Você está na página 1de 26

CEM-102 - Termodinâmica dos Materiais

Prof. Everaldo Carlos Venancio

Aula 10
Misturas Simples (cont. – Parte II)
18/10/2021
1
Misturas Simples – Parte II

• As Propriedades das Soluções


• Mistura de Líquidos
• Propriedades Coligativas

• Atividades
• A atividade do solvente
• As atividades das soluções regulares

2
Mistura de Líquidos – Soluções ideais
• Energia de Gibbs total antes da mistura dos líquidos: 𝐺𝑖 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴∗ + 𝑛𝐵 𝜇𝐵∗
• Energia de Gibbs total após a mistura dos líquidos: 𝐺𝑓 = 𝑛𝐴 {𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴 } + 𝑛𝐵 {𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐵 }
• Portanto, a energia de Gibbs da mistura dos líquidos será: ∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝑅𝑇{𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 }
onde n = nA + nB
• A entropia da mistura dos líquidos será: ∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 = −𝑛𝑅{𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 }
• A entalpia da mistura ideal é nula: ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻 = 0 (G = H - TS)

➢ A força motriz da mistura é o aumento da entropia do sistema provocado pela mistura das
moléculas (e ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻 = 0 );

➢ No gás perfeito (ideal) não existem interações entre as moléculas;


➢ Nas soluções ideais há interações; no entanto, em média, as interações A-B na solução são iguais às
interações A-A e B-B nos líquidos puros;

3
Mistura de Líquidos – Soluções ideais
• Soluções reais: são constituídas por partículas cujas interações do tipo A-A, A-B e B-B são todas
diferentes;

• Contribuições possíveis na mistura de dois líquidos:


➢ Contribuição à variação de entalpia;
➢ Contribuição extra à variação de entropia;
❑ As moléculas de um tipo podem ter a tendência a se aglomerarem em lugar de se dispersarem
aleatoriamente entre as de outro tipo;

• Se a variação de entalpia for grande e positiva, ou se a variação de entropia for desfavorável – pela
reorganização das moléculas, que contribui para mistura ordenada – então, a energia de Gibbs de
mistura pode ser positiva;

➢ Portanto, a separação entre os líquidos é espontânea e os líquidos podem ser imiscíveis;


➢ Ou então, podem ser parcialmente miscíveis – o que significa que eles são solúveis apenas sobre
certa faixa de composições;
4
Mistura de Líquidos
Grandezas em excesso e soluções regulares

• Soluções reais: Grandezas em excesso, XE:

➢ A diferença entre uma grandeza termodinâmica observada para a solução e a mesma grandeza
numa solução ideal;

• Entropia em excesso, SE: 𝑺𝑬 = ∆𝒎𝒊𝒔 𝑺 − ∆𝒎𝒊𝒔 𝑺𝒊𝒅𝒆𝒂𝒍 ;


∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 = −𝑛𝑅{𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 }

• A entalpia em excesso e o volume em excesso: são iguais à entalpia de mistura e ao volume de


mistura – pois o valores ideais são nulos;

5
Mistura de Líquidos
Grandezas em excesso e soluções regulares
• Solução regular: é uma solução em que HE  0 mas SE = 0;
➢ É uma solução em que os dois tipos de moléculas distribuem-se aleatoriamente (como no caso
de uma solução ideal) mas têm energias de interação diferentes umas das outras;

▪ Grandezas em excesso obtidas experimentalmente a 25 oC;

✓ HE do sistema benzeno-ciclohexano; ✓ VE do sistema tetracloroetano-ciclopentano;


✓ O processo de mistura dos dois líquidos é ✓ Há contrações em frações molares de tetracloroetano
endotérmico (∆𝑚𝑖𝑠 𝐻 = 0 para uma solução ideal); baixas e expansão em altas frações molares (∆𝑚𝑖𝑠 𝑉 = 0
para uma solução ideal);
expansão

contrações

6
Mistura de Líquidos
Grandezas em excesso e soluções regulares
• Supondo-se que a entalpia em excesso varia com a composição: 𝑯𝑬 = 𝒏𝜷𝑹𝑻𝒙𝑨 𝒙𝑩
➢  é um parâmetro;  = w/RT;
➢ w é uma indicação da energia das interações AB em relação às interações AA e BB;
𝛽

