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“Why does public discussion of economic policy so often show the absymal ignorance

of the participants? Why do I so often want to cry at what public figures, the press, and
television commentators say about economic affairs?”
Robert M. Solow (Nobel 1987)1

1 Introdução: O que é Economia?


Antes de definirmos formalmente “economia”, vamos olhar para um conjunto de ideias
fundamentais em economia. Fundamentais no sentido em que (i) oferecem perspectivas
sobre o funcionamento da economia, (ii) são relevantes em termos de polı́ticas economicas
e (iii) ajudam a perceber percepções erradas muito comuns (nos media).

Recentemente um comentador português (na TV) afirmava que


os bloqueadores de rodas não resolviam os problemas (dos maus)
estacionamentos em Portugal. Muito pelo contrário, só agravava
a situação porque o carro bloqueado continuaria na situação de
infracção.

Analisa economicamente a afirmação/problema acima?

1.1 Quanto custa na verdade?


Os economistas avaliam os verdadeiros custos dos bens/serviços não pelo seu custo em
euros, mas sim pelo valor daquilo que se tem de deixar de fazer por forma a usufruir do
bem. Este custos são chamados de custos de oportunidade.
Definição: O custo de oportunidade de uma decisão é o valor da melhor alternativa
que tem de se deixar de fazer por causa dessa mesma decisão. (Ex. Estudar vs. Trabalhar).

1.2 Tentativas de repelir as leis da oferta e da procura – o


mercado contra-ataca
Quando a oferta é diminuta, o preço do bem tende a aumentar. Muitas vezes os polı́ticos
tentam resolver o problema impondo “tectos” legais nos preços. De igual forma, quando
a oferta é abundante os preços tendem a cair e mais uma vez os polı́ticos tentam impor
limites (floor ) mı́nimos nos preços.
1
http://www.nobel.se/economics/laureates/1987/

1
Ex. Preços máximos nos combustı́veis e rendas em Portugal; preços mı́nimos garantidos
dos produtos agrı́colas.
Consequências tı́picas? Escassez e excesso de produtos quando são estabelecidos preços
máximos e mı́nimos, respectivamente.

1.3 Princı́pio da vantagem comparativa


Este princı́pio mostra que, mesmo numa situação em que uma nação é melhor a produzir
todos os bens, o comércio internacional é benéfico para todos.
Ex. Suponhamos que determinado executivo é melhor que uma secretária a ‘pensar
estratégias empresariais’ e a dactilografar. Será que deve fazer ambas as tarefas ou delegar
uma delas? E qual? Se a diferença entre ele e a secretária é menor na arte de dactilografar
então, apesar de ser melhor que ela, deve delegar esta tarefa à secretária e dedicar-se a
‘pensar’.
Esta analogia pode ser utilizada para argumentar os benefı́cios do comércio interna-
cional.

1.4 Comércio (troca) é uma situação de vencedor-vencedor


Uma das ideias mais fundamentais em economia é que ambas as partes devem esperar
ganhar algo numa troca voluntária. De outra forma porque é que ambas as partes acordam
a troca? Parece evidente, mas é muitas vezes ignorado na prática.
Ex. Algumas leis proı́bem trocas (benéficas) para ambas as partes. Por exemplo, im-
pedindo empréstimos cujas taxa de juro excedam determinados limites máximos; estabele-
cendo um salário mı́nimo, não permitem que alguém disposto a trabalhar por menos deixe
o desemprego; proibindo a venda de bilhetes na “candonga”.
Polı́ticas bem intencionadas, mas menos bem racionalizadas, impedem ganhos mútuos
inerentes a trocas voluntárias.

1.5 A importância de pensar na “margem”


Ex. Porque é que as companhias aéreas oferecem (ou ofereciam antes de 11 de Setem-
bro) tarifas reduzidas, muitas vezes que não cobrem o custo médio de transportar um
passageiro, a passageiros que estavam a espera de vagas (desistências e/ou vendas insufi-
cientes)? Aparentemente perdem dinheiro com tais passageiros.
O que a análise económica nos diz é que as companhias aéreas se devem preocupar
com os custos adicionais (marginais) de transportar mais um passageiro. Custos que não

2
dependem do número de passageiros são irrelevantes. Ex. Direitos de aeroporto são pagos
independentemente dos passageiros a bordo. Se os custos com o combustı́vel, amendoins e
bebidas adicionais forem inferiores à tarifa (mais baixa) paga por esse tipo de passageiros,
então a companhia aumenta os seus lucros ao transporta-los.

1.6 Externalidades: Uma limitação do mercado curada por


métodos de mercado
Os mercados funcionam bem desde que as trocas involvam só o comprador e o vende-
dor – e mais ninguém. Contudo, muitas vezes há terceiros que são afectados com tais
transacções. Estes efeitos são conhecidos como externalidades. Os exemplos abundam,
mas tipicamente pode-se pensar na poluição resultante da produção de bens, transporte
de passageiros e/ou mercadorias. Mas também há externalidades positivas, por exemplo,
se uma empresa colocar um segurança, a vizinhaça beneficia indirectamente da vigilância
adicional.
O que nós vamos ver é que há métodos de mercado para corrigir tais efeitos externos.
Por exemplo, vendendo direitos de poluição para compensar as partes afectadas.

1.7 Porque é que os custos de educação e de saúde continuam a


subir?
No mundo desenvolvido observa-se que os custos de oferecer muitos serviços aumentam
consistentemente mais do que a taxa de inflação.
Ex. Nos EUA num perı́odo de 50 anos o custo diário de uma “cama de hospital” excedeu
a taxa de inflação em mais de 800%!
A razão(ões) para tal fenómeno? O aumento impressionante na eficiência das manufac-
turas privadas! Mais produtividade implica melhores salários. Contudo, pela lei da oferta
e procura, os salários não aumentam só na indústria, o aumento estende-se ao sector dos
serviços. Mas porque ainda é necessário o mesmo (ou quase o mesmo) número de em-
pregados de mesa, de carteiros, etc, os custos do serviço disponibilizado têm mesmo que
aumentar mais do que a taxa de inflação.

1.8 O “trade-off ” no curto prazo entre a inflação e o desemprego


Os economistas acreditam que há uma relação inversa entre a taxa de inflação e o desem-
prego. Isto é, quando um sobe o outro desce.

3
Há, contudo, exemplos de situações onde tal relação não se verifica. Por exemplo, nos
anos 70 a inflação e o desemprego aumentaram simultaneamente. Mais recentemente, finais
dos anos 90, observou o contrário com a inflação e o desemprego a caı́rem.
Em situações ‘normais’ este ‘trade-off’ coloca uma dilema fundamental aos decisores –
mais inflação e menos desemprego, ou o contrário?

1.9 A inflação distorce medições


Em 1950 um bilhete de cinema custava $1, em 2000 custava $7. Logo é mais caro ir ao
cinema em 2000 do que em 1950, correcto? Talvez não, porque não sabemos as taxas de
inflação no perı́odo em causa. Quando há inflação, a moeda (valor nominal) é um padrão
errado para medir o valor em diferentes momentos no tempo. Nos E.U.A., nos últimos 50
anos, os preços aumentaram aproximadamente 600% (7 vezes). Logo, em termos de poder
de compra os dois bilhetes custam aproximadamente o mesmo.

1.10 Porque é importante reduzir o défice público


Ao défice podem estar associados fenómenos como taxas de juro mais elevadas, mais in-
flação e carga fiscal adicional sobre gerações futuras. Há, contudo, quem não concorde com
estas observações. Quem está correcto? Infelizmente a resposta não é única, é sobretudo
contigente a diferentes factores que estudaremos.

1.11 A taxa de crescimento da produtividade é (quase) tudo no


longo prazo
Quantas mais unidades produz hoje um trabalhador, por exemplo têxtil, do que o seu
equivalente à 100 anos atrás? 100 vezes mais, 200 vezes mais? Os exemplos multiplicam-se
pela economia. É precisamente este aumento da produtividade que tem contribuı́do para
o aumento dos padrões de vida.
Portanto, a taxa de crescimento da produtividade desempenha um papel fundamental
(quase único) na melhoria dos padrões de vida. É quase como a taxa de juro composta – os
juros sobre os juros são mais altos para taxas mais altas. O mesmo se passa na economia
com a taxa de crescimento da produtividade.

Referências
1. Baumol, William & Alan Blinder, 2001, “Economics. Principles and Policy”, Har-
court Press, 8th Edition.

4
4 As Forças de Mercado: Oferta e Procura
Os termos “oferta” e “procura” são dos mais usados em economia. Estas são as forças que
fazem as economias de mercado funcionar.

4.1 Mercados e Competição


Os termos oferta e procura referem-se ao comportamento das pessoas quando estas inter-
agem umas com as outras no mercado.

Mercado – um grupo de compradores e vendedores de um


bem ou serviço.

4.1.1 Mercados competitivos

Os mercados assumem diferentes formas.


• Alguns são altamente organizados, e.g. mercados agrı́colas, accionistas.

• Outros são menos organizados. Estes são os mais frequentes, os exemplos abundam
na tua localidade: sapatarias, padarias, . . .
A maioria dos mercados são mercados competitivos.

Mercado Competitivo – é um mercado no qual há muitos


compradores e muitos vendedores tal que cada um tem um
impacto ı́nfimo no preço de mercado.

Neste capı́tulo vamos assumir que os mercados são perfeitamente competitivos. Os


mercados de concorrência perfeita são definidos por 2 caracterı́sticas primárias: (i) os
produtos são homogéneos e (ii) os compradores e vendedores são tão numerosos que nenhum
deles (comprador ou vendedor) pode influenciar o preço de mercado.

Price Takers – como são conhecidos os compradores e


vendedores dos mercados de concorrência perfeita porque
têm que aceitar o preço que o mercado determina.

Mas nem todos os bens e serviços são vendidos mercados tão competitivos.
• Há mercados só com um vendedor, o monopólio, que estabelece o preço.

• Um oligopólio é caracterizado por ter poucos vendedores que nem sempre concorrem
agressivamente.

• Um mercado de concorrência monopolı́stica tem bastantes vendedores, cada um


oferecendo um produto ligeiramente diferente.

1
4.2 Procura
Comportamento dos compradores.

Quantidade Procurada – a quantidade de um bem que os


compradores desejam e são capazes de comprar.

4.2.1 O que determina a quantidade que um indivı́duo procura?

Estes são alguns dos factores que determinam a quantidade procura de um bem ou serviço.
1. Preço – Quando o preço de um bem sobe tipicamente a quantidade procurada
diminui. A quantidade procurada está negativamente relacionada com o preço.

Lei da Procura – Com o restante constante, quando o preço


de um bem aumenta, a quantidade procurada diminui.

2. Rendimento – A relação entre o rendimento e a quantidade procurada não é tão


óbvia.

Bem Normal – Bem para o qual, com todo o resto constante,


um aumento do rendimento leva a um aumento da procura.

Bem Inferior – Bem para o qual, com todo o resto constante,


um aumento do rendimento leva a uma diminuição da procura.
E.g. Motorizada, transporte público.

3. Preços de Bens Relacionados

Substitutos – Dois bens para os quais um aumento do preço


de um leva a um aumento da procura do outro.
E.g. Desktop e laptop.

Complementares – Dois bens para os quais um aumento do


preço de um leva a uma diminuição da procura do outro.
E.g. Café e açucar, Pregos e martelos.

4. Gostos – O determinante mais óbvio da procura são os gostos. Os economistas não


explicam os gostos, mas sim o que acontece quando as preferências mudam.

5. Expectativas – As expectativas acerca do futuro podem afectar a quantidade procu-


rada hoje. E.g. Aumentos futuros de rendimento; alterações legislativas.

2
Preço

$3.00

$2.50

$2.00

$1.50

$1.00

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Quantidade
Figure 1: Curva da Procura

4.2.2 A Curva da Procura

Imaginem que mantemos constantes todas as variáveis excepto uma – o preço. A curva da
procura, ilustra a relação (negativa) entre o preço de um bem e a quantidade procurada
(ver Figura 1 e Tabela 1).

Preço Quantidade
0.00 11
0.50 10
1.00 9
.. ..
. .
2.00 4
.. ..
. .
3.00 0

Table 1: Tabela de Procura

4.2.3 Ceteris paribus

Ceteris Paribus – Frase em latim que significa “o resto constante”,


usada para lembrar que todas as variáveis, excepto as que estão a
ser analisadas, presumem-se constantes.

CUIDADO: Sempre que virem uma curva da procura, lembrem-se que estamos a
assumir “ceteris paribus”. Pergunta: O que é tudo o resto?

3
Table 2: Tabela de Procura de Mercado

Preço António Maria Mercado


0.00 11 + 7 = 18
0.50 10 6 16
1.00 9 5 14
.. .. .. ..
. . . .
2.00 4 2 6
.. .. .. ..
. . . .
3.00 0 1 1

Table 3: Movimentos ao longo e deslocações da curva da procura

Variável Variação nesta variável representa


Preço Movimento ao longo da curva da procura
Rendimento Deslocação da curva da procura
Preço de bens relacionados Deslocação da curva da procura
Gostos Deslocação da curva da procura
Expectativas Deslocação da curva da procura
Número de compradores Deslocação da curva da procura

4.2.4 Procura de mercado vs. Procura individual

Para estudar o funcionamento dos mercados precisamos de determinar a procura do mer-


cado. Para tal, somamos “horizontalmente” todas as curvas de procura individuais.
A procura de mercado depende dos rendimentos, gostos e expectativas dos indivı́duos
e dos preços de bens relacionados, mas dependem também do número de indivı́duos que o
compõem (ver Tabela 2).

4.2.5 Deslocações da curva da procura

Quando um dos determinantes da procura muda, excepto o preço do bem, a curva da


procura desloca-se.1 Na Figura 2, uma diminuição da procura reflecte-se num deslocamento
para baixo (esquerda) da curva da procura original, D0 ⇒ D1 . Ao contrário, um aumento
da procura reflecte-se num deslocamento da curva da procura para cima (direita), D0 ⇒ D2 .
O pressuposto no qual assenta a curva da procura (ver inı́cio da secção 4.2.2) é o ceteris
paribus, quando um dos outros factores se modifica a curva da procura não é a mesma –
desloca-se.
1
“Shift in the demand curve” vs. “movement along the demand curve”.

4
Preço D2
D0
D1

Aumento -

Diminuição


Quantidade
Figure 2: Deslocações curva da procura

Case Study – Fumar (ver livro p. 73)

4.3 Oferta
Agora, olhamos para o outro lado do mercado – lado da oferta – e para o comportamento
dos vendedores.

Quantidade Oferecida – a quantidade de um bem que os


vendedores estão dispostos e são capazes de vender.

4.3.1 O que determina a quantidade que um indivı́duo oferece?

Estes são alguns dos factores que determinam a quantidade produzida e disponibilizada
para venda de um bem ou serviço.

1. Preço – Quando o preço de um bem sobe tipicamente a quantidade oferecida au-


menta. A quantidade oferecida está positivamente relacionada com o preço.

Lei da Oferta – Com o restante constante, quando o preço


de um bem aumenta, a quantidade oferecida aumenta.

2. Preços de factores produtivos – A relação entre os preços dos factores produtivos


e a quantidade oferecida é negativa. Diminuem as possibilidades de lucro e, por isso,
a quantidade oferecida. No limite pode mesmo cair para zero.

5
Preço

$3.00

$2.50

$2.00

$1.50

$1.00

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Quantidade
Figure 3: Curva da Oferta

Table 4: Tabela de Oferta

Preço Quantidade
0.00 0
0.50 0
1.00 0
.. ..
. .
2.00 4
.. ..
. .
3.00 9

3. Tecnologia – Melhores tecnologias podem diminuir os custos de produ- ção e assim


aumentar a quantidade oferecida.

4. Expectativas – As expectativas acerca do futuro podem afectar a quantidade ofer-


ecida hoje. E.g. Aumentos futuros de preços.

4.3.2 A Curva da Oferta

Imaginem que mantemos constantes todas as variáveis excepto uma – o preço. A curva
da oferta, ilustra a relação (positiva) entre o preço de um bem e a quantidade oferecida
(ver Figura 3).
CUIDADO: Sempre que virem uma curva da oferta, lembrem-se que estamos a assumir
“ceteris paribus”. Pergunta: O que é tudo o resto?

6
Table 5: Tabela da Oferta do Mercado

Preço Joana Pedro Mercado


0.00 0 + 0 = 0
0.50 0 0 0
1.00 0 1 1
.. .. .. ..
. . . .
2.00 4 2 6
.. .. .. ..
. . . .
3.00 9 8 17

Table 6: Movimentos ao longo e deslocações da curva da oferta

Variável Variação nesta variável representa


Preço Movimento ao longo da curva da oferta
Preço de factor de produção Deslocação da curva da oferta
Tecnologia Deslocação da curva da oferta
Expectativas Deslocação da curva da oferta
Número de vendedores Deslocação da curva da procura

4.3.3 Oferta do mercado vs. Oferta individual

Para estudar o funcionamento dos mercados precisamos de determinar a oferta do mercado.


Para tal, somamos “horizontalmente” todas as curvas de oferta individuais.
A oferta do mercado depende dos preços dos factores produtivos, tecnologia e expec-
tativas dos indivı́duos. Dependem também do número de indivı́duos que o compõem (ver
Tabela 5).

4.3.4 Deslocações da curva da oferta

Quando um dos determinantes da oferta muda, excepto o preço do bem, a curva da oferta
desloca-se.2 Na Figura 4, uma diminuição da oferta reflecte-se num deslocamento para
cima (esquerda) da curva da oferta original, S0 ⇒ S1 . Ao contrário, um aumento da oferta
reflecte-se num deslocamento da curva da oferta para baixo (direita), S0 ⇒ S2 .
O pressuposto no qual assenta a curva da oferta (ver inı́cio da secção 4.3.2) é o ceteris
paribus, quando um dos outros factores se modifica a curva da oferta não é a mesma –
desloca-se.

2
“Shift in the supply curve” vs. “movement along the supply curve”.

7
Preço

Aumento
-
Diminuição

S1
S0
S2

Quantidade
Figure 4: Deslocações curva da oferta

4.4 Oferta e Procura Juntas


Tendo analisado cada uma das partes do mercado separadamente, agora juntamos a ‘peças’
para determinar a quantidade vendida no mercado e o seu preço.

4.4.1 Equilı́brio

A Figura 5 mostra ambas as curvas. Há um ponto onde as curvas se intersectam – o ponto
de equilı́brio (E).

Equilı́brio – Situação na qual a oferta igual a procura.

Preço de equilı́brio – preço que equilibra a oferta e a procura.

Quantidade de equilı́brio – a quantidade oferecida e a quantidade


procurada quando o preço ajustou para equilibrar a oferta e a procura.

As acções dos compradores e vendedores levam naturalmente os mercados para o


equilı́brio.
Se o preço exceder o preço de equilı́brio, há uma excesso do bem. Não há procura
suficiente para a quantidade que os produtores gostariam de vender. Só baixando os preços
é que aumentarão as vendas (a procura). Os preços baixarão até se atingir o equilı́brio.

8
Preço

$3.00

$2.50

$2.00 E

$1.50

$1.00

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Quantidade
Figure 5: Oferta e Procura

Se o preço cair abaixo do preço de equilı́brio, há escassez do bem. Não há oferta
suficiente para a quantidade procurada. Os produtores aumentam simulaneamente os
preços e a produção para satisfazer o mercado. Os preços aumentam até se atingir o
equilı́brio.

Lei da Oferta e da Procura – o preço de qualquer bem ajusta-se para


garantir o equilı́brio entre a procura e a oferta.

O ritmo de ajustamento varia de mercado para mercado. Tipicamente em mercados


livres as situações de escassez e excessos são temporárias.

4.4.2 Três etapas para analisar mudanças no equilı́brio

Quando qualquer das curvas se desloca, o ponto de equilı́brio altera-se. Passamos a ter um
novo equilı́brio que podemos comparar com o anterior (comparative statics).
Para analisarmos eventos que alteram o equilı́brio de mercado, procedemos em 3 etapas:

1. Decidir quais da curvas se desloca. Oferta? Procura? Ou, ambas?

2. Desloca-se para a esquerda ou direita?

3. Utilizar o diagrama de oferta e procura para determinar os efeitos no preço e quan-


tidade de equilı́brio.

A Tabela 7 sumaria os efeitos que alterações na procura e na oferta têm no preço e


quantidade de equilı́brio.

9
Table 7: Efeitos no preço e quantidade de equilı́brio

∆S = 0 ∆S > 0 ∆S < 0
∆D = 0 P̄ ↓P ↑P
Q̄ ↑Q ↓Q

∆D > 0 ↑P P ambı́guo ↑P
↑Q ↑Q Q ambı́guo

∆D < 0 ↓P ↓P P ambı́guo
↓Q Q ambı́guo ↓Q

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

10
5 Elasticidade e a sua aplicação
Elasticidade, uma medida de quanto os vendedores e compradores reagem a alterações das
condições de mercado, permite-nos analisar oferta e procura com maior precisão.

5.1 A Elasticidade de Procura


No capı́tulo 4 discutimos a procura de uma forma qualitativa. Isto é, discutimos a di-
recção das deslocações/alterações, mas não o tamanho das variações. Para medir quanto
a procura responde a variações nos seus determinantes, os economistas usam o conceito de
elasticidade.

Elasticidade
uma medida da sensibilidade da quantidade procurada
ou oferecida a um dos seus componentes.

5.1.1 A elasticidade-preço da procura e os seus determinantes

Elasticidade-preço da procura
uma medida de quanto a quantidade procurada de um
bem responde a uma variação no preço desse bem.

Formalmente,
∆Q
∆% na quantidade procurada Q ∆Q p
D
p = = ∆p = , (1)
∆% no preço p
∆p Q

onde ∆% significa variação percentual.1


A procura de um bem é elástica se a quantidade procurada varia substancialmente com
variações no preço.
A procura de um bem é inelástica se a quantidade procurada varia ligeiramente com
variações no preço.
O que é que determina a elasticidade-preço da procura? As preferências, que por sua
vez dependem de um conjunto de factores económicos, sociais e psicológicos. Contudo, em
termos gerais podemos seguir as seguintes regras de determinação da elasticadade-preço
procura:
1
Ver exemplo 2.7 no primeiro livro nas referências para uma ilustração de como podemos calcular
elasticidades na prática.

1
1. Necessidades vs Luxos – Necessidades tendem a ter procuras inelásticas, enquanto
os luxos têm procuras elásticas. Ex. As procuras de pão, medicamentos são tipica-
mente pouco elásticas. Já as procuras por carros, espectáculos culturais e desportivos
são elásticas. Já tinhas pensado porque é que ir ao cinema à segunda-feira é mais
barato? Porque é que os comerciantes não fazem o mesmo com o pão?

2. Disponibilidade de Substitutos Próximos – Bens com substitutos (próximos)


tendem a ter uma procura mais elástica. Ex. Gasolina não tem um substituto óbvio
para condutores de veı́culos a gasolina. O substituto mais próximo talvez seja o
transporte público. Arroz e batata são substitutos, assim se aumentar o preço de um
deles é natural que a procura por esse bem diminua substancialmente.2

3. Definição do Mercado – A elasticidade de procura em qualquer mercado depende


de como são definidas as fronteiras do mercado. Ex. Gasolina vs Gasóleo vs Gás (vs
Electricidade) torna a procura de gasolina mais elástica do que no caso acima, mas
já não estamos a falar do mercado de proprietários de veı́culos a gasolina.3

4. Horizonte Temporal – Os bens tendem a ter uma procura mais elástica em ho-
rizontes temporais mais longos. Ex. Gasolina. Se o preço aumentar muito, nos
primeiros meses a procura pode não se alterar muito, mas à medida que os consumi-
dores ajustam os meios de locomoção (gasóleo, gás, carros com consumos inferiores)
a procura por gasolina pode cair substancialmente.

5. Montante Gasto – A procura tende a ser mais elástica quando os gastos do con-
sumidor no produto são substanciais (em valor nominal ou como uma fracção dos
gastos totais).

