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ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E LEGAIS

DA EDUCAÇÃO

UNIDADE 3 - COMO ESTÁ ORGANIZADA A


EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL?
Eliana Póvoas Pereira Estrela Brito

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Introdução
Você tem ideia de como se encontra organizada a Educação Básica no Brasil? Sabia que existem planos de
educação no país e que estes estão em cada uma das esferas federativas? Conhece as metas propostas e o prazo
para que sejam atingidas?
Nesta unidade, vamos apresentar o percurso dos planos de educação e identificar suas metas. Você perceberá
que poderá participar de suas ações e contribuir para qualificar a educação em seu município. Em relação às
políticas curriculares, vai poder acompanhar desde a formulação de parâmetros para orientar os currículos
escolares até o recente conjunto de normas voltadas a dar organicidade a eles em todo o território nacional.
Nossas reflexões também vão abranger a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), importante dispositivo
curricular aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em dezembro de 2017.
Os pontos abordados nesta unidade são importantes para a melhor compreensão a respeito do modo pelo qual a
educação brasileira está organizada.
Para começar, vamos abordar um dos dispositivos mais importantes para a garantia dos direitos da criança e do
adolescente no país: o ECA.
Então, seja bem-vindo e bons estudos!

3.1 Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA: seus


direitos fundamentais
Desde 1990, o Brasil reconhece que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e possuem assegurada a
proteção a uma vida digna através do Estatuto da Criança e do Adolescente – mais conhecido popularmente pela
sigla ECA.
Esse dispositivo legal é extremamente relevante para a proteção dos direitos dessas pessoas. Por isso, para
exercer a docência na Educação Básica, é importante que conheçamos este instrumento fundamental de
proteção da infância e adolescência no país.
Assim, precisamos saber que se trata de um dispositivo normativo que possui força de lei – a Lei n. 8.069, de 13
de julho de 1990. Para o ECA, criança é a fase de desenvolvimento da pessoa até os 12 anos de idade
incompletos, e adolescente é quem possui entre 12 e 18 anos. Ambos “têm direito a proteção à vida e à saúde,
mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e
harmonioso, em condições dignas de existência” (BRASIL, 1990).
Por inclusão da Lei n. 13.257/16, os direitos atribuídos pelo ECA passaram a alcançar a todas as crianças e
adolescentes,

sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou
crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica,
ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou
a comunidade em que vivem (BRASIL, 1990).

Entre os direitos fundamentais da criança e do adolescente estão o direito à vida e à saúde. Estes serão
efetivados por meio de políticas sociais públicas que possibilitem à criança o nascimento e o desenvolvimento
saudável e harmonioso com condições dignas de vida.
De acordo com o ECA, todas as mulheres terão assegurado o acesso a programas específicos de saúde, incluindo
planejamento familiar, “atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal,
perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde” (BRASIL, 1990).

Igualmente, o direito à liberdade de expressão, o de ir e vir, o de crença, o de brincar e o de participar da vida

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Igualmente, o direito à liberdade de expressão, o de ir e vir, o de crença, o de brincar e o de participar da vida
familiar e social sem discriminação são garantidos às crianças e aos adolescentes.
Entre os direitos fundamentais da criança e do adolescente estão o direito à vida e à saúde. Estes serão
efetivados por meio de políticas sociais públicas que possibilitem à criança o nascimento e o desenvolvimento
saudável e harmonioso com condições dignas de vida.
De acordo com o ECA, todas as mulheres terão assegurado o acesso a programas específicos de saúde, incluindo
planejamento familiar, “atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal,
perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde” (BRASIL, 1990).
Igualmente, o direito à liberdade de expressão, o de ir e vir, o de crença, o de brincar e o de participar da vida
familiar e social sem discriminação são garantidos às crianças e aos adolescentes.

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua
pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (BRASIL, 1990).

Figura 1 - O ECA assegura a crianças e adolescentes o direito de conviverem em sociedade, brincarem e


praticarem esportes.
Fonte: Kneschke, Shutterstock: Robert, 2018.

Você já percebeu que o ECA, ao assegurar direitos às crianças e aos adolescentes, está tratando de um universo
de pessoas que têm garantido pela Lei n. 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – a
gratuidade de acesso e permanência aos diferentes níveis da educação básica, não é mesmo?
Essa é uma das razões pelas quais todos os professores que exercem a docência – da Educação Infantil ao Ensino
Médio – devem conhecer os preceitos legais presentes nessa norma jurídica.
O Capítulo IV do ECA versa especificamente sobre Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer:

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua
pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

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I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (BRASIL, 1990).

