Você está na página 1de 13

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2021.0000993390

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº


1009728-29.2020.8.26.0008, da Comarca de São Paulo, em que é apelante
KAWAHARA SUPERMERCADOS LTDA, são apelados EXTREME PARKING e
ITAÚ UNIBANCO S/A.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 13ª Câmara de Direito


Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Deram
provimento em parte ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator,
que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores ANA DE


LOURDES COUTINHO SILVA DA FONSECA (Presidente) E HERALDO DE
OLIVEIRA.

São Paulo, 7 de dezembro de 2021.

CAUDURO PADIN
Relator(a)
Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOTO Nº: 33087


APELAÇÃO Nº: 1009728-29.2020.8.26.0008
COMARCA: SÃO PAULO
APTE: Kawahara Supermercados Ltda
APDO: Extreme Parking e Banco Itaú Unibanco S/A

In den iza çã o po r d a no s m o ra is e
m a t e ria is. Se nt e nça de im pro ced ênc ia .
In sur g ên cia . “ Seq ues t ro re lâ m pa g o ” .
Ví t im a a bo r da d a n o e st a cio na m ent o d a
a g ên cia ba ncá ria . R esp o ns a bi lid a de
o b j et iv a do pr est a do r d e s erv iço . T eo r ia
do ris co da a t i v id a de . D a no ma t er ia l
co mpr o v a do . Es t a c io n a me nt o . C o nv êni o
q ue ben ef i cia a cli ent ela .
R esp o ns a bi lid a de so lid á ri a . Dev er de
zel a r pel a s eg u ra n ça e i nt e g ri da d e d o s
cli ent es. Da no s mo ra i s. Ex i g ên cia de
co mpr o v a çã o f á t ic a d e a t en t a d o à ho nra
o b j et iv a da pe sso a j urí dic a .
Ino co r rên cia no ca so co n cre t o . Re f o r ma
da sen t en ça . Pr o ce dên cia pa rci a l da
dem a nd a . Rec urs o p ro v ido em pa rt e .

Vistos.

Trata-se de apelação manejada contra sentença


de fls. 420/421 que julgou improcedente a ação, conforme art.
487, I, do CPC, condenando a parte autora a pagar à parte ré o
reembolso de custas e despesas processuais, bem como
honorários advocatícios que se fixam arbitram em R$2.000,00
(dois mil reais) para cada réu (CPC 85, § 8º),

Recorre o autor (fls. 423/431).

Sustenta, em breve síntese, que “Por ser a


prestação de segurança e o risco ínsitos à atividade dos
estacionamentos pagos, a responsabilidade civil desses por danos
causados aos bens ou à integridade física do consumidor não admite a
excludente de força maior derivada de assalto à mão armada ou de

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 2


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

qualquer outro meio violento irresistível”; que “é inegável que a


instituição financeira tem o dever de adotar as cautelas objetivas para
prevenir ou impedir tal prática delituosa, plenamente previsível pela
reiteração de sua ocorrência”; que “a responsabilidade dos réus é
solidária, nos termos dos art. 7º, parágrafo único, e art. 25, §1º, do
CDC, uma vez que trata-se de um estacionamento em agência bancária
administrado pela réu e vinculado ao banco Itaú S/A”; que “a falta de
segurança no estabelecimento dos réus, causou incontestável dano ao
Autor, na figura de seu representante legal, consistente em estresse
emocional, nervosismo e perda de tempo”; que o dano moral é
presumido; que “além do malote roubado no valor de R$ 8.000,00
(oito mil reais), estava em posse de outro malote, este com o valor de
R$ 60.000,00 (sessenta mil reais)” o qual não foi roubado. Por fim,
requer condenação dos réus ao pagamento de indenização para a
reparação dos danos materiais causados ao autor no valor de R$
8.000,00 (oito mil reais), devidamente atualizado e acrescido de
juros de 1%, a partir da citação; bem como a condenação dos réus
ao pagamento de R$ 10.000,00 (dez mil reais) em relação aos
danos morais sofridos.

