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Como os novos modelos de gestão empresarial podem impactar negócios do futuro


1 Fev 2021 • 11:53
A gestão empresarial é uma área em constante evolução, e o que surge hoje ditará os rumos do
futuro. Entenda como isso deve acontecer.
O que surge hoje como novidade tende a ser o padrão em um futuro não tão distante. A sociedade em
que vivemos evolui constantemente. As relações humanas se diversificam, já que as próprias pessoas
também mudam, e isso cria, por consequência, novas maneiras de lidar com a gestão empresarial.

O assunto é determinante para todas as companhias, seja qual for seu porte ou segmento, pois ter um
negócio sem gestão é como tentar guiar um navio no meio de um oceano turbulento sem a roda do
leme: ele estará, literalmente, à deriva.

A importância da gestão de negócios, inclusive, é amplamente conhecida. De acordo com uma


pesquisa feita pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) em julho de 2013 com 212 empresas
brasileiras, 99,53% delas (211) entendem que investir em melhorias de gestão aumenta a
competitividade do negócio.

O cenário se mostra como extremamente positivo, já que apenas uma empresa entrevistada não
reconheceu tal importância, o que denota como o mercado lida com a questão, mas a história não
acaba aí.

A mesma pesquisa constatou que apenas 79% das empresas entrevistadas consideram dar
importância à gestão. Este número pode não parecer tão ruim à primeira vista, mas acredite: é bem
negativo.

É como se a cada cinco empresas, uma não se importasse com a gestão de negócios. Em outras
palavras, é como se o mercado fosse uma avenida bem movimentada, onde um a cada cinco carros
está dirigindo sem o menor controle de sua direção.

Além de colocar sua integridade em risco, isso prejudica todo o trânsito, já que até mesmo quem
conduz o automóvel com segurança e responsabilidade pode ter problemas na condução, e a situação
é bem parecida no que tange à gestão.

É importante ressaltar, porém, que não basta apenas gerir o negócio: tão ou mais importante que isso
é ter uma gestão inovadora, já que ficar parado pode cobrar um preço bem alto.

Os modelos de gestão que surgem hoje soam como novidade quando comparados aos que já existem,
mas o movimento natural do mercado é se atualizar e deixar o que é arcaico para trás. Logo, para
sobreviver, é preciso se adaptar.

Vamos entender melhor os novos modelos de gestão e em que eles devem impactar no mercado a
curto, médio e longo prazo.
Quais são os novos modelos de gestão empresarial?
Por ser uma área que evolui bastante, é difícil apontar todas as novidades. Porém, se você conferiu o
nosso artigo sobre o que é gestão Flywheel, pôde conhecer algumas das tendências atuais, como
Blitzscaling e Flywheel – esta última, inclusive, utilizada por nós aqui na StartSe.

Curiosamente, percebemos que ambos modelos são bem diferentes entre si e podem até mesmo ser
considerados como contrastantes, já que o modus operandi é quase oposto.

Vamos conferir mais de perto quais são suas principais características:

Blitzscaling
A famosa metodologia foi criada por Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, que tem
aproximadamente 660 milhões de usuários (o dobro da população dos Estados Unidos) e é a principal
rede social profissional do mundo.

O nome complicado veio do termo “Blitzkrieg”, o qual, por sua vez, denomina uma tática usada pelo
exército alemão na 2ª Guerra Mundial para surpreender os adversários rapidamente e, assim, ter
vantagens competitivas nas batalhas. (Inclusive, nem o próprio Hoffman gosta tanto deste nome por
sua origem.)

Para conseguir tal aumento em termos de agilidade, eles levavam apenas o que era fundamental e
deixavam os demais suprimentos de lado. Assim, conseguiam agir muito mais rapidamente do que
seus oponentes, embora se colocassem em várias situações em que precisavam tomar decisões
rápidas.

É essa última característica que se destaca em termos de gestão de negócios: empresas que adotam o
Blitzscaling precisam agir rapidamente. Elas podem crescer de maneira acelerada e em grande escala,
mas nem sempre lidam bem com os problemas e desafios que surgem no meio do caminho, ou seja,
os riscos são altos.

São definidas algumas prioridades, as quais devem ser seguidas com afinco, enquanto questões
secundárias são colocadas, literalmente, em segundo plano, até que se torne possível lidar com elas
sem prejudicar o crescimento da empresa.

Para você entender rapidamente como este método de gestão empresarial funciona, é importante
saber que é utilizada uma escala com cinco fases: família, tribo, vila, cidade e nação. Cada uma
demanda tomadas de decisão diferentes, bem como comportamentos variáveis para gerenciar o
negócio.

Ainda que seja uma tendência em termos de gestão inovadora, os riscos envolvidos fazem com que
nem todos adotem o modelo, com grande potencial de dar certo, mas que pode trazer sérios prejuízos
à corporação quando falha em termos de tempo, recursos financeiros e mesmo de sua continuidade
no mercado.
Flywheel
Outro modelo de gestão inovadora adotado nos dias de hoje é o Flywheel (“volante do motor”, na
tradução literal), que veio do livro “Good to Great: Why Some Companies Make the Leap… And Others
Don’t”, publicado em 2011 e de autoria de Jim Collins.

O autor explica a definição do termo com riqueza de detalhes em seu livro, mas, em suma, é preciso
imaginar um grande e pesado disco, com mais de 2 toneladas, o qual precisa ser girado o mais rápido
e pelo maior período de tempo possível.