5.1.2 Calcular a elasticidade-preço de procura

Nota: No livro na referência o autor reporta sempre o valor absoluto da elasticidade. Nós
vamos (tentar) seguir essa regra.
Exemplo:
⇑ P Gas de 10% ⇒ ⇓ DGas de 20%. Em rigor a elasticidade, seria

∆Q ∆p
D
p = / = −20/10 = −2,
Q p

mas nós vamos dizer que a elasticidade é 2.


2
Ver exemplo 2.4 no primeiro livro nas referências.
3
Ver exemplo 2.3 do primeiro livro nas referências.

2
Assim, quanto maior for a elasticidade, mais sensı́vel é a quantidade procurada ao
preço.

5.1.3 O método do ponto médio

Dados os seguintes dois pontos de uma curva da procura

Ponto Preço Quantidade


A 4 120
B 6 80

se calculares a elasticidade:
∆P ∆Q |D
p |
De A para B (6-4)/4=0.5 (80-120)/120 = -0.33 0.66
De B para A (4-6)/6=-0.33 (120-80)/80 = 0.5 1.5

Uma forma de evitar este tipo de problema é usar o método do ponto médio. Formal-
mente,

∆Q Q2 −Q1
Q (Q2 +Q1 )/2
D
p = ∆p = p2 −p1 . (2)
p (p2 +p1 )/2

No exemplo acima, os pontos médios são (6+4)/2 = 5 e (120+80)/2 = 100. Assim, a


elasticidade calculada por este método dá:
∆P/Pmedio ∆Q/Qmedio |D
p |
De A para B (6-4)/5=0.4 (80-120)/100 = -0.4 1
De B para A (4-6)/5=-0.4 (120-80)/100 = 0.4 1

Exactamente o mesmo valor!

5.1.4 A variedade de curvas da procura

Os economistas classificam as curvas da procura de acordo com as suas elasticidades.

1. Elásticas – D
p > 1

2. Inelásticas – D
p < 1

3. Elasticidade Unitária – D
p = 1

4. Perfeitamente Elásticas – D
p = ∞

5. Perfeitamente Inelásticas – D
p = 0

(Ver Figura 5.1 no livro).

3
Curva P P.Q
D
Inelástica p < 1 ↑ (↓) ↑ (↓)

Elástica D
p > 1 ↑ (↓) ↓ (↑)

Unitária D
p = 1 ↑ (↓) –

Tabela 1: Elasticidade vs. Receita Total

5.1.5 Receita total e a elasticidade-preço da procura

Uma variável de interesse quando estudamos mudanças na oferta e procura é a receita


(rendimento) total, P xQ.
Quanto é que a receita varia quando nos movemos ao longo da curva da procura? A
resposta depende do valor da elasticidade-preço da procura! Na Tabela 1 para variações
no preço a diferentes nı́veis de elasticidade verificamos que os efeitos na receita total são
diferentes.

Matemáticamente,

∆(P.Q) = P ∆Q + Q∆P
∆(P.Q) ∆Q
= P +Q (3)
∆P ∆P
∆(P.Q) ∆Q P
= +1
Q∆P ∆P Q
∆(P.Q)
= D
p +1
Q∆P

Assim, como sugerido na Tabela 1, confirmamos que as variações da receita total de-
pendem da elasticidade-preço procura. Em termos de implicações para a receita total, o
ponto de inversão é dado por D
p = −1.

5.1.6 Elasticidade e receita total ao longo de uma curva linear de procura

Embora a inclinação de uma curva de procura linear seja constante, a elasticidade não é.
A razão é que a inclinação é o rácio das variações de duas variáveis, enquanto a elasti-
cidade é o rácio de variações percentuais de duas variáveis.
A Figura 1 ilustra a variação da elasticidade ao longo de uma curva de procura linear.
A Tabela 2 complementa a informação gráfica.

4
P

7 D
p > 1
6

3 D
p < 1
2

0 Q
2 4 6 8 10 12 14

Figura 1: Curva da Procura Linear

P Q P xQ ∆%P ∆%Q D
p Tipo
7 0 0
15 200 13.0 Elástica
6 2 12
18 67 3.7 Elástica
5 4 20
22 40 1.8 Elástica
4 6 24
29 29 1.0 Unitária
3 8 24
40 22 0.6 Inelástica
2 10 20
67 18 0.3 Inelástica
1 12 12
200 15 0.1 Inelástica
0 14 0

Tabela 2: Curva de Procura Linear, Elasticidade e Receita

5
Case Study
Problemas financeiros num museu. O que fazer? Aumentar ou baixar
o preço de admissão?
Reposta: Calcular a elasticidade; depois decidir a polı́tica de preços.
Como calcular a elasticidade na realidade? Com métodos estatı́sticos que
podem usar:(i) dados passados sobre as entradas a diferentes preços;
(ii) recolher dados juntos de outros museus com preços diferentes.
Nota: O método estatı́stico teria que ter em conta outros
factores, como, por exemplo, tempo, tamanho da colecção.

5.1.7 Outras elasticidades de procura

Elasticidade-rendimento da procura
uma medida de quanto a quantidade procurada de um bem
responde a uma variação no rendimento dos consumidores.

Formalmente,
∆Q/Q
D
y = . (4)
∆Y /Y
onde Y abrevia rendimento.4
Os bens normais têm elasticidades-rendimento da procura positivas, i.e., aumenta a
procura quando aumenta o rendimento. Os bens inferiores têm elasticidades-rendimento
da procura negativas.
Entre os bens normais a elasticidade-rendimento da procura varia substancialmente.
Necessidades (primárias), por exemplo comida e roupa, tendem a ter elasticidades rendi-
mento baixas. Bens de luxo, por exemplo carros topo de gama, casacos de pele, tendem a
ter elasticidades-rendimento substanciais.

Elasticidade-cruzada de preços da procura


uma medida de quanto a quantidade procurada de um bem
responde a uma variação no preço de outro bem.

Formalmente,
A ∆QA /QA
D
PB = . (5)
∆PB /PB
Bens substitutos têm elasticidades-cruzadas positivas.
Bens complementares têm elasticidades-cruzadas negativas.
4
Ver exemplo 2.5 no primeiro livros nas referências.

6
P
15
Elasticidade < 1 
12

Elasticidade > 1
4 6

100 200 500 525 Q

Figura 2: Curva da Oferta Tı́pica

5.2 Elasticidade de Oferta

Elasticidade-preço da oferta
uma medida de quanto a quantidade oferecida de um
bem responde a uma variação no preço desse bem.

Formalmente,
∆Q
∆% na quantidade oferecida Q ∆Q p
Sp = = ∆p = . (6)
∆% no preço p
∆p Q

A oferta de um bem é elástica se a quantidade oferecida varia substancialmente com


variações no preço.
A oferta de um bem é inelástica se a quantidade oferecida varia ligeiramente com
variações no preço.
A elasticidade de oferta de um depende da flexibilidade dos vendedores para mudarem
a quantidade produzida. Ex. Visitas ao Empire State building; há um número pre-definido
de elevadores. Assim, a oferta é inelástica. Já as produções de livros, carros, cereais têm
ofertas elásticas.
Um determinante chave da elasticidade de oferta é o perı́odo de tempo considerado. A
oferta é tipicamente mais elástica no longo prazo.

7
Como no caso da procura, as curvas da oferta também são classificadas de acordo com
a elasticidade.

1. Elásticas – Sp > 1

2. Inelásticas – Sp < 1

3. Elasticidade Unitária – Sp = 1

4. Perfeitamente Elásticas – Sp = ∞

5. Perfeitamente Inelásticas – Sp = 0

Nalguns mercados a elasticidade de oferta não é constante, mas varia ao longo da curva.
Figure 2 ilustra um caso tı́pico de uma indústria composta por empresas com capacidade
limitada de produção.

5.3 Três Aplicações de Oferta, Procura e Elasticidade


Vamos agora aplicar a casos concretos os conceitos estudados até aqui. Deves procurar
fazer este tipo de análise para outros casos que nos rodeiam.

5.3.1 Podem boas notı́cias para a agricultura ser más notı́cias para os agricul-
tores?

Inovação tecnológica.

O que implica? Passos a seguir na análise:

1. Efeitos em termos de S e D;

2. Elasticidade? Elástica ou inelástica?

3. Efeitos na receita total.

4. Porque é que os agricultores não alteram o seu comportamento? Que tipo de mercado
é o agrı́cola?

8
5.3.2 Como é que a OPEC não manteve o preço do petróleo alto?

Factos históricos:

• De 1973 para 1974 o preço do barril de petróleo aumentou +50%.

• Em 1979 aumentou 14%.

• Em 1980 aumentou 34% e em 1981 voltou a aumentar 34%.

• De 1982 a 1985 caiu 10% ao ano.

• Em 1986 caiu 45%.

• Em 1990 o preço ajustado pela inflação estava ao nı́vel de 1970.

Análise do comportamento do preço do petróleo. O factor tempo desempenha um papel


primordial. Elasticidade de curto e longo prazo.

5.3.3 A proibição de drogas aumenta ou diminui o crime relacionado com a


droga?

• Governo americano gasta biliões de dólares por ano no combate à droga.

• Suponhamos que aumenta o número de agentes federais nas ruas a combater o tráfico
de drogas.

• Estudar efeitos no preço e quantidade de equilı́brio.

• Efeitos na receita total (Depende da?).

• Efeitos no crime relacionado com as drogas? Resposta depende da elasticidade.

• Combate pelo lado da oferta. Se o combate for feito pelo lado da procura? Efeito no
crime?

• Combate pelo lado da oferta, efeitos no longo prazo?

Referências
• Besanko, David & Ronald R. Braeutigam, 2002, “Microeconomics: An Integrated
Approach”, Wiley.

• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,


2nd Edition.

9
6 Oferta, Procura e Polı́ticas Governamentais
Os economistas desenvolvem teorias para explicar o mundo à sua volta. Como conselheiros
polı́ticos usam as suas teorias para solucionar problemas. Nos capı́tulos anteriores vimos
a teoria, agora vamos olhar para aspectos de polı́tica económica.

6.1 Controle de Preços

Price ceiling
o preço máximo legal ao qual o bem pode ser vendido.

Price floor
o preço mı́nimo legal ao qual o bem pode ser vendido.

6.1.1 Como preços máximos afectam a solução de mercado

Quando um governo impõe um price ceiling dois resultados são possı́veis. Se o preço legal
for estabelecido acima do equilı́brio de mercado não tem qualquer efeito. Se for colocado
abaixo (como esperado) do preço de equilı́brio, então gera-se escassez do bem em questão.
Nota que no último caso, o price ceiling não beneficia todos os consumidores. Primeiro,
os que compram talvez tenham que estar em longas filas (há mais procura que oferta) e
segundo há consumidores que não conseguem comprar o bem.
Os mecanismos de racionamento que se desenvolvem quando se impõe limites máximos
são raramente desejáveis:

• Filas longas são ineficientes, o tempo perdido tem um preço.

• Discriminação de acordo com o enviesamento do vendedor é não só ineficiente (porque


o consumidor que mais deseja o bem não o consegue) e potencialmente injusta.

Em contraste, o mecanismo de racionamento num mercado livre e competitivo é não


só eficiente, mas também impessoal.

Case Study
Filas nas estações de serviço. (p. 120)

Case Study
Lei do arrendamento (p. 122)
Gráfico

1
Um dos princı́pios básicos de economia: As pessoas respondem a incentivos. Em mer-
cados livres, senhorios tentam manter os seus edifı́cios limpos e seguros porque a estes
estam associados preços mais altos. Em contraste, quando o controle de rendas cria es-
cassez e listas de espera, os senhorios perdem os incentivos para responder às preocupações
dos inclinos. Porque deve um senhorio gastar o seu dinheiro para manter e melhorar a
sua propriedade quando há gente em “fila” disposta a arrendar? No fim, os inclinos têm
rendas mais baixas, mas também casas de baixa qualidade.

6.1.2 Como preços mı́nimos afectam a solução de mercado

Quando um governo impõe um price floor dois resultados são possı́veis. Se o preço legal
for estabelecido abaixo do equilı́brio de mercado não tem qualquer efeito. Se for colocado
acima (como esperado) do preço de equilı́brio, então gera-se excesso do bem em questão.
Nota que no último caso, o price floor não beneficia todos os vendedores. Há vendedores
que não conseguem vender a quantidade que desejariam. Da parte dos consumidores, os
que ainda compram o bem acabam por pagar um preço acima daquilo que o mercado livre
lhes garantiria.

Case Study
Salário Mı́nimo (p. 126)
Nota que estabelecer um (novo) salário mı́nimo pode
causar deslocações na curva da oferta de trabalho;
pessoas fora da força de trabalho são atraı́das pelo
salário mais alto. Isto, juntamente com o efeito tı́pico
de um price floor, pode causar mais desemprego.

6.1.3 Avaliando os controles de preços

Para os economistas os preços não são o resultado de um processo maléfico. Os preços


são o resultado de milhões de decisões de empresas e consumidores (curvas da oferta e
procura).1
Os preços têm a função crucial de equilibrar oferta e procura, i.e., coordenar a actividade
económica. Quando os decisores polı́ticos estabelecem preços por decreto, eles obstroı́em
os sinais que normalmente guiam a afectação de recursos da sociedade.
Os controles de preços tentam ajudar certos sectores da sociedade, mas tipicamente
acabam por afectar negativamente precisamente esses sectores. E.g. Rendas baixas ⇒
oferta insuficiente e casas degradadas; Salário mı́nimo ⇒ aumenta salários de alguns que
trabalham, mas também mantem outros no desemprego.
1
Ver texto distribuı́do na aula anterior “The Power of the Market” por Milton Friedman e Rose Fried-
man (1990).

2
P

S1
3.30
Imposto Equil. s/ imposto
3.00 9
2.80
7

Equil. c/ imposto ?
D1
D2
Q
90 100

Figura 1: Imposto no consumidor

6.2 Impostos
Suponhamos que o governo lança um imposto sobre as vendas (tipo IVA). Quem (deve)
suporta(r) o imposto? Consumidores? Vendedores? Ou cada um deles uma parte?

Incidência do imposto
o estudo de quem suporta a carga fiscal.

Com simples curvas da procura e oferta podemos responder às perguntas acima.

6.2.1 Como os impostos no consumidor afectam a solução de mercado

Considera um imposto nas vendas a pagar pelo consumidor, €0.50 por unidade. Como é
que este imposto afecta o equilı́brio de mercado? Para isso seguimos a estratégia de análise
sugerida no Capı́tulo 4.

1. Oferta não é afectada; a curva da procura desloca-se;

2. Neste caso, não só sabemos que a curva se desloca para a esquerda, mas também
sabemos exactamente quanto é que a curva se desloca – um movimento vertical
paralelo de €0.50 (Figure 1). Por exemplo, se a €3.30 a procura era de 90, agora a
€2.80 a procura é de 90 (2.80+0.50=3.30). O consumidor ajusta a sua curva para
reflectir o imposto.

3. Para sabermos o efeito do imposto, estudamos o novo equilı́brio. Quantidade de


equilı́brio menor e o preço livre de impostos também mais baixo. O imposto con-
tribuiu para reduzir a dimensão do mercado. Mas quem suporta a carga fiscal?

3
Embora o consumidor envie o imposto para o governo, consumidores e vendedores
dividem a carga fiscal! Porque o preço caiu para €2.80 os vendedores recebem
menos €0.20, mas porque o preço final é agora €3.30 o consumidor paga mais €0.30
(0.30+0.20=imposto).

Sumário:
1. Impostos inibem a actividade do mercado livre, i.e.,
quantidade de equilı́brio baixa.
2. Consumidores e vendedores dividem a carga fiscal.
Consumidores pagam mais e vendedores recebem menos.

6.2.2 Como os impostos no vendedor afectam a solução de mercado

Considera um imposto nas vendas a pagar pelo vendedor, €0.50 por unidade. Como é que
este imposto afecta o equilı́brio de mercado? Para isso seguimos a estratégia de análise
sugerida no Capı́tulo 4.

1. A procura não é afectada; a curva da oferta desloca-se;

2. Neste caso, não só sabemos que a curva se desloca para a esquerda, mas também
sabemos exactamente quanto é que a curva se desloca – um movimento vertical
paralelo de €0.50 (Figure 2). Por exemplo, se a €3.00 a oferta era de 100, agora
a €2.50 a oferta é de 100 (2.50+0.50=3.00). O vendedor ajusta a sua curva para
reflectir o custo adicional – o imposto.

3. Para sabermos o efeito do imposto, estudamos o novo equilı́brio. Quantidade de


equilı́brio menor. O imposto contribuiu para reduzir a dimensão do mercado. Mas
quem suporta a carga fiscal? Embora o vendedor envie o imposto para o governo,
consumidores e vendedores dividem a carga fiscal! Porque o preço subiu para €3.30
os consumidores pagam mais €0.30. Os vendedores só recebem mais €0.30, mas
porque têm que pagar €0.50 suportam €0.20 (0.30+0.20=imposto).

Sumário:
1. Impostos inibem a actividade do mercado livre, i.e.,
quantidade de equilı́brio baixa.
2. Consumidores e vendedores dividem a carga fiscal.
Consumidores pagam mais e vendedores recebem menos.

Conclusão
Impostos sobre os consumidores ou vendedores são equivalentes.

4
P
S2
Equil. c/ imposto
6 S1
?
3.30

3.00 y Equil. s/ imposto


2.80

D1
90 100 Q

Figura 2: Imposto no vendedor

Case Study
Pode o Congresso (Assembleia da República) distribuir a
carga fiscal do imposto sobre o rendimento individual?
Legisladores podem decidir quem paga o imposto, mas não
podem decidir quem suporta a carga fiscal.

6.2.3 Elasticidade e Incidência de Impostos

Quando um bem está sujeito a imposto, consumidores e vendedores dividem a carga fiscal.
Mas como é a carga fiscal exactamente dividida? Só raramente em partes iguais.
A resposta (mais uma vez) dependem das elasticidades, neste caso na elasticidade
relativa das duas curvas.

• Num mercado com curva da oferta elástica e curva da procura inelástica:

– o preço recebido pelos vendedores não cai muito, enquanto o preço pago pelos
consumidores sobe substancialmente. Com este tipo de elasticidades relativas o
consumidor suporta a maioria da carga fiscal.

• Num mercado com curva da oferta inelástica e curva da procura elástica:

– o preço recebido pelos vendedores cai substancialmente, enquanto o preço pago


pelos consumidores não sobe muito. Com este tipo de elasticidades relativas o
vendedor suporta a maioria da carga fiscal.

Conclusão
A carga fiscal recai mais substancialmente sobre o lado do
mercado que é menos elástico.

5
Intuitivamente, a elasticidade mede a vontade dos compradores e vendedores de aban-
donar o mercado quando as condições se tornam desfavoráveis. Quem não tem outras
alternativas e fica acaba por suportar a maioria da carga fiscal.
No case study anterior, dado que os economistas estimam que a oferta de trabalho é
menos elástica que a procura, acabam por ser os trabalhadores a suportar a maior fatia
dos impostos. As boas intenções dos legisladores saem mais uma vez defraudadas.

Case Study
Quem paga o imposto de luxo?
Exemplo, imposto de luxo sobre iates. Os ricos que paguem os
seus luxos, correcto? Errado. Porque? Porque a elasticidade
preço procura de iates é muito elástica, enquanto do lado da
oferta a elasticidade é muito baixa. Assim, quem acaba por
pagar o imposto são os produtores de iates e os trabalhadores
dessas firmas.

Referências
• Friedman, Milton & Rose Friedman, 1990, “Free to Choose”, Harcourt Brace.

• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,


2nd Edition.

6
7 Consumidores, Produtores e a Eficiência do Mer-
cado
Consumidores querem sempre pagar menos e os vendedores querem receber mais. Há um
preço “certo” do ponto de vista da sociedade para um bem/serviço?
Até aqui só descrevemos como o mercado emprega (destina) recursos escassos sem saber
se é uma aplicação desejável. Por outras palavras, a nossa análise tem sido positiva (o que
é) e não normativa (o que deveria ser).
Neste capı́tulo vamos falar de welfare economics (economia do bem-estar social).

Welfare economics – o estudo de como a afectação de recursos


afecta o bem-estar económico.

O equilı́brio da oferta e procura numa economia de mercado maximiza os benefı́cios


recebidos por compradores e vendedores.

7.1 Excedente do Consumidor


Começando pelo lado da procura vamos apurar os benefı́cios que os consumidores recebem
por participar no mercado.

7.1.1 Predisposição para pagar

Para sabermos os benefı́cios que o consumidor retirar de um bem precisamos de saber


quanto está na predisposição de pagar por esse mesmo bem.

Predisposição para pagar – o montante máximo que um


consumidor irá pagar por um bem.

Se o preço for inferior à ‘predisposição para pagar’, o consumidor comprará o bem;


se o preço exceder a ‘predisposição para pagar’ não comprará; e se o preço for igual à
‘predisposição para pagar’ o consumidor é indiferente.
Suponhamos que temos quatro potenciais compradores (Tabela 1) para só uma unidade
de um bem. Num leilão se o preço começar em €10 rapidamente subiria porque há 4
potenciais compradores. O leilão para um bem pararia quando preço chegasse aos €80 (ou
ligeiramente acima); só A estaria predisposto a pagar. Para A o excedente do consumidor
seria de €20 (100 - 80).

Excedente do Consumidor – a predisposição para pagar


menos o montante que o consumidor acaba por pagar.

1
Consumidor Predisposição para pagar
A €100
B €80
C €70
D €50

Tabela 1: Predisposição para pagar

P P
100 100
Exced. Cons. = 20 Exced. Cons. = 20+10

80 80
Exced. Cons. = 10
70 70
Total Exced. Cons. = 40

50 50

0 1 2 3 4 Q 0 1 2 3 4 Q

Figura 1: Excedente do Consumidor

Se tivessemos 2 unidades para vender o preço final seria de €70 e o excedente consum-
idor seria de €40 (100-70 + 80-70).

7.1.2 Usar a curva de procura para medir o excedente do consumidor

O excedente do consumidor está muito relacionado com a curva de procura. A Figura 1


representa a curva da procura associada à predisposição para pagar inscrita na Tabela 1.
Para qualquer quantidade, o preço dado pela curva da procura mostra a predisposição para
pagar do comprador marginal – o comprador que seria o primeiro a deixar o mercado se o
preço excedesse esse valor.
Porque uma curva da procura reflecte a predisposição para pagar podemos utilizá-la
para medirmos o excedente do consumidor.

A área debaixo de uma curva da procura e acima do preço


mede o excedente do consumidor no mercado.

2
P P

A A

P1 B C
P1 B C

P2 D E F

Q Q1 Q2 Q

Figura 2: Excedente do Consumidor e ∆’s Preço

7.1.3 Como um preço mais baixo aumenta o excedente do consumidor

Suponhamos que o preço baixa de P1 para P2 . O que acontece ao excedente do consumidor?


Aumenta de ABC para ADF (Figure 2). O aumento resultante do preço mais baixo é
dado por BCF D. Este aumento pode, por sua vez, ser dividido em duas partes: BCED o
aumento de excedente para consumidores já existentes e CEF o excedente para os novos
consumidores.

7.1.4 O que mede o excedente do consumidor?

O objectivo de desenvolver um conceito como o excedente do consumidor é tornar norma-


tivos julgamentos acerca dos resultados (desejáveis) do mercado.
O excedente do consumidor mede o benefı́cio que o consumidores recebem de um bem
tal e qual como os consumidores os veêm/sentem. Assim,

o excedente do consumidor é uma boa medida do bem-estar


económico se os decisores polı́ticos desejarem respeitar as
preferências dos consumidores.

7.2 Excedente do Produtor


Agora, consideramos o outro lado do mercado – produtores – em particular, o benefı́cio
que estes tiram de participar no mercado.

3
Vendedor Custo
A €900
B €800
C €600
D €500

Tabela 2: Custo (de oportunidade) de Produção

7.2.1 Custo e a predisposição para vender

Cada vendedor está na disposição de participar no mercado se o preço recebido excede o


custo de produzir. Aqui, o custo deve ser interpretado como o custo de oportunidade
de cada vendedor: inclui os custos tangı́veis (e.g. matérias-primas), mas também o valor
colocado no seu próprio tempo. A Tabela 2 ilustra diferentes custos para vários vendedores.

