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REVISTA DO

Instituto
Paraibano de
Genealogia e
Heráldica

Ideia – João Pessoa – Nº 22 – 2020


Revista do Instituto Paraibano
de Genealogia e Heráldica

Fundado em 19 de novembro de 1967

Coordenadores:
Teldson Douetts Sarmento
Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior
Cícero Caldas Neto
Marinalva Freire da Silva
Natércia Suassuna Dutra

Diagramação:
Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior

Correção dos textos:


Os Autores

Editoração eletrônica/Capa:
Magno Nicolau

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD


R454 Revista do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica.
(recurso eletrônico] Organizadores: Teldson Douetts
Sarmento, Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior, Cícero Cal-
das Neto, Marinalva Freire da Silva. - João Pessoa:
Ideia, 2020.
8.9mb. pdf
ISSN 2594-6684
1. Genealogia. 2. Instituto Paraibano de Genealogia e
Heráldica. 3. Histórias de família. I. Título.

CDU 929.52(813.3)
Ficha Catalográfica elaborada pela Bibliotecária Gilvanedja Mendes, CRB 15/810

EDITORA
www.ideiaeditora.com.br
(83) 3222-5986
S U M Á R I O

BRASÃO DE ARMAS DO I.P.G.H. ................................................................. 6

A P R E S E N T A Ç Ã O .............................................................................. 8

GALERIA DOS PRESIDENTES DO IPGH.............................................................. 10

COLEGIADO - IPGH .......................................................................................... 11

O MÉDICO MARIANO BARBOSA, UMA VIDA DEDICADA À SERVIR ......... 14

BRANCA DIAS, MULHER DE DIOGO FERNANDES ....................................... 50

EVERALDO DE AZEVEDO PONTES, UM SERRARIENSE NO IPGH ............... 61

GUSTAVO BARBOSA & ALAÍDE FERREIRA, NOTAS GENEALÓGICAS


PARA A SUA DESCENDÊNCIA ....................................................................... 74
A GENEALOGIA E A HERÁLDICA EM EÇA DE QUEIRÓS .............................. 87

ANTONIO FREIRE, GENEALOGIA, HERÁLDICA E ASPECTOS LITERÁRIOS 100

SARAIVA: DA PENÍNSULA IBÉRICA AO CARIRI ......................................... 112

OS TRONCOS DA FAMÍLIA CHIANCA NA PARAÍBA E NO RIO GRANDE


DO NORTE .................................................................................................... 150

AS “QUESTÕES LOCAIS” TEM UM NOME: ANAYDE BEIRIZ ..................... 173

AS IMIGRAÇÕES PORTUGUESAS RUMO À COMPREENSÃO DA


COLONIZAÇÃO DOS INTERIORES DA PARAÍBA ........................................ 182
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INSTITUTO PARAIBANO DE GENEALOGIA E HERÁLDICA


Fundado em 19 de novembro de 1967

BRASÃO DE ARMAS DO I.P.G.H.

Escudo: de azul, seis pães de açúcar de ouro, dispostos em roque-


te. Chefe de ouro gotejado de vermelho.

Lema: FONTES COLAMUS NOSTROS. Letras em ouro sobre listel


de azul.
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INSTITUTO PARAIBANO DE GENEALOGIA E HERÁLDICA

Fundado em 19 de novembro de 1967


Considerado de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 8.769/2009
e pela Lei Municipal nº 11.348/2008

DIRETORIA ELEITA EM 30 DE OUTUBRO DE 2018


TRIÊNIO 2018 – 2021

Diretoria:
Presidente Teldson Douetts Sarmento
Vice-Presidente Natércia Suassuna Dutra
Secretário João Abelardo Lins Barreto
Tesoureiro Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior
Bibliotecário/Arquivista Adauto Ramos

Conselho Fiscal:
Berilo Borba
Cícero Caldas Neto
Ricardo Bezerra

Suplentes:
Joaquim Osterne Carneiro
Victória Chianca
Zilma Ferreira Pinto

Comissão de Admissão de Sócios:


Guilherme d’Ávila Lins
Humberto Fonseca de Lucena
Maria do Socorro Xavier

Comissão de Cultura e Divulgação:


Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior
Natércia Suassuna Dutra
Marinalva Freire da Silva
Maria do Socorro Xavier
Teldson Douetts Sarmento
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A PRE SE NTAÇ ÃO

“Deixe o mundo um pouco melhor do que encontrou.”


Robert Baden Powell

O
ano de 2020 tem sido um desafio para o mundo. Um hori-
zonte que não havíamos imaginado para o cenário dos
acontecimentos e fatos. Sui gênere em muitos aspectos.
Tivemos uma guinada na embarcação desta viagem nos-
sa. O planeta terra foi sacudido em suas bases. De repente, um
agente invisível passou a ser o ator principal das transformações.
Batizado de Covid-19, esse agente secreto abalou estruturas eco-
nômicas, políticas e de segurança. As nações estremeceram e se
curvaram diante dos ataques letais do vírus.
Nessa guerra invisível, a saída para a maior parte da popu-
lação foi o exílio, para dentro, esconder-se, a clausura social com o
pânico a assolar civilizações milenares. O medo imperou por me-
ses como um refúgio. Os projetos foram adiados. Muitos amarga-
ram a perda de entes queridos.
Chegamos à primavera deste ano difícil. A distância física
de nossos parentes e amigos ainda está presente. O cenário mostra
índices de melhora, a nuvem está menos escura, mas ainda projeta
sombras na terra.
Que fizemos? Que aprendemos? Uma coisa é certa: o mun-
do não é mais o mesmo! Tem sido um ano de metamorfose. Nos-
sos conceitos foram passados pelo fogo. O mundo aprendeu, a
duras penas, que não estamos protegidos. A informática deu um
salto de 10 em 1. Novas ferramentas de integração e interação fo-
ram apresentadas. As plataformas de comunicação se multiplica-
ram exponencialmente.
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Muitos aproveitaram para mergulhar no universo da leitu-


ra, outros da televisão e tantos outros na produção de muito mate-
rial de pesquisa. A velocidade das informações se agigantou.
Os membros do IPGH estão inseridos nesse contexto global
de acontecimentos. Nossa instituição realizou reuniões virtuais
para integração dos membros. A distância física não quebrou a
nossa conexão de cordialidade e fraternidade.
A Revista IPGH nº 22 é uma prova dessa persistência. Os
confrades e confreiras que prepararam seus trabalhos mantém
acesa a chama de nossa instituição. Nosso contributo aos amantes
da genealogia e da heráldica permanece firme como colunas de
força e beleza.
Apresentamos mais uma edição de nossa Revista IPGH,
resultado do abnegado trabalho dos amantes desta arte que perpe-
tua nossas gerações.
Amor Vincit Omnia
Boa leitura!

Teldson Douetts Sarmento


Presidente I.P.G.H.
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GALERIA DOS PRESIDENTES DO IPGH


Sessão de Fundação Diretoria Provisória
1ºPresidente

Manuel Maia Sebastião Sinval

PRESIDENTES ELEITOS

Humberto Nóbrega Américo Maia Sabiniano Maia Deusdedit Leitão

Domingos Azevedo Adauto Ramos Guilherme d`Ávila Natércia Suassuna

ATUAL PRESIDENTE 2018-2021

Teldson Douetts Sarmento


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COLEGIADO - IPGH
CADEIRAS E RESPECTIVOS PATRONOS

CADEIRAS PATRONO
01 Trajano Pires da Nóbrega
02 Manuel Maia de Vasconcelos
03 Wilson Nóbrega Seixas
04 Antônio Pereira de Almeida
05 José Leal Ramos
06 Antônio Vitoriano Freire
07 Sebastião de Azevedo Bastos
08 João Franca Filho
09 Robson Duarte Espínola
10 Padre Florentino Barbosa
11 Carmen Coelho de Miranda Freire
12 Maurílio Augusto de Almeida
13 Raimundo Suassuna
14 João Rolim da Cunha
15 Américo Sérgio Maia
16 Humberto Carneiro da C. Nóbrega
17 Antônio Tancredo de Carvalho
18 Nivalson Miranda
19 Walter Sarmento de Sá
20 Domingos de Azevedo Ribeiro
21 Luiz Hugo Guimarães
22 Deusdedit de Vasconcelos Leitão
23 Analice Caldas
24 Olivina Olívia Carneiro da Cunha
25 Rosilda Cartaxo
26 Luiz de Barros Guimarães
27 Lylia Guedes
28 Sabiniano Alves do Rego Maia
29 Elpídio Josué de Almeida
30 Heronides Alves Coelho Filho
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CADEIRAS OCUPADAS
Cadeira 01 – Fundador: Adauto Ramos
Patrono: Trajano Pires da Nóbrega
Cadeira 02 – Fundador: Guilherme Gomes da Silveira d`Ávila Lins
Patrono: Manuel Maia de Vasconcelos
Cadeira 03 – Fundadora: Maria do Socorro Cardoso Xavier
Patrono: Wilson Nóbrega Seixas
Cadeira 04 – Fundador: Thomas Bruno Oliveira
Patrono: Antonio Pereira de Almeida
Cadeira 05 – Fundador: Berilo Ramos Borba
Patrono: José Leal Ramos
Cadeira 06 – Fundador: Ricardo Bezerra
Patrono: Antônio Vitoriano Freire
Cadeira 09 – Fundador: Nemésio Gomes Cavalcanti
Patrono: Robson Duarte Espínola
Cadeira 11 – Fundadora: Marinalva Freire da Silva
Patrona: Carmen Coelho de Miranda Freire
Cadeira 12 – Fundador: Joaquim Osterne Carneiro
Patrono: Maurílio Augusto de Almeida
Cadeira 13 – Fundadora: Natércia Suassuna Dutra
Patrono: Raimundo Suassuna
Cadeira 15 – Fundador: João Abelardo Lins Barreto
Patrono: Américo Sérgio Maia
Cadeira 17 – Fundador: Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior
Patrono: Antônio Tancredo de Carvalho
Cadeira 19 – Fundador: Teldson Douetts Sarmento
Patrono: Walter Sarmento de Sá
Cadeira 20 – Fundador: Elmano Cunha Ribeiro
Patrono: Domingos de Azevedo Ribeiro
Cadeira 21 – Fundador: Humberto Fonseca de Lucena
Patrono: Luiz Hugo Guimarães
Cadeira 22 – Fundadora: Maria das Victórias Chianca
Patrono: Deusdedit de Vasconcelos Leitão
Cadeira 23 – Fundador: Cícero Caldas Neto
Patrona: Analice Caldas
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NOTÍCIAS I.P.G.H. 2020

No dia 07/05/2020 faleceu de


parada cardio-respiratória o confrade
Wills Leal, aos 86 anos de idade. Na-
tural da cidade de Alagoa Nova (PB),
nasceu em data de 18/09/1936. Jorna-
lista, crítico de cinema, escritor e
membro do I.P.G.H

Neste ano de 2020 recepcionamos 3 novos Membros Cor-


respondentes nos quadros do I.P.G.H.

José Rodrigues de Arruda


Genealogista, Escritor
Cidade: Serrinha (RN)

Gustavo José Barbosa


Pesquisador
Cidade: Solânea (PB)

Abdias Flauber Dias Barros


Pesquisador e Escritor
Cidade: Doha - Qatar
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O MÉDICO MARIANO BARBOSA,


UMA VIDA DEDICADA À SERVIR

Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior1


junioradm2003@hotmail.com

Dedicamos este trabalho

À minha querida mãe,


Aurora Gomes Pinto,
Ser humano de múltiplas qualidades,
De quem herdei muitos traços de personalidade,
A exemplo do gosto por cultivar nossas
histórias e colecionismos familiares,
que hoje me ajudam a contar um pouco
das nossas raízes genealógicas, das quais somos deveras orgulhosos.
Por todo o cuidado e atenção dedicado
a mim ao longo de nossas vidas,
Pela preocupação em nos transmitir os
valores mais justos e buscar incansavelmente fazer de nós
seres humanos sempre melhores.
A você, mãe, minha eterna admiração e gratidão filial,
Rogando ao Pai do Céu que te abençoe
E te cuide a cada novo dia!

1 Sócio Efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica – IPGH.


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Apresentação
A figura de Mariano Barbosa
dificilmente será esquecida, por-
que êle exerceu um apostolado,
que não pode findar enquanto
servir de exemplo para as novas
gerações, que nêle hão de ter
sempre um grande e nobre mode-
lo!
Oscar de Castro

A
s histórias familiares, contadas por nossos avós, pais ou
mesmo pessoas próximas, contemporâneas do Dr. Mari-
ano Barbosa e que em algum momento bom ou ruim de
suas vidas travaram conhecimento com a figura do mé-
dico e do ser humano, sempre nos despertaram grande
curiosidade, principalmente pelo tom heróico que essas narrativas
ganhavam na boca dessas pessoas, vivenciadas em tempos longín-
quos das primeiras décadas do século XX, em geral pontuadas por
enormes dificuldades, principalmente materiais.
Ao longo de nossa adolescência e vida adulta, essas histó-
rias sempre foram recorrentes e povoaram a imaginação, quando o
assunto abordado era nascimentos de filhos e problemas corriquei-
ros de saúde. E lá surgia a figura benevolente e diligente do Dr.
Mariano! Foi ele, certamente, um dos primeiros, senão o primeiro
médico a socorrer pessoas na maioria das pequenas cidades que
surgiram no século passado, na proximidade dos limites da velha
cidade de Bananeiras.
A motivação para esse novo trabalho surge da minha curi-
osidade em aprofundar mais o conhecimento da história de vida
dessa personalidade de marcante atuação na região do brejo, além
da necessidade em homenagear esse que foi, certamente, o médico
que teve a primazia de atuar mais efetivamente junto à população
da pequena povoação de Moreno, atual município de Solânea.
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Histórias da vida real, de muitas dificuldades e extrema


humanidade do médico e do homem solidário à causa do próxi-
mo, que diante da pobreza material da clientela, lançava mão de
recursos inimagináveis para salvar vidas. Atuando como profissi-
onal da saúde pública, médico talentoso que era, sua capacidade e
popularidade inevitavelmente o direcionaram também para ou-
tras esferas, a exemplo da política e da sala de aula. Atendendo
aos apelos da política local, o Dr. Mariano representou o interesse
dos bananeirenses no intervalo 1929-1930, na condição de prefeito
municipal, tendo deixado, ainda que num curto espaço de tempo,
sua marca registrada no município.
Na memória local, seu nome é sempre lembrado pelos
bons serviços prestados em prol da comunidade, notadamente
aquela carente, que recorria aos seus valiosos serviços em Bana-
neiras, Solânea, Serraria, Borborema, Araruna, Cacimba de Den-
tro, Dona Inês etc..
O aparecimento desse estudo genealógico vem assinalado
por uma particularidade – a atual manifestação da pandemia do
novo corona vírus – que vem gerando uma situação atípica em nos-
sas vidas, nos condicionando ao isolamento social. Por essa razão,
o tratamento dos dados básicos necessários para o texto ocorreu
essencialmente em frente à tela de um computador, ante a impos-
sibilidade das visitas presenciais. Temos consciência que poderí-
amos ter ido mais além, coletando mais informações e experiên-
cias. Contudo, apesar de todos os percalços, fizemos até onde nos
foi possível.
O trabalho está organizado em duas partes distintas: na
primeira trazemos elementos biográficos e informações básicas da
trajetória de vida do Dr. Mariano, desde o nascimento até o fale-
cimento, destacando alguns acontecimentos importantes da sua
vida.
A segunda parte apresenta suas origens familiares e des-
cendência. Num esboço simples, sua árvore familiar foi resgatada,
iniciada a partir de Francisco Barbosa Aranha da Franca e D. Ma-
ria Rosa Cavalcante de Albuquerque, pais de Mariano, a quem
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chamaremos aqui de “casal tronco” para demonstrar a evolução


da família, que abrange os trinetos do casal.
Para a formatação desse trabalho, nos valemos inicialmente
da pesquisa em documentos cartorários e eclesiásticos, além da
consulta em alguns jornais de época. O passo seguinte foi a busca
pela história oral familiar. Para tanto, nessa fase contamos com a
valiosa colaboração do Sr. Manoel Luiz da Silva, que muito gen-
tilmente se dispôs a fornecer algumas anotações feitas de punho
próprio, a partir de elementos colhidos em diversas fontes e junto
à parentela do Dr. Mariano. A propósito, não podemos nos olvi-
dar de registrar, de forma especial, o sincero agradecimento ao sr.
Manoel, valioso amigo e um abnegado pesquisador de múltiplos
dados da história bananeirense, cujo contributo muito envaidece
aquela terra brejeira.
Um agradecimento todo especial é dirigido ao confrade e
amigo Cícero Caldas Neto, pela disponibilidade, pela leitura aten-
ta e pelas observações úteis.
Seguindo as usuais normas do IPGH, foi formatada a parte
genealógica adotando-se o critério de numeração alfanumérica
para a exposição da evolução das gerações subsequentes ao casal
tronco Francisco Barbosa e Maria Rosa. Tomando por base o cita-
do casal, foram utilizadas as seguintes abreviaturas para demons-
trar a evolução das gerações:
F - filho
N - neto ou 1º neto
B - bisneto ou 2º neto
T - trineto ou 3º neto

Solânea (PB), Novembro de 2020.

Edinaldo Cordeiro Pinto Júnior


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As Origens
Antigo sobrenome familiar, os
Barbosa há muito se acham presentes em
Portugal. Na apreciação de muitos
linhagistas, o primeiro a aparecer com esse
apelido é D. Sancho Nunes de Barbosa, que
fez a Quinta da Barbosa, na terra do
mesmo nome, da qual se chamou. Fica a
referida quinta, solar da família, a três
léguas da cidade do Porto, na freguesia de
S. Miguel das Rãs, que pertencia ao
mosteiro de Cete, distando meia légua do
de Paço de Sousa e uma do rio Douro. D.
Sancho Nunes de Barbosa era filho do
Conde D. Nuno de Cellanova; neto paterno
do Conde D. Teobaldo Nunes, ilustre e
valoroso cavaleiro do tempo de D.
Bermudo II de Leão; bisneto, por esta via,
de D. Nuno Guterres e de sua mulher a
Condessa D. Velasquita; terceiro neto, por varonia, de D. Guterre
Mendes, Conde de Tui e do Porto, governando desde o Porto até
Águeda, e, também, Conde de Cellanova e senhor da vila de Salas,
muito estimado na Corte leonesa e grande vencedor dos Mouros,
casado com D. Ilduara2.
A linhagem dos Barbosas é das mais antigas da Península,
entrando em todas as grandes famílias. D. Sancho Nunes de
Barbosa ligou-se pelo casamento à Família Real portuguesa e seus
filhos aos de D. Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, e aos
Sousas, Braganções e Ferreiras. Tais ligações mostram bem a
categoria da família.

2
ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins. Armorial Lusitano – Genealogia
e Heráldica. Lisboa: Editorial Enciclopédia Ltda., 1961, p. 81.
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As Armas

O Brasão de Armas da família, no qual predomina


o estilo espanhol-português, de acordo com o Armorial
Lusitano, ostenta em campo de prata, banda azul em po-
sição oblíqua, carregada de três luas crescentes de ouro e
ladeada de dois leões afrontados e trepantes de púrpura,
armados e lampassados de vermelho.
A prata simboliza nos elementos da natureza a
água e nas pedras preciosas as pérolas. Nos planetas, vê-
se no sentido da lua, que representa a vitória contra obs-
curidades de calúnias. Já nas virtudes, está para a humil-
dade e pureza, enquanto que nas qualidades mundanas
ressaltam-se a integridade e vitória sem sangue derrama-
do.
O azul em banda representa o céu, aspiração à fe-
licidade eterna.
A cor púrpura nos remete a virtude, sendo repre-
sentada no reino animal pelo leão. É também a cor da no-
breza e autoridade, nas qualidades mundanas.

O Timbre
Um leão de escudo, sainte.
O leão, animal solar repleto de qualidades divinas, é
o mais heráldico de todos os animais e representa força,
grandeza, comando e coragem. Como imagem bíblica está
relacionado ao leão de Judá, símbolo do bem.
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Introdução
Quantas vezes, meditando sobre
a grandeza da luta de Mariano
Barbosa, senti orgulho de ser
médico, tal a sensação de segu-
rança que os seus cuidados sem-
pre me proporcionaram.!
Oscar de Castro

A região conhecida como Várzea do Paraíba, segundo in-


formes de Coriolano de Medeiros (2016)3, teve o seu povoamento
principiado logo que os portugueses fundaram a cidade da Fili-
péia de Nossa Senhora das Neves. Os terrenos do atual município
foram os primeiros desbravados pelo elemento colonizador. No
ano de 1587, o Capitão Martim Leitão fundou em Tibiri o forte São
Sebastião e, em suas proximidades, ergueu o primeiro engenho de
cana de açúcar da Paraíba. Ao redor da fortificação foi localizada
uma aldeia de nativos tabajaras que, provavelmente, deu início à
colonização do município.
De acordo com a historiografia paraibana, uma capela, cri-
ada por ali em 1771, promoveria a intensificação da civilização na
várzea do Paraíba. Com o passar dos anos e a gradativa prosperi-
dade da agricultura canavieira, Santa Rita teve rápido desenvol-
vimento, impulsionado não somente pelo fato de estar no centro
de distrito açucareiro, mas por também ficar à margem da estrada
que ligava a Capital ao sertão.
No segundo decênio do século XIX, o povoado toma novos
impulsos comerciais, fato que concorreu para a sua ascensão à

3
MEDEIROS, Coriolano de. Dicionário Corográfico do Estado da Paraí-
ba. – 4. Ed. – João Pessoa: IFPB, 2016, p. 255.
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categoria de vila, como território desmembrado do da Cidade da


Paraíba, por Decreto estadual nº 10, de 9 de março de 18904.
Aos 20 de fevereiro de 1839 a povoação é elevada à catego-
ria de Paróquia5, por meio da Lei provincial nº 2.

O Nascimento

Na região que acabamos de assinalar, está localizado o


Engenho São Francisco, também chamado Gitó, local que guarda
numerosas e ricas tradições familiares, para onde convergem to-
das as atenções nas histórias de vida que buscamos resgatar nesse
apanhado. Foi naquele local que, numa linda manhã de abril do
ano de 1892, num sábado ensolarado, abria os olhos para o mundo
o pequeno Mariano, sétimo representante de uma prole de doze
irmãos, filhos do casal Francisco Barbosa Aranha da Franca e D.
Maria Rosa Cavalcante de Albuquerque, membros das melhores
famílias de tradição do local. Sua chegada foi coroada de felicida-
de e comemoração para a família, em cujo seio as mulheres pre-
dominavam.
O pequeno Mariano tinha como avós paternos o Coronel
Antonio Barbosa Aranha da Franca e D. Joanna Firmiota Correa
de Paiva e avós maternos Manoel Odorico Cavalcanti de Albu-
querque e D. Catarina Paiva Cavalcanti de Albuquerque.
Como era comum à tradicional família cristã, logo após o
segundo mês de nascimento foi providenciado o seu batismo, para
reforçar o testemunho público da fé e salvação em Jesus Cristo.
Assim, o menino Mariano foi levado à pia batismal da Igreja da
Ordem Terceira do Carmo, da antiga Cidade da Parahyba (atual
município de João Pessoa) aos 27/07/1892. O celebrante do evento

4
IBGE. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, XVII vol., Rio de Janei-
ro, 1960, p. 366.
5
CAMARA, Epaminondas. Municípios e Freguesias da Paraíba. Cam-
pina Grande: Edições Caravela, 1997, p. 33.
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foi o Cônego Meira e aparecem como seus padrinhos Manuel R.


de Paiva e Francisca M. de Paiva, parentes da família pelo lado
paterno. Seu registro de batismo encontra-se devidamente guar-
dado no arquivo da Cúria Metropolitana da Paraíba, na capital do
Estado.
A infância, feliz e despreocupada, comum a um menino de
engenho, foi vivida em contato direto com os moleques da baga-
ceira, vivenciando as brincadeiras e peraltices próprias de sua
época e idade; os banhos no Rio Paraíba, os passeios e caçadas, o
ambiente cotidiano do engenho e toda a realidade ao seu redor.
No convívio familiar sadio e na mais perfeita paz, dividindo seu
tempo entre os primeiros estudos e a vida cotidiana em seu meio,
o menino ia aos poucos crescendo, transitando entre os engenhos
Gitó, Do Meio e Mucuta, todos encravados nas terras férteis da re-
gião da Várzea do Paraíba, propriedades rurais de sua família.
Já em idade apropriada para os primeiros contatos com a
educação formal, seus pais o matriculam na escola da professora
Francisca Rodrigues Moura, afamada pedagoga que relevantes
serviços educacionais prestou à capital da Paraíba. Tão logo con-
cluiu ali os primeiros estudos, ingressou na escola secundária,
passando a frequentar o Colégio Pio X, que a seu tempo funcionou
no Convento de São Francisco, onde foi contemporâneo de profes-
sores como Monsenhor Odilon Coutinho, Monsenhor Milanez, Dr.
Lindolfo Correia Lima e outros. A seguir, planificando um futuro
de grandes possibilidades, matriculou-se no curso secundário do
Lyceu Paraibano, onde concluiu os preparatórios no ano de 1913.
Inicia-se o ano de 1914. Mariano, agora um moço de 21
anos de idade, prepara-se para enfrentar novos desafios. O próxi-
mo passo é a cidade do Rio de Janeiro, capital do país, para onde
seus pais o encaminham com a finalidade de iniciar seus estudos
superiores. Viajando de navio com alguns amigos de escola, den-
tre os quais o amigo mais próximo Osvaldo Pessoa, e tendo em
mãos uma carta de encaminhamento do Dr. Epitácio Pessoa Ca-
valcanti de Albuquerque, chegava Mariano ao Rio, onde foi rece-
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bido pelo Sr. Severino Neiva, pessoa de grande importância para a


continuidade de seus estudos.
Instalado na cidade do Rio, longe e saudoso da casa pater-
na, Mariano, no entanto, não descura de suas responsabilidades e
dia após dia prepara a base para o seu futuro. Aluno aplicado,
presta concurso para os Correios e Telégrafos e alcança aprovação
com boa classificação. Sua nomeação, entretanto, obrigava-o dei-
xar o Rio de Janeiro, pois fora nomeado para exercício em São
Paulo, como praticante da 2ª classe na referida repartição.
Já em princípios do ano de 1915 vamos encontrar Mariano
residindo em São Paulo, desempenhando suas novas funções ad-
ministrativas e paralelamente prestando concurso vestibular. O
jornal Correio Paulistano, em sua edição 18.528 de 14/02/1915, traz
notas informativas com lista dos alunos aprovados e matriculados
para ingresso na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo,
na qual aparece o nome de Mariano. Embora exercesse sua função
pública, isso jamais representou empecilho para que fosse um alu-
no destacado no curso de Medicina, mesmo trabalhando durante o
dia e estudando à noite.
Tempos depois, interesses de ordem particular o motivari-
am a pedir transferência do
emprego e da faculdade para
a Capital Federal. O Correio
Paulistano, em sua edição
19.608, de 07/02/1918 traz
pequena nota informativa
sobre sua partida de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro.
De volta ao Rio de Janeiro, o competente e abnegado estu-
dante vai aos poucos galgando novos degraus em sua escalada
profissional, sem descurar dos estudos. Nesse período encontra-
mos a seguinte notícia a seu respeito:
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Informativo sobre aprovação de Ma-


riano no Segundo ano de Medicina
Fonte: Jornal Diário de Pernambuco,
Edição 001 – 01/01/1920.

A edição 531 de O Jornal (RJ), de 30/11/1920, traz a lista de


alunos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, citando Mari-
ano como matriculado no 3º ano, para cumprir exames práticos
agendados da disciplina Microbiologia.
Dia de Natal do ano de 1921. A bordo do vapor “Itassucê”,
que partia do Rio de Janeiro com destino a Mossoró (RN) com
escalas, encontramos o jovem acadêmico Mariano em viagem de
férias, com o coração ansioso e saudoso para breve chegada à casa
paterna, onde teria a oportunidade de voltar a abraçar os parentes
e amigos e desfrutar de merecido descanso.6
A vida acadêmica no Rio de Janeiro lhe trouxera satisfação
e bons relacionamentos por onde transitou. Foi aluno e discípulo
de grandes mestres como os pro-
fessores Miguel Couto e Moura
Brasil, dois grandes referenciais
para a carreira vitoriosa que abra-
çou. Aliás, o fato de ter sido cola-
borador na clínica do Dr. Moura
Brasil representava para ele motivo
de muita satisfação.
Em princípios de 1924, o
final vitorioso de uma longa jorna-
da. Aos 07 de abril desse ano ocor-
ria a almejada formatura, para co-
roar todos os seus esforços. O tema

6
Nota retirada de O Jornal (RJ), Edição nº 899 de 25/12/1921.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 25

de sua tese, brilhantemente defendida, tratava sobre “Insuficiência


Ovariana”, pela qual ele recebeu aprovação com distinção.
Após a conclusão do curso, o novo médico regressa à Para-
íba. Ainda em fins do ano de 1924 encontramos notícias de sua
primeira nomeação, em caráter de interinidade, para o cargo de
médico do Patronato em Bananeiras. No entanto, a referida nome-
ação, por motivos que desconhecemos, foi tornada sem efeito.

Informe de nomeação Portaria tornada sem efeito


Fonte: O Jornal (RJ), Fonte: O Jornal (RJ),
Edição 1.780, 17/10/1924. Edição 1.854, 11/01/1925.

Curiosamente, após a referida portaria do Ministério da


Agricultura, que logo em seguida foi tornada sem efeito, não en-
contramos outra referência que tratasse de vínculo público de Ma-
riano. Conjecturamos que nesse intervalo do ano de 1925 teria ele
prestado serviços autônomos em sua terra de nascimento ou na
capital do Estado. Somente em fins de 1926 vamos ter novas notí-
cias sobre seu paradeiro, agora
chefe do posto profilático de
Bananeiras. Em seguida, ocorre
nova nomeação, como consta
de nota informativa, que desta-
camos ao lado:
A mencionada Portaria,
datada de 18/01/1927, foi assi-
nada pelo então governador da Paraí- Nova nomeação para o Patronato
Fonte: O Jornal (RJ),
ba, João Suassuna, que o nomeava pa-
Edição 2.489, 19/01/1927.
ra cargo junto à Saúde Pública Estadu-
26 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

al, com exercício no Aprendizado Agrícola Vidal de Negreiros de


Bananeiras, com atuação em boa parte do brejo paraibano, para
trabalhar na frente de combate à “bouba”7.
Dessa forma, efetivamente chegava o Dr. Mariano a Bana-
neiras, cheio de aspirações e ideias novas para colocar em prática
tudo o que havia aprendido nos anos de estudos. Nesse momento,
o Dr. Mariano principiava o desenvolvimento de um profícuo e
sério trabalho, cuidando da saúde dos jovens estudantes, além de
também atuar como professor de higiene, até completar seu tempo
de aposentadoria.
Através da leitura de alguns documentos guardados no
arquivo do antigo Patronato, encontramos importante comunica-
do feito pelo Dr. Mariano ao Agente dos Correios de Bananeiras,
no qual informava suas novas atribuições (Diretor do Patronato
Vidal de Negreiros) em caráter de interinidade:
19 de janeiro de 1932

Sr. Telegrafista Agente dos Correios de Bananeiras

Comunico-vos, para os devidos fins, haver nesta da-


ta, tomado posse e entrado em exercício do cargo de
Diretor deste Patronato, para o qual fui designado
por Portaria de 14 do corrente mez, do Sr. Interven-

7
Até meados do século XX, a “bouba”, também conhecida como framboe-
sia, causada pela bactéria Treponema pertenue, era uma doença muito co-
mum no Brasil, chegando a ser endêmica em várias partes do Brasil, es-
pecialmente Norte e Nordeste. A doença é transmitida pelo contato com
a pele de indivíduos infectados, sendo altamente contagiosa. Algumas
vezes era confundida com a sífilis em razão de alguns sintomas seme-
lhantes, embora não fosse de transmissão venérea. A doença causa feri-
das e ulcerações na pele, que em estágio avançado podem comprometer
tecidos mais profundos e ossos. As ações mais efetivas para a erradicação
da doença principiaram a partir da década de 1930, quando os governan-
tes do país passaram a implantar medidas mais robustas contra as epi-
demias que acometiam parte significativa de brasileiros em estado de
pobreza, subnutridos e sem assistência médica.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 27

tor Federal, neste Estado, enquanto durar o impedi-


mento do serventuário efetivo.
Saúde e Fraternidade.

Dr. Mariano no consultório do Patronato Vidal de Negreiros


Fonte: Acervo do CAVN

Além de sua atuação junto ao Patronato, o Dr. Mariano


também atuou junto à Maternidade de Bananeiras, quando para
ali, em razão da enorme carência e dificuldade de médicos na loca-
lidade, se encaminhavam pacientes de diversos municípios como
Solânea, Araruna, Cacimba de Dentro, Dona Inez, Pirpirituba,
Arara, Borborema, Barra de Santa Rosa entre outros.
Paralelo a essas atribuições, também exerceu o magistério
na segunda fase do famoso Colégio Instituto Bananeirense, a convi-
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te do professor Dionísio Maia, onde deu importante contribuição


para a educação local. Na década de 1940 prestou serviços à Legi-
ão Brasileira de Assistência (LBA)8 como médico e tesoureiro,
atendendo às famílias dos convocados, além de integrar o corpo
de obstetras da Maternidade Padre Ibiapina, de Bananeiras.
Atuando emdiversas esferas da vida pública de Bananei-
ras, não demoraria muito para que a política lhe acenasse. As au-
toridades políticas locais viam nele um nome digno e capacitado
para reger os destinos da cidade. Desse modo, seu nome é indica-
do para prefeito de Bananeiras, tendo atuado por nomeação no
referido cargo por curto período, 1929/1930. No entanto, transi-
tando pelo universo político de múltiplos interesses e sendo ele
um homem de ideias próprias, a discordância de opiniões em rela-
ção ao governador da época, o sr. João Pessoa, ocasionaria a sua
exoneração do cargo. Posteriormente, o encontramos em mais
uma experiência na esfera política de Bananeiras, como Vereador,
eleito no pleito de 15 de novembro de 1935 pelo Partido Progres-
sista, para exercer um mandato de quatro anos.
Como representante do Poder Legislativo, sempre preocu-
pado com o bem estar social, seu plano de ação esteve voltado
para apoiar trabalhos comunitários. No ano de 1936 é eleito 1º
Secretário da Mesa, sob a presidência de Anísio da Costa Maia e
tendo Pio Cavalcanti de Mello como 2º Secretário.
Após essas duas experiências, e convencido de que não
nascera para tal atividade, o Dr. Mariano abandona a política, de-
cidindo retornas à sua rotina de médico, que o realizava plena-
mente.
Aos 17/01/1958, completando o tempo de serviço necessá-
rio para encerrar suas atividades funcionais, requer aposentadoria.

8
A LBA foi um órgão assistencial público brasileiro fundado em 28 de
agosto de 1942, pela então primeira-dama Darcy Vargas, cujo objetivo era
prestar ajuda às famílias dos soldados enviados à Segunda Guerra Mun-
dial, que contava com o apoio da Federação das Associações Comerciais e
da Confederação Nacional da Indústria.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 29

A partir de então muda-se para a capital, passando a residir no


bairro de Tambiá.
Aos 27 de junho de 1968, em sua residência, saía de cena,
aos 76 anos de idade, o grande homem que tantas vidas salvara,
vítima de um ataque cardíaco.
Incansável e vigilante profissional, destemido e forte, cons-
ciente nos deveres a cumprir, foi o médico de inúmeras famílias
da região, sempre abnegado e pronto a servir. A grandeza de sua
alma e a sua sensibilidade diante das dores do semelhante trans-
formaram-no num homem respeitado e valorizado pela clientela,
que depositava nele muita confiança. Para o Dr. Mariano não ha-
via distinção de raça, cor ou poder aquisitivo, pois o seu senso
humanitário estava acima de quaisquer interesses. Fizesse chuva
ou sol, lá estava ele diligentemente
para exercer o seu mister. Muitas
vezes montado a cavalo, percor-
rendo lamacentos caminhos,
para uma visita médica, um par-
to difícil, ou para realizar uma
cirurgia.
Os anos de trabalho o
fizeram médico experiente, exí-
mio parteiro; salvou inúmeras
vidas, granjeou fama e gozou da
confiança da gente das redonde-
zas. Ganhou uma legião de afi-
lhados, muitos deles salvos de
partos julgados impossíveis. Foi
compadre de três dos meus bi-
savós.
No dizer do amigo Oscar de Castro, contem-
porâneo dos tempos da Faculdade do Rio de Janeiro, Mariano
Barbosa era despreocupado de qualquer recompensa, mesmo
quando camufladas em presentes que eram provas de gratidão.
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No Conselho Regional de Medicina da Paraíba, o Dr. Mari-


ano teve seu nome inscrito sob nº 182, e sua especialidade era Obs-
tetrícia e Clínica Médica.9
Por ocasião de sua morte, muitas foram as manifestações
de pesar e tristeza pela perda do grande homem, mas uma delas,
em especial, escrita pelo Dr. Oscar de Oliveira Castro em forma de
crônica e publicada em jornal da capital, expressava com muito
sentimento sua dor pela perda do amigo.
Em 1992, por ocasião da passagem de seu centenário de
nascimento, a comunidade bananeirense prestou expressiva ho-
menagem ao Dr. Mariano. Na especial ocasião, representando toda
a comunidade das cidades vizinhas e em nome de muitos cida-
dãos, proferiu tocantes palavras o historiador ararunense Humber-
to Fonseca de Lucena, membro do IPGH e nosso confrade, que na
infância costumeiramente encontrava o Dr. Mariano em periódicas
visitas à farmácia de seu pai em Araruna. O historiador fez signifi-
cativa homenagem, num discurso de enaltecimento das qualidades
do grande médico. De sua fala, extraímos alguns trechos que jul-
gamos importantes e que ilustram bem a história desse apóstolo a
serviço da medicina:

No fim da década de 30, já considerado um médico


de extraordinária competência, tinha ganhado o re-
conhecimento de todos e sua fama ultrapassava as
fronteiras de Bananeiras. Médico do interior, dedica-
va-se à clínica geral, atendendo desde um simples
resfriado até casos mais graves. Podia ser uma perna
quebrada, um tiro ou uma facada. Uma crise de ner-
vos ou um ataque do coração. Uma simples cirurgia
ou uma operação mais complicada. Dr. Mariano re-
solvia tudo.
Foi, entretanto, como parteiro que seu nome ganhou
mais fama e prestígio. Como tal, era requisitado para

9
MEDEIROS, José Eymard Moraes de. Dicionário Biográfico dos Médi-
cos da Paraíba. João Pessoa: Grafique, 2014, p. 211.
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todas as cidades da redondeza: Araruna, Cacimba de


Dentro, Arara, Solânea, Dona Inês, Borborema, Pir-
pirituba, Barra de Santa Rosa. Nestes lugares era re-
cebido como um anjo salvador. Sua presença inspi-
rava confiança, trazia conforto para as famílias.
Quantas vezes, à custa de tensões, que só Deus sabe,
passou horas a fio, pacientemente, resolvendo um
parto difícil. Quantas vidas humanas, por aqueles
Brejos e Curimataús, foram salvas por conta de seus
desvelos e de sua intuição! E quantas outras tantas
vieram ao mundo por suas mãos habilidosas! Raro
era o caso de insucesso. Quando isso acontecia era
porque tinham chamado tarde demais. Dr. Mariano
era um sábio!
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Árvore da Descendência
de
Francisco Barbosa Aranha da Franca e
Maria Rosa Cavalcanti de Albuquerque
Mariano Barbosa destacava-se
pela seriedade com que encarava
os seus estudos [...] pela genero-
sidade com que sabia servir a to-
dos os colegas, pela estabilidade
emocional que o faria sempre o
mesmo homem.
Oscar de Castro

Para nos familiarizar com a história de vida do Dr. Maria-


no, necessário se faz voltar no tempo e ir de encontro à pessoa do
sr. Francisco Barbosa Aranha da Franca, que viveu no Engenho
São Francisco, da Vila de Santa Rita (PB). Ele viria, anos mais tar-
de, a se tornar o pai de Mariano.

