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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS


Disciplina: CIS 233 - Introdução à Ciência Econômica – Sem. 2011.1
Professora: Maria Emília Marques Fagundes
Componentes: André Felipe Malta Santos, José Lourenço de Jesus Neto, David Alan
Santos Lima e Tiago de Souza Anjos.

Questões sobre o livro História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman

1. Com o crescimento do comércio passou-se da economia natural do feudo auto-


suficiente para uma economia de mercados. Quais são as principais diferenças
entre esses dois tipos de sistema econômico? Que fatores estimularam o
crescimento do comércio? Comente sobre o choque entre essa nova realidade e a
estrutura feudal de produção. (1,5)

2. A igreja condenava a usura e pregrava o preço justo. Explique como as


modificações históricas transformaram essas concepções e como o juro deu origem
à usura e o preço justo deu lugar ao preço de mercado. (1,0)

3. Em que consistiu a chamada acumulação primitiva de capital? Que papel as


colônias desempenharam nesse processo? (1,5)

4. “O maior melhoramento na capacidade produtiva do trabalho...parece ter sido o


efeito da divisão do trabalho” ( Huberman, 1968, p.111) Explique a importância
que Adam Smith atribuiu a divisão do trabalho, bem como a alienação que Marx
considera proviniente dessa divisão do trabalho. (1,5)

5. “Marx dizia que, na sociedade socialista, a exploração, era oculta, mascarada.


Arrancou-lhe a máscara com a teoria da mais-valia. (Huberman, 1968, p. 173).
Explique a citação mostrando as ideias marxistas sobre trabalho excedente,
trabalho necessário e teoria da mais-valia. (1,5)

6. Os clássicos acreditavam que o valor das mercadorias era determinado pelo


trabalho a ela incorporado. Os neoclássicos consideravam que o valor das
mercadorias era determiando pela utilidade a ela atribuída. Contraste a ideia dos
clássicos e neoclássicos sobre a determinação do valor. (1,5)

7. Marx e Keynes foram dois teóricos da economia que estudaram as crises do


sistema capitalista. Para Marx, as crises eram causadas principalmente pelo
excesso de oferta e pela tendência decrescente da taxa de lucro. Keynes via a
possibilidade de crises na insuficiência de demanda. (1,5)
a) Explique o que significa “tendência de decrescente da taxa de juros”
b) Compare as visões de Marx e Keynes das crises do capitalismo.
RESPOSTAS

1 - No Sistema feudal havia a quase inexistência do comércio ou troca de materiais, a


vida econômica decorria sem muita utilização de capital. Era uma economia de
consumo, em que cada aldeia feudal era praticamente auto-suficiente, não havia razão
para a produção de excedentes em grande escala a não ser quando existisse uma
procura firme. Já a economia de mercado nasce da necessidade de comércio. Grande
Produção direcionada ao comércio que crescia cada vez mais com negociações,
utilidade da moeda, a primitiva classe de proletariados e as feiras que deram início a
cidade. Um dos fatores estimulantes para o crescimento do comércio foram às
cruzadas, os mercadores os acompanhavam a fim de oferecer o que precisassem os
cruzados que retornavam traziam o gosto pelas comidas e roupas que
experimentaram. Esse gosto levou a procura que criou um mercado para estes
produtos. O choque entre essa nova realidade e a estrutura feudal de produção fez
com que a Igreja, se enxergar-se de certa forma perdendo sua hegemonia, o maior
motivo da produção não era mais se manter nem contribuir para com o senhor feudal,
e sim ir vender nas feiras para conseguir dinheiro e comprar outras mercadorias.