𝐻𝐸
✓ = 𝛽𝑥𝐴 𝑥𝐵 - curva similar à curva experimental apresentada no slide anterior (Figura (a));
𝑛𝑅𝑇

✓  < 0 – o processo de mistura é exotérmico; as interações soluto-solvente são mais


favorecidas do que as interações solvente-solvente e soluto-soluto;

✓  > 0 – o processo de mistura é endotérmico;

➢ A entropia de mistura tem seu valor ideal para uma solução regular;
➢ Assim, a energia de Gibbs em excesso é igual a entalpia em excesso;
➢ Portanto, a energia de Gibbs de mistura será:

∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝑅𝑇{𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 + 𝜷𝒙𝑨 𝒙𝑩 }

𝐻𝐸
= 𝛽𝑥𝐴 𝑥𝐵
𝑛𝑅𝑇
7
Mistura de Líquidos
Grandezas em excesso e soluções regulares
➢ Portanto, a energia de Gibbs de mistura será:

∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝑅𝑇{𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 + 𝜷𝒙𝑨 𝒙𝑩 }


𝛽

✓  > 2 – são observados dois mínimos separados por um máximo;

✓ O sistema se separará espontaneamente em duas fases com composições correspondentes aos


dois mínimos;

✓ Esta separação possibilita uma redução na energia de Gibbs;

∆𝑚𝑖𝑠 𝐺
= {𝑥𝐴 𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 𝑙𝑛𝑥𝐵 + 𝜷𝒙𝑨 𝒙𝑩 }
𝑛𝑅𝑇
8
Propriedades Coligativas
• Elevação do ponto de ebulição (elevação ebulioscópica); Provocadas pela
• Abaixamento do ponto de congelamento (abaixamento crioscópico); presença de um
soluto no solvente
• Pressão osmótica;

• Soluções diluídas: estas propriedades dependem exclusivamente do número de partículas do soluto


presentes e não da natureza das partículas;
➢ Propriedades coligativas: “dependem do conjunto” e não do indivíduo;

• Considerar a seguinte condição:


➢ Que o soluto não seja volátil (não contribui para o vapor da solução);
➢ Que o soluto não se dissolve no solvente sólido – o solvente sólido puro se separa quando a solução é
congelada;

9
Propriedades Coligativas
• Propriedades coligativas: provêm da diminuição do potencial químico do solvente líquido
provocado pela presença do soluto:
𝜇𝐴∗ (solvente líquido puro) → 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴 (solvente líquido na presença do soluto)
𝑙𝑛𝑥𝐴 < 0; xA < 1

• Não há nenhuma influência do soluto sobre o potencial químico na fase vapor ou do solvente
sólido – não existe soluto no vapor ou no sólido (hipóteses adotadas);

➢ Efeito maior sobre o ponto de congelamento – depende das entropias;

➢ Equilíbrio líquido-vapor ocorre em temperaturas maiores (ponto de


ebulição do solvente se eleva);

➢ Equilíbrio líquido-sólido ocorre em temperaturas menores (o ponto de


congelamento do solvente fica menor);

10
Propriedades Coligativas – Elevação Ebulioscópica
• Equilíbrio heterogênio - ebulição: equilíbrio entre o vapor do solvente e o solvente na solução
(a 1 atm de pressão);
• Solvente = A; soluto = B;
• Equilíbrio ocorre em uma temperatura em que 𝜇𝐴∗ (𝑔) = 𝜇𝐴∗ (𝑙) + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴

• Na presença de uma fração molar do soluto de xB provoca um aumento no ponto de ebulição


normal do solvente de T* para T* + T:
𝑅𝑇 ∗2
∆𝑇 = 𝐾𝑥𝐵 𝐾=
∆𝑣𝑎𝑝 𝐻

➢ Esta equação não faz referência à identidade do soluto, mas somente à fração molar xB – então, a
elevação ebulioscópica é uma propriedade coligativa;
➢ T: depende das propriedades do solvente – maiores elevações ocorrerão com solventes que têm
pontos de ebulição elevados;
➢ Como xB é proporcional à molalidade (b) – soluções diluídas – assim:
∆𝑇 = 𝐾𝑒𝑏 𝑏 𝐾𝑒𝑏 = constante ebulioscópica do solvente

