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ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA COMISSÃO DE LICITAÇÃO –

TOMADA DE PREÇOS Nº 01/2019 – PROCESSO Nº 5271/2018 – DA


COMPANHIA HABITACIONAL REGIONAL DE RIBEIRÃO PRETO –
COHAB-RP.

Ref: Tomada de Preços nº 01/2019 – Processo nº 5271/2018

BERNARDINI, MARTINS & FERRAZ –


SOCIEDADE DE ADVOGADOS, com inscrição no CNPJ-MF sob o nº
07.348.215/0001-47, inscrito na OAB/SP sob o nº 8892, com endereço à Rua Marechal
Rondon 188, Ribeirão Preto/SP, neste ato representada por seu representante legal, Dr.
Fabio Garcia Leal Ferraz, nos autos do processo administrativo de licitação em epígrafe,
vem, respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, com fundamento no edital em
referência e na Lei nº 8.666/93, apresentar RECURSO ADMINISTRATIVO, face à
decisão administrativa que HABILITOU a licitante AURO RUSCHEL
ADVOGADOS ASSOCIADOS (CNPJ nº 09.439.558/0001-42), conforme as razões de
fato e de direito a seguir expostos:

Analisando o processo licitatório supracitado, depreende que


a licitante em comento apresentou documentos irregulares (ou não os apresentou como
deveria) mas, por um lapso, foi erroneamente habilitada, senão, vejamos.
1) DA MODIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO CONTIDA NO ANEXO VIII DO
EDITAL – DESCUMPRIMENTO DO ITEM 1.1, ALÍNEA “D”, DO ANEXO III
DO EDITAL

Sabemos que o formalismo que é intrínseco às licitações, de


modo que a licitante não pode, de acordo com seu entendimento particular e/ou interesse
próprio, alterar documentos exigidos no edital, muito menos aqueles cujo modelo
constam no certame.

E, desde já, nem se alegue aplicação do item 17.5 do Edital,


porquanto trata-se aqui de alteração de frase importante de documento que importa na
alteração de informação que a Administração Pública deve saber e ter conhecimento, pois,
do contrário, não a inseriria como modelo do edital.

O edital exige, no item 1.1, alínea “d”, do Anexo III do


Edital:

1. O Envelope nº 1 deverá conter, obrigatoriamente, sob pena de inabilitação, os


documentos a seguir relacionados:
1.1. Documentação relativa à habilitação jurídica:
[...]
d) Declaração de cumprimento ao disposto no art. 27, inciso V, da Lei
nº 8.666/93, conforme modelo constante no Anexo VIII do Edital.

Contudo, a licitante em tela alterou a ressalva que traria


informação importantíssima sobre o que a Administração Pública necessita saber, ou seja:
se a licitante emprega menor, a partir de 14 anos, na condição de aprendiz.

Note que posteriormente há um campo “( )” que deve ser


preenchido com um “X” em caso positivo ou deve ser deixado em branco sem
preenchimento em caso negativo.

Mas a licitante entendeu por bem em RETIRAR TODA A


RESSALVA da declaração, impossibilitando que a Administração Pública obtenha
qualquer entendimento ou conhecimento da informação necessária que deveria ser
prestada.

O Anexo VIII traz o seguinte modelo que deve ser seguido


de forma impecável:

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Note que da leitura do item do certame em tela, temos que a
licitante deve apresentar “Declaração de cumprimento ao disposto no art. 27, inciso V,
da Lei nº 8.666/93, conforme modelo constante no Anexo VIII
do Edital”, sob pena de inabilitação, pois trata-se de uma documentação de
habilitação jurídica.

Se a licitante modificou o documento ou retirou a ressalva em


comento, omitiu da Administração Pública uma informação importante e que era
EXIGIDA PELO EDITAL, de modo que não resta outra alternativa senão sua
INABILITAÇÃO.

A propósito, nesse sentido, a jurisprudência é esmagadora:

“DIREITO ADMINISTRATIVO - MANDADO DE SEGURANÇA -


APELAÇÃO - LICITAÇÃO - FRANQUIA POSTAL - SUPRESSÃO DE
TRECHO DE FORMULÁRIO - INABILITAÇÃO.
1. Licitação, na modalidade concorrência, para operação de franquia postal.
2. Supressão de trecho de declaração obrigatória. Entendeu a licitante que
o tópico deveria constar no formulário apenas em caso afirmativo de
emprego de menores aprendizes.
3. Descumprimento de requisito legal previsto em edital. Precedente.