2 - Houve época em que se considerava crime grave cobrar juros pelo uso do dinheiro.
No principio da Idade Média o empréstimo de dinheiro a juros era proibido pela Igreja.
Emprestar a juros era considerado usura e a usura era pecado. Usura porque os juros
eram exploração o próximo só devia ser pago aquilo que foi emprestado, porém ao
decorrer do tempo a igreja foi cedendo às circunstâncias até ser normal a prática de
cobrar juros. A Igreja ensinava também, o preço justo, que todos só deviam vender e
comprar por um preço fixo, e que semelhante ao juro, o comerciante não poderia
cobrar a mais, nesse caso, por causa da demanda/oferta, o que também foi cedendo
até se tornar uma prática normal.

3 - A acumulação primitiva do capital foi um processo histórico que precedeu a


formação da produção capitalista e retirou os meios de produção das mãos dos
produtores e converteu-os gradualmente em trabalhadores assalariados. As colônias
tiveram papel fundamental na acumulação primitiva de capital, o comércio externo de
mercadorias e a pilhagem externa desempenharam um duplo papel: agiram no sentido
da ampliação da esfera de troca pela expansão do capital sob a forma de mercadoria e
no sentido da movimentação das relações de valor, determinando a acumulação de um
capital mercantil através do estabelecimento de contatos entre formações sociais nas
quais prevaleciam condições diferentes de formação do valor.

4 - Para Smith a elevação da eficiência produtiva, obtida exclusivamente pela via de


incrementos da divisão manufatureira do trabalho, possui um desdobramento positivo
em função do incremento da riqueza material. Para Marx, no entanto a divisão do
trabalho (especialização) alienava o trabalhador a apenas aquela função, ele não
participava da produção por completo o que ocasionava numa “dependência”, além de
que o trabalhador não tinha conhecimentos sobre a totalidade do processo produtivo.
5 – No trabalho necessário, o capitalismo equilibra os custos da compra de força de
trabalho e o trabalho excedente seria a base em que o Burguês teria lucros absurdos.
A teoria de mais valia é a diferença entre a vida produzida pelo trabalho e o valor pago
ao trabalhador sendo esta a base de exploração no sistema capitalista, pois o
capitalista consegue pagar os salários dos operários antes mesmos que termine o
tempo destinado a realização da tarefa, obtendo assim o tempo restante como lucro,
pois já conseguiu pagar os custos de produção, ou seja, a mais valia é o trabalho não
pago gerado pelos operários que o capitalismo se apropriaria e que por sua vez é a
fonte de seu lucro.

6 - Determinar o valor das mercadorias pelo trabalho a elas incorporado é mais


conveniente, porém que seja um trabalho médio, pois há casos que possa haver vários
métodos de se fazer uma mercadoria. Determinando o valor pela sua utilidade também
tem lógica, certamente uma cama vale mais que um banco, no entanto tal idéia se
esbarra à questão da relatividade, a depender da pessoa, ou situação os valores irão
variar.

7–

a) A tendência decrescente da taxa de lucros consiste na diminuição da mais valia,


ou seja, se é na mais valia que o capitalista obtém lucro, à medida que aumente o
número de funcionário, ou o valor dos salários, a mais valia decai simultaneamente e a
taxa de juros.

b) Ao contrário do que Say dizia ("a oferta cria sua própria demanda"), Keynes não
acreditava que a produção de mercadorias geraria, sempre e obrigatoriamente,
demanda suficiente para outras mercadorias. Para ele o livre mercado pode,
durante os períodos recessivos, não gerar demanda bastante para garantir o pleno
emprego dos fatores de produção devido ao "entesouramento" das poupanças. Em
suas políticas econômicas aconselhava a participação do Estado como um agente
regulador ou que proporcionasse a estabilidade econômica. Para Marx as crises
capitalistas só acontecem porque para que a classe dominadora dos bens de
produção possam obter lucro, tem que diminuir os salários da classe trabalhadora,
que em geral é a maioria dos consumidores, e essa diminuição do poder de
comprar diminuiria a demanda o que acarretaria numa crise. Para Marx a solução
desse dilema seria acabar com o próprio capitalismo.

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