Segundo o artigo seguinte, de número 54, “é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente”:

I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
própria;
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede
regular de ensino;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a
capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;
VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-
escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular importa
responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada
e zelar, junto aos pais ou responsável, pela frequência à escola. (BRASIL, 1990)

No entanto, em que pese sua importância para o cotidiano escolar, essa norma legal não se restringe aos espaços
de escolarização. Protege e assegura os direitos das crianças e do adolescente em sua convivência familiar,
comunitária e social. Clique nos botões a seguir e veja alguns artigos importantes sobre isso:

Art. 18-A
“A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento
cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos
integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas
socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”.

Art. 22
“Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse
destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.”

Assim, diante da abrangência do ECA, houve a necessidade da criação de Conselhos Tutelares. De acordo com o
art. 131, o Conselho Tutelar é “órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de
zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente” (BRASIL, 1990). Logo a seguir, o art. 132
esclarece:

Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal haverá, no mínimo, 1 (um)
Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de 5 (cinco)
membros, escolhidos pela população local para mandato de 4 (quatro) anos, permitida 1 (uma)
recondução, mediante novo processo de escolha.

São três requisitos exigidos pelo ECA para as candidaturas ao cargo de conselheiros, segundo dispõe o art. 133: “I

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São três requisitos exigidos pelo ECA para as candidaturas ao cargo de conselheiros, segundo dispõe o art. 133: “I
– reconhecida idoneidade moral; II – idade superior a vinte e um anos; III – residir no município” (BRASIL,
1990). O mandato de conselheiro tutelar é de 4 (quatro) anos. Como o voto é facultativo, o número de pessoas
votantes ainda é muito baixa se comparado às eleições de caráter obrigatório.
Entre as atribuições do Conselho Tutelar legalmente prescritas, destacam-se (art. 136):
1) atender e aconselhar os pais ou responsável;
2) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança;
3) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações;
4) encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os
direitos da criança ou adolescente;
5) encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
6) providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária;
7) expedir notificações;
8) requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
9) assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de
atendimento dos direitos da criança e do adolescente.
Como você pôde acompanhar até aqui, o ECA é de fundamental importância para assegurar uma vida digna e
saudável para crianças e adolescentes brasileiros, em especial aqueles que precisam de proteção da sociedade
em função de viver em condições de extrema vulnerabilidade em uma sociedade com tantas desigualdades
sociais, econômicas e culturais.

Figura 2 - Crianças e adolescentes têm direito à educação de qualidade com igualdade de condições e acesso.
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2020.

Nesse contexto, é preciso sublinhar a importância adquirida pela Lei n. 11.525/07, que alterou a LDBEN para
incluir os “direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental” (BRASIL, 2007). Inserir
essa temática entre os conhecimentos que são trabalhados pelas escolas é certamente uma forma de ampliar a
difusão dos direitos das crianças e dos adolescentes, ao mesmo tempo que contribui para conscientizar a escola
das responsabilidades sociais dela para com os alunos.

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3.2 Plano Nacional de Educação – PNE 2014-2024
A ideia de o Brasil construir um Plano Nacional de Educação (PNE) é antiga. Neste tópico, vamos mencionar
rapidamente a sua trajetória para refletir sobre o documento que está em vigor.
Uma breve revisão bibliográfica pela história das políticas educacionais já nos permite constatar que, nos anos
de 1930, os chamados “Pioneiros da Educação Nova”, movimento de educadores inspirados pelos ideais
escolanovistas, já apontavam, por meio de um manifesto, a necessidade de se ter um plano para a educação
brasileira. Vejamos a seguir um pequeno fragmento desse importante posicionamento.

Assentado o princípio do direito biológico de cada indivíduo à sua educação integral, cabe
evidentemente ao Estado a organização dos meios de o tornar efetivo, por um plano geral de
educação, de estrutura orgânica, que torne a escola acessível, em todos os seus graus, aos cidadãos a
quem a estrutura social do país mantém em condições de inferioridade econômica para obter o
máximo de desenvolvimento de acordo com as suas aptidões vitais (HISTEDBR, 2006, p. 193, grifo da
autora).