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4. Não cabe ao Poder Judiciário substituir a Administração na análise da
obrigatoriedade ou relevância das declarações prestadas.
5. Apelação e remessa oficial providas.”
(TRF – 3ª REGIÃO – APELAÇÃO nº 0011057-09.2012.4.03.6100/SP,
RELATOR: Desembargador Federal FÁBIO PRIETO, Data do Julgamento: 29 de
novembro de 2018) (G.n.)

“DIREITO ADMINISTRATIVO. EMPRESA DE CORREIOS E


TELÉGRAFOS (ECT). LICITAÇÃO. CONTRATO DE FRANQUIA POSTAL.
EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIO.
INABILITAÇÃO. POSSIBILIDADE. IDONEIDADE FINANCEIRA DA
EMPRESA CONCORRENTE RECONHECIDA.
1. Alega a apelante que participou de concorrência, cujo objeto era a contratação
da instalação e operação de agências de correios sob o regime de franquia postal,
tendo como critério a melhor proposta técnica, tendo sido considerada inabilitada
uma vez que a autoridade do procedimento licitatório considerou que a declaração,
conforme prevista no edital, estava incompleta, sendo a concorrente considerada
habilitada, alegando que o equívoco no preenchimento do formulário é
insignificante e não pode levar à sua exclusão do certame.
2. A licitação é um procedimento administrativo cujo início ocorre com a
publicação do edital, momento em que são fixadas as condições para o
certame, devendo o administrado cuidar para a observância das regras
fixadas naquele ato, sob pena de nulidade.
3. O art. 27, IV da Lei n.º 8.666/93 é expresso ao determinar que para a
habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados (...) documentação relativa a
(...) regularidade fiscal e trabalhista.
4. Tratando-se de critério objetivo de exigência, não cabe ao Poder Judiciário, em
respeito ao princípio da separação de Poderes e ao poder discricionário da
autoridade administrativa, apreciar os critérios de oportunidade e conveniência
dos atos administrativos, ou seja, pronunciar-se sobre o mérito administrativo
destes, devendo ater-se à análise de sua legalidade, excetuando-se, tão somente, as
situações de evidente abuso de poder ou de ilegalidade nos atos em questão.
5. Se não foi possível saber se a empresa emprega menores, a partir de
quatorze anos, na condição de aprendiz, deixou de ser cumprido um
requisito do edital, agindo bem o Presidente da Comissão Especial de
Licitação ao inabilitar a concorrente em questão que agiu de forma
negligente ao não conferir o documento impresso antes de entregá-lo à
autoridade administrativa.
6. Quanto à alegação de que foi irregular a habilitação da empresa concorrente,
uma vez que foi incapaz de comprovar a sua idoneidade financeira, analisando os
documentos acostados aos autos, nota-se que a referida empresa apresentou toda a
documentação exigida, permitindo que a Comissão Especial de Licitação realizasse
o exame do balanço, conforme se verifica de planilha analítica de cálculo.
7. Apelação improvida.”

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(TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 2054212 -
0009894-91.2012.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL
CONSUELO YOSHIDA, julgado em 16/11/2017, e-DJF3 Judicial 1 DATA:
29/11/2017 )

Ou seja: DA LEITURA DO EDITAL DE LICITAÇÃO


NÃO RESTAM DÚVIDAS QUE OS TEXTOS QUE ESTÃO INSERIDOS NOS
MODELOS DE DECLARAÇÃO DEVERÃO SER OBSERVADOS E MANTIDOS
SEM MODIFICAÇÃO DE SEU CONTEÚDO.

LÓGICAMENTE QUE UM ERRO DE GRAFIA NÃO


TRARÁ QUALQUER PREJUÍZO AO CONTEÚDO DA DECLARAÇÃO, MAS NO
CASO EM TELA A LICITANTE DEIXOU DE LANÇAR INFORMAÇÃO
RELEVANTE QUE FAZIA PARTE DO TEXTO E CONTEÚDO DO
DOCUMENTO.

