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O BATISMO INFANTIL

julho 5, 2016 por reverendo jorge aquino


 

Rev. Padre Jorge Aquino


Um dos temas mais controvertidos da teologia cristã diz respeito ao batismo de crianças. De
fato, é possível dizer que, quanto ao tema do batismo infantil o cristianismo está dividido em
duas escolas bem claras: os que batizam as crianças (pedobatistas) e os que são contrário à
essa prática (antipedobatistas).
Seja em que tradição você se encontre há de reconhecer que todas as sociedades possuem
aquilo que os antropólogos chamam de “ritos de passagem”, que nada mais são do que
“gestos ou atos que marcam a passagem de um membro de uma determinada etnia de um
estágio até um outro”. Estes ritos de passagem vão desde o casamento, o funeral, à crisma (ou
confirmação) e até o batismo. Pelo batismo, a pessoa passa a pertencer a uma determinada
comunidade de fé. Até aqui os postulantes das duas doutrinas concordam. A grande questão é:
as crianças devem ser batizadas? Em nossa opinião sim. Para tanto, apresentarei os três
seguintes argumentos:
I. Fundamentação Bíblica
Qualquer leitor do Novo Testamento haverá de concordar que o pedobatismo não é
explicitamente ensinado em seus livros. Sabemos disso. O teólogo Anglicano J.I Packer
(1998, p. 199), é honesto ao afirmar que esta é uma prática que “o Novo Testamento nem
ilustra, nem prescreve, nem proíbe”. Esta é, também, a postura do teólogo Anglicano Alister
E. McGrath (2005, p. 595) quando diz: “No Novo Testamento não encontramos referências
específicas a este fato. No entanto, não existe nenhuma proibição expressa quanto a essa
prática, havendo ainda diversas passagens que poderiam ser interpretadas como evidência de
que o batismo infantil era admissível”.
Aqueles que acham que estas passagens são bases suficiente para praticarem esse gesto, ou
bem o fazem, porque acreditam que o batismo infantil expia a culpa pelo pecado original, ou
bem o fazem porque acreditam que o batismo infantil está baseado no pacto feito entre Deus e
a Igreja.
1. O batismo para remissão de pecados. Quanto a estes teólogos, destacamos que
em Cipriano de Cartago, havia a crença de que “o batismo infantil obtinha a
remissão tanto das transgressões quanto do pecado original” (MCGRATH, 2005,
p. 595). O raciocínio desses teólogos era bastante claro: se o Credo da Igreja
afirma que ela crê “em um só batismo para a remissão de pecados”, conclui-se
obviamente que o batismo expia a culpa do pecado original.

Moss nos lembra que “Regeneração, transportado pelo batismo, deve ser distinta da
conversão”. E continua: “A conversão é uma mudança consciente da alma para Deus. Isto
pode ocorrer antes do batismo, como é o caso de Paulo; mas com mais frequência, ocorre
depois. (…) A regeneração, por outro lado, é geralmente subconsciente: ela é o princípio da
vida na graça e é dada também às crianças” (MOSS, p. 343). Quando batizamos oramos pela
água do batismo e pedimos a Deus que aquele(s) que serão por ela batizados, sejam também
regenerados e tenham seus pecados lavados. Vejamos a oração contida no Livro do Culto
Divino: “Abençoa esta água para que o teu servo, purificado nela, seja unido a Cristo na sua
morte e ressurreição, e seja limpo e liberto de todo o pecado. Envia sobre ele o teu Espírito
Santo, para que tenha novo nascimento na família de tua Igreja, e se erga com Cristo até a
plenitude da vida eterna” (LCD, 2010, p. 456). Essa oração é um pedido a Deus para que
purifique, limpe e liberte do pecado os que serão batizados e não apenas, uma assertiva de que
todos os que foram batizados serão livres de seus pecados e regenerados. Se o batismo é um
sacramento, é, também, um meio de graça. E por meio dele o Espírito Santo haverá de agir na
mente da criança convencendo-o de que ele faz parte da comunidade dos filhos de Deus. De
que forma o Espírito vai agir? Isso não podemos prescrever, pois o “vento sopra onde quer”.
Cabe aos pais cumprir as promessas feitas no momento do batismo.