Francisco era filho do senhor de engenho Antonio Barbosa


Aranha da Fonseca (*1801) e de Joanna Firmiota Corrêa de Paiva.
Formou-se Bacharel em Direito no Recife no ano de 1873, confor-
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me informava Martins (1931)10. No ano de 1869 encontramos refe-


rências suas como aluno do primeiro ano do curso. Em 1888, o
Jornal da Paraíba, edição 2689, traz nota informativa do presidente
da província designando-o para o cargo de 1º Juiz Municipal de
Órfãos na capital. Francisco foi proprietário do Engenho São Fran-
cisco, no qual se localizava sua moradia no lugar Gitó, em Santa
Rita. Há também informa-
ções da família como pro-
prietária dos engenhos
Mucuta e do Meio, locali-
zados em Santa Rita. No
Recenseamento do ano de
1920 consta seu nome co-
mo também proprietário
do Engenho Muente11.

Antiga Capela do
Engenho Mucuta, localizado
em Santa Rita (PB).

Francisco casou-se com Maria Rosa Cavalcante de Albu-


querque Aranha da Franca, nascida no ano de 1859 e falecida aos
21/11/1918 na capital da Paraíba, filha do Capitão Manoel Odori-
co Cavalcante de Albuquerque e D. Thereza Amélia de Paiva Ca-
valcante.
Do jornal O Norte, em sua edição 3067, de 26/11/1918, ex-
traímos da seção de necrológio a seguinte nota, que muito nos au-
xiliaria para a construção da árvore familiar:

10
MARTINS, Henrique. Lista Geral dos Bachareis e Doutores que têm
obtido o respectivo grau na Faculdade de Direito do Recife. Recife: Typ.
Diario da Manhã, 1931, p. 69.
11
Recenseamento do Brazil: Relação dos proprietários dos Estabelecimen-
tos Ruraes Recenseados no Estado da Parahyba. Rio de Janeiro: Typ. da
Estatistica, 1928, p. 256.
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† Maria Rosa Aranha da Franca


Francisco Barbosa Aranha da Franca, Thereza, Joanna,
Anastacia, Maria Gasparina, Dulce, Lydia, Corintho, Ma-
riano (ausente), Margarida, Emerenciana, Philomena e Zi-
ta Barbosa e Antonio de Vasconcellos Paiva, compungidos
com o falecimento de sua nunca esquecida esposa, mãe e so-
gra, MARIA ROSA ARANHA DA FRANCA, do íntimo
d’alma agradecem às pessoas que acompanharam os seus
restos mortaes á sua ultima morada e convidam os parentes
e amigos a assistirem as missas que mandam celebras, ás
seis horas do dia 27 do corrente, sétimo de seu passamento,
na Egreja da Cathedral, pelo seu descanço eterno, hypothe-
cando, desde já, os seus agradecimentos.

A foto ao lado, ainda


que esmaecida e castigada
pela ação do tempo, ilustra um
momento familiar do casal
Francisco Barbosa Aranha da
Franca e Maria Rosa Cavalcan-
te de Albuquerque, num dos
seus engenhos, no município
de Santa Rita.

Do consórcio matrimo-
nial de Francisco e Maria Rosa
houve a seguinte sucessão:

F1. Manoel Barbosa Aranha de Franca nasceu no Engenho São


Francisco (Gitó), município de Santa Rita (PB) aos 17/06/1881. Foi
batizado na Matriz de N. Senhora das Neves aos 06/07/1881. Fa-
leceu ainda criança.
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F2. Theresa Beatriz Barbosa Aranha da Franca “Santa” nasceu no


Engenho São Francisco (Gitó), município de Santa Rita aos
17/06/1882 pelas cinco da manhã. Foi batizada na Matriz de Nos-
sa Senhora das Neves aos 17/06/1882. Faleceu em João Pessoa aos
02/04/1965, cf. Termo 23.998, fls. 22, Livro de Óbitos 1965-1966 do
cartório civil de João Pessoa. Foi sepultada no Cemitério do Senhor
da Boa Sentença. Era solteira e não deixou descendência.
F3. Anastácia Antonieta Barbosa Aranha da Franca “Nena” nas-
ceu no Engenho São Francisco (Gitó), município de Santa Rita no
ano de 1884. Encontramos seu termo de Registro Civil às fls. 78, do
Livro A-182, daquele cartório. Faleceu em João Pessoa aos
18/04/1975, cf. Termo 37.339, Livro de Óbitos 1974-1975 do cartó-
rio civil de João Pessoa.

Casou-se civilmente aos 21/10/1913 com Antonio de Vas-


concelos Paiva (*1884-†18/07/1925), filho de José Paulino de Vas-
concelos Paiva e Virgulina Marcelina de Paiva, cf. Termo 1841, às
fls. 209, Livro B-11 do Cartório Civil de João Pessoa. Antonio resi-
diu na capital, onde era primeiro escriturário da Delegacia Fiscal.
Dessa união soubemos dos filhos:
N1. Maria do Carmo Paiva nasceu em João Pessoa aos
11/06/1915. Casou-se em João Pessoa a 01/02/1947 com o
primo Antonio Pessoa Barbosa (*20/11/1924-†?), filho de
Corinto Barbosa Aranha da Franca e Maria Isabel Pessoa
Barbosa, cf. Termo 7.105, fls. 114 v, Livro 1947 do Cartório
Civil de João Pessoa.
N2. José de Vasconcelos Paiva nasceu em João Pessoa aos
26/03/1920. Casou-se aos 24/06/1944 com Maria Carolina
de Athayde (*02/08/1923-†06/01/2002), natural de João
Pessoa, filha do Major Rodolfo Augusto de Athayde (*1890-
†1972) e Emília Augusta de Athayde (*1892-†?), cf. Termo
5.484, fls. 265, Livro 1944 do Cartório Civil de João Pessoa.
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N3. Maria de Lourdes Paiva Rocha nasceu em João Pessoa.


Casou-se com Jurandy Rocha (*25/10/1910-†11/01/1999),
filho de Antonio Alves da Rocha e Anna Águeda Rocha,
naturais de Bananeiras. São filhos do casal:
B1. Selma Rocha Monteiro
B2. Sônia Maria Rocha Silva
B3. Norma Rocha Pedrosa
B4. Caio Paiva Rocha
B5. Antonio Paiva Rocha
N4. Maria Rosa Paiva nasceu em João Pessoa.
F4. Maria Gasparina Barbosa Aranha da Franca Veiga “Yayá”
nasceu no Engenho São Francisco (Gitó), município de Santa Rita
aos 06/01/1886. Faleceu em João Pessoa aos 21/04/1977, cf. Ter-
mo 1.948, fls. 185 v, Livro de Óbitos C-2 do Cartório Civil de João
Pessoa.

Casou-se no primeiro cartório da Capital aos 10/05/1928


(cf. Termo às fls. 62 v, Livro B-22 do cartório civil de João Pessoa)
com João Ribeiro da Veiga Pessoa Júnior (*09/08/1892-
†13/02/1975), natural de João Pessoa, funcionário público estadu-
al, viúvo de Adalgisa Batista da Veiga Pessoa (*28/04/1892-
†29/05/1925), filho de João Ribeiro da Veiga Pessoa e Amélia Fi-
gueiredo da Veiga Pessoa. João foi membro do IHGP e da Acade-
mia Paraibana de Letras. Desse matrimônio são os filhos:
N5. Maria do Socorro Veiga nasceu em Santa Rita aos
16/04/1919 e faleceu ainda criança aos 07/04/1926.
N6. Maria do Morro Veiga nasceu em Santa Rita aos
08/12/1920. Casou-se em João Pessoa aos 23/12/1949 com
Agenor Amorim de Medeiros (*22/06/1913-†04/11/1963),
filho de Francisco Pimenta de Medeiros Paz (*1871-†1958) e
Arlinda Régis de Amorim (*1884-†1939).
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N7. José Glâncio Veiga nasceu em Santa Rita aos


28/07/1923.
F5. Lydia Barbosa Aranha da Franca Tavares nasceu no Engenho
São Francisco (Gitó), município de Santa Rita aos 27/03/1889, pe-
las 20 horas, cf. Termo 15, fls. 66 v, Livro 1920-1922 do Cartório
Civil de Santa Rita. Faleceu em João Pessoa aos 28/12/1978.

Casou-se civilmente no ano de 1928 com José Maria Tava-


res de Melo (*1896-†02/05/1953), viúvo de Ruth Augusta Carva-
lho Tavares, filho de Manoel Cassimiro Tavares de Melo e Cândi-
da Tavares de Melo. Deles houve a filha:
N8. Maria Letícia Tavares Pinto.
F6. Corinto Barbosa Aranha de Franca nasceu no Engenho São
Francisco (Gitó), município de Santa Rita no ano de 1891. Faleceu
aos 26/04/1958 em João Pessoa, quando contava 67 anos de idade,
cf. Termo 16.205, Livro de Óbitos 1957-1958 do Cartório Civil de
João Pessoa.

Era residente no Engenho Santana, em Santa Rita e foi ca-


sado civilmente no cartório de João Pessoa aos 03/08/1922 com
Maria Isabel Pessoa Barbosa (*1892), natural da cidade da Paraíba,
filha de Pedro Paulo ribeiro Pessoa e Francisca Cavalcanti Barros
Pessoa, cf. Termo às fls. 163 v e 164, Livro 16. Do casal houve os
filhos:
N9. Antonio Pessoa Barbosa nasceu no Engenho Santana,
em Santa Rita aos 20/11/1924. Casou-se em João Pessoa a
01/02/1947 com a prima Maria do Carmo Paiva
(*11/06/1915), nascida em João Pessoa, cf. Termo 7.105, fls.
114 v, Livro 1947 do Cartório Civil de João Pessoa.
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N10. Francisco Pessoa Barbosa (*1928-†06/03/1962) nas-


ceu e residiu no Engenho Santana, Santa Rita. Casado ci-
vilmente aos 26/11/1955, tendo a seguinte geração:
B6. Isabel Dolores Pessoa Barbosa
B7. Francisco Pessoa Barbosa
B8. Maria Auxiliadora Pessoa Barbosa.
N11. Maria Celeste Pessoa Barbosa nasceu no Engenho
Santana, em Santa Rita.
N12. José Pessoa Barbosa nasceu no Engenho Santana, em
Santa Rita.
F7. MARIANO BARBOSA nasceu no Engenho São Francisco (Gi-
tó), município de Santa Rita aos 30/04/1892, pelas 7:30 da manhã.
Faleceu em João Pessoa aos 27/06/1968, cf. Termo 27.660, fls. 354,
Livro de Óbitos 1967-1968 do cartório civil de João Pessoa. Seu
corpo foi sepultado no Cemitério Senhor da Boa Sentença.
O nosso homenageado casou-se religiosamente em Santa
Rita com Nair Galvão de Melo Barbosa (*13/05/1905-
†29/04/1979), como se depreende na certidão transcrita abaixo:

Aos doze de Julho de mil novecentos e vinte sete, fei-


tas as denunciações canônicas e não havendo impe-
dimento algum perante as testemunhas, Orlando de
Miranda Henriques e D. Maria Galvão Henriques
de Sá e Dr. José Galvão de Melo e Zita Barbosa; o
Mons. João Baptista Milanez na Capella da Uzina
São Gonsalo, assistiu com autorização minha ao en-
lace matrimonial do Dr. Mariano Barbosa e D.
Nair Galvão de Mello; ele solteiro natural d’esta
freguesia com trinta e quatro annos de idade, filho
legitimo de Dr. Francisco Barbosa Aranha da Franca
e D. Maria Rosa Aranha, já falecidos, ella natural
d’esta freguesia com vinte e dois annos de idade filha
legitima de Antonio da Silva Mello e D. Maria Au-
gusta Galvão de Mello, já falecida. O nubente reside
em Bananeiras e a nubente em Santa Rita e para
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constar mandei fazer este termo e assigno. (Trans-


crição integral do Termo 57, fls. 152 v e 153, Livro
11 do arquivo paroquial de Santa Rita)
O Vigário Mons. Abdon Melibeu

A noiva era filha do Coronel Antonio da Silva Melo Filho


(*1869-†17/02/1944) e D. Maria Augusta Galvão de Melo
(*31/10/1874-†15/09/1919), senhores da Usina São Gonçalo. Nair
teve como avós paternos Antonio da Silva Mello e Maria Rosa do
Rego Melo e avós maternos Manoel da Fonseca Galvão
(*27/09/1839-†26/08/1894) e Maria Leopoldina Pessoa Galvão
(*1852-†?). Mariano foi homem de comportamento sério, um tanto
introvertido, segundo relatos de alguns que com ele conviveram.
No entanto, no aconchego do lar, junto a esposa e filhos, era pai
amoroso e presente, preocupado em proporcionar aos filhos a me-
lhor educação e transmitir-lhes os melhores valores morais.

Ao centro o Dr. Mariano Barbosa e Dona Nair, ladeados pelos 5


primeiros filhos do casal, em foto de fins dos anos 1930.
Fonte: Acervo da Família Barbosa
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Da união matrimonial de Mariano e Nair houve os filhos:


N13. Maria Vanda Barbosa de Melo nasceu em Bananeiras
aos 15/05/1928. Segundo Bastos12 (1954), Maria Vanda ca-
sou-se com Rubens Pedrosa Wanderley “Rubão”, filho de
Ceciliano Celso de Lima Wanderley e Ana Pedrosa de Ara-
újo Wanderley. Foram proprietários antigos do Engenho
Manitú, no município de Bananeiras. Deles houve os filhos:
B9. Celso Mariano Mário Barbosa. Casou-se com
Maria Nazaré de Paula Wanderley. São seus filhos:
T1. André de Paula Wanderley.
T2. Adriano de Paula Wanderley.
T3. Mariana de Paula Wanderley.
T4. Alexandre de Paula Wanderley.
B10. Rejane de Paula Barbosa Wanderley. Casou-se
com Luís Antonio. Desse consórcio houve os filhos:
T5. Matheus Augusto Barbosa
T6. Emmanuel Barbosa
B11. Fernando Luís Barbosa Wanderley. Casou-se
com Rosane Nóbrega. São os pais de:
T7. Carlos Fernandes Barbosa
B12. Thiago Barbosa Wanderley. Casou-se com Eri-
ca Barbosa. Dessa união houve:
T8. Emmanuel Barbosa
B13. Diego Barbosa Wanderley

12BASTOS, Sebastião de Azevedo. No Roteiro dos Azevedo e Outras


Famílias do Nordeste. João Pessoa: Gráfica Comercial Ltda., 1954, p. 406.
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B14. Carmem Alice Barbosa Wanderley. Casou-se


com Antonio Pereira Borba. Havendo deles a se-
guinte geração:
T9. Michelle Wanderley Borba
T10. Albano Wanderley Borba
B15. Irene Barbosa Wanderley. São seus filhos:
T11. Ellen Caroline Wanderley
T12. Gabriel Wanderley
B16. Denise Wanderley Nogueira de Morais. Ca-
sou-se com José Carlos Nogueira de Morais. São os
pais de:
T13. Wanessa Wanderley Nogueira
N14. José Mariano Barbosa de Melo nasceu em Bananeiras
aos 23/02/1930.

José Mariano nasceu em Bananeiras aos


23/02/1930; foi batizado na Matriz de Bananeiras
pelo vigário José Pereira Diniz aos 20/03 do dito ano,
sendo padrinhos José Galvão de Mello e Nossa Se-
nhora das Dores (Transcrição integral do Termo
424, fls. 143, Livro 51 do arquivo paroquial de Ba-
naneiras).

No batistério consta anotação de retirada de docu-


mento para a realização de casamento em Belém do Pará no
ano de 1960.
Estudou no Colégio Pio X e concluiu o curso secun-
dário no Liceu Paraibano. Seguiu os passos do pai e for-
mou-se médico pela Faculdade do Rio de Janeiro. Prestou
concurso para médico anestesista da Aeronáutica, no Rio
de Janeiro, obtendo uma das primeiras classificações. Ocu-
pou cargo de Major-médico anestesista do Hospital da Ae-
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ronáutica no Recife (PE). Casou-se com Uliana Almeida


Barbosa. Da união de José Mariano e Uliana são os filhos:
B17. Marine do Socorro Mota. Casou-se com Dió-
genes Mota e deles houve os filhos:
T14. Arthur Barbosa Mota
T15. Alexandre Barbosa Mota
T16. Guilherme Barbosa Mota
B18. Salomão Almeida Barbosa
N15. Antonio Barbosa de Melo nasceu em Bananeiras no
ano de 1931.

Antonio filho legítimo de Dr. Mariano Barboza e D.


Nair Barboza de Melo, nasceu aos Quatorze de Mar-
ço de mil nove centos e trinta e um; foi batizado na
Matriz de Bananeiras pelo Conego Severino Pires
aos 19/07 do mesmo ano, sendo padrinhos José Er-
nesto Bezerra e Julieta Lira Bezerra (Transcrição in-
tegral do Termo 922, fls. 57, Livro 53 do arquivo pa-
roquial de Bananeiras).
José Pereira Diniz

Foi aluno do Colégio Diocesano em João Pessoa e


concluiu o secundário no Liceu Paraibano. Cursou Enge-
nharia Civil na Escola de Juiz de Fora (MG), tendo sido
nomeado logo após sua formatura Engenheiro do DNIS no
Rio de Janeiro. Abrindo mão dessa colocação, transfere-se
para São Paulo, onde passa a exercer a profissão por conta
própria. Radicou-se em São Paulo e conseguiu nomeação
para o DNEF, exercendo a chefia de um dos departamentos
daquele setor. Casou-se no Recife no ano de 1958 com Nilza
Terezinha Ramos Barbosa, dos quais houve a descendência:
B19. Ana Maria Barbosa Mariano casou-se com
Waldir Mariano Júnior. São seus filhos:
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T17. Ciro Barbosa Mariano


T18. Mariana Barbosa Mariano
T19. Marcela Barbosa Mariano
B20. Ana Lúcia Barbosa Passarelli casou-se com
Carlos Eduardo Passarelli, havendo deles a geração:
T20. Gabriel Barbosa Passarelli
T21. Isabela Barbosa Passarelli
T22. Cristiano Barbosa Passarelli
N16. Maria Bethania Barbosa de Melo nasceu em Bananei-
ras no ano de 1932.

Maria Bethania, filha legítima de Mariano Barbosa


e Nair de Mello Barboza, nasceu a vinte e nove de
Fevereiro de mil novecentos e trinta e dois, foi bati-
zada pelo vigário abaixo assignado a vinte de Agosto
de mil nove centos e trinta e trez, sendo padrinhos
Abel de Menezes Lyra e Nossa Senhora das Vitórias
(Transcrição integral do Termo 1.066, fls. 101 e 101
v, Livro 55 do arquivo paroquial de Bananeiras).
José Pereira Diniz

Maria Bethania tem formação superior em Educa-


ção Artística. Casou-se em João Pessoa com Joaquim Car-
neiro Lins aos 12/06/1957. Deles houve a seguinte geração:
B21. Virgínia Lúcia Lins Cordeiro casou-se com
Túlio Germano Machado Cordeiro. São os pais de:
T23. Vinício Túlio Lins Cordeiro
T24. Eduardo Hugo Lins Cordeiro
T25. Túlio Germano Lins Cordeiro
B22. Hugo Mariano Lins
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N17. Carmem Dolores Barbosa Lira nasceu em Bananeiras


no ano de 1936.

Carmen nasceu a dezoito de Agosto de mil novecen-


tos e trinta e seis, foi baptizada na Matriz pelo Vigá-
rio, a vinte sete de Janeiro de mil novecentos e trinta
e sete, filha legitima de Dr. Mariano Barboza e Nair
de Mello Barboza. Foram padrinhos: Agenor Gon-
çalves de Mello e Roza de Lourdes Gonçalves de
Mello. Do que mandei fazer este termo que assigno
(Transcrição integral do Termo 138, fls. 50 v, Livro
58 do arquivo paroquial de Bananeiras).
José Pereira Diniz

Casou-se na Matriz de Bananeiras aos 28/05/1952


com Ildefonso Menezes Lyra (*16/07/1915-†30/01/1994),
natural de Vila de Mataraca (PB), filho de Pedro Menezes
Lyra (*16/09/1887) e D. Maria Ribeiro Bessa Lyra
(*09/05/1892), cf. Termo 194, fls. 96 v, Livro 17 do arquivo
paroquial de Bananeiras. Ildefonso teve como avós pater-
nos Ildefonso Filgueira de Menezes Lyra e Bernarda Fil-
gueira da Costa Lyra e maternos o Senhor de Engenho José
Ribeiro Bessa (*1866-†1937) e Joanna Tavares Bessa (*1872-
†1912). Deles houve a geração:
B23. Nair Lyra Bessa casou-se com José da Cruz
Bessa. Desse consórcio houve:
T26. Karine Lyra Bessa nasceu em Mataraca
(PB). Casou-se com Fabiano Abrantes Vieira.
Residem em João Pessoa e deles há geração
de dois filhos.
T27. Eduardo Henrique Lyra Bessa nasceu
em Mataraca.
B24. Ivan de Meneses Lyra. Dele houve os filhos:
T28. Luana Cavalcanti Lyra
T29. Ildefonso de Menezes Lyra Neto
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B25. Nilo de Menezes Lyra. Dele são os filhos:


T30. Vanessa Bezerra C. Lyra
T31. Felipe Bezerra C. Lyra
T32. Vitória de Menezes Lyra
N18. Helena Augusta Barbosa de Melo nasceu em Bana-
neiras aos 22/07/1947. Bacharelou-se em Direito. É solteira.
F8. Maria Margarida Barbosa Aranha da Franca “Didi” nasceu no
lugar Gitó aos 22/02/1894, cf. Termo 16, fls. 67 e 67 v, Livro 1920-
1922 do Cartório Civil de Santa Rita. Ela faleceu na Capital do Es-
tado aos 14/11/1978.

Casou-se civilmente em João Pessoa aos 11/02/1921 com


Ruy Araújo (*1889-†20/05/1963), filho do Coronel Manoel Genui-
no de Araújo e Maria Marcolina de Araújo, cf. constava às fls. 142
v, Livro 15 do Cartório Civil de João Pessoa. Ruy foi funcionário
da alfândega.
Desse consórcio houve os filhos:
N19. Rui Araújo Filho nasceu em João Pessoa no ano de
1928.
N20. Maria da Penha Barbosa Araújo nasceu em João Pes-
soa no ano de 1930.
N21. Adélia Barbosa Araújo nasceu em João Pessoa no ano
de 1932.
F9. Emerenciana Barbosa Aranha da Franca “Neném” nasceu no
lugar Gitó aos 23/01/1895 pelas 17 horas, cf. Termo 17, fls. 67 v,
Livro 1920-1922 do Cartório Civil de Santa Rita. Faleceu no ano de
1960.
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Casou-se civilmente em João Pessoa aos 22/05/1922 com


Nelson Lustoza Cabral (*1897-†20/07/1981), nascido em Patos
(PB), filho de Francisco Lustoza Cabral (*1860-†1940) e Maria Do-
lores Lustoza Cabral (*1863-†1930), cf. Termo às fls. 108 v, Livro 16
do Cartório Civil de João Pessoa. Nelson foi advogado, formado
bacharel pela Faculdade do Recife em 1921. Escreveu para os jor-
nais A União e o Norte e com a transferência para o Rio de Janeiro,
colaborou com a imprensa carioca. Dessa união houve os filhos:
N21. Nelson Barbosa Lustoza
N22. Moacir Barbosa Lustoza
N23. Nilse Barbosa Lustoza Szilard nasceu aos
14/09/1923 e faleceu no Rio de Janeiro aos 22/04/1983.

Casou-se no Rio de Janeiro aos 18/05/1948 com Jo-


ão Szilard (*31/03/1925-†1980), nascido em Viena, Áustria,
engenheiro civil, filho do austríaco Adalberto Szilard
(*1880-†1960) e da húngara Karola Szilard (*1885-†1968), cf.
Termo 6.524, fls. 247 e 247 v, Livro 147 do Cartório Civil da
2ª circunscrição do Rio de Janeiro. Deles houve descendên-
cia de três filhos, dos quais desconhecemos nomes.
N24. Mivla Barbosa Lustoza
N25. Lélia Barbosa Lustoza
F10. Philomena Barbosa Aranha da Franca “Filó” nasceu no lugar
Gitó aos 10/08/1897 às 20 horas, cf. Termo 18, fls. 68 e 68 v, Livro
1920-1922 do Cartório Civil de Santa Rita.

Casou-se aos 02/12/1928 no Engenho São Francisco com


Antonio Victorino Raposo (*1893-†30/09/1960), natural de São
Miguel de Taipú (PB), filho de João Victoriano Raposo e Maria
Emília Melo Raposo (senhores do Engenho Vigário), cf. Termo 44,
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fls. 48 v e 49, Livro 1928-1929 do cartório civil de Santa Rita. E de-


les houve unicamente o filho:
N26. Antonio Barbosa Raposo
F11. Dulce Amélia Barbosa Aranha de Franca nasceu no lugar
Gitó no ano de 1898. Faleceu em João Pessoa em data de
02/05/1976 aos 78 anos. Seu registro de nascimento consta no li-
vro A-12, fls. 210, no cartório de João Pessoa. Era solteira e dela
não houve descendência.
F12. Zita Barbosa Aranha da Franca nasceu no lugar Gitó aos
27/04/1902 pelas 11 horas, cf. Termo 19, fls. 69, Livro 1920-1922 do
Cartório Civil de Santa Rita.

Casou-se com Gonçalo Galvão de Mello (*10/01/1914-†?),


filho de Antonio da Silva Mello Filho e Maria Augusta Galvão.
Não obtivemos notícias se do casal houve descendência.
F13. Joana Adalgisa Barbosa Aranha da Franca, “Sinhá”, nasceu
no lugar Gitó, em data que desconhecemos. As poucas informa-
ções a seu respeito foram colhidas no convite de missa, por ocasião
da morte de sua mãe e também no termo de casamento de sua
irmã Emerenciana, onde aparece como uma das testemunhas.
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REFERÊNCIAS

Bibliografia

(1) CAMARA, Epaminondas. Municípios e Freguesias da Paraí-


ba. Campina Grande: Edições Caravela, 1997, 124 p.
(2) MARTINS, Henrique. Lista Geral dos Bachareis e Doutores
que têm obtido o respectivo grau na Faculdade de Direito do
Recife. Recife: Typ. Diario da Manhã, 1931.
(3) MEDEIROS, José Eymard Moraes de. Dicionário Biográfico
dos Médicos da Paraíba. João Pessoa: Grafique, 2014, p. 211.
(4) MEDEIROS, Coriolano de. Dicionário Corográfico do Estado
da Paraíba. – 4. Ed. – João Pessoa: IFPB, 2016, 290 p.
(5) TOSTES, Vera Lúcia Bottrel. Princípios da Heráldica. Petró-
polis. Museu Imperial: Fundação Mudes, 1983, 149 p.
(6) ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins. Armorial Lusitano –
Genealogia e Heráldica. Lisboa: Editorial Enciclopédia Ltda.,
1961, 733 p.

Fontes (manuscritas)

(1) ARQUIVO ECLESIÁSTICO DE BANANEIRAS. Paróquia N.


S. do Livramento. Livros de Batismos, Casamentos e Óbitos.
Bananeiras (PB).
(2) ARQUIVO ECLESIÁSTICO DE SANTA RITA. Paróquia de
Santa Rita. Livros de Batismos, Casamentos e Óbitos. Santa
Rita (PB).
(3) CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL DE BANANEIRAS, Livros
de Nascimentos, Casamentos e Óbitos. Bananeiras (PB).
(4) CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL DE JOÃO PESSOA, Livros
de Nascimentos, Casamentos e Óbitos. João Pessoa (PB).
(5) CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL DE SANTA RITA, Livros
de Nascimentos, Casamentos e Óbitos. Santa Rita (PB).
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(6) Recenseamento do Brazil: Relação dos proprietários dos Es-


tabelecimentos Ruraes Recenseados no Estado da Parahyba.
Rio de Janeiro: Typ. da Estatística, 1928.

Periódicos
(1) Correio Paulistano (SP), edição 18.528 de 14/02/1915.
(2) Correio Paulistano (SP), edição 19.608, de 07/02/1918.
(3) Diário de Pernambuco (PE), edição 001 de 01/01/1920.
(4) O Jornal (RJ), edição 899, de 25/12/1921.
(5) O Jornal (RJ), edição 1.780, de 17/10/1924.
(6) O Jornal (RJ), edição 1.854, de 11/01/1925.
(7) O Jornal (RJ), edição 2.489, de 19/01/1927.
(8) Jornal da Paraíba (PB), edição 2.689, de 1888.
(9) O Norte (PB), edição 3.067, de 26/11/1918.
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BRANCA DIAS,
MULHER DE DIOGO FERNANDES

Zilma Ferreira Pinto1


zilmaferreira37@uol.com.br

E
xiste uma Branca Dias, mulher de Diogo Fernandes, que
as “Denunciações e Confissões de Pernambuco”revelara e que
as pesquisas posteriormente realizadas em torno de sua
pessoa só vieram confirmar que de fato existiu. Esta
Branca Dias foi dona de engenho em Camaragibe, e man-
teve um internato para meninas na rua do Palhais, na vila de
Olinda. Isto nas décadas de cinquenta e sessenta do século XVI.
Esta Branca é tão heroína quanto a outra,
a do mito. A Branca Dias paraibana,
inspiradora da peça “O Santo Inquéri-
to” (1), que era moça e bonita, e cuja
beleza não se desmereceu, em cena,
no rosto bonito de Regina Duarte. (A
Branca da qual também se disse em
verso que era “a musa do Sanhauá”
(2). A mesma Branca Dias inspiradora
do polêmico trabalho de José Joaquim
de Abreu (3), que teria vivido aqui, na
Parahyba, no século XVIII, e que dizi-
am ser filha de Simão Dias e Maria
Alves Dias, proprietários do Engenho
Velho, as margens do rio Gramame).
Além de homônimas existe em co- A atriz Regina Duarte personifi-
mum nas duas Brancas a condição de cando Branca Dias em “O Santo
cristã-nova e ainda de serem, ambas, Inquérito”, de Dias Gomes (1978)

1 Sócia Efetiva do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica – IPGH.


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perseguidas pela inquisição. Mas é da que viveu em Olinda, e que


ensinava as moças da terra a bordar e a fazer bico de almofada que
nos ocuparemos nessas modestas linhas. Desta Branca seus pró-
prios denunciantes encarregaram-se de nos esboçar um perfil,
vindo o recente trabalho do escritor pernambucano José Antônio
Gonçalves de Mello, “Gente da Nação”, trazer a lume novas infor-
mações sobre as suas origens e descendência. Assim ficamos sa-
bendo que a Branca Dias das Denunciações “era natural de Viana
da Foz de Lima, filha de Vicente Dias e de Violante Dias, ambos da
nação hebreia”.
Todavia, somos da opinião que a comprovação da existên-
cia de uma Branca Dias sefardita e moradora no velho Pernambu-
co do século XVI em nada significa que outra Branca Dias não
houvesse existido no século XVII em terras paraibanas. Sugere,
senão, a hipótese de haver entre as duas uma relação consanguí-
nea. Enfim, a existência de uma não implica na inexistência da
outra.
Entre 1528 e 1531 casou-se Branca Dias (a de Olinda) com
Diogo Fernandes, cristão novo, mercador, natural de Braga ou
Porto, de cujos pais se desconhece os nomes. Sabe-se, no entanto,
que tinha um irmão por nome Jorge Fernandes e que, sendo pros-
pero comerciante em Portugal, veio para o Brasil antes de 1542.
Consta que em Pernambuco foi-lhe concedida sesmaria, teve en-
genho de açúcar e trabalhou como feitor para Bento Dias Santiago
(Parente, ou mesmo irmão de Branca Dias).
Diogo Fernandes trouxe de Portugal (ou veio depois) uma
de suas criadas, Madalena Gonçalves, com quem houve uma filha,
Briolanja Fernandes. Faleceu em Olinda, antes do ano de 1548, e
antes da esposa. Aliás, o casal já era falecido quando da visitação
do Santo Ofício em Pernambuco (1593-1595). Mesmo mortos fo-
ram, ambos, bastante denunciados.
De Diogo há também referencias como Diogo Fernandes
Camaragibe; acrescentando topônimo ao nome talvez para identi-
ficá-los dos outros Diogo Fernandes existentes em Pernambuco,
inclusive um genro seu.
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Ao marido de Branca igualmente se referiam como Diogo


Fernandes Santiago, identificação, talvez, com o engenho Santiago
do qual foi co-proprietário. Quanto a sua vinda para o Brasil sus-
peita-se também que fosse fugido, ou mesmo degradado pela In-
quisição. O que está comprovado é que tenha vindo sem a família.
Pois se em 1542 encontrava-se ele Pernambuco a receber sesmaria,
ver-se-á que Branca ficara no reino com os filhos; sete, na época, e
todos menores. E assim sendo, em 1543, a sua mãe e uma irmã (de
Branca) de nome Isabel, foram presas e processadas pelo Santo
Oficio de Lisboa. E acabaram por denunciá-la. Branca Dias foi pre-
sa no dia 13 de setembro de 1543 sob a acusação de apostasia e
práticas judaicas. Segundo Jose Antônio Gonçalves de Mello em
seu substancioso trabalho “Gente da Nação”. Branca em sua defesa
declarou que:

“(...) há 12 ou 15 anos tem casa sobre si, com seu


marido Diogo Fernandes (casados, pois, entre 1528 e
1531), o qual era mercador assim de panos como de
todo o gênero de marçarias, vendendo sempre por
junto. Marçaria, segundo João Pedro Ribeiro, citado
por José Pedro Machado, era, “o que, não sendo co-
mestível, senão vende a peso ou por medida, como
meias, barretas, etc” e “por junto” deve entender-se
que não vendia a retalho. Que ela, nas ocasiões que
não vendia, fiava de continuo a sua porta ou fazia
outros serviços, assim aos sábados como aos mais di-
as de trabalho, sempre aos olhos e face de todos pu-
blicamente, na sua loja, e que vendia suas mercado-
rias como verdadeiras e fiel cristã. Que tinha em sua
casa criadas cristãs-velhas e que lhes fazia comer
toucinho de porco que ela criava e todos os anos ma-
tavaem sua casa, e as ditas criadas lhe amassavam o
pão e lhe faziam as camas, lançando tão somente len-
çóis lavados aos sábados à noite,por honra e venera-
ção do dia santo do domingo,e aos domingos vestia
suas camisas lavadas,sem nunca usar nem fazer ce-
rimonias judaicas.
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Enfim, Branca Dias começara negando tudo, alegando ser a


mãe sua inimiga de há muito, e a irmã mentecapta e sem juízo,
mas acabou confirmando as acusações e se confessando culpada
(02/01/1544).
Reconciliou-se com a igreja, o que significa a pública abju-
ração de suas crenças e práticas religiosas. (02/04/1544).
Violante, a mãe de Branca Dias, se havia declarado judia e
filha de judia. E confessando-se culpada, acusara as filhas de práti-
cas judaizantes (depoimento de 22 a 31 de julho, e do mês de agos-
to de 1543). No processo da mãe encontram-se transcritas declara-
ções de Isabel em seus depoimentos, as quais pelo conteúdo de
informações vale a pena transcrever.

