UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA CAMPUS DE ARAÇATUBA

PRODUÇÃO DE SILAGEM E FENAÇÃO

Cecilio Viega Soares Filho, Eng. Agr. Doutor em Produção animal

Araçatuba - SP

1. INTRODUÇÃO A utilização de forragens pelo gado, através de pastoreio, dentre os sistemas de produção animal, o mais econômico para alimentação dos rebanhos. Entretanto, ocorre que a disponibilidade de forragem durante o ano é desuniforme, principalmente por influência de fatores climáticos, desde que em qualquer tipo de manejo haverá sempre um período de produção abundante (verão úmido) e outro de escassez (inverno seco). No período das chuvas (verão úmido) que corresponde a 5-6 meses do ano, as forragens produzem 80% de seu potencial anual e, no período seco, os 5-6 meses restante, apenas 20%, por isso, no inverno é indispensável contar com suplementos tais com silagem, feno, forrageiras de inverno e capineiras. Vale também ressaltar que estas alternativas não são concorrentes e, sim, complementares; quanto mais opções tivermos, melhor. A silagem tem recebido maior ênfase por parte dos produtores, por exigir uma tecnologia simples, e apresentar excelentes resultados; e sua confecção não é tão limitada pelos fatores climáticos e topográficos, como acontece com a fenação. A falta de tradição concorre para a resistência do pecuarista em utilizar o feno como reserva forrageira de alta qualidade. Esta situação, entretanto, tende a mudar esta opnião, e será mais acentuada à medida que o produtor ver o resultado desta técnica. Dentre os efeitos benéficos de utilização de suplementação alimentar para o rebanho em épocas críticas, podemos citar: diminuição de mortalidade, aumento de natalidade, manutenção do peso animal na entressafra, maior rapidez, no giro de capital, carne de melhor qualidade, menor utilização de rações industrializadas, aumento da lotação animal por área.

suficientes ao bom trabalho das bactérias. pois estas além de pobres em 2 . pela ausência de ar e inibição de fermentação pelo abaixamento do pH. 2.os aditivos . na ausência de ar em depósito próprio chamado silo. razão pela qual devemos observar alguns detalhes da produção deste tipo de volumoso. as bactérias atuam sobre os carboidratos solúveis (açúcares).1. paralização da respiração. que é uma das condições básicas na escolha da forrageira. e ocorre mais facilmente se a planta ensilada possuir carboidratos solúveis suficientes para formar os ácidos. Isto é necessário porque estes capins não apresentam teores de carboidratos solúveis. transformando-os em ácidos. principalmente as leguminosas quando ensiladas pura. A ensilagem não exige tecnologia sofisticada. Este trabalho é feito pelas bactérias. estas não resistem à acidez elevada (pH baixo). No caso de usarmos capineiras para ensilar.0 e a estabilização (conservação) ocorre em pH 3. compactação e vedação). transporte. carregamento.5 a 4.2.2.sobre os quais comentaremos posteriormente num tópico à parte. Nos capins de menor porte e leguminosas usadas em pastagens os teores de carboidratos são ainda mais reduzidos. picagem. O ideal seria que estas plantas possuíssem acima de 15% de carboidratos solúveis. no qual é conservada mediante fermentação. principalmente ácidos lático e acético que baixam o pH impedindo que as bactérias indesejáveis continuem a fermentação. quando cortados com 33 a 35% de matéria seca. Ao conjunto de operações necessárias à confecção da silagem. condição satisfeita pelo milho e sorgo. pois. SILAGEM Silagem é a forragem verde e suculenta armazenada. torna-se necessário a adição de outros produtos . o que reduz gastos com a ensilagem.5 a 6. dificultando bastante a conservação. Outro fator relevante na escolha da forrageira é que esta apresente alto rendimento de massa verde por hectare. chamamos de ensilagem (corte. O material é ensilado com pH 5. mas cuidados são necessários para reduzir perdas de valor nutritivo no material ensilado. FORRAGEIRAS PARA ENSILAR Dois são os princípios básicos para a conservação do material ensilado.

