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ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E LEGAIS

DA EDUCAÇÃO

UNIDADE 2 - LEI DE DIRETRIZES E BASES


(LEI 9.394/96): VOCÊ CONHECE A
IMPORTÂNCIA DESTA LEI PARA A
EDUCAÇÃO NACIONAL?
Eliana Póvoas Pereira Estrela Brito

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Introdução
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) – Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 é uma das
leis mais importantes da educação brasileira. Ela estrutura e organiza a educação nacional. Obedecendo à nossa
Constituição Federal de 1988, a LDB assegura a educação como um dos direitos humanos fundamentais e que,
portanto, traz os marcos legais para que um projeto nacional de educação pública, gratuita e com qualidade
socialmente referendada fique a serviço de toda a população brasileira.
Nesta unidade, você conhecerá a LDBEN e sua trajetória histórica, as modificações sofridas no percurso de mais
de 20 anos de promulgação. Vamos tratar também sobre a reforma do Ensino Médio e sobre o papel dos
profissionais da educação na perspectiva dessa lei.
Pronto para começar? Então, seja bem-vindo e bons estudos.

2.1 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas


atualizações. Art. 1º ao 20
Inicialmente, é preciso que você saiba que a Lei n. 9.394/96 é a nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. Embora durante a ditadura militar tenham existido reformas importantes para a educação,
os governos desse período não quiseram editar uma nova LDBEN, preferiram disciplinar a educação nacional
por meio de leis específicas. Nesse sentido, tivemos, por exemplo, a Lei n. 5.540/68, que tratou da reforma
universitária, e a Lei n. 5.692/71, que normatizou o ensino de 1° e 2º graus. No entanto, em termos de Lei de
Diretrizes e Bases permanecemos com a Lei 4.024, aprovada em 20 de dezembro de 1961, ou seja, a primeira
LDBEN.
É importante também que você saiba que com o fim do período ditatorial no Brasil (1964- 1981), a sociedade
civil brasileira, com a garantia de liberdade de manifestação atribuída pela Constituição Federal de 1988,
começou a se mobilizar para que a educação pudesse acompanhar os movimentos sociais, políticos, culturais e
econômicos que caracterizaram o período de redemocratização nacional.
Entre a tramitação e a aprovação da Lei n. 9.394/96 decorreram oito anos entre idas e vindas ao Congresso
Nacional, propostas excessivas de emendas, projetos substitutivos e tantas outras disputas políticas que
ocuparam a agenda parlamentar. Em 20 de dezembro de 1996 foi finalmente aprovada. De acordo com Neusa
Chaves Batista (2002 apud BOLLMANN; AGUIAR, 2016, p. 410):

A promulgação de uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação a exemplo do que ocorreu
durante o processo Constituinte para a elaboração da nova Constituição Federal, não se deu sem
embates e divergências entre, de um lado parlamentares que juntamente com algumas entidades
educacionais privadas defendiam um projeto de LDB voltado para o privatismo e, de outro,
associações da sociedade civil, com representantes no parlamento, reunidas em um movimento
educacional que, ainda inspiradas nos ideais dos pioneiros, representavam um projeto de LDB que
priorizasse definitivamente a escola pública.

Embora alguns autores entendam que a disputa entre os interesses privados e a defesa da educação pública
tenha provocado prejuízos para a redação de um texto mais democrático e inclusivo das demandas das classes
economicamente desfavorecidas, o certo é que a LDBEN representou um importante passo para a consolidação
da democracia brasileira ao colocar a educação como mecanismo de enfrentamento na luta pela redução das
desigualdades sociais, ampliando significativamente o direito à educação básica no Brasil.

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VOCÊ O CONHECE?
Darcy Ribeiro foi um grande intelectual brasileiro e participou ativamente da vida política do
país. Antropólogo e educador, deixou importantes contribuições no campo da antropologia, e
criou um conceito de suma importância para os estudos da área de humanidades: identidade
cultural. No campo da educação, militou a favor da educação pública junto com outros
intelectuais de relevante expressão, como Anísio Teixeira. Foi senador federal e responsável
pela versão final do texto da LDBEN. Vários sites trazem a vida e a obra desse intelectual
brasileiro, entre os quais “ebiografia”. O texto específico sobre Darcy Ribeiro, escrito por Dilva
Frazão, está disponível em: <https://www.ebiografia.com/darcy_ribeiro/>

Cabe sublinhar que diante da disputa de projetos diferentes, acrescida da pressa do governo federal à época em
aprovar a LDBEN ainda no ano de 1996, o então senador pelo Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro (do Partido
Democrático Trabalhista), apresentou uma nova versão da lei, reescrita de modo a contemplar as principais
demandas presentes nas versões anteriores dela. O texto apresentado pelo parlamentar foi aprovado pelo
plenário, e por esse motivo a Lei n. 9.394/96 ficou conhecida como Lei Darcy Ribeiro.
Após breves pinceladas sobre a trajetória da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, podemos
prosseguir em nossos estudos do tópico. Vamos analisar os primeiros 20 artigos da Lei, fazendo destaques que
serão úteis para a compreensão das questões educacionais.

