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CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE SARGENTOS

MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA


VOLUME ÚNICO

COMUM

CAS

IMPRESSO NA GRÁFICA DA EEAR


MINISTÉRIO DA DEFESA
COMANDO DA AERONÁUTICA
ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁUTICA

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE SARGENTOS


VOLUME ÚNICO

Apostila da Disciplina Militares na Administração da


Aeronáutica do Curso de Aperfeiçoamento de
Graduados – CAS.

Edições(es):
1a Edição: SO SAD LEMOS – 2019
2a Edição: SO SAD LEMOS – 2020

Revisor(es) Pedagógico(s):
TEN PED FREDERICO – 2020
SO SAD LEMOS

Revisor(es) de Diagramação:
SO BFT DINIZ – 2020
SO BET MENDES JR – 2020

GUARATINGUETÁ - SP
2020
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO.........................................................................................................................1
CAPÍTULO 1 - ESTADO E PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...................3
TÓPICO 1.1 - CONCEITO E OBJETIVOS..............................................................................3
TÓPICO 1.2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO ADMINISTRATIVO
BRASILEIRO................................................................................................................................6
TÓPICO 1.3 - PRINCÍPIOS EXPRESSOS CONSTITUCIONALMENTE...........................6
TÓPICO 1.4 - PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...............10
CAPÍTULO 2 - PODERES VINCULADOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.................16
TÓPICO 2.1 - PODERES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.............................................16
TÓPICO 2.2 - PODER DE POLÍCIA JUDICIÁRIA E DE POLÍCIA INVESTIGATIVA. 23
TÓPICO 2.3 - CARACTERÍSTICAS DO PODER DE POLÍCIA........................................25
TÓPICO 2.4 - ABUSO DE PODER..........................................................................................27
CAPÍTULO 3 - ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA........................................30
TÓPICO 3.1 - NOÇÕES BÁSICAS..........................................................................................30
TÓPICO 3.2 - ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTAM
CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA..........................................31
CAPÍTULO 4 - FORÇAS ARMADAS E AERONÁUTICA...................................................35
TÓPICO 4.1 - FORÇAS ARMADAS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL (1988)............................................................................................35
TÓPICO 4.2 - ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA.....................................................37
CAPÍTULO 5 - RESPONSABILIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA39
TÓPICO 5.1 - RESPONSABILIDADE FUNCIONAL...........................................................40
TÓPICO 5.2 - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.............................................................42
TÓPICO 5.3 - RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL OU PESSOAL.................................43
TÓPICO 5.4 - CASOS FORTUITOS E MOTIVOS DE FORÇA MAIOR...........................45
TÓPICO 5.5 - GENERALIDADES..........................................................................................46
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................53
REFERÊNCIAS...........................................................................................................................55
EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO TECNOLOGICA DA INFORMAÇÃO 1 / 63

APRESENTAÇÃO

Prezado aluno, parabéns por sua matrícula neste Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos!
Trata-se de um grande momento em sua carreira. Possivelmente, você já teve contato com parte
dos assuntos que serão tratados nesta apostila; entretanto, o que se pretende é sistematizar este
conhecimento de forma a capacitá-lo para exercer as atribuições de um graduado em sua posição
hierárquica, em que serão exigidos conhecimentos e habilidades para assessorar superiores e
orientar equipes compostas por militares mais modernos. Estudaremos as características dos
militares na administração da Aeronáutica.
Recomenda-se que você estude atentamente todo o conteúdo, mesmo daquele que você já
detenha algum conhecimento, pois isso contribuirá para que você se aproprie do conteúdo. É
importante destacar que você será o “ator” nesta construção da própria aprendizagem. Desse
modo, é necessário que você utilize métodos de estudo que possibilitem a recuperação do
conteúdo de forma mais aprofundada que o habitual.
Ao findar o estudo da disciplina “Militares na Administração da Aeronáutica”, os
discentes do CAS se debruçaram com aspectos importantes relativos ao conceito de Estado e os
princípios da Administração Pública no Brasil, os poderes da administração e o abuso de poder
vinculados à Administração.
Noutro giro, foram apontadas relevantes noções sobre os atos de improbidade
administrativa e seu impacto direto na gestão administrativa, com reflexos sobre a
responsabilização dos agentes públicos, abarcando os militares no contexto de estudo.
No tópico das “Forças Armadas na Constituição Federal e a Administração da
Aeronáutica”, foram traçadas considerações acerca da origem das Forças Singulares, a definição
do comando político e operacional e a destinação constitucional das Forças de guerra. Por fim, os
tipos de responsabilidade na Administração da Aeronáutica, dando o suporte administrativo
necessário para o desempenho livre e consciente de todas as atividades funcionais, permite a
atuação dos militares com o alicerce necessário para a atuação isenta e regular dos militares na
gestão pública.

Votos de sucesso em seus estudos!


AD ASTRA ET ULTRA!

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CAPÍTULO 1 - ESTADO E PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Quais são os Princípios da Administração Pública? O que é o Estado?


Você já se fez essas perguntas? Vamos descobrir juntos?

TÓPICO 1.1 - CONCEITO E OBJETIVOS

ESTADO
O Estado é uma criação humana destinada a manter a coexistência pacífica dos
indivíduos, a ordem social, de forma que os seres humanos consigam se desenvolver e
proporcionar o bem-estar a toda sociedade. Pode ser definido como o exercício de um poder
político, administrativo e jurídico, exercido dentro de um determinado território e imposto para
aqueles indivíduos que ali habitam.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A administração pública pode ser definida objetivamente como a atividade concreta e
imediata que o Estado desenvolve para assegurar os interesses coletivos e, subjetivamente,
como o conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos quais a Lei atribui o exercício da função
administrativa do Estado (MORAES, 2007). Sob o aspecto operacional, administração pública é
o desempenho perene e sistemático, legal e técnico dos serviços próprios do Estado, em
benefício da coletividade (BEM, PRADO E DELFINO, 2013).

A administração pública pode ser direta, quando composta pelas suas entidades estatais
(União, Estados, Municípios e DF), que possuem personalidade jurídica própria, ou indireta
quando composta por entidades autárquicas, fundacionais, empresas públicas e sociedades de
economia mista (BEM, PRADO E DELFINO, 2013).

Segundo ensina Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2002) o conceito de administração


pública divide-se em dois sentidos: “Em sentido objetivo, material ou funcional, a
administração pública pode ser definida como a atividade concreta e imediata que o Estado
desenvolve, sob regime jurídico de direito público, para a consecução dos interesses coletivos.
Em sentido subjetivo, formal ou orgânico, pode-se definir Administração Pública como sendo
o conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função
administrativa do Estado” (DI PIETRO, 2004).

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Assim, administração pública em sentido material significa administrar os interesses da


coletividade e, em sentido formal, significa o conjunto de entidades, órgãos e agentes que
executam a função administrativa do Estado (TEIXEIRA E PATRÍCIO, 2011).

Há que se destacar, no âmbito do Direito Administrativo, que a expressão “Governo” é


usualmente empregada para designar o conjunto de órgãos constitucionais responsáveis pela
função política do Estado. O Governo exerce a direção suprema do Estado, determina a forma de
realização de seus objetivos, estabelece diretrizes que pautarão sua atuação, os planos
governamentais, sempre visando a conferir unidade à soberania nacional. Portanto, a noção de
Governo está relacionada com a função política de comando, de coordenação, de direção e de
fixação de planos e diretrizes de atuação do Estado (as denominadas políticas públicas)
(ALEXANDRINO et al., 2011).

ELEMENTOS DO ESTADO

O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis: Povo, Território e


Soberania. A seguir encontram-se as definições desses três elementos essenciais que
caracterizam o estado.
Povo: é o elemento humano, grupamento social organizado. Reunião de indivíduos num
determinado local, submetidos a um poder central. O Estado vai controlar essas pessoas, visando,
por meio do Direito, o bem comum.

Não se confunde com a ideia de nação, que representa um grupo social com atributos
comuns: étnicos, culturais, língua e religião.

População, por sua vez, é o conjunto de residentes no território, sejam eles nacionais ou
estrangeiros (bem como os apátridas ou heimatlos). É um conceito meramente demográfico,
mais amplo do que a definição de povo.

Território: Espaço geográfico onde reside determinada população. É limite de atuação


dos poderes do Estado. Vale dizer que não poderá haver dois Estados exercendo seu poder num
único território, e os indivíduos que se encontram num determinado território estão submetidos a
esse poder uno.

Soberania: É o exercício do poder do Estado, internamente e externamente. O Estado,


dessa forma, deverá ter ampla liberdade para controlar seus recursos, decidir os rumos políticos,
econômicos e sociais internamente e não depender de nenhum outro Estado ou órgão
internacional, assegurando a sua autonomia no cenário mundial.

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PODERES DO ESTADO:
A existência de três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a ideia que haja um
equilíbrio entre eles, de modo que cada um dos três exerça um certo controle sobre os outros é,
sem dúvida, uma característica das democracias modernas. A noção da separação dos poderes foi
intuída por Aristóteles, ainda na Antiguidade, mas foi aplicada pela primeira vez na Inglaterra,
em 1653 (COSTA, 2018).

Sua formulação definitiva, porém, foi estabelecida por Montesquieu, na obra “O Espírito
das Leis”, publicada em 1748, e cujo subtítulo é “Da relação que as leis devem ter com a
constituição de cada governo, com os costumes, com o clima, com a religião, com o comércio,
etc.” “É preciso que, pela disposição das coisas, o poder retenha o poder”, afirma Montesquieu,
propondo que os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário sejam divididos entre pessoas
diferentes. Com isso, o filósofo francês estabelecia uma teoria a partir da prática que verificara
na Inglaterra, onde morou por dois anos. A influência da obra de Montesquieu pode ser medida
pelo fato de a tripartição de poderes ter se tornado a regra em todos os países democráticos
modernos e contemporâneos (OLIVIERI, 2013).

Após suas reflexões e a leitura do conteúdo acima, você saberia distinguir


o Estado, seus elementos e seus poderes?

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

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TÓPICO 1.2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO ADMINISTRATIVO


BRASILEIRO
Na administração gerencial, a noção de interesse público é diferente da que existe no
modelo burocrático. A burocracia vê o interesse público como o interesse do próprio Estado. A
administração pública gerencial nega essa visão, identificando este interesse com o dos cidadãos,
passando os integrantes da sociedade a serem vistos como clientes dos serviços públicos.

Atualmente, o modelo gerencial na Administração Pública vem cada vez mais se


consolidando, com a mudança de estruturas organizacionais, o estabelecimento de metas a
alcançar, a redução da máquina estatal, a descentralização dos serviços públicos, a criação das
agências reguladoras para zelar pela adequada prestação dos serviços, etc. O novo modelo
propõe-se a promover o aumento da qualidade e da eficiência dos serviços oferecidos pelo Poder
Público aos seus clientes: os cidadãos.

TÓPICO 1.3 - PRINCÍPIOS EXPRESSOS CONSTITUCIONALMENTE


A atividade administrativa, em qualquer dos poderes ou esferas, obedece aos princípios
gerais e constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência,
como impõe a norma fundamental do artigo 37 da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988, que assim dispõe em seu caput: “A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte”.