No mesmo processo estão as perguntas feitas a Isabel


Dias e seus depoimentos. No primeiro, datado de 22
de julho de 1543, disse ser filha de Violante Dias,
cristã-nova, natural de Viana, casada. Disse que ti-
nha um irmão na ilha da Madeira e uma irmã que
tem o marido no Brasil, a qual se chamava Branca-
Dias que vive junto de Jorge Fernandes, mercador,
cunhado dela Branca Dias, sua irmã. Disse em outro
depoimento, de30 de julho, que de oito anos pra cá (o
que coincide com o que se sabe da irmã) começou su-
as práticas judaicas às sextas-feiras: varria e manda-
va varrer a casa, lançava lençóis lavados na cama e
vestia camisa lavada e quando recebia carne de
açougue a lavava do sangue e, ainda, jejuou no dito
tempo, por duas ou três vezes, o jejum do Quipur.
No depoimento de 13 de agosto ainda de 1543 refe-
riu-se novamente a Branca Dias, “que hora vive nes-
ta cidade e o dito seu marido é no Brasil”, a qual ti-
nha vivido em Viana. Junto dela e da mãe de ambas.
Fez então várias acusações a Branca Dias, embora o
mau estado do papel não permita leitura integral do
texto. A abjuração de Isabel, depois de reconciliada,
está datada de 2 de abril de 1544.
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Foi condenada a dois anos de prisão e ao uso de hábito dos


penitentes. Em 1545 do Colégio da Doutrina da Fé em Lisboa, su-
plica aos inquisidores que lhe permitam “tirar o sanbenito porque
estava doente e porque necessitava cuidar dos filhos, visto que o
marido não estava em Portugal”. Declara, na ocasião, ter um filho
aleijado. Foi solta sob a condição de não sair do Reino, sem licença
especial, e de confessar e comungar pelo Natal, Páscoa e Pentecos-
tes (acordão de 09 de julho de 1545).
Era voz corrente que veio fugida para o Brasil, e trazendo
os filhos. Esse ponto, todavia, não está esclarecido. O certo é que
em 1551 já se encontrava em Pernambuco.
Já foi dito que as infor-
mações sobre essa Branca Dias
vêm da boca de seus denunci-
antes, e das referências que a
ela se fizeram nos depoimentos
perante a Mesa do Santo Oficio,
tanto aqui, em Pernambuco,
como em Portugal. José Antô-
nio Gonçalves de Mello fez o
resumo de alguns destes pro-
Branca Dias na magistral interpreta- cessos. E de seu livro, “Gente da
ção de Regina Duarte no teatro Nação”, das “Denunciações e
Confissões de Pernambuco”, e mes-
mo de Borges da Fonseca (“Nobiliarchia Pernambucana”, Vols. I e II)
foi que reunimos os elementos para esse esboço genealógico de
sua descendência. É parte resumida de um trabalho que preten-
demos desenvolver inspirados nestas duas figuras de mulher:
Quem sabe duas Brancas? Quem sabe uma só? Quem sabe “uma”
descendente da “outra”?
De “Gente da Nação” transcrevemos a relação dos filhos do
casal que se encontra entre as páginas 129/30:
1) Brites ou Beatriz Fernandes. Deve ter nascido por
volta do ano de 1540 no reino. Não casou. Era consi-
derada mentecapta e, por certo defeito físico, era co-
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nhecida como a alcorcovada. Foi presa pela Inquisi-


ção, 1595-1604. (37)
2) Inês Fernandes casou com Baltasar Leitão Cabra,
cristão-velho. Já era falecido em 1593. (38)
3) Violante: casou duas vezes. Com João Pereira. E,
depois, com Antônio Barbalho, cristão-velho. Já era
falecido em 1594. (39)
4) Guiomar: casou com Francisco Frasão, cristão-
velho. Já era falecido em 1593. (40)
5) Baltasar Dias: era capitão de cavalos em Flandes,
referido por sua irmã Andresa Jorge, que diz em
1600 “que haverá 4 anos que não tem dele recado e
se é vivo se morto”. (41)
6) Manoel Afonso, nome citado por seu sobrinho
Jorge de Souza. Não tinha braços e escrevia com o pé,
já referido por Branca Dias em 1543. (42)
7) Ana: casou com Diogo Fernandes Camarajibe (ou
do Brasil), cristão-novo. Já era falecido em 1593. (43)
8) Jorge Dias de Paz: casou com Maria de Góis, cris-
tã-velha. Vivia na Paraíba e já era falecido em 1601.
(44)
9) Andresa Jorge: nascida em Pernambuco cerca de
1557. Casou com Fernão de Sousa, cristão-novo.
Presa pela Inquisição, 1599-1603. (45)
10) Isabel: casada com Sebastião Coelho, o Boas Noi-
tes de alcunha, cristão-velho. Já era falecido em 1593.
(46)
11) Filipa de Paz: casou com Cristovão Sarradas e,
depois, com Pêro da Costa, cristão-velho. Estava viva
em 1594, mas já era falecida em 1595. (47)

Ainda desta brava mulher é indispensável que se diga. Foi


a Branca Dias do Camaragibe uma das introdutoras, ou mesmo a
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pioneira da arte da renda de almofada no Brasil. Mulher Rendeira


que foi numa tradição a seguir de mãe para filha.
Algumas informações, resultadas das pesquisas do prof.
Costa Pereira nos arquivos da Torre do Tombo em Portugal, e
chegadas às nossas mãos por intermédio do historiador Nelson
Barbalho, nos permitiram estabelecer uma relação, que há muito
supúnhamos existir, entre um dos netos de Branca Dias, Antônio
Barbalho, e Antônio Barbalho Pinto, primeiro senhor do engenho
de Camaratuba e Mamanguape. Se estamos certa em nossas dedu-
ções, além de descendentes de outros filhos do casal Branca Dias/
Diogo Fernandes aqui na Paraíba, teremos esta outra descendên-
cia. No caso, a de sua filha Violante. Vejamos, a respeito, o que
ainda nos mostra Gonçalves de Mello na p. 132 de “Gente da Na-
ção”.
II) Violante Fernandes casada com João Pereira,
houve:
2) Leonardo Pereira que casou com a Brásia Pinta,
cristã-velha, natural de Pernambuco, presa pela In-
quisição, 1598-1603. (59)
3) Mateus Pereira nascido cerca de 1566 (69).

Do segundo casamento desta com Antônio Barbalho, hou-


ve descendência, mas esta não é de todo conhecida. Há menção,
porém, a uma filha: Guiomar Barbalho.
A pesquisa do prof. Costa Pereira nos revela outro filho de
Violante Fernandes e Antônio Barbalho que, por sinal, tem o mes-
mo nome do pai. Outra referência se encontra no depoimento do
jovem Domingo Fernandes contra Bento Teixeira (“Denunciações”,
p. 40/1), diz ele, o declarante, frequentara a escola do acusado,
Bento Teixeira, e que, “na mesma escola aprenderão também Mi-
guel Gonçalves Vieira e Diogo Fernandes sobrinho do Padre Bahia
e Antônio Barbalho filho de Antônio Barbalho ...”
Ainda pelas informações do prof. Costa Pereira ficamos
sabendo que o sobredito Antônio Barbalho, segundo marido de
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Violante Fernandes, era natural do Reino e filho de Fernão Barba-


lho (nat. de Entre Douro e Minho); e que viera para o Brasil, jun-
tamente com dois irmãos, Luis Barbalho e Álvaro Barbalho.
Casara-se este Antônio Barbalho duas vezes. Do primeiro
casamento houvera dois filhos; Antônio Barbalho e Guiomar Bar-
balho, casando-se esta com Ignácio Gernache. Mas dizia o ilustre
pesquisador não ter encontrado o nome da primeira esposa do
sobredito Antônio Barbalho. A segunda vez, casara-se ele com
Antônia Bezerra de qual casamento nasceram os filhos: Luis Bar-
balho (N. 1601) e Felipe Barbalho. No entanto, veio a própria An-
tônia Bezerra, nos dar uma pista da falecida mulher do seu marido
em seu depoimento contra Inez Fernandes, filha de Branca Dias,
em 12/11/1593 (“Denunciações”, pp. 65/6). Declara dona Antônia
ser casada com Antônio Barbalho “... dos da governança da villa”
a sete anos atrás (1586), “refere-se à primeira mulher do marido
como “irmã da dita denunciada”. E por fim o depoimento de An-
na Lins, contra quase toda a família, incluindo Bento Teixeira,
completa a informação: diz que “Violante Fernandes filha dos so-
breditos, mulher de Antônio Barbalho que ora he já defunda...” (na
mesma fonte, pp. 54/8). Outros depoimentos confirmam que a
mesma Violante fora casada anteriormente com João Pereira.
Borges da Fonseca em “Nobiliarchia Pernambucana”, Vol. II,
p. 158, diz que: ”Anna da Silveira única filha de Pedro Alves da
Silveira e de sua mulher D. Maria Gomes Bezerra, foi casada com
Antônio Barbalho Pinto, do qual só se sabe que era natural do rei-
no e que levantara o engenho do Tibiri e depois o de Camaratuba.
Deitou a moer a primeira vez na Primeira Dominga de outubro de
1609...” em “Gente na Nação”, nota 61, p. 163, faz-se alusão a um
depoimento de “Maria Gomes (1601) onde refere que esta tinha
neta casada com um filho de Antônio Barbalho e de Violante Fer-
nandes ...”
Ora, esta Maria Gomes é possível que seja a mãe de Duarte
Costa da Silveira e, segundo Borges da Fonseca, mãe de Anna da
Silveira, mulher de Antônio Barbalho. Mas o fato é que ela (assim
consta) menciona “neta”, e não filha. Não fosse este pequeno desa-
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cordo entre as duas “fontes, as coisas se encaixariam quanto à épo-


ca, quanto aos fatos, quanto aos nomes. Mas, acreditamos, este é
um ponto possível de se esclarecer mediante uma boa e perseve-
rante pesquisa.
Antônio Barbalho Pinto e Anna da Silveira tiveram os fi-
lhos: Domingos da Silveira, Vitória Gomes Barbalho, Violante Bar-
balho (nota-se a repetição do nome de Violante), Maria Barbalho e
Anna da Silveira. Estes, pois, seriam bisnetos de Branca Dias e Di-
ogo Fernandes.

Nota – Ainda a respeito de Antônio Barbalho Pinto acres-


centamos, porquanto importante a informação as notas extraídas
de A SAGA DOS CRISTÃO NOVOS NA PARAÍBA que compre-
endem resultados de pesquisas posteriores.
“Borges da Fonseca foi mal informado quanto ao faleci-
mento de Antônio Barbalho Pinto, que não ocorreu em seguida à
entrada dos holandeses na Baía da Traição, naquele ano de 1625. O
mesmo ainda vivia em 1639, conforme o registra Elias Herckmans.
E por fim, vamos encontrá-lo em 1645, entre os suspeitos de conju-
ração, presos pelos chefes holandeses, qual o notificam Diogo Lo-
pes Santiago, e depois Maximiano Machado:
I - ... e também foram soltando alguns malsinados debaixo
dos mesmos passaportes e prometimentos de fidelidade com as
grandes peitas que lhes deram, exceto Antônio Mendes de Azevedo,
que mataram, por trazer um filho e um genro na guerra ...
Das outras freguesias das capitanias, desde o Rio São Fran-
cisco até a Paraíba, prenderam a outros muitos homens, e da Para-
íba veio preso Antônio Barbalho, que não soltaram com os mais...
Posto que o governador Paulo Linge desejou bem de pren-
der alguns dos moradores principais, como tinha por ordem e ha-
via já mandado prender a Antônia Barbalho ... (71)
II – “... Com a notícia da crueldade de Cunhaú houve gran-
de estremecimento na Parahyba. Todos queixavam-se do governo
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e nenhum tinha confiança nas suas promessas. Procuraram armas


e prepararam-se para a resistência.
Paulo de Linge fez ver que aqueles acontecimentos foram
obra de Jacob Rabi, e não ordenados pelo governo que os reprova-
va e que passava a dar providencias afim de que fossem não re-
produzidos na Parahyba. Saía da capital a correr o distrito, asse-
gurando a todos tranquilidade e dissipando-lhes os receios.
Antônio Barbalho lhe fez sentir o abandono em que se
achava os moradores, e que o governo não tinha forças para conter
os excessos daqueles selvagens, se é que não era conivente com
eles. Foi preso e tanto bastou levantar-se o grito da revolução” (72)
Maximiano Machado, além do registro da prisão de Antô-
nio Barbalho, ressalta a importância do acontecimento. Fora a pri-
são de Antônio Barbalho o fato detonador do levante na Paraíba. O
autor não indica ao fim da notícia a fonte da qual a retirou. Toda-
via deixa a supor que tenha sido em “Varnhagem – Lutas, Liv. 7º e
8º Ed. 1ª ...” por ele citado anteriormente no mesmo capítulo.
Certo, porém, é que Antônio Barbalho foi levado daqui da
Paraíba para Pernambuco, como notifica Diogo Lopes Santiago. O
que se deu quando a capitania vivia um clima de conjuração e de
terror, gerando a repressão do governo holandês, agravada pela
ameaça das hordas de Pêro Poti e Jacó Rabi, após a chacina de Cu-
nhaú.
As corajosas palavras de Antônio Barbalho ao próprio Pau-
lo Linge gritando-lhe a falta de segurança da população e a suspei-
ta de conivência das autoridades holandesas com o terrorismo
existente dariam motivo de sobra para que não fosse solto com os
outros, que o foram mediante “... passaportes e prometimento de
fidelidade com as grandes peitas ...”
Estas foram as últimas notícias que encontrei de Antônio
Barbalho Pinto, senhor do engenho Camaratuba. Onde e quando
veio a falecer: - No cárcere? .... Ou teria ainda retornado ao seu
velho e arruinado engenho?
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Notas

1) DIAS GOMES – “O Santo Inquérito”, 6ª ed., col. Teatro de


Dias gomes, vol. 3, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1982.
2) Da própria autora “Menina Branca” (in Cancioneiro) Experi-
encial, João Pessoa, Unigraf, 1987, p.46/7.
3) O trabalho de José Joaquim Abreu a respeito de Branca Dias foi
publicado em 1905. O mito (se é mito) já existia, e do assunto já se havi-
am ocupado outros autores.
Citamos entre estes o historiador Irineo Joffily (V. Um Cronista
do Sertão no Século Passado – Geraldo Irineo Joffily, Campina Grande,
Prefeitura Municipal, 1965, p. 34/40.
4) Ant. e ob. Cits, Recife, Massangana,1989, p. 119.
5) Id 121.
6) O depoimento de Antônia Bezerra é datado de 12 de novembro
de 1543. Ela se declara cristã-velha, de idade 24 anos, mulher de Antônio
Barbalho dos da governança, desta vila (Olinda); casada haverá sete anos,
filha de Domingos Bezerra e Brasia Monteiro. Declara ainda, que a pri-
meira mulher do marido era irmã de Inês Fernandes, de quem fazia a de-
núncia.
7) PINTO, Zilma Ferreira, A SAGA DOS CRISTÃOS-
NOVOS NA PARAÍBA, João Pessoa, Ideia, 2006, p.150/1.

Outras fontes consultadas

1) BASTOS, Sebastião de Azevedo. No Roteiro dos Azevedo e


outras famílias do Nordeste. João Pessoa, 1954/5.
2) FONSECA, Antônio José V. Borges da. Nobiliarchia Per-
nambucana, Vols. I e II, Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1935.
3) Primeira Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil, DE-
NUNCIAÇÕES DE PERNAMBUCO 1593-1595, Recife, Governo do
Estado, 1984.
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EVERALDO DE AZEVEDO PONTES


UM SERRARIENSE NO IPGH
Nemésio Gomes Cavalcanti 1

Introdução

A
região do Brejo Paraibano, sobressalente por sua exuberan-
te paisagem e pelas riquezas naturais de seu território,
combinadas com um clima extremamente aprazível, con-
grega atualmente cerca de dez municípios, que foram gra-
dativamente sendo colonizados ao longo dos três últimos
séculos e que guardam de forma bastante diversificada a valiosa
história e a cultura de nosso povo.
Dentre esses municípios, merece destaque a pequena e bu-
cólica Serraria, eixo-motivo para as notas que apresentaremos nes-
te trabalho. Serraria é cidade relativamente recente, surgida pouco
após a Proclamação da República Brasileira. Em sua fase inicial,
pertencente parte ao município de Brejo de Areia e parte ao muni-
cípio de Bananeiras, Serraria acabou sofrendo fortes influências
políticas, econômicas e sociais desses dois municípios. Foi através
dos ciclos da cana-de-açúcar e do café que se deu a ocupação mais
massiva dessas partes do território paraibano.
Atraídas pela riqueza das terras férteis e abundantes, já em
meados do século XIX, muitas famílias para ali se encaminharam,
no intuito de alcançar prosperidade comercial.
A sede do município, segundo relata a tradição oral, come-
çou a se formar por volta de 1850, em torno de uma serraria mon-

1 Sócio Efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica – IPGH.


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tada para a extração da grande quantidade de madeira ali existen-


te.
Aos poucos, foram chegando para o local várias famílias,
que foram promovendo a ocupação de pequenas propriedades
rurais ou se dedicaram ao comércio. Quando o lugar assumiu fo-
ros de município e paróquia, cresceu significativamente a sua ocu-
pação demográfica, gerando um surto de bom desenvolvimento
para o local.
Como exemplo das famílias vindas para o município, que
já se destacava como próspera cidade, citamos de forma particular
o ramo dos Azevedo Pontes, originários do pequeno povoado de
Araçagi e presentes em Serraria a partir da década de 1930. Desse
importante ramo familiar originou-se a personalidade expressiva
do jovem Everaldo de Azevedo Pontes, alvo maior da atenção
desse estudo, sobre quem apresentaremos alguns comentários
biográficos e genealógicos.
Filho do casal Luiz de França Pontes e Stella de Azevedo
Pontes, Everaldo nasceu em Serraria. Era neto paterno do major
José Antonio da Silva Pontes e Maria Bráulia Pontes (nascida Ma-
ria Manoela de Vasconcelos Pinto) e neto materno de Manoel Al-
fredo de Azevedo Costa e Maria Francelina Dantas de Azevedo.
Luiz de França Pontes, o pai de Everaldo, nasceu aos
14/08/1901, na propriedade de sua família, em Araçagi, proximi-
dade do município de Guarabira. Em virtude de Araçagi não pos-
suir escola e assistência médica, seu avô paterno decide transferir-
se para a cidade de Serraria, que nessa ocasião atravessava grande
surto de progresso. Com a venda da propriedade de Araçagi, o
major José Antonio adquiriu alguns imóveis em Serraria e arren-
dou o Engenho Santo André, onde o filho Luiz o ajudava e, simul-
taneamente, administrava mercearia própria.
Luiz casou-se com Stella de Azevedo Pontes em
26/02/1930. Logo em seguida, instalou uma fábrica de fogos juni-
nos, cujo material pirotécnico era importado da Alemanha. Eram,
estes fogos, muito apreciados em toda a região, seja pela beleza,
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boa qualidade e variedade de cores, o que fez nascer o ditado de


que "jamais alguém se queimou com fogos fabricados por Luíz
Pontes".
Ele fez parte da fundação da Orquestra Sinfônica da Paraí-
ba, tocando como primeiro violino, sendo também, fundador do
Centro de Proprietários da Paraíba, já que possuía diversos imó-
veis alugados.
A seguir apresentaremos um pequeno esboço genealógico,
que principia com os pais de Everaldo, para demonstrar a descen-
dência do referido casal.

Árvore da Descendência de
Luiz de França Pontes
&
Stella de Azevedo Pontes

Do consórcio do casal Luiz de França Pontes e Stella de


Azevedo Pontes, houve os seguintes filhos2:

F1. Zilda de Azevedo Pontes nasceu em Serraria aos 10/08/1932,


solteira, formada em Pedagogia pela Universidade Federal da Pa-
raíba. Doutora pela Universidade de Michigan – EUA.
F2. Elizaldo de Azevedo Pontes nasceu em Serraria aos
10/07/1934, solteiro, monge beneditino. Era estudante de medici-
na, quando ingressou no Mosteiro Beneditino de Olinda. Cursou
Filosofia no Mosteiro de São Bento de Olinda e Filosofia e Teologia

2
Os dados básicos para a construção desse esboço genealógico nos foram
gentilmente fornecidos por D. Zenilda Azevedo Pontes de Carvalho, irmã
de Everaldo Pontes.
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no Mosteiro de São Paulo. Foi Ordenado Sacerdote em 05/09/1965


por D. Helder Pessoa Câmara, adotando o nome de Dom Plácido.
Celebrou sua primeira Missa na Igreja Matriz do Sagrado Coração
de Jesus, em Serraria – PB, sua cidade natal, aos 30 de janeiro de
1966.
F3. Zenilda de Azevedo Pontes nasceu em João Pessoa aos
18/03/1945. Licenciada em História na UFPB. Casou-se com o Dr.
Rivaldo Carlos de Carvalho, Economista e Advogado, com pós-
graduação em Agroindústria, filho de José Maria de Carvalho e D.
Maria das Neves Carvalho, sobrinho da Poetisa e Professora D.
Maria Alexandrina de Oliveira Lima, já falecida, viúva de Abdeca-
las de Oliveira Lima. Dessa união os filhos:
N1. Eduardo Azevedo Pontes de Carvalho nasceu em João
Pessoa aos 25/04/1970. É médico Radiologista, formado
em medicina pela UFPB, membro Titular do Colégio Brasi-
leiro de Radiologia, Diretor Sócio da Clinica Nova Diagnós-
tica, em João Pessoa. Casado com Laura Clarisse Diniz Ma-
roja de Azevedo Carvalho, com as filhas:
B1. Maria Eduarda.
B2. Alice.
N2. Ricardo Azevedo Pontes de Carvalho nasceu em João
Pessoa aos 26/10/1972. É Médico Oftalmogista, formado
pela Universidade Federal da Paraíba. Professsor de Oftal-
mologia da UFPB, Diretor Clínico da Vision, especialista e
pesquisador em doenças da retina pela Universidade da
Califôrnia, Doutor em Ciências Médicas pela USP, Mestre
em Ciências da Investigação Clínica pela Faculdade de Sa-
úde Pública, Johns Hopkins University, USA. Casado com
Avanir Formiga Wanderley Pontes de Carvalho, advogada,
com as filhas:
B3. Stella.
B4. Luiza.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 65

N3. Ana Cristina de Azevedo Pontes Carvalho nasceu em


João Pessoa aos 19/09/1978. Formada em Direito pela Uni-
versidade Federal da Paraíba, Doutora em Direito Político e
Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie,
Coordenadora e Orientadora Acadêmica da Universidade
Waterloo, Canadá. Divorciada.
F4. Everaldo de Azevedo Pontes nasceu em Serraria no ano de
1931, conforme se lê em sua certidão de batismo:

Aos cinco dias do mez de julho do anno de mil nove-


centos e trinta e um, nesta Matriz, baptizei solene-
mente a Everaldo, nascido a vinte e um de junho do
mesmo ano, filho legítimo de Luiz de França Pontes
e Stella de Azevedo Pontes. Foram Padrinhos: José
Antonio de Pontes e Maria Braulia Pontes. Do que,
para constar, mandei fazer este assentamento que as-
signo. O Vigário – Cônego Pedro Francisco de Oli-
veira Cardoso. (Termo 597, fls. 26, Livro 18 do ar-
quivo paroquial do S. Coração de Jesus de Serraria).

Everaldo casou-se em primeiras núpcias civilmente com


Anthea Paterson no 1º Cartório do Registro Civil de João Pessoa
aos 05/01/1967, conforme Termo 26.757, lavrado às fls. 7, Livro B-
133 daquele cartório. Houve dessa união os filhos:
N4. Vítor Paterson de Azevedo Pontes nasceu em Recife
aos 03/12/1972. Formado em Engenharia de Computação
pela Universidade Católica de São Paulo, Oficial da Reser-
va pelo CPOR do Recife (Alma de Engenharia). Casado
com Paula Girão Farias Monteiro Pontes, filha de José Gi-
rão Monteiro, Oficial da Aeronáutica Reformado e de D.
Rosa de Lima Barros Monteiro, sendo seus avós paternos
Ivan Monteiro e D. Maria Girão Monteiro (da família do
Historiador e Genealogista Cearense Raimundo Girão).
Avós maternos José Farias de Barros e D. Regina Farias de
Barros.
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N5. Erik Paterson de Azevedo Pontes nasceu em Recife


aos 10/12/1973. Formado em Administraçao de Empresas
pela Universidade Mackenzie de São Paulo. Casou-se com
Roberta Lisboa de Carvalho Pontes, Odontóloga, filha de
Renato Francisco de Carvalho, comerciante altamente con-
ceituado nos meios financeiros e comerciais de Campina
Grande (PB) e de D. Maria de Lourdes Lisboa de Carvalho,
sendo seus avós paternos José Emílio de Carvalho e D. An-
tonia Ferreira de Carvalho e avós maternos Manoel Rufino
Mateus da Silva e D. Maria José Lisboa Silva. São os pais
de:
B5. Vanessa Paterson de Carvalho Pontes nasceu
em São Paulo aos 14/02/1999. Foi batizada em
26/12/1999 no Convento de São Francisco de Assis,
em Campina Grande, pelo Frei Canisio OFM, sendo
padrinhos seus tios Joercio Pontes Silva e Renata
Cristina Lisboa de Carvalho Pontes e madrinha de
apresentar sua tia Regina Célia Lisboa de Carvalho.
Após a cerimônia de batismo Vanessa como
seu pai e tios paternos foi consagrada a Nossa Se-
nhora da Conceição, Padroeira dos Azevedos já que
ela é a 8ª descendente do Patriarca Antonio de Aze-
vedo Maia, fundador da antiga Conceição dos Aze-
vedos, hoje a cidade de Jardim do Seridó no Rio
Grande do Norte, renovando dessa maneira uma
antiga tradição familiar.
B6. Stella Paterson de Carvalho Pontes, nasceu em
São Paulo aos 23/04/2002. Repetiu o nome da bisa-
vó paterna, numa justa homenagem a quem foi uma
mãe dedicada e esposa fiel.
N6. Ruben Paterson de Azevedo Pontes, nascido em
25/10/1975, em Recife -PE, formado em Desenho Industri-
al pela Universidade Mackenzie de São Paulo, casado com
Karolla Christina Santos Morais.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 67

Anos depois Everaldo contrai segundas núpcias com Erica


Quaresma. E dessa nova união houve os filhos:
N7. Luiz Henrique de Azevedo Pontes, nascido em Recife
-PE, em 07/08/2001, havido de parto gêmeos em primeiro
lugar, sendo batizado na Matriz de São Lourenço da Mata
em 09/07/2002, sendo seus padrinhos o Engenheiro Emer-
son Valgueiro de Moraes e sua mãe D. Iolanda Valgueiro
de Moraes e madrinha de apresentar a esposa do Dr. Emer-
son D. Eliane de Carvalho Lefosse Valgueiro de Moraes,
todos de tradicionais famílias sertanejas de Pernambuco.
N8. André Luiz de Azevedo Pontes, havido em parto gê-
meos em segundo lugar, em Recife -PE, aos 07/08/2001,
sendo batizado na Matriz de São Lourenço da Mata e na
mesma data de 09/07/2002, sendo seus padrinhos o seu
irmão Ruben Paterson de Azevedo Pontes e a Drª Valentina
Maria Cocentina de Souza sua noiva, filha do Juiz Federal
Dr. João Bosco Medeiros de Souza e de sua esposa Dona
Núbia Maria Cocentino de Souza, e madrinha de apresen-
tar sua tia Eliane Quaresma da Silva.
Após a cerimônia do batismo os gêmeos foram con-
sagrados a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira dos
Azevedos, já que eles são sétimos descendentes do Capitão
Antonio de Azevedo Maia, fundador da antiga Conceição
dos Azevedos, hoje cidade de Jardim do Seridó, Rio Grande
do Norte, renovando desse modo uma antiga tradição fa-
miliar.
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Everaldo, Elizaldo e Zilda

Luiz de França, pai de Everaldo

Everaldo Os pais de Everaldo com a filha


Zenilda
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Everaldo e seu irmão, Dom


Plácido

Bodas de Pratas dos pais de


Everaldo, 24/02/1953
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Everaldo e a irmã Zilda Everaldo de Azevedo Pontes

Família Azevedo Pontes em


visita a Serraria
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Alguns dados biográficos

Quando Everaldo ainda era bem pequeno, seus pais ainda


residiam em Serraria. O Sr. Luiz trabalhava com a venda e distri-
buição de fogos de artifício. As entregas eram feitas antes das fes-
tas juninas em um carro, Ford 28, de sua propriedade. Com a pro-
ximidade do conflito mundial de 1939, a Alemanha cessou a ex-
portação de material pirotécnico, por já estar preparando-se para a
Guerra. Não podendo mais fabricar fogos com tal qualidade, o pai
de Everaldo fechou a fábrica de fogos e se mudou para João Pes-
soa, onde comprou um ponto comercial. Passando a trabalhar com
o ramo de jóias, ali instalou a joalheria “Casa Pontes” que se locali-
zava à Rua Beaurepaire Rohan, 180. Ali eram comercializados
jóias, relógios e objetos para presentes.
Everaldo iniciou seus estudos no Grupo Escolar Antônio
Pessoa, situado também na Av. Beaurepaire Rohan, em seguida
fez o curso ginasial no Colégio Marista e depois o científico, no
Liceu Paraibano. Era Oficial da Reserva pelo C.P.O.R do Recife –
PE.
Gostava de relembrar os fatos e acontecimentos desse perí-
odo e também de mostrar, orgulhoso, o quadro que ostentava, na
parede de sua casa, de 1º lugar no campeonato de Xadrez promo-
vido pelo Diretório Acadêmico.
Arquiteto, formado pela Universidade Federal de Pernam-
buco, bacharel em Filosofia, também pela UFPE, com pós-
graduação em Engenharia Rodoviária pela Escola de Engenharia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Everaldo traba-
lhou durante muitos anos no DNER (atual DNIT), exercendo car-
gos de confiança como Chefe das Residências de Arcoverde e Sal-
gueiro, ambas em Pernambuco.
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Como arquiteto, participou, em coautoria com o engenhei-


ro Ítalo de Brito Sobral, do “Laudo de Tombamento da Cidade de
Olinda-PE, concluído em 23/02/1987.
Profundo conhecedor de música clássica, pianista (estudou
no Conservatório Pernambucano de Música). Recordava que, na
década de 1950, ele, seus pais e seu irmão Elizaldo, realizaram um
concerto no Teatro Santa Rosa, com a finalidade de arrecadar fun-
dos para o Natal das crianças pobres.
Mas seu amor pela música era suplantado, apenas pela
dedicação às pesquisas relacionadas à genealogia buscando, com
tenacidade e perseverança, as raízes e as origens de sua família e
de outras do Nordeste.
Aliás, desde cedo demonstrava essa aptidão, tanto é que
mereceu referência do tio Sebastião de Azevedo Bastos3 no livro de
sua autoria:

“Segundo notas do meu sobrinho Everaldo de Aze-


vedo Pontes, acadêmico de Engenharia, ainda bem
moço, porém estudioso em pesquisas de genealogia e
fatos históricos dos séculos anteriores, descrevo
aqui...” (BASTOS, 1954, p. 717).

E, por feliz coincidência, muitos anos depois, Everaldo foi


ocupante da Cadeira nº 7, do Instituto Paraibano de Genealogia e
Heráldica, cujo patrono é o seu tio Sebastião de Azevedo Bastos.

Juntamente com a escritora e genealogista Zilma Ferreira


Pinto, participou com trabalhos, da Revista nº 3, do IPGH, em
2002, contribuiu para a Coleção Parahyba do Instituto Paraibano
de Genealogia e Heráldica com os seguintes:
• Vol. 23 – Descendentes de Duarte Gomes da Silveira pro-
cessados pela Inquisição – Set/1996;

3
BASTOS, Sebastião de Azevedo. No Roteiro dos Azevedo e Outras
Famílias do Nordeste. João Pessoa: Gráfica Comercial Ltda., 1954, p. 717.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 73

• Vol. 030 – Um Roteiro Genealógico de 16 Gerações do Ca-


sal Cristão-novo Branca Dias e Diogo Fernandes. Mar-
ço/1998;
• Vol. 031 – Um Roteiro Genealógico de 14 Gerações de Leão
Eça, príncipe Von Roland e de sua esposa, a princesa D.
Antônia de Rodemburgo (família Silva Pontes). 1998
• Vol. 032 - Seis Músicos Cristãos novos no Brasil Colonial.
Set/1998;
• Vol. 034 – Um Roteiro Genealógico de 13 Gerações de Du-
arte Gomes da Silveira, instituidor do Morgado do Salva-
dor do Mundo da Santa Casa da Misericórdia, João Pessoa,
Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, maio/2000
(Coleção Parahyba, vol. 34), p. 9.

Everaldo faleceu em João Pessoa, PB, aos 86 anos, no dia 1º


de junho de 2018. Sobre ele, sua sobrinha Ana Cristina, assim se
expressou:

“Sempre de bom humor e pronto para contar tantas


histórias com sua memória de ouro, graças a ele co-
nhecemos a história de quase 30 gerações dos Azeve-
dos que nos antecederam, desde que os primeiros
portugueses vieram para o Brasil como cristãos no-
vos”.

REFERÊNCIAS
BASTOS, Sebastião de Azevedo. No Roteiro dos Azevedo e
Outras Famílias do Nordeste. João Pessoa: Gráfica Comercial
Ltda., 1954.
Dados fornecidos por Zenilda Azevedo Pontes de Carvalho.
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GUSTAVO BARBOSA & ALAÍDE FERREIRA


NOTAS GENEALÓGICAS PARA A SUA DESCENDÊNCIA
Gustavo José Barbosa 1
gustavoufpb@outlook.com

“Uma geração vai,


e outra geração vem,
mas a terra permanece
para sempre”.
Eclesiastes 1:4

Apresentação

A
pesquisa genealógica tem atraído o interesse de muitos
pesquisadores em diversos países, na busca pelo conhe-
cimento da história da família e, se antes essa atividade
era praticada basicamente por membros da aristocracia,
como lembra Maria do Socorro Cardoso Xavier2, atual-
mente esse estudo atraí pessoas das mais variadas camadas soci-
ais. Logo, conhecer os passos trilhados pelos nossos ascendentes
possibilita reconstruir a história dos lugares em que viveram, e ao
mesmo tempo nos torna pessoas com uma consciência mais agu-
çada sobre nossa herança familiar.
Desde a mais tenra idade, compartilhava com meus famili-
ares mais próximos o desejo de conhecer a história do meu avô
materno, Gustavo Barbosa (*04/12/1915-†27/07/1988) cujo batis-

1
Sócio correspondente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica
– IPGH.
2 XAVIER, Maria do Socorro Cardoso. Dispersos e diversos sobre genea-

logia. Revista do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, 2012, nº


14, p. 18.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 75

mo meus parentes recordavam que havia acontecido na Paróquia


de Mamanguape (PB). Hoje, graças à tecnologia foi possível pes-
quisar e ter acesso ao termo de batismo do meu avô e disponibili-
zar neste artigo um dado de tão grande relevância sobre a vida de
um paraibano que nos precedeu na caminhada da vida.
Nesse contexto, foram imprescindíveis na construção desse
artigo os dados disponíveis pelo portal Family Search, mantido pela
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que nos permi-
tiu o acesso aos registros de batismo e óbito de alguns familiares
aqui elencados. Como enfatiza Manoel Valente Barbas,3 para que
as informações genealógicas possam ter peso faz-se necessário a
citação da fonte de onde provêm, e isto requer dos genealogistas
uma disciplina e determinação aguçada para atingir seus objetivos.
Para a organização desse apanhado genealógico recorre-
mos à ajuda de diversos parentes. Agradecemos de forma particu-
lar a imensa contribuição dos seguintes familiares: Antônio Barbo-
sa, Lucivaldo Alves de Lima, Maria das Neves Barbosa, Maria José
Barbosa e Marinalva Barbosa.

Solânea (PB), Novembro de 2020.

3
BARBAS, Manoel Valente. Pesquisa genealógica: objetivo, início e de-
senvolvimento. Revista da ASBRAP, 1997, n. 4, p. 271.
76 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Introdução

Esse artigo objetiva trazer a lume a descendência dos meus


avós maternos, Gustavo Barbosa (*04/12/1915-†27/07/1988) e
Alaíde Ferreira (*25/08/1924-†18/03/2009), agricultores familiares
do município de Nova Cruz (RN), que dedicaram todas as suas
energias para constituição da sua prole. A origem desta geração da
família Barbosa do Nascimento4 está vinculada ao município de
Mamanguape (PB), que faz divisa com a principal cidade da região
Agreste do Rio Grande do Norte acima citada.
GUSTAVO BARBOSA nasceu em Mamanguape, sendo
filho de JOSÉ BARBOSA DA SILVA5 e D. LUÍZA MARIA DA
CONCEIÇÃO. Abaixo fazemos transcrição de seu termo de batis-
mo:

Aos treze de Fevereiro de novecentos e desses-


seis solenemente baptisei a Gustavo com dois
mezes filho legitimo de José Barbosa do Nas-
cimento e Luiza Maria da Conceição PP Arlin-
do Barbosa do Nascimento e Cosma Baptista
da Anunciação do que para constar mandei
fazer este termo que assino. Padre Francisco
Soares de Oliveira. (Transcrição do Termo
164, constante às fl 82, Livro de Batizados
(1895-1919), da Paróquia de Mamanguape-
PB)

4
Os documentos dos membros da família na década de 1920 apresentam
outro sobrenome: Barbosa da Silva. Faz-se necessário aprofundar a pes-
quisa para entender a causa desta mudança.
5 Filho de D. Umbelina Maria da Conceição, falecido na década de 1930.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 77

Na década de 1920, meus


bisavós José Barbosa do Nascimento
e D. Luíza Maria da Conceição mi-
graram para Fazenda Lapa, em No-
va Cruz, e ali tiveram mais quatro
filhos. Naquela propriedade rural
foi possível desenvolver atividades
campesinas para garantir o sustento
da família e também estabelecer
vínculos com outras famílias, dando
assim continuidade a história deste
ramo.

Alaíde Ferreira,
minha avó materna

Dentre as inúmeras famílias de agricultores que habitavam


aquelas glebas encontrava-se a do machante FRANCISCO FER-
REIRA DE LIMA “Chico Dudu” (*10/10/1900-†23/01/1983)6 e D.
FRANCISCA DIAS DE ARAÚJO (*1900-†?)7 também meus bisa-
vós. A filha primogênita do casal, Alaíde Ferreira, nascida em No-
va Cruz-RN casou-se religiosamente aos 30/12/1941 com o parai-
bano Gustavo Barbosa, conforme termo de casamento:

No dia 30 de dezembro de 1941 na Matriz de Nova


Cruz pelo celebrante padre Antônio Barros casaram-
se Gustavo Barbosa da Silva e Alaíde Ferreira
de Lima8; ele nascido na Paróquia de Bom Sucesso –
com 25 anos filho de José Barbosa da Silva e Luiza
Maria da Conceição; ela nascida na Paróquia de No-

6
Filho de Manoel Ferreira de Lima e Josefa Maria da Conceição.
7 Filha de Manoel Dias de Araújo e D. Capitulina Maria da Conceição.
Faleceu no final da década de 1930, em Nova Cruz (RN).
8 Segundo depoimentos dos familiares, por ocasião de um alistamento

eleitoral foi subtraído o sobrenome “Silva” do meu avô e o sobrenome


“Lima” da minha avó.
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va Cruz – com 17 anos filha de Francisco Ferreira de


Lima e de Francisca Dias de Araújo. Foram teste-
munhas Anacleto Paulo da Silva e João Lucas da
Silva. (Livro de Certidão de casamento da Paróquia
Imaculada Conceição – Nova Cruz-RN, n. 9, folha
137 v).

