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Especial

Trabalho docente
na pandemia
Confira relatos de professores,
gestores e especialistas sobre
os desafios enfrentados no
trabalho remoto e sugestões de
como aproveitar os aprendizados
adquiridos para planejar o futuro
Índice
1. Gestão escolar: como apoiar a
saúde mental da equipe .................... 4
2. Adaptações e aprendizados
durante o ensino remoto ..................27
3. Os desafios com alunos que não
têm acesso à internet ...................... 50
4. Planejamento: como montar
o quebra-cabeça das atividades
semipresenciais .................................. 71
3
André Asahida
1. Gestão escolar:
como apoiar a saúde
mental da equipe
Ações centradas no suporte emocional
e no acolhimento são essenciais para
Imagem: Gettyimages

os professores conseguirem lidar


com as transformações e os desafios
trazidos pela pandemia
Victor Santos | 07 de Julho de 2021 4
“O professor também precisa de
cuidados, e de muitos cuidados,
principalmente nesta pandemia”.
Esta fala, de Sonia Maria Lima,
vice-diretora da Escola Estadual
Gianfrancesco Guarnieri, em São
Paulo (SP), é bem ilustrativa de um
detalhe que pode ficar esquecido
em meio à correria para dar suporte
aos estudantes e planejar as aulas
em diferentes plataformas: por trás
das telas que separam professores
e alunos estão pessoas. E, no caso
dos docentes, profissionais que
precisaram alterar drasticamente
as suas rotinas de trabalho e
mesmo a vida pessoal para dar
continuidade ao ensino em meio
a uma das maiores crises que o
país e o mundo já vivenciaram.

5
Uma pesquisa realizada pelo
Instituto Península ao longo de todo
o ano de 2020, iniciada logo após o
fechamento das escolas e o começo
do ensino remoto emergencial,
ajuda a vislumbrar as emoções e
os sentimentos que afloraram nos
educadores durante esse período de
pandemia – e, consequentemente,
a entender a necessidade de
cuidado mencionada pela vice-
diretora Sonia. Os pesquisadores
ouviram mais de 7 mil professores
das redes estadual, municipal e
particular em quatro diferentes
momentos, conseguindo captar as
percepções iniciais do fechamento
das escolas, os momentos
intermediários da adaptação e, no
fim do ano passado, o início de
algumas retomadas graduais.
6
Entre os resultados, chama atenção
o fato de que, em maio de 2020,
pouco mais de um mês após a
interrupção das aulas presenciais,
67% dos professores se consideravam
ansiosos, enquanto aqueles que se
sentiam cansados e sobrecarregados
chegavam, respectivamente, a 36%
e 35% do total de entrevistados.
Passados alguns meses, já no
estágio final da pesquisa, em
novembro, a porcentagem de
ansiosos apresentou queda, apesar
de ainda ser significativa, ficando
em 58%. No entanto, a proporção de
educadores que se julgavam cansados
e sobrecarregados aumentou para
53% e 57%, respectivamente.

Ou seja: as situações pelas quais


os professores passaram desde o
início da pandemia até hoje, seja 7
a adaptação para novos formatos
de trabalho, a descoberta de
novas ferramentas e formas de
se comunicar com os alunos e
a própria incerteza quanto ao
retorno presencial, tudo isso
mexeu com a saúde mental dos
educadores. Nesse contexto, as
questões emocionais tornaram-se
importantes pontos de atenção para
os gestores. Muitos têm procurado
apoiar as suas equipes e promover
a saúde mental nos ambientes
escolares – em muitos casos,
realizando tudo isso a distância –
nestes tempos tão complexos.

Problemas preexistentes
Embora os impactos da covid-19
tenham afetado fortemente a saúde
mental dos professores, o excesso 8
de trabalho e o estresse já faziam
parte da rotina de grande parte
dos docentes. O psicólogo Cloves
Amorim, doutor em Educação e
professor do curso de Psicologia
da Pontifícia Universidade Católica
do Paraná (PUCPR), aponta que,
desde os anos 1990, pesquisas
acadêmicas já indicavam questões
envolvendo a saúde mental dos
educadores de escolas públicas.

“Anteriormente à pandemia, os
estudos mostravam que um dos
problemas que afetavam a saúde
mental desses professores era, por
exemplo, a precarização dos salários,
o que leva a excessivas cargas de
trabalho, como lecionar nos períodos
da manhã, da tarde e da noite em
diferentes instituições. A sobrecarga
de trabalho, por consequência, 9
resulta em uma precarização da
própria qualidade de vida dos
docentes. Além disso, muitos também
tinham de lidar com condições
difíceis, e até mesmo violentas, no
ambiente escolar”, diz o especialista,
que também é pesquisador e trabalha
especificamente com estresse e
síndrome de burnout em professores.

Cloves observa que o educador que


precisava lidar com uma ou mais
dessas questões ainda tinha um
ponto de segurança, que era a escola
ser um ambiente presencial – um
"porto seguro" que deixou de existir
com a pandemia. Ele destaca que,
como tudo é muito recente, ainda
não é possível avaliar cientificamente
o real impacto da experiência do
ensino remoto na saúde emocional
dos docentes, mas sinaliza alguns 10
aspectos que merecem atenção.
“O primeiro é o fato de que, com o
fechamento repentino das escolas,
os educadores tiveram de aprender
outra forma de ser professor, em
alguns casos sem o treinamento
adequado”. Isso foi, inclusive, um
dos tópicos que apareceram na
pesquisa do Instituto Península:
88% dos educadores consultados
declararam que nunca haviam dado
aula de forma virtual anteriormente.

Realizadas as desafiadoras
adaptações para o ensino remoto
emergencial, o especialista salienta as
preocupações advindas desse “novo
mundo” mediado agora por telas.
“O trabalho remoto está trazendo a
chamada ‘fadiga do zoom’, decorrente
de ficar o dia todo olhando e
trabalhando com telas”, ressalta. 11
“Outra questão é que muitos alunos
não têm acesso aos equipamentos
adequados, o que tem trazido
outra variável, que é a ‘fadiga por
compaixão’. O professor pensa ‘meu
aluno está longe da escola, eu quero
ajudá-lo, mas não tenho como’”.

Esse cenário complexo exige de


diretores e coordenadores muita
atenção às suas equipes. “Se o gestor
puder ouvir os professores, estimulá-
los a falar e, principalmente, valorizar
o esforço deles, que não é pouco, ele
provavelmente já estará promovendo
a saúde mental e ajudando a diminuir
o nível de estresse e de sofrimento,
que podem levar a transtornos ou
sofrimentos maiores, como estresse
crônico ou burnout”, orienta Cloves.