Para que você compreenda melhor esses Princípios, estes serão discutidos
com maiores detalhes nos parágrafos a seguir.

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Este princípio, junto ao de controle da Administração pelo Poder Judiciário, nasceu com o
Estado de Direito e constitui uma das principais garantias de respeito aos direitos individuais.

Isto porque a lei, ao mesmo tempo em que os define, estabelece também os limites da
atuação administrativa que tenha por objeto a restrição ao exercício de tais direitos em benefício
da coletividade. Este é o principal conceito para a configuração do regime jurídico-
administrativo, pois se justifica no sentido de que a Administração Pública só poderá ser exercida
quando estiver em conformidade com a Lei.

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O Administrador Público não pode agir, nem mesmo deixar de agir, senão de acordo com
o que dispõe a Lei. Para que a administração possa atuar, não basta à inexistência de proibição
legal, é necessária para tanto a existência de determinação ou autorização de atuação
administrativa na lei. Por sua vez, os particulares podem fazer tudo o que a Lei não proíba;
entretanto, a Administração Pública só pode fazer aquilo que a lei autorizar.

A Administração Pública está obrigada, no exercício de suas atribuições, à observância


não apenas dos dispositivos legais, mas também em respeito aos princípios jurídicos como um
todo, inclusive aos atos e normas editadas pela própria administração pública.

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
Por tal princípio, temos que a Administração Pública tem que manter uma posição de
neutralidade em relação aos seus administrados, não podendo prejudicar nem mesmo privilegiar
quem quer que seja. Dessa forma, a Administração pública deve servir a todos, sem distinção ou
versões pessoais ou partidárias, buscando sempre atender ao interesse público.

Impede o princípio da impessoalidade que o ato administrativo seja emanado com o


objetivo de atender a interesses pessoais do agente público ou de terceiros, devendo ter a
finalidade exclusivamente de cumprir o disposto em lei, de maneira eficiente e impessoal.
Importa mencionar que as realizações governamentais não são do servidor ou da autoridade, mas
da entidade pública em nome de quem as produzira.

A própria Constituição dá uma consequência expressa a essa regra, quando, no § 1º do


artigo 37, proíbe que conste nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos em publicidade de atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos. Ressalta-se ainda que o princípio da impessoalidade possui
estreita relação com o também princípio constitucional da isonomia, ou igualdade, sendo dessa
forma vedadas perseguições ou benesses pessoais.

PRINCÍPIO DA MORALIDADE
Tal princípio vem expresso na Constituição Federal no caput do artigo 37, que trata
especificamente da moral administrativa, onde se refere à ideia de probidade e boa-fé. A partir da
Constituição de 1988, a moralidade passou ao status de princípio constitucional; dessa maneira,
pode-se dizer que um ato imoral do ponto de vista administrativo é também um ato
inconstitucional.

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Noticia-se que o jurista francês Maurice Hauriou foi o primeiro a sistematizar o princípio
da moralidade. Segundo esse autor, a atuação da Administração Pública deve observar não só a
lei, mas a própria moral, porque nem tudo que é legal é honesto.

Importa salientar que a moralidade administrativa é concebida sob viés jurídico


(moralidade jurídica), ou seja, representa a atuação honesta do administrador na consecução do
interesse público, em conformidade com princípios éticos institucionais. Não se confunde,
portanto, com a moral social, que representa os valores presentes em determinada sociedade.

A constatação da imoralidade na prática de ato administrativo levará à sua anulação, ou


seja, a moralidade é requisito de validade da atuação do servidor. Assim, o ato poderá ser
anulado pela própria Administração (autotutela) ou pelo Poder Judiciário (controle de
legalidade).

Além do agente público que praticou o ato imoral, o particular que tenha concorrido
com a conduta, com ou sem objetivo de beneficiar-se, poderá ser responsabilizado. Logo, a
moralidade administrativa é um princípio que deverá ser observado por todos, administradores
públicos e administrados.

A vedação ao nepotismo é um bom exemplo de tutela ao princípio da moralidade no


âmbito da Administração Pública.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
Por este princípio constitucional, temos que a administração tem o dever de oferecer
transparência de todos os atos que praticar e de todas as informações que estejam armazenadas
em seus bancos de dados referentes aos administrados. Portanto, se a Administração Pública tem
atuação na defesa e busca aos interesses coletivos, todas as informações e atos praticados devem
ser acessíveis aos cidadãos, para lhes propiciar o controle da legitimidade da conduta dos
agentes administrativos.

Por tal razão, os atos públicos devem ter divulgação oficial como requisito de sua
eficácia, salvo as exceções previstas em lei, onde o sigilo deve ser mantido e preservado. Na
esteira desse raciocínio, é necessário mencionar alguns incisos do art. 5º da Constituição que
estabelecem regramentos para a divulgação de informações:

Inciso X (“são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”).
Esse dispositivo visa proteger a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.

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Inciso XIV (“é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional”). O escopo principal é harmonizar o acesso à
informação com a proteção ao exercício profissional.

Inciso XXXIII (“todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
sociedade e do Estado”). Tem por finalidade salvaguardar a segurança da sociedade quando
estabelece situações que serão protegidas pelo sigilo em razão de sua relevância.

Inciso LX (“a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa
da intimidade ou o interesse social o exigirem”). Objetiva proteger a intimidade e o interesse
social nos processos judiciais e administrativos.

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
O constitucionalista Alexandre de Moraes (2008) define o princípio da eficiência como
aquele que “impõe à Administração Pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do
bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra,
transparente, participativa, eficaz, sem burocracia, e sempre em busca da qualidade, primando
pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos
recursos públicos, de maneira a evitar desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social”.

Por tal princípio, temos a imposição exigível à Administração Pública de manter ou


ampliar a qualidade dos serviços que presta ou põe à disposição dos administrados, evitando
desperdícios e buscando a excelência na prestação dos serviços. Tem o objetivo principal de
atingir as metas administrativas, buscando boa prestação de serviço, da maneira mais simples,
mais célere e mais econômica, melhorando o custo-benefício da atividade pública. O
administrador deve procurar a solução que melhor atenda aos interesses da coletividade,
aproveitando ao máximo os recursos públicos, evitando, dessa forma, desperdícios (SILVA,
2015).

Conforme leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro, “O princípio da eficiência apresenta,


na realidade, dois aspectos: pode ser considerado em relação ao modo de atuação do agente
público, do qual se espera o melhor desempenho possível de suas atribuições, para lograr os
melhores resultados; e em relação ao modo de organizar, estruturar, disciplinar a Administração
Pública, também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do
serviço público".

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Tudo bem até aqui? Tenho certeza de que você saiu inteiro desse nosso
primeiro contato com este tema tão apaixonante!

TÓPICO 1.4 - PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


A doutrina administrativa adota diversos princípios implícitos que norteiam a atividade
administrativa do Estado; entretanto, nos preocupamos em elencar os principais.

PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO


Tal Princípio, embora não se encontre expresso no enunciado do texto constitucional, é de
suma importância para a atividade administrativa, tendo em vista que, em decorrência do regime
democrático adotado pelo Brasil, bem como o seu sistema representativo, temos que toda a
atuação do Poder Público seja consubstanciada pelo interesse público primário (atuação da
Administração em consonância com o interesse coletivo).

Assim, para que o Estado possa atingir a finalidade principal que lhe foi imposta pelo
ordenamento jurídico, qual seja, o interesse público, é assegurada à administração pública uma
série de prerrogativas, não existentes no direito privado, para que se alcance a vontade da
coletividade. Assim, a supremacia do interesse público deve se sobressair sobre os interesses
particulares dos administrados, pois decorre deste princípio que, na hipótese de conflito entre o
interesse público e o interesse particular, é evidente e lógico que o interesse coletivo deve
prevalecer, respeitados os direitos e garantias individuais expressos na Constituição ou dela
decorrentes.

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PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO


O princípio da indisponibilidade do interesse público é um dos dois pilares do regime
jurídico-administrativo (o outro é o princípio da supremacia do interesse público, estudado
anteriormente). Dele derivam todas as restrições especiais impostas à atividade administrativa.
Tais restrições decorrem, exatamente, do fato de não ser a Administração Pública “dona” da
coisa pública, mas mera gestora de bens e interesses alheios (públicos, isto é, do povo).

Em decorrência do princípio da indisponibilidade do interesse público, são vedados ao


administrador da coisa pública qualquer ato que implique em renúncia a direitos da
administração, ou que de maneira injustificada e excessiva onerem a sociedade.

PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA
Enquanto pela tutela a Administração exerce controle sobre outra pessoa jurídica por ela
mesma instituída, pela autotutela o controle se exerce sobre os próprios atos, com a possibilidade
de anular ou convalidar os ilegais e revogar os inconvenientes ou inoportunos,
independentemente de recurso ao Poder Judiciário. É uma decorrência do princípio da
legalidade; se a Administração Pública está sujeita à lei, cabe-lhe, evidentemente, o controle da
legalidade.

Esse poder da Administração está consagrado em duas súmulas do STF. Pela de nº 346,
“a administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”; e pela de nº 473, “a
administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial”.

Também se fala em autotutela para designar o poder que tem a Administração Pública de
zelar pelos bens que integram o seu patrimônio, sem necessitar de título fornecido pelo Poder
Judiciário. Ela pode, por meio de medidas de polícia administrativa, impedir quaisquer atos que
ponham em risco a conservação desses bens.

PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE


O princípio da razoabilidade assevera que a atuação administrativa deva se dar de
maneira equilibrada e coerente, com bom senso, a partir de limites racionalmente aceitos.

O princípio da proporcionalidade possui os seguintes elementos essenciais:

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a) adequação: o meio utilizado deve ser compatível com o fim buscado (equilíbrio entre
meios e fins); b) exigibilidade: a conduta deve ser necessária, sendo o único meio menos
gravoso para alcançar o fim público; c) proporcionalidade em sentido estrito: as vantagens têm
de superar as desvantagens.

PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS


Os serviços públicos não podem parar, devendo manter-se sempre em funcionamento,
dentro das formas e períodos próprios de sua regular prestação, dada a importância que a
execução de tais serviços representa para a coletividade. Os serviços públicos são prestados no
interesse da coletividade, sob regime de interesse público.

Por esse motivo, sua prestação deve ser adequada, não podendo sofrer interrupções. A
interrupção de um serviço público prejudica toda a coletividade, que dele depende para a
satisfação de seus interesses e necessidades. Decorrência relevante do princípio da continuidade
dos serviços públicos é o fato de o texto constitucional tratar a greve dos servidores públicos
não como um direito autoexecutável, de forma plena, independente de regulação legal, mas
sim como um direito a ser exercido nos termos e limites definidos em lei específica, com o
escopo de evitar a paralisação de serviços essenciais para a sociedade

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Parabéns por ter avançado até aqui! Está na


hora de fazer uma pausa.

Lembre-se de que o descanso e a reflexão fazem


parte do estudo.

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Agora, que tal


uma pausa?