11
Propriedades Coligativas – Abaixamento Crioscópico
• Equilíbrio heterogênio : equilíbrio entre o solvente A puro, o sólido, e a solução com o soluto
presente numa fração molar xB;
• Solvente = A; soluto = B;
• No ponto de congelamento, os potenciais químico de A nas duas fases são iguais:
𝜇𝐴∗ (𝑠) = 𝜇𝐴∗ (𝑙) + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴
• Na presença de uma fração molar do soluto de xB provoca uma diminuição no ponto de
congelamento normal do solvente de T*, onde T = T* - T, onde T é o abaixamento crioscópico:
′ ′ 𝑅𝑇 ∗2
∆𝑇 = 𝐾 𝑥𝐵 𝐾 =
∆𝑓𝑢𝑠 𝐻

➢ ∆𝑓𝑢𝑠 𝐻 é a entalpia de fusão do solvente;


➢ Abaixamentos maiores são observados para os solventes que têm entalpias de fusão baixas e
pontos de fusão elevados;
➢ Como xB é proporcional à molalidade (b) – soluções diluídas – assim:
∆𝑇 = 𝐾𝑓 𝑏 𝐾𝑓 = constante crioscópica do solvente
➢ Se 𝐾𝑓 é conhecida, o abaixamento crioscópico pode ser usado para medir a massa molar do soluto;
Crioscopia;
12
Propriedades Coligativas – Solubilidade
• Soluto em contato com o solvente: ocorre dissolução até que a solução esteja saturada;
• A saturação é um estado de equilíbrio – com o soluto não dissolvido em equilíbrio com o
dissolvido;

• Solução saturada – o potencial químico do soluto sólido puro, 𝜇𝐵∗ 𝑠 , é igual ao potencial químico
do soluto B em solução, 𝜇𝐵 , podemos escrever: 𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ (𝑙) + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐵
➢ Queremos determinar a fração molar do soluto B numa solução saturada quando a temperatura é T;
∆𝑓𝑢𝑠 𝐻 1 1
➢ Assim: 𝑙𝑛𝑥𝐵 = −
𝑅 𝑇∗ 𝑇 ∆𝑓𝑢𝑠 𝐻
𝑅𝑇
❑ A solubilidade de B diminui exponencialmente quando a
temperatura diminui em relação à temperatura de fusão;
❑ Solutos com pontos de fusão elevados e entalpias grandes são
pouco solúveis nas temperaturas normais;
❑ O que poderia interferir na aplicação da equação acima? A
idealidade da solução saturada;
❑ Ela não explica o motivo pelo qual a solubilidade de um dado
soluto, em diferentes solventes, ser diferente;

𝑇 ∗ = temperatura de congelamento do soluto 13


Propriedades Coligativas – Osmose
• Passagem espontânea de um solvente puro para uma solução que está separada dele por uma
membrana permeável ao solvente mas não ao soluto;

➢ Pressão Osmótica, : É a pressão que deve ser aplicada à solução para impedir a passagem do
solvente através da membrana semipermeável;

➢ Osmometria: determinação da massa molar pela medida da pressão osmótica – determinação de


massas molares de macromoléculas;

❑ Figura (a):
❑ A contrapressão é provocada pela própria carga da coluna de solução gerada pela própria
osmose;
❑ Equilíbrio é atingido quando: pressão hidrostática da coluna de solução = pressão
osmótica;
❑ Problemas desta montagem: diluição da solução provocada pela entrada do solvente;

➢ Figura (b):
❑ Sistema para medida da pressão osmótica;
❑ Equilíbrio envolvido no cálculo da pressão osmótica, ; entro o solvente puro A, numa
pressão p, numa face da membrana semipermeável e o componente A na solução, na
outra face da membrana, onde a pressão é  + p; Figura (a) Figura (b) 14
Propriedades Coligativas – Osmose
• Análise termodinâmica da osmose:
➢ Considera a igualdade do potencial químico do solvente nos dois lados da membrana
semipermeável, uma vez que tenha sido atingido o equilíbrio;

➢ Para soluções diluídas a pressão osmótica é dada pela equação de van’t Hoff: 𝛱 = B RT
onde [B] = nB/V, a molaridade do soluto;

➢ Aplicação: medidas das massas molares de macromoléculas (polímeros e proteínas);

