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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

PROFESSORA: Sabrina Parracho Sant’Anna


ALUNO: Arthur Vinícius de Faria Ferreira
MATRÍCULA: 20210019881

1ª AVALIAÇÃO DE INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA

Questão 1: Descreva e compare o modo como Karl Marx e Max Weber constroem suas
narrativas a respeito da origem do capitalismo.

A luta assumida por Marx, nada mais é do que a luta de classes que, em sua
concepção, esteve presente em toda a História: “luta entre explorados e exploradores, entre as
classes dominadas e as dominantes nos vários estágios da evolução social” (MARX;
ENGELS, 2010, p. 74), neste caso, correspondente à luta do proletariado contra a burguesia.
No entanto, qual a relação da burguesia como ordem a ser suprimida com o capitalismo
moderno?

A burguesia tem por origem os burgos da Idade Média, como parte da organização
feudal. Entretanto, com a abertura de novos mercados, a estrutura feudal tornou-se
insuficiente à burguesia emergente, logo, as corporações fechadas foram suplantadas pela
burguesia industrial e a manufatura ultrapassada pela grande indústria, revolucionada pelo
vapor e pela maquinaria. Com efeito, por burguesia entende-se classe dos capitalistas
modernos, proprietária dos meios de produção social e empregadora do trabalho assalariado,
isto é, os proletários (concebidos por Marx como simples mercadorias, no processo capitalista
de acumulação) que vendem sua força de trabalho a fim de sobreviver. Não obstante, o
capitalismo racionalizado é, portanto, efeito da conscientização burguesa de sua classe que
por consequência estabeleceu a grande indústria, o mercado mundial, além de conquistar a
soberania política no Estado (MARX E ENGELS, 2010, P. 41-42).

Já Max Weber em sua visão histórica, aponta o capitalismo moderno como uma possível
consequência do protestantismo em contraste à conduta tradicionalista do catolicismo. Para
Weber, o rompimento com as atitudes tradicionais impostas pelas autoridades da igreja
católica gerou uma nova ética: o “espírito do trabalho” ou de "progresso" (WEBER, 2004, P.
19). Deste modo, enquanto o católico quer “dormir sossegado”, o pretestante prefere “ bem
comer” e enquanto o tradicionalista, diante de uma proposta de aumento remuneratório,
continuará produzindo a mesma quantia, recebendo o suficiente para si, o protestante
responderá com mais trabalho, agarrando-se a qualquer possibilidade de granjear mais bens.
O espírito do capitalismo, portanto, origina-se de uma nova forma de interpretar a bíblia
(possibilitada por Lutero na reforma protestante), até então não acessada por leigos: “Por que
afinal é preciso fazer das pessoas dinheiro? [...] Vês um homem exímio em sua profissão?
Digno ele é de apresentar-se perante os reis" (WEBER, 2004, p. 47). Por conseguinte, o
trabalho e a acumulação de riquezas foram ressignificados e não mais vistos como
condenáveis e, além disso, conceberam um sentido próprio dentro do conceito cristão de
vocação.

Questão 2:

“A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado
são igualmente inevitáveis” (MARX & ENGELS, 2001: p.8).

a) Explique a afirmação, tendo em vista o modo como os autores entendem a


organização do trabalho no modo de produção capitalista.

A burguesia, para Marx, está em constante luta contra a aristocracia, frações da


própria burguesia e contra a burguesia de outros países. Além disso, com o desenvolvimento
da indústria, houve um aumento considerável no número de proletários: quanto mais lucro,
mais investimento em matéria prima e em forças de trabalho, multiplicando o número de
trabalhadores. Na medida em que as máquinas foram tomando espaço, o proletariado foi
comprimindo-se até tomar consciência de sua classe. Logo, esse conjunto histórico de
acontecimentos aponta que o declínio da burguesia e a vitória do proletariado são inevitáveis
(MARX; ENGELS, 2010, p. 52).

a) Tendo em vista a afirmação acima, discuta por que se poderia dizer que Marx e
Weber têm posições bastante distintas quanto ao desenvolvimento da história.

Para Marx, a sociedade já está orientada a esta lógica de acumulação, lucro,


investimento, expansão, na qual toda a finalidade desemboca no capital, no dinheiro. Weber,
por sua vez, adiciona a reforma protestante como elemento fundamental (causal) do “espírito
do capitalismo”. O acesso e/ou reinterpretação da bíblia incitou os cristãos a trabalharem
mais, acumularem e administrarem bem seus bens, com efeito, a reforma protestante, ainda
que indiretamente, assume um papel de causa da ética do capitalismo.
REFERÊNCIAS

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista, 1848. Porto Alegre: L&PM,
2009.
WEBER, M. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, São Paulo: Companhia das
Letras, 2004.

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