No entanto, mesmo diante do fato de que era preciso que a educação tivesse alguma organicidade com vistas a
garantir unidade educacional para todo o território nacional, muitas décadas foram necessárias para que o Brasil
tivesse o primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela Lei n. 10.172/01, com validade de dez anos,
ou seja, com metas e estratégias de ação pensadas para o período compreendido entre 2001 a 2010. O segundo
PNE foi aprovado pela Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014, e tem validade até 2024.

VOCÊ SABIA?
O primeiro Plano Nacional de Educação foi promulgado em janeiro de 2001, com validade até
2010, e a partir do ano seguinte um novo PNE deveria entrar em vigor para prosseguir com as
metas educacionais até então desenvolvidas. No entanto, o país ficou quatro anos sem PNE.
Somente em junho de 2014 o PNE 2014-2024 foi aprovado. Essa demora se deu em função de
disputas políticas travadas no Congresso durante o processo de tramitação entre a Câmara e o
Senado Federal que remetem a diferentes compreensões sobre educação e acabam por afetar
os rumos da educação e a melhoria de sua qualidade.

Em sua apresentação, o texto explicita: “O Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 13.005/2014, é um
instrumento de planejamento do nosso Estado democrático de direito que orienta a execução e o
aprimoramento de políticas públicas do setor” (BRASIL, 2014).
E logo a seguir complementa: “O seu cumprimento é objeto de monitoramento contínuo e de avaliações
periódicas realizadas pelo Ministério da Educação (MEC), pelas comissões de educação da Câmara e do Senado,
pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pelo Fórum Nacional de Educação” (BRASIL, 2014).
O PNE é construído com base em dez diretrizes. São elas:

I − erradicação do analfabetismo;
II − universalização do atendimento escolar;

III – superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na

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III – superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na
erradicação de todas as formas de discriminação;
IV – melhoria da qualidade da educação;
V – formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se
fundamenta a sociedade;
VI − promoção do princípio da gestão democrática da educação pública;
VII − promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do país;
VIII − estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do
Produto Interno Bruto (PIB), que assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de
qualidade e equidade;
IX − valorização dos(as) profissionais da educação;
X − promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade
socioambiental (BRASIL, 2014).

A partir dessas diretrizes foram elaboradas metas, bem como estratégias para aquelas serem alcançadas. Veja no
quadro a seguir cada uma dessas metas a serem cumpridas pelo PNE 2014-2024.

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Figura 3 - Metas do PNE (2014-2024) em conformidade com a Lei n. 13.005/2014.
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.

Como podemos observar, as metas traçadas pelo PNE 2014-2024 são bastante arrojadas e buscam aumentar os
índices de inclusão e de rendimento em cada uma delas. Pensadas a partir de diversas estratégias de ação para
alcançá-las, parecem ainda muito distantes de conseguirem seus objetivos dentro dos limites de prazo
estabelecidos pelo próprio Plano.

VOCÊ QUER LER?


O PNE possui um observatório no qual você pode acompanhar a evolução de cada uma das
metas – o que já foi alcançado e o que ainda está pendente. De acordo com as informações que
constam no site do Observatório do PNE, trata-se de uma “plataforma de advocacy e
monitoramento pelo Plano Nacional de Educação (PNE) que tem como objetivo contribuir para
que ele se mantenha vivo e cumpra seu papel como agenda norteadora das políticas
educacionais no País” (OBSERVATÓRIO DO PNE, [s.d.]). O material está disponível no seguinte
endereço eletrônico: <www.opne.org.br>.

Como é possível perceber, existem metas a serem cumpridas em conformidade com as projeções atribuídas no
PNE. Agora, vamos conhecer as propostas do PNE para o decênio 2014-2024?

3.2.1 Perspectivas para a Educação no decênio (2014-2024)

As metas propostas pelo PNE em vigor propõem, entre outros objetivos, universalizar até 2024 a educação
infantil, o ensino fundamental, a inclusão de todas as pessoas deficientes com até 17 anos aos níveis regulares de
ensino. Além disso, preconiza a erradicação do analfabetismo no Brasil.
Ainda que estejamos dentro do prazo de vigência do PNE – posto que suas metas estão projetadas até 2024 –, é
importante que tenhamos atenção para os dados revelados pelo “Relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das
Metas do Plano Nacional de Educação – 2018”, publicado pelo INEP em 2018 (BRASIL, 2018). A análise
decorrente do monitoramento das metas aponta que se faz necessário que as políticas sociais adquiram um
ritmo mais acelerado para que as metas possam vir a ser alcançadas.