2.1.1 Artigos 1º ao 20 da LDBEN

O texto da Lei n. 9.394/96 encontra-se distribuído em nove títulos:


I – Da Educação;
II – Dos Princípios e Fins da Educação Nacional;
III – Do Direito à Educação e do Dever de Educar;
IV – Da Organização da Educação Nacional;
V – Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino;
VI – Dos Profissionais da Educação;
VII – Dos Recursos Financeiros;
VIII – Das Disposições Gerais; e
IX – Das Disposições Transitórias.
Neste subtópico serão trabalhados os quatro primeiros títulos que, no seu conjunto, possuem 20 importantes
artigos que discorrem sobre a educação, seus princípios e finalidades, direitos e deveres, bem como sua
organização.
Vamos começar?
No Título “Educação”, em seu art. 1º, encontramos a conceituação de educação. De acordo com a LDBEN:

A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência


humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações
da sociedade civil e nas manifestações culturais (BRASIL, 1996).

Atente-se que a LDBEN não restringe a educação a um processo que ocorre apenas em instituições formais de

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Atente-se que a LDBEN não restringe a educação a um processo que ocorre apenas em instituições formais de
ensino; antes, valoriza a convivência humana em diferentes espaços como família, trabalho, movimentos sociais
e culturais. Ou seja, a educação, um direito público, é abrangente na perspectiva da formação humana integral.

Figura 1 - A educação ocorre também por meio da participação em movimentos sociais.


Fonte: Eugenio Marongiu, Shutterstock, 2018.

Com base em princípios republicanos, o art. 3º, I, garante “igualdade de condições para o acesso à educação e a
permanência na escola” (BRASIL, 1996). Ao conjugar acesso e permanência, a lei avança de forma definitiva no
enfrentamento das desigualdades sociais ao garantir não apenas que crianças e jovens provenientes das classes
economicamente desfavorecidas tenham vagas asseguradas com vistas à formação escolarizada em instituições
públicas, mas, antes, reitera a permanência nos processos de escolarização, demandando, por consequência,
práticas políticas que promovam, com qualidade socialmente referendada, a continuidade e o sucesso no
prosseguimento dos estudos.

VOCÊ QUER VER?


Se você deseja conhecer experiências de estrutura e organização escolar bastante
interessantes e inovadoras e identificar alguns questionamentos a respeito dos atuais modelos
de educação, vale a pena conferir o documentário La Educación Prohibida (A Educação
Proibida). O filme, uma produção argentina de 2012, busca indicar, por meio dos relatos e das
reflexões propostas, a necessidade de um novo paradigma no contexto educacional. O material
está disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=OTerSwwxR9Y&t=41s>.

No que tange aos princípios orientadores do ensino, a LDBEN trouxe, em seu texto original, um conjunto de
preceitos indispensáveis à educação democrática em uma sociedade multicultural e multirracial como é a
brasileira. Ao assegurar o “pluralismo de ideias e de concepções pedagógica; respeito à liberdade e apreço à
tolerância; coexistência de instituições públicas e privadas de ensino, com a garantia de gratuidade do ensino
público em estabelecimentos oficiais” (BRASIL, 1996), esse ordenamento jurídico se inscreve no solo social da

democracia na perspectiva de, a partir da educação, contribuir com a construção de uma sociedade mais

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democracia na perspectiva de, a partir da educação, contribuir com a construção de uma sociedade mais
igualitária e respeitosa das diferenças econômicas, sociais e culturais brasileiras.
Dois princípios foram acrescidos ao texto originalmente aprovado pela LDBEN. São eles: “consideração com a
diversidade étnico-racial” (art. 3º, XII), cuja inclusão se deu pela Lei n. 12.796/13 (BRASIL, 2013); e “garantia do
direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida” (art. 3º, XIII), incluído pela Lei n. 13.632/18 (BRASIL,
2018).