Se o preço for inferior ao custo de produção, o vendedor não vende o bem; se o preço
exceder o custo de produção o vendedor está na predisposição de vender; finalmente, se o
preço for igual ao custo o vendedor é indiferente.
Se iniciassemos um leilão para comprar uma unidade de serviços/bens destes vendedores
até o preço exceder €600 os vendedores competiriam entre eles para conseguir a venda.
Uma vez que o preço chegasse aos €600 (ou ligeiramente abaixo) só o vendedor D estaria
na predisposição de fornecer 1 unidade. A €800 já teriamos 2 unidades (a do D e a do C)
e assim sucessivamente.
Tal como fizemos do lado da procura, vamos utilizar um conceito que meça os benefı́cios
que o produtor retira de participar no mercado – o excedente do produtor.

Excedente do Produtor – o montante pago ao produtor


menos o custo de produção.

7.2.2 Usar a curva da oferta para medir o excedente do produtor

A curva da oferta para este mercado está representada na Figura 3. Repara que a altura
da curva da oferta está relacionada com o custo do vendedor. Para qualquer quantidade, o
preço dado pela curva da oferta representa o custo para o vendedor marginal, o vendedor
que deixaria o mercado em primeiro lugar se o preço fosse mais baixo. Porque a curva da
oferta reflecte os custos do produtor pode ser usada para medir o excedente do produtor.

A área debaixo do preço e acima da curva da oferta


mede o excedente do produtor no mercado.

4
P S P

900

800 800

Exced. Prod. C = 200

600 600
Exced. Prod. = 100 Exced. Prod. D = 100+200
500 500

0 1 2 3 4 Q 0 1 2 3 4 Q

Figura 3: Excedente do Consumidor

D E
P2 F

B
P1 C

Q1 Q2 Q

Figura 4: Excedente do Produtor e ∆’s Preço

7.2.3 Como um preço mais alto aumenta o excedente do produtor

Suponhamos que o preço aumenta de P1 para P2 . O que acontece ao excedente do produtor?


Aumenta de ABC para ADF (Figura 4). O aumento resultante do preço mais alto é dado
por BCF D. Este aumento pode, por sua vez, ser dividido em duas partes: BCED o
aumento de excedente para produtores já existentes e CEF o excedente para os novos
produtores.

7.3 Eficiência do Mercado


Os conceitos de excedente do produtor e do consumidor ajudam-nos a responder a uma
questão fundamental em economia: É a afectação de recursos determinada pelo mercado

5
livre desejável?

7.3.1 O ditador benevolente

Para avaliar os resultados do mercado livre, introduzimos o conceito de “ditador benevo-


lente”. O ditador quer maximizar o bem-estar económico de cada um na sociedade. Será
que ditador pode aumentar o bem estar social alterando o resultado de mercado livre?
Para responder precisamos de medir o bem-estar social. Para isso vamos usar o exce-
dente total, i.e., a soma dos excedentes do consumidor e produtor.

Exced. T otal = Exced. consumidor + Exced. produtor


= V alor p/ cons. − P + P − Custo (1)
= V alor p/ cons. − Custo

Se uma afectação de recursos maximiza o excedente total, dizemos que a afectação


exibe eficiência.

Eficiência
a propriedade de uma afectação de recursos de maximizar o
excedente total recebido por todos os membros da sociedade.

Se uma afectação não é eficiente, então o comércio entre membros aumentará os benefı́cios
(excedente) para a sociedade como um todo. Por exemplo, uma afectação é ineficiente se
a produção de um bem não é feita pelos produtores com custos mais baixos. Igualmente,
uma afectação não é eficiente se um bem não está a ser consumido por aqueles que mais o
valoram.

7.3.2 Avaliar o equilı́brio de mercado

A Figura 5 mostra o excedente do consumidor e do produtor quando o mercado chega ao


equilı́brio. É eficiente esta afectação de recursos? Maximiza o excedente total?
Para responder a estas perguntas recorda que num mercado livre o preço determina
quem participa no mercado. Aqueles que valorizam o bem mais do que o preço de mercado
compram o bem (segmento AE); aqueles que não valorizam tanto não participam (segmento
EB). Igualmente, mas agora em termos de custos, temos que do lado da oferta participam
os produtores com custos inferiores ao preço (segmento CE); os que não participam têm
custos superiores (segmento ED).
Estas observações permitem-nos concluir acerca das economias de mercado:

6
P

A D

Oferta

Exced.
Consumidor
E

Exced.
Produtor

Procura

B
C

Figura 5: Excedente Total Maximizado

1. Mercado livres afectam a oferta de bens aos consumidores que mais os valorizam,
medido pela predisposição a pagar;

2. Mercado livres afectam a procura de bens pelos produtores que os produzem aos
custos menores.

Assim, dada a quantidade produzida e vendida num mercado em equilı́brio, o ‘ditador’


não consegue aumentar o bem-estar social através de mudanças na afectação de recursos
(consumidores ou produtores).
Mas será que alterando a quantidade produzida e vendida no mercado poderá aumentar
o bem-estar social? Não!

3. Mercados livres produzem a quantidade de bens que maximiza a soma do excedente


do consumidor e do excedente do produtor.

7.4 Conclusão: Eficiência do Mercado e Falha do Mercado


Mostramos que as forças de mercado de oferta e procura afectam os recursos eficientemente.
Isto é, embora cada um dos consumidores e vendedores no mercado esteja preocupado só
com o seu bem-estar, eles em conjunto são levados pela “mão invisı́vel” para o equilı́brio
que maximiza os benefı́cios totais de compradores e vendedores.
A nossa análise baseou-se em pressupostos que podem ser violados na realidade.

7
Primeiro, assumimos que os mercados são perfeitamente competitivos. Contudo, nal-
guns mercados um único vendedor ou comprador é capaz de influenciar os preços. Esta
capacidade é chamada de “poder de mercado”. Isto pode gerar ineficiência.
Segundo, a nossa análise assumiu que o resultado só interessava a compradores e vende-
dores. Contudo, as decisões de compradores e vendedores podem afectar outros (não par-
ticipantes) no mercado (e.g. a poluição). Como já vimos estes fenómenos são conhecidos
por externalidades.
O “poder de mercado” e as “externalidades” são exemplos de um fenómeno conhecido
por “falhas de mercado” – a incapacidade de alguns mercados não regulamentados de
afectar recursos eficientemente.
Apesar da possibilidade de falhas de mercado, a “mão invisı́vel” do mercado é extraor-
dinariamente importante. Em muitos mercados, as hipóteses que colocamos neste capı́tulo
adaptam-se bem, e a conclusão da eficiência do mercado livre aplica-se directamente.

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

8
8 Aplicação: Os Custos da Tributação
No capı́tulo 6 vimos que os impostos interferem com o bom funcionamento dos mercados
– reduzem a sua dimensão e aumentam o preço. Agora, vamos analisar os efeitos dos
impostos no bem-estar social.
A análise vai demonstrar que os custos da tributação para consumidores e produtores
excedem o rendimento colectado pelo governo!

8.1 A Perda “Peso-morto” da Tributação


Na Figura 1 representamos os efeitos de imposição de um imposto (ver Cap. 6), mas por
simplificação não representamos a deslocação da curva da oferta ou da curva da procura.
O resultado importante para a nossa discussão é o de que os impostos provocam uma
diferença entre o preço que os consumidores pagam e o preço que os produtores recebem.1
P

Imposto (unitário, T)
S

PD
Colecta 
TxQ

PS
D

Q Q Q
c/ imposto s/ imposto

Figure 1: Imposto Colectado

8.1.1 Como um imposto afecta os agentes

Vamos, agora, utilizar os instrumentos de análise do bem-estar social para medir os ganhos
e perdas resultantes de impostos sobre bens. Devemos ter em conta que há agora 3 parti-
cipantes: consumidores, produtores e o governo. Isto é, temos que calcular o excedente do
consumidor, o excedente do produtor e o rendimento colectado pelo governo. Se o imposto
for T por unidade e as unidades vendidas Q, o rendimento do governo é T xQ. Esta quantia
é representada pelo rectângulo da Figura 1.
1
Por causa desta diferença a quantidade vendida caı́ abaixo da quantidade de equilı́brio sem imposto.
Os impostos originam mercados de dimensões mais pequenas. Tudo resultados do capı́tulo 6.

1
P

S
A
D
P
B C
P1
D E
S
P
F D

Q2 Q1 Q

Figure 2: Bem-estar social e impostos

Bem-estar social sem imposto

Sem impostos, o excedente do consumidor é dado pela área A + B + C; enquanto, o


excedente do produtor é dado pela área D + E + F . Assim, sem impostos o excedente total
(bem-estar social) é A + B + C + D + E + F . Por outras palavras, o excedente total é a
área entre as curvas da procura e oferta até à quantidade de equilı́brio.

Bem-estar social com imposto

Com o imposto, o consumidores pagam P D > P1 . Assim, o excedente do consumidor é só


A, perdendo B + C. Do lado dos produtores, o excedente é agora só F , porque o preço
recebido é P S < P1 . Perdem, portante, D + E. Mas, agora há uma terceira parte, o
governo que recebe em impostos B + D.
No total, a sociedade gera um excedente de A + B + D + F .

Variações no bem-estar social

Como já vimos, o consumidores perdem B + C, o produtores D + E, o que geraria um


perda de bem-estar social de B + C + D + E. Contudo, B + D são apenas transferência
para o governo, assim a perda no excedente total do sociedade é de C + E. Por outras
palavras, as perdas para consumidores e produtores não se confinam só aos impostos pagos.

Perda ‘peso-morto’ (Deadweight loss)


A diminuição do excedente total que resulta de
distorções de mercado, tais como um imposto.

2
Para perceber porque é que os impostos impõem perdas ‘peso-morto’ relembrem-se de
um dos princı́pios básicos de economia – as pessoas respondem a incentivos. Quando um
imposto aumenta o preço que os consumidores pagam e diminui o preço que os produtores
recebem, está a incentivar os consumidores a consumir menos e a incentivar os produtores a
produzir menos do que o fariam sem imposto. Assim, respondendo a incentivos, o tamanho
do mercado cai abaixo do seu nı́vel óptimo – impostos distorcem os incentivos, resultando
na afectação ineficiente de recursos.

8.1.2 Perdas ‘peso-morto’ e os ganhos de comércio

Exemplo:
Joe limpa a casa da Jane por €100. O seu custo de oportunidade é de €80.
Jane coloca um valor de €120 na sua casa limpa. Assim, os excedentes do consumidor
e produtor são de €20, resultando num excedente total de €40.
Suponhamos que o governo tributa os serviços de limpeza em €50. Neste caso não
há preço que deixe ambos melhor. Se a Jane pagar €120, o Joe recebe efectivamente só
€70, inferior ao seu custo de oportunidade. Não se realiza qualquer transacção (que deixa
ambos melhor). Contrariamente, para o Joe receber o seu custo de oportunidade (80) a
Jane teria que pagar €130, excedendo o valor que coloca na casa limpa.
O imposto piorou a situação conjunta em €40, enquanto o governa não recebe qualquer
imposto. Os €40 são pura perda ‘peso-morto’.
Deste exemplo podemos determinar a fonte primária das perdas ‘peso-morto’: Impostos
causam perdas ‘peso-morto’ porque impedem consumidores e produtores de realizar ganhos
de comércio/trocas.

8.2 Determinantes das Perdas ‘Peso-morto’


O que determina se uma perda ‘peso-morto’ resultante de impostos é grande ou pequena?
A resposta, não surpreendemente, é: são as elasticidades-preço da procura e oferta.
Na Figura 3 o painel superior, para o mesmo imposto e curva da procura, faz variar a
elasticidade-preço da oferta. No canto superior esquerdo a curva da oferta é relativamente
inelástica. No canto superior direita a elasticidade-preço da oferta é relativamente elástica.
A perda ‘peso-morto’ é superior para a caso da curva da oferta relativamente mais
elástica.
O exercı́cio é repetido no painel inferior, mantendo agora constantes o imposto e a
curva da oferta. Mais uma vez para o caso da curva da procura relativamente mais elástica
verifica-se uma perda ‘peso-morto’ maior.

3
P P
S
Oferta ‘elástica’;
perda maior S
Oferta ‘inelástica’;
perda pequena

 

D
D
Q Q
P P
S S

i
6
Procura ‘inelástica’;
perda pequena
Procura ‘elástica’;
D
perda maior

Q Q

Figure 3: Elasticidade e Perda ‘Peso-morto’ (imposto igual)

Quanto maiores as elasticidades-preço da oferta e da procura,


maior a perda ‘peso-morto’ associada aos impostos.

Case Study
Qual deve ser a dimensão do governo? Resposta (poderá)
depender no tamanho das perdas ‘peso-morto’ e, portanto,
nas elasticidades-preço.

FYI(For Your Information (FYI)). Henry George (1879) sugeriu


um imposto único nas propriedades (land tax).

4
Perda ‘peso-morto’

Imposto
Colecta

Imposto

Figure 4: Elasticidade e Perda ‘Peso-morto’ (imposto igual)

9 Perda ‘Peso-morto’ e o Rendimento Colectado com


Variações nos Impostos
O que acontece ao ‘deadweight’ e a volume de impostos quando a dimensão do imposto se
altera? (Livro, Figura 8.6, p. 171)
A Figura 4 sumaria o que acontece a cada uma das variáveis quando se altera o im-
posto. Assim, no painel superior, mostra-se que a perda ‘peso-morto’ aumenta mais que
proporcionalmente ao aumento do imposto. Por contraste, o painel inferior mostra que o
rendimento colectado aumenta inicialmente com a dimensão do imposto, mas a partir de
determinado ponto (com o aumento do imposto) o mercado dimı́nui tanto que o rendimento
colectado começa a diminuir.2

2
Estes factos têm uma explicação geométrica. O rendimento de imposto é a área de um rectângulo,
enquanto o ‘deadweight loss’ a área de um triângulo. A altura e base do triangulo aumentam sempre que
aumenta o imposto, enquanto o comprimento (quantidade de equilı́brio) do rectângulo dimı́nui à medida

5
Case Study Curva de Laffer
Durante a presidência de Ronald Reagen. Baixar impostos aumentaria
rendimento colectado. Não se verificou no todo, mas sim para os
indivı́duos com as taxas marginais de imposto mais elevadas.

Quanto um governo ganha or perde de variações em impostos não pode ser calculado
somente da taxa de imposto. Também depende de como o imposto afecta o comportamento
dos agentes económicos.

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

que a altura (imposto) aumenta.

6
10 Externalidades
10.1 Externalidades e Ineficiência do Mercado
Como é que as externalidades afectam a eficiência dos mercados? Isto é, como é que
afectam o bem-estar social?

10.1.1 Externalidades negativas na produção

Hipótese: fábricas emitem poluição. Indirectamente todos nós somos afectados negativa-
mente – efeitos prejudiciais na saúde. Como é que este efeito afecta a eficiência da afectação
de recursos determinada pelo mercado?
Por causa da externalidade, o custo de produção para a sociedade é superior ao custo
para o produtor.

Custo Social – inclui os custos privados de produção mais


os custos impostos indirectamente a terceiros.

No caso de externalidades negativas, a curva custo social situa-se acima da curva de


oferta (custo privado), reflectindo o custo da poluição.
Que quantidade deve ser produzida? Mais uma vez temos que maximizar o bem-estar
social (excedente total) – o valor do bem para os consumidores menos o custo de produção,
incluindo agora o custo da poluição. A quantidade de equilı́brio óptima é determinada
pela intersecção da curva da procura com curva do custo social, resultando numa

Qóptima < Qmercado .

Como se pode atingir o equilı́brio óptimo?

1. Imposto à produção. Como já vimos desloca a curva da oferta para cima e, se no
montante correcto, a curva da oferta coincidirá com a curva do custo social;

2. Outras soluções mais à frente neste capı́tulo;

O uso de tal imposto é chamado de internalização da externalidade porque dá a


consumidores e produtores o incentivo para levar em conta os efeitos externos das suas
acções.

1
10.1.2 Externalidades positivas na produção

Embora nalguns mercados o custo social excede o custo privado de produção, noutros
mercados o oposto acontece.
Por exemplo, o mercado industrial de robots. Robots estão na fronteira de uma tec-
nologia que muda rapidamente. Sempre que uma firma lança um novo robot aumenta as
hipóteses de surgir uma nova tecnologia ou design. Isto benefı́cia não só a empresa, mas
também a sociedade porque entra na stock de conhecimento tecnológico. Este tipo de
externalidade é conhecido como spillover tecnológico.
Nestes casos, a curva do custo social situa-se abaixo da curva da oferta. Assim, a
quantidade de equilı́brio

Case Study
O debate sobre a polı́tica governamental para a tecnologia.

Um lado, argumenta a favor dos subsı́dios; o outro, argumenta


contra pela dificuldade em medir as externalidades, resultando
em subsı́dios atribuı́dos por influência e não mérito.

Outra solução passa por atribuir patentes, que dão mais


incentivos às firmas para inovar.

Qóptima > Qmercado .

Neste caso, o governo pode internalizar a externalidade atribuı́ndo subsı́dios, fazendo


deslocar para baixo a curva da oferta.

10.1.3 Externalidades no consumo

Até aqui discutimos externalidades associadas com a produção. Contudo, algumas exter-
nalidades estão associadas com consumo.
Por exemplo, o consumo de álcool se associado com condução acarreta externalidades
negativas. Igualmente, o consumo de educação traz benefı́cios indivı́duais, mas também
para todos.
A análise de externalidades de consumo é equivalente à das de produção. A curva da
procura não reflecte o valor para a sociedade do consumo do bem/serviço. No caso do
álcool, a curva do valor social situa-se abaixo da curva da procura. O equilı́brio óptimo
deverá levar a um consumo inferior. No caso da educação a curva do valor social situa-se
acima, devendo a quantidade óptima situar-se acima da de mercado.

2
A resposta adequada do governo a este tipo de externalidades é similar ao caso da
produção.
Bebidas alcoólicas são das mais tributadas, enquanto a educação é das mais subsidiadas.

Conclusões
Externalidades negativas na produção ou consumo levam o mercado
a produzir mais do que é socialmente desejável. Externalidades
positivas na produção ou consumo levam o mercado a produzir
menos do que é socialmente desejável. Para remediar o problema,
o governo pode internalizar a externalidade taxando os bens com
externalidades negativas e subsidiando os bens com externalidades
positivas.

10.2 Soluções Privadas para as Externalidades


. . . mas também há soluções privadas.

10.2.1 Os tipos de soluções privadas

A intervenção do governo nem sempre é necessária para resolver o problema das externa-
lidades.
Possı́veis soluções privadas:

1. Códigos morais e sanções sociais. Por exemplo, não sujar (ainda que com limitações
no caso português) e dizeres do tipo “A tua liberdade acaba onde começa a dos
outros”. Em termos económicos, diz-nos para internalizar as externalidades;

2. Caridades. São tipicamente fundadas para atender a externalidades. Exemplos,


fundações de protecção do ambiente, fundações de apoio à educação (externalidades
positivas);

3. Os mercados privados solucionam também o problema com base no interesse próprio


das partes. Algumas vezes a solução passa por integrar diferentes tipos de negócios.
Por exemplo, um apicultor e um agricultor (árvores de fruto) – ambos os negócios têm
externalidades positivas um sobre o outro. Se ignorássemos a externalidade positiva
teriamos menos mel e menos árvores de fruto.

4. Contrato entre as partes interessadas. No exemplo acima, poderiamos ter um con-


trato que compensasse o apicultor e o agricultor das externalidades.

3
10.2.2 O Teorema de Coase

Quão efectivo pode ser o sector privado a solucionar as externalidades? De acordo com
Ronald Coase,1 em certas circunstâncias, bastante.

Teorema de Coase
Se o sector privado puder negociar, sem custos, a afectação
de recursos, pode resolver o problema das externalidades por
ele próprio.

Exemplo
David tem um cão, Spot. A Joana é vizinha do David. O ladrar do cão impõe um
externalidade negativa na Joana. O que deve acontecer ao Spot? Fica com o David ou vai
para o canil?
Primeira solução, a afectação socialmente óptima é determinada pelo ‘planeador social’.
A resposta passar por medir o custo para a Joana e comparar com o benefı́cio para o David.
De acordo com o Teorema de Coase, o mercado privado chegará ao resultado eficiente.
Como? Se a Joana oferecer ao David um montante para deixar o Spot. O David aceitará
se o montante exceder o benefı́cio de manter o Spot.
E se o David recusar qualquer das propostas da Joana? Isso significa que o benefı́cio
de manter o Spot excedem os custos para a Joana, o que significa que a corrente afectação
de recursos é eficiente.
Até aqui assumimos que o David tem o direito legal de manter um cão a ladrar toda
a noite! E se o direito legal estivesse do lado da Joana, i.e., direito a dormir em silêncio
toda a noite? De acordo com Coase, não interessa a distribuição inicial dos direitos legais.
Neste último caso seria o David a pagar à Joana para manter o Spot, mas a avaliação
de bem-estar social e internalização de externalidades é em tudo idêntica ao caso anterior.
Conclusão: De acordo com o Teorema de Coase o sector privado pode resolver entre
si o problema das externalidades. Independentemente da distribuição inicial de direitos
legais, a partes interessadas podem sempre chegar a um acordo no qual todos saem melhor
e o resultado é eficiente.

10.2.3 Porque as soluções de mercado nem sempre funcionam

O Teorema de Coase funciona quando as partes envolvidas não têm problemas para con-
seguir e fiscalizar/manter um acordo. Isto nem sempre acontece.
Algumas vezes as partes interessadas não internalizam a externalidade por causa dos
custos de transacção.

1
http://www.nobel.se/economics/laureates/1991/index.html

4
Custo de Transacção – os custos que as partes incorrem no
processo de acordar e realizar efectivamente a um negócio.

Exemplos: Custos legais (advogados, impostos)


Outras vezes os acordos simplesmente falham (e.g. greves, guerras), muitas vezes na
tentativa de forçar a outra parte a ceder melhores condições.No exemplo acima, se a Joana
aprecia o sono no valor de €800 e o David tira um benefı́cio de €500 pela companhia do
Spot, há vários preços que satisfariam as partes, mas. . .
Quando o número de partes envolvidas é grande também é difı́cil chegar a acordo
(custos de transacção elevados). Exemplo, poluição. Quem são as partes envolvidas? Se
for possı́vel determinar, tipicamente são muitas partes e pode não ser fácil chegar a acordo.

10.3 Polı́ticas Públicas para Externalidades


Há duas formas de intervenção governamental para ajudar a internalizar as externalidades:
(i) polı́ticas de comando e controle regulando directamente o comportamento; (ii) polı́ticas
baseadas no mercado criando incentivos para o sector privado resolver os problemas por
ele próprio.

10.3.1 Regulamentação

O governo pode remediar uma externalidade proibindo ou requerendo certos tipos de com-
portamento. No caso da poluição pode proibir. Contudo, nem sempre é possı́vel proibir
todas as actividades poluidoras – proibir todas as formas de transporte, excepto andar a
pé? É preciso estabelecer nı́veis máximos, encontrar formas alternativas. Contudo, tudo
isto requer muito conhecimento, que nem sempre está disponı́vel.

10.3.2 Imposto Pigoviano e Subsı́dios

Em vez de regulamentar o comportamento em resposta a externalidades, o governo pode


usar polı́ticas baseadas no mercado para alinhar os incentivos privados com a eficiência
social. Como vimos anteriormente, os impostos e os subsı́dios podem fazer com que os
agentes internalizem as externalidades.

Imposto Pigoviano – um imposto para corrigir


os efeitos de uma externalidade negativa.

Normalmente, os economistas preferem o imposto pigoviano a regulamentações para


solucionar o problema da poluição, porque tem tipicamente um custo inferior para a so-
ciedade.

