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Biologia sintética

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A expressão biologia sintética tem sido utilizada para descrever


uma abordagem da biologia que tenta integrar diferentes áreas
similares de pesquisa. Mais recentemente, o termo tem sido
utilizado de uma forma diferente, assinalando uma nova área de
pesquisa que combina biologia e engenharia para projetar e
construir novas funções e sistemas biológicos. Aquele primeiro
objetivo está cada vez mais sendo associado com a área de
biologia sistêmica.

A biologia sintética tem sido estudada para aplicações em design


artificial, engenharia de sistemas biológicos e organismos vivos,
com propósito de realizar novas tarefas na indústria e pesquisa
biológica. Em outras palavras, visa o desenho, construção e A biologia sintética procura entender
caracterização de novos circuitos regulatórios através da utilização a célula como um circuito
de partes biológicas e modelos computacionais com o objetivo de eletrônico.[1]
redesenhar microrganismos para aplicações biotecnológicas.[2]

A descoberta da lógica matemática na regulação gênica e as conquistas na engenharia genética, como a


tecnologia do DNA recombinante na década de 70, criaram o caminho para a biologia sintética atual. A
biologia sintética estende o objetivo da engenharia genética pois ela almeja redes de regulação gênica e
entender o organismo como um todo. O objetivo da biologia sintética é estender ou modificar
comportamento dos organismos e engenheira-los para novos propósitos, entendendo a célula como um
circuito eletrônico.[1]

Índice
Histórico
Criação da célula artificial
Criação do vírus artificial
Método e resultados
Perspectivas
Engenharia
Re-escrita
Aplicações
Vida Artificial
Transformação Celular
Armazenamento de Informação
Vias Genéticas Sintéticas
Proteínas Projetadas
Biossensores
Exploração Espacial

Enzimas Industriais
Produção de Materiais
Nucleotídeos sintéticos
Bioética e Segurança
Preocupações éticas
Estude Biologia Sintética no Brasil - Pós-Graduação
Ver também
Referências
Ligações externas
Em inglês
Em português

Histórico
O primeiro uso do termo "biologia sintética" foi com a publicação do artigo Théorie physico-chimique de la
vie et générations spontanées(1910)[3] e em 1912 em La Biologie Synthétique.[4]

Em 1978 o Nobel de Medicina foi concedido a Werner Arber, Daniel Nathans e Hamilton O. Smith[5] pela
descoberta da enzima de restrição e sua aplicação aos problemas de genética molecular. Em um comentário
editorial no jornal Gene, Wacław Szybalski escreveu: "O trabalho em nucleases de restrição não somente
permite-nos construir facilmente moléculas de ADN recombinante e analisar genes individuais, mas
também nos leva para a nova era da biologia sintética, onde não somente genes existentes são descritos e
analisados, mas também novos arranjos de genes podem ser construídos e avaliados".[6]

Um notável avanço na área ocorreu nos anos 2000 com a publicação de dois artigos na Nature por Michael
B. Elowitz e Stanislas Leibler discutindo a criação circuitos biológicos sintéticos em E. coli.[7][8]

Criação da célula artificial


Em 2010, o J. Craig Venter Institute anunciou a criação de uma célula bacteriana controlada por um
genoma completamente artificial, num artigo científico da revista Science de 20 de Maio de 2010.[9]

Após 15 anos de investigação, Craig Venter e a sua equipa anunciaram ter conseguido produzir em
laboratório as unidades básicas do ADN de uma bactéria (Mycoplasma mycoides) e introduzir esse material
sintético numa outra célula receptora de espécie diferente (Mycoplasma capricolum), que conseguiu
reproduzir-se da forma mais natural.[10][11] O genoma sintetizado continha várias marcas d'água incluídas
no código para certificar que o genoma obtido não era natural. As marcas de água incluíam os nomes dos
autores principais do projecto, um endereço de website que permite contactar o Instituto, e três citações.[12]