No início, os esforços para tal serão absurdos, já que o peso é muito grande, mas o desejo de mover
aquele disco também é enorme. Então, aos poucos, o disco começa a sair do lugar e, depois de horas
de esforço, a primeira volta é concluída.

A partir daí, as voltas seguintes serão muito mais fáceis, já que o impulso também ajudará. A
velocidade aumenta constantemente, até chegar o ponto em que, com os mesmos esforços, a rotação
é absurda e o impulso praticamente trabalha para você.

Com o passar do tempo, chegará um momento em que será quase impossível parar o disco de girar,
tamanho o impulso que ele adquiriu, ou seja, o objetivo foi plenamente cumprido.

Ao analisar a situação sob a ótica da gestão empresarial, denota-se que os esforços são grandes no
início de um negócio, já que é difícil lidar com tudo ao mesmo tempo, geralmente sem tanto apoio de
outras pessoas, mas o processo fica cada vez mais fácil.

O gestor começa a entender o funcionamento da empresa e do mercado, aprende o que deve fazer
para obter os melhores resultados possíveis e, quando observa, a roda está girando rapidamente, com
a tendência de aumentar ainda mais com o passar do tempo.

Portanto, não existiu um “esforço principal”, mas sim um processo contínuo e coberto de empenho, o
qual trouxe um desempenho sólido e bastante positivo que praticamente carrega a empresa – embora
esta ainda tenha de ser cuidada de perto, é claro.

Este modelo de gestão inovadora, que inspira persistência, empenho e determinação, já foi utilizado
por empresas do porte da IBM, por exemplo. Os resultados falam por si só: sua capitalização de
mercado foi avaliada em US$ 120,13 bilhões em 16 de dezembro de 2019.

De que forma os modelos de gestão inovadora podem impactar o mercado?


Através do ganho de espaço e da melhora de resultados por parte das empresas que se renovam, ao
mesmo tempo em que aquelas que não se comportam desta forma devem ficar para trás.

Nós já comentamos por aqui sobre 7 empresas gigantes que morreram nos últimos anos por não
inovar, como Blockbuster e Kodak, dois players de imenso renome mundial, mas que não se
preocuparam com a renovação pela qual o mercado passou.
A Blockbuster, por exemplo, já teve aproximadamente 9 mil lojas em todo o mundo, mais
especificamente em 2004. Hoje, há apenas uma loja aberta, em Bend, Oregon (Estados Unidos) –
curiosamente, o local se mantém quase como um museu, já que é a remanescente em todo o globo.

Ao analisar um dado referente ao ano de 2000, porém, é possível perceber como a falta de uma
gestão inovadora é perigosa, ainda que a maneira de conduzir a empresa esteja alinhada com o que se
pratica no mercado.

De acordo com a agência Associated Press, a Blockbuster arrecadou nada menos que US$ 800 milhões
apenas com as multas por entrega atrasada de filmes alugados, o que representou 16% do
faturamento de aproximadamente US$ 5 bilhões daquele ano.

As locadoras estavam em alta e cobravam multas de quem não cumpria as datas de devolução, de
fato, mas olhar para uma situação dessas no dia de hoje é tão surpreendente que pode soar como
uma falta de respeito ou, no mínimo, um atraso muito grande.

Em uma era em que os filmes são alugados sob demanda e ficam disponíveis no mesmo momento em
qualquer dispositivo, sem ao menos precisar levantar do sofá, se dirigir até uma locadora e ainda
correr o risco de ter que pagar mais por esquecer da data ou não poder retornar ao local soa até
cômico.

Conheça mais:
Kodak: como ela foi de uma das empresas mais inovadoras até falência
Como a falência da Blockbuster tornou a Netflix a maior empresa de mídia do mundo
A Kodak é outro exemplo infeliz de gestão empresarial. Fundada em 1880, a empresa começou a
vender câmeras por US$ 25 em 1888 e, em 1896, a câmera de número 100.000 já estava sendo
produzida.

Em 1962, as vendas chegaram a US$ 1 bilhão apenas nos Estados Unidos. Em 1981, as vendas globais
atingiram US$ 10 bilhões. A Reuters, porém, afirma que a empresa passou 3 anos seguidos sem ter
qualquer lucro, já que não se adaptou às demandas por câmeras digitais que o mercado apresentava.

As ações na bolsa de valores, que valiam US$ 40 em 2003, hoje valem US$ 3,83, embora já tenham
chegado a valer míseros US$ 0,78 em 30 de setembro de 2011.

Essas duas derrocadas históricas nos fazem abrir os olhos para a forma como o mercado pode ser
cruel, embora não injusto. Afinal de contas, até chegar o ponto de empresas de renome internacional
abrirem falência (ou passarem perto disso), muitos sinais apareceram ao longo dos anos.

Há lições que escolas de negócios não vão te ensinar, mas que precisam ser captadas e
compreendidas por parte de quem toma as decisões em uma empresa e está envolvido com sua
gestão, pois qualquer desatenção pode dar início a um movimento imparável.

A StartSe sabe que inovação e empreendedorismo são as chaves para se sagrar vencedor em um
mercado tão competitivo como o que temos hoje, fruto da Nova Economia (baseada em serviços ao
invés da indústria) e que apresenta uma volatilidade impressionante.

O ecossistema de startups deixa isso bem claro, e embora esteja geralmente relacionado com
agilidade, nada melhor do que recorrer a um modelo de gestão de negócios tão inovador e sólido
quanto o Flywheel, embora menos arriscado que o Blitzscaling.

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