A partir de suas anotações, reconstrua com suas


palavras todo o estudo em um ou dois
parágrafos, ou se referir, elabore um mapa

Está na hora de mental ou um infográfico sobre o texto.


resumir!

Exercícios para Aprendizagem do Capítulo:

Estado e Princípios da Administração Pública

1. Denominação que recebe o elemento humano do Estado, grupamento social organizado,


submetido ao poder central. Qual função a seguir condiz com essa expressão?

a) Povo.
b) Nação.
c) Cidadão.
d) Heimatlos.

2. Uma tribo indígena que vive isolada na Amazônia brasileira, compartilhando dos mesmos
costumes, ritos e idioma, pode ser conceituada como

a) Clã
b) Povo
c) Nação
d) Confraria
3. O Poder deve ser limitado, contido, havendo uma divisão das funções executiva, legislativa e
judiciária, com o objetivo de afastar o predomínio de uma esfera de poder sobre os demais,
assegurando a harmonia necessária para o pleno desenvolvimento do Estado. Qual o nome do
filósofo que propôs uma teoria tripartida dos Poderes?
a) Aristóteles.

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b) Montesquieu.
c) Sócrates.
d) Ptolomeu.

4. O INSS, que é uma autarquia federal, compõe a estrutura da Administração Pública Indireta e
pode ser conceituada, na visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, como pertencente à
Administração Pública em sentido

a) Material
b) Objetivo
c) Estrutural
d) Orgânico

5. São princípios da Administração Pública:

a) Legalidade, moralidade e discricionariedade.


b) Impessoalidade, publicidade e supremacia dos interesses particulares.
c) Finalidade, motivação e sigilo.
d) Legalidade, publicidade e eficiência.

6. Segundo a administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2019, p. 67) “sendo Direito
Administrativo de elaboração pretoriana e não codificado, os princípios representam papel
relevante nesse ramo do direito, permitindo à Administração e ao Judiciário estabelecer o
necessário equilíbrio entre os direitos dos administrados e as prerrogativas da Administração”.
Assim, dois são os princípios fundamentais e que decorrem da bipolaridade do Direito
Administrativo, ou seja, da liberdade do indivíduo e da autoridade da Administração. Portanto,
são eles identificados como sendo:

a) A impessoalidade e o controle ou tutela.


b) A legalidade e a especialidade.
c) A razoabilidade e a hierarquia.
d) A legalidade e a supremacia do interesse público sobre o particular.

7. Assinale a alternativa que apresenta um princípio administrativo expresso na Constituição da


República Federativa do Brasil.

a) Supremacia do interesse público sobre o interesse privado.


b) Autotutela dos atos administrativos.
c) Razoabilidade.
d) Moralidade.

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8. O Soldado Fulano de Tal, conforme apuração em Processo Administrativo Disciplinar (PAD),


foi punido com dois dias de detenção. Após ter cumprido a sanção, o Comandante da OM
entendeu que o Processo Disciplinar estava contaminado por vício de ilegalidade, haja vista que
não foram assegurados o Contraditório e a Ampla Defesa ao militar. Dessa forma, houve a
anulação do PAD, como decorrência do exercício do Princípio da

a) Autotutela.
b) Razoabilidade.
c) Impessoalidade.
d) Supremacia do Interesse Público.

9. A greve dos servidores públicos não pode impactar diretamente a prestação de serviços
públicos essenciais à população, a exemplo dos atendimentos médicos de emergência nos
Hospitais Públicos. Essa característica é fruto do Princípio da(o)

a) Eficiência.
b) Impessoalidade.
c) Supremacia do Interesse Público.
d) Continuidade dos Serviços Públicos.

GABARITO

1) A 4) D 7) D
2) C 5) D 8) A
3) B 6) D 9) D

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CAPÍTULO 2 - PODERES VINCULADOS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Você deve estar se perguntando: “tá, mas quais os Poderes do Estado


vinculados à Administração Pública? Onde a Administração Pública se
relaciona com o que foi visto? São muitas dúvidas, não são? Vamos buscar
responder suas dúvidas estudando os Poderes na Administração Pública
logo a seguir.

TÓPICO 2.1 - PODERES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Quando tratamos de poderes administrativos, não estamos falando de faculdade, mas de
verdadeiros poderes-deveres utilizados na busca da promoção e defesa dos interesses públicos
(BARBIERI, 2015).

Os poderes administrativos são, na realidade, deveres. Sobre as características dos


poderes administrativos, de acordo com Barbieri (2015), temos:

➢ são poderes irrenunciáveis, ou seja, o administrador não pode nunca abrir mão deles.
Não existe a possibilidade de negociação de poderes, porque sempre deverá haver a
promoção do interesse público;

➢ são condicionados, ou seja, restritos aos limites da lei. Por isso, quando a lei atribui um
poder, há uma linha que separa o exercício deste poder e o abuso;

➢ aplicação sempre para a promoção da coletividade, para o Estado atingir, de fato, os


objetivos que a sociedade deseja.

PODER VINCULADO
No exercício do Poder Vinculado, a lei tipifica, de forma objetiva e clara, a situação em
que o agente público deve agir e o comportamento a ser tomado. Preenchidos os requisitos
legais, o administrador é obrigado (poder-dever) a atuar de acordo com o previamente definido
em lei. Todos os requisitos ou elementos do ato administrativo são vinculados ou regrados, o que
permite que o ato seja objeto de controle de legalidade por parte do Poder Judiciário e da própria
Administração (autotutela).

Dessa maneira, no tocante aos atos vinculados, não é possível a administração pública
formular considerações de oportunidade e conveniência, sendo certo que sua atuação está
limitada nos estritos conteúdos legais.

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Assim, temos que o poder vinculado da Administração Pública obriga o administrador


obedecer ao princípio da legalidade, e, dessa forma, somente poderá produzir atos
administrativos desde que estejam em consonância com a lei, não havendo flexibilidade sobre a
execução do ato, tendo em vista que está diretamente vinculado à lei.

Exemplos na esfera militar:

a) transferência para a reserva remunerada ex officio do militar que atingir a idade-limite


descrita no art. 98, I, da Lei 6.880/1980;

b) reforma ex officio prevista no art. 106, I, da Lei 6.880/1980;

c) demissão ex officio do oficial que tomar posse em cargo ou emprego público permanente
estranho à sua carreira (art. 142, § 3.º, II, da CF/1988, e art. 117 da Lei 6.880/1980).

PODER DISCRICIONÁRIO
➢ Temos pelo Poder Discricionário aquele mediante o qual o administrador tem a liberdade
de praticar a ação administrativa, escolhendo por parâmetros de conveniência,
necessidade, oportunidade e conteúdo do ato, mas dentro dos limites impostos pela lei. A
conveniência se identifica quando o ato interessa, convém ou satisfaz ao interesse
público. Há oportunidade quando o ato é praticado no momento adequado à satisfação do
interesse público.

O Poder Discricionário tem como base a autorização legal conferida ao administrador


público para que decida, nos limites da lei, sobre a conveniência e oportunidade da prática do ato
discricionário, bem como de escolher seu conteúdo, sendo passível de análise sobre o mérito
administrativo.

➢ O Poder Discricionário é necessário porque seria impossível que o legislador previsse


todas as situações possíveis para os diversos comportamentos administrativos. Não se
confunde, todavia, com arbitrariedade, pois o agente público não possui liberdade
completa para a prática do ato, mas apenas nos limites previamente concebidos na norma
autorizativa.

Exemplos na esfera militar:

a) licenciamento ex officio de militares temporários por conveniência do serviço (art. 121,


§ 3º, alínea b, da Lei 6.880/1980;

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b) agravamento ou atenuação de punições disciplinares impostas por seus subordinados


quando a autoridade competente as julgar insuficientes ou excessivas em face da
transgressão cometida (art. 50 do RDAer);

c) relevação do cumprimento de punição disciplinar quando a autoridade competente


verificar que a reprimenda surtiu o efeito desejado (art. 51, 1, do RDAer).

PODER HIERÁRQUICO
O Poder Hierárquico é o poder de que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as
funções de seus órgãos e a atuação de seus agentes, estabelecendo assim a relação de
subordinação. Importante esclarecer que hierarquia se caracteriza pela existência de níveis de
subordinação entre órgãos e agentes públicos, sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica
(MEIRELLES, 2007).

Assim, podemos verificar a presença da hierarquia entre órgãos e agentes na esfera


interna da Administração Direta do Poder Executivo (União – as Forças Armadas estão inseridas
na sua estrutura orgânica), ou então hierarquia entre órgãos e agentes internamente de uma
fundação pública (Administração Indireta).

Caracteriza-se pelo poder de comando de agentes administrativos superiores sobre seus


subordinados, contendo a prerrogativa de ordenar, fiscalizar, rever, delegar tarefas a seus
subordinados. É o poder que dispõe o Executivo para distribuir e organizar as funções de seus
agentes e órgãos, estabelecendo relação de subordinação entre seus servidores; tal subordinação,
vale destacar, é de caráter interno, somente é aplicável dentro da própria Administração Pública.

A hierarquia estabelece relações de coordenação e de subordinação entre os agentes


públicos, adquirindo, assim, uma feição de subordinação escalonada, com o objetivo de ordenar
as atividades administrativas. Para a preservação do princípio hierárquico, é indispensável
mencionar que o descumprimento de ordem de superior hierárquico constitui-se em ato ilícito,
passível de punição administrativa e penal. Assim, o servidor público subalterno deve estrita
obediência às ordens e demais instruções legais de seus superiores.

O Poder Hierárquico está intrinsecamente relacionado às funções institucionais dos


Militares, com fulcro na Constituição da República Federativa do Brasil (art. 142, caput),
assegurando às Forças Armadas o importante papel de instituições nacionais permanentes e
regulares, estruturadas com base no binômio hierarquia-disciplina. A estrutura hierárquica das
Forças Armadas está consolidada, em nível infraconstitucional, no art. 14, § 1º, da Lei nº

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6.880/80 (Estatuto dos Militares) que reflete o pleno exercício do Poder Hierárquica no âmbito
da caserna.

PODER DISCIPLINAR

O Poder Disciplinar é o poder de punir internamente não só as infrações funcionais dos


servidores, sendo indispensável à apuração regular da falta, mas também as infrações de todas as
pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração. Decorre da supremacia
especial que o Estado exerce sobre todos aqueles que se vinculam à Administração.

Quando houver apuração de infração funcional cometida por agente público, o poder
disciplinar decorrerá do poder hierárquico, na medida em que haverá descumprimento de dever
funcional, cabendo ao superior hierárquico o controle da atuação de seus subordinados. O
exercício do poder disciplinar é obrigatório (poder-dever), o que significa dizer que a infração
administrativa, uma vez identificada ou denunciada, deve ser apurada.

Assim, não há margem de discricionariedade ao administrador com relação ao exercício


do poder disciplinar. Também não se confunde com o poder punitivo do Estado, que é realizado
por meio do Poder Judiciário e é aplicado com finalidade social, visando à repressão de crimes e
contravenções devidamente tipificados nas leis penais. Em se tratando de servidor público, as
penalidades disciplinares vêm definidas dos respectivos Estatutos, como é o caso dos Servidores
Públicos Federais, regidos pela Lei nº 8.112/90.