isto em função do alto preço do milho. onde o milho não produz bem. são ricos em cálcio. milho. Planta forrageira Milho Sorgo Capim elefante Girassol Milheto Alfafa tonelada de matéria seca por hectare 9 a 16 9 a 25 10 a 40 5a8 10 a 15 15 a 20 Considere-se que a fertilidade do solo seja um dos principais fatores responsáveis pela baixa produtividade das áreas cultivadas para a produção de silagem. quando é colhida para a ensilagem. Entretanto. Esse fato ocorre porque. os rendimentos obtidos são frequentemente baixos e irregulares. sem o uso de recursos adicionais. já que toda a parte aérea é removida. milheto. elemento mineral que forma complexo com os ácidos formados dificultando o abaixamento de pH. O potencial de produção das culturas para ensilar. aveia. 3 . girassol. predominantes entre nós. a planta promove uma extração muito grande de nutrientes do solo. Porém. Outra opção que tem sido usada é a mistura destas forrageiras. a silagem de capim elefante. Potencial de produção das culturas forrageiras usadas. alfafa ou capim. o milho e o sorgo são os que produzem a melhor silagem. Dentre as opções existentes.carboidratos solúveis. tem merecido bastante atenção por parte dos pecuaristas. é elevado. o sorgo tem sido uma opção vantajosa em regiões mais secas. nas propriedades. fato esse que encarece sobremaneira o custo do alimento preservado e reduz consideravelmente a disponibilidade de volumoso para o rebanho. o que em alguns casos é viável e em outros não vale a pena. sorgo. como mostram os dados resumidos no quadro abaixo.

O esterco desenvolverá ao solo grande parte dos nutrientes contidos nas plantas forrageiras e assim contribuirá para melhorar o efeito da extração intensa. umidade ou luminosidade.2. fato esse que. a reposição de nutrientes também é de importância fundamental para a manutenção do stand e de elevada capacidade de produção. somente 1/3 do nitrogênio contido no esterco de gado pode ficar disponível para a planta. têm sido obtidos bons resultados. de sorgo e de capins tropicais são elevadas. sendo o esterco mais rico em potássio 4 . Deve-se também considerar que. além de reduzir a produção. Admite-se que. Dentre os nutrientes removidos. Além desse aspecto. no Estado de São Paulo. pode ser responsável pela tendência da colheita do milho e do sorgo antes do ponto recomendado. com elevadas produções de matéria seca por área. associado com outras deficiências minerais. já que evidências experimentais. sua extração é muito grande. havendo incorporação. fato esse que parece não depender da fertilidade. Deve-se dar ênfase ao fato de que a colocação de adubos nas capineiras deve ser realizada imediatamente depois da retirada da forragem. o potássio carece de atenção especial porque. quantitativamente. adotando-se a adubação de plantio com 350 a 450 kg/ha de 4-2816 + Zn e adubação de cobertura com 400 a 500 kg/ha de 20-00-20. mas praticamente todo o fósforo e o potássio estarão em disponibilidade. haverá também um ressecamento precoce das folhas mais velhas. mostram que em gramíneas tropicais há uma concentração da emissão de perfilhos em um curto período de tempo após o corte da planta. apliquem-se por hectare: 40 kg de N. um entrave sério a colheita mecânica. Para o caso do corte de capim. Todas as gramíneas forrageiras são ricas em potássio e. A importância da reposição de matéria orgânica e elementos minerais nas área cultivadas intensamente para a produção de silagem é recomendada e reconhecida há muito tempo por agricultores de regiões desenvolvidas.2. ADUBAÇÃO DAS CULTURAS PARA ENSILAR A capacidade extrativa de silagens de milho. portanto requer utilizar uma adubação diferenciada das plantas forrageiras para a ensilagem. É recomendável que após cada corte do capim-elefantge. o problema pode ser crítico. Deficiências de potássio. 20 de P2O5 e 60 kg de K2O. O emprego da rotação de culturas com adubo verde ou o uso de esterco tem sido recomendado há muitos anos. podem ser um dos fatores responsáveis pelo acamamento de culturas. No caso do milho e do sorgo.

