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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA VARA ÚNICA

DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE ........................

NOME DO CLIENTE, naturalidade, estado civil, menor, portador do RG


nº ................................., SSP/...., inscrito no CPF sob o nº .................................., residente e
domiciliado na Rua ..................., n°......, Bairro ................., na cidade de ..................., Estado
do ............, CEP ....................., representado por sua genitora NOME DA REPRESENTANTE
LEGAL, naturalidade, estado civil, profissã o, portador do RG nº ................................., SSP/....,
inscrito no CPF sob o nº .................................., residente e domiciliado na Rua ...................,
n°......, Bairro ................., na cidade de ..................., Estado do ............, CEP .....................,
representados neste ato por seus advogados (procuraçã o em anexo) infra-assinado, com
escritó rio profissional na AV. ..................., n°......., Bairro............., na cidade
de ....................................., Estado do ................. com CEP. ................, endereço
eletrô nico ......................................................., onde recebe intimaçõ es e notificaçõ es, vem,
perante Vossa Excelência, propor: JUDICIAL PA

RA C AÇÃO JUDICIAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO PREVIDEN AÇÃO J


AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO
ASSISTENCIAL À PESSOA COM DEFICIÊNCIA
UDICIAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCCI AÇÃO JUDICIAL
PARACONCESSÃO DE BENEFÍCIO AÇÃOUDICIAL PARAESSÃOENREVIDENCIÁRIO O

Em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), Autarquia Federal, com


sede na Praça ...................................., n° ........., na cidade de ..............................., Estado do ...........,
com CEP. ........................., pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:
1. FATOS

A Autora requereu, em ......................................., junto à Autarquia Previdenciá ria, a


concessã o de Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência, que foi indeferido,
conforme documentos em anexo, por entender o INSS que a Requerente NÃO ATENDE
AO CRITÉRIO DE DEFICIÊNCIA PARA O ACESSO AO BPC-LOAS.

Entretanto, os atestados e laudos médicos carreados nos autos demonstram o


estado de impedimento a longo prazo da parte Autora, em decorrência da MENINGITE
VIRAL que ocasionou outros problemas de saú de ao longo do tempo.

Ainda, analisando os documentos acostados nos autos, observa-se que a Autora


vive em situaçã o de risco e vulnerabilidade social, eis que reside com sua mã e e 1 irmã ,
sem RENDA FIXA, demonstrando, assim, o estado de dificuldade em que se encontram.

Dessa forma, como fazem prova os documentos anexados com a presente açã o
judicial, bem como os demais a serem produzidos no decorrer do processo, a Parte
Autora faz jus ao benefício previdenciá rio indeferido, razã o pela qual busca o Poder
Judiciá rio para ver seu direito reconhecido.

Síntese sobre as condições pessoais da parte Autora:

CID 10:

CID-10:
1. Doença/enfermidade
CID-10:

CID 10:
Possui impedimentos a longo prazo que
2. Limitaçõ es decorrentes da moléstia impedem de desenvolver atividades do dia
a dia e inserção plena na sociedade.

Dados sobre o requerimento administrativo:

1. Nú mero do benefício 87/................................


2. Data do requerimento .

Não atende ao critério de deficiência para acesso ao


3. Razã o do indeferimento
BPC-LOAS.

2. FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A pretensã o da Autora vem amparada no art. 203, inciso V, da Constituiçã o Federal


de 1988, na Lei 8.742/93 e demais normas aplicá veis. Tais normas dispõ em que para
fazer jus ao Benefício Assistencial, o Requerente deve ser portador de deficiência ou ser
pessoa com mais de 65 anos de idade, além de comprovar a impossibilidade de ter seu
sustento provido pelo seu nú cleo familiar.

Da Deficiência

Conforme se observa nos atestados e laudos médicos em anexo, a Autora apresenta


diversos problemas de saú de que a impedem de exercer com dignidade sua vida em
sociedade.

