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FACULDADE ISEIB DE BELO HORIZONTE- FIBH

A importância do lúdico na promoção do ensino aprendizado na Educação Infantil

Professores compartilham experiências exitosas com a utilização da ludicidade

Montes Claros - MG
Setembro de 2021
FACULDADE ISEIB DE BELO HORIZONTE- FIBH

Sabrina Lopes Saraiva Freire

A importância do lúdico na promoção do ensino aprendizado na Educação Infantil

Professores compartilham experiências exitosas com a utilização da ludicidade

PROJETO DE PESQUISA apresentado como


requisito parcial para Conclusão do Curso de Pós
Graduação Lato Sensu/Especialização em
............................................................... sob
orientação da Profª .

Montes Claros - MG
Setembro de 2021

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SUMÁRIO
1. RESUMO ........................................................................................................................… 4

2- ABSTRACT .................………………………………………………………………....… 5

3- INTRODUÇÃO …………………………........................................................................... 6

4- RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................……...........................................… 14

5 - ANÁLISE DE RESULTADOS ………………………………………………………..... 17

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS ………………………………………………………...….. 19

7 - REFERÊNCIAS .................……………………...........................................................… 21

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1 - Resumo

Este artigo tem a finalidade de responder ao seguinte problema: De que modo o professor
pode colaborar para que o lúdico reforce o processo de ensino aprendizagem dos alunos?.
Para responder a esta problemática foram ouvidos cinco professores que trabalham na
Educação Infantil e responderam a questionários que versam sobre a temática desta pesquisa.
A metodologia empregada foi a qualitativa, haja vista que, por conta da pandemia do Covid-
19 e sua alta transmissibilidade, não foi possível um estudo mais elaborado e que houvesse
um universo maior de entrevistados. Foram entrevistados, via email, quatro professores, sendo
três mulheres e um homem quanto a utilização de recursos lúdicos junto aos alunos. Com isso,
pretendeu-se ir de encontro ao objetivo geral de compreender a importância do lúdico como
aliado dos professores no processo de ensino aprendizagem dos alunos. No desenvolvimento
do trabalho foi possível cumprir também os objetivos específicos assim discriminados: citar
estratégias de utilização de recursos lúdicos junto aos alunos; suscitar o debate quanto ao atual
método de ensino em comparação ao antigo representado pela escola clássica tradicional e
evidenciar, a partir de literatura pertinente ao tema, sobre a importância quanto ao uso de
estratégias lúdicas eficazes no ensino aprendizagem. A justificativa para a escolha do tema se
deve pelo fato de muitas publicações abordarem o lúdico, mas não detalharem
suficientemente seus benefícios, necessidades e implicações como este artigo tem o propósito
de evidenciar com base nas respostas dos entrevistados em articulação com as ideias e
pensamentos de autores que discutem o assunto, tais como: Negrine (1994); Matos (2013);
Kishimoto (2001); Fortuna (2000) Friedmann (1996); Araújo (2009); Oliveira (2012); entre
outros.

Palavras-chave: Lúdico; Estratégias; Educação Infantil; Ensino; Aprendizagem

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2. Abstract

This article aims to answer the following problem: How can the teacher collaborate so that playfulness
reinforces the students' teaching-learning process?. To respond to this issue, five teachers who work in
Early Childhood Education were heard and answered questionnaires that deal with the theme of this
research. The methodology used was qualitative, given that, due to the Covid-19 pandemic and its
high transmissibility, a more elaborate study was not possible and that there was a larger universe of
interviewees. Four teachers were interviewed via email, three women and one man regarding the use
of recreational resources with students. With this, it was intended to meet the general objective of
understanding the importance of play as an ally of teachers in the teaching-learning process of
students. In the development of the work, it was also possible to fulfill the specific objectives
described as follows: cite strategies for using playful resources with students; raise the debate about
the current teaching method compared to the old represented by the traditional classical school and
show, from relevant literature on the subject, the importance of the use of effective playful strategies
in teaching and learning. The reason for choosing the topic is due to the fact that many publications
address the ludic, but do not sufficiently detail its benefits, needs and implications, as this article aims
to show based on the respondents' answers in conjunction with the ideas and thoughts of authors who
discuss the subject, such as: Negrine (1994); Matos (2013); Kishimoto (2001); Fortuna (2000)
Friedmann (1996); Araújo (2009); Oliveira (2012); between others.