estando as plantas com cerca de 1. com teor de matéria seca de mais ou menos 5 . o que pode ser obtido pela implantação de 18 a 20 sementes por metro e espaçamento de 0.que em cálcio e magnésio. recomenda-se o estabelecimento de cerca de 200 mil plantas por hectare. dependendo das condições de clima. Para a região do Estado de São Paulo. trabalhos experimentais têm mostrado que neste ponto se obtém o melhor valor nutritivo da silagem. quando os grãos estiverem no ponto farináceo. Para o caso do sorgo. num estágio muito semelhante ao do milho. 2. 2. possibilitando a obtenção de uma maior produção de matéria seca por unidade de área.4. haverá necessidade de aplicação de calcário para ajustar a relação e repor esses elementos que também são extraídos com intensidade. POPULAÇÃO DE PLANTAS EM CULTIVOS PARA ENSILAR A baixa produção das culturas forrageiras pode ser também consequência da pequena densidade de plantas estabelecidas por unidade de área. mas. as recomendações são para cortes entre 50 a 80 dias de crescimento vegetativo. nas que apresenta condições mais propicias de umidade.6 a 2. COLHEITA DA FORRAGEIRA PARA ENSILAR O milho deve ser cortado para ensilar quando apresentar de 33 a 35% de matéria seca. o ponto de colheita. como consequência de uma maior consumo voluntário de matéria seca com maior quantidade de grãos. ou sorgo. Além dos aspectos mencionados. Para o caso do capim elefante. ponto onde se consegue aliar boa produção de matéria seca e valor nutritivo.70 m entre linhas. o stand deverá ter 60 a 70 mil por hectare. Recomenda-se colher o sorgo quando este apresentar de 28 a 30% de matéria seca. Essa situação é geralmente alcançada depois de 100 a 110 dias de crescimento vegetativo. tem-se considerado que nas áreas sujeitas a deficiência hídricas a população de plantas de milho deve ser de 40 mil por hectare. sendo o tempo disponível para a colheita de 12 a 15 dias. no ponto em que os grãos estiverem no chamado estágio farináceo-duro. ou seja. pois. ou seja.0 metros de altura.3. não existe necessidade de aditivos para o estimulo da fermentação. Ao ensilar o milho.

Quanto mais comprimida a massa no interior do silo. enxada. 40% na aveia e de 78% na dos capins que rebrotam na faixa compactada. o material caia em condições de ser compactado. Assim sendo. Considera-se de grande importância para o processo de ensilar alcançar e manter condições anaeróbicas no enchimento de silos. PICAGEM. como consequência da compactação. picam e jogam na carreta. ao ser picado. em seguida é picada por uma ensiladeira que deverá estar colocada ao local de armazenamento de forma. principalmente as fermentações indesejáveis. pode ser interessante. Pode-se também transportar a massa verde já picada utilizando-se máquinas estacionárias ou especiais de tração mecânica que cortam. etc. o uso de produtos que visem a melhora do valor alimentar destas forragens. Porém. a compactação pode ser feita pelo pisoteamento por homens (silo aéreo e cisterna) animais e tratores (silo trincheira e de superfície). poderá haver redução de 50% na produção de milho. Umas das práticas indispensáveis para produção de uma boa silagem é picar a forragem em pedaços pequenos de 2 a 3 cm. 6 . eliminado maior quantidade de ar e as bactérias tem maior contato com os elementos constituintes da forragem ensilada. A colheita de plantas para ensilar normalmente exige o tráfego de máquinas sobre o campo de cultivo. e a adoção de práticas para corrigir este problema. Neste caso. medidas estas que facilitarão este tipo de colheita. que foi cortada manualmente usando-se facão. TRANSPORTE. CARREGAMENTO E COMPACTAÇÃO O transporte pode ser feito com a forrageira inteira. a falta de compactação e o atraso na vedação são procedimentos que concorrem para aerar a massa e promover perdas no processo de fermentação. melhor será a qualidade da silagem. Observações experimentais indicaram que.5. Observa-se que para a colheita totalmente mecânica do milho ou do sorgo escolhem-se variedades resistentes ao tombamento. torna-se importante a verificação da existência de compactação nos campos de cultivo. o carregamento lendo.de 30% inibe os processos fermentativos. 2. e este fato promoverá a compactação do solo.. a coloração de camadas diárias finas. facilita a compactação. melhorando a fermentação e conservação do produto.

7 .