CASO
Embora o Brasil continue com uma taxa expressiva de analfabetismo, em especial, nas regiões
Norte e Nordeste, existem experiências de sucesso sendo realizadas no Brasil. Um exemplo é o

Estado do Piauí. Conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e

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Estado do Piauí. Conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), esse estado, por meio de investimentos públicos para a educação de jovens
e adultos, reduziu em 0,6% os índices de analfabetismo entre os anos de 2016 e 2017.
De acordo com as informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em
2017 a taxa de analfabetismo no estado estimada em 17,2% sofreu uma queda de 13,9% se
comparada a 2010.
De acordo com a diretora da Unidade de Educação de Jovens e Adultos (UEJA), Conceição
Andrade, em 2015, foi feito um estudo, e com os resultados obtidos foi possível dar uma nova
roupagem à alfabetização para que a meta do plano fosse alcançada. Conceição salientou que
era necessário que as pessoas fossem inseridas em uma escola regular, em vez de trabalhar
apenas com os programas voltados à alfabetização. “A partir de 2016, essa meta foi colocada
no Plano Estadual e feita uma grande campanha de divulgação da EJA, além da busca ativa por
alunos, que proporcionou um aumento significativo no número de matrículas na Educação de
Jovens e Adultos". (TEIXEIRA, 2018).

Condição muito próxima pode ser considerada em relação à meta proposta para o Ensino Médio, educação média
tecnológica e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ainda de acordo com o Relatório do INEP/MEC, é possível
dizer que as metas definidas para essas modalidades e níveis de ensino encontram-se muito aquém do que foi
proposto pelo PNE 2014-2024. Todas essas questões resultam em preocupações para a sociedade brasileira, na
medida em que dependem de políticas públicas e, sobretudo, de investimentos de recursos mais efetivos para a
Educação Básica.

Figura 4 - Planos de educação envolvem ideias que são desdobradas em ações para alcançar o objetivo desejado.
Fonte: Lirf, Shutterstock, 2020.

Em termos de Educação Superior, os resultados publicados pelo Relatório do INEP/MEC (2018) mostram que
para esse nível as metas tiveram melhores resultados. Isso inclui, entre outras, a Meta 13 do PNE que “propõe
elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em

efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para setenta e cinco por cento, sendo, do total, no

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efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para setenta e cinco por cento, sendo, do total, no
mínimo, trinta e cinco por cento doutores” (BRASIL, 2014). Essa meta foi a única cumprida – todas as demais
ficaram distantes dos índices propostos.
Embora essa situação seja bastante preocupante, ainda há tempo para recuperar ou, pelo menos, acelerar o
progresso das demais metas estabelecidas. Certamente, essas ações dependem do poder público, mas também
de toda a população brasileira que precisa se engajar nos temas sociais que afligem o país, e entre eles a
educação tem um caráter central.
Agora que você já conhece as metas do Plano Nacional de Educação 2014-2024, vamos verificar como funcionam
os Planos de Educação nas esferas municipais e estaduais.

3.2.2 Planos Estaduais de Educação e Planos Municipais de Educação

Uma primeira questão que importa você saber é que os Planos Estaduais de Educação e os Planos Municipais de
Educação devem estar alinhados ao Plano Nacional de Educação. O que isso significa na prática? Os planos em
esferas menores devem seguir as metas propostas pelo plano que vigora em âmbito nacional. Isso equivale dizer
que todos devem contemplar as 20 metas apresentadas pelo PNE.
Outra questão muito importante a se considerar é que, por exemplo, o Plano Municipal de Educação (PME) não é
apenas das escolas da rede municipal de educação; ao contrário, para a construção dele se faz necessária a
participação dos diferentes segmentos que compõem a sociedade, e não apenas das pessoas mais diretamente
envolvidas com o setor educacional.
Assim, podemos dizer que o que diferencia o Plano Municipal de Educação (PME) do Plano Estadual de Educação
(PEE) é a escala: o primeiro se restringe às dimensões territoriais do município, já o PEE tem a abrangência do
estado e deve fazer uma síntese das demandas dos diferentes municípios que o compõem.
Sobre a importância dos PEEs, Souza e Menezes (2017, p. 3) argumentam que:

Os Planos Estaduais de Educação (PEEs) são considerados importantes instrumentos de gestão, cuja
particularidade implica, de um lado, integrar objetivos e metas do plano nacional, traduzindo-os,
portanto, para a realidade territorial do estado e, de outro, prever a sua articulação às demandas
municipais, a fim de que essas localidades possam adequar o planejamento nacional às suas
particularidades.

