intervalo de tempo ou, de maneira mais formal, a taxa de variação de
energia elétrica em um bipolo em relação ao tempo.

A unidade de potência elétrica é o Watt. Para melhor compreensão do


conceito de potência observe a figura seguinte:

FIGURA 8 - BIPOLOS COM SUAS RESPECTIVAS TENSÕES E CORRENTES. (A) BIPOLO


ABSORVENDO ENERGIA ELÉTRICA. (B) BIPOLO FORNECENDO ENERGIA ELÉTRICA

FONTE: Kurokawa (2013, p. 19)

Veja que são dipolos genéricos submetidos a uma tensão v(t) e percorridos
por uma corrente i(t), e essa potência que um dos dipolos absorve e outro fornece
pode ser dada por (KUROKAWA, 2013):

p ( t ) = v ( t ) .i ( t ) (9)

Ou seja, o produto entre a tensão e a corrente que percorre o condutor.

NOTA

Dá-se o nome de bipolo a qualquer dispositivo que tenha dois terminais


acessíveis e que pelo qual é possível circular uma corrente elétrica. Kurokawa (2013).

• Resistência elétrica – em um resistor, a energia elétrica absorvida é convertida


em calor. Ou seja, ocorre resistência a passagem da corrente. A unidade de
medida que quantifica a resistência do resistor é o ohm (Ω) (KUROKAWA, 2013).

154
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 9 - REPRESENTAÇÃO DE UM RESISTOR

FONTE: Kurokawa (2013, p. 9)

3 CLASSIFICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE MEDIDAS


ELÉTRICAS
Os instrumentos de medida elétrica podem ser classificados de acordo
com algumas de suas características. Estudaremos esta classificação quanto
à grandeza que será medida, quanto à forma de apresentação dos resultados,
a capacidade de armazenamento das leituras, princípio físico utilizado para a
medida, à finalidade de utilização e a portabilidade.

• Grandeza a ser medida – os instrumentos podem ser classificados pela


grandeza elétrica mensurada. Essa classificação pode ser dada como: voltímetro
(mensura tensão), ohmímetro (resistência), Wattímetro (potência), varímetro
(potência reativa), capacímetro (capacitância), frequencímetro (frequência),
entre outros (O FEIS.UNESP, 2019).

• Forma de apresentação de resultados – dá-se de duas formas: representação


analógica e representação digital.
ᵒ Representação analógica: quando a leitura é realizada, por exemplo, por
meio de um ponteiro que indica o valor da medida em uma escala. É
considerada uma medida indireta (O FEIS.UNESP, 2019). Observe a seguir:

FIGURA 10 - MULTÍMETRO DE REPRESENTAÇÃO ANALÓGICA

FONTE: <http://abre.ai/2et>. Acesso em: 14 mar. 2019.

155
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

ᵒ Representação digital: a leitura dos valores mensurados é representada


em algarismo alfa numérico em um display (O FEIS.UNESP, 2019). É
considerada uma média direta.

FIGURA 11 – MULTÍMETRO DE REPRESENTAÇÃO DIGITAL

FONTE: <http://www.termometrorc.com.br/multimetro-digital>. Acesso em: 14 mar. 2019.

Os instrumentos analógicos apresentam algumas vantagens como maior


robustez e maior precisão de variação de leitura quando há movimentos rápidos
de variação da grandeza medida. É mais interessante observar a movimentação
de um ponteiro do que de dígitos no display, nessa situação. No entanto, em
equipamentos digitais a leitura se torna mais prática e fácil no display e os custos
têm sido reduzidos progressivamente (O FEIS. UNESP).

• Capacidade de armazenamento das leituras:


ᵒ Indicadores: o valor da grandeza mensurada é fornecido apenas no momento
em que ocorre a medição (O FEIS. UNESP). Como exemplo, os instrumentos
das Figuras 10 e 11.
ᵒ Registradores: esses instrumentos podem armazenar os valores mensurados
em um determinado número de leituras (O FEIS. UNESP). Observe a Figura
12.
ᵒ Totalizadores: apresentam o valor acumulado das medidas (O FEIS. UNESP).
Observe a Figura 13.