Criação do vírus artificial


Em 2010, os cientistas das universidades federais Pernambuco e Rio de Janeiro[13] criaram em laboratório
um vírus artificial de HIV, o que pode possibilitar o desenvolvimento de uma nova vacina terapêutica para
pacientes portadores de AIDS.[14]
O resultado foi gerado por um estudo que começou a ser feito em 2002 para a criação de uma vacina
terapêutica contra o vírus HIV e que substitui os métodos tradicionais que utilizam o vírus retirado do
próprio paciente soropositivo, o que envolve até dez coletas e é um processo mais demorado e
oneroso.[15][16]

Método e resultados

O desenvolvimento do protótipo aconteceu duas semanas antes do início da criação do vírus artificial. O
procedimento teve apoio financeiro do Centers for Disease Control and Prevention de Atlanta, equivalente,
nos EUA, à Fiocruz. Foram empregados US$ 500 mil na compra de reagentes e pagamento de bolsas nos
últimos 12 meses.[13]

Os cientistas usaram uma técnica de clonagem que permite cortar e colar os pedaços de DNA, colocando-
os dentro de um vetor DNA chamado plasmídeo, até construir um genoma completo do HIV
inativado.[15][16]

A partir do experimento, foi produzida uma vacina, cujo efeito em metade de 18 pacientes foi a redução da
carga viral a quase zero.[15][16]

Outros testes devem ser feitos com um grupo de mil pacientes. Os pesquisadores garantem que a medicação
deve chegar à população em cerca de cinco anos.[15]

A segunda fase, em desenvolvimento, tem duração prevista de três anos e pretende alcançar 100% de
eficácia. Os testes com a vacina são feitos no Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika) da UFPE
em parceria com a o Laboratório LIM-56 USP.[13]

O primeiro protótipo de vírus recombinante tem sido testado em células dendríticas para avaliar o perfil de
expressão das células e, posteriormente, a estimulação com o vírus.[13]

Perspectivas

Engenharia

Os engenheiros vêem a biologia como uma nova tecnologia - Biotecnologia. A biologia sintética abrange
uma redefinição e expansão da biotecnologia. Com o propósito de ser capaz de projetar e construir sistemas
biológicos que processam informações, manipulam produtos químicos, fabricam materiais, produzam
energia e alimento, e mantém a saúde humana e cuida do ambiente.[17]

Estudos em biologia sintética podem ser subdivididos em classificações gerais de acordo com a abordagem:
padronização de partes biológicas, engenharia biomolecular, engenharia de genoma. Engenharia
Biomolecular inclui abordagens que visam criar um kit de ferramentas de unidades funcionais que podem
ser introduzidas para apresentar novas funções tecnológicas em células vivas. Biomolecular refere-se à idéia
geral do projeto de novo e aditivo combinação de componentes biomoleculares. Cada uma dessas
abordagens compartilham uma tarefa semelhante: desenvolver uma entidade mais sintética a um nível mais
elevado de complexidade, manipulando intensivamente uma parte mais simples ao nível anterior. A
engenharia de genomas inclui abordagens para construir cromossomos sintéticos.

Re-escrita
Os re-escritores são biólogos sintéticos que almejam testar a irredutibilidade dos sistemas biológicos.
Devido a complexidade dos sistemas biológicos naturais, seria mais simples montar um sistema biológico
de interesse a partir do zero, afim de prover produtos de mais fácil compreensão e manipulação.[18]

Aplicações

Vida Artificial

Um tema importante na biologia sintética é vida sintética, isto é, a


vida artificial criada in vitro a partir de biomoléculas e seus
materiais componentes. Experiências de vida sintéticas tentam
investigar as origens da vida, estudar algumas das propriedades de
vida, ou de forma mais ambiciosa para recriar a vida a partir de
componentes não-vivos (abióticos). A biologia sintética tenta criar
novas moléculas biológicas e até mesmo novas espécies de vida
capazes de realizar uma série de importantes funções médicas e Genoma construído com apenas 473
industriais, desde a fabricação farmacêutica para desintoxicar terra genes pela equipe de Craig Venter,
poluída e água. Em medicina, oferece perspectivas de usar essa chamado de Syn 3 .[19]
tecnologia como ponto de partida para uma classe totalmente nova
de terapias e ferramentas de diagnóstico.[20]

Um genoma completamente sintético foi produzido por Craig Venter, e sua equipe o introduziu em células
hospedeiras bacterianas geneticamente esvaziadas, e permitiu que as células hospedeiras crescessem e se
replicassem.[21]