TIPOS DE SILOS 2.6. 2. sobre esta área coloca-se uma camada uniforme (20 . cisterna ou aéreo de encosta. tem a vantagem de ser fácil de descarregar e apresentar baixa perda de material. casca de arroz) com a finalidade de eliminar o contato do material com a terra (rica em bactérias indesejáveis).1. aproveitando-se um desnível próximo ao local de trato dos animais. em seguida coloca-se a forrageira picada em camadas com lona plástica toda a extensão da massa.6. 2. este silo caracteriza-se por uma vala aberta no solo. acima do nível do solo. etc). É um tipo de silo de construção mais barata do que os tipos aéreo. Escolhe-se uma área plana e próxima ao local de tratar dos animais.3. sendo praticamente desaconselhável para a situação atual. SILO CISTERNA OU POÇO Este tipo de silo é aberto a semelhança de uma cisterna de grandes proporções. vem sendo difundido no Brasil por apresentar a vantagem de eliminar gastos de construção. Em contrapartida a estas desvantagens. a colocação de peso sobre a lona (areia.30 cm de uma palhada qualquer. de elevado custo. como por exemplo. pneu. 8 . Deve ser utilizando um artifício para impedir a entrada de ar e umidade. SILO DE SUPERFÍCIE Este tipo de silo já usado em muitos países da Europa.6. capim. SILO TRINCHEIRA Como o próprio nome indica. SILO AÉREO É um tipo de silo construído de alvenaria.6. Outro problema é o carregamento que só é possível com o emprego de ensiladeiras elevadoras. bagaço de cana.2.2.6. construído. palha de milho. 2. e a construção de duas valetas: sendo uma para prender os lados da lona plástica e a outra para impedir a entrada de água.4.

em média. perdas mais pronunciadas. etc). A quantidade de ar que penetra na silagem durante o período de armazenamento tem influência negativa sobre a qualidade e concorre para aumentar as perdas. este consumo pode chegar a 35 kg/dia. haverá grande penetração de ar. 2. Por esse motivo. pneus velhos. já que. principalmente se a forragem tiver matéria seca elevada. o que facilita a abertura do silo.7. USO DA SILAGEM As transformações bioquímicas na massa ensilada atingem o fim dentro de poucos dias após o carregamento do silo. A silagem deve ser retirada diariamente. iniciando o fornecimento aos animais de maneira gradativa. e consequentemente. espessura de 30 cm. A adoção de silos de superfície do tipo bunker (paredes laterais de madeira ou alvenaria) pode minorar os efeitos desfavoráveis do ar durante o enchimento e o armazenamento. Em silo cisterna pode-se colocar areia sobre lona. cerca de 25 kg/dia de silagem de milho e. se for silagem de capim. De modo geral. se a compactação da superfície for inadequada.Nos silos horizontais do tipo superfície. favorecendo a compactação. coloca-se uma camada de terra. palha. em camadas mínimas de 15 cm em toda extensão de massa exposta ao ar (silo trincheira). VEDAÇÃO OU FECHAMENTO DO SILO Como última tarefa na ensilagem. para iniciar o carregamento. já auxilia na compactação e diminui perdas. em seguida. quando bem feita. recomenda-se abrir os silos 30 dias após o fechamento. recomenda-se depois da vedação. para que estes se habituem a esta alimentação. Alguns agricultores adotam a prática de colocar uma camada de 20 cm de capim.8. 2. aplicar sobre o plástico algum peso (terra. podendo por conseguinte ser utilizada pelos animais. temos a vedação da entrada de ar que. 9 . porque a areia é mais fácil do que a terra. sacos de areia. garante a conservação da silagem por muito tempo. Um animal adulto consome. a ausência de paredes laterais para possibilitar uma compactação mais intensa. A simples colocação de toras de madeira dos lados do silo. cria condições favoráveis a uma maior penetração do ar. Nesta operação o melhor é colocar sobre a massa uma lona plástica.