12
“Havia uma desmotivação
generalizada”
A vice-diretora Sonia, da
Gianfrancesco Guarnieri, que recebe
alunos do Ensino Fundamental 1, e
toda a equipe gestora perceberam
logo no início da pandemia que
deveriam investir nesse cuidado com
os educadores. “Estava todo mundo
estressado, porque era um desafio
lidar com tecnologia para quem
estava acostumado com a sala de
aula. Eles não sabiam o que fazer, e
isso mexeu muito com o emocional”,
lembra. “Havia uma desmotivação
generalizada. Então, nós decidimos
fazer uma formação para trabalhar
com os sentimentos, para que eles
pudessem expor o que estavam
sentindo e alguma coisa aflorar daí”.
13
A preocupação com a parte
emocional de professores e alunos
já era algo que fazia parte da
experiência de Sonia que, desde
2010, busca parcerias e formações
apoiadas pela Associação pela Saúde
Emocional das Crianças (ASEC). Ao já
ter passado por capacitações, como
a do programa Amigos do Zippy, que
visa auxiliar crianças a reconhecerem
suas emoções, e o Promover para
Prevenir, focado em saúde mental nas
escolas, a vice-diretora conseguiu
desenvolver na Gianfrancesco
Guarnieri uma iniciativa totalmente
focada nas emoções dos educadores.

“A minha proposta foi conversar


com os professores sobre o aspecto
emocional. Primeiro, eu propus que
eles refletissem sobre o que são
as emoções e como podemos lidar 14
com elas dentro e fora da escola.
Geralmente, nós não conhecemos
as nossas emoções”, afirma
Sonia. “Em seguida, por meio de
questionamentos sobre se nascemos
com emoções como tristeza,
alegria e raiva, fomos construindo
reflexões muito interessantes. Os
professores lembraram de quando
eram pequenos e, aos poucos, foram
reconhecendo os seus sentimentos.
Muitos comentaram que nunca
tinham parado para pensar nisso”.

As atividades não pararam por aí.


Logo em seguida, teve início um
trabalho de escuta ativa, também
baseado em uma formação da ASEC.
“Em geral, nós também não sabemos
escutar. Começamos a ouvir a pessoa
e já queremos intervir naquele
momento. Tanto as crianças como 15
os próprios professores precisam de
alguém para ouvi-los”, avalia Sonia.
Nessa atividade, os professores
foram divididos em duplas, em
que, basicamente, um falava sobre
os seus sentimentos e o outro
escutava, posteriormente invertendo
os papéis. “Ao final, perguntamos
qual era a sensação de ser ouvido
sem interrupção, reforçando a
importância da escuta ativa”.

Os resultados dessas capacitações,


segundo a vice-diretora, já aparecem
no dia a dia da escola, que já
retornou parcialmente ao formato
presencial. “Apesar de toda a situação
que estamos vivendo, os professores
estão trabalhando com mais
motivação e tranquilidade. É claro
que eles têm altos e baixos, o que é
completamente natural, mas estamos 16
caminhando”, reflete a educadora. “O
mais importante é que os professores
estão conseguindo passar isso para
os seus alunos e aplicar em suas
casas. O propósito dessas ações
é justamente esse: não é só para
a escola, é para toda a vida”.

“Havia uma desmotivação


generalizada”
A vice-diretora Sonia, da
Gianfrancesco Guarnieri, que recebe
alunos do Ensino Fundamental 1, e
toda a equipe gestora perceberam
logo no início da pandemia que
deveriam investir nesse cuidado com
os educadores. “Estava todo mundo
estressado, porque era um desafio
lidar com tecnologia para quem
estava acostumado com a sala de
aula. Eles não sabiam o que fazer, e 17
isso mexeu muito com o emocional”,
lembra. “Havia uma desmotivação
generalizada. Então, nós decidimos
fazer uma formação para trabalhar
com os sentimentos, para que eles
pudessem expor o que estavam
sentindo e alguma coisa aflorar daí”.

A preocupação com a parte


emocional de professores e alunos
já era algo que fazia parte da
experiência de Sonia que, desde
2010, busca parcerias e formações
apoiadas pela Associação pela Saúde
Emocional das Crianças (ASEC). Ao já
ter passado por capacitações, como
a do programa Amigos do Zippy, que
visa auxiliar crianças a reconhecerem
suas emoções, e o Promover para
Prevenir, focado em saúde mental nas
escolas, a vice-diretora conseguiu
desenvolver na Gianfrancesco 18
Guarnieri uma iniciativa totalmente
focada nas emoções dos educadores.

“A minha proposta foi conversar


com os professores sobre o aspecto
emocional. Primeiro, eu propus que
eles refletissem sobre o que são
as emoções e como podemos lidar
com elas dentro e fora da escola.
Geralmente, nós não conhecemos
as nossas emoções”, afirma
Sonia. “Em seguida, por meio de
questionamentos sobre se nascemos
com emoções como tristeza,
alegria e raiva, fomos construindo
reflexões muito interessantes. Os
professores lembraram de quando
eram pequenos e, aos poucos, foram
reconhecendo os seus sentimentos.
Muitos comentaram que nunca
tinham parado para pensar nisso”.
19
As atividades não pararam por aí.
Logo em seguida, teve início um
trabalho de escuta ativa, também
baseado em uma formação da ASEC.
“Em geral, nós também não sabemos
escutar. Começamos a ouvir a pessoa
e já queremos intervir naquele
momento. Tanto as crianças como
os próprios professores precisam de
alguém para ouvi-los”, avalia Sonia.
Nessa atividade, os professores
foram divididos em duplas, em
que, basicamente, um falava sobre
os seus sentimentos e o outro
escutava, posteriormente invertendo
os papéis. “Ao final, perguntamos
qual era a sensação de ser ouvido
sem interrupção, reforçando a
importância da escuta ativa”.

Os resultados dessas capacitações,


segundo a vice-diretora, já aparecem 20
no dia a dia da escola, que já
retornou parcialmente ao formato
presencial. “Apesar de toda a situação
que estamos vivendo, os professores
estão trabalhando com mais
motivação e tranquilidade. É claro
que eles têm altos e baixos, o que é
completamente natural, mas estamos
caminhando”, reflete a educadora. “O
mais importante é que os professores
estão conseguindo passar isso para
os seus alunos e aplicar em suas
casas. O propósito dessas ações
é justamente esse: não é só para
a escola, é para toda a vida”.

21
Sinais de alerta para
uma intervenção

Há indicativos aos quais os gestores


devem ficar de olho em suas equipes
para perceber quando é necessária
uma intervenção relacionada à
saúde mental. O psicólogo Cloves
Amorim elenca alguns fatores que
podem ser avaliados nessa hora.

“Temos algumas luzes amarelas


que se acendem quando, nas
conversas com a equipe, os
professores manifestam questões
como dificuldade para dormir,
desmotivação, falta de energia,
pessimismo exagerado, dificuldade de
enxergar o lado positivo das coisas
e queixas por ganhar peso, o que
pode indicar que estão comendo
22
em excesso ou deixando de se
exercitar”, resume o especialista.
Cloves aconselha as escolas a
sempre buscarem ajuda nesses
momentos, seja acionando as
secretarias, procurando instituições
especializadas ou mesmo buscando
parcerias com universidades e
faculdades de Psicologia.

23
A força da comunidade

As duas gestoras entrevistadas


afirmam que, mais do que nunca,
as escolas devem se constituir em
espaços de acolhida, envolvendo
toda a comunidade. “Eu sempre
busco pensar na escola como um
todo, entendendo que gestores,
professores, merendeiras e
funcionárias da limpeza, todos
nós fazemos parte de uma
comunidade”, destaca Sonia, “O
mais interessante de tudo isso
é a união. O ambiente escolar
precisa ser um espaço ainda mais
acolhedor depois dessa pandemia”.