O casal residiu em diversas comunidades rurais tradicio-


nais de Nova Cruz: Gravatá, Lagoa Limpa, Jatobá e finalmente
Bastiões, esta última pertencente ao Sr. João Basílio da Silva (1895-
1982). Ao longo de duas décadas o casal teve dez filhos (além de
um neto por ele registrado). Destes, dois faleceram ainda na infân-
cia (Severina e Luiz) deixando uma marca profunda de sofrimento,
principalmente na memória da matriarca, Alaíde Ferreira.
Gustavo Barbosa faleceu com idade de 72 anos no Hospital
Walfredo Gurgel, em Natal (RN), sendo sepultado no cemitério
público de Nova Cruz, cf. Termo 2.746, fls. 200, Livro C-13 do ar-
quivo do 2° Cartório de Registro Civil de Nova Cruz. Sua esposa
Alaíde Ferreira, faleceu com 84 anos na sua residência no Bairro
Frei Damião, em Nova Cruz, e foi sepultada no jazigo onde já re-
pousam os restos mortais do esposo e do filho José Barbosa, na-
quela mesma cidade, cf. Termo 6.528, fls. 48, Livro C-17 do arquivo
do 2° Cartório de Registro Civil de Nova Cruz.
A seguir, a partir do casal Gustavo e Alaíde, apresentare-
mos o esboço de sua árvore, trazendo geração de filhos, netos e
bisnetos desse casal.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 79

Árvore da Descendência de
Gustavo Barbosa
&
Alaíde Ferreira

F1. José Barbosa (*20/11/1942-


†25/07/1996) nasceu em Nova Cruz,
faleceu e foi sepultado na mesma cidade,
cf. Termo 4.291, fls. 286, Livro C-14 do
arquivo do 2° Cartório de Registro Civil
de Nova Cruz. Seu batismo ocorreu em
Nova Cruz, como se lê no termo abaixo:

Aos trinta e um de
dezembro de mil no-
vecentos e quarenta e dois na matriz de “Nova
Cruz” foi batizado solenemente pelo Coadjutor P e
Nazareno Fernandes à José nascido aos vinte de
novembro do mesmo ano filho legítimo de Gustavo
Barbosa e Alaíde Dias; p.p. José Leonardo Almeida
e Alira Leonardo. Para constar mandei faz. Este
termo que assino. Pedro Rebouças de Moura.
(Transcrição do Termo 1281, constante à fl. 158 do
Livro de Batizados de (1941-1943) da Paróquia de
Nova Cruz-RN)

José casou-se religiosamente aos 26/02/1966 na paróquia


de Nova Cruz com D. Maria das Neves, filha de Luiz Vicente da
Silva e D. Maria Vicente da Silva, com quem teve doze filhos, to-
dos nascidos em Nova Cruz. Á exceção de dois deles, todos os
demais residem na mesma cidade. E do casal são os filhos:
80 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

N1. Manoel Barbosa nasceu em Nova Cruz e faleceu com


poucos dias de vida.
N2. José Barbosa Filho “Dedé” nasceu em Nova Cruz. Dele
há os filhos:
B1. Bruno Barbosa; B2. Messias Barbosa; B3. Ma-
teus Barbosa.
N3. Francisco Barbosa “Chico” nasceu em Nova Cruz. De
uma união estável com D. Zuleide Vicente da Silva houve a
seguinte geração:
B4. Andreia Barbosa; B5. Andressa Barbosa; B6.
Fábio Barbosa; B7. Fernandes Barbosa.
N4. José Barbosa Segundo “Branco” nasceu em Nova Cruz.
De sua união estável com D. Márcia Alves nasceram os fi-
lhos:
B8. Laís Barbosa; B9. Leandro Barbosa; B10. Letícia
Barbosa.
N5. Severino Barbosa “Cheiro” nasceu em Nova Cruz. De
sua união estável com D. Terezinha Vicente nasceram três
filhos:
B11. José Barbosa Neto; B12. Tainá Barbosa; B13.
Tais Barbosa.
N6. Marinalva Barbosa “Nalva” nasceu em Nova Cruz. Ca-
sou religiosamente com Erivaldo de Queiroz, havendo des-
sa união os filhos:
B14. Erivaldo Queiroz Junior; B15. Kelly Barbosa
de Queiroz.
N7. Marineide Barbosa “Neide” nasceu em Nova Cruz. Ca-
sou civilmente com Marcelino Xavier e deles são os filhos:
B16. Maria Vitória Barbosa; B17. Moisés Xavier
Barbosa.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 81

N8. Maricleide Barbosa “Cleide” nasceu em Nova Cruz.


Casou-se civilmente com José Lucas. São os pais de:
B18. Gabriel Barbosa; B19. Luana Barbosa; B20. Lu-
cas Barbosa.
N9. Luiz Antônio Barbosa “Claúdio” nasceu em Nova
Cruz. Dele houve os filhos:
B21. Adriel Barbosa; B22. Alessandro Gustavo
Barbosa.
N10. João Batista Barbosa nasceu em Nova Cruz. Dele é o
filho:
B23. João Victor Barbosa
N11. Josimar Barbosa “Catita” nasceu em Nova Cruz. De
sua união estável com D. Cidália Anísia nasceram os filhos:
B24. Lucas Barbosa; B25. Larissa Barbosa
N12. Josinaldo Barbosa nasceu em Nova Cruz. Dele não
há descendência.
F2. Maria das Dores Barbosa “Mariquinha” (*27/12/1944) nasceu
em Nova Cruz e reside na mesma cidade. Segue termo de batismo:

Aos cinco de fevereiro de novecentos e


quarenta e cinco, na matriz de Nova Cruz,
foi batizada solenemente pelo Vig. Pe.
Pedro Moura á Maria nascida aos vinte e
sete de dezembro do ano passado, filha leg.
de Gustavo Barbosa e Alaíde Ferreira de
Lima; P.p. João Ferreira de Lima e Josefa
Ferreira de Lima. Para constar mandei
fazer este termo que assino. Pe. Pedro
Moura. (Transcrição do Termo 91 constan-
te à fl. 115 do Livro de Batizados de (1943-
1945) da Paróquia de Nova Cruz-RN)
82 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Maria das Dores uniu-se estavelmente com Francisco Alves


de Lima (*05/06/1928-†26/12/2005), filho de Manoel Francisco de
Lima e D. Aurora Francisca de Lima. São filhos do casal:
N13. Lucineide Alves de Lima Macêdo reside em Vila Flor
(RN) e casou-se civilmente com Franklin Souza de Macêdo,
com quem teve as filhas:
B26. Marcella Bruna de Lima Macêdo; B27. Manu-
ella Ingrid de Lima Macêdo Souza; B28. Maysa
Priscila de Lima Macêdo Souza.
N14. Lucinaldo Alves de Lima reside em Nova Cruz e ca-
sou-se civilmente em primeiras núpcias com D. Maria da
Piedade de Souza Santiago Lima. Deles houve os filhos:
B29. Maurillyo Carneiro de Lima; B30. Marcillyo
Carneiro de Lima.
Em seguida Lucinaldo uniu-se matrimonialmente
com D. Maria da Piedade de Souza Santiago Lima, haven-
do desse novo matrimônio o filho:
B31. Lucas Santiago de Lima.
N15. Lucivaldo Alves de Lima reside em Nova Cruz e ca-
sou-se no civil com D. Ana Paula de Lima Bezerra Alves
com quem teve dois filhos:
B32. Deborah Beatriz de Lima Alves; B33. Jonatas
de Lima Alves.
N16. Lenildo Alves de Lima reside em Nova Cruz e dele
há descendência.
N17. Lucilene Alves de Lima reside em Nova Cruz e dele
há descendência.
N18. Lenilson Alves de Lima reside em Caraguatatuba
(SP) e casou-se civilmente com D. Lediane da Silva Teixei-
ra, havendo dessa união os filhos:
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 83

B34. Mateus Antunes Alves de Lima; B35. Marcos


Antunes Alves de Lima.
N19. Lucicleide Alves de Lima Gomes reside em Nova
Cruz e casou-se civilmente com Gilberto das Neves Gomes.
São os pais de:
B36. Gabriel de Lima Gomes; B37. Gabriella de
Lima Gomes.
F3. Francisca Barbosa “Chicó” (*21/02/1948) nasceu no Sítio Gra-
vatá de Nova Cruz e reside em Natal. Seu termo de batismo:

Aos cinco de abril de mil novecentos e quarenta


e oito na Matriz foi batizada solenemente Fran-
cisca pelo Paroco Pe Pedro Moura, nascida em
Lagôa Lima aos vinte e um de Fevereiro do
mesmo ano, f. leg. de Gustavo Barbosa e Alaíde
Ferreira de Lima. Foram padrinhos – João Bar-
bosa da Silva e Maria da Paz Silva. Mandei
lavrar este termo que assino: Pe. Pedro Moura.
(Transcrição do Termo 324, constante à fl. 176
do Livro de Batizados de (1948) da Paróquia de
Nova Cruz-RN).

F4. Maria José Barbosa (*30/01/1950) nasceu em Nova Cruz e


reside em Santo Antônio. Abaixo transcrevemos seu batismo:

Ao primeiro de maio de mil novecentos e cin-


quenta na Matriz foi batizada solenemente Ma-
ria pelo Paroco Pe Pedro Moura, nascida em (...)
a trinta de janeiro do mesmo ano, f. leg. de Gus-
tavo Barbosa e Alaíde Ferreira. Foram padrinhos:
João Dias e Joana Dias. Mandei lavrar este termo
que assino. Pe. Pedro Moura. (Transcrição do
Termo 303, constante à fl. 9 do Livro de Batiza-
dos de (1950) da Paróquia de Nova Cruz-RN)
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De Maria José houve a filha:


N20. Ana Barbosa reside em Santo Antônio e dela já há
descendência.
F5. Severina Barbosa (*11/03/1951-†?) nasceu no Sítio Lagêdo do
Paiva, município de Nova Cruz. Faleceu infante.

Aos onze de junho de mil novecentos e cincoenta e


um na Matriz foi batizada solenemente Severina pe-
lo Paroco Pe Pedro Moura, nascida em Lagêdo do
Paiva a onze de março do mesmo ano, f. leg. De Gus-
tavo Barbosa e Alaíde Dias. Foram padrinhos: João
Paulo da Silva e Maria Emiliana Silva. Mandei la-
vrar este termo que assino. Pe. Pedro Moura.
(Transcrição do Termo 584, constante à fls. 146 e
147 do Livro de Batizados de (1951) da Paróquia de
Nova Cruz-RN)

Severina Barbosa faleceu ainda na infância, por volta de


1960 no Sítio Jatobá, em Nova Cruz, e embora não tenha havido
laudo médico seus familiares relatam que a criança foi vítima de
uma mordida de cobra. As suas últimas palavras pronunciadas
foram de ternura por Nossa Senhora.

F6. MARIA DAS NEVES BAR-


BOSA “Nevinha” (*05/08/1953)
nasceu no Sítio Gravatá, em No-
va Cruz. Reside em Nova Cruz.
Teve dois filhos, dentre eles o
autor deste apanhado genealógi-
co. São seus filhos:

Maria das Neves,


mãe do autor.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 85

N21. GUSTAVO JOSÉ BARBOSA nasceu em Nova Cruz.


É técnico agrícola da Empresa Paraibana de Pesquisa, Ex-
tensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER-PB) e
autor deste apanhado genealógico. Casou-se em Baraúna
(RN) com Maria Aparecida da Silva. Desse consórcio houve
os filhos:
B38. Gustavo José Barbosa Filho nasceu em Guara-
bira (PB) e foi batizado na Matriz de Baraúna (RN).
É estudante.
B39. Theodoro Emanuel da Silva Barbosa nasceu
em Guarabira-PB e foi batizado na matriz de Solâ-
nea-PB.
N22. Francisco Gonçalves Chaves Neto (*01/08/1993-
+26/06/2004) nasceu em Natal e faleceu e foi sepultado em
Nova Cruz.

F7. Terezinha Barbosa (*05/08/1955) nas-


ceu em Nova Cruz e reside na mesma ci-
dade. De Terezinha há descendência.

F8. João Batista Barbosa nasceu em


Nova Cruz na década de 1950, reside
em Santo Antônio. Dele há descendên-
cia.
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F9. Luiz Antônio Barbosa nasceu na década de 1960 em Nova


Cruz e faleceu ainda criança. Sem mais
informações.
F10. Antônio Barbosa (*31/05/1964) nas-
ceu em Nova Cruz. É professor da rede
municipal e estadual em Nova Cruz. Ca-
sou-se com D. Edna Alves, com que teve
dois filhos:
N23. Delaías Alves Barbosa; N24.
Daniel Alves Barbosa.
F11. Severino Barbosa (*08/12/1980)9
nasceu em Nova Cruz e reside em Lajes
(RN). De Severino há descendentes.

REFERÊNCIAS

ARQUIVO ECLESIÁSTICO DE MAMANGUAPE. Paróquia São Pe-


dro e São Paulo. Livro de batismo. Mamanguape (PB).
ARQUIVO ECLESIÁSTICO DE NOVA CRUZ. Paróquia Imaculada
Conceição. Livro de batismo. Nova Cruz (RN).
BARBAS, M. V. Pesquisa genealógica: objetivo, início e desenvolvi-
mento. Revista da ASBRAP, 1997, n. 4, p. 267-276.
CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL DE NOVA CRUZ (RN), Livros de
nascimento e óbitos. Nova Cruz (RN).
XAVIER, M. S. C. Dispersos e diversos sobre genealogia. Revista do
Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, 2012, n. 14, p. 16-20.

9
Filho natural de Terezinha Barbosa.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 87

A GENEALOGIA E A HERÁLDICA
EM E ÇA DE Q UEIRÓS
Cícero Caldas Neto 1
ciceroc@gmail.com

M
ais uma vez reaviva-se um grande nome da literatura, Eça
de Queirós (*1846-†1900), o brilhante escritor português
que ora vai, neste despretensioso trabalho, nos revelar seus
conhecimentos em genealogia e heráldica, cujos registros
surgem em várias passagens de suas obras.
Antes, de se destacar uma curiosidade advinda após a sua
morte consubstanciada numa disputa travada entre as cidades de
Vila do Conde e Póvoa de Var-
zim, ambas no norte de Portu-
gal, no intuito de requerer para
si a naturalidade do famoso
filho.
Depois de muita argu-
mentação de ambos os lados, a
conclusão: Eça de Queirós fora
batizado em Vila do Conde,
mas nascera, de fato, em Póvoa
de Varzim. Isso foi em 1845.
Seu pai foi o Dr. José Maria de
Almeida Teixeira de Queirós,
um jovem bacharel em Direito,
que não tinha à época mais de
vinte e cinco anos, nascido no
Brasil em 1820 e formado em

1
Sócio efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica - IPGH.
88 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Coimbra em 1841; sua mãe foi D. Carolina Augusta Pereira de Eça,


filha do falecido tenente-coronel José Antônio Pereira de Eça. Des-
cobriu-se, no decorrer da disputa entre as cidades, que a confusão
sobre o lugar de nascimento do autor era resultado das circunstân-
cias anormais em que fora dado à luz o escritor: Eça era um filho
ilegítimo, fruto das relações "ilícitas" entre o delegado da comarca
de Ponte de Lima, José Maria, e a filha do tenente, D. Carolina.
Com o objetivo de ocultar o nefando pecado em que não só
o coração era culpado, D. Carolina deixara a casa paterna, procu-
rando asilo na casa de um parente seu em Póvoa de Varzim. Ao
que tudo indica, levar a criança para ser batizada em Vila do Con-
de era uma maneira de deixar ainda mais incógnito o nascimento.
Eça era fruto de uma aventura.
Se houve uma paixão avassaladora, essa já não existia mais,
pelo menos é o que se depreende do tom formal da única carta
trocada por seus pais que se tem registro:

“Senhora:
Ponte de Lima, 18 de Novembro de 1845
Recebi carta de meu pai, que novamente me recomenda a criação
de meu filho, e se me oferece para mandá-lo criar no Porto, em
companhia da minha família, quando a senhora nisto convenha.
Espero, pois, a sua resposta para nessa inteligência escrever a meu
pai.
Ele me recomenda igualmente – e também o desejo – que no Assen-
to do Batismo se declare ser meu filho, sem, todavia, se enunciar o
nome da mãe. Isto é essencial para o destino futuro de meu filho, e
para que, no caso de se verificar o meu casamento consigo – o que
talvez haja de acontecer brevemente –, não seja preciso em tempo
algum justificação de filiação. Espero se ponha ao nosso filho o
meu, ou o seu nome, conforme deve ser.
Adeus. Acredite sempre nas minhas sinceras tenções – e agora
mais do que nunca – Queirós”.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 89

O menino nasce. Dão-lhe o nome de José Maria Eça de


Queirós.
É inverno. Uma carruagem espera, e uma mulher envolta
num grande xale negro corre até a porta do veículo. A portinhola
abre, ali dentro vai Eça de Queirós. Segura-o o padrinho, o alfaiate
Antônio Fernandes do Carmo. Enquanto isso, entreabre o xale a
madrinha, a senhora Ana Joaquina Leal de Barros, para que a fron-
te do menino seja abençoada. Uma cena – ocorrida provavelmente
junto ao portal da igreja, na escadaria – da qual apenas esses dois,
mais o reverendo Pedro Antônio da Silva Coelho são testemunhas.
Depois de ter recebido os santos óleos do batismo, o menino põe-
se a chorar. A mãe havia ficado em Póvoa de Varzim e Ana afaga a
criança com a ternura que uma mãe pode afagar um filho que não
saiu de suas entranhas.
Logo que pode, D. Carolina volta para Viana do Castelo, de
onde se afastara sob o pretexto de visitar parentes da Póvoa. Fica-
ram ressalvadas as conveniências. Pelos quatro anos que seguem,
Eça de Queirós vive com o padrinho e a madrinha, até que, em
1949, os pais se casam – diga-se de passagem –, não “tão breve-
mente” como havia afirmado na carta à D. Carolina o delegado de
Ponte de Lima.
Mas Eça não foi morar com os pais. Vai para Verdemilho,
para a casa dos avós paternos, onde fica até a morte deles, em
1855. Iria, finalmente, Eça de Queirós desfrutar da convivência dos
pais e irmãos que já haviam nascido? Não. “Estranho pareceria
apresentar na cidade, onde o Dr. Teixeira de Queirós vai ocupar
uma alta posição e onde antes (...) provavelmente residira, um
filho de dez anos, subitamente chegado da província, e em que
provavelmente o casal nunca falara.” Assim, para não comprome-
ter a posição dos pais, Eça de Queirós é enviado interno para o
Colégio da Lapa, onde permanece até realizar seus exames e partir
para Coimbra. Não se sabe se tudo isso ocorre por azar ou se por
sorte, fato é que foi nesse colégio que Eça de Queirós conhece e é
educado por ninguém mais, ninguém menos que Joaquim Costa
90 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Ramalho, pai de Ramalho Ortigão, que viria a se tornar seu maior


amigo.
Em 1861, com dezesseis anos, Eça de Queirós segue para
Coimbra. Mesmo depois de tanto tempo, o contato com a família é
nulo. Nas férias, ao invés de ir para junto dos pais, era recebido em
casa de seu parente, o Dr. Mata Leal, que vivia na Póvoa de Var-
zim. Foi só depois da sua formatura, em 1866, que os laços familia-
res se estreitaram.
Eça de Queirós forma-se bacharel, mas não revelava qual-
quer ponta de vocação. Não é de estranhar, então, que no ano se-
guinte, em 1867, ele aceitasse o convite para dirigir, na encantado-
ra cidade de Évora, o jornal de oposição chamado "Distrito de Évo-
ra". Na verdade, fazia ele todo o jornal, sozinho. Quatro páginas,
em corpo miúdo, que se mantiveram, sem desfalecer, por oito me-
ses e constituíram um ensaio decisivo da sua vocação literária.
O "Distrito de Évora" também trouxe outro benefício para
Eça de Queirós. Deixou-lhe experimentar a advocacia. Havia che-
gado a hora do jornal "prestar serviços", como esperava o público
em geral, e Eça já mostrava maior domínio na escrita, e mostrava
ter mais decisão, mais firmeza. "Demais, havia tempo que abrira
banca de advogado". Foi então que publicou o seguinte anúncio no
jornal:

José Maria Eça de Queiros tem aberto o seu


escritório de advogado na Praça de D. Pedro,
nº 3, aonde pode ser procurado desde o dia
10 de Fevereiro em diante das 11 às 4 horas
da tarde.

Não sabemos se Eça teve muitos clientes. Mas um, pelo


menos, lhe apareceu imediatamente, graças à posição assumida
pelo seu jornal. Tratava-se do "escandaloso aforamento da herdade do
Sobral, em detrimento da Casa Pia da cidade – isto é – dos pobres" de-
nunciado no "Distrito de Évora". André Maria Ferreira Vilalobos
faz publicar uma carta sobre o assunto, e é o primeiro a levantar
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 91

protesto sobre o caso. A Casa Pia, atingida, o processa. Vilalobos


procura Eça de Queirós e o constitui seu patrono.
Apesar da defesa, Vilalobos fora condenado. O "Distrito de
Évora" registrou o fato, em carta escrita – apesar do estilo eciano –
pelo próprio Vilalobos:
“O nosso defensor fora o exímio, o sublimado, o talentoso,
o erudito, o jovem Ilt.mo Dr. José Maria de Eça de Queirós, que tão
prometedor é para a pátria em que nasceu e para a humanidade. A
força e vigor dos seus argumentos poderão ser imitados, mas nun-
ca excedidos. O Sr. Dr. José Liberato brando, que também tem eru-
dição e que é pena achar-se nas circunstâncias de defender uma má
causa, teve de cantar por vezes a palinódia na presença da superi-
oridade do seu colega. Contudo, o nosso egrégio defensor, a quem
seremos eternamente reconhecidos, não podia fazer milagres, por-
que na verdade o Código Penal é bárbaro na parte que nos fulmi-
na.”
Eis um pouco da história – cheia de percalços, tão humana
quanto a nossa – de Eça de Queirós. Um pouco da história que o
autor guardou para si e que pelos caprichos da vida veio à tona
para revelar particularidades capazes de nos fazer entender como
Eça de Queirós se tornou o grande nome que conhecemos. Teria
tido o mesmo destino se fosse como as outras crianças, criado nos
braços dos pais? Teria sido ele o grande Eça se não tivesse cruzado
com Joaquim Costa Ramalho e Ramalho Ortigão? Teria todo o
significado que teve para a literatura se tivesse tido alguma ponta
de vocação para a advocacia? Enfim, ruminemos!
De se registrar que Eça de Queirós foi casado com a sr.ª D.
Emília de Castro Pamplona, irmã do conde de Resende.
Por dever legal, registro que estas primeiras linhas de in-
formação, com pequenas adaptações feitas por este autor, vieram a
lume através de uma série de matérias publicadas em 2009 no site
Migalhas, a partir do livro "Vida e Obra de Eça de Queirós", de
João Gaspar Simões (Agir Editora: São Paulo, 2005).
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Fiquemos, agora, com os trechos curiosos de suas obras


literárias envolvendo a genealogia e a heráldica, fruto de pesquisas
realizadas no Dicionário de Eça de Queiroz, obra organizada pelo
talentoso escritor português A. Campos Matos, editado pela Edito-
rial Caminho S.A., de Lisboa, edição de 1988.
No palco, Eça de Queirós!

GENEALOGIA NA OBRA DE EÇA DE QUEIRÓS

Da leitura de algumas de suas obras, se verifica que o escri-


tor mostrou-se sensível à genealogia, ou influenciado pelo interes-
se que os estudos sobre a hereditariedade começavam a despertar
na sua época, ou porque considerasse que a enumeração das su-
cessivas gerações duma determinada família, através dos tempos,
facilitasse a sugestão da mudança das épocas, ou porque procuras-
se seguir as pisadas de outros romancistas, que tinham apresenta-
do histórias de imaginárias famílias.
Tal sensibilidade à genealogia levou Eça de Queirós a esco-
lher, para dois romances, título altamente sugestivo nesse sentido:
Os Maias e A Ilustre Casa de Ramires. Não só nestas frequentes ve-
zes oferece ao leitor as genealogias das suas personagens. Se em
Os Maias são referidas apenas quatro gerações da família — Cae-
tano, Afonso, Pedro e Carlos —, já na Ilustre Casa... a linha genea-
lógica é — em admirável e justamente célebre resumo da história
de Portugal — desenrolada desde meados do século X, cerca de
vinte personagens sendo mencionados.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 93

Aos Ramires é dado como progenitor Recesvinto, soberano


visigótico do século VII, o qual, por lapso do escritor, é dito suevo
(embora noutra passagem o mostre reinando no “império visigóti-
co”).
Ascendências régias visigóticas foram — como os genealo-
gistas portugueses e espanhóis bem sabem — atribuídas a antigas
famílias peninsulares, talvez com mais insistência do que seguran-
ça.
Em A Cidade e as Serras Eça alude, sem pormenorizar, a ge-
rações de Jacintos, desde os tempos de el-rei D. Dinis.
Do conde de Abranhos são-nos ditos os nomes do pai, do
avô paterno, de bisavós. De Teodorico Raposo sabemos os nomes
dos pais e dos avós paternos. De André Cavaleiro diz-se que é
filho de general, neto do desembargador Martinho. De Artur Cor-
velo, personagem central de A Capital, são referidas circunstâncias
do bisavô, e do avô paterno, os nomes dos pais.
Eça de Queirós imaginou pelo menos um genealogista, o
morgado de Cidadelhe, irmão do Titó, bem conhecido dos leitores
da Ilustre Casa... O que diz dos trabalhos desse genealogista, assim
como outras passagens dos romances de Eça, mostram-nos que o
escritor tinha a perfeita noção de que, por via da genealogia, po-
dem surgir avaliações bem diferentes do que social ou moralmente
foram as gerações passadas.
Assim, o Teodorico de A Relíquia dirá, em honesta autobio-
grafia, que sua avó Filomena Raposo era “doceira na rua do Lagar
dos Dízimos, em Évora”. No decurso da viagem à Terra Santa,
todavia, declarara mais de uma vez, com arrogância, que é “Rapo-
so, dos Raposos do Alentejo” os quais “primavam pelo sangue no
fidalgo Alentejo”.
O adulador Topsius, o inesquecível companheiro de via-
gem, faz remontar a fidalguia do seu amigo “D. Raposo” aos Bar-
cas, à estirpe dos caudilhos cartagineses dois séculos anterior a
Cristo! Afirmação imprópria do homem de ciência que o alemão
pretende ser...
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Para a caracterização da evolução moral do personagem


Teodorico Raposo contribuem os diferentes modos como fala de
seus ascendentes. Na ascendência de Abranhos se acentua a bisavó
fidalga em contraste — humoristicamente valorizado — como bi-
savô carniceiro, com o tio padeiro, com o pai alfaiate.
Eça conhecia a tendência — muito portuguesa — de referir
e enaltecer ascendência nobre, mesmo que apenas por um costa-
do... Ou a tendência, não só portuguesa, de atribuir nobreza a an-
tepassados que não haviam gozado de tal qualidade.
A obra do genealogista Cidadelhe é-nos descrita como sen-
do “uma verdadeira inquirição sobre as bastardias, crimes e títulos
ilegítimos das famílias fidalgas de Portugal”. Tema afim ao de
obras reais que em Portugal se escreveram e de que Eça poderia
ter tido direto ou indireto conhecimento.
As noções de ascensão social das famílias e da presença de
representantes de todos os estratos da sociedade na ascendência
de um indivíduo estarão subjacentes num curiosíssimo trecho de
A Ilustre Casa de Ramires. Gonçalo, interessado por D. Ana Lucena,
bela e rica, mas filha de um carniceiro, tem a visão para lá “dos
Impérios e dos Tempos” de um Ramires pré-histórico, partindo
postas de carne humana com um machado de pedra...
Conhecimento bibliográfico revela-o Eça ao indicar a exis-
tência, na biblioteca que fora do tio de Barrolo, da História Genealó-
gica da Casa Real. É uma indicação que só reforça o realismo da
alusão a tal biblioteca, dada a verossimilhança da existência da
obra na posse de personagem das características socioculturais
desse parente do cunhado de Gonçalo Ramires, desse “Deão da
Sé”.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 95

HERÁLDICA NA OBRA DE EÇA DE QUEIRÓS

O escritor entendeu dever referir-se a brasões de armas,


quer porque a menção destes contribuiria para a caracterização de
ambientes que desejaria descrever, ou reconstituir, quer porque tal
alusão se integraria logicamente numa história familiar. História
de família usando tal emblemática, portanto, entre nós, família
nobre ou procurando apresentar-se como tal.
Fê-lo geralmente abstendo-se de descrever o brasão de ar-
mas referido, contentando-se em indicar a sua presença em pedras
de armas, sinetes, reposteiros, encadernações, num ou noutro obje-
to; devo mencionar, especialmente, as alusões, relativamente nu-
merosas, a anel de brasão, cujo uso por determinado personagem
completa — assim o entendeu, justamente, Eça — a caracterização
sociopsicológica da dita criação do escritor.
Algumas vezes tentou Eça dar ao seu leitor uma descrição,
mais ou menos completa, de brasões de armas, mostrando, então,
infelizmente, insuficientes conhecimentos heráldicos. Assim, mos-
tra ignorar, ou desprezar, a lei fundamental da heráldica, a da não
sobreposição de cor a cor, ou metal a metal.
Parece, igualmente, não ter considerado indispensável para
a completa descrição de um brasão de armas a indicação das suas
cores e metais. Assim, descreve as armas dos Ramires, “açor negro
em campo escarlate”, mas também diz que Gonçalo junta as “cores
heráldicas” dos Ramires ao pôr no casaco “um cravo amarelo com
um cravo branco”. As duas afirmações são inconciliáveis e, curio-
samente, também na segunda Eça se afasta da mencionada lei,
dado o amarelo e o branco serem, em heráldica, equivalentes aos
metais ouro e prata.
Atribui aos Noronhas, ao ocupar-se da ascendência de
Abranhos, “em campo de prata, três castelos de ouro”. No brasão
de Dâmaso Salcede, o reles personagem de Os Maias, “havia um
leão, uma torre, um braço armado...”. Do brasão da condessa itali-
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ana amante do amigo do Raposo, de A Relíquia, só diz que eram


“dois chavelhos encruzados”.
Advirta-se que as armas atribuídas pelos armoriais aos
Ramires são completamente diferentes. Lembrarei que o açor, em-
bora figura heráldica, é menos frequente que a águia; a sua escolha
por Eça mostrará uma preocupação de sugerir, até nas armas, a
unicidade dos Ramires. De qualquer modo, revistas pela substitui-
ção de uma das cores por um metal, as armas da “ilustre casa de
Ramires” ganhariam a fisionomia autenticamente medieval que o
escritor coerentemente lhes quis dar.
As muito bem conhecidas armas dos Noronhas, se efetiva-
mente incluem castelos de ouro, de outros elementos se compõem,
entre os quais as quinas de Portugal, testemunho de ascendência
régia, o que, apesar de tudo, é estranho Eça não aproveitasse. A
escolha dos castelos explicar-se-á por romântico revivalismo.
As armas atribuídas pelos armoriais aos Salcedes (de ori-
gem vasca, espanhóis) são completamente diferentes das que Eça
atribui ao seu personagem; já as dos Salcetes (catalães) apresentam
alguma semelhança, julgo que por coincidência.
Dos “chavelhos” da condessa, atrás referidos, cujo critério
de escolha é francamente humorístico, apenas se pode dizer serem
chifres de quadrúpedes figuras relativamente frequentes na herál-
dica italiana — rami di cervo, por exemplo — e alemã.
Irônica é a escolha de símbolos de lealdade, coragem e for-
ça para o brasão de armas usado pelo covarde e traiçoeiro Dâma-
so; a divisa “Sou Forte”, que acompanha as armas deste, certamen-
te a inventou Eça com a mesma intenção.
Descrição completa e relativamente correta de umas armas
fabulosas (brasões atribuídos a personagens imaginários ou pré-
heráldicos) encontramos no conto Um Poeta Lírico, testemunhando
o interesse do escritor por tal tipo de emblemática.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 97

Figuravam no exemplar de Idílios de El Rei, de Tennyson,


roubado pelo criado grego. Era “encadernado em marroquim ne-
gro com o escudo de armas de Lançarote do Lago — o pelicano de
ouro sobre um mar de sinopla”, armas que, por sinal, não coinci-
dem com as que dá, em fins do século XVI, àquele cavaleiro da
Távola Redonda, um dos mais antigos heraldistas franceses im-
pressos e um dos mais seguidos divulgadores do armorial arturia-
no, Hierosme de Bara.
Será apenas justiça para a memória de Eça de Queirós lem-
brar que, no seu tempo, os antigos armoriais portugueses se en-
contravam, na sua totalidade, manuscritos e inéditos. Uma ou ou-
tra obra seiscentista, impressa, existia, pouco acessível dada a data
da edição; menos acessíveis, ainda, os armoriais espanhóis. Os
armoriais portugueses modernos (os de Braamcamp Freire, Santos
Ferreira, Armando de Matos) hoje frequentissimamente consulta-
dos, não haviam ainda sido elaborados.
Uma obra de publicação contemporânea de Eça de Queirós,
porém, poderia este ter consultado, o armorial incluído no Arquivo
Heráldico-Genealógico, de Sanches de Baena, publicado em 1872.
Não teria tido ocasião de o fazer, ou, talvez, se lhe conheceu a exis-
tência, pensou lá não encontrar o que pretenderia.
Além das alusões a brasões de armas – completa ou incom-
pletamente descritos, ou apenas mencionados —, encontramos,
nas obras de Eça, outros elementos de natureza heráldica, de men-
sagem hierárquica, de que é exemplo o “chapéu de Cardeal” sobre
umas armas, nas cadeiras descobertas por Jacinto no sótão de
Tormes.
Coronéis de título aparecem-nos, usados sem direito, tes-
temunhando abuso muito generalizado; o repugnante Palma Ca-
valão, de Os Maias, usa coronel de visconde encimando o seu mo-
nograma. Maria Monforte, já fugida a Pedro da Maia, arroga-se
coronel de marquês...
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Lembrarei ainda o curioso bilhete-de-visita de Dâmaso, o


qual ostentava, por cima do nome, “um capacete de plumas”, ou
seja, muito provavelmente, um elmo heráldico, de cavaleiro.
O gosto por vistosas representações emblemáticas, colori-
das (heráldicas ou monogramáticas), no papel de carta, ou em bi-
lhetes-de-visita, é um aspecto, ainda que menor, dos costumes
oitocentistas; não escapou ao escritor.
Obra de Eça em que a heráldica está bem presente é, como
seria de esperar, a novela medieval incluída em A Ilustre Casa de
Ramires. Aí se fala do pendão dos Ramires, com as armas já descri-
tas, do “pendão das treze arruelas” dos Castros, e do “pendão
amarelo e negro” do bastardo Lopo de Bayão.
No dos Castros é desculpável a omissão das cores por se
tratar de armas bem conhecidas; é-o menos o anacronismo come-
tido por Eça no número das arruelas, que só serão treze a partir da
segunda metade do século XIV. Este uso de treze não se verificará,
aliás, em todos os ramos dos Castros, mas sim, significativamente,
no dos amigos e depois familiares de Eça de Queirós, o dos condes
de Resende.
Quanto às cores de Bayão, são efetivamente as das armas
que a esta família atribuem os armoriais portugueses (de ouro,
duas cabras de negro, passantes).
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Brasão

Brasão do Juíz Desembargador Joaquim José de Queirós de Al-


meida. Avô paterno de Eça de Queirós. À esquerda, Queiroses; à
direita, Almeidas.