Keywords: Playful; Strategies; Child education; Teaching; Learning

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3 - Introdução

Atualmente, muitos professores são desafiados quanto a despertar o interesse dos


alunos quanto aos conteúdos ministrados. Não por acaso, alguns educadores têm lançado mão
de estratégias e recursos didático e lúdicos para que o ato de ensinar brincando possa atrair a
atenção dos alunos para o aprendizado. Daí, o presente artigo busca compreender de que
modo a ludicidade pode ser uma aliada no processo de ensino aprendizagem dos alunos,
principalmente nos anos iniciais; fase em que muitos deles dispersam a atenção com mais
facilidade devido a falta de uma maior maturidade.
A escolha de trazer tal tema a discussão justifica-se, portanto, pela sua atualidade e
relevância, de modo que os professores que tiverem acesso a este trabalho, saberão
estabelecer estratégias para um maior engajamento dos alunos nas aulas, já que os preceitos e
ensinamentos da escola clássica tradicional não oferecem a mesma eficiência e eficácia como
em décadas passadas. Hoje o ensino é dinâmico e, sendo assim, exige novas ferramentas de
aprendizagem e uma postura diferenciada dos educadores.
Os jovens estão sintonizados com a tecnologia e modernidade e, diante disso,
deve-se buscar fazer parte desse universo propondo atividades em que os alunos possam
exercitar o raciocínio lógico e a compreensão mais apurada do porquê das coisas e não
somente decorarem ou permanecerem numa sala ouvindo os professores por vários horários
sem que aquilo possa ser realmente absorvido para a vida prática deles.
O foco desse trabalho é a Educação Infantil que pode ser considerada como a base
de formação sócio-educativa para a cidadania do indivíduo. Nos primeiros anos da escola, a
educação voltada ao lúdico colabora para a interação social dos seus participantes, haja vista
que leva as crianças a se sentirem parte de um grupo no qual trocam experiências, conseguem
se identificar com alguns colegas a partir das afinidades e percebem a importância da
coletividade a partir das brincadeiras e dos momentos em que prestam atenção nas
explicações dos professores. A partir disso, reforçam os laços sociais num universo que,
apesar de novo, transcende o espaço doméstico familiar alcançando uma nova dimensão. No
começo, o estranhamento natural que muitos sentem, mas depois alguns alunos se sentem
como se estivessem em casa. Para isso ocorrer, a contribuição do professor também é
igualmente importante ao propor atividades prazerosas e que despertem a atenção de todos
para o seu ensinamento.
Entre os objetivos para a escolha desse tema para responder ao seguinte problema:
"De que modo o professor pode colaborar para que o lúdico reforce o processo de ensino
aprendizagem dos alunos?", elencamos o geral: Compreender a importância do lúdico como

