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Botânica

para designers
e arquitetos
TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO
DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


Botânica
para designers
e arquitetos
TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO
DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


© 2013. Todos os direitos reservados à APEC - Sociedade Potiguar de Educação e Cultura S.A.

Milton Camargo
PRESIDENTE
Profª. Sâmela Soraya Gomes de Oliveira
REITORA
Profª. Sandra Amaral de Araújo
PRÓ-REITORA ACADÊMICA
Patrícia Gallo
Adriana Evangelista
EDITORA UNIVERSIDADE POTIGUAR – EdUnP
Jucilândia Braga Lopes Tomé
REVISÃO LINGUÍSTICA
Adriana Evangelista
REVISÃO NORMATIVA
Firenzze - Making Apps
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou duplicada


sem a autorização expressa da APEC.

B726b Borba, Adriana Carla de Azevedo.


Botânica para arquitetos : termos técnicos para especificação de
projetos paisagísticos / Adriana Carla de Azevedo Borba. – Natal: Edunp, 2013.
198p. : il.

ISBN: 978-85-8257-004-3
E-Book

1. Botânica – arquitetura. 2. Paisagismo. I. Título.

RN/UnP/BCSF CDU 581:72

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ÍCONES INTERATIVOS

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Sumário
AGRADECIMENTOS

RESUMO

LISTA DE FIGURAS

31
37
Introdução 59
Orientações
para o projeto
189
paisagístico Partes
consituintes
193
das plantas Considerações
finais
Raiz 59 Referências
Caule 92

Folha 136

Flor 166

Fruto 182
Agradecimentos

Gostaria de agradecer ao meu orientador, professor Eugênio Mariano, verdadei-


ro mentor intelectual, e até espiritual, desta obra, sem o qual a mesma não teria
frutificado: em um momento em que o projeto estava tendo de ser abandonado,
Eugênio não desistiu de mim, e moveu céus e terras para viabilizar o trabalho -
“Adriana, vá e faça, deixe que dessas burocracias eu cuido”... Agora, cerca de dez
anos depois, o “fruto” vira semente e cairá nas mãos merecidas de estudiosos e
curiosos de Paisagismo. É um ciclo precioso que se fecha, Eugênio. A você, meu
eterno agradecimento!
Meu agradecimento a Socorro Borba, minha mãe, pela revisão do texto - espe-
cialmente nas referências e questões metodológicas -, e pela coragem, pela força,
pelo carinho.
A Thiago Luiz, meu noivo, pelas digitações da versão definitiva, pela revisão das
legendas e fontes e, sobretudo, pela paciência, abnegação e companheirismo que
teve comigo neste ano tão atribulado - só muito amor mesmo para aguentar
tanto estresse!
Também agradeço a Napoleão Nunes, pelas belíssimas ilustrações feitas, exclusiva-
mente, para esta obra e pela diagramação original.
Um agradecimento especial aos amigos do curso de Arquitetura e Urbanismo, bem
como aos professores, com os quais conquistei o “pique” de trabalho que permitiu
suportar jornadas extenuantes em frente ao computador, produzindo esta obra no
decorrer do último semestre de faculdade.
Resumo

Os profissionais designers e arquitetos urbanistas, dentre os vários campos de tra-


balho oferecidos pelas profissões, podem optar por atuar na área de Paisagismo,
ou seja, lidar com planejamento e execução da construção da paisagem. Para o
bom desempenho desta atividade, o projetista deve estar imbuído de uma série de
conhecimentos sobre construção, materiais, estética, conforto ambiental, dentre
outros; verifica-se, contudo, a importância fundamental do estudo de Botânica,
tendo em vista a adequabilidade dos vegetais empregados no projeto, buscando as-
sim tornar o paisagismo proposto exequível. Analisando a carga horária da maioria
das disciplinas de paisagismo oferecidas pelos cursos de Design de Interiores e de
Arquitetura e Urbanismo cadastrados junto à ABEA, constatou-se uma insufici-
ência de tempo para desenvolver uma ementa na qual estivessem inclusos funda-
mentos de Botânica. Desta forma, estes profissionais saem da universidade para o
mercado de trabalho desprovidos de conhecimentos mínimos para realizar traba-
lhos paisagísticos satisfatórios. Tendo em vista atenuar estas dificuldades de lidar
com a paisagem, este trabalho oferece aos estudantes, professores e profissionais do
ramo, um instrumento a mais para o estudo de Botânica, no qual as informações
botânicas são passadas em uma maneira mais simples e com linguagem analogica-
mente mais acessível aos projetistas, com uso de ilustrações relacionando os funcio-
namentos/ morfologias dos vegetais aos dos elementos arquitetônicos, procurando
assim uma maior integração e intercâmbio entre as diferentes disciplinas. Além
disto, são vistas com recorrencia as nomenclaturas científicas dos vegetais, com o
objetivo de familiarizar o estudante com os termos em latim e facilitar a elaboração
dos Memoriais Botânicos — nos quais são fornecidos os dados sobre os vegetais
utilizados no projeto paisagístico.
Lista de figuras

39
FIGURA 1A RAIZ Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 1B PORTA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

40
FIGURA 2A CAULE Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 2B CORREDOR Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

41
FIGURA 3A FOLHA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 3B COZINHA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

43
FIGURA 4A FLOR Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 4B SALA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
44
FIGURA 5A FLOR Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 5B QUARTO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

45
FIGURA 6A FRUTO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 6B ESCRITÓRIO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

46
FIGURA 7B FUNDAÇÃO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 8B PILARES Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

47
FIGURA 9A FOLHAS E FLORES Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 9B COBERTURA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

49
FIGURA 10B CANTEIRO DE OBRAS Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 11B PORTÃO DE ENTRADA/GUARITA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 12B CIRCULAÇÃO VERTICAL Fonte: PIANCA, João Baptista. Manual do construtor. Porto Alegre:

51
Globo, 1978, p. 542.
FIGURA 13B APARTAMENTOS SIMPLES Fonte: REVISTA Casa e Jardim. São Paulo: Ed. Globo, vol. 47, nº
550, p. 90-91, nov. 2000.

FIGURA 14B APARTAMENTOS DE LUXO Fonte: REVISTA Projeto Design. São Paulo: Arco editorial, nº 226, p.

52
35 e 37, nov. 1998.
FIGURA 15A FLORESTA Fonte: STERLING, Tom. A amazônia: as regiões selvagens do mundo, São Paulo:
Cidade Cultural, 1983, p.03.

FIGURA 15B CIDADE Fonte: Centro Histórico de São Luiz - Maranhão: patrimônio mundial. Coord. Luiz Phelipe

53
de Carvalho Castro Andrès. São Paulo: Audichromo, 1998, p. 26.
FIGURA 16B GRANDES LATIFÚNDIOS Fonte: RAVEN, Peter, EVERT, Ray F., CURTIS, Helena. Biologia Vegetal.
Trad. Patrícia Lydie Voeux (et al). 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1985, p. 13.
FIGURA 17B SISTEMA VIÁRIO Fonte: REVISTA Veja. São Paulo: Ed. Abril, vol. 33, nº 14, de 05 de abril de

54
2000, p. 125.
FIGURA 18B GRANDES CENTROS URBANOS REVISTA Época. São Paulo: Ed. Abril, vol. 03, nº 109, de 19 de
junho de 2000, p. 09.

55 FIGURA 19B1
FIGURA 19B2
GRANDES CENTROS URBANOS - CAPITAL DO PAÍS Ver Crédito da Foto
GRANDES CENTROS URBANOS - CIDADES SUSTENTÁVEL Ver Crédito da Foto

56 FIGURA 19B3 GRANDES CENTROS URBANOS - CIDADE INDUSTRIALIZADA Ver Crédito da Foto.

63
FIGURA 20A PARTES CONSTITUINTES DA RAIZ Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 21B BUCHA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 22B ESTRUTURAS EXCÊNTRICAS Fonte: Napoleão Nunes, 2000.


64 FIGURA 23B MOMENTO INICIAL DA CONCRETAGEM Fonte: EQUIPE de Obra, São Paulo: Pini, ano IX, n.
55, p. 38, jan. 2013.

FIGURA 24B CONCRETO COMO BLOCO MONOLÍTICO DE PEDRA Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER,
65 Gabriele. Arquitetura no século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 234.
FIGURA 25B CINTA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 26B CONSTRUÇÃO TRADICIONAL Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele. Arquitetura no

66
século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 69.
FIGURA 27B CONSTRUÇÃO MODERNISTA Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele. Arquitetura no
século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 227.

67
FIGURA 28A RAIZ AXIAL OU PIVOTANTE Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 28B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ AXIAL OU PIVOTANTE Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
70
FIGURA 29A RAIZ RAMIFICADA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 29B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ RAMIFICADA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

71
FIGURA 30A RAIZ FASCICULADA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 30B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ FASCICULADA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

72
FIGURA 31A RAIZ AXIAL TUBEROSA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 31B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ AXIAL TUBEROSA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

73
FIGURA 32A RAIZ ADVENTÍCIA TUBEROSA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 32B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ ADVENTÍCIA TUBEROSA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 33A RAIZ SECUNDÁRIA TUBEROSA Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA,
77 Cristina Rosa de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 88.
FIGURA 33B ESQUEMA VETORIAL DA RAIZ SECUNDÁRIA TUBEROSA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 34A RAIZ AQUÁTICA NATANTE Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais

78
do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 909.
FIGURA 34B CONSTRUÇÃO FLUTUANTE Fonte: REVISTA Época, ano III, nº 113, de 17 de julho de 2000, p.
108.

FIGURA 35A RAIZ AQUÁTICA LODOSA Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais

79
do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 813.
FIGURA 35B BASE DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO Fonte: Revista Época, ano III, nº 110, de 26 de junho de
2000, p. 99.

FIGURA 36A RAIZ CINTURA OU ESTRANGULADORA Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of
80 exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 195.
FIGURA 36B FAVELA Fonte: Revista Veja, ano 33, nº 29, de 19 de julho de 2000, p. 50
FIGURA 37A RAIZ GRAMPIFORME OU ADERENTE Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas
ornamentais do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 766.
81 FIGURA 37B CONSTRUÇÕES EM PLANALTOS OU TERRENOS MONTANHOSOS Fonte: ARDAGH, John,
JONES, Colin. Grandes impérios e civilizações: França, uma civilização essencial. Espanha: Del Prado, 1997, vol. II,
p. 221.

FIGURA 38A RAIZ RESPIRATÓRIA OU PNEUMATÓFORO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color

83
cyclopedia of exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 841.
FIGURA 38B CATEDRAL GÓTICA Fonte: ADARGH, John, JONES, Colin. França: uma civilização essencial.
Espanha: del Prado, 1997, vol, 2, p. 41.

FIGURA 39A RAIZ SUGADORA OU HAUSTÓRIOS Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do Brasil. São

85
Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 205.
FIGURA 39B ALDEIAS INDÍGENAS OU PRIMITIVAS Fonte: STERLING, Tom. A amazônia: as regiões
selvagens do mundo, São Paulo: Cidade Cultural, 1983, p.149.

FIGURA 40A RAIZ SUPORTE OU FÚLCREA Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria Rodrigues.

89
Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 103.
FIGURA 40B PILOTIS DE UM EDIFÍCIO Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele. Arquitetura no século
XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 172.

FIGURA 41A RAIZ TABULAR Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees.

90
New Jersey: Roehrs, 1992, p. 649.
FIGURA 41B FORTE COM FUNDAÇÃO EM PEDRA Fonte: SIQUEIRA, Ricardo. Fortes e faróis. Rio de
Janeiro: R. Siqueira, 1997, p. 143.

FIGURA 42A GAVINHAS Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees. New
Jersey: Roehrs, 1992, p. 753.

91
FIGURA 43A TUBULAÇÃO HIDRO SANITÁRIA Fonte: TUBOS E CONEXÕES TIGRE S.A. Divisão de produto.
Departamento de Assistência técnica. Manual técnico de instalações hidráulicas e sanitárias. 2 ed. São Paulo: Pini,
1991, p. 38
95
FIGURA 44B REFORMA DA EDIFICAÇÃO NO SENTIDO HORIZONTAL Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 45B REFORMA DA EDIFICAÇÃO NO SENTIDO VERTICAL Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 46A WEXLER, Madelin. Dinig in style: 50 great hotel restaurants of the world. New York: PBC International,
96 1996, p. 28.
FIGURA 47A PARTES CONSTITUINTES DO CAULE Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 48B MARCAÇÃO DE PÉ DIREITO DA CASA Fonte: Napoleão Nunes, 2000.


97 FIGURA 49B O “ENTRENÓ” SERIA O PONTO MÉDIO Fonte: MONTENEGRO, Gildo A. Desenho
Arquitetônico. 3 ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1997, p. 51-52.

FIGURA 50A CAULE HERBÁCEO Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do Brasil. São Paulo: Instituto
Plantarum, 3 ed., 2000, p. 158.
FIGURA 51A CAULE SEMILENHOSO OU SUBLENHOSO Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do Brasil.
São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 51.

99
FIGURA 52A CAULE LENHOSO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees.
New Jersey: Roehrs, 1992, p. 341.
FIGURA 53A CAULE COM DESENVOLVIMENTO DE ERVA Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 161.
FIGURA 53B EDIFICAÇÃO TIPO “ERVA” VEJA, São Paulo: Ed. Abril, ed. 2286, ano 45, n. 37,p. 33, 12 de
setembro de 2012.

FIGURA 54A CAULE COM DESENVOLVIMENTO DE SUBARBUSTO Fonte: LORENZI, Harri. Plantas
daninhas do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 83.
FIGURA 54B EDIFICAÇÃO TIPO “SUBARBUSTO” Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele.
Arquitetura no século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 275.

101
FIGURA 55A CAULE COM DESENVOLVIMENTO DE ARBUSTO Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M.
de. Plantas ornamentais do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 121.
FIGURA 55B EDIFICAÇÃO TIPO “ARBUSTO” Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele. Arquitetura no
século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 300.
FIGURA 56A CAULE COM DESENVOLVIMENTO DE ÁRVORE Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color
cyclopedia of exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 341.
FIGURA 56B EDIFICAÇÃO TIPO “ÁRVORE” Fonte: REVISTA Veja. São Paulo: Ed. Abril, vol. 33, nº 14, de 05
de abril de 2000, p. 86.
FIGURA 57A CAULE COM DESENVOLVIMENTO DE LIANA Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 77.
FIGURA 58A CAULE COM FORMATO CILÍNDRICO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of

103
exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 807.
FIGURA 58B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO CILÍNDRICO
Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 59A CAULE COM FORMATO COMPRIMIDO OU ACHATADO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica:
color cyclopedia of exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 244.
FIGURA 59B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO COMPRIMIDO
OU ACHATADO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 60A CAULE COM FORMATO ANGULOSO TRIGONAL Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 251.
FIGURA 60B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO ANGULOSO
TRIGONAL. Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 61A CAULE COM FORMATO ANGULOSO TETRAGONAL Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas

105
do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3 ed., 2000, p. 382.
FIGURA 61B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO ANGULOSO
TETRAGONAL. Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 62A CAULE COM FORMATO ESTRIADO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of
exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 271.
FIGURA 62B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO ESTRIADO.
Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 63A CAULE COM FORMATO BOJUDO OU BARRIGUDO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color
cyclopedia of exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 195.
FIGURA 63B REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA SEÇÃO DO CAULE COM FORMATO BOJUDO OU
BARRIGUDO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

107
FIGURA 64A CAULE TIPO TRONCO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and
trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 477.
FIGURA 64B ESTRUTURA DE PIRÂMIDES ESCALONADAS Fonte: GOITIA, Fernando Chueca et ll. História
Geral da Arte: Arquitetura III. Espanha: Del Prado, 1996, p. 83.
FIGURA 65A CAULE TIPO HASTE Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do Brasil. São Paulo: Instituto
Plantarum, 3 ed., 2000, p. 160.
FIGURA 65B PONTOS DE ÔNIBUS Fonte: ARQUITETURA e Construção, São Paulo: Ed. Abril, ano 27, n. 10, p.

109
38, out. 2011.
FIGURA 66A CAULE TIPO ESTIPE, ESPIQUE OU ESTÍPITE Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color
cyclopedia of exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 801.

FIGURA 66B COLUNA CILÍNDRICA Fonte: GOITIA, Fernando Chueca et all. História Geral da Arte: Arquitetura

110
I. Espanha: Del Prado, 1996, p. 70.
FIGURA 67A COLMO CHEIO OU CÁLAMO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic
plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 511.

FIGURA 68A COLMO FISTULOSO OU MEDULAR Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of
111 exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 509.
FIGURA 68B TUBOS CILÍNDRICOS VAZADOS Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

FIGURA 69A CAULE ESCAPO Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais do Brasil.

113
São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 156.
FIGURA 69B MÃO FRANCESA Fonte: MONTENEGRO, Gildo A. Desenho Arquitetônico. 3 ed. São Paulo:
Edgard Blücher, 1997, p. 157

FIGURA 70A CAULE PROSTRADO Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina

114
Rosa de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 319.
FIGURA 71A EDIFICAÇÃO HORIZONTALIZADA 01 Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele.
Arquitetura no século XX. Espanha: Taschen, 1996, p. 226.

FIGURA 71B CAULE ESTOLÃO, RADICANTES OU ESTOLHOS Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do

115
Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 328.
FIGURA 72A CAULE SARMENTOSO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and
trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 815.
FIGURA 72B TIRANTES OU CABOS DE SUSPENSÃO Fonte: ENGEL, Heino. Sistemas de estruturas. Trad.
Carlos Antônio Lauand. São Paulo: Hemus, 1981, p. 30.

117
FIGURA 73A CAULE VOLÚVEL Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees.
New Jersey: Roehrs, 1992, p. 358.
FIGURA 73B ESCADA HELICOIDAL Fonte: GOSSEL, Peter, LEUTHÄUSER, Gabriele. Arquitetura no século XX.
Espanha: Taschen, 1996, p. 226.

FIGURA 74A ECAULE DO TIPO RIZOMA Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria Rodrigues.

118
Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 93.
FIGURA 75A ETUBÉRCULO Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 87.

FIGURA 76A BULBO CHEIO Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.

119
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 27.
FIGURA 76B GRANDE BEIRAL Fonte: VEJA, São Paulo: Ed. Abril, ed. 2277, ano 45, n. 28,p. 93, 11 de julho de
2012.

FIGURA 77A BULBO ESCAMOSO Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais do

124
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 672.
FIGURA 77B BEIRADA BEIRA-SERVEIRA Fonte: CENTRO Histórico de São Luís – Maranhão: patrimônio
mundial/ coord. Luiz Phelipe de Carvalho Castro Andrès. São Paulo: Audichromo Editora, 1998, p. 67.

FIGURA 78A BULBO TUNICADO Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa

125
de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 135.
FIGURA 79A BULBO COMPOSTO OU BULBILHO Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral,
ALMEIDA, Cristina Rosa de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 45.

FIGURA 79B BEIRAL MUITO RECORTADO Fonte: REVISTA Arquitetura e Construção: São Paulo, Abril, p. 31,

126
v. 12, n.08, 1998.
FIGURA 80A CAULOBULBOS OU PSEUDOBULBOS Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas
ornamentais do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 835.
FIGURA 81A RAMIFICAÇÃO MONOPODIAL Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic
127 plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 300.
FIGURA 81B DIAGRAMA SEQUENCIAL DA RAMIFICAÇÃO MONOPODIAL Fonte: Autoria de Napoleão
Nunes, 2000.

FIGURA 82A RAMIFICAÇÃO SIMPODIAL Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas
128 and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 659.
FIGURA 82B DIAGRAMA SEQUENCIAL DA RAMIFICAÇÃO SIMPODIAL Fonte: Autoria de Napoleão
Nunes, 2000.

FIGURA 83B DIAGRAMA SEQUENCIAL DA RAMIFICAÇÃO EM DICÁSIO Fonte: Autoria de Napoleão


129 Nunes, 2000.
FIGURA 84A CLADÓDIOS Fonte: LORENZI, Harri. Plantas daninhas do Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 3
ed., 2000. p. 125.

FIGURA 84B CAIXA D´ÁGUA Fonte: TUBOS E CONEXÕES TIGRE S/A. Divisão de produto. Departamento de
Assistência Técnica. Manual técnico de instalações hidráulicas e sanitárias. 2 ed. São Paulo: Pini, 1991, p. 19.
133 FIGURA 85A ESPINHOS Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees. New
Jersey: Roehrs, 1992, p. 482.
FIGURA 85B SISTEMA DE SEGURANÇA Fonte: GOITIA, Fernando Chueca et all. História geral da Arte e da
Arquitetura 02. Espanha: Del Prado, 1996, p. 182.

FIGURA 86A GAVINHAS Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.

135
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 312.
FIGURA 87A XILOPÓDIO Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees. New
Jersey: Roehrs, 1992, p. 428.

FIGURA 88B FÁBRICA Fonte: Contemporary European Architecture, v. 04, Taschen, p. 165.
139 FIGURA 89A PARTES CONSTITUINTES DAS FOLHAS Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria
Rodrigues. Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 67.

140
FIGURA 90B LAJE EM BALANÇO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 91B VIGA EM BALANÇO Fonte: Napoleão Nunes, 2000.
FIGURA 92A FOLHAS APECIOLADAS LORENZI, Harri. Plantas ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e

141
trepadeiras. 2ed, Nova Odessa: Instituto Plantarum, 1999, p. 686.
FIGURA 92B LAJE NERVURADA Fonte: SILVA, Daiçon Maciel da, SOUTO, André Kraemer. Estruturas: uma
abordagem arquitetônica. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1997, p. 132

FIGURA 93A FOLHAS PECIOLADAS Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina

146
Rosa de. Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 22.
FIGURA 94A FOLHAS FENESTRADAS Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas
and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 110.

FIGURA 95A FOLHA UNINÉRVEA Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais do

147
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 73.
FIGURA 96A FOLHA PARALELINÉRVEA Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas
and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 475.

FIGURA 97B CÚPULA Fonte: GOITIA, Fernando Chueca et all. História geral da Arte e da Arquitetura II.

148
Espanha: Del Prado, 1996, p. 182.
FIGURA 98A FOLHA PELTINÉRVEA Fonte: LORENZI, Harri, SOUZA, Hermes M. de. Plantas ornamentais do
Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2 ed., 1999, p. 73.

FIGURA 99A FOLHA CARNOSA OU SUCULENTA Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of

149
exotic plantas and trees. New Jersey: Roehrs, 1992, p. 371.
FIGURA 99B JANELA DE MADEIRA Fonte: ARQUITETURA e Construção, São Paulo: Ed. Abril, ano 27, n. 11,
p. 51, nov. 2011.

FIGURA 100A FOLHA CORIÁCEA CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.

151
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 21.
FIGURA 100B JANELA DE VIDRO Fonte: ARQUITETURA e Construção, São Paulo: Ed. Abril, ano 27, n. 11, p.
25, nov. 2011.

FIGURA 101B JANELA DE PVC ARQUITETURA e Construção, São Paulo: Ed. Abril, ano 27, n. 11, p. 75, nov.

159
2011.
FIGURA 102A FORMATO DAS FOLHAS Fonte: ABREU, Denilson et all. Paisagismo. Trabalho apresentado à
disciplina Paisagismo I da UFRN. Natal: UFRN, 1992, p. 07 – 08.
FIGURA 103A PARTES CONSTITUINTES DA FLOR Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria

167
Rodrigues. Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 3.
FIGURA 104A PARTES CONSTITUINTES DA FLOR Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria
Rodrigues. Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 3-7.

168 FIGURA 105A SEXO DAS FLORES Fonte: Napoleão Nunes, 2000.

169
FIGURA 106A TIPOS DE INFLORESCÊNCIA Fonte: THOMAS-DOMENECH, J. M. Atlas de Botânica. Tradução
de Álvaro Xavier Moreira. Rio de Janeiro: livro ibero-americano, 1985, p. f5.

FIGURA 107A PARTES CONSTITUINTES DO FRUTO Fonte: VIDAL, Waldomiro Nunes, VIDAL, Maria Rosaria
Rodrigues. Botânica Organografia: quadro sinóticos ilustrados de fanerógamos. 3 ed. Viçosa: UFV, 1986, p. 23.

184
FIGURA 108A DRUPA Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de. Plantas
que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 51.
FIGURA 109A CARIOPSE Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 324.

FIGURA 110A LEGUME Fonte: CORDEIRO, Ruth, NUNES, Vivian do Amaral, ALMEIDA, Cristina Rosa de.

185
Plantas que curam. Cajamar - SP: Três, 1998, p. 235.
FIGURA 111A CAPSULA Fonte: GRAF, Alfred Byrd. Tropica: color cyclopedia of exotic plantas and trees. New
Jersey: Roehrs, 1992, p. 197.
31 de 198

1
Introdução

No limiar do Século XXI, o estudo de Paisagismo encontra-se difundido em todo o


mundo, trabalhado de forma distinta por diversas escolas, podendo ser destacadas:
a da Itália, França, Inglaterra, Holanda, as Orientais e correntes contemporâneas.
Embora o projeto paisagístico considere uma série de elementos que vão desde a
edificação, mobiliário, equipamentos diversos, marcações de nível e piso, objetos
decorativos e outros, o grande destaque das intervenções é a utilização de vegetação
e sua relação com o meio ambiente.
As finalidades do uso de plantas nos ambientes variam de acordo com os efeitos
que o projetista deseja provocar nos usuários do espaço. Independente do resultado
estético, a existência de vegetação num ambiente traz consigo uma série de bene-
fícios, tais como propiciar um micro clima mais agradável, promover o lazer con-
templativo, enfim, o contato com o meio ambiente é salutar para o ser humano.
Deste modo, cabe ao paisagista conhecer as relações entre estes diversos elementos
para que o projeto funcione de maneira satisfatória; tal conhecimento envolve in-
clusive as relações vegetais x vegetais, e vegetais x objetos.
32 de 198

Considerando que as plantas são seres vivos com estruturas e funcionamentos


complexos, o ideal seria que o profissional estudasse a fundo seu desenvolvimento
e características intrínsecas, tendo em vista produzir projetos exequíveis, passíveis
de implantação na prática.
O Projeto Paisagístico, assim como qualquer projeto arquitetônico/ urbanístico,
compreende três (03) fases: numa primeira etapa, consiste no estudo preliminar,
no qual se deve realizar o levantamento planimétrico e cadastral do terreno, fazer
a análise do solo, ecossistema e do clima local. A segunda etapa corresponde ao
Anteprojeto, na qual são relacionados os dados obtidos no estudo preliminar com
o programa de necessidades e são elaborados os primeiros esboços para resolver o
projeto paisagístico. Por fim, a terceira etapa constitui-se do Projeto Definitivo ou
Executivo, no qual devem ser apresentadas pranchas com as soluções Arquitetôni-
cas, de Engenharia Civil, Altimétrica, Hidráulica, Elétrica e de Botânica.
Acerca do Projeto Botânico, Winters (1991, p. 36), explica que o mesmo com-
preende “Pranchas ilustradas com a locação das espécies vegetais simbolizadas, em
escala; Memorial Botânico e Manual Técnico de Implantação e Manutenção”. No
Memorial Botânico deve conter informações tais como o nome científico de cada
vegetal existente no projeto paisagístico, seu respectivo nome popular, a área média
que este ocupa (em metros quadrados), dimensão de sua cova, espaçamento de
plantio, quantidade de substrato (em metros cúbicos), quantidade de cada vege-
tal, porte das mudas (em metros) e tipo de embalagem. No Manual Técnico de
Implantação e Manutenção, devem ser fornecidas informações sobre as formas de
plantio de cada vegetal e um manual de manutenção, explicitando a quantidade
e frequência de irrigação, detalhando quando e como deve ser feita a reposição de
nutrientes no solo, caso necessário, quais os períodos de poda, qual o tipo de poda
a ser feito, instrumentos para sua realização, etc.

