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UNIVERSIDADE FERDERAL DE GOIÁS-REGIONAL JATAÍ

CURSO DE BACHARELADO EM QUÍMICA


FÍSICO-QUÍMICA EXPERIMENTAL II

EXPERIMENTO 1
CONDUTIMETRIA
INTRODUÇÃO

Condutância e Condutividade

A medida fundamental para estudar o movimento dos íons em solução é a


da resistência elétrica, R, da solução. As soluções, assim como os condutores
metálicos obedecem a lei de Ohm, exceto em condições anormais como altas
voltagens ou corrente de freqüência muito alta. Se a um condutor de resistência,
R, se aplica uma tensão elétrica, a força eletromotriz (F. E. M.) de valor E,
segundo a lei de Ohm a intensidade da corrente I que passa é:
I=E/R (eq. 1)
A unidade prática de resistência é o ohm (), sendo o ohm internacional a
resistência a 0 oC de uma coluna de mercúrio, de seção uniforme, de 106,3 cm de
longitude e que pesa 14,4521 g. A unidade prática da F. E. M. o potencial é o volt
(V); é o potencial necessário para uma corrente de 1 ampér passe através de uma
resistência de 1 ohm .
A condutância, G, de uma solução é o inverso da sua resistência R:
G=1/R (eq. 2)
Como a resistência vem em ohms, , a condutância vem em -1. O inverso
também é chamado de mho, mas a denominação recomendada no SI é siemens,
S, e 1S = 1-1 = 1 C V-1 s-1. A condutância de uma amostra diminui com o seu
comprimento l e aumenta com sua área de sucção reta A. Então:
G=kA/l (eq. 3)

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em que k é a condutividade. Com a condutância em siemens e com as
dimensões geométricas em metros, a unidade SI de condutividade é o siemens
por metro (S m-1) 2.
A condutividade de uma solução depende do número de íons presentes, e
é normal usar a condutividade molar, m, definida por:
m = k / c (eq. 4)
em que c é a molaridade do eletrólito. A unidade SI de condutividade molar é o
siemens metro quadrado por mol (S m2 mol-1), e os valores típiocs são da ordem
de 10 mS m2 mol-1.
Observa-se que a condutividade molar de um eletrólito varia com a
concentração. Umas das razões dessa variação é a possibilidade de um número
de íons em solução não ser proporcional à concentração do eletrólito. Outra razão
é forte interação de um íon com os outros que faz a condutividade da solução não
ser exatamente proporcional ao número de íons presentes.
A dependência entre as condutâncias molares e a concentração, ilustrada
na Figura 1, indica que há duas classes de eletrólitos. A classificação depende do
solvente, além de depender, como é claro, do soluto .

Figura 1: Dependência entre a condutividade molar e a concentração


(a) de um eletrólito forte e (b) de um eletrólito fraco.

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. Procedimento Experimental
Preparar e padronizar 250 mL das seguintes soluções:

- HCl 0,1 mol/L.

- Acido acético 0,1 mol/L

- NaOH 0,1 mol/L

- NH4OH 1 mol/L

- NaCl 0,1 mol/L

- Acetato de sódio 0,1 mol/L

A partir destas soluções, fazer diluições para obter soluções com as


seguintes concentrações 0,05; 0,01; 0,005; 0,001; 0,0005 e 0,0001
- KCl 1 mol/L , fazer diluições para 0,1 e 0,01 mol/L (para ajustar o condutivímetro)

Medida da condutividade das soluções


Após a calibração da constante de célula, medir as condutividades das
soluções menos concentradas para as mais concentradas, conforme mostra a
tabela 1. Ao se trocar de substância, lavar com cautela, por várias vezes a célula
de condutividade. Determinar por último as condutividades das soluções aquosas
de NaOH e HCl para se evitar contaminação da célula.