Ademais, devemos ter sempre em mente as palavras do documento A confissão da fé
apostólica, um documento da Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas,
comentando o Credo Niceno, no número 252, que diz: “O credo, com sua tremenda ênfase no
batismo enquanto sacramento para a remissão dos pecados, exorta-nos a levar a sério este
sacramento uma vez que se liga ao início de nova vida com mudança
decisiva e fundamental de nossa história pessoal que só ocorre uma única vez. Além disso, a
afirmação do Credo nos lembra que mesmo em arrependimentos posteriores, qualquer
confissão e absolvição deve ser relacionada com o batismo. Serão sempre reapropriações do
que aconteceu de uma vez para sempre no batismo. Assim, o batismo deve ser levado a sério e
não apenas como uma mera cerimônia efêmera. Ele provê o fundamento da continuidade da
vida cristã dentro da comunhão da família de Deus (cf. Ef 2: 19)”.

2. Os teólogos do Pacto. Dentre aqueles que acreditam que o batismo infantil deve


ser realizado em função do pacto realizado entre Deus e sua Igreja, McGrath
destaca a importância desse pertencimento comunitário ao afirmar: “A unidade da
igreja foi fonte de grande preocupação no período patrístico, especialmente com a
divisão provocada pelas perseguições de Décio e Dioclesiano. Cipriano de
Cartago, como já vimos, depositou considerável ênfase no aspecto da unidade da
igreja, exortando seus membros a trabalhar em prol de maior compromisso e
harmonia na igreja. Agostinho leva esse aspecto adiante, especialmente em relação
aos sacramentos. Para que uma comunidade desfrute de um certo grau de coesão,
deve existir algum ato, do qual todos possam compartilhar, que demonstre e
intensifique esta unidade (MCGRATH, 2005, p. 586). Para Agostinho, ninguém se
associa a uma religião sem que estejam unidas por meio de algo comum,
expressos pelos sinais e sacramentos visíveis.
Esta crença de que a Igreja do Antigo e do Novo Testamento são, de fato, uma só Igreja, e que
o plano de salvação exige uma e a mesma coisa (a fé) expressa em um gesto externo, está na
base da exegese dos teólogos do Pacto. Por isso, o teólogo Reformado Louis Berkhof (1985,
p. 286-288), apresenta alguns fundamentos bíblicos para justificar a prática do pedobatismo.
Utilizaremos apenas cinco deles:
A. A natureza do pacto feito com Abraão. O pacto realizado entre Deus e Abraão foi
essencialmente espiritual e a circuncisão seria o “sinal externo” desse pacto. Existem
inúmeras referências bíblicas que demonstram a natureza espiritual desse pacto (Rm 4:16-18;
II Co 6: 16-18; Gl 3:8,9,14,16; Hb 8:10; 11:9,10,13) e também da circuncisão lida de forma
espiritual (Dt 10:16; Jr 4:4; 9:25, 26; At 15:1; Rm 2: 26-29; 4:11; Fp 3:2; Gl 3:8).
B. O pacto ainda é o mesmo e está em vigor. Paulo mostra que mesmo na “nova aliança” o
pacto é essencialmente o mesmo. Basta ver textos como: Rm 4:13-18 e Gl 3:15-18, para que
percebamos que a aliança não foi mudada e que os que são de Cristo são os verdadeiros
herdeiros da promessa. Ademais, o autor de Hebreus afirma ser esse pacto imutável (Hb 6:13-
18).
C. As crianças participam das bênção do pacto e recebem seu sinal externo. A
circuncisão, que era feita pelos judeus no oitavo dia de vida, era o sinal externo e visível de
que aquela criança pertencia ao povo eleito e representava o seu selo. Ora, sabemos que as
crianças estavam presentes quando o pacto foi renovado (Dt 29:10-13; Js 8:35; II Cr 20:13) e
que elas eram vistas como parte da congregação dos israelitas (II Cr 20:13; Jl 2:16); e,
considerando as bênçãos prometidas a elas no Antigo Testamento (Is 54:13; Jr 31:34; Jl 2:28),
é pouco provável que ela fossem excluídas no Novo Testamento.