➢ As macromoléculas se dissolvem e não formam soluções ideais – pode ser assumido que a
equação de van’t seja somente o primeiro termo de uma expansão do tipo virial:
𝛱 = B RT{1 + B B + ⋯ }

Os termos adicionais consideram o comportamento não ideal;


A constante empírica B é o coeficiente osmótico do virial;

15
Atividades – Atividade do Solvente
• Desvios em relação ao comportamento ideal;

• Conceito de atividade;

• Solução ideal: solvente segue a lei de Raoult em todas as concentrações: 𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴

• O estado padrão do solvente é o líquido puro a 1 bar e é obtido quando xA = 1; assim poderemos
reescrever a equação 𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴 como segue:
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑎𝐴
onde aA é a atividade de A; uma espécie de fração molar “eficaz”;

𝑝𝐴
• Podemos então escrever 𝑎𝐴 = ∗
𝑝𝐴

• aA (atividade): é uma grandeza que pode ser determinada experimentalmente pela simples medida da
pressão de vapor do solvente em equilíbrio com a solução;
16
Atividades – Atividade do Solvente
• Quando a concentração do soluto se aproxima de zero, todos os solventes obedecerão a lei de Raoult
(pA/pA* = xA) – a atividade do solvente tende para a fração molar quando xA → 1:
aA → xA quando xA → 1

• Vamos introduzir o conceito de coeficiente de atividade,  :


𝑎𝐴 = 𝛾𝐴 𝑥𝐴  A → 1 quando xA → 1 em qualquer temperatura e sob qualquer pressão

• O potencial químico do solvente será:


𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐴 + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝛾𝐴 estado padrão do solvente: solvente puro líquido a 1 bar, xA=1

17
Atividades – Atividade do Soluto (Soluções diluídas ideais)

• Solutos: tendem para o comportamento ideal em soluções diluídas (lei de Henry), quando xB → 0 e
não quando xB → 1 (que corresponde ao soluto puro);

• Um soluto B que segue a lei de Henry tem a pressão de vapor pB = KBxB, onde KB é uma constante
empírica;

𝑝𝐵 𝐾𝐵 𝑥𝐵 𝐾𝐵
• O potencial químico de B é: 𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛 ∗ = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛 ∗ = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛 ∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐵
𝑝𝐵 𝑝𝐵 𝑝𝐵

• Os parâmetros pB e KB são característicos do soluto;


𝐾𝐵
• Podemos definir um novo potencial químico padrão para o soluto: 𝜇𝐵0 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇𝑙𝑛 ∗
𝑝𝐵

• Portanto:
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑥𝐵 potencial químico do soluto

18
Atividades – Atividade do Soluto (Solutos reais)

• Afastamento do comportamento ideal em solução diluída – afastamento do comportamento da lei de


Henry;
• Adicionamos aB no lugar de xB: 𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇𝑙𝑛𝑎𝐵
➢ O estado padrão não se altera;
➢ Todos os desvios da idealidade estão embutidos na atividade aB;

𝑝𝐵
• Para qualquer concentração: 𝑎𝐵 = e 𝑎𝐵 = 𝛾𝐵 𝑥𝐵
𝐾𝐵
➢ Agora, todos os desvios da idealidade estão embutidos no coeficiente de atividade B;

• O soluto segue a lei de Henry quando a concentração tende a zero:


𝑎𝐵 → 𝑥𝐵 e  B → 1 quando xB → 0 em quaisquer temperaturas e pressões

19
Atividades – Atividade das Soluções Regulares
• Para soluções regulares, os coeficientes de atividade são: 𝑙𝑛𝛾𝐴 = 𝛽𝑥𝐵2 e 𝑙𝑛𝛾𝐵 = 𝛽𝑥𝐴2
Equações de Margules
• Pode ser utilizada para escrever a atividade de A (o solvente) e xB=1-xA:
2 2
𝑎𝐴 = 𝛾𝐴 𝑥𝐴 = 𝑥𝐴 𝑒 𝛽𝑥𝐵 = 𝑥𝐴 𝑒 𝛽(1−𝑥𝐴)
2
• A atividade de A, aA = pA/pA*, teremos: 𝑝𝐴 = {𝑥𝐴 𝑒 𝛽 1−𝑥𝐴 }𝑝𝐴∗