156
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 12 - REGISTRADOR

FONTE: < https://www.landisgyr.com.br/product/e23a1/>. Acesso em: 14 mar. 2019.

FIGURA 13 - TOTALIZADOR

FONTE: <http://abre.ai/2eS>. Acesso em: 14 mar. 2019.

Observe nas Figuras 12 e 13 que são apresentados, respectivamente, um


medidor de energia ativa eletrônico e um medidor analógico.

• Princípio físico utilizado para a medida – de acordo com o princípio físico,


os instrumentos podem ser classificados como bobina móvel, ferro móvel,
ferrodinâmicos, bobinas cruzadas, eletrostático, entre outros (O FEIS. UNESP).

• Finalidade de utilização – quanto à finalidade de utilização, os instrumentos


podem ser classificados como de:
ᵒ Laboratórios: são equipamentos que priorizam a precisão e a exatidão (O
FEIS. UNESP).
ᵒ Indústrias: não são instrumentos tão precisos e exatos como os de laboratório,
mas são robustos e ideais para o trabalho cotidiano (O FEIS. UNESP).

• Portabilidade – quanto à portabilidade, há os instrumentos fixos, de painel e


portáteis. Os instrumentos fixos também podem ser os de bancada (O FEIS. UNESP).

157
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

3.1 PRINCÍPIOS DE MEDIÇÃO ANALÓGICA EM


CORRENTE CONTÍNUA E ALTERNADA
A operação dos instrumentos analógicos se baseia fundamentalmente
em fenômenos eletromagnéticos ou eletrostáticos. Por exemplo, por meio da
ação de um campo magnético sobre uma espiral que é percorrida por corrente
ou uma repulsão ou atração de cargas de mesmo sinal ou de sinais opostos,
respectivamente (O FEIS.UNESP, 2019).

A corrente contínua e alternada é definida por Kurokawa (2013, 1-2) da


seguinte forma:

Dá-se o nome de corrente contínua (direct current – dc) à corrente que


possui um único sentido e à corrente cujo sentido varia ao longo do
tempo, dá-se o nome de corrente alternada (alternating current – ac).
Como exemplo de corrente contínua, podemos citar a corrente em que
o valor e o sentido não variam em função do tempo e, como exemplo
de corrente alternada, cita-se a corrente senoidal, cuja amplitude e
direção em função do tempo são descritas por meio de uma função
senoidal.

FIGURA 14 - FORMA DE ONDA DA CORRENTE. (A) CORRENTE CONTÍNUA DE VALOR


CONSTANTE. (B) CORRENTEALTERNADA COM FORMA DE ONDA SENOIDAL

FONTE: Kurokawa (2013, p. 2)

158
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

Os medidores de correntes, também conhecidos como amperímetros,


são conectados em série com um circuito de corrente que possui uma resistência
interna reduzida. Os instrumentos de bobina móvel podem ser utilizados para
mensurar poucos ampères, enquanto o de ferro móvel pode ser aplicado com
corrente elevada, de até 250 A (SENAI, 1996).

Os instrumentos de ferro móvel possuem uma bobina cuja parte interna


é constituída de duas chapas, uma fixa de ferro doce que é oposta à móvel. Se a
bobina for submetida a uma corrente, as chapas se magnetizam de forma idêntica
e se repelem. Mesmo que a corrente seja invertida na bobina, as placas continuam
magnetizadas da mesma forma se repelindo. Dessa forma, eles são adequados
para medição de corrente contínua e alternada e também de tensão. As forças
magnéticas das chapas exercem um conjugado e sua grandeza é similar ao
quadrado da corrente medida (SENAI, 1996). Observe a representação a seguir.

FIGURA 15 - FERRO MÓVEL

FONTE: SENAI (1996, p 8).

Na figura anterior verificamos que a mola gera um conjugado oposto ao


que é fornecido pelas placas, isso leva o ponteiro a zero quando o instrumento
é desligado. O ponteiro não é estabilizado instantaneamente, por esse motivo é
utilizado o amortecimento (SENAI, 1996).