REFERÊNCIAS

EÇA DE QUEIRÓS - personagens e cenas jurídicas de um homem do


Direito. Disponivel em <migalhas.com.br> 2009.
MATOS, A. Campos (org). DICIONÁRIO DE EÇA DE
QUEIROZ. Editorial Caminho: Lisboa, 1988, 1ª ed.
100 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

ANTONIO FREIRE
GENEALOGIA , HERÁLDICA E ASPECTOS LITERÁRIOS
Ricardo Bezerra 1

1
Sócio efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica - IPGH.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 101

Nota Explicativa

A Presidência do Instituto Paraibano de Genealogia e He-


ráldica, na pessoa da Historiadora Natércia Suassuna Dutra Ribei-
ro Coutinho, lançou em sua administração para o biênio
2008/2009 a criação e instalação do Colegiado que se constitui na
formação acadêmica de Cadeiras com Patronos, onde consta na
relação dos Patronos o Historiador Antonio Freire com quem con-
vivi até sua morte.
Estando o nome de Antonio Freire na relação de Patronos
não contive a emoção e busquei subsídios para lutar e ocupar sua
cadeira, principalmente pelo grau de amizade com a família atra-
vés do seu filho Antonio Freire Filho que todos nós conhecemos e
chamamos carinhosamente de “garotinho”.
Este trabalho é fruto da exigência estatutária de que para se
candidatar e ocupar uma cadeira é necessário apresentar um traba-
lho sobre o Patrono. Desta forma não exitei em preparar este pe-
queno ensaio da vida, obra, genealogia e heráldica de Antonio
Freire para poder concorrer à ocupação da cadeira e para poder
mostrar um pouco deste grande homem que pouco é estudado.
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Introdução
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Heráldica e Brasão

✓ Pesquisa do Museu de Ciências Naturais – Horto de Dois


Irmãos – Recife – Pernambuco.
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ANTONIO VITORIANO FREIRE

Nasceu no dia 05 de setembro de 1911 no Município de


Mari, Paraíba. Filho de João Vitoriano
de Luna Freire e D. Thereza de Luna
Freire.
A conclusão dos seus estudos
que na época se denominava de gina-
sial completo o fez concluir o curso
superior em Jornalismo, tendo ainda
feito o Curso de Radiotelegrafia.
Exerceu a profissão de telegra-
fista no DCT entre 1924 e 1939.
Em 1940 submeteu-se a concur-
so público onde sua aprovação o levou Antonio Freire
para o Cargo de Escriturário da Alfân-
dega de João Pessoa, Paraíba. As promoções no serviço público o
levaram para o cargo de Oficial Administrativo que posteriormen-
te fora transformado por Decreto para Agente Fiscal do Imposto
Aduaneiro.
Nos cargos comissionados exercidos no serviço público foi
Inspetor da Alfândega entre 1953 e 1955, tendo em dezembro de
1955 sido nomeado para a função de Delegado Fiscal do Tesouro
Nacional até julho de 1961, quando foi dispensado a pedido. Em
julho de 1962 foi convidado para função de Delegado Fiscal do
Tesouro Nacional na Paraíba de onde só saiu em 1963 em virtude
de sua aposentadoria.
Em sua trajetória de homem público foi membro e Presi-
dente do Rotary Clube Centro de João Pessoa/PB e Diretor Vogal
do Lions Clube de João Pessoa/PB – Centro.
Foi Sócio dos Clubes Sociais da Capital Paraibana, entre
eles o Esporte Clube Cabo Branco, Jangada Clube, Clube Astréa.
Nestes, exerceu diversos cargos de Direção.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 105

Sua formação jornalística não nega a sua vertente literária e


foi cronista do Jornal CORREIO DA PARAIBA por quase uma
década.
Proferiu diversas palestras, onde destacamos: “DATA NA-
CIONAL DA FRANÇA” em 1969 na Assembléia Jantar do LIONS
CLUBE; “O ASTREA NO ESTEIO DO TEMPO” em comemoração
aos 84 anos do referido clube social; “REVOLUÇÃO E DESEN-
VOLVIMENTO” em comemoração ao aniversario da revolução de
1964, quando o Clube Astrea prestou significativa homenagem as
Forças Armadas; e, “A MARINHA ATRAVÉS DOS TEMPOS”
pronunciada aos pés do Busto de Tamandaré na praia de Tambaú
em João Pessoa, Paraíba.
Publicou os seguintes trabalhos em livros:
01) ECOS DE DUAS CAMPANHAS POLÍTICAS – 1967, João
Pessoa/PB, Gráfica Comercial, 74 páginas.
02) FRUTO DA TERRA – crônicas – 1968, João Pessoa/PB, A
Imprensa, 247 páginas.
03) VISÕES DE UMA ÉPOCA – crônicas – 1969, João Pes-
soa/PB, Gráfica Comercial, 300 páginas.
04) REVOLTA DE QUEBRA QUILOS – ensaio – 1971 – 1ª Edi-
ção, causas e origens, João Pessoa/PB, Escola Técnica Fe-
deral da Paraíba, 52 páginas; – 1976 – 2ª Edição, João Pes-
soa/PB, Nova Paraíba Indústria gráfica, 50 páginas.
05) ARAÇÁ DOS LUNA FREIRE – história e genealogia –
1972, João Pessoa/PB, Nova Paraíba Indústria Gráfica,
ilustrada, 221 páginas.
06) REVOLTAS E REPENTES – história – 1974, João Pes-
soa/PB, Nova Paraíba Indústria Gráfica, ilustrado, 127 pá-
ginas.
07) O CANTO RETARDADO – poesia – 1990.

Foi condecorado em sua vida literária com os seguintes


títulos: Medalha de Honra ao Mérito do Centro Paraibano de Rela-
ções Públicas; Medalha de Ouro por serviços prestados ao LIONS
INTERNACIOANAL, incluindo a MEDALHA – CHAVE, entre
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outras homenagens da referida instituição; MEDALHA e TROFEU


pelo Esporte Clube Cabo Branco pelos relevantes serviços presta-
dos; DIPLOMA de “AMIGO DA MARINHA” conferido pelo Mi-
nistério da Marinha, incluindo homenagem por ser membro da
banca examinadora do concurso “MAR e MARINHA”.
Seu reconhecimento literário entre os paraibanos o fez
Membro Efetivo do INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAFICO
PARAIBANO, como do INSTITUTO PARAIBANO DE GENEA-
LOGIA E HERALDICA que o consagrou Patrono da Cadeira nº 06
ao criar o Colegiado.
O Instituto Histórico e Geográfico Paraibano quando foi
fundado e não possuía em seus Estatutos um Colegiado com espe-
cificação de Cadeiras, só vindo a ocorrer na reforma estatutária de
25 de agosto de 1979 quando foram criadas as 40 primeiras Cadei-
ras, tendo como Presidente Antonio Victoriano Freire. Hoje, o
IHGP conta com 50 Cadeiras em virtude de nova reforma estatutá-
ria de 24 de janeiro de 1992, pelo
então Presidente Joacil de Britto
Pereira.
No IHGP, Antonio Frei-
re, tomou posse na Cadeira nº
21, como Fundador, tendo como
Patrono João Lelis, em virtude
da nova organização social do
Instituto, promovida em sua
gestão como Presidente, onde o
“Instituto seria integrado por 40
sócios efetivos, em 40 Cadeiras
numeradas, as quais seriam pre-
enchidas pelos sócios existentes
daquela época. Estes seriam con-
siderados fundadores das respec-
tivas cadeiras, cabendo-lhes indi-
car o nome do seu Patrono”. (Memorial do IHGP, 1905/1995, pág.
07).
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Faleceu no dia 24 de agosto de 1977 as 23 horas e 30 minu-


tos no Hospital Prontocor na Capital Paraibana, vitima de insufici-
ência respiratória aguda, edema agudo de pulmão e infarto agudo
do miocárdio, atestado pelo Médico Dr. Wladimy Kleber da Silva.
Está sepultado no Cemitério Senhor da Boa Sentença da Capital
Paraibana.

Genealogia

Filho de: João Vitoriano de


Luna Freire e Thereza de
Luna Freira.

Casou-se em 09 de junho de
1945 com Maria de Lourdes Theor-
ga Freire, nascida no dia 23 de no-
vembro de 1916, natural de João
Pessoa/PB, filha de José Theorga e
D. Eutalia de Assis Theorga. D. Ma-
ria de Lourdes foi também Funcio-
nária do Ministério da Fazenda.
Faleceu no dia 07 de novembro de
1997 às 02h30min em sua residência
da Avenida Tabajaras, nº 960, Cen-
tro, João Pessoa/PB, também sepul-
tada no Cemitério Senhor da Boa
Sentença da Capital Paraibana.
108 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Deste matrimônio nasceram:


F1 – ANTONIO VITORIANO FREIRE FILHO, nasceu no dia 20 de
junho de 1948 em João Pes-
soa/PB, com formação su-
perior em Geografia pela
Universidade Federal da
Paraíba em 1977. Casou-se
no dia 21 de Dezembro de
1974 com a Assistente Soci-
al, graduada pela Univer-
sidade Federal da Paraíba,
Maria Carmem Cavalcanti
Rangel de Farias nascida
em 1º de março de 1952 em
João Pessoa/PB, filha do Advogado Estácio Rangel de Farias e D.
Maria Elizabeth Cavalcanti Rangel, passando a adotar o nome de
Maria Carmem Rangel Freire. Separaram-se consensualmente em
15 de outubro de 1977. Antônio Vitoriano
Freire Filho faleceu no dia 22 de dezembro
de 2012. Desta união nasceram:
N1 – LEONARDO RANGEL FREI-
RE, nasceu no dia 21 de março de
1976 em João Pessoa/PB. Casado
com RAQUEL MORAES CLE-
MENTINO RANGEL FREIRE, nas-
cida em 08/01/1979.

N2 – THATIANA RANGEL FREIRE, nasceu no dia 10 de


agosto de 1977 em João
Pessoa/PB. Casou-se
em 24 de maio de 1997,
na Igreja de Nossa Se-
nhora do Carmo, em
João Pessoa/PB, com
José Antonio de Alcân-
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 109

tara, nascido em 14 de junho de 1963 na Cidade de Campi-


na Grande/PB, filho de Geraldo de Alcântara Gusmão e D.
Maria de Lourdes Peixoto Alcântara. Desta união nasce-
ram:
B1 – LETÍCIA RANGEL FREIRE DE ALCÂNTARA
nasceu no dia 30 de outubro de 1997 às 11h40min h,
na Maternidade Lady Center em João Pessoa/PB.
B2 – LUCCA RANGEL FREIRE DE ALCÂNTARA
nasceu no dia 18 de fevereiro de 2001 às 09h00min
h, no Hospital UNIMED em João Pessoa/PB.
N3 – VICTOR RANGEL FREIRE,
nasceu no dia 11 de se tembro de
1984 às 00h15min h, na Materni-
dade Santa Izabel em João Pes-
soa/PB. Casou-se com Thalita
Campos Borges Zancan Rangel,
nascida em 07 de agosto de 1998.
Desta união nasceu:
B3 – MARIA TERESA
BORGES ZANCAN RAN-
GEL, nasceu em 06 de mar-
ço de 2020.
F2 – JOSÉ CARLOS DE THEORGA FREIRE nasceu no dia 19 de
setembro de 1949 em João Pessoa/PB, onde exerce a Profissão de
Médico. Casou-se no dia 26 de maio de 1979 na Igreja de São Fran-
cisco em João Pessoa/PB, tendo como celebrante o Cônego Fer-
nando Montenegro Abath, com Rosane Maria Xavier Toscano nas-
cida no dia 18 de junho de 1956 em João Pessoa/PB, filha de Bar-
tholomeu Toscano de Britto Filho e D. Maria Auxiliadora Xavier
Toscano, passando a usar o nome de Rosane Maria Toscano de
Theorga Freire. Desta união nasceram:
N4 – LUANA TOSCANO DE THEORGA FREIRE
nasceu no dia 03 de outubro de 1980 às 14h30min h,
110 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

na Maternidade do 1º Grupamento de Engenharia


em João Pessoa/PB.
N5 – JOSÉ CARLOS DE THEORGA FREIRE FILHO,
nasceu no dia 16 de outubro de 1983 às 14h35min h,
na Maternidade Santa Lúcia em João Pessoa/PB.

Comentários e Registros
O livro “Biblioteca Paraibana” de Idellete Muzart Fonseca
dos Santos, DICIONÁRIO LITERÁRIO DA PARAIBA, editado
pelo Conselho Estadual de Cultura em 1994 pela editora “A Uni-
ão”, trás em sua página 110 referência ao Jornalista, Cronista e
Historiador Antonio Freire, onde transcrevemos o trecho em que
se faz referência a sua obra, nos seguintes termos:

“...“Visões de uma época (1969) reúnem crônicas


que constituem uma coletânea dos acontecimentos de
uma cidade e das notícias que vêm do mundo”, no
dizer do próprio autor. Chico Viana assinala “o li-
rismo de Antonio Freire (resultando) sobretudo de
um alargamento de olhos para coisas, pessoas, cida-
des, acontecimentos, que seriam tão somente selecio-
nados pelo faro do cronista. Como se a carga poética
preexistente às operações técnicas da escrita, e o au-
tor quisesse alterar ao mínimo o veio natural”...”.

Para o imortal da Academia Paraibana de Letras e do Insti-


tuto Histórico Paraibano DEUSDEDITH LEITÃO, ao escrever a
orelha do livro O CANTO RETARDADO diz que “a sensibilidade
lírica do poeta tem a mesma origem sentimental do festejado cronista...”.
Dentre outros intelectuais que renderam comentários à citada
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 111

obra, destacamos: poeta VIRGÍNIUS DA GAMA E MELO; histori-


ador e professor JOSÉ OCTÁVIO DE ARRUDA MELO; escritor
ANTONIO BARRETO, entre outros.

1ª Edição
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SARAIVA :
DA PENÍNSULA I BÉRICA AO CARIRI

Maria do Socorro Cardoso Xavier 1

S
egundo o Anuário Genealógico Latino (vol. I, Ano de
1949, parte 1) por Salvador de Moya, encontramos a orí-
gem dos Saraivas, a qual vem assim apresentada: “O So-
lar desta família é nas montanhas da Vila de Saraiva, em
Viscaya, de onde são originários, na Espanha”.

1
Sócia efetiva do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica - IPGH.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 113

Em 1428 passaram a Portugal Antônio Saraiva e Vicente


Fernandes Saraiva e se estabeleceram na Vila de Trancoso. Em
comitiva foram acompanhar sua irmã, dama da rainha D. Leonor,
esposa de Dom Duarte I, rei de Portugal. Pertencia a nobreza da
Península Ibérica.
O apelido em Portugal tomou a forma de Saraiva corrup-
ção de Serávia. Vicente Fernandes casou com Leonor Vaz da Fon-
seca filha de Afonso Vaz da Fonseca Coutinho, alcaide-mor de
Marialva e de Moreira, que ganhou aos castelhanos e do Sabugal e
de sua mulher D. Mécia Lopes Pacheco. Ligado a tão importante e
distinta família da província da Beira, Vicente Fernandes Saraiva
deixou larga geração, sobretudo na região de Trancoso, em cuja
vila fez assento, a qual teve papel preponderante na governança
da região.
Aportados ao Brasil, orindos pois, da Península Ibérica, e
chegados também, ao sul do Ceará, no século XVIII, época do seu
povoamento e sua formação étnica e social, e ainda o da fixação de
suas mais antigas linhagens.
O Padre Antônio Gomes de Araújo omais penetrante histo-
riador do Cariri e outros seus discípulos preocuparam-se em in-
vestigar exaustivamente, os povoadores da zona, ao longodo sécu-
lo XVIII. Destas pesquisas publicadas, arrolando os colonizadores
do sul do Ceará, portugueses e nordestinos constam 3 imigrados
todos naturais da região sanfranciscana, portadores do sobrenome
Saraiva: Antônio Saraiva, João de Brito Saraiva e Lourenço Saraiva
da Silva. Este último gerou uma descendência bem significativa
em Missãi Velha e Barbalha no Ceará, naquele fértil vale. Assim
forma surgindo dentre outros, os Saraiva Landim, Os Saraiva da
Cruz, Os Teles Saraiva, os Duarte Saraiva, os Saraiva Xavier, os
Monteiro Saraiva, os Saraiva Arraes.
Denominados de “Terésios” devido terem formado o Nú-
cleo proveniente do Engenho Santa Teresa, um dos primeiros po-
voamentos dos Saraiva de Missão Velha, no Ceará.
114 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Provavelmente Lourenço Saraiva da Silva antes de 1795 já


era estabelecido no Cariri cearense, na Vila de Crato no Ceará.
Consta ser natural de Pau dos Ferros no Rio Grande do Norte.
Nascido a 21/06/1813. Foi casado com Rosa Francisca do Espírito
Santo, do Icó no Ceará. Faleceu em 1848. É considerado o tronco
da Família Saraiva. Daí várias ramificações se estenderam por ou-
tras localidades do Ceará e estados do Nordeste. Lourenço Saraiva
da Silva deixou os seguintes filhos:
F1. Francisco Monteiro Saraiva
F2. José Saraiva da Silva
F3. Joaquim Saraiva da Silva
F4. Francisca Saraiva da Silva
F5. Josefa Maria do Espírito Santo
FRANCISCO MONTEIRO SARAIVA (F1), nascido no ano
de 1804, c. c. Leocádia Pereira de Castro em 1827. Ela sobrinha neta
do capitão mor José Pereira Filgueira, que foi também Presidente
do Ceará, no segundo Governo Temporário. Filha de Joaquim Ig-
nácio Cardoso dos Santos e Joana Martins do Espírito Santo. Neta
paterna do português Manoel Ignácio dos Santos ou Manoel Car-
doso Viana e de Leocádia Maria de Castro, irmã do célebre Capi-
tão–mor José Pereira Filgueira. Moraram no Sítio São Joaquim
(Barbalha - CE). Este casal deixou 11 filhos:
N1. Antônio Monteiro Saraiva.
N2. Francisco Monteiro Saraiva.
N3. Joaquim Monteiro Saraiva, nascido em 1841. Alferes da
Guarda Nacional.
N4. José Francisco Saraiva.
N5. Pedro Monteiro Saraiva, nascido em1829.
N6. Maria de Castro Saraiva.
N7. Joaquina Filgueiras de Castro Saraiva.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 115

N8. Delmira de Castro Saraiva.


N9. Jerônima de Castro Saraiva.
N10. Umbelina de Castro Saraiva.
N11. Rosa de Castro Saraiva.
JOAQUIM MONTEIRO SARAIVA (Apelido Quinco Sarai-
va), nascido em 1841. Alferes da Guarda Nacional. c.c. com Úrsula
de Castro Oliveira Saraiva. Tiveram os seguintes filhos:
B1. Josefa Leocádia de Castro Saraiva.
B2. Maria Emília Leocádia de Castro Saraiva.
B3. Antônia de Castro Saraiva – (apelido Totonha) -
Fortaleza - CE. Teve uma filha Glícia Saraiva – For-
taleza - CE.
B4. Pedro Monteiro Saraiva.
B5. Gervásio Monteiro Saraiva.
Filhos de Joaquim Monteiro Saraiva com outra mulher:
B6. Joaquim Monteiro Saraiva (apelido Caraca)
B7. Silvino Monteiro Saraiva
B8. Antônio Monteiro Saraiva (apelido Antônio Po-
ga).
DESCENDENTES DE JOSEFA LEOCÁDIA DE CASTRO
SARAIVA, filha de Joaquim Monteiro Saraiva e Úrsula de Castro
Saraiva Oliveira (Missão Velha). Casou com Pedro Xavier de Sou-
za, ela com 17 anos de idade. Pedro Xavier de Souza nasceu em
1870. Com 25 anos de idade casou com Josefa em 11/10/1895. Ipu-
eira, município de Serrita - PE.
Segundo o primo Edilberto Freitas Correia Saraiva, Josefa
Leocádia de Castro Saraiva era parenta bem próxima do seu
bisavo Joao Correia Saraiva que morava em Missao Velha e como
era de costume os chefes de famílias do Cariri, terem propriedades
no sertao pernambucano, mais precisamente na regiao de Serrita o
116 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

seu bisavo era um desses que tinha terras lá para colocar o gado
nas invernadas. Esse lugar se chamava Pitombeira uns 6 km antes
de chegar a Ipueira pra quem vai do Cariri e era mais conhecida
como (Pitombeira de Pedro Saraiva) esse irmao de Josefa Leocádia
Saraiva e ambos filhos do antigo intendente de Missao Velha
Francisco Monteiro Saraiva que por sua vez era descendente do
tronco dos Saraivas no Cariri Lourenço Saraiva da Silva. Dentre os
filhos desse Lourenço Saraiva tinha um de nome Francisco
Monteiro de Queiroz que nao se assinava Saraiva e este se casou
com uma sobrinha do Caudilho e capitao-mor do Crato José
Pereira Filgueiras de nome Leocádia Pereira de Castro que sao os
bisavós de Josefa Leocádia de Castro Saraiva esposa do Coronel
Pedro Xavier que por sua vez tem suas origens em Aurora antigo
sítio (Venda) fundada pelo comandante Francisco Xavier de Souza
que se estabeleceu no Cariri vindo do Aracati.
Josefa Leocádia de Castro Saraiva e Pedro Xavier de Souza
tiveram os seguintes filhos:
T1. Francisco Saraiva Xavier (Chiquinho) c.c.
Eulália Sampaio Martins Cardoso – Sítio
Crioulos – Barbalha - CE.
T2. Aristides Saraiva Xavier c.c. Francisca
Filgueira Quesado Cardoso (nome de soltei-
ra) Nome de casada: Francisca Cardoso Xa-
vier – Granito – PE.
T3. José Saraiva Xavier (Dezinho) c.c. Jovita
de Sá Barreto Grangeiro - Xavier - Granito-
PE.
T4. Gumercindo Saraiva Xavier c.c. Idalina
Silva – Recife - PE.
T5. Aparício Saraiva Xavier c.c. Anunciada
Cruz – Engenho Missão Nova - Barbalha -
CE.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 117

T6. Antônio Saraiva Xavier c.c. Mireta Pare-


des – Cuiabá - MT.
T7. Mário Saraiva Xavier (Primeiro Casa-
mento) c.c. Alzenir Pereira.
T8. Amélia Saraiva Xavier c.c. Luiz Oliveira
Teixeira – Goiânia- GO.
T9. Adalgisa Saraiva Xavier c.c. Pedro Mon -
teiro Saraiva – Ipueiras - PE.
T10. Maria Saraiva Xavier c.c. João Sampaio
Xavier – Ipueiras - PE.
T11.Veneranda Saraiva Xavier (Deinha) c.c.
Luiz França Pereira – Jardim - CE.
FILHOS DE FRANCISCO SARAIVA XAVIER (Chiquinho).
Nascido em 1896 em Leopoldina - PE, c.c. EULÁLIA SAMPAIO
CARDOSO MARTINS (Lolosa) em 10/12/1917. Eulália nascida
em 04/04/1892 (Barbalha - CE). Filha de João Martins Cardoso de
Oliveira e de Maria da Glória Sampaio Cardoso. Moravam no Sítio
Creoulos/Ipueira, depois Iguatu/CE. Falecidos.
Q1. Audízio Martins Xavier – casado
- Iguatu - CE - CD – falecido.
Q2. Olavo Martins Xavier (João Gale
go) – casado - CD - falecido.
Q3. Alberto Martins Xavier – casado
CD – Fortaleza - CE.
Q4. Adalberto Martins Xavier – casa
do- CD – Anápolis - GO.
Q5. Agemir Martins Xavier – casado -
Minas Gerais – falecido.
Q6. Agamenon Martins Xavier – Ca-
sado - CD – Goiânia – GO.
Q7. Aldo Martins Xavier – casado.
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Q8. Adair Martins Xavier – casado –


CD - Rio de Janeiro - RJ.
Q9. Marlene Xavier do Amaral – ca-
sada – CD – Goiânia - GO.
Q10. Maria Sampaio Xavier Marino
(Mariinha) – casada- CD - Rio.
Irismar Fernandes Xavier (Sinha) filha de Audízio Mar-
tins Xavier – nascida a 23/11/1949 – Iguatu – CE, c.c. Raimundo
Saraiva de Almeida – ambos primos. Fortaleza - CE. Tiveram os
filhos:
P1. Luziana Xavier de Almei-
da – nascida 02/12/1970 –
Jornalista.
P2. Kathlen Xavier de Almei-
da – nascida 23/10/1976.
P3. Audízio Xavier de Almei-
da - nascido a 02/01/1973 –
Economista - Dnocs.
FILHOS DE JOSÉ SARAIVA XAVIER (DEZINHO), natural
de Serrinha/PE. c.c. JOAQUINA GRANGEIRO DE SÁ BARRETO
(JOVITA). Nascida aos 11/10/1910, filha de José de Sá Barreto,
“São Alferes” e de Antônia Grangeiro Filgueiras.
Q11. Osmar Grangeiro Xavier c.c.
Maria Célia Anaya Xavier – CD Ca-
choeira Paulista - SP.
Q12. Iran Grangeiro Xavier – Grani-
to - PE - (falecido) c.c. Osair Peixoto
Xavier. CD.
Q13. Edilsom Grangeiro Xavier c.c.
Maria Helena Costa Xavier - CD Ya-
ras - SP.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 119

Q14. Heitor de Sá Barreto Xavier c.c.


Teresa Costa Xavier – CD - falecido.
Q15. Rosalvo Grangeiro Xavier c.c.
Maria Vilani da Silva Xavier - CD
Q16. Eimar Grangeiro Xavier c.c. Ca
tarina Liege Barreto Couto Xavier –
CD-Salgueiro - PE
Q17. Francisco de Sá Barreto Xavier
(apelido Denizart) – casado c.c. Neide
Arima Xavier - CD - falecido
Q18. Maria das Graças Grangeiro Xa-
vier – falecida em criança.
FILHOS DE ARISTIDES SARAIVA XAVIER (Ipueira - PE)
nascido a 21/09/1899 e falecido em 22/12/1956 em Granito - PE,
c.c. FRANCISCA FILGUEIRA QUEZADO CARDOSO (nome de
solteira) – Barbalha - CE. Nome de Casada FRANCISCA CARDO-
SO XAVIER – Falecida em 04/06/2000 em João Pessoa - PB:
Q19. Noemi Cardoso Xavier -
funcionária pública – SD - faleceu sol-
teira em Salgueiro - PE a 24/09/1958.
Q20. Norberto Cardoso Xavier – fun
cionário público – solteiro - SD-
falecido a 20/02/2003 em João Pessoa
- PB.
Q21. Nair Xavier Clerot - curso peda-
gógico – viúva- C/D – João Pessoa -
PB.
Q22. Maria do Socorro Cardoso Xavi-
er. Professora universitária - viúva -
C/D - João Pessoa - PB.
120 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Q23. Francisco de Jesus Cardoso Xa


vier - Engenheiro civil – casado - C/D
– Campina Grande/PB.
Q24. Falecidos em criança: Noésia,
José, Nilo e Nivaldo.
FILHOS DE APARÍCIO SARAIVA XAVIER- Nasceu Em
08/08/1908 - Ipueira/Leopoldina - PE. Casou em 18/06/1931 com
MARIA ANUNCIADA CRUZ XAVIER – Filha de João da Cruz
Neves e Maria Clara da Luz – Barbalha - CE:
Q25. Ary Xavier da Cruz – odontólo-
go- casado CD - Nova Friburgo - RJ.
Q26. Arinaldo Xavier da Cruz –
Agrônomo – SD – solteiro - falecido.
Q27. José Arismar Xavier da Cruz
(Zezé) – Contador – Casado.
Q28. Arina Xavier da Cruz Cavalcan-
te, Professora, c.c. Abelardo Abelar-
do Reis Cavalcante Agrônomo – S/D
– falecida.
Q29. Aristéia Xavier da Cruz – Pro
fessora, viúva de Rosemiro de Sá-
falecidos - Rio de Janeiro - RJ. S/D.
Q30. Arisa Xavier de Sá– Professora –
casada C/D – Barbalha - CE.
Q31. Francisca Arinete Xavier Norões
(Diobem)– casada C/D - Fortaleza.
Q32. Ariane Saraiva Cruz Campos
(Diana) - Pedagoga – casada C/D.
Juazeiro do Norte - CE.
Q33. Maria Creusa Cruz Xavier – Pro
fessora – casada C/D- Recife - PE.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 121

Q34. Greice Cruz Xavier – solteira.


Filhos de Aparício Saraiva Xavier, da união com Joaquina
Avelino dos Anjos: - Cedro - CE.
Q35. Antonio dos Anjos Xavier.
Q36. Cicero Saraiva Xavier Xavier.
Q37. Maria de Fátima Saraiva Xavier.
Q38. Afrânio Saraiva Xavier.
Q39. João Bosco Saraiva Xavier –
Barbalha – CE.
Q40. Lúcia Saraiva Xavier.
Q41. Luzia Saraiva Xavier.
Q42. João Bosco Avelino Xavier.
Q43. Deise Xavier – Salgueiro - PE.
FILHOS DE ANTÔNIO SARAIVA XAVIER – Agrimensor -
c.c. MIRETA PAREDES SARAIVA XAVIER – Cuiabá – MT.
A viúva e um filho residem em Jacareípe no Espírito Santo.
Antônio Saraiva Xavier era exímio atirador de elite.
Q44. Mírnio Paredes Saraiva Xavier –
casado – Jacareípe – ES.
Q45. Maurício Paredes Saraiva Xavier
- casado – FUNAI.
OBS: Temos informação que um deles faleceu. E também
que um dos dois é socialista.
FILHOS DE GUMERCINDO SARAIVA XAVIER - c.c.
IDALINA SILVA – Recife - PE:
Q46. Yara Silva Xavier – Pedagógico
– casada - falecida Recife – PE.
Filhos de Yara Silva Xavier c.c. Deodato Soares da Silva:
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P4. Izabel Cristina Xavier Soa


res Falcão - Administração de
Empresa - casada – casada
C/D - Recife – PE.
FILHOS DE MÁRIO SARAIVA XAVIER, Ipuei-
ra/Leopoldina – PE, c. c. ALZENIR PEREIRA – Crato - CE. – (Pri-
meiro Casamento):
Q47. Arivaldo Pereira Xavier – Enge-
nheiro químico – Divorciado - CD -
falecido. Fortaleza - CE.
Q48. Rigoberto Pereira Xavier – casa
do – CD – Petrópolis – RJ.
Q49. Arilda Xavier Cavalcante – viú-
va – CD – RJ.
FILHOS DE MÁRIO SARAIVA XAVIER, que nasceu a
23/05/1916 em Ipueira/PE e faleceu em Fortaleza 20/07/2006 -
c.c. MARIA CLEONICE FARIAS MENEZES (Segundo Casamen-
to):
Q50. Sandra Regina Menezes Xavier -
solteira – falecida.
Q51. Cezar Menezes Xavier – Ciên-
cias Contábeis – casado. CD.
Q52. Fernando Menezes Xavier –
Administrador de Empresa –
Q53. Tânia Menezes Xavier – Médica
Ginecologista – casada. CD.
Q54. Pedro Xavier Neto Geólogo –
casado - CD.
Q55. Ricardo Menezes Xavier – Ad-
vogado – casado – CD.
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FILHOS DE ADALGISA SARAIVA XAVIER c.c. PEDRO


MONTEIRO SARAIVA, Fazenda Pitombeira - Ipueira/Leopoldina
- PE. Ele filho de Joaquim Monteiro Saraiva e Úrsula de Castro
Saraiva de Oliveira.
S/D. Adalgisa era sobrinha de Pedro Saraiva. Ambos fale-
cidos.
FILHOS DE AMÉLIA SARAIVA XAVIER, nascida a
02/09/1902 na Fazenda Ipueira - Leopoldina – casou com seu
primo LUIZ TEIXEIRA DE OLIVEIRA, nascido em Ipueira a
10/09/1892. Ele filho de Joaquim José de Oliveira e Joana Xavier
Teixeira ou Joana Ferreira de Jesus, nascida em 1848. Fixaram re-
sidência em Goiânia - GO.
Q56. Olga Xavier Teixeira – falecida.
Q57. Doralice Xavier Teixeira, nasci-
da aos 21/03/1921 – falecida.
Q58. Luís Teixeira Filho, nascido a
30/03/1922, Goiânia – GO, casado.
Q59. Otília Xavier Teixeira – solteira.
Q60. Walter Xavier Teixeira, nascido
a 18/08/1923 – Ipueira – PE, c.c. Te-
resa Grangeiro Peixoto. CD – Barba-
lha - CE.
Q61. Degental Xavier Teixeira, nas-
cido 16/08/1924. Graduado em Di-
reito - casado – CD.
Q62. Pedro Xavier Teixeira, nascido
06/07/1929 – casado – falecido.
Q63. Juracy Xavier Teixeira, nascido a
13/05/1931 na vila de Porteiras - CE -
Deputado em Goiás - c.c. Adelaide
Rebello. CD.
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Q64. Ivan Xavier Teixeira – falecida.


Q65. Rivadávia Xavier Teixeira – nas-
cido 18/08/1932 – casado. CD.
Q66. João Xavier Teixeira – falecido.
Q67. Terezinha Xavier Teixeira – fale-
cida.
Q68. Shirley Xavier Teixeira – casado.
Q69. Iara Xavier Teixeira c.c. Rai-
mundo Azevedo Japiassu.
Q70. Iraci Xavier Teixeira c.c. Fernan-
do de Oliveira Jr. CD.
Q71. Irandi Xavier Teixeira c.c. Aubi-
ramar Moraes Sarmento. CD.
FILHOS DE MARIA SARAIVA XAVIER c.c. JOÃO SAM-
PAIO XAVIER – Ipueira/Leopoldina/PE: (Primos em primeiro
grau):
Q72. Gilberto Sampaio Xavier, soltei-
ro - SD - falecido – sofria ataques de
epilepsia.
Q73. Amaury Sampaio Xavier – sol
teiro – SD, falecido. Era um dos me-
lhores laçadores de cavalos e bois,
além de excelente doceiro.
Q74. Giselda Sampaio Xavier – casa-
da com Martinho Ayres de Alencar.
CD.
Q75. Osvaldo Sampaio Xavier – casa
do com Ilza Grangeiro Xavier. CD.
Q76. Gilvan Sampaio Xavier – casado
Roldimar Peixoto. CD.
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Q77. Ivanildo Sampaio Xavier (Ni-


tão), c.c. Maria Eponina Couto Ipuei-
ra/PE.- Nitão deixou uma musica
num cd de Manoel do Exu, intitulado
“Defesa do Jumento”. – Ambos fale-
cidos, S/D.
Q78. Izomar Sampaio Xavier – casada
CD.
FILHOS DE VENERANDA SARAIVA XAVIER (DEINHA)
c.c. LUIZ DE FRANÇA PEREIRA – Crato - CE:
Q79. Vilmar Xavier Pereira – empre-
sário, casado – CD - falecido – Ma-
ringá - PR.
Q80. Valdecy Xavier Pereira Barbosa
– c.c. Nemézio Barbosa. – CD -
falecida – Crato - CE.
Q81. Venelouis Xavier Pereira – ad-
vogado e jornalista, c.c. Vanda Pa-
lhano, CD - falecido – Fortaleza - CE.
Q82. Valney Xavier Pereira – Enge-
nheiro Químico - casado CD – faleci-
do. Recife - PE.
Q83. Vandevelde Xavier Pereira – ca-
sado – CD – falecido - Rio de Janei-
ro/RJ.
Q84. Vauvenargues Xavier Pereira –
Coronel do Exército - falecido – S/D -
Rio de Janeiro - RJ.
Q85. Veleda Xavier Pereira – casada.
CD - falecida – falecida – Rio de Ja-
neiro – RJ.
126 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

FILHOS DE MARIA EMÍLIA LEOCÁDIA DE CASTRO


SARAIVA c. c. Antônio Aristides Xavier de Souza. Casaram a
22/01/1901. Ela nascida 12/07/1882 e falecida em 05/09/1920
com 38 anos no Sítio Flores, de afecção cardíaca. Residiam em Bar-
balha/CE. Emília filha de Joaquim Monteiro Saraiva e Úrsula de
Castro Saraiva de Oliveira e neta materna do Major Francisco
Monteiro Saraiva, antigo intendente de Missão Velha.
Coronel Antônio Aristides Xavier, Senhor de Engenho
próspero, agropecuarista, um dos maiores proprietários em Barba-
lha, Brejo dos Santos e Missão Velha. Pertenceram-lhe grandes
fazendas “Flores”, “Cacimbas” e outras. Era considerado o Banco
do Cariri, numa época que aí não havia Banco.
T12. Dr. Antônio Saraiva Xavier - (Dr. To-
nheca), nascido a 27/01/1904, no sítio Mon-
dés. Médico, formado em Salvador. –
Secretário de Justiça/Ex-Deputado Estadual
pelo Ceará em algumas legislaturas – c.c. Ce-
lina Silva. Odontóloga – CD - Moraram em
Fortaleza, depois Rio de Janeiro – RJ.
Q86. Teve uma única filha Regina
Xavier Sampaio – casada com Teo-
domiro Filgueira Sampaio Filho, ad-
vogado. De Jardim - CE. Teodomiro
faleceu em Brasília em janeiro de
2002. Tiveram dois filhos: Antônio
Roberto Xavier Sampaio – médico -
Rio de Janeiro; Outro filho, biólogo.
T13. Dr. Francisco Saraiva Xavier – (Dr. Chi-
co), nascido 30/05/1911 - Médico, formado
em Salvador - BA. – Casado. Foi deputado
pelo Ceará em algumas legislaturas. Divor-
ciou. C/D - dois filhos:
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 127

Q87. Diana Maria Xavier Knecht, vi-


úva de um suíço - duas filhas. Reside
em São Paulo, capital.
Q88. Francisco Winston Delano Xavi-
er - agrônomo. Mora em Goiânia -
GO.
OBS: Há dois primos carnais com estes mesmos nomes,
Antônio Saraiva Xavier e Francisco Saraiva Xavier, filhos de Pedro
Xavier de Souza e Josefa Leocádia de Castro Saraiva. Pedro Xavier
de Souza irmão de Antônio Aristides Xavier de Souza. Josefa Leo-
cádia de Castro Saraiva era irmã de Maria Emília Leocádia de Cas-
tro Saraiva. Casaram dois irmãos com duas irmãs.
T14. Zulmira Saraiva Xavier, nascida aos
15/08/1903 – c.c. Cícero Joaquim de Santana
(conhecido como Ciço Santana) Nascido aos
13/07/1898. Este era filho do célebre coronel
Antônio Joaquim de Santana da Serra do
Mato e Josefa Maria de Jesus) Ele faleceu em
1941 com 85 anos de idade, vendo tetranetos
nascidos. Zulmira e Cícero Joaquim de San-
tana eram parentes entre si, pelo lado Sarai-
va. Tiveram os seguintes filhos:
Q89. Eunice Xavier Santana – Funci-
onária Federal.
Q90. Helena Xavier Santana – Odon-
tóloga.
Q91. Heitor Xavier Santana –
Empresário - c.c. Francisquinha do
Nascimento Santana.
Q92. Ieda Xavier Santana c. c. Pedro
Machado da Ponte.
128 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Q93. Emília Xavier Santana – c. c.