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aliado dos professores no processo de ensino aprendizagem do alunado. Já entre os objetivos
específicos: Citar estratégias de utilização de recursos lúdicos junto aos alunos; Suscitar o
debate quanto ao atual método de ensino em comparação ao antigo representado pela escola
clássica tradicional e evidenciar, a partir de literatura pertinente ao tema, sobre a importância
quanto ao uso de estratégias lúdicas eficazes no ensino aprendizagem.
A metodologia empregada para a presente investigação científica é baseada no
estudo de vasta bibliografia pertinente ao tema apresentado com a leitura de obras de autores
que debatem o tema, entre os quais: Kishimoto (2001); Friedmann (1996); Araújo (2009);
Oliveira (2012); entre outros. Infelizmente, diante da pandemia do Novo Corona Vírus, não
foi possível realizar um estudo mais aprofundado com o estudo de campo através de pesquisas
quantitativas com a aplicação de questionários mais detalhados, haja vista que os
estabelecimentos de ensino também precisaram se adaptar ao chamado novo normal e as aulas
passaram a ocorrer de modo remoto e, mais tardiamente, no sistema híbrido, mas com poucos
estabelecimentos aderindo a esta última modalidade. Por isso preferimos ouvir quatro colegas
professores, sendo três mulheres e um homem a respeito da importância do lúdico junto ao
ensino de alunos da Educação Básica. Preferimos enviar cinco perguntas por email que foram
respondidas após a explicação de que os dados levantados serviriam para subsidiar o presente
artigo com a confidencialidade dos atores ouvidos para esta investigação.
A opção por um homem também se deve a necessidade de averiguar se, assim
como as mulheres, eles se posicionam de forma semelhante ou não quando o assunto é a
utilização do lúdico junto aos alunos e se ele também vê alguma vantagem na aplicação dessa
estratégia como forma de obter uma maior atenção para os conteúdos ministrados em relação
ao modo ultrapassado de ensino da escola clássica tradicional.
Essas entrevistas também foram analisadas a luz de autores consagrados que
debatem o tema da ludicidade e suas implicações na Educação Básica e que também
colaboram para uma reflexão mais apurada quanto ao tema conforme as considerações mais
pertinentes de cada um relacionando-as a opinião dos entrevistados.
Para os acadêmicos de Pedagogia, o estudo e a utilização do lúdico contribuem
para a construção da aprendizagem e, durante sua formação, consigam acessar um
conhecimento mais detalhado referente ao tema aqui tratado e consigam ampliar o olhar
quanto a utilização do lúdico quando se tornarem professores formados.
Já para os profissionais da área, o artigo justifica-se como mais um meio para o
qual poderão se valer quando precisarem lançar mão do lúdico em suas aulas e, após a leitura
das considerações aqui realizadas, terão ainda mais segurança para aplicarem essas estratégias
junto aos alunos facilitando todo o processo de ensino aprendizagem deles. Para a sociedade,
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publicações como essa são muito importantes na medida em que existem poucos trabalhos
que destacam com mais profundidade a respeito do uso do lúdico e suas implicações práticas
nas mais diferentes vertentes, como elevar a concentração dos alunos; acalmá-los; propiciar
momentos de interação e sociabilização; fazer frente ao ensino clássico tradicional em que o
aluno é um mero recebedor de conteúdo e o professor um transmissor sem que haja uma
reflexão e interação maior entre esses atores e o desenvolvimento lógico e crítico da criança
nos primeiros anos preparando-a melhor para o mundo competitivo que se avizinhará para
todas. É necessário dosar a quantidade de informações, mas, ao mesmo tempo, saber repassá-
la de modo que os alunos compreendam o seu uso no futuro e o porquê de estarem ali
aprendendo várias coisas e não se questionem quanto ao porquê de estarem aprendendo algo
que lhe pareçam ser sem sentido algum.
Por fim, para a escola, tal investigação apontará para a importância do lúdico no
fazer docente cotidiano. Não por acaso, atualmente, vários professores têm lançado mão até
mesmo de canais em plataformas como o YouTube para alcançarem um público ainda maior
para brincadeiras com o propósito não apenas de entreter, mas de ensinar a todos os alunos
também. A prática docente associada de ferramentas como essa trazida ao debate por esse
artigo se traduz como de fundamental importância, uma vez que já se tornou realidade do
cotidiano de muitas escolas pelo país afora e os próprios alunos estão mais exigentes quando
solicitam dos professores os jogos eletrônicos ou as aulas de Artes que os ensinam a produzir,
por exemplo, instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis. Portanto, o lúdico ou a
chamada gamificação do ensino é uma realidade a qual muitos professores precisam estar
atentos a prática para não se sentirem ultrapassados ou sofrerem com a resistência dos alunos
em querer aprender. Por isso, a utilização do lúdico deve se fazer presente em suas ações
pedagógicas.
Por fim, a influência para a realização desse estudo foi a partir de uma motivação
pessoal surgida ainda na graduação de Pedagogia, quando ainda no decorrer dos estágios na
Educação Infantil vi que as estratégias lúdicas surtiram muito mais efeito que as aulas
expositivas em que o aluno não era induzido a participar. A criatividade dos professores em
proporem atividades criativas e com a participação de todos os alunos elevou o interesse deles
e conseguiu-se, a partir disso, fazer com que sentissem mais prazer nas aulas ministradas e
muitos até pediram para repetir certas brincadeiras como a da memória, por exemplo.
A metodologia para a realização do trabalho vai de encontro a necessidade de
apontar os fenômenos atuais que dificultam os professores alcançarem a atenção dos alunos.
Alguns dos entrevistados para esse artigo se queixaram, por exemplo, da disputa com
conversas paralelas e até mesmo do material escolar que se transforma num brinquedo quando
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o aluno resiste ao que está sendo proposto em termos de conteúdos pelos professores. Diante
disso, muitos deles utilizam a bolsa de lápis como carrinho; alguns retiram os cadernos e
encobrem a cabeça com as mochilas; outros querem merendar antes da hora e por ai vão se
sucedendo atos de resistência confundidos por muitos professores como indisciplina.
Para subsidiar o presente artigo lançamos mão de alguns autores consagrados
quanto a discussão das novas formas de ensinar frente ao modo retrógado e ineficiente de
algumas práticas ainda utilizadas por alguns professores ainda alinhados aos preceitos e
técnicas da escola clássica tradicional. Entre os autores que fazem frente aos preceitos dessa
escola citamos Fortuna (2000) Friedmann (1996); Araújo (2009); Oliveira (2012), entre
outros que colaboram para a compreensão mais detalhada quanto a tão relevante tema.
Além da pesquisa a vasto material bibliográfico, também foram realizadas
entrevistas abertas com quatro professores da Educação Infantil com idades entre 23 e 41 anos
de idade, sendo três mulheres e um homem quanto a percepção a respeito do lúdico no
exercício profissional cotidiano de sala de aula. Foram realizadas cinco perguntas na seguinte
ordem: 1 - Quanto tempo você trabalha na Educação Infantil? 2 - Você utiliza recursos
lúdicos junto aos alunos? 3 - Caso utilize, quais os benefícios alcançados com essa prática? 4 -
Entre os recursos lúdicos, quais você mais utiliza então? 5 - Como as crianças costumam se
comportar ao receberem essas atividades lúdicas?
Os professores responderam aos questionamentos e nos retornaram os emais com
as respostas as quais mostraremos aqui as mais pertinentes ao tema com a identidade de cada
um deles sendo preservada conforme foi deixado claro no contato estabelecido com cada um
justificando o trabalho com base num artigo que trata sobre o tema e os objetivos a serem
alcançados pelo mesmo. Não houve dificuldade quanto a isso e todos colaboraram de forma
positiva e ativa com suas respostas para que conseguíssemos chegar a excelência dos
resultados obtidos com esta investigação científica.
De um modo geral, no decorrer da história, segundo considerações de Araújo
(2009, p. 132), “o brincar e jogar, sobretudo quando relacionados com as atividades escolares,
aparecem quase sempre como atividades secundárias”. Em outras palavras, tais
comportamentos eram vistos como algo de pouca importância, ou seja, apenas um lazer
desassociado de uma causa maior que é o aprendizado; o desenvolvimento da coordenação
motora; a socialização com o outro; entre outras vantagens proporcionados pelo ato da
brincadeira.
Por meio das brincadeiras e da realização de jogos, a criança alcança tudo que é
vital para seu desenvolvimento, sua criticidade, humanidade e cidadania. Quando ela tem
acesso, por exemplo, a brincadeiras relativas a trânsito, aprenderá que não se pode avançar o
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sinal vermelho. Quando o professor ensina sobre a importância de tomar vacina, conhecerá a
importância do ato que protegerá não somente a ela, mas aos familiares e coleguinhas também
e por ai vai a relação de causa e consequência das coisas que também pode ser descortinada
através de brincadeiras, inclusive aproveitando discussões do momento como a vacinação
contra a Covid-19 situando o porquê da vacinação e estabelecendo a imunização com algo
que já é do conhecimento do aluno como o “Zé Gotinha”.
As brincadeiras e os jogos não podem, portanto, ser ignorados no processo de
ensino aprendizado dos alunos, já que, através deles, eles conseguirão ter uma visão mais
ampla do mundo, bem como dos seus fenômenos. É o aprender brincando que se traduz para
os alunos algo mais prazeroso que aulas expositivas em que muitos sequer podem interagir e
são obrigados a adotarem uma postura de ouvintes sem poderem interagir com os colegas em
conversas que são classificadas como paralelas.
Ainda sobre a importância das brincadeiras, jogos e atividades lúdicas em geral,
Oliveira (2002, p. 230) atesta em suas considerações que: “o jogo infantil tem sido defendido
na Educação Infantil como recurso para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças”.
Soma-se a isso o fato de que se utilizado de modo positivo, poderá incrementar ainda mais a
aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. Outro autor que concorda com Oliveira, neste
sentido, é Kishimoto (2001) “(...) ao atender necessidades infantis, o jogo infantil torna-se
forma adequada para a aprendizagem dos conteúdos escolares.” Daí, não se pode ignorar o
poder das brincadeiras e jogos nesse processo de ensino aprendizagem. A criança é, por
natureza, um ser curioso e que gosta de se deixar envolver por um mundo de descobertas
propiciado pelo universo dos jogos, ainda mais quando os mesmos são desenvolvidos junto a
seus pares.
Organizar uma sala em equipes desenvolvendo uma competição saudável com
direito a premiação e elogios cria um ambiente saudável e salutar para que os alunos tenham
cada vez mais interesse em relação ao que lhes é ensinado pelos professores. Além disso, o
aluno é familiarizado com a importância tanto do ganhar quanto do perder. Haja vista que,
quando ocorre a perda, a criança demonstra desapontamento e se sente culpada de não ter
obtido a vitória. Daí, o professor atua também na esfera humanística da formação educacional
ao conscientizar os alunos de que com a derrota também é possível extrair algo de positivo
para a vida em que, noutras situações, nem sempre haverão vitórias e que as derrotas fazem
parte da ordem natural da existência humana.
O professor necessita, portanto, ser um mediador da aprendizagem no sentido de
que toda a brincadeira represente um ensinamento para a vida e também se traduza numa
experiência aliada ao prazer e acompanhada de noções importantes para a prática cotidiana da
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criança. A necessidade, por exemplo, de andar no passeio ao invés do asfalto. De evitar levar
a boca substâncias desconhecidas ou que estranhos ofereçam; de sempre recorrerem aos
adultos quando necessitarem cortar algum alimento ou processá-lo no fogão; entre outras
situações práticas do dia a dia em que a educação também funcionará para resguardar e
proteger as crianças. Diante disso, pode-se compreender a figura do professor não apenas
como sendo um conteudista, mas também de um educador que irá colaborar com a formação
integral do aluno, principalmente diante da contemporaneidade na qual os pais ou
responsáveis se fazem cada vez mais ausentes de casa e hipotecam a escola o dever de ensinar
de noções de higiene a sexualidade, entre outras demandas, cuja missão de repassar recai
sobre os professores.
Ao longo do tempo, a criança, inclusive, passou a ser compreendida como sendo
alguém com múltiplas necessidades e não como um "mini adulto". Tanto é que as Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação infantil determinam a criança como se tratando de
um:

(...) sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas


cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca,
imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e
constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (Brasil,
2010, p. 12).

Vê-se ai uma concepção abrangente do que a criança representa necessitando


articular, planejar e propor estratégias que venham de encontro as suas peculiaridades. Além
disso, associar a ludicidade a seu conhecimento de mundo com atividades que tenham a ver
com o seu contexto cultural e social. Negrine (1994, p. 20) afirma, concordando com essa
necessidade, que "quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história,
construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica". Ou seja é
essencial que o professor saiba se o aluno tem contato e interação com o meio familiar, social,
cultural para só assim elaborar sua didática e desenvolver suas atividades. Não se pode
elaborar, por exemplo, uma proposta que seja muito sofisticada para alunos oriundos de um
universo de pouca informação ou que permita ter tido acesso a experiências que os orientem
na compreensão a respeito de propostas que fogem dessa visão de mundo mais simplista que
possuem. Daí, a atividade proposta não será compreendida em sua integralidade e não se
chegará ao resultado proposto. O professor precisa, então, oferecer atividades que sejam de
fácil assimilação e de conhecimento geral, além de serem factíveis quanto a sua realização.
Soma-se também o fato de que o contato com os colegas é vital para o
desenvolvimento afetivo e social das crianças. Nas brincadeiras propostas pelos professores,
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muitas são em equipe, fato que colabora para a socialização dos alunos que aprendem, na
prática, que várias cabeças ajudam a pensar melhor que uma e que não se consegue chegar a
lugar algum sozinho. Outra questão importante é que, a partir das brincadeiras, os alunos se
vêm desafiados a encontrarem uma saída para determinada problemática e a contarem com os
colegas para se chegar ao resultado esperado indo de acordo a visão de Piaget (1988, p.59) a
respeito das atividades lúdicas: “Os jogos não são apenas uma forma de entretenimento para
gastar energias da criança, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento
intelectual.”. Sendo assim, o lúdico também funciona como um importante instrumento de
exercício e incentivo a solidariedade; espírito de equipe; respeito as diferenças (já que uns tem
mais facilidade que os outros de se chegar a resposta ao desafio proposto levando ao
conhecimento e respeito a cada diferente ritmo); competição saudável; respeito às regras e a
autoridade do professor que irá proporcionar e fiscalizar se as regras estão sendo cumpridas a
contento. Sobre isso, Friedmann (1996, p.41) afirma que: “Os jogos lúdicos permitem uma
situação educativa cooperativa e interacional, ou seja, quando alguém está jogando, está
executando regras do jogo e, ao mesmo tempo, desenvolvendo ações de cooperação e
interação que estimulam a convivência em grupo.” Concordando ainda para essa realidade o
que diz a Base Nacional Comum Curricular a esse respeito, sendo entre os direitos da criança:
“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes
parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais,
seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais,
corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais”. (BRASIL, 2017, p. 38).
Com base nessa realidade, caberá então ao professor articular as atividades para que os
resultados propostos estejam em conformidade ao preconizado pela Base Nacional Comum
Curricular. Concordando com a BNCC, Negrine afirma que:

As contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral indicam


que elas colaboram poderosamente no desenvolvimento global da criança e
que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a
afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, sendo a
afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica,
moral, intelectual e motriz da criança. (NEGRINE, 1994, p.19).

Com base nessa realidade, não se pode ignorar o poder dos jogos e das
brincadeiras na tarefa de ensinar e educar. Tais instrumentos colaboram para o pensar; assim
como no desenvolvimento do raciocínio lógico e da criticidade dos alunos.

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O ato de brincar também pressupõe que as crianças estejam livres e completamente
autônomas para demonstrarem toda sua capacidade de interação e de sobressaírem diante dos
desafios propostos. Por isso o professor deve garantir total liberdade aos alunos, inclusive, o
direito ao erro. Sobre isso, Araújo ( 2009), explica o seguinte:

Muitas vezes, os adultos não deixam as crianças a vontade nas suas


brincadeiras, tecendo até considerações sobre a sua importância, para depois
lhe proporem outras atividades, consideradas mais relevantes para sua
formação. Neste sentido, o brincar aparece muitas vezes, aos olhos destes
adultos, como secundário e pouco relevante. (ARAÚJO, 2009, p.137)

Além dessa visão de que a brincadeira precisa ser vista como algo importante e
vital no desenvolvimento infantil, não se pode confundir esse momento como um mero lazer e
sim um complemento aos diversos conteúdos trabalhados em sala de aula traduzindo-se ainda
num direito que assiste à criança, conforme defende Araújo (2009, p.138): “Para as crianças,
contudo, brincar é uma necessidade fundamental. Por isso, não se trata de permitir que a
criança brinque, mas de perceber que brincar é um direito. Os tempos livres das crianças
pertencem-lhes integralmente”. Então, esse tempo sagrado que lhe são de direito precisa ser
respeitado e cumprido.
Outra característica importante no direito a brincadeira diz respeito ao espaço para
a sua realização. Locais ao ar livre são de fundamental importância para que os alunos
estejam em contato com o meio ambiente respirando o ar puro e também fora do ambiente de
sala de aula que em muitos momentos pressupõe uma formalidade em detrimento a liberdade
e participação que a figura de autoridade do professor contrapõe. O pátio, a biblioteca, a sala
de recursos, a quadra, o campinho de futebol e até mesmo o exterior da escola, desde que
seguro sem fluxo de veículos, podem se traduzir em importantes espaços para que a
brincadeira flua e todos se sintam convidados e a vontade para participarem. Essa
preocupação quanto ao espaço a ser utilizado vem de encontro também ao que prega o
Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998, p.69), quanto ao seguinte: “Na
área externa, há que se criar espaços lúdicos que sejam alternativos e permitam que as
crianças corram, balancem, subam, desçam e escalem ambientes diferenciados, pendurem-se,
escorreguem, rolem, joguem bola, brinquem com água e areia, escondam-se etc”.
Neste próximo tópico intitulado de Resultados e Discussão, iremos apresentar as
considerações dos professores entrevistados para a realização deste artigo científico.