Analisando a redaçã o original do § 2º do art. 20 da LOAS, observa-se que o conceito


de pessoa com deficiência, para ter direito ao benefício em questã o, sofreu drá sticas
mudanças nos ú ltimos anos. Anteriormente, a conceituaçã o da pessoa com deficiência
atendia a critérios eminentemente médicos, consoante o chamado modelo biomédico da
deficiência:

REDAÇÃO ORIGINAL:

2º. Para efeitos de concessã o deste benefício, a pessoa portadora de deficiência


é aquela incapacitada para o trabalho e para a vida independente.

Todavia, em 2007, com o advento da Convençã o Internacional sobre os Direitos


da Pessoa com Deficiência de Nova Iorque, o conceito acima se tornou obsoleto, haja
vista a correlaçã o que faz entre incapacidade laboral e deficiência. Incorporou-se um
“modelo social da deficiência”, que considerasse nã o apenas as limitaçõ es físicas do
indivíduo, mas também a sociedade, que oprime e discrimina aqueles que nã o possuem
as mesmas capacidades, organizando-se de maneira pouco sensível à diversidade. A
partir daí, emergiu o conceito biopsicossocial da deficiência, que deve ater-se à s
condições médicas, psicológicas e sociais – conjuntamente consideradas – da
pessoa.

Em 2009, com a incorporaçã o da Convençã o de Nova Iorque ao ordenamento


jurídico nacional, através do Decreto nº 6.949/09, pela sistemá tica do art. 5º, §3º, da
Constituiçã o Federal, a referida Convençã o adquiriu força de EMENDA
CONSTITUCIONAL, assim conceituando a pessoa com deficiência:

Pessoas com deficiência sã o aquelas que têm impedimentos de longo prazo de


natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interaçã o com diversas
barreiras, podem obstruir sua participaçã o plena e efetiva na sociedade em igualdades
de condiçõ es com as demais pessoas. 

Haja vista a clara incongruência entre a definiçã o acima, com status


constitucional, e a trazida pela Lei Orgâ nica da Assistência Social em seu artigo 20, §2º,
foi proposta a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 182 pela
Procuradoria Geral da República, visando a expurgar da ordem jurídica nacional o
conceito de pessoa com deficiência apresentado pela LOAS.

Embora ainda pendente de julgamento a ADPF, o Estatuto da Pessoa com


Deficiência (Lei nº 13.146/2015) determinou nova redaçã o ao artigo 20, § 2º, da LOAS:

NOVA REDAÇÃO:

2o. Para efeito de concessã o do benefício de prestaçã o continuada, considera-se


pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com
uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.  (Redaçã o
dada pela Lei nº 13.146, de 2015)

A partir daí, contata-se a superaçã o do conceito anterior de deficiência, calcado


na (in)capacidade laborativa, e passa-se a adotar o critério da (des)igualdade de
oportunidades. Ou seja, com o advento da nova legislaçã o, pessoa com deficiência é
aquela que, em virtude de impedimentos e barreiras, nã o possui as mesmas condiçõ es
de participar da vida em sociedade que as demais pessoas.
Segundo Joã o Marcelino Soares, “Tal conceito parte de uma análise
multidisciplinar de deficiência, verificando-se não apenas os aspectos físicos da pessoa mas
também como a mesma interage socialmente com suas limitações, de acordo com um novo
panorama [...]”[1].

Logo, nã o mais se conceitua a deficiência que enseja o acesso ao BPC-LOAS como


aquela que incapacita a pessoa para a vida independente e para o trabalho, mas sim
aquela que se constitui em algum tipo de impedimento, que, em interação com
uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.

Neste sentido, percebe-se que o legislador foi minucioso ao estabelecer no art. 3º,
inciso IV do referido diploma, a conceituaçã o das diferentes espécies de barreiras que
podem atravancar a participaçã o em igualdade de condiçõ es da pessoa com deficiência,
veja-se:

Art. 3o.  Para fins de aplicaçã o desta Lei, consideram-se:

IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que


limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a
fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de
movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à
compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:

a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços pú blicos e


privados abertos ao pú blico ou de uso coletivo;

b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios pú blicos e privados;

c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de


transportes;

d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave,


obstá culo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressã o
ou o recebimento de mensagens e de informaçõ es por intermédio de sistemas
de comunicaçã o e de tecnologia da informaçã o;

e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou


prejudiquem a participaçã o social da pessoa com deficiência em igualdade de
condiçõ es e oportunidades com as demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa
com deficiência à s tecnologias;