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
33 de 198

Estas informações, essenciais para a concepção de um projeto paisagístico viável,


são obtidas a partir do estudo da disciplina de Botânica, que corresponde ao ramo
da Biologia que estuda os vegetais, tanto morfológica (estudo das formas e estru-
turas dos organismos vegetais) como fisiologicamente (investigação das funções
orgânicas, processos ou atividades vitais das plantas, tais como o crescimento, a
nutrição, a respiração, etc.).
Este estudo Botânico pretende fornecer ao paisagista inclusive um maior conhe-
cimento sobre fitogeografia, ou seja, sobre as relações entre a planta e o meio am-
biente: ao se estudar a morfologia do vegetal, compreende-se que suas estruturas
evoluíram e se adaptaram ao meio ambiente, ao clima e aos demais seres vivos,
sendo, portanto adequada a determinadas condições — e absolutamente inade-
quadas a outras.
Um exemplo prático disto seria a utilização de vegetais morfologicamente ina-
dequados entre si, plantados lado a lado num jardim: pode-se citar o caso muito
comum de cactos e gramíneas. A solução mais adequada seria estudar as caracterís-
ticas das plantas e colocá-las em convivência com outras que apresentem condições
e necessidades semelhantes ou aproximadas. Utilizar por exemplo plantas de clima
frio em locais de clima frio, juntamente com outras plantas que sejam adaptadas
ao clima frio; respeitar as necessidades de luz solar, água, nutrientes, solo, clima
ideal para cada planta, e ousar sim nos projetos paisagísticos, mas com pesquisa,
responsabilidade e consciência.
Desta maneira, observa-se que é imprescindível o estudo de Botânica para o de-
sempenho das atividades do paisagista, reforçando o pensamento atual de “univer-
salização” do saber, isto é, o profissional não deve se isolar em seu conhecimento es-
pecífico e sim investigar com outros profissionais relacionados, de modo que cada
um, dentro de sua especialidade, possa contribuir para a construção de um todo.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


34 de 198

Esta deficiência identificada na área de paisagismo, possivelmente termina por ofe-


recer ao mercado de trabalho um perfil de paisagista aquém do desejado e de atua-
ção restrita. Tal fato pode ser comprovado quando analisamos a atual produção do
espaço urbano, onde concomitante ao intenso processo de construção e verticaliza-
ção de edifícios, assim como impermeabilizações do solo (através da pavimentação
de ruas, os grandes calçadões, etc.), não tem ocorrido uma proporcional multipli-
cação da área verde, nem nos quesitos de qualidade nem de quantidade.
Pode-se verificar que havendo carência de área verde, aliada ao excesso de área
construída ou impermeabilizada, ocorre um desequilíbrio no meio ambiente;
tal fenômeno provavelmente poderá alterar todo o ecossistema da cidade, como
por exemplo, através da formação de ilhas de calor, promovendo o decréscimo
da umidade relativa do ar, um aumento da temperatura média da cidade, maior
incidência de luz solar, dentre outros, ocasionando males como câncer de pele,
problemas visuais (em virtude do excesso de lux) e muitos outros distúrbios para
a população atual.
Tais transformações, efetuadas de maneira acelerada, além de destruir a paisagem
natural (para dar lugar à morfologia essencialmente urbana, artificial), promovem
remodelações em cima da própria paisagem urbana (por exemplo, destruindo an-
tigos tecidos urbanos, importantes para a história e imagem da cidade, para dar
lugar a modernos complexos arquitetônicos). Vale ressaltar, neste processo, o papel
dos profissionais arquitetos urbanistas, no sentido de promover constantes avalia-
ções em tais transformações urbanas, considerando fatores tais como: respeito à
escala humana, conforto ambiental, estética, eixos de fluxo, quantidade popula-
cional, dentre outros. E, evidentemente, considerando as mesmas problemáticas
na produção dos designers, no caso dos espaços internos.
Tendo em vista atenuar estas dificuldades de lidar com a paisagem, pretendeu-se

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
35 de 198

com este trabalho oferecer aos estudantes, professores e profissionais do ramo, um


instrumento para o estudo de Botânica, no qual as informações botânicas são pas-
sadas numa linguagem analogicamente mais acessível aos projetistas, com uso de
ilustrações relacionando os funcionamentos/ morfologias dos vegetais aos dos ele-
mentos arquitetônicos (em especial no aspecto estrutural de ambos), procurando
assim uma maior integração e intercâmbio entre as duas disciplinas.
Pode-se constatar assim, a relevância da presente pesquisa na medida em que a
mesma visa auxiliar estudantes, professores, pesquisadores do tema bem como
profissionais do ramo, no estudo de uma das mais significativas áreas do Paisa-
gismo: a Botânica.
A importância do estudo de Botânica para a formação do paisagista é indiscutível,
sobretudo quando se analisa qual deve ser a qualidade, o nível dos projetos paisagís-
ticos produzidos na carreira profissional, e num âmbito mais abrangente, qual deve
ser o perfil do profissional formado pelas escolas de arquitetura e design brasileiras.
Assim, este manual objetiva possibilitar aos designers, arquitetos e profissionais que
atuam neste ramo, melhor compreensão sobre Botânica, isto é, especificamente a
caracterização e as potencialidades das plantas, através do uso de linguagem meta-
lingüística; além disto, buscou-se criar um banco de imagens relacionando botânica
e arquitetura, tendo em vista facilitar a assimilação das informações; divulgar in-
formações básicas sobre Botânica, que permitam aos profissionais e estudantes do
ramo a compreensão do funcionamento dos vegetais mais utilizados em Paisagismo.
Decidiu-se abordar apenas as divisões das Pteridophyta, Gymnospermae e An-
gyospermae, por entender que estes grupos de vegetais tem maior aplicabilidade
no Projeto Paisagístico – uma vez que os demais grupos correspondem a vegetais
que vão desde unicelulares, invisíveis a olho nu, seguindo até as algas marinhas e
plantas com sistema circulatório primitivo, cuja utilização é muito específica.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


37 de 198

2
Orientações para o projeto
paisagístico
Para compreendermos como os vegetais são classificados e como eles se relacio-
nam entre si, faz-se necessário estudar a morfologia destas plantas. Sabe-se que a
aparência externa de um ser vivo reflete o processo de evolução e adaptação deste
com o meio ambiente. Assim, se assimilarmos o que determinados formatos das
estruturas vegetais significam, estamos entendendo como esta planta se relaciona
com o meio ambiente e com outros seres vivos.
No intuito de sistematizar este estudo morfológico, buscou-se identificar as partes
constituintes da planta, a saber, raiz, caule, folha, flor e fruto, estudando sepa-
radamente as possibilidades formais de cada uma. A etapa seguinte consistiu na
transposição da compreensão dos termos botânicos através das imagens analógicas
entre a Botânica e a Arquitetura.
Esta transposição de linguagem corresponde a uma maneira eficaz para compre-
endermos algo que não conhecemos bem: ao se converter os termos e fenômenos
próprios do assunto desconhecido em experiências comuns, naturais ao nosso uni-
38 de 198

verso cotidiano, adquirimos uma consciência global do assunto antes completa-


mente desconhecido.
Partindo desta colocação, uma pessoa desprovida de um mínimo de conhecimen-
tos sobre determinado assunto, pode vir a ter uma ideia básica sobre este, a partir
de correlações com informações que já domine. Assim, pode-se assimilar qualquer
assunto, por mais complexo que seja, desde que se disponha de um arsenal mínimo
de conhecimento em outro campo, cujos mecanismos de funcionamento sejam
passíveis de comparação.
No caso específico deste trabalho, a correlação feita se dá entre a Botânica e a Ar-
quitetura. Nesta situação, o vegetal (suas principais partes constituintes, as diver-
sas adaptações, formatos, texturas, fenômenos, enfim os aspectos mais relevantes
para o desenvolvimento de um projeto paisagístico) será analisado sob a ótica
do arquiteto e designer e interpretado segundo o vocabulário da Arquitetura e
Urbanismo e do Design de Interiores, tendo em vista a decodificação de dados
essencialmente botânicos.
Considerando uma planta completa, composta de raiz, caule, folha, flor e fruto,
pode-se traçar um comparativo, numa micro escala, entre esta e os cômodos de
uma casa. A raiz (figura 1A), nesta analogia, corresponde ao acesso para o interior
da casa, ou seja, a porta (figura 1B), por onde entrariam todos os gêneros indispen-
sáveis à sobrevivência de seus moradores (em especial, alimentos).
Na sequência, o caule (figura 2A), que transporta seiva bruta e orgânica por toda
extensão da planta, seria o corredor da casa (figura 2B), permitindo o deslocamen-
to das pessoas aos demais cômodos da casa.
A folha (figura 3A) teria a função da cozinha (figura 3B): é neste local onde se
processa a preparação dos alimentos, a partir da matéria prima que “veio” da porta
de entrada (raiz) e com a energia luminosa proveniente das janelas, ou seja, dos

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
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FIGURA 1A
Raiz: permite o acesso de água,
sais minerais e matéria orgânica
para o vegetal.

FIGURA 1B
Porta: permite o acesso dos
seres humanos à casa, e é por
onde entram todos os recursos
necessários à vida humana.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 2A
Caule: através deste, as seivas bruta
e elaborada são transportadas por
meio de diferencial de pressão, às
diversas partes da planta.

FIGURA 2B
Corredor: através deste, as pessoas
podem se locomover por todos os
cômodos da casa.

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
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FIGURA 3A
Folha: a partir da seiva bruta,
combinada com a luz solar e o gás
carbônico existente na atmosfera
produzem oxigênio (que retorna
à atmosfera), energia e glicose
(consumidos pelo vegetal).

FIGURA 3B
Cozinha: a partir de ingredientes
diversos combinados com o
fogo do fogão, da iluminação
proveniente das janelas e a ação
humana, produz alimentos cozidos
(que são consumidos pelo ser
humano) e resíduos ou lixo (tanto
das embalagens que continham
os ingredientes, como o produto
da digestão humana, ambos
eliminados da casa e retornando
ao solo, mares, oceanos, etc., ou
em alguns casos, são reciclados e
retornam á casa).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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estômatos (pequenos orifícios existentes na superfície da folha) os quais permitem


a entrada da energia solar.
Da mesma forma que ao cozinhar precisamos de matéria prima e de luz para
visualizarmos a tarefa que estamos executando, a folha precisa dos nutrientes
advindos da raiz e da luz solar encaminhada pelos estômatos para iniciar a fotos-
síntese. O alimento preparado na cozinha (folha) é distribuído por toda a casa
através dos corredores (caule).
A flor, dependendo de seu estado de desenvolvimento, pode corresponder à sala
ou ao quarto. Na fase inicial de desenvolvimento, a flor (figura 4A), antes de
ser fecundada, corresponde à sala (figura 4B), o cômodo mais bem decorado da
casa, onde o morador procura dispor seus melhores móveis, cortinas, onde rece-
bemos nossos convidados e lhes oferecemos alimentos e tudo que há de melhor
em nossa casa.
Da mesma forma, a flor reúne em si as características de beleza, aromas, texturas
mais agradáveis aos seus convidados (no caso, os agentes polinizadores, tais como
insetos, pássaros, etc.), servindo-lhes lanches (que seria o pólen), constituindo en-
fim a parte social da casa, pensada de forma a atrair os amigos, parentes, etc.
Num momento seguinte, no instante da fecundação, a flor (figura 5A) apresenta
características do cômodo “quarto” (figura 5B), pois se torna mais resguardada
(uma vez que seu objetivo de ser fecundada já foi alcançado), e é onde ocorrem os
processos mais íntimos da planta, que são os relativos à reprodução.
O fruto (figura 6A) serviria como escritório (figura 6B), como local de trabalho,
onde se recebe clientes (no caso os agentes dispersores como insetos, pássaros, ma-
míferos, etc.), a partir de onde as informações do escritório (sementes) podem ser
repassadas, globalizadas (transportadas pelos agentes dispersores, às vezes a quilô-
metros de distância da planta de origem); é ainda onde a mercadoria (parte comes-

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FIGURA 4A
Flor: vistosa. Colorida, perfumada
e com substancias açucaradas
para atrair os agentes polinizadores
(insetos, aves, mamíferos).

FIGURA 4B
Sala: vistosa, colorida, bem
decorada e com alimentos para
serem servidos às visitas.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 5A
Flor: Neste momento em especial,
com a fecundação da flor, surgem
condições que dão origem aos
descendentes da planta em
questão, por meio das sementes.

FIGURA 5B
Quarto: neste momento em
especial, com a fecundação do
óvulo feminino, surgem condições
que dão origem aos descendentes
do casal, por meio do zigoto.

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FIGURA 6A
Fruto: detém a semente e através
dos agentes dispersores, estas
sementes são espalhadas pelo solo.

FIGURA 6B
Escritório: detém informações
e através de equipamentos ou
serviços, divulga estas informações
segundo seu interesse.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 7B
Fundação: elemento estrutural
da casa, por onde entram as
instalações hidráulicas, elétricas,
sanitárias, telefônicas, etc.

FIGURA 8B
Pilares: elemento estrutural da
casa, que sustenta a cobertura
(tanto sua parte estrutural como
de sua vedação), distribuindo seu
peso para a fundação. As setas
representam a atuação esquemática
das forças na estrutura.

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
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FIGURA 9A
Folhas e flores: corresponde à copa
das árvores e seu ápice geralmente
constitui a parte mais alta do
vegetal. As setas representam a
atuação esquemática das forças na
árvore.

FIGURA 9B
Cobertura: corresponde ao teto da
casa, que protege o homem das
intempéries, e seu ápice (cumeeira)
é a parte mais alta da edificação.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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tível do fruto) é vendida (ingerida pelos animais) ou trocada por transporte (no
caso, locomoção das sementes).
Pode-se ainda relacionar as partes de uma casa com uma planta em termos estru-
turais: neste caso, a raiz (figura 1A) corresponde à fundação (figura 7B) da casa,
por onde entram as instalações hidráulicas, elétricas, sanitárias, telefônicas, dentre
outras. De acordo com o terreno onde a casa se localiza e mesmo com o porte da
casa (número de pavimentos, área construída, etc.) esta fundação pode ser uma
simples sapata (raiz pouco desenvolvida de um arbusto) ou um tubulão (no caso
da raiz de uma árvore de 170 metros de altura).
O caule (figura 2A), com função de sustentação, corresponde aos pilares (figura
8B), na parte mais próxima com a fundação e às vigas, na parte mais superior (os
galhos, ramificações mais extremas do caule).
O conjunto de folhas e flores (figura 9A) corresponderia à cobertura (figura 9B),
podendo representar a laje, o telhado simplesmente, casca de concreto, pórticos,
cúpulas, enfim de qualquer sistema estrutural ou de vedação que proteja o ho-
mem das intempéries, o teto da edificação. Por fim, o fruto (figura 6A) seria um
canteiro de obras (figura 10B): reuniria em si o conjunto de plantas com projetos
arquitetônicos, elétricos, estruturais, hidráulicos, etc. (ou seja, o material genéti-
co contido na semente) e uma quantidade mínima de material de construção —
cimento, areia, ferragens (reservas de nutrientes do próprio fruto, e na semente,
seriam os cotilédones).
Ao entrar em contato com o solo e a água, este canteiro de obras consegue executar
de uma pequena kitchenette, a qual aos poucos vai sofrendo processos de reforma
para ampliação (conforme o vegetal prossegue seu processo de crescimento), até se
tornar uma casa igual a anterior (conforme os projetos originais).
Considerando agora esta mesma planta não mais como uma casa, mas como um

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
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FIGURA 10B
Canteiro de obras: encerra um
mínimo de elementos que permitem
a construção da edificação,
reunindo todos os projetos relativos
a esta, bem como a matéria prima
para sua execução.

FIGURA 11B
Portão de entrada/guarita: acesso
principal de entrada de pessoas no
condomínio.

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edifício com vários apartamentos: teríamos a raiz (figura 1A) como o portão de
entrada/ guarita (figura 11B), por onde os moradores têm acesso aos seus aparta-
mentos; o caule (figura 2A) correspondendo à circulação vertical (seja ela escada ou
elevador) (figura 12B); as folhas (figura 3A) seriam os apartamentos mais simples
(figura 13B), e as flores e frutos (figura 4A e 6A) corresponderiam aos apartamen-
tos de luxo (figura 14B) (com mais equipamentos, melhores materiais de acaba-
mento e instalações mais bem decorados, etc.).
Dentro desta perspectiva, o conjunto de vegetais, como uma floresta (figura 15A),
representaria uma cidade (figura 15B), com os mais diversos estilos arquitetônicos
(morfologias das plantas), gabaritos, condições climáticas, topografia, divergências
sociais (vegetais parasitas x vegetais clorofilados), etc.
Trabalhando ainda numa macro escala, podemos considerar um vegetal como sen-
do um país: nesta concepção, as raízes (figura 1A), seriam os grandes latifúndios
(figura 16B), as grandes fazendas produtoras/ captadoras de matéria prima e ali-
mentos; o caule (figura 2A) e suas demais ramificações consistiriam no sistema
de circulação (figura 17B), correspondendo às avenidas, rodovias, que ligam os
grandes centros fornecedores de matéria prima aos grandes centros urbanos indus-
trializados (figura 18B), que corresponderiam às folhas, flores e frutos.
Dentro destas “tipologias” de centros urbanos, poder-se-ia colocar que o fruto seria
a capital de um país (figura 19B1), dado a seu caráter de envio de informações
(sementes), de “comunicação com o exterior”; a flor seria a cidade sustentável (fi-
gura 19B2), que consegue aliar progresso com qualidade de vida, apresentando-se
como uma cidade esteticamente agradável, bem cuidada; a folha seria a cidade de
caráter mais industrial (figura 19B3), (cuja função é produzir alimentos a partir da
matéria prima trazida pelas rodovias) de menor porte, e em maior quantidade que
as “cidades tipo flor e fruto”.

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
51 de 198

FIGURA 12B
Circulação vertical: responsável pelo
transporte de pessoas aos diversos
pavimentos do edifício, podendo ser
elevador, escadas ou rampas.

FIGURA 13B
Apartamentos simples: são espaços
geralmente mais compactos, com
poucos cômodos, com planta baixa
padrão, sem grandes preocupações
em personalizá-la para seus futuros
moradores.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 14B
Apartamentos de luxo: são espaços
mais amplos, com vários cômodos,
totalmente personalizados de
acordo com as necessidades dos
clientes.

FIGURA 15A
Floresta: conjunto complexo de
vegetais, com plantas apresentando
diversas morfologias, alturas,
texturas, cores, etc.

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FIGURA 15B
Cidade: conjunto complexo
demográfico, não agrícola,
assentado em tecido urbano,
formado na maioria dos casos por
quadras, vias, lote, etc.

FIGURA 16B
Grandes latifúndios: propriedades
rurais, de monocultura, produzem
gêneros alimentícios para abastecer
os centros urbanos.

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FIGURA 17B
Sistema viário: vias em geral, de
todos os portes, que interligam
várias localidades.

FIGURA 18B
Grandes centros urbanos: dotados
de indústrias que transformam
a matéria prima em produtos
industrializados.

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FIGURA 19B1
Grandes centros urbanos - capital
do país: seria a “semente”,
dado o seu caráter de “envio
de informações” em âmbito
internacional. Ex.: Brasília DF

FIGURA 19B2
Grandes centros urbanos - cidade
sustentável: seria a “flor”, aliando
progresso e qualidade de vida,
mostrando-se agradável a seus
habitantes. Ex,: Curitiba PR

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Refletindo sobre as analogias acima descritas, pode-se colocar que o vegetal encerra
em si uma série de funções, e se compõe de uma série de estruturas básicas que
podem se reproduzir em diferentes escalas, dependendo do ponto de vista, assim
como a Arquitetura.
No caso do vegetal, esta escala varia desde o vegetal unicelular, ao complexo con-
junto de organismos superiores mais evoluídos, da classe Dycotiledoneae, e no caso
da arquitetura varia desde a casa embrião (dotada de quarto, banheiro, sala e cozi-
nha) até o projeto com diretrizes urbanísticas de cunho regional.
Tendo em vista a identificação de uma série de similaridades morfológicas passíveis
de comparação, a seguir são trabalhadas comparações entre as Partes Constituintes
das Plantas e a Arquitetura.

FIGURA 19B3
Grandes centros urbanos - cidade
industrializada: seria a “folha”, cuja
função é produzir bens de consumo,
provenientes das rodovias. Ex.:
Diadema SP

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3
Partes constituintes das plantas

A seguir serão estudadas as partes constituintes das plantas, ou seja, a raiz, caule,
folha, flor e fruto; de cada elemento serão fornecidas informações sobre sua defini-
ção, origem, características, partes que o compõe, as diferentes classificações/ tipos
de acordo com as especificidades de cada estrutura.
Estas informações são compostas por textos e imagens relativos à Morfologia Bo-
tânica, bem como as respectivas analogias (de textos e imagens) dentro de Arqui-
tetura e Urbanismo.

3.1 RAIZ
A raiz possui basicamente duas funções: a de fixar o vegetal ao solo (função estrutu-
ral) e de captar e transportar água e sais minerais para o restante da planta (função
nutricional). Devido aos processos evolutivos/ adaptativos, existem alguns tipos
de raiz que desenvolveram outras funções que não somente as supra citadas, como
será visto mais a frente.
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Como já foi mencionado na introdução do item 5. Orientações ao Projeto Paisa-


gístico, com relação à função estrutural da raiz, pode-se tecer uma comparação em
termos de arquitetura com a fundação de uma edificação.
Tanto a raiz (figura 1A) de um vegetal como a fundação de um edifício (figura
7B) são responsáveis por descarregar no solo as forças resultantes da ação da força
normal (que corresponde à ação da força da gravidade sobre as estruturas, ou seja,
a atuação do peso próprio), de eventuais componentes Fx e Fy (caso a estrutura
encontre-se inclinada em relação ao solo, em ângulo diferente de 90º), e outras
cargas permanentes (cargas aplicadas constantemente na estrutura).
Além destas, a raiz e a fundação recebem os esforços provenientes de outras forças
que atuam externamente em suas estruturas, que correspondem às cargas variáveis
ou acidentais. De acordo com Silva (1997, p. 57), no caso da fundação, estas cargas
variáveis correspondem a:

a) as cargas úteis (pesos e efeitos colaterais como frenagem,


efeitos dinâmicos, força centrífuga, etc.); b) os pesos, empuxos e
pressões de líquidos cujo nível é variável (as pressões dinâmicas
da água corrente de um rio). c) as cargas não permanentes apli-
cadas durante a construção (equipamentos, depósitos de mate-
riais, etc.). d) as ações naturais (vento, temperatura, neve, etc.).

Pode-se destacar ainda outras características das raízes: a raiz tem em geral geotro-
pismo positivo (ou seja, cresce para “dentro do solo”), são desprovidas de clorofila
(pigmento esverdeado que possibilita a fotossíntese nas folhas do vegetal), de ge-
mas ou botões vegetativos (estruturas existentes no caule da planta e que dão ori-
gem às folhas e aos ramos) e na maioria dos casos são subterrâneos. Também estas
características possuem exceções, que serão estudadas oportunamente.

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Com relação à morfologia externa, a raiz se divide em cinco partes, que seriam:
Caliptra ou Coifa; Zona Lisa, de Crescimento ou de Extensão; Zona Pilífera ou
Absorvente, Zona Suberosa ou de Ramificação e Colo ou Coleto. (figura 20A)
1) A Coifa ou Caliptra corresponde à região terminal da raiz, sensivelmente mais
avolumada e em formato de dedal, formando uma espécie de “capa” protetora na
extremidade da raiz (figura 20A). Amortece o atrito da raiz com o solo, protegen-
do principalmente a Zona Lisa ou de Crescimento. No caso das raízes aquáticas,
a coifa ou caliptra se apresenta mais avolumada, para uma maior proteção da raiz.
Com relação a esta parte da raiz, pode-se fazer uma analogia com o mecanismo
de fixação do parafuso de bucha (figura 21B). A bucha, ao ser introduzida num
orifício na parede, simultaneamente penetra de forma profunda neste orifício
e reduz o atrito entre a parede e o parafuso, permitindo uma maior fixação do
parafuso à parede.
Do mesmo modo que a coifa reduz o atrito entre a zona lisa e o solo, possibilitan-
do uma maior fixação da raiz ao solo, a bucha reduz o atrito entre o parafuso e a
parede, possibilitando uma maior fixação deste à parede.
2) A Zona Lisa, de Crescimento ou de Extensão situa-se entre a Coifa e a Zona
Pilífera; área de maior crescimento da raiz, determinando o seu alongamento (fi-
gura 20A). Esta área é desprovida de ramificações para permitir que a raiz penetre
mais facilmente no solo e se estenda para seu interior. Caso houvesse ramificações,
haveria mais atrito, dificultando a fixação da raiz.
Ao se comparar esta porção da raiz com os diversos tipos de fundação, observar-
-se-á que em ambas inexistem ramificações ou estruturas em sentido transversal à
raiz ou às fundações. Tal fato ocorre, como já foi argumentado, para evitar atritos
desnecessários com o solo, permitindo assim a maior penetração no terreno, tanto
quanto for possível.