D. O batismo substitui a circuncisão no Novo Testamento. Nas referências bíblicas que
lemos no Novo Testamento (At 15:1,2; 21:21; Gl 2:3-5; 5:2-6; 6:12, 13, 15) o selo da entrada
no pacto da graça é o batismo e não mais a circuncisão. De acordo com Berkhof (1985, p.
287) “O batismo se harmoniza com a circuncisão no significado espiritual, simbolizando a
remoção dos pecados (At 2:38; I Pd 3:21; Tt 3:5). Além disso, em Atos 2: 39 está ligado com
a promessa. Finalmente, Cl 2:11, 12 claramente parte da suposição de que o batismo tomou o
lugar da circuncisão. A exclusão das crianças no Novo Testamento requereriam uma
declaração inequívoca para esse fim, mas é exatamente o contrário que se verifica (At 2:39;
Mt 19:14; I Co 7:14)”.
E. O Novo Testamento se refere a batizados de famílias inteiras. Uma leitor imparcial do
Novo Testamento, claramente imaginaria a existência de crianças que foram batizadas
juntamente com seus pais convertidos (At 11:14; 16: 15, 33; 18: 8; I Co 1:16; I Co 16: 15-18;
I Tm 3:4). É novamente Berkhof que nos ensina: “É simplesmente natural concluir-se que
havia crianças em algumas casas” (BERKHOF, 1985, p. 288). É sabido que no segundo
século, crianças eram batizadas, não seria um exagero acreditar que essa prática vinha do
período apostólico. Esta mesma postura pode ser vista no teólogo Luterano Joachim Jeremias,
quando ele escreve sobre o que chama de “A fórmula oikos”: “quando nós observamos
que oikos pode ser substituído por ólos ó oikos, pas ó oikos (toda a casa), oi autou
apantes  (todos eles) (…) fica bem claro que nenhum dos membros da família era excluído do
batismo” (JEREMIAS, 1960, p. 20), nem mesmo os escravos e seus filhos.
Em resumo, podemos citar as palavras do teólogo Anglicano J.I. Packer, para encerrar esse
primeiro argumento, quando diz: “O caso do batismo de bebês de cristãos (…) consiste na
alegação de que a transição da ‘velha’ para a ‘nova’ forma da aliança não afetou o princípio
da solidariedade familiar na comunidade da aliança (isto é, a igreja, como é agora chamada).
As crianças deviam, portanto, ser batizadas, como as crianças judias tinham sido
anteriormente circuncidadas, não para conferir a elas o status da aliança, mas para atestar o
status da aliança que, pela indicação soberana de Deus, sua paternidade já lhes havia dado”
(PACKER, 1998, p. 199).
Conforme vimos, existem duas bases sobre as quais batizamos nossos filhos: a regeneração
pressuposta e a promessa do pacto. Aqueles que se fundamentam na regeneração presumida
“não pretendem saber se as crianças apresentadas para o batismo são regeneradas, mas partem
da suposição de que são, e as batizam na força dessa suposição” (BERKHOF, 1985, p. 288).
Eles acreditam que os filhos dos cristãos, como afirma Paulo em I Co 7:14, são santos. Esta
tese explica melhor a ideia do batismo como sacramento, ou seja, como sinal visível de uma
graça invisível. Afinal, “se as crianças são consideradas regeneradas quando são batizadas,
pode-se assumir, então, que os princípios da graça presentes no coração são fortalecidos de
alguma maneira mística” (BERKHOF, 1985, p. 289).
Aqueles que batizam com base na promessa de Deus no pacto, entendem que a promessa
engloba tudo, inclusive a regeneração. Para Berkhof (1985, p. 288) “O pacto e a promessa do
pacto oferecem a única base segura e objetiva para o batismo de crianças”.
II. Prática histórica.
A história da Igreja cristã revela dois momentos em que foi necessário estabelecer, de forma
clara, qual seria a doutrina da Igreja. Estes dois momentos são chamados de “credal”, durante
a patrística, e “confessional”, durante a Reforma do século XVI. Vejamos como cada um
desses momentos viu a questão do batismo infantil.
1. Na patrística. O teólogo Anglicano Claude Beaufort Moss entende que “O batismo de
crianças tem sido uma prática da Igreja desde os tempos mais primitivos” (MOSS, 1946, p.
342).
Uma das primeiras citações que poderíamos apresentar sobre a prática do batismo infantil no
fim do primeiro século e início do segundo são os epitáfios de crianças filhas de cristãos.
