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Hipoglicemia

Saiba mais sobre a Hipoglicemia, causas, sintomas,


hipoglicemia reativa

Hipoglicemia: nivel de glicose no sangue abaixo do normal

Introdução

Hipoglicemia é um transtorno caracterizado pelo nível, abaixo do normal, de


glicose no sangue. Os sintomas característicos são: fraqueza, tremores,
ansiedade e palidez. Os pacientes podem, também, mostrar alterações na
personalidade e parecerem intoxicados.

Conhecendo a Hipoglicemia

A hipoglicemia é resultado do excesso de insulina, devido a uma


superdosagem da mesma (no caso de pessoas que sofrem de diabetes
mellitus), ou, devido a um excesso de sua produção por parte do organismo.
A insulina atua regulando o metabolismo dos carboidratos.

A hipoglicemia reativa, ou funcional, tipo mais comum, ocorre,


principalmente, em pessoas que se encontram sob forte tensão emocional.
Também se relaciona com um excesso de produção de insulina, que surge de
três a cinco horas depois da ingestão de alimentos. Os sintomas são mais
leves daqueles sofridos por diabéticos insulino-dependentes e são controlados
com a redução do consumo de carboidratos.

Pelo fato da hipoglicemia reativa apresentar muitos dos sintomas clássicos da


depressão ou da ansiedade, é comum que seu diagnóstico não ocorra com
facilidade
Hipoglicemia reativa, o mal do século?

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Depressão, síndrome do pânico, “labirintites”, “pressão baixa”, palpitações,


dores de cabeça, apatia, fraqueza, tonturas ao se levantar rápido, até desmaios,
dificuldade de concentração, memória fraca, humor variável, dormências e
formigamentos, “disritmias”,crises de ansiedade e apreensão e mais uma miríade
de sintomas que confundem os médicos e deixam atordoados os pacientes
podem, muito freqüentemente estarem associados a um quadro conhecido como
hipoglicemia reativa, que está se tornando cada vez mais comum na população,
mas que lamentavelmente permanece pouco conhecida e pouco diagnosticada.

Muitas vezes esses sintomas acompanham a pessoa durante muitos anos e todos
os exames feitos são interpretados como normais, o que só aumenta o sofrimento
pois a pessoa se sente mal e todos lhe dizem que ela “não tem nada” e que deve
investigar causas psicológicas ou emocionais, mas mesmo tais abordagens dão
pouco efeito e um resultado freqüente é que a pessoa passa a imaginar que tem
uma doença grave e que os médicos ainda não a descobriram levando a uma via
sacra de consultório para consultório.

Todas essas manifestações, em um grande número de casos estão associadas a


um quadro denominado hipoglicemia reativa (HR), que nada mais é do que a
queda da glicose (“açúcar”) do sangue abaixo do nível basal para aquela pessoa.
Aqui já ressaltamos uma causa para a falta de diagnóstico da HR, pois a
tendência geral é a de se interpretar como hipoglicemia, apenas as quedas abaixo
da média laboratorial, o que é um equívoco, uma vez que se a glicose de jejum
daquela pessoa é de P.Ex., 95 Mg e em qualquer momento essa glicose cair para
70 Mg, embora ainda esteja dentro da média laboratorial, para ela já é uma fase
de hipoglicemia (Hipo=baixa, Glico=glicose, Hemia=sangue), o que pode
desencadear diversos daqueles sintomas.