Ceila compartilha dessa perspectiva,


especialmente ao retomar todos os
esforços feitos por ela e sua equipe
24
desde o início da pandemia. “Tudo
o que nos moveu nessas ações
realizadas na nossa escola, e que
até hoje nos move, é um profundo
respeito, reconhecimento, amor
e afeto a cada um dos colegas,
das diferentes funções. Esse foco
em não deixar ninguém de fora
foi o que me mobilizou enquanto
gestora, e isso posteriormente
se estendeu às crianças e aos
seus familiares”, conclui.

25
26
André Asahida
2. Adaptações e
aprendizados durante
o ensino remoto
Quatro professoras da rede pública
contam os desafios enfrentados ao
Imagem: Gettyimages

longo da pandemia, como a falta de


recursos e o excesso de carga horária,
e apontam o que levarão desse período
Paula Salas | 14 de Julho de 2021 27
Durante a pandemia, trabalhar
de casa não tem sido fácil para
os professores. Usando recursos
próprios e sem preparo para atuar a
distância, os educadores precisaram
se reinventar. "Tivemos uma
sobrecarga [de trabalho] bancada por
nós mesmos. Precisamos aprender
algo para o qual não estávamos
preparados. Na medida do possível,
com erros e acertos, fizemos o
possível", resume Nina Paraquett,
professora de História, Filosofia e
Sociologia para turmas do Ensino
Médio no Colégio Estadual Rachel
Reid Pereira de Souza, em Macaé (RJ).

O home office (ou teletrabalho)


imposto pela pandemia pegou todos
de surpresa. Para entender como foi
essa experiência para os educadores,
a pesquisa Trabalho docente em 28
tempos de pandemia ouviu 15,6
mil professores da rede pública de
todo o país em julho de 2020. O
levantamento, realizado pelo Grupo
de Estudos sobre Política Educacional
e Trabalho Docente da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG),
em parceria com a Confederação
Nacional dos Trabalhadores em
Educação (CNTE), aponta que para
90% dos entrevistados o trabalho
remoto era uma situação inédita.

Em relação à infraestrutura para


realizar o trabalho, o estudo
mostrou que 83% dos professores
possuem recursos em casa para
ministrar aulas não presenciais,
porém, metade deles compartilha
as ferramentas com outras pessoas,
ou seja, tem uso restrito. Entre
eles, 91% utilizam o celular para 29
realizar as atividades remotas e
76,6% usam o notebook. Para fazer
pesquisas, enviar as atividades ou
ter contato com os alunos, 65,3%
possuem acesso à banda larga,
enquanto 24% usam o plano de
dados móveis e 10,4% internet de
outro tipo (via rádio ou discada).

Para entender os desafios do


trabalho docente, depois de mais de
um ano de ensino não presencial,
ouvimos quatro educadoras. Elas
contam sobre as dificuldades
que tiveram, os caminhos que
encontraram para contorná-las e os
aprendizados que querem levar para
o seu trabalho no pós-pandemia.

30
Jornada tripla e
necessidade de se adaptar
Trabalhar de casa não significa
que todo o período do dia deve ser
ocupado pelo serviço. No entanto,
foi o que aconteceu com Alexandra
Alves Brandt, professora de 2º
ano na Escola Municipal de Ensino
Fundamental Núcleo Habitacional
Getúlio Vargas, em Pelotas (RS).
Segundo Alexandra, o que eram dois
turnos (aulas de manhã e à tarde)
se tornaram três. "Trabalho até de
madrugada. Eu respondo quando
eles me mandam mensagem, porque
entendo que é o único horário
que têm acesso. Se não há esse
retorno, desistem". Além de estar
disponível quase 24 horas por dia, a
professora diz que também manda
31
mensagem diariamente para todos
os alunos. "A gente vai insistindo,
tenta abraçar e trazer para o
contexto da escola, para tentar
envolver e chegar na aprendizagem".

A própria escassez de acesso às


ferramentas digitais também leva à
mudança de horários. "Já optamos
por fazer encontros virtuais à noite,
porque o celular fica [ao longo
do dia] com um dos responsáveis
do aluno", conta Silvane Forti,
professora de Educação Infantil
e de 3º ano do Fundamental 1 na
rede municipal de Serra (ES).

Esse mesmo problema acontece


com ngela Amorim*, professora de
Educação Infantil e de uma turma
de 1º ano do Ensino Fundamental
na rede pública no interior de São 32
Paulo, que precisa encontrar outros
horários além dos que trabalha para
se adaptar à rotina das famílias.
Além disso, a professora relata que
ocorreu um aumento das demandas,
pois havia uma percepção, pela
gestão e secretaria da escola, de
que havia mais tempo disponível.
"Como a gente está em casa, não
entendem que estamos dando aula
e que isso se torna muito mais
trabalhoso e custoso. Não respeitam
os nossos horários e querem que
a gente faça outras coisas, mande
mais relatórios e atenda as famílias".

Hoje, a rede na qual ngela atua está


trabalhando de forma presencial,
em um modelo de plantão de
dúvidas para atender quem não
tinha acesso à internet — seguindo
a orientação de receber, por dia, 33
apenas 35% da turma. "Eles querem
que estejamos o tempo todo na
escola e que tenhamos tempo para
atender o WhatsApp, preparar as
aulas e postar na plataforma da
secretaria", explica a educadora. No
entanto, na prática, a maior parte
das famílias não enviam os alunos,
por isso o trabalho continua remoto.

Uso de equipamentos
e conexão
Outro problema relatado pelos
educadores diz respeito ao uso de
recursos tecnológicos para conseguir
trabalhar de forma remota. "Eu
tenho uma estrutura pessoal que me
permitiu trabalhar com qualidade,
mas a gente precisou arcar com
esses gastos", afirma a professora
Nina, de Macaé (RJ). Ela conta que, 34
recentemente, os professores da sua
rede receberam um auxílio para a
compra de equipamentos no valor
de R$ 1,5 mil. Atualmente, parte
de sua carga horária acontece de
forma presencial na escola para o
atendimento dos alunos em formato
de plantão de dúvidas, e o restante
da jornada é realizado em casa.
"Quando estou na escola consigo usar
a internet de lá e não gastar a minha".

ngela também destaca problemas


para usar as plataformas que são
disponibilizadas. "Podemos até
ter os recursos [oferecidos pela
secretaria], mas não são compatíveis
[com o aplicativo que deve ser
usado]", comenta. Ela explica que
a ferramenta adotada em sua
rede tem uma série de problemas,
entre eles, limitações para o envio 35
de fotos, que servem como a
devolutiva das atividades. "O grupo
do WhatsApp não era para ser
utilizado este ano, pois há o app da
rede. Ele consome pouca internet,
mas é pouco prático", avalia.

Para além dos desafios para realizar


o trabalho, as educadoras apontam
que a falta de engajamento e de
acesso dos alunos é outro dos
grandes problemas. "Um estudante
que participa já é um sucesso, e
comemoramos isso”, ressalta Nina.

Novas necessidades
da profissão
Na rede em que ela atua, cada
professor escolheu a estratégia
de aulas que adotaria. Nina optou
por oferecer, para quem tinha 36
acesso, encontros semanais pelo
Google Meet. Especialmente na sua
área de Humanas, ela avalia que
são esses momentos virtuais que
funcionam melhor, por permitirem
interagir, dar explicações adicionais
e debater. Além disso, ela também
disponibiliza horários de plantão
de dúvidas via WhatsApp.