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Obviamente o fato da raiz, assim como toda a planta crescer, (o que não ocorre
com as fundações) permite que esta já no interior do solo, desenvolva ramificações
em outros sentidos e em outros pontos da raiz, aumentando consideravelmente
seu poder de fixação ao solo.
Um tipo de fundação que apresenta elementos ortogonais entre si (semelhantes ao
das raízes) pode ser identificado em casos excepcionais, como por exemplo, para
apoiar estruturas muito excêntricas (figura 22B).
3) A Zona Pilífera ou Absorvente é a região da raiz dotada de pêlos que aumentam
a superfície de contato com o meio, sendo a principal responsável pela absorção
de água e sais minerais (figura 20A).Trata-se de uma estrutura frágil e, segundo
Raven, (1985, p.450):

Por esta razão, deve-se ter muito cuidado em se remover a maior


quantidade possível de solo juntamente com o sistema radicular
durante o transporte de um vegetal. Se a planta for simplesmen-
te arrancada do solo, a maior parte das raízes absorventes será
abandonada, e, provavelmente, a planta não sobreviverá.

Sua duração é praticamente efêmera: com o tempo, caem para dar lugar às raízes
secundárias, terciárias, etc.
4) A Zona Suberosa ou de Ramificação trata-se da região mais antiga da raiz, de
onde saem as raízes laterais ou secundárias (Figura 20A). É suberiforme, ou seja,
apresenta o tecido similar ao da cortiça, sendo, portanto impermeável.
No que diz respeito às zonas Pilífera (ou Absorvente) e Suberosa (ou de Ramifica-
ção), é possível traçar um paralelo com as diferentes fases por que passa o concreto
armado (ou seja, a mistura aglomerante, areia, brita ou pedregulho e água necessá-
ria à formação de uma pasta).

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FIGURA 20A
Partes constituintes da raiz.

FIGURA 21B
Bucha: reduz o atrito entre o
parafuso e a parede.

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FIGURA 22B
Estruturas excêntricas: exigem
“ramificações” da fundação.

FIGURA 23B
Momento inicial da concretagem.

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FIGURA 24B
Concreto como bloco monolítico de
pedra.

FIGURA 25B
Cinta: amarração entre a fundação e
os pilares/paredes da edificação.

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FIGURA 26B
Construção tradicional: estrutura
embutida na vedação.

FIGURA 27B
Construção modernista: elemento
estrutural desvinculado da vedação.

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FIGURA 28A
Raiz axial ou pivotante: raiz principal
central com maior espessura e
comprimento, e raízes secundárias
de menor calibre.

FIGURA 28B
Esquema vetorial da raiz axial ou
pivotante.

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Num primeiro momento, de lançamento do concreto, (Figura 23B) este exige


uma série de cuidados, em virtude de sua condição de estar fresco, assim como a
raiz da zona Pilífera necessita de cuidados por representar uma área bastante sen-
sível da planta.
Neste estágio inicial, de acordo com Pianca (1978, p. 60-63), o concreto precisa
passar pelas etapas de amassamento (tendo em vista obter uma mistura perfeita
entre os componentes do concreto, melhorando assim, as condições de resistência
do conglomerado); de adensamento (o que reduz a possibilidade de permanência
de vazios na massa, formando um produto mais compacto e resistente); precisa
ser protegido das variações de temperatura (que podem prejudicar a resistência do
concreto); e finalmente, deve ser submetido ao processo de cura (que consiste no
umedecimento do concreto exposto ao sol, para evitar a rápida evaporação da água
existente neste).
Depois de iniciada a pega (processo de enrijecimento do concreto), a resistência do
concreto (tendo sido observadas as condições favoráveis de sua preparação) cresce
continuamente com o passar do tempo, assumindo a consistência de um monolí-
tico de pedra (Figura 24B).
Do mesmo modo a raiz, com o passar do tempo, cresce, e o que era a zona pilífera
se transforma em zona suberosa, modificando sua consistência de frágil estrutura
com espessura capilar para um material mais resistente, suberiforme e atinge maio-
res espessuras, conforme for o porte do vegetal.
5) O Colo ou Coleto corresponde à região de transição entre o caule e a raiz (Figu-
ra 20A). A principal diferença identificada entre o caule e a raiz nesta estrutura, é a
distribuição interna dos tecidos transportadores de seiva e matéria inorgânica, que
“são concêntricos e alternados na raiz e reunidos em feixes no caule (...)”.
Da mesma forma que o colo ou coleto corresponde à transição entre as raízes e o

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caule, a cinta ou baldrame (Figura 25B) consiste na transição entre a fundação de


um edifício e seus pilares. Segundo Pianca (1978, p. 488), a cinta além de con-
solidar a estrutura do edifício, serve para distribuir a carga dos pisos e cobertura.
Corresponde também a “uma camada isolante e de consequente proteção do viga-
mento contra a umidade e com frequência também fazem às vezes de vergas, com
as quais se confundem” (PIANCA, 1978, p. 488).
A cinta proporciona uma maior “amarração” da estrutura, consistindo numa viga
de concreto armado (altura de 6 a 10 centímetros), com largura igual ou menor
à largura da parede que a encima, e se localiza no mesmo nível que o do respaldo
do piso ou do teto (conforme a edificação for térrea ou com vários pavimentos).
As raízes podem ainda ser classificadas de acordo com os seus Tipos de Ramifi-
cação, quanto à Consistência, quanto à sua Origem (Normais ou Adventícias),
quanto ao seu Habitat (Terrestre, Subterrâneo, Aquático ou Aéreo) e ainda quanto
às suas Modificações/ Adaptações.
Para o estudo morfológico, contudo, as classificações mais relevantes são as que se
referem à origem das raízes, ao seu habitat e quanto às modificações/adaptações.
Neste sentido, quanto à origem, as raízes podem ser classificadas em:
1. Normais: são as raízes que se desenvolvem a partir de uma raiz principal ou da
radícula do embrião (estrutura existente dentro da semente que ao se desenvolver
dá origem à raiz). Constitui-se da raiz principal e as secundárias e corresponde ao
tipo de origem mais frequente das raízes (Figuras 28A, 29A, 30A, 31A, 32A, 33A).
2. Adventícias: são as raízes que se formam a partir de caules ou de folhas, corres-
pondendo a estruturas aéreas, em especial no caso dos caules subterrâneos. São
as raízes grampiformes, fúlcreas, etc., e representam as origens “excepcionais” das
raízes, geralmente adaptações que estas plantas criaram há milhares de anos para
adequarem-se ao meio em que se inserem (Figuras 37A, 40A).

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FIGURA 29A
Raiz ramificada: raiz principal
destacada, que se ramifica em
secundária, terciária, etc, sendo
possível visualizar os diferentes
tamanhos e espessuras.

FIGURA 29B
Esquema vetorial da raiz ramificada.

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FIGURA 30A
Raiz fasciculada: raiz principal, apresentando
mesma espessura e comprimento das
demais

FIGURA 30B
Esquema vetorial da raiz
fasciculada.

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FIGURA 31A
Raiz axial tuberosa: é a raiz que
acumula reservas nutritivas em
sua raiz axial, principal, e as
demais raízes são, praticamente,
desprezíveis, considerando seus
tamanhos e espessuras. (cenoura –
Daucus carota L).

FIGURA 31B
Esquema vetorial da raiz axial
tuberosa.

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FIGURA 32A
Raiz adventícia tuberosa: é a raiz
que acumula reservas nutritivas
nas proximidades da superfície do
solo e as demais raízes não são
desprezíveis, considerando seus
tamanhos e espessuras. (Dália –
Dahlia pinnata).

FIGURA 32B
Esquema vetorial da raiz adventícia
tuberosa.

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Comparando as plantas de origem normal e as adventícias, com tipos arquitetô-


nicos, é possível traçar um paralelo entre a construção tradicional (Figura 26B)
e o rompimento desta arquitetura, causado pelo modernismo (Figura 27B),
respectivamente.
As plantas de origem normal, com suas estruturas dentro da concepção mais “tra-
dicional” de vegetais, ou seja, raízes partindo da extremidade inferior dos caules e
apresentando o geotropismo positivo, seriam similares às construções tradicionais
onde a estrutura também representa o elemento de vedação ou encontra-se imbu-
tida na vedação.
De acordo com Reis Filho (1995, p 34), estas edificações tradicionais “avançavam
sobre os limites laterais e sobre o alinhamento das ruas, como as casas coloniais [...]
(caracterizam-se) [...] pela simplicidade dos esquemas, com suas paredes grossas,
suas alcovas e corredores, telhados elementares e balcões de ferro batido.”
Já as raízes cuja origem é adventícia, podem ser comparadas à estrutura proposta
nas edificações modernistas:

Pela primeira vez seriam exploradas amplamente as possibilida-


des de acomodação ao terreno, em que pese a exiguidade dos
lotes em geral. Para isso contribuiria principalmente o uso das es-
truturas de concreto, que viriam libertar as paredes de sua primiti-
va função de sustentação e as estruturas de sua rigidez. Agora as
lajes de piso e de cobertura seriam de concreto, em substituição
às velhas estruturas de madeira, com soalhos de tábuas longas e
revestidas por baixo com forros de estuque ou madeira. Também
as vigas e colunas eram agora de concreto; as paredes de tijolos
não mais seriam estruturais, mas funcionariam apenas como pai-
néis de vedação (REIS FILHO, 1995, p. 34).

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Também no que tange a escala evolutiva, estes elementos podem ser comparados:
considerando o desenvolvimento natural, as raízes normais surgiram antes das ad-
ventícias; estas últimas consistem em processos evolutivos onde alguns vegetais,
buscando melhores condições de sobrevivência em ambientes de certo modo hos-
tis, adaptaram seu organismo desenvolvendo mecanismos que otimizassem obten-
ção de água, luz, gás carbônico/ oxigênio, etc.
Do mesmo modo, a arquitetura tradicional surgiu antes da modernista; esta últi-
ma, reflexo de novos pensamentos acerca da implantação do edifício no lote, da
relação estrutura x elemento de vedação, ornamentos, materiais, simetria x modu-
lação, dentre outros aspectos.
Quanto ao seu Habitat, as raízes podem ser classificadas em Subterrâneas, Aquáti-
cas ou Aéreas. As raízes subterrâneas podem ainda ser divididas em axial ou pivo-
tante; ramificada; fasciculada, cabeleira ou cabelame; e tuberosa.
Tendo em vista uma melhor compreensão das raízes subterrâneas, serão vistos a se-
guir diagramas esquemáticos representando a disposição da tipologia de cada raiz,
enfatizando suas posições relativas e hierarquias em termos de espessura e compri-
mento, que corresponde em síntese, aos aspectos que as diferenciam entre si.
A raiz axial ou pivotante é caracterizada pela existência de uma raiz principal cen-
tral (primária) que se desenvolve mais que as outras (secundárias), sendo que é
a partir desta principal que surgem as secundárias. Normalmente estas raízes se-
cundárias não ultrapassam o comprimento da raiz axial e em alguns casos, são
praticamente desprezíveis em relação a esta. Este tipo de raiz é comum na divisão
Gymnospermae, e dentro da divisão Angyospermae, ocorre na ordem das Dycotiledo-
neae (Figuras 28A e 28B).
As raízes ramificadas são caracterizadas pela raiz principal que se ramifica em se-
cundária, terciária, etc. As raízes secundárias neste caso são oblíquas em relação às

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principais. Como exemplo podem ser citadas a maioria das árvores e arbustos da
ordem Dycotiledoneae (Figuras 29A e 29B).
A raiz fasciculada, em cabeleira ou cabelame, é caracterizada pela atrofia precoce
da raiz principal, e pelo surgimento de várias outras raízes secundárias, formando
um feixe, entre as quais não é possível distinguir pela forma, posição, espessura
ou desenvolvimento, qual seria a principal. Este tipo de raiz é comum nas
Monocotyledoneae, como o alho (Allium sativum). (Figuras 30A e 30B).
Finalmente a raiz tuberosa é caracterizada pela raiz que, em sua porção mais pró-
xima à superfície do solo, dilata-se em virtude do acúmulo de reservas nutritivas;
estas reservas constituem-se na maioria das vezes, de açúcar e amido. Como exem-
plo, tem-se a beterraba (Beta vulgaris), nabo (Brassica napus), rabanete (Raphanus
sativus), aipim (Manihot utilissima), etc.
As raízes tuberosas podem ser classificadas ainda em: axial tuberosa (cenoura -
Daucus carota L) (Figuras 31A e 31B); adventícia tuberosa (dália - Dahlia pinnata)
(Figuras 32A e 32B); ou secundária tuberosa (batata doce - Ipomoea batatas L)
(Figuras 33A e 33B).
Com relação às raízes aquáticas, estas são caracterizadas por desenvolverem-se em
meio aquoso; deste modo, além das raízes com função de absorção, formam ou-
tras, curtas e grossas, capazes de armazenar ar e flutuar. Em muitos casos, tais raízes
podem apresentar a cor esverdeada, o que significa presença de clorofila (ou seja,
tais raízes auxiliam no processo de fotossíntese do vegetal).
De acordo com Pereira, (1980, p. 8), as raízes aquáticas podem se subdividir ainda
em natantes (corresponderiam às que flutuam, ficando em suspensão na água) e as
lodosas (que se fixam em pântanos e no fundo de rios e lagos). Como exemplos,
pode-se citar respectivamente o aguapé (Eichhornia crassipes) (Figura 34A) e a vitó-
ria régia (Victoria regia Lindl) (Figura 35A).

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FIGURA 33A
Raiz secundária tuberosa: é a raiz
que acumula reservas nutritivas
nas extremidades das raízes e
as demais não são desprezíveis,
considerando seus tamanhos e
espessuras (Ipomoea batatas).

FIGURA 33B
Esquema vetorial da raiz secundária
tuberosa.

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FIGURA 34A
Raiz aquática natante: cujas raízes
não se fixam, fazendo com que a
planta “flutue” por toda a superfície
do rio (aguapé – Eichhornia
crassipes).

FIGURA 34B
Construção flutuante: na ilustração,
um barco escola, que percorre toda
a extensão do rio onde se encontra.

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FIGURA 35A
Raiz aquática lodosa: cujas raízes
se fixam no fundo dos lagos, rios,
etc. (vitória régia – Victoria regia
Lindl).

FIGURA 35B
Base de produção de petróleo:
onde o reservatório é marítimo e a
fundação, em tubulão de aço.

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FIGURA 36A
Raiz cintura ou estranguladora:
cresce ao redor de outros vegetais
(suportes), engrossa o caule e
termina por estrangular seu suporte.
(Ceiba pentandra).

FIGURA 36B
Favela: implantação espontânea e
desprovida de infraestrutura, que
termina por erodir ou destruir o sítio
onde se localiza.

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FIGURA 37A
Raiz grampiforme ou aderente:
cresce em forma de grampos ou
ganchos; auxilia a planta trepadora
a se fixar no suporte, mesmo que
este seja íngreme (hera - Ficus
pumilla).

FIGURA 37B
Construções em planaltos ou
terrenos montanhosos: edificações
fixadas a terrenos íngremes e de
difícil acesso.

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Construções cujas fundações se encontram submersas em água podem ser encontra-


das nos seguintes exemplos: edificações que flutuam em lagos ou rios e edificações
que abarcam bases de produção de petróleo cujo reservatório localiza-se no mar.
Edificações que flutuam no mar (Figura 34B) podem adquirir uma série de usos,
como estadia temporária (hotel flutuante), laboratórios especializados, escola, etc.
Nesta situação, assim como no caso da raiz natante, estas “edificações” flutuam so-
bre a superfície da água, sem se fixar por fundações, desta maneira locomovendo-se
por toda extensão de lâmina d’água onde estão inseridas.
Uma base de produção de petróleo, neste caso, se assemelha à raiz lodosa, pois
como ela se fixa ao fundo do mar; esta fixação ocorre através de tubulões de aço,
devidamente tratados para suportar o grau de salinidade da água, bem como as
variações do nível do mar e suas movimentações (como aquele provocado pelas
ondas) (Figura 35B).
Em se tratando das raízes aéreas, ou seja, aquelas que se desenvolvem fora do solo,
Vidal, (1986, p. 101) considera a seguinte classificação: cinturas ou estrangula-
doras; grampiformes ou aderentes; respiratórias ou pneumatóforos; sugadoras ou
haustórios; suportes ou fúlcreas; e tabulares. Assim como as raízes aquáticas, as ra-
ízes aéreas podem apresentar a cor esverdeada, significando a presença de clorofila.
A raiz cintura ou estranguladora é aquela que cresce ao redor de outros vegetais
(utilizando-os como suporte), com o objetivo de fixação, desenvolvem-se engros-
sando seu caule e terminam por estrangular seu suporte — sendo que em muitos
casos este suporte pode ainda morrer (Figura 36A). Exemplos deste tipo de raiz
seriam o cipó mata pau (Ficus sp) e certas epífitas.
Um acontecimento similar ao que ocorre com a raiz cintura ou estranguladora no
espaço urbano pode ser observado nas favelas (Figura 36B), que de acordo com o
Ministério do Interior (BRASIL, 1989, p. 27-34) é definida como uma ocupação

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FIGURA 38A
Raiz respiratória ou pneumatóforo:
cresce para cima, procurando o
ar, captando o oxigênio por meio
de orifícios existentes em toda
sua extensão. Essa raiz ocorre
em mangues e chega a atingir o
nível das marés altas (Rhizophora
mangle).

FIGURA 38B
Catedral gótica: os arcobotantes
distribuem o peso da estrutura ao
solo e, morfologicamente, assumem
forma arqueada.

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desordenada e não controlada, de terrenos pertencentes a terceiros, sem condições


mínimas de infraestrutura e saneamento básico, onde faltam recursos, as casas são
feitas com tecnologia de qualidade inferior, a partir de reaproveitamento de mate-
riais e lançamento de detritos – o que acarreta construções de péssima qualidade.
A favela, na maioria dos casos, se situa em áreas de encostas ou de proteção am-
biental (tais como nos sopés de montanhas e serras, áreas de mangue ou de praia,
florestas, etc.), contra indicadas para a construção de quaisquer usos.
Ao se instalar, as preocupações urbanísticas praticamente inexistem (tais como, a
criação de recuos entre edificações e os limites de seus lotes, calçadas, áreas verdes
livres, vias, equipamentos, etc.), assim como em relação à infraestrutura (constru-
ção de encanamentos para esgoto, para escoamento de águas pluviais, instalações
elétricas e hidro sanitárias concebidas dentro das normas, etc.) e mesmo no tocante
às próprias unidades habitacionais (muitas vezes construídas com material de baixa
qualidade ou inadequados para tal fim, como papelão, plástico, etc.).
Neste quadro de precariedade, a favela termina por “destruir” o sítio no qual se in-
sere, seja através da erosão (quando se desmata as encostas e as habita sem maiores
preocupações urbanísticas e de infraestrutura, a ação de chuvas faz com que o solo
inclinado desmorone, levando consigo as precárias construções da favela), seja atra-
vés da destruição do meio ambiente (no caso da favela se inserir em áreas de prote-
ção ambiental, e nestes locais depositar os detritos, tanto sanitários como de lixo).
Desta forma, a favela se assemelha à raiz cintura ou estranguladora uma vez que
ambas, ao crescerem, “destroem” os seus respectivos suportes, (que no caso corres-
ponde ao ambiente no qual a favela se localize).
As raízes grampiformes ou aderentes são raízes que crescem em forma de grampos
ou ganchos, as quais auxiliam a planta trepadora a se fixar no suporte, mesmo que
este seja íngreme (Figura 37A). Ex.: hera (Ficus pumilla), Hedera helix e Araliaceae.

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FIGURA 39A
Raiz sugadora ou haustórios:
são raízes de plantas parasitas
que germinam em outro vegetal
hospedeiro; desenvolvem um órgão
de contato que penetra os vasos
da hospedeira, sugando-lhe a seiva
orgânica (cipó chumbo – Cuscuta
racemosa).

FIGURA 39B
Aldeias indígenas ou primitivas:
“sugam” os nutrientes do solo de
um determinado local (em virtude
do plantio constante dos mesmos
vegetais) e seguem para outro,
onde ocorre o mesmo processo.

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Da mesma forma que as raízes grampiformes ou aderentes se fixam a um suporte


para poder crescer, as fundações das construções em planaltos ou terrenos monta-
nhosos encontram-se fixadas a seus terrenos íngremes (Figura 37B).
Apesar das dificuldades para se implantar uma edificação neste tipo de terreno
(tanto no que se refere ao transporte de materiais de construção até o local da fu-
tura edificação, como a própria construção da fundação), dentre os vários tipos de
fundação é considerada a mais resistente, pois nesta situação, utiliza-se a própria
rocha (geralmente blocos de granito) para suportar a estrutura da edificação.
As raízes respiratórias ou pneumatóforos são raízes que crescem para cima, pro-
curando o ar; nestes casos, as raízes funcionam como órgãos de respiração, cap-
tando o oxigênio por meio de orifícios existentes em toda sua extensão. Tais raí-
zes ocorrem em mangues e chegam a atingir o nível das marés altas; fazem ainda
com que seu caule permaneça sem tocar a superfície do solo, e é através destas
raízes que o peso do vegetal é distribuído ao solo (Figura 38A). Ex.: Avicennia
tomentosa, Verdenacea, e para citar um exemplar característico dos pântanos, o
cipreste (Taxodium distichum).
Morfologicamente, pode-se colocar a semelhança entre as raízes respiratórias ou
pneumatóforos e as antigas catedrais góticas, mais especificamente em relação às
estruturas denominadas contrafortes ou arco portantes (Figura 38B).
A catedral gótica, conforme Koch, (1998, p. 126) é dotada de contrafortes exterio-
res, denominados arcobotantes, os quais

[...] passam por cima das naves menores ligando os botaréus


(obra maciça de alvenaria para reforçar as paredes sujeitas a
grandes empuxos laterais) à nave central e alinhando-os aos
arcos transversais, que do ponto de vista estático são os mais
importantes. Os contrafortes exteriores possuem, além disso,

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a carga dos pináculos (pequena torre ornamental gótica, fina e


pontiaguda, construída sobre torres ou gabletes), que servem de
contrapeso para a pressão lateral do telhado e das abóbadas.

Assim como as raízes respiratórias ou pneumatóforos, os arcobotantes auxiliam na


distribuição do peso do restante da estrutura a ser descarregado ao solo e morfo-
logicamente, ambos assumem uma forma arqueada, que liga o caule (no caso das
raízes) ou as paredes/ colunas (no caso da catedral gótica) ao solo.
As raízes do tipo sugadora ou haustórios são raízes de plantas parasitas que ger-
minam em outro vegetal hospedeiro; tais raízes crescem em direção ao caule do
hospedeiro e desenvolvem um órgão de contato de onde partem os haustórios
(estruturas muito finas) que penetram os vasos da hospedeira, sugando-lhe a seiva
orgânica (Figura 39A). Ex.: cipó chumbo (Cuscuta racemosa), Concolvuláceas, erva
de passarinho (Loranthus marginatus), Rafflesia arnoldii.
Assim como as raízes sugadoras ou haustórios sugam a seiva orgânica de outro
vegetal, as aldeias indígenas ou primitivas, no estágio inicial de aprendizado da
agricultura, “sugam” os nutrientes do solo de um determinado local, (em virtude
do plantio constante dos mesmos vegetais) sem destruí-lo, como o faz os favelados
e seguem para outro lugar, onde ocorre o mesmo processo (Figura 39B).
Tal fato ocorria (e ainda ocorre atualmente) em virtude do desconhecimento
de técnicas de adubação ou reposição de nutrientes ao solo através de outras
técnicas (deposição de outros tipos de matéria orgânica ou por meio químico),
e sabe-se que ao sobrecarregar o solo com a produção frequente de um mesmo
vegetal, este “esgota-se” e deixa de produzir com a mesma qualidade, até que seja
recuperado e reflorestado.
As raízes suportes ou fúlcreas são raízes que se desenvolvem a partir do caule, bro-
tando em direção ao solo, onde penetram, se fixam e ramificam. Estas raízes man-

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têm o caule no alto e com o passar do tempo, atingem grandes dimensões, tornam-
-se vigorosas e auxiliam a escorar os galhos maiores da planta. Em alguns casos,
estas raízes são capazes de suportar sozinhas, toda a copa da árvore (Figura 40A).
Ex.: milho (Zea Mays L.), Philodendron, pândano (Pandanus sp), Rhizophora sp.
Neste caso, é possível traçar um comparativo entre as raízes suporte ou fúlcreas
com os pilotis de um edifício (Figura 40B). De acordo com Koch, (1998, p. 195)
os pilotis são “suportes que sustentam o edifício deixando-o elevado do chão”, e
como fazem parte do sistema estrutural, sustentam todo o peso do edifício, trans-
mitindo-o às fundações e ao solo.
Como ocorre com as raízes suporte ou fúlcreas, os pilotis mantêm o edifício (caule)
no alto e são capazes de suportar o peso de todo o edifício (caule e copa).
As raízes tabulares são aquelas que partem do caule e atingem o solo, aumentan-
do a superfície de fixação do vegetal; apresentam consistência lenhosa, tal como
o caule. Consistem numa variação do sistema de raízes suportes, sendo parte
aérea, parte subterrânea. Tomam o aspecto de tábuas perpendiculares ao solo,
que ampliam a base do vegetal, proporcionando-lhe mais estabilidade, ao passo
que aumentam a sua superfície respiratória (Figura 41A). Ocorre em árvores de
grande porte, tais como o pau d’alho (Gallezia gorazema), figueira, (Ficus micro-
carpa), chichá (Sterculia chicha).
As fundações em pedra dos grandes fortes, assim como as raízes tabulares, propor-
cionam mais estabilidade às edificações, uma vez que estas suportavam paredes
geralmente com vários metros de espessura, também executadas em pedra (Figura
41B). A respeito das dimensões de uma fundação de pedra, de acordo com Vas-
concellos (1979, p. 13),

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FIGURA 40A
Raiz suporte ou fúlcrea: desenvolve-
se a partir do caule e o mantém
no alto. É capaz de suportar toda
a copa das árvores (pândano –
Pandanus veichii).

FIGURA 40B
Pilotis de um edifício: sustentam
o edifício, deixando-o elevado do
chão, e sustentam todo o seu peso,
transmitindo-o às fundações e ao
solo.