5
Exemplo:
2 fábricas (papel e aço) cada uma despejando 500 toneladas de detritos para o rio. A
entidade reguladora considera 2 soluções:
• Regulamentação: Reduzir poluição para 300 toneladas/fábrica;

• Imposto Pigoviano: $50,000/tonelada;


A primeira solução estabelece o limite da poluição. A segunda dá um incentivo para
reduzir a poluição. Qual é a melhor?
A maioria dos economistas prefere o imposto pigoviano. Porquê?
• O imposto é tão efectivo como a regulamentação a reduzir a poluição. Basta acertar
no nı́vel do imposto que garanta uma redução identica à da regulamentação. A
determinado nı́vel pode mesmo fazer com que as fábricas fechem e a poluição é
reduzida a zero;

• O imposto reduz mais eficientemente a poluição. A regulamentação obriga cada


fábrica a reduzir pela mesma quantidade, mas uma redução igual não é necessaria-
mente a forma menos cara de limpar a água. É possı́vel que uma das fábricas seja
mais eficiente em reduzir os detritos. Se a fábrica de papel for mais eficiente a reduzir
a poluição fá-lo-á para evitar os impostos, enquanto a de aço prefere pagar o imposto
e não reduzir tanto a poluição. Em essência, o imposto pigoviano coloca um preço
no direito de poluir. Tal como o mercado afecta bens aos consumidores que mais os
valorizam, o imposto pigoviano afecta a poluição às fábricas que têm o maior custo
em reduzir a poluição.

• Impostos são melhor para o ambiente. Com a regulamentação as fábricas não têm in-
centivo em reduzir para além do nı́vel exigido. Com o imposto quanto mais reduzirem
menos impostos pagam (podem desenvolver tecnologias menos poluentes).
O imposto pigoviano não é como os ‘outros’ impostos. Enquanto os ‘outros’ produzem
afectações de recursos ineficientes, o imposto pigoviano, por considerar os efeitos das ex-
ternalidades, gera afectações de recursos (social) eficientes.

Case Study Porque é que a gasolina é tão tributada?


Uma resposta é que o imposto na gasolina é um imposto pigoviano.
3 externalidades negativas:
1) Congestionamento;
2) Acidentes;
3) Poluição.
Incentivos a: transportes públicos, ‘car pooling’, viver junto ao trabalho.

6
10.3.3 Direitos de poluição negociáveis

Suponhamos que a entidade reguladora não segue os conselhos dos economistas e institui
um limite máximo: 300 t/fábrica. Contudo, as duas fábricas chegam ao seguinte acordo:

• +100 t de detritos da fábrica de aço;

• -100 t de detritos da fábrica de papel;

mediante a compensação de $5 milhões da fábrica de aço à de papel.


Deve tal acordo ser aceite pela entidade reguladora?
Do ponto de vista da eficiência económica o acordo é um bom negócio. Por definição
de acordo voluntário ambos têm que beneficiar. Para além disso, do ponto vista social,
não há perda porque se mantem o nı́vel de poluição.
A mesma lógica se aplica a outros tipos de situações de transferência de direitos de
poluição.
Uma vantagem dos direitos de poluição é que independentemente da distribuição inicial
de tais direitos a afectação de recursos será economicamente eficiente. A lógica é similar
à do Teorema de Coase. Os mais eficientes a cumprir limites vendem os seus direitos aos
menos eficientes a reduzir a poluição.
Direitos vs. Impostos
Os direitos de poluição negociáveis podem parecer diferentes do imposto pigoviano, mas
na verdade são similares, como se pode constatar na Figura 1.

• Em ambos os casos as firmas pagam para poluir;

• Com impostos pagam ao governo;

• Com os direitos as firmas pagam os direitos, mesmos as firmas que já têm esses
direitos! Como? ‘Pagam’ o custo de oportunidade de usar o direito em vez de o
vender.

• Em ambos os casos as firmas internalizam os custos de poluir.

10.3.4 Objecções à análise económica da poluição

“Não podemos dar a ninguem a opção de poluir por um preço.”

7
Preço Preço
Procura direitos poluição Procura direitos poluição
@ @ Oferta direitos poluição
@ @
@ @
@ @
@ @
@ @
P @ P @
@ Imposto pigoviano @
@ @
@ @
@ @
@ @
@ @
@ @
@ @
@ @
∗ ∗
Q Q. Poluição Q Q. Poluição
Figure 1: Direitos de poluição transaccionáveis vs. Imposto pigoviano

Os economistas não têm qualquer tipo de simpatia por este tipo de argumento. Um dos
princı́pios básicos de economia é o de que as pessoas têm que optar (trade-offs). Certamente
que ar puro tem valor, mas temos que comparar com aquilo que temos de deixar de ter para
o obter – o custo de oportunidade. Eliminar por completo a poluição causaria reversões
tecnológicas. Poucas pessoas estariam na predisposição de aceitar má nutrição, maus
cuidados médicos para tornar o ambiente o mais limpo possı́vel.

Os economistas argumentam que os ambientalistas penalizam a sua


causa por não pensar em termos económicos.
Um ambiente limpo é um bem como qualquer outro.

(i) Como todos os bens normais tem elasticidade-rendimento da


procura positiva: paı́ses ricos têm mais disponibilidades para ter
um ambiente limpo do que paı́ses pobres.

(ii) Água e ar limpos obedecem à lei da procura. Quanto mais


baixo o preço de protecção ambiente, maior será a procura. As
soluções económicas – imposto pigoviano e os direitos – reduzem
o custo de protecção do ambiente e devem, portanto, aumentar a
procura por um ambiente mais limpo.

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

8
13 Os Custos de Produção
13.1 O que são custos?
13.1.1 Rendimento total, custo total e lucro

Para compreender o que uma firma faz é preciso saber qual o seu objectivo. Os economistas
normalmente assumem que o objectivo da firma é maximizar o lucro. O que é o lucro?
Vamos por partes:

Rendimento Total
O montante que a firma recebe pela venda do seu produto.

Custo Total
O valor de mercado dos inputs (matérias-primas, trabalho, etc)
que a firma usa na produção.

Lucro
Rendimento total - Custo total.

Medir o rendimento total é simples, basta saber o preço unitário e a quantidade vendida.
A determinação do custo total é mais subtil.

13.1.2 Custos como custos de oportunidade

Recorda dos princı́pios básicos de economia que o custo de algo é o que se tem de abdicar
para o obter – o chamado custo de oportunidade. Os custos de produção da firma incluem
todos os custos de oportunidade.
Os custos de oportunidade são muitas vezes óbvios, mas nem sempre é assim. Por ex-
emplo, quando são pagos €1000 em salários, o custo de oportunidade é de €1000; um custo
explı́cito. Mas, por exemplo, o salário que empresário tem que abdicar noutra actividade
para se dedicar à empresa, apesar de menos óbvio tem que ser considerado como um custo
de oportunidade; é um custo implı́cito.

Custos Explı́citos
Custos dos inputs que requerem uma despesa (monetária) por parte
da firma.

Custos Implı́citos
Custos dos inputs que não requerem uma despesa (monetária) por
parte da firma.

1
A diferença entre os custos explı́citos e implı́citos demonstra a diferença como um
economista e um contabilı́stica analisa a empresa. Um economista considerada como custo
o rendimento (e.g. salários) abdicado porque este afecta as decisões que cada indivı́duo
toma na empresa/negócio/vida.

13.1.3 O custo do capital como um custo de oportunidade

Um custo implı́cito importante é o custo de oportunidade do capital investido num negócio.


Por exemplo, investimento de capitais próprios = €300,000; taxa de juro dos depósitos a
prazo = 5%; custo de oportunidade do capital = €15000. Os €15000 representam o
montante de rendimento que se tem de abdicar para, por exemplo, montar uma empresa.
E se os capitais próprios fossem só de €100000? Se os restantes €200000 fossem
emprestados a 5%, o custo de oportunidade seria também de €15000; €10000 de custo
explı́citos + €5000 de custos implı́citos.

13.1.4 Lucro económico vs. Lucro contabilı́stico

Lucro Económico
Rendimento total - Custo total, incluindo custos implı́citos e
explı́citos.

Lucro Contabilı́stico
Rendimento total - Total de custo explı́citos.

13.2 Produção e Custos


Examinemos, agora, a ligação entre o processo de produção e o custo total da firma.
Hipótese simplificadora: o tamanho da fábrica é fixo e a produção só pode variar com
o número de trabalhadores. Esta hipótese é realı́stica no curto prazo, mas não no longo
prazo.

13.2.1 A função de produção

A Tabela 1 mostra como a produção é uma função do número de trabalhadores (coluna 1


e 2). A Figura 1 ilustra graficamente esta relação.

Função de Produção
A relação entre a quantidade de inputs usada para produzir
um bem e a quantidade produzida desse bem (output).

2
150
Função de Produção *

*
100

*
Quantidade

50

*
0

0 1 2 3 4 5

Trabalhadores

Figure 1: Função de Produção

Um dos princı́pios de economia é o de que as pessoas pensam na margem. Esta é uma


ideia chave na análise das decisões da firma na contratação de empregados e na quantidade
de produção.

Produto Marginal
O aumento na produção que resulta do aumento de uma unidade de
input.

A terceira columa da Tabela 1 reporta o produto marginal para a empresa em análise.


Reparem que à medida que o número de trabalhadores aumenta, o produto marginal
diminui. Esta propriedade é chamada de produto marginal decrescente.

Produto Marginal Decrescente


Diz-se quando o produto marginal de um input diminui à medida
que a quantidade do input aumenta.

3
Trab‘res Prod. Prod. Marginal C. Fixo Custo Trab. Custo Total
0 0 €30.00 €0.00 €30.00
1 50 50 30 10 40
2 90 40 30 20 50
3 120 30 30 30 60
4 140 20 30 40 70
5 150 10 30 50 80

Table 1: Função de Produção e Custo Total

Porque é que isto acontece? Porque à medida que se adicionam mais trabalhores, estes
têm que partilhar o mesmo equipamento e espaço fı́sico – há um efeito de congestionamento.
Este efeito é aparente na Figura 1, onde a inclinação da função de produção diminui à
medida que aumenta o número de trabalhadores.

13.2.2 Da função de produção para a curva de custo total

Neste exemplo, o custo (fixo) da fábrica é de €30/hora e o custo salarial/hora é de €10.


Na Tabela 1 vimos como o número de trabalhadores está relacionado com a produção e os
custos de produção.
Para estudarmos as decisões de produção e de preço, uma das relações mais importante
é entre a quantidade produzida e os custos totais. A Figura 2 – curva dos custos totais –
representa esta relação.
Repara que a curva fica mais inclinada à medida que a quantidade produzida aumenta.
Este gráfico reflecte a forma da curva da função de produção. Os rendimentos marginais
decrescentes são reflectidos na curva de produção. Se virarmos a lógica ao contrário, temos
que produzir uma unidade adicional de produto é cada vez mais (difı́cil) caro. Assim,
quando a produção aumenta, a curva do custo total fica mais inclinada.

13.3 As Diferentes Medidas de Custo


Dos dados de custos totais podemos derivar várias medidas de custos relacionadas.

13.3.1 Custos Fixos e Variáveis

Custos Fixos
Custos que não variam com a quantidade produzida.

Custos Variáveis
Custos que variam com a quantidade produzida.

4
80
*
Curva do Custo Total

*
60

*
Custo Total

40

*
20
0

0 50 100 150

Quantidade

Figure 2: Custo Total

Exemplos de custos fixos: rendas, equipamento, salários não dependentes da produção,


seguros, juros.
Exemplos de custos variáveis: salários à unidade, matérias-primas.
O custo total é dado pela soma dos custos fixos com os custos variáveis como podemos
ver na Tabela 2. A correspondente curva de custo total está representada na Figura 3.

13.3.2 Custo Médio e Marginal

Quanto produzir? A decisão depende das respostas a:

1. Quanto custa produzir uma unidade?

2. Quanto custa aumentar a produção numa unidade?

Embora pareça que estas perguntas têm a mesma resposta, não é o caso. No primeiro
caso, a resposta é dada pelo custo (total) médio.

5
15
Custo Total *

*
10

*
Custo Total

*
5

*
*
*
0

0 2 4 6 8 10

Quantidade

Figure 3: Curva do custo total

Custo Total Médio (ATC)


Custo total dividido pela quantidade produzida, T C/Q.

Custo Fixo Médio (AFC)


Custos fixos divididos pela quantidade produzida, F C/Q.

Custo Variável Médio (AVC)


Custos variáveis divididos pela quantidade produzida, V C/Q.

A resposta à segunda pergunta é dada pelo

Custo Marginal
O aumento no custo total que resulta do aumento da produção
numa unidade, ∆T C/∆Q.

Na Tabela 2 estes conceitos são calculados para o exemplo em causa.

6
Q TC FC VC AFC AVC ATC MC
0 €3.00 €3.00 €0.00 - - -
€0.30
1 3.30 3.00 0.30 €3.00 €0.30 €3.30
0.50
2 3.80 3.00 0.80 1.50 0.40 1.90
0.70
3 4.50 3.00 1.50 1.00 0.50 1.50
0.90
4 5.40 3.00 2.40 0.75 0.60 1.35
1.10
5 6.50 3.00 3.50 0.60 0.70 1.30
1.30
6 7.80 3.00 4.80 0.50 0.80 1.30
1.50
7 9.30 3.00 6.30 0.43 0.90 1.33
1.70
8 11.00 3.00 8.00 0.38 1.00 1.38
1.90
9 12.90 3.00 9.90 0.33 1.10 1.43
2.10
10 15.00 3.00 12.00 0.30 1.20 1.50

Table 2: Diferentes medidas de custos

13.3.3 Curvas de Custos e os Seus Formatos

As curvas de custos médios e marginal são úteis para analisar o comportamento das firmas.
Na Figura 4 representam-se estas curvas. Atenta ao formato de cada curva.

Custo Marginal Crescente

Nesta empresa, o custo marginal aumenta com a quantidade produzida. Esta propriedade
reflecte o produto marginal decrescente estudado acima. Quando a quantidade produzida
já é elevada, o produto marginal de mais um trabalhador é baixo e, assim, o custo marginal
de uma unidade extra é elevado.

Custo Total Médio em Formato-U

A curva do custo médio é em formato de U. Para compreender porquê recorda que resulta
da soma do custo fixo médio e custo variável médio. O custo fixo médio diminui sempre
com mais produção – mesmo custo a dividir por mais unidades. O custo variável médio
tipicamente aumenta com a produção devido ao produto marginal decrescente. A média
dos dois dá o formato da curva custo médio.

A Relação entre o Custo Marginal e o Médio Total

Repara na Figura 4. Sempre que o custo marginal é inferior ao custo total médio, o custo
total médio está a diminuir. Sempre que o custo marginal é superior ao custo total médio,
o custo total médio está a aumentar. Porquê? Pensa na tua média de curso. O que lhe
acontece se tiveres um nota superior a média? E se for inferior?
Corolário: A curva de custo marginal intersecta a curva do custo total médio no ponto
de escala eficiente.

7
3.5
3.0 *

*
2.5

MC
*
2.0
Custos

* *
* ATC
1.5

* * * *
* *
* * * * AVC
*
* *
1.0

* *
* *
* *
* *
* *
0.5

* * *
* *
* AFC
*
* *
0.0

0 2 4 6 8 10

Quantidade

Figure 4: Curvas de custos

Escala eficiente
A quantidade de produção que minimiza o custo total médio.

13.3.4 Curvas de Custos Tı́picas

Até aqui consideramos firmas que só exibem produto marginal decrescente. Na realidade
tipicamente o produto marginal não começa logo a diminuir depois do primeiro trabalhador.
Dependendo do processo de produção é possı́vel que o segundo e terceiro trabalhador
tenham um produto marginal superior ao primeiro. Porquê? A divisão de funções pode
beneficiar o processo de produção. A Tabela 3 e a Figura 5 mostram os custos de tal firma.
Apesar das diferenças para as curvas anteriores, há três propriedades que partilham:

1. O custo marginal eventualmente aumenta com a quantidade produzida;

2. A curva do custo total médio é em formato de U;

8
3.0
*
2.5

MC
*
2.0

* *
*
*
Custos

*
1.5

* ATC
*
*
* * *
* *
*
1.0

* * * ** * * AVC
* * * *
* *
* * * *
*
* * * *
* * **
0.5

*
* ** *
* AFC
* * * * * * *
0.0

0 2 4 6 8 10 12 14

Quantidade

Figure 5: Curvas de custos tı́picas

3. A curva do custo marginal intersecta a curva do custo total médio no mı́nimo do


custo total médio.

13.4 Custos no Curto e no Longo Prazo


Os custos de uma firma podem depender do horizonte de tempo considerado.

13.4.1 A relação entre o custo total médio de curto prazo e longo prazo

Para muitas firmas, a divisão entre custos fixos e variáveis depende do horizonte temporal.
Por exemplo, o custo das instalações no curto prazo é fixo, mas no longo prazo o
tamanho das (novas) instalações pode alterar-se e, portanto, são custos variáveis.
Porque muitas decisões são fixas no curto prazo, mas variáveis no longo prazo, as
curvas de longo prazo diferem das de curto prazo. A Figura 6 mostra um exemplo. A
figura representa 3 curvas de curto prazo associadas a 3 possı́veis dimensões: pequena,
média e grande. A curva ‘envolvente’ representa a curva de custo total médio de longo

9
Q TC FC VC AFC AVC ATC MC
0 €2.00 €2.00 €0.00
€1.00
1 3.00 2.00 1.00 €2.00 €1.00 €3.00
0.80
2 3.80 2.00 1.80 1.00 0.90 1.90
0.60
3 4.40 2.00 2.40 0.67 0.80 1.47
0.40
4 4.80 2.00 2.80 0.50 0.70 1.20
0.40
5 5.20 2.00 3.20 0.40 0.64 1.04
0.60
6 5.80 2.00 3.80 0.33 0.63 0.97
0.80
7 6.60 2.00 4.60 0.29 0.66 0.94
1.00
8 7.60 2.00 5.60 0.25 0.70 0.95
1.20
9 8.80 2.00 6.80 0.22 0.76 0.98
1.40
10 10.20 2.00 8.20 0.20 0.82 1.02
1.60
11 11.80 2.00 9.80 0.18 0.89 1.07
1.80
12 13.60 2.00 11.60 0.17 0.97 1.13
2.00
13 15.60 2.00 13.60 0.15 1.05 1.20
2.20
14 17.80 2.00 15.80 0.14 1.13 1.27

Table 3: Medidas de tı́picas de custos

prazo. Nota que todas as curvas de curto prazo estão em ou acima da de longo prazo.
Compara também como o custo total médio varia para as diferentes dimensões.
Quanto leva a chegar ao ‘longo prazo’ ? Varia de firma para firma, quanto mais flexı́vel
o processo de produção mais rápida a transição.

13.4.2 Economias de Escala

O formato da curva de longo prazo do custo total médio contem informação importante
acerca da tecnologia de produção.

Rendimentos Crescentes de Escala (Economias de Escala)


Acontecem quando o custo total médio de longo prazo diminiu quando
a quantidade produzida aumenta.

Rendimentos Decrescente de Escala


Acontecem quando o custo total médio de longo prazo aumenta quando
a quantidade produzida aumenta.

Rendimentos Constantes de Escala


Acontecem quando o custo total médio de longo prazo é constante
quando a quantidade produzida se altera.

10
ATC
6

ATC, c.prazo, pequena


ATC, c.prazo, grande
ATC, l.prazo
ATC, c.prazo, média

Rendimentos crescentes Rendimentos decrescentes


Rendimentos constantes à escala
-
Q

Figure 6: Custo médio de longo prazo

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

11
14 Firmas em Mercados Competitivos
14.1 O que é um mercado competitivo?
O objectivo deste capı́tulo é analisar as decisões das empresas em mercados competitivos
(concorrência perfeita).

14.1.1 O significado de competição

Um mercado competitivo, muitas vezes chamado de mercado de concorrência perfeita, tem


duas caracterı́sticas:

• Existem muitos compradores e muitos vendedores no mercado;

• Os bens oferecidos pelos vários vendedores são basicamente o mesmo.

O resultado disto é que as acções de qualquer vendedor ou comprador são inócuas para
o preço de mercado. Compradores e vendedores são conhecidos como price takers.
E.g. Leite; pregos; sardinha.
As vezes uma terceira condição também é tida como caracterizando mercados perfeita-
mente competitivos:

• Firmas podem entrar e sair livremente do mercado.

Esta condição não é necessária para as empresas serem ‘price takers’. É, contudo, impor-
tante para determinar a forma do mercado no longo prazo.

14.1.2 O rendimento de um empresa competitiva

Firmas competitivas1 tentam maximizar o lucro (não só neste tipo de mercado).
Tal como no capı́tulo anterior, os conceitos de média e marginal são também úteis na
análise do rendimento. A Tabela 1 ilustra tais conceitos.
O que é que estes conceitos nos dizem? Respondem às seguintes perguntas:

• Quanto rendimento recebe uma firma por unidade tı́pica vendida?

• Quanto rendimento adicional recebe uma firma se aumentar a produção numa uni-
dade?

A resposta à primeira pergunta é dada pelo


1
A termo empresa competitiva refere-se a empresas que operem em mercados competitivos (de con-
corrência perfeita).

1
Quantidade Preço Rend. Total Rend. Médio Rend. Marginal
Q P T R = P xQ AR = T R/Q M R = ∆T R/∆Q
1 6 6 6 6
2 6 12 6 6
3 6 18 6 6
4 6 24 6 6
5 6 30 6 6
6 6 36 6 6
7 6 42 6 6
8 6 48 6 6

Table 1: Vários Rendimentos

Rendimento médio
Rendimento total dividido pela quantidade vendida (AR = T R/Q).

A resposta à segunda pergunta é dada pelo

Rendimento marginal
A variação no rendimento total resultante da venda adicional
de uma unidade (M R = ∆T R/∆Q).

No caso do mercado competitivo, o rendimento marginal é igual ao preço de mercado.


Independentemente do tipo de mercado o rendimento médio é igual ao preço. Porquê?
Pelas próprias definições:

AR = T R/Q = P.Q/Q = P (1)


M R = ∆T R/∆Q = (∆Q.P + ∆P.Q)/∆Q = P. (2)

Na equação 2, porque as firmas são price takers, ∆P ≡ 0.

14.2 Maximização de lucro e a curva da oferta de uma empresa


competitiva
14.2.1 Um exemplo simples de maximização de lucro

De acordo com a Tabela 2, a empresa maximiza os lucros (7 unidades monetárias) pro-


duzindo 4 ou 5 unidades.
Outra forma de determinar a quantidade que maximiza o lucro é através da comparação
entre o rendimento marginal e o custo marginal de cada unidade produzida. Como podes
ver na Tabela 2 sempre que o custo marginal é inferior ao rendimento marginal, compensa
aumentar o produção nessa unidade porque o lucro aumenta. Na situação inversa compensa

2
Q T R = P xQ TC Π = TR − TC M R = ∆T R/∆Q M C = ∆T C/∆Q
0 0 3 -3
1 6 5 1 6 2
2 12 8 4 6 3
3 18 12 6 6 4
4 24 17 7 6 5
5 30 23 7 6 6
6 36 30 6 6 7
7 42 38 4 6 8
8 48 47 1 6 9

Table 2: Maximização de Lucro. Exemplo Numérico

diminuir a produção. Assim, o ponto óptimo, no sentido de maximizar os lucros, é dado


pela quantidade para a qual M C = M R, no caso concreto 6 unidades.
Um dos princı́pios de economia é o de que os agentes pensam na margem. Aqui está
um exemplo concreto – maximizar os lucros – da importância de pensar na margem.

14.2.2 A curva de custo marginal e a decisão de oferta da empresa

Para explorar mais a análise de maximização do lucro, considera a Figura 1. Para além das
curvas estudadas no capı́tulo anterior, a figura inclui uma linha horizontal representativa
do preço de mercado P . O preço da produção de uma firma num mercado competitivo é
sempre o mesmo independentemente da quantidade produzida por uma firma.
Que quantidade maximiza o lucro desta empresa? Suponhe que a firma decide produzir
Q1 . A este nı́vel o custo marginal da unidade adicional é inferior ao rendimento marginal
(M C1 < M R1 ). Assim, compensa produzir pelo menos Q1 pois o lucro adicional é positivo.
E se a empresa decidir produzir Q2 . A este nı́vel M R2 < M C2 , logo a unidade adicional
reduzirá os lucros da empresa.
Onde é que estes ajustamentos ao nı́vel de produção nos conduzem? Para a direita de
Q1 e para esquerda de Q2 , com o ponto óptimo dado por Qmax . O nı́vel de produção que
maximiza os lucros é dado pela quantidade que verifica a condição:

M C = M R = P.