Em grande nú mero de casos, a principal barreira a ser enfrentada pela pessoa


com deficiência é a atitudinal, que se manifesta especialmente no acesso ao emprego.
Portanto, na aná lise da existência ou nã o de deficiência, o que deve prevalecer nã o é a
condiçã o física/bioló gica da pessoa nem a sua (in)capacidade laborativa, mas o produto
dessa condiçã o quando em interaçã o com as diversas barreiras existentes em seu
cotidiano, em especial as barreiras de natureza atitudinal.

Atentando ao preâ mbulo da Convençã o Internacional sobre os Direitos das


Pessoas com Deficiência, no item ‘e’ deparamo-nos com a seguinte definiçã o de
deficiência:

e)Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evoluçã o e que a deficiência


resulta da interaçã o entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas à s
atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participaçã o dessas
pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

A partir da conjugaçã o deste critério com o disposto no artigo 2º do Estatuto da


Pessoa com Deficiência, que trouxe contribuiçã o à redaçã o dada pelo artigo 1º do Pacto
de Nova Iorque, conclui-se que uma pessoa PODE TER DEFICIÊNCIA E, AINDA ASSIM,
SER CAPAZ DE TRABALHAR E DE MANTER UMA VIDA INDEPENDENTE. Se esta
pessoa for economicamente miserável, lhe assiste direito ao Benefício
Assistencial, conforme previsã o do artigo 203, V da CF/88.

De acordo com a nova conceituaçã o, tem-se que toda pessoa incapaz para o
trabalho é pessoa com deficiência, embora nem toda pessoa com deficiência encontre-se
incapacitada para o trabalho, conforme elucidado abaixo:

  De fato, não se pode confundir deficiência (artigo 20, § 2º da LOAS) com


incapacidade laborativa, exigindo, para a configuração do direito, a demonstração
da “invalidez de longo prazo”. Isto, pois a consequência prática deste equívoco é a
denegação do benefício assistencial a um número expressivo de pessoas que têm
deficiência e vivem em condições de absoluta penúria e segregação social,
comprometendo as condições materiais básicas para seu sustento.
Por ó bvio, Nobre Julgador, o atual e constitucional conceito de deficiência nã o
exclui do acesso ao benefício aquelas pessoas que, embora deficientes, logram êxito em
trabalhar ou suportar as adversidades impostas em seu dia a dia. Interpretaçã o diversa é
deveras restritiva, nã o contemplada pelo Pacto de Nova Iorque, tampouco pelo Estatuto
da Pessoa com deficiência, que em momento algum sugerem tal entendimento.

Tanto é assim que, ao beneficiá rio de BPC que passe a exercer atividade
remunerada, a legislaçã o previu a SUSPENSÃ O do benefício – e nã o o seu cancelamento –
com imediata CONTINUIDADE do pagamento em caso de extinçã o da relaçã o trabalhista,
independentemente de reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade (art.
21-A, caput e § 1º, da LOAS).

Ora, se a mens legis fosse conceder o benefício apenas à queles que estã o
incapacitados para o trabalho, a reavaliaçã o do grau de incapacidade seria
imprescindível para a continuidade do pagamento do benefício apó s vínculo trabalhista.

No entanto, ainda que o beneficiá rio com deficiência tenha capacidade laboral,
em caso de extinçã o de seu contrato de trabalho, poderá voltar a usufruir do BPC, POIS
A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO NÃO EXIGE INCAPACIDADE LABORAL.

Neste contexto, o Decreto nº 6.214/07, que regulamentou o benefício de


prestaçã o continuada, estabelece os parâ metros a serem utilizados para a avaliaçã o do
“requisito de deficiência”, perceba-se:

Art. 16.  A concessã o do benefício à pessoa com deficiência ficará sujeita à


avaliação da deficiência e do grau de impedimento, com base nos
princípios da Classificação Internacional de Funcionalidades,
Incapacidade e Saúde - CIF, estabelecida pela Resolução da Organização
Mundial da Saúde no 54.21, aprovada pela 54a Assembleia Mundial da
Saúde, em 22 de maio de 2001.          (Redaçã o dada pelo Decreto nº 7.617, de
2011)

[...]