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FIGURA 41A
Raiz tabular: parte do caule e
atinge o solo, aumentando a
superfície de fixação do vegetal,
estabilidade, bem como sua
superfície respiratória. Tem aspecto
de tábua perpendicular ao solo,
de consistência lenhosa (Ficus
rubiginosa).

FIGURA 41B
Forte com fundação em pedra:
dotado de uma forte estrutura
de fundação para suportar o seu
próprio peso, a qual é formada pelo
material mais resistente possível.

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FIGURA 42A
Gavinhas: modificações/adaptações
das raízes que se enrolam a um
suporte (Ex.: Vanilla – Vanilla
planifólia).

FIGURA 43B
Tubulação hidro sanitária: transporta
a água limpa aos diversos pontos
de água existentes no edifício e a
água já servida retorna a outro ramo
de tubulação, através dos ralos de
chuveiro, cuba, etc.

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[...] o dimensionamento dos alicerces modifica-se naturalmente,


em função dos volumes que devem suportar, aprofundando-se e
alargando-se à medida que as paredes suportadas se alteiam.
Alteram-se, ainda, em função do tempo, sendo menos profundos
quando mais recentes.

Assim, verifica-se que tanto o forte como as raízes tabulares, são dotados de uma
forte estrutura de fundação para suportar o seu próprio peso, e esta estrutura é
formada pelo material mais resistente possível (no caso do vegetal, é formado pelo
mesmo material do caule, com consistência lenhosa e no caso dos fortes, a pedra,
material bastante resistente aos esforços de compressão).
As raízes podem ainda, sofrer outras modificações ou adaptações, sendo classifi-
cadas em gavinhas (Figura 42A) - estruturas que se enrolam a um suporte (ex.:
Vanilla planifolia - Orchidaceae) ou espinhos (ex.: buritirana - Mauritia aculeada).

3.2. CAULE
Dentre as principais funções do caule, este serve de ligação entre as raízes e folhas,
é responsável pelo transporte (tanto no sentido raiz – folhas como folhas – raiz) de
matéria inorgânica e seiva (função nutricional); estimula o crescimento e produção
de ramos, flores e frutos (função de crescimento), dispondo as folhas nas posições
mais favoráveis à fonte de luz; por fim, apresenta a função de suportar o peso de
sua copa (função estrutural).
Com relação à função de transporte de matéria inorgânica e seiva no sentido raiz-
-folhas-raiz, verifica-se que funciona de maneira similar às instalações hidro sa-
nitárias de um edifício. O caule transporta água e sais minerais da raiz para as
folhas e transporta seiva elaborada das folhas às demais partes do vegetal. Do mes-
mo modo, as instalações hidro sanitárias transportam a água limpa do sistema de

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abastecimento público de água, que correspondem a tubulações situadas abaixo


do nível do arruamento ou dos poços artificiais da edificação, encaminham esta
água através dos encanamentos aos diversos pontos de água existentes no edifício
(cozinha, banheiro, área de serviço, enfim, as “áreas molhadas”) e a água já servida
retorna à outro ramo de tubulação (sistema de esgotos sanitários) através dos ralos
de chuveiro, cuba, etc. (Figura 43B).
Este sistema de esgoto, conforme Azevedo Netto (1973, p. 543), é definido como
“conjunto de obras e instalações destinadas a propiciar a coleta, afastamento, con-
dicionamento (tratamento quando necessário) e disposição final, adequadas do
ponto de vista sanitário, das águas servidas de uma comunidade”.
Acerca do crescimento e produção de ramos no caule, é possível traçar uma analo-
gia com as obras de reforma da edificação. Assim como o caule se ramifica e cresce,
nos sentidos vertical e horizontal, o edifício pode sofrer reformas de ampliação
tanto horizontal (no caso das edificações térreas) (Figura 44B) como vertical (por
exemplo, a construção de 2º pavimento numa casa térrea, através do reforço da
estrutura) (Figura 45B).
O caule apresenta também a função de dispor as folhas nas posições mais favorá-
veis para captação de luz solar. Analogicamente, visando atender aos pré-requisitos
do conforto ambiental na edificação, é principalmente nas vedações (paredes) que
se localizam as janelas, por onde entram tanto luz solar como ventilação.
Dependendo do local onde a edificação se encontre, das características específicas
do sítio (orientação e velocidade dos ventos predominantes, períodos e ângulos de
insolação, máscaras de sombras projetadas por edificações no entorno, umidade
relativa do ar, temperatura, dentre outros aspectos), do fator estético e da funcio-
nalidade do projeto, o arquiteto distribui as esquadrias mais adequadas ao edifício
em questão (Figura 46B).

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Finalmente, no que se refere à função do caule de suportar o peso de sua copa, pode
ser traduzida arquitetonicamente como a função dos pilares ou paredes estruturais
de suportar os esforços provenientes da cobertura do edifício (Figuras 9A e 9B).
O caule possui ainda outras particularidades: geralmente apresenta geotropismo
negativo (cresce para “fora” do solo), o que direciona a verticalização da planta
através do crescimento do ramo gemular (ramo situado à lateral do caule) ou cau-
le apical (ramo situado na extremidade superior do caule); ausência de clorofila
(pigmento esverdeado que possibilita a fotossíntese nas folhas da planta); é dotado
de gemas ou botões vegetativos (estruturas que dão origem à ramos ou folhas) e
de folhas. Apresenta na maioria das vezes, uma forma cônica, geralmente muito
alongada, e tem o corpo todo dividido em nós e entrenós.
Da mesma forma que as raízes, as características do caule podem sofrer exceções,
dependendo das adaptações do vegetal ao meio ambiente.
No tocante à morfologia externa, o caule pode ser dividido em três estruturas, as
quais são listadas a seguir: nó; entrenó ou meritalo; e gemas (Figura 47A).
Nó: localizado nas porções centrais do caule, e é a partir dele que surgem as folhas
(Figura 47A).
Dentro da linguagem de Arquitetura, a parte do caule denominada “nó”, pode ser
considerada como sendo a marcação de pé direito da casa (Segundo MONTENE-
GRO, 1997, p. 56, a altura do piso ao forro ou da parte mais baixa da coberta ao
piso), e no caso de um edifício com vários pavimentos, corresponderia a altura de
cada pavimento (Figura 48B).
Entrenó ou meritalo: situa-se também nas porções centrais do caule e corresponde
à região entre nós consecutivos (Figura 47A).
Nesta analogia com a arquitetura, a estrutura vegetal designada como “entrenó”
seria o ponto médio do pé direito, e no caso específico de uma edificação com pé

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FIGURA 44B
Reforma da edificação no sentido
horizontal: funciona como a gema
lateral ou axial dos vegetais.

FIGURA 45B
Reforma da edificação no sentido
vertical: gema terminal ou apical.

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FIGURA 46A
Distribuição das janelas de acordo
com as conveniências de ventilação,
insolação, funcionalidade e estética

FIGURA 47A
Partes constituintes do caule.

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FIGURA 48B
Marcação de pé direito da casa,
e no caso de um edifício com
vários pavimentos, o “nó” do caule
corresponderia à altura de cada
pavimento.

FIGURA 49B
No caso de uma
edificação com pé
direito de 3,00 (três)
metros, o entrenó
corresponde ao
corte imaginário
que dá origem à
representação gráfica
de “planta baixa”.

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direito de 3,00 (três) metros — que corresponde ao pé direito usual de uma casa
— o entrenó corresponde à marcação do corte imaginário nas estruturas verticais
que dão origem à representação gráfica ou desenho técnico denominado “planta
baixa”. De acordo com MONTENEGRO, 1997, p. 51 corresponde à represen-
tação do corte de um plano horizontal que secciona a construção a 1,50 metros
acima do piso, da qual se retira a parte de cima do plano de corte; a planta baixa é
o desenho deste corte, visto de cima para baixo. (Figura 49B).
Gemas: estruturas do caule que podem estar situadas em toda sua extensão e que
quando estimulada, origina e determina o alongamento dos ramos que dão ori-
gem às folhas e flores. Podem se classificar em gema terminal ou apical e lateral
ou axial (Figura 47A).
A gema terminal ou apical encontra-se na porção superior do caule, podendo pro-
duzir ramos de folhas ou flor, bem como promove o crescimento do caule; quando
em determinadas situações de poda, esta gema terminal é eliminada, o vegetal
perde o seu fio condutor de crescimento, e como recurso para sobreviver passar
a emitir ramificações desordenadamente, independente da localização das gemas
originais. Neste processo, o vegetal desprende muita energia, e por isto permanece
durante algum tempo em estado de recuperação, não produzindo flores ou frutos
— até o restabelecimento de seu desenvolvimento “normal”.
A gema lateral ou axial, do mesmo modo que a gema terminal, pode dar origem
a ramos, folhas ou flores; localiza-se, contudo, na porção central do caule, mais
precisamente na axila das folhas (imediatamente abaixo da folha). Na maioria das
vezes não se desenvolve, permanecendo dormente.
A gema, estrutura vegetal responsável pela origem e crescimento dos ramos, cor-
responderia, em arquitetura, às estruturas que possibilitam futuras reformas de
ampliação (quer dizer formas de “crescimento” das edificações), sejam elas hori-

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FIGURA 51A
Caule
semilenhoso
ou sublenhoso:
FIGURA 50A mistura entre os
Caule herbáceo: tipos herbáceo
aspecto de e lenhoso
erva (serralha (crista de galo
– Sonchus - Amaranthus
oleraceus L). hybridus).

FIGURA 52A
Caule lenhoso: consistente e
resistente. (Cedro – Cedrus FIGURA 53A
FIGURA 53B
libanii) Caule com desenvolvimento Edificação tipo “erva”:
de erva: pouco casebre de taipa, coberto por
desenvolvimento e tenro um telhado de duas águas
lenhoso (botão de ouro – com telha canal de barro.
Galinsoga parviflora Cav).

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zontais ou verticais.
Estas estruturas podem ser as extremidades de pilares, a partir dos quais se deseje
anexar um outro pavimento à edificação (mediante os reforços estruturais neces-
sários), correspondendo à gema terminal ou apical, ambas permitindo um cresci-
mento vertical do edifício/ vegetal (Figura 45B); ou contrapisos/ pisos/ baldrames,
indicando uma ampliação lateral da edificação, correspondendo à gema lateral ou
axial, responsáveis pelo crescimento horizontal do edifício/ vegetal (Figura 44B).
Os caules também podem ser classificados quanto à consistência (herbáceo, suble-
nhoso ou semilenhoso e lenhoso), quanto ao desenvolvimento (erva, subarbusto,
arbusto, árvore e liana), quanto à forma (cilíndrico, comprimido ou achatado,
anguloso, estriado e bojudo ou barrigudo), quanto ao habitat (aéreos, subterrâneos
e aquáticos), quanto ao tipo de ramificação (monopodial, simpodial e dicásio) e
quanto às adaptações (gavinhas, cladódio e espinhos).
Quanto à consistência, como foi colocado anteriormente, os caules podem ser
classificados como herbáceos, lenhosos, semilenhosos ou herbáceos. O caule her-
báceo é aquele que exibe aspecto de erva, especialmente por não ser lenhificado
(consistência de madeira, lenha). Ex.: serralha (Sonchus oleraceus L) (Figura 50A),
botão de ouro (Galinsoga parviflora Cau).
O caule semilenhoso ou sublenhoso trata-se de uma mistura entre os tipos herbá-
ceo e lenhoso: a região da base é lenhosa, e seu ápice, contudo, apresenta-se herbá-
ceo, tenro. Ex.: crista de galo (Amaranthus hybridus) (Figura 51A).
A consistência lenhosa corresponde ao caule bastante consistente e resistente,
em virtude da sua lenhificação, e com considerável crescimento em diâmetros
transversais. Ex.: árvores de grande porte em geral, como o cedro (Cedrus libanii)
(Figura 52A).
É possível comparar a consistência dos caules vegetais com a rigidez de materiais

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FIGURA 54A
Caule com
desenvolvimento
de subarbusto:
atinge até
um metro,
consistindo num
arbusto pequeno
(crista de galo– FIGURA 54B
Heliotropium Edificação tipo “subarbusto”: casa de dois
indicum L). pavimentos, construída com tijolos, rebocada.

FIGURA 55A
Caule com desenvolvimento
de arbusto: alcança uma FIGURA 55B FIGURA 56A
altura inferior a 5 (cinco) Edificação tipo “arbusto”: Caule com desenvolvimento
metros; apresenta-se prédio de vários de árvore: ultrapassa a
resistente e lenhoso pavimentos, com estrutura altura de 5 (cinco) metros;
em sua base, tenro e de concreto armado, seu caule é lenhoso
suculento em sua porção revestido em cerâmica e resistente. (Cedro – Cedrus
superior (escudo persa – com cobertura de laje em libanii).
Strobilanthes dyerianus). concreto armado.

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utilizados na construção civil: de acordo com Silva, (1997, p. 68), se diz usualmen-
te que um material é mais rígido que outro “e essa medida de rigidez é uma pro-
priedade de cada material, denominada de módulo de deformação longitudinal,
ou simplesmente conhecida como módulo de elasticidade”.
Partindo desta colocação, o caule herbáceo corresponderia a uma estrutura de ma-
deira, cujo módulo de elasticidade é de 7.050 Mpa (70.500 Kgf/cm2); o cau-
le semilenhoso ou sublenhoso corresponderia a uma estrutura de concreto, com
módulo de elasticidade de 25.549 Mpa (255.490 Kgf/cm2); e o caule com con-
sistência lenhosa seria a estrutura de aço, que apresenta módulo de elasticidade
de 210.000 Mpa (2.100.000 Kgf/cm2). (os valores dos módulos de elasticidade
supracitados foram extraídos de SILVA, 1997, p. 69).
No tocante ao desenvolvimento, os caules podem ser classificados em erva, subar-
busto, arbusto, árvore e liana.
O caule cujo tipo de desenvolvimento é erva apresenta pouco desenvolvimento
e é tenro, devido a pouca ou nenhuma lenhificação. Ex.: crista de galo (Celosia
argentea), botão de ouro (Galinsoga parviflora Cav) (Figura 53A).
Comparando estes níveis de desenvolvimento com tipologias de edificações,
pode-se colocar que o caule de desenvolvimento tipo erva corresponderia a um
casebre de taipa, coberto por um telhado de duas águas com telha canal de
barro (Figura 53B).
O caule subarbusto pode atingir uma altura de até um metro, consistindo num
arbusto pequeno; a sua base é lenhosa e o restante é herbáceo, com ramos tenros
Ex.: crista de galo (Heliotropium indicum L) (Figura 54A).
Ainda comparando com tipologias de edificações, o caule subarbusto correspon-
deria a uma casa de dois pavimentos, construída com tijolos, rebocada, também
coberta por telhas canal, contudo, formando um jogo de planos mais elaborado

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FIGURA 56B FIGURA 57A FIGURA 58A


Edificação tipo “árvore”: Caule com desenvolvimento Caule com formato
arranha céu com mais de de liana: comprimento de cilíndrico: (palmeira –
50 pavimentos, estrutura muitos metros, consistindo Washingtonia filifera).
de aço, revestido com em cipós trepadores. (cipó
vidro e aço, coberto de são João – Pyrostigia
por laje protendida venusta).
impermeabilizada.

FIGURA 59B
FIGURA 58B FIGURA 59A Representação esquemática
Representação esquemática Caule com formato da seção do caule com
da seção do caule com comprimido ou achatado: formato comprimido ou
formato cilíndrico. cactos (Opuntia basilaris). achatado.

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que a tipologia representada pela “erva” (Figura 54B).


O caule arbusto alcança uma altura inferior a cinco (5) metros, apresentando-se
resistente e lenhoso em sua base, tenro e suculento em sua porção superior. Não
possui um tronco predominante, uma vez que se ramifica desde a base. Ex.: escudo
persa (Strobilanthes dyerianus) (Figura 55A).
Comparando este caule com tipologias de edificação, o caule arbusto corresponde-
ria a um prédio de vários pavimentos, com estrutura de concreto armado, revestido
em cerâmica e com cobertura de laje em concreto armado (Figura 55B).
O caule que se desenvolve até se tornar árvore, ultrapassa a altura de cinco (5) me-
tros; seu caule é lenhoso e resistente, apresentando um tronco nítido e sem ramos
na parte inferior, e bastante ramificada na porção superior (constituindo a copa)
Ex.: Cedro (Cedrus libanii) (Figura 56A).
Prosseguindo na comparação por tipologias, o caule cujo grau de desenvolvimen-
to é árvore teria similaridade com um arranha céu com mais de 50 pavimentos,
estrutura de aço, revestido com vidro e aço, coberto por laje protendida imperme-
abilizada (Figura 56B).
A última classificação de desenvolvimento do caule é a liana, cujo comprimento
pode atingir muitos metros, consistindo em cipós trepadores. Ex.: cipó de são joão
(Pyrostigia venusta) (Figura 57A).
O caule cujo desenvolvimento é liana, muitas vezes apresenta-se enroscado a su-
portes (como as árvores); dentro da analogia de tipologias de edificação, este caule
assumiria a condição de um elevador do arranha céu (que seria o vegetal com
desenvolvimento de árvore), uma vez que cresce dependendo de seu suporte, atin-
gindo um comprimento tão alto conforme a árvore que o sustenta.
No que compete à forma do caule, os caules apresentam certa variedade, e para
uma maior compreensão destas formas de caule, serão comparados vegetais que

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FIGURA 60A FIGURA 60B FIGURA 61A


Caule com formato Representação esquemática Caule com formato
anguloso trigonal: tiririca da seção do caule com anguloso tetragonal: macaé
(Cyperus rotundus). formato anguloso trigonal. (Leonurus sibiricus L).

FIGURA 61B FIGURA 62B


Representação esquemática FIGURA 62A Representação esquemática
da seção do caule com Caule com formato estriado: da seção do caule com
formato anguloso tetragonal. cacto formato estriado.

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as possuem e suas respectivas representações de cortes mostrando a seção destes


caules, ou seja suas formas básicas.
Os caules podem ter formato cilíndrico, como a palmeira (Washingtonia filifera)
(Figuras 58A e 58B); comprimido ou achatado, como o cipó e cactos (Opuntia
basilaris) (Figuras 59A e 59B); anguloso trigonal, no caso da tiririca (Cyperus
rotundus) (Figuras 60A e 60B) e anguloso tetragonal, do macaé (Leonurus sibiricus
L) (Figuras 61A e 61B); sulcado, como o cipó do rego; estriado como o cacto
(Notocactus magnificus) (Figuras 62A e 62B); e finalmente bojudo ou barrigudo,
como a palmeira e o baobá (Adansonia digitata) (Figuras 63A e 63B).
No que se refere ao habitat, os caules podem se desenvolver em ambientes aére-
os, subterrâneos e aquáticos. Os caules aéreos podem ainda ser classificado como
eretos ou erguidos (os quais por sua vez se subdividem em tronco; haste; estipe,
espique ou estípite; colmo; e escapo), rastejantes ou reptantes e trepadores.
O caule tipo tronco é lenhoso, robusto e resistente, com formato cilíndrico ou
cônico, apresentando desenvolvimento maior na base e ramificações no ápice. Ge-
ralmente ocorre em vegetais de médio e grande porte, na maioria das árvores e ar-
bustos da classe das dicotiledôneas. Ex.: cacaueiro (Theobroma cacao) (Figura 64A),
magnólia (Michelia champaca L).
O caule tronco, com seu maior desenvolvimento na base e se estreitando no ápice,
guarda similaridade com a estrutura de pirâmides escalonadas (Figura 64B), como
a Pirâmide de Kukulkán ou O Castelo, uma

[...] construção piramidal de nove corpos superpostos, sobre


uma base quadrangular de 70 metros de lado, que já não alcan-
ça a altura das antigas plataformas maias, reduzindo-se aqui a 24
m; por outra parte sua ladeira é menos acentuada. Outro aspecto
revelador da nova arte maia de influência tolteca é que o acesso

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FIGURA 64A
Caule tipo tronco: lenhoso,
robusto e resistente,
FIGURA 63A FIGURA 63B
com formato cilíndrico
Caule com formato bojudo Representação
ou cônico, apresentando
ou barrigudo: baobá esquemática da seção do
desenvolvimento maior
(Adansonia digitata). caule com formato bojudo
na base e ramificações
ou barrigudo.
no ápice (cacaueiro –
Theobroma cacao).

FIGURA 65A
Caule do tipo haste: caule
pouco resistente, flexível e
FIGURA 64B não lenhoso (herbáceo),
Estrutura de pirâmides escalonadas: pirâmide de Kukulkán ou O geralmente esverdeado
Castelo. (dotado de clorofila).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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à plataforma superior onde se levanta a edícula já não é frontal,


mas abre caminho em cada lado da pirâmide uma escada de
11 m de largura com 91 degraus. O templo superior é de base
quadrada, com portas de acesso em cada fachada — a do norte
tem três portas separadas por pilares que reproduzem serpentes
de monstruosas cabeças em suas bases — e compõe-se de um
quarto interior cujo teto de abóbadas é sustentado por dois pila-
res. (GOITIA, 1996, p. 82-83)

A haste é um tipo de caule pouco resistente, flexível e herbáceo (não lenhoso),


geralmente esverdeado (dotado de clorofila), dotado de folhas e pequenos ramos.
Ocorre em vegetais de pequeno porte, como nas ervas e subarbustos. Ex.: serralha
(Sonchus oleraceus L), botão de ouro (Galinsoga parviflora Cau), mata pasto
(Eupatorim squalidum) (Figura 65A).
Este caule do tipo haste, dada a sua pouca resistência, pode ser comparado com a
estrutura necessária para abrigos de pequeno porte como os pontos de ônibus (Fi-
gura 65B). De acordo com o Manual de implantação de Mobiliário Urbano, (RIO
DE JANEIRO, 1999, p. 60) “o sistema de transporte coletivo urbano feito por
ônibus apontou a necessidade de se criar abrigos em alguns pontos de parada, pro-
porcionando conforto ao usuário e proteção do sol, chuva e vento, muito comuns
de uma cidade com clima tropical”. Ainda de acordo com este manual, o módulo
para abrigo de ônibus apresenta dimensões de 2,30 a 3,00 metros de largura por
5,00 metros de comprimento, e a sua tipologia é variável.
No caso do caule do tipo haste, os pilares se encontram diretamente com a cober-
tura, sem artifícios complementares (tais como mão francesa, treliças, etc.) que
distribuam os esforços da cobertura para o pilar, uma vez que o caule tipo haste
não apresenta ramificações.
O caule estipe, espique ou estípite, é lenhoso, não ramificado, tem formato cilín-

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
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FIGURA 65B
Ponto de ônibus: abrigos de
pequeno porte, no caso, quando os
pilares se encontram diretamente
com a cobertura, sem artifícios
complementares (como mão
francesa, etc.) que distribuam os
esforços da cobertura.

FIGURA 66A
Caule tipo estipe, espique ou
estípite: lenhoso, não ramificado,
tem formato cilíndrico, apresenta
entrenós curtos e pode se
desenvolver muito e se tornar
resistente (palmeira imperial –
Roystonea oleracia).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 66B
Coluna cilíndrica: formato cilíndrico,
não apresenta ramificações, pode
atingir grandes alturas e seu ápice
apresenta estrutura que, de certo
modo, indica o término da coluna, o
capitel. Cobertura para o pilar.

FIGURA 67A
Colmo cheio ou cálamo: o caule é
lenhoso, não se ramifica, tem formato
cilíndrico, apresenta nós e entrenós
bastante marcados, dividido em
gomos e é cheio (cana de açúcar –
Saccharum officinarum L.)

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FIGURA 68A
Colmo fistuloso ou medular: o
caule é lenhoso, não se ramifica,
tem formato cilíndrico, apresenta
nós e entrenós bastante marcados,
dividido em gomos e é oco (bambu
– Bambusa vulgaris).

FIGURA 68B
Tubos cilíndricos vazados: utilizados,
usualmente, nas instalações
hidráulicas, sanitárias, elétricas, etc.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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drico, apresentam entrenós curtos, e pode se desenvolver muito e se tornar resis-


tente. Em seu ápice apresenta um capitel de folhas que se ligam diretamente a este
caule. É o caule característico das palmeiras, ocorrendo raramente entre a classe
das dicotiledôneas. Ex.: mamão (Carica papaya), imbaúba (Cecropia moraceae),
palmeira imperial (Roystanea oleracia) (Figura 66A).
Este tipo de caule, o chamado estipe, espique ou estípite pode ser comparado,
dentro da linguagem de Arquitetura, com o elemento estrutural “coluna”, de seção
circular (Figura 66B). Conforme Koch, (1998, p. 123), a coluna é um

[...] elemento arquitetônico de seção circular, poligonal ou per-


filada. Originalmente sustentava a arquitrave, a partir da época
romana também os arcos, que, por sua vez, sustentavam as pa-
redes; além disso, é empregada sem função de suporte, apenas
com finalidade decorativa [...] As partes principais são a base,
o fuste e o capitel, das quais o fuste é elemento absolutamente
indispensável. [...] a maior parte das denominações da coluna se
refere a sua forma ou posição: [...] 2. coluna cilíndrica, composta
de partes cilíndricas [...].

Tanto o caule estipe como a coluna cilíndrica tem formato cilíndrico, não apresen-
tam ramificações, podem atingir grandes alturas (e neste caso, ambos sofrem um
estreitamento ao se aproximar do ápice) e em seus ápices apresentam estruturas
que de certo modo indicam o término da coluna: no caso do caule, a presença da
folhagem, e no caso da coluna, o capitel.
O caule tipo colmo, assim como o estipe, é lenhoso, não se ramifica, tem formato
cilíndrico; contudo, apresentam nós e entrenós bastante marcados, dividido em
gomos. Sua ramificação é simples ou monopodial (este termo será visto mais a
frente quando forem estudados os tipos de ramificação dos caules).

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FIGURA 69A
Caule escapo: caule herbáceo,
longo, não ramificado e sem folhas.
(narciso – Narcissus cyclamineus).

FIGURA 69B
Mão francesa: um tipo de artifício
usado para melhor distribuição dos
esforços da cobertura para o pilar,
sendo aplicado numa estrutura de
pequeno porte.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 70A
Caule prostrado: pouco resistente,
não suporta o peso de sua
própria copa, tomba ao chão e
se desenvolve paralelamente à
superfície do solo, não emitindo
raízes adventícias (melancia –
Curcubita citrullus).

FIGURA 71A
Caule estolão, radicantes ou
estolhos: desenvolve-se rente ao
solo, formando botões laterais,
geralmente longos, que de espaço
a espaço origina gemas, as quais
emitem raízes adventícias e folhas
(morangueiro – Fragaria vesca).