Eletrólito [ ] mol/L
CH3COONa 0,0001 0,0005 0,001 0,005 0,01 0,05 0,1
NaCl 0,0001 0,0005 0,001 0,005 0,01 0,05 0,1
CH3COOH 0,0001 0,0005 0,001 0,005 0,01 0,05 0,1
NH4OH 0,0001 0,001 0,0064 0,01 0,064 0,1 0,64
NaOH 0,0001 0,0005 0,001 0,005 0,01 0,05 0,1
HCl 0,0001 0,0005 0,001 0,005 0,01 0,05 0,1

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Depois de anotar as condutividades, construir os gráficos de
condutividades em função da concentração do eletrólito, determinar a
condutividade molar limite dos eletrólitos, condutividade molar do ácido acético
bem como o grau de dissociação deste nas concentrações 0,1 e 0,0001 mol/L.

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EXPERIMENTO 2

ATIVIDADE DOS ÍONS H+ EM SOLUÇÕES DE ÁCIDO ACÉTICO E


ÁCIDO CLORÍDRICO

Introdução

Em uma solução ideal, admite-se que as interações entre todas as


partículas que compõem a solução – as partículas do soluto e as partículas do
solvente – sejam iguais, e, desta forma, todas as partículas se comportariam como
se estivessem cercadas por moléculas idênticas, e não houvesse diferença entre
as interações solvente-solvente, solvente-soluto e soluto-soluto. Nesta situação,
as propriedades do sistema seriam expressas por meio de funções simples da
composição do sistema. Sendo assim, este comportamento somente pode ser
observado, ainda de maneira aproximada, nas soluções bastante diluídas. Porém,
conforme a concentração do soluto aumenta, maior será o desvio de idealidade
apresentado pela solução, pois as interações entre as partículas aumentam. Este
desvio pode ser compensado pela introdução do conceito de atividade no
tratamento matemático do comportamento da solução real.
A atividade é uma espécie de medida da concentração efetiva de uma
espécie em solução, é uma espécie de fração molar “eficaz” deste componente.
A atividade de uma espécie é descrita por:
a=C

Em que a é a atividade, C é a concentração molar e  é coeficiente de atividade.

Neste experimento, as soluções em estudo são eletrolíticas, ou seja,


existem íons dissolvidos na solução. Portanto, as discussões serão restritas às
atividades iônicas. Nas soluções iônicas, o comportamento apresenta um desvio
ainda maior da idealidade, considerando-se que a atração entre espécies

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carregadas eletricamente é consideravelmente maior do que as interações entre
espécies neutras.
Para soluções ácidas ou alcalinas, é possível medir o pH considerando-se
as atividades dos íons H+ e OH-. De maneira geral, o pH é dado por

pH = -log [H+]

porém, utilizando o conceito de atividade, que é a concentração efetiva do íon em


solução, o pH será calculado de maneira mais exata por
pH = -log aH+

Como temos um ácido forte (HCl) e um ácido fraco (CH3COOH) e, considerando


que o ácido forte seja totalmente dissociável, a concentração de íons H+ na
solução tende a ser próxima da concentração de HCl na solução, mas para o
ácido fraco, esta dissociação não será total, e o cálculo da atividade dos íons H+
na solução envolverá também o grau de dissociação do CH3COOH. Portanto, para
o ácido forte, temos:

a =  [H+]

Mas para o ácido fraco, temos uma dissociação parcial  conhecendo o valor de grau de
dissociação () é possível calcular o coeficiente de atividade por

a =   [H+]
Atividade dos íons

A atividade dos íons em solução relaciona-se com a molalidade segundo a


seguinte expressão:
a = γ b/bθ
a = atividade dos íons
γ = coeficiente de atividade
b = molalidade da solução a ser estudada
bθ = molalidade padrão de uma solução ideal

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As interações dos íons em solução são tão intensas, que a aproximação em
que atividade e molalidade se equivalem só é válida em soluções muito diluídas.
Isto porque desta forma as interações entre os íons serão menores, devido ao
distanciamento destes. Mas para soluções não-diluídas estas interações são
bastante relevantes e por isso tem-se o coeficiente de atividade médio, que
funciona como um fator de correção, permitindo determinar a quantidade efetiva
destes íons em solução.
O potencial químico de um soluto em uma solução real define-se em termos
de atividade (a) por:
µ = µθ + RT ln a
sendo: a = γ b/bθ

Quando a solução tende a idealidade, com molalidades baixas, o


coeficiente de atividade tende a 1:

γ → 1, a → b/bθ, quando b → 0

Como todos os desvios em relação a idealidade estão englobados no


coeficiente de atividade, o potencial químico escreve-se:

μ= μθ + RTlnb + RTlnγ = μideal +RTlnγ

Em que μideal é o potencial químico na solução ideal diluída que tem a


mesma molalidade.