Quem não consegue participar


retira as atividades impressas
produzidas pela secretaria estadual.
"O número de alunos que utilizam
material impresso aumentou, o
que é ruim, porque diminui nosso
contato direto", observa a educadora.
Este ano foi disponibilizada uma
plataforma que não usa dados
móveis, no entanto, a professora
percebe que não aumentou o
número de alunos participantes. 37
No caso da professora Alexandra,
de Pelotas (RS), para avaliar o
trabalho remoto, ela o compara
com a experiência que tem ao
acompanhar sua filha, que está com
aulas online síncronas. "É muito
melhor, mas meus alunos não têm
essa possibilidade”. Ela conta que
a secretaria disponibilizou o uso do
Google Classroom, mas não funciona
para a realidade dos alunos.

Os materiais impressos são o tipo


de atividade possível para metade
da turma. "O planejamento de
hoje é uma aula que conseguem
fazer sozinhos, é superficial.
Não consigo atingir os objetivos
que gostaria", afirma. “É difícil,
porque se tivessem tido um 1º
ano presencial, conseguiríamos
dar conta [da alfabetização], mas 38
tiveram um 1º e 2º anos remotos
e precários", complementa.

Com a outra metade da turma, que


tem acesso ao grupo no WhatsApp,
a professora Alexandra consegue
dar explicações adicionais, trocar
áudios e conversar por telefone.
Apesar dos desafios, ela procura
fazer propostas lúdicas que
respeitam o conhecimento prévio
dos alunos. "As famílias têm sido
bem participativas, quem não
entende me manda mensagem
perguntando", conta a educadora.

De forma semelhante a Alexandra,


a professora Silvane, de Serra (ES),
está trabalhando com as sequências
de atividades que são retiradas
pelas famílias nas escolas ou
disponibilizadas pelo WhatsApp. Sem 39
a possibilidade de interagir e dar
um maior dinamismo às atividades
escritas, ela viu que o engajamento
das crianças começou a cair. Por isso,
buscou aprender a fazer vídeos e usar
músicas e imagens. "Foi uma tentativa
de aproximar a figura do professor,
para que pudessem ver meu rosto".

Nesse desafio, Silvane teve uma


professora especial: sua filha de 12
anos. "Ela me incentivou. Conto com
a parceria dela nesse trabalho, mas
tive de ler e estudar para aprender
a fazer", explica a educadora. Ela
utiliza seu celular para gravar e o
computador pessoal e programas
gratuitos para preparar os materiais.

Silvane conta que descobriu o gosto


por vídeos e produz conteúdos em
seu canal no YouTube para além dos 40
assuntos que precisa preparar para
suas turmas. "Despertou em mim e
nos alunos uma forma diferente de
ensinar e de aprender", destaca a
professora. Ela diz que funcionaram
atividades contextualizadas,
utilizando narrativas significativas
para as crianças. Quando posta
as atividades da quinzena, ela
envia o link do vídeo que está
relacionado ao conteúdo. "Tive de
aprender muita coisa, mas, apesar
das dificuldades, estou colhendo
bons frutos, e as crianças estão
respondendo aos desafios lançados".

A professora ngela também grava


vídeos por sua conta. Ela trabalha
em parceria com outra professora
para preparar os materiais. Além
disso, uma vez na semana também
tem um encontro virtual com os 41
alunos do Fundamental. "Não existe
perfeição, mas eu quero fazer da
melhor maneira que posso para
alcançar o melhor rendimento dos
meus alunos, e está funcionando",
compartilha a educadora paulista.

Os aprendizados para
o pós-pandemia
As quatro professoras concordaram
que tiveram aprendizados valiosos
que não podem se perder no pós-
pandemia. Entre estes, o uso das
tecnologias a favor da aprendizagem.
Para Alexandra, é importante
não apenas continuar usando as
tecnologias, mas utilizá-las com
intencionalidade pedagógica. "Os
alunos são nosso foco, fazemos tudo
pensando neles. Podemos aproveitar
esses recursos que aprendemos para 42
chegar aonde queremos", afirma. Nina
aponta que “é preciso estruturar as
escolas com internet [de qualidade]
e equipamentos para que os
professores continuem utilizando os
recursos que aprenderam a usar".

Muitos docentes esforçaram-se para


aprender sozinhos o que coube na
rotina, mas há uma necessidade de
formação sobre o uso de tecnologia.
No caso de Alexandra, ela conta que
a secretaria disponibilizou cursos
sobre as ferramentas. Ela participou
e hoje sabe usar os recursos, no
entanto, não consegue utilizar com
seus alunos por falta de acesso. Ela
espera que no retorno presencial
possa colocar em prática o que
aprendeu utilizando as ferramentas
da sala de informática da escola.
43
Desde maio, a professora Silvane está
trabalhando de forma presencial,
mas continua produzindo seus vídeos.
Além desse aprendizado, ela não quer
perder a proximidade que a pandemia
trouxe para a equipe. A educadora
lembra que, enquanto esperavam
um posicionamento da secretaria
no início da pandemia, os colegas
uniram-se para trocar informações
e estudar. "Sonhar um pouco,
conversar mais com o coordenador.
Isso gerou uma aproximação do
grupo", afirma. Além da união entre
docentes, a professora ngela quer
manter o apoio das famílias nas
atividades, que eles continuem com
um contato direto, acompanhando
o trabalho e sendo parceiros.

Apesar das dificuldades, Silvane


conta que a pandemia permitiu 44
a ela aprender e investir na sua
formação. "Querer ser aluno de novo,
ter uma sede de estudar. Isso foi
muito positivo", relata a professora
do Espírito Santo. "Eu me tornei
professora porque amo aprender, não
apenas ensinar. Eu amo pesquisar,
criar conteúdo. Colocar minha
criatividade foi o mais gostoso [do
trabalho remoto]", finaliza ngela.

*Nome fantasia. A professora


optou por se manter anônima.

45
O que as pesquisas
dizem sobre o trabalho
docente durante
a pandemia?
Além de compreender o
comportamento e percepção
das famílias e alunos,
levantamentos investigaram a
experiência dos professores

Em uma escala de 1 a 5, 52,6%


das secretarias municipais de
Educação classificaram o acesso
dos professores à internet como
uma dificuldade de nível 3 a 5. O
levantamento foi realizado pela
União dos Dirigentes Municipais de
Educação (Undime), com apoio do
Itaú Social e do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF),
entre janeiro e fevereiro de 2021. 46
Durante 2020, a pesquisa Sentimento
e percepção dos professores
brasileiros nos diferentes estágios
do coronavírus no Brasil, do Instituto
Península, monitorou os sentimentos
dos docentes durante o ensino
remoto. Na 4ª fase do levantamento,
em novembro, observou-se um
aumento da porcentagem de
educadores que afirmaram estar
cansados e sobrecarregados -
53% e 57%, respectivamente.