Transformação Celular

Atualmente, organismos inteiros não estão sendo criados a partir do zero, mas sim células vivas estão sendo
transformadas com inserções de DNA novo. Existem várias maneiras de construir componentes de DNA
sintéticos e até mesmo genomas sintéticos inteiros, mas uma vez que o código genético desejado é obtido,
ele é integrado em uma célula viva que se espera que manifeste as novas capacidades ou fenótipos
desejados ao crescer e prosperar. A transformação celular é usada para criar circuitos biológicos, que
podem ser manipulados para produzir as saídas desejadas.[7][8]

Armazenamento de Informação

Os cientistas podem codificar grandes quantidades de informação digital em uma única cadeia de DNA
sintético. Em 2012, George M. Church codificou um de seus livros sobre biologia sintética no DNA. Os
5,3 Mb de dados do livro é mais de 1000 vezes maior do que a maior quantidade de informação anterior
armazenada em DNA sintetizado. [48] Um projeto similar codificara os sonetos completos de William
Shakespeare em DNA.[22]

Vias Genéticas Sintéticas

A engenharia metabólica tradicional foi reforçada pela introdução de combinações de genes estranhos e
otimização por evolução direcionada. Talvez a aplicação mais conhecida da biologia sintética até o
momento seja a engenharia de E. coli e levedura para a produção comercial de um precursor do fármaco
momento seja a engenharia de E. coli e levedura para a produção comercial de um precursor do fármaco
antipalúdico, Artemisinina, pelo laboratório de Jay Keasling.[23]

Proteínas Projetadas

Embora existam métodos para engenharia de proteínas naturais,


tais como por evolução dirigida, existem também projetos para
projetar novas estruturas de proteína que correspondem ou
melhorar a funcionalidade das proteínas existentes. Um grupo
gerou um feixe de hélice que era capaz de ligar o oxigênio com
propriedades similares à hemoglobina, mas não se ligava ao
monóxido de carbono.[25] Foi gerada uma estrutura proteica
semelhante para suportar uma variedade de atividades
oxidorredutase.[26] Outro grupo gerou uma família de receptores
acoplados à proteína G que poderiam ser ativados pela pequena
molécula inerte clozapina-N-óxido, mas insensível ao ligante
nativo, a acetilcolina.[27] A proteína Top7 foi uma das
primeiras proteínas projetadas para
uma dobra que nunca tinha sido
Biossensores visto antes na natureza.[24]

Um biossensor refere-se a um organismo, geralmente uma bactéria,


que é capaz de relatar algum fenômeno ambiental, como a presença de metais pesados ou toxinas. Nesta
capacidade, um sistema muito utilizado é o operon Lux de Aliivibrio fischeri. O operon de Lux codifica
uma enzima que é a bioluminescência bacteriana de origem e pode ser colocada depois de um promotor
respondente para expressar os genes de luminescência em resposta a um estímulo ambiental específico. Um
desses sensores criado em Oak Ridge National Laboratory, e denominado "critter on a chip", consistia em
um revestimento bacteriano bioluminescente em um chip de computador fotossensível para detectar certos
poluentes de petróleo. Quando as bactérias sentem o poluente, começam a luminescência.[28]

Exploração Espacial

A biologia sintética levantou o interesse da NASA, pois poderia ajudar a produzir recursos para os
astronautas a partir de um portfólio restrito de compostos enviados da Terra.[29][30] Em Marte, em
particular, a biologia sintética também poderia levar a processos de produção baseados em recursos locais,
tornando-a uma ferramenta poderosa no desenvolvimento de postos tripulados com mínima dependência da
Terra[29]

Enzimas Industriais

Pesquisadores e empresas que utilizam biologia sintética têm por objetivo sintetizar enzimas com alta
atividade, para produzir produtos com produtividade e eficácia ótimas. Estas enzimas sintetizadas visam
melhorar produtos como detergentes e produtos lácteos isentos de lactose, bem como torná-los mais
rentáveis.[31]