Tempestivo, o recurso foi regularmente


processado, com preparo (fls. 432/433) e sem resposta.

É o relatório.

Cuida-se de ação indenizatória por danos


morais e materiais em que alega o autor ter sido vítimas de
“sequestro relâmpago”, que se deu no estacionamento da
empresa corré que é uma extensão do banco réu.

Assevera que o réu é responsável pelos fatos


Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 3
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

narrados, pois aplica-se ao caso dos autos a “teoria do risco”,


extraída das disposições contidas nos artigos 12 e 14, §§1º do
Código de Defesa do Consumidor. Que o estacionamento
oferecido pelo réu constitui uma extensão da agência bancária,
cabendo ao banco tomar as cautelas necessárias a fim de evitar
que a incolumidade de seus clientes seja atingida. Descabida a
alegação de excludente por caso fortuito, vez que o ato ilícito
praticado por terceiros não pode ser considerado fato
imprevisível.

Os fatos foram registrados no Boletim de


Ocorrência copiado às fls. 37/38.

A sentença foi de improcedência e o recurso


prospera em parte.

Por primeiro ressalta-se a legitimidade passiva


dos réus se evidencia a medida que ambos, estacionamento e
Banco, se beneficiam com relação estabelecida com os clientes
que vão a agência bancária e se utilizam da comodidade do
estacionamento conveniado e oferecido aos mesmos.

Prossegue-se.

Vê-se que o próprio banco em seu “laudo


referenciado” de fls. 85/87 admite que “Em análise as imagens, ás
09h46 o carro branco chega ao estacionamento, o motorista sai do
veículo e durante o trajeto parece conversar com outra pessoa, mas
devido a posição, não foi possível concluir que houve assalto nesse
momento, pois, havia árvores impedindo a visualização do cliente.”

Ora, a falha na prestação dos serviços bancários


já resta configurada desde o momento em que não instalou
câmeras de segurança suficiente para monitorar todos os ângulos

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 4


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

de suas dependências, inclusive, do estacionamento conveniado.

Continuando a análise das gravações de


segurança, o banco narra “Ás 09h54 o cliente entrou no caixa da
agência e parecia reclamar de alguma situação com os funcionários, fez
a operação e saiu do caixa.” e que as R$ às 10h08 foi feito o
depósito pelo cliente de R$60.000,00.

Os documentos dos autos corrobora com a


versão narrada pelo autor, não restando dúvidas que o roubo se
deu no estacionamento do corréu.

É certo que a relação jurídica existente entre


autor e réu é de consumo, pois, em que pese o autor ser pessoa
jurídica, usufrui dos serviços bancários como consumidor final e
a responsabilidade do Banco apelado, de tal forma, é objetiva.

O Banco, fornecedor de serviços financeiros,


responde objetivamente pelos danos decorrentes da própria
prestação dos serviços (art. 14, do CDC). A responsabilidade
objetiva deriva da teoria do risco, ou seja, do exercício de
atividade econômica lucrativa implica necessariamente a
assunção dos riscos e eventuais defeitos na prestação do serviço
a ela inerentes. Se deseja o lucro assume os riscos. Aliás, a ação
de terceiros, como no caso, não é fato incomum ou imprevisível
em nossa sociedade.

É essa a posição doutrinária:

“Os bancos respondem pelo risco profissional


assumido, só elidindo tal responsabilidade a prova, pela instituição
financeira, de culpa grave do cliente ou caso fortuito ou força maior”.
(Rui Stoco, Responsabilidade Civil e Sua Interpretação
Jurisprudencial, 3ª Edição, RT, 1997, p. 222).

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 5


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

É corriqueira a ocorrência dos chamados


“sequestros relâmpago” em situações semelhantes à do caso
destes autos, nas quais as vítimas são abordadas justamente ao
sair da agência bancária, o que já afasta a possibilidade de alegar-
se tratar de caso fortuito, imprevisível.