Nesse estudo, os professores


também foram questionados
sobre o que gostariam de ter para
enfrentar um novo período de
ensino remoto e isolamento social
- como foi o cenário para a maioria
das escolas no primeiro semestre
de 2021. Infraestrutura adequada
para o trabalho remoto ficou em 47
1º lugar, com 63%. Em segundo e
terceiro lugares, com 60% e 51%,
respectivamente, constaram ter
mais conhecimento de estratégias
pedagógicas que possam ser
feitas remotamente e conhecer
as ferramentas tecnológicas.

Pensando nos aprendizados para o


pós-pandemia, os professores firmam
que, entre os maiores legados, estão
a importância de estar aberto a
diferentes dinâmicas e tendências de
ensino (62%) e de usar tecnologia no
processo de aprendizagem (56%).

48
André Asahida

49
3. Os desafios com
alunos que não têm
acesso à internet
Três professoras de escolas
públicas relatam as estratégias
que usaram para contornar a falta
Imagem: Gettyimages

de tecnologia e conectividade, o
que funcionou nesse processo e
os aprendizados que tiveram
Victor Santos | 21 de Julho de 2021 50
“Aqui em Medicilândia, no estado
do Pará, nós estamos em uma
cidade muito pequena, distante
[916 quilômetros] da capital Belém.
Então, quando as escolas fecharam
e se falou em ‘ensino remoto’ ou
‘ensino híbrido’, foi um susto muito
grande para os professores. Ficava
a pergunta: será que vai dar certo
aqui no interior, onde a internet não
funciona muito bem e nem todos
os alunos têm esse acesso?”.

Esse depoimento da professora


Marineide Amaral da Cruz, que
é educadora há 29 anos e atua
na Escola Municipal de Ensino
Fundamental Francisco Aguiar Silveira,
traz uma síntese do que passou
pela mente de muitos docentes em
março de 2020, quando as escolas
precisaram interromper as atividades 51
presenciais e transferir todo o
processo de ensino e aprendizagem
para o modelo remoto emergencial.

Embora ferramentas tecnológicas


tenham sido utilizadas, sobretudo
pelas redes estaduais, pesquisas
mostram que estratégias off-
line, como a entrega de materiais
impressos, aliadas ao uso do
WhatsApp, foram essenciais para
conseguir manter a Educação de
pé, principalmente em localidades
onde os alunos tinham pouca
ou nenhuma conectividade ou
acesso a recursos tecnológicos.

Estudo realizado pela União dos


Dirigentes Municipais de Educação
(Undime), em parceria com o Itaú
Social e Fundo Internacional de
Emergência das Nações Unidas para a 52
Infância (Unicef), apontou que quase
todas as redes municipais adotaram
o uso de materiais impressos (95,3%)
e orientações por meio do WhatsApp
(92,9%). As videoaulas gravadas
aparecem bem atrás, na terceira
posição, com 61,3%. A pesquisa cobriu
3.672 municípios brasileiros, que
reúnem 14,8 milhões de estudantes,

A seguir, três professoras de escolas


públicas, de cidades do interior
de diferentes regiões do país,
contam como se deu o trabalho de
elaboração e entrega de materiais
impressos, apoiado, quando possível,
por estratégias de comunicação
remota. As educadoras fazem
um balanço sobre os principais
obstáculos e as maiores descobertas
nesse processo complexo de
53
manter as aulas acontecendo sem o
contato presencial da sala de aula.

Atividades impressas
e o apoio do WhatsApp
Depois das preocupações iniciais
com a necessidade súbita de uso
de ferramentas digitais, ainda
mais para a realidade das escolas
localizadas no interior do país, a
professora paraense Marineide
relata que muito trabalho se seguiu
conforme a pandemia se espalhava
pelo Brasil. No caso da sua escola,
o foco principal foi a consolidação
de um esquema de produção e
envio de materiais para que as aulas
continuassem de alguma maneira.

“Nosso trabalho foi organizado


assim: primeiro, fizemos um 54
planejamento em cima da BNCC.
Em seguida, elaboramos o plano
de aula e selecionamos atividades
pensando naquilo que poderia
facilitar a aprendizagem do aluno”,
sintetiza a educadora, que leciona
os componentes curriculares
de Arte e Ensino Religioso para
alunos do Ensino Fundamental 1.
Na sequência, foram produzidos
materiais e enviados aos grupos
formados com os pais e alunos no
WhatsApp. “Mas, aqui na escola,
temos muitos alunos da zona rural
sem acesso à internet. Então, é uma
dificuldade muito grande”, completa.

Nesses casos, ela explica que são


organizadas apostilas impressas.
“Montamos tudo encadernadinho
e bonitinho, e os pais vão até a
escola retirar o material e assinam 55
um documento confirmando
que estão pegando aquela
atividade para os seus filhos”.

Alinhar essas datas para a retirada


do material foi mais um dos muitos
fatores que a escola precisou
coordenar. “Em 2020, começamos
com entregas de 15 em 15 dias. Mas,
após as queixas de alguns pais,
este ano estabelecemos retiradas
de 25 em 25 dias. Houve um avanço
na adesão e, agora em 2021, só
10% dos alunos não entregaram as
atividades para o fechamento de
junho”, conta. “Em alguns casos
em que os pais não conseguiam
efetuar a retirada, a escola chegou
a ir até a casa dos estudantes para
entregar as atividades impressas.”

56
Para além dessas questões logísticas,
a professora também precisou,
em conjunto com a equipe da
escola, dedicar especial atenção às
propostas de atividades, equilibrando
os conteúdos necessários e
aqueles passíveis de serem
feitos remotamente. “Alguns pais
questionavam se estavam fazendo
o papel do professor. Não era isso,
e a gente orientava e explicava o
que deveria ser feito”, relembra a
educadora. “Nas aulas de Artes, por
exemplo, tentamos ajudar os pais
a compreenderem que dentro de
casa há várias formas geométricas.
Também passamos orientações
para um trabalho com tinta guache
e usando coisas que há no quintal,
como folhas e borboletas”.

57
Além dessas explicações
detalhadas, foi preciso investir
em um trabalho em conjunto com
outros componentes curriculares
e na exploração dos recursos que
eram possíveis. “No desafio das
avaliações a distância, tentamos
ajudar um pouco os professores
de Língua Portuguesa, trabalhando
com Teatro e Literatura junto com
Artes, em exercícios que pedíamos
para que contassem a história da
peça em formato de desenho”,
relata Marineide. “Também trabalhei
muito com áudio. Percebi que
ajudava mais as crianças do que o
vídeo, que ainda ocupava muito a
memória dos celulares das famílias.
Deu muito certo, e as próprias
crianças começaram a me responder,
com dúvidas do tipo ‘como se faz
isso?’ e mensagens como ‘estou 58
com saudade’. Ter a ‘voz’ em meio
às explicações ajudou muito”.

Combinação de estratégias
on-line e off-line
Na pequena cidade de Iperó (SP),
que fica a 127 quilômetros da capital
paulista, a Escola Municipal Professor
Roque Ayres de Oliveira está
localizada entre as áreas urbana e
rural e atende alguns estudantes que
possuem conexão limitada à internet.
Com a interrupção das atividades
presenciais em 2020, a solução
encontrada pela escola também foi
conciliar estratégias on-line e off-line.