Nos instrumentos de bobina móvel uma bobina móvel giratória, que se


movimenta com a corrente elétrica, é inserida em um ímã permanente. Nesse
processo, a corrente é direcionada a bobina por meio de molas em espiral que
geram um conjugado oposto ao da bobina. Quando a bobina gira, o ponteiro é
deslocado e esse deslocamento é proporcional a intensidade da corrente. O ponto
zero da escala é no meio ou extremidade da escala (SENAI, 1996).

159
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 16 - BOBINA MÓVEL

FONTE: SENAI (1996, p 8).

Se houver inversão no sentido da corrente, a rotação da bobina é invertida


e consequentemente a deflexão do ponteiro. Dessa forma, os instrumentos de
bobina móvel são ideais para medição apenas de corrente ou tensão contínuas.

3.2 PRINCÍPIOS DE MEDIÇÃO DIGITAL


Os instrumentos digitais possuem como fundamento a medida da tensão.
Se a configuração inicial do equipamento for alterada, outras grandezas podem
ser medidas como frequência, corrente, resistência, entre outras (O FEIS.UNESP,
2019).

A característica base desses instrumentos é converter sinais analógicos em


digitais por meio de circuitos eletrônicos.

Entre algumas das características dos instrumentos digitais estão à


capacidade máxima de contagem do display. Por exemplo, um equipamento com
3 ½ dígitos é capaz de apresentar 3 dígitos inteiros, entre 0 e 9, e um meio dígito
que demonstra apenas 2 valores (0-algarismo apagado) ou 1, dessa forma pode
contar até 1999. Os algarismos são apresentados no display, que pode ser de LED
ou LCD (O FEIS.UNESP, 2019).

Outra característica importante dos instrumentos digitais é que a exatidão


demonstra o maior erro que é possível em uma medição, assim como ocorre com
os analógicos. Considere o exemplo, se o instrumento apresenta 1 % de exatidão
isso indica que para 100 unidades indicadas no display, o valor estará na verdade
entre 99 e 101 unidades (O FEIS.UNESP, 2019).

Os instrumentos digitais são categorizados em hierarquias de I a IV de


acordo com as situações em que o medidor pode ser aplicado (O FEIS.UNESP,
2019). Observe a seguir as categorias dos multímetros e suas respectivas aplicações.

160
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 17 - CATEGORIAIS DE INSTRUMENTOS DIGITAIS

FONTE: <https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_
medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

3.3 EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS


Nesse ponto apresentaremos alguns equipamentos básicos de medidas
elétricas, tais como os que realizam medidas da corrente, tensão e potência.

Amperímetro – o amperímetro corresponde ao instrumento capaz de


mensurar a grandeza corrente. Esse instrumento deve ser conectado em série com
o circuito que se quer medir. Um condutor é aberto no local onde é inserido o
instrumento (O FEIS.UNESP, 2019). Observe a seguir: a letra (a) é a representação
da abertura de um condutor com a inserção do instrumento e em (b) temos o
símbolo representativo do amperímetro.

161
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 18 - MEDIDA DA CORRENTE COM AMPERÍMETRO. (A) CONEXÃO DO INSTRUMENTO.


(B) DIAGRAMA DE LIGAÇÃO

FONTE: <https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_
medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Um modelo de equipamento cuja necessidade de abertura de um


condutor no circuito não é necessária é o alicate amperímetro. Observe a seguir:

FIGURA 19 - ALICATE AMPERÍMETRO

FONTE: <https://refrimaq.org/como-usar-multimetro/>. Acesso em: 15 mar. 2019.

162
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 20 - ALICATE AMPERÍMETRO MENSURANDO A CORRENTE DE UM FIO

FONTE: <https://it.instrutemp.com.br/alicate-amperimetro-aprenda-a-escolher-e-utilizar/>.
Acesso em: 15 mar. 2019.

Observamos na Figura 19 a representação de um alicate amperímetro


com a indicação da função de cada parte que o compõe. A garra transformadora
indicada como número 1 (Figura 19) é que é utilizada para medir a corrente que
passa por meio de um fio (Figura 20).