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FIGURA 71B
Edificação horizontalizada 01:
dimensão horizontal maior que
a vertical e, neste caso, com os
pilares embutidos nas paredes.

FIGURA 72A
Caule sarmentoso: possui
adaptações que permitem a fixação
da planta ao substrato. Estas
adaptações podem ser raízes
adventícias aderentes ou gavinhas
(maracujá – Passiflora sp).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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O caule colmo pode ainda ser subdividido em cheio ou cálamo, quando o caule
apresenta-se maciço; é o caso da cana de açúcar (Saccharum officinarum L.), Figura
67A, e do milho (Zea Mays L.); e fistuloso ou medular, quando o caule apresenta-
-se oco; como exemplo pode se citar o bambu (Bambusa vulgaris), Figura 68A. Este
tipo de caule é característico das gramíneas em geral.
Com relação aos caules colmo tipo cheio ou cálamo e fistuloso ou medular, pode-
-se fazer uma analogia com os tipos de tubos usados em Arquitetura: os tubos
cilíndricos de alma cheia (que corresponderiam ao colmo cheio ou cálamo) são
empregados muitas vezes como elementos estruturais (como as colunas) (Figura
66B), e os tubos cilíndricos vazados, (colmo fistuloso ou medular) (Figura 68A)
são utilizados usualmente nas instalações hidráulicas, sanitárias, elétricas, etc.
Finalmente, dentro da classificação de caules eretos ou erguidos, tem-se o caule
escapo. Este caule é herbáceo, longo, não ramificado e sem folhas. Tem origem no
rizoma, bulbo, etc., e apresenta flores em sua extremidade. Como exemplo, pode
ser citado o narciso (Narcissus cyclamineus) (Figura 69A).
O caule escapo, assim como o caule haste, ocorre em vegetais de pequeno porte,
e pode-se fazer a mesma analogia destes caules com abrigos de pequeno porte
como paradas de ônibus; contudo, no caso do caule escapo, existiriam artifícios
para melhor distribuição dos esforços da cobertura para o pilar (uma vez que este
tipo de caule apresenta ramificações), como por exemplo, o uso de mão francesa
(Figura 69B).
Com relação aos caules aéreos do tipo rastejante ou reptante, existe uma classi-
ficação que os subdividem em prostrados e radicantes (também denominados
estolhos ou estolão).
O caule aéreo do tipo prostrado é pouco resistente, não suporta o peso de sua
própria copa, tomba ao chão e se desenvolve paralelamente à superfície do solo,

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FIGURA 72B
Tirantes ou cabos de suspensão: sistema estrutural de forma ativa, constituído de “matéria não rígida,
flexível, formada de modo definido e suportada por extremidades fixas, pode sustentar-se a si própria e
cobrir um vão” (ENGEL, 1981, p. 25)

FIGURA 73A FIGURA 73B


Caule volúvel: dotado de certa irritabilidade, Escada helicoidal: movimento em espiral, não
ao entrar em contato com um suporte, se apresenta “órgãos” de fixação, uma vez que a
enrosca a ele num movimento espiral, sem própria escada funciona como laje, uma peça
apresentar órgãos de fixação (enrola semana única, e pontos de fixação se encontram nas
– Ipomea cairica L). extremidades da escada.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 74A
Caule do tipo rizoma: caule típico da
bananeira

FIGURA 75A
Tubérculo: tipo de caule
subterrâneo, cujas ramificações
laterais engrossam em virtude do
acúmulo de reserva nutritiva (bata
inglesa – Solanum tuberosum)

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FIGURA 76A
Bulbo cheio: bulbo apresenta o
disco mais desenvolvido e os
catafilos que o revestem são
semelhantes a uma casca (açafrão
– Crocus sativus)

FIGURA 76B
Grande beiral: o sistema de madeiramento (“disco”) apresentaria grande beiral,
sendo revestido por telhas cerâmicas.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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não emitindo raízes adventícias. Ex.: melancia (Curcubita citrullus) (Figura 70A),
cabaça, (Lagenaria vulgaris), abóbora (Cucurbita pepo L.).
Dentro da analogia com Arquitetura, o caule prostrado seria a tipologia de edifica-
ção horizontalizada (figura 27B) (ou seja, a sua dimensão horizontal é maior que
a vertical), com a estrutura, no caso os pilares, embutida dentro dos elementos de
vedação, uma vez que o caule prostrado não emite raízes adventícias, que seriam
raízes que nascem em outro local que não o padrão, o usual.
O caule estolão, radicantes ou estolhos, também se desenvolve rente ao solo, for-
mando botões laterais, geralmente longos, que de espaço a espaço origina gemas,
as quais emitem raízes adventícias e folhas, os quais geram novas plantas. Estas
gemas ou estolhos possibilitam desta maneira a multiplicação do vegetal. É o caso
de violetas (Viola odorata), do morangueiro (Fragaria vesca) (Figura 71A).
Este caule estolão, assim como o prostrado, teria similaridade em Arquitetura com
uma tipologia de edificação horizontalizada (figura 71B) (ou seja, a sua dimensão
horizontal é maior que a vertical), entretanto sua estrutura (os pilares), não se
encontraria embutida dentro dos elementos de vedação, e sim destacada, solta das
paredes; isto porque o caule estolão emite raízes adventícias, que seriam raízes que
nascem fora do padrão, do usual.
Por fim, dentro dos caules aéreos, tem-se o caule trepador. Este tipo de caule pode
classificar-se ainda em sarmentoso, volúvel e liana ou cipó.
O caule trepador tipo sarmentoso é aquele que possui adaptações as quais permi-
tem a fixação da planta ao substrato. Estas adaptações podem ser raízes adventícias
aderentes, como é o caso da hera (Ficus pumilla), ou gavinhas, tais como o chuchu
(Sechium edule), uva (Vitis vinifera), maracujá (Passiflora sp) (Figura 72A).
Este tipo de caule, com suas estruturas de fixação, guarda similaridade, dentro
da Arquitetura, com os tirantes ou cabos de suspensão para fixação da coberturas

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à pilares (Figura 72B). Este tipo de sistema estrutural, segundo Engel, (1981, p.
25) é de forma ativa, ou seja, é constituído de “matéria não rígida, flexível, for-
mada de modo definido e suportada por extremidades fixas, pode sustentar-se a
si própria e cobrir um vão”. Além disto, o sistema de forma ativa muda as forças
externas por meio de esforços normais simples, (no caso do cabo de suspensão,
por tração) e os esforços que nele atuam correspondem ao fluxo “natural” das
forças aplicadas no sistema.
Tanto este sistema de cabos como o caule sarmentoso, dependem de estruturas
de fixação para se manterem na altura desejada, e necessitam de um meio de
apoio (no caso do caule, este apoio seria o suporte, e no caso do sistema de forma
ativa, os cabos).
O caule volúvel é aquele que dotado de uma certa irritabilidade, ao entrar em conta-
to com um suporte, se enrosca a ele num movimento espiral, todavia sem apresentar
órgãos de fixação. Ex.: enrola semana (Ipomoea cairica L) (Figura 73A). Assim como
o caule volúvel, a escada helicoidal (Figura 73B) apresenta um movimento em espi-
ral, e não apresenta órgãos de fixação, uma vez que a própria escada funciona como
uma laje, uma peça única, cujos pontos de fixação se encontram nas extremidades
da escada (geralmente vencendo a distância de um pavimento a outro).
As lianas ou cipós são caules que crescem se apoiando no substrato, no qual se
emaranha, não apresentando órgãos de fixação.
Como já mencionado anteriormente, o caule tipo liana ou cipó se assemelha aos
sistemas de circulação vertical de edifícios com mais de três pavimentos, em espe-
cial os elevadores: da mesma forma que o cipó, o elevador se apoia no edifício, não
apresentando órgãos de fixação, uma vez que o mesmo locomove-se verticalmente
por todos os pavimentos, sendo apoiado somente por cabos de aço na extremidade
superior, e sendo amortecido inferiormente por molas.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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Acerca do habitat subterrâneo, os caules se dividem em rizoma, tubérculo e bulbo.


O caule tipo rizoma é aquele que se desenvolve subterraneamente, ramificando-se
em baixo da terra, podendo tornar-se mais ou menos espesso. Geralmente é ho-
rizontal, e de espaços a espaços, emitem brotos aéreos (que dão origem a folhas e
flores) ou raízes adventícias. São dotados de nós, entrenós, gemas e escamas. Como
exemplo pode-se citar a bananeira (Musa sapientium) (Figura 74A), samambaia
(Polystichum munitum), iris, bambu (Bambusa vulgaris), espada de são jorge (San-
sevieria thyrsiflora thunb).
O rizoma pode ser comparado às edificações de uso residencial, dotadas de estacio-
namento no subsolo. Nestes casos, as pessoas acessam (com automóveis) o prédio
por este pavimento no subsolo (que corresponderia à área de estacionamentos), e
a partir daí sobem por elevador aos pavimentos superiores; ou seja, o acesso prin-
cipal (o pavimento do subsolo), corresponderia ao rizoma, e o restante da edifica-
ção acima do nível do solo, corresponderia aos brotos aéreos ou raízes adventícias
emitidos pelo rizoma.
O tubérculo é um tipo de caule subterrâneo cujas ramificações laterais engrossam
em virtude do acúmulo de reserva nutritiva, (tais como amido, inulina, etc.) através
do mesmo processo verificado nas raízes tuberosas. Geralmente apresenta forma
ovóide, com gemas ou “olhos” nas axilas de escamas ou de suas cicatrizes. Ex.: batata
inglesa (Solanum tuberosum) (Figura 75A), cará do ar (Dioscorea bulbifera L).
Acerca do tubérculo, é possível traçar um comparativo entre este e as edificações
que servem como abrigos subterrâneos contra furacões, fortes tempestades, etc.
Estas edificações, tendo em vista proteger as pessoas contra as intempéries, en-
contram-se no subsolo, suas paredes são fortemente reforçadas, e nestes locais são
armazenados mantimentos (que no caso dos tubérculos seriam estas reservas nutri-
tivas) e outros gêneros de limpeza, medicamentos, etc., prevendo que a tempestade

BOTÂNICA PARA DESIGNERS E ARQUITETOS - TERMOS TÉCNICOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROJETOS PAISAGÍSTICOS
123 de 198

possa durar muitos dias.


Em sequência, tem-se o caule subterrâneo tipo bulbo. Neste tipo de caule subter-
râneo, a porção central (denominada prato ou disco), que é pouco desenvolvida
e maciça, abriga a gema ou botão vegetativo (que futuramente dá origem a uma
nova planta). Esta gema é rodeada e protegida por folhas modificadas denomina-
das catáfilos ou escamas, estruturas que em geral apresentam acúmulo de substân-
cias nutritivas. Diretamente deste caule partem também raízes fasciculadas.
O bulbo pode ainda ser classificado como bulbo sólido, compacto ou cheio; esca-
moso; tunicado; composto ou bulbilho.
Em se tratando do bulbo cheio, ocorre quando o bulbo apresenta o disco (porção
central do caule que protege a gema) mais desenvolvido. Neste caso, os catáfilos
que o revestem são semelhantes a uma casca. Por exemplo, pode-se colocar o aça-
frão (Crocus sativus) (Figura 76A), falsa tiririca (Hypoxis decumbens L).
Pode-se fazer uma analogia entre o disco do bulbo e seus catáfilos, com o sistema
de madeiramento (caibros e ripas) e os diversos materiais que os recobrem; no caso
do bulbo cheio, o sistema de madeiramento (disco), apresentaria um grande beiral,
sendo revestido por telhas cerâmicas (Figura 76B).
O bulbo escamoso é aquele cujos catáfilos (folhas modificadas) mais externos reco-
brem parcialmente os mais internos e são mais desenvolvidas que o prato ou disco.
Ex.: açucena (Lilium candidum), lírio (Lilium longoflorum) (Figura 77A).
Ainda dentro da comparação com coberturas, o bulbo escamoso seria a cober-
tura com beirada beiraserveira (Figura 77B), que de acordo com Vasconcellos,
(1979, p. 143) corresponde à “beirada de carreiras de telhas superpostas cha-
mada de beirasobeira, beiraserveira, corruptela de beira-sob-beira”, ou seja, a
camada de telhas mais externas (catáfilos mais externos, no caso dos bulbos) re-
cobre parcialmente a camada imediatamente abaixo, a qual por sua vez, recobre

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 77A
Bulbo escamoso: catafilos (folhas
modificadas) mais externos
recobrem parcialmente os mais
internos e são mais desenvolvidas
que o prato ou disco (lírio – Lilium
longoflorum).

FIGURA 77B
Beirada beiraserveira: carreiras
de telhas superpostas que
recobre parcialmente a camada
imediatamente abaixo, a qual, por
sua vez, recobre o madeiramento (o
“disco”).

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FIGURA 78A
Bulbo tunicado: catafilos mais
externos são mais desenvolvidos
que o prato ou disco e recobrem
totalmente os catafilos mais internos
(cebola – Allium cepa).

FIGURA 79A
Bulbo composto ou bulbilho:
apresenta um grande número de
pequenos bulbos (alho – Allium
sativum).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 79B
Telhado muito recortado: com várias
águas, cada qual com estrutura de
madeira, encimadas pelo telhado
cerâmico.

FIGURA 80A
Caulobulbos ou pseudobulbos:
caules com dilatação bulbosa
nas bases dos caules e folhas
(Cymbidium x hybridum).

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FIGURA 81A
Ramificação monopodial: existe um
ramo terminal principal e a partir
deste surgem os ramos laterais,
sempre menos desenvolvidos
(casuarina – Casuarina descussata).

FIGURA 81B
Ramificação monopodial: diagrama
sequencial.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 82A
Ramificação simpodial: o ramo
terminal tem curta duração, sendo
substituído por um lateral que
passa a ser principal e assim
sucessivamente (figueira – Ficus
sycomorus).

FIGURA 82B
Ramificação simpodial: diagrama
sequencial.

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FIGURA 83B
Ramificação em dicásio: diagrama
sequencial; dois ramos laterais
crescem mais que o principal e dão
origem a outros ramos, e assim por
diante.

FIGURA 84A
Caule cladódio: dilatado e suculento
com reservas de água. (carqueja -
Baccharis articulata).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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o madeiramento (o disco).
Com relação ao bulbo tunicado, é aquele cujos catáfilos mais externos, são mais
desenvolvidos que o prato ou disco e recobrem totalmente os catáfilos mais inter-
nos. Como exemplo pode-se citar a cebola (Allium cepa L) (Figura 78A), o jacinto
(Hyacintus sativum).
O bulbo tunicado seria uma variação do beiral beiraserveira; nesta situação, a ca-
mada superior de telhas recobriria completamente a camada inferior, e esta recobre
o madeiramento.
Por fim, o bulbo composto ou bulbilho é aquele que apresenta um grande
número de pequenos bulbos. Ex.: trevo (Trifolium glomeratum), alho (Allium
sativum) (Figura 79A). O caso do bulbo composto ou bubilho poderia ser tra-
duzido para Arquitetura como sendo um telhado muito recortado, dotado de
várias águas, todas elas com estrutura de madeira e encimadas pelo telhado
cerâmico (Figura 79B).
Existe ainda uma classificação que considera os caulobulbos ou pseudobulbos, que
consistem em caules com dilatação bulbosa nas bases dos caules e folhas. É o caso
das orquídeas (Cymbidium x hybridum) (Figura 80A).
Como o próprio termo sugere, o pseudobulbo seria um “bulbo falso”, uma dila-
tação que tem o aspecto de bulbo, sem sê-lo de fato. Ainda dentro da comparação
entre disco e catáfilos com madeiramento de cobertura e telhado, o pseudobulbo
pode se configurar em três situações: pode ser um falso telhado cerâmico (por
exemplo, o uso de fibrocimento pintado na cor de barro, para que se tenha a
impressão de que seriam telhas cerâmicas); um falso madeiramento de cobertura
(por exemplo, o uso de laje inclinada recoberta por telhas cerâmicas, externamente
dando a impressão de ser um telhado de madeira convencional); ou mesmo uma
cobertura falsa.

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Acerca dos caules aquáticos, são aqueles que se desenvolvem em meio líquido. Ge-
ralmente tem consistência tenra e são clorofilados. Apresentam ainda reservas de ar
que possibilitam sua flutuação e respiração.
Quanto à ramificação os caules podem ser considerados como indivisos (caules
não ramificados, como os estipes) ou ramificados (com ramos laterais, que é o caso
da maioria dos caules). Com relação aos tipos de ramificação, os caules podem ser
monopodial, simpodial e dicásio.
Para uma maior compreensão de como ocorrem cada uma destas ramificações su-
pra citadas, serão exibidos a seguir diagramas sequenciais que ilustram como se dá
o crescimento de cada um destes tipos de caule.
A ramificação tipo monopodial é aquela em que pode ser identificado um ramo
terminal principal, e a partir deste surgem os ramos laterais, sempre menos desen-
volvidos. Ex.: casuarina (Casuarina descussata) (Figuras 81A e 81B).
A ramificação tipo simpodial é aquela em que o ramo terminal tem curta duração,
sendo substituído por um lateral que passa a ser principal; em seguida este ramo
principal passa a ser lateral, sendo substituído e assim sucessivamente. Ex.: árvores
em geral, como a figueira (Ficus sycomorus) (Figuras 82A e 82B).
Com relação à ramificação em dicásio, é aquela em que dois ramos laterais do cau-
le principal, crescem mais que o ramo terminal, dando origem a novos ramos; em
seguida, cada um destes ramos novamente se ramifica e assim por diante. Ocorre
em plantas inferiores (Figura 83B).
Para concluir, quanto aos tipos de adaptações do caule, são destacados os cladódios,
cladofilos, filocládios ou caules achatados; os espinhos; as gavinhas e os xilopódios.
A adaptação do caule conhecida como cladódios, cladófilos, filocládios ou caules
achatados, consiste em caules carnudos, podendo ser roliços, achatados ou lami-
nados, de coloração verde (dotados de clorofila), desprovidos de folhas e muitas

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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vezes dotados de espinhos. Podem se apresentar ainda dilatados e suculentos, com


reservas nutritivas e de água.
Este tipo de caule é frequente em regiões secas, “onde o perigo da perda de água
pode ameaçar seriamente a vida das plantas”. Desta maneira, estes caules servem à
planta tanto como órgãos fotossintético, como de armazenamento de substâncias.
Como exemplo desta adaptação, pode-se citar o cacto (Machaerocereus eruca), a
carqueja (Baccharis articulata) (Figura 84A), Mühlenbeckia platiclada, barriguda,
(Cavanilesia arborea) aspargo (Asparagues officinalis).
Uma vez que os caules cladódios, cladofilos, filocládios ou caules achatados funcio-
nam armazenando substâncias (especialmente água) com uma estrutura reforçada
(com espinhos) para proteger suas reservas destes nutrientes, este tipo de caule
pode ser comparado a um reservatório como a caixa d´água (Figura 84B), que
da mesma forma, é dotada de uma estrutura reforçada, muitas vezes revestida in-
clusive com impermeabilizantes, tendo em vista o armazenamento de água para
consumo da edificação.
Com relação aos espinhos, são órgãos do caule, bastante endurecidos e pontia-
gudos, muito resistentes, cuja função é proteger a planta. Tais espinhos são vas-
cularizados e ao arrancá-los, são produzidas lacerações no caule. Ex.: tojo (Ulex
europaeus), limão (Citrus limonum), laranja (Citrus aurantium) (Figura 85A).
Uma vez que os espinhos funcionam principalmente como órgãos de proteção do
vegetal apresenta neste sentido similaridade com os diversos sistemas de segurança
dotados nas edificações, desde os antigos métodos de proteção dos castelos e fortes
medievais, até os mais modernos sistemas computadorizados de segurança, utiliza-
dos em bancos e museus, galerias de arte, etc. (Figura 85B).
A gavinha é um tipo de modificação do caule no qual ramos herbáceos ou folhas
modificadas, desprovidas das folhas propriamente ditas, servem como elemento

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FIGURA 84B
Caixa d’ água: reservatório de água,
para o consumo da edificação.

FIGURA 85A FIGURA 85B


Espinhos: estruturas para proteção do vegetal Sistemas de segurança: museu, onde são
(laranja – Citrus aurantium). dispostos bens de muito valor que precisam ser
bem protegidos.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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de fixação, enroscando-se com movimento heicoidal ao redor de um suporte. Ex.:


maracujá (Passiflora sp), videira (Vitis vinifera) e paternocisso (Parthenocissus quin-
quefolia) (Figura 86A).
A estrutura da gavinha, filamentos helicoidais, guarda similaridade com uma mola,
peça elástica que reage quando vergada, distendida ou comprimida. Dentro da
Arquitetura, o uso de molas é mais frequente no sentido de amortecer impactos
(por exemplo, de elevadores em edificações), sendo aplicadas especificamente em
edificações nas estruturas antissísmicas (Figura 86B), para atenuar o efeito de mo-
vimentações tectônicas do solo sob a estrutura dos edifícios.
Os xilopódios são caules subterrâneos, de consistência rígida e lenhosa, semelhante
ao tubérculo. São ricos em substâncias de reserva e tem capacidade para regenerar
toda a parte aérea do vegetal. Geralmente ocorrem em plantas da caatinga e do
serrado, em regiões que sofrem secas prolongadas, queimadas ou derrubadas. Ex.:
caiapiá (Dorstenia opifera), maniçoba (Manihot glaziovii) (Figura 87A).
Da mesma forma que o caule tubérculo, o caule do tipo xilopódio corresponderia
a uma edificação com finalidade de abrigo subterrâneo; entretanto, no caso espe-
cífico dos xilopódios, este abrigo se localiza num local onde o perigo de destruição
completa (do vegetal ou da edificação) é bem mais frequente, e por isto é mais bem
preparado que o abrigo subterrâneo “oferecido pelos tubérculos”.

3.3 FOLHA
As folhas são responsáveis basicamente por três funções, que correspondem à fo-
tossíntese (ou seja, produção de seu próprio alimento); respiração/ transpiração
(trocas gasosas e eliminação de água) e condução/ distribuição da seiva (captando a
seiva bruta, ou seja, a matéria inorgânica transportada pelo caule e transformando-
-o em energia e glicose, repassando novamente ao caule e demais partes da planta).

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FIGURA 86A
Gavinhas: elemento de fixação de
vegetais, enrosca-se em movimento
helicoidal em torno do suporte
(paternocisso – Pathernocisso
qüinqüefólia).

FIGURA 87A
Xilopódios: caules subterrâneos
ricos em substâncias que são
capazes de regenerar toda a parte
aérea do vegetal (maniçoba –
Manihot glaziovii Muell).

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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Uma folha, com seu funcionamento racionalizado e buscando sempre a maior


produtividade com o menor gasto de energia, guarda semelhança com o sistema
de produção fabril (Figura 88B), onde todos os fatores (desde o maquinário, o
funcionário da empresa até a edificação em si) devem refletir a produção em série,
racional e sem desperdícios.
Em geral, as plantas produzem seu próprio alimento, os animais ingerem-no e
os fungos o absorvem. Nos vegetais, esta diferença fundamental que as distingue
dos demais reinos se processa nas folhas. É nas folhas que acontecem as principais
reações físico-químicas, culminando com a fotossíntese, que definem os vegetais
como “produtores” dentro da cadeia alimentar.
A maior parte das folhas se origina de ramos laterais do caule, apresenta forma la-
minar e tem crescimento limitado. Sua coloração é verde (clorofilada) e caracteriza-
-se por sua simetria bilateral.
As folhas consistem no órgão vegetativo das plantas que apresentam maior varie-
dade de formas e estruturas, em virtude de fatores internos e externos. De acordo
com as diferentes funções que as folhas podem desempenhar, as mesmas podem
ser classificadas em cinco categorias: cotilédones (ou embriófilos), catáfilos, folhas
propriamente ditas (ou normófilos), hipsólios e antófilos (folhas florais).
As folhas denominadas cotilédones (ou embriófilos) protegem e nutrem o embrião
(estágio inicial de desenvolvimento da planta, ainda dentro de sua semente); os
catáfilos, também são folhas de proteção e de reserva, mas o são para os bulbos e
gomos (ver o item sobre Caule); as folhas propriamente ditas (ou normófilos), têm
função de produção de clorofila, respiração/ transpiração e condução/ distribuição
da seiva; finalmente os hipsólios, apresentam função de proteção da flor e os antó-
filos, função de reprodução especificamente.
Uma folha completa é composta por 4 partes: limbo, pecíolo, bainha e estípula.