2oA avaliação social considerará os fatores ambientais, sociais e pessoais,


a avaliação médica considerará as deficiências nas funções e nas
estruturas do corpo, e ambas considerarão a limitação do desempenho de
atividades e a restrição da participação social, segundo suas
especificidades.          (Redaçã o dada pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
5oA avaliação da deficiência e do grau de impedimento tem por
objetivo:        (Incluído pelo Decreto nº 7.617, de 2011)

I - comprovar a existência de impedimentos de longo prazo de natureza


física, mental, intelectual ou sensorial; e        (Incluído pelo Decreto nº 7.617,
de 2011)

II - aferir o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa


com deficiência na sociedade, decorrente da interação dos impedimentos
a que se refere o inciso I com barreiras diversas.          (Incluído pelo Decreto
nº 7.617, de 2011)

6oO benefício poderá ser concedido nos casos em que não seja possível
prever a duração dos impedimentos a que se refere o inciso I do § 5 o, mas
exista a possibilidade de que se estendam por longo prazo. (Incluído pelo
Decreto nº 7.617, de 2011) (grifos acrescidos)

Portanto, a partir da aná lise do dispositivo acima, verifica-se que a pró pria norma
regulamentadora do benefício preleciona que o critério a ser observado – quanto à
deficiência – é o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa com
deficiência na sociedade, não fazendo qualquer referência à incapacidade para o
trabalho ou para a vida independente!

Ademais, veja-se que a Turma Nacional de Uniformizaçã o já decidiu que para a


concessã o do benefício assistencial os conceitos de deficiência e incapacidade NÃO
se confundem:

Para fins de concessã o do benefício assistencial de prestaçã o continuada, o


conceito de pessoa com deficiência, que nã o se confunde necessariamente com situaçã o
de incapacidade laborativa, exige a configuraçã o de impedimento de longo prazo com
duraçã o mínima de 2 (dois) anos, a ser aferido no caso concreto, desde o início do
impedimento até a data prevista para a sua cessaçã o (tese alterada em sede de
embargos de declaraçã o).

Para além da questão afeta à observância do CIF por ocasião da perícia,


giza-se que também deverá ser feita a avaliação da deficiência da Parte Autora
com fundamento no Índice De Funcionalidade Brasileiro Aplicado Para Fins De
Classificação E Concessão Da Aposentadoria Da Pessoa Com Deficiência (IF-BRA). O
referido índice foi introduzido pela Portaria Interministerial AGU/MPS/MF/SEDH/MP
Nº 1 DE 27.01.2014, e visa fornecer o método a ser utilizado a fim de se avaliar a
deficiência do segurado. E saliente-se que o próprio INSS já se adequou aos parâmetros do
IF-BRA e do CIF na concessão administrativa dos BPC.

Em suma: o já utilizado CID-10 – segundo a definiçã o da OMS – visa proporcionar


um diagnó stico de doenças, perturbaçõ es ou outras condiçõ es de saú de, que devem ser
complementadas pela CIF, que efetua a relaçã o das doenças com a funcionalidade, e que
nã o engloba apenas questõ es ligadas à saú de, mas também fatores socioeconô micos, e
que juntas as informaçõ es sobre diagnó stico e sobre a funcionalidade e seus respectivos
fatores socioeconô micos fornecem, na visã o de Bittencourt, uma imagem mais ampla e
mais significativa da saú de das pessoas na hora das tomadas de decisã o. E neste sentido,
o CID-10 e o CIF devem ser averiguados por intermédio do íter procedimental do IF-BRA,
pois é o método científico escolhido pelo direito brasileiro para analisar os fatores
clínicos e sociais dos que necessitam do BPC.

