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Introdução

Infelizmente, muitas vezes os riscos relacionados com a eletricidade são ignorados,


respaldados por pseudoargumentos como: ‘’já trabalho há 20 anos dessa forma e nunca me
aconteceu nada’ ’não preciso utilizar o equipamento de proteção porque o serviço é rapidinho’
’entre outros. Normalmente, essas argumentações são alimentadas pela falsa sensação de
segurança, sendo o resultado em muitos casos, negativo

Este módulo apresenta as medidas de controle existentes para neutralizar os principais


riscos oriundos das atividades relacionadas com eletricidade: choque elétrico, arco elétrico e
riscos adicionais

Desenergização

Os riscos elétricos podem ser divididos conforme a Figura 11.1.

AUDIO 01: Para eliminar completamente os riscos de arco e choque elétrico, deve-se garantir
que o sistema esteja desenergizado, conforme procedimento de desenergizarão especificado
no item 8.5.1 do capitulo 8. É sabido que nem sempre isso é possível, pois para determinadas
tarefas existe a necessidade de trabalhar com o sistema energizado. A figura 11.2 aponta
algumas atividades que necessitam do sistema energizado
Áudio 02:Portanto, para as atividades citadas na Figura 11.2, é preciso tomar medidas
complementares a fim de propiciar a segurança dos profissionais que interagem com
eletricidade
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Aterramento Elétrico

De maneira simplificada, pode-se dizer que a corrente elétrica é extremamente


‘’preguiçosa’ ’ou seja, ela sempre vai optar pelo caminho mais fácil, Figura 11.3.

Áudio: Por esse motivo, o aterramento é um grande aliado na proteção dos profissionais que
interagem com eletricidade, visto que proporciona um caminho mais fácil para a corrente
elétrica, ao desviá-la diretamente para a terra.

De acordo com a ABNT NBR 5410/2004, todos os circuitos devem ser aterrados. É
inadmissível qualquer circuito elétrico sem aterramento, pois ele exerce o papel principal na
proteção dos profissionais e assegura o bom funcionamento de dispositivos voltados à
proteção elétrica contra choque elétrico, por exemplo, o Dispositivo Residual (DR)

Pode-se classificar o aterramento em três tipos, do ponto de vista da proteção dos


profissionais que interagem
com eletricidade,
conforme figura abaixo:

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Aterramento Funcional

O aterramento funcional garante o bom funcionamento do sistema elétrico; normalmente, o


neutro na entrada de energia é aterrado. Trata-se de uma prática solicitada, em especial, pelas
concessionárias de energia. A Figura 11.5 representa o diagrama unifilar de uma entrada de
energia com o neutro aterrado.
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Aterramento de Proteção

Esse aterramento visa à proteção contra choques elétricos. Deste modo, todas as massas e
elementos metálicos de uma instalação são aterrados. Em função dos dispositivos instalados e
da forma de execução do aterramento de proteção, ele pode ser dividido em esquemas, como
indica a figura 11.6.
Áudio 01: No esquema TT, o neutro da fonte é aterrado e independe do aterramento das
massas das instalações. Nessa configuração, recomenda-se utilização de Dispositivos Residuais
(DR), pois, como a corrente fase/massa é baixa em razão da alta resistência da terra, isso
dificulta sua detecção pelos dispositivos de proteção convencionais

No esquema TN, as massas da instalação são ligadas à terra por meio do condutor de proteção
(PE). O esquema TN pode ser dividido conforme a configuração representada na Figura 11.7.

Áudio 02: Para identificar o esquema de aterramento, basta observar a existência ou não do
cabo de proteção PÉ normalmente na cor verde, conforme recomendação da ABNT NBR
5410/2005. Caso esse cabo não exista. Pode-se considerar o esquema como TN-C. Porém, é
necessário aterrar o neutro; caso contrário, o sistema não possui aterramento

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Aterramento Temporário

O aterramento temporário consiste em um sistema complementar, visando garantir a


segurança dos profissionais que interagem com eletricidade. É composto por um kit de
grampos, condutores e conectores especialmente projetados para isso. A figura 11.8 ilustra um
kit de aterramento temporário
Devem ser instalados nos circuitos desenergizados e antes do ponto de execução do serviço,
no sentido da fonte para carga. A figura 11.9 exibe o diagrama trifiliar de um posto de
transformação simplificado depois de inserido o aterramento temporário

Áudio 01: Caso haja outra possibilidade de fluxo de corrente no sistema, como um gerador
instalado, o aterramento temporário também deve ser instalado em sua saída. É essencial
conhecer o sistema antes de instalar o aterramento temporário. Uma análise de risco deve ser
considerada para observar possíveis pontos de fluxo de corrente elétrica, visando neutralizar
todos os casos
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Equipotencialização

A equipotencialização consiste na interligação de todos os sistemas de aterramento e de


todas as estruturas metálicas de uma edificação. Portanto, deve-se interligar a um único
sistema de aterramento os seguintes sistemas:

 Sistema de proteção contra descargas Atmosféricas;


 Sistema de Proteção contra choque Elétrico;
 Sistema de Aterramento contra Cargas Estáticas;
 Sistema de proteção de Equipamentos Eletrônicos;
 Tubulações metálicas;
 Armaduras metálicas;
 Escadas e mezaninos metálicos;
 Tanques metálicos;
 Carcaça de equipamentos e máquinas;
 Portões e cercas metálicas;
 Eletrocalhas, leitos etc.
A equipotencialização deve ser prevista no projeto elétrico e obedecer às seguintes
regras:

Áudio 01 : o terminal de Aterramento Principal deve ter algumas características;


*Ser Construído através de uma barra retangular de cobre nu;
*Ser isolado da parede e o mais próximo possível do solo;
*Ter um único ponto de interligação com a malha de aterramento principal. Utilizar

cabo isolado com bitola mínima de 16MM².