VOCÊ SABIA?
As culturas africanas e indígenas devem ser trabalhadas em todos os currículos da Educação
Básica. Como sabemos, vivemos em um país em que existe uma diversidade de raças e etnias e,
por consequência, de culturas. No sentido de valorizar as contribuições africanas e afro-
brasileiras, em 2003 foi sancionada a Lei n. 10.639 que, ao modificar a LDBEN, tornou
obrigatória a inclusão da temática da História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos
escolares. Cinco anos depois, a Lei n. 11.645/08 promoveu nova modificação na LDBEN e
obrigou a introdução de história e cultura africana e indígena brasileira.

É preciso que você saiba que, com a incorporação da Lei n. 12.796/13, a Educação Infantil, parte integrante da
Educação Básica, se tornou obrigatória a partir de quatro anos de idade. Dessa forma, a educação pública
obrigatória e gratuita passou a atender a Emenda Constitucional n. 59, de 11 de novembro de 2009, que tornou
obrigatória a oferta gratuita de Educação Básica a partir de quatro anos até os 17 anos de idade, incluindo
também o “atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde” (BRASIL, 2009a).

Figura 2 - A inclusão da Educação Infantil na Educação Básica é obrigatória e gratuita a partir de quatro anos de
idade.
Fonte: Tolikoff Photography, Shutterstock, 2018.

A partir da inclusão dos preceitos da Lei n. 12.796/13, passou a ser “dever dos pais ou responsáveis efetuar a
matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade” (BRASIL, 1996). Por certo as
escolas das redes públicas de ensino precisaram (e precisam) fazer adequações para que a lei seja cumprida com

o padrão de qualidade igualmente referenciado na norma legal. Na prática, o atendimento satisfatório desses

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o padrão de qualidade igualmente referenciado na norma legal. Na prática, o atendimento satisfatório desses
preceitos necessita de maior investimento dos poderes públicos (municipais, estaduais, distrital e federal) para
com a Educação Básica – o que nem sempre vem sendo cumprido.
Desde 2015, por incorporação da Lei n. 13.234/15, a União ficou responsável por organizar, em colaboração com
estados, Distrito Federal e municípios, a identificação, o cadastramento e o atendimento, na Educação Básica e na
Educação Superior, de alunos com altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 2015).
Os estados e o Distrito Federal – este, por lei, terá as mesmas incumbências dos outros entes federados –
legislarão sobre as instituições de ensino que façam parte da sua região de abrangência. Incluem-se entre as
instituições de ensino mantidas pelo poder público estadual as de educação superior, se mantidas pelo poder
público municipal, e as da rede de ensino estadual, sejam públicas, sejam privadas (cf. Lei n. 13.234/15).
Os estados e o Distrito Federal deverão definir, com os municípios, formas de colaboração “na oferta do ensino
fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a
população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público”
(BRASIL, 1996).
De acordo com a Lei n. 9.394/96 (BRASIL, 1996), os municípios são responsáveis pelas instituições de educação
infantil, ensino fundamental e médio mantidas pelo poder público municipal e pelos estabelecimentos de
educação infantil privados. Fazem parte das incumbências dos municípios organizar seus Sistemas Municipais de
Educação, bem como baixar normas complementares relativas à educação no âmbito dos municípios, autorizar,
credenciar e supervisionar os estabelecimentos de ensino, além da oferta de transporte escolar para os
estudantes da rede de ensino pública municipal. Incumbir-se-ão de “oferecer a educação infantil em creches e
pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis” (BRASIL, 1996).
Para além dessas atribuições, a LDBEN, ao acolher as prescrições estabelecidas pela Lei n. 13.663/18,
responsabilizou as instituições de ensino pela promoção da cultura da paz nas escolas. Isso se dá por meio da
adoção de medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a
intimidação sistemática (bullying) no âmbito escolar, conforme dispõe o art. 12, IX, X da lei (BRASIL, 1996).

Figura 3 - A promoção da cultura da paz deve incluir medidas contra o bullying, violência que ocorre no
ambiente escolar e geralmente praticada por alunos contra os próprios colegas.
Fonte: LightField Studios, Shutterstock, 2018.

A LDBEN, nos artigos 19 e 20, classifica as instituições de acordo com as categorias administrativas. Nesse
sentido, elas podem ser:

Públicas

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Públicas
Quando são mantidas e administradas pelo poder público.

Privadas
Quando são mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.

Clique nas abas abaixo e veja que as instituições privadas podem ser:

• Particulares
Mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.

• Comunitárias
Constituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas; sem fins lucrativos, é
necessário que haja representantes da comunidade na mantenedora.

• Confessionais
Instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem à orientação
confessional e ideologia específicas.