Quanto menor a resistência do amperímetro, melhor o seu funcionamento,


pois dessa forma ele poderá interferir minimamente no circuito que está sendo
analisado.

Em determinadas situações se torna necessário realizar medidas de


corrente superiores ao fundo de escala do equipamento, dessa forma é interligado
em paralelo ao instrumento um resistor, conhecido como derivador. Esse resistor
permite que uma parcela da corrente em excesso seja desviada. O processo
também é conhecido como multiplicador de escala (O FEIS.UNESP, 2019).
Observe a representação esquemática na Figura 21.

NOTA

Fundo de escala ou calibre: o máximo valor que determinado instrumento é


capaz de medir sem correr o risco de danos. Saiba mais, acessando: <http://www.facip.ufu.
br/sites/facip.ufu.br/files/Anexos/Bookpage/fe3-01-medidas-eletricas.pdf>. Acesso em: 4 abr.
2019.

163
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 21 - ESQUEMA DE LIGAÇÃO DO PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO DE ESCALA DO


AMPERÍMETRO

FONTE: < https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_


medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Observamos na figura anterior que a corrente que excede o fundo de


escala, representada como Ifc, é desviada para o derivador ou resistor de derivação.

Voltímetro – o voltímetro é um instrumento utilizado na medida de


tensão. O formato do circuito é uma ligação em paralelo desse instrumento com
o componente ou circuito que será analisado. Observe a representação na figura
a seguir: (a) observamos o voltímetro conectado em paralelo com o elemento cuja
tensão será medida; em (b) verificamos o símbolo do voltímetro nesse processo.

FIGURA 22 - MEDIDA DE TENSÃO COM O VOLTÍMETRO. (A) CONEXÃO DO INSTRUMENTO. (B)


DIAGRAMA DE LIGAÇÃO

FONTE: <https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_
medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Assim como nos amperímetros, também é possível nos voltímetros


ampliar a escala. Nesse caso, um resistor ideal para receber o excedente de tensão
é interligado em série no circuito com o instrumento (O FEIS.UNESP, 2019).

É importante destacar que os amperímetros não devem ser conectados


em paralelo com o elemento que se deseja medir. Pois, um amperímetro, com
resistência interna quase nula ou idealmente nula, entrará em curto circuito
nos terminais de carga, tendo em vista que é possível que ocorra passagem de
ocorrente elevada, na ordem de kA, o que pode queimar o instrumento. Para os
voltímetros a instrução é inversa, não se deve interligá-lo em série com a carga a
ser analisada, pois poderá interromper a corrente que esse elemento demanda (O
FEIS.UNESP, 2019).
164
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

Wattímetro – o Wattímetro mede a potência ativa de um elemento. Os


equipamentos analógicos são constituídos da seguinte forma: possuem uma
bobina para medir tensão e outra para medir corrente. O ponteiro indica o
produto entre os dois resultados obtidos das bobinas multiplicado pelo fator de
potência ou cosseno de defasagem entre essas grandezas (O FEIS.UNESP, 2019).
Observe as Figura 23 e 24.

FIGURA 23 - WATTÍMETRO ANALÓGICO

FONTE: <http://www.politerm.com.br/Produto-PRODUTOS-Wattimetros-Wattimetro-
Monofasico-de-Bancada-Analogico-Ponteiro-modelo-71-versao-245-262.aspx>. Acesso em: 15
mar. 2019.

FIGURA 24 - SÍMBOLO E CONEXÃO PARA MEDIR POTÊNCIA ATIVA DA CARGA

FONTE: <https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_
medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Observe na Figura 23 a representação de um wattímetro analógico com


visor em ponteiro e na Figura 24 a representação do símbolo do wattímetro e
de suas conexões constituídas de duas bobinas que medem corrente e tensão
separadamente, conforme já discutido.