A Lei Limite de Debye-Huckel

A intensidade e o alcance da interação coulombiana dos íons sugere que


esta seja a responsável principal pelos afastamentos em relação à idealidade das
soluções iônicas e domine todas as outras contribuições ao comportamento não-
ideal. Esta predominância é a base da teoria de Debye-Huckel para soluções
iônicas.
Os íons com cargas opostas atraem-se mutuamente. A solução de íons,
como um todo, é eletricamente neutra, mas nas vizinhanças de um íon há um

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excesso de contra-íons.
Esta nuvem, com simetria esférica, na qual os contra-íons superam os íons
de mesma carga que a do íon central, tem uma carga líquida de mesmo valor que
a deste íon central, mas de sinal oposto, é a atmosfera iônica.
A estabilização dos íons pela interação com a respectiva atmosfera iônica é
a parte da explicação da prática química de se usarem soluções diluídas, nas
quais a estabilização é pouco pronunciada, para conseguir a precipitação de íons
em soluções de eletrólitos.
O modelo proposto leva a expressão do coeficiente médio de atividade pela
chamada Lei Limite de Debye-Huckel:

log γ+- = - [ z+ z-] AI1/2


A = 0,509 (25°C)
I = força iônica
I = ½ Σ z2i (b/bθ)
zi = nº de carga do íon i
bi = molalidade do íon i

A força iônica é parâmetro das soluções iônicas, ela acentua as cargas dos
íons, pois os números de cargas aparecem elevados ao quadrado.

Objetivo
Determinar a atividade dos íons H3O+ em soluções de um ácido fraco (ácido
acético) e de um ácido forte (ácido clorídrico), em diferentes concentrações.

Procedimento Experimental
Preparar-se soluções de ácido clorídrico e de ácido acético 1,0 mol/L, e a
partir destas preparar 50 mL de soluções com concentrações de 0,1; 0,05; 0,01;
0,005; 0,001; 0,0005 e 0,0001 mol/L.
Medir-se o pH das soluções com o auxílio de um pHmetro.
Vale ressaltar que as medidas de pH deverão ser feitas das soluções menos
concentradas para as mais concentradas.

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EXPERIMENTO 03

HIDRÓLISE CATALISADA DE UM ÉSTER

INTRODUÇÃO:

A hidrólise de um éster – acetato de etila – se caracteriza pela hidrólise de


uma solução aquosa de éster em presença de ácido mineral, como por exemplo,
ácido clorídrico, utilizado com catalisador.

H+
CH3CO2C2H5 + H2O  CH3CO2H + C2H5OH

A velocidade de uma reação é a velocidade com que um sistema reacional


se aproxima do estado de equilíbrio. Fatores como concentração, temperatura,
pressão, etc, interferem na cinética das reações. As velocidades de reação
servem não apenas para medir o avanço da reação, mas também esclarecem os
mecanismos de reação. A investigação cinética pode dizer como modificar as
condições do sistema reacional de maneira a favorecer um dos sentidos, acelerar,
retardar ou, até mesmo, impedir algumas reações. Algumas substâncias
denominadas catalisadores podem afetar a velocidade das reações acelerando-as
ou retardando-as.