• Filantrópicas
Existem normas jurídicas que estabelecem requisitos para que as instituições possam usufruir das
prerrogativas cabíveis a quem atua na perspectiva da assistência social. A Lei n. 12.101/09, que trata
sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, assevera, em seu art. 2º, que as
instituições filantrópicas “deverão obedecer ao princípio da universalidade do atendimento, sendo
vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional” (BRASIL,
2009c).

Como vocês puderam acompanhar até aqui, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional se mostrava em
1996 uma legislação moderna e com amplitude suficiente para dar respaldo legislativo às principais demandas
sociais reivindicadas à época de sua aprovação. Todavia, com o passar dos anos, foi se tornando insuficiente
diante das rápidas transformações sociais que marcaram os últimos 20 anos no Brasil e no mundo.
Dessa forma, ela precisou ser revista a partir da inclusão de preceitos legais atribuídos por leis específicas que
contribuam para que o principal dispositivo legal da educação brasileira se mantenha como um texto que
determine as bases e as diretrizes da educação nacional.

2.2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –


Educação Básica e a Reforma do Ensino Médio
O Brasil é um dos poucos países do mundo a garantir a obrigatoriedade e a gratuidade do acesso à Educação
Básica a partir de quatro anos de idade. No entanto, apesar dos significativos avanços ocorridos pela ampliação
desse direito, as desigualdades sociais persistem e dificultam a consolidação da educação básica como um direito
público de contribuir para o efetivo enfrentamento das assimetrias sociais que assolam o nosso país.
Vamos conhecer um pouco dessa realidade?

VOCÊ QUER VER?


Pro dia nascer feliz, direção de João Jardim, é um importante documentário sobre as diferentes

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Pro dia nascer feliz, direção de João Jardim, é um importante documentário sobre as diferentes
situações enfrentadas pelo adolescente no Brasil diante de um sistema de educação público
precário e carregado de preconceitos, violências e esperanças. O vídeo traz realidades sociais e
regionais variadas envolvendo três estados (Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) com
depoimentos de estudantes falando sobre suas vidas escolares, projetos e sonhos. O material
está disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nvsbb6XHu_I&t=70s>.

Apesar do Brasil ter avançado bastante no acesso à educação, quase ao nível de uma universalização total,
muitos problemas assolam o país. Condições para permanência, estrutura das escolas, dentre outros, são alguns
dos problemas que o país ainda enfrenta.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou em 2018 o “Panorama da distorção da idade-série
no Brasil” que aponta que dos 35 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio,
mais de 7 milhões encontram-se com dois ou mais anos de atraso escolar, ou seja, em distorção idade-série
(UNICEF, 2018c). Acresce-se a esse panorama educacional o fato de o Brasil possuir 1,7 milhão de jovens entre
15 a 17 anos fora da escola (VOLPI; SILVA; RIBEIRO, 2014).

Figura 4 - Desempenho de alunos do ensino médio no Brasil é preocupante, segundo dados oficiais do MEC.
Fonte: LStockStudio, Shutterstock, 2018.

Outro fator preocupante em relação ao ensino médio brasileiro foi demonstrado pelos resultados do Sistema de
Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2017. Os dados revelados pelo INEP/MEC apontam que sete de cada
dez estudantes do terceiro ano do ensino médio possuem baixo conhecimento em matérias básicas na formação
escolarizada nessa etapa formativa. Apenas 4% têm um rendimento adequado em português e matemática (INEP
/MEC, 2018a).

2.2.1 Sobre a Educação Básica

Agora que você já conhece alguns indicadores da realidade educacional brasileira, vamos acompanhar como a
Educação Básica se encontra na estrutura da LDBEN. É importante que você saiba que nessa legislação a
Educação Escolar não é a Educação Básica; ela é mais abrangente, e se compõe por Educação Básica e Educação
Universitária. Preste atenção a essa nomenclatura, porque muitas vezes a utilizamos de forma equivocada.
Apesar de a expressão “educação escolar” parecer evocar educação em escolas, no caso da LDBEN ela é mais

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Universitária. Preste atenção a essa nomenclatura, porque muitas vezes a utilizamos de forma equivocada.
Apesar de a expressão “educação escolar” parecer evocar educação em escolas, no caso da LDBEN ela é mais
ampla e reúne Educação Básica e Educação Universitária. Por sua vez, a Educação Básica compreende três níveis
de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Veja a imagem a seguir, que certamente ajuda na compreensão sobre essa estrutura.

Figura 5 - Níveis escolares em conformidade com a Lei n. 9.394/96.


Fonte: Elaborada pela autora, 2018.

Em termos de organização dos fluxos escolares, a LDBEN atribui aos respectivos sistemas de ensino a
responsabilidade pela construção do calendário escolar com as adequações correspondentes às singularidades
locais e/ou regionais, incluindo questões econômicas e climáticas. O cumprimento da carga horária anual
mínima deve ser mantido: 800 horas para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, e, no mínimo, 200 dias
de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.