Além disso, a lei costuma dar à Administração o poder de levar em consideração, na


escolha da pena, a natureza e a gravidade da infração e os danos que dela provierem para o
serviço público (art. 128 do Estatuto Federal – Lei nº 8.112, de 11-12-90, e art. 252 do Estatuto
Estadual).

Também a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-lei nº 4.657/42),


com as alterações introduzidas pela Lei nº 13.655/18, contém norma semelhante no artigo 22, §
2º, aplicável aos gestores públicos: “Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a
gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para a administração pública, as
circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente”.

Não se pode falar que exista aí discricionariedade, no sentido de liberdade de escolha da


sanção, segundo critérios de oportunidade e conveniência (mérito do ato administrativo), uma
vez que a decisão tem que ser adequadamente motivada e basear-se em fatos devidamente
apurados em processos administrativos em que se assegure a observância do devido processo
legal, especialmente o direito de defesa e contraditório, tal como previsto no artigo 5º, LV, da

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Constituição (DI PIETRO, 2018). Seria inaceitável que a sanção pudesse ser escolhida segundo
critérios de oportunidade e conveniência. Por outras palavras, deve haver uma relação de
adequação e proporção entre os fatos apurados e a penalidade aplicada.

No âmbito das Forças Armadas, o art. 14, § 2º, da Lei nº 6.880/80 (Estatuto dos Militares)
define os contornos da disciplina na esfera militar: Nesse diapasão, o Decreto nº 76.322, de 22 de
setembro de 1975 aprovou o Regulamento Disciplinar da Aeronáutica (RDAer), importante
ferramenta na contenção de desvios disciplinares cometidos pelos integrantes da Força Aérea
Brasileira, fruto do exercício do Poder Disciplinar no âmbito de convivência das Organizações
Militares.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

Você saberia responder quais os Poderes no contexto de sua Organização


Militar? Que tal prosseguirmos em nossa jornada, contextualizando em
sua própria Organização os Poderes estudados? Vamos juntos?

PODER REGULAMENTAR
O Poder Regulamentar caracteriza-se como uma das formas pelas quais se expressa a
função normativa do Poder Executivo. Pode ser definido como aquilo que cabe ao Chefe do
Poder Executivo da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, no sentido de
editar normas complementares à lei, para sua fiel execução.

Doutrinariamente, admitem-se dois tipos de regulamentos: o regulamento executivo e o


regulamento independente ou autônomo. O primeiro complementa a lei ou, nos termos do artigo
84, IV, da Constituição, contém normas “para fiel execução da lei”. Ele não pode inovar na
ordem jurídica, criando direitos, obrigações, proibições, medidas punitivas, até porque ninguém

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é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, conforme artigo 5º,
II, da Constituição; ele tem que se limitar a estabelecer normas sobre a forma como a lei vai ser
cumprida pela Administração. Manifesta-se, ordinariamente, por meio de Decretos.

O regulamento autônomo ou independente inova na ordem jurídica, porque estabelece


normas sobre matérias não disciplinadas em lei; ele não completa nem desenvolve nenhuma lei
prévia. Contudo, o tema é controverso, pois há intérpretes que não aceitam o regulamento
autônomo na sua configuração conceitual de autonomia, com caráter normativo, disciplinando
assuntos que, a bem da verdade, escapariam de sua competência.

Além do decreto regulamentar, o poder normativo da Administração ainda se expressa


por meio de resoluções, portarias, deliberações, instruções, editadas por autoridades que não o
Chefe do Executivo. Note-se que o artigo 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição da
República, outorga aos Ministros de Estado competência para “expedir instruções para a
execução das leis, decretos e regulamentos (DI PIETRO, 2009).

Há, ainda, os regimentos, pelos quais os órgãos colegiados estabelecem normas sobre o
seu funcionamento interno. Todos esses atos estabelecem normas que têm alcance limitado ao
âmbito de atuação do órgão expedidor. Não têm o mesmo alcance nem a mesma natureza que os
regulamentos baixados pelo Chefe do Executivo (DI PIETRO, 2008).

Em todas essas hipóteses, o ato normativo não pode contrariar a lei, nem criar direitos,
impor obrigações, proibições, penalidades que nela não estejam previstos, sob pena de ofensa ao
Princípio da Legalidade (arts. 5º, II, e 37,caput, da Constituição da República).

PODER DE POLÍCIA
A partir da Constituição Federal e das leis em nosso ordenamento jurídico, foram
conferidos vários direitos aos cidadãos, que, por sua vez, têm o seu pleno exercício vinculado ao
bem-estar social. Assim, é por meio do Poder de Polícia que a Administração limita o exercício
dos direitos individuais e coletivos com o objetivo de assegurar a ordem pública, estabelecendo
assim um nível aceitável de convivência social.

É o poder deferido ao Estado, necessário ao estabelecimento das medidas que a ordem, a


saúde e a moralidade pública exigem. O princípio norteador da aplicação do Poder de Polícia é a
predominância do interesse público sobre o interesse privado. O Poder de Polícia resume-se na
prerrogativa conferida à Administração Pública para, na forma e nos limites legais, condicionar
ou restringir o uso de bens, o exercício de direitos e a prática de atividades privadas, com o
objetivo de proteger os interesses gerais da coletividade.

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Assim, é a atividade do Estado que consiste em limitar o exercício dos direitos


individuais em benefício do interesse público. Mesmo sendo considerado como poder
discricionário da Administração, o Poder de Polícia é controlado e limitado pelo ordenamento
jurídico, que regula a atuação da própria Administração, isto porque o Estado deve sempre
perseguir o interesse público, mas sem que haja ofensa aos direitos individuais garantidos por lei.

Dessa forma, podemos concluir que o Poder de Polícia é um poder de vigilância, cujo
objetivo maior é o bem-estar social, impedindo que os abusos dos direitos pessoais possam
ameaçar os direitos e interesses gerais da coletividade. Portanto, decorre do Poder de Polícia a
aplicação de sanções para fazer cumprir suas determinações, fundamentadas na lei, e, assim,
diversas são as sanções passiveis de aplicação, previstas nas mais variadas e esparsas leis
administrativas, que podem ser aplicadas no âmbito da atividade de polícia administrativa.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

E então? Conseguiu identificar algum desses Poderes em sua Organização


Militar?

PODER DE POLÍCIA ADMINISTRATIVA


O Poder de Polícia Administrativa tem o objetivo principal de manutenção da ordem
pública em geral, atuando em situações em que é possível a prevenção de possíveis
cometimentos de infrações legais. Entretanto, poderá atuar tanto preventivamente como de forma
repressiva; porém, em ambos os casos, a atuação da Polícia Administrativa tem a finalidade de
evitar e impedir comportamentos dos indivíduos que possam causar prejuízos para a sociedade.

O Poder de Polícia Administrativa visa à proteção específica de valores sociais, vedando


a práticas de condutas que possam ameaçar a segurança pública, a ordem pública, a tranquilidade
e bem-estar social, saúde e higiene coletiva, a moralidade pública, entre outras.

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 23 / 63

Importante esclarecer que o poder de polícia administrativa incide sobre atividades e


sobre bens, não diretamente sobre os cidadãos, haja vista que não existem sanções aplicadas
decorrentes do poder de polícia administrativa que impliquem em restrição ao direito de
liberdade das pessoas, como detenção e prisão.

Assim, várias são as sanções decorrentes do poder de polícia administrativa, tais como:
multa administrativa; demolição de construções irregulares; apreensão de mercadorias com
entrada irregular no território nacional; interdição de estabelecimentos comerciais que estão em
desacordo com a lei; embargos administrativos a obras, entre outras.

TÓPICO 2.2 - PODER DE POLÍCIA JUDICIÁRIA E DE POLÍCIA INVESTIGATIVA


A Constituição da República estabelece uma distinção entre as funções de polícia
judiciária e as funções de polícia investigativa.

Com efeito, enquanto os incisos I e II do § 1º do art. 144 da Carta Magna (Constituição)


outorgam à Polícia Federal atribuições para apurar infrações penais contra a ordem polícia e
social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas
e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei, bem como prevenir e
reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e descaminho, o inciso
IV estabelece que a Polícia Federal destina-se a exercer com exclusividade, as funções de
Polícia Judiciária da União. Portanto, a função investigativa está descrita nos dois primeiros
incisos (I e II), de maneira distinta das funções de Polícia Judiciária.

Destarte, por funções de polícia investigativa devem ser entendidas as atribuições ligadas
à colheita de elementos informativos quanto à autoria e materialidade das infrações penais. Por
outro lado, a expressão polícia judiciária está relacionada às atribuições de auxiliar o Poder
Judiciário, cumprindo ordens judiciárias relativas à execução de mandados de prisão, busca e
apreensão, condução coercitiva de testemunhas, entre outras. Portanto, a Constituição da
República, no seu art. 144, § 4º, prevê que a Polícia Civil tem funções de polícia judiciária e de
apuração de infrações penais. Observa-se uma clara distinção entre as funções de polícia
judiciária e funções de apuração de delitos.

Contudo, há autores que não contemplam a divisão de atribuições, entendendo que a


Polícia Judiciária atua, a um só tempo, auxiliando o Poder Judiciária e apurando as infrações
penais.

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A Polícia Militar, via de regra, exerce a função de polícia administrativa (ostensiva),


objetivando prevenir, impedir, a prática de delitos, com base no art. 144, § 5º da Constituição da
República.

É imperioso destacar que uma mesma Polícia pode exercer diversas funções. Como
exemplo, quando um Policial Militar anda fardado pelas ruas, atua no exercício de funções
típicas de polícia administrativa, pois objetiva impedir a prática de crimes, preservando a ordem
pública.

Por sua vez, supondo a prática de um crime militar por um policial militar do Estado do
Rio de Janeiro, as investigações do delito ficarão sob a responsabilidade da própria Polícia
Militar em comento, cujo Encarregado (função similar, na Polícia Civil, à do Delegado), agirá no
exercício de função de polícia investigativa.

Por derradeiro, segundo o art. 8º, “c”, do Código de Processo Penal Militar (CPPM),
incumbe à polícia judiciária militar cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça
Militar, atribuição esta inerente às funções de polícia judiciária militar.

No que concerne às Forças Armadas, o raciocínio é o mesmo. Como exemplo, se houver


a prática de crime militar de motim, caberá a apuração do delito à respectiva Força, sendo
designado um Oficial para exercer a função de Encarregado. Feita a apuração, o Inquérito
Policial Militar será encaminhado para a Justiça Militar da União.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

DIFERENÇAS ENTRE POLÍCIA ADMINISTRATIVA E POLÍCIA JUDICIÁRIA


Diante dos conceitos e explicações acima, passamos a identificar as principais diferenças
entre a atuação da polícia administrativa e da polícia judiciária.