“Minhas 12 salas de aula viraram 12


grupos de WhatsApp. De 2020 até
agora, estamos enviando propostas
por meio da plataforma e, em 59
alguns momentos, imprimimos as
atividades para os pais retirarem”,
conta a professora Luciane Nunes
Cardoso, que leciona Educação
Física para a Educação Infantil e
para o Ensino Fundamental 1 e o 2.

Assim como mencionou a professora


paraense Marineide, Luciane conta
que a sua escola também precisou
montar todo um cronograma para
que os professores elaborassem
as atividades, consolidando tudo
em um PDF com explicações e
propostas, e os entregasse a tempo
para impressão. “Combinávamos
depois as datas de retirada, e havia
o dilema de os pais terem um prazo
para devolver essas atividades,
porque nós professores precisamos
lançar as notas no sistema. A
organização de 2020 foi complicada”. 60
Aos poucos, as coisas foram se
ajeitando dentro do possível, com
combinados para que os professores
não precisassem mais atender aos
pais até tão tarde da noite, e com
a introdução de alguns aplicativos
que tornaram o trabalho docente
um pouco menos complexo. Ainda
assim, nesse processo, Luciane
viu-se diante de alguns dilemas.

“Educação Física tem muita prática,


então é bem difícil propor atividades
em alguns momentos. Mas, com
os alunos que podiam receber
devolutivas em áudios e vídeos,
deu certo, porque você consegue
fazer uma intervenção e avaliar. O
duro é quando o aluno não devolve
as atividades, porque aí fica muito
difícil avaliar as aprendizagens”,
aponta a professora. Ela procurou 61
algumas estratégias para impulsionar
a realização e a entrega de suas
propostas. “Aprendi que o formato
PDF atendia a todos. Um recurso
útil foi fazer um vídeo mostrando o
PDF e dando as orientações da aula.
Dessa forma, eles leem e ouvem a
minha explicação, o que facilita”.

Elaboração cuidadosa
do material e devolutivas
Essas dificuldades ao lecionar
Educação Física também apareceram
no dia a dia da professora Rosemeire
Ferreira dos Santos Aoki, que
trabalha com alunos da Educação
Infantil e do Ensino Fundamental
1 na Escola Municipal Olinda Dias
Pereira, em Sarandi (PR), e na Escola
Municipal Dr. Eurico Jardim Dornellas
de Barros, em Marialva (PR). “Eu 62
pensava em como poderia passar
uma atividade em que o aluno não
correria o risco de se machucar.
Porque, no presencial, eu estava ali
o tempo inteiro de olho”, salienta.

A solução, para ambas as escolas em


que atua, foi investir na elaboração
de propostas que incluem teoria
e prática e podem ser realizadas
remotamente. “A gente trabalha
em cima da BNCC e vai montando
tudo conforme os objetivos e o
conteúdo programático. No caso
da Educação Física, olhamos para
esporte, jogos e brincadeiras,
analisamos e, seguindo os objetivos
da Base, montamos as aulas”.

Depois dessa elaboração, segue-


se um esquema de organização,
impressão e entrega dessas 63
atividades aos pais, em dias
predeterminados, além de algumas
entregas nas casas daqueles que
não puderam retirar o material.
Por conta das dificuldades de
acesso às tecnologias por parte
de muitos dos seus alunos,
Rosemeire comenta que o retorno
que recebe dessas atividades
impressas é bem maior do que as
devolutivas em outros formatos.
No entanto, elaborar o material
impresso acrescenta uma dose
extra de dificuldade à educadora.

“Na produção dessas atividades, eu


preciso me esforçar para escrever da
forma mais simples possível, de modo
que os alunos possam acompanhar.
Mas, ao mesmo tempo, é preciso
acrescentar nesse texto algumas
coisas que, em sala de aula, eu 64
apenas falaria”, observa a professora.
“E esse ‘resumo do resumo’ precisa
ser claro e caber em uma folha”.

Descobertas
e aprendizados
ao longo do processo
Apesar das muitas complexidades
envolvidas desde o estabelecimento
do ensino remoto emergencial,
Rosemeire ressalta algumas
experiências interessantes das
devolutivas. “Para os alunos que têm
um pouco mais de acesso, tenho
observado, principalmente em relação
às crianças do Infantil, que elas
amam as aulas de Educação Física
pelo WhatsApp. É muito bom receber
os vídeos com as atividades e ver
que os pais também participaram”.
65
A professora Marineide, de
Medicilândia (PA), também destaca
as boas surpresas que teve.
“Fiquei impressionada como alguns
alunos, que no presencial tinham
dificuldades, deram um show nas
devolutivas em áudio, fotos ou
vídeo”, recorda. “Por aqui, nós
temos muita argila, então propus
atividades remotas de Artes
envolvendo esse material. Vieram
algumas devolutivas incríveis que
me surpreenderam muito”.

Ganhos na perspectiva de suas


próprias práticas profissionais
também foram enfatizados pelas
educadoras. “Percebi, do ano
passado pra cá, o quanto eu cresci
como profissional e como pessoa,
desenvolvendo mais curiosidade,
otimismo e entusiasmo”, comenta 66
Luciane Nunes Cardoso, de Iperó
(SP). “Vejo que aprendi a conhecer
melhor os meus alunos e a usar
as tecnologias no meu dia a dia”,
completa a professora Rosemeire.

67
Off-line ou baixa
conectividade: dicas de
atividades e práticas
Selecionamos conteúdos de NOVA
ESCOLA para ajudar nas situações
pedagógicas em que os alunos
têm acesso limitado à internet
e a recursos tecnológicos

Reportagens:

Ensino Híbrido: recursos


on-line e off-line

Nem só de tecnologia vive o ensino


remoto: estratégias off-line ampliam
acesso às atividades na quarentena

Escolas rurais em quarentena:


internet via rádio, acesso limitado aos
materiais impressos e evasão escolar 68
Vídeos:

Como avaliar os alunos a distância?

Soluções com internet reduzida:


usando Facebook e Whatsapp

Leitura e alfabetização: estratégias


e ferramentas para o ensino remoto

Do rádio ao podcast:
o áudio na Educação

69
70
André Asahida
4. Planejamento: como
montar o quebra-
cabeça das atividades
semipresenciais
Aprendizagem colaborativa,
uso de metodologias ativas
e otimização dos momentos
Imagem: Gettyimages

presenciais são fundamentais para


o avanço da aprendizagem dos
alunos na retomada gradual
Paula Salas | 28 de Julho de 2021 71
Alunos que não tiveram acesso
ao ensino remoto; aqueles que
não conseguiram aproveitar ou
não avançaram até certo ponto;
quem optou por ainda não
retornar; os que estão em casa
graças ao revezamento, mas que
não se engajam nas atividades
remotas. Essas são algumas
das muitas variáveis que estão
em jogo no trabalho pedagógico
durante a retomada presencial.

Assim, nesse retorno, o professor


precisará montar um quebra-
cabeça levando em consideração
a complexidade do cenário e as
dificuldades e níveis de aprendizagem
de cada estudante e, ainda, dar
conta do que está previsto para
2021 para conseguir o que todos
os educadores querem: os alunos 72
aprendendo e avançando. "Tem de
pensar em como alcançar todos, mas
respeitando a individualidade [e as
necessidades] de cada um", resume
Flávia Pereira, professora de 5º ano
na escola Estadual Profª Minervina
Sant'Anna Carneiro, em Lins (SP).