Nesse sentido firmou entendimento o STJ:

“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL.
FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 283/STF.
ROUBO. ESTACIONAMENTO DE BANCO.
RESPONSABILIDADE CIVIL. AUSÊNCIA DE CASO
FORTUITO E FORÇA MAIOR. SÚMULA 83/STJ.

1. A ausência de impugnação dos fundamentos do


acórdão recorrido enseja o não conhecimento do recurso,
incidindo o enunciado da Súmula nº 283 do Supremo
Tribunal Federal.

2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido


de que a prática do crime de roubo no interior de
estacionamento de veículos, pelo qual seja direta ou
indiretamente responsável a instituição financeira, não
caracteriza caso fortuito ou motivo de força maior
capaz de desonerá-la da responsabilidade pelos danos
suportados por seu cliente vitimado.

3. Estando o acórdão recorrido em consonância com


a jurisprudência pacífica desta Corte, tem incidência a
Súmula nº 83/STJ, aplicável por ambas as alíneas
autorizadoras.

4. Agravo regimental não provido.” (AgRg no


AREsp 613850 / SP, Rel. Min. RICARDO VILLAS BOAS
Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 6
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CUEVA, julg 23/06/2015)

Frise-se que a prova quanto ao atendimento das


medidas de segurança para proteção dos correntistas que se
utilizam dos serviços da agência bancária competia ao Banco réu,
inocorrente na hipótese, conforme se depreende das poucas
imagens capturadas por seu sistema de vigilância falho.

Cabia ao Banco demonstrar que o evento se deu


na via pública e não em seu estacionamento.

Fato é que não se desincumbiu do ônus que lhe


cabia pela regra geral do artigo 333, inciso II, do CPC/73 1Nesse
tocante, há pacífico entendimento deste E. Tribunal quanto à
responsabilização do prestador de serviços:

“Responsabilidade civil. Ação de Indenização por


Danos Morais e Materiais. Autora vítima de assalto à mão
armada no estacionamento de agência bancária. Relação de
consumo caracterizada. Responsabilidade objetiva. Dano
material que deve ser ressarcido. Dano moral devido e fixado
no valor de R$ 10.000,00. Sentença reformada. Apelo
provido.” (Apelação 0276913-30.2009.8.26.0000, Rel. Des.
RAMON MATEO JÚNIOR, 06/02/2013).

“Ação indenizatória. Assalto no estacionamento de


supermercado. Responsabilidade do estabelecimento
comercial, que tem o dever de proteger a segurança e a
integridade física dos seus clientes em áreas de sua
dependência. Dano moral in re ipsa, sendo desnecessária a
demonstração de efetivo prejuízo para sua caracterização.
Arbitramento da indenização no valor de R$ 20.000,00 que

1 Que guarda correspondência com o disposto no artigo 373, II, do Código de Processo Civil vigente
desde 18/03/2016 (Lei 13.105, de 16 de março de 2015).
Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 7
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

comporta redução para R$ 10.000,00. Recurso da autora não


provido, provido parcialmente o da ré.” (Apelação nº
0129835-91.2007.8.26.0003, Rel. Des. LUIS MARIO
GALBETTI, j. 14/05/2014).

“Responsabilidade civil - Danos morais e materiais


decorrentes de roubo sofrido pelo apelado nas dependências
de estacionamento mantido pelo apelante - Configuração -
Defesa apresentada intempestivamente - Revelia configurada
- Presunção relativa de veracidade das alegações do autor,
corroborada por documentos - Falha na segurança -
Responsabilidade objetiva (art. 14 do CDC) - Adequação do
valor do dano moral - Quantum indenizatório reduzido para
R$ 5.000,00 - Sentença parcialmente reformada Recurso
provido em parte.” (Apelação n°
001471-6-67.2010.8.26.0071, Rel. Des. MENDES PEREIRA,
j. 04/04/2012)

“RESPONSABILIDADE CIVIL - Apelantes que


foram vítimas de roubo em estacionamento oferecido por
supermercado da rede apelada - Estacionamento que
constitui extensão do estabelecimento comercial - Apelado
que tem a obrigação de zelar pela segurança, não sendo
sustentável o afastamento desta pela atuação de terceiro que,
armado, ingressou no local sem qualquer observação - Falha
na segurança - Responsabilidade caracterizada - Dano
material incontroverso, inclusive no tocante a seu valor -
Sentença de improcedência reformada - Recurso provido para
condenar a recorrida no pagamento de indenização por dano
moral no importe de R$ 5.000,00 e indenização por dano
material no valor dos objetos roubados.” (Apelação nº
0010359-05.2010.8.26.0084, Rel. Des. MENDES PEREIRA,

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 8


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

j. 16/05/2012).