Para entender como isso acontece é necessário aprender um pouco a respeito do


funcionamento do nosso organismo. Quando consumimos algum alimento capaz
de aumentar o “açúcar” do sangue (carboidratos como doces, refrigerantes,
chocolate, sorvetes, pão, batata, álcool, etc) e que esse aumento ultrapassa um
certo limite, isso faz com que o pâncreas libere a Insulina, um hormônio que age
como se fosse um carrinho de pedreiro, que retira a glicose do sangue a
transporta para dentro das células a fim de produzir energia. Acontece que uma
parte significativa das pessoas tem a tendência a reagir de modo exagerado ao
consumo de carboidratos, produzindo um excesso de insulina, retirando muita
glicose do sangue e levando à hipoglicemia, daí o nome hipoglicemia reativa,
pois resulta de uma reação do corpo ao consumo de certos alimentos, sendo que
a cada vez que se consomem carboidratos, o “açúcar” do sangue se eleva, libera-
se muita insulina, retira-se muito “açúcar” do sangue e temos o quadro da
hipoglicemia. Importante observar que, quanto mais “açúcar” se come, mais
insulina é produzida, mais se abaixa o “açúcar” do sangue e mais severa é a
manifestação da HR e, num paradoxo apenas aparente, para se normalizar o
“açúcar” do sangue é fundamental diminuir drasticamente o consumo do
“açúcar”.
Algumas outras conseqüências graves advém do abuso no consumo dos
carboidratos, como acontece hoje, na ingestão de farinha branca, doces, etc, que
representam uma sobrecarga brutal, obrigando o pâncreas a trabalhar em excesso
para dar conta de produzir a insulina requerida, a ponto de ele não resistir e
entrar em falência, dando origem a um diabetes e hoje já temos até crianças
apresentando diabetes do tipo II, característico dos adultos. Um outro efeito
perigoso, é que ao termos um excesso de insulina circulando, o corpo diminuiu a
sensibilidade à ela, criando a “resistência à insulina”, em que a célula ”se fecha”
e não permite que a insulina leve a glicose para seu interior, essa glicose passa a
ser acumulada como gordura, principalmente na região abdominal e
normalmente essa é aquela pessoa que “come uma folha alface e engorda um
quilo”. Acontece que essa resistência à insulina parece estar na base de inúmeras
doenças graves, como a hipertensão, câncer, Alzheimer, derrames, infartos e
quanto mais gordura se acumula na região da cintura mais se produz um
hormônio chamado Resistina, que aumenta a resistência à insulina e se cria um
círculo vicioso que só pode ser quebrado com a reorientação nutricional e o
suporte do exercício físico.

Um ditado Chinês diz que a mãe de todas as doenças é a má nutrição e se formos


prestar atenção ao universo de sintomas e doenças relacionados apenas ao abuso
do “açúcar” (podemos até excluir a obesidade), seremos levados a concordar
que, se eles não estão com mais absoluta razão, estão bem próximos disso.

Hipoglicemia Reativa
Estratégia Biomolecular - José de Felippe Jr.
A hipoglicemia reativa ou funcional está atingindo proporções epidêmicas nos EUA e no Brasil,
onde são exagerados o consumo de carboidratos refinados como o açúcar e a farinha branca e
os alimentos processados. Em recente entrevista envolvendo 134.000 pessoas da população
norte americana, cerca de 50% apresentaram respostas espontâneas de alguma manifestação
hipoglicêmica.
As manifestações clínicas da hipoglicemia funcional se manifestam em crise , particularmente
em períodos prolongados de jejum ou desencadeadas pela ingestão de carboidratos refinados.
Manifestações gerais:
- vontade exagerada de comer doces
- tontura, zonzeira, vertigem
- suores noturnos
- fraqueza
- falta de energia
- acordar com dor de cabeça de madrugada
- sensação de calor no corpo

Humor
- ansiedade / apreensão
- irritabilidade
- inquietação / impaciência
- labilidade emocional , sem motivo aparente

Sistema Nervoso Central


- confusão mental
- sonolência / atordoamento
- sono irresistível que vem de repente e fora de hora
- diminuição da memória em crise
- diminuição da concentração em crise
- desmaio
- síndrome do pânico
- crise de labirintite

Neuro - muscular
- caimbra noturna nas pernas e pés
- dores nas pernas
- formigamento / adormecimento : mãos ou pés
- dor lombar
- dores musculares

Dor de cabeça
- dor de cabeça pela manhã ao levantar
- dor de cabeça em crise, no final tarde ou quando com fome

Trata-se de um problema dificilmente diagnosticado pelos médicos em geral. As pessoas


passam pela adolescência, por exemplo, com dores de cabeça diagnosticada como "
enxaqueca" , tomando vários tipos de analgésicos até o dia em que se descobre o verdadeiro
motivo: hipoglicemia funcional. O diagnostico é confirmado com curva glicêmica prolongada até
5 horas. Não adiantam as curvas até somente a terceira hora. O diagnostico é feito quando
ocorre uma queda igual ou superior a 20 mg% em relação ao valor inicial. Lembrar que em
20% dos pacientes com hipoglicemia a curva glicêmica se comporta como normal , atestando
mais uma vez que a clínica é sempre soberana.

O tecido cerebral depende primariamente de glicose para produzir energia e sabe-se, há muito
tempo, da consistente associação entre os sintomas de neurose e os de hipoglicemia reativa.
Podemos encontrar depressão, ansiedade, insônia, irritabilidade, fobias, pânico, falta de
concentração e confusão mental. Acompanhando estes sintomas estão: fadiga, sudorese,
taquicardia, indigestão crônica e diminuição do apetite. Muito importantes são a dor de cabeça,
a tontura, a sensação de desmaio, as dores musculares e as dores lombares.
Alguns autores chegam a firmar que um terço das pessoas que procuram seu médico sofrem
de hipoglicemia não diagnosticada.