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(Figura 89A) É frequente que as folhas não apresentem a estípula; por outro lado,
é raro folhas que não possuam limbo. O limbo (Figura 89A) consiste na parte
da folha que apresenta espessura laminar, ou seja, é a parte “achatada” da folha.
Corresponde à superfície da folha e é a região de maior atividade fotossintética do
vegetal. No limbo, pode-se identificar ainda algumas ranhuras, denominadas ner-
vuras, que correspondem aos vasos condutores de seiva, ramificados por toda ex-
tensão do limbo. O limbo consta de duas faces, que correspondem ao rosto (parte
superior, ventral ou adaxial) e o verso (parte inferior, dorsal ou abaxial). Pode ainda
ter outras classificações, conforme suas nervuras, consistência, forma geral, forma
do ápice, forma da base e número de limbos.
Retornando ao comparativo, pode-se considerar a folha como sendo uma laje em
balanço (Figura 90B) de concreto armado, uma vez que esta só teria “um pilar” de
sustentação. Segundo Pianca (1978, p. 397), “as lajes em balanço são engastadas
numa extremidade e livres na outra ou são a continuação de uma laje que avança
além do seu apoio”.
Dentro deste comparativo, as nervuras existentes ao longo do limbo, correspon-
deriam às ferragens negativas e positivas existentes dentro do concreto, que traba-
lham a questão da tração. Ainda de acordo com Pianca (1978, p. 397), no caso das
lajes em balanço, as armaduras são dispostas na porção superior da laje.
O pecíolo (Figura 89A) corresponde à haste que liga a folha (mais especificamente
o limbo) ao caule. Esta inserção pode se dar de forma direta ou indireta, através
de outra parte da folha denominada bainha. O pecíolo funciona também como
eixo de sustentação do limbo, e na maioria dos casos, apresenta formato cilíndrico.
Prosseguindo no comparativo entre folha e laje, o pecíolo estrutura da folha que a
liga ao caule, corresponderia às vigas em balanço (Figura 91B), que ligam a laje ao
pilar, auxiliando na distribuição dos esforços pela laje.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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A bainha (Figura 89A) localiza-se entre o pecíolo e o caule da planta. Consiste num
alargamento à base do pecíolo, e serve para uma melhor fixação da folha ao caule.
A bainha pode ainda se classificar em aberta (fendida) ou fechada (inteira); é tida
como aberta quando envolve parcialmente o caule, sem que suas bordas se unam,
como ocorre nas gramíneas.
É chamada fechada quando envolve completamente o caule e suas bordas se
soldam, que é o caso da tiririca (Cyperus rotundus), da trapoeraba (Commelina
ruobusta). A bainha quase não existe nas dicotiledôneas e sempre ocorre nas
monocotiledôneas.
A bainha, cuja função é de otimizar a fixação da folha ao caule, seria, dentro da
analogia de laje, um reforço estrutural dado no ponto de encontro entre a viga ou
laje (que corresponde ao limbo) e o pilar (que corresponde ao caule). Este reforço
poderia ser uma maior quantidade de ferragem ligando a viga ao pilar.
A estrutura da folha denominada estípula (Figura 89A), pode se situar imedia-
tamente abaixo do contato bainha – caule ou a alguma distância deste contato.
Corresponde a pequenos apêndices laterais, geralmente de espessura laminar e em
número de dois, que se formam de cada lado da base foliar. Sua função é de pro-
teger as gemas ou botões vegetativos; quando envolve completamente a bainha
denomina-se ócrea.
Por fim, a estrutura denominada estípula, com sua função de proteção, seria tra-
duzida para a linguagem de Arquitetura como sendo o revestimento de proteção
das lajes e vigas. De acordo com Pianca (1978, p. 198) estas estruturas bem como
as paredes “são revestidos com argamassa, pedra natural ou artificial, ou madeira
a fim de adquirirem aparência mais agradável e, frequentemente, também para
protegê-los dos agentes destruidores”.
A folha completa é constituída por limbo, pecíolo, bainha e estípula. Contudo,

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FIGURA 88B
Fábrica: busca de maior produtividade, com menor gasto de energia. (paternocisso – Pathernocisso
qüinqüefólia).

FIGURA 89A
Partes constituintes das folhas.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 90B
Laje em balanço: assim como
o limbo, a laje em balanço é
engastada numa extremidade e livre
na outra.

FIGURA 91B
Viga em balanço: liga a laje ao pilar,
assim como o pecíolo liga a viga ao
caule.

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FIGURA 92A
Folhas sésseis: que apresentam
somente o limbo (Espada de São
Jorge).

FIGURA 92B
Laje nervurada: dispensa o apoio
das vigas.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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nem todas as folhas são completas, e nestes casos, cada combinação destas estru-
turas que a folha possua, tem uma nomenclatura diferente. A importância de se
conhecer estas denominações será importante para a compreensão dos nomes cien-
tíficos das plantas.
As folhas que apresentam somente o limbo são denominadas sésseis ou apeciola-
das. É o caso da espada de São Jorge (Sansevieria thyrsiflora thunb) (Figura 92A).
Uma folha séssil corresponderia a uma estrutura que apresentasse somente a laje,
sem vigas ou ferragens; nesta situação, este tipo de folha seria uma laje nervurada
(Figura 92B), capaz de vencer grandes vãos livres e suportar grandes cargas, com
alturas relativamente baixas, não possuindo ferragens (que combatem o esforço de
cisalhamento). Conforme Pianca (1978, p. 399), as lajes nervuradas

São formadas por chapas tendo na face inferior pequenas nervu-


ras, afastadas no máximo de 1 metro de eixo a eixo, entre as quais
se colocam materiais inertes com o fim de tornar plana a superfície
inferior [...] O material de enchimento deve ser leve. É constituído
comumente por tijolos ocos, dos quais existem as mais diversas
formas, podendo-se mesmo prescindir deles e deixar vazio o es-
paço entre as nervuras ou fechá-lo com uma laje delgada coloca-
da na parte inferior e intimamente ligada às nervuras.

No caso das folhas que apresentam somente o limbo e o pecíolo, são chamadas de
pecioladas; como exemplos pode ser citada a abóbora (Cucurbita pepo L.) (Figura
93A). Prosseguindo no comparativo entre estrutura e folhas, as pecioladas, ou seja,
que apresentam limbo e pecíolo corresponderiam a estrutura que apresenta laje e
vigas (respectivamente figura 90B e 91B).
Quando a folha possui apenas o limbo e a bainha é denominada de invaginante.
Este tipo de folha é frequente nas gramíneas. No caso da folha invaginante, ou seja,

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a folha dotada de limbo (laje) e bainha (reforço no encontro desta com os pilares),
a mesma pode ser comparada com a laje protendida, capaz de vencer grandes vãos
e suportar grandes cargas, dispensa as estruturas de vigas e por isto apresenta ferra-
gens maiores e protendida.
Quando as folhas se apresentam com perfurações no limbo, são chamadas fenes-
tradas. Tal situação pode ser observada na costela de adão (Monstera deliciosa)
(Figura 94A). A folha dita fenestrada encerra semelhança com lajes vazadas, ou
seja, lajes que apresentam orifícios em toda sua extensão. As lajes vazadas podem
ser utilizadas por razões estéticas, ou para dar passagem às instalações prediais (nes-
te último caso, as lajes precisam ser calculadas já considerando previamente estes
orifícios, caso contrário, não são recomendadas).
Com relação às classificações de acordo com as variedades de cada estrutura da
folha, pode-se colocar que estas ocorrem predominantemente no limbo. Além das
modificações do limbo, são consideradas como referencial de classificação, as for-
mas de crescimento das folhas (filotaxia) e as modificações/ adaptações das folhas.
O limbo pode ser classificado quanto as suas nervuras (folhas enervadas; uninérve-
as; paralelinérveas; peninérveas; palminérveas ou digitinérveas; curvinérveas; pel-
tinérveas); quanto a sua consistência; (carnosa ou suculenta; coriácea; e herbácea
ou membranácea); quanto a sua superfície (glabra; lisa; pilosa; rugosa); quanto à
coloração (maculada; variegada; bicolor; listrada) e quanto ao número de limbos
(folhas simples; folhas compostas).
No que diz respeito às formas, o limbo das folhas podem ser classificados segundo
sua forma geral; segundo a forma do bordo; segundo a forma do ápice e por fim,
segundo a forma da base.
No que diz respeito aos tipos de nervura, o limbo pode ser enervado, ou seja, não
apresentar nervuras. É o caso da babosa. A folha enervada, sem nervuras, ainda

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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comparando com a estrutura de lajes, seria uma laje desprovida das ferragens, e
nesta situação, pode-se citar como exemplo as lajes nervuradas (Figura 92B). A
folha cuja nervura é uninérveas, possui apenas uma nervura, geralmente na porção
central da folha; ocorre no sagu de jardim (Cycas revoluta thunb) (Figura 95A).
A folha uninérvea, dentro da mesma analogia supra citada, guarda similaridade
com a laje nervurada; contudo seria o caso onde o vão a ser vencido pela laje seria
maior que sua capacidade de vencê-lo, e para resolver esta situação, colocar-se-ia
uma viga central (dotado de ferragens).
A folha tipo paralelinérvea é aquela cujas nervuras secundárias são paralelas
à nervura principal. A nervura principal pode ser identificada visualmente: é
como se fosse a continuação do pecíolo, e as nervuras secundárias são aqueles
que se dirigem deste eixo central às bordas da folha. A nervura paralelinérvea é
frequente na divisão Monocotyledoneae. Nesta situação, a folha paralinérvea
pode ser comparada com uma laje maciça armada em uma única direção, ou
seja, apresentando as ferragens paralelas entre si e num único sentido. Tal fato
ocorre quando uma das dimensões da laje é consideravelmente maior que a ou-
tra, sendo que esta menor, em virtude da pouca dimensão, praticamente não
sofre esforços de tração.
Quando as nervuras secundárias saem da nervura principal, como que imitando
uma pena, a folha é peninérvea. Tais nervuras apresentam-se ramificadas, reticula-
das ao longo das folhas. Ocorre geralmente na divisão Dicotyledoneae, tais como a
laranjeira (Citrus aurantium) (Figura 85A), a vinca (Lochnera rosea). Este tipo de
nervura pode ser comparado às ferragens existentes na laje maciça convencional,
armada nas duas direções, formando uma malha de armadura as quais trabalham
os esforços de tração da laje.
A folha palminérvea ou digitinérvea é aquela cujas nervuras partem de um mesmo

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ponto e divergem em várias direções. Como exemplo pode ser citado o brinco de
princesa (Hibiscus rosa-sinensis L), mamoeiro (Carica papaya L) (Figura 96A),
mamona (Ricinus communis L). Este tipo de nervura das folhas palminérveas
teria similaridade dentro da Arquitetura com uma laje que recobre uma edificação
de formato pentagonal, hexagonal, ou com maior quantidade de ângulos: nesta
situação, as ferragens partem do ponto central da estrutura (o ponto onde o pilar
apoia esta laje) e segue em direção às extremidades da cobertura.
O tipo de nervura curvinérvea tem certa semelhança com a nervura paralelinérvea;
exibe uma nervura principal retilínea e as nervuras secundárias são paralelas e esta
central, contudo se apresentam com formato curvo, ou seja, não se mantêm para-
lelas na base e no ápice da folha. É o que acontece na planta língua de sogra. Acerca
das nervuras curvinérveas, pode ser colocado que elas guardam similaridade, den-
tro de Arquitetura, com as estruturas de cúpulas, (Figura 97B) as quais, segundo
Koch (1998, p. 132) correspondem a uma “abóboda de curvatura regular que
cobre um espaço redondo, quadrado ou poligonal. A passagem da planta poligonal
para a curva da base da cúpula é feita através de pendentes.”
Por fim a nervura peltinérvea, corresponde às nervuras das folhas peltadas, com
nervuras que partem do pecíolo às bordas da folha. O pecíolo, neste caso, se in-
sere no verso da folha, na porção central desta, ou próximo ao centro. Ocorre no
mamoeiro e na chagas (Tropaeolum majus) (Figura 98A). Uma folha de nervura
peltinérvea, pode ser traduzida como sendo uma laje circular com apoio central, de
onde partem as ferragens em direção às extremidades desta laje.
No tocante à consistência, as folhas podem ser carnosas ou suculentas; coriáceas;
e herbáceas ou membranáceas. Para uma melhor compreensão destas consistên-
cias das folhas, serão feitas analogias com materiais utilizados para confecção de
janelas, considerando a folha como elemento que permite as trocas gasosas entre

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FIGURA 93A
Folhas pecioladas: que apresentam
somente o limbo e o pecíolo.

FIGURA 94A
Folhas fenestradas: que apresentam
perfurações no limbo.

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FIGURA 95A
Folha de nervura uninérvia: possui
só uma nervura.

FIGURA 96A
Folha palminérvea: nervuras partem
de um mesmo ponto e divergem em
várias.

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FIGURA 97B
Cúpula: abóboda de curvatura
regular que cobre um espaço
redondo quadrado ou poligonal.

FIGURA 98A
Nervura peltinérvea: nervuras que
partem do pecíolo às bordas da
folha.

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FIGURA 99A
Folha carnosa: ricas em sucos e
reservas de água.

FIGURA 99B
Janela de madeira: retetora de
uidade

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o meio externo e o meio interno, da mesma forma que o faz as esquadrias de


uma edificação.
As folhas carnosas ou suculentas são ricas em sucos, geralmente apresentando re-
servas de água. Ex.: cactáceas (Cephalocereus polylophus), crassuláceas (Echeveria
albicans) (Figura 99A), agave (Agave americana).
Uma folha de consistência carnosa pode ser comparada a uma janela cuja matéria
prima foi madeira (Figura 99B), um material que apresenta considerável quanti-
dade de água, e que ao ser exposta às intempéries, incham em virtude do acúmulo
d´água; por esta razão, janelas de madeira voltadas para o exterior devem ser reves-
tidas com algum material isolante, como verniz ou tinta para exteriores.
Segundo Mascaró (1991, p. 124), as janelas de madeira “bloqueiam, efetivamente,
a totalidade da passagem da luz solar, podendo reduzir o ganho térmico através da
janela em cerca de 80%”.
Já as folhas chamadas coriáceas são folhas rígidas, consistentes, ressecadas e quebra-
diças, semelhantes a um tipo de couro. Ex.: abacateiro (Persea gratissima) (Figura
100A), eucalipto (Eucalyptus globulus), cajueiro (Anacardium occidentale), man-
gueira (Mangifera indica).
Um material rígido e quebradiço, assim como a folha coriácea, muito utilizado nas
janelas é o vidro (Figura 100B). Segundo Mascaró (1991, p. 126) “a energia solar
absorvida pelo vidro se transforma em calor, que é enviado para o interior e para
o exterior por radiação e convecção, de maneira proporcional a temperaturas, mo-
vimento do ar e características de superfície da outra face do vidro (se diferente)”.
As folhas herbáceas ou membranáceas apresentam consistência de erva, sem lenho-
sidade, são flexíveis, tenras, delgadas e maleáveis. Ex.: limoeiro (Citrus limonum).
Esta última classificação de folha quanto a sua consistência, pode ser comparada a
uma janela de PVC (Figura 101B), uma vez que ambos são flexíveis e maleáveis.

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FIGURA 100A
Folhas coriáceas: rígidas,
consistentes, ressecadas e
quebradiças.

FIGURA 100B
Janela de vidro: material rígido e
quebradiço.

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Quanto a sua superfície, as folhas podem ser glabras; lisas; pilosas; rugosas. A folha
é denominada de glabra quando é lisa, desprovida de pelos. Quando a superfície
da folha se apresenta sem acidentes, sem irregularidades, é chamada lisa. A folha
cuja superfície é pilosa é aquela revestida de pelos. Este tipo de superfície pode ter
ainda outras subclassificações: caso os pelos forem muito curtos e densos, a folha
é aveludada; se os pelos forem finos e suaves, é chamada pubescente; se os pelos
forem inclinados e reluzirem como uma seda, é denominada serícea; já se os pelos
forem grossos e ásperos ao toque, chama-se híspida; se os pelos forem interme-
diários entre o pubescente e a híspida, são chamados vilosos; por fim, se os pelos
forem ramificados e emaranhados, formando um aveludado compacto, a folha
é tomentosa. O último tipo de superfície abordado neste trabalho é o rugoso, e
como o próprio nome sugere, é quando a folha apresenta-se enrugada.
Quanto à coloração, as folhas podem ser maculadas; variegadas; bicolores; ou lis-
tradas. Na coloração tipo maculada, as folhas se apresentam manchadas de bran-
co no limbo. Ocorre na comigo ninguém pode. A coloração variegada é aquela
multicor. Como exemplo pode-se citar o Coleus blumei. A folha bicolor é aquela
cujas faces do limbo apresentam colorações distintas. Finalmente a folha listrada é
aquela cujo limbo apresenta riscos de tonalidades diferentes. Como exemplo pode-
-se citar as dracenas.
No que se refere ao número de limbos as folhas podem ser simples ou folhas com-
postas. A folha pode ser chamada de simples quando possui um único limbo, não
dividido em folíolos, como é o caso do café (Coffea arabica). A folha é denominada
composta quando se apresenta dividida; seus segmentos têm o aspecto de peque-
nas folhas com pecíolos próprios partindo da “nervura” ou pecíolo principal.
As folhas compostas podem ser classificadas ainda em geminadas; trifoliadas; digi-
tadas ou palmadas; penadas. A folha composta geminada é aquela que apresenta os

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limbos unidos. A folha trifoliada possui o limbo dividido em três folíolos. É o caso
do oró (Phaseolus panduratus), feijão (Phaseolus vulgaris L), carrapicho (Zornia
dipyla pers). Uma folha composta denominada digitada ou palmada é aquela cujo
os folíolos, em número de três ou mais, partem de um mesmo ponto, sendo dis-
postos no ápice do pecíolo comum. Ocorre na paineira (Chorisia speciosa), pinhão
(Jatropha curcas), mamona (Ricinus communis). A folha penada corresponde à
folha composta cujos pecíolos se distribuem ao longo dos dois lados da “nervura”
ou pecíolo central. As folhas penadas podem ainda ser classificadas em paripenada,
imparipenada e bipenada ou recomposta.
A folha penada paripenada é aquela que termina com um par de folíolos. Exemplo:
fedegoso (Cassia ocidentalis). A folha imparipenada apresenta apenas um folíolo
terminal. Exemplo: roseira (Rosa sp), espatódea. Finalmente a folha bipenada ou
recomposta encerra folíolos, que também são compostos, ou seja, a folha é dupla-
mente composta. Exemplo: mimosa, angico (Piptadenia contorta), cassia (Acacia
cornigera). Este tipo de folha pode ser considerada também como uma modifi-
cação/adaptação, das folhas à climas quentes e secos, pois estas folhas têm grande
capacidade de absorver água da atmosfera.
No que diz respeito às formas, foram identificados seis grupos básicos de forma-
tos (Figura 102) (assimétricas, orbiculares, obovada, ovada, lanceolada e oblon-
ga). A seguir serão vistas as formas mais referenciadas. Estas formas podem criar
diferentes efeitos dentro do projeto paisagístico, conforme sejam dispostas em
grupos ou separadas.
O grupo de formato assimétrico, como o próprio nome sugere, é composto por
folhas que não apresentam simetria lateral, a partir do eixo central da folha, no
sentido da nervura principal. Ex.: begônia (Begonia sp).
Dentro do grupo de formatos orbiculares, ou seja, formato circular, foram vistas

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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quatro variações: orbicular, suborbicular, peltada, cordado-orbicular. O formato


orbicular trata-se de uma forma aproximadamente circular. Ocorre na chagas (Tro-
paeolum majus L), no aguapé. O formato suborbicular é um intermediário entre
os formatos orbicular (aproximadamente circular) e reiniforme (em formato de
rim). A folha peltada tem forma de escudo, com pecíolo inserido ao centro da
folha ou próximo deste, no verso do limbo. Exemplo: aguapé, pata de vaca. O
formato cordado orbicular, como o próprio nome sugere apresenta um formato de
coração, que tende ao formato circular.
Com relação ao grupo das obovadas, quer dizer, que apresentam o ápice mais largo
que a base, foram identificadas as seguintes variações: obovada, obcordada, ob-
cordiforme, reniforme, cocleariforme, flabelada, cuneiforme e espatulada. A folha
cujo formato é obovado é aquela que apresenta a forma ovada com a parte mais
larga no ápice, ou seja, é uma folha ovada invertida. Ex: amendoeira (Arachis hy-
pogaea), buxo (Buxus sempervirens), cajueiro (Anacardium ocidentale). A forma
cujo formato é obcordada apresenta a base mais estreita que o ápice e este último
tem um leve formato de coração com a reentrância do ápice pouco acentuada, ou
seja, é a função entre os formatos obovado e cordado. Ainda dentro do grupo das
folhas obovadas, tem-se o formato obcordiforme, que apresenta similaridade com
o formato obcordado, também correspondendo à junção dos formatos obovado e
cordado, contudo a reentrância no ápice da folha é bem acentuada.
Os demais formatos do grupo das obovadas são nomeados por analogia. Desta
maneira tem-se o formato reniforme – que seria a folha em forma de rim, mais
largo que longo (ex: salsa de praia); o formato cocleariforme – em forma de
colher; a forma flabeada – formato em leque; a folha cuneiforme – semelhante
a uma cunha e para concluir a folha espatulada – em forma de espátula, com
o ápice mais largo e comprimento maior que duas vezes a largura. Ex: cajueiro

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(Anacardium occidentale).
No tocante ao grupo das ovadas, ou seja, de formato oval, foram estudadas as
modificações a seguir: ovada, oval, deltóide, cordiforme, sagitada, escamiforme e
hastada ou alabardina. A forma ovada, como o próprio nome sugere, é aquela
similar à ovóide, mais larga na porção próxima à base e cujo comprimento é de
uma a duas vezes maior que a largura da folha. Ex.: vassoura (Baccharis aphylla).
O formato oval propriamente dito se aproxima à forma ovada; contudo o seu ápice
não se apresenta tão afunilado como ocorre na forma ovada. A folha cuja forma é
deltóide, tem formato de delta, triangular. Ex.: cardeal (Salvia splendens).
Com relação ao formato cordiforme, pode-se colocar que é uma das formas de
folhas mais encontradas na natureza; corresponde à forma de coração, com a base
mais larga, reentrante, lobos arredondados e o ápice bastante afilado. Ex.: capeva
(Pothomorphe sp). A folha sagitada exibe uma forma semelhante à seta, com a base
reentrante, tendo os lobos pontiagudos voltados para baixo. Ex.: copo de leite, Ara-
ceae. O formato de folha escamiforme, como o nome sugere, tem forma e aspecto
de escama, sendo a região do ápice mais estreita que a base. Ex.: cipreste (Cupres-
sus sp). Fechando o grupo de folhas de formato ovado, tem-se as folhas hastadas
ou labardinas; este formato assemelha-se ao sagitado, também tendo aspecto de
seta, contudo apresentando os lobos voltados para os lados e não para baixo. Ex.:
Mikania salviaefolia.
No grupo das chamadas lanceoladas, que seriam as de formato em lança, foram
encontradas nove sub tipologias: lanceolada, subulada, oblongo-lanceolada, aci-
cular, romboidal, falciforme, enciforme, acinaciforme e panduriforme. A forma
lanceolada tem aparência de uma lança, mais larga na porção próxima à base, com
comprimento superior a três vezes sua largura. Ex.: espirradeira (Nerium oleander
L). Em seguida, a folha de formato subulado, tem seção cilíndrica e sofre um es-

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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treitamento em seu ápice. Ex.: cebola (Allium cepa).


Com relação à forma oblongo-lanceolada, corresponde à junção entre as formas
oblongo e lanceolada, ou seja, apresenta um formato geral de elipse, sendo seu
comprimento maior que sua largura. A folha de forma denominada acicular é
aquela que se assemelha a uma agulha longa, fina e pontiaguda. Ex.: pinheiro
(Araucaria angustifolia). A forma romboidal é aquela semelhante a um losango,
sendo o comprimento da folha maior que sua largura. A folha de formato falcifor-
me, por analogia, possui formato de foice, plana e encurvada. Ex.: eucalipto.
Tratando do formato enciforme, também por analogia, apresenta forma de espada,
longa, com bordos paralelos e afilados. Ex.: espada de são jorge (Sansevieria thyr-
siflora thunb). A folha acinaciforme é aquela que tem formato de sabre curvo. O
último formato dentro do grupo das lanceoladas é o panduriforme, que apresenta
forma de guitarra, cujo comprimento é maior que a largura.
Por fim, dentro do grupo dos oblongos que corresponde às folhas de formato
eliptíco, foram detectadas quatro variantes, que são: oblonga, eliptíca, violada e
cordado-oblonga. Com relação à forma oblonga, pode-se colocar que possui for-
mato geral elíptico, mais longa que larga, com bordos praticamente paralelos e de
comprimento aproximadamente três a quatro vezes maior que a sua largura. Ex.:
vinca (Lochnera rosea). A folha de formato eliptíco é aquela que possui forma de
elipse, mais larga no centro, com comprimento cerca de duas vezes maior que a
largura. Ex.: ficus. Ainda dentro do grupo das oblongas, tem-se o formato violado,
que como o próprio nome sugere, exibe uma forma de viola, sofrendo um estrei-
tamento na sua porção central.
Para encerrar o estudo de forma geral do limbo, a forma cordado-oblonga, asse-
melha-se à forma oblonga, contudo apresenta forma de coração na base da folha.
Segundo a forma do bordo ou margens, foram estudados os tipos: inteiro; acule-

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ado; crenado ou ondulado; dentado ou denteado; serrado, serrilhado ou serreado;


lobado ou fendido; partido.
A borda da folha inteira é lisa, sem deformações ou divisões. Ex.: buxo (Buxus
sempervirens). A forma de bordo denominada aculeada é aquela onde as folhas
apresentam pontas agudas e rígidas em suas margens. Ex.: abacaxi. A margem cre-
nada ou ondulada encerra dentes obtusos arredondados ou ondulados em toda sua
extensão. Ex.: folha da fortuna. A borda dentada ou denteada possui recortes regu-
lares, pouco agudos e não inclinados. Ex.: roseira. A margem serrada, serrilhada ou
serreada, como o nome indica, tem recortes semelhantes ao de uma serra, agudos
e inclinados em direção ao ápice da folha. Ex.: beijo de frade.
Para reconhecer e diferenciar as margens do tipo dentada (ou denteada) da mar-
gem serrada (serrilhada ou serreada) e da crenada (ou ondulada), de uma ma-
neira prática, deve-se verificar a existência dos recortes característicos e passar a
mão ao longo de sua borda, nos dois sentidos (base- ápice, ápice- base). Caso este
gesto não venha a machucar a mão, a borda é do tipo crenada (ou ondulada); se
machucar a mão ao passá-la em apenas um sentido, a margem é tida dentada (ou
denteada) e por fim, se machucar a mão nos dois sentidos, a margem é serrada
(serrilhada ou serreada).
O tipo de borda lobada ou fendida é aquela onde o limbo aparece dividido em por-
ções aproximadamente arredondadas. Dentro desta classificação de bordas, ainda
são encontrados outros sub tipos: a margem pinatilobada (que ocorre em folhas de
nervura peninérvea, como o bico de papagaio) e a palmatilobada (freqüente nas
folhas de nervuras palminérveas, tais como a guaxima).
Tratando das bordas partidas ou incisas, pode-se afirmar que são margens dotadas
de recortes, os quais atingem uma profundidade maior que a metade do limbo,
na direção bordo - nervura principal da folha. Este tipo de borda, assim como as

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lobadas ou fendidas, possuem subclassificações de acordo com as nervuras das fo-


lhas; assim, a folha de nervura peninérvea apresenta borda pinatipartida (ex.: flor
de maio) e a de nervura palminérvea, tem borda palmatipartida (ex.: mamoeiro).
De acordo com a forma do ápice, pode-se classificar a folha como acuminada;
aguda; cuspidada ou aristada; mucronada; emarginada; obtusa; retusa; truncada.
O chamado ápice acuminado é aquele onde o limbo sofre um gradual estreita-
mento em direção ao ápice e em sua extremidade, transforma-se numa ponta,
bastante aguda. Ex.: eucalipto. O ápice agudo é aquele que termina em ângulo
agudo, o limbo não prossegue em gradual estreitamento. Ex.: espirradeira (Nerium
oleander L). A folha de ápice cuspidado ou aristado é aquela onde pouco antes da
extremidade do ápice, o limbo sofre um brusco estreitamento. Ex.: cardeal (Salvia
splendens). O ápice mucronado tem certa semelhança com o ápice cuspidado, pois
ambos sofrem um brusco estreitamento do ápice; contudo, no tipo mucronado
tal afunilamento ocorre somente na extremidade do ápice, formando um aponta
curta, rígida e isolada. Ex.: vinca (Lochnera rosea).
O ápice emarginado apresenta uma reentrância de pouca profundidade, desde a
extremidade do ápice em direção ao centro da folha; ocorre no caruru (Phytolacca
decandra). A folha de ápice obtuso, como o próprio nome sugere, termina num
ângulo obtuso; é o caso do buxo (Buxus sempervirens) e do cajueiro (Anacardium
occidentale). O ápice retuso guarda certa semelhança com o emarginado, uma vez
que ambos apresentam reentrâncias na extremidade do ápice. No caso do ápice re-
tuso, porém, esta reentrância é mais suave. Ex.: buxo (Buxus sempervirens). Final-
mente, o ápice truncado é aquele que aparenta ter sido cortado transversalmente; a
sua extremidade forma com a nervura central da folha um ângulo que tende a 90º.
Ex.: folíolo de carrapicho (Zornia dipyla pers).
Considerando a forma da base, tem-se as seguintes tipologias: acunheada, cunei-

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FIGURA 101B
Janela de PVC: material maleável e
flexível.