Nos wattímetros digitais a tensão e a corrente são obtidas por amostragem,


por meio de um circuito eletrônico que apresentará a potência ativa resultante.
Observe as Figuras 25 e 26.
165
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

FIGURA 25 - WATTÍMETRO DIGITAL

FONTE: <https://www.electronicaembajadores.com/pt/Productos/Detalle/INRA120/
instrumentacao/wattimetros/wattimetro-digital-metrix-px120>. Acesso em: 15 mar. 2019.

FIGURA 26 - CONEXÃO PARA MEDIR POTÊNCIA ATIVA DE UMA CARGA

FONTE: <https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/engenhariaeletrica/capitulo-1_
medidas-eletricas_fabiobleao.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2019.

Na Figura 25 é possível observar a representação de um medidor de


potência digital e na Figura 26, um modelo de conexões do circuito eletrônico de
medição digital.

Por meio dos conceitos e ilustrações apresentados ao longo desta unidade,


esperamos que você, acadêmico, possa ter compreendido melhor o que são as
unidades de medida, as medidas elétricas, os principais instrumentos utilizados
para mensurar grandezas elétricas, entre outros.

Busque acrescentar e aprofundar seu conhecimento por meio do estudo


de referências adicionais, além das citadas ao longo do livro didático.

166
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

LEITURA COMPLEMENTAR

GUIA PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE MANUTENÇÃO DA


CONFIABILIDADE METROLÓGICA DE INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
– ESCOLHA DOS INSTRUMENTOS

Sereno, H. R. S
Sheremetieff, Jr. A.

Resumo
Este trabalho apresenta os critérios para a escolha do instrumento mais adequado
a cada processo produtivo. Estes critérios fazem parte da primeira parte de um
guia para elaboração de um plano de manutenção da confiabilidade metrológica
de instrumentos de medição.

Palavras-chave: Confiabilidade metrológica. Garantia da qualidade.


Instrumentos. Qualidade.

1 MOTIVAÇÃO

A fim de assegurar a qualidade em processos produtivos, é fundamental


garantir que as medições realizadas para tomadas de decisão sejam confiáveis,
para isso é necessário saber especificar tais instrumentos de forma apropriada a
cada aplicação proposta, além de calibrá-los.

Embora a rastreabilidade seja assegurada com a calibração dos


instrumentos, a correta interpretação e aplicação dos resultados obtidos (erro e
incerteza) deve ser feita, pois a não utilização desses resultados pode comprometer
o processo produtivo.

2 CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DOS INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

Linhas Gerais

Para a escolha do instrumento adequado a ser empregado em qualquer


processo produtivo, deve-se primeiramente fazer uma análise deste. Algumas
perguntas devem ser feitas, a primeira delas é “Qual a “exatidão” requerida pelo
processo?” A resposta a esta pergunta é fundamental para escolha da resolução
do instrumento de modo que não ocorra o que comumente é conhecido como
“matar mosca com canhão” ou "tentar matar elefante com estilingue", ou seja,
escolher um instrumento que apresente um resultado muito além do necessário
ou um que não conseguirá responder ao requerido pelo processo.

A resposta a essa pergunta deve ser elaborada por um profissional que


realmente conheça o impacto da grandeza a ser medida ante a qualidade final
do produto de forma que a escolha do instrumento não comprometa a qualidade
final requerida pelo produto.
167
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

A exatidão deve ser tal que as variações possíveis de indicação do


instrumento ou padrão não afetem significativamente o processo, por exemplo
em um dado processo a temperatura deve ser controlada com 1 ºC de exatidão,
portanto deve-se usar um termômetro com exatidão melhor que a requerida pelo
processo.

A próxima pergunta “Qual a faixa de medição?” é igualmente importante


na aquisição do instrumento de medição. Pois deve-se considerar que um mesmo
processo pode requerer diferentes resoluções em diferentes faixas de medição.

Por exemplo, em um dado processo a medição de comprimento até 25 mm


pode requerer uma resolução de 0,003 mm e de 25 mm a 150 mm uma resolução de
0,07 mm. Desta forma vê-se que para a primeira faixa de exatidão pode-se utilizar
um micrômetro e para segunda faixa um simples paquímetro. Essa conclusão
torna-se muito importante, pois caso declara-se que a resolução de 0,003 mm é
válida para toda faixa de 150 mm, ter-se-ia que adquirir um micrômetro para toda
faixa até 150 mm, elevando o custo na aquisição dos instrumentos.