Por fim, é imperioso frisar que por ocasiã o da perícia, deve-se observar nã o
somente as disposiçõ es acima mencionadas, mas também o Parecer nº 10/2012 do
Conselho Federal de Medicina, que estabeleceu que o médico poderá discordar dos
termos de atestado médico emitido por outro médico, desde que justifique esta
discordâ ncia, apó s o devido exame médico do trabalhador, assumindo a
responsabilidade pelas consequências do seu ato. Assim, caso o perito venha a discordar
do que informam os seus colegas médicos, deverá imperiosamente fundamentar a sua
discordâ ncia, sob pena de responsabilizaçã o perante o seu respectivo conselho de classe.

E, a fim de corroborar o até aqui dito, pede-se vênia para trazer à baila os
apontamentos de Ingo Wolfgang Sarlet, acerca das pessoas com deficiência:

o caso das pessoas com deficiência tem sido central para a teoria e prática do
princípio da igualdade e dos direitos de igualdade, pois se trata de grupo de
pessoas particularmente vulnerá vel (em maior ou menor medida, a depender
da condiçã o pessoal) [...], além da forte atençã o dispensada ao tema pelo direito
internacional dos direitos humanos [...]. Além disso, o fato de a Convençã o ter
sido aprovada [...] na forma do disposto no art. 5º, § 3º, da CF, de modo a se
tratar de normativa equivalente a emenda constitucional, assegura-lhe ainda
maior relevâ ncia, pois torna cogente a "releitura" de todo e qualquer
norma infraconstitucional que tenha relação com o tema, seja revogando
normas incompatíveis [...]. De qualquer modo, [...] a CF, fundada na dignidade
da pessoa humana, acertadamente se refere à pessoa portadora (hoje há de
adotar-se a designaçã o pessoa com deficiência) de deficiência, ou seja, enfatiza-
se a condiçã o primeira de pessoa, deixando-se de lado a mera referência aos
deficientes, fó rmula felizmente superada [...]. As açõ es afirmativas destinadas à
integraçã o das pessoas com deficiência nã o se limitam, ao mundo do trabalho,
abarcando um dever de inclusão (integração e promoção) em todas as
esferas da vida social, econômica, política e cultural, o que também tem
sido alvo das preocupações da CF [...]. A mesma preocupaçã o se erifica no
â mbito do sistema internacional de proteçã o dos direitos humanos, da
legislaçã o interna [...].

Destarte, é perceptível a profunda modificaçã o no enquadramento da pessoa com


deficiência, de maneira que a ultrapassada (e incompatível com a atual ordem
constitucional) definiçã o de pessoa com deficiência, originalmente concebida pela Lei
8.742/93, merece dar espaço à nova conceituaçã o, dada pela Convençã o Internacional
Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Diante de todo o exposto, é imperativo concluir a condição de pessoa com


deficiência do Autor uma vez que o mesmo possui grave patologia oncoló gica que
obstrui sua participaçã o plena e efetiva na sociedade. Ademais, sua condição de
vulnerabilidade socioeconômica agrava ainda mais sua situação, pois impede o
acesso ao tratamento adequado de suas patologias.

Aliás, o simples fato de estar acometido de tão grave patologia, conforme


diagnóstico dos médicos que acompanham seu estado de saúde, já demonstra os
obstáculos que o Autor enfrentará, não sendo crível presumir que ele possa
competir em igualdade de condições com as demais pessoas na busca por
emprego!

Da Miserabilidade

De outra banda, se encontra igualmente satisfeito, no caso em apreço, o requisito


econô mico. Isto, pois, em aná lise de documento constante no processo administrativo
em anexo, observa-se que a Demandante RESIDE COM SUA MÃE E 1 IRMÃ, obviamente,
dessa forma, tem-se caracterizado o estado de miserabilidade que enseja a concessã o do
benefício pretendido.

A mã e nã o consegue emprego e tem que cuidar da filha, passando por sérias


dificuldades financeiras.
E reitere-se que é drá stica a situaçã o de hipossuficiência econô mica no caso em
tela, eis que se está diante de pessoa portadora de diversas graves doenças, e que nã o
possui meios de subsidiar o tratamento de suas enfermidades.