Joachim Jeremias (1960, p. 55) nos diz que “uma delas foi Zozimus, que morreu com dois
anos, e que é descrito como piastós ek piastôn e, desse modo, como uma criança batizada por
pais cristãos, uma vez que, segundo o uso estabelecido, a palavra piastós descreve a pessoa
batizada”.
Outro fato que nos chama a atenção é o martírio de Policarpo, bispo de Esmirna. Diz a
história que este homem, instigado à negar sua fé em Cristo disse: “Por oitenta e seis anos eu
o tenho servido, e ele nunca me fez mal. Como posso eu blasfemar de meu Rei que me
salvou?” (POLICARPO, In JEREMIAS, 1960, p. 60). Joachin Jeremias nos diz que ele
morreu sob a autoridade do Proconsul Statius Quadratus – mencionado no Martírio de
Policarpo nº 21 -, provavelmente em 155 ou 156 A.D. Ora, se ele serviu ao Senhor por 86
anos, ele nasceu em torno de 69 d.C. Segundo a tradição, ele foi levado ao batismo pelos seus
pais até o Apóstolo João. A conclusão lógica é exposta por Jeremias (1960, p. 63) onde ele
diz: “Assim, nós temos no Martírio de Policarpo 9.3 uma confirmação indireta que nos é
dada da prática do batismo de crianças nos anos em torno de 80 A.D.”.
Em 195 Clemente de Alexandria (150-215 A.D.) faz uma referência alegórica a uma “criança
tirada da água”, em uma provável referência ao batismo. Orígenes (185-254 A.D.), por seu
turno, não tem dúvidas quando escreve em suas Homilias sobre Lucas que “portanto as
crianças também são batizadas” (Apud  JEREMIAS, 1960, p. 65).
Na realidade as citações já feitas à Cipriano de Cartago (? -258 A.D.) e Agostinho (354-430)
já revelam que essa era uma prática bastante antiga na Igreja Cristã. Mas é possível ir mais
longe. MacGrath nos diz que podemos dizer “que o batismo tornou-se uma prática normal,
senão universal, até o século II ou III, e exerceria considerável influência sobre uma grande
polêmica teológica: a controvérsia pelagiana. No século III, Orígenes tratava o batismo
infantil como uma prática universal, por ele justificada com base na necessidade humana e
universal da graça de Cristo” (MACGRATH, 2005, p. 596).
2. Na Reforma. Durante o período da Reforma Protestante, muitas Confissões de Fé foram
escritas. Vamos ver, em algumas delas, qual era a posição Reformada sobre o batismo
infantil.
A. Os 39 Artigos de Religião. Os chamados 39 Artigos de Religião, estabelecidos em 1546,
que expõem a doutrina Anglicana no período da Reforma, assim se pronuncia sobre o batismo
em seu Artigo XXVII “O Batismo não só é um sinal de profissão e marca de diferença, com
que se distinguem os Cristãos dos que o não são, mas também um sinal de Regeneração ou
Nascimento novo, pelo qual, como por instrumento, os que recebem o Batismo devidamente,
são enxertados na Igreja; as promessas da remissão dos pecados, e da nossa adoção como
filhos de Deus pelo Espírito Santo, são visivelmente marcadas e seladas, a Fé é confirmada, e
a Graça aumentada por virtude da oração de Deus. O Batismo das crianças deve conservar-se
de qualquer modo na Igreja como sumamente conforme à instituição de Cristo”
(http://www.centroestudosanglicanos.com.br/bancodetextos/historiadaigreja/39_artigos_
de_religiao.pdf). Ao que parece, a Igreja da Inglaterra não tinha muita questão com respeito
ao batismo infantil. Essa é a razão de termos uma declaração tão curta. Devemos ver, contudo,
que, apesar de ser curta ela afirma inquestionavelmente, que o batismo infantil deve ser
conservado “conforme à instituição de Cristo”.
B. A Confissão de fé de Westminster. A chamada Confissão de Fé de Westminster, escrita
em Londres entre 1643-1649, revela a posição das igrejas Presbiterianas em todo o mundo. E
ela, em seu capítulo XXVIII, item i, nos diz que o batismo “é um sacramento do Novo
Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa
batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com
Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por
Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação de
Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo. (Mat. 28:19; I Cor 12:13; Rom.