A figura 11.10 ilustra uma barra de equipotencialização


Muitas vezes, há necessidade de instalar barras de equipotencialização suplementares,

conforme a figura 11.11


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Áudio: Conforme a norma ABNT NBR 5410:2005, admite-se que os elementos a seguir

sejam excluídos das equipotencializações:

 Suportes metálicos de isoladores de linhas aéreas fixados á edificação que esteja fora

da zona de alcance da norma;

 Poste de concreto armado em que a armadura não é acessível;

 Massas que, por suas reduzidas dimensões (Até 50mm x 50mm) ou sua disposição, não

possam ser agarradas ou estabelecer contato significativo com parte do corpo

humano, desde que a ligação a u condutor de proteção seja difícil ou pouco confiável.
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Seccionamento Automático

Os dispositivos de proteção devem seccionar automaticamente a alimentação de um

determinado circuito sempre que houver:

Áudio 01 : A atuação do dispositivo de proteção evita que uma determinada tensão de contato
se mantenha, por um tempo, capaz de gerar algum risco á integridade das pessoas. Pode-se
citar, como exemplo, um disjuntor que atua automaticamente assim que os parâmetros
nominais apresentam valores diferentes dos especificados.

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Dispositivos de corrente de fuga

O dispositivo diferencial-residual (DR) tem como principal função proteger as pessoas contra
faltas à terra, resguardando-as contra o choque elétrico
A corrente diferencial-residual percorre os condutores vivos de um determinado circuito e,
como não existe isolação perfeita, sempre existirá corrente de fuga. O dispositivo DR monitora
essa corrente e, caso ofereça risco á integridade das pessoas, secciona a alimentação
A norma ABNT NBR 5410:2005 estabelece que as pessoas devem ser protegidas contra
choques elétricos, seja um risco por contato acidental com a parte viva ou por alhas que
possam colocar uma massa acidentalmente sob tensão
Para obter proteção contra choque elétrico, deve-se utilizar dispositivo diferencial-residual de,
no máximo, 30 mA. A referida norma informa a titulo de advertência, no item 6.5.4.10:

Áudio: Nunca desative ou remova a chave automática de proteção contra choques elétricos
(dispositivos DR), mesmo em caso de desligamentos sem causa aparente. Se os desligamentos
forem frequentes e, principalmente, se as tentativas de religar a chave não tiverem êxito, isso
significa, muito provavelmente, que a instalação elétrica apresenta anomalias internas, que só
podem ser identificadas e corrigidas por profissionais qualificados. A desativação ou remoção
da chave significa a eliminação de medida protetora contra coques elétricos e risco de vida
para os usuários da instalação

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A figura 11.13 indica os pontos e que o uso do dispositivo diferencial- residual é obrigatório.

Notas da ABNT NBR 5410:2005

*Exigência de proteção por DR a tomadas com corrente nominal de até 32 A


* Admite-se a não utilização do DR em circuitos de iluminação nos locais de habitação
posicionados a uma altura igual ou superior a 2,50 m.
* A exigência não se aplica a circuitos de instalação concebidos em esquema IT, visando
garantir a continuidade de serviço, quando essa continuidade for indispensável á segurança
das pessoas e à preservação de vidas, como, por exemplo, na alimentação de salas cirúrgicas
ou de serviços de segurança

Áudio 01: Portanto, pode-se concluir que o uso de dispositivo diferencial-residual é


considerado de suma importância para a proteção contra choques elétricos. Habitualmente,
encontra-se o dispositivo diferencial-residual nas seguintes configurações:
 Interruptor diferencial-residual;
 Disjuntores com proteção diferencial-residual incorporada;
 Tomadas com proteção diferencial-residual incorporada.
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Tensão de segurança

Utilizar tensão de segurança, é na verdade, usar extrabaixa tensão, que elimina o risco grave
de um acidente com choque elétrico. Na pratica, resume-se a utilizar a tensão em níveis que
não coloquem as pessoas em risco. O item 5.1.2.5 da norma ABNT NBR 5410:2005 descreve os
detalhes a serem observados na utilização de extrabaixa tensão
Consideramos tensão de segurança, ou extrabaixa tensão, os valores de tensão de, no
máximo:
 Corrente alternada: 50 volts.
 Corrente contínua: 120 volts

De acordo com a ABNT NBR 5410:2005, nos itens 3.2.6 e 3.2.7, o sistema de extrabaixa tensão
é dividido da seguinte forma:
 Sistema SELV (do inglês Separated Extra-Low Voltage): Sistema de extrabaixa tensão
eletricamente separado da terra e de outros sistemas, de tal modo que a ocorrência
de uma única falta não resulta em risco de choque elétrico.