Roberts, em 1971, analisando 421 pacientes com diagnostico de enxaqueca severa e outros
tipos de cefaléia de origem vascular refratários à terapia habitual constatou que:

1- 226 pacientes (54%) apresentavam hipoglicemia no teste de tolerância a glicose (TTG) de 5


horas de duração.
2- 155 pacientes (37%) apresentavam sinais e sintomas de hipoglicemia reativa, porém com
TTG normal. Os sintomas clínicos eram típicos de crise hipoglicemica, 2 a 5 horas após a
alimentação com pronto alívio com a ingestão de açúcar.
3- 40 pacientes (9%) não apresentavam hipoglicemia.
Este trabalho nos mostra que 91% desse grupo de pacientes com cefaléia apresentavam
hipoglicemia reativa.
Os pacientes com hipoglicemia estudados por Roberts apresentaram os seguintes sinais de
sintomas:
90% - Narcolepsia: sono irresistível ou sono inapropriado
56% - edema recorrente
50% - caimbras espontâneas e dores nas pernas
46% - obesidade
32% - neuropatia periférica: formigamento dos dedos das mãos e dos pés
30% - ansiedade, depressão ou ambos pouco responsivos a medicamentos ou à psiquiatria
15% - angina pectoris e arritmias
12% - úlcera péptica
7% - alcoolismo

É interessante notar neste estudo a necessidade de prolongar-se o teste de tolerância à glicose


até à 5ª hora e que este teste pode ser normal mesmo na presença de sintomas típicos de
hipoglicemia, isto é, ele pode dar falsos negativos. Neste estudo os falsos negativos foram de
155 em 381 pacientes ou 41% dos casos.

Os pacientes que nos procuram com essa disfunção, geralmente mulheres, não sabem por
onde começar a contar suas queixas. Dizem possuir todas as doenças e que já procuraram
vários médicos, sem nenhum resultado. Uma anamnese dirigida e um alto grau de suspeição
em muito nos será útil. No Brasil, nas classes média e alta, também é elevada a incidência de
hipoglicemia reativa. Muitas vezes as pessoas contam espontaneamente que não podem viver
sem o açúcar e que possuem verdadeira compulsão para doces e alimentos açucarados. É
muito freqüente encontrarmos dores de cabeça de madrugada ou ao acordar pela manhã;
sudorese inexplicada; palpitação e tremores de madrugada ou no cair da tarde, isto é, longe da
última refeição. A queda do rendimento intelectual e o sono fora de propósito no horário
vespertino, tonturas inexplicadas, sensação de desmaio ou de "apagamento" da consciência
também são achados comuns. O paciente refere que está com a pilha fraca ou está
trabalhando com a energia em meia fase. Não é raro encontramos diabéticos na família.

Devemos estar atentos e alertas para não deixar passar despercebido este diagnóstico, que
apesar de muito freqüente nas consultas de medicina interna, nós médicos não estamos lhe
dando o merecido valor. No tratamento, além das clássicas 6 refeições ao dia, ricas em
proteina e pobres em carboidratos refinados, é util acrescentar o dinicotinado glicinato de
cromo 200 microgramas 3 vezes ao dia no 1º mês, e após, 2 vezes ao dia por mais 2 meses.
Alguns preferem o cromo na forma de picolinato. É provável que existam vantagens concretas
no uso do cromo picolinato. Não devemos nos esquecer dos suplementos com magnésio, zinco
e manganês.

Muitas vezes fica difícil para o paciente entender o que está acontecendo. O carboidrato
refinado quando ingerido passa rapidamente para o duodeno e estimula a produção de insulina
pelo pâncreas. No paciente com hipoglicemia funcional esta produção de insulina é exagerada
e assim duas a cinco horas depois provoca a hipoglicemia. A não ingestão de refinados não
estimula exageradamente o pâncreas e controla o problema. A ingestão de alimentos cada 3 a
4 horas também impede a queda da glicêmia no sangue. Desta maneira para previnirmos a
queda da glicemia evitamos o açucar branco. Entretanto , se acontecer os sinais e sintomas de
hipoglicemia , deve-se ingerir o açúcar branco ou mel para elevar a glicose no sangue e sair da
crise hipoglicêmica.