A ordem de reação estabelece as velocidades de reação de maneira


quantitativa. A potência a que está elevada a concentração de uma espécie
(produto ou reagente) na expressão da lei de velocidade é a ordem da reação em
relação àquela espécie química e a soma das potências de todas as espécies
químicas presentes na expressão informa a ordem global da reação. Por exemplo,
uma reação que tenha a lei de velocidade abaixo:

v = k [A] [B]

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Essa reação é de primeira ordem em relação a A e também em relação a
B e de segunda ordem no global. E o k é a constante da velocidade da reação,
que não dependente das concentrações, e sim da temperatura.
A reação de hidrólise do acetato de etila é considerada de pseudoprimeira
ordem, segundo o método de isolamento. Nesse método considera-se que as
concentrações de todos os reagentes, exceto um, estão em grande excesso e,
portanto, constantes durante o avanço da reação. Assim, a lei de velocidade fica
dependente da concentração de apenas um reagente. Na reação de hidrólise em
questão, consideramos que a água e o ácido clorídrico estão em excesso e a lei
de velocidade da reação depende apenas da concentração do éster.

A determinação dessa constante k em uma reação de primeira ordem é


possível através das leis integradas de velocidade, como mostrada a seguir.

d[A] = - k[A]
dt

Integrando essa lei de velocidade:

kt = ln ( [A] / [A]0 )

E considerando a correção da equação para a utilização do log ao invés do


ln, para o cálculo da constante cinética da reação, utilizaremos a fórmula:

k = (2,303/t ) . log ( [A] / [A]0 )


OBJETIVO:
Determinar a ordem e a constante cinética da hidrólise catalisada de um
éster.
MATERIAL E MÉTODOS:
1 pipeta volumétrica de 100 mL 1 cronômetro
2 pipetas graduadas de 5 mL Gelo de água destilada
2 erlenmeyers de 250 mL Solução de fenolftaleína 1%;
1 erlenmeyer de 500 mL Solução de NaOH 0,1M
1 bequer de 50 mL Solução de HCl 0,5M
1 bureta de 50 mL Solução de acetato de etila
Tabela 1. Material e reagentes.

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- Adicionar com uma pipeta volumétrica 100,00 mL de HCl 0,5 mol/L em
um erlenmeyer de 500 mL e com outra pipeta volumétrica 5,00 mL de acetato de
etíla P.A.
- Quando o acetato de etila entrar em contato com o ácido, acionar
imediatamente o cronômetro e a agitação da mistura.
- Após 10 minutos, pipetar 5,00 ml desta mistura e transferir para um
erlenmeyer de 250 mL contendo gelo de água destilada. Se necessário adicionar
gelo no decorrer da titulação.
- Titular com solução de NaOH 0,1 mol/L, usando-se fenolftaleína como
indicador. Retirar alíquotas nos intervalos de 10, 20, 30, 40 e 60 minutos

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EXPERIMENTO 04

DETERMINAÇÃO DO GRAU DE DESACETILAÇÃO (GD) DA


QUITOSANA POR TITULAÇÃO CONDUTIMÉTRICA

Introdução
1.1 QUITOSANA
A quitosana é um derivado da quitina, biopolímero encontrado em
invertebrados marinhos, insetos, fungos e leveduras. A estrutura química da
quitina consiste de várias unidades monoméricas do tipo 2-acetoamido-2-deoxi-D-
glicose combinadas entre si por ligações β – (1 → 4)
A quitosana é obtida pela N-desacetilação da quitina, quer seja por
tratamento com bases fortes, quer seja por métodos microbiológico, resultando na
estrutura β-(1 → 4)- 2-acetoamido-2-desoxi-glicopiranose.

FIGURA 1- Estrutura química da quitina FIGURA 2- Estrutura química da


quitosana

A quitosana é obtida a partir do tratamento da quitina com bases fortes,


portanto um GD maior que 50% indica que a desacetilação da quitina foi eficiente,
ou seja, houve que uma substituição relevante dos grupos -COCH3 pelo -H.

x < y = Quitina
x > y = Quitosana
Figura 3 – Obtenção da quitosana a partir da quitina

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GRAU DE DESACETILAÇÃO (GD)