Prosseguindo, é sabido que o dano moral “é


resultado de lesão aos direitos da personalidade, isto é, à honra, à
imagem, à integridade física, ao nome, à liberdade de pensamento,
entre outros” (Cf. REsp 669.914/DF, julgado em 25/03/2014).

Na hipótese, o pleito indenizatório não


prospera, pois sendo o autor pessoa jurídica, os danos não
podem ser presumidos, exigindo comprovação fática de atentado
à honra objetiva do empreendimento, o que não ocorreu.

O e. STJ consolidou orientação no sentido de


que não há dano moral in re ipsa para as pessoas jurídicas:

“DANOS MORAIS. PESSOA JURÍDICA. NATUREZA IN


RE IPSA. IMPOSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO
NECESSÁRIA. O dano moral sofrido pela pessoa jurídica
não se configura in re ipsa, o que não obsta, contudo, que
sua comprovação ocorra por meio da utilização de presunções
e regras de experiência no julgamento da controvérsia.
Inicialmente, registre-se que a doutrina e a jurisprudência
majoritária brasileira entendem que a pessoa jurídica é
passível de sofrer danos morais orientação esta consolidada
por meio do enunciado sumular n. 227 do STJ. Vale
ressaltar, todavia, que o dano moral de pessoa jurídica
não é idêntico àquele sofrido por um indivíduo. Percebe-
se que a expressão dano moral é usada como analogia,
uma vez que envolvem direitos extrapatrimoniais, mas
não são de natureza biopsíquica e tampouco envolve a
dignidade da pessoa humana. Nessa hipótese, protege-se
a honra objetiva da pessoa jurídica, sendo os danos
causados em violação ao bom nome, à fama, à
reputação. Essas distinções reclamam, por questão de
isonomia, um tratamento jurídico diferente para cada
situação. Esse tratamento distinto deve recair na questão da
prova do dano moral. Sobre o ponto, a doutrina defende que a

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 9


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

possibilidade de considerar o dano moral como in re ipsa


decorre da existência de uma comunhão de valores éticos e
sociais ou, ainda, de uma essência comum universal dos
seres humanos. Nessa linha de raciocínio, e considerando a
falta dessa "essência comum", é impossível ao julgador
avaliar a existência e a extensão de danos morais
supostamente sofridos pela pessoa jurídica, sem qualquer
tipo de comprovação. Disso não decorre, contudo, a
impossibilidade da utilização de presunções ou regras de
experiência no julgamento de pedidos de indenização por
danos morais sofridos por pessoa jurídica”. (REsp 1.564.955-
SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 06/02/2018, DJe 15/02/2018)
(g.n.)

Indispensável, portanto, para a concessão da


indenização pleiteada a demonstração da presença de efetivas
consequências que ultrapassem o âmbito patrimonial, atingindo
o requerente, objetivamente, também em sua esfera íntima.

Assim, o apelante deveria ter indicado, de


forma concreta e objetiva, quais desdobramentos e prejuízos
suportados extrapolariam o dano material decorrente do roubo
no estacionamento, mas não o fez. A aflição e o medo sofrido
pelo seu representante pessoa física em decorrência do roubo
não lhe é extensível, já que não possui honra subjetiva.