Evandro Queiroz Studart – Comerci-
ante – Rio de Janeiro - RJ.
T15. Maria Emília Xavier Sampaio, nascida
aos 12/07/1909, c.c. José Barreto Sampaio,
nascido aos 20/02/1898. Casou em
30/09/1925. Comerciante – Barbalha - CE.
Ele filho de José de Sá Barreto Sampaio (Zu-
ca Sampaio) e Maria Anunciada Costa; José
Barreto era irmão mais velho de Dr. Leão
Sampaio. Maria Emília faleceu em 1984 e Jo-
sé Barreto em 1988. Maria Emília Saraiva
Xavier (nome de solteira).
Maria Emília Xavier Sampaio fez o Curso Médio em Forta-
leza e tinha muita habilidade manual. Pintava quadros em tela a
óleo, bordava muito bem, confeitava bolo, enfim era muito pren-
dada. Tiveram os seguintes filhos:
Q94. Sálvio Xavier Sampaio – nasceu
aos 25/07/1926 - Médico e Oficial da
Marinha do Brasil – casado.
Q95. José Emiliano Xavier Sampaio –
nascido e falecido em pouco tempo.
Q96. Danilo Xavier Sampaio – Mili
tar/Engenheiro/Professor do Institu-
to Militar de Engenharia/IME
/Coronel do Exército. Casado- faleci-
do.
Q97. José Homero Xavier Sampaio –
Militar/Marinha do Brasil/Capitão
dos Portos do Rio de Janeiro/Capitão
de Mar e Guerra Almirante da Mari-
nha/Capitão de Mar e Guerra -
casado.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 129

Q98. Jairo Xavier Sampaio – Econo


mista/Banco do Brasil (Gerente) –
casado - falecido
Q99. Antônia Fabíola Xavier Sampaio
(nome de solteira) Antônia Fabíola
Sampaio Saraiva (nome de casada) -
Bióloga/Especialização em Ecologia
/Universidade Livre de Berlim - c.c.
Antônio Correia Saraiva Médico - Di-
retor Proprietário do Hospital Mater-
nidade Santo Antônio e do Arajara
Park – Barbalha - CE. Falecido - C/D.
T16. Maria Noêmia Saraiva Xavier, nascida
25/04/1920 c.c. Dr. José Napoleão de Araú-
jo, de Brejo dos Santos – foi Deputado esta-
dual pelo Ceará em vários mandatos; Secre-
tário de Justiça/Ex-presidente da Assem-
bléia Legislativa. Foi Governador interino do
Ceará. Noêmia tinha fator Rh e teve 13 abor-
tos.
T17. Alice Saraiva Xavier. Nasceu aos
19/01/1902. Paralítica.
JOAQUIM MONTEIRO SARAIVA (Apelido Caraca) Ho-
mônimo do seu pai. Casado com Maria Isabel Monteiro. Granito-
PE. Tiveram os seguintes filhos:
T18. Desvaldo Monteiro c.c. Francisca Peixo
to Monteiro – Granito - PE.
T19. Geraldo Monteiro – Fortaleza – CE.
T20. Francisco Monteiro (apelido Seu Tica) –
Fortaleza - CE.
T21. Alzira Monteiro – Fortaleza – CE.
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T22. Maria Alice Monteiro Saraiva – Granito-


PE.
T23. Veneranda Monteiro Saraiva, apelido
Deinha.
DESCENDENTES DE JOAQUINA FILGUEIRAS DE CAS-
TRO SARAIVA, c.c. FRANCISCO CORREIA SAMPAIO – Barba-
lha - CE.
B9. João Correia Sampaio – apelido seu Duqueira.
B10. Pedro Correia Saraiva (Pedro Duqueira) Nas-
cido em 1907 em Missão Velha - CE. Falelcido em
Serrita em 1984, c. c. Francisca Maria de Jesus
(Quinquina) Tiveram os seguintes filhos:
B11. Francisco Correia Saraiva.
B12. José Correia Saraiva c.c. Elenita Filomena de
Castro.
B13. Edival Pedro Saraiva (Edival Duqueira) c.c. Ja-
cinta Barbosa Matias.
B14. Maria Selma Barbosa (Diva) c.c. Esmerindo Jo-
sé de Sousa.
B15. Maria Francisca de Jesus (Daivinha) c.c. Luiz
Lopes.
B16. Teresa Francisca de Jesus c.c. José Cordeiro da
Silva.
B17. Dejanira Francisca de Jesus c.c. Cícero Pereira
Conrado.
B18. Júlio Correia Saraiva (Júlio Duqueira) nascido
em 1945 em Serrita – PE. De sua união com Lídia de
Freitas teve um filho:
T24. Edilberto de Freitas Correia Saraiva (Jú-
nior de Freitas) nascido em 1975. De Jardim-
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 131

CE. c. c. Expedita Oliveira Simões (Edite)


Edilberto pertence à Maçonaria de Juazeiro
do Norte - CE. Agradeço a este distinto pri-
mo informações valiosas que me prestou pa-
ra este artigo. É um genealogista nato, auto
didata.
Do segundo casamento de Júlio Correia Saraiva (Júlio Du-
qeira), c. c. Maria Miranda, houve os seguintes filhos:
T25. Claudio José Miranda Saraiva.
T26. Claudemir Miranda Saraiva.
LISTA-SE mais Saraivas cearenses descendentes do patri-
arca mais remoto que temos notícia Lourenço Saraiva da Silva:
José Saraiva de Macedo/Joaryvar Macedo (historiador das
famílias cearenses)/ Coronel Manoel Saraiva da Cruz/Isabel Sa-
raiva da Cruz/Capitão Raimundo Nonato Saraiva/Dra. Clisélides
Cruz Saraiva/Raimundo Saraiva Barreto/Josefa Saraiva Bezer-
ra/Joaquim Saraiva Landim/Maria da Glória Saraiva/Maria Sa-
raiva de Jesus/Inácia Maria Saraiva/Vicente Duarte Saraiva/ Gal-
dino Saraiva de Moura/Luzi Saraiva Rocha - Barbalha - CE/Maria
Juciana Saraiva/Socorro Rocha/Ednólia Saraiva Souza Luna/Mari
(Maridete) Saraiva/Josué Saraiva/Maria Saraiva/Carlos Sarai-
va/Bibi Saraiva – Escritor e produtor cultural Exu - PE/Iza Maria
Saraiva-neta de Bibi Saraiva – Exu - PE/Lilian Saraiva – Exu-
PE/Zilclécio Pinto Saraiva – Exu – PE/Leo Saraiva – Exu-
PE/Taynara Saraiva – CE/Aron Saraiva – CE/Tatiana Saraiva –
CE/Taty Saraiva - Querência - Maranhão/Alan Saraiva/Jânio Sa-
raiva/Elicélia Saraiva/Elizeuda Saraiva/Jacinta Saraiva - Barba-
lha-CE/Galdino Saraiva de Moura – Caucaia - CE/Guilherme Sa-
raiva – Diretor do Hospital Santo Antônio – Barbalha - CE -
Fundação Otília Correia Saraiva/Alves Saraiva – Missão Velha –
CE/Ivan Saraiva da Silva (poeta) Campina Grande - PB/ Bispo
Genival Saraiva de França-Palmares - PE.
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NÚCLEO SARAIVA LEÃO:

Uma amável carta do Sr. Ruy da Fonseca Saraiva, sobrinho neto, co-
moPiragibe, de Manoel Deodoro da Fonseca, parece dar crédito aexistência de
persistente semelhança com o tronco judaico. Em certo trecho diz o missivista.
“uma vez, passando nacalçada fronteira a Sinagoga (em Teresópolis onde reside)
fui cercado por umgrupode Judeus, que em língua estranha me abordaram, vendo
que eu não entendianada, passaram ao português, interrogando-me: “O Patrício
não vai hoje a festa em nossa Sinagoga?
“No mesmo dia, horas depois fui abordado por um grupo de mulheres, com a
mesmapergunta.” O Sr. Ruy, descende aindade de linhagem judaica pelos sarai-
va Leão, ramo dos Bezerra de Menezes (Andrde, 1989) e portanto, cristãos novos
Belchior da Rosa de Pantaleão Monteiro. Pequenos e Azevedo- ou Azevedo Pe-
queno, são citados por Roberto Piragibe da Fonseca no seu trabalho sobre Deodo-
ro da Fonseca, quando analisa a possível ascendênciajudaica dos Fonseca de Ala-
goas.”Avolumada a incid~encia de caracteresjudaicos pela contribuiçõ paterna,
istoé, pelo Dr. Gervásio Saraiva- mrid de Emília Fonseca de Mendonça – de
estreitas vinculações com os Pequeno de Azevedo, entre outros nordestinos de
sabida origem.

O Núcleo Saraiva Leão teve início no Brasil Colonial na


localidade de Barra de Sitiá no Município de Banabuiú, cuja capela
foi construída em 1719. Em 1748 ali nasceu o Patriarca Tenente
Coronel de Milícias, Antônio Saraiva Leão. Foi opulento fazendei-
ro, segundo afirma o Barão de Studart historiador e sócio efetivo
do Instituto Histórico do Ceará. Calcula-se a descendência desse
patriarca em mais de dez mil pessoas espalhadas em todo Brasil e
exterior.
O capelão de Barra de Sitiá foi um neto do Antônio Saraiva
Leão, Padre Antônio Elias Saraiva Leão (1808-1895), ordenado no
Seminário de Olinda, estado de Pernambuco e Bacharel em Direi-
to, também na Faculdade de Direito daquela cidade.
Em Brejo do Cruz na Paraíba, fundada em 1810 pelo Major
João Batista da Costa Coelho (1794-1892) conhecido por Pai João-
zinho, filho caçula daquele Saraiva. A propriedade tinha o nome
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 133

de Cachoeira, mudada pelo famoso Padre Ibiapina quando ali rea-


lizava importantes Missões, para Santa Teresa em homenagem a
esposa e prima do Major João Batista, dona Teresa Castelo Branco
(família do Ceará). Esta dita senhora ajudou muito os pobres nas
terríveis secas de 1845-1877. Tratava-se de um Núcleo bastado,
possuía suntuosa mansão com conforto e pratarias importadas.
Construíram uma Capela em homenagem a São Sebastião na qual
era celebrada missa aos domingos. Há uma curiosa estória que foi
passada de geração em geração que o Padre Saraiva quando cele-
brava missas, às vezes as velas se apagavam e acendiam sem ajuda
humana. Eram salientadas as grandes virtudes do padre. De Recife
vinham professores especializados para lecionarem os filhos e ne-
tos do patriarca da família. Uma destas professoras, Maria Auta
Saraiva Pequeno falava inclusive francês.
Quixeramobim no Ceará foi também um forte núcleo da
família Saraiva Leão, quando o João Batista Saraiva dividiu entre
os filhos suas diversas propriedades. Coube ao Capitão Lucas Luiz
Saraiva Leão a antiga fazenda São João. Dividiu-a em Jericó e Ma-
rajó. Vale salientar uma forte presença no Instituto Histórico do
Ceará, dos filhos de Quixeramobim.
A Família Saraiva Leão já realizou 24 convenções da famí-
lia, a última realizou-se em Campos do Jordão em São Paulo, no
ano de 2012. Inclusive em João Pessoa foi realizada uma Conven-
ção da família no Tropical Hotel Tambaú em 1990, a décima quarta
convenção da Família Saraiva Leão. Todas s convenções foram
bastante concorridas pela família e noticiadas pelos jornais das
respectivas cidades onde ocorreram as mesmas. Em Missão Velha
no Ceará, reduto da antiga família Saraiva foi colocada o nome de
uma rua para homenagear o antigo Patriarca Antônio Augusto
Saraiva Leão.
Lista-se o referido Núcleo:
Antônio Saraiva Leão – 1748 – Patriarca Tenente- Coronel
de Milícias – Banabuiú - CE/Lucas Luiz Saraiva Leão (1789- 1873)
– Quixeramobim-CE/Dr. Antônio Elias Saraiva Leão – (1808-1895)
- Padre/Dr. Antônio Benício Saraiva Leão Castelo Branco (1823-
134 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

1920)- Juiz de Direito – Baturité - CE/Maria Auta Saraiva Pequeno


(1862-1946)/Galdino Elias Saraiva Leão/Antônio Augusto Saraiva
Leão – Missão Velha-CE/Luiz Carlos Saraiva Leão/Lélio Cauby
Saraiva/Dr. João Batista Saraiva Leão (Dr. João Saraiva) Médico-
Rio Grande do Norte/João Batista Saraiva Leão Neto ( Joãozi-
nho)/João Antônio Saraiva Leão/Dr. Edgardo Saraiva
Leão/Mário Waldemar Saraiva Leão/Julieta Saraiva Leão –
Juazeiro do Norte - CE/Felismina Auta Saraiva Leão/Asteclides
Saraiva Leão/Clodoaldo Saraiva Leão (Saraivinha/Professor José
Plácido Saraiva Leão/Lídia Saraiva Leão/Auta Felismina Saraiva
Pequeno/Pergentino Saraiva/Asteclides Saraiva/Astroliano Sa-
raiva de Brito/Francisco Saraiva de Brito/Amaury Pontes Sarai-
va/Osvaldo Othon Pontes Saraiva/Margarida Pontes Sarai-
va/Francisco Máximo Saraiva/Valda Saraiva Pinheiro – Ba-
hia/Cel. Francisco Zilmar Saraiva – Bahia/Mauro Sileno Bezerra
Saraiva – Bahia/Maria Teresa Bezerra Saraiva/Antônio Gervásio
Alves Saraiva/Plácido Alves Saraiva – Ceará/Geraldo Alves Sa-
raiva/Dr. João Saraiva –foi membro do Instituto Histórico do Cea-
rá./Dr. Ruy Fonseca Saraiva/Edna Azambuja Saraiva/Dr. Luiz
Carlos Saraiva/José Bougival Saraiva Landim – Ceará/Ciro Sarai-
va- jornalista e escritor cearense/Laís Saraiva de Castro/Antônio
de Pádua Saraiva Câmara/Amelinha Saraiva Esmeraldo/José Air-
ton Saraiva/Fernando Saraiva de Oliveira/Maria Auta Sarai-
va/Francisco Saraiva Maia (Chicute)/Dr. Sebastião Alves Saraiva
– Paraíba/Fabiano de Araújo Saraiva – de Brejo do Cruz / João
Pessoa-PB/Jessé Saraiva de Vasconcelos - João Pessoa - PB/Rita
Saraiva Dantas – Brejo do Cruz - PB/Cícero Alex Andro Fechine
Saraiva – Missão Velha/Dr. José Wilson Saraiva – São Paulo.
Lista-se mais Saraiva:

Alexandra Saraiva Rua –Lisboa-Portugal/José Saraiva –


Amarante – Portugal/Sílvia Saraiva – Fisioterapeuta – Otawa-
Canadá/José Antônio Saraiva – historiador português, autor de
Inquisição e Cristãos Novos. Editorial Estampa - Lisboa-
Portugal/Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva, chegou como imi-
grante português em São Paulo no ano de 1914. Fundador da Li-
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 135

vraria Saraiva. Muitos descendentes em São Paulo/José Alexandre


Saraiva – Curitiba - PR/João Saraiva – Psicanalista – Vitória do
Espírito Santo/Carlos Antônio Saraiva Oliveira – Rio Grande do
Sul/Gilberto Saraiva – São Paulo - SP/Donizete Saraiva - Louvei-
ra-São Paulo/Adriana Saraiva/Luzi Saraiva da Rocha/Luiz Edu-
ardo Marques Ferrete Saraiva/Luciumberto Saraiva – Eldorado-
Mato Grosso do Sul/Risalva Saraiva – São Luís – MA/Cléssia Sa-
raiva – Urandi - BA/Neli Saraiva – BA/Camila Saraiva Viei-
ra/Elizangela Saraiva – Rio Grande do Norte/Ivan Saraiva (Pas-
tor) Jacareí-SP.

ICONOGRAFIA, ANEXOS

Casarão do Engenho Santa


Teresa em Missão Velha –
CE.

Capela do Engenho Santa


Teresa em Missão Velha -
CE.
136 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Josefa Leocádia de
Castro Saraiva e
esposo Pedro Xavier
de Souza

Família de Josefa Leocádia de Castro Saraiva/Pedro Xavier de Souza.

Gumercindo Saraiva Xavier Francisco Saraiva Xavier


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 137

Carta Patente de Tenente Secretário do 35. Batalhão de Infantaria do Município


de Leopoldina do Estado de Pernambuco, auferida por Francisco Saraiva Xavier
pelo Palácio da Presidência do Rio de Janeiro de 10/06/1914.

José Saraiva Xavier (Dezinho) Aristides Saraiva Xavier


138 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Mário Saraiva Xavier Antônio Saraiva Xavier

Aparício Saraiva
Xavier

Amélia Saraiva Xavier/esposo Luíz Teixeira de França


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 139

Adalgisa Saraiva Xavier Maria Saraiva Xavier

Família de Veneranda Saraiva Xavier/esposo Luís Pereira de França


140 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Raimundo Saraiva esposa e filhos.

Maria Xavier Marino

Nair Xavier Clerot e Maria


do Socorro Cardoso Xavier,
filhas de Aristides Saraiva
Xavier
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 141

Yara Xavier/Isabel Cristina/Thaysa –


filha, neta e bisneta de Gumercindo Saraiva Xavier

Arina Xavier da Cruz e Ary Xavier da Cruz


filhos de Aparício Saraiva Xavier

Arivaldo Xavier Pereira e filhos.


142 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Yara Xavier
Teixeira

Pedro Monteiro Saraiva – o segundo da direita/Aparicio Saraiva Xavier,


o primeiro da direita. Os demais também Saraiva.

Filhos de José Saraiva


Xavier (Dezinho)

Leila Xavier, neta de


Dezinho Saraiva Xa-
vier

Dalphene Santana
Saraiva e Dr. José
Correia
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 143

Francisco Saraiva Xavier – Dr. Chico de Baturité. Médico.


Diana Maria Xavier Knecht – filha de Dr. Francisco Saraiva Xavier

Antonio Aristides Xavier de


Souza, esposo de Maria
Emília Leocádia de Castro
Saraiva

Diana Maria Xavier Knecht e suas duas filhas Karin e Andréa. Filha e duas
netas de Dr. Francisco Saraiva Xavier
144 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Casarão onde Dr. Chico morou em Baturité - CE

Antônio Saraiva Xavier (Tonheca)- Médico/Secretário de


Justiça/Deputado Estadual pelo Ceará-Filho de Antônio
Aristides Xavier de Souza e Maria Emília de Castro
Saraiva – Fortaleza/CE.

Casarão que pertenceu Maria Emília Leocádia de Castro Saraiva /


Antônio Aristides Xavier de Souza – Barbalha - CE.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 145

Noêmia Saraiva Xavier casada com Dr. José Napoleão de Araújo/ Zulmira Sa-
raiva Xavier e Emília Xavier Santana casada com Evandro Queiroz Studart -
filha de Zulmira Saraiva Xavier e Cícero Joaquim de Santana - Rio/RJ.
Filhas de Maria Emília Leocádia de Castro Saraiva e
Antônio Aristides Xavier de Souza-Barbalha-CE

Casal José Barreto Sampaio e Maria Emília


Xavier Sampaio – Barbalha/CE. Ela filha de
Maria Emília Leocádia de Castro Saraiva e
Antônio Aristides Xavier de Souza

Dr. Antônio Correia Sa-


raiva – Médico - Barbalha
Ceará.

Heitor Saraiva Santana e


esposa Francisquinha
146 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Júlio Correia Saraiva (Júlio Duqueira) - o de Gibão de vaqueiro


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 147

Edilberto de Freitas Correia Saraiva

Leo Saraiva – Ex-Prefeito de Exu-PE –


Trineto de José Francisco Saraiva – EXU - PE.

Bispo Genival Saraiva de França,


Palmares - PE.

Religioso que honra a Família


Saraiva, pelas suas qualidades mo-
rais, religiosas e méritos intelectuais.
Dom Genival Saraiva de Fran-
ça. Filho de José Luiz Saraiva de
França e Maria Brasilina Saraiva de
França. (Alcantil, 3 de abril de 1938)
é Bispo brasileiro, da Diocese de Pal-
mares.
De uma família muito católica
do interior da Paraíba, logo cedo foi
148 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

para a capital João Pessoa, no início da década de 1950. Em 1958,


ouvindo o chamado do Senhor, entra para o Seminário Arquidio-
cesano da Paraíba, onde conclui seus estudos da Filosofia,
em 1960.
Em 1961, viaja para longe de sua terra natal, e vai para o
Sul do país, em Viamão, no Rio Grande do Sul, onde conclui a Teo-
logia, em 1964, no Seminário da Imaculada Conceição.
Em 1° de janeiro de 1965 é ordenado presbítero, em Cam-
pina Grande, sua diocese de origem. Vai para Roma, em 1974, e
cursa o Mestrado em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Sale-
siana, concluindo em 1981.
Intelectual e professor universitário aposentado por duas
grandes instituições de ensino do Nordeste e Brasil, a sa-
ber: Universidade Federal da Paraíba e Universidade Estadual da
Paraíba.
Teve ainda passagem em cargo político, como Secretário de
Educação Municipal de Campina Grande.

Atividades antes do Episcopado


• Pároco da Paróquia N. S. do Rosário;
• Coordenador Pastoral da Diocese de Campina Grande;
• Vigário-Geral da Diocese de Campina Grande;
• Professor da Rede Estadual de Ensino;
• Professor da Universidade Estadual da Paraíba;
• Professor da Universidade Federal da Paraíba.
• Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba.
• Administrador Apostólico da Diocese de Palmeira dos Índios –
AL.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 149

Abreviaturas - Observação:
Utilizei as seguintes abreviaturas em relação ao Patriarca
Lourenço Saraiva da Silva:
F – Filho/ N- Neto/ B – Bisneto/ T – Trineto/ Q – Quadrineto ou
tetraneto/ P – Quinqüeneto ou Pentaneto/ c.c. = casado com –
S/D (Sem Descendentes) – C/D (Com Descendentes)

BIBLIOGRAFIA/ANEXO
Santos, João Brígido – Ceará, Homens e Fatos.
Macedo, Joaryvar - Genealogia cearense. Subsídios para a genea-
logia dos Tirésios:
Macedo, Joaryvar – Instituto Histórico do Ceará-Fortaleza, 1984.
Sampaio, Yony – Barbalha e sua gente – 1976.
https://www.familiascearenses.com.br
... O site que trata tudo sobre genealogia das famílias do Estado do
Ceará, no município de Caucaia. Ceará.
Wikipédia - A enciclopédia livre

Jornal O ARARI-
PE, 1864.
150 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

OS TRONCOS DA FAMÍLIA
CHIANCA
N A PARAÍBA E NO RIO GRANDE DO N ORTE
Maria das Victórias Chianca 1

Heráldica Ancestrais

O
s historiadores acham que essa família é de origem france-
sa e que desceram à Itália no fim do século XIII, forman-
do-se parte em Napoli, depois em Sicília e em parte na
Lombardia, depois em Casena.
Mas também tem alguns que acham que eles são de origem Catalã
e que de Catalunha eles passaram para a França.
Segundo as inscrições sob os retratos de família, SIMONE
foi o primeiro que teve em 1450 a cidadania Casense e Gregório.
Seu filho, foi o primeiro inscrito no ano 1475 no conselho da cida-
de. Muitos são os nomes insignes que contam esta casa, assim co-
mo valorosos guerreiros, também doutos jurisconsultos, igualmen-
te homens públicos e oradores eloquentes.
Simone Di Scipione, fez imprimir um poema sobre os san-
tos Cosme e Damião e uma obra em prosa intitulada “Cesana
Trionfante”. Seu irmão Nicolo Capuchinho publicou várias obras
ascéticas; Arquidiácono Giacinto Ignazio outro Scipione publicou
uma poesia de “Maiorum Suorum Ladibus”. Mas dois especial-
mente são os personagens que deram celebridade à família brilho e
renome: Scipione, celebre professor de leis, filósofo e matemático,
amigo de Galileu, e Barnara Di Scipione que pontificou com o no-
me de Pio VII.

1
Sócia efetiva do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica - IPGH.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 151

Este documento é expedido pelo Centro Italiano “Ricerca


Araldica”. Traz a descrição das armas e escrito no idioma italiano,
traduzido pelo professor Paolo Vianello.

Na intenção de divulgar a genealogia da família Chianca


que chegou ao nordeste brasileiro provavelmente no século XVIII,
nos provemos dos registros religiosos e cartoriais pesquisados pelo
professor Rafael Guarda Laterca na tese de graduação, pós ou
doutoramento, pela Universidade Paulistana, acompanhava, gráfi-
cos, com datas possíveis.
As pesquisas foram realizadas no Brasil em Caicó (RN),
Jardim do Seridó (RN), Areia (PB), Bananeiras (PB) e em Portugal,
na Torre do Tombo, em Belém e nas cidades de Lisboa e Braga.
Teve como patrocinador Mauricio Chianca do Amaral (ar-
quiteto), filho de Maria Helena do Amaral Chianca e Alfredo Ca-
valcanti Chianca Filho, hoje residente na Galícia.
Por que Mauricio Chianca me confiou essa preciosidade?
Porque nos anos 2000 e 2004, publiquei (batido em máqui-
na de datilografia e xerox) um pequeno folheto ilustrado e com 21
páginas, com aprovação do Instituto Paraibano de Genealogia e
Heráldica no apoio do Presidente Adauto Ramos, sobre esta famí-
lia.
O folheto foi distribuído entre a família, chegando ao Recife
a Vera Lúcia Chianca e daí a Mauricio Chianca, que se interessou
pelo tema.
Minha curiosidade pela família começou ainda na adoles-
cência, quando perguntava a Papai e ele aos poucos, ia me res-
pondendo.
152 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Como sendo meu avô de origem italiana, não tinha ne-


nhuma tradição culinária de origem italiana? Quando vieram e, de
onde?
Eu tinha em mãos somente o livro de Sebastião Bastos “No
Roteiro dos Azevedo e outras famílias da Paraíba”.
Fui juntando fotos e outras informações: Onde ele nasceu?
- Em Conceição do Azevêdo, revelou tio Anísio Chianca,
Jardim do Seridó.
Fiquei surpresa com suas fotos e atestado de óbito, dados
fornecidos por Walfredo Chianca Neto (Vavá) em Areia.
É tudo que eu posso esclarecer.
Recebendo os documentos comecei por ampliá-los e procu-
rar entender a caligrafia do século XVIII, armando as árvores ge-
nealógicas pelas datas na ortografia atual.
A família Chianca do nordeste brasileiro que se espalhou
pelo país e além das fronteiras, descende de Maria Fernandez
Xanza, casada com Francisco Alvarez, residentes em Portugal.
Veio para o Brasil seu filho.
− Antônio José Alves Chianca (Tota).
− Nascido: 1760
− Local: Franca, Bragança, Portugal
− Casado a 13 de dezembro de 1788 com Marinna Pa-
trícia
− Nascida: 1760
− Local: São Pedro de Alcântara / Portugal
− Filha de Pascoal Alvarez e Joaquina Margarida
O casamento se deu no Seridó com a licença do Pe. Francis-
co Adauto, assina o Padre João Luiz Guerreiro.
Antônio José Alves Chianca e sua esposa Marianna Patrí-
cia, viajaram a Portugal, onde receberam uma herança e para isso
vão revalidar o matrimônio em Portugal.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 153

Revalidação do matrimônio.
Freguesia N. Senhora da Ajuda Lisboa, 15 de dezembro de
1805.
São Pedro de Alcântara, Lisboa.
Assinado: Prior Luiz Antônio Cazado
São seus filhos:
1. Maria
− Nascida: 18/09/1789
− Local: Lisboa
− Batismo: 30/09/1789 – São Pedro de Alcântara
− Pe. Luiz Antônio Cazado
2. Ignácio Justino
− Nascido: 27/09/1791
− Local: Lisboa
− Batismo: 04/10/1791
− Freguesia N. S. das Esperanças
− Prior Luiz Antônio Cazado / Arcebispado de
Braga
3. Joaquim Antônio Alves Chianca
− Nascido: 19/02/1794
− Local: Lisboa, São Pedro de Alcântara
− Batismo: 27/02/1794
− Freguesia - Nossa Senhora das Esperanças
− Pe. Luz Antonio Cazado / Arcebispado de Bra-
ga.
4. João Zacarias
− Nascido: 27/10/1799
− Local: Lisboa
− Batismo: 7/11/1799
− Freguesia - São Pedro de Alcântara
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− Paróquia Nossa S. do Monte do Carmo


− Pe. Herculano Henrique Farias (Carmelita)
5. João
− Nascido: 06/11/1801
− Local: São Pedro de Alcântara
− Casa da Embaixada Portugal
− Freguesia - São Pedro de Alcântara
− Paroquia Nossa S. do Monte do Carmo
− Pe. Herculano Henrique Farias
− Pe. Antônio Camilo Palhano

Casamento
Francisco Joaquim Antônio Alves Chianca e Maria Teixeira
da Fonsêca.
− Data: 03/03/1818 - Casamento
− Francisco Joaquim Antônio Alves Chianca
− Nascimento: Lisboa
− Data: 19/02/1794
− Falecido: 13/02/1886
− Filiação: Antônio José Alvares Chianca e Marianna Pa-
trícia
− Com
− Maria Teixeira da Fonsêca
− Nascida: 08/08/1802
− Falecida: 15/08/1842
− Filiação: Domingos Alves da Fonsêca e Maria Teixeira
da Fonsêca
− Local da cerimônia: Malhada da Areia – Fazenda Seri-
dó.
− Celebrante: Pe. Missionário Francisco dos Santos
− Pe. Coadjutor: Francisco de Britto Guerra
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 155

Esse registro se encontra em Caicó (RN), residentes em Jar-


dim do Seridó ou Caicó, o documento não revela com precisão o
local da procedência.

Filhos do Casal
1. Luzia
− Nascimento: 19/12/1819
− Local: Seridó
− Igreja Capela da Conceição
− Batismo: 24/12/1819
− Falecida: 18/09/1829
− Padre Manuel Teixeira da Fonsêca
− Pe. Francisco de Britto
2. Maria Cândida Brasileira
− Nascimento: 02/07/1822
− Local: Fazenda Angicos. Seridó / Caicó
− Batismo: 14/07/1822
− Falecida: 08/07/1862
− Pe. Rev. Manuel Teixeira da Fonsêca
− Pv. Francisco de Britto Guerra
− Casada com José Joaquim da Fonsêca
3. Marianna Cândida Brasileira
− Nascimento: 1821,
− Local: Seridó (Sitio Olho d’água).
− Casada com Fabrício Soares dos Santos - Nascido
em Jardim Seridó (RN)
− Nascido:1821
− Falecido: 13/01/1897
− Local: Bananeiras (Sitio Olho d’água).
4. Pedro Antônio Alvares Chianca
− Nascimento: 02/1825
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− Local: Seridó (RN)


− Casado em: 1864
− Com Severina Vitória do Nascimento
5. Joaquim Arthur Alves Chianca
− Nascimento: 14/08/1826
− Local: Seridó RN
− Casado 2 matrimônios
1ª Teodora Maria Francelina da Conceição
2ª Francisca Cura
6. Manuel Ignácio Alves da Silva
− Nascimento: 20/07/1828
− Local: Seridó (RN)
− Casado com Anna Maria Sales
− Pd. Ignácio Goncalves de Melo Guerra
7. Izabel Maria da Conceição Chianca
− Nascimento: 13/09/1829
− Local: Seridó (RN)
8. Elvira Cândida Brasileira
− Sem informações

Observação:
Os filhos de Joaquim Antônio Alves Chianca e Maria Tei-
xeira da Fonsêca foram registrados com sobrenome Alves Chianca,
porém as mulheres como “Cândida Brasileira”.
Há dois registros não encontrados: o de América e o de El-
vira. Como há intervalo entre os nascimentos nas gerações seguin-
tes, muitos retomam o sobrenome do avô Alves Chianca ainda
encontrados no Seridó do Rio Grande do Norte, principalmente no
Jardim do Seridó, mas há também a divisão dos Alves ou Chianca,
quais os sobrenomes adotados noutra parte desta exposição. Ou-
tros mudaram completamente.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 157

Família de Marianna Cândida Brasileira (1821)


e Fabricio Soares dos Santos (1837/1897)

Marianna Cândida Brasileira, nascida no Seridó (1821) Jar-


dim do Seridó RN, falecida em Bananeiras, Brejo, Paraíba. Filha de
Joaquim Antônio Alves Chianca, nascido em Lisboa a 19/02/1794,
falecido a 13/02/1886 e Maria Teixeira da Fonsêca nascida no Bra-
sil em 1802 e falecida em 1842, Marianna casou em 08/08/1818,
falecida a 15/08/1847 em Bananeiras.
Fabricio Soares dos Santos, nascido em Jardim do Seridó
em 1821, filho de Joaquim Soares e Marianna de Jesus Mendonça,
residiu no Fazenda Angicos (RN) Jardim do Seridó onde criou sua
família, transladando-se para a região do Brejo Paraibano, entre os
municípios de Areia, Arara e Bananeiras, onde faleceu em
13/01/1897, no Sitio Olho d'agua Sêco, Bananeiras.
Sobre seu falecimento depuseram os filhos Anna (44 anos),
Felipe (43), Joaquim (42), Liberalina (39), Francisco, (36) este fale-
cido.
Do atestado de óbito do Distrito de Paz do município de
Bananeiras. Testemunhas: Manuel Alves de Sousa, Antônio da
Silva Barbosa (Escrivão de Paz) ano de 1897.
Nos batistérios recolhidos em Caicó, observa-se o nasci-
mento de mais outros filhos do casal, cujo ano do nascimento e
batismo se tornaram de impossível identificação, filhos não men-
cionados na declaração do óbito de Fabricio em 1897 em Bananei-
ras, prestado por Joaquim (Loló) morador (es) no sitio Olho d'agua
Sêco.
Estão presentes os irmãos acima mencionados, faltando
ainda alguns.
Pelo local, sitio, agrupamos também pelos Vigários, obser-
vando os padrinhos, alguns da própria família.
Observamos as propriedades Sitio Bonfim 1850.
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Filhos do casal
Marianna Cândida Brasileira
e Fabricio Soares dos Santos

Com o vigário Manuel José Fernandes, foram de sua licen-


ça, com os padrinhos diferenciados e datas do nascimento e batis-
mo, dos não apresentados no óbito, os nomes são repetidos, cer-
tamente falecidos na infância.
Com o Vigário Manuel José Fernandes
No Sitio Bonfim, Seridó
1. Anna Alves Chianca (mencionada)
− Nascida: 04/1851
− Local: Sitio Bonfim
− Pad. Joaquim dos Santos
− Tereza Maria de Jesus
− Pe. Francisco Justino Pereira de Brito
− Vig. Manuel José Fernandes
2. Marianna Alves Chianca
− Nascida: 09/03/1852
− Local: Sitio Bonfim, Seridó
− Batismo: 08/04/1852
− Pad. Joaquim dos Santos
− Francisca Maria de Jesus
− Pe. Coad. Francisco Justino Pereira de Britto
− Pe. Vig. Manuel José Fernandes
3. Francisca Alves Chianca
− Nascida: 09/03/1852
− Local: Matriz
− Batismo: 14/09/1852
− Pad. Joaquim Alvarez e Marianna Tereza de Jesus
− Vig. Francisco Justino Pereira Britto
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 159

4. Francisca Alves Chianca II2


− Nascida: 08/06/1863
− Local: Matriz
− Batismo: 08/07/1863
− Pad. Joaquim Alvarez e Marianna Tereza de Jesus
− Vig. Francisco Justino Pereira Britto
5. Felipe Santiago Alves Chianca3
− Nascido: 01/05/1854 – Teve duas uniões conjugais
− Local: Jardim do Seridó
− C. C. Anna Esmera Cavalcanti de Melo (1ª).
− Francisca Maria da Conceição Fonseca (2ª).
6. Joaquim Alves Chianca (Loló)
− Nascido: 30/12/1856
− Local: Fazenda Malhada da Areia
− Batismo: 10/01/1857
− Pad. Manuel Teixeira do Nascimento e Ana Anto-
nina
− Pe. Manuel Teixeira dos Santos
− Vig. Manuel José Fernandes
5. Joaquim Alves Chianca II
− Nascido: 15/05/1855
− Local: Fazenda Malhada da Areia
− Pd. Antônio Alves Chianca e América Cândida Bra-
sileira
− Pe. Manuel Procópio da Fonsêca
− Vig. Manuel José Fernandes

2
Por coincidência de dados (datas, nomes, locais, padres) concluímos que
Marianna e Francisca eram gêmeas e não seriam mencionadas no obituá-
rio de Fabricio, certamente falecidas na infância.
3 Os documentos de nascimento e batistério não foram encontrados em

Caicó.
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Vigário Francisco Justino Pereira de Britto (Data 1857 a 1865)


7. Pedro Alves Chianca
− Nascimento: 11/09/1857
− Local: Angícos
− Batismo: 24/09/1957
− Pd. Joaquim José da Fonsêca e Severina Victoria
8. Liberalina Alves Chianca
− Nascida: 30/06/1859
− Local: Matriz do Espirito Santo Seridó
− Batismo: 17/07/1859
− Pd. Joaquim Artur Alves Chianca e Theodora Fran-
celina dos Santos
− Pe. Targino de Souza Silva
− Vig. Francisco Justino Pereira de Britto
9) Francisca Alves Chianca
− Nascida: 08/03/1862
− Batismo: 14/03/1862
− Local: Matriz
− Pd. Joaquim Alvarez e Marianna Tereza de Jesus
− Vig. Francisco Justino Pereira de Britto
10. Francisco Alves Chianca
− Nascido: 08/06/1863
− Local: Angicos
− Batismo: 08/07/1863
− Pd. Antônio Aluízio da Fonseca e Maria do Sacra-
mento
− Vig. Francisco Justino Pereira de Britto
11. Marianna Alves Chianca
− Nascida: 08/02/1865
− Local: Matriz
− Batismo: 12/03/1865
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 161

− Pd. Antônio Santiago de Medeiros e Ignâcia Victo-


ria de Medeiros
− Vig. Francisco Justino Pereira de Britto

Felipe Santiago Alves Chianca

Nascido em Jardim do Seridó (RN), filho de Fabrício Soares


dos Santos e Marianna Cândida Brasileira, a 1 de maio de 1854.
Os primeiros anos de vida foram no Seridó rio-grandense,
região do nordeste que se situa entre os Estados do Rio Grande do
Norte e Paraíba, que tem esse topônimo, devido o rio Seridó, que
banha a região. Municípios seridoenses RN: Acarí, Caicó, Carnaú-
ba dos Dantas, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Florância,
Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jacurutu, Ouro Branco, Pa-
relhas, São João do Sabugi, São Vicente, Serra Negra do Norte 4.
Área 9.544 km2.
Felipe, com sua família migrou do sertão do Seridó para o
Brejo Paraibano, pode ter vindo em uma das comitivas do Padre
Ibiapina, que construiu suas Casas de Caridade e conduziu as fa-
mílias nas trilhas entre as duas regiões.
A família Alves Chianca vendeu seus sítios mencionados:
Sítio Bonfim, Malhada da Areia, Angicos e adquiria na região do
município de Areia e suas vizinhanças Arara, sendo Bananeiras no
sítio Olho d'agua Sêco o último sítio mencionado, onde falecera os
pais, Marianna e Fabricio não se tem precisão de datas da mudan-
ça. Felipe casou com Anna Esmera provavelmente em 1877.
Anna (Esmera) Cavalcanti Correia de Mello, neta de Pedro
Cardoso Moreno, filha de Rosalina Cardoso da Silva Moreno.
Está casada em 1as núpcias Trajano da Silva Moreno.
Pais de:

4
Lamartine, Oswaldo. Sertões do Seridó. Região do Seridó.
162 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

1. Deodônio
2. Luiz

Na 2ª. União
Rozalina de Lacerda Cavalcanti com Augusto Gomes Cor-
reia de Mello.
Filhas:
1. Ovídia
2. Anna (Esmera)
3. Leopoldina
4. Josefina Cavalcanti de Mello

Dai Anna tomou o sobrenome Correia de Mello substituído


por Chianca, após o casamento.