4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20)”, e no
seu item iv afirma que “Não só os que professam a sua fé em Cristo e obediência a Ele, mas
os filhos de pais crentes (embora só um deles o seja) devem ser batizados (At. 9:18; Gen.
17:7, 9; Gal. 3:9, 14; Rom. 4:11-12; At. 2:38-39)”
(http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm).
C. A Confissão de Fé de Augsburgo. Esta Confissão de Fé, escrita em 1530, apresenta a fé
luterana sobre o batismo nos seguintes termos, em seu Artigo 9 “Do batismo se ensina que é
necessário e que por ele se oferece graça; que também se devem batizar crianças, as quais,
pelo batismo, são entregues a Deus e a ele se tornam agradáveis. Por essa razão se rejeitam os
anabatistas, os quais ensinam que o batismo infantil não é correto”
(http://www.monergismo.com/textos/credos/confissao_augsburgo.htm). Dentre as
Confissões Reformadas, a Confissão de Fé de Augsburgo enfrenta diretamente a posição dos
anabatistas (palavra que significa re-batismo) que afirmavam que somente os que tivessem
capacidade de crer, deveriam ser batizados.
D. Catecismo de Heidelberg. Este catecismo, escrito por Zacarias Ursino e Gaspar Oleviano,
em 1563, expressando a fé da igreja Reformada na Alemanha, é dividido em questões para
serem ensinadas dominicalmente. Desta forma, na questão de número 74, respondendo a
seguinte pergunta: “As crianças devem ser batizadas?”, é assim que ele se expressa: “Devem,
sim, porque tanto as crianças como os adultos pertencem à aliança de Deus e à sua igreja (1).
Também a elas como aos adultos são prometidos, no sangue de Cristo, a salvação do pecado e
o Espírito Santo que produz a fé (2). Por isso, as crianças, pelo batismo como sinal da aliança,
devem ser incorporadas à igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos (3). Na época
do Antigo Testamento se fazia isto pela circuncisão (4). No Novo Testamento foi instituído o
batismo, no lugar da circuncisão (5). (1) Gn 17:7. (2) Sl 22:10; Is 44:1-3; Mt 19:14; At 2:39.
(3) At 10:47. (4) Gn 17:14. (5) Cl 2:11,12”
(http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismo_heidelberg.htm).
Como podemos ver claramente, entre os Reformados ou Protestantes nunca houve qualquer
dúvida sobre a prática do batismo infantil. Ainda hoje, a esmagadora maioria dos cristãos se
utilizam desse rito para iniciarem os filhos dos cristãos na Igreja. Dentre os que defendem o
pedobatismo estão os Anglicanos, Congregacionais, Luteranos, Metodistas, Ortodoxos,
Presbiterianos, Reformados, Romanos. Aqueles que assumem uma posição contrária – os
antipedobatistas – são os Batistas, pentecostais e as igrejas neo-pentecostais criadas mais
recentemente.
III. Refutação dos argumentos antipedobatistas.
Para refutar as teses anti-pedobatistas vamos verificar os principais argumentos usados por
eles contra o batismo infantil:

1. As crianças não podem crer, logo, não podem ser batizadas (Marcos 16:16). Ora, o
texto citado se refere apenas àqueles capazes de crer: “quem crer e for batizado
será salvo”. Se esse texto for aplicado às crianças, teríamos que levar a sério o
restante do versículo que diz: “quem não crer será condenado”. Ora se as crianças
não são capazes de crer, serão todas elas condenadas ao inferno. A mesma leitura
podemos fazer do texto onde Paulo afirma que “quem não quer trabalhar, também
não coma”. Será que você deixaria seu filho morrer de fome porque não pode
trabalhar sendo um bebê? Lembremos das palavras de Cristo: “das tais é o Reino
dos Céus”.
2. Não há no NT nenhum mandamento expresso para se batizar criança. Não há
necessidade, pois que não há nenhum que o proíbe. Então, o princípio não foi ab-
rogado. Já que o batismo substituiu a circuncisão, o batismo infantil está
absolutamente legitimado no NT.