Um bom planejamento será essencial


para chegar a esse objetivo. "Ele é
fundamental em qualquer situação,
mas, neste contexto, é ainda mais
importante. É preciso considerar
as diferentes realidades e organizar
as atividades para cada momento
e grupo", aponta Fátima Fonseca,
coordenadora pedagógica da
Comunidade Educativa CEDAC.

Para conhecer a dimensão do desafio,


conversamos com educadores que
já retornaram de forma presencial 73
à escola. Eles contam sobre os
caminhos que encontraram, dentro
de suas realidades, para planejar
as atividades no contexto híbrido.

O desafio de superar
defasagens e engajar
os alunos na retomada
gradual
Na Escola Municipal Prefeito Leonardo
Reale, em Ilhabela (SP), Sueli Antunes
é professora de uma turma do
2º ano do Ensino Fundamental e,
desde fevereiro, está trabalhando
de forma presencial. A turma foi
dividida em três grupos. Os alunos
que estão frequentando a escola
presencialmente intercalam os dias,
isto é, vão um e ficam dois em casa.
Quando vão à escola, eles trazem
74
as atividades impressas para os dois
dias que permanecerão em casa.
"São propostas que complementam
o trabalho em sala de aula", explica
a educadora. Sueli reserva também
um tempo para atender as famílias
e tirar dúvidas sobre as atividades.
Apenas um dos aluno da turma
permaneceu 100% no formato remoto.

Ela diz que chegar no tipo de


atividade mais adequada para os
alunos foi um processo. "Tive de me
adequar. No começo, eu mandava um
monte de atividades, porque queria
um resultado rápido, mas percebi
que preciso respeitar o tempo de
cada um aprender". Por isso, o (re)
planejamento é contínuo. “A cada
15 dias, fazemos um planejamento
com base no que o aluno conseguiu
aprender naquele período. Além disso, 75
também temos um planejamento
semanal para cada grupo", detalha
a educadora. "Não podemos deixar
ninguém para trás, todos devem
ter a mesma oportunidade".

Sueli observa que o tempo reduzido


com os alunos impactou no quanto
eles conseguiram progredir. "Foi um
avanço significativo, mas não foi o
mesmo que esperávamos de um
2º ano. A alfabetização precisa de
intervenções diárias, mas acabou
sendo um processo interrompido".
Para os alunos que passaram por
um 1º ano em que tiveram pouco
aproveitamento por causa das
dificuldades para participar das aulas,
a professora está focada em avançar
na alfabetização. "É como se eles
tivessem vindo direto da Educação
Infantil para o 2º ano. É difícil 76
colocar na cabeça de uma criança
de 7 anos que o 1º ano já passou".

No caso de Alaíde Rodrigues da Silva,


professora do 1º ano do Fundamental
na Escola Municipal Professora Ivone
Nunes Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ),
o cenário é diferente. Por ser uma
turma do 1º ano, não há problemas
com defasagem. O desafio está em
engajar os alunos e famílias para
manter uma frequência assídua.
"Continuamos com a busca ativa.
Hoje tenho 45% da turma que está
muito bem, vem direitinho, as famílias
dão apoio e estão conseguindo
avançar bem na alfabetização. Mas
outros 55% estão participando
pouco", conta a educadora. A turma
está dividida em dois grupos, e o

77
escalonamento é semanal. Quem está
de forma remota realiza as atividades
que são enviadas por WhatsApp.

Essa diferença na participação


impacta no planejamento da
professora. "Para quem está
acompanhando bem, consigo seguir
com o que está planejado para o
ano", diz a educadora. Para o outro
grupo, ela precisa revisar os planos e
dar um suporte maior. "Eles recebem
uma apostila para fazer em casa,
eu a adapto a realidade do grupo".

Já para os Anos Finais do


Fundamental e do Ensino Médio,
entre os maiores desafios estão
engajar os estudantes e tornar a
escola um lugar atrativo para eles,

78
conforme aponta Edson Modesto,
professor de Ciências, Física e
Química na Escola Estadual Vitalina
Maria de Jesus, em Araripina (PE).

O que muda no
planejamento?
No caso da professora Leda Nardi,
que dá aula de História para turmas
de Ensino Fundamental 2 na rede
pública de São Luiz do Paraitinga
(SP), a experiência do retorno foi
curta. A escola permaneceu aberta
por apenas duas semanas, por causa
do agravamento da pandemia no
município. Nesse período, aproveitou
parte do tempo em sala de aula
com os alunos para fazer dinâmicas
de acolhimento e escuta. “Pedi
que escrevessem uma carta sobre
a experiência da pandemia e do 79
isolamento social como uma forma
de criar um documento histórico",
explica. "Eles relataram perda de
parentes, fome, medo, desemprego.
Senti a necessidade de cuidar
do emocional", complementa.

A professora conta que em uma nova


retomada presencial gostaria de ter
flexibilidade para inovar e testar
novos formatos. "Acredito que é uma
oportunidade para quebrar essa
lógica do conhecimento fragmentado
e aproveitar os aprendizados que
tiveram no período com as famílias,
tirando também a ideia que foi um
tempo perdido. A escola estava
muito distante da vida real.”

É nessa linha o trabalho realizado


pela professora Flávia, de Lins (SP).
A educadora parte das habilidades e 80
aprendizagens prioritárias para 2021
e utiliza metodologias ativas como
a gamificação e a aprendizagem
baseada em problemas. "Não
dou nada pronto, mas a gente
vai debatendo e fazemos uso da
tecnologia a favor da aprendizagem.
Eu oriento e eles vão trilhando".
A professora ressalta que há uma
aprendizagem colaborativa, em que
os alunos trocam conhecimentos
e compartilham informações.

Segundo a coordenadora pedagógica


Fátima, do CEDAC, pensar em
agrupamentos que favoreçam
a aprendizagem e a troca de
conhecimento entre os alunos
pode ajudar no planejamento.
"Os grupos se fazem necessários
pelos protocolos, mas podemos
pensar em agrupamentos dentro 81
das necessidades de cada criança",
afirma. Ela entende que esse trabalho
pode acontecer dentro de uma
mesma turma ou entre alunos de
um mesmo ano. Para possibilitar
essa estratégia, é necessário troca
e trabalho colaborativo entre os
educadores. "O planejamento tem
que ser coletivo, porque sozinho
o professor não vai conseguir".

Novas estratégias
para o contexto híbrido
Uma solução utilizada pela professora
Flávia, para aumentar o engajamento
da turma, foi transmitir parte da
aula presencial pelo Google Meet
para quem está em casa. "Era uma
turma que não dava devolutiva.
Antes havia uma participação de
60% dos alunos, hoje são mais de 82
90%", conta. Com esse aumento do
engajamento, a professora avalia
que a aprendizagem deve melhorar.
Atualmente, a turma está dividida
em cinco grupos, de modo que cada
aluno vai à escola uma vez por
semana. No entanto, quem não têm
acesso à internet pode ir mais vezes.