Em termos gráficos, o número de unidades que maximiza os lucros é dado pela quan-
tidade para a qual a curva do custo marginal intersecta a curva do rendimento marginal
(linha horizontal do preço do mercado competitivo).

3

6 MC

M C2

ATC

P = M R1 = M R2 P = AR = MR
AVC
M C1

-
Q1 Qmax Q2 Q
Figure 1: Maximização de Lucro


6

MC
P2 
 ATC



 AVC
P1 











-
Q1 Q2 Q
Figure 2: Custo Marginal e a Curva da Oferta

4
A Figura 2 ilustra como uma firma competitiva responde a um aumento do preço
(P1 ↑ P2 ). A nova quantidade que maximiza os lucros da empresa é dada pela intersecção
da linha P2 com a curva M C, resultando numa quantidade óptima de Q2 unidades.

Porque a curva do custo marginal de uma empresa determina


a quantidade do bem que a firma está disposta a fornecer a um
dado preço, representa também a curva de oferta de uma empresa
competitiva.

14.2.3 A decisão de curto prazo de encerrar a empresa

Em certas circunstâncias, a firma decidirá fechar e não produzir mais nada.


Aqui é importante distinguir entre encerrar temporariamente e fechar permanente-
mente. O primeiro conceito, shutdown, refere-se a uma decisão de curto prazo de não
produzir durante um perı́odo especı́fico. O segundo, exit, refere-se a uma decisão de longo
prazo de sair do mercado. As decisões de curto e longo prazo diferem porque no curto
prazo as empresas não podem evitar os custos fixos, enquanto que no longo prazo podem.
O que determina a decisão de shutdown? Se o fizer perde receitas das vendas. Mas em
contrapartida poupa nos custos variáveis (mas continua a pagar os custos fixos). Assim,
uma empresa encerra temporariamente se o rendimento que receberia por produzir é inferior
aos custos variáveis de produção.
Matematicamente, a empresa encerrar temporariamente se:

TR < V C
T R/Q < V C/Q, dividindo ambos os lados por Q
P.Q/Q < V C/Q, definição de TR
P < AV C, definição de AVC

Assim, concluimos que um empresa decide-se pelo shutdown se o preço de mercado for
inferior ao custo variável médio.
Agora temos uma descrição completa do comportamento (quantidade) de uma empresa
competitiva. Recordando, se uma empresa produz, produz a quantidade à qual o custo
marginal iguala o preço do bem. Ainda assim, se o preço for inferior ao custo variável médio
para essa quantidade, a firma melhora encerrando temporariamente e não produzindo.
Estes resultados são ilustrados na Figura 3. A curva de oferta de curto prazo de uma
empresa competitiva é a porção da sua curva de custo marginal que fica acima da curva
do custo variável médio.

5

6

MC

 ATC



 AVC












-
Q
Figure 3: Curva da Oferta de Curto Prazo

14.2.4 Leite entornado e outros ‘sunk costs’


Sunk cost
Um custo que já foi efectivado e não se pode recuperar.

Porque nada pode ser feito para recuperar sunk costs, podemos ignorá-los quando
tomamos decisões nos vários aspectos da vida, incluindo de estratégia empresarial.
E.g. Pensem no caso das companhias de aviação.

14.2.5 A decisão de longo prazo de abandonar ou entrar no mercado

A decisão de longo prazo de sair do mercado é semelhante à decisão de shutdown. Se a


firma sair, mais uma vez perde todo o seu rendimento da venda do produto, mas agora
poupa todos os custos (que agora são só custos variáveis).
Matematicamente, a empresa abandona o mercado se:

TR < TC
T R/Q < T C/Q, dividindo ambos os lados por Q
P.Q/Q < T C/Q, definição de TR
P < AT C, definição de ATC.

6
€6 MC




 ATC













-
Q
Figure 4: Curva da Oferta de Longo Prazo

Paralelamente, um empresa só decide entrar no mercado se

P > AT C

Podemos agora caracterizar a estratégia de longo prazo de uma firma que maximiza
os lucros. Se uma empresa está no mercado, produz a quantidade para a qual o custo
marginal é igual ao preço do bem. Ainda assim, se o preço é menos que o custo total
médio para essa quantidade, a empresa optar por sair do mercado. A curva de oferta de
longo prazo de uma empresa competitiva é a porção da sua curva de custo marginal que
fica acima da curva de custo total médio.

14.2.6 Medir lucro no gráfico

Recorda que

Lucro = T R − T C
= (T R/Q − T C/Q) × Q
= (P − AT C) × Q

Esta forma de expressar o lucro permite medir o lucro no gráfico. A Figura 5 ilustra
duas situações. No lado esquerdo temos uma situação de maximização dos ganhos, no lado
direito temos uma situação de minimização de perdas.

7
P P
MC
6 MC 6
ATC
ATC


ATC

ATC 6
P 6

Ganho
Perda

- -
Q Q
Figure 5: Lucros

14.3 A curva da oferta numa mercado competitivo


Tendo discutido o comportamento de firmas competitivas, podemos agora determinar a
curva de oferta do mercado competitivo. Há dois casos a considerar. Primeiro, quando
o número de firmas é fixo. O segundo, quando o número de firmas varia com a saı́da de
firmas velhas e a entrada de novas firmas. A primeira hipótese parece apropriada para o
curto prazo, enquanto a segunda se coaduna com o longo prazo.

14.3.1 O curto prazo: Oferta de mercado com um número fixo de empresas

Considera que há 1000 empresas iguais neste mercado. Desde que o preço esteja acima
do custo variável médio, a curva do custo marginal representa a curva da oferta de cada
empresa. Assim, a curva de oferta do mercado é dada pela soma da 1000 curvas de oferta
de cada uma das empresas (iguais). Para derivar a curva de oferta de mercado fixa o preço
e multiplica por 1000 a quantidade oferecida pela empresa tı́pica deste mercado. Repete o
processo para diferentes preços.

14.3.2 O longo prazo: Oferta de mercado com saı́das e entradas

E se as empresas puderem entrar e sair do mercado? Supõe que todos têm acesso à mesma
tecnologia e mercado de inputs. Isto é, todas as firmas e potenciais firmas têm as mesmas
curvas de custos.
Se as empresas já no mercado são lucrativas, novas firmas têm um incentivo para entrar
no mercado. Isto conduz à expansão do número de firmas, aumentando a quantidade ofere-

8
cida do bem, resultando em preços e lucros mais baixos. Contrariamente, se as empresas já
no mercado estão com prejuı́zos, o número de empresas diminuirá. A quantidade oferecida
diminui, o preço aumenta e os prejuı́zos diminuiem. No fim do processo de entrada e
saı́da, as firmas que ficam no mercado têm que realizar lucro económico nulo.
O processo de entrada e saı́da só termina quando o preço iguala o custo total médio.
Nota que, no longo prazo, o preço iguala o custo médio, mas nós dissemos que a empresa
produz no ponto que o preço iguala o custo marginal. Assim, o custo médio tem que igualar
o custo marginal, e como nós já vimos, isto só acontece no ponto mı́nimo da curva de custo
total médio, i.e., no ponto de escala eficiente. Portanto, no equilı́brio de longo prazo de um
mercado com entradas e saı́das as firmas têm que operar no ponto de escala eficiente.
No longo prazo, só há um preço consistem com lucro económico zero – o mı́nimo do
custo total médio. Assim, a curva de oferta de longo prazo tem que ser horizontal e ao
nı́vel do custo total médio mı́nimo.

14.3.3 Porque é que as firmas se mantêm no mercado se têm lucros nulos?

Pode parecer estranho que as firmas competitivas tenham lucros nulos no longo prazo.
Afinal o objectivo das firmas é ter lucros!
Para perceber melhor a condição lucro-nulo, recorda que os lucros são dados pela
diferença entre rendimento total e custos totais, includindo todos os custos de oportu-
nidade (explı́citos e implı́citos). Isto é, contabilistas e economistas calculam o lucro de
forma diferente. No ponto de lucro económico nulo, o lucro contabilı́stico é positivo (não
inclue os custos implı́citos).

14.3.4 Uma deslocação da procura no curto e longo prazo

As firmas podem entrar e sair do mercado no longo prazo, mas não no curto prazo. Assim,
o efeito de uma deslocação da procura tem efeitos diferentes para horizontes temporais
diferentes.
A Figura 6 ilustra o efeito de um aumento da procura. A situação inicial, primeiro
painel, assume que o mercado está no equilı́brio de longo prazo. Isto é, lucros nulos e o
preço no custo total médio mı́nimo.
No painel intermédio, a procura aumenta (D1 ↑ D2 ), resultando num aumento do preço
(P1 ↑ P2 ) e na quantidade de equilı́brio (Q1 ↑ Q2 ). As empresas passam a ter lucros
(positivos). O aumento de produção de cada firma é determinado pela curva do custo
marginal (e a intersecção com o novo preço).
No longo prazo, painel inferior, o lucro encoraja outras firmas a entrarem no mercado.
A curva da oferta desloca-se (sucessivamente) para a direita até que o preço de longo prazo
volte a P1 , isto é, o custo médio mı́nimo. Assim, os lucros voltam a ser nulos. O novo

9
equilı́brio de longo prazo é dado pelo ponto C que se caracteriza pelo mesmo preço, P1 , mas
com mais quantidade Q3 > Q1 . Cada firma opera no escala eficiente (como anteriormente),
mas porque há mais firmas no mercado a quantidade oferecida e vendida aumenta.

14.3.5 A curva de oferta de longo prazo pode ser positivamente inclinada

Até aqui vimos que as entradas e saı́das resultam numa curva de oferta de longo prazo
horizontal (ao custo total médio mı́nimo). Há, contudo, duas razões para que a curva da
oferta de longo prazo possa ser positivamente inclinada:

1. Alguns dos recursos usadas na produção podem estar disponı́veis em quantidades


limitadas. E.g. terra para cultivo. Assim, o preço da terra aumenta, resultando
em custos superiores e, portanto, num preço da batata, por exemplo, superior. Os
agricultores só oferecem mais batata se o preço for superior, mas isto é a curva da
oferta tı́pica – positivamente inclinada.

2. As empresas podem ter estruturas de custos diferentes. Assim, aqueles com custos
inferiores são tipicamente os primeiros a entrar no mercado. Mas se quisermos pro-
duzir mais, as empresas que entram no mercado têm custos superiores, exigindo um
preço superior. Mais uma vez resulta numa curva da oferta com inclinação positiva.

No entanto, a lição básica sobre entradas e saı́das mantem-se válida. Porque as firmas
podem entrar e sair mais facilmente do mercado no longo prazo do que no curto prazo, a
curva da oferta de longo prazo é tipicamente mais elástica do que a de curto prazo.

14.4 Conclusão
Um dos princı́pios de economia é o de que as pessoas pensam na margem. Este capı́tulo
ilustra a importância deste princı́pio para mercados competitivos.

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

10
€ Empresa Mercado
6 MC 6 S1 (c. prazo)

ATC

P1
S (l. prazo)

D1
Condição inicial
- -
Q Q
6 6
S1
MC

ATC B
P2
A
P1
S (l. prazo)
D2
D1
Resposta de curto prazo
- -
Q Q1 Q2 Q
6 6
MC S1
ATC
B
S2
A C
P1
S (l. prazo)

D2
Resposta de longo prazo
D1
Q
- -
Q Q1 Q2 Q3

Figure 6: Curto prazo vs. Longo prazo

11
15 Monopólio
As decisões empresariais da Microsoft não são bem descritas pelo modelo de comporta-
mento das firmas do capı́tulo anterior (concorrência perfeita). A Microsoft é um monopólio,
deixando de ser um price taker para passar a ser um price maker.
Mas se o monopolistas são price makers porque não combram o triplo do preço que
pagamos, por exemplo, por uma cópia do Windows? Vamos responder a esta e outras
perguntas ao longo deste capı́tulo.

15.1 Porque surgem os monopólios

Monopólio
Uma firma que é a única vendedora de um produto sem substitutos
próximos.

A causa fundamental para surgirem monopólios são as barreiras de entrada. Um


monopólio mantem-se o único vendedor no seu mercado porque as outras firmas não podem
entrar no mercado e competir com ele.
As barreiras de entrada, por seu lado, têm 3 fontes principais:
i. Um recurso chave é propriedade de uma só empresa;

ii. O governo dá a uma firma o direito exclusivo de produzir um bem ou serviço;

iii. Os custos de produção fazem de um produtor único mais eficiente do que um vasto
número de produtores.

15.1.1 Recursos de monopólio

A maneira mais simples de um monopólio surgir é quando uma só firma é proprietária de
um recurso chave. Por exemplo, água numa pequena aldeia.
Embora a propriedade exclusiva de um recurso chave seja uma causa potencial de
monopólio, na prática monopólios raramente surgem por esta razão.

Case Study
Um exemplo clássico de um monopólio que surgiu pela propriedade
exclusiva de um recurso é o da empresa de diamantes DeBeers, África
do Sul.

Controlam 80% da produção mundial de diamantes.


DeBeers paga milhões em publicidade, o que pode parecer estranho.
“A diamond is forever”. Para diferenciar os diamantes das outras
pedras preciosas.

1
15.1.2 Monopólios criados pelo governo

Em muitos casos, os monopólios surgem porque os governos deram a uma pessoa ou empresa
o direito exclusivo de vender algum bem ou serviço. Razões:

i) Influência polı́tica de potenciais monopolistas;

ii) Porque tal é visto como sendo do interesse público. Por exemplo, Network Solutions,
Inc. controla os domı́nios .com, .net, .org da Internet;

As patentes e direitos de cópia (autor) são dois exemplos importantes de como o governo
cria monopólios para servir o interesse público. E.g. Companhias farmacêuticas; Autores.
São monopolistas. A ideia é encorajar mais investigação e mais escrita.
Um exemplo português (e não só) é o da Ordem dos Médicos. Porque é que só existe
uma? Não há vários partidos polı́ticos e outros tipos de associações em múltiplas formas?
Porque motivo é que há só uma Ordem dos Médicos? Para que os seus membros extraiam
(ao máximo) o excedente do consumidor e não (só), ao contrário daquilo que é comum ser
visto como o objectivo da Ordem, proteger os utentes.

15.1.3 Monopólios Naturais

Monopólio Natural
Um monopólio natural surge porque uma única firma pode fornecer
o bem ou serviço ao mercado inteiro a um custo inferior ao que
poderiam duas ou mais firmas.

Isto é, o monopólio natural surge quando há economias de escala ao longo do dimensão
relevante de produção.
Um exemplo de um monopólio é a distribuição de água. Se duas ou mais firmas tivessem
que competir pelo serviço, cada firma teria que pagar os custos fixos de construção da rede.
Assim, o custo médio é inferior se uma só firma servir o mercado inteiro.
Uma firma em monopólio natural está menos preocupada com a ameaça de novos
competidores. Dada a natureza do mercado, apesar dos lucros acrescidos do monopólio,
o mercado não é atractivo para novas firmas porque não conseguem apresentar custos
inferiores aos do monopólio.
Nalguns casos, o tamanho do mercado é um determinante de se a indústria e ou não
um monopólio natural. Por exemplo, uma ponte pode ser suficiente para uma pequena
cidade, mas com o crescimento populacional e o congestionamento gerado pode justificar
mais pontes e, portanto, perde-se a condição de monopólio.

2
P P
6 Firma Competitiva 6 Monopólio

D
- -
Q Q

Figure 1: Curvas da procura das firmas: competitiva e monopólio

15.2 Como os monopólios tomam decisões de produção e de


preços
Quanto produzir? E que preço cobrar?

15.2.1 Monopólio versus competição

Uma empresa competitiva é pequena relativamente ao mercado, aceitando o preço de mer-


cado. O monopólio é o único produtor, podendo com alterações da quantidade fornecida
ajustar o preço de mercado. A Figura 1 ilustra as curvas da procura de uma firma com-
petitiva e de um monopólio (mercado todo).

A curva da procura do monopólio (mercado) coloca uma limitação na capacidade lu-


crativa do monopólio. A curva da procura descreve as combinações de preço e quantidade
que estão disponı́veis para o monopólio. Ajustando a quantidade (ou o preço cobrado), o
monopólio pode escolher qualquer ponto na curva, mas não pode escolher um ponto fora
da curva.
Pergunta: Mas então que ponto escolhe o monopólio?

15.2.2 O rendimento do monopólio

A Tabela 1 mostra um resultado importante para perceber o comportamento do monopólio:


O rendimento marginal de um monopólio é sempre inferior ao preço do seu bem. Isto
acontece porque a curva da procura é negativamente inclinada. Para aumentar a quanti-
dade vendida, o monopólio tem que baixar o preço. Portanto, para vender a unidade n, o
monopólio recebe menos por cada uma das n − 1 unidades que vendia anteriormente.

3
Q P TR AR MR
0 €11.00 €0.00
1 10 10 €10.00 €10.00
2 9 18 9 8
3 8 24 8 6
4 7 28 7 4
5 6 30 6 2
6 5 30 5 0
7 4 28 4 -2
8 3 24 3 -4

Table 1: Rendimento(s) do monopólio

O rendimento marginal do monopólio é muito diferente do rendimento marginal de uma


firma competitiva. Há dois efeitos a considerar:

• O efeito produto: ∆Q > (<)0;

• O efeito preço: ∆P < (>)0;

Formalmente,

∆T R ≡ ∆(P.Q) = ∆P.Q + P.∆Q (1)

Recorda que no caso da empresa competitiva, ∆P = 0.


A Figura 2 apresenta as curvas do rendimento marginal e da procura (rendimento
médio). Repara que a curva do rendimento marginal está sempre abaixo da curva da
procura, e pode mesmo tornar-se negativa (quando ∆P.Q > P.∆Q).

15.2.3 Maximização do lucro

Recorda o princı́pio de economia: as pessoas pensam na margem. Os monopólios também.


Como no caso das empresas competitivas, o monopólio também maximiza o lucro
quando o rendimento marginal igual o custo marginal.

Competitiva: P = M R = M C (2)
Monopólio: P > M R = M C (3)

Em ambos os casos, M R = M C, o que difere é a relação entre o preço e o redimento mar-


ginal (custo marginal). O facto de o preço exceder o custo marginal no caso do monopólio
é crucial para a análise do custo social do monopólio.

4
10
**

*
8
* *

*
6

* *

*
4

D (e AR)*
*

*
MR
2

*
0

*
−2

*
−4

1 2 3 4 5 6 7 8

Quantidade

Figure 2: Rendimento Marginal e Médio

O processo de maximização é ilustrado na Figura 3.

Case Study – Medicamentos de marca vs. genéricos


O mercado de medicamentos é bom para testar a teoria porque
existe nas duas formas: competitivo e monopólio.

A Figura 4 ilustra este tipo de mercado.


Custo marginal constante (o que mais ou menos corresponde à
realidade). Na realidade temos inicialmente preços mais altos e
menores quantidades. Mais tarde com o fim da patente, os preços
caem e a quantidade aumenta.

15.3 O custo no bem-estar social do monopólio


É um monopólio uma boa forma de organizar o mercado? Do ponto de vista do consumidor,
preços mais altos não são desejáveis. Do ponto do vista do produtor, os preços mais altos

5
P
6
MC

B
Pm

ATC
A
AT CQmax
D

MR -
Q
Q1 Qmax Q2

Figure 3: Maximização de lucro do monopólio

P
6

P pat

P comp MC

MR D
-
Qpat Qcomp Q

Figure 4: Mercado de medicamentos

6
P
6

MC

6
6

6
6

D
-
Q eficiente Q

Figure 5: Nı́vel eficiente de produto

correspondem a mais lucros. E do ponto de vista da sociedade como um todo? Só sabendo
o que acontece ao excedente total é que podemos responder.
A resposta rápida, mas com base no que vimos em capı́tulos anteriores, é a de que se o
monopólio conduz a afectações de recursos diferentes das obtidas em competição perfeita,
então tem que conduzir a uma situação que reduza o bem-estar social.

15.3.1 Deadweight Loss

A Figura 5 ilustra a análise do bem-estar social para a estrutura de mercado monopolı́sta.


É em tudo idêntica ao do mercado competitivo, mas agora gera uma perda peso-morto
(deadweight loss), representada na Figura 6.
A perda peso-morto causada pelo monopólio é parecida com a causada por um imposto.
Na verdade, o monopólio é como um cobrador de impostos privado.

15.3.2 O lucro do monopólio: Um custo social?

Por si só o lucro do monopólio não é um custo (social), representa apenas uma transferência
do excedente do consumidor para o monopólio. O verdadeiro custo social do monopólio
tem origem no facto de o nı́vel de produção ficar abaixo do socialmente óptimo dado pelo
“benchmark” do mercado competitivo.
A estes custos podemos ter que adicionar os que possam estar associados a ‘lobbies’
para manter a posição de monopólio (influenciar o poder polı́tico).

7
P
6

MC

DW Loss

D
MR
-
Q

Figure 6: Ineficiência do monopólio

15.4 Polı́ticas públicas para os monopólios


Como vimos os monopólios, em contraste com os mercados competitivos, não afectam
eficientemente os recursos. Os governos podem responder de uma das quatro seguintes
formas:

1. Tentar tornar mais competitivas as indústrias monopolı́stas;

2. Regulando o comportamento dos monopólios;

3. Nacionalizando monopólios privados;

4. Não fazendo nada;

15.4.1 Aumentar a competição com leis

Para promover mais competição, os governos podem através de leis:

1. Impedir a fusão de empresas (Microsoft com a Intuit);

2. Separar monopólios já existentes (e.g. Standard Oil, AT&T)

Mas este tipo de leis tem custos e benefı́cios. As vezes as empresas fundem-se não para
reduzir competição, mas para diminuir custos (mais eficiência). Compete aos governos
produzir este tipo de análises custos-benefı́cios para aplicar apropriadamente as leis.

8
P
6

ATC
Perda
MC

D
-
Q

Figure 7: Monopólio Natural

15.4.2 Regulamentação

Outra solução é regulamentar o comportamento de monopólios. Esta solução é comum no


caso de monopólios naturais, por exemplo, água e electricidade.
Que preço deve o governo estabelecer para o monopólio? Esta pergunta não é tão fácil
de responder quanto possa parecer. Por exemplo, poder-se-ia pensar em estabelecer o preço
ao nı́vel do custo marginal. Há, contudo, dois problemas com esta solução:

1. Ilustrado na Figura 7. Como discutido no capı́tulo 13, quando o custo médio está
a baixar, o custo marginal é inferior ao custo médio. Se o preço for igual ao custo
marginal, então é inferior ao custo médio, o que origina perdas. Qualquer solução para
este problema (subsı́dio ou permitir preço mais alto) gera ‘deadweight losses’;

2. Preço ao custo marginal não dá incentivo ao monopólio para reduzir custos. Porque?
Se reduzir custos tem que baixar o preço para o novo nı́vel inferior do custo marginal,
portanto, não ganha nada em ser mais eficiente.

15.4.3 Propriedade pública

Tipicamente os economista preferem propriedade privada a pública de monopólios naturais.


O ponto chave é avaliar como a propriedade da firma afecta os custos de produção. Os
privados têm o incentivo de reduzir os custos enquanto puderem manter parte dos lucros
acrescidos. Em contraste, o burocratas não e quem perde são os clientes e os contribuintes.

9
15.4.4 Não fazer nada

Cada uma das polı́ticas enunciadas acima tem os seus problemas. Como um resultado, os
economistas argumentam que muitas vezes é melhor não fazer nada.
George Stigler, Prémio Nobel da economia em 1982,1 escreve:
A famous theorem in economics states that a competitive enterprise economy will pro-
duce the largest possible income from a given stock of resources. No real economy meets the
exact conditions of the theorem, and all real economies will fall short of the ideal economy
– a difference called “market failure”. In my view, however, the degree of “market failure”
for the American economy is much smaller than the “political failure” arising from the
imperfections of economic policies found in real political systems.