FIGURA 102A
Formato das folhas.

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forme ou cuneada; atenuada; cordada; hastada; sagitada; obtusa; reniforme; trun-


cada. A folha de base acunheada, cuneiforme ou cuneada possui forma de cunha,
a base de margens retas e convergindo em direção ao pecíolo da folha. Ex.: botão
de ouro (Galinsoga parviflora Cau).
A base atenuada estreita-se gradualmente em direção ao pecíolo da folha. Ex.: es-
pirradeira (Nerium oleander L). A base cordada é reentrante em direção ao pe-
cíolo, e seus lobos (as duas laterais do limbo, divididas pela nervura central) são
arredondados. Ex.: violeta, capeva. A base da folha hastada é reentrante em direção
ao pecíolo e seus lobos são voltados para os lados. Ex.: Mikania. A base sagitada,
assim como a hastada, é reentrante, mas seus lobos são pontiagudos e voltados para
baixo. Ex.: tinhorão. A base denominada obtusa, como o próprio nome indica,
termina num ângulo obtuso. Ex.: brinco de princesa (Hibiscus rosa-sinensis L).
A folha de base reniforme, por analogia, tem formato de rim, ou seja, apresenta
reentrância com lobos longos e arredondados. Ex.: centella. Uma folha cuja base é
truncada, apresenta um ângulo entre a sua extremidade e o pecíolo da folha, que
tende a 90º. Aparentemente esta base parece ter sido cortada em plano transversal.
Ex.: cardeal (Salvia splendens).
Existe um relação muito íntima entre as formas geral, do ápice e da base da folha;
a forma geral da folha é resultado da combinação de seu ápice e sua base, os quais
por sua vez são determinados pela forma de inserção da folha no caule, pelo pró-
prio formato do caule e pelas transformações/ adequações do vegetal como um
toso ao meio ambiente.
Outro fato relevante a ser considerado é que estas classificações de forma geral,
ápice e base da folha, apresentadas devem ser vistas apenas como referência, como
foi condutor para análise do vegetal. Ao estudar uma folha, deve-se buscar dentro
dos formatos aqui expostos, aquele que mais se aproxima da espécie com a qual

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se está trabalhando; isto porque a variedade de formas encontradas na natureza é


tão grande quanto o são as quantidades de ângulos e medidas numéricas existentes
passíveis de serem materializadas como seres vivos.
Tratando agora da filotaxia das folhas, ou seja, sua forma de crescimento e dispo-
sição no caule, pode-se colocar que os principais tipos são: alternas; opostas; ver-
ticiladas; rosuladas ou rosetada; geminadas; fasciculadas. As folhas têm disposição
alterna quando em cada nó existe apenas uma folha, como acontece no brinco de
princesa (Hibiscus rosa-sinensis L). No caso de se situarem num único plano, são
chamadas de alternas dísticas; se se dá em vários planos por toda a extensão do
caule, chama-se alterna espiralada.
Geralmente, as folhas que apresentam este tipo de disposição têm caule de eixo
cilíndrico, o que facilita a inserção das folhas ao longo deste. Esta relação entre a
filotaxia e o formato do caule ocorre em virtude de uma das funções do caule, que
é a de promover as melhores posições das folhas em relação ao sol. Desta forma, é
otimizada a produção da fotossíntese (ver o item que trata do caule).
As folhas são consideradas opostas quando encerram um par de folhas em cada nó,
sendo uma de frente para outra. Exemplo: Lythum. Se as folhas dispõem-se num
único plano, a filotaxia é oposta dística e se em planos cruzados, em ângulo de 90
graus com as folhas do nó seguinte é oposta cruzada ou descussadas. Neste último
caso de folhas opostas, cujos pares se sobrepõem em cruz, na maioria das vezes o
caule correspondente apresenta seção triangular.
A disposição verticulada ou trifoliada é aquela onde cada nó aparece com três ou
mais folhas, todas no mesmo nível, formando um verticilo foliar. Ex.: espirradeira
(Nerium oleander L), feijão (Phaseolus vulgaris L), oró (Phaseolus panduratus).
No intuito de facilitar tal disposição das folhas, o caule das plantas de filotaxia
trística tem o eixo triangular, onde cada face deste caule recebe o pecíolo das folhas.

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As folhas de crescimento rosulado ou rosetada, ocorrem quando as folhas (loca-


lizadas no ápice ou na base do caule) possuem disposição alterna espiralada, e o
caule apresenta entrenós bastante curtos. Estes entrenós curtos dão a impressão
de que as folhas partem do mesmo nó, assumindo um aspecto de roseta. Ex.:
falsa tiririca, alface.
A disposição tida como geminada, é aquela que exibe um par de folhas em cada nó,
num mesmo ponto de inserção. É o caso do juá de sapo e da Vicia. Com relação
à disposição fasciculada, é aquela onde três ou mais folhas partem de um mesmo
ponto do nó, reunidas em feixes. Ex.: Pinus.
Seguindo as classificações das folhas, têm-se as modificações/ adaptações. Neste
sentido, são identificadas algumas das funções que não são próprias das folhas,
mas que estas terminaram por assumir: função de: proteção, sustentação, absorção,
reserva e reprodução.
Dentro das adaptações com modificação da função, as folhas com função de pro-
teção podem ser classificadas em: pétalas e sépalas (hipsófilos), estípulas, ócreas,
lígulas, brácteas e espinhos.
As pétalas e sépalas (hipsófilos), correspondem à modificação das folhas com o ob-
jetivo de proteger os órgãos reprodutores do vegetal. Tais estruturas serão estudadas
mais a frente no item referente à Flor. As estípulas são pequenos apêndices situados
à base da folha, cuja função é de proteger a gema ou botão vegetativo (estrutura
que dá origem a novos ramos ou folhas). A ócrea corresponde a uma variação da
estípula, onde um par destas envolve completamente o caule, como se fosse uma
bainha, ultrapassando para cima o ponto de inserção da folha no caule. Sua fun-
ção, assim como a estípula, também é de proteger a gema ou botão vegetativo.
A lígula é outro tipo de apêndice, que se origina na estípula. Encontra-se na região
entre o limbo e a bainha, sendo bastante freqüente nas gramíneas. Trata-se de uma

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estrutura de coloração esbranquiçada, apresentando pêlos e cuja função é de pro-


teger as gemas ou botão vegetativo.
As brácteas correspondem a folhas modificadas que protegem os botões florais.
Frequentemente apresenta coloração vistosa, que as fazem parecer as reais flores
da planta. Ex.: buganvília, bico de papagaio. Os espinhos podem corresponder
tanto a caules como a folhas, ambos modificados. Nesta última opção, são en-
durecidos e pontiagudos, contribuindo para evitar a perda excessiva de água do
vegetal para o ambiente. Caso estes espinhos sejam arrancados, não provocarão
lacerações nos vasos condutores do vegetal (contudo, se os espinhos forem caules
modificados, arrancá-los significa danificar os vasos condutores da planta). Ex.:
cactos, juá, juazeiro.
Com relação às folhas cuja função é de sustentação, pode-se citar o caso das gavi-
nhas; estas são órgãos filamentosos (em forma de filetes, de fios), que se enroscam
a um suporte, consistindo em estruturas existentes exclusivamente para fins de
fixação do vegetal. São resultado da modificação total ou parcial do limbo, pelo
prolongamento do pecíolo ou das estípulas. São encontradas em plantas sarmen-
tosas como chuchu, maracujá, cipó de são joão.
No tocante à função absorção, podem ser citadas as folhas rosuláceas e as plantas
insetívoras/ carnívoras. As folhas rosuláceas têm a capacidade de acumular água e a
absorvem pela epiderme. Ex.: Bromeliaceae. As folhas insetívoras/ carnívoras con-
sistem em folhas modificadas que capturam e aprisionam pequenos animais para
posteriormente digeri-los. Estas folhas compreendem ainda duas classificações: os
ascídios e utrículos. Os ascídios constituem-se numa metamorfose das folhas vege-
tativas, onde estas folhas se convertem em órgãos utriculares ou urceolados. Den-
tro destas estruturas é liberado (por glândulas especiais) um tipo de suco digestivo
o qual digere os animais que caem em seu interior. Ex.: nepentes.

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Desta forma, o vegetal — geralmente existente em locais de solo pobre em nu-


trientes — consegue complementar sua nutrição com proteínas animais, inverten-
do assim, o ciclo da cadeia alimentar.
Os utrículos são folhas modificadas que se convertem em pequenas vesículas, as
quais são capazes de deglutir pequenos animais aquáticos. Ex.: utricularia.
No que se refere à função de reserva, foram estudadas as folhas de consistência
suculenta, os catáfilos e os cotilédones. As folhas que apresentam consistência su-
culenta, como já foi visto anteriormente, acumulam substâncias de reserva, espe-
cialmente água, pois em seu habitat natural (geralmente clima quente e seco) a
água é escassa e precisa ser racionada. Ex.: Crassulaceas. Os catáfilos, também já
estudados anteriormente, são as folhas modificadas, semelhantes a escamas e des-
providas de clorofila, que protegem e nutrem os brotos dos bulbos. Ex.: escama de
bulbo de cebola, folhas de bulbo de bananeira.
Os cotilédones correspondem às primeiras folhas do embrião, se apresentando na
maioria das vezes em par. Sua função é nutrir o embrião nos primeiros dias de seu
desenvolvimento, quando este inicia o lançamento de raízes e de folhas propria-
mente ditas, e ainda não obtendo do solo nutrientes em quantidade suficiente para
se manter. Ex.: broto de feijão (Phaseolus vulgaris L).
Tratando das folhas que assumem função de reprodução, encontram-se nesta clas-
sificação os estames, carpelos e esporófilas ou trofoesporófilas. Os estames e os
carpelos são modificações foliares que correspondem respectivamente ao androceu
e gineceu nos vegetais da divisão Angiospermae, e no caso da divisão Gimnosper-
mae, correspondem às folhas e escamas. É nessas estruturas que acontece a repro-
dução dos vegetais. As folhas modificadas denominadas esporófilas ou trofoespo-
rófilas, são as folhas que apresentam função reprodutiva no caso das plantas da
divisão Pteridophyta.

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Além das adaptações em virtude da mudança de função da folha, pode-se iden-


tificar ainda dois tipos de modificações: com finalidade de maior adequação às
condições externas, que são as modificações especiais; e às relativas à heterofilia (ou
seja, uma mesma folha, no decorrer do crescimento da planta, pode modificar sua
função ou sua forma). Os casos de modificações especiais são muito específicas de
cada folha, e dada a dificuldade de abarcar todas (ou a maioria) das possibilidades
existentes, o presente trabalho limitar-se-á a relacionar alguns exemplos para com-
preensão deste tipo de modificação da folha.
A modificação especial identificada na Victoria amazonica (vitória regia) corres-
ponde à borda de suas folhas (que flutuam na superfície da água) que são reviradas
para cima, tendo em vista que a água na qual a planta se encontra não invada seu
limbo, sobrecarregando-a com seu peso e a faça afundar. Outra modificação espe-
cial é observada na Monstera deliciosa (costela de adão), a qual apresenta folhas
fenestradas ou cletradas (quer dizer, com o limbo naturalmente perfurado), que
facilitam o escoamento de água da chuva.
No que se refere ao processo de heterofilia, ou seja, numa mesma planta, a folha
sofrer processos de modificação de forma e/ou de função, pode-se citar o exemplo
do eucalipto (cuja folha tem um formato inicial tendendo para o cordado e de-
pois muda para o formato lanceolado, ou seja, modificação da forma da folha na
mesma planta) e do feijão (Phaseolus vulgaris L) — este último, com folhas ini-
ciais denominadas cotilédones e em seguida, com folhas propriamente ditas, num
exemplo de mudança de função da folha.

3.4 FLOR
A flor representa o resultado de um processo evolutivo dos vegetais, no qual
algumas folhas sofreram transformações e passaram a funcionar em conjunto

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como aparelho reprodutor das plantas superiores, ou seja, as Fanerógamas, que


englobam as Angiospermae. Desta forma, a função das flores é de reprodução
sexuada; as flores surgem a partir de uma gema lateral ou terminal (apical), exis-
tente no caule (assim como as folhas); e correspondem a folhas modificadas, que
sofreram metamorfose foliar.
Dentro da macrofunção de reprodução, a folha pode ser subdividida em conjuntos
de órgãos responsáveis única e exclusivamente pela reprodução e outro conjunto
responsável pela proteção dos órgãos reprodutivos e por atrair animais que venham
a otimizar a reprodução. Esta última função da flor é a responsável pela grande
variedade de flores, em termos de tamanho, cores, odor, textura e mecanismos de
aproveitamento dos animais para sua reprodução — neste último caso, tanto no
sentido de fecundar a flor como no de disseminação de suas sementes. Toda esta
variedade se justifica quando analisamos que cada flor precisa se tornar atrativa
para determinadas espécies de animais e mais especificamente, precisa se tornar
indispensável a estes animais, uma vez que sua reprodução, a manutenção de sua
existência no planeta se deve à ação polinizadora destes animais.
Outro aspecto relevante é que cada espécie de planta deve atrair um número mí-
nimo de espécies, pois caso ela queira se adaptar a vários tipos de animais, corre o
risco destes animais visitarem também outras variedades de flores, desperdiçando
assim seu pólen (haja visto que este pólen não será fecundado por outra flor da
mesma espécie).
Serão estudadas agora as partes constituintes das flores (Figuras 103A e 104A),
responsáveis pela reprodução e proteção do conjunto reprodutor desta. Uma flor
para ser considerada completa deve ser composta de pedúnculo ou pedicelo; recep-
táculo; e verticilos florais.
Se considerarmos que as flores são folhas modificadas, é possível fazer as mesmas

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FIGURA 103A
Partes constituintes da flor

FIGURA 104A
Partes constituintes da flor. Corte
esquemático

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FIGURA 105A
Sexo das flores

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FIGURA 106A
Sexo das flores

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analogias apresentadas no capítulo sobre Folhas; tendo em vista não recorrer em


redundâncias, serão apresentadas neste item as características das flores buscando
apenas a compreensão de suas formas e disposições, inflorescências, enfim, as pos-
sibilidades formais.
A palavra pedúnculo vem do latim pedunculus, que significa diminutivo de pé.
Assim, o pedúnculo ou pedicelo corresponde à haste de sustentação da flor e que
a prende aos ramos do vegetal. A flor desprovida de pedúnculo é chamada séssil
ou apedicelada, como ocorre no cactus. O receptáculo consiste numa porção mais
dilatada do pedúnculo, localizada na parte superior deste, onde se inserem os verti-
cilos florais (tanto protetores como reprodutores). O termo receptáculo advém do
termo latim receptaculum, cujo significado é lugar ou coisa que, em si, recebe algo.
Os verticilos florais são um conjunto de peças florais semelhantes. Estes verticilos
podem ser divididos em dois grupos: os verticilos externos, protetores ou perianto
(que engloba o cálice e a corola); e os verticilos internos, reprodutores ou perigô-
nio (que engloba o androceu e o gineceu). Uma flor é dita incompleta quando se
apresenta desprovida de um dos seus verticilos (de proteção ou de reprodução).
Com relação aos verticilos externos, protetores, pode-se colocar que são responsá-
veis pela proteção dos órgãos reprodutores da flor e também por atrair animais que
favoreçam o processo de reprodução. Como já foi mencionado acima, constitui-se
de cálice e corola.
O cálice corresponde ao conjunto de sépalas, que são folhas modificadas, geral-
mente de coloração verde. Quando as sépalas encontram-se soldadas, a flor é cha-
mada gamossépala; caso se apresentem soltas, livres, são denominadas dialissépalas,
como é o caso da roseira.
Quanto ao número de sépalas, o cálice pode ser classificado como trímero (quan-
do apresenta sépalas em número de três ou seus múltiplos, como por exemplo,

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as plantas da divisão Monocotyledoneae); tetrâmero ou pentâmero (quando suas


pétalas são em número de quatro ou cinco, como ocorre nos vegetais da divisão
Dicotyledoneae). A corola representa o conjunto de pétalas, consistindo no verti-
cilo protetor mais interno, geralmente coloridas.
Nas pétalas da corola podem ainda ser identificadas duas partes: a porção mais
estreita que se encaixa ao receptáculo (sépalas), que é chamado de unha; e a parte
mais dilatada, próxima à extremidade da pétala, cuja forma se aproxima à de uma
folha simples, que é denominada limbo.
Com relação ao número de pétalas, a corola pode ser classificada como trímera
(quando possui pétalas em número de três ou seus múltiplos, que corresponde ao
caso das Monocotyledoneae); e tetrâmera ou pentâmera (no caso das pétalas se
apresentarem em número de quatro ou cinco, como ocorre nas Dicotyledoneae).
Quando as pétalas se apresentam soldadas são chamadas gamopétalas (ex.: copo
de leite), e ao se encontrarem livres, soltas, são ditas dialipétalas (ex.: brinco de
princesa, Hibiscus rosa-sinensis L). Tanto as pétalas do tipo gamopétalas como as
dialipétalas podem ser classificadas ainda de acordo com a disposição e tamanhos
de suas pétalas. As flores dialipétalas podem ser classificadas ainda em: crucífera ou
cruciforme; rosácea; cariofilácea, cariofilada ou craviforme; orquidácea ou orquidi-
forme; papilionada, papilionácea ou amariposada.
A flor crucífera ou cruciforme apresenta quatro pétalas em cruz, opostas de duas
a duas. Ex.: flor de couve (Brassica oleracea). A flor rosácea exibe cinco pétalas de
unhas curtas, com as bordas arredondadas. Ex.: rosa. (Rosa sp). A flor cariofilácea,
cariofilada ou craviforme, possui cinco pétalas de unhas longas e estreitas, e suas
bordas são recortadas. Ex.: cravina (Dianthus chineses). Com relação à flor orqui-
dácea ou orquidiforme, é aquela que apresenta três pétalas, sendo duas laterais e
uma mediana, denominada labelo. Ex.: orquídea (Cattleya sp). Por fim, a folha

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dialipétala tida como papilionada, papilionácea ou amariposada, que consiste num


conjunto de cinco pétalas desiguais: uma, a maior de todas (tanto em comprimen-
to como em largura), localizada na parte superior da flor (denominada estandarte
ou vexilo); duas menores laterais e simétricas (chamadas asas); duas menores e
mais internas (unidas pelo ápice e sendo envolvidas pelas asas (chamadas carena ou
quilha). Ex.: ervilha (Pisum sativum).
As flores gamopétalas também apresentam sub tipologias que correspondem às
seguintes: tubulosa ou tubular; rotácea, rotada ou rotata; infundibuliforme; cam-
panuladas; urceolada; hipocrateriforme; labiada; personada, mascarina, gibilosa ou
mascarila; ligulada ou semiflósculo.
A flor tubulosa ou tubular é aquela cujas pétalas formam um tubo de seção apro-
ximadamente cilíndrica, comprido, e a porção mais externa da corola é bastante
curta ou quase nula. É o caso da margarida (Chrysanthemum leucanthemum).
A flor do tipo rotácea, rotada ou rotata, possui um tubo curto, com pétalas
planas, as quais sofrem um estreitamento na extremidade de cada pétala; o seu
limbo lembra os raios de uma roda. Ex.: tomate (Lycopersicum esculentum). A
gamopétala do tipo infundibuliforme, consiste num tubo que sofre gradual alar-
gamento da base para a extremidade. Sua forma geral se assemelha a um funil.
Ex.: enrola semana (Ipomoea cairica).
Acerca da flor campanulada, trata-se de um tubo que alarga-se drasticamente na
base e em seguida mantém o diâmetro constante até a borda da flor. Sua forma ge-
ral assemelha-se a um sino, campânula, ou campainha; ocorre na planta chamada
campainha (Campanula sp). Em se tratando da flor urceolada, é aquela cujo tubo
alarga-se rapidamente na base e sofre um afunilamento conforme se aproxima da
borda. Neste caso, o tubo é bastante destacado e o limbo, praticamente desprezível.
Apresenta uma forma geral de jarro ou urna. Ex.: Erica (Erica sp). A flor hipocrate-

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riforme encerra um tubo comprido, o qual alarga-se rapidamente na extremidade


das pétalas (que são planas). Apesar de ser tubulosa, o seu limbo se destaca, é pre-
dominante. Sua forma geral guarda semelhança com uma taça ou salva; pode ser
observada na vinca (Lochnera rosea). A flor labiada é aquela que apresenta o limbo
dividido em um ou dois lábios. Ex.: cardeal (Salvia splendens). A flor personada,
mascarina, gibilosa ou mascarila apresenta dois lábios justapostos, sendo que o
lábio inferior tem uma dilatação que fecha a abertura da corola. Ex.: boca de leão
(Arterrhium majus). A flor denominada ligulada ou semiflósculo, corresponde a
um tubo, cuja forma lembra a de uma língua; suas pétalas se apresentam recortadas
na extremidade. Ex.: margarida (Chrysanthemum leucanthemum).
Voltando ao estudo dos verticilos, os verticilos internos, reprodutores, têm função
exclusiva de reprodução, sendo formados pelo androceu e pelo gineceu. O andro-
ceu é o conjunto de órgãos reprodutores masculinos da flor, que são os estames.
Cada estame é composto por três partes: filete, conectivo e antera. O filete consiste
numa haste que sustenta a antera, e geralmente tem formato filamentoso; é a parte
estéril do estame. O conectivo, assim como o filete, é um tecido estéril que une o
filete à antera, podendo ser pouco ou muito desenvolvido. A antera localiza-se na
extremidade do filete, consistindo numa porção mais dilatada do estame. Inter-
namente é dividida em quatro partes chamadas sacos polínicos, os quais reunidos
dois a dois são denominados tecas. É nas tecas que são produzidos e armazenados
os grãos de pólen.
Com relação ao gineceu, este consiste no conjunto de órgãos reprodutores femini-
nos da flor, que são os pistilos. Este conjunto dos órgãos reprodutores pode ainda
ser chamado carpelos. Assim como o estame (órgão reprodutor masculino), o pistilo
é composto por três estruturas: o ovário; estilete ou estilo; e o estigma. O ovário é
a estrutura principal do pistilo, que dá origem ao fruto. Corresponde à parte basal

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dilatada do pistilo, formada pelos carpelos (folhas modificada dobrada sobre si mes-
ma), que se fecham delimitando cavidades, denominadas lóculos. No interior destes
lóculos se originam os óvulos da flor; estes óvulos por sua vez, se transformarão em
sementes. O estilete ou estilo designam a porção tubular, relativamente alongada do
pistilo, que liga o estigma ao ovário, e é formado pelo prolongamento dos carpelos,
sobre o qual se encontra o estigma. O estigma localiza-se na parte superior do car-
pelo, correspondendo a uma dilatação do estilete ou estilo. Sua principal função é
amortecer o pouso do grão de pólen e permitir sua permanência; para tanto, é rico
em substâncias mucilaginosas que otimizam a fixação e germinação do grão de pó-
len. Além das classificações pertinentes às partes constituintes da flor, estas podem
ainda ser estudadas e catalogados de acordo com a disposição das peças florais; com
o sexo; com os tipos de inflorescência; com os tipos de polinização.
No que se refere à disposição das peças florais, foram detectadas três tipologias
básicas: flor cíclica ou verticilada; flor acíclica ou espiralada; flor hemicíclica. A flor
cíclica ou verticilada é aquela onde as peças florais se inserem no receptáculo (sépa-
tas) em círculos concêntricos, formando verticilos. Ex.: Angyospermae, como o
lírio (Hemerocallis sp), quaresma, flor de couve (Brassica oleracea). Na flor acíclica
ou espiralada as peças florais se dispõem em espiral ao redor do receptáculo. Ex.:
magnólia (Michelia champaca L), Gymnospermae em geral. A flor hemicíclica
consiste num tipo intermediário de disposição, entre a cíclica e a acíclica. Neste
caso, algumas peças se inserem ao receptáculo em ciclos, enquanto as demais (em
geral, as pétalas e estames), se dispõem em espiral.
Tratando agora da classificação das plantas quanto ao sexo das flores, foram iden-
tificadas as possibilidades que se seguem: bissexuada, hermafrodita ou monóclina;
unissexuada ou díclina; assexuada, estéril ou neutra; monóica; dióica; polígamos. A
flor bissexuada, hermafrodita ou monóclina, é o tipo de flor que apresenta simulta-

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neamente os órgãos reprodutores masculinos (androceu) e feminino (gineceu), ou


seja, uma mesma flor possui os dois sexos. Ex.: rosa (Rosa sp), brinco de princesa
(Hibiscus rosa-sinensis L), lírio (Hemerocallis sp). A flor unissexuada ou díclina,
é aquela que apresenta órgão sexual somente feminino ou somente masculino. A
flor unissexuada feminina, é dotada de gineceu e desprovisa de androceu, e a flor
unissexuada masculina é dotada de androceu e desprovida de gineceu. Ex.: mamo-
na (Ricinus communis L), mamão (Carica papaya). A flor tida como assexuada,
estéril ou neutra é desprovida de órgãos sexuais masculinos (androceu) e feminino
(gineceu), ou os possui, embora não fecundados em virtude de serem estéreis. Ex.:
arum, flores externas brancas da margarida (Chrysanthemum leucathemum).
A flor monóica ocorre quando uma mesma planta possui flores unissexuadas
femininas (dotadas de gineceu e desprovidas de androceu) e flores unissexua-
das masculinas (dotadas de androceu e desprovidas de gineceu). Ex.: abóbora
(Cucurbita pepo L.), mamona (Ricinus communis L). Uma flor é denominada
dióica, quando uma planta de determinada espécie apresenta flores de um único
sexo, e uma outra planta, da mesma espécie, apresenta flores de sexo oposto. Ou
seja, dentro de uma mesma espécie, indivíduos podem ser unissexuados femi-
ninos ou masculinos. Ex.: tamareira (Phoenix dactylifera) e a família Cariace-
ae. Finalmente, a planta é classificada como tendo flores polígamas quando um
mesmo vegetal é dotado de flores hermafroditas e unissexuadas, tanto femininas
como masculinas. Ex.: compositae (asteraceae).
Num vegetal, as flores podem aparecer únicas no ápice do caule ou na axila das
folhas, e neste caso, são denominadas solitárias. Por outro lado, quando as flores se
apresentam em conjunto, que se formam nas extremidades dos ramos, são chama-
das inflorescências. De forma mais específica, a inflorescência consiste na disposi-
ção dos ramos florais e das flores existentes nestes.