Nesta linha:

“[...] 2. Segundo o entendimento desta Corte, para a


pessoa jurídica, o dano moral é fenômeno distinto daquele relacionado
à pessoa natural, não se admitindo o dano moral em si mesmo, como
decorrência intrínseca à existência de ato ilícito, devendo haver a
demonstração do prejuízo extrapatrimonial. Precedentes. [...] 4.
Agravo interno a que se nega provimento.” (AgInt no AREsp
1493580/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA,
Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 10
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

julgado em 19/11/2019, DJe 13/12/2019) (destaquei)

Além disso, o inadimplemento contratual


quanto a segurança que se espera da instituição bancária não
enseja indenização por dano moral. A propósito, há reiterada
jurisprudência do STJ:

“[...] 9. Cuidando-se de inadimplemento contratual,


a caracterização do dano moral pressupõe muito mais do que o
aborrecimento decorrente de um negócio frustrado; é imprescindível
que se caracterize uma significativa e anormal violação a direito de
personalidade, e, na hipótese de tratar-se de pessoa jurídica, deve
representar significativo abalo à reputação, respeitabilidade e
credibilidade da empresa, isto é, à sua honra objetiva. [...]”
1658692/MA, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
TURMA, julgado em 06/06/2017, DJe 12/06/2017)

Resumindo, sem prova de efetiva ofensa, resta


mesmo prejudicada a pretensão compensatória de ordem moral.

No mais, no que tange a responsabilidade


solidária do estacionamento corréu cabe assinalar que a empresa
que fornece estacionamento aos veículos dos clientes do banco,
aufere um proveito econômico maior que outras empresas,
justamente pela localização e convênios firmados com a
instituição e ainda que preste tal serviço de forma gratuita - o
que não é o caso - responde objetivamente pelos furtos, roubos e
latrocínios. Logo, não há dúvidas que o estacionamento,
juntamente à instituição financeira, devem velar pela segurança
em suas dependências.

Por fim, observo, de ofício, que o juízo a quo


equivocou-se ao arbitrar os honorários advocatícios pelo critério

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 11


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

da equidade, conforme o § 8º do art. 85, do CPC; inaplicável ao


caso, vez que não estão presentes as hipóteses nele descritas,
sendo apropriado que se observe a regra geral, disposta no § 2º,
de ofício. Cf. REsp 1.746.072/PR 2, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/02/2019, DJe 29/03/2019.

Os honorários advocatícios devem ser fixados


tendo em vista os critérios estabelecidos no § 2º do art. 85 do
CPC, ou seja: o grau de zelo do profissional; o lugar de prestação
do serviço; a natureza e importância da causa, o trabalho
realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço,
não podendo caracterizar enriquecimento sem causa.

Ante o exposto, o meu voto dá provimento em


parte ao recurso para julgar parcialmente procedente a ação,
condenando os réus, solidariamente, no pagamento dos danos
materiais causados ao autor no valor de R$ 8.000,00 (oito mil
reais), atualizado pela Tabela do TJ-SP a partir do evento e
acrescido de juros de 1%, a partir da citação. Diante da
sucumbência recíproca, deve o autor arcar com 50% das custas
processuais e honorários sucumbenciais de 10% sobre o valor
atualizado do proveito econômico dos réus (indenização por
danos morais) e os réus devem arcar com 50% das custas
processuais, além de pagar ao patrono do autor 10% sobre o
valor atualizado da condenação a título de honorários
sucumbenciais, solidariamente.

2 “[...] 5.A expressiva redação legal impõe concluir: (5.1) que o § 2º do referido art. 85 veicula a regra
geral, de aplicação obrigatória, de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados
no patamar de dez a vinte por cento, subsequentemente calculados sobre o valor: (I) da condenação;
ou (II) do proveito econômico obtido; ou (III) do valor atualizado da causa; (5.2) que o § 8º do art. 85
transmite regra excepcional, de aplicação subsidiária, em que se permite a fixação dos honorários
sucumbenciais por equidade, para as hipóteses em que, havendo ou não condenação: (I) o
proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (II) o valor da causa for
muito baixo. [...]”.
Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 12
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CAUDURO PADIN

Relator

Apelação Cível nº 1009728-29.2020.8.26.0008 -Voto nº 33087 13

Você também pode gostar