Figura 6 - A diversidade cultural brasileira evidencia a necessidade de currículos escolares plurais e inclusivos.
Fonte: Csp, Shutterstock, 2018.

Em relação aos currículos da Educação Básica, todos os níveis escolares deverão oferecer uma base comum e

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Em relação aos currículos da Educação Básica, todos os níveis escolares deverão oferecer uma base comum e
outra parte diversificada que inclua as características regionais e locais da sociedade. O ensino da arte,
especialmente em suas expressões regionais, se tornou obrigatório para toda a Educação Básica pela Lei n.
13.415/17.

2.2.2 A reforma do Ensino Médio e as alterações na Lei n. 9.394/96

As mais significativas mudanças que ocorreram no texto original da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, promulgada em 20 de dezembro de 1996, foram atribuídas pela Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de
2017, também conhecida como Lei da Reforma do Ensino Médio. Você já escutou falar dessa reforma? Sabia que
ela redefine a estrutura e a organização do ensino médio? Vamos juntos compreender melhor a seu respeito.
Inicialmente, a chamada reforma do Ensino Médio foi aprovada pelo então Presidente Michel Temer (2016-
2018) por meio da Medida Provisória n. 746, de 22 de setembro de 2016. Posteriormente, com algumas
modificações no texto inicial, foi aprovada pelo Congresso Nacional e publicada na forma de lei.
Mas, do que se trata esse dispositivo legal? De saída, pode-se dizer que incide diretamente no Ensino Médio,
alterando sua estrutura e seu funcionamento. A lei propõe um reordenamento, mudanças curriculares e na carga
horária do ensino, além de introduzir a formação técnica e profissional.
A reforma do Ensino Médio partiu da constatação de que as altas taxas de reprovação e de abandono e a
distorção da idade-série nesse nível de ensino não estavam permitindo o cumprimento das atribuições legais
prescritas pelo art. 35 da LDBEN:

I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental [...];


II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo [...];
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana [...];
IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando
a teoria com a prática [...] (BRASIL, 1996).

Diante desse panorama, o governo Temer decidiu reordenar o Ensino Médio, que, segundo o seu entendimento,
estava ultrapassado e desinteressante para a maioria dos jovens brasileiros. Nesse sentido, propôs uma
reestruturação curricular a partir da inclusão de quatro áreas do conhecimento: linguagens e suas tecnologias;
matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e ciências humanas e sociais aplicadas
(BRASIL, 2017). Segundo os princípios estabelecidos pela reforma do Ensino Médio, o estudante poderá escolher
a área que pretende priorizar.

CASO
Luiz Antônio é estudante do Ensino Médio de uma escola na Região Metropolitana de Belo
Horizonte. Entre as diversas carreiras profissionais que vem pesquisando, ele está inclinado a
abraçar a de professor, mais exatamente de História, com a qual sempre se identificou. Nesse
sentido, o curso que certamente fará é o de Licenciatura nessa área.
Diante dessa decisão, e considerando a Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, que
estabelece que o aluno deva escolher um dos quatro percursos formativos disponíveis no texto
legal, qual será a opção de Luiz Antônio: linguagens e suas tecnologias? Matemática e suas
tecnologias? Ciências da natureza e suas tecnologias? Ou ciências humanas e sociais aplicadas?
Certamente, o caminho mais adequado é aquele que concentra os estudos na área de
conhecimentos em ciências humanas e suas tecnologias. Isso porque reúne as disciplinas de
história, geografia, sociologia e filosofia, que estão estreitamente ligadas à formação e exercício
profissional de Luiz Antônio.

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Ainda sobre as modificações curriculares trazidas pela reforma do Ensino Médio e incorporadas pela LDBEN, o
ensino de língua inglesa passou a ser obrigatório a partir do sexto ano do Ensino Fundamental. A carga horária
atual de 800 horas anuais, distribuídas em 200 dias letivos, passará, progressivamente, no prazo de cinco anos,
para 1.400 horas. Além disso, 60% da carga horária serão destinados aos conteúdos curriculares previstos pela
Base Nacional Comum Curricular do ensino médio (BNCC), e os 40% restantes serão optativos (BRASIL, 2017).
Uma vez que tratamos da reforma do Ensino Médio, nosso próximo passo é compreender como a Educação
Superior e a Educação Especial se encontram disciplinadas na LDBEN.
Ainda sobre as modificações curriculares trazidas pela reforma do Ensino Médio e incorporadas pela LDBEN, o
ensino de língua inglesa passou a ser obrigatório a partir do sexto ano do Ensino Fundamental. A carga horária
atual de 800 horas anuais, distribuídas em 200 dias letivos, passará, progressivamente, no prazo de cinco anos,
para 1.400 horas. Além disso, 60% da carga horária serão destinados aos conteúdos curriculares previstos pela
Base Nacional Comum Curricular do ensino médio (BNCC), e os 40% restantes serão optativos (BRASIL, 2017).
Uma vez que tratamos da reforma do Ensino Médio, nosso próximo passo é compreender como a Educação
Superior e a Educação Especial se encontram disciplinadas na LDBEN.