É possível perceber, portanto, a importância da participação ativa dos processos de construção dos planos de
educação, seja na esfera municipal, seja na estadual. E você já participou da construção do plano de educação de
seu município?

VOCÊ SABIA?
Os Planos Nacionais de Educação (PNEs) se caracterizam como instâncias democráticas e
participativas, pois contam com a contribuição dos diferentes segmentos e movimentos
organizados da sociedade civil. Os PNEs reúnem em seus textos metas e estratégias que
objetivam assegurar o direito à educação de todos em conformidade com a Constituição de
1988. Ao estabelecerem metas nacionais, cabe aos estados e aos municípios se mobilizarem
para o alcance delas por meio de seus Planos Estaduais e Municipais de Educação.

Agora que você já compreendeu que as metas a serem cumpridas pela educação nacional são distribuídas pelos

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Agora que você já compreendeu que as metas a serem cumpridas pela educação nacional são distribuídas pelos
entes federativos como responsáveis diretos pelos respectivos níveis de educação, vamos conhecer as políticas
públicas para os currículos da Educação Básica.
Agora que você já compreendeu que as metas a serem cumpridas pela educação nacional são distribuídas pelos
entes federativos como responsáveis diretos pelos respectivos níveis de educação, vamos conhecer as políticas
públicas para os currículos da Educação Básica.

3.3 Políticas Curriculares e Educação Básica


Podemos dizer que desde a década de 1990 as políticas educacionais brasileiras têm centrado no currículo os
focos de atenção; buscam, por meio dele, disciplinar e normatizar a educação nacional. No conjunto dessas
políticas, é possível destacar: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), criados em 1997 e 1998; as
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), aprovadas em 2010; e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que
passou a vigorar em 2017.

Figura 5 - Alguns conceitos são considerados fundamentais na elaboração de parâmetros e diretrizes


curriculares para a Educação Básica.
Fonte: Dusit, Shutterstock, 2020.

Todos esses documentos, em que pesem suas diferentes abordagens teórico-metodológicas, se constituem, como
os próprios nomes já indicam, em diretrizes e bases para os currículos da Educação Básica. Eles reúnem um
conjunto de orientações para cada um dos níveis de ensino e, dessa forma, pretendem orientar as práticas
curriculares das escolas. Vamos conhecer neste tópico os PCNs e as DCNs, e na sequência do capítulo
abordaremos o BNCC.

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3.3.1 Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs

Os PCNs, elaborados em 1997, foram apresentados à sociedade brasileira – muito especialmente aos educadores
– a partir de uma coleção que reúne dez volumes, assim organizada: o primeiro, dedicado à apresentação dos
parâmetros; o segundo, voltado aos temas transversais; e os oito volumes seguintes, direcionados às áreas
específicas que constituem os currículos escolares (português, matemática, geografia, história, ciências naturais,
arte e educação física).

VOCÊ QUER LER?


Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), publicados em 1997, se constituem em uma
coletânea formada por dez volumes que traçam parâmetros para as disciplinas que compõem
os currículos escolares. Todos os volumes são disponibilizados pelo MEC e podem ser
acessados gratuitamente. Conhecê-los é uma iniciativa importante, pois eles trazem dicas
relevantes para trabalhar com as áreas específicas. A coleção está disponível no site:
<http://saladeauladigital.com.br/mec-oferece-todos-os-parametros-curriculares-nacionais-
para-download-gratuitamente/>.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram pensados para auxiliar os docentes em suas práticas cotidianas nas
escolas e apontam alguns dos objetivos a que se propõem:

rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das atividades, expectativas de


aprendizagem e maneiras de avaliar; refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma
coerência com os objetivos propostos; preparar um planejamento que possa de fato orientar o
trabalho em sala de aula; discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem
maior ou menor participação nas atividades escolares; identificar, produzir ou solicitar novos
materiais que possibilitem contextos mais significativos de aprendizagem; subsidiar as discussões de
temas educacionais com os pais e responsáveis (BRASIL, 1997, p. 10).

Os PCNs organizaram os conhecimentos escolares em áreas e temas transversais. As áreas se referem às


disciplinas específicas a serem trabalhadas nos currículos escolares. Além dos conteúdos específicos a cada
disciplina, o documento traça os “objetivos e conteúdos, bem como critérios de avaliação, orientações para
avaliação e orientações didáticas” (BRASIL, 1997, p. 44).