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Podem ser identificados dois grupos de inflorescências (Figura 106A): as cha-


madas indefinidas, centrípeta, racimosa ou monopodial; definidas, centrífuga,
cimosa ou simpodial. Estes dois grupos podem ainda ser classificados em simples
ou compostas.
A inflorescência indefinida, centrípeta, racimosa ou monopodial, relaciona-se
com a ramificação monopodial, ou seja, aquela que apresenta um eixo central de
crescimento, a partir do qual surgem ramificações. Neste tipo de inflorescência,
as flores se abrem de baixo para cima ou da periferia para o centro. Esta inflores-
cência é chamada indefinida pois o eixo, em tese, desenvolve-se ilimitadamente,
pois como o ápice não termina com uma flor, a medida em que o ramo cresce,
origina novas flores.
Dentro da inflorescência indefinida, centrípeta, racimosa ou monopodial, são
identificadas ainda sete variações; são elas: cacho, racimo ou racemosa; corimbo;
umbela; espiga; capítulo; amento ou amentilho; espádice. O tipo de inflorescência
denominado cacho, racimo ou racemosa, apresenta um eixo principal (pedúnculo
principal), que se ramifica monopidialmente (formando os pedicelos) em inter-
valos regulares, e estas ramificações podem atingir diversas alturas; neste caso, a
distância entre as flores não é desprezível. Ex.: xiquexique (Crotalaria striata).
A Inflorescência chamada corimbo, também forma uma espécie de cacho com um
eixo central de onde partem ramificações em intervalos regulares; contudo, em
virtude de um maior desenvolvimento dos pedicelos das flores localizadas nas po-
sições mais inferiores, o resultado é que todas as flores atingem uma mesma altura
no ápice do ramo. Ex.: espadótea (Spathodea campanulata).
A umbela ocorre quando todos os pedicelos partem do ápice do pedúnculo prin-
cipal, e as florem atingem uma altura aproximadamente igual. Neste caso, o ponto
do pedúnculo de onde saem os pedicelos, sofre uma certa dilatação, e a distância

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entre os pedicelos e as flores é praticamente desprezível. Esta inflorescência apre-


senta uma forma geral semelhante a uma sombrinha. Ex.: erva doce, falsa-unha-
-de-rato (Asclepias curassavica).
A espiga é constituída por uma série de flores sésseis (ou seja, desprovidas de pe-
dicelos), dispostas ao longo do pedúnculo principal, em intervalos regulares, e as
flores atingem diversas alturas. Nesta situação, a distância entre as flores não é
desprezível. Ex.: milho (Zea mays), língua de vaca (Plantago major).
O capítulo ocorre quando o pedúnculo (eixo central da inflorescência), sofre um
alargamento em seu ápice, formando um receptáculo côncavo, plano, convexo ou
ligeiramente cônico, denominado toro. Neste receptáculo se inserem flores sésseis
(sem pedicelos), as quais atingem entre si quase a mesma altura. Ex.: margarida
(Chrysanthemum leucathemum).
O amento ou amentilho corresponde a uma variação da inflorescência espiga,
contudo o eixo principal se apresenta mais denso, flexível e pendente, geral-
mente dotado de flores unissexuadas. Ex.: castanheira (Castanea sativa), rabo de
macaco (Acalypha sp).
A última inflorescência racemosa simples é a espádice, que também consiste numa
variação da espiga, cujo eixo principal se apresenta dilatado, carnoso e as flores
inseridas nela são, na maioria das vezes, unissexuadas. Todo este conjunto pode vir
envolvido por uma bráctea grande denominada espata. Ex.: araceae, copo de leite,
banana de macaco (Monstera deliciosa).
A inflorescência denominada definida, centrífuga, cimosa ou simpodial, é aque-
la onde tanto o eixo principal como os pedicelos tem crescimento limitado. Isto
acontece porque neste eixo principal ou inicial, exibe em seu ápice uma flor, com a
qual interrompe seu crescimento e dá origem a outros ramos, com os quais ocorre
o mesmo. Os ramos secundários laterais, muitas vezes crescem mais que o ramo

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principal, e por esta razão esta inflorescência também é conhecida como simpodial.
Neste tipo de inflorescência, a flor localizada no ápice do ramo principal é a pri-
meira a abrir-se, seguida pelas flores no ápice dos demais ramos; em outros casos,
as flores se abrem do centro para a periferia.
A inflorescência definida, centrífuga, cimosa ou simpodial pode ainda ser dividida
em: cima unípara ou monocásio; helicóide; escorpióide; cima bípara ou dicásio;
trípara; multípara ou pleiocásio.
A inflorescência denominada cima unípara ou monocásio é aquela onde, abaixo da
flor que se forma no eixo principal, surge um ramo secundário, também dotado de
uma flor; abaixo desta surge um novo ramo, e assim sucessivamente.
No caso dos ramos subsequentes saírem de um lado e do outro do ramo princi-
pal, alternadamente, a inflorescência monocásio é chamada helicoidal; neste caso,
as flores no ápice dos ramos podem ser unidas, formando uma curva helicoidal,
como ocorre no lírio (Hemerocallis sp).
Todavia, se os ramos laterais saírem sempre de uma mesma lateral do ramo prin-
cipal, a inflorescência monopodial é chamada escorpióide; as flores desta inflores-
cência, vistas de frente, podem ser unidas, formando um caracol ou a cauda de um
escorpião, como é o caso do miosótis (Borraginaceae).
No caso da inflorescência helicoidal, há dois tipos: o rípido (onde todos os ramos
se encontram no mesmo plano) e o bóstrice (onde os ramos se situam em planos
distintos). Na inflorescência escorpióide, também foram identificados dois tipos:
o drepânio (todos os ramos se encontram no mesmo plano) e o cincino (onde os
ramos se situam em planos distintos).
A cima bípara ou dicásio é aquela onde, abaixo da flor que se forma no ápice do
eixo principal, surgem dois ramos secundários, cada qual também com uma flor
no ápice, e abaixo de cada flor surgem outros dois ramos laterais e assim sucessiva-

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mente, num processo de fractal. Ex.: begônia (Begonia sp), Caryophyllaceae.


A inflorescência trípara é semelhante à bípara, contudo abaixo da flor no ápice do
eixo principal surgem três outros ramos e assim por diante. A inflorescência multí-
para ou pleiocásio é similar à trípara e à bípara, entretanto, abaixo da flor no ápice
do eixo principal surgem mais que três outros ramos e assim por diante. Ou seja,
cada pedúnculo dá origem a muitos outros. Ex.: ixora, jardineira (Pelargonium sp).
Todas as inflorescências supra citadas correspondem às tipologias simples de in-
florescências. Com relação às tipologias compostas, de modo geral, podem ser ho-
mogêneas (correspondendo à ramificação entre racemosas de mesmo tipo, ou seja,
tanto a inflorescência como sua ramificação são uma mesma racimosa. É como se
uma inflorescência racimosa X tivesse uma ramificação racimosa X. Ex.: umbela
composta ou umbela de umbelas); heterogêneas (quando a ramificação é racimosa
ou cimosa, porém entre diferentes tipos; é como se a inflorescência racimosa X ti-
vesse uma ramificação racimosa Y. Ex.: dicásio de ciátios); e mistas (corresponden-
do à mistura entre inflorescências racimosas e cimosas; como se fosse uma inflores-
cência racimosa X ter como ramificação uma cimosa Y. Ex.: dicásio de capítulos).
A seguir serão abordadas as inflorescências compostas mais referenciadas. Estas
compreendem as que se seguem: panícula ou racimo composto; panícula com-
posta; antela; racimo ou cacho de umbelas; racimo ou cacho de espigas; umbela
composta ou umbela de umbelas; sícono ou sicônio; cíato ou ciátio; glomérulo.
A inflorescência panícula ou racimo composto é aquela onde as ramificações la-
terais (que partem do eixo principal) também sofrem ramificações que vão di-
minuindo conforme se aproximam do ápice do ramo, de modo que o conjunto
completo toma o aspecto de uma pirâmide. Neste caso, tanto as ramificações como
o todo se constituem por cachos. Existe ainda a panícula composta, na qual cada
sub ramificação das ramificações laterais, por sua vez se ramificam também.

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A antela assemelha-se à panícula, entretanto, na antera os pequenos ramos laterais


suplantam cada eixo respectivamente. O racimo ou cacho de umbelas é um misto
das inflorescências racemosas e umbela, onde cada ramificação lateral dá origem a
vários pedicelos cada um com uma flor em seu ápice. O racimo ou cacho de espi-
gas é um cacho cujos pedicelos são espigas, correspondendo a uma mistura entre
as inflorescências racimosa e espiga. A umbela composta ou umbela de umbelas
ocorre quando os pedicelos de uma umbela são suportes de umbelas. O sícono ou
sicônio corresponde a um conjunto de espigas muito contraídas, dispostas num
receptáculo côncavo. Ex.: figueiro (Ficus carioca). O cíato ou ciátio é constituído
por uma flor central unissexuada feminina, com pedúnculo alongado, ao redor do
qual são dispostas flores masculinas com um só estame cada uma. Ex.: Coroa de
cristo (Euphorbia splendens).
O glomérulo ocorre quando várias flores com pedicelos quase desprezíveis, se aglo-
meram num determinado ponto do pedúnculo, ao longo do eixo comum ou nos
ramos, numa configuração aproximadamente globosa. Ex.: cordão de frade (Le-
onotis nepetaefolia). Para finalizar o estudo das flores, será abordado a seguir os
tipos de polinização. A polinização pode ser definida como sendo o transporte
do grão de pólen da antera (órgão sexual masculino) para o estigma (órgão sexual
masculino) da flor.
O processo de polinização pode se dar de forma direta (uma mesma flor se fe-
cundar, pois esta mesma flor apresenta órgãos sexuais masculinos e femininos)
ou cruzada (uma flor fecunda outra flor). A polinização direta não é vantajosa do
ponto de vista evolutivo, haja vista que diminui a variabilidade genética da espécie;
mesma nas flores onde as chances de autofecundação são grandes, as flores desen-
volveram mecanismos para impedir ou dificultar este processo.
Por outro lado, a polinização cruzada permite que ocorram melhoramentos na

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espécie, que determinadas características indesejáveis ou defeitos sejam minimi-


zados através das misturas genéticas. Na polinização cruzada, as flores necessitam
de agentes externos para fecundar outras flores; desta maneira, as flores sofreram
adaptações ao meio externo para otimizar o transporte de seu pólen ao estigma de
outra flor. Surgiram assim as plantas anemófilas, zoófilas e hidrófilas.
Uma planta é chamada anemófila quando o seu agente polinizador é o vento.
Neste caso, as flores são de pequeno porte e desprovidas de aroma, cor ou néctar;
as anteras são bem expostas ao ar, com filetes longos, finos e flexíveis; apresenta
grande quantidade de pólen, de grãos pequenos e leves; os estigmas apresentam,
grande superfície. Como exemplo pode ser colocado o carvalho (Quercus laevis).
Um vegetal é denominado zoófilo no caso de seus agentes polinizadores serem os ani-
mais. Na planta zoófila, as flores são vistosas, apresentando formas exuberantes, bizar-
ras ou adaptadas ao pouso; possuem ainda glândulas, papilas e nectários que elaboram
substâncias aromáticas e açúcares próprios para atrair animais. Quando estes animais
que polinizam são insetos, a planta é entomófila (ex.: salvia); quando são pássaros, a
planta é ornitófila (ex.: brinco de princesa [Hibiscus rosa-sinensis L]). Um exemplo
de planta ortitófila é a Ilex montana, e um exemplo de plantas que atraem morcegos é
a Agave palmeri. A planta é hidrófila quando sua polinização é feita com o auxílio de
água. Ex.: pinheirinho d´água (Ceratophyllum demersum).

3.5. FRUTO
Em linhas gerais, o fruto apresenta duas funções: uma delas é envolver e proteger
as sementes e a outra é favorecer a dispersão dessas. Assim como as flores, os frutos
desenvolveram uma série de artifícios (tais como o uso de cores, aromas e sabores
agradáveis) para atrair os animais, fazê-los alimentarem-se de sua polpa e assim
dispersar suas sementes. A morfologia do fruto, deste modo, depende do tipo de

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dispersão que promove e dos seus agentes disseminadores.


O fruto corresponde ao ovário desenvolvido da flor, contendo a semente já for-
mada; popularmente, é utilizada a palavra “fruta” para designar frutos doces, que
normalmente podem ser comidos a seco. Esta terminologia, porém, costuma cau-
sar uma certa confusão, haja visto que nem sempre a parte “comestível” da fruta
corresponde ao “verdadeiro fruto”.
Como exemplo, pode-se colocar o caso da maçã (Pyrus malus), onde a parte co-
mestível corresponde ao receptáculo floral que sofre uma hipertrofia, e envolve
completamente o fruto. Um outro exemplo é o coco (Cocos nucifera L), onde a
parte comestível corresponde à semente, e o fruto é a parte externa, de consistência
rígida, chamada vulgarmente de “casca”.
Um fruto completo é formado de pedúnculo, pericarpo, semente, e em situações
excepcionais, do cálice, receptáculo e pedúnculo da antiga flor (Figura 107A). O
pedúnculo é a haste que sustenta o fruto; corresponde ao pedicelo da flor. O pe-
ricarpo é a parte do fruto que envolve a semente. Pode ser dividido em três partes:
epicarpo (revestimento externo do fruto); mesocarpo (camada intermediária do
pericarpo, bastante desenvolvida nos frutos carnosos); e endocarpo (reveste a ca-
vidade do fruto, ficando em contato com este; geralmente é pouco desenvolvida
e de difícil separação). A semente é a parte do fruto responsável pela perpetuação
do vegetal, uma vez que a partir de sua germinação inicia-se o crescimento de uma
planta igual à original. A semente pode ser dividida ainda em: tegumento ou casca,
que protege a amêndoa; e a amêndoa, formada pelo embrião e em muitos casos
por reservas nutritivas.
Como ocorre com a flor e a folha, o fruto, por se tratar do resultado primeiramente
da metamorfose foliar que transformou uma folha em flor e depois da fecundação,
que possibilitou o aparecimento do fruto, as comparações entre os frutos e arquite-

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tura seriam similares às já mencionadas sobre folha e flor. Assim, no decorrer deste
item serão colocadas apenas considerações sobre as diversas morfologias de frutos
encontradas na natureza, e suas possibilidades formais.
Os frutos podem ser classificados ainda quanto a sua origem; quanto a sua consis-
tência; quanto a sua forma de abertura e quanto ao número de sementes existentes.
Com relação à origem, os frutos podem ser divididos nas seguintes categorias: os
frutos propriamente ditos ou simples (provenientes de uma única flor e conse-
quentemente de um único ovário); o fruto de infrutescência (oriundos de inflo-
rescências ou de diversas partes da flor que não só o ovário; ex.: abacaxi [Ananas
comosus L]); os frutos compostos ou múltiplos (formado por vários ovários; ex.:
morango [Fragaria vesca]); os pseudofrutos (originários do receptáculo da flor,
e como o próprio nome indica, não corresponde ao fruto verdadeiro). Dentro
da classificação dos frutos propriamente ditos ou simples, podem ser estudados
aqueles que apresentam consistência carnosa (quando apresentam o pericarpo su-
culento; é o caso da maioria dos frutos, ex.: goiaba [Psidium guajava L]) e os de
consistência seca (no caso onde seu pericarpo é seco; ex.: coco [Cocos nucifera L]).
Os frutos simples de consistência carnosa compreendem os seguintes: baga; dru-
pa; hesperídeo. A baga é o tipo de fruto simples carnoso desprovido de caroço,
porém dotado de muitas sementes. Ex.: uva (Vitis vinifera), tomate (Lycoper-
sicum esculentum), abóbora (Cucurbita pepo L.), goiaba (Psidium guajava L),
banana (Musa paradisiaca).
A drupa é um fruto simples carnoso dotada de somente uma semente ressecada,
concrescida com o endocarpo. Ex.: pêssego (Prunus persica L), ameixa (Prunus
domestica), azeitona, amêndoa (Amygdalus communis ) (Figura 108A) O hespe-
rídeo apresenta o endocarpo membranoso revestido interiormente por numerosos
pêlos repletos de suco, que corresponde à parte comestível. Ex.: limão (Citrus li-

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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FIGURA 107A
Partes consituintes
do fruto

FIGURA 108A FIGURA 109A


Drupa: fruto simples carnoso, dotado de Caríopse: fruto simples seco que apresenta
somente uma semente. (Amêndoa) apenas uma semente. (Milho)

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FIGURA 110A
Legume: tem várias sementes e
o fruto abre-se por duas fendas
longitudinais (Feijão)

FIGURA 111A
Cápsula: possui várias sementes e
o fruto abre por fendas longitudinais
(Paineira)

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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monum), laranja (Citrus aurantium).


Com relação aos frutos simples de consistência seca, podem ser citados: aquênio;
cariopse; samara; noz; folículo; legume; cápsula; pxídio. O aquênio é o tipo de
fruto seco que apresenta apenas uma semente, a qual liga-se ao pericarpo por um
pequeno pedúnculo. Ex.: Compositae, girassol (Helianthus annuus), picão (Bi-
dens pilosa), serralha (Sonchus oleraceus).
A cariopse é um fruto seco que possui apenas uma semente, a qual liga-se ao endocar-
po em toda sua extensão. Ex.: gramíneas, como o arroz (Oryza sativa L), trigo (Triti-
cum aestivun) e milho (Zea mays) (Figura 109A). A samara é um fruto simples seco,
dotada de uma única semente, que apresenta expansões laterais semelhantes a asas.
Estas expansões são percorridas por nervuras e favorecem o transporte das sementes
pelo vento. Ex.: olmeiro (Ulmus americana), cipó de asa (Stigmaphyllon sp), asa de
barata (Caesalpinia pulcherrima). A noz é o tipo de fruto que apresenta mesocarpo
lenhoso, fibroso, geralmente coberto por inteiro ou em parte por um invólucro. Ex.:
coco da baía (Cocos nucifera L), avelão (Corylus cornuta).
O folículo possui várias sementes e o fruto abre-se por uma fenda no sentido lon-
gitudinal. Ex.: magnólia (Michelia champaca L), chichá (Sterculia chicha). O le-
gume possui várias sementes, e o fruto abre-se por duas fendas no sentido longi-
tudinal. Ex.: feijão (Phaseolus vulgaris L) (Figura 110A), xiquexique (Crotalaria
striata). A cápsula apresenta várias sementes, e o fruto abre-se por várias fendas no
sentido longitudinal. Ex.: cravina (Dianthus chinenses), paineira (Chorisia specio-
sa) (Figura 111A), fumo (Nicotiana tabacum), estramônio (Datura stramonium).
O pxídio é o fruto que apresenta várias sementes e abre-se por uma fenda no sen-
tido transversal. Ao se abrir, libera um tipo de tampa denominada opérculo, e pelo
orifício caem as sementes. Ex.: sapucaia (Lecythis sp).
No tocante ao tipo de abertura dos frutos, existem os frutos deiscentes (são aqueles

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que, quando maduros, abrem-se espontaneamente); neste caso, encontram-se os


frutos cápsula, hesperídio, folículo, legume, pxídio. E os frutos indeiscentes (são
os que, quando maduros, não se abrem), correspondem aos que se seguem: baga,
drupa, hesperídio, aquênio, cariopse, sâmara e noz.
No que se refere ao número de sementes existente, os frutos podem ser classifica-
dos em: monospérmicos, que são os frutos dotados de uma só semente (como o
abacate); dispérmicos, dotados de duas sementes; trispérmicos, com três sementes;
e os polispérmicos, apresentando várias sementes (como a melancia [Curcubita
citrullus]).

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4
Considerações Finais

Enquanto instrumento para consulta, e auxílio no ensino da disciplina de Paisa-


gismo, constata-se que atende aos pré-requisitos estipulados na introdução: as in-
formações estão claras, sucintas e facilmente encontradas no decorrer das páginas,
bem como encontra-se bastante ilustrado, facilitando a compreensão das ideias e
comparativos expostos no texto.
No que diz respeito à eficácia na compreensão dos elementos transpostos de Bo-
tânica para a Arquitetura, por enquanto, pode-se relatar apenas a experiência da
própria autora: sem dúvida, houve um substancial acréscimo das informações so-
bre os vegetais e suas características, estruturas e funcionamento, e o fato de tê-los
comparado com Arquitetura, Urbanismo e Design de Interiores, auxiliou ainda
mais na fixação destes dados.
Em alguns casos, o reconhecimento das semelhanças entre os vegetais e a Arqui-
tetura, especialmente no que diz respeito às similaridades morfológicas, são mais
facilmente detectados, ao passo que outros, quando as comparações são feitas con-
siderando similaridades de funcionamento, faz-se necessária uma leitura mais cui-
190 de 198

dadosa do texto, além da simples observação das ilustrações.


Também no momento de buscar as analogia entre Botânica e Design, Arquitetura
e Urbanismo, em alguns casos a transposição foi imediata (ou seja, logo que de-
terminada característica dos vegetais fora compreendida, rapidamente pensou-se
em situações similares que aconteciam em Arquitetura) e em outros, foi necessário
mais tempo de reflexão para se chegar a uma conclusão.
Outro aspecto importante a ser avaliado, é que as comparações enfocadas neste tra-
balho foram realizadas baseadas num só ponto de vista — o da autora. É provável
que no futuro, o arquiteto, urbanista ou designer que se dispuser a trabalhar nesta
mesma temática, venha a encontrar novas informações ou mesmo identificar ou-
tras possibilidades comparativas entre a Arquitetura e a Botânica, e desta maneira
venha a contribuir com novas ideias e raciocínio por ora não contemplados.
Do modo como se apresentam atualmente as comparações tecidas no texto, muito
embora estejam argumentadas (quer dizer, todas elas se apresentam fundamen-
tadas, explicados os motivos e em que aspectos se pode comparar esta ou aquela
ideia de botânica com determinado aspecto arquitetônico) é possível que alguns
concordem com as analogias propostas, e outros não.
Mesmo no caso do arquiteto, numa situação extrema, não concordar com nenhu-
ma analogia proposta, ainda neste caso, pode-se considerar que este trabalho al-
cançou seus objetivos, uma vez que para concordar ou não com determinada ideia,
é preciso que se reflita a respeito e que se pese todos os fatores inerentes à questão
— e já o fato de o trabalho ter proporcionado ao arquiteto uma reflexão sobre a
Botânica e suas relações com o Paisagismo, significa que as ideias contidas nesta
pesquisa fizeram o arquiteto pensar sobre questões antes não discutidas dentro do
curso de Arquitetura e Urbanismo, e que se revelam fundamentais para a produção
de uma paisagem de qualidade.
Após o término deste trabalho, muitas informações foram apreendidas e muitas dúvi-
das foram sanadas; entretanto, as informações contidas neste volume não dispensam
a consulta aos manuais e catálogos de plantas. Apesar de fornecer as características
morfológicas de diversos vegetais, este trabalho de forma alguma abarcou todas as

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possibilidades de vegetais que o projetista dispõe para uso nos projetos paisagísticos.
Outro fato relevante a ser esclarecido, é que este trabalho pode ser considerado
apenas como um passo inicial para uma eventual readequação do ensino de Pai-
sagismo nas escolas de Design e de Arquitetura e Urbanismo; muito ainda precisa
ser reformulado e repensado para otimizar a metodologia e as temáticas de ensino.
Pensando num passo mais a frente na produção de material didático para o ensi-
no de Paisagismo, que apresentasse uma interface cada vez maior para auxiliar os
profissionais e estudantes do ramo a resolver os problemas inerentes ao projeto
paisagístico, podem ser lançadas algumas ideias para prosseguimento dos estudos
de Botânica vinculado ao Paisagismo: por exemplo, analisar de que forma as di-
versas morfologias dos vegetais apresentadas neste trabalho, se rebatem dentro do
projeto de paisagismo, quais os efeitos compositivos, estéticos, etc., se pode obter
utilizando estas diferentes tipologias de raízes, caule, folhas, flores e frutos;
Criar um banco de dados com informações botânicas sobre os vegetais com poten-
cial paisagístico, somente com dados que interessariam diretamente ao arquiteto
e ao designer, tais como porte dos vegetais, formato de copa, manutenção, efeitos
proporcionados pela quantidade de vegetais, relação destes com outros vegetais,
com o meio ambiente, com as condições climáticas, com os diversos materiais de
construção empregados em arquitetura, dentre outros.
Na realidade, existem muitas possibilidades para se trabalhar informações neces-
sárias ao paisagista disponibilizando estes dados para melhorar o desempenho e
a qualidade dos projetos. Espera-se que, com este trabalho, mais profissionais e
estudantes se interessem pelo tema e se proponham a contribuir para a melhoria
da paisagem, especialmente a urbana, que é tão massacrada pela falta de conheci-
mento e de sensibilidade dos planejadores e governantes.

ADRIANA CARLA DE AZEVEDO BORBA


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