As melhorias da engenharia metabólica por biologia sintética é um exemplo de uma técnica biotecnológica
utilizada na indústria para descobrir produtos farmacêuticos e produtos químicos fermentativos. A biologia
sintética pode investigar os sistemas de vias modulares na produção bioquímica e aumentar os rendimentos
da produção metabólica. A atividade enzimática artificial e os efeitos subseqüentes sobre as taxas de reação
metabólica e os rendimentos podem desenvolver "novas estratégias eficientes para melhorar as
propriedades celulares. . . Para a produção bioquímica industrialmente importante. " [32]
Produção de Materiais

Ao integrar as abordagens de biologia sintética com as ciências dos materiais, seria possível imaginar
células como fundições moleculares microscópicas para produzir materiais com propriedades que podem
ser codificadas geneticamente. Os recentes avanços neste sentido incluem a reengenharia de fibras curli, o
componente amilóide de material extracelular de biofilmes, como uma plataforma para nanomaterial
programável. Estas nanofibras foram geneticamente construídas para funções específicas, incluindo: adesão
a substratos; Modelo de nanopartículas; E imobilização de proteínas.

Nucleotídeos sintéticos

Muitas tecnologias foram desenvolvidas para incorporar nucleotídeos e aminoácidos não naturais em ácidos
nucléicos e proteínas, tanto in vitro quanto in vivo. Por exemplo, em maio de 2014, pesquisadores
anunciaram que haviam introduzido com sucesso dois novos nucleotídeos artificiais no DNA bacteriano.
Ao incluir nucleótidos artificiais individuais nos meios de cultura, eles conseguiram trocar as bactérias 24
vezes; eles não geraram mRNA ou proteínas capazes de usar os nucleotídeos artificiais.[33][34][35] As
moléculas guia sintéticas conhecidas como ácidos nucleicos em ponte (BNAs) no lugar dos RNAs guia
nativos (gRNAs) do sistema para direcionar a enzima Cas9 para sua seqüência de DNA alvo, e assim
reduzir a clivagem do DNA fora do alvo, aprimorou 10.000 vezes a especificidade da edição do gene
CRISPR-Cas9.[36]

Bioética e Segurança
Além de inúmeros desafios científicos e técnicos, a biologia sintética levanta questões éticas e questões de
biossegurança. No entanto, com a exceção da regulação de empresas de síntese de DNA, as questões não
são vistas como novas, porque eles foram levantados durante a fase do DNA recombinante e organismos
geneticamente modificados (OGM).

Preocupações éticas

A biologia sintética traz à tona uma série de questões, incluindo: quem terá o controle e acesso aos produtos
da biologia sintética, e quem vai ganhar com essas inovações? Colocar patentes sobre organismos e
regulamentos na em bioengenharia de embriões humanos são grandes preocupações no campo da
bioética.[37]

Estude Biologia Sintética no Brasil - Pós-Graduação


Departamento de Biologia Celular e Molecular (http://rbp.fmrp.usp.br/?q=laboratorios/biologi
a-sist%C3%AAmica-e-sint%C3%A9tica) - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (site (ht
tp://www.fmrp.usp.br)) - Universidade de São Paulo (site (http://www5.usp.br/))
Departamento de Bioprocessos e Biotécnologia (http://www2.fcfar.unesp.br/#!/instituicao/de
partamentos/bioprocessos-e-biotecnologia-novo/) - Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Campus Araraquara (site (http://www2.fcfar.unesp.br/#!/instituicao/departamentos/bioproces
sos-e-biotecnologia-novo/linhas-de-pesquisa/)) - Universidade Estadual Paulista (site (htt
p://www.unesp.br/))

Ver também
Bioengenharia
Biopunk
Bioinformática
Biorrobótica
Biotécnologia
Biologia Sistêmica
iGEM
Biologia Computacional
Bioética

Referências
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Ligações externas

Em inglês
(em inglês)-Sítio da comunidade Synthetic Biology (http://syntheticbiology.org)
(em inglês)-Sítio da competição internacional do Genetically Engineered Machines (iGEM)
(http://www.igem.org)

Em português
(em português)-Nasce a engenharia de microorganismos (http://www.desafios.org.br/Edicoe
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(em português)-Vida sintética (http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/vida_sintetica.htm
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