Deve-se considerar também em que equipamento ou ponto de inspeção


esse instrumento será utilizado para que não existam incompatibilidades
de sistemas de fixação, alimentação, etc. Além disso, devemos considerar
a necessidade futura da ampliação da faixa e melhoria da resolução devido a
possíveis mudanças/melhorias do processo.

A seguir são apresentados alguns pontos específicos para a escolha de


instrumentos de medição.

Pontos Específicos

Respondida essas duas primeiras perguntas, procede-se à uma análise


mais detalhada das especificidades de ambientes de medição e particularidades.

Condições Ambientais

Algumas medições são realizadas em ambientes especiais como ambientes


explosivos, devendo desta forma, ser tomados os devidos cuidados com o
atendimento às normas específicas no momento da escolha desses instrumentos.

Por exemplo, para realizar a medição em uma câmara climática utilizada


para o envelhecimento de concreto por umidade, deve-se utilizar equipamentos
que suportem trabalhar em ambientes com umidade relativa acima de 80 %. A
escolha de equipamentos sem essa característica pode comprometer seriamente
as medições ou até mesmo levar a queima do sistema de medição.

168
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

Fatores ambientais como temperatura, umidade, vibrações externas,


devem ser controlados principalmente em pontos de inspeção, pois em alguns
casos essas condições são normalizadas ou devem ser estabelecidas de forma que
as medições realizadas estejam de acordo com as condições operacionais e/ou de
calibração do instrumento.

Em medições dimensionais a temperatura do ambiente é muito


importante para o resultado, pois quando a temperatura do ambiente é diferente
da temperatura de calibração do instrumento, pode ser necessário aplicar as
correções devido à dilatação do instrumento.

Quando se utiliza de uma medição para tomada de decisão, e com essa


é gerado um documento, as condições sob as quais essa medição foi realizada
devem ser registradas. Pois caso seja necessário à reprodução desta medição
as condições sob a qual estas foram realizadas devem estar suficientemente
documentadas.

Uma vez definidas as condições ambientais a que o instrumento de


medição está submetido, deve-se buscar um catálogo de instrumentos, ou um
fabricante, para que se possa escolher o instrumento mais adequado para cada
condição.

Vale lembrar que em casos de medições realizadas em ambientes especiais,


como em ambientes de produção de produtos alimentícios, ambientes estéreis
etc., deve-se observar os regulamentos específicos.

Layout

A localização do instrumento de medição no ambiente pode interferir


no seu comportamento, a proximidade de outros equipamentos ou ambientes,
vibrações, cargas térmicas, presença de campos magnéticos ou outras fontes
de interferência podem levar o instrumento a uma reprodutibilidade diferente
da reprodutibilidade característica especificada pelo fabricante ou mesmo a
distorções no resultado.

As influencias são oriundas de diferentes fontes, que nem sempre são


perceptíveis, como variações na tensão de alimentação de um determinado
equipamento, vibrações de baixa frequência etc. A bancada ou local onde o
equipamento será instalado, deve ser projetado de tal forma que fontes de
influência conhecidas sejam eliminadas. A especificação do instrumento traz
as condições sob as quais esse deve ser instalado, essas condições devem ser
respeitadas.

Por exemplo, em um ambiente industrial operando com prensas ou outros


equipamentos que geram vibração, pode não se conseguir estabilizar uma balança
com resolução de 0,1 mg se essa não for colocada em uma bancada devidamente
isolada.

169
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

A análise do layout deve ser feita pelo responsável pela especificação


do instrumento para que se possa identificar as influencias que interferem no
instrumento e promover as mudanças necessárias de layout ou prover os recursos
para a diminuição/eliminação dessas influencias.

Transmissão e digitalização de sinal para sistema de controle

Outro ponto que deve ser levado em consideração é saber se o instrumento


fornece algum sinal para o sistema de controle ou monitoramento e saber que
tipo de sinal é fornecido (analógico ou digital).