A rotina diária de Flávia funciona da


seguinte forma: a parte inicial da
aula é dedicada a verificar, revisar
e aprofundar as atividades que os
alunos realizaram em casa. "A gente
conversa sobre o que foi passado,
tiro dúvidas, debatemos e um ajuda
o outro", conta a educadora. Durante
esse período, quem está em casa
realiza as propostas preparadas pela
professora e assiste às aulas do
Centro de Mídias. Depois, começa
a aula ao vivo com parte da turma 83
presencial e a outra em casa. Nesse
momento são realizadas atividades
inéditas e há momentos de interação
virtual entre a turma e a professora.

A estratégia encontrada pelo


professor Edson foi se inspirar
na sala de aula invertida para
preparar as atividades presenciais.
"Eu coloco questões norteadoras,
um vídeo, foto ou material em PDF
para que eles já venham sabendo
o que será trabalhado em sala",
explica. Os alunos têm acesso ao
conteúdo previamente e, no momento
presencial, o foco é em exercícios,
experimentos e dinâmicas práticas.
"Eles ficam livres de manhã para ir à
escola, elaborar projetos e adiantar
a aula para aproveitar ao máximo o
pouco tempo que temos juntos".
84
Com um tempo limitado com o aluno,
é fundamental planejar as propostas
do momento presencial e aquelas
que o aluno pode fazer em casa com
maior autonomia para fortalecer ou
colaborar com o desenvolvimento
das habilidades trabalhadas em
sala. "O que mais sentimos falta no
ensino remoto foram as interações,
por isso temos de otimizar o tempo
presencial e propor situações que nos
permitam fazer nossas intervenções”,
reflete Fátima. “É um quebra-
cabeças, mas não é nada novo. É
se organizar em relação ao que já
sabíamos, entender o que priorizar
e quais são os momentos em que o
presencial é fundamental”, completa.

Nas turmas do professor Edson,


de Araripina (PE), por volta de seis
e sete alunos estão frequentando 85
a escola presencialmente. Quem
não retornou recebe as atividades
impressas ou pode acessá-las pelo
Google Sala de Aula. Para conseguir
atender quem está no remoto, o
tempo de aula diminuiu de 50 para
30 minutos. Semelhante à professora
Flávia, o educador também teve a
iniciativa de gravar trechos da aula
presencial e disponibilizar, de forma
assíncrona, para quem está em casa.

O professor conta que as atividades


são iguais para todos os alunos,
mas, com aqueles que frequentam
o presencial, ele consegue se
aprofundar mais. As propostas
partem de questões cotidianas e
são um roteiro que guia o aluno a
destrinchar determinado assunto.

86
“O estudante é protagonista do
próprio conhecimento, eu ajudo
a nortear”, destaca. "Na minha
área de Exatas, essa parte prática,
de ensino por investigação, não
pode faltar no planejamento".

87
Para pensar o
planejamento
Fátima, do CEDAC, sugere que o
professor se inspire nas modalidades
organizativas de Delia Lerner,
reconhecida educadora argentina, para
o planejamento das atividades híbridas

As modalidades organizativas foram


pensadas para a alfabetização e
consideram três grandes tipos de
atividades em sala: as atividades
permanentes, as sequências
didáticas e os projetos didáticos.
"Eu pensaria o planejamento dessa
forma para ter uma melhor gestão
do tempo", explica Fátima.

As modalidades organizativas,
segundo Delia Lerner, permitem
dar uma unidade ao conhecimento 88
e amarrar tudo que está sendo
trabalhado com os alunos para
ajudá-los a criar relações entre o
que está sendo estudado. De forma
geral, as atividades permanentes
são as propostas recorrentes
que estarão inseridas na rotina
das crianças de forma semanal
ou quinzenal. Já a sequência
didática diz respeito àquelas com
início, meio e fim, em que cada
atividade é uma continuidade da
anterior. Por fim, o projeto didático
inclui as atividades que têm um
produto final e um objetivo amplo.
Entenda mais sobre a proposta e
como ela acontece na prática.

A especialista também chama a


atenção para uma ideia trazida
por outra pedagoga argentina,
Flora Perelman. "É a ideia de uma 89
memória de aula. Os professores
documentam tudo que foi ou está
sendo trabalhado, e esses registros
são compartilhados com os alunos".
Ela destaca que é uma forma de
retomar o que foi visto e antecipar
o que será discutido. "O professor
vai e volta nos conteúdos. Ter essa
memória ajuda nesse sentido",
complementa. Para construir
essa memória, é possível utilizar
ferramentas digitais, como o Padlet,
ou procurar formas offline para
garantir o acesso de todos os alunos.
"O importante é que o registro seja
compartilhado com todos e que eles
possam consultar e estar em contato
com esse histórico", afirma Fátima.

90
6 conteúdos de NOVA
ESCOLA para apoiar
o planejamento
Confira alguns materiais que
podem ajudar e inspirar a
organização das atividades do
segundo semestre de 2021

1. O que ensinar em 2021?

É provável que você já tenha


ouvido falar dos Mapas de Foco
da BNCC, criados pelo Instituto
Reúna. Em parceria com ele, a
NOVA ESCOLA desenvolveu dois
e-books gratuitos com um resumo
dos objetivos de aprendizagem
e das habilidades essenciais
para o Ensino Fundamental.

91
2. Planos de aula prioritários

Para complementar os e-books


do tópico anterior, não deixe de
conferir e pesquisar entre os mais
de 7 mil planos de aula relacionados
às habilidades essenciais. Você
também encontrará uma aba
com sugestões para adaptar as
atividades para o ensino remoto.

3. Inspire-se nos modelos de ensino


híbrido para pensar no planejamento

O ensino híbrido e o semipresencial


são coisas diferentes. No entanto,
nesse contexto de retomada
gradual, é possível se inspirar nos
modelos da metodologia ativa para
avançar nas aprendizagens — e,
quando o ensino 100% presencial for
possível, caminhar para um ensino 92
personalizado. Veja uma trilha de
cursos gratuitos com mais de 50
horas de formação e reportagens
especiais gratuitas sobre o tema.

4. Para saber mais sobre as


ferramentas digitais

Desde o início da pandemia,


preparamos diversas formações
gratuitas focadas em apoiar você,
professor, a conhecer e explorar
recursos tecnológicos. Se estiver
procurando dicas para planejar
e inovar no ensino remoto ou
semipresencial, não deixe de
baixar gratuitamente nosso
manual de ferramentas digitais.

93
5. De olho nas competências
socioemocionais

O planejamento deve prever


momentos voltados para o
desenvolvimento socioemocional
das crianças — em especial
diante dos desafios impostos pela
pandemia. Pensando nisso, confira
o especial de reportagens gratuitas
para professores e gestores.

6. Replanejamento do 2º semestre

No Nova Escola Box, os assinantes


podem encontrar semanalmente
conteúdos inspiradores para colocar
em prática com turmas da Educação
Infantil ao Fundamental 2. Para o
planejamento do 2º semestre e o
retorno presencial em diversas redes
de ensino, confira os conteúdos 94
para professores e gestores dos
Anos Iniciais do Fundamental e para
os educadores dos Anos Finais.
Entenda também quais são os
cuidados necessários para receber
as crianças da Educação Infantil.

95
Edição
Lisandra Matias

Texto
Victor Santos
e Paula Salas

Diagramação
Tiago Araújo

Ilustrações
André Asahida

N ov a e s c o l a • 2 0 2 1 96

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