- Pesar aproximadamente 0,25g de quitosana e dissolver em 50 mL de


HCl 0,05mol/L à temperatura ambiente, sob agitação magnética até a completa
homogeneização.
- Transferir para um balão de 250 mL e completar o volume com água
destilada
- Retirar alíquotas de 50 mL (Triplicata)
- A partir de uma pipeta automática adicionar 0,25 mL de uma solução de
hidróxido de sódio 0,1mol/L previamente padronizada e medir a condutividade.
(adicionar de 0,25 em 0,25 mL até completar 10 mL. A cada adição medir a
condutividade)
O grau de desacetilação será calculado pela equação

A curva de titulação por condutimetria será semelhante a esta

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GRAU DE DESACETILAÇÃO DA QUITOSANA POR POTENCIOMETRIA

O grau de desacetilação da quitosana foi estimado a partir de titulação


potenciométrica.
Pesar aproximadamente 0,5g de quitosana e dissolver em 30 mL de HCl
0,1mol/L à temperatura ambiente, sob agitação magnética até a completa
homogeneização.
Adicionar 150mL de água destilada para otimizar o procedimento da
titulação
A partir de uma bureta adicionar 1mL (adicionar de 1 em 1mL até completar
50 mL) de uma solução de hidróxido de sódio 0,1mol/L previamente padronizada e
medir o pH.
A derivada primeira da curva de pH em função do volume de base fornece
dois pontos de inflexão que permitem determinar o volume de hidróxido de sódio
necessário para desprotonação dos grupos amino da quitosana.
O grau de desacetilação pode ser determinado a partir da relação abaixo:

Onde:
NNaOH: Concentração de NaOH (mol/L)
V1: Volume em litros de NaOH para neutralizar o excesso de HCl.
V2: Volume em litros de NaOH usados para neutralizar a amostra de quitosana
protonada.
M: Massa da amostra (g).
161: Massa molar do monômero (C6H11O4N)

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EXPERIMENTO 05

CALOR DE NEUTRALIZAÇÃO

Introdução

Quando soluções diluídas de ácidos fortes, como HCl e HNO3 são


neutralizadas com soluções diluídas de bases fortes, como NaOH e KOH,
observa-se que o calor de neutralização liberado, por mol de água formado, e
praticamente constante e independe da natureza do ácido e da base. Esta
constância do calor de neutralização, igual a 13.700 cal mol-1 a 25°C, é o
resultado da ionização completa dos ácidos e bases fortes, bem como dos sais
correspondentes formados na reação de neutralização. Assim, quando uma
solução diluída de um ácido forte é adicionada a uma solução diluída de uma base
forte, a única reação química que ocorre é:

Haq+ + OHaq- →H2O H°298K =- 13.700 cal.mol-1

Quando ácidos ou bases fracas são neutralizados, o calor associado ao processo


depende do seu grau de ionização.
Objetivos
Determinar o calor de neutralização de um ácido forte por uma base forte.

Materiais utilizados
Frascos térmicos, termômetro com escala decimal, cronômetro, cilindros
graduados de 250 cm3 soluções de HCl 0,25 mol L-1 e de NaOH 0,25 mol L-1.
Procedimento experimental
Determinação da capacidade calorífica do calorímetro
1) Colocar em um frasco térmico (calorímetro) 150 cm3 de água destilada a
temperatura ambiente.

2) Fazer, tomando nota, leituras da temperatura em intervalos de 30 segundos até


que ela se mantenha constante.

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3) Verter, rapidamente dentro do calorímetro, 50 cm3 de água previamente
gelada, de temperatura rigorosamente conhecida e anotada.

4) Agitar a mistura imediatamente após a adição da água gelada a água do


calorímetro e, anotando, fazer leituras de temperatura a cada 30 segundos, até
que ela tenha atingido um valor constante.

5) Esvaziar e secar o calorímetro e repetir o mesmo procedimento três vezes.

Determinação do calor de neutralização


Obs.: Utilizar o mesmo termômetro para os dois calorímetros. No início da
experiência ele deve permanecer no calorímetro A.
1) Medir 110 cm3 de HCl 0,25 mol L-1 e transferi-los para o frasco térmico, limpo e
seco, calorímetro. (Especificar o calorímetro)

2) Após molhar as paredes do frasco e o termômetro, retirar a solução do ácido,


colocando-o em um béquer.