A Polícia Administrativa é regida pelas normas do Direito Administrativo, sendo


considerada infração administrativa a não observância aos preceitos normativos constantes das

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 25 / 63

normas e regulamentos administrativos, enquanto que a polícia judiciária é regulamentada pelas


normas do Direito Penal e Processual Penal.

A atividade de polícia administrativa é executada pelos órgãos e agentes públicos


escalonados e mantidos pela Administração Pública; a polícia judiciária, por sua vez, tem suas
atividades executadas privativamente por organizações especializadas no combate e repressão à
prática criminosa, ou seja, pela Polícia Civil e Polícia Militar, via de regra.

As penalidades no caso da polícia administrativa incidem exclusivamente em produtos e


serviços, enquanto as penalidades previstas para a atuação da polícia judiciária recaem sobre
pessoas, podendo, em alguns casos, ocorrer em face de apreensão de produtos, desde que sejam
de origem criminosa.

Interessante conhecer (ou relembrar) tudo isso, não é mesmo? Na posição


de integrantes da Força Aérea Brasileira, precisamos saber todos esses
conceitos vistos até agora!

TÓPICO 2.3 - CARACTERÍSTICAS DO PODER DE POLÍCIA


A doutrina administrativa majoritária considera as principais características do Poder de
Polícia: a autoexecutoriedade, a coercibilidade, a discricionariedade e o limite do poder de
polícia. Essas características estão descritas a seguir.

AUTOEXECUTORIEDADE
Constitui prerrogativa aos atos emanados por força do poder de polícia a característica da
autoexecutoriedade imediatamente a partir de sua edição; isso ocorre porque as decisões
administrativas trazem em si a força necessária para a sua autoexecução.

Os atos de autoexecutoriedade do Poder de Polícia são aqueles que podem ser


materialmente implementados pela administração, de maneira direta, inclusive mediante o uso de
força, caso seja necessário, sem que a Administração Pública precise de uma autorização judicial
prévia.

A autoexecutoriedade dos atos administrativos fundamenta-se na natureza pública da


atividade administrativa, que observa o interesse público; assim, a faculdade de revestimento do
ato administrativo pela característica da autoexecução de seus próprios atos se manifesta
principalmente pela supremacia do interesse público sobre o particular.

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COERCIBILIDADE
Trata-se da imposição coercitiva das decisões adotadas pela Administração Pública,
objetivando a garantia do cumprimento, mesmo que forçado, do ato emanado mediante o Poder
de Polícia.

Cumpre esclarecer que todo ato de Polícia tem caráter imperativo e obrigatório, ou seja,
temos a possibilidade de a administração pública, de maneira unilateral, criar obrigações para os
administrados, ou então impor-lhes restrições.

Dessa forma, não existe ato de polícia de cumprimento facultativo pelo administrado,
haja vista que todo o ato adotado com fundamento no Poder de Polícia admite a coerção estatal,
a fim de torná-lo efetivo, sendo certo que tal coerção independe de prévia autorização judicial.

DISCRICIONARIEDADE
Os atos discricionários são aqueles que a Administração Pública pode praticar com certa
liberdade de escolha e decisão, sempre dentro dos termos e limites legais, quanto ao seu
conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e conveniência administrativa.

Dessa maneira, na edição de um ato discricionário, a legislação outorga ao agente público


certa margem de liberdade de escolha, diante da avaliação de oportunidade e conveniência da
prática do ato.

LIMITES DO PODER DE POLÍCIA


Muito embora a Discricionariedade seja característica do ato emanado com fundamento
no Poder de Polícia, a lei impõe alguns limites quanto à competência, à forma e aos fins
almejados pela Administração Pública, não sendo o Poder de Polícia um poder absoluto, visto
que encontra limitações legais.

Não podemos perder de vista que toda a atuação administrativa, seja em que esfera for,
deve obediência ao princípio administrativo constitucional da Legalidade, devidamente previsto
no artigo 37 da Constituição Federal.

Assim, toda atuação administrativa pautada dentro dos limites legais, seja quanto à
competência do agente que executou a atividade administrativa ou então a forma em que foi
realizada, será considerada um ato legal e legítimo, desde que atenda ao interesse público. De
outra forma, o ato administrativo que for praticado com vícios de competência, ilegalidades,

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 27 / 63

ilegitimidades, ou, ainda, que contrariem o interesse público, será considerado um ato ilegal,
praticado com abuso ou desvio de poder.

Os limites impostos à atuação do poder de polícia se destinam a vedar qualquer


manifestação administrativa revestida de arbitrariedade e ilegalidade por parte do agente público,
sendo certo que todo e qualquer ato administrativo poderá ser levado a análise de legalidade pelo
Poder Judiciário, que tem o poder jurisdicional de anular ato ilegal ou ilegítimo.

TÓPICO 2.4 - ABUSO DE PODER


Conforme Lei Federal Nº 8.429/92, o exercício ilegítimo das prerrogativas conferidas
pelo ordenamento jurídico à Administração Pública caracteriza, de modo genérico, o
denominado abuso de poder.

Dessa maneira, o abuso de poder ocorre diante de uma ilegitimidade, ou diante de uma
ilegalidade, cometida por agente público no exercício de suas funções administrativas, o que nos
autoriza a concluir que o abuso de poder é uma conduta ilegal cometida pelo agente público, e,
portanto, toda atuação fundamentada em abuso de poder é ilegal.

Importante destacar que é plenamente possível o abuso de poder assumir tanto a forma
Comissiva (ativa), quanto à omissiva, ou seja, o abuso tanto pode ocorrer devido a uma ação
ilegal do agente público, quanto de uma omissão considerada ilegal. O abuso de poder pode
ocorrer de duas maneiras, quais sejam: excesso de poder ou desvio de poder (desvio de
finalidade).

a) Excesso de Poder: Ocorre quando o agente público atua fora dos limites de sua
competência, ou seja, o agente público não tem a competência funcional prevista em lei
para executar a atividade administrativa.

b) Desvio de Poder (Desvio de Finalidade): Ocorre quando a atuação do agente é pautada


dentro dos seus limites de competência, mas contraria a finalidade administrativa que
determinou ou autorizou a sua atuação.

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- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.
- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida
de um breve comentário.
Vamos fazer - A partir da leitura delas, tente reconstruir o
algumas anotações! que foi visto.

Parabéns por ter avançado até aqui! Está na


hora de fazer uma pausa.
Lembre-se de que o descanso e a reflexão fazem
Agora, que tal uma parte do estudo.
pausa?

A partir de suas anotações, reconstrua com suas


palavras todo o estudo em um ou dois
parágrafos, ou se referir, elabore um mapa
Está na hora de mental ou um infográfico sobre o texto.
resumir!

Exercícios para Aprendizagem do Capítulo:

Poderes Vinculados à Administração Pública

Avançamos mais um degrau acerca dos Militares na Administração da


Aeronáutica. Podemos verificar sua compreensão acerca do conteúdo
desse capítulo? Como nos exercícios de aprendizagem anterior, a proposta
é que você consulte as suas anotações, o fórum de debates ou outro
recurso, desde que responda as questões a seguir.

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 29 / 63

3. É correta a assertiva de que o Poder de Polícia, no âmbito de cada Estado da Federação:

a) É exercido, privativamente, pelas Polícias Militar e Civil, a primeira na condição de


polícia de manutenção da ordem pública e a segunda como polícia judiciária.
b) Consiste na atividade estatal, exercida por toda a Administração Pública, de
condicionar a liberdade e a propriedade de seus cidadãos, ajustando-as aos interesses
coletivos.
c) É exercido, exclusivamente, por meio de coerção fática e concreta sobre o particular,
no sentido de que respeite os limites de sua liberdade e propriedade.
d) Pode ser exercido, além das Polícias Militares e Civis, também e apenas pelas
Guardas Municipais e Metropolitana.

4. O poder de polícia tem como uma de suas características

a) A autoexecutoriedade.
b) A flexibilidade.
c) A seletividade.
d) A razoabilidade.

5. A instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) no âmbito de uma Organização Militar, com
o objetivo de apurar indícios do cometimento do crime de deserção e de sua respectiva autoria
define o exercício do

a) Poder de Polícia Administrativa.


b) Poder de Polícia da Aeronáutica.
c) Poder de Polícia Judiciária.
d) Poder de Autotutela.

6. Assinale a alternativa que apresenta enunciado CORRETO:

a) Não incide o Poder Hierárquico no âmbito das Forças Armadas.


b) A autoexecutoriedade é uma característica do Poder Vinculado.
c) O Poder Regulamentar é inerente ao Chefe do Poder Executivo.
d) Os Poderes Administrativos são verdadeiras ações facultativas na gestão pública.

GABARITO

1) B 4) C
2) A 5) D
3) C 6) C

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30 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

CAPÍTULO 3 - ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


Gostou do conteúdo até aqui? As “coisas” aparentam fazer mais sentido
para você? Isso é bom! Indica que você está crescendo profissionalmente.
Vamos seguir em frente vendo um pouco sobre Atos de Improbidade
Administrativa, vamos lá!

TÓPICO 3.1 - NOÇÕES BÁSICAS


Todos que, de alguma forma, lidam com a coisa pública devem adotar um
comportamento ético e moral, atuando de maneira honesta, honrada, imparcial e sempre
zelando para o fiel cumprimento de suas atribuições legais, buscando a satisfação do interesse
público, e não seu próprio interesse ou de terceiro.

A base constitucional da improbidade é o art. 37, § 4º, da CF, onde importarão as


sanções: perda da função pública, indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário. Então, o
ato de improbidade ainda pode resultar em ação penal.

A natureza jurídica da improbidade é de ação civil, não tendo prerrogativas de foro nem
de função, tendo a propositura da ação na Vara Cível, iniciando-se, em primeiro grau, com o Juiz
singular.

Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a
administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou
de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de
cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma da Lei Federal nº
8.429/92. (Art. 1º, caput)

Estão também sujeitos às penalidades da Lei Federal nº 8.429/92 os atos de improbidade


praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal
ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual,
limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos
cofres públicos. (Art. 1º, parágrafo único)

Reputa-se agente público, para os efeitos da referida lei, todo aquele que exerce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades mencionadas parágrafo anterior. (Art. 2º)

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 31 / 63

As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo
agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob
qualquer forma direta ou indireta. (Art. 3º)

Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita
observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos
assuntos que lhe são afetos. (Art. 4º)

Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do


agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano. (Art. 5º)

No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os


bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio. (Art. 6º)

Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar


enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar
ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado. (Art. 7º)

O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente


está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


O ato de improbidade administrativa, para acarretar a aplicação das medidas
sancionatórias previstas no artigo 37, § 4º, da Constituição, exige a presença de determinados
elementos:

a) sujeito passivo: uma das entidades mencionadas no artigo 1º da Lei nº 8.429;

b) sujeito ativo: o agente público ou terceiro que induza ou concorra para a prática do ato
de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta (arts. 1º e 3º);

c) ocorrência do ato danoso descrito na lei, causador de enriquecimento ilícito para o


sujeito ativo, prejuízo para o erário, atentado contra os princípios da Administração
Pública ou concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário; o
enquadramento do ato pode dar-se isoladamente, em uma das quatro hipóteses, ou,
cumulativamente, em duas, três ou quatro;

d) elemento subjetivo: dolo ou culpa.

