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Universidade Zambeze

Faculdade de Ciencias Sociais e Humanidades

Palestra 2 de Economia de Desenvolvimento

Curso de Administração Pública


Tema 2. Correntes e Teorias
importantes em ED
• 2.2.1. Introdução
• 2.2.2 conceito de Desenvolvimento
• 2.2.3 Teorias de Desenvolvimento
• 2.2.4 Planificação Estratégica
• 2.2.5 Contextualização do Desenvolvimento
• 2.2.1. Introdução
• A presente aula descreve sobre o conceito de desenvolvimento, suas
teorias, a planificacao estrategica no geral e evidencia o Enquadramento da
Estratégia no Sistema Nacional de Planificação em Moçambique e no final
versa sobre contextualização do desenvolvimento
• 2.2.2 Conceito de Desenvolvimento
Segundo Rostow desenvolvimento é vinculado ao crescimento econômico, o
qual se daria com a industrialização, significando, portanto, modernização.

Desenvolvimento é um termo ambíguo usado para descrever um processo pelo


qual uma sociedade se move a partir de uma condição para outra, mas é também o
objetivo desse processo (Sharpley, 2000).
• Furtado (1984, p.11) entende que o desenvolvimento é a satisfação crescente das necessidades
básicas de uma população e a redução das desigualdades sociais.

• Enquanto Sen (2000, p.52) considera que desenvolvimento é um processo de expansão das
liberdades reais que as pessoas disfrutam.

• Thomas (2000a, p.22) ao realizar uma análise do conceito desde o final da Segunda Guerra
Mundial até o início do século XXI, o define como um processo que ocorre desde o nível local
até o global, que atualmente está mais focado na solução de problemas que em expressivas
transformações sociais.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de
Crescimento

2.2.3 Teorias de Desenvolvimento


• A primeira geração de pesquisadores em economia de
desenvolvimento foi largamente influênciada pela grande depressão
económica, onde se verificou o desemprego em larga escala. O período
pós segunda guerra Mundial quatro 4 teorias passaram a explicar o
desenvolvimento económico que nomeadamente são: modelo de
crescimento linear, Teorias de ajustamento estrutural, revolução
da dependȇncia internacional e modelo neoclássico de mercado
livre.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• As Etapas de desenvolvimento de Rostow


• Primeira etapa> sociedade tradicional- é aquela em que o nível de produção
per capita é limitado. Essa limitação ocorre graças a baixa produtividade
ocasionada principalmente pela falta de tecnologia. Esta sociedade dedica,
normalmente a maior parte de seus esforços na produção agricola.

• Segunda etapa. As pré-condições para o Arranco- nesta estapa começa a


existir a aplicação da ciência moderna na produção agricola e industrial. Nessa
fase, nascem grandes empreendedores e aparecem também grandes bancos que
impulcionaram o crescimento dos investimentos em transporte e comunicação e
amplia-se o comércio exterior.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• Terceira Etapa. O aranco – representou o rompimento de todas as resistências ao


desenvolvimento e a difusão do progresso tecnológico por toda a sociedade. Surgem
novas técnicas agricolas e industriais. Sendo assim a agricultura sofre um profundo
processo de mudança.

• Quarta etapa. Marcha para a maturidade- representa à fase em que o crescimento da


produção já supera o crescimento demográfico, a economia experimentou o surgimento
de inúmeras novas indústrias, além de inédita expansão do comércio internacional. É
nesta etapa em que o país passa a contar com condições de produzir aquilo que achar
necessário.
• Quinta etapa. Erra do consumo em massa – é a fase em que a renda per capita já
garante a uma grande maioria dos consumidores elevados padrão de vida e a população é
predominante urbana.Com o consumo direccionado para os bens duráveis. Nessa etapa, a
preocupação com o desenvolvimento tecnológico cede seu espaço aos anseios por bem-
estar social.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de
Crescimento