3) Medir 100 cm3 da mesma e transferi-los, novamente para o mesmo frasco


térmico do calorímetro A.

4) Medir 100 cm3 de NaOH 0,25 mol L-1 e transferi-los para o outro frasco térmico,
calorímetro B.

Nota1: E conveniente tomar a solução da base numa concentração ligeiramente


superior à da solução do ácido para se ter a certeza de que o ácido foi totalmente
neutralizado, depois de misturadas. De preferência as duas soluções devem estar
a mesma temperatura para facilitar os cálculos.

5) Fazer, anotando, cinco leituras de temperatura, com intervalos de 30 segundos,


no termômetro mergulhado na solução do ácido.

6) Logo após a última leitura, retirar o termômetro lavá-lo, secá-lo e, em seguida,


mergulhá-lo na solução da base no calorímetro B, procurando não gastar nesta
operação mais do que 30 segundos.

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7) Continuar as leituras da temperatura da solução da base, com o mesmo
intervalo de tempo e, após a quinta leitura, transferir rapidamente os 100 cm 3 da
solução de HCl do calorímetro A para o calorímetro B agitando moderadamente
para assegurar a homogeneização.

8) Continuar com as leituras da temperatura da mistura a cada 30 segundos, até


que a temperatura atinja um máximo e depois se mantenha constante ou tenha
diminuído muito pouco. Fazer, no mínimo, dez leituras após esta observação.

Utilização dos dados


No cálculo da capacidade calorífica C do calorímetro, consideramos o fato de
que o calor ganho pelos 50cm3 de água gelada é igual, numericamente, ao calor
perdido pelo calorímetro e os 100 cm3 de água. Esta igualdade é representada
pela equação:
- 50 (Tf-Ti) = 150 (T + CT)

Onde Tf é a temperatura final do sistema do calorímetro, Ti é a temperatura


inicial da água gelada, T é a variação da temperatura do calorímetro e
considerando a densidade da água igual a 1 g/cm 3 e a sua capacidade calorífica
igual a 1cal K-1 g-1
Como foi dito anteriormente, foi neutralizado o ácido contido em 100 cm 3 de
uma solução 0,25 mol L-1. A elevação da temperatura no sistema do calorímetro
(soluções, frasco, agitador e termômetro) e, portanto, devida a liberação de calor
associado a neutralização de 0,25 mols de ácido ou de base. Esta quantidade de
calor é dada pela equação:

Q = 100 TA + 100 TB + C TB

Onde TA e TB e são as elevações de temperatura das soluções do ácido e


da base e C é a capacidade calorífica do calorímetro.
Como as soluções são diluídas, suas densidades e suas capacidades
caloríficas foram, nas equações acima, consideradas iguais a da água, com os
valores unitários.

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Experimento N° O6

ESPECTROSCOPIA - CINÉTICA DA REDUÇÃO DO AZUL DE METILENO

Objetivos
1 - Acompanhar o andamento de uma reação química em solução por método
espectrofotométrico.
2 - Determinar a constante de velocidade e a ordem da reação utilizando-se os
métodos de ajuste linear e não linear de equações integradas e o método da
velocidade inicial.
3 – Determinar a energia de ativação para o processo

Reagentes
O azul de metileno (AM) é um corante catiônico solúvel em água ou em
álcool, de fórmula molecular (C16H18ClN3S) e massa molar 319.85 g/mol. O AM é
usado como um corante bacteriológico e como indicador. Sua estrutura química
está representada abaixo.

Estrutura da forma catiônica do Azul de Metileno

O AM em sua forma oxidada é azul (MB+). Ele é facilmente reduzido à


forma hidrogenada (azul de leucometileno, LB+) que é incolor. O reagente que
usaremos para reduzir o AMox neste experimento é o ácido ascórbico ou Vitamina
C.