 Sistema PELV (do inglês Protected Extra-Low Voltage): Sistema de extrabaixa tensão
que não é eletricamente separado na terra, mas preenche, de modo equivalente,
todos os requisitos de um SELV

Áudio: O item 5.1.2.5.1 da ABNT NBR 5410:2005 informa que, dependendo da tensão nominal
do sistema SELV ou PELV e das condições de uso, a proteção básica é proporcionada por:

A) Limitação da tensão; ou
B) Isolação básica ou uso de barreiras invólucros

Assim, as partes vivas de um sistema SELV ou PELV não precisam, necessariamente, ser
inacessíveis, podendo dispensar isolação básica, barreira ou invólucro se:

A) A tensão nominal do sistema não for superior a 25 V, valor eficaz, em corrente


alternada, ou 60 V em corrente continua sem ondulação, e o sistema for usado sob
condições de influências externas cuja severidade, do ponto de vista da segurança
contra choques elétricos, não ultrapasse aquela correspondente à situação 1 definida
pela Tabela 11.1;
B) A tensão nominal do sistema SELV ou PELV não for superior a 12 V, valor eficaz, em
corrente alternada, ou a 30V em corrente continua sem ondulação, e o sistema for
usado sob condições de influências externas cuja severidade, do ponto de vista da
segurança contra choques elétricos, não ultrapasse aquela correspondente à situação
2 da Tabela 11.1.

Barreiras e invólucros

A finalidade das barreiras e invólucros é impedir o contato com as partes vivas do sistema. A
Figura 11.14 ilustra o invólucro de um motor. Verifique que o objetivo do invólucro é proteger
as partes por onde circula corrente elétrica, no interior do motor.
As partes em que a circulação de corrente elétrica é esperada devem ser confinadas, em
obediência ao grau de proteção mínimo estabelecido nas tabelas 11.5 e 11.6. Normalmente,
os equipamentos têm a especificação exibida na Figura 11.15.

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Obstáculos

Os obstáculos são utilizados para impedir o contato involuntário com as partes vivas. Podem
ser removidos sem o auxilio de ferramentas ou chave; no entanto, devem suportar a remoção
involuntária.

A norma ABNT NBR 5410:2005 estabelece as distâncias mínimas a serem obedecidas nas
passagens destinadas à operação e/ou manutenção desprovidas de qualquer proteção contra
contatos com as partes vivas. A Tabela 11. Indica os requisitos mínimos.
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Isolamento das Partes Vivas

A isolação é um meio de proteção destinado a impedir qualquer tipo de contato com as


partes vivas, devendo ser capaz de suportar esforços mecânicos, químicos, elétricos e
térmicos. Para cada nível de tensão existe uma característica especifica de isolação. Qualquer
que seja o dispositivo isolado, recomenda- se que sua isolação seja testada periodicamente
por meio de testes dielétricos e, em alguns casos, por inspeção visual.

Isolação Dupla

A isolação dupla é provida de uma isolação básica; a proteção supletiva, de uma isolação
suplementar. A norma ABNT NBR5410:2005 distingue a isolação dupla em duas possibilidades:

A) Componentes já providos de origem com isolação dupla ou reforçada:


B) Componentes aos quais a isolação dupla é provida durante a execução da instalação.

A isolação dupla de origem, quer dizer, o equipamento já vem com a isolação de fábrica, deve
ser submetida a ensaios de tipo, conforme normas:

 ABNT NBR IEC 60439-1, partes 1 e 3;


 IEC 60439, partes 2,4 e 5

Esses produtos são identificados pelo símbolo:


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A isolação dupla provida na instalação deve conter um invólucro isolante destinado a prover
isolação suplementar, caso já possua isolação básica de origem, cujo grau de proteção mínimo
é IPXXB ou IP2X

Quando o invólucro isolante comportar tampas ou portas que possam ser abertas sem o
auxilio de ferramentas chave, deve haver uma barreira isolante que impeça o contato
acidental das pessoas com as partes condutivas, conforme descreve a norma ABNT
NBR5410:2005,no item 5.1.2.3.3.4

A figura 11.16 descreve o símbolo que deve ser fixado no exterior e no interior do invólucro
em local visível.

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Bloqueio do religamento automático

O religamento automático tem a finalidade de diminuir o tempo de interrupção de energia


para os consumidores. Quando o sistema é atingido por alguma anomalia (defeito transitório),
o sistema de proteção atua. Neste caso, o religamento automático (por dispositivos
religadores ou relés) deixa o sistema operante novamente

Porém, em intervenção para manutenção, é necessário bloquear e condicionar o religamento


manual desses dispositivos, para evitar que eles atuem, colocando em risco os profissionais
que interagem com o sistema. O sistema de bloqueio é bastante utilizado na rede de
distribuição de energia.

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