15.5 Discriminação de preços

Discriminação de preços
A prática de vender o mesmo bem a preços diferentes a diferentes
clientes.

Este tipo de prática exige algum poder de mercado, não é possı́vel em mercados com-
petitivos.

15.5.1 Um parábola acerca dos preços

Para perceber porque um monopólio poderia querer discriminar os preços vamos considerar
um exemplo.

• $2 milhões pelo exclusivo de um livro;

• Custo de impressão zero;

• Quanto cobrar pelo livro?

• Marketing estima: 100,000 ‘die-hard fans’ dispostos a pagar $30; e 400,000 dispostos
a pagar $5.

• Se preço $30, lucro 3,000,000 - 2,000,000 = $1,000,000.

• Se preço $5, lucro 5 x 100,000 + 5 x 400,000 - 2,000,000 = $500,000.

• Logo, $30 maximiza lucro.


1
http://www.nobel.se/economics/laureates/1982/

10
• A decisão, contudo, causa deadweight loss – há 400,000 leitores privados do livro. A
perda é de 400,000 x $5 = $2 milhões.

• E se estes dois grupos de leitores estiverem em mercados diferentes? Por exemplo,


Australia e E.U.A.? Cobra $30 x 100,000 + $5 x 400,000. Lucro de $3 milhões.

• A estratégia óptima é discriminar.

Embora seja um exemplo, na verdade os editores usam este tipo de estratégia. Exem-
plos, livros para venda exclusiva nos E.U.A. (mais caros que na Europa), livros com capa
dura (hardcover) e capa de papel (paperback).

15.5.2 Moral da história

Há três lições sobre a discriminação de preços:

1. É a estratégia racional para um monopólio maximizar os lucros. O consumidor paga


(próximo) do máximo que está predisposto a pagar;

2. Esta estratégia requer a capacidade de separar consumidores de acordo com a sua


predisposição a pagar. E.g. geograficamente, idade, rendimento, sexo, etc. Um corolário
desta segunda lição é que há certas forças de mercado que pode evitar a discriminação
de preços. Em particular, a arbitragem – processo que aproveita diferenças de preço
para lucrar. No limite as oportunidades de lucro esgotam-se porque os preços se tornam
iguais.

3. A lição mais surpreendente é a de que a discriminação de preços pode aumentar o


bem-estar social. Ver exemplo acima. Neste caso não há excedente do consumidor, o
excedente total é igual ao excedente do produtor (lucro).

15.5.3 Os analı́ticos da discriminação de preços

A Figura 8 ilustra o processo de discriminação perfeita de preços. Cada consumidor paga


o máximo que está predisposto a pagar, todos as trocas (livres) têm lugar, não há perda
peso-morto e o excedente total vai para o monopólio na forma de lucro.
Mas na prática a discriminação é imperfeita. Neste caso não sabemos se o bem-estar
social aumenta, diminui ou fica constante. A única certeza é que o monopólio aumenta os
lucros, caso contrário não o faria.

11
P
P
6 6

Lucro
Lucro

MC MC

MR D D
- -
Q∗ Q Q∗ Q

Figure 8: Monopólio preço único e discriminação

15.5.4 Exemplos de discriminação de preços


Bilhetes de avião

Os bilhetes são vendidos a muitos preços diferentes. Mais baratos se o bilhete for de
ida-e-volta com estadia no sábado. Porque? Permite identificar os clientes ‘business’ que
geralmente não pertendem ficar mais um dia e, por isso, estão na predisposição de pagar
mais.

Cupões de desconto

Porque não dar o desconto? Porque nem todas as pessoas se dão ao trabalho de recortar
o cupão, por isso, as empresas estão a discriminar entre ‘dois’ tipos de clientes e assim a
extrair o máximo de excedente do consumidor.

Descontos de quantidade

Descontos de quantidade são muitas vezes uma forma bem sucedida de discriminar porque
a predisposição a pagar por unidade adicional diminui à medida que o consumidor consome
mais.

15.6 Conclusão
O monopólio produz menos do que é socialmente desejável. Este problema pode ser miti-
gado por polı́ticas públicas ou por discriminação de preços.
Mas quão comuns são os monopólios? Duas respostas.

12
Por um lado, monopólios são comuns. Muitas firmas controlam o preço que cobram
(diferenciam o produto).
Ainda assim, firmas com poder de monopólio substancial são raras.
No fim, o poder de monopólio é uma questão de grau. A verdade é que o poder de
monopólio é tipicamente limitado. Nestes casos, não erramos muito se assumirmos que as
firmas operam em mercados competitivos, mesmo se esse não é precisamente o caso.

Referências
• Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

13
Capı́tulo 22

Medir o Rendimento de uma


Nação

Até aqui estudamos um ramo da economia que denominamos de microecono-


mia.
Microeconomia
o estudo de como os agentes económicos formam as suas decisões e
como interagem nos mercados.

A partir de agora, vamos centrar a atenção no outro ramo da economia, a


macroeconomia.
Macroeconomia
o estudo de fenómenos que abrangem a economia como um todo,
incluindo inflação, desemprego e crescimento económico.

22.1 O rendimento e a despesa da economia


Se estivessemos a julgar economicamente um indivı́duo, provavelmente olha-
riamos primeiro para o seu rendimento.
A mesma lógica aplica-se à economia de um paı́s. Neste caso olhariamos
ao rendimento de toda a gente na economia. Isto é, ao produto interno
bruto (PIB).
O PIB mede duas coisas ao mesmo tempo: (i) o rendimento de toda a
gente na economia e (ii) a despesa total em bens é serviços da economia.
Para uma economia como um todo, o rendimento tem que igualar a despesa.

1
2 CAPÍTULO 22. RENDIMENTO DA NAÇÃO
' $

Rendimento (=PIB) Mercado Despesa (=PIB)


Bens e 
- Serviços
& %
Bens/serviços Bens/serviços
vendidos comprados

? ?

Empresas Famı́lias

6 6

' $
Factores de Trabalho, terra
produção Mercado e capital
Factores 
- Produção
& %
Salários, rendas e Rendimento (=PIB)
e lucros (=PIB)

Figura 22.1: Diagrama circular de fluxo (monetário e real)

Porquê? Cada transacção envolve sempre duas partes: um consumidor e um


vendedor.
A Figura 22.1 descreve todas as transacções entre as famı́lias e as empresas
numa economia simples. Podemos calcular o PIB nesta economia de duas
formas: (i) somando todas as despesas das famı́lias ou (ii) somando o total de
rendimentos (salários, rendas e lucros) pagos pelas empresas. Na realidade a
economia é mais complicada, mas os princı́pios são os mesmos.

22.2 A medição do produto interno bruto


A definição pode parecer simples, mas há questões subtis que surgem.
22.2. MEDIR O PIB 3

Produto Interno Bruto (PIB)


É o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos
dentro de um dado paı́s num dado perı́odo de tempo.

Vamos analisar a definição por partes:

ˆ “PIB é o valor de mercado. . . ” Não podemos misturar “alhos e


bogalhos”. O PIB faz precisamente isso, mas usando os preços de
mercado para agregar os bens e serviços.

ˆ “de todos. . . ” O PIB tem ser abrangente, incluindo todos os itens


produzidos na economia e vendidos legalmente no mercado. O PIB
também inclui os serviços de habitação, não só incluindo as rendas
pagas explicitamente, mas também o valor do serviço da habitação
própria. O PIB exclui produção e vendas ilegais e bens produzidos e
consumidos em casa.

ˆ “os bens e serviços. . . ” Inclui os bens tangı́veis (comida, roupas,


carros, . . . ), mas também os serviços intangı́veis (corte de cabelo, aula
de análise económica, . . . ).

ˆ “finais. . . ” Quando a Cimpor produz e vende cimento, está a vender


um bem intermédio. Mas a Somague quando construiu e vendeu a
Nova Catedral (Estádio da Luz) produziu um bem final. O PIB inclui
apenas bens finais. A razão é que o valor dos bens intermédios já está
incluido no preço dos bens finais. Assim, evita-se contagem dupla. Uma
excepção importante a este princı́pio surge quando o bem intermédio é
adicionado ao inventário de bens para serem vendidos ou usados mais
tarde. Neste caso o bem intermédio é tido como “final” por momentos.

ˆ “produzidos. . . ” PIB inclui bens e serviços produzidos corrente-


mente. Não inclui transacções de itens produzidos no passado (e.g.
venda de carro usado).

ˆ “dentro de um dado paı́s. . . ” PIB mede o valor da produção dentro


da fronteira geográfica de um paı́s.

ˆ “num dado perı́odo de tempo. . . ” O PIB mede o valor da produ-


ção que tem lugar dentro de um intervalo de tempo especı́fico, tipica-
mente um ano ou trimestre. Quando se reporta o PIB do trimestre é
4 CAPÍTULO 22. RENDIMENTO DA NAÇÃO

geralmente feito em “termos anuais”, i.e., a valor vem multiplicado por


4. Isto facilita comparações entre valores trimestrais e anuais. O PIB
é tipicamente apresentado depois de ser modificado por um procedi-
mento estatı́stico denominado ajustamento sazonal. Este procedimento
corrige efeitos como a época natalı́cia.

22.3 As componentes do PIB


O PIB (Y ) é dividido em 4 componentes: consumo (C), investimento (I),
gastos do estado (G) e exportações lı́quidas (NX).

Y = C + I + G + NX (22.1)

Esta equação é uma identidade – é sempre verdade pela forma como as


variáveis são definidas.

Consumo
gasto das famı́lias em bens e serviços, com a excepção da aquisição
de nova habitação.

Investimento
gasto em equipamentos, inventários e estruturas, incluindo as
compras de nova habitação pelas famı́lias.

Gastos públicos
gastos em bens e serviços pelo governo (local e nacional).

Exportações lı́quidas
gasto em bens produzidos domesticamente pelos estrangeiros
(exportações) menos gasto em bens estrangeiros por residentes
domésticos (importações).

No caso do consumo de um bem importado, pela definição acima, não


afecta o valor do PIB, porque apesar do consumo aumentar, as importações
também aumentam pelo mesmo valor pelo que cancela.
Os salários dos funcionários públicos fazem parte de G, mas as trans-
ferências da Segurança Social não fazem parte de G. Porquê? Porque não
pagam a prestação de um serviço ou bem.
22.4. PIB REAL VERSUS NOMINAL 5

Ano 1998 E.U.A. Portugal


Total (Bilhões) Per capita % Total (Bilhões) Per capita %
PIB 8511 31522 100
C 5808 21511 68
I 1367 5063 16
G 1487 5507 18
NX -151 -559 -2

Tabela 22.1: PIB e as componentes: E.U.A. vs Portugal

22.4 PIB Real versus Nominal


As variações no PIB de um ano para outro podem decompor-se em variações
nas quantidades e em variações nos preços. Os economistas gostam de separar
estes dois efeitos. Para fazer isto, os economistas usam um medida chamada
PIB real.
O PIB real responde a pergunta: O que seria o valor dos bens e serviços
produzidos este ano se fossem avaliados a preços referentes a um ano especı́fi-
co?
PIB nominal
a produção de bens e serviços valorizada a preços correntes.

PIB real
a produção de bens e serviços valorizada a preços constantes.

Porque o PIB real não é afectado por variações nos preços, variações no
PIB real reflectem apenas variações nas quantidades produzidas. Quando os
economistas falam de PIB, eles usualmente pensam em PIB real e não PIB
nominal. E quando falam de crescimento na economia, esse crescimento é
medido como a variação percentual na PIB real de um perı́odo para outro.

22.4.1 Deflator do PIB


Com base no PIB nominal e real podemos calcular um terceira medida que
reflecte apenas as variações nos preços:

P IB Nominal
Def lator do P IB = × 100
P IB Real
6 CAPÍTULO 22. RENDIMENTO DA NAÇÃO

que constitui uma medida relativa do nı́vel de preços correntes face ao nı́vel
de preços do ano base.

22.5 O PIB e o bem-estar económico


O PIB per capita (PIB/População total) diz-nos o rendimento e gastos da
pessoa média de uma economia. Porque a maioria das pessoas preferiria
receber mais e gastar mais, o PIB per capita parece uma medida natural do
bem-estar económico do indivı́duo médio.
O PIB não mede a saúde das crianças, mas paı́ses com maior PIB podem
disponibilizar melhores cuidados de saúde para as crianças. Os exemplos
multiplicam-se (p. 505).
O PIB, contudo, não é uma medida perfeita do bem-estar. O bem que
é deixado de fora é o tempo livre/divertimento (leisure), mas quanto mais
“leisure” menos PIB! O PIB também exclui o valor da qualidade do ambi-
ente, por exemplo. Também não diz nada relativamente à distribuição do
rendimento.

Referências
ˆ Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt Col-
lege Publishers, 2nd Edition.
Capı́tulo 24

Produção e Crescimento

Embora 2% parece pequeno, esta taxa de crescimento implica que o rendi-


mento médio duplica cada 35 anos. Em paı́ses como Singapora, Corea do
Sul e Taiwan o rendimento médio cresceu cerca de 7% em décadas recentes.
A esta taxa, o rendimento médio duplica cada 10 anos! Em paı́ses como
a Etiopia, Nigeria, Moçambique e outros o rendimento médio praticamente
estagnou.
O que explica estas diferenças? Robert Lucas1 disse que “The conse-
quences for human welfare in questions like these are simply staggering: Once
one starts to think about them, it is hard to think about anything else.”
O crescimento do PIB real é uma boa medida do progresso económico.
Neste capı́tulo, vamos concentrar a atenção nos determinantes de longo prazo
do nı́vel e crescimento do PIB real.

24.1 Crescimento económico no Mundo


Os dados da Tabela 24.1 mostram que os paı́ses mais ricos não têm garantia
que ficarão os mais ricos e que os mais pobres não estão predestinados a
ficar sempre os mais pobres. Mas o que explica estas alterações ao longo do
tempo? Porque é que alguns paı́ses avançam, enquanto outros ficam para
trás?

1
http://www.nobel.se/economics/laureates/1995/

1
2 CAPÍTULO 24. PRODUÇÃO E CRESCIMENTO

Paı́s Perı́odo PIB per capita PIB per capita Tx Cresc. Ano
no inı́cio no fim
Japão 1890-1997 $1196 $23400 2.82%
Brasil 1900-1998 619 6240 2.41
México 1900-1999 922 8120 2.27
Alemanha 1890-2000 1738 21300 1.99
Canadá 1890-2001 1890 21860 1.95
China 1900-1998 570 3570 1.91
Argentina 1900-1999 1824 9950 1.76
E.U.A. 1890-2004 3188 28740 1.75
Indonésia 1900-1998 708 3450 1.65
Índia 1900-1999 537 1950 1.34
U.K. 1890-2007 3826 20520 1.33
Paquistão 1900-1998 587 1590 1.03
Bangladesh 1900-1999 495 1050 0.78

Tabela 24.1: A variedade de experiências de crescimento

24.2 Produtividade: O seu papel e determi-


nantes
Explicar a vasta variação de padrões de vida no mundo é, de certa forma,
muito fácil. Como veremos, a explicação pode ser sumariada numa única
palavra – produtividade. Mas, noutro sentido, o variação internacional é
profundamente intrigante.

24.2.1 Porque é que a produtividade é tão importante


Consideremos a economia do Robinson Crusoe.2
O que determina o padrão de vida do Crusoe? A resposta é óbvia. Se ele
é bom a apanhar peixe, produzir vegetais e a fazer roupas, ele vive bem. Se
ele é mau nessas actividades, vive mal. Porque Crusoe só consome o que ele
produz, o seu padrão de vida está ligado à sua capacidade produtividade.

Produtividade
quantidade de bens e serviços produzidos por um trabalhador por hora.

No caso do Crusoe é fácil concluir que é a produtividade que determina


2
Do famoso livro de Daniel DeFoe Robinson Crusoe.
24.2. PRODUTIVIDADE: O SEU PAPEL E DETERMINANTES 3

o seu padrão de vida e que é o crescimento da produtividade que determina


melhorias no seu padrão de vida.
O papel chave da produtividade na determinação dos padrões de vida é
tão verdade para paı́ses como é para naufragos.
Os americanos vivem melhor que os nigerianos porque os trabalhadores
americanos são mais produtivos que os nigerianos. Os japoneses beneficia-
ram de um crescimento mais rápido dos seu padrão de vida que os argentinos,
porque a produtividade dos trabalhadores japoneses aumentou mais rapida-
mente.
Próxima questão: Porque é que algumas economias são muito melhores
a produzir bens e serviços que outras?

24.2.2 Como é determinada a produtividade


Muitos factores determinam a produtividade de Crusoe:

Capital fı́sico

Capital fı́sico
O stock de equipamento e estruturas que são usadas para produzir
bens e serviços.

Capital humano

Capital humano
O conhecimento e capacidades que os trabalhadores adquirem através
da educação, training e experiência.

O capital humano inclui as capacidades acumuladas em programas de


infância, escola primária, escola secundária, universidade e programas de
aprendizagem no próprio local de trabalho.
A produção de capital humano requer inputs na forma de professores,
bibliotecas e tempo de estudo. Indeed, students can be viewed as “workers”
who have the important job of producing the human capital that will be used
in future production.
4 CAPÍTULO 24. PRODUÇÃO E CRESCIMENTO

Recursos naturais
Recursos naturais
os factores utilizados na produção de bens e serviços que são
disponibilizados pela natureza, tais como a terra, rios e minérios.

As diferenças em recursos naturais podem fazer parte da explicação das


diferenças de padrões de vida no mundo. Contudo, embora sejam impor-
tantes, elas não são necessárias para uma economia altamente produtiva. O
Japão, Hong Kong, Singapora são exemplos de paı́ses com poucos recursos
naturais, mas com um nı́vel de vida elevado, particularmente o Japão que é
dos paı́ses mais ricos do mundo.

Conhecimento tecnológico
Conhecimento tecnológico
A compreensão (conjunto de conhecimento) da sociedade das melhores
formas de produzir bens e serviços.

O conhecimento tecnológico tem muitas formas. Algum é conhecimento


comum. Por exemplo, software freeware é conhecimento comum, porque
o programador não pode ocultar o código no qual se baseia o produto in-
formático. Outro é proprietário, caso da software comercial como o Win-
dows.
É importante distinguir entre conhecimento tecnológico e capital humano.
Embora muito relacionados, há uma diferença muito importante. Enquanto
o conhecimento tecnológico diz respeito à compreensão de como o mundo
funciona. O capital humano diz respeito aos recursos gastos na transmissão
desse conhecimento para a força de trabalho. Usando uma metáfora, o co-
nhecimento é a qualidade dos livros de texto, enquanto que o capital humano
é a quantidade de tempo que a população dedica a lê-los. A produtividade
depende de ambos os factores: livro de texto e tempo de estudo.

24.3 Crescimento económico e polı́tica pública


O que pode a polı́tica governamental fazer para aumentar a produtividade e
o nı́vel de vida?
24.3. CRESCIMENTO ECONÓMICO E POLÍTICA PÚBLICA 5

24.3.1 A importância da poupança e do investimento


Porque o capital é um factor de produção produzido, a sociedade pode alterar
a quantidade de capital que tem/usa. Assim, para aumentar o capital tem
que investir recursos correntes na produção de capital.
Contudo, porque há ‘trade-offs’, para se produzir mais bens de capital é
necessário abdicar de produzir/consumir bens de consumo.
Encorajar a poupança e o investimento é uma forma que o governo tem
de promover o crescimento e, no longo prazo, aumentar o nı́vel de vida.

24.3.2 Rendimento decrescentes e o efeito de “catch-


up”
Rendimentos decrescentes
a propriedade de que o benefı́cio de uma unidade extra de ‘input’
diminui quando aumenta a quantidade do ‘input’.

Efeito “catch-up”
a propriedade de que paı́ses que começam pobres tendem a crescer
mais rapidamente que paı́ses que começaram ricos.

Por causa dos rendimentos decrescentes, um aumento da poupança leva


a crescimento superiores só durante certo tempo. À medida que se acumula
capital, o rendimento que se tira da próxima unidade vai diminuindo e, por-
tanto, o crescimento também abranda.
No longo prazo, taxas de poupança mais elevadas conduzem a nı́veis de
produtividade e rendimento mais elevados, mas não a taxas de crescimento
mais elevadas desta variáveis.
A propriedade dos rendimentos decrescentes tem uma outra implicação
importante: Tudo o resto constante, é mais fácil para um paı́s crescer rapi-
damente se começou relativamente pobre. A chamado efeito “catch-up”.

24.3.3 Investimento estrangeiro


A poupança por residentes de um paı́s não é a única forma de investir em
capital novo. A outra forma é investimento por estrangeiros. O investimento
estrangeiro pode ser:
6 CAPÍTULO 24. PRODUÇÃO E CRESCIMENTO

1. Investimento directo estrangeiro.3 Quando o capital investido é pro-


priedade e operado por estrangeiros. E.g. Autoeuropa.

2. Investimento estrangeiro em portfolio. Um investimento que é finan-


ciado por dinheiro estrangeiro, mas operado por residentes domésticos.
E.g. comprar acções de empresas nacionais.

24.3.4 Educação
Educação – investimento em capital humano – é pelo menos tão importante
como o investimento em capital fı́sico para o sucesso económico de longo
prazo de um paı́s. Nos E.U.A., um ano adicional de escola aumenta o salário
da pessoa média em cerca de 10%. Em paı́ses menos desenvolvidos, onde
o capital humano é particularmente escasso, a diferença entre salários de
trabalhadores formados e não formados (educados) é ainda maior.

24.3.5 Direitos de propriedade e estabilidade polı́tica


Outra forma (extremamente importante) que os polı́ticos podem usar para
estimular o crescimento económico é protegendo direitos de propriedade e
promovendo estabilidade polı́tica.
A produção em economias de mercado resulta de interacções de milhões de
indivı́duos e firmas. Um prerequisito importante para que o sistema de preços
funcione é o de que os direitos de propriedade sejam respeitados. Em paı́ses
menos desenvolvidos a falta (e o desrespeito) dos direitos de propriedade é
um problema fundamental. Os contratos tornam-se difı́ceis de cumprir e o
fraude é muitas vezes ‘recompensado’ (não punido).

24.3.6 Comércio livre


O comércio internacional é, de certa forma, um tipo de tecnologia. Quando
um paı́s exporta trigo e importa aço, o paı́s beneficia da mesma forma como
se tivesse inventado uma tecnologia para transformar trigo em aço.
O PIB da Argentina, por exemplo, é aproximadamente igual ao de Fi-
ladélfia. Imaginem o que aconteceria a cidade de Filadélfia se proibisse o
comércio entre os seus residentes e o exterior!
3
Foreign direct investment, abreviado muitas vezes ‘fdi’.
24.3. CRESCIMENTO ECONÓMICO E POLÍTICA PÚBLICA 7

24.3.7 O controlo do crescimento populacional


Teorias de crescimento económico preveêm que o crescimento populacional
elevado reduza o PIB per capita. Apesar de potencialmente se aumentar a
produção, o crescimento abranda devido ao facto de se ter que dividir os
mesmos recursos (e.g. capital) por mais trabalhadores. Este problema é
mais aparente no caso do capital humano – o sistema de educação fica mais
sobrecarregado.

24.3.8 Investigação e desenvolvimento


A razão fundamental porque os nı́veis de vida hoje são mais elevados do que
eram há um século são os avanços no conhecimento tecnológico.
Os governos podem influenciar o conhecimento tecnológico encorajando
a investigação e desenvolvimento, por exemplo, com subsı́dios e sistemas de
patentes.

Referências
ˆ Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt Col-
lege Publishers, 2nd Edition.
27 O Sistema Monetário
Imaginem que não existe um item na economia que seja amplamente aceite na troca de bens
e serviços. As pessoas dependeriam da troca directa, mas uma economia que dependesse
da troca directa teria problemas em afectar eficientemente os seus recursos. Neste caso,
as trocas só se fariam se houvesse dupla coincidência de desejos. A existência de moeda
torna as trocas mais fáceis.
Neste capı́tulo começamos a examinar o papel da moeda na economia.

