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Considere três situações alternativas de financiamento dos investimentos de uma


empresa, com as respectivas repercussões em termos de resultados:

Opção A Opção B Opção C


1. Capital Próprio 120.000 60.000 40.000
2. Endividamento 0 60.000 80.000
3. Investimento 120.000 120.000 120.000
4. Resultado Operacional 12.000 12.000 12.000
5. Custos Financeiros 0 3.000 4.000
6. R.A.I. (4 -5) 12.000 9.000 8.000
7. I.S.R.E. (t = 30%) 3.600 2.700 2.400
8. Resultado Líquido do Exercício 8.400 6.300 5.600
9. ROI (Rendib.Económica) 7% 7,75% 8%
10. ROE (Rendib.Financeira) 7% 10,5% 14%
11. CMCA ---- 5% 5%

ROI (Return on Investment) = (Resultado Liq.+ Custos Financeiros) / Investimento


ROE (Return on Equity) = Resultado Líquido / Capitais Próprios
CMCA (Custo Médio dos Capitais Alheios) = Custos Financeiros / Passivo
R.A.I. = Resultados Antes de Impostos; I.S.R.E. = Impostos Sobre o Rendimento do Exercício
t = Taxa de Imposto sobre o Rendimento

Explique a origem dos resultados líquidos apurados nas opções B e C, decompondo-os


tendo em conta o rendimento dos capitais investidos (3 valores).

Opção B

Rendimento dos capitais próprios 60.000 x 7,75% = 4.650


Rendimento dos capitais alheios 60.000 x 7,75% = 4.650
Custo dos capitais alheios 60.000 x 5% = 3.000
Diferença entre rendimento e custo dos capitais alheios 1.650
Resultado Líquido 6.300

Opção C

Rendimento dos capitais próprios 40.000 x 8% = 3.200


Rendimento dos capitais alheios 80.000 x 8% = 6.400
Custo dos capitais alheios 80.000 x 5% = 4.000
Diferença entre rendimento e custo dos capitais alheios 2.400
Resultado Líquido 5600

Explique teoricamente, em geral e neste caso concreto, o efeito alavanca financeira. ( 3


valores).

O EFEITO DE ALAVANCA FINANCEIRA TRADUZ A INFLUÊNCIA QUE A ESTRUTURA


FINANCEIRA DA EMPRESA, E CONSEQUENTEMENTE A SOLVABILIDADE TOTAL
EXERCEM NA RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PRÓPRIOS.

ESTE EFEITO RESULTA, ESSENCIALMENTE, DA REPERCUSSÃO DOS CUSTOS


FINANCEIROS DE FINANCIAMENTO E DA FISCALIDADE SOBRE OS RESULTADOS
LÍQUIDOS: OS CUSTOS FINANCEIROS SÃO ACEITES COMO CUSTOS FISCAIS E,
PRESSUPONDO QUE A EMPRESA APRESENTA RESULTADOS TRIBUTÁVEIS, O EFEITO
POUPANÇA DE IMPOSTO DOS JUROS (TAMBÉM CHAMADO BENEFÍCIO FISCAL DOS
ENCARGOS FINANCEIROS) FAZ COM QUE O CUSTO EFECTIVO DO FINANCIAMENTO
SEJA INFERIOR AO SEU CUSTO NOMINAL.
O EFEITO ALAVANCA FINANCEIRA VAI DETERMINAR A RELAÇÃO ENTRE O ROE E O
ROI. SE ROI=ROE SIGNIFICA QUE NÃO SE RECORREU AO ENDIVIDAMENTO E O
REFERIDO EFEITO NÃO OCORREU (CASO DA OPÇÃO A). SE ROE>ROI TEMOS UM
EFEITO ALAVANCA FINANCEIRA POSITIVO (CASO DAS OPÇÕES B e C). SE ROE<ROI
TEMOS UM EFEITO ALAVANCA FINANCEIRA NEGATIVO.

ESTE FACTO DEVE-SE À INFLUÊNCIA CONJUNTA NA RENTABILIDADE DOS CAPITAIS


PRÓPRIOS DE 2 FACTORES: A ESTRUTURA DE CAPITAIS E O CUSTO MÉDIO DOS
CAPITAIS ALHEIOS (CMCA).

O ENDIVIDAMENTO EXERCE UM EFEITO ALAVANCA SOBRE A RENTABILIDADE DOS


CAPITAIS PRÓPRIOS PORQUE, APESAR DA REDUÇÃO DO RESULTADO LÍQUIDO E EM
VIRTUDE DO AUMENTO DOS CUSTOS FINANCEIROS O INVESTIMENTO DE RECURSOS
PRÓPRIOS DOS ACCIONISTAS TAMBÉM É INFERIOR. OU SEJA, OS ACCIONISTAS
APLICAM MENOS DINHEIRO, MAS REMUNERAM-NO MELHOR.

ESTE EFEITO SÓ SE TRADUZ NA CRIAÇÃO DE VALOR PARA OS ACCIONISTAS


ENQUANTO O NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO FOR RAZOÁVEL. ULTRAPASSANDO ESTE
NÍVEL, AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AUMENTAM A SUA PRESSÃO SOBRE A
EMPRESA, IMPONDO TAXAS DE JURO MAIS ELEVADAS E CONDIÇÕES OPERACIONAIS
MAIS PENALIZADORAS.

OUTRA CONDIÇÃO PARA QUE OCORRA ESTE EFEITO É QUE A TAXA DE JURO
OFERECIDA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS SEJA INFERIOR À TAXA DE
RENTABILIDADE EXIGIDA PELOS ACCIONISTAS

NAS OPÇÕES B e C OS CAPITAIS ALHEIOS DERAM UM RENDIMENTO SUPERIOR AO


SEU CUSTO FINANCEIRO. APÓS O PAGAMENTO DOS CUSTOS FINANCEIROS, O
DIFERENCIAL ENTRE O RENDIMENTO (7,75% NA OPÇÃO B E 8% NA OPÇÃO C) E O
CUSTO (5%) DOS CAPITAIS ALHEIOS PASSA A PERTENCER À EMPRESA E, PORTANTO,
AOS DETENTORES DOS CAPITAIS PRÓPRIOS, QUE ASSIM VERÃO AUMENTAR OS SEUS
LUCRO.

A TAXA DE RENTABILIDADE DO CAPITAL PRÓPRIO (ROE) SOBE, DEVIDO À


ESTRUTURA DE CAPITAIS E AO CUSTO MÉDIO DOS CAPITAIS ALHEIOS, DE 7,75%
PARA 10,5% NA OPÇÃO B E DE 8% PARA 14% NA OPÇÃO C. NESTA ÚLTIMA OPÇÃO O
INCREMENTO DO ROE É SUPERIOR PORQUE O NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO É MUITO
MAIOR, TENDO A ESTRUTURA DE CAPITAIS FUNCIONADO COMO ALAVANCA DO
RENDIMENTO, INCREMENTANDO A TAXA DE RENTABILDADE DOS CAPITAIS
PRÓPRIOS PARA UM VALOR BASTANTE SUPERIOR À DA RENTABILIDADE DO
INVESTIMENTO TOTAL OU RENDIBILIDADE ECONÓMICA.

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