VOCÊ QUER VER?


Se você acha importante que os currículos escolares trabalhem temas emergentes das
sociedades atuais caracterizada por uma diversidade cultural, étnica, racial e religiosa, vale a
pena assistir ao filme Crianças invisíveis. O filme traz sete pequenas histórias, narradas por
sete crianças que vivem em países diferentes, e mostra com profundidade o drama vivido por
elas ante realidades sociais e culturais diversas. A versão dublada para o português pode ser
acessada em: <https://www.youtube.com/watch?v=IxmBRrbEhFA&t=30s>.

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Importa sublinhar que os temas transversais não são outras áreas de conhecimento a serem examinados
isoladamente; ao contrário, a proposta dos PCNs é que esses temas sejam trabalhados de forma integrada aos
conhecimentos específicos. A essa integração, os PCNs vão chamar de “transversalidade”. Entre os assuntos
selecionados pelos PCNs como temas transversais encontram-se: “Ética, Saúde, Meio Ambiente, Pluralidade
Cultural e Orientação Sexual, eleitos por envolverem problemáticas sociais atuais e urgentes, consideradas de
abrangência nacional e até mesmo de caráter universal” (BRASIL, 1997, p. 45).

3.3.2 Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Básica

As Diretrizes Curriculares Nacionais, aprovadas pela Resolução n. 4, de 13 de julho de 2010, representam um


avanço no campo legislativo no que diz respeito à organização curricular. Ao contrário dos Parâmetros
Curriculares Nacionais que não tiveram o peso jurídico e, por consequência, não passaram de orientações para
as escolas, as DCNs regimentam as práticas curriculares no âmbito nacional e para toda a educação básica.
A primeira versão das DCNs passou por uma revisão conceitual e metodológica e foi republicada, em 2013.
Possui os seguintes objetivos:

estabelecer bases comuns nacionais para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino
Médio, bem como para as modalidades com que podem se apresentar, a partir das quais os sistemas
federal, estaduais, distrital e municipais, por suas competências próprias e complementares,
formularão as suas orientações assegurando a integração curricular das três etapas sequentes desse
nível da escolarização, essencialmente para compor um todo orgânico (BRASIL, 2013).

As Diretrizes Curriculares Nacionais não determinam um currículo único, dando autonomia para que escolas
organizem seus tempos/espaços em conformidade com as realidades que vivenciam. Reconhecem o papel social
da escola ante o enfrentamento das desigualdades sociais, culturais e econômicas que marcam a sociedade
brasileira.
Vale ressaltar também que estabelecem que os currículos da Educação Básica devem ter uma base nacional
comum e uma parte diversificada. O que isso significa? De acordo com as DCNs, a base comum diz respeito aos

conhecimentos, saberes e valores produzidos culturalmente, expressos nas políticas públicas e que
são gerados nas instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico; no mundo do
trabalho; no desenvolvimento das linguagens; nas atividades desportivas e corporais; na produção
artística; nas formas diversas e exercício da cidadania; nos movimentos sociais (BRASIL, 2013).

Dito em outras palavras, são os conhecimentos que compõem as disciplinas escolares e/ou as áreas de
conhecimentos: língua portuguesa; matemática; ciências físicas e naturais e outras.
Já a parte diversificada “enriquece e complementa a base nacional comum, prevendo o estudo das características
regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da comunidade escolar” (BRASIL, 2013). Desta forma,
as DCNs se tornam inclusivas do trabalho com as questões relativas às singularidades de cada escola e de sua
caracterização como pertencente a determinada cultura local.

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Figura 6 - Características culturais devem ser levadas em conta na perspectiva das Diretrizes Curriculares
Nacionais.
Fonte: Filipe Frazao, Shutterstock, 2020.

O texto das DCNs chama a atenção para o fato que a parte diversificada e a parte comum não podem ser
pensadas como instâncias distintas e separadas, e sim como dimensões que interagem para qualificar os
currículos escolares. Ou seja: “tanto a base nacional comum quanto a parte diversificada são fundamentais para
que o currículo faça sentido como um todo” (BRASIL, 2013).
O texto também sublinha a importância do trabalho com a transversalidade, interdisciplinaridade e eixos
temáticos como formas didático-metodológicas de contextualizar os saberes escolares e valorizar a diversidade
cultural.

Figura 7 - As DCNs buscam valorizar a diversidade cultural.