menor compactação e densidade da massa e temperatura ambientes elevadas. Haverá também perdas por drenagem. tornando-se então maiores que as relacionadas com a fermentação. Estas perdas não são totalmente evitadas. nessas condições. existem perdas gasosas devido a respiração da planta e atividades bacterianas. podendo atingir de 2 a 5% da matéria seca.Quando o silo é aberto. Apesar de todas as precauções. através da retirada de camadas de toda a superfície e com espessura de no mínimo 15 cm/dia. os microorganismos. 10 . esse fenômeno manifesta-se através da elevação acentuada da temperatura e do aparecimento na massa ensilada. teor elevado de matéria seca. está relacionada com: tempo prolongado de enchimento. quando o material for ensilado muito úmido. 2. E. multiplicam-se rapidamente. que estavam em dormência na ausência de oxigênio. Na fazenda. haverá sempre perdas de silagem que serão maiores ou menores. passa a ser aeróbico. Admite-se que as perdas por aeração podem atingir valores de 30%. facilitam a descarga em grandes silos. provocam maiores perdas por afetarem as camadas remanescentes. O uso de pás carregadeiras frontais. Considera-se que o método mais efetivo de diminuir perdas seria a remoção e fornecimento imediato da silagem aos animais. PERDAS NA ENSILAGEM Para maior êxito em todas as operações descritas. Evidências experimentais têm mostrado que a alta susceptibilidade das silagens a deterioração. podendo chegar a decomposição de até 50% da matéria seca. o ambiente anaeróbico. aeração da massa na ensilagem. A remoção de silagem deve ser realizada sem promover perturbações nas camadas remanescentes. chegando a 15% da matéria seca.9. finalmente. mas podem ser bastante diminuidas quando o trabalho é criterioso. paralizações acarretam perdas de valor nutritivo da silagem. de acordo com a observação ou não dos cuidados no carregamento. promovendo a deterioração da silagem depois que se inicia a descarga. após a abertura do silo. torna-se necessário rapidez no enchimento do silo (sem paralização). responsável pela conservação.

com tons esverdeados. 2. farelo de arroz. A aplicação de aditivos propriamente dito. variando do amarelo esverdeado ao marrom esverdeado (cor de azeitona verde). sabor forte e picante. inoculantes bacterianos. possui textura firme. melaço. sua coloração recorda o material original. com finalidade de maelhorar a fermentação e conservação do valor nutritivo. sendo difícil desprender os tecidos das folhas. semelhante ao do vinagre. ADITIVOS Aditivos são produtos que podem ser acionados à massa verde. farelo de trigo. 11 .2. etc. apresentando grande aceitação pelo animal. Uma boa silagem é a que não apresenta mofos.2 e nitrogênio volátil na proporção de 12 a 15% do nitrogênio total da silagem. alto teor de ácido lático (7%).10. cana.8 a 4. SILAGEM BEM FERMENTADA Caracteriza-se por apresentar pequenas perdas no seu valor nutritivo.11. apresentamse com umidade elevada para a realização desta prática. serve para garantir uma boa fermentação. baixo teor de ácido acético (3%). clara. aceitabilidade e digestibilidade da silagem. pH de 3. pouco ou nenhum ácido butírico (ranço). como é o caso dos capins do grupo elefante que tem baixo teor de carboidratos e no momento de ensilar. principalmente quando se ensila forrageiras com baixos teores de príncipios necessários para a formação de boa silagem. apresenta odor agradável. Por exemplo os tipos de aditivos são: fubá de milho.

tendo. pois o valor nutritivo das forrageiras decresce sensivelmente até este período. Assim. entretanto. ocorre porque 1 kg de feno equivale de 3 kg de silagem e. 3. visto que o controle do consumo de forragem através de alterações de carga animal geralmente é difícil de ser realizado. assim. ele utilizará os recursos que já existem em disponibilidade na propriedade. Este fato.1. 3. quando ocorre maior produção aliada ao alto valor nutritivo das forrageiras. A idéia de que a melhor época para a produção de feno seja a do início da seca é altamente rejeitada. pelo menos uma vez durante a estação de crescimento. que a primeira vista. TÉCNICAS DE PRODUÇÃO O feno é obtido basicamente pela ceifa e secagem parcial de plantas forrageiras. é de dezembro a junho.3. As chuvas que ocorrem de outubro a março não chegam a impedir a elaboração do feno. permitindo o apreveitamento do excedentes de forragem ocorridos em períodos de crescimento acelerados de forrageiras. Um fator que normalmente provoca uma certa resistência do agricultor em adotar a planta fenada como alimento para os animais é o pequeno consumo que se observa quando o produto é oferecido aos bovinos. ÉPOCA PARA FENAR O período mais indicado para a prática de fenar. ás áreas de pastagens para a fenação. quando começa a ser usado. Quando o pecuarista escolhe o feno como opção para armazenamento de forragem conservada. em grande parte do estado de São Paulo. tornando-se impróprias para a fenação. os pastos são cortados para produzir feno. procurando manter-se a qualidade e o valor das mesmas. dá a impressão de não estar sendo bem aceito pelos animais.2. parece desfavorável. que ser aproveitados os dias de céu aberto e quentes que 12 . A tecnologia empregada atualmente tem sido no sentido de utilizar mais intensamente. FENAÇÃO A fenação ocupa importante papel no manejo das pastagens.