TÓPICO 3.2 - ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTAM


CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

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32 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

Conforme a Lei Federal nº 8.429/92, constitui-se ato de improbidade administrativa que


atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

a) praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na
regra de competência;

b) retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

c) revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva
permanecer em segredo;

d) negar publicidade aos atos oficiais;

e) frustrar a licitude de concurso público;

f) deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

g) revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva


divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de
mercadoria, bem ou serviço;

h) descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de


parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas;

i) deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 33 / 63

A partir de suas anotações, reconstrua com suas


palavras todo o estudo em um ou dois
parágrafos, ou se referir, elabore um mapa

Está na hora de mental ou um infográfico sobre o texto.


resumir!

Parabéns por ter avançado até aqui! Está na


hora de fazer uma pausa.

Lembre-se de que o descanso e a reflexão fazem


Agora, que tal parte do estudo.
uma pausa?

Exercícios para Aprendizagem do Capítulo:

Atos de Improbidade Administrativa

Vejo que você está progredindo. Parabéns! Entretanto, precisamos avaliar


a qualidade de seu estudo. Não “pule” esta etapa, ela é essencial para seu
aprendizado.

1. Assinale a alternativa correta no que se refere à sanção decorrente de ato de improbidade,


com base no art. 37, § 4º, da CF.

a) Inabilitação para participar de licitações públicas.


b) Perda do posto e da patente no caso de oficial.
c) Suspensão da função pública.
d) Ressarcimento ao erário.

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34 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

2. Frustrar a licitude de concurso público constitui-se em ato de improbidade administrativa que


atenta contra

a) O caráter público do processo seletivo.


b) Os princípios da administração pública
c) A supremacia do interesse privado.
d) A autonomia da vontade.

GABARITO

1) D
2) B

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 35 / 63

CAPÍTULO 4 - FORÇAS ARMADAS E AERONÁUTICA


Agora que você já entendeu um pouquinho mais sobre os assuntos tratados
nos capítulos anteriores podemos seguir em frente! Uma dúvida... você
saberia dizer qual a relação da Aeronáutica com as Forças Armadas?
Vamos conferir juntos!

TÓPICO 4.1 - FORÇAS ARMADAS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA


FEDERATIVA DO BRASIL (1988)
Assim preconiza o art. 142 da Constituição da República: “As Forças Armadas,
constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais
permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade
suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Vale lembrar que nem sempre foi assim. Primeiramente, a Força Militar, expressão
utilizada na Constituição de 1824, era composta pela Força Armada de Mar e pela Força Armada
de Terra. Somente com a criação do antigo Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941,
é que surgiu o terceiro braço armado, denominado, à época, Forças Aéreas Nacionais. A
Constituição de 1946 foi a primeira a incorporar ao texto constitucional a composição tríplice
das Forças Armadas, o que foi mantido nas Constituições posteriores.

As forças armadas são instituições nacionais permanentes e regulares. A Constituição de


1891 foi a primeira a conferir às Forças de Terra e de Mar a condição de instituições nacionais
permanentes. Tal previsão, entretanto, no magistério de José Afonso da Silva, já se encontrava
de forma implícita na Constituição de 1824, que se referia a Forças militares permanentes de mar
e terra (art. 146). As Constituições posteriores mantiveram, em seu bojo, a mesma previsão.

De acordo com Pontes de Miranda (1967), declaram-se permanentes as Forças Armadas,


para que nunca possam ser dissolvidas. Por isso, embora não conste, expressamente, no rol das
cláusulas pétreas, que são núcleos imodificáveis da Constituição (art. 60, § 4.º, da CF/1988), não
podem ser abolidas, suprimidas ou extintas por meio de emenda constitucional, mas, tão-
somente, por Assembleia Nacional Constituinte (que modifica a ordem constituição vigente,
implantando uma nova ordem).

São organizadas com base na hierarquia e disciplina. A hierarquia e a disciplina,


princípios constitucionais inerentes às instituições militares, são os alicerces institucionais das

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36 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

Forças Armadas. A hierarquia militar consiste na ordenação da autoridade por postos e


graduações dentro da estrutura organizacional das Forças Armadas. A autoridade e a
responsabilidade crescem com o grau hierárquico. A disciplina é a rigorosa observância e o
acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo
militar e coordenam seu funcionamento regular e harmônico. A disciplina e o respeito
hierárquico devem ser mantidos em todas as circunstâncias da vida entre militares da ativa, da
reserva remunerada e reformados (ABREU, 2010).

Sujeitam-se à autoridade suprema do Presidente da República. Tradicionalmente, o


legislador constitucional tem submetido as Forças Armadas ao Comando Supremo do Chefe do
Poder Executivo Federal. Trata-se de comando político. O comando tático e operacional compete
aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica (ABREU, 2010).

Destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de


qualquer destes, da lei e da ordem. São, portanto, os garantes materiais da própria subsistência do
Estado e da perfeita realização dos seus fins, atuando preventiva e repressivamente contra
ameaças internas ou externas. Preventivamente, por meio do poder de dissuasão (ABREU,
2010).

Quanto mais bem treinadas e aparelhadas forem as Forças Armadas brasileiras, maior
será o grau de intimidação à prática de atos internos ou externos que atentem contra a soberania
nacional, a garantia dos poderes constitucionais e da lei e da ordem. Repressivamente, por meio
da força, para repelir agressões externas ou internas (ABREU, 2010)..

Dispõe, portanto, o Estado brasileiro de permanente, valiosa e indispensável instituição


voltada à manutenção da forma federativa, da soberania, da independência nacional, da garantia
dos poderes constituídos e, em casos excepcionais, da lei e da ordem (ABREU, 2010).

Os membros das Forças Armadas são denominados militares. São vedados aos militares o
direito de greve, o de sindicalização e o de filiação partidária (CF, art. 142, § 3º, IV e V).

Caso o militar da ativa seja empossado em cargo, emprego público ou função pública
civil, duas situações poderão ocorrer, conforme a natureza do vínculo e nos termos da lei:

a) No caso do art. 142, § 3º, inciso II, o militar em atividade (da ativa) que tomar posse em
cargo ou emprego público civil PERMANENTE será transferido para a reserva, com a
ressalva do art. 37, inciso XVI, alínea “c” (“XVI - é vedada a acumulação remunerada de
cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 37 / 63

qualquer caso o disposto no inciso XI: c) a de dois cargos ou empregos privativos de


profissionais de saúde, com profissões regulamentadas”).

b) Exemplos:

1) militar que obtém aprovação no concurso para Auditor Fiscal. Não poderá cumular
remunerações, devendo ser transferido para a reserva ao ocupar o cargo público de
Auditor;

2) outra situação, delineada no inciso XVI, “c”, do art. 37, refere-se ao militar, médico, que
presta concurso para uma Prefeitura (Administração Pública), podendo, nesse caso,
cumular remunerações, considerando a exceção constitucional.

Como se observa pelos exemplos, o cargo de Auditor Fiscal não permite a cumulação
remuneratória, ao passo que o cargo inerente à profissão de médico (área da saúde) permite a
cumulação, considerando o seu exercício público (Administração Pública).

b) no caso do art. 142, § 3º, inciso III, o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar
posse em cargo, emprego ou função pública civil TEMPORÁRIA, não eletiva (não eleitoral),
ainda que da administração indireta, ressalvada a hipótese prevista no art. 37, inciso XVI, alínea
"c (conforme já visto, pode cumular nessa situação), ficará agregado ao respectivo quadro,
sendo, depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva.

Exemplos:

1) Segundo-Sargento designado para ocupar cargo público civil, temporário, na Presidência


da República;

2) Capitão designado para ocupar cargo público civil, temporário, na Advocacia da União.

Observação: nos dois casos, não poderá ultrapassar dois anos, sob pena de ser transferido
para a reserva.

TÓPICO 4.2 - ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA


A Administração da Aeronáutica é parte integrante da Administração Pública Federal e
a ela se subordina segundo normas legais. O Comando da Aeronáutica (COMAER) administra
os seus negócios e tem como competência principal preparar-se para o cumprimento de sua
destinação constitucional.

As atividades administrativas do COMAER obedecerão aos Princípios Constitucionais e,


ainda, às disposições de leis e regulamentos em vigor, que tenham pertinência com os assuntos

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38 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

que lhe sejam afetos, bem como às normas dos sistemas corporativos nos quais o COMAER se
insere. O Regulamento de Administração da Aeronáutica – RCA12-1 (RADA) tem por
finalidade:

1. . Definir as atribuições dos Agentes da Administração e de demais detentores de bens, de


valores e de dinheiros públicos, sob responsabilidade da Administração Direta deste
Comando;

2. . Disciplinar as atribuições e os encargos dos diferentes agentes públicos; e

3. Estabelecer procedimentos gerais e alguns específicos para a Administração das

Organizações Militares (OM) do COMAER.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

Parabéns por ter avançado até aqui! Está na


hora de fazer uma pausa.

Lembre-se de que o descanso e a reflexão fazem


Agora, que tal parte do estudo.
uma pausa?

A partir de suas anotações, reconstrua com suas


palavras todo o estudo em um ou dois
parágrafos, ou se referir, elabore um mapa
mental ou um infográfico sobre o texto.

Está na hora de

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 39 / 63

resumir!

Exercícios para Aprendizagem do Capítulo:

Forças Armadas e Aeronáutica

Avançamos mais um degrau acerca dos Militares na Administração da


Aeronáutica. Podemos verificar sua compreensão acerca do conteúdo
desse capítulo?

3. Quem é a Autoridade Suprema das Forças Armadas?

a) Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.


b) Presidente da República.
c) Presidente do Senado.
d) Ministro da Defesa.

4. Qual a primeira Constituição a incorporar no seu texto a composição tríplice das Forças
Armadas?

a) Constituição de 1988.
b) Constituição de 1824.
c) Constituição de 1946.
d) Constituição de 1891.

5. A Constituição de 1891 foi a primeira a conferir às Forças de Terra e de Mar a condição de

a) Instituições nacionais permanentes.


b) Instituições nacionais rígidas.
c) Instituições nacionais regulares.
d) Instituições nacionais militares.
GABARITO

1) B 4) D
2) C 5) B
3) A

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40 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

CAPÍTULO 5 - RESPONSABILIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA

TÓPICO 5.1 - RESPONSABILIDADE FUNCIONAL

Estamos caminhando para o último assunto a ser discutido nessa


disciplina. Até o momento nossa parceria foi muito proveitosa, pois tenho
a certeza de que sanou dúvidas e progrediu em conhecimentos. Mas,
vamos lá!

A responsabilidade dos Agentes da Administração no COMAER, quando no exercício de


cargos, encargos ou funções, previstas na estrutura regimental do COMAER ou comissões,
decorre do Princípio da Prevalência e Relevância do Interesse Público e do Princípio da
Transparência dos atos e dos fatos administrativos praticados pelos agentes na gestão das
atividades da Organização.