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4 - Resultados e Discussão

Para subsidiar este trabalho, buscamos ouvir quatro professores que atuam nos
anos iniciais da Educação Infantil e cujas impressões permitem revelar a visão que possuem a
respeito dos benefícios alcançados pelas propostas lúdicas. Optou-se por três professoras e um
professor com idades de 23 a 41 anos, todos lotados em escolas públicas da rede municipal de
ensino de Montes Claros. Por razão da transmissibilidade do Novo Corona Vírus, optou-se
pelo envio de cinco perguntas por email que foram respondidas após o tempo estipulado para
a entrega das respostas.
A professora que aqui chamaremos de P.A. (Professora A), de 23 anos, respondeu
da seguinte formas as seguintes questões: 01: Quanto tempo você trabalha na Educação
Infantil? "Há um ano e meio". 2 - Você utiliza recursos lúdicos junto aos alunos? "Sim,
sempre fiz uso deles porque sei que os alunos se sentem mais interessados e motivados a
participarem das aulas" 3 - Caso utilize, quais os benefícios alcançados com essa prática?
"Como disse, despertar um maior interesse deles para o ensino dos conteúdos de modo
prazeroso e que incentive a participação de todos". 4 - Entre os recursos lúdicos, quais você
mais utiliza então? "Geralmente utilizado jogos fabricados a partir de material reciclado,
como tampinhas de garrafa pet coloridas para o ensino da Matemática e a mesma garrafa ou
outra de plástico (caracterizada de porco espinho) para a introdução de palitos de churrasco ou
picolé para que elas aprendam visualmente as operações matemáticas ao retirarem ou
acrescentarem os pauzinhos nos espaços correspondentes". 5 - Como as crianças costumam se
comportar ao receberem essas atividades lúdicas? "Elas se sentem felizes e desafiadas a
participarem compartilhando desse momento ao lado dos coleguinhas".
Já a Professora B (P.B.), que disse ter idade de 41 anos, não foi muito diferente
nas respostas em relação a colega P.A, mesmo possuindo mais tempo de docência. 1 - Quanto
tempo você trabalha na Educação Infantil? "Desde 2000, então quase 21 anos na área". 2 -
Você utiliza recursos lúdicos junto aos alunos? "Antigamente não importava muito com o uso
de brincadeiras. Mas nos últimos dez anos, passou a ser uma tendência muito usal na
Educação Infantil. Particularmente deu muito certo comigo e com muitos outros colegas
nossos. Tem aluno que pede a mãe para não deixar faltar a aula, tamanho o interesse quanto a
essa forma de ensinar. Então, realmente, foi algo que veio para ficar e nos ajudar muito
também". 3 - Caso utilize, quais os benefícios alcançados com essa prática? "Percebo que as
brincadeiras são um chamativo para o aluno participar mais das propostas pedagógicas. É
também uma fuga ao lugar comum dos exercícios e do "para casa". Eles até nos questionam
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se haverá brincadeira quando notam que a aula do dia está chegando ao fim tamanho o gosto
que sentem por esse tipo de atividade". Entre os benefícios está esse maior interesse deles e a
facilidade em nos auxiliar no repasse dos conteúdos de forma prazerosa com maior
aproveitamento quanto ao rendimento escolar dos alunos". 4 - Entre os recursos lúdicos, quais
você mais utiliza então? "A gente fez recentemente uma simulação com eles das regras de
trânsito em que puderam trazer carrinhos e bonecos de casa, no caso dos meninos, e bonecas
no caso das meninas. Ai criamos uma situação real de trânsito com semáforo, faixa de
pedestres e sinalização de placas e aquela do chão. Ai eles puderam conhecer, na prática, os
direitos e deveres dos motoristas e dos pedestres representados pelos carrinhos e bonecos.
Outra brincadeira foi a do dinheiro de mentirinha em que simulamos um mercadinho com o
preço dos produtos. Pedimos que trouxessem frascos vazios de shampoo; caixa de fósforo;
sabão em pó; entre outros e como se fosse numa venda real, iriam comprar os produtos
pagando com as cédulas de brinquedo. Ai conseguimos trabalhar a noção de grandeza e valor
matemático com eles". 5 - Como as crianças costumam se comportar ao receberem essas
atividades lúdicas? "Elas se sentem muito empolgadas, desafiadas e dispostas a participarem.
Todas querem ganhar e trabalham em equipe para isso, mesmo se encontrando num processo
de reconhecimento quanto a importância do trabalho em equipe".
A professora C (P.C.), de 27 anos, foi mais objetiva nas respostas. 1 - Quanto
tempo você trabalha na Educação Infantil? "Exerço a profissão a cinco anos e meio" 2 - Você
utiliza recursos lúdicos junto aos alunos? "Sim, na maioria das vez". 3 - Caso utilize, quais os
benefícios alcançados com essa prática? "O poder de concentração deles aumenta;
extravassam a energia de forma positiva sem tumultuarem o ambiente e dão menos trabalho
para aprenderem sobre os conteúdos". 4 - Entre os recursos lúdicos, quais você mais utiliza
então? "Jogo da memória com gravura de bichos; desenhos do quarto, casa, escola e rua onde
moram para ajudar a identificar e a se situarem nos espaços que ocupam e montar histórinhas
com recortes de revistas em quadrinhos para aguçar a critividade e incentivar a identificação
dos personagens e o contexto da história". 5 - Como as crianças costumam se comportar ao
receberem essas atividades lúdicas? "Elas ficam mais disciplinadas, já que precisam de mais
tranquilidade para raciocinarem e são muito participativas também". Por fim, o único homem
entre os entrevistados, de 29 anos de idade, que optamos em apresentar como Professor C
(P.C.), respondeu da seguinte forma: 1 - Quanto tempo você trabalha na Educação Infantil?
"Tem sete anos que trabalho como professor" 2 - Você utiliza recursos lúdicos junto aos
alunos? "Com certeza, sempre usei, e hoje é impossível não fazer o uso deles, já que você
compete com a tv e o celular. Muitos, mesmo sendo bem novos, têm muita facilidade em
manusearem um celular". 3 - Caso utilize, quais os benefícios alcançados com essa prática?
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"Reparo que entre os benefícios estão o maior controle da sala, já que precisam prestar
atenção nas instruções e evitarem conversas desnecessárias para alcançarem a vitória ou o
resultado planejado. Também é muito comum assimilarem melhor os conteúdos que com as
explicações que não estão associadas ao visual. Não adianta só ficar falando. É importante
contextualizar com jogos e brincadeiras, já que a criança é muito visual e quando não se tem
esse recurso, elas costumam dispersar mais facilmente na atenção". 4 - Entre os recursos
lúdicos, quais você mais utiliza então? "Gosto de fazer uso da música e contar historinhas
para associarem um aprendizado a ambos recursos e a dinâmica de desenhos sobre uma
historinha que gostaram de ler ou sobre o que fizeram no final de semana para depois
explicarem o porquê dos traços desenhados e coloridos. Também tenho um fantoches que
aprendi a fazer no Youtube com produto reciclável e uso para contar historinhas sempre com
uma moral da história ao final carregada de mensagens de civilidade e cidadania como o
respeito as diferenças raciais ou de opinião, como o menino que gosta de azul e o outro de
rosa e nem por isso eles se estranham ou se desrespeitam e por ai vai". 5 - Como as crianças
costumam se comportar ao receberem essas atividades lúdicas? "Em geral, elas se sentem
estimuladas e felizes ao participarem daquilo o que sabem fazer de melhor nessa fase da vida:
brincar".