Felipe Santiago Alves Chi anca


e Anna Cavalcante Chianca

Pais de:
1. Rosalina Cavalcanti Chianca (Yayá)
− Nascida: 1878
− Data de Casamento: 10/11/1905
− Casada com: Vitoriano Nunes da Silva (1as núpcias)
− Pais de:
▪ Diógenes
▪ Waldemar
▪ Isaltina
− 2 núpcias João Cezar
as

− Não houve filhos


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 163

2. Alfredo Cavalcanti Chianca (Yoyô)


− Nascido: 1880
− Casado com: Maria Monteiro de Moraes
− Falecido: 02/05/1954
− Pais de:
▪ Celita (1912)
▪ Walfredo (1913)
▪ Maria das Neves (1914)
▪ Alfredo Filho, casado com: Etelvina de Me-
nezes Melo
▪ Alice
3. Augusto Cavalcanti Chianca (Dudu)
− Nascido: 1881
− Casado com: Maria Amélia Barbosa Chianca
− Pais de:
▪ Nilton
▪ Jason
4. Abdon Cavalcanti Chianca
− Nascido: 1883
− Data de casamento: 1908
− Casado com: Rosalina Coelho Ribeiro
− Pais de:
▪ Rosalita (solteira)
▪ Hermógenes, casado com: Alaide
▪ Ubaldo Coelho, casado com: Corina Sales
▪ Mário, casado com: Maria Avany Travasso
▪ Alberto, casado com: Maria Luiza
▪ Dalva, casada com: Rubens
▪ Eunice, casada com: João
▪ José, casado com: Berenice
▪ Nilda, casada com: Waldemar Rodrigues
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5. Américo Cavalcanti Chianca


− Casado com: Cléa Eunice Targino da Fonseca
− Pais de:
▪ Criselide
▪ Antônio
▪ Irene
▪ Benedito
Houve outro relacionamento.
Proprietário da Fazenda Olho d’água.
6. Eudoxia Cavalcanti Chianca (Doquinha)
− Casada com: José de Barros
− Pais de:
▪ Maria José de Barros Chianca
7. Marcionila Cavalcanti Chianca (Nila)
− Nascida: 1892
− Faleceu solteira
8. Maria Cavalcanti Chianca (Yaya)
− Nascida: 1894
− Casada com: José de Andrade Ramos
− Pais de:
▪ Georgina Chianca
9. Leopoldina Cavalcante Chianca
− Nascida: 1895
− Casada com: Carlos Moreno
(Separados)
− Pais de:
▪ Maria das Victorias Chianca Moreno
10. Celina Severina Cavalcanti Chianca
− Nascida: 1897
− Casada com: Luiz de Menezes Mello
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 165

11. Leoniza Cavalcanti Chianca


− Nascida: 1898
− Casada com: Pedro Hermílio
Não houve filhos

Obs: Felipe Santiago Alves Chianca, casado com Anna


(Esmera) Cavalcanti Correia de Melo, depois Chianca, tiveram 11
filhos, (4 homens, 7 mulheres).
Dele também houve uma 2ª união com Francisca Maria.

Francisca Maria da Conceição Fonsêca

Viúva de Joaquim Fonsêca, nascida em 5 de janeiro de


1822, falecida em: 20/02/1963 em João Pessoa.
Chegou a Areia, ou a seu município com dois anos de ida-
de, segundo as informações de Francisca Mauricea da Trindade,
sua neta, filha de Silvia Chianca, neta de Francisca e Filipe.
A história de Francisca daria um romance com as caracte-
rísticas do Sertão e Brejo Nordestinos do século XIX, sujeito a revo-
luções, cangacismo, sêca e peste.
Francisca, cujos pais cedo faleceram, veio nos braços da
avó, que só teve tempo de entregá-la aos proprietários do Engenho
Pindoba, município de Areia, de propriedade do Capitão Teotônio
Guedes e esposa Maria do Carmo Guedes, nas cercanias da cidade
de Areia, aí ela viveu e cresceu na região do brejo paraibano, em
volta dos canaviais e consequentemente aos engenhos de rapadura
e derivados. Esse engenho ficava vizinho a Fazenda de Liberalina
Chianca.
Casada com Lino de Morais, Liberalina irmã de Felipe San-
tiago Alves Chianca que eram filhos de Fabricio Soares dos Santos
e Marianna Cândida Brasileira Chianca.
166 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Nesta fazenda Francisca conheceu Joaquim Fonsêca, com


quem casaria e conheceu também Felipe, que separado da esposa,
Anna Esmera Cavalcanti de Mello Chianca que estavam separa-
dos.
Nesse intervalo, ele foi professor, e posteriormente home-
nageado com nome de um grupo escolar municipal, ainda hoje
existente.
Felipe e Anna venderam a Fazenda São Bento e compra-
ram um sobrado em Areia, na Rua Principal nº 105, construído por
Francisco Jorge Torres que pertenceria a família Chianca por mais
de 60 anos, onde funcionou a casa Chianca.
Francisca com Joaquim Fonseca. Tiveram 2 filhos.
Maria do Carmo (falecida)
Genésio - foi adotado por Felipe (filho de Francisca e Joa-
quim).
Felipe foi professor de Francisca na instituição do Padre
Ibiapina. A fazenda Muquém em que se encontravam foi alugada
(mais tarde comprada), residindo na Fazenda Muquém, onde ele
se estabeleceu com comercio: vendas de carne, algodão, gás, e
produtos de necessidades.
Major Chianca, por compra de título, constituiu união com
Francisca (Chiquinha) e tiveram seguintes filhos:
1. Genésio Fonsêca, filho de Francisca que Filipe
adotou.
2. Edésio
3. Otávio e Oswaldo (gêmeos, falecidos aos 2 anos).
4. Maria, 21/10/1908
5. Anísio
6. Silvia
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2ª Família de Felipe com Francisca


1. Edésio
− Nascido: 13/06/1902 - Areia
− Data de casamento: 09/02/1930
− Falecido: 25/05/1986
− Casado com: Guiomar Travasso
− Nascida: 02/05/1912
− Falecida: 27/12/2001
Filhos:
▪ Edemar (Falecido, 1932)
▪ Maria das Victórias, 08/08/1933
▪ José William, 27/05/1935
▪ José Wagner, 13/01/1937 (Falecido,
07/02/2008)
▪ Mirtzi, 19/02/1939
▪ Miriam, 25/04/1941
▪ Antônio, 20/05/1943
▪ Vicente, 19/07/1949 (Falecido, 29/01/1992)
4. Maria (casada com Manoel Pereira de Magalhães,
com família, sem informações no momento).
− Nascida: 21/10/1808
− Falecida: 18/04/1978
Filhos:
▪ Antônio, 07/11/1938
▪ Paulo, 04/07/1940 (Falecido)
▪ Marilete, 18/07/1942
▪ Terezinha, 03/04/1949 (Falecida)
5. Anísio
− Nascimento: 15/09/1904 – Areia - PB
− Data de casamento: 08/01/1930
− Falecido: 14/07/1995
− Casado com: Virginia de Melo e Silva
168 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

− Falecida: 25/01/2004, faleceu em Vila Velha


Pais de:
▪ Barnabé Chianca de Melo
− Nascido: 05/11/1930
− Falecido: 13/12/1977
▪ Maria Marlene
− Nascida: 23/05/1935
− Data de casamento: 07//09/1966
▪ Maria Gladys
− Nascida: 18/08/1938
▪ Martinho Ubirajara de Melo Chianca
− Nascido: 09/11/1940
6. Silvia Maribondo Chianca
− Nascida: 07/03/1914
− Falecida: 29/01/1998
− Casada com: Franklin Maribondo
Pais de:
▪ Francisca Mauricia da Trindade Medeiros
▪ Carmene Mariza da Trindade Araújo
▪ Carmelita Carmem da Trindade Araújo
▪ Francisco Antônio Albuquerque Neto
▪ Silvia Carmele da Trindade Maribondo

Conclusão

Grande parte dos descendentes de Felipe Santiago Chianca,


que se acha sepultado em Areia, na Paraíba, veio residir na capital
João Pessoa.
A segunda geração e aí por diante, saiu do comércio, para
as profissões liberais, principalmente medicina e engenharia.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 169

Com a criação das Universidades, começando pela Escola


de Agronomia do Nordeste, até a UFPB, os descendentes frequen-
taram os cursos oferecidos e se tornaram profissionais, com pós-
graduação e doutorado no exterior.
Com a implantação de Brasília (DF), foi uma porta aberta
para a migração. Duas e até três gerações saindo de João Pessoa
para ali se fixarem.
Mas desde cedo os filhos de Felipe e Anna iniciaram a mi-
gração para o sul do Brasil. Recife foi outro núcleo que se expan-
diu para Alagoas e São Paulo, Rio de Janeiro e até residirem no
exterior.
Dos irmãos de Felipe que residiram por mais tempo no Se-
ridó rio-grandense a maioria migrou nos estados e territórios do
norte, muitos em Vila Velha – MG, Tocantins e na região amazôni-
ca.
O parente Francisco Roque Chianca no território do Gua-
poré, fundou a cidade de Costa Marques em 1909, depois atraves-
sou a fronteira com a Bolívia e lá estão os Chianca há quatro gera-
ções se comunicando pela internet com os amigos brasileiros.
Em resumo, temos parentes na Itália, Portugal e Espanha,
para quem desejar encontrar os elos.
Aqui concluo com o nome das famílias formadoras e entre-
laçadas: Alves dos Santos, Soares, Teixeira, Fonsêca.
170 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Árvore Genealógica
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 171

ICONOGRAFIA

Felipe Santiago Alves Chianca Ana Esmera Cavalcanti Chianca


N 01/05/1854 / F 19/10/1924 1ª Esposa de Felipe/ Cas. 1877

Marcionila Cavalcanti Chianca Rosalina Cavalcanti Chianca


Filha de Felipe e Ana/ N 1892 Filha de Felipe / N 1878
172 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Fotos do sobrado em Areia que pertenceu a família Chianca /


Casa Chianca - Miudezas durante 60 anos
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 173

AS “QUESTÕES LOCAIS” TEM UM NOME :


ANAYDE BEIRIZ
Thomas Bruno Oliveira 1

Anayde nunca pôs uma arma de fogo nas mãos e não freqüentou movimentos feministas.
Entretanto, suas idéias eternizaram-se nos espaços oportunizados ao expressar seu
pensamento contra a subjunção da mulher. Solitariamente sofreu o julgamento dos
que não aceitavam a abertura de novos espaços às mulheres.
Marisa de Oliveira Pinheiro, 2008

A
nayde da Costa Beiriz (1905-1930) nasceu em 18 de feve-
reiro de 1905, na Parahyba do Norte, era filha de José da
Costa Beiriz (tipógrafo do jornal A União) e de Maria Au-
gusta de Azevedo. Aos 17 anos, se formou na Escola
Normal como uma das mais notáveis alunas. Conhecida
pela sua produção como escritora e também por sua beleza, sai da
“invisibilidade” da sociedade ao namorar o advogado João Dan-
tas, adversário político do Presidente da Província da Parahyba, o
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, sobrinho do ex-
presidente da república Epitácio Pessoa.
Nas disputas que precederam a revolução, uma complexa
trama política existia na província da Parahyba. João Pessoa, en-
quanto governante, toma uma série de medidas que desagradam
as elites locais, sobretudo as localizadas no interior. Assim, as dife-
renças entre o Presidente da Província e estas elites passaram a ser
vislumbradas na troca de farpas entre João Pessoa e João Dantas
nas páginas de jornal, o primeiro utilizando-se da publicação pro-
vincial A União com “explosiva série de reportagens diárias” (MELLO,
2002. p. 180), o segundo se utilizando das páginas do Jornal do

1
Sócio correspondente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica
– IPGH.
174 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Commercio (Recife-PE), financiado pelos Pessoa de Queiroz, que


apesar de ser família do presidente da Parahyba, passam a ser
inimigos por terem seus lucros atingidos pelas medidas do Pessoa
da Parahyba.

Figura 1: Anayde Beiriz


Fonte: labirinto-mahara.blogspot.com

Neste ínterim, temos o enlace amoroso entre Beiriz e Dan-


tas, cuja escandalização pública promovida pela presidência da
Província da Parahyba, feriu os brios do advogado, que vai em
busca de lavar sua honra com sangue, assassinando João Pessoa na
confeitaria Glória, no centro do Recife, ato que assevera a revolu-
ção de 1930, da qual consideramos o estopim.
Ao se referir aos acontecimentos de 1930, diversos autores
locais e do sul do país afirmam que o assassinato do Presidente da
Parahyba foi “por questões locais”, é o caso do historiador José
Octávio de Arruda Mello, dentre outros. Porém, entendemos que
no seio destas “questões locais” está a personagem Anayde Beiriz,
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 175

cuja existência é por vezes esvaziada de sentidos históricos, mas


que, sua existência está intimamente ligada àqueles acontecimen-
tos. Este envolvimento e os rumos que tomou o golpe, fizeram
com que poucos textos “sobrevivessem à fogueira da moral e dos
bons costumes ... Grande parte de sua literatura foi queimada du-
rante o período que procedeu a tragédia de seu noivo, João Dan-
tas, e a sua própria.”(JÓFFILY, 1980). Será que, não fosse a existên-
cia da professora Anayde haveria a Revolução de 1930?

Algumas questões para se refletir sobre a Revolução de


1930

Basta apreciar o mundo do pós Primeira Guerra Mundial,


para constatar um crescente desequilíbrio na economia internacio-
nal. É assimétrico o desenvolvimento dos Estados Unidos da Amé-
rica em relação ao resto do planeta, isolando-se da economia mun-
dial. Esta, por outro lado, não era capaz de gerar demanda sufici-
ente para uma expansão duradoura. A massa populacional, entre-
tanto, não conseguia consumir o que era rapidamente produzido,
gerando superprodução e especulação.
Neste ínterim, grandes proprietários de terra comandavam
a política brasileira. Contrapondo o desenvolvimento industrial, o
Brasil era um país extremamente rural. Os maiores beneficiários
destes status quo eram as elites locais, cujos representantes eram os
Governadores de Estados, legítimos integrantes das oligarquias
regionais dos coronéis, que por sua vez, davam apoio e sustenta-
ção ao Presidente da República.
Em nível nacional, os que se locupletam de tal troca de fa-
vores eram os estados de Minas Gerais e São Paulo, grandes pro-
dutores e exportadores de café, uma vez que, quando caía a cota-
ção internacional nos preços do “ouro-negro”, o governo da União
comprava os estoques dos fazendeiros daquelas Províncias, rate-
ando as perdas com o restante do país.
176 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

A Paraíba, “pequenina”, sofre com a estagnação e o poder


nas mãos de famílias abastadas que “tomam conta do sertão por sécu-
los, o celeiro da Paraíba”2 assim, constitui-se o cenário de um país
para poucos, justificando uma reformulação política e social, uma
“Revolução”.
O historiador José Otávio de Arruda Melo acredita que:

Basicamente, foi o segmento militar, justaposto


à mentalidade dos quadros dirigentes de 30,
mesclados de positivismo e castilhismo-
borgismo, o que travou a “vibração esquerdi-
zante do Nordeste”, invocada por Vargas, e o
aprofundamento da Revolução, em cujos des-
dobramentos liberais-radicais como Osvaldo
Aranha depositavam, ao menos nos primeiros
tempos, visíveis de esperanças: Uma revolução
como esta que acabamos de fazer, com o concurso da
vontade nacional, é dotada de tal extensão e tamanha
profundidade, que se avantaja sobre as causas de-
terminantes. Elas excedem os limites previstos avan-
çando rapidamente no sentido da esquerda. (MEL-
LO, 2007. p.33)

No contexto da criação de partidos de esquerda e em se-


guida de órgãos sindicais, uma grande revolução social é aspirada,
mas não é exatamente isso que vai ocorrer nos anos seguintes da
década de 30 do século passado. Não queremos aqui dar um outro
significado aos acontecimentos de 1930, nem tampouco discutir o
conceito de Revolução, apenas utilizaremos o significado desta
palavra ligado aos fatos ocorridos, da forma que a historiografia
tratou o assunto e também relacionado ao objeto de estudo, a poe-
tisa Anayde Beiriz, que segundo as fontes para a produção do pre-
sente artigo (formada pelo artigo “Anayde Beiriz e seu corpo in-
surgente: outras “revoluções”” e a produção cinematográfica “Pa-
rahyba Mulher Macho”) trazem as revoluções pelas quais Anayde

2
Fala de João Dantas a Anayde Beiriz no filme “Parahyba Mulher macho”
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 177

promove e é vitimada: revolução dos corpos, revolução amorosa,


“uma outra revolução”3.

Alômia e sua produção sobre a Revolução de 1930

A historiadora Alômia Abrantes propõe entrecruzar dis-


cursos que possibilitem a imagem de Anayde Beiriz ganhar a tessi-
tura de um corpo indócil e inquieto. Para tanto, ela utiliza como
fonte as cartas escritas por Anayde para seu namorado, publicadas
no livro “Anayde Beiriz: Panthera dos olhos dormentes”, do escri-
tor Marcos Aranha (2005) e o filme “Parahyba Mulher Macho”,
produzido por Tizuka Yamazaki (1983). Neste fiamento de idéias,
ela contrapõe a escrita de si através da análise das cartas e o dis-
curso impresso no filme de Yamazaki, um conceito utilizado é
“maquina de guerra”.
Neste trabalho ela se dispõe a tornar visível a Revolução de
1930 a partir de concepções outras que não fossem a tão propalada
discussão partidária entre perrepistas e a Aliança Liberal. Assim,
ela traz Anayde para o centro da discussão dotando-a de relevân-
cia para os acontecimentos, enchendo de sentidos históricos sua
existência.

Anayde Beiriz não apenas é um personagem


histórico, como também as narrativas sobre ela,
incluindo o filme, são produções políticas. Qual
política? Uma política dos corpos, dos desejos,
uma política da liberdade individual e sexual,
que se ainda se colocava timidamente naquele
contexto, anos depois se mostrará em toda sua
intensidade. Este outro olhar sobre a história e a
política é, pois, o que possibilita pensar a
(re)criação da imagem de Anayde Beiriz no ci-
nema como um corpo-manifesto, um corpo in-
surgente. (ABRANTES, 2007. p. 213)

3
Como bem afirma o texto introdutório do filme “Parahyba Mulher Ma-
cho”.
178 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Assim, Alômia analisa os mecanismos que a


(re)inscreveram na historiografia paraibana e brasileira. Levanta-se
questões como: Como pensam a figura de Anayde Beiriz? Por que?
A que fim?
Táticas de sedução e captura do outro são as marcas mais
cintilantes nos escritos íntimos de Anayde, contrariando os dispo-
sitivos disciplinares da época, revelando-se de forma sincera e
apaixonante, aproximando-se da escrita do filme, em seu cartaz de
apresentação, temos a seguinte frase: “A mulher que toda mulher
gostaria de ser” e “a mulher que todo o homem gostaria de ter”.
Desta forma, Alômia nos faz pensar a história a partir das
questões de gênero no Brasil.

Parahyba Mulher Macho, o filme


O filme possui a direção da Tizuka Yamazaki com roteiro de
Yamazaki e José Jóffily, possui 87min e está enquadrado no gênero
“drama, nacional”, porque não histórico também? A sinopse: “No Brasil
de 1930, havia o conflito pré-revolucionário, onde o poder era motivo de
discórdia entre políticos, militares, latifundiários e industriais. A Paraí-
ba estava dividida: a política do Estado era disputada, de um lado, pela
Aliança Liberal de João Pessoa e, de outro, pelo Partido Republicano
liderado pelo "coronel" Zé Pereira. Neste cenário, uma anônima cidadã,
Anayde Beiriz, vivia uma outra revolução: queria amar, expor seu pen-
samento e ter o direito de escolher sua própria vida.”

Figura 2: Cartaz do filme Parahyba Mulher


Macho
Fonte: filmescomlegenda.net
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 179

Inicialmente se faz necessário perceber o filme a partir de


seu título, sob a concepção de gênero com relação ao Estado (Pro-
víncia) e seus habitantes. O que estaria por trás da construção “Pa-
rahyba Mulher Macho”? seria uma exaltação aos “feitos revolucio-
nários” de Anayde para os padrões da época ou estaria relaciona-
do exatamente com o emergente discurso feminista nos começos
da década de 1980, momento em que o filme fora produzido?
O filme vem nomear Anayde como ícone de uma outra
revolução, uma revolução dos corpos onde o erotismo se faz por
demais presente. Em seu discurso, se faz justificar a atitude do
advogado João Dantas (o Dantinhas) em assassinar o Presidente
João Pessoa, lavando sua honra com o sangue do governante.
Me chamou atenção o trecho do filme em que Anayde, leva
uma repreensão por declamar uma poesia que fala do amor carnal,
com gestos sensuais, o que é proibido em sala de aula. Talvez por
isso ela é rejeitada em uma escola apesar de ter sido premiada por
seu desempenho escolar. Ela diz o seguinte: - Quanto foi que ela
pagou a vós para ficar no meu lugar? - A minha família não tem o prestí-
gio para me garantir uma vaga de professora neste colégio, pois bem, que
este colégio tenha as professoras que ele merece.
No momento em que saía da escola, ela encontra a profes-
sora aceita acompanhada da mãe. Mãe e filha contrastam com o
modo de vestir e com o corpo marcado como “mulher sensual” de
Anayde. A cena é marcante e mostra também uma hierarquia soci-
al. Anayde perde o lugar de professora para uma mulher que não
tem marcas no corpo de transgressão da sexualidade, usa chapéu,
cabelo e roupas tradicionais e está acompanhada pela mãe. Por sua
vez, Anayde exala sexualidade, suas roupas e sua postura, sua
forma de andar, seu corte de cabelo, tudo faz dela uma mulher que
rompe padrões estabelecidos.
Um recurso utilizado pela direção é a interessante técnica
de mundos paralelos quando ao demonstrar determinada cena,
uma outra totalmente diferente divide o espaço da tela, quase
sempre cenas cotidianas. Um exemplo disso é quando há um dis-
curso inflamado proferido na atual Praça João Pessoa e no mesmo
180 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

momento, garotas brincam de roda, desconexas com o que estava


por vir naquele momento.

Considerações finais
O agitado e conturbado momento em que o Brasil vive no
ano de 1930, é incendiado com o sangue da morte do Presidente
João Pessoa, que também era candidato a vice-Presidente da Re-
pública na chapa encabeçada por Getúlio Dorneles Vargas, que
concorria com a situação estabelecida pelo paulista Júlio Prestes.
As eleições foram vencidas pelo candidato de São Paulo e nem os
protestos de fraude eleitoral fizeram este resultado mudar.
Assim, com posse marcada para o dia 15 de novembro de
1930, Júlio Prestes não contava com a morte de um concorrente
reconhecido nacionalmente como era João Pessoa, e ainda mais
pelas mãos de um aliado seu, ligado às elites pernambucanas e
cearenses e aos sertanejos paraibanos representados pelo “Coro-
nel” Zé Pereira. Com a posse em vias de chegar, o assassinato do
Presidente da Parahyba cria uma instabilidade no poder, o seu
corpo é exibido em cortejo por quase todo o Brasil e seu nome pas-
sa a ser considerado como um mártir, o que viria a ser o futuro
herói da revolução.
No entanto, sem a morte de João Pessoa, é bem provável
que os braços que insuflaram a revolução estivessem intimidados,
Júlio Prestes, assim, tomaria posse e muito provavelmente não
haveria a revolução, ou então, ela seria em termos muito diferen-
tes, sem alma, sem herói, sem mártir.
O assassinato de João Pessoa se deveu a limpeza da honra
de um advogado que teve sua vida amorosa escandalizada e ex-
posta em praça pública e em páginas de jornal, esta honra teve que
ser lavada com a fúria da vingança. Assim, não houvesse a exis-
tência da escritora, poetisa e “revolucionária” Anayde Beiriz, fa-
talmente a revolução não existiria, portanto, João Pessoa foi morto
por “questões locais” e estas questões tem nome: Anayde da Costa
Beiriz!
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Referências

ABRANTES, Alômia. Anayde Beiriz e seu corpo insurgente: outras


“revoluções”. In: MACHADO, Charliton José dos Santos & Nunes,
Maria Lúcia da Silva (orgs). Gênero e sexualidade: perspectiva
em debate. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2007.
JÓFFILY, José. Anayde Beiriz: paixão e morte na Revolução de 30.
Rio de Janeiro: CBAG, 1980.
MELLO, José Octávio de Arruda. História da Paraíba: lutas e re-
sistência. 9ed. João Pessoa: A União, 2002.
___. 1930 – A Revolução para dentro do Estado. In: SANTOS, João
Marcos (et all). A revolução que mudou a história do Brasil.
Campina Grande: Eduepb, 2007.
Filme: PARAHYBA, Mulher Macho. Direção: Tizuca Yamazaki.
Interpretes: Tânia Alves (Anayde), Cláudio Marzo (João Dantas),
Walmor Chagas (João Pessoa) e grande elenco. Brasil, Embrafil-
mes, 1983.
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AS IMIGRAÇÕES PORTUGUESAS
R UMO À COMPREENSÃO DA COLONIZAÇÃO DOS INTERIORES DA PARAÍBA

Flauber Barros Leira 1

Q
uando nos aventuramos pelo mundo da história e genea-
logia, à medida que retrocedemos nossas gerações, chega
o momento em que começamos a nos deparar com os
colonizadores que ajudaram a povoar o nosso país. De-
pendendo da região que buscamos, nos deparamos com
a riqueza étnica deixada pelos nossos antepassados. Encontramos
além dos nativos indígenas, portugueses e africanos, entre os re-
gistros mais antigos. Observamos também que a vinda de portu-
gueses se deu em períodos distintos da História, conhecidos como
as imigrações portuguesas.

Figura 1: Paróquia de Nossa Senhora dos Milagres, São João do Cariri

1
Sócio correspondente do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica
– IPGH.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 183

Figura 2: Área aproximada da antiga Freguesia do Cariri de Fora, antes de 1769,


com sua área demarcada em azul, com sua sede na cidade de São João do Cariri. Fonte:
mapa do IBGE com indicações feitas pelo autor

Em pesquisas por meus ancestrais, através de leituras e ex-


trações de dados genealógicos nos livros eclesiásticos, verifiquei a
importância de se compreender as linhas migratórias de portugue-
ses ao Brasil, os motivos distintos que cada nova onda de migração
incentivava, de que parte de Portugal eram oriundos, quais seriam
seus destinos e porque.
Na leitura deste assento de batismo de um neto (Manoel) de
dois de meus hexavós – Antônio de Barros Leira e Domingos de
Farias Castro, exemplifico duas das ocorrências encontradas no
Livro de Batismos número 2 da paróquia de Nossa Senhora dos
Milagres, (figura 1) ocorrido a 19 de novembro de 1766, que re-
produzimos sua transcrição ipsis litteris seguido do fragmento do
assento de batismo (figura 3) em questão:
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“Aos dezenove dias do mez de Novembro de mil SetteCentos Se-


Centa e Seis annos na Capella de Nossa Senhora da Conceiscao da
Cabacera de licenca minha baptizou solenmente com os Santos ole-
os o Reverendo Padre Domingos de Faria Crasto ao Inocente Ma-
noel filho do Capitão mor Antonio de Barros Leyra e de Sua mo-
lher Anna de Faria moradores na fazenda do Caroatá desta fregue-
sia, Neto Paterno de João de Barros e de sua molher Domingas Jo-
ão, naturaes da Freguesia de Carvide Bispado de Leiria e pel-
la materna do Capitão mor Domingos de Faria Crasto, natural
Do Arcebispado de Braga e de sua molher Izabel Roiz ja defunta
natural desta Freguesia. forão Padrinhos Luiz de Faria Crasto, sol-
teiro filho do Capitao mor Domingos de Faria Crasto, e Antonia
Theodora molher de Francisco de Faria todos moradores da Cabace-
ra nao se Continha mais no dito asento, dia e era ut Supra. Anto-
nio Roiz Pirez Cura e Vigario da Vara do Cariry.”

Figura 3: fragmento do assento de batismo de Manoel, filho de Antônio de Barros


Leira (Filho) e sua esposa Ana de Faria Castro
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Uma vez que grande parte destes portugueses que encontrei


casando-se e batizando seus filhos com mulheres brasileiras ou
filhas de outros patrícios nascidas na nova pátria que se estabele-
ceram nos Cariris Paraibanos com sede na antiga Freguesia dos Ca-
riris de Fora2 sob o orago de Nossa Senhora dos Milagres, atual
paróquia do seu santuário, localizada na cidade de São João do
Cariri, conforme demonstro na relação produzida a partir da iden-
tificação e catalogação dos portugueses citados no livro 3 de ba-
tismos desta paróquia, como vemos à seguir:

2
Freguesia dos Cariris de Fora, nome da antiga região eclesiástica, que
tinha a igreja de Nossa Senhora dos Milagres (figura 1) antiga sede da
Freguesia dos Cariris de Fora, imagem de autor desconhecido, publicada
por José de Arimateia Bezerra de Lima em 25 de fevereiro de 2019 em seu
blog Cariri Velho. A sede se localiza atualmente na cidade de São João do
Cariri, distante 215 km da capital João Pessoa, Paraíba. A figura 2 foi
produzida acordo informações contidas no Atlas Geográfico da Paraíba,
UFPB, João Pessoa, 1966., e da incomparável descrição dos limites da
freguesia do Cariri de Fora, feita pelo capitão-mor Clemente de Amorim
de Sousa feita em 1757 e plotadas aqui, em um mapa do IBGE.
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188 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Tabela 1: Pioneiros Portugueses do Cariri Paraibano, elaboração do autor, 2016

Esta lista não está completa, existem outros portugueses que


ainda não foram catalogados, mas ela nos dá uma noção da grande
quantidade de lusitanos que por alguma razão, ao chegar nos
principais portos de entrada no país, pois podem ter entrado por
Recife ou Salvador.
As fontes de estudos mais antigas, que incluiria pedidos de
passaportes e registros de saída de Portugal, registros de entradas
de portugueses e sua movimentação dentro do território brasileiro,
são muito escassas ou em outras vezes estão espalhadas por diver-
sas entidades mantenedoras, tornando as pesquisas por este mate-
rial, uma árdua tarefa.
Os registros mais antigos que o AN possuem por exemplo,
começam a partir de 18083 e tem as suas listas com informações
dos seguintes portos de entrada e respectivos anos:

3
Acordo base de dados e listas de passageiros disponibilizadas pelo Ar-
quivo Nacional, base de dados da Movimentação de Portugueses no Brasil
1808-1842 no site http://www.an.gov.br/baseluso/menu/menu.php e
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 189

Entradas de Portugueses nos Portos Brasileiros


Portos Datas Limite
Aquidauana 1940
Belém 1939 - 1962
Barra de Quarai 1941
Corumbá 1940 - 1964
Esperança 1937 - 1951
Florianópolis 1939 - 1953
Foz do Iguaçu 1943
Guajará Mirim 1946 - 1954
Manaus 1938 - 1964
Paranaguá 1946 - 1956
Porto Esperança 1937 - 1951
Porto Murtinho 1941 - 1954
Quaraí 1940 - 1953
Recife 1920 - 1961
Rio de Janeiro 1875 - 1964
Salvador 1939 - 1952
Santos 1891 e 1894-1982
São Francisco do Sul 1928 - 1930
Uruguaiana 1939 - 1945
Tabela 2: fonte: AN

Numa busca mais aprofundada sobre estas fontes mais anti-


gas, me deparei com algumas relações de passaportes emitidos
pela Corte Real e umas poucas relações de passageiros nas embar-
cações com destino ao Nordeste brasileiro, através de leituras no
acervo do AHU, pelo Projeto Resgate, que publico mais adiante na
tabela 4.

as Listas de Passageiros pelo site: http://arquivonacional.gov.br – acesso à


29/10/2020.
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Encontrei recentemente, também dois trabalhos de transcri-


ção intitulados: “Índice do livro de registros de passaportes em Recife
(RP 1/1) de 1761 a 1792” e “Índice de nomes do livro de registro de pas-
saporte (RP 1/2) de 1793 a 1830” de autoria de Pontual4, em que a
primeira traz uma relação de 549 nomes, e esta última uma relação
com 1021 nomes, totalizando 1570 nomes com informações de re-
ferencia ao destino do viajante e com algumas observações do au-
tor. Veja o exemplo retirado do índice (RP 1/1):

Figura 4: Exemplo do índice de registros de passaportes de Recife (RP 1/1

4 Caio Pontual, autor da elaboração dos índices de registros de passapor-


tes de Recife, com suas 2 listas publicadas no blog Genealogia FB, feito
em 22 de outubro de 2014, através do seguinte link:
https://genealogiafb.blogspot.com/2014/07/passaportes-no-brasil.html
acesso à 30/10/2020.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 191

Nas pesquisas sobre estes momentos históricos, não pude


encontrar muito material que identificasse de uma maneira siste-
mática estes períodos de tempo, no entanto Venâncio5, categorizou
estes momentos da história da povoação brasileira através do se-
guinte modelo:

Imigrações Portuguesas

1500 - 1700 A Imigração Restrita


1701 - 1850 A Imigração de Transição
1851 - 1960 A Imigração de Massa
1961 - 1991 A Imigração de Declínio

A Imigração Restrita (1500 – 1700)

Durante este período de tempo as imigrações para o Brasil


eram pouco expressivas. Em Portugal havia o cenário de constan-
tes epidemias e escassez no abastecimento, o que contribuía para o
pouco interesse ou simplesmente não haviam os recursos financei-
ros para empreender uma jornada para a Terra Brasilis. Acordo o
IBGE, existe um número não-maior que 100 mil pessoas que vie-
ram para o Brasil durante este período, dentre estes, encontrei:
Os imigrantes ricos, que se fixaram no Nordeste brasileiro,
principalmente na Bahia e Pernambuco, com o intuito de explorar
a produção de cana-de-açúcar e criação de gado. Também encon-
trei, os nobres empobrecidos, que se aventuravam na travessia do
Atlântico na esperança de encontrarem ouro e novas oportunida-
des. Também os Oficiais Reais e os Militares incumbidos de uma
nova missão no Novo Mundo. Identifiquei também a vinda de
meninos órfãos para auxiliar na catequização e de mulheres órfãs e

5 Presença Portuguesa de colonizadores a imigrantes, VENÂNCIO, Renato


Pinto, IBGE, 2007, Rio de Janeiro.
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meretrizes também, conforme o conhecido pedido de Manoel da


Nóbrega6:

Parece-me cousa mui conveniente mandar Sua Alteza algumas


mulheres que lá têm pouco remédio de casamento a estas partes,
ainda que fossem erradas, porque casarão todas mui bem, com tan-
to que não sejam taes que de todo tenham perdido a vergonha a
Deus e ao mundo. (...) De maneira que logo as mulheres terão re-
médio de vida, e estes homens remediariam suas almas, e facilmen-
te se povoaria.

Os religiosos missionários, que tinham como missão, apa-


ziguar os nativos com seus ensinamentos e imagens de santas fe-
mininas, estabelecendo missões e fazendas, auxiliando nas rela-
ções entre os portugueses e nativos, com o propósito de cristiani-
zar a colônia e também facilitar a localização das riquezas naturais.
Observei a presença de Cristãos-novos, fugitivos da Inquisição
Ibérica, que buscavam proteção e liberdade para a prática de seus
costumes em terras longínquas e remotas, longe dos olhares repre-
ensivos da legislação Portuguesa
Os degredados, da palavra em latim decretum, que significa
alguém sofre a pena do degredo, que poderia ser temporário ou
perpétuo, dependendo da gravidade do crime cometido, seriam os
presos, que foram condenados pela Corte Real e seu Tribunal do
Santo Ofício, como criminosos comuns e presos políticos, que ti-
nham como pena, o exílio nas suas colônias, para cumprir suas
sentenças. Se recebessem o exílio no Brasil, o tempo de pena não
seria menor do que cinco anos. Estas leis estavam todas enumera-
das nas Ordenações Filipinas7, que incluíam ladrões, falsificadores,
criminosos sexuais, agressores, os que falassem mal do Rei, os que
atentavam contra a igreja, os hereges e os feiticeiros, que tinham
em seu grupo, judaizantes e ciganos.

6
Cartas Jesuíticas, cartas avulsas, 1550-1568, NÓBREGA, Manoel da.
7 Ordenações Filipinas, op. cit., p.503, titulo CXL, item 4.
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Apenas para se ter uma ideia, o professor Geraldo Pieroni8


identificou uma documentação, em sua maioria, na Torre do Tom-
bo, cerca de 590 processos da Inquisição do Santo Oficio, que fo-
ram julgados em Lisboa, Évora e Coimbra, aonde a pena seria o
degredo para o Brasil, conforme citado por Janaina Amado9.
Os capitães das naus portuguesas lançavam os degreda-
dos10, também conhecidos como turgimões11, pelas costas brasilei-
ras, que ficavam a mercê de suas habilidades de sobrevivência e
técnicas interpessoais entre os índios nativos, que se tivessem sor-
te, aprenderiam a língua e seus costumes, conquistando a confian-
ça destes.
Alguns eram apenas deixados em praias desconhecidas pa-
ra cumprir sua sentença, mas a outros eram dadas instruções espe-
cíficas de que se sobrevivessem e conquistassem a confiança dos
nativos, poderiam receber seus indultos.