A qualidade daquele que é agente responsável, ou daquele que tem a obrigação de responder
pela prática de atos próprios, ou daquele por coisa confiada, quando no exercício de cargo, função ou
encargo, previstos na estrutura regimental ou em ato próprio.

As disposições do Regulamento de Administração da Aeronáutica (RADA) são


aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo Agente da Administração, induza ou
concorra para a prática de atos de improbidade ou que dele se beneficie sob qualquer forma,
direta ou indireta.

Todo Agente da Administração, investido em função, cargo ou encargo/comissão, que


vier a causar prejuízos à União, às pessoas físicas e/ou jurídicas ou ao serviço, terá sua
responsabilidade administrativa, civil e/ou criminal, vinculadas às omissões ou atos ilegais em
que incorrer ou praticar.

A responsabilidade civil não isenta o responsável da sanção administrativa e/ou criminal


relativa ao evento. A responsabilidade civil imputada ao agente ou auxiliar culpado acarretará o
ressarcimento dos danos ou prejuízos causados à União ou a terceiros, com as imposições legais.

Os oficiais, os graduados e os servidores civis em geral, além de seus encargos


funcionais, poderão ser designados para integrarem grupos de trabalhos, comissões,

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 41 / 63

representações e outras missões na área da administração, desde que sejam compatíveis com as
suas habilitações e posições hierárquicas.

Os Agentes da Administração são obrigados a zelar pela estrita observância, entre outros
aspectos, principalmente, dos Princípios da Legalidade, da Impessoalidade, da Moralidade, da
Publicidade, da Transparência, da Eficácia, da Economicidade e da Eficiência no trato dos
assuntos que lhe são afetos.

A apuração das irregularidades administrativas será realizada mediante Sindicância ou


Inquérito Policial militar. Aos agentes apontados pelas irregularidades serão assegurados sempre
o Direito da Ampla Defesa e do Contraditório, com os meios e recursos a ela inerentes.

O pessoal da Aeronáutica, no exercício das atribuições inerentes ao cargo,


encargo/comissão ou função e no desempenho de qualquer atividade administrativa, será
responsabilizado essencialmente (extraído do artigo 284 do RADA):

a) pela ineficiência na execução dos seus deveres funcionais;

b) pelas consequências da inobservância, por inércia de sua parte, de disposições legais ou


de ordens emanadas de autoridades competentes;

c) pelas omissões nos seus deveres funcionais;

d) pelo emprego irregular de bens e de valores públicos, inclusive daqueles sob sua guarda;

e) pelos compromissos que assumir em nome da OM sem que, para isso, esteja autorizado;

f) pelo desempenho incorreto das obrigações decorrentes do exercício de seu cargo,


encargo/comissão ou função;

g) pelos atos em desconformidade com a legislação e normas internas que praticar no


exercício de seu cargo, encargo/comissão ou função;

h) pelas despesas ordenadas sem dotação orçamentária prevista e aprovada ou em


desacordo com a classificação orçamentária devida;

i) pela constituição e guarda de numerário não contabilizado e concessão de liberalidades


não previstas;

j) pelos erros de cálculo e por outros que resultem em pagamentos ou recebimentos


indevidos;

k) pela classificação inadequada de registro de receita, de despesa ou patrimonial, em


relação às formalidades básicas exigidas pelas disposições pertinentes;

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42 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

l) pelo cumprimento de ordem de natureza administrativa, ilegal, em desacordo com as


normas ou prejudicial à União, sem a adoção de medidas acautelatórias de seu alcance e
de sua responsabilidade;

m) pelos atos ilegais praticados por agentes subordinados se, previamente comunicado, não
tenha adotado providências, em tempo, para evitar e corrigir esses atos;

n) pela omissão de descontos ou indenizações devidas;

o) pelo atraso que causar às conferências de escrituração, prestação de contas, passagem e


transmissão de cargo, transmissão de valores e de bens, remessa de documento às
organizações do sistema e andamento dos processos;

p) pela falta de arrecadação de receita pública, quando de sua competência, bem como pelo
pagamento, recolhimento ou remessa de qualquer importância fora do prazo fixado;

q) pela apresentação da escrituração desordenada e desatualizada;

r) pela falta de adoção de medidas adequadas na apuração da responsabilidade dos agentes


e dos gestores;

s) pela falta de iniciativa para solucionar casos não previstos, cuja ação seja de sua alçada e
competência;

t) pelas faltas e irregularidades apuradas nas passagens de cargo, transmissão de bens,


valores e dinheiros, tomadas de contas, prestação de contas, conferência de escrituração e
no recebimento, distribuição, remessa, inclusão, exclusão ou saída de material;

u) pelas irregularidades ou inconsistências na escrituração que lhe esteja afeta, sem a


observância das medidas corretivas aplicáveis; e

v) pela ineficiência de sua administração em qualquer cargo, encargo/comissão ou função.

TÓPICO 5.2 - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA


A responsabilidade dos Agentes da Administração que participarem de determinado caso
ou evento será solidária quando, em uma mesma obrigação, houver mais de um responsável
pelo seu cumprimento, só não abrangendo aquele que, por meio da indispensável
argumentação, seguida de registro escrito, deixar definida a sua discordância com relação ao
caso ou evento considerado.

Uma pessoa deve responder pelos atos de outra em igual intensidade. A responsabilidade será
solidária quando em uma mesma obrigação houver mais de um responsável pelo seu cumprimento.

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 43 / 63

Também dita como obrigação solidária é espécie de obrigação múltipla, configurando-se esta pela
presença de mais de um indivíduo em um ou em ambos os polos da relação obrigacional.

Todos os membros das comissões serão responsabilizados quando praticarem qualquer


ato lesivo aos interesses da União, de terceiros, ou contrários às disposições pertinentes.

O voto vencido, obrigatoriamente justificado e formalizado em documento, isenta de


responsabilidade aquele que o emitiu.

As comissões, incluindo as de Tomada de Contas Especial (TCE), e os agentes


encarregados por auditorias, inspeções ou fiscalização serão responsabilizados, solidariamente,
com os Agentes da Administração quando, apuradas as irregularidades cometidas, ficar provado
que dispunham de elementos para responsabilizar os faltosos e não o fizeram.

Participará da responsabilidade solidária qualquer agente que deixar de comunicar a seu


superior imediato as faltas e omissões que seu subordinado houver praticado ou nelas tiver
incorrido.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.

- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida


de um breve comentário.
Vamos fazer
algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

E então? Você consegue identificar em sua Organização alguns exemplos


do que vimos acima? Consegue verificar sua parte nesse contexto?

TÓPICO 5.3 - RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL OU PESSOAL


Quando o Comandante, o Agente Diretor ou Ordenador de Despesas, salvo conivência e
o disposto nos incisos pertinentes ao art. 284 do RADA, decidir com fundamento em
informações ou parecer incompleto, incorreto ou inverídico, a responsabilidade recairá somente
no autor da informação ou parecer.

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44 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

O Comandante, o Agente Diretor ou o Ordenador de Despesas, salvo conivência, não


será responsável por prejuízos causados à Fazenda Nacional decorrentes de atos praticados por
agente subordinado que exorbitar das ordens recebidas.

Apurada qualquer divergência na conferência de bens, valores e dinheiros em


procedimento de TCE, ou por ocasião da substituição do respectivo agente ou gestor, ser-lhe-á
imputada a responsabilidade pelo ressarcimento dos eventuais danos ou prejuízos verificados,
assegurando-lhe, sempre, o Direito da Ampla Defesa e do Contraditório, com os meios e
recursos inerentes, inclusive, mas não necessariamente obrigatório, contando com a participação
de advogado.

O agente responsável por bens, valores e dinheiros públicos e de terceiros responderá:

a) pelas quantias recebidas, até que justifique o seu emprego;

b) pelos pagamentos ou distribuições que efetuar;

c) pelos erros de cálculo; e

d) pelo emprego indevido dos bens, valores e dinheiros sob a sua guarda.

O agente que subscrever qualquer documento administrativo será responsável pela


autenticidade das informações nele contidas. O agente incumbido de conferir documento
administrativo responderá pela exatidão dos cálculos e das importâncias nele registradas.

Das sanções administrativas previstas no RADA não elide (elimina) a aplicação da


sanção disciplinar prevista no Regulamento Disciplinar da Aeronáutica (RDAer).

O fato de uma inspeção, verificação, auditoria ou processo de contas ter considerada


regular a situação de qualquer agente da administração, não impede que este agente se torne
responsável por irregularidades apuradas posteriormente.

Neste caso, o agente encarregado pela inspeção, auditoria, verificação ou tomada de


contas, compartilhará da responsabilidade em que tiver incorrido o agente se for verificado que
dispunha de elementos para tornar efetiva a responsabilidade.

Compete ao Agente Diretor ou ao Comandante da OM determinar a realização dos


descontos decorrentes das sanções administrativas previstas no RADA, ou ainda aos órgãos
competentes, “ex-ofício”, quando constatarem, no exame dos processos, que os descontos não
foram executados.

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EEAR CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA 45 / 63

Os Agentes Auxiliares da Administração respondem perante os respectivos Chefes


diretos.

A responsabilidade que resultar de perda, dano ou extravio de recursos, valores ou outros


bens entregues aos Agentes Auxiliares do Agente da Administração, será a estes, imputada,
exceto se ficar comprovada a culpa de seu chefe ou de outrem.

TÓPICO 5.4 - CASOS FORTUITOS E MOTIVOS DE FORÇA MAIOR


Os casos fortuitos e os motivos de força maior podem ser considerados para fins de
isenção de responsabilidade do Agente da Administração.

Os casos fortuitos e os motivos de força maior verificam-se no fato necessário, cujos


efeitos não eram possíveis de serem evitados ou impedidos.

Podem ser considerados, para fins de isenção de responsabilidade, do Agente da


Administração, dentre outros:

a) incêndio, sinistro aéreo, fluvial, marítimo ou terrestre;

b) inundação, submersão, terremoto ou outras intempéries;

c) epidemia ou moléstia contagiosa;

d) saque ou destruição pelo inimigo, ou destruição ou abandono forçados pela aproximação


deste;

e) Estrago produzido em armas, ou em quaisquer outros bens, por explosão ou


acontecimento imprevisível; e

f) inutilização involuntária do bem em serviço ou em instrução.

Ocorrendo a situação, o responsável direto, ou indireto, levará imediatamente o fato ao


conhecimento da autoridade a que estiver diretamente subordinado, por escrito, prestando-lhe
todas as informações e esclarecimentos necessários à justificativa das circunstâncias em que o
fato tenha ocorrido.

Os casos fortuitos e os motivos de força serão objeto de apuração de responsabilidade do


agente ou usuário quanto à ação, à omissão, ou, ainda, à falta de atenção, cuidado ou erro na
execução, devendo ser a solução publicada em boletim interno.

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46 / 63 CAS - MILITARES NA ADMINISTRAÇÃO DA AERONÁUTICA EEAR

Tudo bem até aqui? Tenho certeza de que você está cada vez mais
interessado e “por dentro” dos assuntos estudados até aqui, Parabéns!
Vamos juntos seguir em frente?