2
❑  = 0: solução ideal (uma reta) – lei de Raoult;  = 0, 𝑒 𝛽 1−𝑥𝐴 = 1; 𝑝𝐴 = 𝑥𝐴 𝑝𝐴∗ ;

❑  > 0: processo de mistura é endotérmico – desfavorável para a interação soluto-


solvente; pressões de vapor maiores do que no caso ideal;

❑  < 0: processo de mistura exotérmico – favorável às interações soluto-solvente;


pressões de vapor menores do que no caso ideal;

❑ xA → 1: todas as curvas tendem à linearidade (lei de Raoult);


2
❑ xA << 1: 𝑝𝐴 = {𝑥𝐴 𝑒 𝛽 1−𝑥𝐴 }𝑝𝐴∗ → 𝑝𝐴 = 𝑥𝐴 𝑒 𝛽 𝑝𝐴∗ Lei de Henry
K = 𝑒 𝛽 𝑝𝐴∗ ,  pode ser determinado a partir de K/pA*
20
Exemplo 1

• A medida das composições das fases líquida e vapor em equilíbrio, de


uma solução binária a 30 oC e 1 atm, mostrou xA=0,220 (fração molar
no líquido) quando yA=0,314 (fração molar correspondente no vapor).
Calcule as atividades e os coeficientes de atividade dos dois
componentes da solução com base na lei de Raoult. As pressões de
vapor dos componentes puros, na temperatura mencionada, são:
pA*=73,0 kPa e pB*=92,1 kPa.

21
Exemplo 1
Solução binária: componente A e componente B;
Composição no vapor: yA=0,314 = pA/(pA+pB), e pA+pB = 1 atm = 760 Torr
Assim: yA=0,314 = pA/(pA+pB) → 0,314 = pA/(pA+pB) → pA = (0,314)x(pA+pB) = (0,314)x(760)
pA = 238,64 Torr

Portanto: pA+pB = 760 Torr = (238,64 Torr + pB) → pB = 760-238,64 = 521,36 Torr

Assim, podemos calcular a atividade de A e de B:


𝑝𝐴 238,64 𝑇𝑜𝑟𝑟 1 𝑎𝑡𝑚 760 𝑇𝑜𝑟𝑟
𝑎𝐴 = ∗ = ∗ → 𝑝𝐴∗ = 73,0𝑥103 𝑃𝑎 =547,55 Torr
𝑝𝐴 𝑝𝐴 101325 𝑃𝑎 1 𝑎𝑡𝑚
𝑝𝐴 238,64 𝑇𝑜𝑟𝑟 238,64 𝑇𝑜𝑟𝑟
𝑎𝐴 = ∗ = ∗ = = 0,436
𝑝𝐴 𝑝𝐴 547,55 𝑇𝑜𝑟𝑟
𝑝𝐵 521,36 𝑇𝑜𝑟𝑟 1 𝑎𝑡𝑚 760 𝑇𝑜𝑟𝑟
𝑎𝐵 = ∗ = ∗ → 𝑝𝐵∗ = 92,1𝑥103 𝑃𝑎 =690,81 Torr
𝑝𝐵 𝑝𝐵 101325 𝑃𝑎 1 𝑎𝑡𝑚
𝑝𝐵 521,36 𝑇𝑜𝑟𝑟 521,36 𝑇𝑜𝑟𝑟
𝑎𝐵 = ∗ = ∗ = = 0,755
𝑝𝐵 𝑝𝐵 690,81 𝑇𝑜𝑟𝑟

Com base nos dados de atividade de A e de B, poderemos calcular os coeficientes de atividade de A e de B (lei de Raoult):
𝑎𝐴 0,436
𝑎𝐴 = 𝛾𝐴 𝑥𝐴 → 𝛾𝐴 = = = 1,98 → 𝛾𝐴 = 1,98
𝑥𝐴 0,220
𝑎𝐵 0,755 0,755 0,755
𝑎𝐵 = 𝛾𝐵 𝑥𝐵 → 𝛾𝐵 = = = = = 0,968 → 𝛾𝐵 = 0,968
𝑥𝐵 1−𝑥𝐴 1−0,220 0,780
22
Exemplo 2

• Na Tabela 1 são apresentados os valores de pressão osmótica de


soluções de poli(cloreto de vinila) (PVC), em ciclohexanona, a 298 K.
As pressões estão expressas em altura da coluna da solução (de
densidade  = 0,980 g cm-3) em equilíbrio com a pressão osmótica.
Determine a massa molar do polímero.