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O ácido ascórbico (ASH2), de massa molar 176,1 g mol-1, é uma -lactona
sintetizada por plantas e quase todos os animais. Em condições fisiológicas, o
ASH2 é oxidado reversivelmente a ácido desidro ascórbico (AS) que, por sua vez,
é hidrolisado irreversivelmente ao ácido dicetogulônico de acordo com a reação
representada abaixo:

Reação

A reação de redução do AMox pelo ASH2 produzindo o AMred, leva ao


gradual descoramento da solução azul. Por esta razão, a cinética desta reação
pode ser acompanhada espectroscopicamente, com base na redução da
absorbância da solução em 665 nm (correspondente à cor azul) ao longo do
tempo.

A reação pode ser esquematizada como:

MB+ (azul) + ASH2 → LB+ (incolor) + AS

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Esta reação será realizada em meio ácido, utilizando-se para isso o ácido
clorídrico (HCl).

Métodos
Para a determinação da cinética da reação entre o corante e o ácido, as
soluções e meios reacionais serão preparados e mantidos a 25 °C, em banho
termostatizado. A cubeta em que será mantida a solução a ser analisada também
deve permanecer 5 minutos no banho para o equilíbrio da temperatura, antes de
cada medida.
A segunda parte do experimento envolve a determinação da energia de
ativação para esta reação. As medidas de absorção, novamente, precisarão ter
um controle de temperatura.

PARTE EXPERIMENTAL

Operação do espectrofotômetro

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- Ligue os banhos no início da aula e selecione a temperatura que você irá utilizar
(15, 25, 35 e 45 oC).
- Complete o balão com água destilada e mantenha-o no banho termostatizado.
Essa água será utilizada para diluir a solução estoque de Azul de Metileno.
- Realizar as medidas dos espectros de absorção em temperaturas bem
conhecidas.
- Acerte o zero de absorbância no espectrofotômetro com uma cubeta contendo
água destilada na temperatura desejada.
- Obs. 1: Confira a temperatura no banho e na água dentro da cubeta com um
termômetro de mercúrio.
As soluções de azul de metileno e ácido ascórbico já estão prontas (atenção
para as concentrações de cada uma).
Condições e acompanhamento da reação:
Parte 1: Efeito da concentração inicial de Azul de Metileno, mantendo-se o
Ácido Ascórbico constante.

Condição 1 (C1)
- Em uma cubeta de plástico, adicione 200 L de solução de AM (com uma
micropipeta de 100 a 1000 L) e 3 mL de água destilada a 25 oC (com a pipeta de
vidro).
- Insira esta cubeta no banho para a termostatização da solução.
- Em outra cubeta, adicione 200 L da solução de AA (com o auxílio de uma
micropipeta).
- Meça a temperatura da solução de AM. Quando a temperatura atingir 25 oC,
adicione essa solução de AM na cubeta contendo AA.
- Insira imediatamente a cubeta contendo as duas soluções no suporte do
espectrofotômetro. Anote o primeiro valor de absorbância que aparecer e acione
simultaneamente o cronômetro. Este será o seu valor de absorbância no tempo
zero (A0).
- Anote valor de absorbância em intervalos de 10 s no primeiro minuto, depois em
intervalos de 20 em 20 s, durante o restante do tempo, até se obter um valor de

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absorbância constante. Este valor final de absorbância corresponderá à
absorbância no tempo infinito (A∞). Use um cronômetro do laboratório.
Condição 2 (C2)
- Repita o procedimento usado para a condição 1, utilizando 100 L da solução de
AM.
Condição 3 (C3)
- Repita o procedimento usado para a condição 1, utilizando 50 L da solução de
AM.
Parte 2: Determinação da energia de ativação
Cada grupo obterá a cinética de reação do azul de metileno (AM) com ácido
ascórbico (AA) em duas temperaturas que serão atribuídas no início do
experimento.
Importante: Efetuar medidas em “duplicata” para cada temperatura. Os dados
serão trocados entre os grupos ao final do experimento.
Em todos os estudos as concentrações de AM e de Ácido AA serão mantidas
constantes 1,9x10-4 mol/L e 2x10-1 mol/L. As absorbâncias serão medidas no
comprimento de onda de 665 nm em função do tempo.
Cuidado com a medida da temperatura! Meça a temperatura da solução na
cubeta, antes de cada medida.
Acompanhamento da reação
- Em uma cubeta de plástico, adicione 200 L de solução de AM (com uma
micropipeta de 100 a 1000 L) e 3 mL de água destilada (com a pipeta
volumétrica de vidro). Os dois componentes estarão na temperatura do banho.
- Insira esta cubeta no suporte do espectrofotômetro para termostatização da
solução.
- Meça a temperatura da solução de AM, até que fique estável. Anote então a
temperatura na qual a reação vai ocorrer.
- Quando a temperatura da solução dentro da cubeta atingir o equilíbrio, adicione
EM OUTRA CUBETA (NÃO FAÇA A ADIÇÃO ANTES DISSO), 200 L da solução
de AA (com o auxílio de uma micropipeta).