Figura 5: Caramuru-Guaçu,
1958
Ernesto Frederico Scheffel
(Brasil, RS 1927 –) Óleo
sobre tela, 368 x 197,5 cm
Rio de Janeiro

8
Geraldo Pieroni, professor bolsista e Doutor na Universidade de Brasí-
lia, autor de vários trabalhos e publicações, incluindo, Vadios, Heréticos e
Bruxas, os degredados portugueses no Brasil Colonia, UFB, 1991
9 Janaina Amado, Condenados a viver no Brasil, Revista do Programa de

Pós-graduação em História, UNB, 2011.


10 Náufragos, traficantes e degredados, as primeiras expedições ao Brasil,

BUENO, Eduardo, Coleção Brasilis 2, 2016


11 Turgimão ou trugimão, palavra derivada do árabe, turguman, que sig-

nifica intérprete. Também pode derivar do francês, truchement, como


intérprete ou intermediário. Eram os degredados que depois de terem
sido lançados nas costas brasileiras, acabavam servindo de interpretes
entre os portugueses e os nativos.
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Outros eram levados, em pequeno número, nas embarcações


que rumavam ao Mundo Novo e utilizados como os primeiros a
desembarcar para testar o nível de hostilidade dos locais, muitas
das vezes, eram utilizados como mensageiros entre a tripulação,
que ficava no navio e a aldeia local.

A Imigração de Transição (1701-1850)

Período onde houve um grande fluxo de imigrantes portu-


gueses. Neste momento temos a presença contrastante de um
grande número de portugueses da elite juntamente com os minho-
tos12 pobres, estes que haviam sido expulsos daquela região devi-
do a falta de trabalho, ocorridas com a Revolução Agrícola.
Para se ter uma ideia do grande crescimento populacional
neste período, em 1600, segundo Rocha-Pombo13, a população bra-
sileira se constituía de 30 mil brancos e 70 mil mestiços, negros e
índios, perfazendo um total de 100 mil pessoas, enquanto que en-
tre 1690-1780 observei os seguintes números14:

Crescimento populacional entre 1690-1780

Grão-Pará, Solimões e Rio Negro 60.000


Maranhão 20.000
Piauí 20.000
Ceará 150.000
Rio G. do Norte 23.000
Paraíba 120.000
Pernambuco 245.000
Baía, Porto Seguro, Ilhéus, Esp. Santo 300.000

12
Portugueses da região do Minho, ao norte de Portugal.
13 Os números e dados de Rocha-Pombo são citados por F. Contreiras
Rodrigues em seu livro, Traços da Economia Social e Politica do Brasil
Colonial, Ariel Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1935.
14 Traços da Economia Social e Politica do Brasil Colonial, RODRIGUES, F.

Contreiras, Ariel Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1935 (págs., 32-34)


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 195

Rio de Janeiro 700.000


Minas Gerais 550.000
Goiás 50.000
Mato Grosso 50.000
São Paulo e Curitiba 150.000
Santa Catarina 25.000
Rio G. do Sul 60.000
Total 2.523.000
Tabela 3: Fonte: Rocha-Pombo

A descoberta do ouro na colônia, por volta de 1693, tam-


bém favoreceu estas migrações, que ajudaram a expandir o país
para os seus interiores. Este período e marcado também pelo início
do reinado de D. João V, o magnânimo, nascido em 22 de outubro
de 1689, tendo subido ao trono aos seus 17 anos de idade, em ja-
neiro de 1707. Durante este período também vemos a incidência de
Judeus forçados a conversão migrando para o Brasil.
Fazendo buscas por antigos passaportes e listas de passa-
geiros, através do acervo digitalizado disponível do AHU pelo
Projeto Resgate15, como forma de documentar a entrada de portu-
gueses e sua movimentação no Nordeste para este período, verifi-
quei a ocorrência de alguns registros para Bahia, Pernambuco,
Piauí e Maranhão.
Na lista organizada abaixo estão indicadas as colunas
“Ano” para o período respectivo, compreendendo os anos de 1713
a 1825, na coluna “Documento” com o seu respectivo código de

15
Projeto Resgate da Biblioteca Luso-Brasileira, Aproximadamente
150.000 documentos dos sécs. XVI-XIX (cerca de 1,5 milhão de páginas
manuscritas) relativos a 18 capitanias da América portuguesa e deposita-
dos no renomado Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa (AHU) – o maior
acervo de documentação colonial brasileira no exterior – foram descritos,
classificados, microfilmados e digitalizados. Acesso ao acervo através do
link: http://resgate.bn.br/docreader/docmulti.aspx?bib=resgate - aces-
sado à 10/10/2020
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referência do AHU, seguido da sigla do local de destino, ex.: “PE,


MA, PI, BA”, a Coluna “Nau”, indicando a embarcação registrada
como a transportadora dos passageiros, e a coluna “Nomes infor-
mados16” aonde seguem as listas dos passageiros levados pela
respectiva embarcação. Uma observação: alguns dos nomes relaci-
onado, há citação de detalhes dos indivíduos, como idade, nor-
malmente entre parênteses, ex.: (4), para quatro anos de idade,
cargos ocupados ou condição social, como preto, livre, escravo, etc.

Relação de passaportes e passageiros no Nordeste Brasilei-


ro
Ano Documento Nau Nomes informados
Rainha dos Anjos e
1713 2324/PE José Brim e João dos Santos
N. S. do Rosário
Antônio Goncalves de Araújo e
1742 4983/PE NI
Manoel Fernandes Lavado17
Marcos José de Noronha e Brito
1747 5576/PE NI
sobre três homens sem passaporte
Domingos de Faria, Lourenco
N. S. da Piedade e
1779 10099/PE Goncalves, Francisco de Freitas,
Francisco de Paula
Domingos e Rodrigues (4)
Corveta S. José e S. Bento José Lisboa e Antônia (es-
1784 10995/PE
Antônio crava)
Pe.Fr. João de Aguiar Santana,
1784 11025/PE N. S. do Rosário Casemiro Antônio de Medeiros e
Ana (escrava)
Custódio Pereira de Castro, João
Pereira de Matos (9), filho de Ma-
noel de Matos Simões, João Mon-
1784 11040/PE S. Antônio Cisne
teiro de Andrade, José Joaquim
Soares de Albergaria, Manoel José
de Oliveira Borges, Fr. José Joa-

16
Nota do Autor: Os documentos originais, de onde foram extraídas as
informações para este índice, podem conter mais informações do que está
aqui publicado. Uma leitura do documento original é sugerida.
17 Ambos pedem passaportes para seis estrangeiros e dois criados portu-

gueses, oficiais fundidores e separadores de metais para trabalharem em


minas de prata e salitre.
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quim Carneiro, monge beneditino,


Antônio Rodrigues Romão, Cae-
tano (escravo)
Santos Mártires e José Duarte e sua irmã, Maria José
1785 11090/PE
Triunfo do Mar Duarte
Bernardo Nunes Portela e sua
mulher: Ana Luísa de Araújo, e
1785 11094/PE N. S. do Carmo
filha: Francisca Felizarda de Araú-
jo Portela e Maria (escrava)
Pedro José (9), neto do sargento-
Santíssimo Sacramen-
1785 11124/PE mór Manoel de Araújo, Rodrigo
to
de Siqueira
Gertrudes Maria Francisca, esposa
de Manoel Ribeiro e sua filha
1785 11132/PE Corveta S. José
Maria de Nazaré, Manoel de Al-
meida Peixoto
Francisco Felipe Neri, Felipe Rino-
so (degredado) e esposa Ana Ma-
1785 11157/PE N. S. da Conceição ria do Vale (degredada) e os filhos
do casal: João Rinoso (8) e Manoel
(7)
Paquete Monte do
1786 11230/PE Domingos do Rego
Carmo
1786 11300/PE Galera Sacramento João Goncalves da Silva
Pe.Fr. Clemente da Moreta (religi-
Navio S. José Maca- oso Capuchinho Italiano), José
1786 11309/PE
pá Joaquim Matoso, filho do capitão-
mor Luís de Pratas
Eusébio Catela de Lemos, Antônio
Fernandes da Silva, Pascoal Luis
Forriel, José e Pedro (anões escra-
1786 11409/PE N. S. do Carmo
vos), Rosa (preta livre), Joaquina
(6, preta livre) e João (7, preto
livre)
Julião Francisco Xavier da Silva
Siqueira Monclaro, sua esposa
1786 5907/MA NI Maria Micaela Furtado, duas es-
cravas: Lourença da Luz, Mariana
Rita e esposo João Francisco
Félix Goncalves Ribeiro Gama,
1791 12363/PE S. Antônio Netuno
Antônio José da Silva
Joaquim Camilo Poge, Ana (6,
1791 12364/PE Galera Carolina
preta livre)
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José Pereira da Silva Manoel,


Francisco Xavier de Mesquita,
Manoel de Pontes Medeiros, An-
tônio de S. Correia, Francisco José
de Sousa, Antônio José de Sousa,
Caetano José de Sousa, Bernardo
José Vieira, José de Matos Pereira
Godinho, Francisco José Luís
S. Sebastião, N. S. da
Sampaio, Luís Francisco Meireles
1791 6611/MA Dores, Carmo e S.
do Canto e Castro, Bazelio (...) de
Antônio
Carvalho, José Marques Uzorio
(degredado), Luís Vital (6), João
Crisóstomo Coelho, Luís Antônio
de Magalhães, Manoel Antônio da
Maia, José Gregório Pereira (...),
Francisco Mâncio Vieira, Luís
Manoel Ferreira Brandão, José
Vicente da Silva Bastos
Antônio Pinto Ribeiro, Inocêncio
Joaquim (14), Manoel Moniz,
1793 6891/MA Galera Aníbal
Manoel Francisco Moniz, João
Manoel (...)
Gertrudes Rosa Joaquina dos Reis
e suas irmãs: Genoveva Casemira
Constância dos Reis, Escolástica
Maurícia Micaela dos Réis, Manu-
S. José do Triunfo, N.
el Francisco, Luisa Pereira, viúva
1793 6956/MA S. da Piedade e Albu-
de José S. de Brito, Bernardo de A.
querque
C. com seu sobrinho Francisco da
Siqueira Mendes Galvão e Ale-
xandre da Costa (preto livre) e
Florinda Mendes (preta livre)
Galera Santíssimo João Ferreira de Araújo e Antônio
1794 12955-PE
Sacramento da Fonseca
José Alexandre, Francisco José
Vieira, Bonifácio Pinheiro, Manoel
José Camelo, Manoel de Santana
Ramos, José Inácio Pinto, Custodio
Cordeiro, Inácio Luís de Aragão,
1795 16149/BA S. Antônio Polifemo
Francisco Correia de Sousa, Ge-
raldo dos Santos, Pedro Alvares
de Araújo, Manuel Pereira de
Sousa, Antônio Lourenco, Manoel
Rodrigues do Espirito Santo, Za-
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 199

carias do Rosário, José Ferreira,


José Félix, Antônio Machado de
Lufontanha, Manoel José Salgado
Guimarães, Manoel Inácio, Antô-
nio Félix de Sousa, José Francisco
Goncalves, Antônio José Previsto,
Manoel Joaquim Delgado, José da
Silva, Joaquim da Silva, José da
Silva, Isidoro Dias de Santana
Navio S. Estevão
1796 13230/PE Antônio Marques (8)
Glorioso
Estevão Luís de Siqueira, José
Santíssimo Sacramen-
Cardoso da Silva e Meneses, José
1796 7448/MA to, N. S. da Conceição
Francisco Pereira, Padre José da
e Almas
Silva de Andrade
Fernando Antônio de Noronha e
um índio, Ricardo Nunes Leal,
José Sabino da R. Faria Silva e
família, José Alberto da Cruz,
Francisco José Teixeira, Antônio
José Meireles, Joaquim Peixoto G.,
João Manoel Brito Brandão, Antô-
nio Luís Bernardes Lampreiro,
Leonor Lopes da Silveira, esposa
do Coronel Manoel Rodrigues
1799 8344/MA Príncipe Helante Ferreira, Apolônia dos Anjos (pre-
ta livre), Joaquim José Duarte -
irmão de Leonor, José Ricardo de
S., (outros nomes ilegíveis), Fran-
cisca Costa Nunes viúva de Luiz,
Manuel Pinto C., e sua mulher
Mariana Teresa, Angélica Maria
da Conceição, José Antônio de A
Lobo, José João Pereira Caldas,
Luís Lopes da Cunha, Francisco
Goncalves Luna
Justino José de Andrade, Manoel
Navio Pensamento Ferreira Guimarães, Bernardo José
1801 15514/PE
Ligeiro da Gama, João Pinto de Sousa,
Joaquim José Martins
200 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

José Carneiro Carvalho da Cunha


1803 16250/PE Galera Sacramento e Manoel Maria Carneiro da Cu-
nha18
Alexandre de Souza Guimarães
(40), sua mulher Rita Rosa (40) e
filhos: Joaquim de Sousa (16), José
1804 9921/MA NI
de Sousa (10), e João de Sousa (5),
e seu cunhado: Domingos Mar-
ques Ribeiro
Henrique Francisco da Cunha (42)
1804 9989/MA NI
e José Antônio Pereira Lima (23)
Frei Manoel da Purificação, Frei
1806 10825/MA NI
José da Paixão e Frei José da Graça
Antônio Marques da Costa e sua
1806 17305/PE Brigue Europa
mãe Antônia Joaquina Rosa
Santa Ângela Vigilan-
1806 17502/PE Antônio Lopes do Nascimento
te
Navio Conceição
1806 17516/PE José Leonardo Tavares
Esperança
Bernardo José Alvares, Bento
1806 17536/PE N. S. do Carmo Leão
Antônio Domingues
1806 17566/PE Brigue Flor do Mar Antônio José Marques Bacalhau
1807 10950/MA Bergantim Ceres Antônio Francisco da Silva
João de Freitas Albuquerque (Ou-
Navio Olinda Per- vidor de PE) e dois criados: João e
1807 17862/PE
nambucano Antônio, Joaquim Francisco Meri-
dello, Manoel Coelho da Silva
João da Fonseca Almeida, João de
(...) Pires Ferreira, Domingos Ma-
Navios Seipião e laquias de Aguiar, Antônio Jero-
1807 17863/PE
Caridade nimo Lopes, Antônio José Duarte
de Al. Gondim, André João caixe-
ro
1807 17884/PE Brigue Trajano Antônio José da Conceição
Manoel dos Reis, Luís de (...),
S. José Jequiá e Brigue
1807 11016/MA Antônio José de Barros, José Fran-
Carolina
cisco Rabelo
Peregrino Pereira de Burgos e
1808 11162/MA NI
Honório Pereira de Burgos19

18
Ambos Pernambucanos, José com 17 anos e Manoel, 8 anos, filhos do
Coronel Francisco Xavier Carneiro da Cunha.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 201

1808 11165/MA NI José Firmino de Lourido


Egídio da Costa Alvarenga, filho
1809 1584/PI NI
de Francisco da Costa Alvarenga
Padres: Francisco Joaquim Alva-
res, Povoa de Lanhoso, Francisco
José Alvares, Povoa de Lanhoso,
Carlos Pereira Bravo, São Paio de
Favões, Antônio Pessoa Ferraz de
Melo, S. João de Pindorada, Ma-
noel Pessoa Ferraz de Melo,
(mesma Freguesia), José Fernan-
des de Miranda, de Miranda do
Corvo, Patrício Fernandes de
Miranda, (mesmo lugar), Bento
Joaquim de Souza, de Braga, An-
1811 3300/BA NI
dré Antônio Alvares de Sousa, de
Pretoios de Basto, João Luiz da
Costa Nunes, de Braga, João Batis-
ta Pessoa Manga, de Braga, Bento
José dos Santos, de Braga, Manoel
Caetano Afonso, de Melgaço,
Antônio da Cunha Coutinho da
Fonseca, de São Cristóvão de
Nogueira, Joaquim José Pereira,
da Foz do Douro, Miguel José
Martins, de Braga, Joaquim José
Ferreira, de Braga
Antônio das Neves, Francisco
Teixeira, Antônio Teixeira, Fran-
1812 11504/MA NI cisco Fernandes, João Antônio
Cardoso e Antônio José (religiosos
Franciscanos)
1813 11541/MA Navio Jaquiá João Luís Siqueira
1814 11598/MA NI Bento José Levira (29)
Manoel Joaquim Tavares e Antô-
1816 11712/MA NI nio Pedro Tavares (Ilha de São
Miguel)
Navio Sociedade Fernando Marcelino da Silva e
1817 11784/MA
Feliz Manuel Antônio Pires

19
Peregrino Pereira de Burgos e Honório Pereira de Burgos, filhos do
Tenente-coronel José Félix Pereira de Burgos e Ana Belford de Burgos
202 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Marçal José (12) e José Maria (10),


1821 19371/PE NI
filhos de Maria Benedita20
José Francisco Ferreira Catão, José
de Barros Falcão de Lacerda, Fran-
cisco de Barros Falcão de Lacerda,
1821 19413/PE NI Bento de Barros Falcão de Lacer-
da, Manoel José Martins, Martinho
de Sousa Bandeira e Joaquim
Domingos de Sousa Bandeira
Antônio Joaquim Guedes, Luís
Francisco Correia de Brito, Pe.
1821 19416/PE NI
Venâncio Henrique de Resende,
Antônio Elias de Moraes
Tomas José Alves de Siqueira,
Luís Bernardino de Oliveira, José
1821 19417/PE Navio Gratidão
da Silva Braga, Reginaldo Saraiva
Chaves
Felipe Sérvulo Cavalcante, João
1821 19418/PE Navio Caridade
Batista Guimarães Peixoto
Vicente Ferreira Gomes, Joaquim
1821 19419/PE NI
José Amâncio
João Alvares de Sousa, Bento
1821 19420/PE NI Joaquim de Miranda Henriques e
Matias José Pacheco
Vicente Ferreira Guimarães Peixo-
1821 19433/PE NI
to e Luís Ribeiro Peixoto
Antônio de Sousa, João Stuart,
Francisco Agrillante, Possidônio
1821 19226/PE Brigue Ligeiro
da Costa, Francisco Maria Mino-
rado, João (homem preto)
José Maria, Bonifácio de (Serase-
Galera Mina e Brigue
1821 19227/PE ca), Gabriel Carmona, Pedro de
Aurora
Alcântara, Menano (moreno)
João Machado, Joaquim da Fonse-
ca, Félix Antônio da Silva, João
1821 19234/PE Navio Caridade
Batista da Silva, Tomas de Aqui-
no, José Francisco Pires, Joaquim

20
Viúva de João Batista Aolare??, falecido a 25 de dezembro de 1816, e
enterrado na igreja da Freguesia de Nossa Senhora da Encarnação. Eram
moradores na rua das Gáveas, pobres e haviam outros 4 filhos deste ca-
sal. Os 2 meninos foram enviados pela mãe, para Pernambuco para fica-
rem sob a guarda de um irmão da viúva, já estabelecido naquela cidade.
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 203

José de Almeida e sua mulher:


Isabel Maria da Anunciação e uma
filha menor
Pacifico Ju (24), Paulo Cha (27),
1821 19247/PE Brigue Trocador
Pedro Vam (17), Leão Chem (16)
1821 19255/PE Galera S. João Batista Antônio Ventura Rizo
Manoel Caetano Soares de Sousa,
1821 19283/PE Galera Flor do Tejo
Antônio José da Rocha
Luís Estanislau da Cruz e família,
1821 19291/PE Navio Nova Aurora
Antônio José de Sousa
1821 19325/PE Brigue Espadarte José dos Reis
José Maria da Veiga, sua mulher e
Navio Imperador
1821 19333/PE criado, Matildes de Queiroz e
Alexandre
Bastos (viúva)
1821 19334/PE Galera Harmonia José Tomas de Aquino (19)
Manoel Paulo Quintela, Manoel
Vieira Pavam, Joaquim Marques,
1821 19343/PE Navio Incomparável Antônio Leão, Francisco Antônio
Andrade, Manoel Francisco de
Paula, João Francisco de Paula
Alexandre de Sousa Malheiros e
Meneses, João Xavier Carneiro da
1821 19443/PE Navio Alexandre I
Cunha, Manoel Clemente, Campio
Romário de Siv. (24)
Gerardo Antônio dos Santos com
sua mulher e 2 filhos menores,
João Manoel da Cunha Louzada,
Manoel Antônio de Sousa Sarmen-
to, Manoel de Abreu Madeira,
Antônio Francisco de Paula, An-
tônio Inácio Caiola com sua mu-
lher e um filho menor, José Belar-
mento Carouzo, Luís Antônio
1821 19446/PE Galera Constituição Vieira Guimarães, Francisco Nu-
nes Rocha, Antônio Francisco
Cabral, P. Aniceto Dozão Padilha,
Diogo Xavier da Costa Veloso com
sua mulher e uma filha, Manoel
Joaquim de Ataíde, Manoel José
Ferreira, Francisco José Libanio,
José Pires, João Antônio Patroni,
Paulo Xavier de Carvalho, Antô-
nio José da Mota, Manoel Maria
204 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

de Castro, Eusébio Joaquim da


Silva, João Jorge de Figueiredo,
Antônio Francisco Barreiro, Cle-
mente José Ferreira da Costa,
Antônio José de Sá, José Gomes
Vilar, Joaquim Antônio Goncalves
de Oliveira com sua mulher e uma
filha menor, João Bernardo dos
Réis Mota, Antônio João Feijó, José
Francisco da Costa, Luís Ferreira
de Matos, Francisco de Paula Pires
Ramos, Antônio José Ar. Marques,
Manoel José da Rocha Lobo, An-
tônio Ing. Da Rosa, Caetano José
Dutra, Luís Rodrigues de Matos,
Manoel de Sousa Melo, Vicente
José Dutra, Manoel José do Nas-
cimento, Francisco Barbosa de
Brito, Caetano José de Siqueira,
Francisco José Batista, Manoel
Teixeira Coimbra, Manoel Mene-
ses Pontes, José Pereira da Silva,
José Joaquim Anastácio, Joaquim
José Marques de Faria, João Fer-
reira da Silva, José Antônio Mene-
ses da Silva, José Vaz de Oliveira,
Domingos Marques, Manoel An-
tônio de Jesus, Antônio Severiano
da Silva, Antônio José Alves No-
bre, Manoel Afonso Praga, Antô-
nio Joaquim Gaspar, Antônio
Machado Ferreira, Bento Lopes
Goncalves, José Ferreira dos San-
tos, José Ferreira da Silva, José
Francisco de Azevedo, João Gual-
berto da Silva, José Rodrigues da
Silva, Antônio Dias Cardeal, José
Ferreira Duarte, José Geraldo
Soares Lobo, José Caetano, Henri-
que Rodrigues, João Duarte de
Faria
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 205

Luís do Rego e sua mulher e dois


filhos, Diogo Tomas Huxlebem,
Francisco Luís Alfonso, José An-
tônio Gomes com sua mulher e
quatro filhos, João José Alexandri-
no, Rodrigo da Fonseca, José An-
tônio Gomes, José Luís Alves, José
1821 19451/PE Brigue Charles Adelle Marcelino da Costa, Manoel Freire
Reboxo, Bernardo Goncalves San-
tiago, Isidoro Alves, Francisco
Jurjaz, Bartolomeu Antônio, Cô-
nego José Narciso Pereira de Car-
valho, Inácio José Correia Drum-
mond, Vigário Manoel Flaviano
Coelho
João Inácio da Costa, José Francis-
co Cabral, (...) Antônio Xavier,
1821 19454/PE S. Nicolau Augusto
major da Cavalaria e sua mulher,
Antônio da Silva Lopes Rocha
Pedro de Araújo Lima, Inácio
1823 19731/PE NI Pinto de Almeida Castro e Joa-
quim (criado)
Joaquim da Assunção da Silva (16)
e seu irmão: Francisco de Assis da
1823 12571/MA NI
Silva (14) e Boaventura do Nasci-
mento de Jesus (15)
Frederico Marques (12) e Joaquim
1823 12586/MA NI
Marques (13)
Frei Luís do Espirito Santo e Frei
1823 12637/MA NI
João de N.S. da Agonia (religiosos)
Antônia Eugenia do Espirito Santo
1825 19961/PE NI
e Jacinta (serva)
Isabel Maria do Carmo e sua irmã
1825 19962/PE NI
Rita de Jesus
Francisco Ricardo Monte e José
1825 19985/PE NI Francisco Cabral (Ilha de São
Miguel)
Basílio Goncalves Ferreira e filhos:
1825 19990/PE NI Manoel Goncalves Ferreira (18),
José Goncalves Ferreira (16)
206 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Maria Arche da Silva21 e cinco


1825 20011/PE NI
filhos menores de idade
Maria Felícia Soares de Sousa (54)
e filhas: Joana Batista (37), Paulina
Caetana (33), Maria da Penha (18)
e dois genros: José Nunes Lima
(39) e João da Silva Santos (30) e
1825 20017/PE NI
cinco netos: Maria da Penha (12),
Isabel Jerônima (9), Manoel Cae-
tano (12), José Cecílio (10), Antô-
nio Agostinho (6) e duas escravas:
Teodora (30) e Constância (28)
Tabela 4: Relação de passaportes e passageiros no Nordeste Brasileiro,
elaboração do autor, 2020.

Em meio às cartas de requisição de passaportes para indi-


víduos e embarcações vistos em Pernambuco, Maranhão e Bahia,
observei também o relato de ocasiões em que muitos estrangeiros
entravam no país sem os passaportes, como vemos em consulta22
feita em maio de 1733, pelo Conselho Ultramarino ao rei D. João V
sobre o vice rei e capitão-general do Brasil, Conde se Sabugosa,
Vasco Fernandes Cesar de Meneses, ao identificarem que vários
navios continham passageiros sem passaportes, entrando pela
Bahia:

“O Conde de Sabugosa, rei e Capitão general dessas terras do Es-


tado do Brasil em corte de 14 de Janeiro, deste presente ano, dá
conta a V.M. de que aproximadamente entraram naquela Bahia,
três navios do Porto com mais de 700 passageiros, sendo este o
maior interesse do seu frete, por que só de um chamado de São Pa-
trício, ficaram logo em terra oito mil cruzados em mão do Procura-
dor do Senhorio, e assim sucederia aos mais; e por me constar que
todos iam sem o passaporte, mandara prender os Capitães e de-
pois de alguns dias de prisão, se justificaram com não haver naque-
la cidade proibição alguma e por esta razão foram soltos, e que não

21
Maria Arche da Silva, americana com 27 anos de idade, casada com o
português, Félix Vieira da Silva.
22 AHU_ACL_CU_005, Cx. 45 D. 4053, 1733, Maio, 29, Lisboa. Bahia
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 207

procedera contra os passageiros na forma da Lei, por lhe parecer


não estarem incursos nas penas dela, pois se facilitava o seu em-
barque sem nenhum embaraço, diligência ou exame, o que faço pre-
sente a V.M. para resolver o que for servido, e também ponho na
sua Real Presença, que estes passageiros experimentaram grandes
necessidades, assim de água, como de sustento no discurso da via-
gem, por virem os navios carregados e mau providos do necessário,
sem terem cômodo para o seu agasalho, por cuja causa morreram
alguns e padeceram outros (...), o que tudo se faz digno da atenção
de V.M., para explicar a providência de que necessitam prejudicial
desordem.”

Figura 6: Perspectiva da Baia de Todos os Santos e a cidade de Salvador ao fundo. Gravu-


ra de 1648, de autor holandês desconhecido. Domínio público
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A Imigração de Massa (1851-1960)

Este período se caracteriza pela grande quantidade de por-


tugueses pobres, mulheres e crianças órfãs menores de 14 anos,
representando cerca de 20% do total de emigrados. Alguns dos
fatores que contribuíram para esta migração estão: O crescimento
da população, a mecanização de algumas atividades agrícolas,
diminuindo o contingente nas áreas agrícolas e incentivando a
mudança para os grandes centros urbanos e também a migração
para outros países.
Este é o período aonde os pobres minhotos que vinham ao
Brasil, se tornam estigmatizados pela sua ignorância, formando
uma imagem negativa e preconceituosa do imigrante português.
Vemos o aparecimento de livros de anedotas, fazendo críticas à
herança colonial.
O livro do alagoano Júlio
Campina, pseudônimo de Luís Te-
nório Cavalcante de Albuquerque,
intitulado: Subsídio ao Folclore Brasi-
leiro: Anedotas sobre caboclos e portu-
gueses, lendas, contos e canções popula-
res, etc. de 1897. É um exemplo
apontado por Venâncio como uma
“sutil crítica à herança colonial”, ao
equiparar o português aos ignoran-
tes caboclos brasileiros.

Figura 7: Capa do livro Subsidio ao folclore


Brasileiro de Júlio Campina, 1897

E exemplificando a descrição
do minhoto pobre em sua experiên-
cia vivida, destaco o lusitano Rai-
R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 209

mundo José da Cunha Matos23, que faz uma descrição deste por-
tuguês que chegava no Brasil:

“O português pobre, ao desembarcar nos


portos brasileiros, veste polaina de sarago-
ça, (...) e calção, colete de baetão encarna-
do com seus corações e meia (...). Geral-
mente desembarca dos navios com um pau
às costas, duas réstias de cebolas, e outras
tantas de alhos, (...) uma trouxinha de
pano de linho debaixo do braço. Eram
minhotos que, para sobreviver, dormiam
na rua e procuravam ajuda de instituições
de caridade.” Raimundo José da Cu-
nha Matos, 1820.

Figura 8: Raimundo José da Cunha Matos

É apenas durante a segunda metade do século XVIII, que en-


contrei as listas de passageiros de navios (1875-1910) no AN e Fa-

23
Raimundo José da Cunha Matos era Português de Faro, nascido em 2
de novembro de 1776, filho de Alexandre Manoel da Cunha Matos e Isa-
bel Teodora Cecilia de Oliveira. Casou-se com sua prima Maria Venância
de Fontes Pereira de Melo. Seguiu a carreira militar, assentou praça em
1790 na Companhia de Artífices do Regimento de Artilharia do Algarve.
Redigiu suas primeiras obras históricas enquanto servindo nas ilhas São
Tomé e Príncipe. Vai ao Brasil em 1814, como Major, se tornou coman-
dante geral da artilharia de Pernambuco em 1818, foi Comandante de
Armas em Goiás em 1823, sendo promovido a Brigadeiro em 1826 quan-
do foi ao Rio Grande do Sul como recrutador. Propôs, juntamente com o
cônego Januário da Cunha Barbosa, a fundação do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro em 1838. Faleceu em fevereiro de 1839 no Rio de
Janeiro.
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milySearch. É possível encontrar alguma documentação referente a


pedidos de passaportes a partir de 1800 nos acervos do AHU e
alguns Arquivos Distritais Portugueses, acordo extenso trabalho
de Guimarães24. Muitos de nós, temos ancestrais que vieram para
o Brasil em épocas anteriores a este período, tornando um grande
desafio se buscar as listas de passageiros como provas de vida de
nossos antepassados, e a dificuldade em se achar listas de nomes
que sejam anteriores a 1875, aonde grande parte dos nossos indi-
víduos vieram para o Brasil. Conforme pesquisas no Arquivo Na-
cional e FamilySearch, as tais relações nominais, só começam a se
tornar disponíveis para pesquisas no período de 1850-1875 para cá.

A Imigração de Declínio (1961-1991)

A partir de 1930, já é observado um declínio nas migrações,


devido ao desenvolvimento industrial, expansão do mercado de
trabalho europeu, uma política interna de proteção ao trabalho
nacional e o advento da 2ª Guerra Mundial, aonde estavam sus-
pensos os transportes de civis entre os países, que só foi retomado
nos fins de 1960 até o início de 1970, período em que a economia
dava sinais positivos de crescimento, aumentando as ofertas de
trabalho e desestimulando a saída do país.
Alguns dos arquivos que contem informações de entradas
de portugueses para este período, também podem ser pesquisadas
com algumas datas limite. No AN, por exemplo, um outro catalo-
go com dados mais recentes, é o da Divisão de Polícia Marítima,
Aérea e Fronteiras, datados do periodo entre 1875-1974, que man-
tem relações de passageiros de embarcações que chegaram em
portos brasileiros, relações de aviões que aterrissaram em aeropor-
tos vindos de vários estados brasileiros, fichas consulares conten-
do: nome, local, data de nascimento, filiação, profissão, numero de
passaporte, data de embarque e desembarque e foto do imigrante.

De chegadas e partidas, migrações Portuguesas no Pará (1800-1850), GUI-


24

MARÃES, Luiz Antônio Valente, Belém, Para, 2016.


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 211

Alguns pedidos de visto, cartões de serviço de tripulantes maríti-


mos, declarações gerais de passageiros, cartões de embarque, entre
outros.
Uma outra base de dados mais recente, são os prontuários
de registro de estrangeiros do serviço de Polícia Marítima, Aérea e
de Fronteiras25 que constam de dados de diversos estados, com as
seguintes datas limite, que incluímos aqui nesta tabela, o Nordeste:

Acervo do AN - Prontuários de registro de estrangeiros


Estado Datas Limite
Alagoas 1959-1985
Bahia 1939-1986
Ceará 1939-1986
Maranhão 1939-1988
Paraíba 1940-1987
Pernambuco 1938-1986
Piauí 1962-1986
Rio Grande do Norte 1938-1987
Sergipe 1938-1984
Tabela 5: Prontuários de registro de estrangeiros, Fonte: Acervo AN RJ

Nos anos de 1981-1991, com restabelecimento da economia


interna e a integração europeia, acarretando um declínio da fecun-
didade e posterior envelhecimento da população em Portugal, o
Brasil, começou a produzir emigrantes brasileiros fazendo o cami-
nho inverso, que se debandavam para Portugal, fugindo da situa-
ção econômica em nosso país. Portugal começou a tornar-se um
destino migratório atraente, deste então amplamente divulgado na
mídia brasileira.

25
Fontes para Estudos da Entrada de Estrangeiros e de Imigrantes no
Brasil, AN Acervo, Rio de Janeiro, v. 10, n° 2, pp. 223-228, jul/dez 1997.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leitura e análise sistemática dos livros eclesiásticos de an-


tigas Freguesias do Nordeste podem nos fornecer dados importan-
tes sobre a presença de imigrantes portugueses e de seus laços de
parentesco e amizade, quando observamos as relações de compa-
drio com outros patrícios e casamento com os novos brasileiros,
nos ajudando a montar e compreender um cenário histórico de
uma região.
Observando-se as imigrações portuguesas para o Brasil,
desde o início da sua colonização, verifico que dependendo da
época em que nossos antepassados vieram, identificaremos os
possíveis perfis e propósitos de seus empreendimentos na traves-
sia do Atlântico rumo ao Mundo Novo.
Os estudos das fases da imigração também nos ajudam a
saber aonde buscar por fontes sobre nossos antepassados e a saber
o que há disponível para ser pesquisado. Vemos também que atra-
vés das leituras e análises de fontes de informações como o acervo
do Arquivo Histórico Ultramarino pelo Projeto Resgate, podemos
obter informações genealógicas como provas de vida e morte adi-
cionais sobre a movimentação e relações de parentesco de nossos
antepassados e migrações dentro do país, nos trazendo inclusive,
detalhes como profissão, idade, aspectos físicos e eventos ligados
aos seus dados cronológicos.

Doha, Qatar, 27 de outubro de 2020.


R e v i s t a d o I n s t i t u t o P a r a i b an o d e G e n e a l o g i a e H e r á l d i c a | 213

REFERÊNCIAS

Acervo da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres do Cariri de Fora,


Livro de Batizados n.º 2, (1765-1771) e Livro de Batizados n º 3
(1773-1784).
Atlas Geográfico da Paraíba, Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras, UFPB, 1966, João Pessoa.
Primeiros Povoadores do Brasil: o problema dos degredados, COSTA,
Emilia Viotti da, Revista de História, no. 27, Vol. XIII, Ano VII.
Traços da Economia Social e Politica do Brasil Colonial,
F.CONTREIRAS, Rodrigues, Ariel Editora Ltda., Rio de Janeiro,
1935
O Emigrante Português em três romances de Aluízio Azevedo, Disserta-
ção, SILVA, Susana Tavares Bastos de Pinho, Faculdade de Letras
da Universidade do Porto, Junho 2007
Imigração e Identidade: Um estudo sobre as famílias portuguesas no
Rio de Janeiro, Doutorado em Ciências Sociais, PUC-SP, MAIA,
Maria Manuela Alves, São Paulo, 2008.
Exclusão e incorporação: Degredados na Amazônia Portuguesa na
segunda metade do século XVIII, TORRES, Simei Maria de Souza,
Revista de História, 168, São Paulo, 2013.
Degredados e Órfãs: Colonização dirigida pela Coroa no Império
Português, 1550-1755, COATES, Timothy J., tradução de José Viei-
ra de Lima, Lisboa, 1998.
Condenados a viver no Brasil, AMADO, Janaina, Textos de História,
Revista do Programa de pós-graduação em história, UNB, 2011.
Presença Portuguesa de colonizadores a imigrantes, VENÂNCIO, Re-
nato Pinto, Brasil 500 anos de povoamento, IBGE, Rio de Janeiro,
2007.
De chegadas e partidas – Migrações Portuguesas no Para (1800-1850),
GUIMARÃES, Luiz Antônio Valente, Belém, Pará, 2016.
214 | N ú m e r o 2 2 – 2 0 2 0 – I S S N 2594-6684

Traços da Economia Social e Politica do Brasil Colonial, RODRIGUES,


F. Contreiras, Ariel Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1935.
Brasileiros em Portugal, De volta às raízes Lusitanas, BARBOSA,
Alanni e LIMA, Álvaro, Fundação Alexandre de Gusmão, Brasília,
2020.
Fontes para Estudos da Entrada de Estrangeiros e de Imigrantes no Bra-
sil, NA Acervo, Rio de Janeiro, v. 10, n° 2, pp. 223-228, jul/dez
1997.
Índice do Livro de Registros de Passaportes em Recife, (RP 1/1) de 1761
a 1792 e Índice dos Nomes do Livro de Registro de Passaporte (RP1 2/4)
de 1793 a 1830, PONTUAL, Carlos. Blog Genealogia FB, 22 de ou-
tubro de 2014, link:
https://genealogiafb.blogspot.com/2014/07/passaportes-no-
brasil.html - acesso à 30/10/2020.
Freguesia do Cariri de Fora, MEDEIROS, Tarcizio Dinoá, Gráfica
Editora Camargo Soares Ltda., São Paulo, 1990.

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