Tabela 1:
c (g L-1) 1,00 2,00 4,00 7,00 9,00
h (cm) 0,28 0,71 2,01 5,10 8,00

23
Exemplo 2
O processo envolve a medida da pressão osmótica para uma série de concentrações c (g L-1);
Assim, a massa molar do polímero é determinada por meio da análise de um gráfico de 𝛱/c em função de c;
Como 𝛱 = B RT{1 + B B + ⋯ }, onde [B] = c/M, onde c = concentração do polímero (em massa) e M a massa molar do
polímero;
A pressão osmótica é igual à pressão hidrostática, ou seja, 𝛱=gh, e g = 9,81 ms-2;

ℎ 𝑅𝑇 𝐵𝑐 𝑅𝑇 𝑅𝑇𝐵
Portanto: = 1+ +⋯ = + 𝑐 + ⋯,
𝑐 𝜌𝑔𝑀 𝑀 𝜌𝑔𝑀 𝜌𝑔𝑀2

Assim, para estimar o valor de M, é necessário fazer o gráfico de h/c contra c;


A partir deste gráfico interpola-se linearmente e extrapola-se a reta obtida até c = 0 (o eixo das ordenadas);
𝑅𝑇
O valor de é a intersecção da reta com o eixo das ordenadas;
𝜌𝑔𝑀

Portanto, com os dados da Tabela 1 é possível fazer o gráfico de h/c contra c:

c (g L-1) 1,00 2,00 4,00 7,00 9,00


h (cm) 0,28 0,71 2,01 5,10 8,00
h/c (cm g-1 L) 0,28 0,355 0,5025 0,7286 0,8889

24
Exemplo 2
Portanto, com os dados da Tabela 1 é possível fazer o gráfico de h/c contra c:

c (g L-1) 1,00 2,00 4,00 7,00 9,00


h (cm) 0,28 0,71 2,01 5,10 8,00
h/c (cm g-1 L) 0,28 0,355 0,5025 0,7286 0,8889

0,9

0,8 𝑅𝑇
O valor de é a intersecção da reta com o eixo das ordenadas:
0,7 𝜌𝑔𝑀

0,6
h/c (cm g L)

𝑅𝑇
-1

0,5
= 0,21 (cm g −1 L)
𝜌𝑔𝑀
0,4

0,3

0,2

0,1

0,0
0 2 4 6 8 10
-1
c (g L )
25
Exemplo 2
𝑅𝑇 𝑅𝑇
Determinamos o valor de , que é a intersecção da reta com o eixo das ordenadas: = 0,21 (cm g −1 L)
𝜌𝑔𝑀 𝜌𝑔𝑀
𝑅𝑇 1
Portanto, 𝑀 =
𝜌𝑔 0,21 (𝑐𝑚 𝑔−1 𝐿)

Precisamos fazer as seguintes conversões:


1g = 1x10-3 kg
1 cm = 1x10-2 m
1 L = 1x10-3 m3
 = 0,980 g cm-3 = 980 kg m-3

Também, 1 J = 1 kg m2 s-2

𝑅𝑇 1 (8,314 JK−1 mol−1 )(298 K) 1


Assim: 𝑀 = =
𝜌𝑔 0,21 (𝑐𝑚 𝑔−1 𝐿) (980 Kg m−3 )(9,81 ms−2 ) 0,21𝑥10−2 x103 x10−3 (m4 kg−1 )
(8,314 JK−1 mol−1 )(298 K) 1 (8,314 JK−1 mol−1 )(298 K) 1
𝑀= = = 122 kg mol−1
(980 Kg m )(9,81 ms ) 0,21𝑥10 x10 x10−3 (m4 kg−1 )
−3 −2 −2 3 (980 Kg m )(9,81 ms ) 0,21𝑥10 (m4 kg−1 )
−3 −2 −2

𝑀 = 1,22x102 kg mol−1 = 1,22x105 g mol−1 = 122 kDa


1 Da (dalton) = 1 g mol-1

26

Você também pode gostar