que cessa apenas quando a umidade cai a níveis de cerca de 30%. o corte pode ser feito no período que antecede a floração ou mesmo durante esta. PROCESSO DE FENAR Consiste basicamente na desidratação da forragem verde com 65 . A rapidez com que o ponto de feno é atingido. cerca de 24 a 36 horas são suficientes para a completa desidratação da planta. deve ser levada em consideração a idade fisiológica da planta para obter altas produções de bom feno e a frequência dos cortes. o tempo necessário para a fenação pode ser reduzido para aproximadamente 10 horas. Este princípio não é básico para forrageiras que florescem apenas uma vez por ano e proporcionam mais de um corte econômico. neste caso. de maneira a garantir alguma reserva para as rebrotas. geralmente agrupados em número de dois ou mais. de 10 a 48 horas. Sabe-se que a temperatura é um fator do meio ambiente que afeta consideravelmente a dissecação. o aproveitamento desta condição torna-se mais viável a medida que se observam as previsões dadas pelos serviços de metereologia na região em que se pretende elaborar o feno e se utilizem forrageiras que perdem água mais facilmente. a desidratação é mais acentuada logo após o corte.ocorrem nesta época. e que a taxa de perda de água aumenta com a elevação da temperatura do ar. Por outro lado. Desta forma. em média. quando o ar apresenta uma umidade relativa mais 13 . diminuindo a medida que atinge valores abaixo de 65% de umidade.3. concorre para menores perdas de princípios nutritivos nesta fase. tem mostrado que para produções elevadas de feno por área. 3. até o ponto ideal. Quando a espécie forrageira cortada apresentar baixa produção e as condições climáticas forem favoráveis. A idade da planta também contribui para a determinação da época de corte e. suficientes para a prática de fenação que leva.85% de umidade para 10 a 20%. Qualquer ampliação no tempo de secagem aumentará os riscos de perdas parciais ou totais por ocorrência de chuvas sobre a planta cortada e por tempo prolongado de permanência do material no campo em consequente demora na paralização das atividades metabólicas das plantas. A experiência obtida com a produção de feno de gramíneas no Estado de São Paulo.

podem realizar também as práticas de enleiramento e esparramação. o material voltar a posição inicial rapidamente. a viragem do material deve iniciar logo após o corte e ser repetida tantas vezes quanto possível. sendo que a umidade final deverá estar entre 12-14%. se a forragem for submetida a tratamento para afofar e virar. nas etapas iniciais. assim. ainda não está no ponto. Se o material permanecer no campo por mais de um dia. passou o ponto de feno e. A umidade ao final da desidratação é responsável pelo êxito ou fracasso da fenação. sem rompimento de hastes. uma pessoa que tenha vivência com esta fase de fenação pode determinar a hora de armazenar. permitindo a entrada de ar. se não eliminar umidade. está no ponto. podendo inclusive dar prosseguimento à fotossíntese por um período de tempo relativamente longo. A desidratação final é feita em pequenas leiras. o efeito do orvalho e melhorando a homogeneidade da desidratação. A respiração também ocorre até que a umidade atinja valores próximos de 30% ou até que a temperatura alcance níveis de 45 oC. a umidade relativa do ar deve estar ao redor de 60 a 70%. quando as células vegetais morrem.elevada. onde o material é espalhado novamente. existe a necessidade de se contar com temperaturas também mais elevadas para que continue havendo perda de umidade por parte da planta forrageira. se houver rompimento das hastes. voltando ao processo de viragem após enxugar os espaços entre as leiras. vento e raios solares. sendo que os efeitos 14 . O ritmo de desidratação a campo pode ser acelerado de três a quatro vezes. ao soltar-se o material voltar lentamente a posição inicial. ao soltar. reduzindo a quantidade mínimas as perdas nesta fase. a planta continua viva. Para que o feno atinja um teor de umidade de 12-13%. este deverá ser enleirado a tarde e esparramado no dia seguinte. Pode ser feita manualmente ou com o uso de ancinhos de tração mecânica de vários tipos que. dependendo da regulagem. e. Existem outros meios de verificação prática do ponto de feno. Dentre as maneiras práticas de verificação podemos citar o processo de torcer um feixe de forragem e observar: se surgir umidade e. proporcionando a obtenção da umidade desejada mais uniforme e facilitando o recolhimento do material pelas enfardadeiras. o material também deverá estar enleirado. Após o corte. A determinação do final da desidratação “ponto de feno” pode ser feita por equipamentos adequados ou por maneiras práticas. porém. evitando. apenas observando o aspecto da forragem. Ocorrendo chuva durante o dia. quando pode ser armazenado.