• Críticas ao Modelo de Rostow


1. Inspirado no processo de evolução dos países desenvolvidos,
2. A sua utilização não é previsivel

3. Não apresenta detalhes suficientes da pré-condição


Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• Modelo de Harrod-Domar
• O modelo Harrod-Domar é um modelo keynesiano de crescimento econômico . É
usado na economia do desenvolvimento para explicar a taxa de crescimento de uma
economia em termos do nível de poupança e de capital . Isso sugere que não há razão
natural para uma economia ter um crescimento equilibrado. O modelo foi desenvolvido
independentemente por Roy F. Harrod em 1939 e Evsey Domar em 1946, embora um
modelo semelhante tenha sido proposto por Gustav Cassel em 1924. O modelo Harrod-
Domar foi o precursor do modelo de crescimento exógeno .
• De acordo com o modelo Harrod-Domar, existem três tipos de crescimento:
crescimento garantido, crescimento real e taxa natural de crescimento.
• Taxa de crescimento garantida é a taxa de crescimento na qual a economia não se
expande indefinidamente ou entra em recessão.
• O crescimento real é o aumento da taxa real do PIB de um país por ano. (Ver
também: Produto interno bruto e Produto interno bruto natural ).
• O crescimento natural é o crescimento que uma economia requer para manter o
pleno emprego . Por exemplo, se a força de trabalho cresce 3% ao ano, para manter o
pleno emprego, a taxa de crescimento anual da economia deve ser de 3%.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de
Crescimento

• O modelo Harrod-Domar parte do princípio de que o crescimento


económico resulta da abstinência de consumir hoje (poupar) para consumir no
futuro.
• Por um lado os agregados familiares consomem (fazendo despesas de
consumo) com base nos rendimentos auferidos apartir dos salários, rendas e
juros obtidos junto das empresas. Por outro lado, os agregados familiares
poupam enviando este fluxo monetário para as empresas, correspondendo isto
a investimento.
• No modelo de Harrod-Domar parte deste princípio:
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

Críticas ao Modelo Harrod-Domar


• Os níveis de investimento e poupança não são condiçõe suficientes para se
atingir o crescimento económico.
• Não adimite subistituibilidade de factores a curto prazo.
• Não leva em conta ao crescimento da renda por habitante,

• Não consegeum considerar todos os aspectos estritamente


económicos da realidade
• Não tem possibilidade de levar em consideração as relações de
dependência e dominação entre os países e entre as regiões de um
mesmo país.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• Modelo de Lewis- Mudança Estrutural


• A teoria de mudança estrutural foca nos mecanismos por quais economias
subdesenvolvidadas transformam suas estruturas domésticas de pesada enfase na
agricultura tradicional de subsistêência para uma mais moderna, mais urbanizada,
e mais industrialmente diversificada em economia de manufacturas e serviços.
• No modelo de Lewis, uma economia subdesenvolvida consiste em dois
sectores:
• O sector tradicional, muito povoado subsistência rural caracterizada por
produtividade do trabalho igual à zero situação que permitiu Lewis classificar este
como trabalho excedente no sentido que se pode retirar do sector de agricultura
sem nenhuma perda de produto.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• Em um sector industrial urbano de alta produtividade no qual a força de trabalho


iria gradualmente se transferir. O foco principal do modelo está no mutuo processo
de transferência de mão-de-obra e crescimento do produto e emprego no sector
moderno. A velocidade em que esta expansão ocorre é determinada pela taxa de
investimentos industriais e a acumulação de capital no sector moderno. Neste
modelo assume-se que os capitalistas reinvestem todo seu lucro.
• O nível de salários no sector urbano industrial é assumido constante e
determinado como um prémio sobre a média fixa do nível salarial de subsistência no
sector de agricultura tradicional.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• O WA representa um nível médio de renda no sector rural. E WM representa o


salário real no sector moderno capitalista . A esse salário. A oferta de trabalho rural é
assumida por ser perfeitamente elástica e limitada, como mostrado pela curva de
oferta de trabalho horizontalWMSL.
• Lwis assume que ao nível WM de salário urbano acima da renda média rural WA,
os empregadores do sector moderno poderão contratar qualquer nível de excedente
de trabalhadores rurais que eles quiserem sem medo de precisar aumentar os
salários.
• Por causa dos empreendedores que maximizam lucros no sector moderno serem
assumidos para empregar trabalho no ponto em que seu produto físico marginal é
igual ao salário real e o emprego total do sector moderno será igual a L1.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