O DOCUMENTO EM REFERÊNCIA, QUAL SEJA:


ANEXO VIII, TEM EM SEU CONTEÚDO AS SEGUINTES INFORMAÇÕES
IMPORTANTES:

(1) QUE A LICITANTE NÃO EMPREGA MENOR DE 18 ANOS EM


TRABALHO NOTURNO, PERIGOSO OU INSALUBRE;
(2) NÃO EMPREGA MENOR DE 16 ANOS;
(3) RESSALVA POSITIVA OU NEGATIVA INFORMANDO SE EMPREGA
MENOR, A PARTIR DE QUATORZE ANOS, NA CONDIÇÃO DE
APRENDIZ, DEVENDO SER ASSINALADO O CAMPO APROPRIADO
COM UM “X” EM CASO POSITIVO OU DEIXÁ-LO EM BRANCO EM
CASO NEGATIVO.

Portanto, da leitura da Declaração em referência, fica nítido


que a licitante alterou a ressalva, omitindo ou dificultando o entendimento da
Administração Pública quanto à questão de se a licitante emprega ou não de menor
aprendiz.

A ressalva é necessária, não podendo ser omitida nem


alterada. É uma informação importante para a Administração Pública e exigência expressa
do Edital do certame em tela.

Ante o exposto, requer seja inabilitada a licitante por


descumprimento do item 1.1, alínea “d”, do anexo III do edital, alterando/omitindo a
ressalva do Anexo VIII do edital.

2) DO DESCUMPRIMENTO AO ITEM 1.2, ALÍNEA “D”, DO ANEXO III DO


EDITAL EM QUESTÃO – AUSÊNCIA DE DOCUMENTO DE
REGULARIDADE PLENA COM A FAZENDA MUNICIPAL

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Inicialmente tem-se que o edital apresenta uma exigência
referente à alínea “d” do item 1.2 do Anexo III do Certame.

Essa exigência é referente à prova de regularidade com a


Fazenda Municipal.

Alguns municípios possuem certidões conjuntas completas,


outros, para a prova da referida regularidade, é necessário apresentar certidão negativa de
débitos imobiliários e, também, certidão negativa de débitos mobiliários, pois são duas
formas distintas. Ou seja: a licitante pode possuir uma CND de débitos mobiliários mas
não possuir CND de débitos imobiliários (por haver endividamento), não estando, por
isso, em regularidade com a Fazenda Municipal de sua localidade.

É o que ocorreu no presente caso.

A licitante traz uma única CND geral do Município, contudo,


em sua cidade há a possibilidade (e necessidade do edital) de emissão de duas CND’s: a de
tributos mobiliários e a de tributos imobiliários, contudo, a licitante apenas apresenta uma
única CND de duas possíveis.

Ora, na cidade da licitante há as duas modalidades de CND


municipal, devendo, por isso, ser cumprida a exigência do certame e trazido aos autos as
duas CND’s, sob pena de inabilitação.

Como não trouxe as duas modalidades de CND’s Municipais,


não houve a comprovação, dentro do prazo exigido pelo certame, do cumprimento da
exigência contida no item 1.2, alínea “d”, do Anexo III do Edital em apreço.

A propósito, todas as decisões judiciais possuem esse


entendimento pacificado, in verbis:

“APELAÇÃO RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRAÇÃO


INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL Autora que almeja ser indenizada em
virtude de informação errada constante em certidão de cadastro de imóveis, que
teria sido a causa de sua inabilitação em certame licitatório Sentença de
improcedência pronunciada em Primeiro Grau. Decisório que merece subsistir
Inabilitação que se deu não porque constava imóvel, já transferido, como sendo
propriedade da autora, mas sim porque ela deixou de apresentar documento
que comprovasse a regularidade fiscal da atividade empresarial. Ausência
de nexo de causalidade Inconsistência dos dados, ademais, que se deve ao fato de o
empresário não comunicar a transferência de propriedade ao Município, para fins
de cobrança de IPTU. Não verificada, portanto, hipótese indenizável. Mantida a r.
sentença. Negado provimento ao recurso.”

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(TJSP – APELAÇÃO nº 0041455-34.2010.8.26.0053, Relator(a): Rubens Rihl,
Órgão julgador: 8ª Câmara de Direito Público, Data do julgamento: 29/04/2015,
Data de publicação: 29/04/2015) (g.n.)

A cidade da licitante possui a possibilidade de extrair as duas


certidões, devendo ter sido apresentada as duas certidões, mas não o fez a Licitante.

Ante o exposto, requer seja inabilitada a licitante, por não


atendimento pleno da exigência contida no item 1.2, alínea “d”, do Anexo III do Edital
em apreço.

3) DA AUSÊNCIA DE CND ESTADUAL COMPLETA

O Edital prevê no item 1.2, alínea “c”, do Anexo III, que a


licitante apresente CND ESTADUAL.