Caso haja a transmissão deste sinal para outro sistema, deve-se fazer
uma análise da transmissão principalmente para os instrumentos com sinais
analógicos.

Os sinais digitais apresentam pequenas alterações nos níveis de tensão


durante a transmissão que em geral não comprometem seus dados, por outro lado
a transmissão de sinais analógicos apresenta distorção que pode comprometer
seus dados quando esta é feita por meios inadequados.

O meio por onde se faz a transmissão de sinais analógicos deve ser estudado
e dimensionado (distância, material do condutor utilizado, blindagem, conector,
uso de replicador, etc.). Em ambientes industriais existem equipamentos que
geram interferência de diferentes tipos, esse estudo visa garantir que os efeitos
externos não distorçam o sinal e esse possa ser utilizado com confiabilidade para
o fim proposto. Quando possível, a melhor escolha é a digitalização do sinal antes
de sua transmissão.

Outro ponto também muito importante a se observar é como esse sinal


"sai" do equipamento. Por exemplo, se para utilizar o sinal analógico de 4 a 20
mA usa-se um resistor para obter o sinal em tensão, a escolha desse resistor é
de vital importância, pois, resistores comerciais apresentam uma tolerância de
até 10 % em relação a seu valor nominal. Este erro devido ao "meio" pelo qual o
sinal é recebido pelo sistema deve ser analisado pois pode ser grande o suficiente
para que os resultados apresentados pelo sensor não representem os valores da
grandeza medida.

Uma vez garantido que este sinal analógico chegou ao sistema de controle
ou monitoramento com qualidade tal que seus dados sejam confiáveis, deve-se
atentar para a digitalização desse sinal para posterior tratamento. Pois além da
resolução do sensor, a resolução do conversor analógico- digital influi na resolução
final da medição. Esse cuidado deve ser tomado em qualquer digitalização,
mesmo que ela seja feita antes da transmissão.

Mesmo que o sensor apresente resolução adequada, esta pode ser


degradada na conversão analógico-digital, pois a resolução em bits do conversor
deve ser tal que as variações do sinal do sensor sejam percebidas pelo conversor.

170
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

O conversor analógico-digital divide o sinal de entrada analógico


(contínuo) em um número determinado de passos (degraus discretos) e atribui
a um valor do sinal de entrada um número inteiro compreendido entre zero e o
número máximo de passos do conversor.

O número de passos de um conversor analógico-digital é determinado


pela resolução do conversor e é dado na equação 1.

Número de passos = 2n (1)


onde, n= Resolução em bits

Para cada passo então é atribuído um valor correspondente a um valor


do sinal analógico. Desta forma relaciona-se o número indicado pelo conversor
analógico-digital com o valor da grandeza que está sendo medida.

Por exemplo, um dado sensor que realiza a medição de temperatura


apresentando um sinal de 0 a 5 V com uma variação de 10 mV/oC. Para fazer a
conversão analógico-digital pode-se utilizar um conversor de 8, 10, 12 ou 16 bits.
A tabela 1 apresenta para este exemplo a resolução final do sensor de temperatura
em função do conversor escolhido.

QUADRO 1 - Resolução final do sensor em função da resolução do conversor analógico-digital

Resolução do Passos Resolução


Conversor (mV) (ºC)
8 bits 256 19,531 1,9531
10 bits 1024 4,883 0,4883
12 bits 4096 1,221 0,1221
16 bits 65546 0,076 0,0076

Com os valores apresentados na Quadro 1, observa-se que para termos


uma resolução final de 1 oC é necessário a utilização de um conversor de pelo
menos 10 bits isto para a conversão de toda faixa nominal do sensor (0 a 5 V).
Pode- se através de circuitos eletrônicos realizar a conversão de somente uma
pequena porção da faixa de indicação em torno da qual o instrumento opera, por
exemplo em torno do valor correspondente a temperatura de 20 oC, desta forma
poderíamos utilizar um conversor com menor número de passos para a mesma
resolução final do instrumento.