3. O batismo não pode substituir a circuncisão, por que esta era só era aplicada aos
meninos. Lembremos, contudo, que na Nova Aliança, não há diferença entre
homens e mulheres (Gl 3.28).
4. A circuncisão era apenas uma marca de nacionalidade para os judeus. Não é bem
assim que as Escrituras ensinam, conforme Rm 4.10,11; Dt 10.16; 30.6.
5. Quando se batiza uma criança não podemos ter certeza de que ela seguirá a fé
cristã. É verdade! Mas a mesma coisa pode ser dita de um adulto. Também não
sabemos se ele, efetivamente, seguirá o cristianismo. Nós batizamos pela
ordenança do pacto (Pv 22.6).
6. Jesus só foi batizado com 33 anos. Porque temos que batizar crianças? Em
primeiro lugar, Jesus era judeu, e como judeu, foi circuncidado ao oitavo dia. Em
segundo lugar, Jesus não foi batizado pelo batismo cristão (em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo), mas o batismo de arrependimento, comum entre muitas
seitas judaicas daquele período O batismo cristão só seria instituído depois da
ressurreição de Cristo (Mt 28.19).

Conclusão: Por um lado sinto uma imensa tristeza ao ver que os pais acham que devem
impor sobre seus filhos uma série de elementos sociais, tais como: seu nome, a escola em que
vão estudar, as roupas que vestirão e, até mesmo, o comportamento que devem ter. No
entanto, quando o assunto é religião – ou seja, a relação com Deus – eles, para se dizerem
“modernos” argumentam que vão esperar a criança crescer para que ele mesmo escolha qual
Deus irão adorar. Eles acham que isso é uma violação de sua liberdade. Mal compreendem
que, quando ele crescer, escolherá de qualquer forma, e os pais já terão perdida a
possibilidade de apresentar ao infante os princípios da religião cristã. Lembremos que os
judeus circuncidam seus filhos ao oitavo dia. Lembremos, também, da palavra de Josué que
afirmou com toda convicção: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor,
escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do
rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos
ao Senhor” (Josué 24: 15). Para Josué, assim para todos os pais cristãos, essa é a única
posição esperada. Somos responsáveis por levar nossos filhos até o conhecimento de Deus.
Por outro lado sinto tristeza em ver que muitas igrejas antipedobatistas não aceitam o batismo
ministrado pelas igrejas pedobatistas e acabam praticando o re-batismo. A Bíblia nos diz que
só há uma Igreja, uma fé e um só batismo (Efésios). Mas para que um sacramento seja válido
ele precisa satisfazer cinco condições: i) o sujeito que é a pessoa que receberá o sacramento
deve ser apto para tal; ii) a matéria, que é o material que será usado, no caso do batismo, a
água; iii) a forma, ou as palavras que são ditas nesse momento, que no caso do batismo são:
“Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; iv) o ministro deve ser
autorizado pela igreja para administrá-lo, e, v) a intensão do ministro deve ser a mesma da
Igreja ao realizar o ato. Por isso, as igrejas Anglicanas, Luteranas, Metodistas, Ortodoxas e
Romanas, não praticam o rebatismo, mas reconhecem os batismos realizados nessas igrejas.
Referências bibliográficas:
A confissão da fé apostólica. Rudge Ramos, S.B. do Campo/ Porto Alegre: IEPGCR/CONIC,
1993
BERKHOF, L. Manual de doutrina cristã. Campinas/Patrocínio: Luz para o
Caminho/CEIBEL: 1985
JEREMIAS, Joachin. Infant baptim in the first four centuries. Philadelphia: Westminster
Press, 1960
LIVRO DO CULTO DIVINO. Jundiaí: Mitra Diocesana do Japi, 2010
MCGRATH, Alister. Teologia sistemática, histórica e filosófica. São Paulo: Shedd, 2005
MOSS, C.B. The christian Faith: na introduction to dogmatic theology. New York: SPCK,
1946
PACKER, J.I. Teologia Concisa. São Paulo: Mundo Cristão, 1998
Confissão de Fé de Westminster, In http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm.
REPORT THIS AD
Trinta e Nove Artigos de
Religião, In http://www.centroestudosanglicanos.com.br/bancodetextos/historiadaigreja/
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Confissão de Fé de
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Catecismo de
Heidelberg, In http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismo_heidelberg.htm.

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