Fonte: iQoncelt, Shutterstock, 2020.

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As DCNs reconhecem as inúmeras e valorosas experiências que vêm sendo realizadas pelas escolas no Brasil.
Destacam que há “propostas curriculares ordenadas em torno de grandes eixos articuladores, experiências de
redes que trabalham projetos de interdisciplinaridade com base em temas geradores formulados a partir de
problemas detectados na comunidade” (BRASIL, 2013).
A isso se acrescenta o fato de que enfatizam que o currículo não pode ser pensado apenas na perspectiva dos
conteúdos, os chamados currículos conteudistas, mas, antes, que sejam práticas culturais e que considerem,
portanto, as realidades em que vivem os estudantes.

Figura 8 - Diversas culturas e etnias devem ser consideradas nos currículos, de acordo com as Diretrizes
Curriculares Nacionais.
Fonte: Sandis sveicers, Shutterstock, 2020.

O texto reconhece a importância das diferentes culturas para os currículos escolares. Com base no legado das
ideias de Paulo Freire, as DCNs trabalham a valorização da realidade concretamente vivida pelos estudantes e
acreditam que uma educação de qualidade possa contribuir para a redução dos preconceitos e das desigualdades
sociais, tornando a escola uma importante instituição ante a possibilidade de transformar o mundo. Como já nos
ensinava Paulo Freire:

Você, eu, um sem-número de educadores sabemos todos que a educação não é a chave das
transformações do mundo, mas sabemos também que as mudanças do mundo são um quefazer
educativo em si mesmas. Sabemos que a educação não pode tudo, mas pode alguma coisa. Sua força
reside exatamente na sua fraqueza. Cabe a nós pôr sua força a serviço de nossos sonhos (FREIRE,
1991, p. 126).

Cabe lembrar que Paulo Freire é considerado um dos maiores intelectuais brasileiros e um dos pedagogos com
maior influência no campo da educação.

VOCÊ O CONHECE?

Paulo Freire é, sem dúvida, o mais conhecido intelectual brasileiro. Suas obras são referência

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Paulo Freire é, sem dúvida, o mais conhecido intelectual brasileiro. Suas obras são referência
para a educação no âmbito nacional e internacional, foram traduzidas para diferentes idiomas
e circulam em vários países do mundo. Militante das causas populares, coordenou em 1964 o
Programa Nacional de Alfabetização, em que teve a possibilidade de alfabetizar camponeses
jovens e adultos mediante uma metodologia que acabou conhecida como Método Paulo Freire.
Em 2012, por meio da Lei n. 12.612, se tornou o Patrono da Educação Nacional. Para conhecer
um pouco mais sobre a vida e a obra desse educador, você pode acessar o artigo de Dilva
Frazão em: <https://www.ebiografia.com/paulo_freire/>.

Em termos de políticas voltadas aos currículos, o Ministério da Educação aprovou em 2017 uma nova norma
legislativa. Trata-se da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esse dispositivo normativo deverá ser
considerado por todos os sistemas de ensino responsáveis pela Educação Infantil e Ensino Fundamental no
Brasil. Vamos conversar sobre no próximo tópico.

3.4 BNCC e Educação Básica


A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) é um documento que, como o próprio nome sugere, serve de base
para o desenvolvimento da construção dos currículos da Educação Básica brasileira. Vamos conhecer um pouco
mais a respeito dele neste tópico.
A BNCC é apresentada em dois volumes. O primeiro é direcionado para a Educação Infantil e Ensino
Fundamental, aprovado pela Resolução CNE/CP n. 2, de 22 de dezembro de 2017; e o outro, voltado para o
Ensino Médio, foi reformulado ao longo do ano seguinte, recebeu mais de 44 mil contribuições e foi aprovado
pelo CNE em 4 de dezembro de 2018.

Figura 9 - A integração entre os entes federados é condição fundamental para o regime de colaboração na

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Figura 9 - A integração entre os entes federados é condição fundamental para o regime de colaboração na
educação.
Fonte: Michael D Brown, Shutterstock, 2020.

A BNCC propõe dez competências gerais que devem ser vistas como potencializadoras das aprendizagens na
Educação Básica. Cada uma delas a serem trabalhadas pelos professores da Educação Infantil e do Ensino
Fundamental está relacionada com habilidades a se desenvolver. Nesse sentido, o texto legal afirma que:

BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas
para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o
conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as
proposições da BNCC à realidade local, considerando a autonomia dos sistemas ou das redes de
ensino e das instituições escolares, como também o contexto e as características dos alunos (BRASIL,
2017, p. 14).