2.3 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – sobre


a Educação Superior e a Educação Especial
Você saber dizer o que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece a respeito da Educação
Superior – que juntamente com a Educação Básica faz parte da Educação Escolar? E sobre a Educação Especial, o
que esse dispositivo legal determina? Esse é o assunto que trataremos neste tópico.
Um destaque importante a ser feito diz respeito ao expressivo crescimento do ensino superior na modalidade da
Educação a Distância. Segundo dados do Censo da Educação Superior, as matrículas em cursos nessa modalidade
equivalem a 21,2% do total, e 75,3% delas pertencem a instituições particulares (BRASIL, 2017).

Figura 7 - A Educação a Distância, que utiliza as ferramentas tecnológicas de comunicação, tem crescido
significativamente no Brasil.
Fonte: Ilkercelik, Shutterstock, 2018.

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De acordo com a LDBEN, a Educação Superior abrange cursos sequenciais por campo de saber, cursos de
graduação e de pós-graduação (programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento)
e cursos de extensão.
Os cursos sequenciais de graduação e pós-graduação, organizados por campos específicos do conhecimento,
podem atender a diferentes níveis de abrangência. A oferta deles está condicionada aos requisitos estabelecidos
pelas instituições de ensino superior; os candidatos precisam ter concluído o Ensino Médio ou equivalente. Já os
cursos de extensão são aqueles ofertados pelas universidades e abertos à comunidade de acordo com os
requisitos atribuídos por elas. Certificam e são excelentes para a qualificação profissional.

VOCÊ QUER LER?


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional identifica diversos objetivos relacionados à
Educação Superior. Entre eles se incluem o estímulo ao desenvolvimento do pensamento
reflexivo e à pesquisa científica, a formação de profissionais aptos a contribuírem para o
desenvolvimento da sociedade brasileira e a atuação em prol da Educação Básica. É muito
importante você conhecer todos os objetivos que a lei dispõe a esse respeito, por isso vale a
pena conferir o teor da LDBEN especialmente no art. 43. Ele está disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm>.

Para que a Educação Superior cumpra com suas finalidades educativas, faz-se necessário que as dimensões da
autonomia pedagógica, de gestão administrativa e financeira sejam respeitadas.
De acordo com o Decreto n. 9.235, de 15 de dezembro de 2017, as universidades, como instituições
pluridisciplinares, se constituem em lugar do pluralismo democrático de ideias, com liberdade para ensinar;
caracterizam-se pela “indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 2017d). Além disso, devem
possuir obrigatoriamente em seus quadros a “proporcionalidade de 1/3 de professores com titulação de
mestrado ou doutorado; [...] “um quinto do corpo docente [deve] estar contratado em regime de tempo integral”
(BRASIL, 2017d).
Para além das universidades, existem as instituições que não possuem esse status, mas que têm o respaldo legal
para ofertar o ensino superior. Clique nos botões abaixo e veja quais são elas:

Institutos Superiores de Educação.


Centros Federais de Educação Tecnológica e/ou Centros de Educação Tecnológica.
Faculdades isoladas.
Faculdades integradas.

2.3.1 Art. 43 ao 60

Como pudemos acompanhar nos tópicos anteriores, as transformações pelas quais passam as sociedades
impulsionam as pessoas a reivindicarem seus direitos sociais como forma de exercitar a cidadania. Com a
Educação Especial não foi diferente. Inserida como um direito constitucional desde 1988, as questões relativas à
inclusão escolar ainda enfrentam sérios desafios decorrentes de um conjunto de fatores, entre os quais se
incluem: falta de estrutura física adequada nas escolas, ausência de recursos humanos especializados,
metodologias de ensino adaptadas, materiais didáticos adequados e outros.

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Figura 8 - Educação Especial ainda enfrenta dificuldades, entre as quais a falta de material didático adequado.
Fonte: Elnur, Shutterstock, 2018.

