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EXMO SR. DR.

JUIZ DO TRABALHO DA 226ª VARA DO


TRABALHO DA CIDADE DE NOVA IGUAÇÚ – RJ.

Processo: 01446-2006-226-01-00-9

JOSÉ MARCOS MONTEIRO DA COSTA, nos autos do


processo em epígrafe, vem, através do seu advogado subscrito, a
presença de V. Exa., EXPOR E REQUERER SUAS
MANIFESTAÇOES:
Após a citação editalíca da Rda. de Fls. 28, 29 e 30, por
encontrar-se em lugar incerto e não sabido, o autor formulou pedido
de expedição de ofício a Receita Federal, CEG, CERJ, LIGHT,
TELEMAR, VIVO, CLARO, OI, CREDICARD, AMPLA E DETRAN em
nome dos sócios as Fls. 38 E 41, uma vez que também os mesmos
encontravam-se e se encontram desaparecidos conforme notificações
de Fls. 22, 23 e 24, o que foi negado por Exa. As Fls. 39 e 41.

Em razão do exposto acima, requer o autor:

a) A renovação da citação Editalícia da Rda. e de seus sócios para


ciência da decisão de Fls.30 e Cáculos de Fls. 33 usque36;
b) Caso não haja manifestação da Ré no prazo estipulado em lei,
tanto para decisão quanto para os cálculos apresentados pelo
autor, que V.Exa. homologue os cálculos apresentados e
determine de plano nova citação por edital para pagamento do
valor homologado, sob pena de Penhora On-line na conta da
demandada ou de seus Sócios;

Diante do acima exposto, torna-se necessário, a fim de


dar prosseguimento ao presente feito, seja desconsiderada a pessoa
jurídica da executada, pois a mesma está com suas atividades
encerradas.
Com efeito, a assertiva de que a sociedade não se
confunde com a pessoa dos sócios é um princípio jurídico, mas não
pode ser um tabu, a entravar a própria ação do Estado, na realização
da perfeita e boa justiça, que outra não é atitude do Juiz procurando
esclarecer os fatos para ajustá-los ao direito.
É a aplicação da teoria conhecida como
“despersonalização da pessoa jurídica”, quando a constituição de
uma sociedade e a teoria da personalidade jurídica, não deve
constituir meios para iludir o funcionamento normal das normas
jurídicas, na hipótese a legislação trabalhista.

Considerando que “o valor social do trabalho” é um


dos fundamentos do nosso Estado Democrático de Direito (Artigo 1º,
IV, da Constituição Federal), o Juízo deve utilizar de todos os meios
legais para tornar viável a execução dos créditos oriundos daquele
trabalho.
Para alcançar aquele fim, adota-se a teoria menor da
desconsideração da pessoa jurídica, acolhida em nosso
ordenamento jurídico, conforme parágrafo 5º. Do artigo 28 do Código
de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078 de 11/09/1990).

De fato, para aquela teoria, o empregador tem que


suportar os riscos do empreendimento, isto é, mesmo que não exista
qualquer prova capaz de identificar conduta culposa ou dolosa por
parte dos sócios e/ou administradores da pessoa jurídica.
E a exegese autônoma do parágrafo 5º. Do artigo 28 do
CDC incide na hipótese, não se subordinando à demonstração dos
requisitos previstos no caput do artigo indicado, mas apenas à prova
de causar, a mera existência da pessoa jurídica, obstáculo ao
ressarcimento do prejuízo causado ao trabalhador.
Ademais, ainda que não fosse aplicada a hipótese da
teoria menor, o próprio Código Civil em seu artigo 50 contém previsão
para o ocorrido nos autos, pois com a ausência de bens da pessoa
jurídica, estamos diante do ABUSO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA, que também enseja a execução em face dos bens
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.

Termos em que,
Pede Deferimento.

Rio de Janeiro, 20 de Junho de 2008.

JAIR FERREIRA LIMA


OAB-RJ 114.065

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