Assim, resta demonstrada a situaçã o que permite a concessã o do benefício


pretendido, porquanto, sendo a Demandante pessoa incapaz para a vida em sociedade e
sem fonte de renda, tem-se que é obrigaçã o do Estado, por meio da assistência social,
de suprir as necessidades mínimas da Autora, eis que a mesma nã o reú ne meios de
prover seu sustento.

Portanto, imperioso seja concedido o benefício de prestaçã o continuada à


Demandante, pois, nã o somente ela pessoa incapaz (nos termos da legislaçã o inerente à
matéria), carecendo do devido amparo estatal.

Sendo assim, apó s a instruçã o processual, restará plenamente comprovado que a


Autora satisfaz todos os requisitos necessá rios à percepçã o do benefício pleiteado.

DISPENSA DE PROVA DE MISERABILIDADE

Em, 21 de Fevereiro de 2019, a TNU fixou a seguinte tese no Tema 177. Para os
requerimentos administrativos formulados a partir de 07 de novembro de 2016
(Decreto n. 8.805/16), em que o indeferimento do Benefício da Prestaçã o Continuada
pelo INSS ocorrer em virtude do nã o reconhecimento da deficiência, é desnecessá ria a
produçã o em juízo da prova da miserabilidade, salvo nos casos de impugnaçã o específica
e fundamentada da autarquia previdenciá ria ou decurso de prazo superior a 2 (dois)
anos do indeferimento administrativo;

3. TUTELA DE URGÊNCIA

A Demandante necessita da concessã o do benefício em tela para custear a pró pria


vida, tendo em vista que nã o reú ne condiçõ es de prover seu sustento, nem tê-la provido
por sua família.

Por outro lado, vale ressaltar que os requisitos exigidos para a concessã o do
benefício se confundem com os necessá rios para o deferimento desta medida
antecipató ria, motivo pelo qual, em sentença, se tornará imperiosa a sua concessã o.
Assim, apó s a realizaçã o da perícia pertinente ao caso, ficará claro que a
Requerente preenche todos os requisitos necessá rios para o deferimento da antecipaçã o
de tutela, tendo em vista que o laudo socioeconô mico fará prova inequívoca do estado de
miserabilidade, bem como o laudo médico pericial nã o deixará dú vidas quanto à s
moléstias incapacitantes, tornando, assim, todas as alegaçõ es verossímeis. O periculum in
mora se configura pelo fato de que se continuar privada do recebimento do benefício, a
Autora terá seu sustento prejudicado, tendo em vista o cará ter alimentar do benefício.

4. PEDIDOS

FACE AO EXPOSTO, requer a Vossa Excelência:

1) O recebimento e o deferimento da presente peça inaugural, bem como o deferimento


da assistência judiciária gratuita, por ser a Autora pobre na acepçã o legal do termo;
2) A citaçã o do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, para, querendo, apresentar
defesa;
3) A produçã o de todos os meios de prova, principalmente a documental e a pericial;
4) A dispensa da prova de MISERABILIDADE já analisada pelo INSS, conforme
documentos em anexo e precedente da TNU.
5) O deferimento da antecipaçã o de tutela, com a apreciaçã o do pedido de implantaçã o
do benefício em sentença;
6) O julgamento da demanda com TOTAL PROCEDÊNCIA, para que o INSS conceda o
benefício assistencial ao Autor, pagando as parcelas vencidas a partir do
requerimento administrativo (..................) e vincendas, monetariamente corrigidas
desde o respectivo vencimento e acrescidas de juros legais e morató rios, incidentes
até a data do efetivo pagamento;
7) Em caso de recurso, ao pagamento de custas e honorá rios advocatícios, eis que
cabíveis em segundo grau de jurisdiçã o, com fulcro no art. 55 da lei 9.099/95 c/c art.
1º da Lei 10.259/01.
8) A parte Autora renuncia expressamente aos valores que excederem o limite de 60
(sessenta) salá rios mínimos, definidos como teto fixador da competência dos
Juizados Especiais Federais, nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.259/01.
Nesses Termos,
Pede Deferimento.

Dar-se-á causa o valor de R$ .........................

Cidade e Data

Advogado

OAB n°

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