27.1 O significado da moeda


Moeda
O conjunto de activos numa economia que as pessoas usam regularmente
para comprar bens e serviços de outras pessoas.

27.1.1 As funções da moeda

A moeda tem três funções na economia:

1. Meio de troca – um item que os compradores dão ao vendedores quando pretendem


comprar bens e serviços.

2. Unidade de medida – o padrão que as pessoas usam para anunciar preços e registar
débitos.

3. Reserva de valor – um item que as pessoas podem usar para transferir poder de
compra do presente para o futuro.

A moeda não é a única forma de reserva de valor. O termo riqueza é usado para referir
o total de todas as reservas de valor, incluindo moeda e activos não-monetários.
Porque moeda é o meio de troca da economia, é o activo mais lı́quido.

Liquidez
A facilidade com que um activo pode ser convertido no meio de troca da
economia.

Quando as pessoas decidem a forma da sua riqueza, têm que equilibrar a liquidez de
cada activo contra a capacidade do activo de preservar o valor. A moeda é o bem mais
lı́quido, mas está longe de ser perfeito para reserva de valor. Quando os preços sobem,
o valor da moeda cai. Esta ligação entre o nı́vel de preços e o valor da moeda será
importante para perceber como a moeda afecta a economia.

1
27.1.2 Os tipos de moeda

Moeda-mercadoria
Moeda sob a forma de uma mercadoria com valor intrı́nseco.

Um exemplo da moeda-mercadoria é o ouro. Quando uma economia usa ouro (ou


moeda papel convertı́vel em ouro), diz-se que está a operar sob o padrão ouro. Outro
exemplo de moeda-mercadoria são os cigarros (e.g. nos campos de prisioneiros de guerra
na “WWII”; e nos finais dos anos 80 na União Soviética!).

Moeda-fiduciária
Moeda sem valor intrı́nseco que é usada como moeda porque o governo o
decretou.

Em grande medida, a aceitação de moeda fiduciária depende tanto das expectativas dos
agentes e convenções sociais, como do decreto oficial. Mais uma vez o exemplo da União
Soviética é ilustrativo.

27.1.3 Moeda numa economia

Qual é a quantidade de moeda numa economia?


O activo mais óbvio a ser incluido na contagem é a moeda-papel e a moeda-metálica
(currency) nas mãos do público.
Mas estes activos não são os únicos usados para comprar bens e serviços. Os cartões
de débito e os cheques também o são. Assim, deve-se incluir os depósitos à ordem na
contagem da moeda de uma economia.
Há outros activos, por exemplo depósitos a prazo, que também se poderiam incluir.
Para o resto do capı́tulo chega, contudo, considerar só os dois primeiros.

M1
É um agregado monetário muito usado na literatura económica que in-
clui: moeda-papel e metálica, “traveler’s checks”, depósitos à ordem e outros
depósitos “com cheques”.

M2
Outro agregado monetário que, para além do M1, inclui depósitos a prazo,
depósitos de curta duração, mercado monetário de fundos mútuos e outras ca-
tegorias menores.

Onde entram os cartões de crédito? Ver “FYI”, p. 613.

2
27.2 Os bancos centrais
Banco central
Um instituição cujas funções são supervisionar o sistema bancário e regular
a quantidade de moeda na economia.

Portanto, ao banco central (e.g. Federal Reserve, Banco Central Europeu) cabe a
polı́tica monetária para decidir a oferta de moeda na economia.

27.3 Bancos e a oferta de moeda


Esta secção estuda como os bancos afectam a oferta de moeda (decidida pelo banco central)
e, assim, complicam a vida dos bancos centrais no controle da oferta de moeda.

27.3.1 Um caso simples com reservas de 100%

Primeiro, consideremos um caso sem bancos. Neste mundo, a oferta de moeda é composta
só de moeda-papel e metálica, por exemplo, e100.
Suponhamos que surge um banco – só faz depósitos – o Primeiro Banco Nacional.

Reservas
Depósitos que os bancos recebem, mas que não usam para empréstimos.

Nesta economia imaginária, todos os depósitos são mantidos sob a forma de reservas.
A posição financeira do banco:

Primeiro Banco Nacional


Activo Passivo
Reservas e100 Depósitos e100

Em termos de oferta de moeda, a abertura do banco não teve influência no total da


oferta de moeda, mas sim na sua composição. Em vez de termos moeda-notas/metálica
(currency), temos agora e100 sob a forma de depósitos.
Se os bancos tiverem todos os depósitos em reservas, os bancos não influenciam a oferta
de moeda.

27.3.2 Criação de moeda com reservas parciais

Num sistema com reservas parciais, os bancos mantêm só uma fracção dos depósitos em
reservas. Este rácio é determinado conjuntamente por regulamentação e polı́tica do banco.

3
Rácio de reservas
A fracção de depósitos que os bancos mantêm em reservas.

Vamos supor que Primeiro Banco Nacional tem um rácio de reservas de 10%. Então,

Primeiro Banco Nacional


Activo Passivo
Reservas e10 Depósitos e100
Empréstimos e90

Nota que os empréstimos são activos! Nada de surpreendente, porque o mesmo acontece
na contabilidade das empresas quando depositam (ou seja, emprestam) activos.
E a oferta de moeda? Agora, temos e100 em depósitos, e e90 que foram emprestados,
portanto, o oferta de moeda totaliza e190. Assim, quando os bancos mantêm só uma
fracção dos depósitos em reservas, os bancos criam moeda.
Contudo, embora no fim deste processo de criação de moeda a economia esteja mais
lı́quida, não está mais rica do que antes.1

27.3.3 O multiplicador da moeda

Suponhamos que o beneficiário do empréstimo depositou os e90 no Segundo Banco Naci-


onal, com o mesmo rácio de reservas:

Segundo Banco Nacional


Activo Passivo
Reservas e9 Depósitos e90
Empréstimos e81

O processo repete-se e temos:

Terceiro Banco Nacional


Activo Passivo
Reservas e8.10 Depósitos e81
Empréstimos e72.90

Cada vez que o dinheiro é depositado e emprestado, mais moeda é criada. Qual é,
então, a oferta de moeda?
1
Os empréstimos são activos para os bancos, mas passivo para quem os recebe.

4
Dep. original 100.00
PBN 90.00 [=.9 x 100]
SBN 81.00 [=.9 x 90 = .9 x .9 x 100]
TBN 72.90 [=.9 x 81 = .9 x .9 x .9 x 100]
.. ..
. .
Oferta de moeda e1000.00 [= ∞ i
P
i=0 100(1 − 0.1) ]

Assim, para uma unidade de depósitos, o multiplicador da moeda é


X 1 1
(1 − R)i = = (1)
i=0
1 − (1 − R) R

Podemos interpretar o multiplicador da moeda como sendo a quantidade de moeda que


o sistema bancário gera com cada unidade de reservas. O valor de R, o rácio de reservas,
determina a capacidade de criação de moeda por parte das instituições bancárias.

27.3.4 Os instrumentos de polı́tica monetária

Os bancos centrais são responsáveis por controlar a oferta de moeda na economia. Porque
os bancos (comerciais) podem criar moeda, o banco central controla a oferta de moeda de
forma indirecta.
Os bancos centrais têm três instrumentos de polı́tica monetária:

1. Operações de Mercado (Open-market) – o banco central compra e vende obrigações


do governo (tı́tulos da dı́vida pública) ao público. Se comprar obrigações, entrega
dinheiro e, portanto, está a aumentar a circulação de moeda. Se vender obrigações, a
oferta de moeda diminui. Há, ainda, que considerar o efeito indirecto do multiplicador
da moeda.

2. Reservas Obrigatórias – o banco central influencia a oferta de moeda com reservas


obrigatórias, que são regulamentos do montante mı́nimo de reservas que os bancos
devem ter contra cada unidade de depósitos. Isto é, o banco central determina o
valor mı́nimo de R do multiplicador de moeda e assim afecta a (criação) oferta de
moeda.

3. Taxa de Desconto – a taxa de juro dos empréstimos do banco central aos outros
bancos. Uma taxa de desconto mais elevada reduz a procura de empréstimos de
bancos junto do banco central e, assim, reduz as reservas dos bancos. Pelo efeito
multiplicador, reduz-se a capacidade de criar moeda dos bancos. O contrário acontece
se a taxa de desconto baixar.

5
27.3.5 Problemas em controlar a oferta de moeda

O controlo da oferta de moeda pelos bancos centrais não é perfeito. Há dois problemas:

1. O banco central não controla a quantidade de moeda que as “famı́lias” mantêm em


depósitos.

2. O banco central não controla a quantidade de empréstimos dos bancos. Por exemplo,
em épocas de dificuldades económicas, os banqueiros podem exercer mais precaução
e, assim, diminuir os empréstimos (aumentar o rácio de reservas). Isto reduz a oferta
de moeda, quando o banco central pode estar interessado no contrário.

Referências
ˆ Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

6
28 Crescimento monetário e inflação
Inflação, a subida generalizada do nı́vel de preços, pode parecer natural e inevitável, mas
na verdade não é de todo inevitável. Durante longos perı́odos do século XIX os preços
caı́ram – deflação. Em média os preços na economia americana eram 23% mais baixos em
1896 do que em 1880.
Embora a inflação tenha sido a norma durante os anos mais recentes, tem havido
bastante variabilidade na taxa de crescimento dos preços. Por exemplo, na Alemanha em
Janeiro de 1921 um jornal custava 0.3 marcos, e menos de 2 anos depois custava 70,000,000
marcos! Taxas de inflação extraordinariamente elevadas são conhecidas por hiperinflações.
O que determina a inflação de uma economia? Os aumentos na circulação de moeda
determinados pelo governo.

28.1 A teoria clássica da inflação


A maioria dos economistas usam esta teoria para explicar os determinantes de longo prazo
do nı́vel de preços e da taxa de inflação.

28.1.1 O nı́vel de preços e o valor da moeda

Suponhamos que observamos a evolução do preço de um gelado ao longo do tempo: passa


de e0.03 para e2.35. O que explica esta evolução? As preferências? As pessoas passaram
a gostar mais de gelado? Muito provavelmente não, mas sim o dinheiro usado para os
comprar é que passou a valer menos. Na verdade, a primeira lição da inflação é que é mais
acerca do valor da moeda (dinheiro) do que sobre o valor dos bens e serviços.
O nı́vel de preços global pode ser visto de duas formas. Primeiro, como o preço de um
cabaz de bens e serviços. Alternativamente, podemos vê-lo como uma medida do valor do
dinheiro. Um aumento do nı́vel de preços reduz a quantidade de bens que o dinheiro na tua
carteira consegue comprar. Matematicamente, se P for o nı́vel de preços, então P dá-nos
o número de e’s necessários para comprar o cabaz. Alternativamente, com e1 podemos
comprar 1/P unidades desse cabaz. P é o valor dos bens medido em e; 1/P é o valor da
moeda medido em bens e serviços.

28.1.2 Oferta de moeda, procura de moeda e equilı́brio monetário

O que determina o valor da moeda? Procura e oferta.


Oferta. O banco central e o sistema bancário determinam a oferta de moeda. Por
simplificação vamos considerar que o banco central tem o controlo absoluto da oferta de
moeda.

1
Procura. Como toda a procura, a procura de moeda depende de vários factores (e.g.
carteira vs cartão crédito; taxa de juro). Há, contudo, um que sobressai em importância:
o nı́vel médio de preços. Quanto mais elevados os preços, mais as pessoas procuram moeda
para fazer face às suas necessidades/compras.
O que garante o equilı́brio entre procura e oferta? Depende do horizonte temporal. No
curto prazo, que não vamos agora estudar, a taxa de juro tem um papel importante. No
longo prazo, a nossa preocupação presente, o nı́vel de preços global ajusta-se para o nı́vel
ao qual a procura de moeda iguala a oferta. O painel da esquerda da Figura 1 ilustra estas
ideias.
1/P
1/P
6 Oferta moeda 6 M S1 M S2

1/P ∗ 1/2 A

1/4 B
Procura moeda Procura moeda
- -
M̄ Quant. moeda M1 M2 Quant. moeda

Figura 1: Moeda – Procura, Oferta e Preços

28.1.3 Os efeitos da uma injecção monetária

Os efeitos de um aumento da oferta de moeda são ilustrados na Figura 1 no painel da


direita. No caso concreto considera-se que a oferta de moeda duplica, resultando assim
na duplicação do nı́vel de preços (2 → 4) ou que o valor da moeda diminui para metade
(1/2 → 1/4).

Teoria Quantitativa da Moeda


Afirma que a quantidade de moeda disponı́vel determina o nı́vel de preços e
que a taxa de crescimento da quantidade de moeda determina a taxa de inflação.

Esta teoria pode-se resumir nas palavras de Milton Friedman1 : “Inflation is always and
everywhere a monetary phenomenon.”
1
http://www.nobel.se/economics/laureates/1976/

2
28.1.4 O processo de ajustamento

Comecemos por imaginar que o Banco de Portugal lança de helicóptero o aumento de


oferta de moeda (M1 → M2 = 2 × M1 , na Figura 1). O excesso de oferta de moeda gera
um aumento de preços, pois as variáveis reais, e.g. trabalho, capital fı́sico e humano, não
são afectadas e, portanto, o aumento da procura de bens e serviços não é acompanhado
por um aumento da respectiva oferta. Eventualmente, a economia chega ao novo equilı́brio
(ponto B).

28.1.5 A dicotomia clássica e neutralidade monetária

Variáveis nominais
Variáveis medidas em unidades monetárias.
Variáveis reais
Variáveis medidas em unidades fı́sicas.
Dicotomia clássica
A separação teórica de variáveis nominais e reais.

Exemplos de variáveis reais: os preços relativos (e.g. número de laranjas por computa-
dor, mas não o preço cobrado, esse é uma variável nominal); salário real; taxa de juro real;
PIB real.

Neutralidade monetária
As variações na oferta de moeda não afectam as variáveis reais.

28.1.6 Velocidade e a equação da teoria quantitativa da moeda

Quantas vezes por ano é que a moeda de e1 é usada para pagar um novo bem ou serviço?
A resposta é dada pela

Velocidade da moeda
a taxa a que a moeda muda de mãos.

Para calcular a velocidade, V , dividimos ao PIB nominal, P × Y , pela quantidade de


moeda M .

V = (P × Y )/M, (1)

onde P é o deflator do PIB e Y o PIB real.


Reescrevendo (1), obtemos a equação que expressa a teoria quantitativa da moeda

M ×V =P ×Y (2)

3
Esta equação mostra que um aumento na quantidade de moeda tem que se reflectir
numa de 3 variáveis:
1. ↓ V , mas empiricamente a velocidade da moeda é tipicamente constante (ver Figura
28-3 no livro, p. 636);

2. ↑ Y , mas como já vimos a moeda não influencia as variáveis reais, em particular, não
influencia os factores que determinam a produção;

3. ↑ P , logo a única variável que aumenta (no longo prazo) são os preços. Há, portanto,
uma relação de um-para-um entre a taxa de crescimento da oferta monetária e a taxa
de inflação.

28.1.7 O imposto-inflação

Porque é que os bancos centrais de certos paı́ses emitem moeda que persistentemente perde
valor? Resposta: O governos desses paı́ses usam essa moeda para pagar as suas despesas,
em vez de usar os impostos.
Imposto-inflação
O rendimento que o governo apropria através da criação de moeda.
Porquê um “imposto”? Porque o valor do dinheiro na tua carteira perde-se com a
inflação. Exactamente o mesmo que acontece ao valor do teu trabalho quando pagas
impostos.

28.1.8 O efeito de Fisher

Taxa de juro real = Taxa de juro nominal - Taxa de inflação, (3)

ou, reescrevendo a equação (3)

Taxa de juro nominal = Taxa de juro real + Taxa de inflação. (4)


Esta forma (4) de olhar para a taxa de juro nominal é útil porque diferentes forças
económicas determinam as duas parcelas do lado direito da equação. A taxa de juro real é
determinada pela procura e oferta de fundos de empréstimo. Enquanto, a taxa de inflação
é determinada pela oferta de moeda (teoria quantitativa da moeda).
Efeito de Fisher
A taxa de juro nominal ajusta um-para-um com a taxa de inflação.
Reflecte, assim, a neutralidade da moeda no longo prazo (variáveis reais não são afec-
tadas).

4
28.2 Os custos da inflação
A inflação é um fenómeno seguido de perto e bastante discutido porque se pensa que é um
problema económico sério. Mas é realmente? E, se sim, porquê?

28.2.1 Queda do poder de compra? A falácia da inflação

Os rendimentos nominais tendem a acompanhar os aumentos de preços, portanto, não há


uma perda do poder de compra. Mas se assim é, porque é que a inflação é um problema?
Há várias respostas, mas todas mostram que o crescimento persistente da oferta de moeda
tem eventualmente um efeito sobre as variáveis reais.

28.2.2 Custos sola do sapato

Este problema pode ser analisado quase da mesma forma como estudamos as perdas in-
duzidas por um imposto (afinal a inflação é como um imposto). A afectação de recursos é
ineficiente, causa perdas tipo ‘peso-morto’ (deadweight loss).

Custos sola do sapato


Os recursos mal gastos quando a inflação encoraja as pessoas a reduzir os
seus activos de moeda.

Este problema é particularmente grave para paı́ses com hiperinflações.

28.2.3 Custos de cardápio (Menu costs)

Menu costs
Os custos de alterar (as listas de) preços.

28.2.4 Variabilidade dos preços relativos e a má afectação de recursos

A inflação causa uma variabilidade nos preços relativos superior à que se observaria de
outra forma. Porque que isto é importante? A razão é que as economias de mercado usam
os preços relativos para afectar os recursos escassos.
Exemplo: Restaurante A aumenta os preços em 10% a 1 de Janeiro, mas o B não.
Como afecta as tuas decisões? E, se a 1 de Fevereiro o B também aumentar 10%? Agora,
o preço relativo é o mesmo que a 31 de Dezembro do ano anterior.

5
28.2.5 Distorções fiscais induzidas pela inflação

Quase todos os impostos distorcem os incentivos. Muitos impostos, contudo, tornam-se


ainda mais problemáticos na presença de inflação.
A inflação tende a aumentar a carga fiscal em rendimentos obtidos de poupanças. Por
exemplo,

1. Ganhos de capitais. Parte de um ganho de capital pode ser puramente nominal


(aumento no preço devido à inflação), o ganho em termos reais é seguramente inferior
(eventualmente negativo), mas o imposto recai sobre a diferença entre preço nominal
final e inicial!

2. Rendimento sob a forma de juros. Ver exemplo da Tabela 1:

Tabela 1: Inflação, impostos e juros


Economia A Economia B
(Estabilidade preços) (Inflação)
Taxa de juro real 4% 4%
Taxa de inflação 0 8
Taxa de juro nominal 4 12
Redução no juro
devido 25% imposto 1 3
Taxa de juro nomimal
depois imposto 3 9
Taxa de juro real
depois imposto 3 1

Assim, quando a inflação aumenta a carga fiscal sobre a poupança, tende a deprimir a
taxa de crescimento de longo prazo da economia (pela ligação investimento/poupança).
Uma solução para este problema é indexar o sistema fiscal. Isto é, reescrevendo as leis
fiscais para levar em conta os efeitos da inflação.

28.2.6 Confusão e incoveniência

A inflação, de certa forma, torna os investidores menos capazes de distinguir firmas bem
sucedidas das menos bem sucedidas,2 o que por sua vez impede os mercados financeiros de
afectar as poupanças da economia para formas alternativas de investimento.
2
Os lucros podem estar aumentar só por efeitos nominais – aumentos de preços devidos à inflação.

6
28.2.7 Um custo especial da inflação inesperada: Redistribuição arbitrária da
riqueza

A inflação tem um custo adicional quando surge como uma surpresa. Inflação inesperada
redistribui a riqueza entre a população de uma forma que não tem nada a ver com mérito
ou necessidade. Essas redistribuições ocorrem porque muitos dos empréstimos na economia
estão especificados em termos da unidade de medida – a moeda.
Exemplo: Empréstimo e40,000, taxa nominal 7%. O que acontece ao devedor se houver
hiperinflação? Paga os e40,000 com trocos! Há um redistribuição de riqueza do credor para
o devedor. E se tivermos deflação? A redistribuição é no sentido contrário. O ponto é que
a taxa de juro real não é fixa e ao variar favoravelmente para uns tem que necessariamente
afectar outros desfavoravelmente.

Referências
Mankiw, N. Gregory, 2002, “Principles of Economics”, Harcourt College Publishers,
2nd Edition.

7
ISEGI

Análise Económica

Exame
30 de Outubro de 2008

Nome:

Número do aluno:

Duração do exame: 2 horas

Nota: Assinale as suas respostas de forma clara na folha do exame.

O teste tem 40 pontos. As questões de escolha múltipla valem 1 ponto cada e a questão de

desenvolvimento vale 12 pontos.

1) Como vendedor, pode ser considerado como parte de um mercado concorrencial se


a. a sua actuação é rapidamente imitada pelos seus concorrentes.
b. a sua actuação não tem qualquer efeito no preço de mercado.
c. as suas decisões de preços não têm impacto nas quantidades que pode vender.
d. aumentos no preço do produto têm impacto no preço de mercado.

2) Se um bem é “normal”, então um aumento no rendimento terá como resultado


a. nenhuma alteração na procura pelo bem.
b. um aumento na procura pelo bem.
c. uma diminuição na procura pelo bem.
d. um preço de mercado mais baixo.

3) A inflação leva
a. a uma queda no produto.
b. a um aumento na produtividade.
c. o governo a baixar os impostos.
d. o valor da moeda a cair.

4) Um trabalhador no Bangladesh pode ganhar 1 euro por dia produzindo vestuário num máquina
operada manualmente. Um trabalhador na Europa ganha 100 euros por dia produzindo o mesmo
vestuário numa máquina automática. O que justifica as diferenças de salários?
a. Os trabalhadores têxteis na Europa têm um sindicato.
b. Há pouca procura por vestuário no Bangladesh e muita procura na Europa.
c. O trabalho é mais produtivo produzindo o vestuário com uma máquina automática do que com
uma manual.
d. O Bangladesh tem uma política de salários baixos de forma a tornar a sua indústria têxtil mais
competitiva nos mercados mundiais.
5) Quais das seguintes frases NÃO são correctas?
a. O comércio permite a especialização.
b. O comércio é bom para os países.
c. O comércio é baseado nas vantagens absolutas.
d. O comércio permite aos individuos consumir para além da sua curva de possibilidades de
produção.

6) De acordo com o gráfico, qual das seguintes frases é verdade para o Cliff e o Paul?
a. Paul tem uma vantagem absoluta em wheat e corn .
b. Paul tem uma vantagem absoluta em wheat e Cliff tem uma vantagem absoluta em corn.
c. Cliff tem uma vantagem absoluta em wheat e Paul tem uma vantagem absoluta em corn.
d. Cliff tem uma vantagem absoluta em wheat e corn.

7) De acordo com o gráfico, o custo de oportunidade de 1 unidade de wheat para o Cliff é


a. 1/3 de corn.
b. 2/3 de corn.
c. 1 de corn.
d. 3/2 de corn.
8) Dois bens são complementos se uma diminuição do preço de um bem
a. aumenta a quantidade procurada do outro bem.
b. reduz a quantidade procurada do outro bem.
c. reduz a quantidade oferecida do outro bem.
d. aumenta a procura do outro bem.

Considere que é dono de um cinema numa pequena cidade. Neste momento cobra 5 euros por cada
bilhete a todos os clientes do cinema. Um seu amigo, que fez um curso de economia, diz-lhe que
pode haver uma forma de aumentar a sua receita. Dadas as curvas de procura representadas nos
gráficos, responda às questões 9 a 13.

9. Qual é, neste momento, a receita total para os dois grupos?


10. A procura é mais elástica em qual dos mercados?
11. Qual é a elasticidade da procura entre os preços 5 euros e 2 euros no mercado dos adultos? A
procura é elástica ou inelástica?
12. Qual é a elasticidade da procura entre os preços 5 euros e 3 euros no mercado das crianças? A
procura é elástica ou inelástica?
13. Dados os gráficos e o que o seu amigo sabe de economia, ele recomenda-lhe que você aumente o
preço dos bilhetes de adulto para 8 euros e diminua o preço dos bilhetes de criança para 3 euros.
Qual seria a sua nova receita total?