é preferido porque proporciona maior rendimento. sendo que o corte mecânico. mesmo que no início da manhã a forrageira esteja orvalhada. Pode-se também utilizar segadeiras de tração animal. A secagem artificial leva a obtenção de feno de qualidade superior e com perdas bastante baixas. Aspergillus fumigatus. O feno que não desidratou o suficiente tem o risco de intoxicar os animais que o consomem. podendo ser feita através de ventilação forçada ou utilizando ar quente em secadores especiais. Tem altura de corte regulável. ao cortarem. observada a disponibilidade de máquina e/ou mão-de-obra. proteína digestível. em relação a forragem em torno de 9 . CORTE DA FORRAGEM Pode ser manual ou mecânico. não correrão prejuízos de queda de folhas havendo uma descoloração do feno. mas no caso das gramíneas. Existem também as segadeiras-condicionadoras que. A quantidade de material a ser cortado depende da capacidade de processamento. há quem diga que é preferível perder por secagem excessiva do que por umidade excessiva. o desprendimento de folhas seria muito intenso. Desta maneira. largura de corte variável de acorde com o modelo e rendimento médio em torno de 2 ha por dia. 3. digestibilidade da matéria seca e aparecimento de fungos. com efeitos negativos sobre a aceitabilidade de forragem pelo animal. O corte mecânico propriamente dito é feito com ceifadeiras ou segadeiras acionadas por trator. A secagem excessiva de leguminosas é prejudicial. actinomicetos e tomactinomicetos. O corte nas primeiras horas da manhã possibilita maior desidratação ao final do dia. verificados no material armazenado com mais de 20% de umidade. devido à ingestão de fungos patogênicos. quando possível de ser empregado. pois. Aspergillus flavus. Em alguns casos ocorre também grande elevação de temperatura que pode chegar até a combustão espontânea. bioquímicos e microbiológicos mais importantes.4. nestas condições. são: redução dos teores de açúcares solúveis. 15 . porém estes processos somente isolados.10 horas.químicos. o corte manual pode ser feito empregando-se alfange ou segadeira de motor costal. bactérias e actinomecetos. que causam transtornos digestivos e aborto nos animais. tais como: Aspergillus glacus. acopladas ao hidráulico ou arrastado.

idade da planta. enfardamento e aumentar as perdas de material no campo. do consumo. destacando-se os teores de fósforo. fósforo.1. desidratação mais rápida e uniforme. As roçadeiras também podem ser empregadas no corte do material. O valor nutritivo varia com a espécie botânica. 3. principalmente quando vai fenar leguminosas ou gramíneas de talos grossos. garante maior produtividade por unidade de área. As roçadeiras repicam muito a forragem cortada. ocorre queda do valor nutritivo em função da diminuição das percentagens de proteína. fertilidade do solo.5. O incoveniente na utilização desta máquina é que os colmos das gramíneas que permanecem nas touceiras ficam rachados. por ser reduzida a frações. pequenas. em relação a planta ceifada.5. Outro tipo de implemento que pode ser empregado é a colhedeira de forragem tipo faca-boba. e diminui o tempo de secagem. proporcionando secagem rápida e uniforme com menores riscos de perdas de folhas. VALOR NUTRITIVO Ao escolher a forrageira a ser fenada. sendo. fertilidade do solo. O valor nutritivo varia com a espécie botânica. normalmente avaliado em termos de sua composição química. comprometendo a rebrota futura. mas podem dificultar o enleiramento. cálcio e a digestibilidade da matéria seca.racham os nós e entrenós da forrageira. Outro aspecto negativo é que a forragem cortada. CARACTERISTICAS DE PLANTAS PARA FENAÇÃO 3. fósforo. as leguminosas são mais ricas em proteína e cálcio que as gramíneas. 16 . A influência da fertilidade do solo reflete-se nos teores de proteína. deve-se observar o seu valor nutritivo. A medida que a planta se desenvolve. potássio. além disso. sendo importante a sua manutenção que. portanto. fica difícil de ser manuseada. idade da planta. Em geral. recomendado o uso desta máquina apenas uma vez ao ano. digestibilidade e consequentemente. digestibilidade e consumo. assim.