De acordo com o art. 58 da LDBEN, a Educação Especial é considerada uma “modalidade de educação escolar
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação” (BRASIL, 1996). A lei prevê ainda no mesmo artigo
“serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação
especial” (BRASIL, 1996). No entanto, prescreve que isso possa ser feito a partir de serviços especializados. Na
prática, como as escolas públicas possuem poucos recursos, resulta, muitas vezes, que esses serviços
especializados sejam realizados em locais específicos e distantes dos cotidianos das escolas.

VOCÊ QUER LER?


A Educação Especial vem merecendo a atenção de educadores e legisladores para que se criem
condições de o tema ser tratado adequadamente. Se você deseja se aprofundar no assunto, leia
“Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva”, que apresenta
marcos históricos e normativos da temática e um diagnóstico da Educação Especial. O material
está disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf>. Outra
sugestão é a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que o
Brasil promulgou em 2009. O endereço de acesso ao documento é: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6949.htm>.

A partir da Lei n. 13.632/18, a responsabilidade do Estado para com a Educação Especial se expande na medida
em que a coloca tendo início na Educação Infantil e estendendo-se ao longo da vida (BRASIL, 2018a). Essa
mudança na legislação é muito significativa, pois assegura o direito à educação para todos, independentemente
de níveis e/ou modalidades.

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2.4 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – sobre
profissionais da educação
Neste tópico vamos discorrer sobre os profissionais da educação, ou seja, um dos principais personagens da
educação. Como alcançarmos uma educação de qualidade se não tivermos professores qualificados? Como a
educação pode contribuir com a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e menos desigual se
esses profissionais não estiverem comprometidos com suas funções sociais? Quem de nós esquece o professor
que fez “a diferença” em nossas vidas? Por outro lado, quem não lembra entristecido daquele outro,
despreparado e descomprometido com suas funções docentes?
Nesse sentido, você vai concordar: uma docência qualificada exige uma formação igualmente qualificada para
além de uma remuneração justa, apoiada em uma legislação trabalhista efetiva, que possa não apenas dar
dignidade aos profissionais que já estão em exercício de suas funções nas instituições de ensino, mas também
incentivar as novas gerações a escolherem a educação como profissão.

VOCÊ SABIA?
O Censo da Educação Superior 2018 revelou que existem 1.628.676 estudantes com matrículas
ativas em cursos de Licenciaturas, o que representa 19,4% do total de matrículas. Pela
primeira vez na série histórica, o número de alunos matriculados em licenciatura nos cursos à
distância (50,2%) superou o número de alunos matriculados nos cursos presenciais (49,8%)
(INEP/MEC, 2019).

É importante dizer também que as condições de trabalho em que atuam os profissionais da educação podem ser
determinantes para qualificar ou deteriorar as atuações deles. Além das questões de infraestrutura, por vezes
bastante deficitárias, exigindo que improvisem condições estruturais para o exercício da docência, ainda se faz
necessário lembrar que trabalhar em um ambiente democrático e participativo contribui para que os
profissionais da educação se sintam coautores das políticas internas da escola, dando-lhes outro sentimento de
pertencimento à comunidade escolar.
Em termos de legislação, o art. 61 da LDBEN diz que considera “profissionais da educação escolar básica os que,
nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos [...]” (BRASIL, 1996). E
disciplinou três possibilidades:

I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos
ensinos fundamental e médio;
II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em
administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos
de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas;
III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área
pedagógica ou afim (BRASIL, 1996).

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Figura 9 - O ambiente democrático favorece o sentimento de pertencimento de professores à escola.
Fonte: Rawpixel, Shutterstock, 2018.

A partir da Lei n. 13.415, de 2017, duas outras possibilidades de formação foram incluídas – uma delas
relacionada à reforma do Ensino Médio e exclusivamente para atuar nesse segmento e em que passou a ser
admitido:

profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino, para ministrar
conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, atestados por titulação
específica ou prática de ensino em unidades educacionais da rede pública ou privada ou das
corporações privadas em que tenham atuado (BRASIL, 1996).