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5 – Análise dos Resultados

Como visto nas respostas dos quatro professores, que, de modo unânime, utilizam
o lúdico nas suas práticas pedagógicas, tais recursos são uma realidade necessária na prática
docente e, sem a qual, não se consegue alcançar a integralidade do ensino aprendizagem. Para
Matos (2013), a conscientização quanto ao uso do lúdico precisa ocorrer ainda no processo de
formação do professor.

Uma das formas de repensar a formação dos educadores é introduzir nos


cursos de formação uma base e uma estrutura curricular: a formação lúdica.
Essa formação levará o futuro educador a conhecer-se como pessoa, saber de
suas limitações e possibilidades, para quando este estiver atuando em sala de
aula, saberá a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, do
jovem e do adulto. Quanto mais o educador vivenciar a ludicidade, maior
será o seu conhecimento e a chance de se tornar um profissional competente,
trabalhando com a criança de forma prazerosa estimulando a construção do
conhecimento. A formação lúdica fará com que o adulto viva, conviva e
resgate o prazer e a alegria do brincar, transpondo assim esta experiência
para o campo da educação". (MATOS, 2013, p.139).

Essas considerações deste autor se encontram em sintonia com o que foi dito pelos
professores. Nas respostas, demonstram quais os caminhos a serem seguidos para que os
alunos consigam compreender os conteúdos a serem trabalhados de forma prazerosa e feliz
como alguns dos educadores disseram. Foi possível identificar que todos conseguiram
alcançar os objetivos propostos junto aos alunos através das atividades realizadas com o
envolvimento representativo deles. É o aprender brincando de que tratamos no início deste
artigo. Porém, não uma brincadeira desconectada do propósito maior de ensinar. Mas sim
pensada, planejada e articulada com os propósitos da BNCC contemplando as diferentes áreas
do saber.
Outro aspecto relevante e que nos chama a atenção nas respostas foi de que a
criança é mais visual e que o aprendizado é facilitado a partir do momento em que se associa
o conteúdo a uma brincadeira em vez de uma aula expositiva. Daí o fato dos professores
detalharem as brincadeiras que costumam utilizar junto aos alunos, como teatrinho de
fantoches; jogo da memória; representação de fatos cotidianos através de desenhos; músicas
para alcançar o aspecto sensorial e motor das crianças; entre outras estratégias verificadas por
eles como sendo eficazes quanto o seu uso junto aos alunos. Chamou ainda a atenção o fato
de dois deles fazerem menção quanto ao aproveitamento de objetos descartáveis para a
confecção de materiais lúdicos. Desse modo, desde cedo, os alunos são levados a aprimorar a
consciência ambiental de que existem locais adequados para o descarte desses produtos e que

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uma forma de retirá-los do meio ambiente é garantindo outra destinação a eles, como a
confecção de brinquedos como carrinhos, porcos espinhos; vassouras ecológicas; entre outros
ajudando a preservar o meio ambiente, já que o plástico pode consumir até milhões de anos
para se decompor. Então conceitos relacionados a consciência ambiental, como também evitar
o desperdício de água e sua finitude enquanto recurso hídrico, também podem ser trabalhadas
a partir dessas brincadeiras e até mesmo a respeito das fontes alternativas de energias como a
eólica através, por exemplo, do ensinamento quanto a fabricação de um catavento.
A essa associação entre conhecimento e consciência cidadã através de jogos e
brincadeiras, Fortuna (2000, p. 83), argumenta que: "Além de possibilitar a compreensão da
aprendizagem e desenvolvimento humano, o jogo gera, também, o desenvolvimento da rede
de significados posta no ensino-aprendizagem, ascendendo á condição de atividade séria e, ao
mesmo tempo, prazerosa sem ser descomprometida". Ou seja, desde de tenra idade, já é
possível levar os alunos a refletirem sobre a vida na terra e o que pode ser feito para sua
preservação. Muitos, inclusive, funcionam como multiplicadores desse conhecimento junto
aos familiares ao lembrarem que aprenderam na escola que não se pode desperdiçar água
porque um dia ela poderá faltar a todos que precisam incluindo ela.