TÓPICO 5.5 - GENERALIDADES


Conforme o RADA, todo militar ou servidor público investido de cargo,
encargo/comissão ou função que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
vier a causar prejuízos à União ou a terceiros, responderá por suas condutas nas esferas
administrativa, civil e criminal.

A responsabilidade do agente que der causa a prejuízos deverá ser apurada em


procedimento administrativo competente, observada a legislação vigente.

A responsabilidade será, também, civil quando a conduta do Agente da Administração


resultar em obrigação de reparar os prejuízos causados à União ou a terceiros.

A responsabilidade civil não exime o Agente da Administração da sanção administrativa


ou criminal cabível, apurada em procedimento administrativo pertinente, observada a legislação
vigente.

O COMAER responderá pelos danos que os Agentes da Administração causarem a


terceiros, cabendo-lhe ação regressiva contra os agentes responsáveis, nos casos de culpa ou
dolo, apurados em procedimentos administrativos pertinentes, observada a legislação vigente
(artigo 313, RADA).

Destarte, vale ressaltar que essa regra está insculpida no art. 37, § 6º, da Constituição da
República Federativa do Brasil, que estabelece a possibilidade de responsabilizar o agente
público (abrangendo, inclusive, o militar das Forças Armadas), nas situações de dano a terceiros.
Assim, a responsabilidade do Estado é objetiva, devendo arcar com o custo financeira da ação do
agente.

Em momento posterior, o Estado pode buscar o ressarcimento da quantia paga ao


terceiro, mediante a apuração da conduta do agente público (dolo ou culpa), lançando mão,
judicialmente, da chamada ação regressiva.

Os casos fortuitos ou motivos de força maior, quando comprovados mediante


procedimento administrativo competente, isentarão de responsabilidade os agentes.

Ocorrendo roubo, furto, extorsão, incêndio ou dano material, a isenção da


responsabilidade ficará subordinada à ausência de culpa do Agente da Administração.

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A isenção de culpa, quando for o caso, só beneficiará o responsável que tenha tomado as
providências adequadas e da sua alçada para evitar o prejuízo.

Todo agente responsável pelo cumprimento de ordens que, a seu ver, impliquem prejuízo
à União ou que contrariem dispositivos legais deverá ponderar a respeito com a autoridade que
as determinou, ressaltando as consequências da sua execução.

Se, apesar da ponderação, a autoridade persistir na ordem, o subordinado a cumprirá,


mediante determinação por escrito, e, a seguir, participará, também por escrito, que a ordem em
causa foi executada de acordo com o disposto no caput deste artigo, ficando, por consequência,
isento de responsabilidade.

Procedimento análogo caberá sempre que se tornar necessária a execução de medida ou


providência legal, que não tenha sido tomada oportunamente. A sanção civil será aplicada,
observada a legislação pertinente:

a) ao agente responsável direto pelo dano ou prejuízo apurado; e

b) aos agentes que tenham agido com imprudência, imperícia ou negligência em relação
às providências de suas atribuições, no sentido de responsabilizar o agente culpado.

Qualquer agente, ao tomar conhecimento de irregularidade administrativa, adotará,


obrigatoriamente, as providências cabíveis junto à autoridade competente, objetivando a
apuração de responsabilidade, sob pena de eventual responsabilização solidária.

Nenhum agente responsável estará isento de prestar contas que, se necessário, serão
tomadas tendo em vista os superiores interesses da União. Todo ato administrativo praticado por
agente público estará sujeito ao exame dos órgãos de controle.

- Procure no conteúdo estudado as palavras-


chave que melhor representam o que foi
estudado até aqui.
- Faça uma lista dessas palavras-chave seguida

Vamos fazer de um breve comentário.


algumas - A partir da leitura delas, tente reconstruir o que
anotações!
foi visto.

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Parabéns por ter avançado até aqui! Está na


hora de fazer uma pausa.

Lembre-se de que o descanso e a reflexão fazem


Agora, que tal parte do estudo.
uma pausa?

A partir de suas anotações, reconstrua com suas


palavras todo o estudo em um ou dois
parágrafos, ou se referir, elabore um mapa

Está na hora de mental ou um infográfico sobre o texto.


resumir!

Exercícios para Aprendizagem do Capítulo:

Responsabilidades na Administração da
Aeronáutica

Bem, agora que você já cumpriu mais essa etapa da missão, que tal
avaliar seu grau de assimilação em relação ao conteúdo que foi visto neste
capítulo? Não se preocupe caso não saiba responder prontamente, o
importante é que você resolva as questões a seguir no seu tempo.

1. No caso de apuração de irregularidades praticadas pelos agentes públicos, quais direitos


(princípios) devem ser observados, verdadeiras garantias constitucionais?

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a) Legalidade – Interesse Público.


b) Ampla Defesa - Contraditório.
c) Impessoalidade – Indisponibilidade do Interesse Público.
d) Razoabilidade – Supremacia do Interesse Público.

2. No trato da responsabilidade solidária, um Terceiro-Sargento, que participa de uma comissão


criada especificamente no âmbito da OM, ao discordar dos demais componentes (observou que
havia erro na conferência de materiais), o faz mediante ato escrito e devidamente justificado,
restando vencido na sua opinião frente ao grupo. Se houver, posteriormente, apuração de
responsabilidade dos integrantes da comissão, qual a consequência da medida adotada pelo
graduado?

a) Será responsabilizado com os integrantes da comissão.


b) Será responsabilizado de forma isolada, não havendo sanção para os outros
integrantes.
c) Estará isento de responsabilidade, alcançando, inclusive, os demais integrantes.
d) Estará isento de responsabilidade.

3. Se o Comandante de uma OM tomar uma decisão administrativa na condição de gestor


(Ordenador de Despesas), ciente das implicações de sua atitude, sem qualquer variável externa
de influência, poderá sofrer as consequências de tal postura. Dessa forma, estamos diante de qual
tipo de responsabilidade?

a) Solidária.
b) Pessoal.
c) Compartilhada.
d) Integral.

4. Um sinistro aéreo pode ser considerado, para fins de responsabilidade administrativa

a) Um evento aleatório.
b) Um caso fortuito ou de força maior.
c) Um acontecimento inesperado e sem efeitos práticos.
d) Um incidente sem efeitos administrativos.

5. Os casos fortuitos e os motivos de força maior podem ser considerados para efeito de

a) Responsabilização de seus agentes.


b) Exclusão de culpabilidade de seus agentes.
c) Isenção de responsabilidade de seus agentes.

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d) Responsabilização de seus agentes, com atenuantes específicas.

6. Qual procedimento deverá ser adotado pelo agente responsável pelo cumprimento de ordens
superiores que, a seu ver, contrariem dispositivos legais, podendo gerar prejuízos
administrativos?

a) Deverá cumprir a ordem, em obediência ao Princípio da Hierarquia e da Disciplina.


b) Deverá ponderar a respeito da ordem, ressaltando as consequências da execução do
ato.
c) Deverá ponderar a respeito da ordem, mas não pode deixar de cumprir a determinação.
d) Deverá cumprir a ordem, porém deixará registrado o seu inconformismo.

7. Nos casos de responsabilização do agente público por danos causados a terceiros, é possível
ao Estado buscar o ressarcimento dos valores pagos ao terceiro, mediante análise, em ação
própria, acerca do(a)

a) Culpa do agente público (único elemento cabível).


b) Dolo do agente público (único elemento cabível).
c) Dolo ou culpa do agente público.
d) Conduta do agente público, sem qualquer análise de dolo ou culpa

GABARITO

1) B 4) B 7) C
2) D 5) C
3) B 6) B

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- Quais suas observações iniciais acerca do texto?


Identifique algumas palavras-chave e faça breves
anotações sobre elas. Faça uma breve descrição do
texto. Quais correlações e associações você pode
fazer em relação a ele? Compare-o a outras leituras
que você já tenha realizado. Faça breves anotações,
infográficos ou desenhos.

- Experimente decompor o texto em tópicos. Anote


cada tópico acrescido de um breve comentário. Após
isso, faça um resumo, reconstruindo o texto com
suas próprias palavras a partir dos tópicos. Avalie
Roteirize o
seu estudo! todas as suas anotações de forma reflexiva. Há algo
que você possa melhorar?

- Tente explicar seu resumo para alguém, prepare


uma aula com 3 a 5 slides, ou faça um “mapa
mental” sobre o assunto estudado. Faça uma
“busca” na Internet por algum texto, infográfico ou
vídeo que esteja relacionado com o assunto e que
possa ser acrescentado ao seu material de estudo.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao findar o estudo da disciplina “Militares na Administração da Aeronáutica”, os


discentes do CAS se debruçaram com aspectos importantes relativos ao conceito de Estado e os
princípios da Administração Pública no Brasil, os poderes da administração e o abuso de poder
vinculados à Administração.
Noutro giro, foram apontadas relevantes noções sobre os atos de improbidade
administrativa e seu impacto direto na gestão administrativa, com reflexos sobre a
responsabilização dos agentes públicos, abarcando os militares no contexto de estudo.
No tópico das “Forças Armadas na Constituição Federal e a Administração da
Aeronáutica”, foram traçadas considerações acerca da origem das Forças Singulares, a definição
do comando político e operacional e a destinação constitucional das Forças de guerra. Por fim, os
tipos de responsabilidade na Administração da Aeronáutica, dando o suporte administrativo
necessário para o desempenho livre e consciente de todas as atividades funcionais, permite a
atuação dos militares com o alicerce necessário para a atuação isenta e regular dos militares na
gestão pública.

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REFERÊNCIAS

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ed. São Paulo: Método, 2011.

BARBIERI, André Poderes Administrativos. 2015. Passei Direto. Disponível em: https://
www.passeidireto.com/arquivo/36220244/direito-administrativo-cap-3-poderes-administrativos.
Acessos em 12 de fev. 2020.

BEM, R. M. PRADO, M. L., e DELFINO, N. Desafios à implantação da gestão do


conhecimento: a questão cultural nas organizações públicas federais brasileiras. Revista Digital
de Biblioteconomia e Ciência da Informação, 11(2), 123-135, 2013.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de
1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2019]. Disponível em:
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BRASIL. Portaria Nº 678/GC3, de 30 de abril de 2019. Aprova a reedição do
Regulamento de Administração da Aeronáutica – RADA (RCA 12-1).
BRASIL. Decreto Nº 76.322, de 22 de setembro de 1975. Aprova o Regulamento
Disciplinar da Aeronáutica (RDAER).
BRASIL. Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos
agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou
função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências.
Brasília, DF: Presidência da República, [2019]. Disponível em:
http://www.presidencia.gov.br/legislação/Leis Ordinárias.
COSTA, Thais. Os três Poderes no Brasil. Medium. 2018. Medium. Disponível em:
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DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 32ª ed. rev., ampl e atual. Rio
de Janeiro: Ed. Forense, 2019.

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DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella di. Direito Administrativo. 31. ed. Rio de Janeiro:
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MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo:
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