O outro acréscimo feito pela mesma lei (art. 61, V) diz respeito a “profissionais graduados que tenham feito
complementação pedagógica, conforme disposto pelo Conselho Nacional de Educação” (BRASIL, 1996).
A inclusão na LDBEN de profissionais com notório saber entre os profissionais da educação, ainda que de forma
restrita ao Ensino Médio, levou muitos estudiosos do campo da educação a criticarem essa possibilidade. Isso
porque dificilmente um profissional sem o conhecimento dos saberes específicos das licenciaturas, incluindo
didática, metodologia de ensino, teoria e prática pedagógicas, pode ter as habilidades e competências
necessárias para a docência.
Sobre os profissionais da educação, cabe a ressalva feita pela professora Sofia Lerche Vieira, quando diz: “No
terreno concreto do exercício da profissão, porém, a valorização do magistério tem deixado muito a desejar,
sendo uma reivindicação comum a todas as categorias docentes a melhoria de suas condições salariais e de
trabalho” (VIEIRA, 2015, p. 28).
Na LDBEN, a formação dos professores para atuarem na Educação Básica foi modificada por interferência da Lei
n. 13.415/17 e passou a ser disciplinada da seguinte maneira: “em nível superior, em curso de licenciatura plena,
admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos
do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal” (BRASIL, 1996).

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Figura 10 - A atuação qualificada do professor exige igualmente uma formação de qualidade.
Fonte: Syda Productions, Shutterstock, 2018.

Por lei, caberá à União, ao Distrito Federal, aos estados e aos municípios, em regime de colaboração, a
responsabilidade pela promoção da formação inicial e continuada dos professores. Em consonância com o
disciplinamento atribuído pela Lei n. 9.394/96, a utilização de recursos e tecnologias da Educação a Distância
estaria voltada à formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério.
Em termos de formação inicial, a LDBEN (art. 62, § 3º) utiliza o termo “preferencialmente” para referir-se ao
ensino presencial e “subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância” (BRASIL,
1996). No entanto, em especial, a partir do Decreto n. 9.057/17, que regulamentou o art. 80 da Lei n. 9.394/96, a
oferta de cursos de graduação e pós-graduação na modalidade da Educação a Distância ficou mais ampla e tem
sido utilizada de forma expressiva para cursos de licenciaturas.

VOCÊ QUER LER?


Que tal conhecer a legislação sobre Educação a Distância, além de manter-se sempre
atualizado com informações sobre essa modalidade? Uma interessante é o site da Associação
Brasileira de Educação a Distância (Abed). Ali você encontra também artigos científicos,
eventos acadêmicos e cursos ofertados tanto pela rede privada quanto pública. O endereço
eletrônico da associação é: <http://www.abed.org.br/site/pt/>.

Por fim, vale a pena sublinhar que, de acordo com o que pudemos acompanhar no percurso até aqui, a realidade
brasileira apresenta imensos desafios a serem enfrentados e vencidos. Entre eles, a formação e a valorização dos
profissionais da educação se tornam fundamentais, pois sem educadores qualificados não poderemos ter uma
educação qualificada, conforme é o anseio da nossa sociedade. Nesse sentido, a qualidade da formação inicial de
professores não pode ser julgada pela modalidade (presencial ou a distância) e, sim, por aquilo que os cursos de
formação de professores oferecem na perspectiva de democratizar o ensino com qualidade socialmente
referendada.

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Conclusão
Ao concluir este capítulo você teve a possibilidade de percorrer a legislação educacional desde 1996 aos dias de
hoje. Além disso, conheceu com profundidade a Lei Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 9.394/96 –,
o mais importante dispositivo legal para a educação brasileira. Pôde perceber também que, como a sociedade
passa por transformações culturais, econômicas, políticas e sociais, essa lei sofreu ajustes os quais foram feitos a
partir de leis específicas demandadas para situações singulares como foi, por exemplo, a reforma do Ensino
Médio.
Você viu ainda os níveis da educação e suas relações com os entes federativos – União, estados, Distrito Federal e
municípios – e compreendeu a legislação que rege os docentes, figuras centrais para o processo de
democratização da educação com a inclusão de todos.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• acompanhar o percurso histórico da LDBEN desde sua promulgação aos dias de hoje;
• compreender os princípios e fins da educação nacional;
• entender a estrutura e a organização da educação nacional;
• assimilar os princípios da Educação Básica;
• conhecer a reforma do Ensino Médio;
• identificar as alterações sofridas no texto original da LDBEN;
• perceber os princípios da Educação Especial;
• diferenciar modalidades e níveis de educação;
• conhecer os princípios e as finalidades da Educação Superior;
• entender a legislação que rege os profissionais da educação.

Bibliografia
ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância. Disponível em: <http://www.abed.org.br/site/pt/>.
Acesso em: 15/12/2019.
CENSO. 2018. <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2019
/censo_da_educacao_superior_2018-notas_estatisticas.pdf>: Acesso em: 15/12/2019.
BOLLMANN, M.; AGUIAR, L. LDB: projetos em disputa. Da tramitação à aprovação em 1996. Revista Retratos da
Escola Brasília, v. 10, n. 19, p. 407-428, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://retratosdaescola.emnuvens.com.br
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