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- Retire a cubeta de AM que está no espectrofotômetro e adicione o seu conteúdo
na cubeta contendo a solução de AA.
- Insira (IMEDIATAMENTE) a cubeta contendo as duas soluções misturadas no
suporte do espectrofotômetro. Anote o primeiro valor de absorbância que aparecer
e acione simultaneamente o cronômetro. Este será o seu valor de absorbância no
tempo zero.
- Anote valor de absorbância em intervalos de 10 s no primeiro minuto, depois em
intervalos de 20 em 20 s, durante o restante do tempo, até se obter um valor de
absorbância constante.

Repita o procedimento descrito acima na outra temperatura que foi atribuída ao


seu grupo.
Relatório:
Apresentação dos dados
- Na parte experimental, escreva também as modificações que eventualmente
foram feitas.
- Não necessário apresentar as tabelas de dados de absorbância x tempo.

Apresente as curvas exponenciais de absorbância de AM x tempo para os


experimentos nas condições C1, C2 e C3 a 25 oC. Coloque as 3 curvas em uma
mesma figura para facilitar a comparação.
- Na mesma figura acima, faça o ajuste não linear de primeira ordem das 3
curvas e calcule as constantes de velocidade de pseudo-primeira ordem da reação
em cada caso.
- Faça o gráficos de ln[(A∞ - At)/(A∞-A0)] versus tempo para as 3 condições e
calcule as constantes de velocidade de pseudo-primeira ordem em cada caso,
lembrando que ln[A] = -kT+lnA[A0] e k=a. Compare estas constantes com as
obtidas pelo ajuste não linear.
- Calcule as velocidades iniciais (vi) a partir das curvas exponenciais, através da
regressão linear dos trechos iniciais das mesmas. Faça uma outra figura só com
os trechos usados na regressão. Apresente os valores de vi em uma tabela.

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- Calcule a ordem da reação a 25o C em relação ao AM, através do método da
velocidade inicial (isolamento).
- Faça as curvas de absorbância de AM x tempo numa mesma figura para os
experimentos realizados nas temperaturas diferentes (15, 25, 35 e 45 oC). Nesta
mesma figura, calcule as constantes de velocidade das curvas, através do ajuste
não linear (reação de primeira ordem). Use o mesmo tutorial que você usou na
parte do experimento que trabalhou a variação de concentração.
- Faça um gráfico de ln k em função do inverso da temperatura, 1/T ( em K-1).
- Estime a energia de ativação da reação a partir do gráfico de Arrhenius,
lembrando que no gráfico de Arrhenius, lnK = ln Z – Ea (1/T) e, portanto, a
inclinação da reta = Ea/R

REFERÊNCIAS
1. Atkins P. W.; "Physical Chemistry"; 5th ed., Oxford Univ. Press, Oxford (1994).

2. Lev e, .N., “Phys he stry”, M Gr w H Boo o., 2 d Ed t o , 983


3. D.P Schoemaker, C.W. Garland e J.W. Nibler, Experiments in Physical
Chemistry, McGraw-Hill Edition, N.Y, 1989, 5a ed.
4. J.L.L th , “ ét e e e t r de re ção” Fu d. ouste Gu be , 974 .
Resultados:

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