POTENCIAL DE PRODUÇÃO O potencial de produção talvez seja o fator mais importante a ser considerado na escolha da espécie forrageira.3. No entanto os capins cespitosos não apresentam persistência quando cortados rente ao solo. graças às características de seus cipós ou pegajosidade.4. Neste caso. porém mais fáceis de serem cortadas. número e abertura dos estômatos. FACILIDADE DE DESIDRATAÇÃO A facilidade de secagem é influenciada pela relação caule-folha. quando não é possível a utilização destas.5. teor de umidade ao tempo de corte. em relação a gramíneas estoloníferas. bem como do grau de tolerância das forrageiras ao corte. quando comparadas as estoloníferas e decumbentes.5.5. FACILIDADE DE CORTE Algumas plantas dificultam o trabalho da segadeira. forrageiras mais folhosas são mais fáceis de serem fenadas. são mais fáceis de serem cortadas as plantas cespitosas. Ess fato pode ter influência na diminuição dos custos de produção. 17 . Gramíneas cespitosas. No entanto. tornando-se exposto à eliminação. visto que na mesma área pode-se obter um maior quantidade de feno. serosidade das folhas. tem menor velocidade de rebrota após o corte. Um fator de extrema importância na determinação da capacidade de rebrota refere-se a precocidade do alongamento do caule da forrageira (gramínea). isto é. Em geral. 3. que é dado pela elevação do meristema apical acima do solo. a solução para uma rápida secagem consiste no uso de segadeira condicionadora. 3.5.3. CAPACIDADE DE REBROTA A rebrota depende das condições de fertilidade e umidade do solo.5. que têm elevação rápida do meristema apical. 3.2.

5.000 6.000 18.000 12. uma vez que possuem velocidade de desidratação diferentes. aveia e azevém. florakirk.6. as mais fáceis de serem fenadas: coast-cross n.000 6. estrelas. forma de armazenamento.000 14. 1 Tifton-85 Florakirk Grama estrela Rhodes Braquiária decumbens Braquiarão Alfafa Soja perene Aveia forrageira kg de matéria seca/ha/ano 19. amendoim forrageiro e outras. PLANTAS A UTILIZAR De maneira geral. Rhodes. rapidez na desidratação.000 20.000 3. alfafa. Dentre as leguminosas podemos citar a soja perene.7. Espécies forrageiras Transvala Coast-cross n. em função das diferenças morfológicas e fisiológicas entre estas forrageiras.5.000 26. umidade na ocasião do armazenamento. O consórcio gramíneas-leguminosas para fenar é praticamente inviável. transvala. sendo. processo adotado na fenação. 18 . dificultando a obtenção do ponto de feno. pode ser empregado na forma de feno um grande número de gramíneas. estágio fisiológico da planta. 1.000 30. podemos citar: espécie forrageira.000 16. portanto.000 28. Potencial de produção de algumas gramíneas e leguminosas tropicais.3. tiftons. geralmente de porte rasteiro e hastes finas. QUALIDADE E VALOR NUTRITIVO DOS FENOS Dentre os fatores que influem na qualidade e valor nutritivo dos fenos.

com. Podem ser aproveitadas as construções já existentes ou construir galpões rústicos no campo.8.br/pessoais/cec/index. 3. 793. em locais ventilados e livres de umidade.br Home Page: http://www. levando-se em consideração as facilidades encontradas na propriedade e o tempo que o feno deverá permanecer armazenado.atanet. ARMAZENAMENTO O feno pode ser armazenado solto ou enfardado.5.htm 19 . cheiro agradável.com. CECILIO VIEGA SOARES FILHO ENDEREÇO: Curso de Medicina Veterinária – Campus de Araçatuba Rua: Clóvis Pestana. ter boa percentagem de folhas. um bom feno deve possuir coloração esverdeada. E-mail: cecilio@atanet. Bairro Dona Amélia. livre de impurezas e elementos tóxicos e ter boa digestibilidade. ser macio.fertilidade do solo para produção da forrageira e condições climáticas na ocasião da fenação.4542. Fone (Fax): 622.

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