No Estado de São Paulo há, para uma CND completa, é


necessário trazer aos autos do processo licitatório a CND da Dívida ATIVA, bem como a
certidão de que NÃO CONSTAM DÉBITOS DECLARADOS OU APURADOS
PENDENTES DE INSTRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA.

Assim, resta claro que a licitante não trouxe aos autos a sua
comprovação de REGULARIDADE COMPLETA COM A FAZENDA ESTADUAL.

Assim, é de rigor que apresente, para comprovar 100% sua


regularidade para com a Fazenda Estadual, uma certidão de inexistência de débitos
pendentes de ajuizamento pela Fazenda Estadual, tal como fez a maioria dos licitantes
deste certame.

Ante o exposto, requer seja inabilitada por descumprir o item


1.2, alínea “c”, do Anexo III, do Edital.

3) DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ATUAÇÃO NA ÁREA OBJETO


DO EDITAL E APRESENTAÇÃO DE ATESTADOS COM DATA DE
VALIDADE VENCIDA

Sabemos que o Edital prevê no item 1.3 do Anexo III, que a


licitante apresente Atestado expedido por pessoa jurídica de direito público ou privado
que comprove a “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMPATÍVEIS COM O OBJETO
DESTE CERTAME”.

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Contudo, a licitante não junta nenhum atestado que indique
ou ateste a prestação de serviços compatíveis com o objeto do Edital. Apenas traz
documentos vencidos às fls. 2220 à 2251, todas do processo administrativo referente ao
presente certame, descumprindo exigência clara do edital.

Ora, a Licitante apresenta atestados genéricos e com data de


validade completamente ultrapassada/vencida.

NÃO TRAZ A LICITANTE ATESTADO COM DATA


DE VALIDADE RECENTE.

E o Edital é claro, no item 2.5 de seu Anexo III, ao atestar


que:

2.5. Quando não houver explicitação do prazo de validade em qualquer dos


documentos de habilitação, quando for o caso, estes somente serão aceitos quando
emitidos em data não anterior a 90 (noventa) dias da data fixada para a
abertura da sessão.

Note que um dos documentos de habilitação está descrito no


item 1.3 do Anexo III do Edital, que se trata de “Atestado(s) expedido(s) por pessoa
jurídica de direito público ou privado, que comprove(m) a prestação de serviços
compatíveis com o presente objeto deste certame”, de modo que tal atestado, em
sintonia com o item 2.5 (Anexo III) acima mencionado, deveria ter sido expedido em data
não anterior a 90 (noventa) dias contados da data fixada para abertura da sessão deste
certame, o que ocorreu em 19/02/2019.

Assim, tem-se que os atestados juntados pela Licitante,


especialmente aqueles constantes das fls. acima mencionadas do processo administrativo,
encontra-se vencidos e inválidos para a finalidade a que se destina o item 1.3 do Anexo
III deste Edital.

Ademais, os atestados de fls. 2216 e 2218 todas fls. destes


autos do processo administrativo deste certame encontram-se de forma genérica, não
havendo a descrição dos serviços compatíveis com o objeto do certame, descumprindo o
que exige o item 1.3 do Anexo III do presente Edital.

E, ainda, os atestados de fls. 2217 destes autos do processo


administrativo deste certame encontra-se incompleto, faltando atestar a prestação de
serviços da Licitante nas áreas de direito administrativo/apoio jurídico (item 2.4 do Anexo
I do Edital), de direito trabalhista (item 2.2 do Anexo I do Edital), dentre outras.

Exatamente! Faltou à licitante comprovar o exercício de


atividades nas áreas de atuação elencadas pelo edital, especialmente acerca dos temas
descritos no item 2 do Anexo I, não havendo cumprido, portanto, o item 1.3 do Anexo
III do Edital.

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Assim, não cumpriu exigência do edital, apresentando
certidões vencidas e/ou incompletas para a finalidade de atendimento do item 1.3 do
Anexo III do Edital, de modo que, portanto, requer, por isso, sua inabilitação.

5) PEDIDO

Ante o exposto, lastreada nas razões recursais supra


alinhavadas, requer-se que essa Comissão de Licitação dê provimento ao presente
Recurso, INABILITANDO a Licitante em questão (indicada no preâmbulo deste
recurso), nos termos acima expostos, lastreados na lei e no edital.

P. Deferimento
Ribeirão Preto, 12 de Março de 2019.

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