• Críticas ao Modelo de Lewis


• Apesar de modelo de desenvolvimento de dois sectores de Lewis ser simples e conforme
com a experiência histórica do crescimento económico do ocidente , existem três suposições
que não encaixam com as realidades económicas e histórica da maioria dos países do terceiro
mundo.
1. O modelo assume implicitamente que a taxa de transferência de trabalho e geração de
emprego no sector moderno é proporcional a taxa de acumulação, maior é a taxa de
crescimento do sector moderno e mais rápida é a taxa de geração de novos postos de
trabalho.
• Mas o que ocorre se o lucro dos capitalistas é reinvestido em equipamentos mais
sofisticados que poupam esforço humano, ao invês de duplicar o capital existente como
é implicitamente assumido no modelo de Lewis?
• Então as curvas de demanda por trabalho na realidade se cruzam, ou seja, a tecnologia em
KM2 requer muito menos trabalho por unidade de produto que a tecnologia em KM1 requer. A
esta situação alguns chamam crescimento anti desenvolvimentista.
Desenvolvimento e as Teorias Lineares de Crescimento

2. A questionável suposição, no modelo de Lewis, que o trabalho é excedente


nas aréas rurais enquanto que existe pleno emprego nas aréas urbanas.
• A maioria das pesquisas indica o o contrario, que nos países de terceiro
mundo exsite um substancial desemprego nas aréas urbanas e um
pequeno excedente geral de trabalho em aréas rurais.
3. A noção de um mercado de trabalho competitivo no sector moderno que
garanta a continua existência de um salário urbano constatemente maior até o
ponto em que a oferta de trabalho seja exausta.

Revolução da Dependência Internacional

• O modelo Neo-colonial de Dependência


• Em meados de 1970, os modelos de dependência internacional ganharam espaçços
nos países subdesenvolvidos como consequência da fraca adequaçãão dos modelos
estruturais.
• Esta corrente foi fortemente influênciada pelos pensamentos de Karl Marx.
1. Os países de periferia ( subdesenvolvidos) se encontram numa situação de
dominação em relação aos países do centro ( desenvolvidos).
2. Existência de elites na periferia
3. O subdesenvolvimento é um fenómeno induzido por forças externas.

• Aconteceram as revolucionárias campanhas das nacionalizações. Porém,


esta revolução não sortiu os efeitos desejados. Destacam-se como
defensores desta teoria os seguintes: Samir Amin, Paul Baran, Theotonio
dos Santos, Andre Gunder Franck, Osvaldo Sunkel e Immanuel
Wallerstein.
Revolução da Dependência Internacional

• O modelo do falso-Paradigma
• Esta corrente é menos radical e defende que:
1. A persistência do desenvolvimento reside no facto dos conselhos dos
consultores externos ( países desenvolvidos) darem maus conselhos,
2. Falhas de mercado originados pela sofisticadas ( modelos econométricos)
políticas desenhadas pelos consultores externos.
3. Destaca muito as medidas quantificaveis, negligenciando os aspectos
estruturais e institucionais que constitui factores importantes para a
aplicabilidade dos modelos.
• Destacam-se como defensores desta teoria os seguintes autores Joseph
Stiglitz, Dani Rodrik e William Easterly.
Modelo Neoclássico de Mercado Livre

• A teoria de crescimento neoclássica (o modelo de Solow)

• O modelo de solow vem complementar os feitos de Harrod-Domar.


Este acrescenta para explicar o crescimento económico continuo que se
verifica na maior parte dos países, precisamos incluir : Crescimento
demográfico e crescimento tecnológico.

• O modelo de Solow, mostra que a taxa de pupança é o principal


determinante de setoque de capital no estado estacionário. Países com alta
taxa de pupança tendem a crescer no curto prazo e no longo prazo e tende
a convergir para altas taxas de crescimento do rendimento per capita.