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6 - Considerações Finais

O lúdico é mais que uma estratégia para a promoção do ensino aprendizagem das
crianças. Trata-se de uma realidade que a cada dia se faz mais necessária. Diante da
modernidade, incluindo os jogos eletrônicos, a televisão, os celulares e seus incontáveis
aplicativos, cabe ao professor estar em sintonia com essa gama de recursos tecnológicos. Na
opinião analisada junto aos professores quanto a utilização do lúdico junto aos alunos, pode-
se comprovar que a escola contemporânea precisa estar em sintonia com essa nova realidade.
A aula expositiva por si só não ensina mais como antigamente. É necessário ir além
contextualizando com algo que seja de fácil assimilação e em conformidade com a realidade
social e cultural dos alunos para que tenham uma familiarização e identificação maior com a
proposta lúdica.
Trabalhar a transversalidade, conforme prega o Referencial Curricular Nacional
para a Educação (RECNEI), também é um caminho importante para a integração de diferentes
conteúdos no processo ensino aprendizagem. Noções de higiene e cuidados pessoais,
cidadania, consciência ambiental; culturais; locais; regionais e nacionais são de extrema
importância para aguçar o senso crítico dos alunos. Portanto, as brincadeiras propostas
precisam estar articuladas com diferentes áreas do saber como Ciências, Geografia,
Português, Produção de Texto; Matemática; entre outras para que os resultados sejam tão
factíveis quanto o estudo baseado nas tradicionais aulas expositivas e no acompanhamento de
livros didáticos ou paradidáticos.
A máxima de aprender brincando precisa estar contextualizada e amparada por
uma proposta que esteja em sintonia com a atualidade e conectada ainda com a necessidade de
não somente ensinar, mas também de formar cidadãos conscientes quanto aos seus direitos e
deveres na sociedade funcionando como multiplicadores das boas práticas e condutas sociais.
Nesse sentido, a escola não tem a função apenas de educar, mas formar para a vida como um
todo, seja socialmente, culturalmente, humanisticamente e profissionalmente.
As respostas obtidas com os questionários, aplicados junto aos professores, vêm
de encontro a essa necessidade, uma vez que, conforme as respostas obtidas, demonstram
conciliar atividades prazerosas, sendo a maior parte de participação coletiva, com atividades
cujo bojo é caracterizado por elementos importantes, tais como: cidadania; preservação
ambiental; respeito as diferenças, ao direito ao brincar; estímulo ao raciocínio lógico e a
criticidade, além de exercitar a criatividade e a interação entre os colegas. Tais características
foram facilmente identificadas nas respostas dos professores que demonstraram ainda estarem
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entusiasmados e motivados com a estratégia da ludicidade junto aos alunos. Um dos docentes,
inclusive, já se vale desse recurso a mais de 10 anos, ou seja, numa época em que elementos
da escola clássica tradicional ainda prevaleciam mesmo nos anos iniciais da Educação Infantil
que era muito baseada no caráter do desenho e pintura e vez ou outra um teatrinho ou
dramatização de alguma historinha feita pela professora no espaço da sala de aula ou do pátio
da escola.
Atualmente, os professores têm uma gama de recursos para exercitarem o lúdico
junto aos alunos. Sites, plataformas ou aplicativos ensinam quanto ao preparo de aulas mais
descontraídas e participativas, além de ensinarem os professores a ter meios de repassarem o
conhecimento que varia de fabricação de brinquedos ao ensino de como desenvolver uma
receita culinária para o entendimento de elementos químicos e físicos que agem, por exemplo,
na preparação de um bolo. Soma-se a isso o fato do auxílio de toda uma gama tecnológica que
garante suporte a aulas mais interessantes e participativas com direito ao uso de recursos
visuais e audiovisuais em que o aluno descortina para um mundo de conhecimento que seus
avós não tiveram, seus pais têm tido mais recentemente e eles já nasceram tendo acesso. Por
esse motivo, não existe mais espaço para a insistência com aulas expositivas e monótonas em
que não tenha espaço para o livre brincar e aprender.

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7 – Referências

ARAÚJO. M, J. Crianças ocupadas. 1ª Ed. Prime books, 2009. P. 136 a 138.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental.


Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. p. 37 e 38.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares


nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB,
2010.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para


Educação Infantil: conhecimento de mundo. Secretaria da Educação Fundamental,
volume1. Brasília: MEC/SEF, 1998.

FORTUNA, Tânia Ramos. O jogo e a educação: Uma experiência na formação do educador.


In: SANTOS, Santa Marli Pires (org). Brinquedoteca: A criança, o adulto e o lúdico.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. P. 73 a 83.

FRIEDMANN, Adriana. Brincar: crescer e aprender- O resgate do jogo infantil. São


Paulo, SP: Moderna, 1996.

KISHIMOTO. Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. In:


KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org). 5ª Ed. São Paulo: Cortez 2001. P. 13 a 40.

MATOS. Marcela Moura. O lúdico na formação do educador: Contribuições na


Educação Infantil. Cairu em Revista. Jan 2013. Disponivel em:
file:///C:/Users/lorra/Downloads/formaçaõ%20de%20professor%20ludico.pdf Acesso em
07/07/2021.

NEGRINE. Airton, Recreação na hotelaria: o pensar e o lúdico, Caxias do Sul:


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OLIVEIRA, Juliana Ribeiro de. O Prazer de Aprender Brincando. Niterói: Universidade


Cândido Mendes, 2011. Disponível em: <<
http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/N203980.pdf>> com acesso em
13/05/2021.

PIAGET. Jean. Nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1988. P.
59.

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