VOCÊ QUER VER?


Pela importância e atualidade que a Base Nacional Comum Curricular possui para toda a
Educação Básica nos dias de hoje, é muito importante que você conheça as competências
propostas e as habilidades correspondentes. Nesse sentido, vale a pena você assistir ao vídeo
As competências gerais da BNCC, produzido pelo Movimento pela Base Nacional Comum. Ali o
tema é tratado de modo claro e adequado. O material está disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=-wtxWfCI6gk>.

Essas competências devem ser desenvolvidas de modo que articule, de forma integrada e transversal, os
chamados “conhecimentos mínimos obrigatórios” com as realidades das culturas locais. As diversidades
regionais ficam sob a responsabilidade dos respectivos sistemas educacionais no âmbito dos estados e
municípios como forma de valorizar as diferentes expressões culturais e artísticas.

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Figura 10 - A capoeira é uma das expressões culturais brasileiras, tradição do Estado da Bahia.
Fonte: Val Thoermer, Shutterstock, 2020.

Cabe frisar que a Base Nacional Curricular Comum não se apresenta como currículo. Segundo o texto, “BNCC e
currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da
Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que
caracterizam o currículo em ação” (BRASIL, 2017, p. 16). Isso significa dizer que caberá às escolas colocar em
prática as prescrições normativas apresentadas pelo documento.

VOCÊ QUER LER?


Para acompanhar de perto todos os movimentos que envolveram a aprovação da BNCC para a
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, é importante que você conheça o texto
integral da Base Nacional Comum Curricular. O Ministério da Educação disponibilizou um site
com diversas informações, desde o histórico da construção até o documento completo para
acesso e download. Acesse: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>.

Cabe frisar que a BNCC não se apresenta como currículo. Segundo o texto, “BNCC e currículos têm papéis
complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma
vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em
ação” (BRASIL, 2017, p. 16). Ou seja, caberá às escolas colocarem em prática as prescrições normativas
apresentadas pela BNCC.
Cabe frisar que a BNCC não se apresenta como currículo. Segundo o texto, “BNCC e currículos têm papéis
complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma
vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em
ação” (BRASIL, 2017, p. 16). Ou seja, caberá às escolas colocarem em prática as prescrições normativas
apresentadas pela BNCC.

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Conclusão
Nesta unidade, você conheceu um pouco mais sobre os direitos humanos, em especial, o direito fundamental das
crianças e dos adolescentes em terem uma vida digna com assistência à saúde, educação, cultura e lazer. Você
pôde observar a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado em 1990, mas que continua
atual e necessário para a vida social no século XXI. Teve oportunidade de ver como são construídos os planos de
educação, no âmbito dos municípios, dos estados e da União, e percorreu também as diversas normativas
elaboradas pelo poder público para estabelecer diretrizes e bases comuns para a Educação Básica em todo o
território nacional.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer os direitos da criança e do adolescente assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente;
• compreender como são formulados os planos de educação na abrangência da União, estados e
municípios;
• identificar as metas colocadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE);
• acompanhar os principais objetivos traçados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs);
• entender as diretrizes curriculares atribuídas à Educação Básica no Brasil;
• reconhecer a importância das expressões culturais e artísticas locais e regionais para os currículos
escolares;
• relacionar as competências gerais estipuladas pela BNCC ao desenvolvimento de uma Educação Básica
voltada à construção de uma sociedade mais justa e menos desigual.

Bibliografia
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/SEF, 1997. v. 1. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf>. Acesso em: 07/01
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BRASIL. Lei n. 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 10/01
/2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm>. Acesso em: 07/01
/2020.
BRASIL. Lei 11.525, de 25 de setembro de 2007. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 26/09
/2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11525.htm>. Acesso
em: 07/01/2020.
BRASIL. Lei n. 12.612, de 13 de abril de 2012. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 16/04
/2012. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12612.htm>. Acesso
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm>. Acesso em: 07/01/2020.
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Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2018/04
/RESOLUCAOCNE_CP222DEDEZEMBRODE2017.pdf>. Acesso em: 07/01/2020.

BRASIL. Relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação – 2018. Brasília:

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BRASIL. Relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação – 2018. Brasília:
Inep, 2018. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/informacao-da-publicacao/-/asset_publisher
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