3 CONCLUSÃO

Apresentaram-se neste trabalho alguns indicativos, listados abaixo, que


devem ser considerados na especificação para aquisição de um instrumento que
será aplicado em um dado processo produtivo.

171
UNIDADE 3 | MEDIDAS ELÉTRICAS

• Exatidão requerida.
• Faixa de indicação.
• Condições Ambientais.
• Comunicação com outros sistemas.

Analisando esses indicativos, pode-se escolher o instrumento que melhor


atenda aos requisitos do processo produtivo. Porém a correta especificação
do instrumento é o ponto inicial para garantir a confiabilidade metrológica do
processo produtivo.

O instrumento utilizado para medição, para ter sua confiabilidade


metrológica assegurada, deve ser calibrado para a determinação do seu erro e
incerteza antes de sua utilização. A calibração é o passo seguinte à escolha do
instrumento na busca da confiabilidade que é mantida através de verificações
entre as calibrações [5] e da correta interpretação e utilização do erro e incerteza
oriundos do certificado de calibração como será visto nos trabalhos seguintes.

Além desses cuidados, a correta conservação e utilização do instrumento


auxiliam na manutenção de sua confiabilidade.

O conhecimento das influencias de medições erradas para o produto final


é fundamental na correta especificação de cada característica do instrumento de
medição a ser utilizado em qualquer processo produtivo de modo a garantir que
as medições por ele obtidas sejam compatíveis com o requerido.

Para isso este guia formula os indicativos para que esta escolha seja
feita de forma criteriosa, impedindo que a escolha inadequada do instrumento
comprometa todo o investimento na aquisição e calibração do mesmo e no
processo produtivo.

REFERÊNCIAS

[1] COUTO, P. Estimativa da incerteza da massa específica da gasolina pelo Iso


Gum 95 e método de Monte Carlo e seu impacto na transferência de custódia.
Coppe. dez. 2006.

[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Requisitos gerais


para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. Rio de Janeiro: ABNT,
2005. 31p. (ABNT ISO/IEC 17025:2005).

[3] Inmetro. Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de


Metrologia – VIM. Quinta Edição. Rio de Janeiro. 2007. 72 p.

172
TÓPICO 2 | MEDIDAS ELÉTRICAS

[4] COUTO, P.; JUNQUEIRA, P. Importância da criação de um Laboratório de


Metrologia na Indústria.1994. Revista INMETRO. Vol. 3 abr./jun. 1994.

[5] SERENO, H. R. S.; SHEREMETIEFF JR, A. Guia para elaboração de um plano de


manutenção da confiabilidade metrológica de instrumentos de medição. Encontro
de Ciência e Tecnologia Padre Aguiar. Universidade Católica de Petrópolis.

FONTE: <http://www.inmetro.gov.br/producaointelectual/obras_intelectuais/247_
obraIntelectual.pdf>. Acesso em: 4 abr. 2019.

173
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Tensão elétrica, corrente elétrica, campo magnético, corrente alternada,


potência elétrica e resistência elétrica são grandezas elétricas.

• O campo magnético é uma grandeza elétrica que pode ocorrer quando um


corpo é energizado com uma corrente elétrica.

• Os instrumentos de ferro móveis possuem uma bobina cuja parte interna


possui duas chapas, uma fixa de ferro doce oposta a móvel. Se a bobina for
submetida a uma corrente, as chapas se magnetizam de forma idêntica e se
repelem. Mesmo que a corrente seja invertida na bobina, as placas continuam
magnetizadas da mesma forma se repelindo.

• A característica base dos instrumentos digitais é converter sinais analógicos em


digitais por meio de circuitos eletrônicos.

174
AUTOATIVIDADE

1 Discuta brevemente sobre pelo menos três exemplos de grandezas elétricas.

2 Quais as formas de classificação dos instrumentos de medidas elétricas?

175
176
REFERÊNCIAS
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indústria da eletricidade. Disponível em: http://www.abradee.com.br/setor-
eletrico/visao-geral-do-setor. Acesso em: 13 mar. 2019.

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