14) Se um preço máximo é uma restrição activa no mercado,


a. o preço de equilíbrio tem que ser menor do que o preço máximo.
b. o preço de equilíbrio tem que ser maior do que o preço máximo.
c. as forças da oferta e da procura devem estar em equilíbrio.
d. não tem impacto na oferta e na procura.

15) Se um imposto é colocado nos compradores de um produto a curva da procura desloca-se


a. para baixo no montante do imposto.
b. para cima no montante do imposto.
c. para baixo num montante inferior ao do imposto.
d. para cima num montante superior ao do imposto.
16) Uma curva da procura reflecte todas as seguintes frases EXCEPTO
a. a disponibilidade para pagar de todos os compradores no mercado.
b. o valor que cada comprador no mercado atribui ao bem.
c. o preço mais alto que os compradores estão dispostos a pagar por cada quantidade.
d. a capacidade dos compradores para obter a quantidade que eles desejam.

17) Um imposto sobre um produto leva o preço que o comprador paga


a. e o preço que o vendedor recebe a aumentarem.
b. e o preço que o vendedor recebe a diminuírem.
c. a ser menor e o e o preço que o vendedor recebe a aumentar.
d. a ser maior e o preço que o vendedor recebe a diminuir.

18) O custo de oportunidade de uma empresa é igual aos


a. custos explícitos.
b. custos implícitos.
c. custos explícitos + custos implícitos.
d. custos explícitos + custos implícitos + receita total.

19) Suponha que uma empresa é capaz de produzir 160 unidades por dia com 15 trabalhadores. A
empresa é capaz de produzir 176 unidades por dia com 16 trabalhadores (mantendo os outros
inputs fixos). O produto marginal do 16º trabalhador é:
a. 10 unidades.
b. 11 unidades.
c. 16 unidades.
d. 176 unidades.

20) Quando uma empresa competitiva escolhe uma mudança no seu nível de produção, mantendo o preço
constante, o seu rendimento marginal
a. aumenta se a MR < ATC e diminui se MR > ATC.
b. não se altera.
c. aumenta.
d. diminui.

21) O produto marginal decrescente sugere que


a. unidades adicionais de produção tornam-se mais baratas à medida que a produção aumenta.
b. o custo marginal tem inclinação positiva.
c. a empresa está na sua capacidade máxima.
d. Todas estão correctas.
Utilize este gráfico para responder às questões 22 e 23.

22). A forma da curva de custos médios totais na figura revela informação acerca da natureza das
barreiras à entrada que podem existir num monopólio. Qual dos seguintes tipos de monopólio é
melhor representado pela figura?
a. Detenção de um recurso chave por uma única empresa
b. Monopólio natural
c. Monopólio criado pelo governo
d. Nenhuma das anteriores está correcta.

23). A forma da curva de custos médios totais na figura sugere uma oportunidade para um monopolista
que maximize o lucro explorar
a. economias de escala.
b. deseconomias de escala.
c. o protuto marginal decrescente.
d. o protuto marginal crescente.

24) Quando um monopolista aumenta a sua produção, a sua receita total


a. aumenta e a receita marginal aumenta.
b. aumenta e a receita marginal diminui.
c. diminui e a receita marginal aumenta.
d. diminui e a receita marginal diminui.

25) Um consumidor optimizador selecciona o cabaz de consumo em que


a. o rácio das utilidades totais é igual ao preço relativo.
b. o rácio do rendimento e do preço é igual à taxa marginal de substituição.
c. a taxa marginal de substituição é igual ao preço relativo.
d. taxa marginal de substituição é igual ao rendimento.
26) Inflação alta e persistente é quase sempre causada por
a. um aumento na procura por produção interna.
b. crescimento na quantidade de moeda.
c. concorrência externa.
d. maior produtividade do trabalho.

Utilize a figura para responder às seguintes perguntas:

27) Se a oferta de moeda é MS2 e o valor da moeda é 2,


a. o valor da moeda é menor que o nível de equilíbrio.
b. o nível de preço é superior ao de equilíbrio.
c. a procura de moeda é superior à oferta de moeda.
d. a oferta de moeda é superior à procura de moeda.

28) Quando a oferta de moeda passa de MS1 para MS2,


a. a procura por bens e serviços diminui.
b. a capacidade da economia de produzir bens e serviços aumenta.
c. o nível de preços de equilíbrio aumenta.
d. o valor de equilíbrio da moeda aumenta.
Questão de desenvolvimento

Nota: Responda às duas questões seguintes.

1. Considere os seguintes acontecimentos: i) cientistas revelam que o consumo de laranjas aumenta o risco
de diabetes; e ii) ao mesmo tempo, os agricultores utilizam um novo fertilizante que aumenta a
produtividade das laranjeiras. Explique como estes acontecimentos afectam o mercado das laranjas.
Mostre que curvas se deslocam e o seu efeito no preço e quantidade de equilíbrio.

2. Utilizando gráficos separados, demonstre o que é que acontece à oferta de moeda, procura de
moeda, ao valor da moeda e ao nível de preços se:
a. o BCE aumenta a oferta de moeda.
b. as pessoas decidem procurar menos moeda a cada valor da moeda.
Folha de rascunho
Folha de rascunho
ISEGI
Análise Económica

Exame
30 de Outubro de 2008

Nome:
Número do aluno:

Duração do exame: 2 horas

Nota: Assinale as suas respostas de forma clara na folha do exame.

O teste tem 40 pontos. As questões de escolha múltipla valem 1 ponto


cada e a questão de desenvolvimento vale 12 pontos.

1) Como vendedor, pode ser considerado como parte de um mercado concorrencial se


a. a sua actuação é rapidamente imitada pelos seus concorrentes.
X b. a sua actuação não tem qualquer efeito no preço de mercado.
c. as suas decisões de preços não têm impacto nas quantidades que pode vender.
d. aumentos no preço do produto têm impacto no preço de mercado.
2) Se um bem é “normal”, então um aumento no rendimento terá como resultado
a. nenhuma alteração na procura pelo bem.
X b. um aumento na procura pelo bem.
c. uma diminuição na procura pelo bem.
d. um preço de mercado mais baixo.

3) A inflação leva
a. a uma queda no produto.
b. a um aumento na produtividade.
c. o governo a baixar os impostos.
X d. o valor da moeda a cair.

4) Um trabalhador no Bangladesh pode ganhar 1 euro por dia produzindo vestuário num máquina
operada manualmente. Um trabalhador na Europa ganha 100 euros por dia produzindo o mesmo
vestuário numa máquina automática. O que justifica as diferenças de salários?
a. Os trabalhadores têxteis na Europa têm um sindicato.
b. Há pouca procura por vestuário no Bangladesh e muita procura na Europa.
X c. O trabalho é mais produtivo produzindo o vestuário com uma máquina automática do que
com uma manual.
d. O Bangladesh tem uma política de salários baixos de forma a tornar a sua indústria têxtil mais
competitiva nos mercados mundiais.

5) Quais das seguintes frases NÃO são correctas?


a. O comércio permite a especialização.
b. O comércio é bom para os países.
X c. O comércio é baseado nas vantagens absolutas.
d. O comércio permite aos individuos consumir para além da sua curva de possibilidades de
produção.

6) De acordo com o gráfico, qual das seguintes frases é verdade para o Cliff e o Paul?
X a. Paul tem uma vantagem absoluta em wheat e corn .
b. Paul tem uma vantagem absoluta em wheat e Cliff tem uma vantagem absoluta em corn.
c. Cliff tem uma vantagem absoluta em wheat e Paul tem uma vantagem absoluta em corn.
d. Cliff tem uma vantagem absoluta em wheat e corn.

7) De acordo com o gráfico, o custo de oportunidade de 1 unidade de wheat para o Cliff é


a. 1/3 de corn.
X b. 2/3 de corn.
c. 1 de corn.
d. 3/2 de corn.
8) Dois bens são complementos se uma diminuição do preço de um bem
a. aumenta a quantidade procurada do outro bem.
b. reduz a quantidade procurada do outro bem.
c. reduz a quantidade oferecida do outro bem.
X d. aumenta a procura do outro bem.

Considere que é dono de um cinema numa pequena cidade. Neste momento cobra 5 euros por cada
bilhete a todos os clientes do cinema. Um seu amigo, que fez um curso de economia, diz-lhe que
pode haver uma forma de aumentar a sua receita. Dadas as curvas de procura representadas nos
gráficos, responda às questões 9 a 13.

9. Qual é, neste momento, a receita total para os dois grupos?


10. A procura é mais elástica em qual dos mercados?
11. Qual é a elasticidade da procura entre os preços 5 euros e 2 euros no mercado dos adultos? A
procura é elástica ou inelástica?
12. Qual é a elasticidade da procura entre os preços 5 euros e 3 euros no mercado das crianças? A
procura é elástica ou inelástica?
13. Dados os gráficos e o que o seu amigo sabe de economia, ele recomenda-lhe que você aumente o
preço dos bilhetes de adulto para 8 euros e diminua o preço dos bilhetes de criança para 3 euros.
Qual seria a sua nova receita total?

Respostas:
9. Receita total com os bilhetes das crianças é de $100 e dos adultos de $250.
10. A procura por bilhetes para crianças é mais elástica.
11. A elasticidade da procura entre $5 e $2 é 0.26 ou inelástica.
12. A elasticidade da procura entre $5 e $3 é 1.33 ou elástica.
13. A nova receita seria de $440.

14) Se um preço máximo é uma restrição activa no mercado,


a. o preço de equilíbrio tem que ser menor do que o preço máximo.
Xb. o preço de equilíbrio tem que ser maior do que o preço máximo.
c. as forças da oferta e da procura devem estar em equilíbrio.
d. não tem impacto na oferta e na procura.

15) Se um imposto é colocado nos compradores de um produto a curva da procura desloca-se


Xa. para baixo no montante do imposto.
b. para cima no montante do imposto.
c. para baixo num montante inferior ao do imposto.
d. para cima num montante superior ao do imposto.
16) Uma curva da procura reflecte todas as seguintes frases EXCEPTO
a. a disponibilidade para pagar de todos os compradores no mercado.
b. o valor que cada comprador no mercado atribui ao bem.
c. o preço mais alto que os compradores estão dispostos a pagar por cada quantidade.
X d. a capacidade dos compradores para obter a quantidade que eles desejam.

17) Um imposto sobre um produto leva o preço que o comprador paga


a. e o preço que o vendedor recebe a aumentarem.
b. e o preço que o vendedor recebe a diminuírem.
c. a ser menor e o e o preço que o vendedor recebe a aumentar.
X d. a ser maior e o preço que o vendedor recebe a diminuir.

18) O custo de oportunidade de uma empresa é igual aos


a. custos explícitos.
b. custos implícitos.
X c. custos explícitos + custos implícitos.
d. custos explícitos + custos implícitos + receita total.

19) Suponha que uma empresa é capaz de produzir 160 unidades por dia com 15 trabalhadores. A
empresa é capaz de produzir 176 unidades por dia com 16 trabalhadores (mantendo os outros
inputs fixos). O produto marginal do 16º trabalhador é:
a. 10 unidades.
b. 11 unidades.
X c. 16 unidades.
d. 176 unidades.

20) Quando uma empresa competitiva escolhe uma mudança no seu nível de produção, mantendo o preço
constante, o seu rendimento marginal
a. aumenta se a MR < ATC e diminui se MR > ATC.
X b. não se altera.
c. aumenta.
d. diminui.

21) O produto marginal decrescente sugere que


a. unidades adicionais de produção tornam-se mais baratas à medida que a produção aumenta.
X b. o custo marginal tem inclinação positiva.
c. a empresa está na sua capacidade máxima.
d. Todas estão correctas.
Utilize este gráfico para responder às questões 22 e 23.

22). A forma da curva de custos médios totais na figura revela informação acerca da natureza das
barreiras à entrada que podem existir num monopólio. Qual dos seguintes tipos de monopólio é
melhor representado pela figura?
a. Detenção de um recurso chave por uma única empresa
X b. Monopólio natural
c. Monopólio criado pelo governo
d. Nenhuma das anteriores está correcta.

23). A forma da curva de custos médios totais na figura sugere uma oportunidade para um monopolista
que maximize o lucro explorar
X a. economias de escala.
b. deseconomias de escala.
c. o protuto marginal decrescente.
d. o protuto marginal crescente.

24) Quando um monopolista aumenta a sua produção, a sua receita total


a. aumenta e a receita marginal aumenta.
b. aumenta e a receita marginal diminui.
c. diminui e a receita marginal aumenta.
X d. diminui e a receita marginal diminui.

25) Um consumidor optimizador selecciona o cabaz de consumo em que


a. o rácio das utilidades totais é igual ao preço relativo.
b. o rácio do rendimento e do preço é igual à taxa marginal de substituição.
X c. a taxa marginal de substituição é igual ao preço relativo.
d. taxa marginal de substituição é igual ao rendimento.
26) Inflação alta e persistente é quase sempre causada por
a. um aumento na procura por produção interna.
X b. crescimento na quantidade de moeda.
c. concorrência externa.
d. maior produtividade do trabalho.

Utilize a figura para responder às seguintes perguntas:

27) Se a oferta de moeda é MS2 e o valor da moeda é 2,


a. o valor da moeda é menor que o nível de equilíbrio.
b. o nível de preço é superior ao de equilíbrio.
c. a procura de moeda é superior à oferta de moeda.
X d. a oferta de moeda é superior à procura de moeda.

28) Quando a oferta de moeda passa de MS1 para MS2,


a. a procura por bens e serviços diminui.
b. a capacidade da economia de produzir bens e serviços aumenta.
X c. o nível de preços de equilíbrio aumenta.
d. o valor de equilíbrio da moeda aumenta.
Análise Económica
Álvaro A. Novo

Exame

5 de Janeiro de 2007

Nome:
Número de aluno:

Duração
2 horas

Nota: Todas as respostas deverão ser assinaladas no exame de forma inequı́voca.

Questões
Escolha múltipla: [1-20]
Desenvolvimento: [21]

1. A taxa moderadora paga na utilização dos serviços públicos de saúde é tecnicamente um:

(a) preço máximo acima do preço de equilı́brio;


(b) X preço máximo abaixo do preço de equilı́brio;
(c) preço mı́nimo abaixo do preço de equilı́brio;
(d) preço mı́nimo acima do preço de equilı́brio;
(e) um imposto Pigouviano;

1
2. A entrada em vigor do acordo para o sector têxtil no âmbito da Organização Mundial de
Comércio preocupa(ou) os empresários têxteis portugueses. Tal preocupação resulta de
considerarem que os empresários asiáticos têm:

(a) vantagem absoluta;


(b) vantagem relativa;
(c) Alı́neas (a) e (b);
(d) Alı́nea (a) certamente e (b) talvez;
(e) X Alı́nea (b) certamente e (a) talvez;

3. Dois estudos sobre o aumento da taxa de IVA de 17% para 19% e de 19% para 21%,
que como sabes é entregue ao Estado pelos vendedores, mostraram que a incidência dos
aumentos do imposto recaı́ram igualmente sobre os consumidores e vendedores. Daqui
conclui-se que:

(a) Os consumidores e vendedores têm elasticidades-preço inelásticas;


(b) Os consumidores e vendedores têm elasticidades-preço perfeitamente elásticas;
(c) X Em valor absoluto, consumidores e vendedores têm elasticidades-preço iguais;
(d) Em valor absoluto, a elasticidade-preço dos consumidores é superior à dos vendedores;
(e) Em valor absoluto, a elasticidade-preço dos consumidores é inferior à dos vendedores;

4. Das seguintes formas de resolução das externalidades quais são consideradas equivalentes?

(a) Imposto pigoviano e regulamentação;


(b) X Imposto pigoviano e direitos negociáveis de poluição;
(c) Regulamentação e direitos negociáveis de poluição;
(d) Todas as formas mencionadas acima são equivalentes;
(e) Nenhuma das alı́neas anteriores;

5. Uma grande superfı́cie precisa de determinar em quantos segmentos de mercado se divide


o mercado do queijo. Para tal contacta o ISEGI, pedindo auxı́lio na elaboração de um
estudo com base no lote de queijos que vende. Que elementos de análise económica sugeres
que sejam incluı́dos no estudo:

(a) X Cálculo de elasticidades-cruzadas de preço da procura de queijos;


(b) Cálculo de elasticidades-rendimento da procura de queijos;
(c) Cálculo de elasticidades-preço da procura de queijos;
(d) Alı́neas (b) e (c);
(e) Alı́neas (a), (b) e (c);

2
6. Classifica, quanto ao grau de elasticidade-preço, a seguinte curva da oferta:
P
6 S

-
Q

(a) Elástica;
(b) Inelástica;
(c) Elasticidade unitária;
(d) Perfeitamente elástica;
(e) X Perfeitamente inelástica;

7. No longo prazo, o aumento no nı́vel de preços é explicado por:

(a) Perda de vantagens comparativas;


(b) Aumento da produtividade;
(c) Aumento do salário mı́nimo;
(d) X Aumento da oferta monetária;
(e) Aumento da despesa pública;

8. O excedente total é a medida usada pelos economistas para medir eficiência económica.
Haverá situações onde só o excedente do produtor é suficiente para medir a eficiência?

(a) Não;
(b) X Sim;

9. “Se o sector público puder negociar, sem custos, a afectação de recursos, pode resolver o
problema das externalidades por ele próprio.” Este enunciado corresponde ao:

(a) Teorema de Coase;


(b) Vantagens absolutas;
(c) Vantagens comparativas;
(d) Superioridade das soluções de mercado;
(e) X Nenhuma das alı́neas acima;

3
10. No longo prazo, para conheceres a curva da oferta de uma empresa competitiva necessitas
de conhecer:
(a) Curva do custo total médio;
(b) Curva do custo marginal;
(c) Curva do custo fixo médio;
(d) X Alı́neas (a) e (b);
(e) Alı́neas (a), (b) e (c);
11. Considera a seguinte tabela relativa a uma empresa.

Quantidade Rend. Marginal Custo Marginal


0
1 5 1
2 5 2
3 5 3
4 5 4
5 5 5
6 5 6
7 5 7
8 5 8

Determina a quantidade que maximiza o lucro:


(a) 3
(b) 4
(c) X 5
(d) 6
(e) 7
12. Sabendo que o rácio de reservas obrigatórias é de 5% e que o oferta de moeda na economia
é de $10000, determina o montante de notas e moedas em circulação.
(a) 200;
(b) 250;
(c) 400;
(d) X 500;
(e) 200000;
13. “Qualquer ponto da curva do custo total médio de longo prazo está abaixo de qualquer
ponto numa curva de custo total médio de curto prazo.”
(a) Verdadeiro;
(b) X Falso;

4
14. Considera os seguintes dados da procura para um mercado monopolista com discriminação
perfeita de preços:

Preço Quantidade
120 0
110 1
100 2
90 3
80 4
70 5
60 6
40 7
20 8
10 9
0 10

Assumindo que o custo marginal é igual para todas as unidades produzidas, determina o
custo marginal compatı́vel com um excedente do produtor de 150 unidades monetárias:

(a) 80;
(b) 70;
(c) X 60;
(d) 40;
(e) 20;

15. De que forma pode o banco central diminuir a oferta monetária na economia?

(a) Comprando tı́tulos da dı́vida pública;


(b) Aumentando o rácio de reservas obrigatórias;
(c) Aumentando a taxa de desconto;
(d) X Alı́neas (b) e (c);
(e) Alı́neas (a), (b) e (c);

16. A variação no Produto Interno Bruto (PIB) pode decompor-se em variações . . . . . . e


. . . . . . . Escolhe o par que melhor completa a frase anterior:

(a) (de qualidade, de quantidades);


(b) (de preços, de qualidade);
(c) X (de preços, de quantidades);
(d) (reais, nominais);

5
17. Na presença de externalidades negativas o custo social:
(a) X é superior ao custo privado;
(b) é inferior ao custo privado;
(c) é igual ao custo privado;
(d) é igual ao imposto;
(e) é igual ao benefı́cio social;
18. Quando o custo total médio de longo prazo aumenta com o aumento da quantidade
produzida, os economistas identificam qual dos seguintes conceitos:
(a) Rendimentos crescentes de escala;
(b) X Rendimentos decrescentes de escala;
(c) Rendimentos constantes de escala;
(d) Ponto de escala eficiente;
(e) Ponto de escala ineficiente;
19. Considera duas empresas competitivas com as caracterı́sticas (curvas) definidas na se-
guinte figura:

P Painel A P Painel B
MC
6 MC 6
ATC
ATC

- -
Q Q

Qual das seguintes alı́neas está correcta?


(a) X O painel ‘A’ representa uma firma lucrativa, o ‘B’ uma firma não lucrativa;
(b) O painel ‘A’ representa uma firma não lucrativa, o ‘B’ uma firma lucrativa;
(c) Ambos os painéis representam firmas lucrativas, com a firma ‘A’ mais lucrativa;
(d) Ambos os painéis representam firmas lucrativas, com a firma ‘B’ mais lucrativa;
(e) Não é possı́vel determinar o lucro das firmas;

6
20. Os economistas argumentam que os ambientalistas penalizam a sua causa por um am-
biente limpo porque o bem ‘ambiente limpo’:

(a) X É um bem com elasticidade-rendimento positiva e que obedece à lei da procura;


(b) É um bem com elasticidade-rendimento positiva, mas que não obedece à lei da procura;
(c) É um bem com elasticidade-rendimento negativa e que obedece à lei da procura;
(d) É um bem com elasticidade-rendimento negativa, mas que não obedece à lei da pro-
cura;
(e) É um bem com elasticidade-rendimento nula e que obedece à lei da procura;

7
21. De acordo com uma notı́cia recente:
“Jogadores de futebol vão pagar IRS sobre totalidade dos rendimentos”
“A partir deste ano, os jogadores profissionais de futebol vão pagar IRS sobre a totalidade
dos seus rendimentos, em vez dos 60 por cento que serviam de referência até agora [. . . ]
Este ano será aplicável o regime geral de tributação a todos os rendimentos auferidos pelos
futebolistas [. . . ] Isto significa que os futebolistas profissionais passam a ser tratados como
todos os contribuintes em relação a todos os seus rendimentos.”
Público Online, 02.01.2007 - 10h06

(a) Ilustra graficamente, legendando devidamente o gráfico, o efeito que esta medida vai
ter na quantidade de equilı́brio e nos salários (preço) de equilı́brio dos futebolistas.
[Para simplificar a resposta a esta alı́nea, assume que a procura de futebolistas é dos
clubes e que a oferta é feita por empresas. Assume, também, que só há um tipo de
futebolista e que todos pagam o mesmo montante de imposto.]

(b) Sobre quem vai incidir este aumento no imposto?


[R: Ambos]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(c) Como sabes os salários praticados em Portugal, não só os dos futebolistas profissio-
nais, são inferiores aos da vasta maioria dos paı́ses europeus (e.g. Inglaterra, Itália,
Espanha). O aumento dos impostos vai aumentar ainda mais a diferença de salários
lı́quidos entre as ligas europeias e a portuguesa. É possı́vel prevêr que:
i. os nossos melhores futebolistas [R: emigrem] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
ii. as receitas de IRS colectadas com os futebolistas acabem por . . . . . . . . . . . . . . . [R:
cair]. . . . Economicamente, este fenómeno é conhecido por [R: Curva de Laffer] . .
(d) É também previsı́vel que as receitas de bilheteira dos jogos de futebol [R: caiam]. . . .
(e) Algumas pessoas classificam a medida como ‘justa’, referindo-se ao tratamento igual
perante a lei fiscal de todos os cidadões. Sem qualquer juı́zo de valor, propõe uma
medida alternativa que reponha “a justiça fiscal”.
[Reduzir os impostos dos restantes cidadãos para o nı́vel actual dos futebolistas.] . . .
....................................................................................
....................................................................................

8
Rascunho 1/2

Número de aluno:

9
Rascunho 2/2

10

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