• As variáveis usadas no modelo de solow são as mesmas encontradas


no modelo de Harrod-Domar.
2.2.4. Planeamento Estratégico

• Planeamento Estratégico é um processo contínuo definido,


sistemático, organizado e capaz de prever o futuro, de maneira a
tomar decisões que minimizem riscos.

• O planeamento estratégico é fundamentalmente um instrumento


de apoio à tomada de decisões, e para Bryson (1988) significa o
"esforço disciplinado em ordem a produzir decisões e acções
fundamentais que moldem e guiem o que uma organização (ou
outra entidade) é, o que faz, e porque o faz.

• Para A. Castro et al. “O Planeamento Estratégico é uma


ferramenta que permite às organizações compreender e responder
adequadamente a mudanças que estejam ocorrendo ou que se pode
esperar que ocorram, no seu ambiente externo".
Planeamento Estratégico

• O Planeamento Estratégico é a atividade que responde a três perguntas que,


hoje, são fundamentais serem respondidas para a própria sobrevivência da
organização:
• ONDE NÓS ESTAMOS? (Quem somos? Quais nossos problemas? Quais
são nossos recursos disponíveis? Quais nossos pontos fortes e fracos?).

• ONDE QUEREMOS IR? (Que organização queremos ser? Quais serão


nossas metas? Em que áreas pretendemos atuar?).
• COMO CHEGAR LÁ? (Quais são os melhores caminhos para chegarmos
aos nossos objetivos, para alcançarmos nossas metas?).

O planeamento estratégico provém de uma determinação e vontade precoce


do que deve ser realizado e da forma como será realizado, pois constitui uma
ferramenta/instrumento de apoio ao processo de formulação e implementação da
estratégia organizacional.
Planeamento Estratégico

• O Planeamento Estratégico exige empenho e vontade de todos os membros da


organização. É um processo exigente que só será eficaz e encontrará sucesso se
bem preparado. Este planeamento do processo de Planeamento Estratégico
envolve várias fases:

• 1) Trabalho preparatório;
• 2) Condições Organizacionais;
• 3) Definição dos participantes;
• 4) Preparação da agenda.
Planeamento Estratégico

• Enquadramento da Estratégia no Sistema Nacional de Planificação (Moçambique)

• A elaboração da Estratégia Nacional de Desenvolvimento surge da necessidade de se


resolver a problemática da proliferação de várias abordagens estratégicas e a limitação
na articulação entre os instrumentos de gestão económica e social. Para tal, espera-se
que o País tenha (i) uma visão global agregada, integrada, onde os sectores estabelecem
entre si uma linguagem de comunicação, articulação, interligação e de
complementaridade; e (ii) Melhoria do alinhamento entre os instrumentos de médio
prazo, designadamente o Programa Quinquenal do Governo (PQG), o Plano de Acção
para Redução da Pobreza (PARP), o Programa Integrado de Investimentos (PII), as
estratégias sectoriais, territoriais, documentos que no actual cenário não apresentam um
alinhamento apropriado entre si, em termos de metas e prioridades, dificultando a sua
articulação na planificação anual.
Planeamento Estratégico

A Estratégia Nacional de Desenvolvimento é um instrumento de


orientação estratégica do governo que visa orientar o desenvolvimento
económico e social do País a longo prazo, cabendo aos sectores traduzir a
as linhas prioritárias em acções específicas.
As linhas prioritárias definidas pela Estratégia Nacional de
Desenvolvimento inspiram-se nas abordagens definidas nos seguintes
instrumentos:
• Agenda 2025,
• os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio,
• o Plano Prospectivo Indicativo,
• o Plano Estratégico e Indicativo da SADC;
• o Mecanismo Africano para a Revisão de Pares;
• as Estratégias sectoriais e Territoriais,
• Relatórios nacionais de avaliação da pobreza, entre outros instrumentos
nacionais e internacionais.
• TODARO e SMITH ( 2006). Economic Development. 9th Edition

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE (2015-2035 ) ESTRATÉGIA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO

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